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100 / F U N D A M E N T O S DE N E U R O P SIC O L O G IA

se vêem a ponta do lápis, perdem a linha, e vice-versa (Fig. 30). Em função desse estreitamento funcional do campo visual e de sua limitação a um objeto, este fenômeno foi denominado agnosia simultânea. O dis­ túrbio concomitante de coordenação óptica-motora (ou ataxia de fixação ) foi explicado com base na suposição de que em vez dos dois pontos ex­ citados presentes em cada campo visual normal (um no centro do campo, refletindo a informação que atinge o indivíduo, e outro na periferia do campo visual, fornecendo indicação de sua relação com objetos visuais periféricos e evocando um reflexo de orientação que leva a um desloca­ mento organizado de fixação), apenas um ponto excitado permanece no campo visual desses pacientes, tendo o segundo (o periférico), que dirige o movimento potencial de fixação, desaparecido. Este estado de coisas foi verificado em experimentos de registro dos movimentos oculares de um paciente desse tipo examinando uma forma geométrica particular (Lu­ ria, Pravdina-Vinarskaya e Yarbus, 1961); ao contrário do que sucede em um indivíduo normal, os movimentos oculares eram severamente desor­ ganizados e atáxicos (Fig. 31b). Essa síndrome foi submetida a extensa análise experimental. Pribram (1959a) mostrou que macacos submetidos a remoção bilateral dos giros temporais inferiores respondem a um número menor de um conjunto de objetos simultaneamente apresentados. Butters (1970) verificou que esse defeito se estende a aspectos auxiliares de figuras complexas: macacos nor­ mais são menos suscetíveis ao prejuízo causado pela remoção de um ou outro desses aspectos. Pribram e seus colaboradores (Spinelli e Pribram, 1967; Cerbrandt, Spinelli e Pribram, 1970) realizaram experimentos fisio­ lógicos para mostrar que esse efeito é devido a alterações de atenção mediadas por um mecanismo corticífugo que influencia o processo visual a partir do córtex temporal inferior. Em suas “Clínicas às Quartas-Feiras” , * Pavlov discutiu fatos de na­ tureza semelhante descritos originalmente por Pierre Janet. Ele deu a esse fenómeno uma interpretação fisiológica, sugerindo que as células do córtex ocipital (visual) de um paciente desse tipo estavam tão debilitadas peto processo patológico que “eram incapazes de lidar simultaneamente com dois estímulos, de forma que um ponto excitado exercia um efeito inibitório sobre o outro ponto excitado, tornando-o assim aparentemente inexistente” (Pavlov, 1949b). Com base nessa hipótese, sugeri que se processos excitatórios pudes­ sem ser fixados, por meio de uma injeção de cafeína, no córtex ocipital

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Pavlov tinha o/w&ífto de se reÂnH: com os discípulos às quartas-feiras (WB discutir p i f t f f l j y w r l c o e ollnloo, (Nota do Tradutor),

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A. R. Luria - Fundamentos de neuropsicologia  
A. R. Luria - Fundamentos de neuropsicologia  
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