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A revista da família brasileira ANO III I Julho/Agosto 2010 I EDIÇÃO 10 I R$ 12,90

RELAÇÕES SEXUAIS Na adolescência podem causar depressão e suicídio

FERNANDO DOLABELA O desafio de tornar seu filho um empreendedor de sucesso

SUA APARÊNCIA Ela representa muito na formação do seu filho

ENTREVISTA A apresentadora do SBT Super Nanny

Cris Poli


EMFAMÍLIA

RELAÇÕES SEXUAIS NA ADOLESCÊNCIA PODEM RESULTAR EM DEPRESSÃO E SUICÍDIO

Por Tamy Favarin e Adriana Potexki

Os filhos vêm ao mundo bebês, passam pela fase infantil, atingem a préadolescência, chegam na adolescência e... começa a tão temida fase que os pais carinhosamente chamam de “aborrecência”. É uma fase complexa, cheia de desafios e transformações, não só físicas, mas também e principalmente psicológicas. É a fase das longas tardes de passeios em shoppings, pernoites na casa do amigo ou da amiga, fazer trabalhos de escola, etc. e assim vão alçando vôos cada vez mais altos e distantes do lar. Os pais ficam sem saber ao certo o que fazer e para evitar conflitos acabam fazendo vistas grossas, mesmo sem acompanhar de perto. Porém, esta fase não está marcada somente por estes desdobramentos muitas vezes questionáveis, mas também pelo que todo pai teme e normalmente não está preparado para encarar; o dia que a filha aparece com o primeiro namorado em casa, e para agravar mais ainda a situação, pede para dormir na casa dele de vez em quando. Antigamente, há de concordar que não víamos situações como estas.

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Mas de fato, também existiam. “Hoje, nossa geração liberou geral. Os pais preferem que a filha esteja em casa com o namorado do que fora.” diz a psicóloga clínica Adriana Potexki. PREVENÇÕES

A grande preocupação dos pais atualmente tem sido proteger seus filhos contra o vírus da AIDS e as diversas DST (doenças sexualmente transmissíveis), o que faz com que inconscientemente eles aceitem que o namorado (a) de seus filhos (as) durma em casa ou a filha na casa dele, em alguns casos no mesmo quarto, com direito a escapadinhas na madrugada. É algo como: “Prefiro ver meu filho com uma parceira do que várias” ou vice e versa. No entanto, os pais acham que o uso da camisinha e do anticoncepcional são suficientes. Ledo engano. Os pais estão preocupados em proteger o corpo e não pensam nos danos emocionais que uma sexualidade precoce poder causar. Esta permissividade pode resultar em depressão e até suicídio. Para onde foram os valores familiares que regeram a sociedade por milênios? Julho I Agosto

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Hoje é muito comum também o HPV (Pappillomavirus humano - doença que atinge a saúde da mulher e está associado ao câncer do útero) na fase da adolescência, que por sinal é incurável e a camisinha não protege. Muitas adolescentes estão tendo sua primeira relação sexual aos 13 anos e com parceiros diferentes. Segundo a Drª Adriana, já teve casos em seu consultório de relatos de adolescentes que diziam “Eu me sinto um depósito de esperma”. Onde estão os pais que permitem a filha se sujeitar a uma situação destas? Talvez não conscientemente, mas tudo começa com um pernoite aqui outro ali na casa do namorado, depois termina com este e inicia novo relacionamento com outro e assim vai passando por diversos parceiros. Então podemos nos perguntar: qual a idade ideal para começar a namorar e ter a primeira relação sexual? A Drª Adriana alerta: “adolescente nenhum tem maturidade para ter relações sexuais, dado o risco e resultado quase sempre certo desta prática”.


