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Viagens Mentais…de baixo custo! Sinto que a autobiografia de alguém é uma viagem mental, uma viagem “low cost”, que nos trará certas lembranças, umas boas, outras menos boas, alegrias, tristezas… No entanto, são parte da nossa vida e cada uma tem um pedaço de nós para contar… Como qualquer viagem! Estávamos no verão de 1980, nasci a 4 de Agosto em Caracas, Venezuela, pelas 23 horas. Acho que na altura fui um filho não planeado – os meus pais tinham imigrado há 6 meses para a Venezuela, à procura de uma vida melhor, o meu irmão já era nascido, e já tinha 12 anos de idade aquando do meu nascimento. Sei, pelo que me conta a minha mãe, que quando soube que estava grávida de mim ficou muito perturbada, por não ser a melhor altura para o meu nascimento e, ainda por cima, num país com uma cultura tão diferente da portuguesa onde ainda nem eles próprios, acabados de chegar, sabiam bem o que fazer. Para o meu pai foi uma alegria imensa, como o meu irmão já era crescido, passei a ser tido como o “filhinho” querido, o bebé, o mais novinho. Para o meu irmão foi bem difícil, tinha de ajudar nas tarefas em casa, tinha de cuidar de mim e também para ele todo aquele ambiente era novo, a vida de todos tinha mudado. As minhas lembranças dos tempos que vivi na Venezuela (cinco anos) são escassas. Recordo, ainda que com dificuldade, o local onde vivia e pouco mais. Apenas sei o que me foram contando os meus Pais ao longo da vida – que eu era um reguila, um tagarela que falava com toda a gente, (ainda por cima falava-lhes em português e as pessoas achavam piada). Para além disso, andava atrás do meu irmão para todo o lado, o que para ele devia ser uma chatice… Quando tinha cinco anos de idade, os meus pais decidem voltar para Portugal. As coisas por lá não corriam de feição e era o momento do regresso, uma vez que no ano seguinte seria altura de eu entrar na escola primária.

Jorge Filipe Pires

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Antes de emigrar o meu Pai era oficial de máquinas na Marinha Mercante, profissão que continuou a exercer quando voltámos; a minha Mãe trabalhava na seca do bacalhau. Grande parte da minha família materna é ligada à vida marítima: a minha Avó trabalhou anos a fio também na seca do bacalhau, enquanto que o meu Avô foi pescador durante toda a sua vida e fez parte da história da pesca do bacalhau. Lembro-me das histórias que me contava, de irem para a pesca nos pequenos e frágeis “dóris”, onde chegavam a estar tempos infinitos, perdendo o navio de vista. Destas memórias, em que também ele fazia as suas viagens mentais, guardo uma que para mim é a mais importante – a sua sobrevivência a um ataque de um submarino Alemão na altura da 2ª Guerra Mundial. Foi em 11 de Setembro de 1942 que o navio onde ele estava (Delães) foi atacado pelo submarino U-96, quando regressavam a Portugal com os porões carregados de bacalhau. Lembro-me também de ir com a minha Avó paterna vender Bolos nas festas tradicionais da terra. Adorava aquilo, para mim era uma alegria enorme as pessoas a comprarem os bolos, a banda que passava…toda aquela agitação… Pouco tempo depois de estar em Portugal, e principalmente com estas todas influências dos meus avós, senti que aqui era realmente o local onde eu queria estar, podia brincar na rua com outras crianças correr, andar à vontade, coisa que na Venezuela era impensável. Tantas foram as brincadeiras de rua que um dia resolvi juntamente com um primo pendurar-me na traseira de um camião. É claro que deu mau resultado, porque o condutor não nos viu pendurados e arrancou a toda a velocidade. Quando saltámos, caímos e ficámos inconscientes. Dois dias no hospital e o corpo todo esmurrado foi o balanço da aventura… Com este espírito aventureiro depressa fiz vários amigos. Andei um ano no infantário do Bairro dos Pescadores, mesmo em frente à casa dos meus Avós maternos. No ano seguinte entrei na escola primária já perfeitamente integrado. Os meus quatro anos de escola primária foram atribulados, pois tive uma professora em cada ano. Foi um pouco complicado para nós, alunos “criancinhas”, que a cada ano tínhamos uma nova professora e para as professoras que vinham, que nunca estavam ao corrente daquilo que nós sabíamos. Jorge Filipe Pires

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Também teve algo de positivo – é que quando entrei para a Escola Preparatória o facto de ter vários professores para mim já não era novidade. Foi nesta altura, aos onze anos de idade, que entrei para o Escutismo. Fui escuteiro durante dez anos, onde aprendi entre muitas outras coisas a “amar a natureza”. E este é um ensinamento do escutismo que ainda hoje permanece na minha vida, (hoje, cada dia é mais difícil fazer os jovens enveredar por caminhos que não sejam o vício sobre computadores os jogos, etc.). Com o escutismo veio também a música e o gosto pela guitarra, paixões eternas vividas intensamente a cada dia da minha vida. Aliando este gosto pela natureza e pelo desporto, pratiquei canoagem competição no CNAI (Clube Natureza e Aventura de Ilhavo), do qual ainda faço parte, organizando hoje em dia várias actividades de natureza, tanto na área náutica como na vertente de montanha e passeios pedestres. Dois anos após a passagem pela escola preparatória, chega uma nova realidade – entrei para a Escola Secundária de Ílhavo. Durante os três primeiros anos nesta escola ganhei também o gosto por uma paixão que ainda prevalece nos dias de hoje, a Fotografia. Comecei no meu 8º ano a frequentar o clube de fotografia da escola e a ter algumas aulas de fotografia. Comprei a minha primeira máquina reflex e com o passar dos anos fui aperfeiçoando e aprofundando o meu conhecimento nesta área, que ainda é um dos meus principais hobbies. A entrada para o 9º ano é sempre difícil, pois começam a surgir as dúvidas sobre que áreas iremos seguir e a confusão sobre aquilo que queremos realmente fazer são enormes. Como se isto não bastasse, foi neste ano que perdi pela 1ª vez alguém importante na minha vida – foi com apenas 14 anos de idade que perdi o meu pai. Senti o mundo desabar aos meus pés. Sempre fui muito ligado ao meu pai e sinto que o perdi na fase mais difícil da minha vida (adolescência). Com esta perda tornei-me mais rebelde, achei que ninguém me compreendia (síndrome própria da adolescência), agravada em mim por esta enorme perda.

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Mas também foi aqui que aprendi que a vida continua e que temos de arranjar força para lutar contra estes momentos menos bons. Com isto, depressa a minha rebeldia deu lugar a uma maturidade e a um crescimento mais rápido e mais consciente. Entre todas as estas atribulações consegui concluir o 9º ano e fui conciliando também a música durante este tempo. O meu primeiro trabalho foi numas férias da escola a trabalhar numa empresa de metalurgia, para conseguir comprar a minha primeira guitarra eléctrica. Daí até às bandas foi um pequeno passo – formei e fiz parte de várias bandas “rock” durante a juventude. Como a vida não era apenas música e havia que pensar também no ano seguinte, na altura de decidir o meu futuro, na passagem para o 10º ano, optei pelo Curso de Electricidade e Electrónica na Escola nº 1 de Aveiro. A opção não foi a melhor, estive um ano neste curso com o qual não me identifiquei. No ano seguinte, e por opção própria, voltei para Ílhavo e ingressei no Curso de Artes e Ofícios, de novo na Escola Secundária de Ílhavo. Após um ano lectivo surgiu-me uma oportunidade de trabalho que estava relacionada com o curso que frequentava na altura. No momento nem olhei para trás. Era a altura de fazer algo mais por mim próprio, trabalhar, ser mais independente, num momento em que a minha mãe estava numa situação em que também era difícil suportar tudo sozinha. Foi então que entrei para a Interdecal, empresa do Grupo Vista Alegre, onde eram feitos todos os desenhos e decalques utilizados na VA. Entrei para esta empresa para o sector de fotografia, onde fazíamos reproduções de desenhos manuais através de um processo gráfico de fotografia. Entrei como aprendiz de fotógrafo, profissão que aprendi com a pessoa que ocupava esse lugar e que se viria a reformar-se dois anos após a minha entrada, ficando eu na altura como fotógrafo. No entanto, com o avanço das tecnologias gráficas do final dos anos 90, o trabalho a nível de desenho manual começou a ser escasso e começou a ser processado através de computador, e por arrasto disto, a fotografia de artes gráficas estava também condenada ao fim.

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Por isso, quatro anos após a minha entrada na Interdecal, iniciei outra actividade, que ainda hoje desenvolvo, Técnico de Desenvolvimento Digital, aliando os conhecimentos de fotografia de artes gráficas aos computadores. Para isso, tive um ano de aprendizagem na área de desenho assistido por computador e algumas formações específicas nesta área, dentro da própria empresa. Todo este processo da passagem do desenho manual para o digital teve início em 1996, e neste momento, 90% da produção de decalques da Vista Alegre é desenvolvida digitalmente. O processo de produção de decalques teve início no “Centro de Desenvolvimento de Digital”. É neste sector, que reproduzimos, através de software desenvolvidos especificamente para a indústria cerâmica, todas as decorações criadas pelo departamento de Design. Aqui, cada decoração é estudada a nível de cores, separação gráfica e retoque, para que posteriormente seja adaptada através de moldes a todas as peças em branco. É também aqui que são recebidas todas as encomendas de decalque e preparadas todas as fotomontagens de layouts para produção. Esta empresa (Interdecal) entretanto deixou de ser parte do Grupo Vista Alegre e passou a ser um sector da própria Vista Alegre. Em 2007, nova queda na minha vida, a perda da minha avó materna. Estava muito ligado a ela, quase todos os dias a visitava, saía várias vezes do trabalho e ia ter com ela, faleceu aos 92 anos. Mas a vida já me havia ensinado que não há nada a fazer, é parte da condição humana nascer, viver e morrer…Um dia seremos nós a deixar saudades! Pelo menos desta vez tinha já a maturidade e um grande pilar de sustento, a minha actual namorada, a Margarida. Agora e, após 6 anos de namoro, decidimos dar um passo na nossa relação e decidimos que era altura de vivermos juntos. Tudo é diferente, temos de ser nós próprios a organizar a nossa vida, a assumir as nossas tarefas, as nossas responsabilidades. Tudo isto é novo após ter vivido 27 anos em casa da minha mãe, mas tudo é também demasiado bom.

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Sinto que o próximo passo, é quando chegar a altura de poder ter nos braços um filho meu, acho que neste momento é mesmo o meu maior desejo. Sinto-me realizado e feliz com a vida que tenho, sou feliz no meu dia-a-dia. Apesar de ter desistido cedo de estudar, fico contente por ter conseguido uma profissão da qual me orgulhe e na qual realmente tenho o prazer de fazer algo de que gosto. No entanto, havia um vazio ainda quanto à escola e decidi assim acabar algo que ficou por fazer, mais uma vez a influência da Margarida neste campo foi essencial, ao incentivar-me a fazê-lo. No futuro gostaria de candidatar-me via “mais 23” ao curso de “novas tecnologias de informação e comunicação” A título pessoal e, como part-time, tenho desenvolvido vários projectos na área de fotografia, publicidade e desenho gráfico, desde logótipos, cartazes, flyers, convites…São alguns dos trabalhos que venho desenvolvendo para diversas empresas e particulares. Na área de fotografia alguns destes trabalhos já foram alvo de prémios e menções honrosas em concursos e publicados em algumas revistas da especialidade, e podem ser vistos em:

www.jorgefpires.com www.olhares.com/jorgefpires www.podiumfoto.com/jorgefpires

Ílhavo, Novembro de 2009

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Pensar se faz sentido tudo ser assim‌ Jorge Filipe Pires

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Viver em sociedade entre diferentes culturas foi desde sempre algo complicado, tanto pelas diferenças evidenciadas entre os diferentes hábitos e estilos de vida, como também pela nossa interrogação acerca dos outros. Cada vez mais o mundo é a aldeia global de que todos já ouvimos falar, e é também isto que leva a um misto de gerações, culturas e costumes. Qualquer um de nós por certo já teve contacto com alguém de etnia cigana, em Portugal esta é talvez uma das comunidades a quem mais tentamos integrar em sociedade. Com um serviço de acção social cada vez mais próximo, tem sido feito um trabalho árduo no terreno com o povo cigano, e apesar de ainda não ser um resultado considerado excelente, é de certo muito mais satisfatório do que alguns anos atrás. Se voltarmos atrás no tempo reparamos que antigamente não víamos crianças ciganas nas escolas ou víamos muito poucas, quando hoje já existem em grande número nas escolas. É certo que muito se deve aos incentivos monetários só estado para que essas mesmas o façam, mas este pode também ser considerado um processo de integração, como forma de criar um hábito neste povo, e para que as outras crianças também aprendam a crescer entre diferentes culturas, formas de ser e estar.

Crianças ciganas em convívio com outras crianças.

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Existem muitas outras vias pelas quais os nossos serviços de acção social estão a tentar a integração deste povo, desde cursos de formação para adultos, cursos profissionais, ocupação de tempos livres, etc. Mas o problema da integração também tem de ser passado aos cidadãos, às empresas…De certo todos nós já pensámos “- os ciganos ganham dinheiro sem fazer nada…” será que existem entidades empregadoras com vontade de ter pessoas de etnia cigana a trabalhar, quando estas acabam as suas formações? É aqui que os incentivos monetários dados pelo estado que tantas vezes são mal vistos por nós, ganham uma importância extrema neste processo, é que não havendo dinheiro e não tendo trabalho essas pessoas de certo que vão enveredar por caminhos ilícitos para conseguir dinheiro e na busca de bens diários essenciais. E essa será uma forma de evitar o crescer destas situações. O crescimento urbano e a mistura de povos e costumes trouxe consigo, questões difíceis de resolver, existem na nossa sociedade grupos de pessoas que ao longo dos anos têm sido, postas de lado, por aquilo que nos incutiram que elas são, exemplo disso são os ciganos.

A Aldeia Global é responsável por esta mistura de povos e culturas.

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Eles foram rotulados com uma série de estereótipos, para a generalidade da sociedade os ciganos são: sujos, não trabalham, vivem de negócios ilícitos, provocam desacatos, estão ligados ao tráfico de estupefacientes, etc. E estes são apenas alguns dos estereótipos que lhes foram imputados e que nos levam a vê-los de forma diferente, eu não fui excepção à restante sociedade e também cresci alimentando um pouco essa ideia. Isto porque é difícil crescer num meio onde há dezenas de anos se criou uma determinada imagem sobre determinados indivíduos, e fazer com que essa mesma imagem nos seja indiferente, e com que não nos diga absolutamente nada. Foram ideias que se foram alimentando de geração para geração, de avós para pais, de pais para filhos e assim sucessivamente. A questão prende-se com a veracidade dos mesmos, generalizámos que somos diferentes, que possuímos uma imagem diferente, mas aqui há uma diferença cultural e étnica que não pode ser deixada de lado. E a grande verdade é que não podemos generalizar, achar que nós estamos bem e eles mal, ainda que a nossa forma de estar na vida seja o mais política e eticamente correcta, uma vez que existem em todas e quaisquer sociedades, os bons e os maus, os bem formados e os mau formados… A resolução passa por cada um de nós individualmente, passa pela educação que poderemos dar aos nossos filhos, tentando não imputar a esta comunidade os mesmos estereótipos que há anos e anos os perseguem. Integração é palavra de ordem e tem vindo cada vez mais a ser uma realidade, é aqui que começa o papel do Estado e das Empresas, é também aqui que deve começar a nossa visão e aceitação. A capacidade de aceitação é uma condição do ser humano que por vezes deixamos de lado, quantas vezes não aceitamos determinadas coisas, porque não nos convém ou porque é mais simples contorná-las do que resolvê-las? Esta aceitação muitas vezes é a resposta para a resolução de conflitos sejam eles de ordem pessoal ou profissional, mas não se trata apenas de aceitar, mas sim de tentar compreender onde estão os problemas a resolver. Sinto que na minha vida o Escutismo foi algo de muito importante, algo que me ensinou a olhar para o mundo de maneira diferente, seria importante que todas as crianças vivessem um pouco o espírito Escutista, e não pensar apenas nos escuteiros Jorge Filipe Pires

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como “os meninos das meias com pompons, e das meninas de sainhas e meias pelo joelho” existe toda uma conjuntura de valores sociais e morais que podem ser bastante úteis. O fundador do escutismo Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, nasceu em Londres, em 22 de Fevereiro de 1857, ele foi fonte de inspiração para vários jovens durante guerras em África onde esteve presente como Oficial do exército Inglês, era visto como um homem que cultivava os valores e a amizade entre as pessoas, onde reinava a sua boa disposição. Logo estes foram valores que em 1907 “BP” tentou incutir em todo o espírito escutista, aquando da sua fundação. Em Portugal foi fundado em 1923 o CNE Corpo Nacional de Escutas, que tem por base a religião católica, existem também os Escoteiros de Portugal, aberto a qualquer religião ao contrário do CNE do qual apenas fazem parte pessoas da religião católica.

