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S E M A N Á R I O

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D I S T R I T O

Semanário Regional | Director Interino João Nazário Ano XXV | Edição 1437 | 26 de Janeiro de 2012 | Preço 1 Euro IVA incluído | JORLIS-Edições e Publicações, Lda. Parque Movicortes 2404-006 Azoia - Leiria | Tel 244 800 400 | Fax 244 800 401 | geral@jornaldeleiria.pt | www.jornaldeleiria.pt

José Ribeiro Vieira 1943-2012

Um Homem de causas Depoimentos de Cavaco Silva, Ramalho Eanes, José Sócrates, Arnaldo Sapinho, Francisco Mafra, Henrique Neto, Rui Portugal Pedrosa, Fernando Gonçalves, Nerlei, António Sequeira, António Saraiva, Anabela Graça, Nuno Mangas, Narciso Mota, João dos Santos, David Fonseca, Francisco Figueiredo, Nuno Sardinha Págs. 2 a 15 e última


2 | 26 de Janeiro de 2012

| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

José o homem dos sonhos* Ao José Vieira As tuas mãos magoadas acordam o restolho sob a última árvore que criaste, uma oliveira, que é a mais sagrada de todas e alumia o caminho quando a noite principia. E agora José? Que é feito de nós que te esperamos quando estás de partida para outro lugar onde a solidão se abre para o infinito? Mas tu és o homem dos sonhos e sabes criar universos estranha e mansamente belos enquanto o relógio do tempo regista o futuro. 22.01.12 Orlando Cardoso

* Ruy Belo


| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

Editorial

Até sempre Eng.º Vieira! migo do coração para alguns e admirado pela maioria, havia também, naturalmente, quem com ele não tivesse a melhor relação. Não era consensual, como nunca é quem tem uma personalidade forte, mas uma coisa é certa: não era uma pessoa indiferente. A sua presença fazia-se notar e a sua voz era ouvida, mesmo que com ela não se concordasse. Era uma voz sincera e que espelhava convicções e determinação, estando sempre receptivo a ouvir novas ideias e com elas reformular a sua opinião. Não dizia o que não pensava fosse para agradar a quem fosse. Tinha carácter e admirava pessoas que também o tivessem. Gostava de conversar. De ouvir e ser ouvido. Entusiasmava-se com as histórias que contava e com as que ouvia. Quando a conversa evoluía para a discussão, principalmente em questões profissionais, era muitas vezes duro e intransigente. O ambiente ficava tenso e desconfortável, chegando por vezes ao confronto mais ríspido. Não deixava, no entanto, que o tempo desse corpo e dimensão às divergências do momento, tomando quase sempre a iniciativa de colocar uma pedra sobre o assunto, normalmente sem a ele se referir. Bastava um telefonema com a sua voz amável e umas palavras soltas para tudo voltar à normalidade. Nada de rancores ou pedras no sapato. Nada de alongar o que não valesse a pena. O seu pensamento estava direccionado para outras questões de mais nobre dimensão. A família, os amigos, o conhecimento, a actividade cívica e os projectos empresariais. Essa era a sua vida. O que lhe ocupava o espírito e dava prazer à alma. Para isso a sua disponibilidade era total. Nunca era tarde para lhe ligar. Nenhum pedido era grande demais para lhe ser feito. Tinha dificuldade em dizer que não. Para os amigos, que eram muitos, estava sempre presente. Nem a doença o impediu de responder a alguns convites, algumas vezes com bastante sacrifício. Poucos dias antes de nos deixar, e sabendo bem já o que o esperava, continuava a falar das empresas, da NERLEI, dos projectos em curso. Continuava a olhar para os outros, como sempre fez. Preocupado com as filhas. Com os amigos. Com os colaboradores. Deixou-nos, mas continuará presente. Além da obra mais física, ficará a imagem de um empreendedor incansável. De um lutador pela causa pública. De um Homem íntegro e leal. Ficará, principalmente, a recordação de um amigo generoso que gostava da vida, sem dela muito exigir. Alguns livros, um copo de vinho, de preferência da Herdade do Rocim, e os amigos por perto bastavam-lhe para uma tarde bem passada. Terá sido assim o seu último bom momento, na véspera de Natal na Livraria Arquivo. Quem por lá passou nesse dia lembrar-se-á da imagem. Até sempre Eng.º Vieira!

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João Nazário

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4 | 26 de Janeiro de 2012

| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

1963–1970

1969

1978

Cursou a Academia Militar e o Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia Electrotécnica

Fundou juntamente com familiares a Agricortes, empresa de comercialização de tractores e outros produtos para o sector agrícola

Suspende a actividade de oficial superior do exército com a patente de Major

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Criação da Livraria Arquivo

1979-1982 Vereador independente, eleito pelas listas do PS, na Câmara Municipal de Leiria. Foi membro da Assembleia Municipal de Leiria entre 1985 e 1987

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1980 Mandatário distrital da candidatura do General Ramalho Eanes à presidência da República G

Uma vida bem vivida Estudou engenharia, mas nunca exerceu. Foi militar, tendo abandonado a instituição para se dedicar ao mundo dos negócios, onde foi um empresário de êxito. Teve uma forte intervenção cívica e política, sendo intransigente na manutenção da sua independência de pensamento e sem nunca ter cedido à tentação dos cargos. Deixa uma marca na região de defesa pela causa pública. Como aluno da Academia Militar (ao centro)

osé Ribeiro Vieira, 68 anos, morreu na sextafeira após a luta mais difícil e inglória que travou ao longo da sua vida. Um problema de saúde fulminante interrompeu o seu percurso empresarial e cívico iniciado há mais de quatro décadas. Como antecipou há alguns meses, foi reformado pela natureza. “Será ela que me mandará parar”, afirmou na altura. Visivelmente fragilizado nas últimas semanas, nunca deixou de acompanhar as empresas, participar em cerimónias públicas, ou de escrever a sua habitual crónica na última página deste jornal. Os últimos tempos só vieram confirmar a determinação e perseverança que sempre o caracterizaram ao longo da vida, nunca se acomodando ao

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mais fácil, nem aceitando nada como definitivo, como, aliás, escreveu uma das suas principais referências, Agostinho da Silva, numa frase colocada em local de destaque nas instalações da Movicortes: “nada do que penso vejo como satisfatório e definitivo”. José Ribeiro Vieira era, de facto, um insatisfeito por natureza e terá sido essa característica que o levou até à Academia Militar e ao Instituto Superior Técnico numa época e num contexto em que não era comum prolongar os estudos. Mais tarde, já na carreira militar, com a confortável patente de Major e com um percurso seguro e tranquilo pela frente, decide lançar-se no imprevisível mundo empresarial. Deixa o Exército para se dedicar exclusivamente à Agricortes, que tinha fundado nove anos antes

A primeira direcção da ADLEI

com o irmão e outros familiares. Passados três anos cria a Movicortes, avançando só pelo seu pé para um projecto que viria a ser um dos mais importantes grupos empresariais da região. Começou com tractores e equipamentos para obras públicas, mas ao longo dos anos foi diversificando a sua actividade para áreas tão distintas como os sectores automóvel, livreiro, agrícola, da comunicação e vinícola. Não mais parou, procurando os melhores produtos, internacionalizando as empresas, melhorando as infra-estrtuturas e rodeando-se de recursos humanos qualificados. Só nos últimos quatro anos, em contraciclo com a economia, inaugurou uma moderna adega na Herdade do Rocim, construiu novas instalações em Angola e na Madeira, e requalificou todo

Com o General Ramalho Eanes, de quem foi mandatário distrital

o Parque Movicortes, em Azoia, Leiria. INTERVENÇÃO CÍVICA Paralelamente à sua actividade empresarial, Ribeiro Vieira manteve uma forte intervenção cívica, tendo passado pelos órgãos sociais de diversas associações desportivas, culturais e empresariais. À data do seu falecimento era presidente da Nerlei, vice-presidente do conselho geral da AIP da CIP e presidente da Assembleia Geral da Adlei, mas foram muitas outras as instituições a que esteve ligado, como a União de Leiria, a Juve, o CITL, a Casa Museu João Soares ou o Instituto Pedro Nunes. Pedro Neto, ex-secretário-geral do Nerlei afirma que Ribeiro Vieira “era uma pessoa com uma visão estratégica ímpar e convicções fortes, que pro-

curava de todas as formas atingir os seus objectivos. Para isso rodeava-se de pessoas que pudessem ajudar, relativamente às quais tinha um espírito crítico e era muito exigente, para que no devido tempo se atingissem os objectivos”. “Tive o privilégio de trabalhar com ele de uma forma mais próxima na presente direcção da Nerlei. Dos seus ensinamentos saliento os que mais me marcaram: a frontalidade com que abordava os assuntos, a humanidade com que se preocupava com as pessoas e a atenção aos detalhes (que importavam) e que se manifestava preferencialmente na forma como o recordo... a conversar!”, aponta António Poças, elemento da direcção da associação. A sua actividade cívica mais conhecida será, porventura, a inter-


| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

1981

1983-1984



Fundação da Movicortes, direccionada na altura para equipamentos de obras públicas, iniciando a relação com a marca Benati em 1983

Presidente do Rotary Club de Leiria, tendo sido seu membro entre 1982 e 1995 



venção política. Sem ambições a cargos, recusou por diversas ocasiões encabeçar as listas do PS e do PSD à câmara de Leiria, como não acedeu a ser candidato a deputado na Assembleia da República. Foi convidado e pressionado, mas não era essa a sua ambição. António Sequeira, deputado do PS na Assembleia Municipal de Leiria, adianta que a morte de Ribeiro Vieira deixa um “tremendo vazio”, porque era um homem que se “metia de corpo inteiro em tudo”. Segundo o socialista, era um “homem de causas” e “adorava a política”. E não tem dúvidas de que era “um político por natureza, no bom sentido”, mas tinha “noção da impor-

