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Natal – RN 2009 Este livro é distribuído pela licença Creative Commons © 2009 – Jo Fagner – www.jofagner.com JO FAGNER

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Dedico a Deus, que ilumina o céu, a terra, as estrelas e os poetas com o dom da escrita, Às cinco mães de afeto, como as cinco pontas de uma estrela: Marluce, mãe genitora; Maria das Dores, avó; Aurina, madrinha; Marleide e Marinês, tias. A todos os amores e desamores, aventuras de paixão e desencontros, que escreveram cada linha que compõe este volume.

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INTRODUÇÃO “O Sol nos dá a luz, mas a Lua dá inspiração. Se olhar para o sol sem proteger os olhos, ficará cego. Se olhar para a Lua por muito tempo sem tapar os olhos, se tornará poeta.” Serge Bouchard, Antropólogo francês

E então, como nasce um poeta? Existe resposta para a pergunta? Alguns afirmam que já se nasce poeta. Outros persistem em dizer que um poeta nasce de alguém. Talvez essa questão continue existindo por muito tempo. Ou não. Nessa linha de pensamento uma coisa não se pode negar. Existem pessoas que já nascem com o dom da palavra, como existem palavras que trazem à pessoa o seu dom. Há pessoas que nascem com a poesia, mas a poesia nasce com a pessoa. Irrefutável. A individualidade de cada ser humano emana sensações que saem da alma, ou mente, como queiram chamar, e percorrem o corpo até chegar às mãos, que então desenham cada emoção vivida dentro de seu próprio íntimo. Isso é a magia de escrever. Era um dia comum. Eu estava no oitavo ano do ginásio, durante uma aula de Língua Portuguesa. Tinha catorze anos e uma “paixonite aguda” por uma das meninas mais bonitas da sala. A autoria dos primeiros versos surgiu em uma tarefa de classe: escrever uma poesia de tema livre. Naquela oportunidade busquei materializar o desejo que tinha de ter uma chance a garota. “Apenas um instante” apareceu em meu caderno. Aquele foi o meu primeiro contato com a arte poética. Obtive nota máxima na avaliação, além dos elogios da turma e da professora. Esses versos logo me atraíram para os próximos versos, cheios de rima, jogos de palavras e inspirações variadas. Eu apenas escrevia poesia. Tinha ritmos, cores, música. Brincava com a vida, com a natureza, com as “paixonites”. Essa era uma maneira sublime de representar o mundo que passava pelos meus JO FAGNER

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olhos, o mundo que havia inventado para mim. E tudo se resumia aos olhares de um jovem adolescente descobrindo a magia da vida, aos poucos. Os anos passaram e eu já estava com dezoito anos de idade. Novas inspirações, outro modo de ver a vida. Eu praticamente tinha abandonado aquela mania de escrever versos. Talvez aquilo eu encarasse como uma coisa de criança. O que não ficou no passado foi a minha mania de envolvimento. Me apaixonava, desapaixonava e reapaixonava, e isso escrevia novas páginas em minha história. Voltei a fazer poemas. Agora minhas palavras relatavam um mundo de amores platônicos. Versos dramáticos, tão quanto o novo mundo que meus olhos acabavam de criar. Troquei a rima por sentimento e relatava cada experiência dessa nova vida, desde um simples flerte até o sonho erótico. Paixões reprimidas, sentimentos não correspondidos, sensações de autodestruição: era tudo o que formava a profundidade de tudo o que eu escrevia. O menino saía do verso cheio de rima e ingressava em um mundo repleto de sentimentalismo intenso, de texturas e nuances que variavam feito mutações. A emoção escrevia as palavras, o momento dava a forma, e no final, o poema saía como uma espécie de registro, que eu adorava ler e reler todos os dias, no alpendre de casa. Eram momentos entre a Lua e eu, reflexões de como estava agindo, de como estava pensando, sonhando, e de quanto ainda precisava acordar. Entre tantas visões que tenho sobre a poesia, nenhuma melhor que eu possa expressar senão uma comparação ousada com um baú de memórias. A Engenharia das Palavras transparece os sentimentos, brinca com rimas para explanar dramaticidades, tudo isso que faz parte do meu universo poético. E através dessa memória pude, finalmente, perceber cada avanço e cada retrocesso enquanto ser humano. Como se cada frase e melodia formassem minha vida em linhas imaginárias sobre o papel.

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Então, para que serve finalmente um poeta? Celebrar emoções, contemplar sentimentos, reviver momentos, pode ser tudo isso ou nada disso. Antes de tudo eu sou apenas um jovem que olhava para a Lua e escrevia, como se fossem confissões da alma a um astro celeste que, mesmo distante, era o fiel leitor de todas as minhas páginas.

Como Nasce um Poeta não faz apenas o registro simbólico do que o próprio título propõe. As páginas deste livro trazem principalmente uma narrativa cheia de musicalidade sobre as passagens de um jovem pelas várias etapas da sua vida. Fases de paixão, descobertas, depressões, impressões e suas intensas felicidades, fases onde qualquer emoção era forte demais para ficar contida no peito. Seguramente, cada verso dessa obra representa mais que o nascimento de um poeta, sobretudo a formação de um ser humano de inspiração exagerada.

O Autor

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“E nos nos braços o menino tinha apenas a vontade. Nas suas mãos, apenas a caneta. E em sua frente de repente jorraram palavras de um sentir tão estranho que aos poucos revelavamrevelavam-no em singelos versos de uma curta poesia.”

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APENAS UM INSTANTE Apenas um instante para quem sofre de amor; apenas um instante para acabar com toda a dor; apenas um instante para eu ter voc锚 de frente; apenas um instante para eu ser sua serpente; apenas um instante na hist贸ria e a eternidade em minha mem贸ria.

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LUA Lua na minha memória Lua na minha história Lua na minha eternidade, onde ainda é primavera e as flores abrem caminho para você passar. Lua na minha vida e nos seus olhos, a paz do meu interior. Lua na minha canção e a melodia suave da sua voz encanta os meus ouvidos. Lua na minha paixão... o que há em mim é imortal e vai existir enquanto sua doce magia reinar em meu coração.

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RASCUNHOS RASCUNHOS Ensina-me a amar, a entender a química do amor, a matemática de nós dois... Ensina-me o amor com a biologia do teu coração, e a gramática de tuas palavras; Ensina-me esse amor, a perceber a física dos teus movimentos, a geografia de teu corpo e os destinos da nossa história. sou aprendiz apaixonado trilhando a estrada da vida, pra ver nossa estrela brilhar na felicidade eterna ao lado teu.

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UMA LINDA MULHER Graciosa flor-mulher que reina em meu jardim e faz do resto do mundo um simples pedaço de chão. Grandiosa alma de mulher de com sonhos de menina acelera meus batimentos quando sorri para mim. Glamourosa estrela-guia reluzente nos céus do meu caminho pela tragicomédia da vida. Guardiã das minha lágrimas, protetora dos meus sorrisos, dos meus sonhos, defensora contra meus pesadelos. Gritante meu coração palpita ao pronunciar três letras, que na singularidade de um monossílabo ostenta a pluralidade de todos os meus sentimentos. Gramaticalmente indefinível em qualquer palavra do léxico. Grande graça que com glamour guarda minha alma de eterna criança. Menina, mulher, mãe...

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MOMENTOS Toda vez que tua imagem domina meu pensamento eu me entrego a tua miragem levado pela força do vento. Toda vez que ouço tua orquestra um feitiço de amor me domina te fazendo rainha, minha mestra no reino de luz que me ilumina. Toda vez que tua face estampa-se em meu olhar percebo meu coração em enlace, por teu jeito de observar. Toda vez que te lembro como sorria esqueço todo o meu lado narciso só pra te escrever uma poesia e dizer o quanto de ti preciso. E toda vez que me retorno a pensar só em você perco a rima dos meus versos, embalado pela melodia do mais nobre sentimento só pra dizer que amo você.

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ANOITECER Horizonte... o céu estampa-se de noite, e numa aquarela de momentos os pincéis de nostalgia desenham tua face em minha mente. Uma estrela que no céu reluz: um instante em minha memória e a certeza da eternidade conduzida pela majestade da Lua. Ao enegrecer do céu as constelações brilham teu sorriso, mas o teu olhar ainda esconde-se entre as luzes da noite. Uma melodia distante me conduz às estrelas, quão os sonhos enamorados... minhas palavras no silêncio da noite lapidam um coração, gravam teu nome na Lua. Universo infinito, brevidade noturna, onde irei te encontrar ?

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COISAS DO CORAÇÃO Deixa eu dizer o que o amor comigo faz, arrebata o coração e não me deixa em paz. Deixa eu dizer que sou peça de um jogo de xadrez, o amor deu xeque-mate em mim. Deixa eu dizer que meu ego grita ao vento, eco de meu sentimento. Deixa eu falar do frio da solidão do qual um olhar me resgatou. Palavras do meu pensamento, sensações em minha pele, coisas do meu coração que me salvam do escuro e colorem meu arco-íris. Deixa eu respirar o aroma da emoção que aglutina dois corações em uma alma, deixa eu viver infinitamente na mágica presença do amor em mim.