Baden-Powell, Fundador do Escutismo.

No entanto seja escutismo católico ou não católico existe algo de comum entre as duas, a solidariedade para com os outros e a participação em diversas campanhas, exemplo dos peditórios para liga portuguesa contra o cancro, ou o banco alimentar contra a fome, é importantíssimo participar nestas actividades, torna a nossa parte humana mais sensível, leva-nos a pensar nos problemas dos outros, a querer fazer algo para mudar, e dentro das possibilidades de cada um isto é o mínimo que podemos fazer.

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Numa altura em que tanto se fala de videojogos e do tempo que as crianças ocupam em frente a um televisor, é de uma importância extrema que as crianças entendam onde devem parar, e também que alguém lhes transmita isso mesmo, o momento de parar, para que elas entendam que há uma hierarquia, um respeito. Pois dentro do escutismo isto é também um valor incutido, existem os dirigentes aos quais reportam os guias de equipa que por sua vez têm a função de orientar os mais jovens do grupo. Para que cada um descubra um pouco das suas capacidades, dentro de cada equipa existem as mais variadas especialidades, como, cozinheiro, tesoureiro, animador, bombeiro, jornalista…etc., um pouco como profissões mas dentro do grupo, após ter dado provas de especialidade em determinada área é-lhe entregue uma insígnia (distintivo) relativo a essa área que deve colocar na sua farda, as minhas insígnias foram as de cozinheiro e de andarilho, valores que ainda guardo e que me dão imenso prazer nos dias de hoje. Estes são motivos mais que suficientes para que cada jovem devesse viver um pouco desta aventura de ser escuteiro, mas tem tudo é tão bom e tão fantástico assim. Durante a minha caminhada como escuteiro tive momentos altos e momentos baixos, quando somos jovens tudo corre bem, mas quando vem a idade da adolescência e da afirmação, há coisas que podem não fazer muito sentido. Esta foi talvez a razão que levou ao meu afastamento do CNE, tenho pena de não ter conseguido levar a minha caminhada até ao fim para ter chegado a dirigente, mesmo assim durante a minha passagem cheguei sempre ao cargo de guia de equipa, só que chegamos a uma idade em que a religião que nos foi incutida pelos nossos pais (no meu caso a católica), pode ou não fazer sentido para nós. Ou dito de outra forma poderemos dizer-nos e considerar-nos católicos, mas não praticantes, e aqui surge o problema da ligação do CNE com a Igreja católica, é que apesar de sermos católicos e de nos identificarmos com todos os valores escutistas podemos não nos sentirmos bem a participar em todas as actividades ligadas com a Igreja, como o caso de missas, procissões e afins. Tenho a certeza que em poucos anos o Escutismo Católico Português se não mudar a sua postura perderá grande parte dos seus jovens, as crianças devem ser instruídas mediante uma religião mas não necessariamente forçadas a estar presentes em todas as actividades da Igreja Católica.

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Algum tempo após ter deixado o escutismo e numa altura em que a minha vida e o meu pensamento já era muito mais coerente, comecei a praticar canoagem no CNAI (Clube natureza e Aventura de Ilhavo), pratiquei durante três anos canoagem de competição, a canoagem é um desporto demasiado solitário que só com grande esforço e dedicação se conseguem resultados, isto agrava-se quando as condições de treino não são as adequadas, que era o caso. O tempo foi passando e começou a surgir dentro do clube a necessidade de fazer algo mais do que a canoagem de competição, assim eu e outros dois membros do clube decidimos avançar com uma secção mais dedicada à vertente turística e recreativa. Começámos por organizar actividades náuticas pois era a vertente que conhecíamos melhor, mas depressa alargámos os nossos horizontes às áreas de montanha, nesta vertente organizamos passeios pedestres por várias zonas do país, mas com especial incidência na Serra da Lousã, Serra da Arada e Serra da Estrela. A área turística é de enorme potencial para o desenvolvimento, estrutural e económico nos dias que correm, com elas pode conseguir-se uma série de clientes, fieis, o necessário no turismo é que este seja aprazível, de modo a que quem participa uma vez numa actividade volte para repetir e passe a mensagem a outros interessados, esta passagem de informação boca a boca acaba por ser o melhor veículo de transmissão publicitária na maior parte dos casos.

Trekking Serra da Arada, organização CNAI.

Atletas do CNAI em competição.

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Mesmo assim é sempre necessária alguma publicidade em relação ao clube e aos seus afazeres, tanto na área turística como na área de competição. Assim toda esta parte que toca ao trabalho gráfico desde cartazes, flyers, etc… está ao meu encargo, apesar de não ser directamente a minha área de trabalho é uma área em que me sinto perfeitamente à-vontade. Um pouco como part-time do meu trabalho, tenho realizado vários trabalhos de imagem corporativa para particulares e empresas, cada vez mais as necessidades económicas obrigam a um esforço extra para que se consiga uma melhor situação financeira.

Alguns trabalhos realizados por mim na área de imagem e publicidade.

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Durante toda a nossa vida somos confrontados com determinadas situações, que nos levam a reflectir sobre as mesmas, sobre o caminho a tomar perante elas. É talvez na adolescência que começamos a ter noção disso mesmo, começamos a crescer de uma forma mais madura, a tentar encontrar respostas para tudo, surgem as dúvidas…o porquê das coisas…o porquê de ter de ser assim. No meu caso tive uma adolescência um quanto conturbada, a determinada altura senti que era tempo de colocar os pés na terra, fazer algo para bem de mim próprio e da minha família, mas também sinto que foi fruto dessa mesma “irreverência” própria da adolescência, que me fui habituando a viver bem comigo mesmo, a tomar determinadas decisões, e a acatar o que as mesmas me reservavam, quer o bem, quer o mal. Não é sempre fácil tomar a decisão de um rumo a seguir, e muito mais difícil é quando com a decisão que tomámos somos obrigados a arcar com as consequências negativas que dela provêem. Felizmente comigo e até ao dia de hoje, fui afortunado com o bem no campo das grandes decisões, mas a vida também já me havia ensinado que nem só de felicidade é feita, e com isto trouxe-me precocemente mais maturidade. A minha primeira decisão tomei-a muito jovem, tinha 17 anos, estava então no 10º ano de escolaridade, frequentava pelo segundo ano consecutivo o curso de Artes e Ofícios, uma vez que tinha reprovado no 1º ano. É nesta altura que começo a sentir que estava há tempo demais sem fazer nada de útil por mim mesmo, continuava a ver passar o tempo, frequentava a escola e não as aulas. Um dia dei por mim a pensar na minha forma de estar, na minha vida na minha família, no desgosto sucessivo que dava à minha mãe, já bastava o facto de esta estar a sofrer com a morte do meu pai, não tinha também de sofrer comigo, nem de ter gastos económicos com a minha escolaridade, uma vez que eu não estava a responder de uma forma positiva. Falei com a minha família que se tentou opor de algum modo a tal decisão. Todos nós já tivemos situações de conflito familiar, uns mais outros menos, umas mais graves que outras, em particular nunca tive nenhum grande conflito a nível familiar, mas recordo que a primeira vez que falei com a minha mãe sobre a possibilidade de abandonar os estudos ela ficou profundamente chateada com isso e na altura não queria que eu o fizesse, até porque foi demasiado cedo, eu tinha apenas dezassete

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anos, prestes a fazer dezoito. No entanto e como sentia que era mesmo o que eu queria na altura, tentei fazer-lhe entender que de momento era mesmo a melhor solução, até porque era um trabalho relativamente bom, e onde eu teria uma margem de progressão e poderia aprender uma profissão, algo que me pudesse de algum modo garantir um futuro com alguma estabilidade, ajudar a minha mãe em tudo o que fosse necessário, poder ter as minhas próprias coisas, que não poderia se não fosse eu começar a trabalhar na Interdecal (serigrafia já extinta e agora parte da Vista Alegre Atlantis). Não pensei muito mais, estava mesmo decidido daquilo que queria fazer, e o trabalho que iria ter conjugava-se com o curso de Artes que frequentava na altura, ela acabou por entender e começou a apoiar-me na minha decisão, sendo que senti que agora quando decidi por esta via acabar os estudos, ela ficou radiante com isso. Durante este tempo e até hoje nunca me arrependi de ter agarrado esta oportunidade, é de facto um trabalho que me preenche na totalidade e que me dá imenso prazer, gostarmos daquilo que fazemos é um passo muito importante para o nosso bem-estar pessoal. No entanto, durante os anos que sucederam essa decisão, tenho sentido a necessidade de ter algo mais no que respeita aos estudos, crescer um pouco mais nesse campo, fazer aquilo que deveria ter feito e algo mais se possível. É aqui que reside a minha maior dúvida, será que hoje faria o mesmo apesar de não me arrepender de o ter feito? Tenho a certeza que não, a quantidade de informação que os jovens de hoje têm faz com que a maior parte, siga o ensino superior, ou cursos técnicos para qualificações nas mais variadas áreas. E pode até parecer estranho e levar-nos a pensar se em doze anos isso mudou assim tanto, mas de facto é uma realidade, mudou mesmo. Quanto a mim há uma conjugação de factores que podem explicar um pouco essa mudança - a evolução dos media na ultima década que a cada dia nos trazem à velocidade da luz informação, a evolução do sistema de ensino que acaba por cativar os jovens à sua continuidade. Existe ainda uma situação mais grave, a crise económica mundial, se não há trabalho o melhor mesmo é qualificação e especialização para que quando chegar a

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oportunidade de um emprego esses jovens estejam 100% preparados para o mercado de trabalho. Por isto tudo, pelo meu crescimento, e pelo que a vida me tem ensinado, sinto que hoje seria diferente e também por isso estou aqui. Outra das grandes decisões que tomei e com a qual também me sinto pleno de felicidade, foi o passo de constituir uma família, viver em conjunto com a minha namorada. Após termos namorado durante cinco anos, e depois de várias vezes termos pensado em ficar juntos decidimos que era altura de avançar. O processo não foi de todo fácil porque surgem sempre, algumas dúvidas, como casar ou não casar, como comprar casa ou arrendar, no entanto em ambos os casos ficámos pela segunda opção, decidimos que a nossa felicidade não passaria pela oficialização da nossa relação mas sim pelo estarmos perto um do outro e ajudarmo-nos mutuamente no dia-a-dia. Quanto à casa iríamos aproveitar algum tempo de arrendamento jovem, feitas as contas poderia ser uma oportunidade para poupar algum dinheiro, para quando surgir uma oportunidade de compra. Agora um ano e meio após este passo começam a surgir novas metas que gostaria de alcançar, sinto que a minha vida passará a ter mais sentido, ou pelo menos um sentido diferente, mais direccionado, quando chegar a altura de ter um filho. Mas esta é de certo a maior decisão a tomar, e será tomada quase que como se de um chamamento interior se tratasse, algo muito pessoal e a dois, algo que nos indique, é agora, este é o momento…Para que esse momento se transforme e se eternize em felicidade no dia do seu nascimento e assim eu consiga dar a melhor educação, o melhor crescimento, a melhor maneira de estar perante a vida, e que destes ensinamentos venha a capacidade de tomar também decisões e a autonomia necessária quando chegar também o dia em que ele próprio tenha de tomar as suas, porque a vida é feita delas… É esta capacidade de reflexão, passado, presente e futuro, que também nos torna diferentes dos restantes seres vivos, quando olhamos para nós somos capazes de fazer retrospectivas, reflexões, planos.

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Ainda que me sinta realizado com tudo o que tenho vindo a conseguir, sinto uma vontade de querer mais, de “alcançar mais e melhor”, ainda que pareça uma frase de campanha política, talvez seja mesmo uma coisa em que todos deveríamos pensar para nosso próprio bem-estar interior. É um pouco nesse sentido que me encontro neste processo de RVCC, mas esta seria a primeira etapa, sendo que a minha meta passaria depois deste processo pelo ensino superior, na área de Novas Tecnologias da Comunicação. Sinto que se conseguir alcançar esse objectivo me sentirei melhor comigo mesmo, é sempre tempo para fazer algo que deveria ter sido feito outrora, desde que o façamos com vontade. Sempre fui capaz de ir caminhando pelos meus pés, os passos pequenos são a receita, nunca dar passos maior do que aqueles que somos capazes, e isto foi algo em que pensei durante a fase da reflexão sobre o arrendamento ou a compra de uma casa. É obvio que é quase o sonho dos comuns mortais ter uma casa própria, uma família, mas em primeiro deveremos também encontrar a nossa estabilidade pessoal, familiar e financeira, estou neste mesmo percurso, e a médio prazo tenciono avançar para a compra de uma casa. Para que quando os filhos chegarem tudo possa estar preparado de modo a que tenham a melhor qualidade de vida possível, mas sempre fazendo com que estes à medida que forem crescendo se vão apercebendo das reais dificuldades da vida. Com uma imensidão de diferentes culturas, diferentes hábitos, diferentes povos, diferentes pessoas, diferentes famílias, diferenças em cada um de nós, existe algo comum e ao mesmo tempo único a cada indivíduo, quando refiro o termo comum refiro que cada um de nós possui um ADN, e quando refiro a diferença, é que apesar de todas as e das maiores proximidades familiares que possa haver entre as pessoas cada ADN é único. Mas afinal o que é o ADN? A sigla significa, “ácido desoxirribonucleico”, nome complicado demais para a generalidade das pessoas mas o importante mesmo será saber, onde se encontra e para que é utilizado… O ADN não está apenas presente nos humanos, mas sim em todos os seres vivos, desde as bactérias, plantas, animais, é uma mol��cula que existe dentro das células de Jorge Filipe Pires

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todos os seres vivos e contém todas as informações relativas a esse ser de modo a identificá-lo. Quase como que se tratasse de um código pessoal e intransmissível, mas na forma genética, algo que não foi implantado mas sim que nasce com cada ser.

Microfotografia de molécula de ADN de uma formiga.

