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ro. E ali, naquela noite, depois da ação dos aprendizes de jagunço, foram autografados mais de 500 livros. Semana Revista - A apuração para o seu livro foi feita baseada em entrevistas, documentos e publicações. Além disso, existem dados de contas bancárias de alguns governantes. Como o senhor chegou a estas informações? Palmério Dória - Esses dados são da Operação Boi Barrica, desencadeada contra Fernando Sarney e sua gangue. Eles estão no capítulo do livro que trata dela. A nós coube a honrosa tarefa de contar os primórdios da acumulação de bufanfa da famiglia na Suíça; a operação realizada por Fernando Sarney num banco de Brasília para salvar parte da fortuna do clã no sequestro da poupança promovida por Fernando Collor, combinada entre os dois honoráveis - o presidente que saía e o que entrava -, entre outros assaltos ao dinheiro

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que na verdade é público; e a conta fabulosa que o falecido Dante de Oliveira, o autor da emenda das diretas que o celebrizou, mantinha na Suíça, hoje administrada pela mulher dele, a deputada federal Thelma de Oliveira. A tal que abriu um processo contra mim. Semana Revista - Como o senhor vê a atuação da imprensa no caso de censura ao Estadão, que divulgava informações sobre Fernando Sarney e a Operação Boi Barrica? Palmério Dória - Só um sátrapa como Sarney imagina que pode deter o vento. Hoje, o relatório da Polícia Federal é quase de domínio público. Todo jornalista que cobre política conhece seu conteúdo. Mesmo assim, Fernando Sarney pode ficar tranquilo. Ele vai ter os pulsos adornados por algemas. Podem ser de ouro, prata ou bronze. Mas algemas o aguardam. Semana Revista - O senhor acredita que com a aprovação do projeto Ficha Limpa, a corrupção no governo deve se extinguir? Palmério Dória - Não dá pra entender uma lei que todos - parlamentares, juízes, procuradores, advogados - dizem que é incerta e não sabida. Ninguém sabe se vale pra hoje ou um remoto amanhã. Tem cheiro, pinta e jeito de que não pega. E não vai pegar. Quer apostar? O crime organizado, que domina grandes setores do Estado por meio dos chefes políticos, não pode ser detido por uma simples lei. Só por uma ação da envergadura da Operação Mãos Limpas, como aconteceu na Itália, onde a Justiça abalou as conexões dos mafiosos com alguns dos políticos mais importantes do país. Sem povo na rua e boas celas para os honoráveis, eles jamais serão detidos.

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Laís Mezzari

Revista Semana  

Revista Semana - 3ª edição. Realizada pelos alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

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