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DESPEDIDA Deixa eu tocar você, escutar seu coração ser tomado pela paixão em seu manto de crochê. Deixa meu olho te ver e o meu coração palpitar, que esta magia de te amar é a minha razão de viver. Deixa-me te beijar pela última vez de mortal para que eu possa então sonhar com esse seu meigo jeito fatal, deixa-me só por hoje te amar e eternizar o meu minuto final.

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UM DESEJO Se os meus olhos pudessem os teus olhos velejar navegaria em pleno desejo de no teu mundo naufragar. Se meus braços te alcançassem mesmo no horizonte do mar abraçaria-te em êxtase profundo para no teu corpo mergulhar. Se minha pele te tocasse a cada desejo de te tatear eu sentiria, então, forte calor que acenderia do teu fogo a me queimar. Mas se meus sonhos se perdessem na ilusão de o amor nunca encontrar sei que no sabor dos teus lábios encontrarei seu beijo, um farol a me guiar.

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AMOR, VIDE BULA O amor é fonte divina de eterna inspiração que sorrateiramente maltrata esse meu pobre coração. Renunciaria a essa fonte, pois meu coração chora e nas lágrimas do meu ser meus sorrisos vão embora. Mas não devo pensar assim, pois o amor simplesmente é tudo e o que seria de mim sem o amor, não me iludo, apenas amo o seu perfume de jasmim que adentra em meu coração mudo.

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“Então a vida ia se traduzindo em cada verso e em cada rima, em cada rascunho feito num pedaço de papel. Então a vida ia se colorindo com a melodia que eu não esperava. Então a vida vida era poesia que eu bebia imensamente num vão momento até que ele se eternize.”

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PSICOGRAFIA Certo dia em meu coração te procurei, mas por golpe do destino não te encontrei. Minhas mãos ficaram trêmulas, meus olhos não viam mais o mundo nitidamente, faltava você. Pra onde fugira? Com um lenço branco na mão fiquei sentado nos degraus da igreja a te esperar. O sol cada vez mais aproximava-se do horizonte, tudo estava silencioso. De alguns arvoredos da pracinha eu ouvia o cantar dos pássaros, e melancólico, imediatamente pus-me a chorar. Procurei entre as nuvens o seu sorriso, encontrei apenas uma gaivota branca a voar no céu. O tempo passou e eu, olhando a Lua, adormeci pensando em ti. Sonhei com um anjo vindo em minha direção, com uma rosa branca na sua mão esquerda. Com uma voz suave me acalmava, e aos poucos fui descobrindo que aquele não era um sonho. Quando entristecido e tomado por lágrimas, JO FAGNER

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chorava a sua partida, percebi que vocĂŞ estava ao lado de meu corpo, derramando as mesmas lĂĄgrimas que chorei, enquanto eu repousava eternamente.

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ENCANTO SERTANEJO Num olhar sobre o sertão me fascina a paisagem que se projeta no meu coração e me leva nessa viagem. Na cidade revivo a história de batalhas que levaram à fundação na antiga capela, marco de fé e de glória Igreja do Rosário, berço da civilização. O museu revive fatos antigos, não deixa jamais morrer o passado, transporta-me a tempos áureos, amigos, eterniza as memórias de um pequeno povoado. Nos poços e sítios por quais ando vejo história e lenda de minha história, de povos antigos vou apreciando marcas eternas de batalhas e glória. Em Gargalheiras, refúgio das águas que matam a sede do trabalhador afoguei minhas ilusões, minhas mágoas para festejar sua sangria com muito louvor. Na procissão que desce a ladeira a multidão fervorosa faz romaria promessas no manto da padroeira ao hino de Nossa Senhora da Guia. A orquestra musical da Filarmônica, viajei nas notas que ela faz numa reluzente apresentação sinfônica mensagens subliminares de amor e paz. JO FAGNER

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Lugar fascinante que cintila beleza cidade-amor, aconchego nos seus recantos perfeita obra da m찾e natureza vedete do Serid처 por seus encantos. As cordilheiras contornam o horizonte e fazem dessa imagem cart찾o postal uma cidade, pequena gigante nos olhos de quem nela habita, imortal. Pequena cidade que cresce e cresce viaja pelos olhos, a todos desperta desejo e sem perceber pro mundo aparece: cidade do Acari, meu encanto sertanejo.

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A DANÇA DA VIDA VIDA Caem as máscaras, faz-se a realidade, o ser revela-se desnatural e entorpece a visão dos inocentes. Em um instante a mente emana sensações ritmadas ao pulsar do coração, outrora o mundo desmorona provocando efeitos estranhos à essência do universo. Surpreende a verdade crua e provoca efeitos sobrenaturais entre a realidade e o além. Sobrevive a esperança e suspira entre escombros a coragem. Vive-se caminhando sobre o solo lunar, em busca de nova estrada.

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SUAVE SEDUÇÃO Nos mistérios que a noite desperta a magia da luz plenilunar ilumina uma pintura antiga e liberta de uma maldição lendária um vampiro secular. No príncipe da noite tantos anos adormecido permanecia acesa a chama do coração um amor que nem com o tempo foi esquecido e aumentava a cada dia com sua solidão. Sob o céu noturno, onde impera a Lua, o príncipe vampiro um desejo lançou e saiu esperançoso pelo meio da rua buscando a imagem da moça que tanto amou. Noutro lugar aquela mesma Lua contemplava uma virgem mortal com uma lágrima no olhar; à majestade das estrelas intensamente desejava o seu grande amor naquela noite encontrar. Enfeitiçada, a jovem saiu à procura daquele que seria a sua outra metade e encontrando o príncipe viu em seus olhos a moldura que guarneceria naquela noite sua felicidade. O vampiro, encantado, viu no rosto da jovem a face de sua amada, uma reencarnação, e buscou nas forças que a natureza movem magia e fascínio para seu jogo de sedução. A moça não resistiu ao intenso encantamento e pela sedução vampírica ela foi dominada; sentiu uma inexplicável força tomar seu pensamento e numa noite de amor sua pureza foi consumada. JO FAGNER

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Na mesma hora o príncipe sentiu aflorar em sua pele uma estranha sensação, por aquela jovem pressentiu se apaixonar e trocou a vida eterna pela força do coração. A luz do amanhecer trouxe em seu esplendor ao príncipe vampiro o seu destino final, deixando na jovem a semente daquele amor que trouxe calor à sua existência glacial. Nessa noite a Lua e as estrelas testemunhavam mais uma vez o amor cumprir sua missão: unir duas almas que profundamente se buscavam em uma nova alma, fruto de uma suave sedução.

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JUAN (ENTRE A CRUZ E A ESTRELA) Fecha os teus olhos e deixa a música te mostrar o ápice do êxtase. Segue o seu impulso e embarca em seu desejo para a ilusão de prazer. Aproveita cada segundo da maravilhosa viagem com o pó, a erva e os seus amigos. Engana o seu destino e prossegue em sua noite até chegar o amanhecer. Não dá ouvidos a ditados, pois a música está tocando e não tem hora pra terminar. Só não esquece que entre os passos desta dança um novo passo pode aparecer. Atropela qualquer perigo e ultrapasse todos os limites que a sensação parece eterna. Aproveita cada instante pois a vida é muito breve, tem que fazer acontecer. Dance em ritmo acelerado enquanto a última faixa do disco não chega pra noite ter o seu fim. Pois entre a cruz e a estrela um epitáfio te espera, Juan, que vai pra sempre adormecer.

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MEDIEVAL Sob a lápide das suas promessas está sepultada a sinopse de um amor que de felicidade imensa corria pelas travessas e hoje enfeita-se com lágrimas de dor. Nas frases soltas que tentaram me vendar a máscara da insensatez deslumbrou meu coração e de uma forma brusca vi meus olhos despertar pra o seu teatro barato, que me conduziu à ilusão. Se o mesmo mar que te trouxe para mim agora te leva de volta com estranha bravura entendo porque a vida se faz um palco assim, com cenas de horror após cenas de ternura, são ensaios para o próximo ato, onde enfim, derramará teu sangue sobre a minha sepultura.

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ORLA DAS EMOÇÕES Os olhos se entrecruzam e as palavras se entrelinham nesse espaço entreaberto onde meu coração entrego ao destino que você decidir. Num instante seus olhos me cegam e as suas palavras me emudecem, enquanto o seu sorriso me leva ao orgasmo sua atitude me mostra o sarcasmo de um não querer ver o que está aos seus pés. Nos mínimos detalhes dos seus gestos meus atos deixam no ar o perfume de um sentimento, que às vezes por ciúme nos remete ao egoísmo de ter você por perto, somente para mim em cada e qualquer segundo. Se sou volúvel, idiota, imaturo ou egoísta, sou o que você quiser, menos equilibrista do sentimento desgovernado que pulsa em mim. Sou infantil, eu sei, mas sou apenas uma criança que precisa de você para sorrir.

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MELHORES AMIGOS Às vezes você vem e leva a sombra da minha alma, as vezes você passa e deixa minha vida mais calma, as vezes você passeia por mim cheia de carinho, as vezes você esquece que é difícil o meu caminho, as vezes você me fascina com sua forma de me fazer sentir humano, as vezes você me trata como se eu fosse um boneco de pano, as vezes você me encanta de coisas negativas me deixa nu, as vezes você me enfeitiça me alfineta como a um boneco vodu, as vezes você me inspira a escrever versos rimados, as vezes você me asfixia com ritmos sem pudor e descompassados, as vezes você me olha e desperta estranhos sentimentos, as vezes eu tento não olhar pra você mas você sempre aparece nos meus pensamentos, as vezes você me faz lembrar que não existe só você no mundo, as vezes e sempre eu esqueço que só você entende meu coração vagabundo.