Passaram cerca de 50 anos da descoberta do ADN e existe um avanço enorme no que toca a pesquisas nesta área. Hoje em dia é utilizado em clonagem, alimentos transgénicos, testes de paternidade, área de criminologia, etc… Quanto à clonagem, o caso não é assim tão simples nem tão linear, existem questões éticas e morais, a ovelha Dolly foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta, todas as atenções do mundo ficaram centradas na possibilidade de clonagem humana, mas convém referir que até neste sentido clone e clonado teriam um diferente ADN, tal como acontece com os gémeos. No que toca aos alimentos transgénicos, são assim denominados todos os alimentos geneticamente alterados em laboratório, dada a sua maior resistência e velocidade de crescimento, actualmente grande parte destes são utilizados na alimentação dos animais em todo o mundo e no futuro poderão mesmo vir no futuro a entrar na alimentação humana com mais relevância. A identificação de paternidade também é algo que está directamente ligada ao ADN, é através dele que é identificado um determinado indivíduo em caso de dúvidas de

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paternidade. Hoje em dia é impossível registar uma criança sem que se saiba quem é o pai, algo que alguns anos atrás acontecia, por vezes as crianças eram registadas como “filhas de pai incógnito”. Também na área da criminologia o ADN é uma peça chave, na tentativa de esclarecer a participação de uma pessoa suspeita num determinado crime, através de vestígios de sangue, sémen, fios de cabelos, é possível comparar o ADN com o dos suspeitos e saber se estão ou não implicados nesse crime. Mas é também no ADN que é carregada grande parte da nossa descendência, através dele poderíamos voltar anos e anos atrás na nossa geração, e identificar familiares que não chegámos sequer a saber que existiam. No meu caso, apenas conheci até aos meus avós, e é da parte do meu avô materno que carrego parte de uma história que ficará para sempre guardada na minha memória e no meu coração. Uma história que me contava na 1ª pessoa, uma história que não vem em livros, nem em filmes, uma história de homens de braveza que deixavam as suas mulheres e os seus filhos e partiam para a pesca do bacalhau, em barcos à vela, durante meses a fio, na esperança do regresso e de preferência com os barcos carregados de pescado… É numa destas viagens que passou o maior susto da sua vida…Corria o ano de 1942 em plena 2ª Guerra Mundial quando o meu avô fez mais uma das suas viagens ao bacalhau, desta vez no lugre “Delães” a viagem não poderia ter corrido pior, a 11 de Setembro após 79 dias de pesca e já quando o lugre regressava a Portugal com os porões carregados de bacalhau foi atacado pelo submarino Alemão (U96). Diz-se que o “Delães” atravessava uma zona que estava a ser patrulhada por submarinos Alemães e que era já suspeito pela utilização de uma frequência de rádio proibida na altura. O submarino disparou três tiros de canhão de aviso e foi ordenado a toda a tripulação que abandonasse o navio, a ordem foi acatada e todos abandonaram o lugre, ficando a navegar à deriva no alto mar dentro dos pequenos “dóris” (pequenos barcos de madeira usados na pesca do bacalhau) que tinham sido amarrados uns aos outros,

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após o abandono da tripulação o “Delães” foi de imediato afundado a tiros de canhão. Foram socorridos 18h depois pelo lugre “Labrador” que passava nas mesmas águas, todos se salvaram.

Em cima, à esquerda fotografia do submarino U-96, à direita o lugre Delães atracado em Lisboa. Em baixo, à esquerda ilustração do naufrágio do Delães, à direita o meu avô, Manuel Estevão.

A mesma sorte não tinham tido os companheiros do “Maria da Gloria” que havia sido afundado no mês de Junho do mesmo ano, e onde resultou a morte de 36 pessoas, a maior parte delas de Ílhavo e Gafanha da Nazaré, uma vez que ambas as embarcações tinham sido construídas nos estaleiros da Gafanha da Nazaré e pertenciam a uma empresa de Aveiro. Ficam comigo estas memórias que me contava, sinto que ele queria transmitir todas as dificuldades que tinha passado, que eram bem mais do que as actuais, mas também a braveza e a coragem dos pescadores, que continuavam a dedicar a sua vida ao mar, mesmo depois de acontecimentos tão marcantes como este. Jorge Filipe Pires

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E que bom que é guardar estas numa altura em que as nossas vidas nos preenchem com trabalho e os mais variados afazeres… Todos os nossos dias são passados a trabalhar, saímos de casa e voltamos ao fim de um dia de trabalho, almoçamos e jantamos fora muitas vezes e isto leva muitas pessoas da nova geração a escolher para viver espaços exíguos, minimalistas e que dêem o mínimo de trabalho possível. Isto é algo que acontece cada vez mais nas grandes cidades, não só pelo facto de estar em voga mas também é uma forma de controlar os espaços para construção, colocando mais pessoas a viver no mesmo espaço de construção, dadas as tipologias destas pequenas habitações. Tudo isto pode parecer atraente ao nível económico mas pode também ser condicionante no que toca a acabamentos e materiais de construção, mas tendo em conta o dia-a-dia de cada um esta pode ser uma solução habitacional a ter em conta. No meu caso em particular esta nova tendência de opção por estes espaços não me atrai, não só pela não identificação com a tipologia da habitação mas também pela região onde vivo. Quando chegou a altura de procurar uma habitação ainda que no momento não passasse pela construção todos os procedimentos seriam idênticos, ou seja seria necessário ter em conta toda a tipologia da habitação bem como os seus acabamentos. Aliado a isso haveria que escolher aquela que oferecesse uma maior variedade de facilidades no que toca a espaços de lazer, entradas de luz directa e de preferência num local que oferecesse tranquilidade e bem-estar, é certo que isto nem sempre é fácil de conjugar. Mas o mercado de arrendamento em Portugal está agora numa maior fase de crescimento, um pouco ao encontro do resto da Europa, onde a maioria das pessoas vive em casas arrendadas, com isso tinha a certeza que iria encontrar um espaço realmente atraente, seria apenas uma questão de tempo… Um apartamento T2 novo, com óptimas áreas, e excelentes espaços de ar livre e lazer, a localização foi também um facto determinante, o local que escolhi era um local

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central, de modo a que pudesse sair a pé a maior parte das vezes inclusive para fazer compras. Numa habitação é importante um bom isolamento térmico, ainda que Portugal possua um clima relativamente ameno, os vidros duplos são hoje em dia praticamente indispensáveis, estes ajudam na diminuição de perdas de calor e também ao nível do isolamento sonoro. Existe também um menor consumo de energia uma vez que com o vidro normal existe uma maior sensação de frio o que nos leva a ligar mais o aquecimento, no verão também nos proporcionam maior conforto do mesmo modo a que não deixam que as ondas do calor aqueçam os espaços com a mesma facilidade de vidros normais. Todos sabemos que hoje em dia e com o crescer dos fenómenos climatéricos adversos as habitações deveriam todas estar preparadas nesse sentido, de modo a fazer face a abalos sísmicos, tremores de terra, etc. Aqui reside a base da construção, as fundações das habitações, o cálculo de engenharia para medições de betão e ferro a utilizar, a escolha de materiais tecnologicamente avançados que conseguem minimizar os estragos em situação de catástrofe. Mas como a maioria das pessoas acaba por comprar apartamentos essa é uma parte que fica muitas vezes para trás, ou é da responsabilidade de construtores, que pela contenção de custos também muitas vezes as colocam de lado. Talvez no futuro venha mesmo a ser obrigatória a utilização de determinados materiais e técnicas que nos coloquem em maior segurança. Mas o nosso conforto e bem-estar depende muito de como nos sentimos quando estamos em casa, se estivermos parados logo a sensação de frio aumenta, por isso é necessário procurar a melhor maneira de aquecer a nossa casa da melhor maneira em função dos equipamentos de aquecimento que possuímos. No meu caso em dias de muito frio a solução passa por manter nos compartimentos mais utilizados, aquecedores a óleo, a melhor maneira de usar este equipamentos e uma vez que eles têm um efeito de acção prolongada e não imediata, é deixa-los ligados 24h p/ dia como estes possuem termóstatos eles próprios fazem a gestão de calor desligando e ligando quando alcançam as temperaturas programadas.

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Como possuo uma sala com uma varanda com sol directo praticamente todo o dia, este é o compartimento mais ameno de toda a habitação, só por aqui podemos concluir que o sol é uma excelente fonte de calor. Desde sempre o homem usou o sol como fonte de energia, por exemplo, ao utiliza-lo para secar roupa e mesmo para se aquecer, também para as plantas o sol “luz” é um bem essencial à sua sobrevivência. Hoje em dia é uma das principais energias renováveis utilizadas por particulares, que através de painéis solares e baterias acumuladoras podem gerar energia apara consumo e até para comercializar. Este consumo de energia deve cada vez mais ser um consumo controlado, e não devemos fazer consumos desmedidos de energia, pois este é também uma das principais causas do aquecimento global. Mas é o nosso padrão e estilo de vida que nos leva muitas vezes a fazer consumos excessivos e desmedidos, todos os dias somos invadidos com apelos, quer pela TV, rádios, imprensa, publicidade das grandes marcas mundiais, que nos levam a repensar o nosso estilo de vida e será que esses mesmos que nos lançam tais apelos se preocupam de facto com esse controlo do consumo energético? Da nossa parte como seres humanos, sinto que há um mínimo que podemos fazer dentro da nossa habitação, existem actos simples como a utilização de lâmpadas de baixo consumo, a escolha de equipamentos domésticos das classes “A” “A+” ou “A++”, nos frigoríficos e máquinas de lavar devemos ter isto mesmo em conta uma vez que estes são equipamentos que temos a uso diário e quase constantemente ligados à corrente. Mas o aumento do consumo está directamente ligado ao avanço da ciência e tecnologia, hoje em dia seria praticamente impossível lavarmos as nossas roupas num tanque, ou termos alimentos em casa sem um frigorífico onde os conservar, e a prova que também existe uma preocupação por parte de fabricantes é a evolução no sentido da eficiência energética. No caso das máquinas de lavar louça, as mais recentes usam menos água, menos detergente e são mais eficientes. Possuem também mais programas de lavagem, que se adaptam as nossas necessidades, os detergentes também são mais eficientes e por Jorge Filipe Pires

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isso as temperaturas de lavagem não são tão altas. Quanto às máquinas de lavar roupa, estas sofreram também várias alterações, mais programas de lavagem consoante o tipo de tecidos. E também algo de muito importante a implementação de sensores de carga que controlam o consumo de energia mediante o peso da roupa. Os novos frigoríficos são muito mais eficientes devido ao melhor e isolamento e aos novos compressores muito mais eficientes e há utilização de novos líquidos refrigerantes com menor efeito de estufa que os utilizados em equipamentos antigos. Agora já existem as classes de eficiência energética “A+” e “A++”que são muito mais eficientes que a classe “A”. Estas foram razões mais que suficientes para que não tivesse dúvidas quando comprei o meu frigorífico e a máquina de lavar roupa. Resta-nos ir minimizando estes consumos que podem trazer um final trágico, e com actos simples a ter em conta podemos consegui-lo. Por exemplo, não devemos utilizar equipamentos em simultâneo quando apenas estamos concentrados num em particular, se estamos a utilizar um PC não necessitamos de ter uma TV ligada ao mesmo tempo, ou se estamos a ouvir música e a ler, do mesmo modo não necessitamos de um PC ou de uma TV ligada. Ainda como solução de poupança de energia devemos também ter em conta que devemos desligar os equipamentos em completo da corrente e não deixá-los em standby, existem muitos equipamentos que ao desliga-los continuam com uma luz de standby ligada, o que quer dizer que estão a consumir energia, para isto podemos utilizar extensões que possuam um botão on/off para assim os desligarmos por completo. Será ainda de referir que devemos sempre desligar as lâmpadas que não estamos a utilizar. No caso da iluminação existem dois tipos de lâmpadas: - Lâmpadas convencionais de filamento incandescente, que têm um baixo custo de aquisição, baixa eficiência e uma vida útil curta, fundem-se com facilidade. Estas funcionam através da passagem da corrente eléctrica entre dois pontos da lâmpada, que é depois transportada a um filamento que ao ficar em contacto com a corrente eléctrica fica incandescente produzindo luz. - Lâmpadas compactas fluorescentes (LCF) que produzem luz de uma forma muito mais eficiente, convertendo até 80% da energia eléctrica em luz e cuja vida útil pode Jorge Filipe Pires

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ser superior a 15 anos (estas são as chamadas lâmpadas de baixo consumo). Têm um funcionamento completamente diferente das incandescentes, a luz é gerada através de uma descarga de gás. Se repararmos um tempo de vida superior traduz-se em menos lâmpadas para comprar e mudar, gerando-se assim menos resíduos prejudiciais para o ambiente. No entanto até 2012 a Comissão Europeia vai retirar todas as lâmpadas incandescentes do mercado, daí já começarem a surgir várias campanhas onde podemos trocar as nossas comuns lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo. No meu caso aquando da campanha da EDP para troca de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo fiz a troca de todas as que possuía estando neste momento a minha habitação equipada apenas com lâmpadas deste tipo.

Lâmpadas economizadoras e lâmpadas incandescentes.

Mas não podemos apenas optar solucionar a parte da iluminação, todos nós hoje em dia possuímos uma série de equipamentos domésticos com os quais temos de ter os devidos cuidados, tanto no que toca ao consumo mas também à sua utilização. É obvio que nem todos temos a mesma aptidão para lidar com esses mesmos equipamentos, mas a ideia que os homens e as mulheres os usam de forma diferente, ou que alguns deles devem ser apenas utilizados por mulheres é uma ideia completamente desanexada e antiquada.

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Eu utilizo todos os meus equipamentos domésticos mas confesso que o existe um com o qual não sinto muito à-vontade, “ferro de engomar”, mas se necessitar de o utilizar faço-o da melhor maneira possível, no geral todos nós somos capazes de utilizar a diversidade de equipamentos que possuímos, melhor ou pior mas de certo que com esforço e dedicação todos conseguimos fazê-lo. Os manuais de cada equipamento hoje em dia são muito completos e intuitivos, de modo a que sejam facilmente interpretados pela generalidade das pessoas, estes manuais são constituídos por um índice alfabético que facilmente nos leva a encontrar o que necessitamos, desde a sua conexão à corrente eléctrica, ao seu funcionamento geral. A generalidade dos equipamentos domésticos funciona com uma tensão de 220V “alternada”, mesmo que alguns deles façam internamente ou externamente façam conversões de energia, é a 220V que os ligamos nas nossas tomadas. Estes equipamentos são por norma monofásicos, ou seja ainda que as tomadas tenham dois locais de ligação “dois furos”, apenas um possui tensão a 220V o outro é neutro. Daí que se pegarmos apenas num fio condutor neutro (azul) não apanhamos choque, mas se ao mesmo tempo tocarmos na fase (castanho ou preto) e no neutro, sentimos choque eléctrico, isto deve-se à diferença de potencial entre um e outro, ou seja para haver passagem de energia eléctrica tem de haver uma diferença de potencial, no caso da corrente eléctrica “contínua” também temos diferenças de potencial mas neste caso como forma de positivo (+) e negativo (-). Um dos equipamentos mais utilizados pela generalidade da população diariamente é o “telemóvel”, a maioria das pessoas são utilizadores frequentes do telemóvel, é quase como uma parte das pessoas, muitas delas quando por algum motivo não o têm ficam um quanto desorientadas. Mas afinal que equipamento tão importante do dia-a-dia é este? O primeiro telemóvel do mundo foi desenvolvido pela Motorola no ano de 1983, vinte sete anos após essa data existem dezenas de marcas modelos e feitios para este aparelho. As diferenças entre eles podem ser de, cor, tamanho, funcionalidades

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técnicas, mas existe algo que todos têm em comum, bateria, carregador, e um cartão “SIM” (subscriber identity module) em Português algo como módulo de identificação do assinante, é o cartão que identifica o utilizador. Este cartão não é nada mais do que um circuito impresso e com uma determinada memória, que vem identificado com cada número de telemóvel pessoal, é também nele que são armazenados alguns dados, como agenda de contactos tarefas, etc., sendo que hoje em dia a maioria dos equipamentos já vem equipada com memórias internas ou “slots” para cartões de memória que assim evitam perda de dados em caso de avaria do cartão “SIM”.

Martin Cooper antigo director da Siemens e o 1º telemóvel do Mundo.

Steeve Jobs director da Apple apresenta um Iphone de última geração.

Hoje, o telemóvel é um equipamento quase indispensável à maioria das pessoas e ele permite as mais variadas aplicações, desde, agenda, captação de imagem tanto em fotografia como vídeo, GPS, jogos, envio de SMS e MMS, realização e recepção de chamadas, ligação á internet e em modelos mais recentes já é possível faze-lo com os browsers que utilizamos no dia-a-dia nos PCS como o “IE” ou “FIREFOX” também recentemente já é possível realizar operações bancárias através do telemóvel, os telemóveis caminham agora para a nova geração de pocket pcs, para que possamos fazer uso dele exactamente da mesma forma que um normal PC.

