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Jornal de Escola - Fundado em 1990 - Nº 11 - III Série - Março /2010 Agrupamento de Escolas Mestre Martins Correia

Periodicidade: Trimestral (Período Lectivo)

MESTRE MARTINS CORREIA

Centenário do Nascimento

07 de Fevereiro 2010


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Ficha Técnica

Editorial MESTRE

Coordenadores (Deste número)

Professores: Fernanda Silva Lurdes Marques Manuel André

Alunos: 5º Ano -Turma A Gonçalo Lino Rafael Martinho Madalena Morgado Ângelo Carvalho

5º Ano -Turma B Paulo Caixinha Catarina Piedade Beatriz Escabelado 6º Ano - Turma C Ricardo Carvalho Reprodução Luís Farinha

Propriedade Agrupamento de Escolas Mestre Martins Correia

(Golegã, Azinhaga e Pombalinho)

Sede: Escola Mestre Martins Correia Rua Luís de Camões - Apartado 40 2150 GOLEGÂ Telefone: 249 979 040 Fax: 249 979 045 E-mail: eebs.golega@telepac.pt Página Web: www.eps-golega.rcts.pt

Espero que me perdoes o tratamento por Tu. Não leves a mal, não é falta de respeito, mas sentimos-Te assim mais próximo. Também quando dirigimos uma prece ao Senhor sentimo-nos mais ouvidos com “Senhor ajuda-me a encontrar o caminho” do que “Senhor ajudai-me a encontrar o caminho” ou “Senhor ajude-me a encontrar o caminho” ou quando entoamos o hino soa-nos melhor “Ensina-me Senhor a ser generoso” do que “Ensinai-me Senhor “ ou “Ensine-me Senhor a ser generoso”. Julgamos que sabes, mas queremos dizer-Te como nos orgulhamos de Ti e Te estamos gratos. És português, da Golegã. É verdade que cometemos o pecado da vaidade. Confessamos, quando recebemos alguém na nossa terra não conseguimos disfarçar o brilhozinho nos olhos quando o levamos ao Museu Martins Correia e não conseguimos, quando nos perguntam de onde somos, calar a frase “Da Golegã, a terra do Mestre Martins Correia”. O mesmo se passa com quem trabalha ou estuda na Escola da Golegã, não é possível dizer Escola Mestre Martins Correia de modo indiferente. Seres o nosso patrono deixa-nos muito satisfeitos. Pensando nos significados da palavra patrono és protector, pois todos os dias aprendemos contigo e, para nós, quem nos ensina protege-nos; mas és também patrono naquele sentido mais científico, do professor que conduz um trabalho, já que a Tua obra e Tu enquanto Homem nos orientam. Mestre tem em Ti toda a propriedade. Na verdade és para nós um Mestre, ou melhor o Mestre, na medida em que és um exemplo, um modelo e nós somos Teus discípulos. Fazes-me lembrar o Mestre de O Nome da Rosa de Umberto Eco. Guilherme de Baskersville leva o seu discípulo Adso a reflectir, a questionar, não lhe dando propriamente respostas, mas ensinando-o a pensar. Também Tu e a Tua obra nos continuam a interpelar e sabes Mestre não sabemos quem mais admiramos, se o artista se o Homem – estarão ex aequo claro. A Tua generosidade e humildade mostram a Tua grande estatura. E não podemos deixar de apreciar o Teu ar jovial, afável e de quem está a bem com tudo e todos. Lembras-Te Mestre quando nos falaste, naquela conversa para o jornal Encontro, a propósito dos rapazes casapianos, da importância de os jovens aprenderem e desenvolverem as suas capacidades? E também de nos falares dos É verdade, já faz 100 anos que nasceste e estamos a comemorar o Teu aniversário e não podemos esquecer as Tuas palavras. Os alunos este ano têm feito visitas ao Museu Martins Correia e também à estação do Metro de Picoas e têm realizado trabalhos em Educação Visual, inspirados na Tua obra e escrito textos em Língua Portuguesa sobre a Tua obra, as visitas que fizeram… E não cuides que o nosso propósito é apenas homenagear-te. Também é, claro, mas é sobretudo porque ensinar, partilhar experiências artísticas, contactar com o belo, a arte torna os nossos alunos mais sábios, mais preparados, diferentes e mais felizes. Nós não somos os mesmos depois de apreciarmos a Vitória de Samotrácia, a Pietá ou a Tua obra, Mestre. E como pertences àqueles Homens que, nas palavras de Camões, “se vão da lei da morte libertando” nós vemo-nos por aí. Obrigada Os Teus Discípulos - (Lurdes Pires Marques) Texto lido no dia 07.02.2010 aquando da deposição de uma coroa de flores junto às cinzas do Mestre no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do Mestre Martins Coreia.

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Ao Mestre Martins Correia no seu centenário Tiragem 50 exemplares

Para quê marcar o tempo com uma batuta de tempo, quando o tempo é intemporal? Para quê limitar as coisas e as vistas quando se desfruta uma imensidade de tudo num nada… ou em tudo?... Deixem que a liberdade do tempo, do saber ou do sentir se espreguice como a onda na areia… Não lhe ponham a pequenez duma teia…. Golegã, 7 de Fevereiro 2010

Maria Tereza Trancas


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Comemorações do Centenário do Nascimento de Mestre Martins Correia

As Comemorações do Centenário do Nascimento de Mestre Martins Correia, Patrono da Escola Sede do Agrupamento de

Tributo a Mestre Martins Correia Auditório do Edifício Equuspolis

Escolas de Golegã, Azinhaga e Pombalinho, tiveram o seu início a 26 de Janeiro e o seu culminar com a deposição de uma coroa de flores na lápide do Mestre, junto ao Palácio do Pelourinho, na Golegã, no dia do centenário do seu nascimento, a 7 de Fevereiro de 2010. A cerimónia simples, mas sincera, contou com a presença de familiares, de amigos, de elementos da Tertúlia a que pertenceu, de representantes da Autarquia, de professores e da Direcção do Agrupamento de Escolas. Depois da leitura de um texto evocativo da vida de Martins Correia, por um membro da Comissão Coordenadora das Comemorações, Elsa Correia, filha do Mestre, procedeu à leitura emotiva do poema “O Cavalo Branco” escrito por seu

Palestra - “Um museu uma escola”

pai. De seguida, a comitiva dirigiu-se à Escola EB 2,3/S Mestre Martins Correia, onde foi inaugurado um painel comemorativo do Centenário do nascimento do Patrono da Escola. As comemorações tiveram o seu epílogo com uma visita à exposição de trabalhos efectuados pelos alunos do 5º ao 12º ano e ao Museu Mestre Martins Correia, no Edifício Equuspolis, onde foram recordados alguns episódios da vida deste distinto escultor, pintor e poeta goleganense, de renome nacional e internacional. É de salientar que, das comemorações do Centenário, fizeram parte as visitas ao Museu Mestre Martins Correia, pelos alunos do 2º e 3º Ciclo; as visitas à Estação de Metro de Picoas; a realização de desenhos, pinturas e textos pelos alunos; a Exposição na Galeria do Equuspolis dos trabalhos elaborados e uma Palestra intitulada “Mestre Martins Correia Um Museu Uma Escola”, dinamizada pela professora Elisabete Semedo.

Grupo de alunos e professoras que dinamizaram a Palestra - “Um museu uma escola” Em fundo - Trabalhos elaborados pelos alunos

Como corolário de todo o trabalho desenvolvido ao longo destas comemorações, será publicado, no mês de Março de 2010, uma edição especial do jornal “Encontro” do Agrupamento de Escolas de Golegã, Azinhaga e Pombalinho, totalmente dedicado a Mestre Martins Correia, fruto da Oficina de Jornalismo, dinamizada pelos professores Fernanda Silva, Lurdes Marques e Manuel André, e contando com a colaboração dos alunos de todos os níveis de ensino. Um apelo é lançado a todos os que conheceram ou conviveram de perto com Martins Correia, para que divulguem testemunhos sobre a vida e a obra do Mestre.

Martinho Branco Trabalhos elaborados pelos alunos


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Comemorações do Centenário do Nascimento de Mestre Martins Correia O dia 7 de Fevereiro de 2010 em registo fotográfico


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Comemorações do Centenário do Nascimento de Mestre Martins Correia O dia 7 de Fevereiro de 2010 em registo fotográfico


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Comemorações do Centenário do Nascimento de Mestre Martins Correia O dia 7 de Fevereiro de 2010 em registo fotográfico


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Entrevista com o Escultor José Aurélio

Sobre o Mestre

Martins Correia, Patrono da Escola Sede,

colocámos as seguintes questões ao Escultor José Aurélio:  Como conheceu o Mestre? Em que circunstâncias?  Poderia fazer um retrato do Mestre enquanto pessoa e artista?  Pode falar um pouco sobre a obra do Mestre?  Tem dinamizado os Encontros promovidos pela Câmara sobre Martins Correia. Qual o balanço que faz destes encontros?  O centenário do nascimento do Mestre aproxima-se. Estão previstas actividades comemorativas (nível nacional, local,...)?

obra era a de um admirador. Já considerava então e continuo a considerar a sua escultura uma das raras referências no panorama daquela época. Como jovem aprendiz de feiticeiro, eu buscava na escultura que ia vendo, os elementos qualitativos que melhor podiam ajudar a identificar a minha própria personalidade como “promissor artista”, como o Mestre tanta vez me dizia. E a obra do Mestre era uma das minhas referências não só pela sua qualidade intrínseca, mas também pela leitura histórica que ela representa.

