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Estação Centenário Fascículo I

Encarte do Jornal O Passageiro


Trem de ferro

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Difícil expressar em palavras a honra e alegria que todos nós do jornal O Passageiro estamos do primeiro fascículo que traz para você, leitor, um pouco da história de Divinópolis. Intitulado de Estação Centenário, nosso fascículo é como um trem de ferro dos poemas de Adélia Prado, que atravessa a história de nossa cidade, erigindo o passado com as figuras humanas que construíram este lugar com dedicação e amor. Nos trilhos do centenário, nossa “Princesinha do Oeste” mostra que a maturidade já se faz presente em sua história e que aos poucos, alguns traços maduros já podem ser observados em sua geografia, economia, política e cultura. Com mais de 213 mil, situa-se entre os 10 principais municípios do estado e é considerada a quinta cidade com melhor Índice de Desenvolvimento Humano do Estado – IDH. A cidade do Divino nem se parece com aquela cidade do interior que nasceu às margens do Rio Itapecerica, construindo seu povo e sua história com amor e ferro. Neste primeiro número do fascículo apresentamos quem fez história em nossa cidade. Escolhemos personalidades importantes dos primeiros anos da formação da cidade, como Francisco Machado Gontijo, mais conhecido pelos amigos como “O Patriarca” devido ao respeito que todos tinham pelas suas ideias e pela sua conduta. Na Editoria Monumentos apresentamos a saudosa Companhia Estrada de Ferro Oeste de Minas que trouxe modernidade e vida nova para a cidade. A ferrovia, sem dúvida alguma, foi o primeiro impulso desenvolvimentista por ser a primeira via de comunicação da região com o resto do país e foi a partir dela que nasceu a ideia de cidade operária como a conhecemos na atualidade. A entrevista com nosso atual prefeito Vladimir Azevedo evidencia o cenário contemporâneo e ventila algumas ideias acerca de um futuro que é logo ali, na estação seguinte, no dizer dos mineiros. Ponto de vista de leitores também é ponto alto neste fascículo, que rememora momentos importantes da história de Divinópolis. Registros, memórias, fotografias, poesias e saudades... Sentimentos que evocam amor pela cidade. Desejamos que você, leitor, faça uma bela viagem e que aguarde o próximo fascículo da Estação Centenário que entrelaça o passado, o presente e o futuro de uma cidade que prospera e que é sempre motivo de orgulho para todos nós. Boa leitura

DE DISTRITO DO ESPÍRITO SANTO DO ITAPECERICA A DIVINÓPOLIS

6 & 7 FRANCISCO MACHADO GONTIJO

8 & 9 DIVINÓPOLIS NO BICENTENÁRIO

10&11 ESTAÇÃO HENRIQUE GALVÃO

12 DIVINOPOLITANO DE CORAÇÃO

15 MOMENTO: ADÉLIA PRADO

EXPEDIENTE Número de páginas: 16 Tiragem: 8 mil Fundador: Laércio Nunes

Editor Geral: Marcelo Nunes Diretora Comercial: Stefane Moura Chefe de Redação: Amanda Quintiliano

Redação: Amarílis Pequeno, Cíntia Teixeira, Amanda Quintiliano Arte Gráfica e diagramação: Alexandre C., Daniel Allan, Douglas Barreto Controle Administrativo: Paula Danielle