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Uma das funções mais utilizadas nos telemóveis, é o serviço de SMS, talvez isto se deva aos baixos custos deste serviço, que em muitas das operadoras já é mesmo gratuito. No entanto se repararmos este meio de comunicação escrita ao nível da electrónica teve inicio na década de 1980 – 1990 com o aparecimento dos PAGERS em que o emissor efectuava uma chamada telefónica e transmitia a um operador qual a mensagem que queria enviar, esta mensagem era gravada pelo operador e posto isto era escrita e enviada ao receptor, acontecia muitas vezes as mensagens chegarem incompletas ou deturpadas. As operadoras foram melhorando as suas redes através da instalação de antenas de sinal, estas antenas funcionam através de ondas electromagnéticas captadas através de satélites e transmitidas depois aos equipamentos, estas fontes de radiação são fruto da evolução, do homem e dos sistemas mas elas ocorrem naturalmente no Universo e, como tal, sempre estiveram presentes na Terra. Com esta evolução começou a ser possível a troca de mensagens directas entre os utilizadores, e começou então o fenómeno de popularidade das “SMS”, com este fenómeno apareceram novas formas de escrita, com diminutivos e símbolos, que permitem expressar as emoções dos utilizadores de uma forma escrita. É certo que esta escrita foi adaptada da internet, uma vez que ela começou a surgir nas comunicações em chats ou na troca de emails. Esta forma trouxe também uma preocupação acrescida no que toca às gramáticas, é que muitas pessoas, principalmente os mais jovens, escrevem com erros ortográficos, mas é uma forma propositada de escrita quer por diminutivos quer pela tendência em escrever de uma forma diferente, vejamos o seguinte exemplo de SMS (escrita muito comum entre adolescentes):

“olá estou mt triste , n poxo ir à tua festa hj à noite, espero q não fiquex xateada, mas a mha mãe não me deixa, lol estou a brincar  Este é um tipo de escrita que não utilizo nas minhas mensagens, no meu caso em particular, o telemóvel é um equipamento que utilizo no dia-a-dia, mas apenas faço utilização das aplicações básicas, chamadas e envio de mensagens. Não sou apologista do uso de telemóvel como objecto de transmissão de status social, mas tenho a consciência que hoje em dia é uma situação muito comum, não me cabe a crítica a Jorge Filipe Pires

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quem o faz, porque muitas vezes isso acontece também com o gosto das pessoas por equipamentos electrónicos de última geração, algumas pessoas têm mais interesses que outras, umas demonstram-no outras não. Vejo o telemóvel apenas como um objecto de comunicação, nada mais, e acho que é aqui que reside a sua maior importância, neste momento muitas das populações portuguesas do interior onde nunca chegaram linhas telefónicas, estão agora contactáveis com o mundo e podem assim estar mais próximas dos seus familiares e terem facilidade em pedir auxilio em situações de necessidade. Não faço muita utilização do telemóvel no que toca a outras funções porque utilizo o PC e as potencialidades da internet para essas mesmas funções, como o caso de agenda, e neste caso há uma interactividade de uma aplicação que utilizo com o telemóvel, a agenda do “Google” esta permite a sincronização com um telemóvel. Após agendarmos as nossas tarefas no nosso calendário “Google”, este envia um SMS (serviço gratuito) para o telemóvel com a devida antecedência com que for configurada. Sou um utilizador assíduo (viciado) em aplicações para PC, sempre que sai um novo programa na minha área de interesse “fotografia e design” faço questão de o testar e conhecer as suas novas potencialidades. Para além disso faz parte do meu dia-a-dia tanto para comunicação pessoal como profissional, o uso de email, como forma de gestão de conta bancária utilizo o serviço de ebanking ao qual também já é possível aceder por via do telemóvel. No entanto a forma que me dá mais prazer de comunicar com os outros, é através da imagem (fotografia), desde cedo que me fascinei pelo mundo da fotografia, com 15 anos tive a minha primeira máquina fotográfica reflex, a partir daí nunca esqueci a fotografia até aos dias de hoje. Também a fotografia tem sofrido ao longo dos anos uma série de evoluções tecnológicas que tem aberto as portas de um mundo que era muito mais restrito, há 10 anos atrás era impensável sairmos para a rua com uma máquina convencional de rolo 35mm e fazermos os 24 ou os 36 fotogramas desse rolo, hoje em dia na

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generalidade todas as pessoas possuem uma máquina digital e facilmente tiram 100 ou mais fotografias num ápice, A evolução desta forma de arte que há já alguns anos faz parte da minha vida, ocupa agora também o lugar que merece no seio da sociedade, o que não acontecia no passado, ela era vista como uma forma de arte “elitista”, um pouco pelos custos que acarretava para quem a praticava. Hoje é possível ter uma máquina digital por um valor praticamente irrisório, obviamente que se quisermos ir um pouco mais além, existe a necessidade de comprar material mais específico, e aí é contínua a ser um investimento mais avultado. Todo este processo da evolução da fotografia é importantíssimo para a generalidade da sociedade, através da captação de imagens as pessoas comunicam, veja-se o exemplo dos telemóveis que são quase como uma peça de uso diário, e muitos já vêem equipados com camêras fotográficas que permitem uma qualidade bastante aceitável. Mas esta evolução não tem apenas a parte positiva, quanto a mim existe por trás de cada imagem uma carga sentimental no momentos antes do click, acho que deve haver sempre um olhar, um pensamento daquilo que queremos transmitir. Com a evolução veio também trouxe alguma vulgarização da fotografia, apesar da qualidade da fotografia digital já estar num patamar bastante elevado, nunca vai alcançar a magia de termos de esperar pela revelação de um rolo para vermos uma determinada imagem. No meu caso tento sempre antes de tirar uma foto, pensar bem na imagem que pretendo, por vezes chego a olhar pelo visor da máquina e acabo por não realizar a foto, porque aquilo que vemos à primeira vista não ser na realidade aquilo que vemos ao olhar pelo viewfinder da câmara. A frase que escrevi para front page do meu site transmite um pouco aquilo que referi acima: “...gosto particularmente de Fotografia de Natureza, Paisagens, aquilo que me encanta na captação de uma imagem é conseguir imortalizar para sempre os momentos...Só assim acho que uma imagem pode fazer sentido para quem a vê, de modo a que se sinta num determinado local mesmo sem nunca ter lá estado...”

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Foi também através da fotografia digital e das TIC que se tornou mais fácil dar a conhecer e evoluir no nosso progresso deste meu hobbie, através da internet partilho imagens em sites da especialidade, de onde já foram escolhidas imagens publicadas em revistas da especialidade. Sempre me considerei um autodidacta, outra evolução neste meu hobbie foi a construção do meu próprio website, foi o primeiro site que construí, pelo que não foi tarefa fácil, pois essa parte da construção e da descoberta é de todo bastante interessante, depois vem a manutenção e o tempo necessário ao mesmo para que se mantenha actualizado. É um trabalho que nunca se pode dar por finalizado porque a cada dia se descobrem outras aplicações que podem ser adicionadas, é de facto interessante o seguimento de um web site, desde construção, manutenção e seguimento estatístico. E foi um pouco por arrasto desta evolução tecnológica que a fotografia acabou por sofrer esta transformação, os sistemas informáticos sofreram um crescimento tão intenso que a fotografia não podia ficar parada no tempo, assim as marcas começaram por estudar a solução para os sistemas digitais. Técnica e mecanicamente o sistema das máquinas fotográficas não necessitava de sofrer grandes alterações, a grande alteração passava pelo suporte de gravação das imagens e a forma como elas eram captadas pela máquina. O então utilizado filme fotográfico necessitava de ser substituído por um suporte de gravação similar a um disco rígido ou a um cd ou disquete, em primeiro lugar as câmeras digitais começaram a gravar em disquete, posteriormente em cd, mais tarde

em memórias internas e hoje em dia nos comuns cartões de memória.

Para que se tenha uma ideia da evolução dos suportes de gravação: seriam necessárias cerca de 4000 disquetes para obter a capacidade de 4gb de um vulgar cartão de memória.

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A parte da captura da imagem foi mais complexa, era necessário encontrar um sensor fotoeléctrico que fosse sensível à luz, tal como o filme fotográfico. E este é o processo básico da fotografia, através de uma lente a luz é canalizada ao filme (hoje em dia ao sensor) que fica exposto à luz quando se dá o click, neste momento existe uma cortina (obturador) que abre e fecha em milésimos de segundo, se ela estivesse aberta demasiado tempo em situações de muita luz, em vez de um fotograma com uma imagem, obtínhamos um fotograma negro, no caso de fotografias nocturnas e devido à ausência de luz, este obturador demora mais tempo a fechar, mediante o resultado pretendido o obturador pode ficar aberto o tempo que quisermos, desde que a máquina esteja fixa num tripé.

Exemplo de um rolo de 35mm e de um sensor de uma camêra digital, ambos são sensíveis à luz.

Uma das profissões mais afectadas pela positiva pela evolução fotográfica foi o fotojornalismo, no passado um fotojornalista em reportagem tinha que ser muito experiente e extremamente profissional, ele não podia falhar o click, não havia segundas hipóteses para correcção de parâmetros. Posteriormente à reportagem havia que correr para um laboratório onde se seguia a revelação, de seguida passavase ao envio para os meio de informação (normalmente pelo correio) o que muitas vezes levava dias, mediante o local para onde eram enviadas as imagens, hoje em dia isto era impensável e todo este processo foi mais uma vez simplificado com as novas tecnologias neste ultimo caso a internet, um email com uma imagem pode dar a volta ao mundo em poucos segundos. Mas recentemente já existem camêras digitais que permitem ao utilizador ligações wireless no caso de existência de redes, o que torna ainda mais simples este processo, isto permite o envio da imagem directamente da câmara sem necessidade sequer de um computador. Jorge Filipe Pires

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Mas afinal onde começa e acaba o nosso bem-estar? O nosso prazer, o gosto pelas mais diversas actividades…Não terá aquilo que comemos, influência? A alimentação foi desde sempre uma prioridade para a sobrevivência do ser humano, é uma necessidade básica a que infelizmente nem todas as pessoas têm direito, e é incompreensível que nos dias que correm continuem a morrer de fome milhões de pessoas. No entanto existe também uma situação algo contraditória, pessoas que morrem por uma alimentação descuidada ou desmedida. Então onde devemos situar-nos? Há de certeza um meio-termo destas duas contradições, um equilíbrio que devemos seguir para que possamos estar mais saudáveis e com uma melhor aptidão física. Em 1977 foi criada a roda dos alimentos, com a função de orientar as escolhas e combinações alimentares que devem fazer parte de um dia alimentar saudável, é uma representação gráfica circular que pretende dar a conhecer os grupos de alimentos e a sua porção recomendada a ser consumida, noutros países esta representação gráfica é em forma de pirâmide, de forma a hierarquizar os alimentos sendo que os do topo são os que estão em menor quantidade, logo os que devem ser ingeridos com menos frequência. Recentemente a nossa roda dos alimentos que era constituída por cinco grupos, (Leite e derivados / Carne, peixe e ovos / Óleos e gorduras / Cereais e leguminosas / Hortaliças, legumes e frutos) foi reestruturada e passámos a ter sete grupos de alimentos, (Cereais e derivados, tubérculos – 28% / Hortícolas – 23% / Fruta – 20% / Lacticínios – 18% / Carne, pescado e ovos – 5% / Leguminosas – 4% / Gorduras e óleos – 2% ) foi ainda nesta alteração que surgiu a percentagem de alimentos que é recomendada diariamente, e a inclusão da água ao centro da roda. (alguma informação retirada de wikipedia)

Esquema Ilustrativo da roda dos alimentos.

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Obviamente que por vezes não é fácil seguir com rigor esta informação, os nutrientes são substâncias indispensáveis ao funcionamento do organismo, e que obtemos através da alimentação e a nossa saúde depende das quantidades com que eles nos chegam, daí que devemos seguir o mais possível estas indicações alimentares. Um dos elementos bastante importante na alimentação é a ingestão de fruta, nelas podemos encontrar uma variedade de nutrientes, vitaminas e sais minerais. Uma das vitaminas mais faladas quando pensamos na fruta é a vitamina C, esta vitamina está muito presente na laranja e no ananás, ambas são frutas que em dias quentes possuem um alto poder refrescante e que repõe as calorias, logo um alimento a ter em conta nestes dias. Outra das tão faladas propriedades da vitamina C é o seu poder de ajudar a curar gripes e constipações, mas não é apenas isto, ela é também recomendada como efeito de anti-envelhecimento e na prevenção de doenças cardiovasculares. Existem outros alimentos a ter em conta no que toca à vitamina C, tais como os tomates, bróculos e todos os tipos de couves, no entanto devemos ter em conta que esta se degrada com o calor e oxida facilmente, devemos conservá-los em locais frescos e devemos ter em conta que estes alimentos não devem permanecer mais do que 20m a serem cozinhados. Um dos grandes problemas dos dias que correm é o crescimento dos estabelecimentos de Fast Food e a crescente procura da nossa parte pelos mesmos, o nosso dia-a-dia bastante preenchido faz com que muitas vezes acabemos por recorrer a estes estabelecimentos para que sejamos servidos de uma forma mais rápida e também mais económica. Nas cadeias de Fast Food conseguem-se fazer refeições ao preço de 2.5€, existe até uma campanha da tão conhecida “Mcdonalds”, que oferece um Hambúrguer por apenas 1€, ora isto leva muitas pessoas a optar por estas refeições. Outra realidade é a instalação de superfícies comerciais que possuem este tipo de ofertas junto das escolas, é um factor que traz algumas preocupações, pois os jovens acabam por preferir fazer uma refeição de Fast Food do que uma alimentação cuidada nas cantinas das escolas no entanto a ingestão de Fast Food se não for uma prática diária ou regular não tem qualquer inconveniente.

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O problema é que por muito que os media nos tentem transmitir cuidados a ter com a alimentação, quer através de programas como debates televisivos, quer por publicidade, é difícil chegar aos mais jovens, a estes essa informação deve ser passada como forma de educação pelos pais. Isto porque existe uma máquina chamada E.U.A que controlam a maior parte das cadeias de Fast Food mundiais, e com uma capacidade financeira enorme conseguem atropelar tudo e todas as campanhas que se possam fazer contra este tipo de alimentação. Em 2004 foi lançado o filme “Super size me” um documentário levado ao extremo pelo actor, que durante trinta dias apenas comeu no “Mcdonalds” obviamente que o resultado final foi desastroso, uma série de doenças contraídas, ainda que extremista este documentário pretendia alertar para os perigos da ingestão continuada de Fast Food.

Fast food VS Alimentação equilibrada.

Em compensação de uma alimentação cuidada devemos praticar exercício físico, e não é preciso muito, por vezes uma caminhada diária de 1h é o suficiente para obtermos algum ritmo físico. Desde sempre fiz várias caminhadas, pois um dos meus grandes interesses é a natureza e montanha (trekking), consegui incutir esse espírito e esse gosto à minha namorada e juntos temos por o hábito de realizar alguns percursos pedestres pelo

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país, sendo que as maiores aventuras nesta área aconteceram em 2006 e 2007 respectivamente dos Picos de Europa, Sierra de Gredos e nos Pirinéus. No entanto após o ano de 2008 reduzi significativamente esta actividade física, e agora dois anos depois começo a sentir algumas consequências disso, uma vez que a minha actividade profissional leva a que passe muitas horas sentado, e por vezes numa postura não correcta, comecei a sentir algumas dores de costas, que estou agora a corrigir com a prática de natação, é então ponto assente que a actividade física é algo de extrema importância para o bem-estar pessoal, mas existe algo de muito importante e que me parece um pouco esquecido.

