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“Não tinha como não ajudar. A gente via aquele povo todo sem casa nem nada e ia ficar parado?”

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aceitou fazer o trabalho. O estudante fez um apanhado do que acontecia no bairro e passou a enviar textos para o Santa, todos os dias. Uma das moradias soterradas pela lama do Spitzkopf foi a dele. “... um vizinho comentou que iriam voltar à nossa casa para tirar mais coisas. Eu não queria me arriscar e fomos dar uma volta para não ver aquilo. A casa estava inteira quando saímos. Na volta, um colega comentou que não via mais o telhado dela. Corremos ao local e o que encontramos foi uma multidão olhando de boca aberta para um monte de destroços, onde antes existiam três casas”. O sobrado de alvenaria onde Giovani morava com a família era grande, num lugar bem iluminado da rua. Tinha dois quartos, duas salas, cozinha, banheiro, lavanderia e uma construção à parte, com o quarto do casal e uma cozinha. Em frente à casa, um gramado enorme com uma goiabeira. Atrás, o morro que ninguém acreditava que pudesse desabar. Por causa da cheia do Itajaí-Açú, rio que corta Blumenau, e dos deslizamentos de terra em várias cidades do Vale do Itajaí, 135 pessoas morreram em Santa Catarina e cerca de 10 mil perderam

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suas casas. Chovia há 90 dias, quando o rio transbordou. No dia 25 de novembro o Prefeito João Paulo Kleinubing decretou estado de calamidade pública em Blumenau. “Muita gente ajudou porque o estrago era grande mesmo” conta o dono do mercado Comercial Ferrari, Alexandre Tarig, que doou cestas básicas para os desabrigados. “Não tinha como não ajudar. A gente via aquela gente toda sem casa nem nada e ia ficar parado?”. Ele e outros vizinhos ajudaram a recolher o que deram conta, antes do sobrado de Giovani ser soterrado. Uma amiga do jornalista cedeu uma quitinete, onde ele e a esposa ficaram por um tempo, até se mudarem para um apartamento no centro da cidade. Dilma, a sogra de Giovani, está até hoje nesse lugar, esperando auxílio da prefeitura. O jornalista diz que a formação acadêmica não mudou sua visão sobre o desastre. “Apesar de eu ter estudado jornalismo, não creio que isso tenha me influenciado muito. Tive, claro, um impulso, pois isso ajudaria minha possível carreira”. O diário de Giovani ganhou a página central da edição de 2 de dezembro do Jornal de Santa Catarina. Thiago Moreno

Revista Semana  

Revista Semana - 3ª edição. Realizada pelos alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina

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