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DOCE AMARGOR Mastiga-me na doçura do seu beijo e me consome na acidez do seu adeus. Leva-me às nuvens na maciez do seu desejo, sepulta-me nas ruínas dos sonhos seus... Seqüestra-me na propulsão dos seus abraços, abandona-me na solidão do seu vazio. Regenera o meu ser, antes em pedaços, faz tempestade, tira-me o calor e deixa o frio. Desliza por meus lábios o seu hálito de mel e extravasa o seu sal pelas janelas do meu erro, pega em minha mão e leva-me ao céu, larga-me no profundo abismo de um enterro. Mostra-me caminhos para eu trilhar junto a você e deixa-me sozinho sem saber para onde ir. Leva o meu sorriso, para não esquecer das lágrimas que me afogaram ao te ver partir.

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TEMPO AVESSO Cedo ou tarde? Será tarde quando não for mais cedo? Ou é cedo quando ainda é de tarde? Amanheço e anoiteço, quando acordo adormeço. No compasso do relógio meus olhos viajam em sentido anti-horário pelo asfalto e na poeira... por onde andei não andaria, ando por onde andava, mas não sei se andarei quando eu quiser andar... a lua já nasceu e hoje o sol é minguante, os ponteiros continuam a girar... e eu, por que parar?

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“Navego por vários romances conhecendo as nuances e as texturas da paixão... deslizo pelo vício doentio de encontrar em tempo tardio a chave do meu coração... acelero o pulsar na veia, arrisco a felicidade alheia por medo, medo, covardia ou sem intenção... exagero num ritmo sem sabor um dia, quem sabe, chegue o amor e me resgate de uma vez da solidão.”

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ENCONTRO Mil estrelas em seu olhar fazem brilhar no meu coração sua magia que me faz encantar como as flores que se abrem na estação. Um canário em sua voz me faz por essa estrada caminhar, chegar na casa do Mágico de Oz só pra saber o lugar onde te encontrar. Isso é a magia da Lua cheia que me enfeitiça e faz pensar no seu rosto de sereia sedutor nas águas do mar. Num arco-íris encantado deslizo numa viagem até você já que estou apaixonado e não consigo te esquecer. Busco seu perfume no vento, seus olhos na luz do luar guiado apenas pelo sentimento esperança de um dia te encontrar.

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ESSE OLHAR Esse seu olhar de nívea luz que me fascina intensamente me faz te desejar, com estranha força me alucina. Esse seu olhar que nessa hora me alumia faz meu coração inspirar a te escrever esta poesia. Esse seu olhar que no seu rosto me enfeitiça me consome sem parar no fogo que em mim você atiça. Esse seu olhar que num sorriso me encanta me seqüestra pelo ar de sua voz que me imanta. Esse seu olhar que me irradia de beleza me arrebata, me faz acreditar em seus olhos: obra da natureza. Esse seu olhar que ficou em meu coração me faz só em você pensar e me leva na brisa dessa atração. Esse seu olhar que me fez viver instantes de glória aos poucos vai se imortalizar nas páginas da minha memória. JO FAGNER

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ESTRELA NOTURNA Tantas nuvens nublam meu céu fazem em mim uma tempestade escondem a felicidade por debaixo de um véu. Tão escuro é o caminho pra chegar ao outro lado, sentir que sou amado, ansioso como um garotinho aprendendo a arte de se apaixonar. Tão nublado é o meu céu noturno mas ainda há uma estrela a brilhar com a lucidez do céu diurno, não deixa meu sonho apagar, afasta-me dos perigos de um coração soturno.

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FOGO PASSIONAL Feito chama a queimar ao vento arde em mim o fogo da paixão e de propósito acelera a combustão entre seu corpo e meu pensamento. Como eterna chama que não se apaga persegue-me o calor da sedução e petrifica meu solitário coração no tempo que por mim ilusão vaga. Com labaredas esse fogo me consome e me faz ver miragens no deserto me confunde, já não sei meu nome nem vejo quem está por perto só percebo que meu reflexo some e some na chama desse fogo incerto.

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VOCÊ COMIGO É pedaço, é fração, é coração, é batimento, é oxigênio, é emoção, é arrepio, é sentimento. É vida, é esperança, é novidade, é rotina, é ano-luz, é vizinhança, é montanha, é colina. É exagero, é calmaria, é rua pequena, é cidade, é chuva, é ventania, é um sorriso, é felicidade. É um sopro divino em meu ser, uma canção dos anjos para mim, é você, de luz no olhar, entardecer, é a sua presença que me deixa assim...

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APAIXONADO Destino travesso acertou em cheio meu coração deserto. Acende uma chama e ilumina teu rosto cândido, iluminado. Sem convite um sentimento invade o coração me faz sofrer. Emoção enigmática efeito devastador me faz intenso viciado. Paixão em segredo amor imaculado platônico, abençoado. Em um toque de piano coração em labirinto rendição imediata. Versos em poesia revelam em entrelinhas um ser apaixonado.

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SERENATA AO CORAÇÃO Essa emoção é a fina garoa que caía em minha placenta e até hoje ainda alenta meu coração em clamor. Essa emoção me deixa à toa por travessias da vida mas sempre na mesma avenida me atinge em transversal com tremor. Essa emoção é uma velha canoa que me leva pelas águas de um rio até que sinto um breve arrepio e lembro-me que não sei nadar. Essa emoção é travessura que atordoa com faces de prazer compulsivo e nos pingos desse orvalho nocivo pressinto a razão naufragar. Essa emoção é melodia que soa no ritmo inconstante do vento e nas águas deste sentimento vejo minha face em reflexo. Essa emoção é pássaro que não voa e que migalha qualquer ser enquanto o sol leva ao anoitecer minhas outras emoções em anexo.

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C’EST L’AMOUR Sensação estranha, sensação de amor que maravilha a mente. Sensação indizível que fecha os olhos, cala a boca e tapa os ouvidos. Sensação que nos faz cegos, surdos e mudos. É o sentimento de amor, divino, cândido como a luz, que nos faz ficar bobos. Força estranha é esse tal de amor, sensação que sucumbe à pele toxinas, que percorrem a corrente sangüínea, e o coração reage com taquicardia, e no resto do dia dá grito de guerra: amor, amor, pode vir amor, que esta vida é tua!

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QUATRO Quando teu olhar se distancia meu mundo inteiro desaba, minha vida fica vazia, meu sentido se acaba. Quando me vejo no espelho não vejo meu verdadeiro eu, só vejo um tímido coelho fugindo do destino que é seu. Quando penso em você fico à toa, enfeitiçado, e quando tento me esconder você aparece do meu lado. Quando penso em te esquecer não encontro forças para lutar, só te vejo a me vencer e meu coração a se entregar.

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NÉCTAR Menina, teus olhos têm brilho de luar que me seduz e embriaga com mistérios da noite, teus lábios têm néctar que me adoça e me conduz à delícia do teu beijo. Menina, teus cabelos são pétalas de rosas, mas teu coração tem espinhos que me repelem, tens olhar de Medusa e me transforma em estátua de pedra, só para eu eternizar te olhando. Menina das ondas do mar, do calçadão da praia, sereia das pedras, miragem das dunas, feitiço de verão; menina do néctar que encantou meu coração.

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“Mostrar a nudez dos pensamentos, contemplar a cada uma de minhas emoções, quero jogar minhas palavras à travessura dos ventos e saborear a loucura de minhas paixões quero aflorar à pele meus sentimentos, afogarafogar-me num movimento inconstante, imprevisões.”

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BASTIDORES DE UM PULSAR O que há com meu coração? Diz que está perdido e sozinho mas quando encontra o caminho sempre muda de direção. Será que ainda sou menino? Por um instante sou super-herói, num toque de mágica tudo se destrói nas aventuras pelas curvas do meu destino. Será que ainda não sei o que é amar? Quando um novo botão vem me florescer escondo o sol e faço chover, minha primavera vejo naufragar. Será isto um episódio rotineiro? Acerto nos erros porque sou humano na defesa contra qualquer sorriso profano findo atacando a rosa do amor verdadeiro. Mas por que minha alma ainda chora? Se eu conheço a nobreza do meu sentimento vou escrever minha história nas páginas do vento e deixar que ele me diga quando ir embora.

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REPULSÃO Olha enquanto as nuvens cobrem o mar, teu olhar distancia-se do horizonte e na estrada meu coração em pedaços alimenta esse martírio. Olha os quilômetros de asfalto, a brisa, o verde movimento do trajeto de separação: é a distância ácida e brutal. Olha teus olhos nos meus, a dor de um adeus incrustada na salinidade de uma lágrima. Olha, tanto pouco tempo, tanto tempo, o tempo... mestre da incerta certeza do reencontro, quem sabe, entre um talvez e um jamais, o sorriso continue intocável pelo mágico instante do agora.