Eu próprio durante um Trekking na Sierra de Gredos.

Quais os custos monetários para praticar exercício físico? É certo que para caminharmos diariamente não necessitamos mais do que vontade e tempo, mas será isto o suficiente? Há um claro aproveitamento dos ginásios nesta área, numa altura em que tanto se fala na prática de exercício físico, não seria de tentar regulamentar de algum modo as taxas cobradas por estes aos utentes? Por vezes são preços desmedidos onde se torna difícil, ambos os membros de um casal com uma condição de vida da classe média possam estar inscritos.

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Obviamente que os rendimentos das famílias são variáveis, quer pela profissão que exercem, o tempo a que a exercem e mesmo pelo local onde se encontram. Tenho um orçamento mensal em conjunto com a minha namorada ao qual seria impossível retirar 40€ a cada um de nós para pagar um ginásio, por sorte a empresa onde ela trabalha possui contratos de publicidade com ginásios com preços especiais para os funcionários. Faço um orçamento mensal em que a base são as despesas fixas, como a renda, gastos com alimentação, energia e água, TV e internet, crédito automóvel e combustível a partir daqui é a gestão do restante. A uma renda mensal de 350€ há sempre que juntar 200€ para as despesas da casa, e 150€ para o crédito automóvel, e 150€ para o combustível dos nossos dois automóveis. A partir daqui tento sempre fazer algumas poupanças, daqui é gasto algum dinheiro em lazer, como o caso de algumas viagens de fim-de-semana, alguns espectáculos musicais e claro juntar algum dinheiro para quando chegam as férias, como as que se avizinham e a possível viagem à Grécia. Uma das grandes razões da economia estar no estado em que se encontra foi a facilidade ao crédito dadas pelas instituições bancárias ou pelas empresas financeiras que começaram a surgir um pouco quando começou a corrida aos créditos, nesta altura havia uma enorme oferta de crédito e uma facilidade tremenda em consegui-la. Aqui começou o endividamento das famílias, para qualquer coisa era pedido um crédito sem que houvesse a mínima garantia que este conseguiria ser pago, existem vários tipos de créditos, crédito à habitação, crédito automóvel, crédito pessoal, crédito ao consumo, o que começou a acontecer é que existiam pessoas que tinham todos estes créditos, e por vezes mais do que um, no caso do crédito pessoal é muito recorrido hoje em dia para viagens de férias, algo com o qual não sou plenamente de acordo. Isto tornou-se para muitas famílias impossível de aguentar e a solução passou para muita gente pelo recurso ao Crédito Consolidado, ou seja a reunião de todos os seus créditos numa única prestação mensal. Para as minhas viagens tento sempre fazer um planeamento e uma poupança anual, e há também um factor importante, a organização de todas as despesas anuais, que podem ser apresentadas no IRS tais como despesas médicas, renda, e investimentos Jorge Filipe Pires

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na área de informática etc. Só assim nos é possível retomar algum dinheiro quando chega a altura da apresentação da declaração anual de IRS. Hoje em dia é relativamente fácil o preenchimento da declaração de IRS principalmente quando somos trabalhadores por conta de outrem, no meu caso bastam-me os anexos “A” e “H” do modelo 3 para o prendimento da declaração, os dados base já estão previamente preenchidos pela DGI, depois basta confirmá-los, e ir adicionando as despesas pessoais nos devidos campos. Quanto a mim esta informatização do sistema de finanças, foi uma das maiores armas de combate à invasão fiscal, pois todos os bens pessoais estão declarados, e toda a informação prestada pelos contribuintes é depois usada em cruzamentos de dados que permitem detectar infracções fiscais, e falsas declarações. No entanto e apesar desta situação de evasão fiscal já estar mais controlada sinto que nunca será dada por concluída, haverá sempre corrupção, fugas ao fisco, etc…, e o mais grave de tudo isto, quase sempre praticadas pela alta sociedade, que acaba quase sempre impune de tais actos, muitas vezes com a conivência de altas patentes.

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The element, who am I inside It’s always difficult when we have to talk about ourselves, it’s easier when we look to the others and we try to describe them and make judgments about them. When I look deep inside (and that’s one of the things that this “RVCC” process is doing to me all the time) I always find something new, something that I had already forgotten, memories… I think I’m not a difficult person, I always try to do the things without being stressed, with a lot of calmness, and that causes me to be a little bit lazy sometimes. Like everyone I sometimes have my breaks and, during those moments, I like to be out of all and of everything. Since very early, in the beginning of my life, maybe when I was eight years old, I became a scout for twelve years until I was eighteen. And that led to me a big passion and respect for the Nature and when my problems come it is my medicine for its silence is for me a kind of therapy. A few years after I started another old passion, I began to think that it was nice to take some pictures of some moments and this is how my passion for photography was born. When I was fifteen I bought my first camera; in that time digital cameras were just a mirage. Now I turn on myself to the digital world and I just use digital process in my pictures. Over these last three years I’ve published more or less seven hundred pictures in www.olhares.com/jorgefpires and a few ones more in www.podiumfoto.com/jorgefpires and I’ve also published some photos in magazines of the theme. The next step was the construction of my own website, I have done it all by myself, it was my first website construction and it is always being changed. When I remember something that I can change, it’s time to read about it and learn how to do it. I am an autodidact so I have to read a lot to do and change something on the website. Of course when I see that I’m not able to do it alone I have to ask someone expert in the area for help - I am not the kind of person than prefers not to do things than having to ask for help … it can be seen in www.jorgefpires.com - the words I write on the front page explain a little bit my feelings for nature and what I want to show with my images : “... particularly I like nature photography, landscapes, what delights me in the capture of an image is to forever immortalize the moments ... the only way I think a picture can make sense, is when the one who is watching feels himself in a certain location even without ever having been there ...” I’m a person that values so much our feelings; I don’t know how to explain it very well, but I think it has something to do about my quick growth. My father died when I was twelve which made me a different person in that time - I grew up so quickly and it brought me maturity faster than it was expected. But that’s past, and of that period I like to keep the good memories. The good moments that we spent with the ones that have already left have to be keep in the best place of our heart and mind, they are so personal that they don´t have place in any computer … even the best computer in the world with the biggest hard disks cannot keep them… There is another thing that makes me feel very good, I love to go into the swimming pool and have my swimming time, I do it twice every week; it should be a thing that all people should do. I had some back problems because of my position at work and now I’m beginning to feel very well. Combining good meals with the practice of sports we can have a better quality of life. It is not necessary to be a strong practice; the correct thing is a regular practice. One of my favorite food dishes is codfish, the fact of being born in Venezuela make that a little bit strange but I came to Portugal when I was five years old and all my mother’s family were fishermen, so that explains my choice when someone asks me about my favorite food. I come from Venezuela when I was very young and I never went back, so now I feel that I’m a Portuguese man and along with the codfish I never say no to a nice cup of white wine 

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A confluência do meu eu, com a minha vida profissional‌ Jorge Filipe Pires

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Toda a nossa vida é feita de controvérsias, diferentes formas de estar, diferentes formas de pensar e de agir, estes são alguns dos factores possíveis de desencadear conflitualidade entre as pessoas. Desde sempre a conflitualidade faz parte da vida do ser humano, e por muito que tentemos evitá-la existem sempre situações que nos levam a elas. No caso dos conflitos pessoais (os mais comuns entre os humanos), é frequente depararmo-nos com eles nas mais variadas situações diárias, ou porque discordamos de determinada opinião, ou porque achamos que determinada pessoa não teve a atitude mais correcta, ou porque simplesmente estamos chateados e acabamos por responder mal a alguém… A maior parte das vezes a solução para os conflitos passa pelo diálogo, no entanto nem sempre o conseguimos ou somos demasiado orgulhosos para admitir que errámos e preferimos o silêncio como forma de resolução, esta não será de todo a melhor solução, podemos pensar que “já passou está tudo bem…” mas o nosso subconsciente guarda sempre algo, que mais cedo ou mais tarde pode desencadear um novo conflito. Não sou de todo uma pessoa com tendências conflituosas, no entanto é impossível que qualquer um de nós nunca tenha passado por conflitos. Toda a minha vida fui uma pessoa com ideias muito fixas, com pensamento próprio, com vontade de questionar o porquê das coisas serem assim. Quando comecei a trabalhar na VA, era ainda um jovem, no entanto essa condição já fazia parte de mim, e havia ali coisas que para mim eram incompreensíveis. Trabalhei em conjunto com uma sala de desenho, onde trabalhavam cerca de 15 desenhadores e dois fotógrafos, eu e a pessoa que trabalhava comigo, não entendia como aquelas pessoas eram proibidas de falar umas com as outras, ou tinham receio de o fazer por medo de represálias da pessoa que chefiava esse sector. O tempo foi passando e eu com a minha irreverência nunca fiz caso disso, sempre fui falando com os meus colegas, comecei cedo a ser repreendido por tal, e a determinada altura começam os meus conflitos com a pessoa em questão.

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Apesar de não ter vivido o 25 de Abril dava-me a sensação que este não tinha passado por ali, eram as mentalidades retrógradas que se impunham e que faziam com que fosse assim. Tentei das mais variadas formas mudar isso, o diálogo a principal forma de resolução não era bem sucedido, foram quatro anos neste departamento, perdi a conta às vezes que tentei fazer com que fosse diferente. Até que ao fim de quatro anos fui afastado, aqui não houve sequer hipótese de conseguir chegar a um acordo, mas isto no fundo para a minha vida profissional foi o melhor que poderia ter acontecido, hoje em dia tenho uma relação normal de colega de trabalho com a pessoa em questão. Somos por natureza inconformados e isso é bom, é isso que nos faz querer sempre mais, e no mundo profissional isso acontece várias vezes. Por diversas vezes damos por nós a pensar que podíamos ser mais bem remunerados, que deveríamos ter direito a escolher as nossas férias, de receber as nossas horas extraordinárias…No que toca ao salário já algumas vezes tive necessidade de o renegociar, e sempre o consegui com base no diálogo demonstrando e dando provas de que o meu trabalho é útil, de que sou necessário na empresa, e neste momento estou de novo nesse impasse de negociação de salário, o problema neste momento a condição económica de crise que atravessamos está a dificultar esse processo, apesar das várias reuniões com o responsável do departamento ainda não foi possível chegar a um acordo, não por culpa deste, mas face à conjuntura económica a empresa alega não ser possível neste momento, no entanto e recentemente foi possível integrar o meu prémio de trabalho nocturno no meu salário o que é uma mais-valia para o caso de deixar de trabalhar à noite. Mas o grande problema é que para dar um passo importante na vida necessito de um pouco mais de estabilidade financeira daí que a próxima etapa passa mesmo por uma reunião com o director da empresa para tentar pelos meus meios explicar essa necessidade de ajuste salarial. Obviamente que não podemos apenas pensar na parte financeira, mas sim na grande vantagem que é estar empregado, neste momento que atravessamos. Nos dias que correm é cada vez mais difícil conseguir uma estabilidade empresarial um pouco por todo o mundo. Cada vez mais as empresas recorrem a uma política de emprego pouco digna para os trabalhadores. Jorge Filipe Pires

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A condição dos mercados retraídos levou a um aumento do desemprego, o que permite às empresas a rotação dos seus trabalhadores com frequência, evitando assim contractos

efectivos,

os

trabalhadores

trabalham

em

contratos

pequenos

normalmente de três a seis meses, o que dificulta em muito a situação familiar pela instabilidade profissional. No entanto na altura em que entrei para o mercado de trabalho, esta era uma situação que ainda não se verificava, ao fim de três anos passei a contrato efectivo na empresa onde trabalho há doze, durante este tempo felizmente sempre foi possível usufruir de grande parte dos meus direitos enquanto trabalhador, coisa que em muitas empresas não é possível ou tende a desvanecer. São vários os direitos dos trabalhadores, por exemplo um desses direitos é o direito à formação, desde cedo tive formação na empresa, mas não penso apenas nos direitos do trabalhador mas também tento sempre ser exemplar, cumprir também os meus deveres como trabalhador, é que alguns deles estão directamente ligados, como por exemplo o caso da assiduidade, isto se quisermos ter direito aos três dias de férias extra a somar aos vinte e dois que a lei determina como legais. É importante frisar que durante estes doze anos a VAA apesar de todas as dificuldades económicas que tem vindo a passar, sempre conseguiu com que os seus funcionários recebessem atempadamente os seus salários bem como as regalias salariais extra, caso do subsídio de férias e do subsídio de natal. Durante este tempo houve enormes modificações internas, sendo que a maior foi a inclusão dentro do grupo Vista Alegre Atlantis. Quando a empresa se designava de Interdecal, e apesar de fazer a maior parte do trabalho para a VA, não havia um contrato de exclusividade com esta, o que permitia também a realização de trabalhos para outras empresas. Após a inclusão ficámos exclusivamente vinculados à VA, e apesar de algumas quebras na nossa produção isto iria permitir-nos ser mais precisos no que toca aos cumprimentos de prazos. Este processo, algo moroso e complexo, teve uma nítida melhoria com a integração da empresa no grupo, pois, tal como referi atrás, permitia uma maior concentração apenas no trabalho da VA. No entanto e a meu ver a grande melhoria veio através da criação de novas instalações. Passámos de um gabinete, onde por vezes chovia no

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interior, para umas instalações novas. Estas situam-se no interior da própria VA o que também permite, uma maior proximidade com a produção facilitando pequenas e rápidas correcções. É um processo que nunca se pode dar por concluído, quer pela evolução das tecnologias quer pelas necessidades que nos vão surgindo, mas se para nós já está em avançada evolução para outros está apenas no início. Há cerca de dois anos atrás recebemos durante um mês, dois funcionários de uma empresa Brasileira que fabricava os decalques para a extinta Vista Alegre Brasil, o objectivo era a troca de informação de modo a que estes tivessem contacto com o nosso sistema e conseguissem ganhar algum conhecimento, uma vez que os sistemas que eles utilizavam já se encontram ultrapassados. Esta interacção de diferentes formas e maneiras de trabalhar, é importante para entendermos onde nos situamos ao nível tecnológico, que inovações existem e que outros sistemas são utilizados. Neste caso em particular, foi muito mais a informação que fornecemos do que a que recebemos, mas a parte pessoal está também em causa, e obviamente aqui se criam sempre alguns laços de amizade, confesso que quando conheço alguém de outro País ou de uma diferente cultura, tenho imensa vontade de lhe dar a conhecer os nossos costumes as nossas tradições, os nossos locais turísticos… Os anos 90 foram fulcrais no crescimento da indústria gráfica, a empresa onde trabalho actualmente faz agora parte do grupo VAA (Vista Alegre Atlantis). No entanto, esta empresa quando era um empresa independente, ganhou nos anos de 1998 e 1999 o prémio de melhor PME (pequenas e médias empresas). Esta meta foi alcançada com uma vasta inovação tecnológica na área de desenho gráfico e fotografia de artes gráficas. Há apenas dez anos atrás 70% dos decalques consumidos na Vista Alegre eram fruto de um rigoroso e artístico processo de desenho manual e separação de cores. No entanto, com o crescimento dos mercados e a necessidade de respostas cada vez mais rápidas, este era um processo que começava a não conseguir dar a melhor resposta. A solução passou pelo investimento em softwares dedicados ao desenho decorativo:

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“mosaic” e “arabesque”, estes são os únicos softwares informáticos no mundo para a área de desenho gráfico dedicado ao mercado cerâmico, e separação de cores. O investimento foi só e apenas a parte mais simples, logo após veio a formação específica, no meu caso tive formação na empresa durante quinze dias com os técnicos que venderam o Software, infelizmente não tive a sorte dos meus colegas que fizeram a formação na Belgica na sede da empresa Esko Graphics. Mas o mais importante era mesmo a aptidão, e essa estava conseguida por isso a partir de aqui era colocar mãos à obra… Estas mudanças não são fáceis, havia um emaranhado de decorações que eram desenhadas em sistema manual e que com a entrada dos sistemas informáticos tinham de ser contratipadas (é muito mais complicado contratipar uma decoração do que desenhá-la de início em computador). Foram necessárias muitas horas de trabalho (muitas vezes prestação de trabalho suplementar, situação que consta como legal em situações de adaptabilidade no código dos direitos do trabalho, desde que por semana haja pelo menos um dia de descanso), isto aconteceu até termos tudo o que era manual pronto a desenhar em computador, mas só assim se conseguiu ultrapassar a barreira do tempo, os limites e prazos de entrega cada vez mais curtos. Hoje em dia é precisamente o inverso: 85% do fluxo de trabalho passa pelo nosso departamento, a antiga sala de desenho ficou reduzida a duas pessoas, em apenas oito anos passou de dez desenhadores para dois, e o sector de fotografia de artes gráficas desapareceu. O pouco desenho manual que se faz, é depois passado para computador a partir de digitalizações em alta resolução e é depois finalizado já em sistema digital.