Soares, com quem mantinha uma relação pessoal, o que o levou abster-se de participar activamente na campanha que opôs o actual Presidente da República ao histórico socialista.

to estimava e que entendia ser determinante e estratégica para a região. Tomás Oliveira Dias, fundador da Adlei - Associação para o Desenvolvimento de Leiria -e do movimento pro-Ota, lembra que Ribeiro Vieira foi um dos fundadores destes dois organismos e salienta a “extrema preocupação” que dedicava às causas públicas. “Colocou sempre em cima o bem de Leiria e do País. Tinha da vida uma visão que não se limitava à sua actividade profissional, que desempenhava muito bem. Foi um homem da política sem filiação partidária e sempre com uma intervenção activa ao nível nacional e local.” Segundo Tomás Oliveira Dias,

CAUSAS PÚBLICAS Não foi só na política que José Ribeiro Vieira lutou pelo que entendia serem os interesses da região. Foram várias as causas públicas que defendeu e pelas quais deu a cara, desde o lobby pelo aeroporto na OTA, até à reivindicação de mais apoios para o tecido empresarial, passando pelo empenho na qualificação do Instituto Politécnico de Leiria, instituição que mui-

1989

1986-1988 Período de forte dinâmica empresarial, com início da relação com a marca de tractores agrícolas Zetor, em 1986 e Fiori, em 1987. Em1988, criação das empresas Moviter, Terralis e Vimoter. No mesmo ano surge a empresa Jorlis, com a aquisição do título Jornal de Leiria

Mandatário distrital da candidatura de Cavaco Silva, em 1995



Um chefe é o que chefia e, muitas vezes, o que chateia

“não se satisfazia em apenas negociar e ganhar dinheiro” e “intervinha o mais que podia”, disponibilizando meios sempre que era necessário através de uma “ajuda discreta”. O fundador da Adlei revela ainda que Ribeiro Vieira era uma presença assídua em reuniões informais que abordavam uma série de problemas da cidade de Leiria. “Era um homem de grande estatura, inteligência e moral, prestou um grande serviço ao País e à região, prescindindo do seu tempo para a vida cultural e associativa.” Ao longo dos anos foram muitos os contactos com quem estava mais perto do poder no sentido de interceder pela região de Leiria que, como é sabido, tem sido algo esquecida por Lisboa. Durante os anos que esteve à frente da Nerlei foram muitos os ministros que por ali pas

Uma empresa são projectos e pessoas. Gosto de lidar com pessoas e equipas, onde haja sonho e inovação



tância que a sua disponibilidade representava para as empresas”. Para ele, “as empresas estavam em primeiro lugar e o resto em segundo”, salienta António Sequeira. Gostava de intervir e de apoiar quem entendia ter melhores condições para os cargos, tendo as suas opções nem sempre sido bem compreendidas pelos que lhe eram mais próximos. Decidiu mais pelas pessoas do que pelas cores políticas. A sua grande referência política era, nunca o escondeu, o General Ramalho Eanes, de quem foi mandatário distrital e por quem abraçou o PRD. Com a retirada de Eanes da política, José Ribeiro Vieira apoiou, em diferentes momentos, Cavaco Silva, Ferro Rodrigues, José Sócrates e, a nível local, Isabel Damasceno. Também nunca escondeu a admiração por Mário

istrital

Fundador da Adlei e membro das suas três primeiras direcções. Foi presidente da direcção entre 2008 e 2010 e presidente da Assembleia Geral desde esse ano



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1992-1994 Aquisição da Guérin Máquinas e em consequência disso, do Parque Movicortes em Xabregas, Lisboa. No âmbito da Terralis início da relação com as marcas Hurlimann e Shibaura. A Moviter, passa a representar, em Portugal, as marcas Fiat-Hitachi e Hamm 

Memória de José Ribeiro Vieira

Henrique Neto, empresário notícia da morte chega como um soco e o primeiro pensamento vai para a família e para o seu sofrimento. Diga-se o que se disser nunca estamos preparados para morrer ou para ver desaparecer aqueles que nos são queridos; a dor pode variar com o tempo e as circunstâncias, mas nunca tem cura. Para os amigos fica o choque, a perplexidade, a injustiça de ver partir antes de tempo alguém que admiramos, quando na nossa ideia há ainda muitas coisas por fazer, muitas expectativas por concretizar, muitos debates por realizar, muitas amizades por desenvolver. Pouco a pouco cresce o vazio e a crescente consciência da perda sem solução vai-se impondo. A primeira reacção foi a de escrever, na tentativa de manter viva a memória, de recordar acontecimentos passados, ideias pressentidas, discussões havidas, divergências várias. Mas, rapidamente, tudo perde o sentido e a fragilidade de todas essas coisas da vida que não podem ser repetidas ou alteradas começa a impor-se com a violência do facto irreversível, por isso desmesurado e cruel. José Ribeiro Vieira teve uma vida cheia, multifacetada por interesses diversificados e pelas actividades mais variadas. Empresário construtor de ideias antes de ser criador de empresas, dividia-se em actividades singularmente dissonantes: comércio, agricultura, cultura, jornalismo, movimento associativo, actividade política, intervenção social Fundador da ADLEI, foi líder durante muitos anos do NERLEI e dirigente da AIP, tendo um papel central em tudo o que de novo e louvável aconteceu no concelho e distrito de Leiria. Na vida política determinou-se mais por homens e por projectos políticos do que por ideologias e partidos. Como cronista debatia-se visivelmente, como muitos de nós, entre o optimismo do empresário criador de progressos e a realidade frequentemente desagradável de que todos somos rodeados. Foi sempre um apoiante indefectível do melhoramento humano e o Instituto Politécnico de Leiria vai sentir a sua falta e a justeza do seu conselho. Talvez que a sua obra mais emblemática, aquela cujo carinho era bem vivo, esteja na Livraria Arquivo e naquilo que este espaço foi pouco a pouco representando no meio cultural da região. Por ali passam muitas ideias, homens, debates, livros, cultura viva e interventiva. Será porventura ali, para além da família, que a memória de José Ribeiro Vieira será mais vezes recordada com saudade. 

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1995 Mandatário distrital da candidatura do Professor Cavaco Silva à presidência da República

1997- 2012 1999 Presidente da NERLEI – Associação empresarial da Região de Leiria e vice-presidente da AIP - Associação Industrial de Portugal de 1997 a 2002. Em 2009 voltou a assumir a presidência da direcção da NERLEI e, por inerência, a vice-presidência da CIP – Confederação Empresarial de Portugal

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Início da relação com as marcas alemãs Wirtgen e a Vogele, líderes mundiais de mercado em equipamentos para estradas

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2000-2001

2002

A Livraria Arquivo muda de instalações e conceito, tornando-se num dos principais dinamizadores culturais da região

Mandatário distrital do PS nas eleições legislativas, sendo António Costa o cabeça de lista pelo círculo de Leiria e Ferro Rodrigues o líder socialista.

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Início da relação com a Hitachi, marca japonesa de equipamentos para obras públicas G

Representação em Portugal da mítica marca Moleskine G

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| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

A SUA CASA Natural das Cortes, freguesia rural de Leiria, Ribeiro Vieira era oriundo de uma família de agricultores, pessoas simples, com algumas posses mas com pouca instrução. Depois de passar pelo Liceu de Leiria, onde fez amigos para a vida, e por um colégio em Tondela, ingressou na Academia Militar, tendo-se mudado para Lisboa. Concluído o curso de Engenharia Electrotécnica, no Instituo Superior Técnico, e depois de uma passagem por Angola, continuou a viver em Lisboa, onde desempenhou funções no Serviço de Material do Exército. Com a passagem à reserva, com a patente de Major, mudouse para Leiria, de onde não mais saiu. Não teve uma casa, mas sim várias. Além das que habitou, passou horas a fio na Movicortes, na Azoia, mas era também muito provável encontrá-lo no Maneta, restaurante nas Cortes do seu grande amigo Luís. Mais recentemente, onde se sentia melhor era na Livraria Arquivo, a sua verdadeira casa dos últimos anos. Ali, era frequente encontrá-lo em reuniões, em conversas com amigos ou sim-

Colectivo a9)))), a quem cedeu instalações, e a atenção que teve com diversos jovens artistas da região a quem adquiriu algumas das primeiras obras. “Uma pessoa disponível e desinteressada materialmente. O interesse tinha-o pelo potencial dos outros. Gostava muito de pessoas empreendedoras, aproximandose delas e tentando potenciar as suas melhores qualidades. Pessoalmente, senti isso muitas vezes, em especial, na Casa da Reixida, onde sempre houve muita liberdade e respeito. Ajudou-nos sempre imenso através daquela capacidade que ele tinha de olhar para os outros e fomentar o talento”, afirma o artista plástico, natural de Leiria, Nuno Sousa Vieira. Como previa, a natureza obrigou-o a parar, mas como dizia Fernando Pessoa, que tanto admirava, “Viver não é necessário. Necessário é criar”. José Ribeiro Vieira já não vive entre nós, mas o que criou é uma boa ajuda para que quem fica continue a criar. I João Nazário