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ECLIPSE Quando o sol se esconde atrás da Lua e a escuridão sombria domina a luz vejo meu coração de alma nua fugindo do desejo de amor que o seduz. Quando o eclipse do sol acontece e nos deixa apenas a luz anelar minha mente então resplandece ao perceber a lenda eclíptica fascinar. Diante deste fenômeno impressionante uma lição de amor no céu irradia: se o sol, astro-rei da Lua tão distante beija a musa da noite em plena luz do dia, porque meu coração sofre em tempo constante com o amor platônico que só castiga e me judia?

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SINFONIA Estrelas Luar Sintonia. Coração Fragmentos Agonia. Letra Emoção Melodia. Busca Encontro Harmonia. Amor Oxigênio Asfixia. Versos Papel Caligrafia. Sentimento Inspiração Poesia. Noite Tempo Paralisia. Aurora Amanhecer Já é dia.

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METADE Meia-Lua no meu céu noturno: me sinto minguante nessa nostalgia crescente, entorpecente, magnetizante... por trás da meia-sombra as crateras se escondem, mas o sol ainda mostra meu rosto sem maquiagem. Meia-emoção, emoção e meia, adormeço de meias pra não sentir o frio da solidão, que me consome e me petrifica e edifica um triste olhar. Meio sem palavras ouço vozes, ecos do meu interior que anunciam, à meia luz da Lua a metade de um ser em acelerada erosão.

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CHOCOLATE Doce sentimento que nem diamante negro viciante, tentação irresistível... ternura e suavidade que derrete nos meus lábios. Sabor exótico, delícia que arrepia; paladar dos anjos, sensação crocante que estala na boca, sedução que faz desejar; doçura com gosto de malícia, prazer inesperado, instinto provocante. Fragrância e sabor que despertam em mim ternura e sedução, suave tentação do amor sem limites.

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ANOITECER Horizonte... o céu estampa-se de noite, e numa aquarela de momentos os pincéis de nostalgia desenham tua face em minha mente. Uma estrela que no céu reluz: um instante em minha memória e a certeza da eternidade conduzida pela majestade da Lua. Ao enegrecer do céu as constelações brilham teu sorriso, mas o teu olhar ainda esconde-se entre as luzes da noite. Uma melodia distante me conduz às estrelas, quão os sonhos enamorados... minhas palavras no silêncio da noite lapidam um coração, gravam teu nome na Lua. Universo infinito, brevidade noturna, onde irei te encontrar ?

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INTIMIDADES Volto à página, releio nossos episódios e as entrelinhas reconstroem nossos detalhes: eu e minha mania de te querer só pra mim, de te seqüestrar e te confinar no meu mundo, só pra eu poder me sentir parte do teu; eu e meus ataques de ciúme, que ao te ver ao lado de outro já sinto um frio querendo te roubar; eu e meu costume de ocultar os seus defeitos e mostrar suas atitudes e brigar por qualquer besteira; eu e meu vício de te fazer sorrir, pensar e discutir, mas na verdade o que sinto, é infantil, eu não minto, coisas de uma criança indefesa sem você, meu abrigo.

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UMA LÁGRIMA Lua cheia no céu clareia em meu olhar um desejo, pedido a se realizar. Lâmina da ilusão que navalha meu rosto e faz sangrar: água salgada que caminha por minha face desenhando traços de infelicidade, por palavras omitidas, mal proclamadas, sem efeito calculado. São coisas do coração que ora nos fazem sorrir, ora nos agonizam acidamente com a magia de amar. O tempo não pára, também não volta, cicatrizes são reais e existem para marcar vitórias e derrotas, erros e acertos. Ah, Lua, faz meu coração na força do amor acreditar, traz de volta a confiança nos passos do destino. Vai, Lua, enxuga em meu rosto essa lágrima, diz pra ela que a vida é bela, que não há razão para chorar, canta em meu ouvido uma canção de ninar, só para acalmar dentro de mim esse triste aprendiz de humano que a vida o ensina como por ela caminhar.

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MIRAGEM Sonhei que eu era um pássaro. Te sobrevoava, seguia teus passos, ouvia teus sussurros e realizava teus desejos. O mundo ideal para nós dois acabara de surgir, tudo era mágico. Eu podia te beijar, sentir teu abraço, eu entregava corpo e alma e por um instante a grande muralha que nos separava havia sido derrubada. Você espalhava sorrisos pelo mundo e unia aqueles que buscavam o amor sincero. Mas acordei, vi a realidade que me cercava o tempo todo. Tudo era só ilusão, miragem que me confundia toda vez que eu pensava em você.

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UM QUERER Quero ser letra ritmar sua melodia quero ser verso rimar na sua poesia quero ser sol trazer calor ao seu dia quero ser cor em sua paisagem vazia quero ser brisa dar frescor ao seu ar quero ser nuvem o seu sonho transportar quero ser estrela o seu pedido realizar quero ser pássaro ao céu te levar quero ser príncipe te dar toda nobreza quero ser cavaleiro ser a sua fortaleza quero ser platéia admirar a sua beleza porque meu peito já se encantou por sua inocente delicadeza.

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“Viajo entre palavras. Que contornam sentimentos e desenham minha alma. Viajo em frases que me desvendam e me fazem enigma. Da paixão ao ódio, do inocente ao mais proibido. proibido. Aos poucos nem me percebo quando me vejo todo no espelho de linhas brancas onde vou me escrever.”

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NAVEGANTE Pétala da rosa, do espinho da flor. Rota do leme, do horizonte do amor. Melodia da valsa, do sonho, do sorrir. Sina de viver, de chorar, de sentir. Refém da tristeza, de você, da solidão. Lágrima no rosto por sofrer a ilusão.

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LUAL A Lua reflete segredos no mar e o oceano em suas águas meu sonho conduz a um infinito horizonte, no véu do luar onde a magia da noite meu sentimento traduz. Nas águas praianas, tão límpidas, puras, meus caminhos se rendem à correnteza dos versos levando mágoas, frios e lembranças escuras onde meus sorrisos agonizavam submersos. A Lua que reflete os meus íntimos segredos agora me revela em águas um estranho calor e liberta-me com fúria de todos os meus medos me faz navegar por mares com esplendor, agarra minha mão com força, põe entre os meus dedos magia pra escrever na areia a história de um novo amor.

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NOSSO DESEJO Fala bem baixinho em meu ouvido o grito do seu coração pelos lábios que se entrelinham, se entrelaçam e nos entregam. Vem e me entrega a chave da sua alma e nossas vidas gritam esse verso e o nosso inverso, em calmaria, em tempestade. Chega logo e me cria, me recria, me copia e me reproduz, chega devagar na sua aceleração e eu caminho... e corro... quase morro. Dou três tempos pra você entrar mas deixo claro que não irá sair sem dizer aonde vai e quando volta na revolta do beijo, vem cá...

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AMANTES Amor acontece a dois e os olhos desenham cada palavra, os lábios dançam intensos desejos e eu, só sei escrever. Amantes caminham de mãos dadas, e tocam a brisa com a ponta dos dedos e andam sobre nuvens na ponta dos pés e eu, sei apenas escrever. Amantes são estrelas de fogo são água e são vento, terra e mar, são quatro elementos em plena fusão e eu, nasci pra escrever. Amantes são versos e ritmo de um poema com melodia sincera são seres tão lindos, perfeitos, inspiradores e eu sou poeta, me deixe escrever.

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FASCÍNIO Teus olhos e teu sorriso meu fascinam pouco a pouco com a luz q eu preciso acho q estou ficando louco... Teu olhar e tua magia teu ritmo e meu desejo me entregam com alegria à delicia do teu beijo Teu abraço e teu carinho nos meu braços passa o frio no teu colo meu caminho no teu cheiro arrepio Tua voz e tua canção tua dança e tua doçura invadem o meu coração levam-me à loucura Meu fascínio, meu prazer olhar-te pra deslumbrar cada detalhe teu, pra me derreter em gotas de paixão nos teus lábios derramar...

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O QUE VOCÊ ME FAZ SENTIR Eu me rendo e me desprendo de qualquer coisa supérflua ou efemeridade eu me curvo e me surpreendo com esse sorriso que me conquista a majestade eu me enfeito e vou morrendo no teus lábios crus em noites de mel, crio realidade e na lua meu amor já está nascendo e por teus olhos se espalha pela cidade.

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DOIS MAIS DOIS Encanto-me em entrelinhas de madrepérolas negras que no espelho mostram você, canto-te no verso do olhar em estrofes que me deixam te perceber. Fujo quando a sobrancelha contorna sua jóia e me reporta a teu mundo de segredos qua ainda desvendo. Volto quando me observas num encontro divino e singular dos teus olhos com os meus.

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NOITE DO PRIMEIRO ENCONTRO Se me olhas em prelúdio eu te mostro no meu peito o seu nome gravado. Se me sorri em valsa eu te inscrevo no meu pulso num instinto bem pensado. Se me expressa tua alma eu te desenho no meu corpo, um sentimento tatuado. Se me ofereces o tempo eu te peço apenas um segundo pra ficar o resto do seu lado. Mas se o tempo te oferece eu aceito e esqueço as horas no teu rosto congelado. E o meu verso te pede apenas seja essa noite o meu eterno namorado.