De distrito do Espírito Santo do Itapecerica A Divinópolis Amarílis Pequeno Divinópolis, conhecida como cidade do Divino celebra 100 anos de emancipação política em 2012, mas na verdade ela existe há centenas de anos, e tem muita história para contar. A equipe de reportagem do Passageiro, teve a honra de resgatar um pouco da lembrança de quem marcou esta caminhada, para levar a você, leitor, detalhes que não foram ensinados na sala de aula. Esta grande cidade, até o início de 1912, era chamada de Distrito do Espírito Santo do Itapecerica, ainda pertencente ao município e comarca de Itapecerica. Em março de 1912, os documentos traziam a expressão Villa de Henrique Galvão, Termo de Itapecerica e depois em outubro de 1912, Villa de Divinópolis, Comarca de Itapecerica. Em 18 de setembro, de 1915, foi criado o termo judiciário de Divinópolis, apesar de sua instalação só ter ocorrido em outubro de 1922, após completar o preenchimento das exigências legais. A partir desta data é chamada de Divinópolis. A troca do nome do município foi discutida em diversas reuniões da Câmara de Vereadores. O presidente da casa, Antônio Olimpio de Morais, sugeriu Divinópolis, e foi apoiado pelos demais membros do legislativo. A solicitação da mudança foi aprovada pelo Governo do Estado em 30 de setembro de 1912. A primeira lei instituída pela Câmara Municipal de Henrique Galvão foi aprovada em 17 de junho de 1912, fixando a receita e despesa. Para dar conta da despesa, foi autorizada a cobrança de impostos como o predial, sobre a atividade industrial e profissional, transmissão de propriedade, aferições, licenças, aforamento para construções, penas d’água, eventos e multas, e assim continua. No Brasil, até 1930, todo o controle era exercido pelas câmaras municipais, por meio do presidente do legislativo ou agente executivo. Essa função hoje corresponde às atribuições do prefeito, de todo o secretariado e altas chefias. Foram muitas mudanças e adequações, que marcam e decifram como a cidade se desenvolveu tão rapidamente, estas raízes firmes, e consolidadas merecem cada dia ser comemoradas. Fonte: CORGOZINHO, Batistina Maria de Souza. Nas linhas da Modernidade: Divinópolis, 2003. RIBEIRO, Maria Izabel Menezes. Divinópolis Hoje e recortes do passado: Belo Horizonte, 1997. PAPELARIA SHERLOCK. Epítome da História de Divinópolis 1684 a 1936: Divinópolis, 1962. LARA, José Dias: Divinópolis com Amor e Humor: Ed. Gráfica Sidil: Divinópolis, 1994.

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Curiosidades • A ponte que liga o centro até o bairro Esplanada tem o nome do Patriarca. No entanto, somente em 1992, com a lei 3127, foi denominada. • O Patriarca começou de baixo, era caixeiro de Jerônimo Dias Pereira, negociante de muitas posses. Com medo de perder o dedicado funcionário na época do serviço militar, a sua esposa, Fabiana Guimarães Pereira, propôs o casamento dele com a terceira filha, Ana Leopoldina de Jesus, co-herdeira do abastado comerciante. Foi desta forma que ele se casou pela primeira vez e teve dezoito filhos. • Seu filho do segundo enlace, Oswaldo Machado Gontijo, assumiu o cargo de Engenheiro da Prefeitura e fez grandes obras em nossa cidade, como ter contribuído na construção da ferrovia com Dr. Berredo. • Galileu Teixeira Machado, neto dele, foi eleito prefeito em dois mandatos na cidade de Divinópolis.