Obtivemos a resposta que publicamos na íntegra: O escultor Martins Correia foi meu professor na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e foi, sem dúvida, um prfessor que me abriu várias portas no complexo caminho que a escultura obriga a percorrer por quem, ainda jovem, lhe quer dedicar a alma e a vida. Tendo trabalhado nos vários ateliers de Belém, trabalho que, sendo pago à hora, permitia que o estudante que eu então era, não só ganhasse uns tostões, mas ganhasse prática e conhecimento, que a escola nunca tem condições para dar. Embora o atelier onde mais trabalhei tenha sido o do escultor Lagoa Henriques, meu amigo e meu orientador, tive o privilégio de frequentar todos os ateliers, de entre os quais destaco o do Mestre Martins Correia, que ficava ali mesmo ao lado e com quem mantive sempre uma relação privilegiada para além da relação escolar. Aliás era fácil ser amigo do Mestre, pois, sendo ele uma pessoa simples e afável, estava sempre disponível para uma boa conversa poética, pois a minha posição em relação à sua

Como aluno, muitas vezes discordava de certas posições que ele tomava em relação ao meu trabalho escolar, mas esse facto dava um sabor especial aquelas aulas cujo saldo era sempre positivo. Uma das características que mais admirava nele, primeiro como aluno, depois como profissional, era a sua imensa capacidade de reinventar e a sua permanente busca de novas mitologias sempre ligadas às suas raízes mais profundas. Como se pode ver pelas palavras que acabei de escrever, o Mestre tem um lugar bastante significativo na minha memória, pelo que é fácil entender a razão que me terá levado a aceitar o convite que me foi feito, primeiro pela filha do Mestre, D. Elsa Correia,depois pelo Presidente da Câmara Municipal da Golegã, para encontrar uma forma de preparar, dez anos depois da sua morte, o centenário do seu nascimento que vai acontecer no dia 07 de Fevereiro do próximo ano. Foi assim que surgiu a ideia dos Encontros com Martins Correia, encontros que permitiram de forma clara e bastante concludente, ter a noção da importância que a obra do Mestre tem na memória das várias personalidades que participaram neles. Críticos de arte, artistas e professores de várias gerações falaram da importância de uma obra ímpar na panorâmica da escultura portuguesa e também da figura tutelar que este homem foi como artista multifacetado e como professor de várias gerações de artistas. Quanto às comemorações do centenário do seu nascimento, muitas ideias andam no ar, mas temo que poucas se consigam materializar, pois como todos bem sabemos, a cultura continua a ser uma parente pobre. Assim, penso que vai ser muito difícil conseguir organizar umas comemorações dignas da efeméride e da memória que este escultor nos merece, tanto mais que estamos a dois meses do início do centenário e como acabei de dizer, nada me consta ainda de concreto, nem a nível local nem a nível nacional. Apesar desta nota negativa, é com natural satisfação que eu desfiei estas memórias para o Jornal Encontro, jornal que reflecte o pulsar de uma escola da sua terra, que ostenta orgulhosamente o seu nome. Como aluno, como amigo e como admirador da sua obra, não podia deixar de participar nesta evocação. José Aurélio - Alcobaça/2009


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Entrevista a Martins Correia—Publicada neste Jornal em Dezembro /1995

Nasceu em 1910 na Golegã. Foi aluno da Casa Pia. Estudou

dos outros rapazes. Os rapazes de hoje têm outras

Belas-Artes.

diversões visuais, que são de tal maneira mais libertas

professor

Foi das

que destroem muitos conceitos".

Escolas Técnicas e posteriormente

Depois do curso técnico o Mestre entrou nas Belas-Artes para

assistente na Esco-

fazer um curso de desenho.

la

A certa altura o Mestre passou uma ideia muito interessante,

Superior

de

Belas-Artes.

definindo o artista como aquele que nasce com qualidades de

Uma carreira longa

percepção mais multiplicadas que o homem comum e con-

em que o desenho,

cluiu deliciosamente:

a pintura e a escultura estão presentes. Martins Correia, um homem de vasto

curriculum,

conhecido nacional e

internacional-

mente soma vários prémios que testemunham o seu inegável valor. Foi este homem que tivemos o privilégio de ver e ouvir durante várias horas no Museu Martins Correia. Confessamos que levávamos elaboradas algumas perguntas. Porém o Mestre revelou-se tão rico que algumas deixaram de ser pertinentes. Que importava saber com que idade foi para onde, ou quantas horas trabalhou onde ou em quê, face ao que nos dizia?

"Os olhos do artista são simultaneamente olhos/ouvidos - ouvir para ver / ver para ouvir". O Mestre Martins Correia quando nos disse que foi professor das escolas técnicas referiu, com pena, o facto de os homens hoje se dedicarem pouco a ofícios, haver menos artesãos, embora pense que eles voltarão a existir dado serem necessários. Como dissemos no princípio o Encontro com Martins Correia deu-se no museu. Martins Correia não foi indiferente a este facto e isto motivou-o a falar sobre a importância dos museus

"Os museus são necessários, são uma arrecadação de

Que pena não termos pensado fixar através da imagem, com

coisas visuais que entusiasmam os homens das tecnolo-

e sem movimento, este Encontro. Percebemos tarde que para

gias a respeitar o visual e que contribuem para a edu-

conhecer o Mestre, em toda a sua dimensão, não basta ouvi-

cação estética das pessoas. Antigamente os Mestres da

lo, é preciso vê-lo: o seu movimento, os seus gestos, o seu

criatividade eram mais respeitados. Formavam uma

olhar... Quando pedimos ao Mestre que nos falasse um pouco do seu

elite eram eles que conduziam as coisas do ponto de

percurso e do despertar da sua vocação o Mestre destacou a

vista visual. A arte evolui com o tempo. O que é perfeito

importância dos recreios.

para uns poderá não o ser para outros. Dentro de cada homem há um estilo. É a estética, é o cunho, é a graça

"Muito jovem fui aluno da Casa Pia. Fazia um curso técnico. Éramos seiscentos e tal rapazes e criámos actividades livres para nos entretermos. Entre essas actividades tínhamos os jornais de recreio: havia os repórteres, um professor director, os redactores, sendo eu um redactor - o principal. A minha actividade era a visual, eu fazia tudo o que dizia respeito à actividade do recreio através do desenho. O recreio agarrava as

de uma pessoa ou objecto. A arte é inexplicável e aí é que está a criatividade. Não se pode explicar o inexplicável. Nasceu uma obra, não se pode explicar como aconteceu. Existe entre o artista e a obra a mesma relação que existe entre pai e filho. A obra é a continuidade do artista. Muitas vezes o artista não sabe como surgiu a obra, ela simplesmente aconteceu. Cada nação tem o seu céu, os dois limites do homem são o céu e a terra."

potencialidades que ali se revelavam, as minhas e as (Continua na página seguinte)


Página 9 Diz ainda o Mestre, a propósito de Ihe causarem admiração algumas obras por si feitas passado algum tempo, não chegando mesmo mais tarde a rever-se nelas, e interrogando-se

carreira.

"Não, eu já me deparei com tudo isto. Eu penso que o

no sentido de saber como as conceberia no presente, que

homem para ser verdadeiramente homem devia passar

cada obra está condicionada pelo lugar e época em que é

primeiramente pela rusticidade e depois então mais

realizada.

facilmente iria para o urbano".

Todos nós temos dificuldade em definir o que é arte. O Mestre fê-lo de uma forma sublime

Contrapomos que o Mestre já alcançou um estatuto que lhe permite fazer a escolha de estar aqui. Martins Correia respon-

"O artista sente quando a sua obra está completa por-

de:

que há uma voz interior que lhe diz - Pára! A obra não

"Não sei, pode ser que seja. Se uma autêntica educação

se pode considerar mal feita nem bem feita, mas sensi-

passasse justamente pelo ensino rural, pela educação

velmente feita".

dada nas próprias terras, onde se contactaria com a natureza, a terra, as árvores, a relva, as pedras, todas

O Mestre tentou exemplificar o nascer de uma obra. Pegou num pedaço de papel e num marcador, "rabiscou" umas linhas e disse que isto podia ter- -se passado com Leonardo

estas coisas que envolvem o homem... Depois entraria na cidade".

da Vinci. Depois espantado olharia e diria

"Que coisa tão sensível que eu fiz, que linda... Se eu pudesse dar continuidade a esta linha, se eu a pudesse tornar útil à sociedade, isto é tão sensível... Se isto fosse maior, do tamanho do mundo." Quisemos saber onde habitualmente trabalha o Mestre, se cá se em Belém.

"É tanto lá, no meu atelier como cá. Hoje por causa das pernas e dos olhos é mais cá, porque encontro melhor ambiente para estar descansado. Mas tanto num lado como no outro, felizmente na minha vida, quis o destino que tivesse sempre muita gente ao meu lado.'' Quando perguntámos a Martins Correia onde sentia mais

Não pudemos deixar de falar no mais recente trabalho do

inspiração - se no meio rural se no urbano - ele apontou-nos a

Mestre - a estação de Picoas do Metropolitano. Martins Cor-

coluna e a bilha, que se encontravam lado a lado, e que são

reia elogiou esta iniciativa - A Arte no Metro - e considera isto

símbolos do urbano e do rústico respectivamente, afirmandonos que a inspiração pode vir dos dois lados.

" um grande exercício estilístico.".

Referimos aqui a comparação que fez o Mestre: a coluna / a

Aqui fica o convite para a visita a Picoas.

pessoa em pé, a bilha / a pessoa de mãos na cintura. O Mes-

Quem conhece o Mestre nota o seu prazer de viver. Confessa

tre fez o gesto e nós pasmámos da semelhança.