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ROCK MEU E SEU O seu amor não dá pra evitar, não tem como fugir e eu não quero escapar. É assim que eu vivo, lado a lado com essa sina andando no mesmo caminho que a tua voz me ensina. Do seu amor não quero rosas nem flores, quero mesmo os espinhos pra eu morrer em tuas cores. E é assim que eu vivo sem nexo, razão ou sentido, beije-me agora, tire-me daqui, encontre-me mais tarde nesse verso rendido.

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Derramo em poucas linhas o sal que sufoca meu peito e quer transbordar, transporto a escuridão que agora habita em mim rasgando o coração em pedaços... Revelo em mim cada verso o que eu descubro e o que eu ainda não inventei no meu mundo tão fantasticamente desenhado que agora eu faço questão de apagar.

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EGOSOFÍA Eu na plenitude da existência, no centro do meu ser, incógnito, imperceptível em minha solidão. Acordo de um sonho, batalha entre o real e o imaginário na busca da concretização dos desejos ocultos, escondidos nas sombras de minha face pálida. Enigmático e em passos lentos caminho numa longa estrada de desespero, pois meu ego pede socorro, por alguém que me tire dessa encruzilhada sobrenatural, um duelo imprevisível entre o meu tão indecifrável “eu” e essa minha mania de sonhar sem limites.

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SEM VOZ Nas minhas veias palpitam ecos do sobrenatural, enquanto o negrume domina o caminho da luz; nas sombras da minha face grita o meu olhar. com medo do escuro. E a voz da minha filosofia liberta sons estranhos que me remetem ao misterioso palco da noite. Nos buracos da estrada l叩grimas de tocaia encarceram meus sorrisos. Condenado ao abismo pelo tribunal da raz達o, vou deixando um rastro de sangue pela terra, enquanto a palidez me consome e as palavras s達o acorrentadas na minha boca. Arrasto-me pelo ch達o fervente, esperando no final um curativo para minhas feridas, abertas no meu peito pela derrota, numa batalha que perdi sem lutar.

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PENUMBRA Paro, analiso, paraliso. Desisto de entender se existo ou se sou prisioneiro da existência. Mais uma vez me encontro sobrando em meu espaço. Procuro entre vitrines qual face usarei hoje. Não encontro. É impossível mascarar uma dor, que de tão profunda e constante parece eterna. Em passos lentos caminho, embora por vezes engatinhe por essa estrada de trilhas perigosas. Resisto, enquanto o desejo de insistir persiste em existir para me constituir. Dilacera-me o pranto dessa dor, mas regenera-me a nobreza do amor, recarregando minhas forças na continuidade dessa caminhada.

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ECOS DE MIM No espelho, reflexos do meu caleidoscópio sentimental excitam minha lógica. Como as fases da Lua meu ser caminha pela fisionomia inconstante. No olhar, uma senha para meu universo perdido de planaltos e depressões. Através da pupila de meu globo ocular maravilho-me com o prisma da personalidade humana, enigma de interpretação utópica. Hipnotizado por um simples reflexo, procuro reações para entender minha razão, quem sabe ser o primeiro homem a pisar na Lua da existência.

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ALMA NUA Decolo suave em versos, atravesso as paredes dos pensamentos, com uma concha devoro a vida escrevo numa folha poesia ferida no compasso paradoxo dos meus sentimentos. Esvazio dias submersos em breves minutos de inspiração bravas ondas de maresia revoltam suspiro e asfixia no universo do meu coração. Edifico frases ritmadas ao caminho desritmado do meu ser afogo-me num oceano vermelho mutilo-me em fragmentos do espelho dos momentos em que vi o meu crescer. Derramo lágrimas aladas espanto a monotonia do singular faço chuva em noites de lua cheia, enterro meu coração na areia, desenterro no dia em que eu me encontrar.

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OLHOS DA ALMA O que vejo são palavras flutuando pelo ar, com tempestades após serenos e calmaria após vendavais. O que vejo são nuvens verdes em busca de um sol vermelho ansiando um arco-íris encontrando um céu negro. O que vejo são imagens turvas no espelho, onde a minha nitidez não encontra o contraste certo. O que vejo são meus olhos abertos e o meu coração de olhos vendados. O que vejo sou eu, com aura e contorno indefinidos, em forma e volume variáveis, comprimido num breve e microscópico espaço de viver.

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360° Encontro-me nas linhas dos meus desencontros navego por caminhos de árida terra onde rastejo cultuando minha sombra e vejo minha escuridão com nitidez enxergo meus passos com astigmatismo embriago-me em meu olhar salgado reflexo negro num espelho fragmentado se me vejo, se me escondo se me encontro, se me perco não sei respostas exatas são ilusões de um universo sem respostas emoções anestesiadas são mentiras de um coração suicida vivo, caminho, sinto chovo, faço sol, afogo-me condor da nobreza dos meus sentimentos perco a noção de mim sei que sinto sou humano, ser emocional de encontro marcado com meus desencontros aventureiro sem trilha na falsa esperança JO FAGNER

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de uma felicidade ut贸pica sei que sinto s贸 isso.

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INÉRCIA Frases de amor, emoções, sentimentos soltos... Coração sem ritmo num canto isolado. Pessoas “in Love” sentindo, emocionando, coração ainda bate, não sei, fica assim, meio apertado. Movimento constante, vai e vem, dor e delícia, doçura e ardor, ternura e malícia, mundo e eu, afogado. Tudo acontece, o relógio atrasou, a pilha acabou, o mundo está girando e eu... estou parado.

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PRO FUNDO A lágrima afoga o olho no espelho que sufoca o grito e se deita nas sombras da face como qualquer pulso que morre e nasce nos labirintos do feio e do bonito. Partículas de ser humano submersas no profundo vácuo de imensidão triste, áridas paisagens imaginárias que flutuam entre versos sem ritmos e máscaras que atuam em mar, terra, fogo e ar, tudo o que existe. Um chamado ao fim, extrema escuridão, ao abismo vago e de contorno definido, onde as palavras são o choro que o vento solidifica e as águas são mágoas que o coração petrifica nas marcas eternas do sentimento engolido. Se namora e se despreza, na inconstância que tortura e amarra ao peito espinho de terras abissais como a toda hora que no reflexo vem e some estranho e áspero manto sem origem, sem nome e me abraça e se enraíza, feito forças imortais.

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ÚLTIMAS PALAVRAS Ando descalço, não reconheço cores, adapto-me num mundo sem formas, tão estranho. É que meu mundo ainda não sabe o nome e se rende a uma poeira que some a cada vez que tenta resistir. É que eu, talvez, me entrego aos poucos aos mínimos e muitos sabores amargos e se mata, em cada esquina, sem sabor o que espera além da vida. Assino a sentença de um destino insólito no meu cenário surreal pintado com os pincéis e as tintas dessa minha aquarela de desejos sem fim, até que um dia alguém lembre de mim.

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E meu corpo se rendia, em versos, à erupção do meu Éden cada vez que meus instintos respondiam ao paraíso da pele, num toque eterno de um impulsivo instante, às mãos celebradas que me levavam ao prazer...

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VOYEUR Corpo que alucina, cores que provocam, movimento que enlouquece... Deito-me sobre curvas no sabor tóxico dos teus braços e deleito-me no veneno de sua alma, na fusão de teu espírito ao meu. Sensualidade que me Rende e escraviza, de perigos que se escondem nas cortinas de um olhar... Possessão... domina-me sem perceber e prende-me a ti pelo infinito, no sabor nocivo do seu prazer.

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PALADAR O teu corpo me orienta em seu campo magnético, polariza meu pensamento na magia desse instante; a tua fisionomia desperta em mim um forte desejo carnal, teu movimento busca um gesto meu que extravase o prazer que congestiona os caminhos venosos do meu organismo. A minha mão desliza pelo corpo feito mágica da sedução até chegar ao mais intenso êxtase; como num ritual de magia branca nossos nomes num oráculo escrevem o destino. Imagem que não sai da memória e me excita quando retorna à vista, fazendo-me criatura submersa em teu veneno. Esse desejo que aflora em minha epiderme e me leva à loucura se chama você.

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LIBIDO Sopra teu fôlego em minha pele com o ardor da malagueta pra excitar minha sensibilidade. Sopra teu fôlego em minha pele com a temperatura da labareda pra acender minha sensualidade. Sopra teu fôlego em minha pele com a velocidade das nuvens pra despertar em mim tesão. Sopra teu fôlego em minha pele com a mágica sedução da Lua pra brotar em mim forte atração. Sopra teu fôlego em minha pele faz de mim um dependente pra viciar meu cérebro de prazer. Sopra teu fôlego em minha pele com a bravura das ondas do mar pra me fazer te desejar, enlouquecer.

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MIRAGENS No jardim das delícias fiz colheita de um fruto proibido, veneno de escorpião que contamina meus vasos sangüíneos. No éden dos prazeres plantei sementes de êxtase, árvore exótica de sabores excitantes, donde a serpente envenena. Na inocência dos olhos a maçã copula em mim seu vírus de pecado, fazendo-me mutante. No paraíso do desejo fixei minhas raízes, regadas com o tesão do prazer carnal que excreto em minha seiva negra. No reino do erotismo esqueci minha soberania pra ser escravo do prazer, devoção ao toque de pele. Num mundo de miragens esqueço a razão, busco prazer de minuto, veneno contaminado que me toma a lucidez da realidade: ilusão de prazer.