O último Adeus Ficou marcada pela emoção a despedida a José Ribeiro Vieira, domingo, nas Cortes, de onde era natural. A cerimónia contou com a presença de centenas de pessoas – família, amigos, colaboradores, habitantes locais, empresários, políticos, ex-ministros e personalidades diversas – que quiseram prestar-lhe uma última homenagem. A igreja foi pequena para acolher todos os que quiseram assistir à cerimónia religiosa, presidida por D. Serafim Ferreira e Silva, bispo emérito de Leiria-Fátima, e na qual esteve também Rui Acácio, pároco das Cortes. A entrada da urna na igreja foi acompanhada pela peça Air on the G String, de Bach, interpretada na flauta e na guitarra clássica por Neuza Bettencourt e Ilda Coelho,do Orfeão de Leiria. Ao longo da missa, os cânticos ficaram a cargo do coro da paróquia. D. Serafim Ferreira e Silva, entre outros aspectos, salientou o espírito livre e pensador de Ribeiro Vieira, a sua inquietação e sede de conhecimento, o seu empreendedorismo enquanto empresário, dirigente associativo e homem de causas. Depois da cerimónia, dois amigos fizeram os discursos fúnebres. O General Ramalho Eanes foi o pri-

meiro a falar, transmitindo as condolências do Presidente da República, Cavaco Silva, que representou na cerimónia. O general falou também em seu nome e da sua família, recordando o amigo e deixando à família palavras de alento. Seguiu-se Orlando Cardoso, que homenageou Ribeiro Vieira recordando os tempos em que andaram juntos na escola e, mais tarde, o reencontro e o percurso conjunto em diversos projectos. O cortejo seguiu para o cemitério das Cortes, à porta do qual estava uma formação de militares, que dispararam 21 tiros de salva, honra devida pelo facto de José Ribeiro Vieira ser oficial superior do Exército Português, com a patente de Major. JOVENS DAS CORTES PRESTAM HOMENAGEM No domingo era dia das festividades em honra de São Sebastião, organizadas pelos jovens que comemoram 20 anos em 2012. Deveriam ter começado às 11 horas, mas foram adiadas para o início da tarde devido às cerimónias fúnebres, nas quais muitos dos jovens fizeram questão de marcar presença, como forma de prestar homenagem a José Ribeiro Vieira. I

Com José Sócrates e Catarina Vieira na inauguração da Herdade do Rocim

RICARDO GRAÇA

plesmente a desfolhar livros, uma das suas maiores paixões. Leitor compulsivo e com interesses em diversas áreas, construiu uma biblioteca assinalável. Dava grande importância ao conhecimento e o que sabia nunca lhe chegava. Tentava incutir esse gosto nos que lhe eram mais próximos, oferecendo ao longo da vida muitas centenas de livros aos seus amigos e colaboradores. Na sua opinião, um dos problemas do País estava precisamente na falta de conhecimento geral, do pouco interesse generalizado por saber mais. Escreveu-o e disse-o muitas vezes, sendo essa uma preocupação constante e a base de muitos conselhos. Talvez por isso, tenha tido sempre a disponibilidade para apoiar projectos na área do saber e da cultura, sendo a própria Livraria Arquivo, com a sua galeria e inúmeras iniciativas de âmbito cultural, o exemplo mais conhecido. Houve, no entanto, outros exemplos disso, como a Casa da Reixida, a que se referem David Fonseca e João dos Santos em textos neste jornal, a colaboração com o

Se pudesse, seria um observador social e um viajante

RICARDO GRAÇA

saram e que, de alguma forma, Ribeiro Vieira tentou comprometer com promessas para a região. Neusa Magalhães, secretáriageral da Nerlei, lembra a forma como se destacava entre pares, não só pelo conhecimento que tinha sobre os problemas das empresas, mas pela sua capacidade de antevisão. Tais características, aliadas a um “espírito de missão inigualável” com que se entregava à Nerlei, faziam dele um dirigente reputado, ouvido pela região e pelo País. “Era sempre convidado para integrar órgãos importantes, como a CIP ou a AIP, que reconheciam como a sua presença era enriquecedora”, recorda Neusa Magalhães. Também nas páginas deste jornal ficou vincada essa sua preocupação pela causa pública, sendo recorrentes as orientações editoriais nesse sentido. Entendia que o Jornal de Leiria devia dar voz às reivindicações e lutar ao lado de quem defendia os interesses da região. Os seus dias pareciam ir além das 24 horas, tantas eram as reuniões, viagens e encontros em que se desdobrava, tendo sido muito o tempo que roubou às suas empresas e família em favor das instituições por onde passou e dos desafios políticos em que se envolveu.

Confio nas virtudes do trabalho, da dedicação, da vontade e do sonho


| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

2003-2004

2005

2006-2008

No âmbito da Terralis, início da relação com as marcas de tractores LS e McCormick, para os territórios de Portugal, Espanha e Angola

Criação da Moviter España, como importadora da marca Hitachi para este país

Criação do Centro Porsche Leiria

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Mandatário distrital do PS para as eleições Europeias G

Prémio Carreira atribuído pela ANJE G

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Inauguração da Herdade do Rocim, no Alentejo G

Mandatário distrital do PS nas eleições legislativas, com Alberto Costa como cabeça de lista pelo círculo de Leiria e José Sócrates como líder do partido. G

26 de Janeiro de 2012 | 7

2010

2011

Construção de novas instalações, próprias, na Região Autónoma da Madeira

Requalificação do Parque Movicortes, em Azoia, Leiria, construção de nova sede da Moviter

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Assume a presidência do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Leiria depois da demissão do professor Jorge Arroteia

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Entrada no mercado de Angola, com a constituição da Movicortes Angola G

A receber Mário Soares, como presidente do Conselho Geral do IPL

Em memória de José Ribeiro Vieira

RICARDO GRAÇA

O líder deve saber escolher muito bem o momento de intervir e saber esperar

Só serei reformado pela Natureza. Será ela que me mandará parar

Francisco Mafra economista or razões que o espaço não me permite explicar, o falecimento do Eng.º J. Ribeiro Vieira foi, para mim, uma autêntica “morte súbita”. É por isso que escrevo estas linhas com grande emoção e uma inusitada tristeza. Sabendo de antemão que este número do JL vai ser dedicado à sua memória, não faltarão depoimentos que atestem, muito melhor do que eu o faria, a ilustre figura do empresário, do militar e do dirigente multifacetado. Permitam-me então que evoque apenas o conterrâneo e o amigo de sempre, cujas convivência e amizade sempre apreciei. O Zé (foi assim que sempre o tratei), apesar de ter nascido, como eu, na freguesia das Cortes, não frequentou a mesma escola primária que eu. Mas foi nos intervalos de recreio da missa e da catequese que nos conhecemos, julgo que logo desde tenra idade, no adro da igreja de Nossa Senhora da Gaiola. Tão marcante foi essa convivência que, não obstante a diáspora, os amigos de então se reúnem para conviver, todos os anos, na véspera da festa da Padroeira que se celebra no 1.º Domingo de Maio. Se o refiro aqui é porque sei quanto ele, o Zé, prezava o grupo e o convívio que “religiosamente” temos feito. Depois da Primária iniciámos um percurso comum de 5 anos em Leiria, para onde íamos diariamente de bicicleta, ele para o Liceu, eu para a Escola Comercial. Já nessa altura as nossas diferentes tendências e aptidões se afirmavam e complementavam. Eu, no estudo aturado, ele cumprindo os mínimos e procurando mais viver a vida social e de convívio. Não poucas vezes a Mãe dele me pedia: “dê bons conselhos ao meu Zé para que ele estude mais”. Eu dizia-lhe que sim, mas na verdade não a levava a sério nas suas preocupações, porque verificava que o Zé cumpria no essencial e aproveitava bem as outras opções que a vida lhe (e nos) proporcionava. Separámos-nos depois dois anos, para fazermos o 6.º e o 7º ano, ele em Tondela, eu no ICL em Lisboa, reduzindo-se o nosso convívio às férias. E, finalmente, o reencontro dos dois em Lisboa, eu em Económicas

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(na velha escola do Quelhas), ele na Academia Militar/IST para cursar Engenharia. Nessa altura as nossas posições ideológicas começavam a divergir, embora sem prejuízo da indiscutível amizade que sempre nos uniu. Lembro-me de então discutirmos o regime e a iníqua guerra colonial, que eu muito contestava. Hoje penso, com satisfação, que essas discussões sadias contribuíram seguramente para que o Zé se tornasse mais tarde um valoroso militar de Abril! Segue-se o percurso profissional de ambos e o regresso do Zé, em boa hora, à terra natal onde construiu a obra de todos bem conhecida. Nesse tempo saliento apenas a compra do JL que praticamente refundou e desenvolveu e o fenómeno Arquivo que, com a ajuda da filha Alexandra, foi a pedra no charco da cultura leiriense de então. Confesso que me surpreendeu bastante, pela positiva, esta súbita viragem do Zé para as coisas da escrita e da cultura, em simultâneo com uma vida empresarial de sucesso. Os seus editoriais, na última versão as crónicas sem título, marcaram o jornalismo leiriense e era bom que o JL os editasse em livro, para os resgatar da efemeridade do papel de jornal. Fui por ele enredado, depois de muitas insistências, nesta sua iniciativa jornalístico/cultural e por isso devo ao Zé este meu olhar atento que, há mais de 20 anos, dedico também às coisas de Leiria e do País. Na edição em livro, em 2006, de grande parte dessas minhas crónicas, escreveu o Zé então coisas que só um grande amigo diz de outro, nomeadamente: ser amigo como poucos sabem ser; ser um cidadão exemplar, humilde, inteligente e sensível, defensor dos valores da família, da fraternidade, da ética, da liberdade de expressão e da pluralidade de opinião… Afinal, tudo o que ele sempre foi, e a que eu acrescento ainda um Pai “babado” de duas amorosas filhas e, mais recentemente, de uma neta muito querida. Chegou, pois, a hora de lhe dizer que estas qualidades raras que me apontava são aquelas que eu sempre lhe reconheci e que, em grande parte, com ele aprendi na nossa convivência de tantos anos. Só por isso, já lhe ficaria eternamente grato. Mas não esqueço também os afectos – palavra tão frequente na sua boca – e a grande amizade de uma vida inteira. Obrigado Zé. Que Deus te releve as grandes virtudes e qualidades de que todos beneficiámos e te conceda o descanso eterno que tanto fizeste por merecer! I


8 | 26 de Janeiro de 2012

Comentários Facebook

| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

Luís Dias Quero deixar o meu agradecimento pelas muitas obras que o Eng. Vieira nos congratulou. Homens assim não morrem, porque serão recordados para sempre!