-nos não haver segredo nenhum nisso

Veio também à baila o traço inimitável do Mestre e a predominância de certas cores. Em relação às cores diz-nos que são

"é apenas querer viver".

mediterrânicas e que gosta da cor. Perguntámos-lhe se estar na província constitui uma dificuldade, se é limitador para quem por exemplo quer fazer uma

Alunos: 11° Ano - Turma B Professores: Lurdes Pires — Fernanda Silva — Manuel André


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Nascido na Golegã, a 7 de Fevereiro

Artes. De 1944 a 1945 esteve em

Arte”, na antiga Emissora Nacional. A

de 1910. Distinguiu-se no campo das

Espanha e Itália, com uma bolsa de

sua estatuária é composta de originais

artes plásticas em Portugal, principal-

estudos que recebeu do Estado.

soluções decorativas policromáticas

mente na escultura. Órfão desde

que aligeiram as suas figuras do solene

pequeno, na sequência da morte dos

compromisso do Infante D. Henrique;

pais com a chamada “pneumónica”,

em

ficou ao cuidado de uma senhora que

em bronze do Palácio da Justiça; tal

o veio a colocar na Casa Pia. Com o

como a decoração dos Palácios da

nº 393, ingressou na Casa Pia, em

Justiça na Figueira da Foz e em Leiria,

Novembro de 1922, onde concluiu o

acrescendo, neste último, também a

curso industrial, tendo-lhe sido conce-

escultura da Justiça que decora a

dida uma bolsa de estudo para fre-

fachada. Do seu vastíssimo espólio

quentar a Escola de Belas Artes de

distribuído pelo País inclui-se também

Lisboa, onde se matriculou no curso

a estátua do Papa Pio XII, para a Expo-

de desenho no ano de 1928, apesar

sição de Arte Sacra Missionaria, reali-

de se ter diplomado em escultura.

zada no Mosteiro dos Jerónimos , que

Iniciou uma longa actividade profissio-

foi oferecida ao Seminário de Almada .

nal na pedagogia da arte, ainda como

Também fora deste Portugal à beira

aluno, quando foi encarregue, pela

mar plantado, o Mestre perpetuou sua

direcção da Casa Pia de Lisboa, de

obra fazendo em gesso a estátua do

auxiliar os professores de desenho da escola . De 1936 a 1938, foi professor do Ensino Técnico Profissional, na Escola Rafael Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha, e em Lisboa, nas Escolas Marquês de Pombal (ano lectivo de 1938/1939), Machado de Castro ( 1939/1940), Afonso Domingues (1940/1941) e António Arroio (1941/1942). Começou a expor no ano de 1938. Em 1940 os seus trabalhos mereciam destaque na exposição da Missão Estética de Viana do Castelo, onde o Cruzeiro do Minho mereceu referencias de primeira pagina no Jornal O Século. Esteve presente na Exposição do Mundo Português, em Lisboa, com os escultores Barata Feio, Leopoldo de Almeida, Canto da Maia, António da Costa, Rui Gameiro, Francisco Franco, António Duarte e João Fragoso. Durante os anos de 1936 e3 1942, participou assiduamente nos salões do SPNSecretariado

de

Propagan-

da Nacional, sendo premiado em escultura, assim, como nos salões da Sociedade Nacional de Belas Artes

Pinhel,

o

grupo

escultórico

Santo S. Francisco Xavier, em Goa, Nesta década, Martins Correia acumulou os Prémios Nacional da IV Missão Estética de Ferias de Viana do Castela (1940), do Mestre Soares dos Reis( em 1942), do Mestre Manual Pereira, nos anos de 1943 e de 1947, de Escultura do Secretariado Nacional de Informação, do Salão de Lisboa de 1947 e

aquando do seu centenário. Em 1958, ainda para esta cidade, executou as estátuas em bronze de Luís de Camões, que lhe valeram o Prémio Diário de Noticias. Na cidade de Lourenço Marques, hoje denominada Maputo , realizou a decoração escultórica da Capela do Paquete de Vera

ainda, a 1ª medalha do III Salão Provincial da Beira Alta( 1949). Em 1951, tornou-se Presidente da Secção de Cultura Artística da Sociedade de Geografia de Lisboa. Em 1957, faz uma exposição individual na Galeria do Diário de Noticias, pela qual obteve o prémio Mestre Luciano Freire, da Academia Nacional de Belas Artes, sendo também Medalha de Prata da Junta de Turismo de Cascais. Foi ainda condecorado com a Ordem da Instrução Pública, pelo Ministério da Educação Nacional. Seis anos depois obtém o 2º prémio com o Monumento ao Padre Manuel Nóbrega/ em São Paulo, no Brasil, e com o Monumento à Mulher Portuguesa do Ultramar. A Rádio mereceu também o seu contributo ao realizar em 1965, o programa “Assuntos de

Cruz, as estátuas de Dada Vaidia e as dos quatro evangelistas, em pedra, para a Catedral de Bissau, bem como os bustos em bronze de Jaime Cortesão, Augusto de Castro, Nuno Simões


Página 11 Olegário Mariano, Miguel Torga, Fer-

República, General Ramalho Eanes´,

com 26 desenhos coloridos, foi vogal

nando Namora, Natércia Freire, Sofia

com a inauguração da sua estátua “A

efectivo da Academia Nacional de

de Mello Breyner e a estátua de Barto-

Camponesa”, defronte à antiga Cadeia

Belas artes e ainda conseguiu tempo

lomeu Dias (1973). A sua obra retrata-

e Estação Telégrafo, e a abertura do

para publicar um livro de poesia/

va bem o pensamento deste artista que

Museu Municipal Martins Correia, com

poemas. Em 1998, nesta vila, inaugura

considerava que «(…) a arte do século

um vastíssimo espólio doado ao Muni-

a estátua “O Povo de Amor Cantava”,

XX será (…) idealista e poética ao

cípio, dois anos depois. No ano de

junto à Igreja Nossa Senhora dos

mesmo tempo que popular» e « (…)

1990, voltou a ser agraciado com a

Anjos. A Galeria Verney, em Oeiras,

nenhuma coisa pode ser nacional, se

Ordem de Santiago de Espada (grau

prestou-lhe homenagem no dia do seu

não é popular». Mestre Martins Correia

de Grande Oficial), pelo Presidente da

90º aniversario de nascimento, nos

foi também membro do Conselho Téc-

República, Dr. Mário Soares, distinção

denominados “Encontros de Escultura”

nico de Exposição Portuguesa do Rio

que assumiu como sendo a sua arte a

com a presença do Presidente da

de Janeiro, assim como fez parte das

ser medalhada. Foi igualmente galar-

Câmara Municipal da Golegã, Dr. José

exposições internacionais do Rio de

doado no estrangeiro, nomeadamente

Veiga Maltez, Dr. Nuno Lima de Carva-

Janeiro,

Ibero-

na Noruega, com o Prémio Internacio-

lho e Professor escultor Lagoa Henri-

Americana de Barcelona, e na de dese-

nal de Gravura, e em Bruxelas, com o

ques, que abordaram a arte escultórica

nhos de Lausanne, na Suiça. Em 1971,

Prémio Internacional de artes Plásticas.

deste Mestre goleganense. Falecido

foi Prémio de Grande Mérito Artístico

Temas como o cavalo, o touro, a terra

aos 89 anos, no dia 30 de Julho de

na Exposição de Lourenço Marques.

e a mulher são representativos nas

1999, o Mestre Escultor Martins Cor-

suas obras, evidenciando a ligação

reia deixa uma obra que marca várias

profunda de Martins Correia às suas

décadas da escultura, que o torna um

raízes goleganenses, ribatejanas e

dos maiores escultores portugueses do

portuguesas. Está representado no

século passado. Uma das suas últimas

Museu de Arte Contemporânea de Lis-

preocupações foi a conservação do

boa, no Museu Soares dos Reis, na

seu espólio, pois encontrava-se num

Invicta, no Museu Regional de José

edifício setecentista, sem condições

Malhoa, no Museu de Arte Moderna de

para seu acolhimento. O pelouro da

de

Bruxelas,

na

Madrid e claro, neste Museu. Até à Em 1973, foi convidado pela Sociedade

data da sua morte esteve representado

Nacional de Belas Artes a fazer uma

em apenas algumas colecções particu-

exposição retrospectiva onde apresen-

lares, porque não gostava de vender a

tou 300 obras de escultura, desenho,

sua obra como refere no artigo “Martins

medalhística e desenho colorido, ver-

Correia– Um escultor com condão da

sando sobre o período de 1939 a 1973.

poesia”: “Sempre me custou muito ven-

no dia 24 de Março, desse mesmo ano,

der as coisas, por isso é que tenho

proferiu a sua última lição na secção

assim tanta coisa acumulada. Tenho

casapiana de Pina Manique e das

muitas coisas que as pessoas até que-

várias cerimónias que assinalaram a

rem comprar quando vêm cá, mas tam-

sua despedida ficou também a sua

bém há uma grande insuficiência que é

condecoração com a Ordem de Santia-

não terem, de facto, dinheiro para as

go da Espada. Sete anos depois, já na

comprar. O nosso trabalho tem que ser

Cultura da Câmara Municipal, em

década de oitenta, como decano dos

um dia compensado. Ou em vida, que

2002, projecta a sua transferência para

escultores casapianos, também não

é a minha, ou então na minha ausên-

o edifício Equuspolis, pensado para o

faltou à Exposição Casa Pia de Lis-

cia. Mas paguem, pelo menos, isso que

acolher com dignidade e para que as

boa /200 Anos– Artistas Casapianos.

eu fiz, tenho uma obra pouco basta”.

gerações vindouras dele possam des-

Em Novembro de 1982, foi homena-

No decorrer da sua vida Mestre Martins

frutar, o que se veio a verificar em 10

geado, aqui na Golegã, em cerimónia

Correia também colaborou para a Anto-

de Maio de 2003

presidida pelo então Presidente da

logia Poética da Mulher

Texto in www.cm-golega.pt Câmara Municipal da Golegã 2004


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Cavalo Branco A raiz da erva estava ferida;

O Sol do dia nรฃo chegava lรก por causa de uma pedra que ao lado da erva tapava o sol de cรก.