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ÊXTASIS Desde o êxtase que à epiderme aflora à libido que transpira minha pele pressinto o pecado original que me devora atrai meus instintos, do consciente me repele. Incontrolável, irresistível apetite de prazer feroz dama de vermelho meu corpo domina envolve meus sentidos, me faz enlouquecer semeia nos meus poros o tesão que desatina. Insaciável apetite carnal, instintivo desejo de êxtase enlouquecente necessidade pulsante invade-me, e eu passivo rendo-me aos seus encantos de efeito entorpecente. Fonte de prazeres, gêiser de ilusões afoga-me subitamente, no seu seio embriagado com fragrância de feromônio de mil paixões: êxtase venenoso em meu corpo encravado.

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CLÍMAX Por sons e movimentos de uma odisséia carnal viajo numa expedição ao lado humano-animal. Como espectro do êxtase realizo fantasias ocultadas em meu casto olhar. Impulsos de desejo acionam minhas turbinas e me submetem ao universo do prazer. Sensações desgovernadas, emoções dominantes que sucumbem à pele, sensualizam minha mente e findam por me fazer fantoche do teatro da sedução.

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FANTASIA Meu corpo navega em direção ao teu pecado Teus olhos nublam meu olhar e me deixam desorientado Tua boca me convida ao teu beijo sagrado Teus gestos me atraem a um segredo violado Tuas curvas me desafiam a um desejo arriscado De me aventurar por suas linhas em um luar enfeitiçado E escorregar por teus cabelos e me encontrar no seu passado Viajar no seu futuro e ser presente conjugado Do próximo episódio do teu filme erotizado Onde você me põe na boca e me deixa mastigado E me engole com vontade no teu ritmo acelerado No movimento do teu sexo me deixo ser levado Até chegar ao teu orgasmo onde me fazes excitado E acreditas que o meu ato já esteja acabado Mas o fim da minha cena não se encontra terminado Deixo nódoas em você pra ficar sempre marcado Como um talismã do prazer, fetiche realizado.

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SUSPIROS Abraça-me suavemente nos dias de chuva beija-me feroz nas noites de calor me faz uivar teu nome à lua deixa-me solto pelos caminhos da rua que logo encontro a trilha do teu amor. Deixa-me aquecido no frio deixa-me sentir seu arrepio e acende o meu peito com teus lábios... deixa-me ser teu amor permita-me ser o teu calor e venha ser o meu fogo... Na noite de inverno quero ser cobertor nas nuvens nubladas me deixa ser trovão cavalga pelas minhas estradas desertas impera nos meus sentidos de asas abertas voa ao horizonte e ao infinito e mais além mas não esquece de uma coisa: é teu meu coração, de mais ninguém.

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O BEIJO DO ESCORPIÃO Chega perto, me leva pra longe desliza no meu perigo o sabor da nossa atração, vem aos poucos e chega de uma vez deita no meu peito e sente a fúria do meu pecado. Me chama baixinho que te levo sem medo pra arder no calor do beijo do escorpião, te levo ao inferno e te deixo no céu te roubo pra qualquer mundo meu corpo está enfeitiçado. Ouve minha voz e se entrega ao meu fôlego sente correr em meu pulso a força da minha erupção, gruda teu corpo no meu afoga teu desejo em meu veneno que te rendo à bravura do meu chamado.

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PARADOXOS Olhos fechados, corpos abertos e lentamente o meu tato se rende ao seu toque, no ritmo de suas carícias. A céu aberto, de portas fechadas, o meu íntimo se entrega ao seu mundo, na fonte de suas delícias. Lábios fechados, de alma aberta, nossos beijos de conversam em seu olhar, que me seqüestra para o infinito. Braços abertos, abraço fechado, Entre quatro paredes o calor se rebela nas chamas do amor mais bonito.

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Palavras avulsas e o tempo se perde sem rima na rima exata do meu pulsar. Sentimentos que afloram e desenham cada momento em papéis em branco que a vida dá cores e meu peito, às vezes, quer esquecer.

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VIRTUAL Meus olhos se afastam dos teus, falta um laço, eu me afogo numa lágrima de adeus, me desfaço. Assisto em teu destino sem dono um sorriso que horas me deixa sem sono, realizo... porque teu olhar é um abrigo, minha cura e os teus lábios fazem comigo uma loucura que me deixa assim, sem voz, sem respirar até o instante em que eu e você seremos nós, vou te encontrar...

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AMOR E DESEJO EM CINCO SENTIDOS Amor é cego, desejo tem visão amor é olhada, desejo é atração amor nasce no toque, desejo acende no tato amor é família, desejo, orfanato amor é sabor, desejo atiça paladar amor é carinho, desejo... vem deitar amor é música, desejo é audição amor são notas, desejo, uma canção amor é suave perfume, desejo sensível olfato amor acontece, desejo é fato amor é tempo, desejo morre em segundos amor mora do lado, desejo está solto no mundo.

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POSSESSÃO Desliza sobre minha pele o hálito feroz da tua existência, derrama-te no meu peito e congele o sabor irresistível de essência. Afoga-me nos lábios teus a todo instante porque sempre me asfixia quando te vejo, inunda-me com o teu olhar hipnotizante que eu alimento a fogueira do meu desejo. Abraça-me com as labaredas do teu peito que eu te entrego à loucura do meu instinto consuma-me com luzes de um dia perfeito com fragrância da lua, magia, absinto encontra os meus braços pra provar meu deleito que eu sacio a fúria deste coração faminto.

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FLERTE Entrega-me o teu sorriso ao passar por mim, afoga-me em teus olhos pra o meu peito acelerar, deita-se no meus braços, me faz ficar assim meio sem graça, como uma estrela a revelar. Porque quando me chegas com esse fogo feroz condena-me a tuas labaredas de calor desconhecido e ao mistério dos teus lábios entrego-me veloz pra despertar meu êxtase, como vulcão adormecido. Fascina-me sem intenção, pois meu querer te devora num desejo sem fim, numa prévia eternidade onde humaniza-me e leva minha essência embora pra um lugar que não conheço, longe da realidade. Só não me deixa morrer em sua aurora, vem ser o sol da minha talvez felicidade.

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SENTIMENTALISMO Desenhei nuvens em céu desconhecido rasguei versos, atirei-os ao vento afoguei-me nas águas do pensamento onde depois encontro-me adormecido. Viajei em páginas de um sentimento fugaz feito herói com asas de fênix desbravadora, mas em labaredas de uma chama avassaladora vi nuvens escuras fecharem o tempo, foi-se a paz. Sonhos puros que se foram subitamente numa chuva negra que levou a visão fragmentou vida por vida, pedaços de ilusão deixo tempo confuso, enigma da mente. Dorme, dorme coração que o sol logo chegará e ele tá dizendo pra não perder a hora, antes que a chuva chegue, vai embora, leva teus sonhos, realidade que virá...

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AUSÊNCIA Feito lâmina que me atinge em diagonal pressinto no peito uma dor que braveja atravessa meu corpo com a força de um punhal dilacera minha alma e o coração esquarteja. Alimenta meu organismo com vidro cortante e assassina minha vida com asfixia envenena meu sangue com fogo pulsante desintegra-me lentamente no frio que arrepia. Essa cólera que me invadiu subitamente só tem um remédio, uma solução, é trazer-te para perto de mim eternamente, livrar-me pra sempre do gelo da solidão, sai dos meu sonhos, aparece em minha frente vem aquecer a vida de meu nobre coração.

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RECOMEÇO Um minuto e uma eternidade no vento, Quebro a lógica, engano meu abraço Com a ilusão de um vácuo pensamento Longe da realidade, realizo e desfaço O que era esperança hoje é doce utopia E passeia por mim deixando rastro de espinhos Em passos lentos rouba minha harmonia Com nuvens de poeira confunde meus caminhos E o que era canção hoje é apenas amargor, Melodia sem ritmo, oração sem prece De sonhos brancos transformados em dor Em um instante que o tempo desconhece. Páginas em branco, recomeço em flor, Deixa no passado que o coração esquece.

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ENCANTADO Escrevo agora o que teus olhos me descrevem, a sensação que o meu pulso não controla e deixa voar em versos cada linha do seu sorriso. Escrevo em poema um doce momento quando te vejo, o instante em que te percebo nesse tão curto espaço distante que nos separa. Escrevo assim cada gesto de teu corpo, a linguagem de tua expressão que me deixa sem palavras e me enche de poesia. Escrevo-te por escrever em tão curtos períodos em que o nosso tempo se encontra nas orações que se alinham e guardam em entrelinhas o seu mistério em mim.

JO FAGNER

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C O M O

N A S C E

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P O E T A

QUATRO PAREDES Os lábios que se tocam e as peles que se fundem no atrito entre os corpos vejo nós dois no espelho em expressões de um querer. E os gestos nos revelam a intimidade das almas em braços que se entrelaçam e abraçam a fúria da atração, só de te ver. No reflexo desfocado o suor dita o ritmo e afoga os toques, condensa os hálitos no pescoço vão derreter. Morre entre lençóis nosso êxtase consumado nas cores de uma nudez, são dois corpos tão iguais no espelho do prazer.