Passado bastante longínquo na Vista Alegre

A actualidade

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Mas tudo isto tem um preço, ma vez que cada licença de software para cada computador tem um custo de 30000€ a empresa desde cedo decidiu que iriam haver apenas dois computadores com os softwares instalados, e tentar rentabilizar ao máximo as mesmas. Assim ficou decidido que iríamos trabalhar os quatro em dois turnos, manhã e tarde. Deste modo com trabalho de equipa conseguimos dar melhor resposta às necessidades de produção que nos surgem. Normalmente o trabalho é passado de uns para outros consoante as mudanças de turno, nem sempre é fácil porque todos temos diferentes maneiras de trabalhar. Para que isto funcione é necessário haver comunicação interna, daí que nós fazemos uma hora de sobreposição do turno da manhã para o da tarde, de modo a que tudo fique bem esclarecido para quem vai continuar com um determinado trabalho. Tentando explicar o meu trabalho de uma forma simples: A base de todo o nosso processo é em 1º lugar a orçamentação de todos os trabalhos pelo departamento comercial. O custo de uma determinada peça decorada é calculado pelo preço da peça em branco, ao qual é somado o valor da decoração (decalque), através do nº de cores e respectiva área de desenho, (para que se compreenda melhor, imaginemos um desenho com uma área de 10cm x 10cm, quando este estiver em produção, um layout de impressão leva muitos mais motivos do que se o desenho tiver 20cm x 20cm, logo menos folhas a imprimir, menor custo, o mesmo se passa com o nº de cores, quantas mais cores mais caro fica o decalque uma vez que cada cor é uma impressão) Depois de aprovado o orçamento, passamos então às provas de cor, é feito apenas um ensaio de uma peça que permite ao cliente a sua aprovação e referenciar possíveis correcções. Após este último passo são colocadas as encomendas de decalques através do sistema de gestão de stocks da empresa, e é realizada a fotomontagem dos layouts para produção, tendo em conta o melhor aproveitamento possível em função das quantidades pedidas e com vista a um menor número possível de folhas a imprimir.

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O processo de desenho decorativo tem início com a recepção de maquetas de designers, estas podem chegar-nos por via digital, em papel (pintura), ou mesmo cerâmica (pintura), posto isto segue-se a parte do estudo de adaptação das mesmas a todas as peças pretendidas. Quando as maquetas chegam por via digital, este processo simplifica-se poupando-nos a necessidade de fazer “scanners” aos originais, mas isto nem sempre é bom uma vez que com o nosso “scanner” conseguimos digitalização em alta resolução e com enorme detalhe coisa que não acontece na maior parte dos “scanners” que recebemos por “mail”. Com o nosso “scanner” conseguimos digitalizações superiores a 5000dpi, ainda que a nossa plotter de impressão apenas imprima a 2540dpi, é necessário que todos os pormenores estejam bem definidos para uma perfeita separação de cores, só assim as nossas reproduções conseguem ser o mais fiéis possível aos originais, outra das grandes vantagens deste “scanner” é a capacidade de digitalizar peças a 3d, no caso de um prato com uma imagem no fundo ele consegue uma focagem com profundidade de 10cm. Toda esta parte do meu trabalho foi conseguida com muita aplicação profissional, não só prática mas também muito teórica, por vezes é necessário saber como funcionam os softwares e para isso é importantíssima a leitura dos manuais dos mesmos, bem como técnicas em manuais da especialidade e até na internet para obter determinados resultados finais. Ainda assim existem pequenos “truques” que são normais no trabalho de cada pessoa, quase que como os pequenos segredos dos grandes chefs de cozinha que nunca são revelados. Todo o processo está estudado de modo a que a maior parte das vezes o resultado final seja positivo, mas tal nem sempre acontece pelas mais variadas condicionantes, tais como variações de temperatura, erros no tamanho das peças finais aumento ou diminuição, o que faz com que os moldes que estudámos para uma determinada peça acabem por não bater certo, ainda que anteriormente tenham sido testados. É aqui que começam alguns dos nossos problemas técnicos, por exemplo imaginemos um prato com um diâmetro de 200mm se o decalque for uma banda a cheio colorida e com 40mm de largura e ainda com uma tinta com pouca elasticidade, o decalque deve ter 190mm para que seja exequível, de modo a que não tenham de cortar a banda de decalque para conseguir esticar e estampar. Temos sempre de calcular os diâmetros Jorge Filipe Pires

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das peças (pratos) para conseguir o melhor “fitting” no caso de peças em que o molde é curvo mas não são circunferências trabalhamos algumas vezes com o perímetro das mesmas, o perímetro é também o que nos é pedido quando tratamos de alterações de decalques cortados, imaginemos uma decalque circular de 200mm em que depois de cortado e antes de esticar o decalque faltam 10mm para a sua aplicação, aí é-nos pedido que seja realizada uma correcção com aumento de 10mm no perímetro. Logo o cálculo realizado é em primeiro lugar saber o perímetro dos 200mm: A formula é : 2 x πx R ou seja 2 x 3,14 x 100 = 628 este é o nosso perímetro, acrescentando os 10mm : 628+10=638, agora segue-se o inverso, voltar a ter o diâmetro D = C /π sendo que D – diâmetro, C – perímetro, π≈3,14, então temos 638/3,14=203. Veja-se que o diâmetro sofreu apenas um aumento de 3mm para o pedido de 10mm no perímetro. Existem também questões técnicas com densidades e percentagens de ponto nos trabalhos com as quais temos de lidar com algum cuidado, dito desta forma é algo que não é muito perceptível, mas é algo relativamente simples de entender, quando tratamos uma imagem para separação de cores temos de ter em conta que se queremos uma zona da imagem mais escura ela terá de ter mais densidade e percentagem de ponto do que uma zona clara, isto permite fazer com que uma imagem possa ter tonalidades de cor diferentes ao longo dela, ainda que a cor seja sempre a mesma, para isso temos de analisar a imagem e calcular através de um densitómetro a melhor escala de ponto, para que em futuros trabalhos se possa fazer este controle e não haja variações tonais em futuras produções da mesma decoração.

Ilustração 1Ilustração 2

Imagem de um decalque para um prato e separação de uma cor com percentagens de ponto variáveis e diferenças tonais para a mesma cor, quanto menos percentagem de ponto mais clara fica a cor.

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Mas o trabalho segue um pouco mais além dos computadores, apesar da minha actividade não ser considerada uma actividade de risco existem sempre alguns, um deles prende-se com o manuseamento de químicos de uma máquina de revelação de fotolitos, esta é uma reveladora com um funcionamento similar às máquinas de revelar raio-X dos hospitais. Nestas máquinas o processo é o normal de revelação, a película fotográfica sai da câmara escura e entra em revelação, passando por três tanques, revelador, fixador e água, o último processo é a secagem. Obviamente que estes químicos se gastam e quando temos de encher os tanques, há que ter alguns cuidados, evitar o contacto directo dos líquidos com a pele (uso de luvas), evitar obviamente o contacto com os olhos (uso de óculos de protecção) acho que no local onde se encontra a reveladora seria de extrema importância que houvesse sinalética referente a estes químicos e à sua devida utilização, no entanto e vai-se lá saber porquê ela não existe… Como será de prever estes resíduos líquidos libertados pela revelação não são canalizados para a rede de esgotos, existe um tanque de 1000lt que vai depositando os líquidos libertados, quando este enche é activado um sinal sonoro, e o liquido é transferido para recipientes próprios que são transportados posteriormente por uma empresa para que sejam devidamente tratados. No passado havia separação do revelador e do fixador em dois tanques, é que a película continha bastante prata que era libertada em contacto com o revelador, assim toda a prata que saía juntamente com o liquido era depois filtrada por uma máquina especial e comercializada pela empresa, o elevado custo deste filmes fez com que as empresas arranjassem outras soluções e este deixou de ser fabricado. Aliás neste momento e também com o avanço da tecnologia digital este sistema está também a desaparecer, já existe uma máquina capaz de passar directamente o trabalho do computador para a secção de impressão, conseguindo resultados muito mais próximos do original e muito mais constantes de produção para produção, o problema é que um investimento de 200.000€ está praticamente fora de questão. Voltando ao gabinete, nesta área há algo também de muito importante, os monitores, trabalhamos com monitores HD, Lacie e NEC, foram as melhores escolhas dentro da relação preço/qualidade. Estes monitores necessitam de estar devidamente calibrados no que toca à cor, brilho e contraste, para esta calibração é necessária a correcta Jorge Filipe Pires

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identificação das fontes de luz da sala e um determinado tempo em que o monitor esteja ligado, só depois se processa a calibração, assim a imagem que vemos está o mais próxima possível do trabalho final depois de impresso. À direita imagem ilustrativa da calibração de um monitor

Os nossos computadores, foram também escolhidos de acordo com as especificidades dos softwares, e eles são tão específicos e tão dedicados que a empresa fabricante, optou pela encriptação dos mesmos através de um “usb dongle”, este “dongle” tal como o nome indica é uma chave, que possui um circuito electrónico, com uma determinada licença, evitando assim a utilização ilegal do programa. Esta licença que é introduzida no programa é criada num código encriptado de “HASP” e única para cada PC. Como é óbvio e com um investimento desta dimensão toda a sala está protegida com sistema contra incêndios, tanto auto detecção de fogo como sistemas de extintores devidamente sinalizados, como obrigam as regras HST (higiene e segurança no trabalho). Dentro do nosso sector todos recebemos formação de combate a incêndios, isto foi muito importante, porque no caso de um eventual acidente estaremos mais preparados para o enfrentar, seguindo todas as regras e técnicas que nos foram ensinadas, em caso de incêndio existe toda uma série de procedimentos que deve ser seguida, desde a saída ordeiramente e pelas respectivas portas de emergência à deslocação para os pontos de concentração destinados para o efeito no plano de segurança da VAA. Falando deste modo para quem lê dá a sensação que a VA se confina a um gabinete onde trabalham apenas quatro pessoas, mas só quem está cá dentro tem a noção da envergadura da empresa e compreende um pouco de toda a logística necessária para que tudo funcione sem falhas ou com o mínimo de falas possíveis. Aqui entra a informática noutra área, como softwares de gestão de stocks, softwares e sistemas de

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controlo de qualidade, softwares de controlo de recursos humanos, etc. Todos recebemos a cada final do mês o nosso recibo de vencimento, nele constam os nossos ordenados, prémios, faltas, e obviamente os respectivos descontos (de referir que este é também um dos direitos do trabalhador). Todo este processo é informatizado desde que um funcionário pica o cartão há hora de entrada até há hora de saída, no final de cada mês o sistema lança automaticamente os respectivos recibos. Seria quase impensável hoje em dia fazer esta gestão sem apoio informático. A programação é a base de toda a informática, ela está presente em todas as aplicações informáticas, desde sistemas operativos a programas dedicados, e mesmo aos websites, com certeza que todos os dias visitamos websites, mas afinal o que está por trás da página bonita que visitamos? Existe um emaranhado de programação por trás de cada página Web que abrimos, desde código htlm, a código css, java script, etc… Exemplo disso é abrir uma página web por exemplo (www.sapo.pt) agora clicar com o botão do lado direito do rato e de seguida escolher “ver código de fonte” toda esta quantidade de texto não é mais que o “html” da página, e isto é apenas um pequeno exemplo. Mas é este código base escrito por programadores que depois dá forma ao webdesign, às cores de um site, ao tipo de letras, aos botões, janelas, à disposição das imagens, às distâncias entre os elementos. É esta linguagem escrita e toda a base de texto de um site que permite aos motores de busca encontrar determinadas palavras que constam de um determinado site, mesmo que elas não tenham sido adicionadas no mesmo como “keywords” Também esta era digital permitiu um crescimento dos “media” num curto espaço de tempo. A internet é com certeza hoje em dia o veículo de comunicação mais rápido do mundo, consegue-se difundir informação, a uma velocidade incrível. A título de exemplo, refiro recentemente a queda de um artista num directo de TV, e que após 2m era lançada no YouTube, obviamente que no dia seguinte abriu capas de jornais, mas já tinha dado a volta ao mundo 10h antes, veja-se a diferença. Nos dias que correm todos os jornais Nacionais impressos optaram também pela informação via Web, é uma maneira de estarem actualizados ao minuto, e também

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uma forma de levar as pessoas muitas vezes a comprar o jornal quando lêem um pequeno excerto de uma notícia, que apenas está completa na versão em papel. No entanto sinto que esta informação ao minuto nem sempre é feita com o melhor rigor, todos querem difundir em 1ª mão as notícias o que leva sistematicamente a erros noticiosos que por vezes são graves, existem também com frequência em noticias que leio na internet erros ortográficos, não sei se devido a uma nova geração de jornalistas mais despreocupados se devido a falta de correcções ortográficas pessoais, como acontece nas versões impressas, em que antes da impressão o jornal é revisto mais do que uma vez por diferentes pessoas. Também a televisão sofreu enormes alterações durante este processo de evolução, veja-se a diferença que havia há alguns anos atrás, por exemplo na emissão de uma transferência em “directo” que envolvia um enorme staff técnico, montagens de antenas em locais estratégicos etc… Hoje em dia três pessoas são suficientes para o fazer, basta um operador de câmara, um jornalista e um editor de imagem e temos as noticias a chegar à nossa “caixa mágica”. Não sei se este termo se aplicará às televisões durante muito mais tempo uma vez que estas já praticamente não possuem a caixa que lhe dava tal designação, e a magia, essa também se foi esvanecendo no tempo…O próximo passo da evolução da televisão em Portugal será a chegada da TDT (televisão digital terrestre) a TV analógica será desligada a partir de Janeiro de 2012. A evolução constante da tecnologia é um processo de transformação a cada instante, ainda que a nossa percepção disso apenas acontece sempre que chega um novo produto aos mercados, há empresas a trabalhar 24h por dia para que tal aconteça. Mas se uns trabalham para nos trazer novas tecnologias outros há que trabalham para dar um destino às coisas que deitamos para o lixo, isto quer se tratem de equipamentos electrónicos, quer o próprio lixo que produzimos. A palavra-chave é reciclar, e ainda que nem todos os produtos possam ser reciclados a verdade é que com grande parte deles tal já é possível, e mais que isso é possível dar-lhes um destino ou uma aplicação totalmente diferente da que tinham anteriormente. Também a nível profissional há que ter uma consciência da importância da reciclagem, a começar no papel, passando pelos tinteiros, pela verificação se é mesmo necessário Jorge Filipe Pires

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imprimir este ou aquele email, reutilização de papel, até ao ponto de para onde vão os materiais informáticos quando acabam o seu tempo de vida. Tal como acontece com os líquidos que produzimos e que são devidamente tratados por empresas especializadas, o mesmo acontece com o chamado lixo informático, é muito importante que cada um de nós tenha essa consciência, e no caso de quem trabalha com documentos em papel ainda mais, todos nós temos a consciência do problema de abate da floresta para o fabrico de papel bem como da quantidade de poluição libertada pelas fábricas de celulose. Um dos trabalhos mais significativos que vi feito com materiais aos quais o último destino conhecido tinha sido as lixeiras, foi o trabalho de “João Ricardo de Barros Oliveira”, João define-se como músico-escultor-sonoro, e como o próprio diz as lixeiras são a sua biblioteca, a partir de objectos considerados imprestáveis constrói esculturas sonoras com as quais actua em palco e percorre várias cidades e escolas em performances e workshops. E assim com actividades e campanhas deste tipo em relação à política da reciclagem, esta começa a dar frutos.