GRUPOS SOCIAIS

A FAMÍLIA

Sendo a fase da adolescência também a fase da descoberta de grupos sociais, é natural que seu filho conheça vários deles e se identifique com alguns. No entanto, você pai e mãe, devem estar inseridos neste grupo. Caso não estejam, procurem se aproximar imediatamente, nem que para isso tenham que mudar alguns hábitos e preferências. “Pais que são amigos de seus filhos, conhecem com quem seus filhos andam, fazem com que o próprio filho passe a ser agente modificador no grupo caso surja algum problema com drogas ou comportamento duvidoso de algum membro e como conseqüência obtém a melhora da qualidade de vida e das atividades deste grupo”, conclui Adriana. Daí a importância de inserir seus filhos em grupos que pensem como ele. A virgindade, por exemplo, é um valor que voltou à moda. Há grupos musicais, artistas, como os Jonas Brothers, Miley Cirus e outros, que usam inclusive anel de castidade. Há redes de TV católicas que realizam retiros que reúnem milhares de jovens que valorizam esta virtude. As igrejas evangélicas também vêm realizando trabalhos belíssimos com a juventude. Portanto, conheça muito bem o grupo com o qual seu filho se identifica. Aproxime-se o máximo possível da turma, não visando ser mais um do grupo, mas sim uma referência de atitude e caráter. Demonstre que é um pai legal e participativo. Com isso conquistará o respeito e admiração não só do filho, mas do grupo como um todo, o que refletirá na figura do filho, ele ficará mais seguro de si e todos o respeitarão também.

Uma família de princípios fundamentada no amor e no comprometimento é de fundamental importância na vida do adolescente, é nela que ele se baseará na formação de seu caráter e definição dos princípios que regerão sua existência. É ideal participar de alguma religião, independente do credo. Uma família que viva plenamente o amor e a sexualidade, que entenda que ser família é viver numa total harmonia, com problemas sim, mas também com muito bom senso e compreensão. Hoje, perdeu-se muito da família à moda antiga. É preciso resgatar um pouco dos nossos antepassados. Das culturas, enfim. Como já foi dito, os pais atualmente se sentem pressionados diante de tanta modernidade, o que faz com que de certa forma se preocupem muito mais com o corpo do que com a alma de seu filho. E como conseqüências dessa atitude, conclui a Drª Adriana, “são as clínicas de psicologia lotadas de pacientes adolescentes. E o pior! Se não corrigirem este desvio seus filhos também serão futuros pacientes”. Enfim, os pais devem estar atentos aos seus filhos, aos grupos que frequentam. É preciso ter pulsos firmes e não dar tanta liberdade, o adolescente muitas vezes não tem maturidade suficiente para utilizá-la com responsabilidade. No final, seu filho vai te agradecer.

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“...eles entendem que esse referencial de educação que eles receberam ou estão recebendo não está dando certo e esperam poder mudar essa realidade” Cris Poli

ADOLESCENTES NÃO TÊM COMO REFERÊNCIA A PRÓPRIA FAMÍLIA QUANDO O ASSUNTO É CASAMENTO Por Tamy Favarin

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Educar um filho nunca foi tarefa fácil. Nossos pais e avós que o digam. Mas antigamente o sagrado matrimônio era vivido em sua plenitude. As famílias eram formadas e protegidas por fortes laços de amor e comprometimento e todo esse legado era repassado aos filhos. O pai e a mãe eram sinônimos de união e superação. Eram comuns as celebrações de bodas de ouro. Mas os tempos mudaram e infelizmente algumas boas práticas em família também. Hoje, os filhos chegam em nossas vidas e vão conquistando seus espaços, cada um à sua maneira e quando percebemos não conseguimos imaginar uma existência sem eles. Entretanto, juntamente com a alegria e satisfação de tê-los em nossas vidas, vem os desafios de educá-los e prepará-los para serem pessoas boas e responsáveis. Fazemos planos e sonhamos acordados enquanto os observamos no berço dormindo tão angelicais, porém a realidade, chamada pelo ciclo natural das coisas, bate à nossa porta e eles vão crescendo e desenvolvendo suas personalidades, muito fortes em sua grande maioria. Esta transformação acaba gerando uma série de conflitos no lar e o resultado é o pior possível: um monte de pais perdidos, que não se entendem e entram em pânico, se divorciam, muitas vezes por pouca coisa ou porque já começaram a família de forma errada, herdando algumas características negativas do lar onde cresceram; e com isso acabam transmitindo uma péssima imagem aos filhos, total insegurança e mau exemplo, chegando ao ponto dos filhos preferirem tudo e todos aos pais; e o que era para ser uma família feliz e preparada se transforma num verdadeiro caos.