JO FAGNER

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C O M O

N A S C E

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P O E T A

Em cores descubro um perfume de uma sensação que de cores me cobre e me mostra o sexo do amor, reitero toda minha vida em nuances variadas de prazer. Caminho por universos iguais em estradas paralelas, descubro o rosto e o véu que me formam e vou viver.

JO FAGNER

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C O M O

N A S C E

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P O E T A

LÁBIOS Desliza-me, enfeitiça-me em teu corpo me envolve, provoca-me, atiça-me na tua saliva me dissolve, convida-me, embriaga-me no teu fogo me consome, prende-me, afaga-me nas letras do seu nome, devora-me, mastiga-me deixa ser o teu brinquedo, manipula-me, castiga-me acaba com este meu medo, leva-me e imortaliza-me como páginas do teu destino, entrelaça-me e realiza-te dos lábios do teu menino.

JO FAGNER

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C O M O

N A S C E

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P O E T A

PRELÚDIO DE UM BEIJO Meus olhos em teus olhos raios de luz numa ponte de atração, meu desejo e seu desejo forte enigma do coração, meu fôlego e o teu fôlego na coreografia da respiração, meus lábios em teus lábios um sabor intenso de emoção, irresistível intenso impulso efeito de uma dilatação, convite ao prazer aproximação, ação!

JO FAGNER

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N A S C E

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PELE As mãos que correm suave pela pele acendem sensações ao ritmo do beijo no movimento embriagado de um tocar viajam pelo corpo, odisséia a explorar o perfume, o sabor e a cor, o desejo. O tato que devora ao derrapar em curvas atrito dos olhares, indícios de combustão que no sentir dos lábios um calor incomparável incendeia ao provar da saliva inflamável e se explode no instinto, fantasia, tentação. Os corpos que se abraçam, se cruzam e entrelaçam e afogam-se no cálice proibido de um prazer inocente boca na boca, braços nos braços, almas unidas pêlo com pêlo, palavras no ouvido, essência das vidas forte impulso humano, natureza que domina a gente. Pequena chama que nasce na dança dos olhos e no tocar de quatro mãos deixa-se enudecer desliza pelo pescoço e enrosca no peito perfuma com êxtase, desperta estranho efeito é instinto, é fogo, desejo que realizo no seu prazer.

JO FAGNER

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N A S C E

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P O E T A

ESTRANHO E REAL Deixa esse teu sorriso morrer em mim com sabor de leve mordida na boca a cada movimento calculado onde tua pele me domina, deixa sua presença entrar e ficar na memória com sensação veraz e feroz que nem efeito de toxina. E eu me rendo à cada mágico olhar em passos malandros e rosto suave como álcool, heroína, cocaína, anfetamina e teu sorriso, que alucina. Assim eu sacio a vontade de beber o doce néctar que escorre por teus lábios agora e em cada curva deitar o teu corpo no meu canto que desafina em múltiplos orgasmos por minuto num instante repetido e em várias rotações eu me perco nessa tempestade de êxtases, brisa selvagem que não termina. Vem e me rouba logo de uma vez que eu morro no açúcar da tua saliva, me prende na cama, derrama fogo e espera mais tarde, você e eu, imagina...

JO FAGNER

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N A S C E

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MAD TEQUILA Tuas mãos me guiam na direção do teu segredo e os meus olhos correm pelo bravo mar do teu sorriso e me afoga no abismo do teu braço e me leva nos teus rios, evaporam e me fazem chover. Estou em transe, meu bem, se prepare, estou no auge da minha loucura por você, caminhando com os pés sobre o fogo das pétalas dos teus lábios, rosa do meu prazer. Estou nos céus, meu bem, não repare, sinto a alma do teu brilho, oceano de mistério me refugio no teu manto, oh, suave madona e me perco na tua boca, em gotas de tequila. Desliza-me nos teus contornos e me prende, que eu mergulho em teu desenho lindo de fel, és ventania e sou apenas um grão de areia JO FAGNER

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N A S C E

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da terra que te engole para o fundo do meu mar.

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LUA DE CHAMPANHE Fica entre você e eu O olhar, o afago e o beijo O toque, o carinho e a voz O luar, o flerte e o desejo O acaso e o encontro, nós. Fica em nossa mente As palavras que flutuam sem som e as almas que se abraçam pelo ar Cada nota, cada sabor e cada tom São lua e estrela num espaço de se amar. Fica em nosso céu Os olhos que me convidam a outro mundo Os braços que me levam a um eterno instante No infinito espaço de cada segundo E do destino que brinda extasiante. Fica entre versos e entrelinhas A poesia dos olhares, a melodia do abraço Cada detalhe de uma noite sem fim E cada esperança de um novo laço Pra atar de vez sua vida em mim.

JO FAGNER

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MEU ANJO MAU As imagens que se turvam num desesperado momento de loucura e o meu céu que se afoga num cálice de absinto. E o que ainda me deixa feliz é sua doçura, única coisa que sinto. Primeiro os olhares se furtam numa densa ebulição, se complicam e se explicam num mágico olhar. Então nossos corpos, que se desejam, entram em combustão, não há como escapar. Enfurece meu corpo, desata meus sentidos e embriaga meu querer, me refugia em fogo. Aos poucos me entrego de braços e pés inibidos à sedução desse teu jogo. Me oferece o mar e presenteia meu coração com o azul infinito do céu e o teu fel de efeito mortal. Então leva minhas nuvens e repouso em solidão, até morrer nas tuas asas, segue em mim, meu anjo mau... JO FAGNER

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GAROTOS Marcas de sunga e marcas de sangue, são hormônios à pele e peles de cada minuto. Garotos usam o mesmo shampoo, só mudam o condicionador quando querem falar de amor ou amar somente uma noite. Sinceras ilusões em vagas palavras do suor que lava o corpo e desenha cada músculo, da lágrima de navalha o rosto e não cicatriza. Intensamente garotos, de um sol ou de um verão de uma chuva ou de um inverno, de um segundo ou de um certo tempo. Meninos que brincam de lobo mau e apenas tentam ficar bem, fica bem, meu bem. São apenas garotos, dormindo ingenuamente ou ferozmente acordados, leões e cordeiros cara e coroa da mesma moeda em moedas diferentes, forte sexo frágil, apenas garotos.

JO FAGNER

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SIMPLES DESEJO E de te olhar assim pressinto um arrepio que nasce na pele atravessa a carne e deságua no beijo. Num toque singular espanta a calma e o frio me afoga em êxtase e transborda meu corpo no suor em que velejo. E o ritual dos teus olhos encanta-me subitamente quando as mãos celebram tua imagem na explosão de um simples desejo. Então te encontro fugaz no que derramo suavemente em atração e prazer, que evapora rápido no teu sexo, meu lugarejo.

JO FAGNER

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FORÇAS DA NATUREZA NATUREZA Os opostos não se atraem. Corpo não é física, é química; não são ímãs, é pele. Os opostos? Não se atraem. O calor das mãos aumenta e incendeia, não é ardor, é fogo. E os opostos não se atraem. Assim como nasce amor entre os brutos. Não há suavidade, é delicado (e selvagem). Os opostos... não se atraem. E basta um olhar pra derrubar; não é terremoto, é fusão. Os opostos, esses não se atraem. A natureza não tem pólos, é unidade; se completa e se perde na cidade. Os opostos não se atraem, se somos iguais tão distintos, quem sabe, é na perfeição das diferenças a explicação pra esse amor.

JO FAGNER

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LibertoLiberto-me da matéria, desprendo--me do concreto, desprendo vôo em direção ao meu encontro... na transparência de minh’alma meu abstrato faz advento mostrando imperfeições imperfeições e perfeições à nudez dos meus pensamentos...

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N A S C E

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SENHA Não me ofereça flores nem palavras vazias promessas nascem no olhar e morrem no vácuo da ilusão. Não me fale coisas bonitas se tua boca gesticula imperfeições meus olhos buscam brilho na alma nada mais que isso, divagação. Não me respire palavras no ouvido, amanhã serão apenas pétalas despedaçadas que o vento faz questão de deixar cravadas com sangue no meu coração. Não me conte aventuras de amor, heróis são personagens utópicos, e meu olhar não busca um final feliz, apenas um novo capítulo, longe da ficção. Não tente invadir meu mundo não é pra qualquer vagabundo, a porta está aberta, diga a senha e "enjoy it" sem moderação.

JO FAGNER

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ÉRAMOS NÓS Éramos felizes quando éramos flor éramos delícia quando éramos sabor éramos o mundo quando éramos a cor éramos coração quando éramos amor éramos fascínio quando éramos fervor éramos perfeição agora distância, fim e dor.

JO FAGNER

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QUANDO VOCÊ DISSE ADEUS É só um rio que corre na direção sem rumo, um arrepio que vem à noite me roubar. É da correnteza da água que lava o rosto, maré salgada que meu sorriso quer levar. Deixa aqui esse fôlego breve no pescoço que eu sobrevivo àquela rotineira falta de ar que trouxe calor e agora me deixa no frio das águas em fúria que você quando se foi fez sangrar.

JO FAGNER

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N A S C E

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REACENDE Um segredo, um lugar, uma história a escrever. Uma aventura, um lugar, um encontro a reviver. Uma praia, um sorriso no ar, um cenário e o amanhecer. Uma chama, um vento a soprar, uma promessa a esquecer. Uma lembrança, lágrima a rolar, só o que eu posso ver. Agora apenas o luto que não vai calar e o fogo apagado, paixão que vi morrer.