Gastão Oliveira Neves Perdemos um cidadão que discretamente defendia a nossa região. Um exemplo a seguir! Catarina Carreira Um exemplo a seguir. Descanse em paz...

Rogério Paulo Campos Uma grande perda sem duvida.

Frederico Varino Um exemplo para a nova geração de empresários e que a sua filosofia de vida perdure em sua memoria no seu Grupo de Empresas.

Viacelas VC É um homem, que irá fazer muita falta ao nosso País.

Tó Mané Monteiro Perdi um grande amigo. Cristina Urbano Vou sentir falta dos momentos de grande silêncio em que nos fazia passar a sua mensagem.....!!!! :) António Sérgio Elias Silva Sem dúvida uma pessoa enorme... silencio-me com respeito. Almerinda Cruz “O Homem vai a Obra fica". Um Grande Senhor que admiro muito...

Patricia Martins Soube agora que partiu uma das pessoas que mais marcaram o meu crescimento como profissional e acima de tudo como pessoa humana... "Patrícia: Nunca percas essa força e esse sorriso ! Brilha com luz própria" Uma notícia que me deixa profundamente triste ! Até sempre "Sr. Engenheiro! "

Depoimentos

Depoimento

Inteireza de carácter

O professor

ediu-me o Senhor Presidente da República que o representasse nas exéquias do Eng.º Vieira e apresentasse as suas sentidas condolências às suas filhas Alexandra e Catarina, aos seus outros familiares e aos seus colaboradores, e que a todos dissesse quanto estimava a admirava o Eng.º Vieira pela sua inteireza de carácter, pela sua capa-

cidade empreendedora, pelas suas qualidades de liderança, pela sua generosa disponibilidade e empenho cívico, pela sua empenhada acção em prol de uma sociedade mais informada, culta e participativa, nomeadamente através do seu Jornal de Leiria e da sua Livraria Arquivo, verdadeiros centros de difusão cultural. Pediu-me que a todos dissesse que a

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Cavaco Silva Presidente da República

ele a Nação fica a dever um prestimoso e multifacetado trabalho, em especial no empreendorismo económico, cultural e na acção cívico-política.I

Mensagem dirigida pelo Presidente da República, lida na cerimónia fúnebre pelo General Ramalho Eanes em sua representação

António Ramalho Eanes Ex-Presidente da República ive o privilégio de conhecer o Eng.º Vieira e de, com ele, manter uma longa e gratificante interacção. Oportunidade tive, assim, de: Aperceber-me do seu bom e forte carácter, da sua excelente personalidade; Testemunhar a sua vocação e capacidade empreendedora, a sua aptidão para aproveitar e desco-

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Arnaldo Sapinho Administrador do Grupo Movicortes uando há mais de 20 anos vim de Lisboa, onde estava temporariamente, para uma entrevista com o Engº José Ribeiro Vieira, não podia imaginar que nas duas horas de conversa que tivemos, mais do que um emprego, estava a encontrar um amigo que me marcará para sempre. Nessas duas décadas de de colaboração próxima, aprendi a conhecer uma pessoa densa, complexa, intransigente na defesa do que acreditava, frontal e corajosa na afirmação dos seus valores e na preservação dos seus amigos. Em todos esses anos, testemunhei o seu genuíno e sempre presente interesse pela riqueza espiritual, que gostava que incutir nos que lhe eram próximos. Recordo com carinho as muitas conversas que tivemos, em horas e horas de viagem, os livros que me foi oferecendo sempre com um bilhete amigo como anexo e ainda o partilhar de alguns dos seus sonhos, para as empresas, para a região, para o País. Exigente para com todos, sobretudo para os que lhe mereciam mais apreço, tinha afeto como uma das sua palavras preferidas e sabia expressá-lo. Em pequenos gestos, no diaa-dia. Usava como poucos a palavra no fortalecimento de relações e fazia da amizade uma ferramenta da sua vida. Trabalhar e conviver com o Engº Ribeiro Vieira era uma tarefa a tempo inteiro, intensa, presente e reconfortante, muitas vezes sem horas, mas sempre no tempo certo. Quando já perto do fim deste seu caminho, numa viagem de carro de Lisboa para Leiria, me perguntou o que eu achava que ele gostaria de ser, a resposta saíu-me, baixinho: acho que teria gostado de ser professor. Ele riu levemente e disse que sim. O meu professor, da vida. Obrigado Engº Ribeiro Vieira. I

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Um Homem bom brir oportunidades de negócios e transformá-las em sucesso; Constatar a sua ousadia empreendedora, o seu gosto pelo risco calculado, investindo mesmo em áreas que se não situavam nos limites das suas competências distintivas; Observar quão líder era e, apesar disso, quanto se preocupava em tornar a sua liderança mais competente pelo saber e reflexão, mais virtuosa pelo exercício e pelos efeitos na motivação de todos os seus colaboradores; Verificar como respondia à sua responsabilidade social (isto é, como procurava contribuir para a preservação e desenvolvimento da sua Sociedade Civil, a da local e a nacional), quer na sua área de domicílio, quer no próprio País.

Assim, relevante serviço prestou à sua sociedade (a de Leiria, Cortes e nacional), procurando torná-la mais informada, mais esclarecida, mais participativa e culta, nomeadamente através do Jornal de Leiria, de sua propriedade, e da sua Livraria Arquivo, verdadeiro e dinâmico centro cultural; Testemunhar, ainda, e beneficiar, mesmo, do seu empenho cívico. Muitos foram os combates políticos em que participou, os riscos que correu, sem esperar outra coisa que não fosse contribuir para a consolidação democrática, a realização do bem comum. Ribeiro Vieira era, como disse, um homem bom, de nobre carácter, de excelsa personalidade, a quem Leiria e o próprio País

muito ficam a dever. Os seus amigos, entre os quais, com orgulho, me incluo, sentem bem a perda, a grande perda que, também para eles, a morte do Eng.º Vieira representa. Às filhas, à Xana e à Catarina, neste tão nefasto momento, um abraço do coração, meu, da minha mulher e dos nossos filhos, em especial do nosso filho Manuel, que nos últimos anos interactuara com o Eng.º Vieira, e passara, desde então, a admirá-lo. Aos seus outros familiares e aos seus colaboradores, as nossas sentidas condolências – as minhas, as da minha mulher e as dos nossos filhos. I Discurso fúnebre do General Ramalho Eanes proferido durante a cerimónia

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José Ribeiro Vieira (à direita) com os pais e o irmão Na Zona Operacional de Angola, durante o estágio profissional, em1972

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Paula Félix Perdemos um grande Senhor. Era um Homem notável, empreendedor, visionário. Leiria está de luto.


| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

Sérgio Cruz Um grande Homem.

Micael Sousa Partem os homens, ficam as obras e os exemplos.

Rute Pereira Lamento muito esta perda... foi um senhor que tive o prazer de conhecer infelizmente por causa da doença mas o pouco tempo que tive com ele tive conversas extraordinarias e muito cultas que me fizeram ver além de... que descanse em paz.

Rui Cordeiro Um bom amigo, uma grande perda. A sua energia continuara sempre presente entre nós. Carla Ferreira Um visionário.

José Roque Mais um grande leiriense que partiu.

Pedro Custodio Da minha parte só me resta agradecer a oportunidade que tive de conhecer e conviver com o Empresário que considero a maior referência do Distrito de Leiria. Discreto, sensível, leitor culto e directo no seu discurso, abdicando de interesses partidários para defender o que entendia ser o melhor para o desenvolvimento da nossa Região. Admiro a capacidade de gerir o tempo dedicado à causa pública e paralelamente ter criado e desenvolvido um Grupo de Empresas de sucesso. Um grande exemplo sem par!

José Luís Peixoto Lamento profundamente essa enorme perda.

Luís Marques Os amigos, a região e o País ficarão irremediavelmente muito mais pobres, Um muito obrigado por tudo o que fez. Um Homem que toda vida defendeu e ajudou amigos e que agora será recordado para sempre! Obrigado por tudo. Filomena Leite Pinto Ficam boas memórias do trabalho na ADLEI, dos seus artigos no JORNAL DE LEIRIA ou dos apoios à Liga de Amigos da Casa Museu João Soares. Até sempre caro Engº Ribeiro Vieira.