Esculturas sonoras de João Barros de Oliveira

Esta produção desmedida de lixo muito tem a ver com o crescimento da sociedade, “do usar e deitar fora…” se recuarmos no tempo vinte anos, não tínhamos metade do lixo que temos nos dias que correm, e muitos dos materiais que hoje começam a ser apelados de reutilizáveis já o eram na altura, exemplo disso são o apelo à reutilização

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de sacos de plástico, antigamente existiam muito menos, as pessoas quando iam ao mercado todas levavam o seu próprio saco ou o seu cesto de vime, hoje começa de novo a ser uma prática comum. Mas há muitos locais do nosso Portugal onde estas campanhas não chegam, o Portugal profundo está cada vez mais desertificado, só que a natureza e as vivências iguais às do passado fazem com que nesses mesmos locais haja menos lixo onde tudo esteja num estado mais puro. Tenho uma paixão por estes locais, visito regularmente várias aldeias perdidas entre montes e vales, em especial na Serra da Arada, concelho de São Pedro do Sul, adoro chegar a estes locais onde a estrada acaba e começa uma nova realidade, um regresso ao passado, onde impera o cheiro da natureza, das árvores, dos animais… Tenho um carinho especial pela aldeia de Covas do Monte e pelas suas gentes, aqui a maior parte das pessoas vive da agricultura (biológica) esta é uma agricultura muito em voga, e com a qual obtemos produtos o mais naturais possíveis, sem adição de pesticidas, fertilizantes ou químicos, também a moda das cozinha gourmet, faz muita referência a estes produtos uma vez que a sua qualidade é de facto superior. A outra grande actividade da aldeia é o comércio de animais, em especial cabras, a aldeia tem um rebanho total de cerca de 2500 cabras que a cada dia é levado ao pasto por um diferente habitante da aldeia. Entre estas pessoas impera a simplicidade, aqui nunca fui mal recebido, como dizia Zeca Afonso “seja bem-vindo quem vier por bem”, e lá ficamos entre algumas conversas no centro da aldeia, em que a mistura de sotaques é bem presente, entre conversas e intimidades vou registando alguns retratos destas gentes que faço questão de levar e entregar aos próprios quando lá volto. Mas até quando tudo isto vai ser possível? É que os habitantes desta aldeia já são todos de uma faixa etária bastante elevada, os mais novos há muito se foram para as cidades na busca de uma vida melhor, como me referia em tempos uma habitante, “deus quando fez o mundo esqueceu-se da gente” e mais à frente na conversa “isto é lindo para vós, que cá vindes de vez em quando” e a verdade é mesmo esta…Há que urgentemente fazer algo por estas pessoas, valorizar o seu património, valorizar os Jorge Filipe Pires

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recantos perdidos deste Portugal, e não vivermos de obras megalómanas de fachada, de investimentos nas grandes cidades, é aqui que entram as autarquias, só elas poderão ter especial atenção por estas pessoas, é que se Deus os esqueceu não deveremos deixar que outros se esqueçam, e não devemos nós também esquecer-nos. As seguintes imagens não necessitam de palavras…

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Onde se acabam as vaidades e os materialismos, onde há pessoas que habitam num local por onde o tempo não passou, gentes de algumas aldeias perdidas, fotografadas por mim aquando de uma das minhas visitas a estes locais. Todos esperam por melhores condições de vida, mas que elas cheguem até eles, pois quem ali viveu uma vida inteira não vai agora partir em busca delas…Esperemos que cheguem rápido evitando a desertificação, evitando que os mais novos continuem a partir…

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Um pouco ao encontro deste meu sentimento em relação às aldeias, transcrevo um poema de Alberto Caeiro em o Guardador de Rebanhos: Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer Porque eu sou do tamanho do que vejo E não, do tamanho da minha altura... Nas cidades a vida é mais pequena Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

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The English language in my day-to-day life, in my job

Ever since my time at school the English language has been one of my favourite subjects. Some years have passed since that time and now I feel that it is an important connection in my job. This begins in the communication with my boss, he is from England and it’s strange, he has been in Portugal for fifteen years and he is not able to speak Portuguese correctly yet, and for us it’s sometimes easier to explain technical details in his language; we know like that he will understand it better. So I think we are the ones to blame for his can’t incapability to speak Portuguese. I work in decorative graphic design. When I was taking the first steps in my job, I attended some training courses related to this software. For three weeks I had lessons with a Belgium girl from the company that sells us the software (my friends had better luck, they had their training sessions in Belgium, mine was in Portugal). Another issue is that we have in our service technical support from the manufactures of the software, they are a Belgium company and so when we need assistance we call them up and have to talk in English but their English is not so good, they have a strange accent in their speech. There is a big bridge between my work and English language, normally all specific software’s are in English and so it’s easier to work when we know what the menus mean and even when you use translated software it is not the same because they have technical terms. Also when I have to read any user manual, like of our monitor or our high resolution scanner, it is nice to look it up in Portuguese but I always have a look at the English version. That happens a lot in my user manuals and menus of the photographic camera, when I put the menu of the camera in Portuguese there are technical terms that don’t make any sense. There is a part of my job that is not in the computer, it’s the step that we have to develop all the work that we draw in computer, the easy way to explain is: all the drawings that we made in the computer are printed in a special plotter that works with photographic film. When the film is already exposed we put it in a developer machine, like the ones used in medicine for RX, but in our case for graphic arts. This machine works with to chemical products, developer and fixer and to handle these products we have to use gloves, because they are not good for our skin, also we have to be careful with our eyes and mouth when handling these chemicals. The company where I work, Vista Alegre, is a certified company so we have regular inspections to get that certification, all the processes have rules and they have to be taken by the employers very, very serious, to avoid job accidents. It begins in the safety signs which are on all the doors, the machines…etc. even the floor is marked with yellow lines that define the places where people should walk and the places where the cars that make the porcelain transportation ride. This company is the biggest porcelain company in Portugal, and one of the biggest and well -known in the world. As all the rest of the world, we are living a big financial crises but the respect that this trademark has, among consumers, makes me have with good expectations towards the future - I hope because I love my job! The company’s location is in my point of view a good location for our business, we are in the center of our country, like that we can quickly make our products get to their destination in a small period of time; also Portugal is in a good location to export to all over the world.

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Aquilo que sou e o que as estruturas e instituições me levam a ser… Jorge Filipe Pires

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Afinal onde começa aquilo que pensamos saber, e aquilo que de facto sabemos? Será que a nossa opinião formada está sempre correcta? Será que aquilo que nos transmitem é sempre a resposta ao que procuramos? Como estão organizadas as instituições Quantos de nós já foram confrontados com situações às quais não tínhamos conhecimento para responder ou agir e tivemos de pedir auxílio a alguém que estivesse por dentro de um determinado assunto, ou mesmo pesquisar de modo a encontrar repostas para o mesmo… Penso que isto é uma situação que terá já acontecido à generalidade das pessoas, uma das minhas experiências neste sentido trata-se da avaria de um equipamento muito importante para mim, a minha camêra fotográfica digital. Há cerca de dois anos tive uma avaria na camêra, entre voltas e mais voltas consegui encontrar a factura de compra, que hoje em dia serve como garantia contra defeitos de fabrico durante dois anos, tive sorte faltavam apenas dois meses para o final do tempo de garantia. Dirigi-me ao estabelecimento onde tinha comprado o equipamento e apresentei a minha situação, a minha máquina tinha deixado de funcionar, simplesmente não ligava, não havia sinais de vida…Entre alguns testes por parte dos funcionários, chegaram à mesma conclusão que eu já tinha chegado há muito, a camêra tinha mesmo morrido. Foi-me então dito que iria ser enviada para a marca para reparação e que ao fim de trinta dias se não houvesse resposta por parte da marca teria de ser reembolsado. Saí extremamente satisfeito com o atendimento e com a maneira como todo o processo foi tratado, esperei então cerca de duas semanas e ainda sem reposta alguma tento ligar para o estabelecimento na tentativa de alguma resposta, a resposta foi “tem de aguardar trinta dias”, desta vez já não gostei da forma como fui tratado por telefone, é então que não satisfeito procuro uma resposta pois a vontade de fotografar era imensa. Entre pesquisas e leituras em fóruns da especialidade na internet, descubro que a assistência da CANON em Portugal era feita por duas pessoas uma no Porto e uma em Lisboa, descubro ainda que o estabelecimento onde comprei a camêra trabalhava com a assistência de Lisboa, e que estes não eram muito rápidos Jorge Filipe Pires

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a resolver os problemas, numa tentativa de acelerar o processo tento ligar para a loja, estive praticamente um dia inteiro a tentar ligar, nunca ninguém me atendeu, enviei vários emails, aos quais nunca obtive resposta. Começava a ficar impaciente, no entanto e ao mesmo tempo havia algo que me deixava mais calmo, o tempo passava e a possibilidade de vir a ter uma nova máquina aumentava. É então que pensei, será que a garantia tratava as questões em trinta dias ou seriam trinta dias úteis como me tinham informado na entrega da camêra para reparação, é que se fossem trinta dias úteis o tempo de espera aumentava, decido telefonar para a DECO e exponho o meu problema, mas obtenho como resposta que a DECO como instituição privada apoia apenas os seus associados, e surge logo ali a campanha para que me faça sócio, coisa que na altura não me interessava. Entretanto consultei o Portal do Consumidor, pertença do Ministério da Economia da Inovação e do Desenvolvimento, foi-me dito que tinha sido recentemente alterada a lei em relação ao tempo de espera de reparação de equipamentos, com o seguinte decreto-lei: Decreto-Lei n.º 84/2008, de 21 de Maio - primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 67/2003, de 8 de Abril, que transpôs para a ordem jurídica nacional a Directiva n.º 1999/44/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Maio, sobre certos aspectos da venda de bens de consumo e das garantias a ela relativas - aprova novas medidas para reforçar as garantias dos consumidores relativamente aos bens de consumo. No que diz respeito às garantias dos bens de consumo, o diploma agora aprovado "estabelece um prazo máximo de 30 dias para a reparação dos bens móveis" e define para os bens imóveis "um prazo razoável" (cfr. artigo 4.º, n.º 2). No regime anterior apenas se definia um "prazo razoável" para as operações de reparação e substituição de ambos os bens. Contrariamente ao que se tem verificado, o prazo de garantia será reiniciado caso exista a substituição do bem (cfr. artigo 5.º, n.º 6). O prazo é de 2 anos para um bem móvel e um bem imóvel tem uma garantia de 5 anos. E cá está, a minha dúvida estava assim esclarecida, pelo que diz o decreto-lei seriam trinta dias e não trinta dias úteis, posto isto restava-me esperar, na altura em que faltava apenas uma semana confesso que quase rezava para que não fosse reparada, afinal tinha a oportunidade de uma nova camêra e ainda por cima com mais dois anos de garantia. Jorge Filipe Pires

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Eis que o dia chegou, dirijo-me ao balcão de assistência do estabelecimento e faço o ponto de situação, tal como eu previa a resposta foi, “terá de esperar trinta dias úteis”, como já ia prevenido para tal levava impresso o decreto-lei, e tento explicar ao funcionário que de facto era assim no passado mas que a lei tinha sido alterada, pelo que o meu processo estava já abrangido pelo novo decreto, entre alguma polémica ali instaurada, o funcionário tenta também ligar para a assistência técnica, e tal como eu esteve durante 30m a tentar e não obteve resposta, foi-me então dito que teria de passar no dia seguinte, não concordei com tal e então pedi para que fosse chamada a gerência do estabelecimento. Expus novamente o meu problema, começava a ficar farto de contar a mesma coisa a várias pessoas diferentes, e de novo a mesma resposta, “terá de esperar trinta dias úteis”, se já estava farto de contar a minha situação então esta resposta já não a podia ouvir, volto a explicar a alteração do decreto-lei, o qual é lido pela gerência e do qual obtenho a resposta que finalmente queria ouvir, “pode trocar a máquina ao Sr.”, após um breve suspiro interior entro em nova fase de negociação com o funcionário. É que logo por azar (sorte a minha) a CANON já não fabricava o modelo da minha camêra, e não havia nenhum na loja, foi-me então questionado se pretendia receber o valor da compra (1300€) ou um vale de compra para a loja, obviamente que eu queria o vale para compra de um novo equipamento, satisfeitíssimo voltei da loja ao fim de trinta dias com um novo equipamento.

No caso de acharmos que estamos a ser mal atendidos deveremos sempre pedir o livro de reclamações e fazêlo por escrito, assim a autoridade que fiscaliza estas actividades ASAE, poderá analisar tal situação

Com isto concluo que não devemos sempre acreditar naquilo que nos transmitem, as pessoas que estão atrás dos balcões das mais diversas lojas, por vezes elas não estão ou foram também mal informadas sobre determinados assuntos, daí que devemos sempre tentar encontrar respostas para aquilo que achamos que pode não ser bem desta ou daquela forma…

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A solução para mim, passa pela formação e informação das pessoas que estão atrás dos balcões de atendimento, só assim poderá haver um melhor atendimento ao cliente, no entanto no meu caso consegui apenas com o diálogo resolver este problema. Mas existem muitas outras pessoas, que apenas conseguem resolver os seus problemas com recurso a vias judiciais. A título de exemplo escrevo um pequeno documento que pode ser utilizado para uma reclamação por escrito: De: Jorge Filipe Pires Rua Euclides Vaz, nº 28 2ºH 3830-033 Ilhavo – Portugal

Para: Media Markt - Aveiro Quinta do Simão, Estrada da Taboeira 3800-000 Aveiro - Portugal

Ílhavo, 28 de Maio 2010 Assunto: Reclamação Máquina Fotográfica / factura de compra com o nº 840/2010 Exmo. Sr. Venho por este meio apresentar uma reclamação contra a vossa empresa, cujos motivos passo a descrever. Após a entrega de uma camêra fotográfica ainda em garantia, para reparação no vosso serviço de pós-venda foi-me informado que haveria um prazo de trinta dias para reparação do equipamento, prazo este que a não ser cumprido seria tratado por v. exc.ª com o reembolso ou entrega de outro equipamento igual ou superior. O meu equipamento encontra-se ao abrigo do Decreto-Lei n.º 84/2008, de 21 de Maio que passo a citar: No que diz respeito às garantias dos bens de consumo, o diploma agora aprovado "estabelece um prazo máximo de 30 dias para a reparação dos bens móveis" e define para os bens imóveis "um prazo razoável" (cfr. artigo 4.º, n.º 2). No regime anterior apenas se definia um "prazo razoável" para as operações de reparação e substituição de ambos os bens. Tendo em conta este novo decreto-lei e uma vez que os trinta dias após a entrega para reparação já passaram, solicito a vossa maior atenção e aguardo uma reposta no prazo máximo de cinco dias, após este tempo recorrerei por via judicial à resolução do mesmo. Sem mais de momento, e com os melhores cumprimentos:

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Esta minha paixão pelo mundo da fotografia tal como tenho vindo a referir fez com que recentemente criasse um website ao qual também já fiz referência atrás, www.jorgefpires.com e porquê a construção de um website?