Mas um dia, outro dia, um animal, cavalo branco de muita beleza, tendo visto a erva presa tirou a pedra e pensou:

o Sol poderoso nem sempre aquece e muitas vezes esquece o que a terra gerou. Martins Correia in Livro Poemas Martins Correia


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Mestre Martins Correia “Um museu uma escola”

visitas de estudo e posteriores redacções sobre o que se viu/ aprendeu. É preciso “levar” a escola para dentro do museu e, fundamentalmente, “instalar” o museu dentro da escola. Para que isso seja possível, há que sustentar todo este processo numa profunda formação do corpo docente e, obviamente, criar um diálogo permanente deste com os responsáveis/ técnicos do Museu. É necessário criar programas que reúnam em si capacidade para ensinar, cativar e estimular o conhecimento. Não é fácil escrever-se uma biografia; não é fácil escrever sobre alguém que deixou o seu nome gravado na memória colectiva dos homens. Nem sempre são justos, equilibrados, verdadeiros os elementos disponíveis para nos debruçarmos sobre a personalidade de um artista plástico, de um escritor, de um político, em suma, sobre a personalidade de quem transpôs o quotidiano modesto do viver anónimo e o deixou vinculado à reflexão. Falar do Mestre Martins Correia envolve as mesmas dificuldades. Há factores que reputamos como indicadores incontornáveis da sua personalidade: factores de ordem familiar,do ambiente sócio-económico em que cresceu, culturais ligados à envolvência geográfica que fazem despertar os seus sentidos. Joaquim Martins Correia nasceu a 7 de Fevereiro de 1910, sete anos mais tarde perdeu os pais, vítimas da Pneumónica. É então acolhido por uma senhora que, pensando no seu

Ninguém poderá sentir-se preparado para encarar o Futuro sem conhecer e compreender o Passado. Partindo do princípio que até aqui há um caminho percorrido, nada como trazer e integrar, da melhor forma possível, os vários percursos que foram trilhados para chegarmos onde estamos. Não obstante o generalizado acesso às mais variadas tecnologias que colocaram o “mundo” à distância de um clique de qualquer pessoa, existe um défice, quer por parte do corpo docente, quer por parte dos alunos, no conhecimento sobre muitas das ferramentas que podem ser usadas para colmatar esta lacuna. É neste contexto que a ligação entre a Escola Mestre Martins Correia e o Museu Municipal com o mesmo nome faz sentido. No que diz respeito aos museus, é importante desenvolver diferentes recursos e actividades direccionados a cada tipo de público. Quanto à escola, é fundamental que esta fomente o desejo de aprender, formando os jovens para serem cidadãos críticos e informados. Por isso, mais do que transmitir informações sobre as obras e os autores, é importante saber ver, construir múltiplas leituras e sentidos nas obras. Criar uma interligação entre a Escola e o Museu Municipal Mestre Martins Correia não pode restringir-se a umas quantas

futuro e dado que na Golegã não havia estabelecimentos de ensino para além do ensino básico, onde a criança pudesse estudar, decidiu em 1922 interná-lo na Casa Pia. Logo aí, Martins Correia revelou a sua aptidão para o desenho, o que o levou a escolher, mais tarde, o Curso de Escultura na Escola Superior de Belas Artes, onde deixou um nome conceituado e de referência, entre os alunos e os colegas. Concluído o curso, foi professor em várias escolas no período compreendido de 1936 e 1942, entre as quais a Escola Rafael Bordalo Pinheiro (Caldas da Rainha). Foi em 1938 que começou a expor. O seu mérito como professor e escultor foi reconhecido através de prémios e condecorações nacionais e estrangeiras, concedidos em várias décadas, como o Prémio de Escultura do SNP (1947) ou a Ordem de Santiago da Espada (1973). O Cavalo, a Terra e o Touro são temas presentes na sua obra e evidenciam a sua ligação ao Ribatejo e à Golegã, terra onde nasceu. No entanto, e como abandonou cedo a sua terra natal, Martins Correia veio a sofrer, naturalmente, as influências de outras paisagens, outras gentes, outras culturas, outras ideologias e movimentos artísticos que conheceu cá (Continua na página seguinte)


Página 14 dentro e lá fora. Outro dos temas presentes na vasta obra do escultor é a

O Mestre e o jogo do peão

Mulher que tem uma larga representação. De facto, muitos

O jogo do pião, praticado intensamente pelos rapazes durante

são os artistas que vêem na mulher o símbolo do seu amor

a primeira metade do século passado sobretudo nos pátios

pela mãe e, Mestre Martins Correia não é excepção.

das escolas, é um daqueles jogos tradicionais que continuam

Podemos pensar que as cores quentes que escolheu para

a ser uma fonte de inspiração para crianças, jovens e idosos,

decorar as suas esculturas, em pedra ou em bronze, têm as

que através da sua prática, não só desenvolvem e mantêm a

suas raízes no clima mediterrânico e que, no dizer de Natália

sua saúde física, mas também as suas capacidades mentais.

Correia – sua admiradora - , “...ela (arte) me faz ver milénios

Nesta perspectiva, há alguns anos atrás tentámos que, duran-

policromados que, em teus bronzes coloridos, vão dos frescos

te alguns dias, no período do intervalo, os nossos alunos acei-

minóicos aos etruscos.”Martins Correia deixou uma vasta obra espalhada por Portugal, passando também por terras longínquas, desde a Índia a Macau. Na Golegã existem relevos em bronze no Palácio da Justiça; um painel em cerâmica de 7mx3m, exposto na fachada da casa de convívio de Martins Correia; a estátua “A Camponesa”; o grupo escultórico “O Povo de Amor Cantava”. Em Lisboa podemos dar como exemplo a decoração artística da Estação do Metropolitano de Picoas ou a estátua em pedra de D. Afonso V na Faculdade de Letras; em Coimbra a estátua de Garcia da Horta no Instituto de Medicina Tropical ou, em Leiria a decoração do Palácio da Justiça; em Goa a estátua em gesso de S. Francisco Xavier (aquando do seu centenário); em Maputo a decoração escultórica da Capela do Paquete de Vera Cruz e no Brasil (em São Paulo) o monumento ao Padre Manuel Nóbrega. No entanto, a sensibilidade de Mestre Martins Correia não se manifestou apenas no talhe da pedra, no modelar do gesso, na obra feita em bronze, na tela e no azulejo pintado. Também foi poeta, cantando o homem na sua globalidade, a natu-

tassem o desafio de “lançar o pião”.

reza na sua força criadora, o amor na expressão máxima da

Recordo que, na altura, ficávamos deliciados quando alguém

sua generosidade. Foi incansável na sua produção artística,

com mais idade por ali passava e não resistia a mostrar as

evidenciando originalidade nos temas, na expressividade da

suas habilidades. O mestre Martins Correia não foi excepção.

sua inspiração, pelo que o valioso espólio que deixou pode

Temos a certeza que ele se divertiu bastante naqueles

ser apreciado na multiplicidade temática e na técnica usada.

momentos – ou não soubéssemos nós o quanto ele gostava

O acervo de que pôde dispor doou-o à sua terra – a Golegã –

de contactar com as crianças.

onde o Museu que tem o seu nome pode e merece ser visita-

Teresa Cruz

do, para melhor se avaliar a diversidade dos motivos escolhidos e a arte com que são concebidos. Faleceu a 30 de Junho de 1999, com 89 anos. A Escola Básica 2,3/Secundária da Golegã tem, muito justamente, o seu nome, lembrando aos alunos que a frequentam o valor e a lição de vida deixados por este grande artista que a sua terra natal não esqueceu de homenagear. De facto, a obra de arte é intemporal, atravessa as gerações e, quando tocada pelo génio, o seu fascínio fica intacto, impõe -se como um dogma. Assim acontecerá com Mestre Martins Correia, presença viva na obra espalhada por tantos lugares da terra, mensageiro da cultura das mulheres e homens ribatejanos. Elisabete Semedo — Professora de Educação Visual

Durante uma Visita de Estudo fazendo dobragens em papel


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos (textos)

No

dia 28 de Janeiro de dois mil e

dez, a minha turma teve o privilégio de ir visitar o museu de Mestre Martins Correia, na Golegã. No museu vimos quadros lindos que retratavam pessoas (algumas conhecidas, exemplo: Sophia de Mello Breyner, outras não) e além disso vimos uma cabeça em mármore muito bem construída. Fiquei também a saber que o Mestre Martins Correia, para além de ser pintor foi também escultor, escritor e poeta. Após a sua morte, houve muitos amigos que o retrataram. O Mestre Joaquim Martins Correia fez esculturas, utilizando vários materiais entre eles o bronze, são exemplos Jaime Cortesão, Susanne, Miguel Torga e Natália Correia.

bém era poeta e escritor. Foi-me ainda dado a conhecer que o Mestre esculpia principalmente em bronze, que era o seu material favorito. Mariana Guia - 6ºB

No âmbito da disciplina de Educação Visual e Tecnológica, eu e os meus colegas fomos visitar o Museu Mestre Martins Correia na Golegã. O Mestre Martins Correia foi escritor, pintor, e escultor… Nós vimos muitos quadros feitos de bronze, e vários tipos de pedras. No museu estava uma escultura muito bonita e essa foi a minha preferida que era o auto-retrato do Mestre Martins Correia. Se ele fosse vivo no dia 7 de Fevereiro de 2010 faria 100 anos de idade. A sua última obra, ”No enorme oceano à sombras” foi publicada na Torre Vasco da Gama. Eu gostei muito desta visita porque aprendi outras formas de pintar e de trabalhar. Francisco Félix Simões - 6ºB

No âmbito da disciplina de Educação

No âmbito da disciplina de Educação Gostei de ficar a saber mais desta ilustre personagem que deu o nome à nossa escola. Mariana Mota Nunes - 6ºB

No

dia 28 de Janeiro de 2010, no

âmbito da disciplina de Educação Visual e Tecnológica, tive a oportunidade de ir visitar o museu Mestre Martins Correia. A guia da visita foi a D. Isabel, muito simpática e que me esclareceu todas as minhas dúvidas. Ao apreciar as obras de arte fiquei fascinada com a sua cor e estilo. Gostei imenso das esculturas assim como dos quadros e fiquei a saber que o Mestre retratava essencialmente, nos quadros e esculturas, mulheres camponesas, alguns cavalos entre outras coisas. Fiquei a conhecer o seu verdadeiro nome, Joaquim Martins Correia e que para além de ser escultor e pintor tam-

Visual e Tecnológica, tive oportunidade de visitar o museu Mestre Martins Correia. Eu vi esculturas e quadros do Mestre, que eram espectaculares. Fiquei também a saber o nome completo do Mestre, era Joaquim Martins Correia. Ele fez esculturas e quadros desde 1940 a 1998, o seu último quadro foi feito na Expo 98, em homenagem a Vasco da Gama. Ele fez esculturas em metal em bronze. Ele nasceu a 7 de Fevereiro de 1910 e faleceu em 1999. Neste museu encontram-se as obras do Mestre e também dos seus amigos. Eu penso que todos nós ficámos espantados ao ver aquelas obras tão bonitas. Morreu um grande escultor e pintor, que nunca será esquecido, também foi ele que deu o nome a esta Escola.