Depoimento

Depoimento

Uma vida que mereceu ser vivida

Um Homem livre e virtuoso

Rui Portugal Pedrosa

José Sócrates Ex-primeiro-ministro traço de carácter que mais nitidamente se destacava na personalidade de Jose Ribeiro Vieira era, sem dúvida, a sua paixão pelo conhecimento, o seu amor pelos livros, a sua ambição e exigência cultural que causava, a quem teve a sorte de o conhecer e com ele conviver, a mais viva impressão. Homem de espirito, sim. Mas tambem homem de acção, conhecedor dos desafios da lideranca, da animação de equipes, da realização e da obra concreta que dá sentido útil ao idealmente ambicionado. Pensamento e acção : Ribeiro Vieira foi - e não sei que melhor se pode ambicionar - um homem à altura do seu tempo. À altura das suas exigências, à altura dos seus desafios. Há, claro, uma dimensão pública muito forte na sua vida. Cida-

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dão interessado, nunca a politica e os assuntos públicos lhe foram indiferentes. Desprezava tanto o facciosismo e o sectarismo ideológico, quanto se entregava com alegria e empenho a projectos comuns e colectivos marcados pela simples e honesta procura do interesse geral. Todavia, sendo, hámuito, admirador da sua intervenção cívica, o que sempre provocava em mim enorme simpatia, era o seu jeito encantador de homem generoso e afável, atento aos outros e com um tocante sentido de lealdade, que como sabe quem tem experiência de vida, é o fundamento da amizade. Jose Ribeiro Vieira teve uma vida nobre. Nobre, não no sentido da classe ou do nascimento, mas no sentido de uma vida atenta e dedicada, sempre pronta a ir mais

além, a superar-se, a transcender o que os outros esperam de nós e – ainda mais importante – a fazer um pouco mais, um pouco melhor, do que nós próprios esperamos de nós. No momento em que me associo à sua família e aos seus amigos, partilhando a tristeza do desaparecimento de quem sempre foi para mim um querido e dedicado amigo, desejo também lembrar que Ribeiro Vieira teve uma vida que mereceu ser vivida. E desejo tambem que essa lembrança – e esse exemplo – de uma vida digna e bem sucedida, nos possa, não apenas confortar, mas também inspirar nas escolhas, julgamentos e decisões que as vidas livres que, como ele, escolhemos viver, nos impõem e nos exigem todos os dias. I

Com as filhas no lançamento do vinho Vale da Mata e do livro Terra de Pinhal e Mar

RICARDO GRAÇA

Paulo Alexandre Teixeira Sinto-me triste pelo que aconteceu Quando o vi da última vez, pelo Natal, notei-lhe a debilidade, mas não esperava este desfecho tão cedo. É muito triste, porque era alguém que sabia o que precisava esta região. Fez o seu melhor e sempre o tive em alta estima. É uma enorme perda que vamos sentir por muitos anos.

26 de Janeiro de 2012 | 9

ive o privilégio de ser amigo do Engº José Ribeiro Vieira e beneficiar da sua sabedoria. Conhecemo-nos há muitos anos, quando frequentámos o Liceu Nacional de Leiria. O testemunho que aqui desejo expressar é tão-somente resultante do meu relacionamento com o meu querido Amigo Zé Vieira, sendo incompleto e parcial. Desde quando discorríamos, algumas vezes em saudável discordância, sobre publicações, opiniões pública e publicada, fiquei impressionado com a absoluta liberdade de pensamento e acção do José Ribeiro Vieira. Não permitia que nada nem ninguém se interpusessem entre ele e a sua consciência. Sabia ouvir e estudava com método e profundidade todas as questões e não era homem de se moldar a conveniências ou injustiças. Quem o quisesse ver com as candeias às avessas era tentar interferir com os seus valores ou com os procedimentos que julgava justos. Enfim, um homem livre como poucos. Impressionava-me vivamente o seu sentido de entrega à causa pública, quer a nível local, quer regional, quer nacional e mesmo na área da Lusofonia. Desde as sociedades recreativas, culturais, educacionais e humanitárias das Cortes e de Leiria e desta região, das associações empresariais e de defesa de interesses sociais e políticos, nada lhe era indiferente. Tudo o que, em sua opinião, contribuísse para o desenvolvimento de Portugal e dos portugueses beneficiava do seu contributo profícuo. Sempre a procurar unir, agregando interesses comuns e desfazendo os mal-entendidos e incompreensões que os dificultam. O seu profundo amor à Pátria não era apenas resultante das virtudes castrenses que o formaram, mas também resultava de uma espiritualidade muito própria que foi ali-

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cerçada, basicamente, no conhecimento aprofundada do pensamento e da obra do Pe. António Vieira e de Agostinho da Silva. Homem despojado de vaidades, realizava-se no trabalho e na busca incessante de maior conhecimento científico, histórico, filosófico ou estético que colocava sempre ao serviço do Homem e da humanidade. Possuidor de uma vasta e sólida cultura era um enorme prazer ouvi-lo sobre as mais diversas matérias, provocar o contraditório mas sempre respeitando as opiniões, quando fundamentadas, dos seus interlocutores. Era um Homem extremamente tolerante. Quantas vezes o vi irritado com artigos de opinião que colaboradores permanentes publicavam no seu jornal… mantinha as colaborações… e, algumas vezes, ainda os defendia de terceiros pois para ele era sagrado o direito de expressar a opinião, mesmo que não concordasse com ela… Tolerância que manifestava nas mais variadas facetas da vida humana. O respeito pela liberdade de cada um fazia dele um homem despido de preconceitos, mas não admitindo que a liberdade de cada um molestasse a liberdade dos outros. O Dever e a Honra, virtudes que certamente desenvolveu na instituição militar, eram o fio condutor da vida pessoal e profissional do José Ribeiro Vieira. Mas o que mais realço no seu carácter, aquilo que mais me tocava, por ser tão raro nos tempos que correm, era a solidariedade que manifestava para os que lhe estavam próximos. A sua capacidade de entrega, de apoio, de ajuda sempre que sabia ou pressentia que alguém precisava de uma palavra de apoio, de um abraço fraterno ou da resolução de qualquer problema pessoal ou profissional. Muitas vezes, a discrição com que o fazia nem sequer era percebida pelos próprios beneficiários da sua intervenção… Era assim o José Ribeiro Vieira. Por tudo o que escrevi e, também, por aquilo que não fui capaz de expressar, o meu querido Amigo Zé Vieira, através da memória dos seus exemplos, continuará a participar na minha vida e, certamente, nas vidas de muitos que tiveram a felicidade de privar com ele. I


10 | 26 de Janeiro de 2012

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| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

Helena Santos Lamento muito e vou sentir a falta de ver este SENHOR sentado na sua mesa do Café da Livraria Arquivo. JF Oliveira Quando um homem neste mundo faz obra não por obrigação mas por devoção, ele nunca morre, fica eterno o sentimento, pois o que desaparece é o corpo, o espírito fica entre nós; se todos seguissem o exemplo o mundo que hoje conhecemos seria o paraíso.

Maria Luís Paula Leiria, o país e o mundo ficaram mais pobres.

Paulo Caetano Mais uma exelente pessoa que nos abandonou...

Artur Ferraz Uma grande perda para a nossa Região.

Leonel Marto Mais uma grande perda para o tecido empresarial da região.

José Cruz Pereira Vou sentir a falta de um grande ser humano.

A. Filipe Matias Recordo com saudade quando se iniciou, comigo, nas actividades associativas da nossa terra natal, as Cortes. Um HOMEM DETERMINADO. Até sempre Eng. José Ribeiro Vieira.

Ricardo Moreira Leiria fica definitivamente mais pobre...

Bruno Homem Bastou-me apenas um ano e meio a viver em Leiria para descobrir que o Eng. José Ribeiro Vieira era um ser notável. Era bom termos mais como ele. Armindo Ferreira Exemplo a seguir no campo empresarial e não só. Fontes-Cortes e concelho de Leiria principalmente, ficam mais pobres. A vida continua. João Pedro Sousa Uma grande perda para a região em todos os seus sentidos.

Depoimentos

Uma lágrima furtiva*

á ocasiões em que lamentamos amargamente não ter génio para verbalizar, com clareza, com capacidade de síntese e elegância, aquilo que nos vai na alma. Assim, este testemunho poderá ser egoísta e redutor (sei que não faltarão outros que saberão exal-

H

vida girava neste âmbito, numa simbiose de gostos próprios, com outros induzidos pela vocação das filhas, que ele sabiamente soube tornar convergentes com os seus. O meu amigo adorava escrever. A sua crónica semanal neste seu jornal era uma constante. Mesmo quando o trabalho o levava para longe (só o trabalho o levava para longe), mesmo que nos confins do mundo, a crónica chegava. Só deixou de escrever em vésperas de viajar muito para lá dos confins do mundo. Quem o estimava e sabia muito doente, às quintas-feiras abordava o jornal pela última página, procurando as “Crónicas sem título”, tremendo, como quem abre um envelope de análises ou

Junto ao edifício que foi sede do Jornal de Leiria, nos últimos 10 anos

o relatório de uma ecografia. O músico, o escritor, o pintor, desaparecem mas não morrem enquanto a sua obra perdurar. Com os verdadeiros empresários o mesmo se passa. Se os que ficam souberem preservar a sua obra, o meu amigo perdurará. Só não me atenderá o telemóvel, o que me vai fazer muita falta. Custa admitir o seu desaparecimento, mas pior seria saber da sua morte! I * O meu amigo apreciava imenso as interpretações de Luciano Pavarotti, nomeadamente a ária “Una furtiva lacrima” de uma ópera de Donizetti. Foi um pretexto para escolher o título para estas palavras.