Francisco Machado Gontijo 6

Cintia Teixeira Compreender o presente é sempre mais fácil quando nos apoiamos nas reflexões do passado e nas personalidades que contribuíram para a construção da sociedade. No caso de Divinópolis, não se pode discorrer a história sem mencionar a figura de Francisco Machado Gontijo, carinhosamente conhecido como “O Patriarca” da cidade do Divino por ter sido, juntamente com Pedro X. Gontijo e Padre Matias Lobato, o maior articulador da emancipação política de nosso município. Não fosse sua coragem e amor pela cidade natal, a emancipação da cidade do Divino teria demorado um pouco mais. De cidadão a “patriarca”, vamos conhecer um pouco mais deste grande homem. Francisco Machado Gontijo nasceu em Divinópolis, quando ainda era conhecida como Arraial do Espírito Santo do Itapecerica, no dia 25 de março de 1840, falecendo em 14 de setembro de 1931, aos 91 anos. O Patriarca é filho de José Machado Miranda e Maria da Costa Gontijo. É descendente direto do fundador da cidade de Carmo do Cajuru, Manoel Gomes Pinheiro. Casou-se duas vezes ao longo de sua vida. Em primeiras núpcias com Ana Leopoldina de Jesus, com quem teve dezoito filhos. Com sua segunda esposa, Donatila Eudóxia Gontijo, teve mais oito filhos. Um dos filhos desta referida união foi Oswaldo Machado Gontijo que se casou com Maria de Lourdes Teixeira, pais de Galileu Teixeira Machado, político e ex-prefeito de Divinópolis. Segundo a historiadora Maria de Fátima Quadros, o Patriarca teve valor inestimável para a cidade. “Foi sempre uma autoridade em nossa cidade. Ora Juiz de Paz, ora Delegado, ora chefe político, sempre os ocupou e aceitou, tendo o desejo de trabalhar pelo progresso de sua terra”. Foram inúmeras as ações políticas que Francisco Machado Gontijo fez na cidade. Talvez a mais importante seja quando ele aderiu à causa da criação do município. “Pedro X. Gontijo, diz que foi tão marcante a ação do Patriarca que, por três vezes, deslocou o eixo dos destinos de Divinópolis” (LARA, 1994, p. 39). A primeira foi quando ele participou da mudança da Estrada de Ferro Oeste de Minas, de Alberto Isacson para Divinópolis. A segunda mudança foi quando da sua adesão à causa do município. E a terceira, foi o pedido veemente no Palácio, com o então Presidente da República Júlio Bueno Brandão, junto à comissão que foi pleitear a pretendida emancipação. Por tudo isso exposto, é compreensível o entusiasmo de Pedro X. Gontijo no livro Epítome, que diz que “o nome dele encheu Espírito Santo do Itapecerica, brilhou Henrique Galvão e fez grande em Divinópolis”. Os últimos anos de Francisco Machado Gontijo, segundo a historiadora Maria de Fátima Quadros, foram mansos e calmos. “Idoso, vestindo o tradicional paletó, ora de linho, ora de brim, firmando-se no cajado encastoado em prata maciça, atravessava as ruas de sua cidade natal serenamente”, conclui. O Patriarca teve grande importância para a emancipação da cidade. Fez muito pela Princesinha do Oeste e deve ser sempre lembrado com carinho por todos.

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Amanda Quintiliano Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) acreditam que a população do planeta pulará de sete bilhões para 9,1 bilhões em 100 anos. Desse total, 70% viverão nos centros urbanos. Metrópoles como Nova York, Tóquio e São Paulo devem dobrar de população - a capital paulista deverá chegar a 40 milhões de moradores. Para dar conta de tanta gente, surgirão mega-arranha-céus e será preciso ocupar o subsolo e o ar.

Investimentos Divinópolis completa 100 anos no dia 1° de Junho e para comemorar as décadas de história a cidade será presenteada com investimentos que são vistos, hoje, como o “ponta pé do futuro”. Três pilares sustentam o início de uma nova era para Divinópolis, segundo Azevedo, sendo eles: Hospital Público, despoluição do Rio Itapecerica, Centro Administrativo. Obras milionárias, faraônicas que podem traçar um novo caminho para o desenvolvimento da economia. A ferrovia, o setor da metalurgia, do vestuário, pode dar espaço à consolidação de novos segmentos. “Divinópolis se consolida como prestadora de serviço com dois grandes pilares, instituições superiores que tente a aumentar e o setor do serviço de saúde, temos o São João de Deus que é um dos melhores de Minas Gerais com reconhecimento nacional e estamos fazendo o Hospital Público”, avalia o prefeito. “Divinópolis vai acentuar o perfil empreendedor”, aposta Azevedo.

Divinópolis no Bicentenário Construindo a cidade para as próximas 10 décadas de história

Imaginar qualquer situação para daqui a 100 anos é coisa para especialista, mesmo sendo muito ousado. Se olharmos para o passado, levando em consideração um século atrás, enxergaremos carros de bois, trens de passageiros, ruas sem calçamento. Um cenário diferente do que vivenciamos hoje, sem tecnologia e infraestrutura. Mas como bem lembrou o prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) “é necessário comemorar o passado, planejando o futuro”. Mas, por onde começar a escrever os próximos 100 anos? Para Azevedo, intitulado “Prefeito do Centenário”, este é um momento de comemoração, mas sem vendar os olhos para os gargalos estruturantes e sem deixar de enxergar a capacidade futurística da cidade. “Comemorar o centenário significa desenhar o bicentenário, preparar a cidade para as próximas gerações, elaborar um plano, dar um norte”, disse o prefeito.