Visual e Tecnológica fui visitar o Museu Mestre Martins Correia. Quando entrei no Museu fiquei curiosa para aprender o que o Mestre fez ao longo da sua vida. No início da visita aprendi que o seu nome era Joaquim Martins Correia. Eu apreciei estátuas, pinturas lindas, como nunca tinha visto. À minha volta era só obras dele. Ao longo da visita a guia disse-nos que o Mestre Joaquim Martins Correia foi pintor, escultor, põe

João Francisco - 6ºB (Continua na página seguinte)


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos (textos) ta e escritor o que me surpreendeu porque eu não sabia nem imaginava. Eu fiquei admirada como é que ele conseguiu conciliar as suas quatro profissões. Eu vi muitas esculturas e pinturas, mas o que eu mais gostei foi de uma cara de uma senhora, uma escultura lindíssima feita de mármore. O Mestre tinha grandes amigos e fez esculturas das suas caras Esses amigos também pintaram quadros e ofereceram ao Mestre. O Mestre tinha uma filha chamada Isabel Martins Correia. Ele ficou cego quando estava a pintar um quadro o que tornou muito difícil conseguir acabá-lo. Ele fez muitas obras no período entre 1940 e 1998. Ele morreu em 1999, com 89 anos. Se fosse vivo o Mestre faria 100 anos no próximo dia 7 de Fevereiro. Ana Raquel - 6ºB

No âmbito da disciplina de Educação Visual e Tecnológica, tive a oportunidade de ir visitar o Museu Mestre Martins Correia, no dia 28 de Janeiro de 2010. Quando cheguei ao Museu, acompanhada de duas professoras e os meus colegas, uma senhora veio ter connosco fazendo-nos uma visita guiada. Começou por se apresentar, dizendo que se chamava Isabel, de seguida, o nome do Mestre e que tinha nascido na Golegã, mas que foi para uma escola de adopção. Na parte de cima do Museu vimos vários quadros, esculturas, muitas esculturas onde estavam imagens de pessoas. O Mestre também gostava de esculpir, em mármore, brita, etc… No final da visita, fomos para uma sala onde estavam muitos quadros e a D. Isabel entregou-nos um documento que referia as várias obras de Joaquim Martins Correia. Joana Silva - 6º B

No ano em que se comemora o cente-

No âmbito da disciplina de Educação

nário do nascimento de Mestre Martins Correia e no âmbito da disciplina de EVT, visitámos o museu Mestre Martins Correia, na Golegã. Nessa visita ficámos a conhecer muitas coisas interessantes e curiosas sobre a vida do Mestre. Por exemplo o seu nome completo que era Joaquim Martins Correia, nasceu na Golegã, em 1910. Estudou na casa Pia e mais tarde tirou o curso de Belas Artes. Foi professor das Escolas Técnicas e posteriormente assistente na Escola Superior de Belas Artes. O desenho, a pintura, a escultura e a poesia fizeram parte de toda a sua vida. Teve uma longa e gloriosa carreira. A cor era um elemento obrigatório dos seus quadros, como forma de transmitir calor e felicidade. O bronze era o material que mais gostava de trabalhar. Para o Mestre as suas obras eram uma continuidade de si próprio, tinha com elas uma relação de pai para filho. Uma das obras mais emblemáticas do Mestre é a Torre Vasco da Gama Painéis de Azulejo alusivos à viagem de Vasco da Gama à Índia. Esta foi a sua última obra e sobre ela referiu: “No enorme Oceano há sombras Tudo é fantástico Os espaços alongam-se misteriosamente Ondas, uma caravela Cem Portugueses dentro dela Com um capitão navegador Que medo Senhor, que pavor Chegar à Índia assim Já lá vai o século XV Tão distante de mim” Por tudo isto eu gostava de ter conhecido pessoalmente o Mestre Martins Correia.

Visual e Tecnológica (E.V.T.) tive a oportunidade de visitar o Museu Mestre Martins Correia, que se situa na Golegã. No dia 7 de Fevereiro comemora-se o centenário do nascimento do Mestre. O Mestre, ao longo dos anos, fez trabalhos em muitos países mas nunca abandonando a sua cultura. O Mestre pintava e esculpia essencialmente mulheres do campo, pois como ele nasceu na Golegã, apreciou desde que nascera, as mulheres a trabalhar no campo. Ele trabalhou ainda esculturas a bronze, o que lhe agradava muito. O Mestre deixou-nos uma grande variedade de esculturas e pinturas. De todas as obras a que mais captou a minha atenção, foi uma escultura efectuada com mármore brilhante. Fiquei ainda a conhecer o verdadeiro nome do Mestre que era Joaquim Martins Correia. Esta visita enriqueceu os meus conhecimentos culturais.

Francisco Martinho - 6ºB

Rita Lopes - 6º B


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos (textos)

No dia 28 de Janeiro de 2010, tive a oportunidade de visitar pela primeira vez o famoso museu do meritíssimo senhor Joaquim Martins Correia. O Mestre tornou-se muito famoso pelas suas pinturas a óleo e esculturas a bronze. No museu encontravam-se várias obras e pinturas suas e de vários amigos. Além disso, também existem vários auto-retratos e várias esculturas de mulheres que trabalhavam no campo. As obras do Mestre Joaquim Martins Correia fascinaram-me, nunca imaginei ver obras tão bonitas feitas pela pessoa mais famosa da Golegã. Bernardo Duarte - 6ºB

Ficou órfão em criança, na sequência da morte dos pais atingidos pela gripe pneumónica, tendo ficado ao cuidado de uma senhora. Em Novembro de 1922 foi para o Colégio Casa Pia onde concluiu o curso industrial. Também nos explicou que Mestre Martins Correia tinha sido professor do ensino técnico profissional nas Caldas da Rainha e em Lisboa. Depois dessas informações, começámos por ver uma fotografia do Mestre e seguidamente várias obras, tais como: medalhas em bronze (umas pequenas, outras grandes) e vários quadros. Reparámos que ele utilizava muito o amarelo vivo, o castanho, o vermelho, o laranja, o verde-garrafa, o azul, o preto e o branco para pintar. Também observámos que Martins Correia utilizava muito as pessoas do povo, as mulheres e o cavalo nas suas obras. Seguimos para uma sala onde estavam os bustos de Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Torga, Jaime Cortesão, Natália Correia e Fernando Namora, também da autoria de Martins Correia, juntamente com alguns quadros e uma estátua que representava o mar. Depois de observarmos essas obras magníficas, voltámos para a escola muito inspirados e motivados para trabalhar. Rita Canelas - 6º A

No dia 28 de Janeiro de 2010, fui com a minha turma e com as professoras de Educação Visual e Tecnológica ao Museu Mestre Martins Correia uma vez que era a comemoração do centenário do Mestre Martins Correia que terá lugar no dia 7 de Fevereiro. Quando partimos rumo ao Museu íamos todos animados para ver a exposição e quando chegámos os nossos olhos brilharam com tanta beleza. Uma senhora fez-nos uma visita guiada, mas antes de começarmos a ver as magníficas obras de Martins Correia, ela explicou-nos um pouco da vida do Mestre. Disse-nos que ele tinha nascido na Golegã, a 7 de Fevereiro de 1910 e morrido a 30 de Julho de 1999.

No

dia 28 de Janeiro, eu e a minha

turma fomos ao Museu Mestre Martins Correia, na Golegã. Quando lá chegámos, a nossa professora estava aborrecida connosco, pois tínhamos ido a brincar durante todo o caminho e, antes de entrarmos, tivemos de ouvir uma breve explicação das regras, de maneira a não haver nenhuma infracção, o que não aconteceu porque não estivemos com a devida atenção. A indicação que os professores nos deram quando entrámos no museu foi a de esperarmos em silêncio, durante alguns momentos. Passados já dez minutos, passou-me pela cabeça que tivesse acontecido algum imprevisto, mas o meu pensamento foi interrompido por uma voz feminina: - Antes de mais nada, boa tarde! Era a senhora que nos ia servir de guia e que, como uma fonte de sabedoria, nos iria explicar a história de cada pintura, escultura ou medalha. - Por favor, não façam barulho porque está a realizar-se uma reunião. Começámos a andar e fomos dar a uma escada que subimos degrau a degrau, e de onde se avistava uma linda escultura feita pelo nosso querido Mestre Martins Correia, que era ainda mais bonita do que consigo dar a entender. Subidas as escadas, encostámo-nos a um canto. A nossa «guia» começou por nos perguntar: - Já ouviram falar no Mestre Martins Correia? Ficaram todos calados, a pensar, até que soou num murmúrio: - Eu acho que era pintor, escultor,


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos (textos) doutor, … - era a voz de uma colega minha, a Mariana. - E achas bem! É isso mesmo!. – retorquiu a «guia». Entretanto prosseguimos a visita: vimos quadros, esculturas, medalhas grandes e pequenas. Por fim, visitámos a última sala e, de seguida, fomos para baixo. Agradecemos à nossa «guia». Os professores deram-nos uma lista com nomes de obras do Mestre Martins Correia e partimos para a escola. Foi assim a visita ao «Museu Mestre Martins Correia». Maria José Santos - 6º A