Com as filhas, Catarina e Alexandra Vieira, no lançamento do vinho Olho de Mocho rosé

DR

FOTO CEDIDA POR ALBERTO S. SILVA

Alberto S. Silva, José Ribeiro Vieira, Jorge Martins, Fernando Villalobos, Rui Portugal, Moisés Jesus

aliás Aristóteles até exagerava dizendo que “ter muitos amigos é não ter nenhum”. Eu tinha um grande amigo, que desapareceu! Daqueles que às vezes, a horas improváveis, telefonava, ou vice-versa, sem motivo imperioso, sem novidades para transmitir, sem pedidos para fazer, sem eventos para marcar, só para falar e ouvir, com o tempo a fluir e o telemóvel a revelar trinta ou quarenta minutos de conversa. O meu amigo era um homem inteiro que eu via sereno, mas sentia inquieto. Um homem focado nos seus entusiasmos, quase vícios, a sua empresa “mãe”, a sua livraria, o seu jornal, os seus vinhos. Toda a sua

RICARDO GRAÇA

António Sequeira

tar as qualidades do meu amigo), será sentimental (talvez piegas), triste mas não trágico, porque a sua obra tem que perdurar. Na conjuntura actual compara-se uma empresa a um navio, navegando em mar tempestuoso, e é claro que perder o capitão nestas circunstâncias não ajuda, mas uma boa tripulação que conhece a rota, pode levá-lo a bom porto. A amizade verdadeira é um sentimento ímpar, é um lume brando, é intensa mas serena. Pode hibernar por longos invernos mas renasce e floresce sempre numa qualquer primavera, tão firme e tão genuína como nunca deixou de ser. Não creio que cada um de nós tenha muitos “grandes amigos”,

Ribeiro Vieira

Fernando Gonçalves ive o grande privilégio de conhecer mais de perto o Eng.º Ribeiro Vieira nos últimos três anos da sua vida. A imagem que tinha dele, antes de o conhecer, era a de um homem duro, austero e autoritário. Desconhecia por completo as características que, a par de uma disciplina herdada dos seus tempos de militar, melhor o carac-

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terizavam que eram, precisamente, a humanidade, a amizade e a solidariedade. Líder de opinião respeitadíssimo, Ribeiro Vieira não se limitava à palavra, ele era um líder nato, um estratega e um homem de acção. A economia e o associativismo empresarial (e outros) ficam a dever-lhe muito. A sociedade leiriense tem pois uma dívida enorme para com Ribeiro Vieira que só conseguirá pagar se souber honrar a sua memória. Mas não foi só no mundo empresarial que ele se destacou de forma ímpar. A agenda da Arquivo há muito que saltou os muros do concelho e galgou as fronteiras do distrito alcançando um nível muitas vezes superior ao das grandes livrarias nacionais. Ninguém

nem nenhuma instituição fez tanto como ele pela cultura da nossa cidade. É bom que a Câmara de Leiria se lembre disso e o reconheça adequadamente. Convidou-me por duas vezes para ir passar um fim-de-semana com a família à sua quinta no Alentejo mas a importância de outras coisas bem menos importantes de um director da Segurança Social não me permitiram ir. Por vezes nem nos apercebemos que deixamos passar ao lado as coisas mais importantes da vida em prol de outras, tantas vezes, “triviais”. Combinámos várias vezes um almoço entre nós que nunca veio a acontecer. Dizíamos frequentemente «um dia destes temos de ir almoçar». Ficámo-nos por algumas tertú-

lias esporádicas que adensaram muito a tenra mas genuína amizade, o respeito e a admiração mútua. Por deferência e amizade convidei pessoalmente o Eng.º Vieira a estar presente no lançamento do meu mais recente livro, no dia 26 de Novembro em Pombal, sem nenhuma expectativa que ele fosse, dado o seu estado de saúde. Fiquei imensa e agradavelmente surpreendido quando o vi entrar, já visivelmente debilitado, no Teatro-Cine em Pombal acompanhado do João Nazário. Do João, ex-marido de uma das suas filhas, falou-me uma vez como se de um filho se tratasse. Essa foi apenas uma de entre tantas outras demonstrações de grandeza que me deu a conhecer.

Falou-me também do seu velho sonho de criar uma fundação em testamento, seguro de que uma das suas filhas daria continuidade ao seu legado. Espero que tenha conseguido concretizar esse objectivo tal qual o idealizou. As suas filhas, Catarina e Alexandra, eram o seu orgulho e a sua vaidade, eram para ele Esparta e Atenas, iguais na sua condição, apesar de imensamente diferentes. E preocupava-o que alguma delas pudesse pensar que ele gostava mais da outra, mas não. Aqui fica o testemunho. Espero que Cavaco Silva se lembre no próximo Dia de Portugal o quanto esta região e este país deve ao grande homem que foi RIBEIRO VIEIRA. I


| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

Jorge Paz Mais um Grande HOMEM e um grande Empreendedor da nossa CIDADE!!! André Portugal O Homem vai, a Obra fica. É uma grande perda. Clara Leão Não tive o privilégio de conhecer pessoalmente o Homem de quem sempre ouvi falar com respeito e admiração. Sei do muito que fez, sei da sua grande cultura e sei da sua vontade de fazer bem. Vou sentir a falta de o ver sentado na Arquivo.

Célia Alves Apesar de ter saído de Leiria há uns anos, há pessoas que ficam sempre na memória. Este senhor é uma dessas pessoas, com quem tive o prazer de privar. Descanse em Paz.

Sabrina Genebra Porque será que nos parece que as pessoas boas partem mais cedo... As fontes, as Cortes e Leiria ficaram mais pobres. Esperamos que os seus seguidores mantenham o exemplo.

Nuno Pereira Infelizmente não privei o tempo suficiente com o Eng Vieira, mas tive o prazer de acompanhar de muito perto o crescimento deste grande grupo empresarial devido à sua visão!

Ana Paula Alves Leiria, ficou mais pobre com a perda do Eng.º Ribeiro Vieira, homem de valores e dinamismo constante.

Nídia Nair Marques A dedicação permanecerá.. através das muitas sementes... e dos novos frutos.

Freire da Paz Renato Honra à memória de um homem que se distinguiu dos demais pela sua personalidade e dedicação à cultura na nossa cidade. A ele presto a minha homenagem.

José Alves Mais uma perda humana irreparável, um cidadão praticamente insubstituível...

Com Isabel Damasceno e Belmiro de Azevedo na Nerlei

Anibal Santos Uma grande perda para a sociedade, infelizmente morrem primeiro os bons que os maus.

26 de Janeiro de 2012 | 11

Ana Paula Pinto Lourenço Uma perda tremenda! Susana Sequeira Perdeu-se um grande HOMEM! As filhas perderam o pai, a empresa perdeu o líder, Leiria perdeu um homem que muito fez pela sua cidade, e perdi, também eu, um grande amigo, que sei que faria por mim tudo o que faria pelas suas filhas. Todos os que privámos com ele ficámos a deverlhe algo! Adeus Sr.Engenheiro, até um dia...

Com Vítor Constâncio num jantar-conferência, nas Cortes

Depoimento

DR

RICARDO GRAÇA

Uma grande perda

José Ribeiro Vieira

onheço o engenheiro Vieira há cerca de 20 anos e sempre o tratei por Sr. Engenheiro. Só o tratei por Caro José Ribeiro Vieira nas ocasiões em que lhe escrevi. Pela escrita partilhamos a importância que as palavras têm.

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Eu desconfio das palavras. Tenho observado o mundo a ser construído sobre discursos que não se adequam à vida e a vida a ajustar-se à força a esses discursos. As palavras que o engenheiro Vieira dizia e escrevia revestiam as suas intenções, que eram reais, livres e quase sempre a fazer fé no futuro. Penso que as dizia e escrevia porque acreditava nelas. Conheci o engenheiro Vieira numa entrevista para este Jornal e foi também assim que fiquei a saber como é que era ser entrevistado: fiquei confuso, pois a entrevista acabou por ser uma longa e apaixonante conversa acerca do que somos. Como é que

foi possível conversar assim com um desconhecido? Eu penso que sei porquê. Outras conversas se seguiram ao longo dos anos e sempre sobre o mesmo assunto: o que somos e nenhuma conversa passou sem que falasse das suas duas filhas, a Xana e a Catarina. Tive o meu primeiro atelier na Reixida, numa casa cedida pelo engenheiro Vieira. Uma casa inteira que foi mais tarde partilhada com outros artistas e que se tornou pequena para o tamanho do que se passava lá dentro. Em Leiria ainda está para nascer o projecto de alguma coisa parecida e tão generosa. Estas histórias continuaram ao

longo de todos estes anos. Por vezes eu aparecia, só ou com a Sofia, na Arquivo, aos sábados depois do almoço só para ter o prazer de continuar a conversa. Quando soube da sua doença percebi que muita coisa estava a ficar por dizer, que nunca lhe diria de viva voz Caro José Ribeiro Vieira e que o nascimento do meu filho tinha mais um significado para o qual ainda não tenho palavras. No Domingo passado, na missa, ouvi a sua filha Catarina ler uma parte da primeira Epístula de São Paulo aos Coríntios e a tornar as palavras em carne e senti um pesar e uma saudade imensos. I

mento constante de pintores, artistas plásticos, músicos e uma série de pessoas com um interesse artístico comum, um local de encontro de forças criativas. De improviso e inesperadamente, todas as horas (Dias? Semanas?) que passei naquelas salas acabaram por moldar muito do que seria o meu futuro, marcante até ao dia de hoje. A “Casa da Reixida”, como todos lhe chamávamos, foi um oásis apenas possível pela gentileza e generosidade do seu proprietário, o Engenheiro José Ribeiro Vieira. Atento ao mundo artístico e às suas peculiaridades fora dos grandes centros, possibilitou

todas estas actividades com essa generosidade algo rara para com uma juventude inquieta e curiosa, seguindo atentamente os passos de cada um. A casa, mencionada diversas vezes em entrevistas da banda como um local especial e misterioso, tornou-se num dos símbolos da música introspectiva que gravámos, uma influência invisível no pano de fundo. Aqui reitero o meu reconhecimento e agradecimento público ao Engenheiro José Ribeiro Vieira no momento em que nos deixa, com os mais sinceros e profundos sentimentos a toda a sua família e amigos. I