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Repercussão nacional No ano passado, Divinópolis foi apontada pela revista Veja como uma das 100 metrópoles do futuro, levando em consideração dados de desenvolvimento humano e econômico. O município está entre os 130 maiores do país e se seguir o ritmo das últimas 10 décadas poderá duplicar a população. A princesinha do Oeste é uma das maiores cidades verticais de Minas. Polo confeccionista, metalúrgico, universitário. Características formadas ao entorno dos trilhos da ferrovia que foram se adaptando ao longo dos anos, seguindo as tendências. Mesmo apostando na consolidação de novos segmentos, o prefeito diz acreditar, na pluralidade da economia. Para ele, essa diversidade age como escudo contra crises. “O setor vestuário veio como um caminho alternativo após a decadência das siderurgias no início da década de 1980 e após isso Divinópolis construiu outros setores. A cidade tem essa vantagem de ter uma economia diversificada, não depende de um único setor e consegue se sair bem em situações de crise”, comenta. Bicentenário A cidade encerra um ciclo, mas ainda está ligada ao que foi o “ponta pé” para o desenvolvimento. Para Azevedo, as raízes de Divinópolis é a ferrovia e ela sempre estará ligada aos investimentos futuros. O município cresceu ao entorno dos trilhos e deverá continuar a desenhar a história sem perder a essência.

Divinópolis é destaque: PIB R$ 2,8 bilhões 13ª posição no Estado IDEB 5,6 Ultrapassou a meta nacional de 5,1 IDH – M 0,912 Está entre os cinco de Minas Gerais

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ESTAÇÃO

HENRIQUE GALVÃO

O começo de uma grande cidade Amarilis Pequeno O progresso da cidade chegou sob os trilhos da Estrada de Ferro Oeste de Minas EFOM, construída ligando o Rio de Janeiro aos limites da província de Minas Gerais, no final do século XIX. O responsável pela construção de um ramal partindo de Oliveira até Itapecerica, passando pelo Distrito do Espírito Santo do Itapecerica, futura Divinópolis, foi o engenheiro-chefe Henrique Galvão. Em meados de 1890, na Rua do Comércio, foi construída a primeira estação ferroviária, com o nome de Henrique Galvão, em bitola estreita de 76 cm. Esta estação foi substituída alguns anos depois por outra maior e melhor, inaugurada em 30 de abril de 1891. A construção da estrada de ferro, ligando Henrique Galvão a Belo Horizonte e Henrique Galvão a Garças foi autorizada em 1907 e a inauguração do ramal se deu em 01 de março de 1916. Na ocasião o diretor da EFOM, Dr. Augusto Porto, estava presente. O acesso a toda a região e até mesmo ao Rio de Janeiro e São Paulo trouxe um

rápido desenvolvimento, assim como a implantação da usina de eletricidade, no rio Itapecerica. Em 03 de abril de 1912 iniciaram a construção das oficinas da Rede na Vila Operária no bairro Esplanada, um grande passo que transformou a história da cidade, como se vê hoje. A planta primitiva da cidade foi desenhada por Adelino Borja, auxiliar do engenheiro José Berreda, responsável pela ferrovia em construção. Este foi um dos primeiro atos de Antônio Olimpio de Morais quando empossado presidente da Câmara Municipal. “A planta definitiva, com as denominações atuais de suas ruas e avenidas, ele sancionou em 21 de junho de 1915”. (LARA, 1994, p. 46). “A ferrovia passava pelas cidades de Itaúna, Alberto Jacson, Pérolas e Santo Antônio do Monte. Mas o vereador Aristóteles, de posse de um abaixo-assinado, foi encontrar com o presidente para solicitar a modificação do traçado, passando por Itaúna, Henrique Galvão, Santo Antônio dos Campos, formando aqui um entroncamento. Este foi o fato responsável pelo crescimento da cidade”, conta o historiador José Dias Lara.

