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Por | André Ribeiro O tema desta crónica para a 17ª Edição do Jornal “O Pilão” é “Início e fim da Vida Académica” por alunos da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Iremos ler aqui a perspetiva da aluna do 1º ano MICF, Sara Nobre, sobre o início da sua vida Académica e o ponto de vista do aluno do 5º ano MICF, Rodrigo Sousa, sobre o término da vida Académica.

Caloira | Sara Nobre O meu berço foi Cantanhede, mas foi Coimbra que me viu nascer. Hoje, a cidade que me acolhe todas as semanas como nenhuma outra o poderia fazer é Coimbra, a tão merecidamente reconhecida como “a cidade dos estudantes”. Foram inúmeras as vezes que me tentaram seduzir com outras cidades, perguntavam-me “Mas porquê Coimbra?” e falavam-me de outras universidades como a de Lisboa, Porto ou Aveiro como possíveis escolhas: ou porque as condições seriam melhores, ou porque teriam mais prestígio, ou simplesmente porque sim. Mas digo bem alto para toda a gente ouvir e batendo com o pé no chão: “O meu pasto é Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra com muito orgulho!”. Tive a sorte de conseguir o que queria, e entrei na minha primeira opção. Por isso, e pelo esforço que fiz até ao 12º para estar aqui hoje, sinto que tenho o dever de continuar a aproveitar tudo o que a vida académica tem para me dar. Vivi os três primeiros meses como caloira num apartamento e em dezembro mudei para uma segunda

casa onde moro com três raparigas que, tal como eu, estudam no polo lll. Arriscar-me-ei a dizer que qualquer novo estudante espera encontrar uma casa que reúna todas as condições ideais para viver, afinal o que seria de nós, caloiros, sem uma casa onde nos sintamos confortáveis nesta mudança que muitos de nós tememos? Mas nem todos têm perspicácia (ou sorte!). A maioria está no mesmo barco. Barco esse que na descoberta de terra segura e firme, nem sempre toma o rumo certo e leva-nos, por vezes, a viver experiências desagradáveis que nos obrigam a tomar decisões difíceis, para que não tomemos como perdida a busca pelo tesouro que nos dê, acima de tudo, segurança. Ouvi de tudo até chegar a Coimbra como estudante oficial da FFUC. Sobre a praxe houve quem me quisesse convencer que não valeria a pena, mas também quem me dissesse que é a tradição que melhor me ajudaria a integrar e dar a conhecer não só os pontos turísticos da cidade como a sua própria essência. Hoje, posso dizer que não sou a caloira mais assídua à praxe, mas, assumo aqui, que sem ela nada teria sido, de todo, a mesma coisa. Os amigos e a família de praxe que tenho neste momento foram o que de melhor Coimbra, até hoje, me deu. Agora, o que mais anseio é “sentir” Coimbra de capa e batina!

Finalista | Rodrigo Sousa Definir a vida académica não é uma tarefa fácil, pois eu acho que ela engloba tudo aquilo que nós fazemos enquanto estudantes, seja ir às aulas, ou não, passar tardes no café a fingir que estudamos ou simplesmente a apreciar um fino e um pires de tremoços, até mesmo à pior altura do ano que são os exames, onde todo o stress que vivenciamos só nos faz querer saltar fora e perguntamo-nos porque tem de ser assim e que mal fizemos nós para merecermos tal fado. No entanto, são todos estes momentos que moldam aquilo que somos na Faculdade e que dizem também um pouco de nós à medida que percorremos a caminhada para o mercado profissional. Sem dúvida que aquilo que nos marca mais positivamente são todas as pessoas que passam por nós e que vivem connosco a vida académica, sejam eles amigos, colegas, professores, porque todos eles deixam

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um pouco deles próprios na nossa vida o que a torna, a meu ver, muito mais preenchida de momentos únicos, pelo que, a caminho do fim, e olhando para toda esta jornada, vejo que o mais difícil é vermos aqueles de quem mais gostamos irem embora sem termos a certeza se voltaremos a partilhar momentos com essas pessoas. Por isso sei que quando também eu me for embora, irei sentir imensas saudades daqueles que ficam, daqueles que irão embora comigo, e de todas as memórias que partilhei com todas essas pessoas, que fizeram com que a minha vida académica fosse repleta de histórias, de amigos que levo para a vida e de muitos ensinamentos que fizeram de mim aquilo que sou hoje. Para os caloiros, não há muito que possa dizer que eles a esta altura não consigam perceber já, afinal se escolheram Coimbra é porque sabiam que aqui era sem dúvida a cidade perfeita para ser estudante e para viver aqueles que são os melhores anos das nossas vidas, por isso o meu único conselho é para aproveitarem tudo o que esta cidade tem para vocês e que Coimbra vos dê ainda mais do que me deu a mim!

O Pilão | nº 17 | Março2017

17ª Edição  
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