Entrevista

Cris Poli

Pois bem! Nem tudo está perdido. Para que as coisas não cheguem a este ponto é hora de tomar algumas providências. Mas que providências? O que fazer? Como agir? Por onde começar? Essas e outras perguntas parecem ficar sem resposta no dia a dia. Pensando nisso, a Revista Educa Brasil foi buscar algumas respostas, visando entender um pouco porque estes conflitos entre pais e filhos acontecem. Para isso, contou com a preciosa colaboração da Educadora Cris Poli, apresentadora do Programa Super Nanny. O objetivo é esclarecer de forma clara e objetiva alguns dos conflitos que hoje permeiam as relações familiares; o porquê dos filhos pensarem de forma diferente dos pais; o que interfere no processo de educação hoje, e principalmente, o que tem de errado com as famílias que os filhos não desejam tê-las como modelos para constituírem as suas próprias.

EDUCABRASIL: Estando há mais de 40 anos trabalhando com educação. O que vem mudando no comportamento das relações entre pais e filhos nestes anos? Cris Poli: Os pais estão mais inseguros, duvidando de sua autoridade e temerosos de colocarem limites nos filhos. EDUCABRASIL: Numa pesquisa recentemente realizada pela Revista Educa Brasil com um grupo de adolescentes, foram unânimes os filhos que falaram que pensam em se casar, mas não quer ter a sua família como referência. Por que isso acontece? Cris Poli: Porque eles entendem que esse referencial de educação que eles receberam ou estão recebendo não está dando certo e esperam poder mudar essa realidade. O problema

é que não há muitos referencias de educação com resultado positivo nos filhos. EDUCABRASIL: Os pais dizem que a fase dos 9 aos 17 anos, pré-adolescência e adolescência, é a verdadeira fase da “aborrecência”. Filhos não entendem os pais e pais não entendem os filhos. Quais são os motivos destes conflitos dentro da família? Cris Poli: Essa faixa etária é uma época de grandes mudanças no ser humano, muitos questionamentos e desafios para um futuro incerto. Se os pais não estabeleceram vínculos afetivos, de relacionamento profundo e aproximação verdadeira de confiança mútua, essa faixa de idade se converte num período muito complicado que leva os adultos a definirem desse jeito. O maior investimento tem que acontecer na primeira infância, perío-

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do anterior aos 9 anos. EDUCABRASIL: O que difere a boa educação da má educação? Cris Poli: A atitude dos pais diante da educação dos filhos. EDUCABRASIL: Por que quando os filhos criam uma certa identidade com grupos sociais eles começam a se auto rebelarem na família? Cris Poli: Porque há um enfrentamento entre os valores familiares e os aprendidos fora da família. Isso gera uma conflito e leva os jóvens à rebeldia. Eu ainda acho que o relacionamento desenvolvido na primeira infância, apesar dos desafios externos, prevalece ao longo do tempo.

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ATUALIDADE

Desafios A FAMÍLIA, A ESCOLA E A EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA Por Fernando Dolabela

O sonho de todo pai e mãe é ver seu filho sendo um empreendedor de sucesso. Em meu último livro “Quero construir a minha história”, dirigido aos pais que desejam que seus filhos sejam empreendedores foi concebido em circunstâncias especiais.