Nesta visita eu gostei muito da criativi-

No dia 26 de Janeiro, fui com a minha

dade do Mestre Martins Correia, tanto na escultura, como na pintura. Adorei as cores que ele escolheu: o vermelho, o amarelo, o azul… porque antigamente as pessoas preferiam o preto e branco.

turma ao Equuspolis ver a exposição de Martins Correia. Eu gostei muito das obras do Mestre, principalmente das esculturas de pessoas que foram colegas dele. Ana Raquel - 5ºA

Ana Carolina Bernardo - 7ºA

Eu

gostei de ir ao museu porque é

bom ver o que Joaquim Correia Martins fez. Ele tinha muito talento para a escultura e pintura, apesar de para nós serem riscos, para Joaquim Martins Correia são uma vida, uma palavra, um símbolo, corpos, rostos e muitas coisas bonitas. Daniela Domingos - 7ºA

No

Museu Martins Correia vi várias

obras. Gostei de ver os quadros e as esculturas. Foi a terceira vez que lá fui, mas gostei de lá ir na mesma. No museu, também ouvi que o primeiro nome dele era Joaquim, então o nome completo é Joaquim Correia Martins. Na exposição reparei no contraste do preto com o branco. Havia obras feitas de bronze a imita-

Eu gostei muito do museu. Gostei dos quadros, das esculturas, das pinturas e dos rostos. Se Joaquim Martins Correia ainda fosse vivo, gostava de o conhecer, para aprender a fazer com ele a sua arte. Rafael Gomes - 7ºA

Fui

visitar o Museu Mestre Martins

Correia, situado no Equuspolis, na Golegã. Achei giro, só lá tinha estado quando ainda só havia computadores. Agora, como museu está muito bonito. Gostei muito de uma escultura feita em mármore brilhante. Fiquei a saber que o Mestre Martins Correia nasceu no dia 31 de Janeiro de 1910, viveu na Casa Pia e tirou o curso de Desenho. Xénia Soares - 7ºA

Eu vi muitas estátuas feitas pelo Mestre Martins Correia. Vi quadros cheios de cor, observei medalhas e muitas esculturas bonitas, como por exemplo, o pelourinho que é uma estátua de uma mulher com um livro na cabeça. É muito bonito. Miguel Silva - 7ºA

No museu do Mestre Martins Correia, eu vi esculturas tão bonitas que até as gostava de desenhar na aula de E.V.T.. Vi pedras e nelas estavam desenhadas umas casas, que pareciam as da Golegã. Vi algumas esculturas em bronze e quadros pintados a preto, cinzento e branco, como um quadro de um cavalo que está junto da sala das esculturas. Nesta sala de que eu vos falei agora, está uma estátua em ponto pequeno da estátua que está junto do pelourinho da Golegã. Foi o que eu vi no Museu Mestre Joaquim Martins Correia. Rúben - 5ºA

rem cabeças de pessoas que são ou foram importantes, como Sophia de Mello Breyner e Luís de Camões. A nossa guia disse-nos que a última obra que o Mestre Martins Correia fez foi para a Expo, em 1998. No museu, que se situa na Equuspolis, deram-nos um papel onde estão as obras dele. Eu gostei muito de lá ir e espero voltar lá, porque «o saber não ocupa espaço». Gonçalo Lino - 5ºA


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos (textos)

Este

ano comemora-se o centenário

Quando fui ao museu, logo à entrada

do nascimento do Mestre Martins Correia. Como tal, visitámos o seu museu. Este tem lá quase todas as esculturas e pinturas do mestre. Tem pinturas muito bonitas, às vezes um pouco estranhas, mas tinham todas uma particularidade: tinham quase sempre rostos de mulheres. Nas esculturas também, mas mais de pessoas conhecidas como Luís de Camões e Sophia de Mello Breyner. Fomos a uma sala que tinha muitas pinturas e deram-nos umas folhas com as obras que ele tinha feito. Também ficámos a saber que o primeiro nome do mestre é Joaquim. Foi uma visita muito interessante. Adorei-a!

havia uma obra que parecia ser um soldado e estava bem pintado. Subimos as escadas e vimos obras feitas de mármore, de bronze e de outros materiais. Ele também fazia pinturas: umas coloridas e outras a preto e branco. Entrámos numa sala onde tínhamos quadros por todo o lado, falámos sobre as suas obras e deram-nos umas folhas com os nomes das suas pinturas. Foi óptima a visita e podemos dizer que Joaquim Martins Correia tinha um grande dom.

Ana Catarina - 5ºA

Este ano comemoram-se os cem anos do Mestre Martins Correia. Martins Correia gostava de retratar o povo, a mulher e também alguns amigos. Gostava da cor porque pensava que uma pintura ou escultura a preto e branco era fria, para ele, a cor é que dá todo o calor. O Mestre também trabalhava muito com materiais misturados. Martins Correia ficou marcado na História por ser um dos primeiros artistas a dar cor às esculturas. Maria Madalena - 5ºA

Miguel - 5ºA

Nós

fomos ao museu onde estão

expostas as suas belas obras. Ele gostava muito de desenhar rostos e esculpi-los em vários materiais. Também gostava de desenhar mulheres nuas. Vimos muitos quadros com o seu símbolo. Tinham muitas cores e eram muito alegres. Ele esculpia a cara dos seus amigos e conhecidos. Martins Correia fazia obras de pedra, mármore, estanho e ferro. Fez uma cidade com pedras de calçada. Na exposição, entrámos numa parte do museu onde estavam expostas as estátuas que ele fez. Depois fomos para outra sala, onde estavam quadros oferecidos por amigos. A nossa guia disse-nos que ele se chamava Joaquim Martins Correia e que andou na Escola de Belas Artes, em Lisboa. Aquele museu é uma fonte de inspiração. Francisco - 5ºA

Este ano comemoram-se os 100 anos de Martins Correia. Fomos ao Museu e vimos esculturas de mármore, madeira… Disseram-nos que o Mestre gostava de cores porque sem cores as obras de arte ficavam «frias». O primeiro nome do mestre era Joaquim. No museu, havia quadros onde ele tinha pintado senhoras. Este senhor fazia esculturas perfeitas, mas esculpia mais senhoras, como a Sophia de Mello Breyner entre outras. No fim, havia uma sala com pinturas que os amigos lhe ofereciam. Sarah - 5ºA


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos (textos)

No Museu Mestre Martins Correia, eu

Na

vi pinturas e esculturas muito bonitas. A guia disse-nos que o Mestre gostava de usar cores quentes e não cores frias. Também usava o contraste. Eu e os meus colegas vimos as chamadas «pinturas pornográficas». Também vimos esculturas de medalhas sobre os Descobrimentos e vimos uma escultura de Sophia de Mello Breyner.

professoras organizaram uma visita ao Museu «Mestre Martins Correia». No museu havia esculturas de mármore e pinturas lindas. Dava para perceber que Joaquim Martins Correia gostava muito de mulheres, porque nas pinturas havia imensas mulheres desenhadas. Algumas estavam nuas. Também devia gostar muito da filha, era uma das esculturas que lá havia. Dentro de uma espécie de caixa de vidro, estavam medalhas que pareciam ser de barro. Lá, estavam desenhadas caras e coroas. Havia também esculturas de pessoas, umas sem pernas, outras sem braços, e havia quadros coloridos, porque o Mestre Martins Correia achava que os quadros sem cor não tinham muito interesse. Gostei imenso da visita, foi muito interessante, eu adorei!

Rafael - 5ºA

Quando cheguei ao museu, vi logo à frente das escadas uma obra dele: era a cara de uma pessoa. Chegando lá acima, a senhora do museu disse-nos que as obras dele tinham todas cara, e era mesmo verdade! Ele dizia que uma obra sem cara, era uma obra fria. Também reparei que a maior parte das obras eram mulheres e quase todas tinham uma coisa na cabeça, era um pano enrolado e posto em cima da cabeça para as bilhas não estarem em contacto com a cabeça. Martins Correia também desenhava corpos de mulheres e camponesas. No museu havia várias obras e muito engraçadas. Verónica - 5ºA

minha aula de E.V.T., as minhas

David - 5ºA

No

dia 28 de Janeiro, eu e a minha

turma fomos ao Museu Mestre Martins Correia, tendo esta ida o propósito de nos inspirar para um trabalho de Educação Visual e Técnológica. Pelo caminho, a minha turma convivia, ou seja, nós brincávamos uns com os outros. Mas, quando chegámos, a Professora Cristina Rodrigues, explicounos todas as regras que deveríamos seguir dentro do Museu. Quando entrámos, fomos recebidos por uma das funcionárias do Museu que nos explicou quem fora Mestre Martins Correia. Aprendemos logo que, no dia 7 de Fevereiro de 1910, na Golegã, nascera um artista que cedo ficou órfão, tendo, se seguida, ido para a casa Pia onde mais tarde daria aulas. Depois, quando subimos para o primeiro andar, começámos a ver as esculturas e as pinturas a atravessarem-se pelos olhos dentro. Só de pensar que tinha sido um goleganense a fazer aquelas obras de arte!!!… Nas suas pinturas e até esculturas podemos encontrar o preto, o branco, o vermelho, o verde-garrafa como cores predominantes. O Mestre também não esqueceu de utilizar a sua bela vila da Golegã, a mulher camponesa e os cavalos, entre outros motivos, nas suas obras. Mariana Nunes - 6.ºA


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos

Jardim de Infância de Golegã Sala Verde


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos COMO SE FOSSE UM FILME… OLHARES Homenagem dos alunos do 1º Ciclo ao Mestre Martins Correia (Escultor, Pintor e Poeta), ilustre Goleganense e Patrono da Escola sede do nosso Agrupamento. Sala

CIBER-MIÚDOS No dia 22 de Fevereiro de 2010 as turmas do 4º ano foram visitar o Museu Mestre Martins Correia. Joaquim Martins Correia nasceu a 7 de Fevereiro de1910 e faleceu no dia 30 de Julho de 1999. Martins Correia dedicava-se à pintura, escultura e escrita. Ele gostava muito de desenhar corpos e rostos de mulheres.

