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Á S R E G IÕ E S O C IP IT A IS E A O R G A N IZ A Ç Ã O D A P E R C E P Ç Ã O V IS U A L / 97

típicas mostrando a maneira pela qual um paciente deste tipo constrói um desenho pode sér vista na Fig. 29. As formas mais severas de agnosia visual são encontradas em pacientes com lesões das zonas secundárias de am bos os lobos ocipitais, mas as características de um tal colapso da sín­ tese visuah podem também ser observadas de forma suficientemente clara em pacientes com lesões unilaterais. Ë essencial notar que o distúrbio da síntese visual que surge em le­ sões das zonas secundárias do córtex ocipital permanece sendo um defeito parcial e não afeta outras modalidades nesses pacientes, nem os seus proces­ sos intelectuais. Embora incapazes de perceber visualmente objetos inteiros, tais pacientes ainda podem reconhecê-los pelo tacto, e apresentam pequena dificuldade no desempenho de operações intelectuais complexas; com­ preendem' o significado de estórias, podem utilizar relações lógico-gramaticais, efetuar cálculos, e assim por diante. Os mecanismos fisiológicos que estão na base desses distúrbios de percepção visual ainda não são adequadamente compreendidos; entretanto, um grupo de fatos permite progresso substancial neste campo. Já em 1909 o neurologista húngaro Bálint (1909) fez uma observação que lançou considerável luz sobre os mecanismos que estão na base desses distúrbios de agnosia visual. Observando um paciente com uma lesão bilateral das zonas anteriores do córtex ocipital (ao nível de seu limite com a região parietal inferior), ele verificou que esse paciente tinha um claro e característico decréscim o de seu âm bito de percepção visual. Este distúrbio diferia de casos de constrição do campo visual resultante de lesões do trato óptico ou das zonas primárias do córtex visuai pelo fato de que ele era medido em unidades d e significado e não em unidades de esp aço ; esse paciente podia ver apenas um objeto por vez independente­ mente do tamanho desse objeto (podia tratar-se de uma agulha ou de um cavalo), e era completamente incapaz de perceber dois ou mais objetos simultaneamente. Observações semelhantes foram posteriormente feitas por Holmes (1919) e por Hécaen, Ajuriaguerra e Massonet (1951), e foram estudadas de perto em investigações experimentais especiais (Luria, 1959a; Luria, Pravdina-Vinarskaya e Yarbus, 1961). Essas observações mostraram que pacientes desse tipo são de fato incapazes de perceber dois objetos simultaneamente, principalmente se eles forem apresentados apenas durante um tempo muito curto (por meio da utilização de um taquistoscópio) e se não houver oportunidade para uma mudança de fixação. Tais pacientes não podem colocar um ponto no centro de um círculo ou de uma cruz porque eles podem perceber somente o círculo (ou a cruz) ou a ponta do lápis de cada vez; não podem desenhar o contorno de um objeto ou unir os traços individuais durante a escrita;

A. R. Luria - Fundamentos de neuropsicologia  
A. R. Luria - Fundamentos de neuropsicologia  
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