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Por | Rita Dias e Rodrigo Dias Almeida O jornal “O Pilão” esteve na sede da Bluepharma, em Coimbra, para entrevistar o Doutor Paulo Barradas Rebelo, que se licenciou na FFUC e que atualmente é CEO desta empresa que é a Melhor Exportadora Nacional, com um portefólio de mais de 60 medicamentos e exportando 86% da sua produção para mais de 40 países. Breve Biografia Qual a palavra que o caracteriza: Otimismo O que é que faz um CEO nos tempos livres: Não tenho muito tempo livre, mas adoro fazer o que faço, portanto às vezes não sei bem se o trabalho é um hobby, ou se o hobby é trabalho. Viagem de sonho: A viagem mais interessante que fiz foi ao Quénia, em que dormi numa tenda, perto de hipopótamos. Gostava de conhecer a Índia porque tem uma grande componente farmacêutica. Filme favorito: Não tenho um filme favorito. Gosto muito do trabalho do Woody Allen e do Martin Scorsese. Livro de eleição: D. Afonso Henriques de Diogo Freitas do Amaral Lema: “Andar depressa com calma, fazendo as coisas certas, mas não perdendo tempo”

Jornal "O Pilão" (OP): Que opinião tem acerca da formação dada atualmente na FFUC comparativamente com a sua formação inicial? Paulo Rebelo (PR): Eu sou um farmacêutico de 360º, porque já fiz todo o ciclo do medicamento e sempre senti que a formação que tinha feito na FFUC era boa. Claro que fui tendo outras necessidades ao longo do tempo, porque o conhecimento tem prazo de validade e temos de o ir atualizando sempre, mas a bagagem que levei da faculdade, permitiu-me sempre acompanhar essas necessidades que fui tendo. OP: Que motivos o levaram a procurar uma pós-graduação na área da gestão farmacêutica? Qual o contributo dessa formação no desenvolvimento do seu percurso profissional e empresarial? PR: Tirei a pós-graduação em Gestão Farmacêutica por necessidade. Quanto ao contributo, por um lado é motivacional, o facto de poder sair do meu posto de trabalho e ouvir outras pessoas motiva-me imenso a inovar. Também o networking que se estabelece nessas formações é muito importante, e por último, a aprendizagem em si. Sempre dei muita importância ao rigor contabilístico e financeiro, e queria ter um maior controlo sobre a operação, assim aprofundei mais os conhecimentos nessa área. Ser farmacêutico e ter esta vertente é um “casamento perfeito”. OP: O Doutor “Empreendedor decorrer do XIII pital de Risco e cipal qualidade

Paulo Barradas foi distinguido do Ano” pela Gesventure, no Congresso Internacional de CaEmpreendedorismo. Qual a prinde um líder empreendedor?

PR: A principal qualidade é a visão estratégica, dizer a verdade, acreditar nos projetos e mobilizar pessoas de confiança para esses mesmos projetos. Fui criando equipas; o que me permite delegar, se assim não fosse ainda hoje estaria atrás do balcão na farmá-

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cia e mesmo assim não a controlava como eu queria. Acho importante responsabilizar as pessoas, deixar que criem uma estratégia e que criem milagres, porque pessoas motivadas fazem milagres, e por isso também os que estão ao meu lado cresceram comigo e eu com eles. OP: Como Presidente da Bluepharma, o que considera diferenciador num candidato a colaborador, relativamente aos demais? PR: A língua dos negócios é o inglês e é muito importante dominar a informática. São também caraterísticas relevantes o sentido de responsabilidade, perceber o que estamos a fazer e o que podemos fazer para o projeto evoluir, e não o que os projetos podem fazer por nós. É também importante não cruzar os braços, acrescentar valor, procurar, ser proactivo e criativo. Temos de ter sentido crítico, trazer inovação e "mundo" para dentro das estruturas onde estamos. OP: Qual a política da Bluepharma relativamente aos seus colaboradores? Incentivos, promoção da comunicação e espírito de equipa, apoio social? PR: Tratamos bem as pessoas e tentamos motivá-las pelo respeito que temos por elas e pela atenção. Num mercado tão competitivo precisamos de gente muito boa e muito motivada, e que de facto temos. Apostamos na formação, responsabilização e na boa comunicação com os nossos colaboradores, e tentamos envolver a equipa em várias atividades da área social, ambiental e cultural, para além de boas condições de trabalho . OP: Como foi possível em quase dezasseis anos, transformar uma empresa com 58 colaboradores, na Melhor Exportadora Nacional, com 450 colaboradores? PR: Foi possível com muito trabalho e planeamento estratégico, com conhecimento do setor, pessoas muito motivadas e uma equipa de administração que têm permitido

O Pilão | nº 17 | Março2017

17ª Edição  
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