Sala dos Gatinhos)

Algumas das suas esculturas chamam-se: Homem do mar, Mulher do mar, Mulher do campo (Camponesa) … O Mestre também gostava muito de esculpir a cara dos seus amigos e dos seus parentes. Ele tinha cores preferidas tais como: azul, vermelho, amarelo, verde e preto. As esculturas e as pinturas dele estão expostas ao público no Equuspolis. Antes, estas maravilhas estavam no Palácio do Pelourinho. Golegã, 22 de Fevereiro de 2010 Rodrigo Toito

Sala do 3º Ano

BRANCA DE NEVE


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos

Sala do 4ยบ Ano

AMIGUINHOS


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos Sala do 2º Ano -

PATITOS

Pedro Silva Nicole Felício]

Rui Conceição

Gustavo Susano

Mariana Sofia

Rui Conceição

Alexandre Lança Liliana

Francisco Barrote

Margarida Lourenço


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos Sala do 4º Ano - GATINHOS

Joaquim Mestre Martins Correia, nasceu no ano de 1910, no dia 7 de Fevereiro. Ele era uma pessoa que se interessava pelas obras de arte. Martins Correia começou a pintar quando era jovem.

Ele pintava com azul, verde, amarelo, vermelho e cor-de-laranja. As estátuas que fazia eram de pedra, bronze, mármore e pedra brilhante.

Mestre Martins Correia, quando já era idoso, deu as suas grandes, espantosas e bonitas estátuas, quadros e medalhas à Golegã. É assim um pouco do passado de Joaquim Mestre Martins Correia.


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos Sala do 1º Ano

GIRASSÓIS

Carlos Cachado

Francisco Costa

Ana Francisca

Joana Margarida

Joana Margarida

Matilde Barrote

Constança Nalha

Joana Silvestre

Carlos Cachado

João Pratas

Maria Teresinha

Carlos Nunes

Fábio Lopes

Maria Constança Lagarto

Ana Francisca

Francisca

Ana Rita

Maria Teresinha Jorge


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos Sala do 3º Ano

BORBOLETAS e GRILOS

Mariana Freire

Pedro Mendes Ana Barradas

Andreia Costa

Sérgio Lopes

André Contente Cláudia Amarchande

Marta Pereira

Matilde Barrote Duarte Almeida Carolina Campino


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos Sala do 1º Ano

GOLFINHOS

Cristiana Pimentel

Lara Lourenço

Rúben Vilela

Inês da Guia

Inês Alexandra Diogo Alcobaça


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos

Sala do 2ยบ Ano

PAPAGAIOS DE PAPEL


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos Morreu com 89 anos no dia 30 de Julho de 1999. Tem várias esculturas por todo mundo.

Foi um grande artista. Kane D’Arcy

Testemunho Sala do 4º Ano

José Coelho

CIBER-MIÚDOS

Escultor, Pintor e Poeta

O Mestre Martins Correia Eu, esta tarde, fui aos Equuspolis ver as várias esculturas do artista Joaquim Martins Correia.

Direi de Mestre Martins Correia, ami-

Aprendi muitas coisas. Ele nasceu

go que me acompanhou numa parte

em 7 de Fevereiro de 1910. Se fosse

importante da minha vida, o que Antoni

vivo faria 100 anos.

Tàpies, pintor catalão, quando chegou

A vida dele foi triste porque os pais

a Paris, disse de Picasso depois de o

morreram ainda ele era muito pequeno.

visitar no seu ateliê, após lhe ser atri-

Ele ficou entregue a uma ama, mas

buído o Prémio da Paz, “Tive a oportu-

tornou-se um "senhor" porque naquela

nidade de constatar a grandeza do seu

altura nem todos tinham a sorte dele.

espírito em todos os momentos em que

Ele foi para a Casa Pia, foi lá que

se precisou dele. E vi de forma palpá-

aprendeu a ler e a escrever e decidiu

vel que um grande Artista é sempre um

ser escultor.

grande Homem”.

E assim foi, tornou-se também pintor, escritor. O produto com que gostava mais de trabalhar era o bronze, para esculpir.

Jamais me esquecerei da enorme eloquência do mestre, quando este me ajudou a organizar e a montar a minha primeira exposição em Constância, no início da década de oitenta. Obrigado Mestre Martins Correia.


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia - Trabalhos realizados pelos alunos


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Visita ao Museu Mestre Martins Correia Jardim de Infância de Azinhaga - Sala dos Golfinhos

A

arte entrou no jardim de infância!

Como estivemos atentos e interessados. Já repararam?... Estávamos vidrados!

Foi muito enriquecedor este momento. Ficámos a conhecer aspectos característicos da obra do M. M. Correia, como por exemplo, a utilização frequente da cor vermelha, a representação de aspectos da vida rural e outros. Fizemos algumas perguntas e, por fim, até fizemos puzzles. Portámo-nos tão bem, que conseguimos da parte da formadora a promessa de voltar em breve.


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Visita à Estação do Metropolitano - Picoas

_________________________________________________

Realizou-se,

no dia 4 de Fevereiro do corrente ano, no

Equuspólis, um momento musical apresentado pela aluna Rita Martinho do sétimo ano, turma B, aquando da apresentação do projecto intitulado Mestre Martins Correia “Um Museu, Uma Escola”. A referida aluna apresentou uma peça de guitarra clássica, preparada durante as aulas de guitarra na Escola de Música do “Cantar Nosso” – Golegã.


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Outra homenagem‌.


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Recordando MARTINS CORREIA MORFOLOGIA POPULAR

Martins

Correia é um nome que dis-

pensa apresentações O seu vastíssimo e reconhecido currículo é por demais evidente. Desde 1922 que habita a zona de Belém, foi aluno da Casa Pia Numa carreira já longa, mais de 50 anos a fazer Arte, são inúmeros os seus trabalhos; o mais recente pode ser apreciado na estação de Picoas do Metropolitano de Lisboa Na Golegã, onde nasceu no ano de 1910, guarda-se o seu espólio no Museu Municipal Escultor Martins Correia já visitado por cerca de 9000 pessoas, entre elas nomes sonantes como Mário Soares ou Aníbal Cavaco Silva, como se poderá ler no livro de registo aberto por Ramalho Eanes que inaugurou aquele espaço museológico. Martins Correia soma vários prémios e está representado em diversos museus e colecções tanto em Portugal como no estrangeiro. Foi Prémio Internacional na Noruega, recebeu também o Prémio Diário de Noticias com a estátua em bronze de Amatos Lusitano. Outros trabalhos que se poderá destacar, num total de mais de sessenta trabalhos, a estátua de D Pedro V na Cidade Universitária de Lisboa, a composição, em Bronze no Tribunal de Pinhel, a estátua de Pio XII para a exposição de Arte sacra Missionária nos Jerónimos ou ainda a estátua de S. Francisco Xavier em Goa e o mármore «A italiana» quando foi bolseiro do Estado português em Espanha e Itália. Ao doar grande parte do seu espólio à terra onde nasceu, Martins Correia espera que «com a sua presença de artista estimulará a juventude da Golegã ao trabalho e respeito pela moderna obra de arte e seus artistas» Este seu objectivo prende-se com aquilo que mais gostaria de fazer «que os jovens continuassem a amar a minha profissão - a nossa profissão de escultores portugueses - pela forma e estilo da corrente expressionista da função poética». In Ecos de Belém, Abril 1995

Última lição de Martins Correia: O tempo não conta. Ainda foi ontem que aqui entrei para o meu primeiro dia na qualidade do aluno da Casa Pia. Revejo os meus estimados professores e muito parti-cularmente evoco o saudoso Professor de Desenho e também, por sua vez, ex-aluno, Pintor Pedro Guedes* que me preparou, então para ingressar na Escola de Belas Artes Evoco igualmente os meus colegas e amigos de sempre, que comigo conviveram nas aulas e viveram as actividades recreativas todos eles devo a minha formação e deles destaco os 38 colegas que também a expensas desta insti-tuição se formatam mi cursos superiores de Engenharia, Medicina, Advocacia, Economia e nos cursos superiores do Exército, da Marinha e das Belas Artes: este é o grau da minha mocidade que evoco. Querendo transmitir as-sim o entusiasmo juvenil de outrora à vossa consciência com o fim de que continuem a estimar os vossos profes-sores e condiscípulos de aula e de actividades recreativas no sentido de estimular o vosso senso educativo para um dia virem a dignificar o bom nome da Casa Pia. Para os alunos de desenho quero expressar esta mensagem: Por-tugal possui geograficamente um contorno desenhado e dentro dele cabem a luz do sol e da lua que lhe empresta particularidades próprias de observação: Com as árvores alimentadas pela natureza e pelos homens que as querem, crescem num conjunto de intensa harmonia, onde recebeu* do sol nos dão a sombra que é mancha fortemente colorida do poisar e amar. Temos também o oceano, que no dese-nho das suas ondas sempre variadas nos ensina o ritmo da natureza de que fazemos parte, é dentro destes conceitos poéticos estéticos de desenho retido pela observação (conceitos que adquiri peto habito de observar a natureza e os homens ) que se moveu a minha personalidade de aluno e de professor: Involuntariamente, através dos olhos, cultivei-me da verticalidade e da amizade e num acto de amor, em que reflecti, reconheço que os olhos são a primeira inteligência que mergulham na saúde do produzir. Quer dizer Os olhos

que vêm olhando realizam o que os outros olhos têm em si para serem ensinados, o que profundamente há que exprimir no verdadeiro acto de ver. Quando há amizade, ela é a comuna que comunica É a união hu-mana que não se define, porque unindo-se tio generosa-mente logo é inexplicável: É a mão que aperta os dedos para em sangue continuar, como o movimento do rio para as grandes águas do mar A verticalidade, que é o carácter, é a linha desenhada de aprumo como a verticalidade do remo da pescador firme ao mar. É também o pinheiro hir-to no ar, na sensação de sentimento móvel que se oferece, tanto manso em terra, como bravo no mar. E esta imagem fixa dos elementos que vos deixo Que esta simples lição vos sirva apenas para os entusiasmar na razão da obser-vação intensa e amante da natureza, sentindo a criação plástica no movimento de fluxo e refluxo que se estabele-ce entre a terra e o mar Em conclusão quero dizer o seguinte: Cada país geográ-fico com as suas diversas formas interiores constitui um tema desenhado em si mesmo, que esteticamente lhe é dado peta luz» pela atmosfera, pela forma e pelo espírito Mas tudo é diferente entre eles Cada país tem o seu carácter próprio no desenho da sua natureza e dos seus homens que se desejam de espírito modernamente jovem a um progresso ideal no dm H do amanhã * Rapazes – que vos guie a minha mensagem de desenho pelo gosto da verticalidade e da amizade – nas formas estéticas varia-das – do real – do imaginativo – do visionário – e do ideal 24 De Março de 1973 Um abraço! António Teme