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Como educador na área de empreendedorismo, criei metodologias com características especiais que permitem que os professores de diferentes áreas sejam também professores de emprendedorismo. Para isso criei materiais didáticos específicos que permitem que um professor de física, por exemplo, possa abordar o tema empreendedorismo em sala de aula. Por isso escrevi dois livros dirigidos a educadores e seis livros aos alunos de todas as idades, além de dois softwares de auto-aprendizado para a elaboração de Plano de Negócios para adultos e adolescentes. Com esse material supus que todo o espectro educacional estava atendido. No entanto, após implementar a educação empreendedora em 126 cidades (todas as redes públicas municipais dessas cidades, envolvendo cerca de 10.000 professores) e em mais de 400 instituições de ensino superior, percebi que uma parte essencial dos atores educacionais não estava contemplada, a família. Apesar de serem decisivos na formação empreendedora dos filhos, os pais não dispõem de publicações que tratem do tema de forma propositiva. A pesquisa bibliográfica que antecedeu a elaboração do livro me surpreendeu. Não encontrei material que orientasse os pais interessados em ter filhos empreendedores. Estava eu diante do desafio de entrar em uma área quase inexplorada. Apoiado pela minha rede de relações no Brasil e no exterior coordenei uma pesquisa com o objetivo de avaliar a influência dos pais no desenvolvimento do potencial empreendedor dos filhos. Mais de mil questionários, aplicados em onze países por amigos pesquisadores foram analisados estatisticamente e deram origem a trabalhos publicados em congressos científicos. Essa pesquisa apresentou um subproduto precioso, a força do trabalho cooperativo, em rede: é possível desenvolver-se trabalhos sem recursos financeiros, através da doação do tempo e inteligência de professores-pesquisadores de vários países. O livro para os pais desperta várias perguntas, duas das quais procuro responder agora: por que meu filho deve ser empreendedor e, por que devo me envolver na educação empreendedora dos meus filhos? Como corolário uma terceira é inescapável: qual é o papel da escola nessa história? A primeira pergunta tem resposta fácil, em duas fases. Primeira: o empreendedor é o protagonista dos nossos tempos; as demais formas de relação no trabalho desempenham papel secundário. Segunda: não há crescimento econômico sem o empreendedor. São abundantes as pesquisas e evidências que suportam essa afirmação. Como para muitos a única face do trabalho é o emprego, não podemos fugir do seguinte comentário: o emprego perdeu a relevância que tinha no passado. Não acabou, minguou em qualidade (e quantidade).


“O sonho de todo pai e mãe é ver seu filho sendo um empreendedor de sucesso” Fernando Dolabela

A segunda pergunta, “por que os pais têm que se envolver nesse processo?” tem sentido, já que nunca alguém pediu aos pais que ensinassem física quântica, cálculo diferencial ou biologia aos filhos. Há duzentos anos a escola dá conta sozinha desses conteúdos. Mas o empreendedorismo é diferente. Não é um tema cognitivo que se aborda através da razão, memória e esforço. É um fenômeno cultural, está vinculado a valores, concepção de mundo, crenças. É uma forma de ser, de se relacionar com as pessoas, com a natureza, consigo mesmo. E isso tem a ver com a família.

“Na educação empreendedora para crianças e adolescentes as coisas se invertem: a família é protagonista, a escola é coadjuvante” Vou tentar uma resposta direta, mesmo correndo o risco de ser indevidamente ultra-sintético: todos nós nascemos empreendedores, a família e a escola, na nossa sociedade (e em muitas outras), impedem o desenvolvimento de tal potencial. A educação convencional pede aos pais somente que motivem e apóiem os filhos. É bom que seja assim; é por essa razão que em alguns países, principalmente os democráticos, filhos de pais analfabetos podem transformar-se em cientistas. É também por esse motivo que a educação é capaz de provocar mudanças radicais e ser utilizada como

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arma indispensável no combate à pobreza. (Claro, estou falando de outros países). Não se trata de um conteúdo “transferível” de quem sabe (o professor) para quem não sabe, o aluno. E o papel da escola? Bom, elas estão em descompasso com o mundo. Precisam começar imediatamente a estimular o potencial empreendedor dos alunos. Não estou propondo o ensino de criação de empresas, mas de empreendedorismo. A minha metodologia de educação empreendedora para crianças e adolescentes não induz os alunos a abrir empresas, o que seria um absurdo. Aliás, a palavra empresa não é o alvo, mas sim a qualidade de vida da comunidade. O que propomos diz respeito ao desenvolvimento da criatividade, da capacidade de assumir riscos, de tolerar incertezas. Principalmente estimulamos que a criança aprenda a conceber o futuro que deseja e se prepare para criar os caminhos necessários para transformá-lo em realidade. Esse futuro é decidido pela criança: será o que ela quiser. Nas escolas públicas, onde mais atuamos, a primeira e principal tarefa é devolvermos aos alunos algo que lhes foi retirado: a elevada auto-estima. Fazemos com que elas percebam que têm condições de mudar algo e podem buscar o papel de protagonistas da suas próprias vidas e da sua comunidade. Há algo que interessa a pais e mestres: experiências indicam que o aluno que desenvolve o seu espírito empreendedor se dedica com mais profundidade ao estudo das matérias tradicionais. Por quê? É simples. Ele sente na pele o quanto elas são importantes. Mas essa é uma conversa para outro dia.

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