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Jornal da Batalha

Janeiro 2010

Cultura Batalha

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Os ataques de Pedro aos objectos m Sapatilhas, computadores, toalhas de mesa. Tudo serve para o jovem ilustrador da Batalha mostrar a sua arte Quem disse que um par de sapatilhas, um computador, uma toalha de restaurante não podem ser a “tela” que faça nascer uma prova de arte? Pedro Moutinho acredita que os objectos são bem mais que o uso que fazemos deles. Este ilustrador da Batalha é multifacetado: a personalização de objectos é apenas uma das suas actividades. E explica como tudo começou: “Personalizar objectos, foi algo que surgiu naturalmente. Como ando sempre a desenhar, desenho em tudo, desde toalhas de restaurante, caixas de cartão de produtos, todo o tipo de suporte me serve para aplicar desenhos, criar formas”. E quem disse que esse tipo de acções é meramente lúdica? Pedro Moutinho já personaliza objectos a título profissional. “As acções que fiz com a marca Onitsuka Tiger nas sapatilhas foram pedidas pela própria marca. Depois como a Asics é a casa mãe da marca Onitsuka, realizei também uma ilustração com a marca para imprensa”, recorda. Pedro admite “continuar a desenhar em vários suportes por puro prazer, mas se

puder continuar a fazê-lo profissionalmente melhor”. Será, “juntar o útil ao agradável”. Actualmente, está a desenhar para uma loja no Porto. As novas vítimas do seu “ataque” de arte são diversas pulseiras. Pedro Moutinho conta-se entre poucos que, no nosso país, avançam com o “ataque” criativo aos objectos. Contudo, revela, “lá fora, principalmente nos Estados Unidos da América, Reino Unido, França, Holanda, Japão é um hábito comum. A personalização é tão levada a sério que muitas marcas têm como exemplo sites de sapatilhas onde podemos escolher algumas cores, algum material, e algumas palavras ou desenhos nossos nas sapatilhas e encomendar assim as “nossas” sapatilhas”. Ok, já percebemos que gosta de personalizar os mais vulgares objectos do quotidiano. Mas o que “ganhamos” nós e os objectos com isso? “A ilustração em objectos que usamos todos os dias pode mostrar que aquele objecto é nosso, mostra-nos aquilo que somos ou que pretendemos ser, os objectos tornam-se a cara do consumidor, defendem aquilo que gostamos, dá carácter ao objecto, ele torna-se o nosso objecto. É individualizar o que foi feito em série, sendo agora é uma peça única”, explica. COMO TUDO COMEÇOU. “Desde muito cedo, passava horas a desenhar, dese-

nhava tanto que cheguei a ouvir várias vezes do meu pai uma frase não muito comum: “Pedro, sai um pouco do quarto e vai brincar para a rua!””, conta este ilustrador de 32 anos. “Desenhar”, revela, “é a minha melhor forma de me expressar, de me encontrar”, diz. “Ilustração, design gráfico e fotografia são coisas que não consigo largar, fazem parte de mim”, acrescenta. E o que prefere? “Não consigo responder a essa pergunta, tem dias que prefiro ilustrar no meu livro de bolso ou em qualquer suporte que me pareça interessante, noutros dias só quero fotografar e não preciso da ilustração. Mas o engraçado é que estou quase sempre a unir os dois mundos, faz parte da escola da vida unir a nossa bagagem cultural e usá-la em qualquer processo criativo”, diz. Ilustração, design, fotografia e música. Estas são as linguagens que o jovem batalhense usa para se expressar. E promete continuar. LIGADO À BATALHA. Trabalha fora do concelho mas a Batalha continua a ser o local “onde me sinto muito bem”. Ainda assim, tem, por cá, algumas referências profissionais: “trabalhei na “Bonvida” durante 4 anos onde fui criativo e adorei fazê-lo, criar colecções de porcelanas e ver o nosso trabalho no “El Corte Inglés”, “Continente” e outros locais é muito bom, foi algo que gostei muito de fazer”. Carlos S. Almeida

Jornal da Batalha - edição Janeiro 2010  

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