Praça da Estação O traçado original da cidade, definido a partir de 1911, foi discutido diversas vezes e, em 1915, a planta topográfica e cadastral foi aprovada e transformada em lei. Nela constava a existência de três quadras que foram separadas para se tornarem praças de uso coletivo. Uma delas é a Praça da Estação, onde seria construída a estação ferroviária da Estrada de Ferro Oeste de Minas - EFOM, em 1916. Porém, esta quadra foi uma área desocupada até

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1936, quando foi ajardinada e recebeu a denominação de Praça Benjamin Constant, em homenagem a um republicano de destaque, já que naquele ano comemorava-se o cinquentenário da república. “Extensos jardins com muitas roseiras compunham a praça, que também possuía um belo coreto e um laguinho habitado por várias espécies de peixes ornamentais.” (BATISTINA, 2003). Hoje, no local, situa-se uma unidade de atendimento da Secretaria Municipal de Saúde.

E. F. Oeste de Minas

Rede Mineira de Viação

V. F. Centro-Oeste

RFFSA

FCA

(1890-1931)

(1931-1965)

(1965-1975)

(1975-1996)

(1996 – 2012)

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Divinopolitano de coração Maria das Graças Pequeno

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São muitos os divinopolitanos de coração, que vieram para ficar um tempo e nunca mais partiram. Um deles foi o professor Alberto Pequeno Sobrinho, que veio de Belo Horizonte com uma tarefa a cumprir: construir, na pequena cidade, uma praça de esportes onde a sua infância e juventude teriam lazer saudável e prazeroso. Aos 24 anos, em 1946, chegou o jovem Alberto, vindo da capital, onde vivia bem, numa cidade planejada para ser bela e agradável, bem diferente daquele pequeno município de interior, que distava longas quatro horas de viagem, numa estrada poeirenta, que dava enormes voltas para chegar ao destino. Aqui chegando, foi muito bem recebido, pois os zelosos governantes sabiam dos grandes benefícios que aquele forasteiro traria para a cidade ainda pequena, mas cheia de planos de grandeza. O “Seu” Alberto, um administrador zeloso, fez o melhor que pode. A praça de esportes, carinhosamente chamada de “piscina”, encantava a meninada. Era mesmo linda, toda arborizada, cheia de gramados, canteiros de flores cuidados com esmero, piscina para crianças, com parquinho. Para os adultos quadras de tênis, vôlei, basquete, futebol de salão, futebol de campo e atletismo. Das arquibancadas a população assistia às competições. Durante um tempo, havia horário especial, só para as mulheres, a pedido das famílias. Então, concluídas as obras, ele estava pronto para voltar para

casa. Mas os divinopolitanos, que já sabiam desse capricho e compromisso sério com a juventude que precisava ser bem orientada, não abririam mão do técnico amante dos esportes, disciplinado e disciplinador. Fizeram-lhe o convite: fica mais um pouco. A resposta: não, vou voltar para Belo Horizonte. Tenho planos de me casar, tenho meu trabalho de técnico em um clube de lá, para garantir o sustento da família, não pretendo ficar. E o convite virou pedido: fica, case-se e traga sua esposa, crie seus filhos aqui, e vamos trabalhar juntos por uma grande Divinópolis. Para que ficasse, o convite foi acompanhado da proposta de lecionar nas escolas locais, para completar o salário. Aconteceu que, durante mais de 60 anos ele trabalhou por esta cidade de segunda a segunda, “pois o domingo no DTC era o melhor dia”. Só não trabalhava na Sexta-feira Santa e no dia de Finados, “em respeito aos mortos”. Foi Professor de Educação Física em três escolas; como Administrador do Divinópolis Tênis Clube, preparou atletas que competiram em várias modalidades de esportes terrestres e aquáticos, dentro e fora do município, conquistando títulos até fora do estado de Minas; foi eleito Vereador (com mais votos) e Presidente da Câmara Municipal, quando esse cargo nem era remunerado; ocupou por três vezes o cargo de Secretário na Administração Municipal, sendo Prefeitos: Antônio Martins Guimarães, Fábio Botelho Notini e Galileu Teixeira Machado e amou esta cidade com todo o seu coração divinopolitano.


“Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, atravessou minha vida, virou só sentimento” Adélia Prado

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Estação Centenário  

Primeiro Fascículo do encarte em homanagem aos 100 anos de Divinópolis

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