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À Procura de um Nome - Artigos Publicados neste jornal - (Nº 13 e 15 - II Série - Dez./1997 e Junho /1998) Não tenho fome, dizem… Quem sou e para onde vou, também me pergunto.. Mais absurdo, O que faço aqui… Sinto-me vida Cheia de nada, Tudos que valem nadas, Perante a vida que nos merece tudo. Quero dar, Quero partilhar, Pela mudança caminhar, Um mundo colorido imaginar, Dar voz a quem quer amar E o seu nome eternizar. Martins Correia... Saramago… Luís de Camões é a minha Rua. Um nome, outro nome, Quero um nome que me torne tua. C+S da Golegã

Quando nós nascemos os nossos Pais escolhem para nós um nome pelo qual passamos a ser chamados. A decisão de atribuir este ou aquele nome a uma criança, é sempre urna escolha que envolve vários componentes. Escolhese um nome ou porque se gosta dele, ou porque se quer homenagear alguém que se admira, ou porque se quer perpetuar a memória de algum familiar desaparecido, ou por qualquer outra razão. Assim, escolher um nome para atribuir a uma pessoa é sempre uma escolha que se faz. E essa escolha é importante, porque o nome é aquilo que é verdadeiramente nosso, que nos identifica como pessoa, que faz com que eu seja mesmo "eu" e não outro qualquer. Daí a importância de sabermos os nomes uns dos outros para podermos ser individualizados, personificados,

e não nos sentirmos um colectivo abstracto. Quantos de nós sabemos os nomes uns dos outros? Quantos professores sabem os nomes dos seus alunos? Quantos alunos sabem os nomes dos seus professores? Não saber o nome da pessoa que vive ao nosso lado, significa não ter com ela uma relação personificada. Ora, a que vem esta conversa toda a propósito de nomes? E que a nossa Escola não tem nome! Quando a ela nos referimos, costumamos dizer "A C+S", ou pior ainda, "O Ciclo". Ora estes "nomes", não são nomes, são categorias, tipos, que até já nem correspondem à realidade. Identificam o tipo de Escola, como há muitas no país inteiro, mas não esta que fica situada na Golegã - a nossa onde passamos uma parte tão grande do nosso tempo e da nossa vida. Este ano, em que tão renovação nela se deu, penso que é a altura ideal para nos pormos todos a procura de um nome que Ihe fique bem, de que gostemos e que esteja relacionado com a zona em que vivemos: Ribatejo, concelho da Golegã. vamos todos começar a procurar um nome? A redacção do Encontro esta pronta a acolher todas as sugestões. Então aqui vai a primeira. Eu gostaria que a nossa escola se chamasse "Escola José Saramago". Porque escolho eu este nome? Uma escola é, por definição um local que deve desenvolver em todos que nela vivem- alunos, professores, funcionários- o gosto pela cultura e pelas letras. José Saramago, natural da Azinhaga, é um escritor cuja escrita esta marcada pelas suas origens rurais ribatejanas, tantas vezes preferidas pelo próprio escritor quando de si fala. José Saramago é hoje no mundo das letras portuguesas em caso singular. Prémios

do maior prestigio - quer em Portugal quer noutros países - Ihe têm sido atribuídos Porque sou uma leitora fiel que encontra sempre na sua escrita um fascínio inigualável, penso que escolher o seu nome, é sobretudo um prestigio para a nossa Escola Celeste Isabel

Tal

como cada indivíduo tem a sua

identidade, entendendo-se este conceito como tudo aquilo que faz com que ele seja um determinado sujeito e não outro, também a minha escola tem identidade, é singular, porque a minha escola não se confunde com nenhuma outra, é a minha. E donde lhe vem essa identidade que a torna única? Vem-lhe do sitio onde está (na Golegã, na Rua Luís Camões); vem-lhe do aspecto que tem (os edifícios aquele verde todo, as flores); vemIhe das. pessoas, que não são umas pessoas quaisquer. É verdade, as pessoas na minha escola não são iguais às outras: os professores são diferentes, os funcion á r i o s "tios", os alunos são diferentes. Ou então sou eu que os vejas diferentes. Talvez seja porque gosto dela. Não posso esquecer como ela tem também contribuído para ir traçando a minha identidade, para que eu seja eu. A curiosidade faz-me imaginar como seria eu se não estivesse aqui. Mas penso em mim e no meu nome, penso nas pessoas da minha família que têm nome, penso nos meus amigos que têm nome, penso nas ruas que têm nome, no meu cão que tem nome, .. E por que razão a minha escola não tem nome? E paradoxal numa terra em que coexistem frequentemente dois códigos para identificar os indivíduos,


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À Procura de um Nome - Artigos Publicados neste jornal - (Nº 13 e 15 - II Série - Dez./1997 e Junho /1998) oficial (nome do B. I. ) e o não oficial (alcunha), como se uma denominação não bastasse, não satisfizesse a necessidade de nomear. Situação similar ocorre com a toponímia. A maior parte das ruas são mais correntemente conhecidas pela "alcunha" que pelo nome cadastral. Toca pois o absurdo que em relação à nossa escola nos satisfaçamos com ausência de nome, com a frieza e sensaboria de Escola C+S da Golegã. A minha escola tem alma bolas ! Tem que ter nome. Vêm-me alguns nomes à cabeça. Mas há um que volta sempre. Não vou dizêlo, não devo influenciar Porem não consigo calar! E porque não dizê-lo? Eu tenho as minhas razões. Então cá vai - MARTINS CORREIA. Não vou alongar-me a falar do Mestre como artista. Está consagrado, todos o sabemos e, portanto, ao lado da escolas como Luís de Camões, Gil Vicente ou outros, ficaria entre pares. Mas o Homem meu Deus! Esse é sublime! Não é como alguns artistas, distantes, emproados! Eu gosto dele. Cruzo-me com ele na rua, vejo-o a fazer a vida simples que nós fazemos, encontro o no Central, vejo-o caminhar para a sua casa. Às vezes pergunta-me pela escola e pelos meus alunos. O seu sorriso, a sua simplicidade, a sua sensibilidade, o seu estar aqui Tão Perto tocam-me profundamente. Confesso que me daria prazer dizer que trabalho na Escola Mestre Martins Correia, porque eu gosto da minha escola e porque gosto do meu Mestre. Desculpem o possessivo antecedendo Mestre, mas eu sinto-o como meu, como nosso. Lurdes Pires Marques

O NOME QUE ENCONTRÁMOS

Pediu-me um dos responsáveis pelo " Encontro ", que escrevesse sobre a escolha que foi feita do nome a atribuir à nossa Escola. Respondi que não era a pessoa indicada, e que seria um " risco " se fosse eu a escrever...! A minha advertência não foi aceite, e aqui estou eu a dar-vos conta da decisão final. Os nomes propostos eram os seguintes José Saramago e Martins Correia ( proposta de professores ); Maria Amália da Câmara Pina ( proposta da Associação de Estudantes ); Galvão de Figueiredo ( proposta dos Funcionários ). No Conselho Pedagógico de seis de Maio, e com a presença de dois representantes da Associação de Estudantes e da Chefe do pessoal Auxiliar, apresentaram-se oralmente as propostas. Bastante tempo antes, tinham sido apresentadas por escrito, para que todas as pessoas as pudessem ler. Após algum tempo de discussão, procedeu-se à votação. Ganhou a proposta que apresentou o nome de Martins Correia. Como os leitores do " Encontro " sabem, a minha proposta era José Saramago. Não fiquei, pois, contente com a escolha, e continuo com a convicção clara, que a escolha não foi a melhor. Não, obviamente, por não reconhecer no Mestre um Homem de Cultura mas por me parecer excessivo ter numa terra tão pequena, um Museu e uma Escola com o nome da mesma pessoa. E para mim uma redundância. Esta escola não serve só os alunos da Golegã, mas também os da Azinhaga ( terra natal de José Saramago ), que faz igualmente parte do Concelho. Demonstrou-nos este século que ora finda, que nem sempre as maiorias têm razão, e por isso se ouve tanto hoje falar no direito das minorias ". É isso que sinto em relação a esta questão, na convicção de que a Escola e o Concelho ficariam prestigiados se assinalassem de forma visível, a existência de um homem para quem a

dignidade humana e a liberdade são valores fulcrais, e o escritor, que de forma Ímpar, tem levado o nome de Portugal às mais diversas culturas e distantes países. Resta a alegria de ver desaparecer a placa " E. B. 2. 3. " para não termos a sensação cada dia que passamos o portão da Escola, de termos entrado num quartel. Acho que devia ser obrigatório todas as escolas terem o nome de uma pessoa, dado que é de pessoas que trata esta casa. Celeste Isabel

Propostas devidamente fundamentadas apreciadas em Conselho Pedagógico Propostas de Professores: Escultor Mestre Marfins Correia Escritor José Saramago Proposta da Associação de Estudantes: Dona Maria Amália da Câmara Pina Proposta dos Auxiliares de Acção Educativa: Dr. Galvão de Figueiredo Personalidade escolhida Para Patrono da Escola

Mestre Martins Correia

Jornal Encontro Março de 2010  

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