A Casa da Reixida Engenheiro Ribeiro Vieira foi uma pessoa que, de certa forma, acabou por fazer parte do meu percurso e que tornou possível o primeiro impulso da minha actividade musical através de um acto muito simples. Algures em 1995, os Silence 4 fizeram o seu primeiro ensaio numa casa na Reixida. Rodeados de velas e instrumentos acústicos, foi a primeira vez que percebi o prazer absoluto de tocar música. Foi lá que ensaiámos todas as canções dos dois álbuns que editámos, que reunimos e decidimos, que sonhámos muitas coisas que julgávamos impossíveis. Existia nessa casa um movi-

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David Fonseca

uando conheci o Eng.º Ribeiro Vieira? Salvo erro na Assembleia Municipal de Leiria. Ou na (re)fundação do JORNAL DE LEIRIA, quando me convidou para colunista. Pouco importa o pormenor. Antes disso já ele tinha sido vereador da Câmara Municipal. E 'militar de Abril'. E já era empresário. Fizemos a par muitos anos de caminho. Nos jornais (cada um no seu), na ADLEI, nos Congressos de Leiria e Alta Estremadura, em campanhas eleitorais... Trabalhei mais directamente com ele, por dois períodos, na Jorlis. No JORNAL DE LEIRIA, no 'Correio de Pombal' e no 'Região de Cister'. Foi um homem importante para a região e um homem interessante no contacto pessoal. Um homem que ajudou muita gente, que se empenhou em muitas causas, que ouvia muita gente. Nem sempre fácil, mas justo. Gostava do risco (dizia muitas vezes que não sabia trabalhar sem concorrência). Gostava da sua terra. Por isso esteve em tanto 'sítio', por isso sonhou os jornais, por isso investiu em tanta coisa, por isso ajudou tanta gente, tantas associações. Há muitos anos que aprendi a respeitar o eng.º José Ribeiro Vieira, devo-lhe atitudes que muito me sensibilizaram. Hoje perdi alguma coisa, mas gosto de poder manter essas boas memórias. Leiria, a região e os seus habitantes devem muito ao cidadão José Ribeiro Vieira. Mais do que provavelmente imaginam. I

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Depoimentos

João dos Santos

Francisco M. Figueiredo

Leiria, em 20 de Janeiro de 2012 (corrigido em 22)


12 | 26 de Janeiro de 2012

Depoimentos

Depoimento

Perdemos um Amigo

O meu tio

A NERLEI ”

| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

ada do que penso vejo como satisfatório e definitivo”. Este pensamento de Agostinho da Silva era bem a imagem do amigo que agora nos deixa. Ao longo da sua vida foi sempre um espírito inquieto que raramente assumia as coisas como absolutas. Rara a vez se pronunciava o seu nome sem que ele fosse de imediato reconhecido. Homem que valorizava a AMIZADE, construiu muitos e bons amigos, dentro e fora

N

de portas e considerava que esse era o seu maior património. Notável empresário de Leiria, detentor de um elevado sentido do coletivo e do bem comum, era, pelas suas grandes qualidades, convidado a desempenhar múltiplos cargos e a participar em inúmeras entidades. Convicto nas opiniões e de pensamento livre, fazia do seu quotidiano uma tertúlia constante, partilhando conhecimento e saber, discutindo opiniões e ideias. Homem de uma cultura e memória invejáveis era apreciador de uma boa conversa. Frequentemente transformava momentos de trabalho em aulas multidisciplinares, proporcionando o enriquecimento cultural de quem o acompanhava; exemplo disso, as reuniões na NERLEI, verdadeiros fóruns culturais, que tão apreciados eram por todos nós, colegas de direcção, colaboradores

e amigos, esses, cujas relações tão bem sabia alimentar. A sua acção à frente da NERLEI fez desta associação uma referência na região e no País. Fê-lo sempre de forma graciosa, entusiástica, com uma grande alma e humanidade próprias de um ser humano especial. Quem teve a sorte de se cruzar com ele e partilhar as suas ideias e inquietações, jamais o esquece. Preocupado com os outros, com as empresas, com aqueles de quem sempre se rodeou, criou laços e afectos em todos os que com ele privaram, porque o sentiam como um amigo, mas também como um líder, um orientador, alguém de quem se espera que indique o caminho, que dê força e ânimo. E era isto que se esperava dele. Ele sabia que este era o seu papel. Tinha o condão de tocar as pes-

soas e ir buscar dentro delas capacidades que elas próprias desconheciam. Na gestão empresarial impunha um rigor e uma exigência ímpar que só ele sabia compatibilizar com a valorização da pessoa, potenciando o desenvolvimento de cada um. Por tudo o que foi, pelo legado que nos deixou, pelo que representou para a NERLEI, para a região e para o país e principalmente pela amizade que nos dedicou, sentimo-nos profundamente gratos e reconhecidos. Fica-nos a memória e o exemplo do empresário, do líder carismático, do amigo insubstituível. É esta a memória que queremos honrar. Afinal “morrer, é apenas deixar de ser visto”. I

RICARDO GRAÇA

Raul Castro, José Ribeiro Vieira, José Paiva de Carvalho, Vítor Bento, Amado da Silva e Nuno Mangas num jantar-conferência organizado pelo Jornal de Leiria

Um homem de excelência

Anabela Graça Presidente da ADLEI Eng.º José Ribeiro Vieira foi um dos fundadores da ADLEI, tendo sido presidente da direcção em 2008/2009 e da assembleia-geral até à sua morte, o que muito nos orgulha. Muito respeitado pelo trabalho que realizou, assumiu as maio-

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res responsabilidades na dinamização e definição da sua natureza como associação cívica. Ele esteve nos nossos momentos mais importantes, nomeadamente na realização dos seus congressos, procurando sempre unir os leirienses em volta de projectos que colectivamente se consideravam importantes para o desenvolvimento da região. O projecto “Leiria região de excelência “ que está, neste momento, a dar os primeiros passos, partiu de uma ideia sua que apresentou na ADLEI e que, neste momento, está a ser desenvolvido em conjunto com outros parceiros. Pretendia, com este projecto, afirmar Leiria como um espaço territorial capaz

de atrair pessoas e empresas qualificadas, nos aspectos cívico, cultural e económico, conhecido e reconhecido pela excelência das suas organizações. Deseja-se, igualmente, criar pontes e uma atitude positiva que contagie pessoas e as leve a participar activamente na vida das organizações e na vida social, desenvolvendo um sentido crítico construtivo e motivado para a participação cívica, dando sentido e coerência a toda a nossa região. Foi este o desafio que nos deixou, sempre na busca da excelência. Ribeiro Vieira foi um humanista, atento e preocupado com a qualidade de vida dos seus con-

cidadãos. A sua participação nos mais diversos espaços da intervenção social e política foi um acto de cidadania desinteressada, procurando sempre servir e não servir-se, por isso, um grande exemplo. Ele foi um homem aberto aos outros, ao pulsar da vida, à diversificação de saberes, dotado de uma sólida cultura que conhece o passado desta terra de que sempre se orgulhou. José Ribeiro Vieira foi uma personalidade que honrou a nossa região e o país. Que o seu exemplo de cidadão de excelência frutifique, é a melhor forma de o honrar. I

Nuno Sardinha Comandante do Navio Sagres Eng. José Ribeiro Vieira era meu tio. Foi das pessoas com mais apurado espírito empreendedor que conheci na minha vida, tendo erigido um conjunto de empresas de grande sucesso, que têm hoje em dia um papel extremamente relevante na sociedade regional. Foi também um empenhado activista político, um dedicado promotor da actividade cultural e um discreto apoiante de acções de cariz social. Todavia, não é isso que mais pesa na minha memória. Recordo, sobretudo, outras características. Recordo-o com um conversador nato. Quando eu andava pelos meus dez / doze anos, fui passar férias com ele, a minha tia Lurdes e as minhas primas Xana e Catarina, à Praia da Rocha. A seguir ao jantar, enquanto a minha tia deitava as filhas, dávamos grandes passeios na marginal da Praia da Rocha. Não sei do que falariam um adulto erudito (como ele) e uma criança (como eu), mas sei que conversávamos tempos infindos e, trinta anos volvidos, ainda recordo esses passeios de cumplicidade masculina e essas longas conversas. Recordo-o também como um homem de valores. Continuava a cultivar os valores que são apanágio da Instituição Militar. São valores com que, naturalmente, me identifico. Recordo a esse propósito um jantar no Funchal, em 1993. Eu estava colocado na Madeira a comandar uma lancha rápida de fiscalização da Marinha e o meu tio foi lá tratar de negócios. Convidou-me para jantar e o tema de conversa foram os valores. Lembro-me da ênfase que colocava na lealdade, provavelmente o valor que mais prezava entre todos. E recordo-o também como um homem orgulhoso, de si próprio e dos que prezava – com as filhas à cabeça. Nos últimos meses, sempre que me encontrei com ele, na livraria Arquivo, interpelava-me de uma maneira que não era habitual: - Olá Comandante, como estás? E depois, dirigindo-se aos que o rodeavam, acrescentava, com visível orgulho: - Aqui o meu sobrinho Nuno é o Comandante da Sagres! Pois bem tio, onde quer que esteja, fique sabendo que esse orgulho é recíproco e que o Nuno (ou o Comandante, como me chamava nos últimos tempos) também tem muito orgulho em si! I