Foi em grande parte a partilha de imagens em sites da especialidade que me levou a crescer e a aprender mais enquanto apaixonado da fotografia, apesar de ser algo que já faço alguns anos seria injusto não referir que os espaços destinados à partilha de imagens fizessem com que esse gosto e dedicação aumentasse, um exemplo disso é ver os meus primeiros trabalhos em www.olhares.com/jorgefpires e comparar com os últimos. Este tipo de websites (não apenas de fotografia) são de extrema importância para a evolução das pessoas enquanto entusiastas das mais variadíssimas áreas, sejam elas dedicadas à pintura, fotografia, cinema, arte, etc. No caso da fotografia estes mecanismos de divulgação fazem com que seja possível uma determinada imagem chegar ao outro lado mundo num ápice, através delas é possível conhecer a opinião de outros acerca das mesmas e saber o que podemos mudar para melhorar. Houve uma altura em que comecei a perder o interesse pela divulgação em alguns sites, tinha prometido a mim mesmo que publicaria até ao dia em que sentisse que começava a ser uma obrigação publicar imagens, e esse dia chegou. A um determinado momento dei por mim a pensar que aquilo já era quase uma obrigação, sentia-me pressionado a publicar imagens todos os dias, e quando deixava de publicar durante dois ou três dias os meus amigos na rede, questionavam-me se tinha deixado de publicar, e lá ia eu fazer mais uma busca nos milhares de ficheiros de fotografias e encontrar mais uma ou duas para publicar. Isto é o problema de muitos sites, a dedicação que lhes damos à medida que vamos perdendo a percepção entre o mundo real e o mundo virtual, felizmente este era apenas um site de divulgação das minhas imagens, mas outros sites como por exemplo a rede social mais famosa do momento, www.facebook.com existem muitas pessoas viciadas nesta rede social, chegando mesmo a partilhar informação pessoal, expondo a própria vida, muitas vezes sem dar por isso essas pessoas podem estar a entrar num

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jogo perigoso, daí que seja muito importante ter a noção da realidade, de ter os pés bem assentes no mundo em que vivemos. O uso das redes sociais, tem também o lado positivo, que é o lado da divulgação, no meu caso uso o facebook como veículo de transmissão de informação, por exemplo, se pretendo que as pessoas se dirijam ao meu website, basta colocar na rede uma imagem com uma hiperligação ao site, assim todas as pessoas que clicarem na imagem são imediatamente direccionadas ao site. Isto também poderia fazê-lo através do email, mas assim essa informação chegaria apenas aos meus contactos, e desta forma chega a um número muito mais alargado de utilizadores, outra das utilizações é como forma de comunicação, através de links de sites como www.youtube.com podemos partilhar com os outros músicas, vídeos, etc. Esta rede social teve um crescimento e uma adesão tão grande que os meios de comunicação, jornais, rádios, TV, não ficaram dependentes apenas dos seus websites e rapidamente se ligaram à rede onde minuto a minuto actualizam as suas notícias e redireccionam os utilizadores aos seus sites.

Exemplos de órgãos de comunicação ligados ao facebook

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Quando parti para a construção do meu website, não era tanto a exposição de trabalhos que me cativava a fazê-lo mas sim construção propriamente dita, era o primeiro site que construía, então havia que encontrar a maneira mais simples de o fazer, e acima de tudo uma maneira simples de o gerir. Foi aí que descobri o joomla, o joomla não é mais que uma comunidade de pessoas que cria aplicações e templates para web, uns gratuitos outros pagos, isso depende do uso que queremos dar, e se pretendemos algo exclusivo. Existem centenas de sites com aplicações para o joomla, no meu caso escolhi um template free e depois comecei a alterá-lo, como a base do site é o htlm, todas as alterações ou grande parte delas era feita dentro deste código, é este código que permite escolher a cor do fundo, os enquadramentos, etc. Ou seja, este código é a estrutura do site, depois dentro do backoffice do site existem várias aplicações, algumas delas em flash como o caso das galerias, é neste backoffice que é feita a gestão de imagens, colocar imagens, dar títulos, eliminar, tudo o que trata das galerias trata-se dentro do próprio site, a estrutura trata-se no html, a gestão é feita através de uma plataforma de FTP e um software de gestão de FTP. Estava então dado o passo inicial, depois vem o passo de escolher um nome para ao site e um domínio, quanto ao nome não tive dúvidas, no que toca à minha partilha de imagens na net sempre assinei como jorgefpires e isso seria para manter, o caso do domínio foi uma questão monetária, um domínio.com é mais barato que um domínio.pt, por isso aqui não tive dúvidas. Havia ainda que resolver a questão do espaço, e optei também por razoes económicas iniciar com 1gb de espaço no servidor, o meu servidor é a empresa esotérica.pt, é lá que está alojado o site, escolhi para o alojamento uma plataforma Linux, pois estas são mais estáveis e não sofrem tantos ataques de hackers como os servidores que funcionam em Windows. Todo este processo e porque a gestão é feita por mim tem um custo anual de apenas 25€, que é o custo do alojamento, sendo que a fase inicial teve mais um custo acrescido de 25€ que foi a compra do seguinte domínio: www.jorgefpires.com

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Recentemente e com o processo RVCC a chegar ao fim começava a pensar de que forma iria apresentar o portfolio, desde início que tinha a ideia que queria fazer do portfolio um documento único, com o mínimo de divisões, quase que como de um livro se tratasse, fui sempre conseguindo fazer a ponte de ligação entre os temas, no entanto à medida que ia avançando ia sendo cada vez mais complicado, daí a criação de três capítulos. A estrutura estava montada, agora havia que lhe dar forma, encontrei, após algumas pesquisas, uma aplicação web que através de ficheiros PDF, fazia uma conversão para uma aplicação em flash ao estilo de flipbook, depois desta conversão o site fornece um código html que pode ser incorporado no layout de um site ou blog, é aqui que decido criar o blog www.jorgefilipepiresrvcc.blogspot.com para que este sirva não só como apresentação do meu trabalho mas como exemplo das potencialidades das ferramentas da web.

Imagens da front page do blog rvcc e do meu site, com hiperligação para os mesmos.

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A internet a par com os media são das ferramentas de divulgação mais poderosas que possuímos, seja do nosso próprio trabalho ou hobbies ou dos equipamentos culturais, tais como, teatro, bibliotecas, centros culturais etc. A web tem obrigatoriamente de fazer parte da estrutura destes espaços, quer pelos próprios sites, quer pelas redes sociais, através destes podem partir para divulgação dos seus eventos e ainda receber o feedback por parte dos espectadores para que possam alterar o que está menos bem na sua estrutura. Estes espaços culturais são de extrema importância para o crescimento cultural e económico de uma determinada região. Exemplo disto é o recentemente construído Centro Cultural de Ílhavo (CCI), após várias contestações quanto ao local onde este viria a ser construído, foi finalmente inaugurado acerca de dois anos, antes e durante a sua construção foram várias as pessoas que se manifestaram, dado a sua localização não ser a melhor, devido à dimensão megalómana da obra, concordo em pleno com estas manifestações apesar de saber que este é muito útil à cidade de Ilhavo não é de todo a melhor localização. Mas a obra avançou e está de pé e agora resta-nos apoiar e não criticar apenas porque não deveria ter sido construído naquele local, é necessário analisar a importância deste projecto, apesar de ainda estar numa fase embrionária tem sido notável o seu crescimento, e tem sido notável a quantidade de espectáculos que têm sido realizados. Através destes espectáculos a Cidade de Ilhavo tem vindo a ser mencionada nos órgãos de comunicação social e isto potencia o crescimento da própria cidade com o público que se desloca para ver os espectáculos. É comum ouvir-se dizer que os espectáculos não são muito vistos pelas pessoas da cidade, ou que estas não aderem aos espectáculos, acho que deve haver uma programação que atraia os mais variados públicos, mas na minha opinião é até positivo que a maioria das pessoas que vê os espectáculos seja de fora, assim se potencia também o crescimento económico de alguns estabelecimentos da cidade, tais como restaurantes ou hotéis. Outra infra-estrutura cultural de extrema importância neste desenvolvimento económico e cultural na cidade de Ílhavo é o Museu Marítimo de Ilhavo, considerado um dos melhores museus marítimos nacionais, sendo Ilhavo uma cidade eternamente

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ligada ao meio marítimo penso que a aposta neste museu e na sua requalificação foi de todo uma aposta ganha. O Museu Marítimo de Ílhavo nasceu a 8 Agosto de 1937. Lugar da memória dos ilhavenses que o criaram, o Museu começou por assumir uma vocação etnográfica e regional. Foi e é testemunho da forte ligação dos ílhavos ao mar e à Ria de Aveiro. A “faina maior” (a pesca do bacalhau à linha com dóris de um só homem) nos mares da Terra Nova e da Gronelândia e as fainas agro-marítimas da Ria são as referências identitárias do Museu. A cada um dos temas corresponde uma exposição permanente que oferece ao visitante a possibilidade de reencontrar inúmeros vestígios de um passado ainda recente. Na Sala dos Mares, a terceira exposição permanente do Museu, mostra-se uma rica colecção de instrumentos náuticos e miniaturas de embarcações de outros tempos. Além da riqueza das suas colecções e exposições, o edifício onde hoje habita o Museu Marítimo de Ílhavo, inaugurado a 21 de Outubro de 2001, é só por si uma obra de arte pública. É um belo exemplar de arquitectura moderna, num preto e branco bem conjugado com a volumetria dos espaços. Visitar o Museu Marítimo de Ílhavo é embarcar numa aventura dos sentidos; conhecimento e lazer. (extraído de www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt ) Todos os dias o museu marítimo é visitado por centenas de pessoas, à semelhança do que acontece com o CCI, estas visitas potenciam o crescimento da região, o turismo será a melhor aposta para o crescimento económico de uma região, e cada região terá de estudar o seu potencial turístico, para que tal seja possível. Certo é que algumas regiões possuem mais potencial que outras, mas haverá sempre algo com maior ou menor interesse que possa levar as pessoas a visitar um determinado local.

À esquerda imagem do museu Marítimo de Ílhavo à direita o Centro Cultural de Ílhavo, a imagem demonstra a grandiosidade da obra, que foi contestada devido à localização no centro da cidade.

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Por norma nas páginas web das mais variadas instituições é possível aos interessados em visitá-las saber de tudo o que elas dispõem, e ainda de como podem chegar até elas, desde morada a coordenadas GPS, e até mesmo links directos ao Google Maps, que permitem ao visitante analisar on-line o melhor trajecto a realizar, vejamos o caso de um visitante do Porto que necessite chegar ao CCI, ao entrar no site em localização obtém uma imagem satélite que lhe permite, a orientação, se mudar para a opção de mapa no Google Maps, passa a ter um mapa completo, podendo de seguida traçar o seu destino, vejamos os seguintes exemplos de imagens :

Através desta aplicação é possivel a qualquer pessoa chegar um determinado local, com maior facilidade, tanto pela informação do percurso como pelas indicações km a km que são indicadas no lado esquerdo.

A Google já tem em algumas cidades de Portugal a opção de visualizar imagens a 3D das cidades o que permite ao utilizador uma maior facilidade em navegar, sem dificuldade, dando a possibilidade de a cada km de navegação saber se a sua localização é a correcta. Para isso basta clicar no Icon de uma máquina fotográfica que aparece no fim de cada nota de navegação e compará-lo com o local onde se encontra. Esta é uma ferramenta que será muito útil se os veículos no futuro possuírem uma ligação à net constante, e se houver a possibilidade de usá-la em tempo real. Vejamos o exemplo de algumas dessas imagens do percurso em questão e na cidade do Porto uma das que já está coberta em imagens 3D.

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Imagem referente à nota nº 2: Virar à esquerda na R. do Alferes Malheiro

Imagem referente à nota nº 9: Seguir pela 1ª à direita em direcção a A20 (indicações para A3/Braga/IC23/Ponte Freixo/A1/Lisboa)

Imagem referente à nota nº 11: Seguir pela saída em direcção a Espinho/Canelas

Quando possuímos uma ligação à Net é possível navegar a 3D dentro destas imagens, é uma experiência fantástica, esperemos que a Google consiga brevemente cobrir todo o país com esta tecnologia, para já Lisboa e Porto são as contempladas.

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Isto é de facto aprazível e é algo que nos leva para uma viagem a um futuro próximo, mas convém não esquecer que estas formas de navegação podem também ser um elemento distractivo para a condução de veículos, tal como a utilização de equipamentos de comunicação enquanto se conduz, que é também causadora de vários acidentes nas estradas Portuguesas. A Autoridade Nacional de Segurança rodoviária (ANSR) muito feito nos últimos anos em matéria de prevenção, no entanto todos os dias somos invadidos com notícias de inúmeros acidentes, muitos deles com consequências graves. Em Portugal a maior causa de acidentes é o excesso de velocidade, a outra grande causa o excesso de álcool, o que demonstra a falta de civismo dos condutores e a incapacidade de cumprir regras de trânsito. Esta instituição ANSR faz parte de uma subdivisão que foi feita na antiga DGV (Direcção Geral de Viação) esta foi subdividida onde nasceram a ANSR e o Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), sendo que uma tal como o nome indica trata de todas as questões relacionadas com a prevenção e segurança e a outra de todas as questões burocráticas e documentais, tais como cartas de condução, registos de propriedade de veículos, etc. Segundo o IMTT num comunicado de Janeiro de 2010, os números da sinistralidade rodoviária relativos a 2009 demonstram um decréscimo constante do número de vítimas mortais e de feridos graves em acidentes nas estradas Portuguesas, o documento publicado mostra ainda que, entre 2000 e 2009, o número de vítimas mortais reduziu 58 por cento e o número de feridos graves decresceu 66 por cento.

Imagem de uma das muitas campanhas de prevenção rodoviária.

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Muito se deve às campanhas lançadas e à forma como elas chegam aos condutores, por vezes são necessárias imagens marcantes e fortes. No que tocas às campanhas existem inúmeras formas de as fazer passar aos cidadãos, mais uma vez a comunicação social e os media voltam a ter um papel fundamental na passagem das mensagens, muitas são as vezes em que em espaços publicitários quer de TV, quer de internet ou jornais, somos confrontados com anúncios de prevenção rodoviária, e são as tais imagens fortes, como as de brutais acidentes, que nos fazem mesmo pensar na forma como devemos circular nas estradas. Existe ainda uma enorme campanha de prevenção ao longo de todas as estradas, é comum vermos enormes painéis nas estradas que fazem apelo a uma condução cuidada, isto é muito comum nas autoestradas em que as próprias entidades responsáveis pela concessão das mesmas, tal como Brisa, Aenor, fazem questão de apelar à prevenção.

Imagem de uma campanha de prevenção, alertando para a não condução sob efeito de álcool.

O eterno problema é que há aqueles que assimilam as campanhas e os outros que não querem saber delas, nem de nada, e com o seu ego elevado pela sua excelente condução, continuam a acelerar pelas estradas deste País como que se de uma corrida em plena pista de Formula 1 se tratasse, e assim colocam em risco as suas vidas e as vidas de outros, os que por azar e sem qualquer culpa circulavam naquele dia, aquela hora, naquele determinado local…

FIM Jorge Filipe Pires

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O fim é apenas o inicio de uma nova fase com tempo tentarei alcançar mais e melhor, e deve ser sempre este o lema, mais e melhor. Todo este processo foi para mim uma experiencia fantástica, quer na procura dos meus conhecimentos para os mais variados temas, quer na procura de memórias e vivencias passadas, e nelas encontrar muitas respostas ao que me ia sendo pedido. Afinal a vida ensinanos mesmo, e muito, é necessário é saber procurar as nossas respostas, em cada parte de vida de cada um de nós, em cada minuto do nosso dia-a-dia haverá sempre parte de uma resposta! Sinto que alcancei a meta dentro do tempo que tinha estipulado comigo mesmo, isto devo-o em parte também aos formadores que me acompanharam durante o processo e que souberam orientar-me nas suas áreas, um agradecimento especial à Helena que foi a orientadora de todo o meu processo e que me ajudou a procurar as minhas competências para o realizar. Um enorme bem-haja a todas!

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JFP PORT