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Ombudsman: o SAC dos jornais A profissão surgiu na Suécia, mas hoje faz parte das redações de todo o mundo. Nas palavras do ex-ombudsman Caio Túlio Costa, funciona como um “orelhão de leitor” . A 9ª Semana do Jornalismo recebe Suzana Singer, atual ombudsman da Folha de S. Paulo. Mas será que todos sabem qual o seu papel dentro de um jornal? A Semana Revista fala sobre a história desse profissional e explica sua função. A palavra ombudsman surgiu na Suécia em 1809, e significa “representante”. Era o funcionário designado a ouvir as reclamações dos cidadãos quanto ao governo sueco, um ouvidor-geral do século XIX. O termo fez sucesso e os países vizinhos adotaram o modelo. A Alemanha foi o primeiro país não escandinavo a criar um cargo semelhante, em 1957. Mas foi somente em julho de 1967, nos Estados Unidos, que apareceu o primeiro ombudsman de imprensa. Em Louisville, no Kentucky, os jornais Courier-Journal e Louisville Times, ambos do mesmo grupo, selecionaram John Hechenroeder para

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ocupar a função de ombudsman. Na época, seu principal trabalho era responder diretamente às queixas do público. O jornal Washington Post foi o primeiro periódico a publicar, em suas próprias páginas, as reclamações dos leitores, através do ombudsman Richard Harwood. O jornalista também tinha, à sua disposição, uma coluna semanal para criticar as ações do jornal. Essa prática chegou ao Brasil em 1989, quando, após três anos de análise baseada no sucesso dos ombudsmen do jornal espanhol El País e do próprio Post, a Folha de S. Paulo incumbiu o jornalista Caio Túlio Costa de exercer a função. Foi o primeiro veículo de informação da América Latina a contar com o profissional. Desde então, vários outros estabeleceram o cargo, como o jornal O Povo, os portais iG e UOL, e a TV Cultura. No livro O Relógio de Pascal, Caio Túlio Costa define o ombudsman como “orelhão de leitor”: recebe as queixas dos leitores, critica o jornal internamente e, uma vez por semana, comenta os meios de comunicação a partir da visão do público.

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O mandato de cada ombudsman é estabelecido pela empresa onde está empregado. No jornal O Povo, o prazo é de um ano, mas não há limite para renovações: o jornalista Plínio Bortolotti manteve-se na função por seis anos, de 2002 a 2007. Em sua última coluna como ombudsman da Folha, no dia 5 de janeiro de 1997, o jornalista Marcelo Leite elogiou o prazo estipulado pelo jornal para que um profissional permaneça no cargo: “Sábia é a regra adotada na Folha que fixa o mandato do ombudsman em no máximo

O Washington Post foi o primeiro a publicar as reclamações dos leitores em suas próprias páginas

Revista Semana  

Revista Semana - 3ª edição. Realizada pelos alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

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