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| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

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Depoimentos

O Mundo perdeu um Homem Apresentação do Centro Porsche Leiria

Nuno Mangas Presidente do IPL

mundo perdeu um Homem. Se tivesse de dizer alguma coisa sobre o desaparecimento do Eng.º Ribeiro Vieira e não tivesse mais espaço, era só isto que diria. Mas tenho mais algum espaço. Insuficiente para poder dizer tudo o que gostaria sobre aquele Homem, o que tive

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oportunidade de aprender com ele, a importância que teve para a cidade e para a região. Falarei então um pouco da sua ligação ao Politécnico de Leiria. O Eng.º Ribeiro Vieira estava ligado há muito ao IPL presidindo atualmente ao seu órgão máximo, o Conselho Geral. Anteriormente, já tinha lecionado e integrado o Conselho Científico de uma das suas Escolas. Mas até podia não ter feito nada disto que continuaria a ser um Homem ligado ao IPL. O Eng.º Ribeiro Vieira ligava-se naturalmente às coisas que acreditava serem importantes para o bem de todos. Homem culto, conhecedor, sabedor e entusiasta, acreditava no valor do conhecimento e na sua importância para o desenvolvimento de Leiria. A sua participação ativa no IPL sempre se fez sentir,

exercesse ou não cargos. Era um Homem que não precisava de cargos para lutar por aquilo em que acreditava. Usava a sua intuição. Era um conciliador. Os seus sonhos eram o seu limite. O mundo perdeu um Homem. E a primeira coisa que o mundo deve fazer quando perde um Homem, é chorar. Depois, se quiser prestar-lhe verdadeira homenagem, é prosseguir com a construção dos seus ideais. Porque, como nos disse Sartre, "O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem”. O Eng.º Ribeiro Vieira deixounos muitas coisas. Mas deixounos muitas mais para concretizar. É este caminho que, inspirados na sua memória, temos de agarrar. I

Disciplinado e disciplinador

Narciso Mota Presidente da AMLEI

o âmbito das minhas funções de Presidente da Câmara Municipal de Pombal e, mais recentemente também na qualidade de Presidente da AMLEI, foram muitos os momentos em que privei pessoalmente e oficialmente com o Eng.º José Ribeiro Vieira. No entanto, o nosso relacionamento não foi só de agora, vindo de algumas décadas atrás. Tendo eu já 44 anos de actividade profissional e política, em efectividade de serviço e a licenciatura em Engenharia no Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde se licenciou o Engº José Ribeiro Vieira, unia-nos também o facto de ter sido Oficial do Quadro Permanente da Academia Militar quando eu era Oficial Miliciano. No início da década de 80, sendo minha intenção deixar de residir em Lisboa para passar a viver em Leiria, com ele troquei impressões na perspectiva de poder vir a ser seu colaborador na área da manutenção, aprovisionamento

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e gestão de equipamentos industriais, incluindo o apoio técnico pós-venda aos seus clientes. Embora tal não viesse a concretizar-se por eu ter aceite outro desafio, a sua personalidade e o seu perfil de homem empreendedor e progressista sempre me mereceram o maior respeito e admiração. Ao longo dos seus 68 anos de idade, foi sabendo afirmar-se nos seus relacionamentos com elevado sentido cívico, espírito de missão e de trabalho, enquanto ser disciplinado e disciplinador, exemplo de exigência e de responsabilidade. Torna-se bastante emotivo para mim, perante os leitores do JORNAL DE LEIRIA, que dinamizou com destacável profissionalismo, rigor, qualidade e inovação, poder transmitir em palavras o que me vai na alma em relação ao privilégio que tive ao tê-lo como amigo. Creio que a memória deste grande Homem, com esta estirpe e craveira, ficará perpetuada no tempo e para sempre, evidenciando-se o seu carácter, verticalidade, espírito ímpar de empreendedorismo e visão, como crítico e bom observador que era, conhecedor da realidade nacional e internacional. Com a sua experiência de vida e sabedoria, sempre deu o rosto pela defesa de todas as causas em que acreditava, exprimindo a sua opinião, em termos de cidadania, quanto ao rumo que Portugal deveria trilhar politicamente, defendendo a boa gestão da causa pública para que, com inovação e competência, o nosso país se pudesse tornar mais próspero e competitivo. Com a sua inesperada parti-

da, a freguesia das Cortes que o viu nascer e crescer, toda a região de Leiria e Portugal devem render-lhe uma justa homenagem pública, de merecida gratidão. Com certo orgulho, falava do futuro das suas filhas e de alguns colaboradores mais próximos que muito considerava. A sua visão estratégica e visionária fazia com que tivesse sempre a esperança, a vontade e a preocupação de poder contribuir para um Portugal melhor a nível associativo, educativo, cultural, social e económico. Obrigado Eng.º José Ribeiro Vieira, por tudo o que nos ensinou e fez, e ainda por todos os projectos que iniciou e que terão continuidade enquanto estandartes da nossa região, cuja afirmação a nível nacional a si também muito se deve. Portugal, agora mais do que nunca, precisa de homens e mulheres com o seu perfil, para se tornar mais evolutivo, mais criativo, mais moderno, com maiores índices de rentabilidade e produtividade, com mais justiça social e mais emprego, não obstante a crise relacional e de valores - e também civilizacional - que conduziu o país à actual crise financeira que enfrentamos. Enquanto fiel leitor da sua coluna semanal no JORNAL DE LEIRIA, estou certo de que a sua marca perdurará, continuando esta publicação a pautar-se por ser um órgão de comunicação isento, plural e de excelência. Rendo ao meu particular amigo, Eng.º José Ribeiro Vieira, a minha singela, sincera e sentida homenagem, com uma saudação fraterna, infinita e do coração, de quem muito o admirava. I

Depoimento

Um grande dirigente associativo

António Saraiva Presidente da CIP Leiria e o país perderam um grande dirigente associativo e empresário, José Ribeiro Vieira, presidente da NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria. José Ribeiro Vieira é o exemplo do empresário que não abdicou de intervir em prol do desenvolvimento económico, quer através das empresas, que dinamizou e dirigiu, quer através de uma vida dedicada ao associativismo empresarial. Foi através da sua intervenção ao nível associativo, na qualidade de Presidente da NERLEI e de membro do Conselho Geral da CIP, que aprendi a observar a sua dedicação e competência à causa do associativismo, defendendo a sua região sem esquecer o país, posicionando a Associação Empresarial da Região de Leiria como uma referência ao nível do apoio dado às empresas.

Não posso deixar ainda de enaltecer a intervenção cívica, que ao longo da sua vida abnegadamente exerceu através de uma participação ativa em ações de carácter político, destacandose ainda como jornalista, autarca, professor e dinamizador de instituições de natureza social. Permitam-me também uma referência a uma sua faceta, seguramente menos conhecida entre os seus colegas empresários, de amante da cultura em geral e dos livros em particular, com especial realce para a poesia. A CIP – Confederação Empresarial de Portugal, e o seu presidente em particular, lamentam a perda de um colega, e recordarão sempre o seu exemplo de cidadão empenhado e comprometido e de empreendedor e defensor dos interesses das empresas da sua região. I


14 | 26 de Janeiro de 2012

| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 / 20.01.2012 |

Homenagem de três artistas Pouco dotado para as artes, José Ribeiro Vieira admirava

quem possuía esse dom, principalmente os artistas mais jovens. Gostava de conversar e tentar perceber o que os artistas criavam. Ao longo da sua vida foi adquirindo diversas obras, muitas delas de jovens pintores da região, mas também de artistas mais consagrados. Sem ser a sua principal área de intervenção, não deixou de apoiar quem o procurou, cedendo instalações, apoiando iniciativas, patrocinando exposições. Ficou célebre a Casa da Reixida que, em meados dos anos 90 do século passado, cedeu a um conjunto de artistas de diversas áreas – pintores, músicos, designers – para desenvolverem os seus projectos. Foi nessa casa que, por exemplo, os Silence 4 deram os primeiros passos e tocaram o primeiro concerto, como foi aí também que se iniciou o artista plástico Nuno Sousa Vieira, actualmente representado em algumas importantes colecções internacionais. David Fonseca, músico, e João dos Santos, pintor, professor na ESAD e amigo de José Ribeiro Vieira, referem-se à importância da Casa da Reixida nos textos que publicamos nesta edição do JORNAL DE LEIRIA. Foi, de facto, um projecto muito interessante e, na altura, inovador na região. O ambiente que ali se sentia era especial, parecia um filme. Posteriormente, José Ribeiro Vieira continuou a apoiar e a promover projectos culturais, de que são bons exemplos a própria Livraria Arquivo ou a estreita colaboração com o Colectivo a9)))). O Jornal de Leiria pediu a três artistas que de alguma forma com ele se relacionaram a colaborarem nesta edição de homenagem. Bruno Gaspar, João dos Santos e Tiago Baptista apresentam nesta página que, de forma mais simbólica ou representativa, evocam José Ribeiro Vieira. I

Tiago Baptista

João Nazário

Bruno Gaspar

João dos Santos


| JOSÉ RIBEIRO VIEIRA| 17.02.1943 - 20.01.2012 |

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Especial José Ribeiro Vieira  

Um Homem de causas

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