JO FAGNER

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ÉTER Onde te vejo não te alcanço, onde te percebo não consigo chegar, em vagas nuvens de um céu monocromático, me perco ao sonhar. Onde te sinto não me enxergo e onde te quero não consigo chegar, em cada passo alado sinto-me longe do chão e cada vez mais perto esqueço como voar. Onde te tenho não te possuo onde te prendo te deixo escapar, fugaz como perfume fragrância de uma paixão, nas notas suaves do teu beijo é onde unicamente quero me encontrar.

JO FAGNER

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ABRAÇO IMAGINÁRIO Meigo mistério que me convida a um estreito mundo de sentimentos, como se cada pupila apontasse o caminho do teu segredo. E assim vou andando, sem pressa e sem medo, a me aventurar por tuas trilhas querendo encontrar algo, não sei o quê, em rotas distintas que apenas me levam. Deixo-me assim a descobrir-te em páginas de um olhar pra escrever com teus lábios as palavras exatas que meu coração deseja ouvir.

JO FAGNER

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A NOITE EM QUE A PRIMAVERA MORREU Sonhei com uma paisagem diferente, uma primavera sem cores, sem folhas, sem flores e no meu peito algo acendeu. Prelúdio de um inverno que chegava trazendo um frio de solidão, cristalizando o coração, de repente aconteceu. Sozinho numa explosão de sensações incomuns, vem o vazio e faz reinado nesse meu sonho nublado da noite em que a primavera morreu. Acorda-me, derrama no meu jardim o teu sorriso e devolve a vida e o calor ao meu cenário resgata-me do deserto imaginário que a poesia da tua ausência escreveu.

JO FAGNER

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VERSOS INVERSOS E agora nossos olhos se despedem e o horizonte acaba de morrer; a cada passo nossos pólos de repelem e a distância finda por nascer; tudo para, nossos toques se apagam e a história, um dia a esquecer. Resta o pranto que a separação navalha e o sangue no rosto a correr.

JO FAGNER

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CANÇÃO DE UM ADEUS Essas cores que meus lábios não vêem e os sabores que meus lábios não sentem, pressupostos de um alguém que se foi antes da hora e deixou rastros que meus sentidos pressentem. E essas nuvens que nublam cada vã paisagem e que chovem como lágrimas de um gigante no meu pequeno chão vou juntando os pedaços que sobram, vestígios de cada mero viver de um amante. Se me sepultas debaixo do teu véu de passagem ou se me guardas sob teu manto de infinita aurora, eu me rendo e me sujeito ao terrível esquecimento dos teus braços, quando me pede para ir embora.

JO FAGNER

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OUTROS LÁBIOS Um instante que faz parar o vento... Sopram-se as folhas, derrama o orvalho, tudo se transforma na paisagem nua, a carne respira o suor da ebulição. Os olhos que se namoram intensamente, entregam-se em fúria e o corpo que deseja o toque ao ritmo de cada palavra soada, na sombra de cada tempo. As mãos que se morrem no tato, percorrem a tentação de um rio em chamas correnteza que me leva ao profundo e me afoga, ata meus sentidos, aguça meu querer. O instinto que sufoca o peito cega o beijo, derrete o pêlo, deixa-me solto numa olha de prazeres onde o fogo de outros lábios me sacia a sede num véu de calor, intensa sedução.

JO FAGNER

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AbraçaAbraça-me nas noites de chuva e me beija nos dias de calor me faz uivar teu nome à lua me solta nos caminhos da rua que eu acho a trilha do seu sabor me encontra na brisa e na cor que eu faço chover a poesia tua na pura expressão de uma linha de amor

JO FAGNER

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N A S C E

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FAR AWAY Um minuto de respiração e em cada movimento involuntário o cabelo respinga o sangue de uma incessante aurora negra. Das mãos que se amam e dos olhos que se odeiam, do coração que pulsa e dos braços que se batem o céu violeta domina a paisagem. Entre carícias e golpes o belo se esconde na treva de fogo que os outros o cercam. Deita-se num mar de espelhos fragmentados e em cada reflexo descobre-se desnudo, onde sua essência grita e a alma acolhe. Abraça ao corpo magro a plenitude de sua força, chora pelas flores, que não resistem ao tempo e não vê a terra que guarda o perfume da vida.

JO FAGNER

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ANÔNIMO Não sou santo mas não quero morrer na lama, não sou herói, mas não quero perder a coragem. Nunca fui anjo mas a gente se entrega quando ama, já fui divino mas hoje carrego apenas a imagem. Sou bandido e sou príncipe das línguas que preferem me julgar. Sou o ídolo de areia que a brisa do tempo vem e com o vento some. Sou esse mágico menino pequeno ou gigante, ou sem grandeza, sem altar na estrada do destino onde aos poucos se percebe homem. Não sou de ferro mas não sou de quebrar ao cair, não sou de fogo mas meu calor insiste em arder, sou de lua e tenho fases mas quando o sol chega não sou de fugir, JO FAGNER

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sou de sangue e de carne igual ao ventre que me fez nascer.

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LINHAS LIVRES Já não sinto os meus pés falta-me a liberdade das mãos, percebo cada movimento limitado em um cárcere, sem ar. Aos poucos, algo me traz à realidade como a ânsia de poder caminhar, querer seguir algum rumo, chegar a algum lugar, próximo destino, e ao passar do calendário a vida vai... Mais que tudo grita minha voz, mais que nada implora meu olhar, triste... que resiste... Como se eu andasse em círculos e visse todo o meu existir, o nascer, o crescer, o ser... trago em meus braços a vontade de voar e em minhas pernas o desejo de andar livre porque o mundo foi feito pra mim.

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SEGREDOS INCERTOS Entre luzes esse som se propaga com incrível velocidade em instantes depressivos. Desse meu vício e esse meu modo de buscar perfeição... Querer ser teu preferido, o favorito, o único, mudar meu ser para enfeitar teus olhos, mudar minha essência pra encher-te de luz... infeliz pensamento. Seres mutantes, seres humanos, seres mortais, descartáveis como o papel onde escrevo este verso e que com certeza depois você não irá lembrar...

JO FAGNER

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SONHO BOM O meu céu tava escuro não tinha lua nem sol não tinhas nuvens nem cor O meu céu era eclipse não via luz nem vida não tinha cheiro nem sabor Nem esperava magia eu nem pensava enfim que numa estrela cadente você chegaria pra mim O meu céu fazia festa pra celebrar teu sorriso pois agora estás aqui O meu céu cantava o dia de estrelas JO FAGNER

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perfumadas e de flores que eu vi Acreditava que fosse uma linda paisagem que eu sempre quis pintar Nem esperava que fosse apenas mais um sonho em minha tradução de amor.

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PLENO VAZIO PLENO O tempo segue, cai a neblina, os carros andam e eu permaneço olhando para o nada. Viaja o pensamento que percorre qualquer vaga imagem em busca de um sorriso, um olhar, algo que me resgate desse lugar frio e escuro. Espero chegar aos trinta mas meus desejos ainda são de doze, como alguma ânsia de não estar sozinho no carrossel. Gira o mundo e a Terra para a translação, e eu na minha rotação vejo as luzes apagarem pouco a pouco... Um gelo, uma ausência, um olhar... Onde eu me afogo para encontrar a vida que deixei em algum lugar. JO FAGNER

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TESTAMENTO Se eu morrer de frio, no meu último arrepio quero contar o calor que senti quando pela primeira vez meus olhos em embriaguez notaram os teus. Se eu morrer sem alento, me leve o tormento e deixe o amor que vivi quando nossas mãos se uniram e sem querer se despediram num instante de adeus. Se eu morrer sem ar, sepulte comigo o sonhar que com teus sonhos dividi. Mas se um dia eu chegar a morrer e no teu céu eu não aparecer, é que do seu lado ainda moram os beijos meus.

JO FAGNER

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CAMINHOS Sinto meus pés em fogo quando não sinto meu ser e quando sinto não ser a chama que alimenta essa vida. Sinto meus pés sem chão quando finjo não estar andando ou quando ando sem pés nessa terra que arde em gelo. Sinto meus pés sem volta no caminho que não fui até o fim e terminei sem mostrar o final nessa cena que agora é escura. Sinto meus pés sem força e o peso do meu corpo derruba tudo o que já estava caído e que agora, sem querer, morre. Sinto meus pés, não minto, como raízes de uma falsa direção que não tem rumo, apenas miragem e eu, desse jeito, desapareço aos poucos. Sinto meus pés, e eles não me sentem, caminham para o contrário, marcham ao infinito incerto JO FAGNER

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e eu me conduzo à maravilha cálida da solidão.

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SUAVES SOMBRAS Descansam nessas linhas inertes o paraíso reflexo do meu pensamento e a fuga que não se esconde e me lembra de revelar-te. Deita-se numa página em branco qualquer sentimento vazio que desenha o contorno do vácuo que o meu branco me deixou. Derramo-me na solidão de algumas letras o verso infinito que escreve meu peito nos rascunhos de uma vida sem história que rasgo e jogo no lixo. Deixo que essa rima refaça meu mundo nas ruínas de um céu sem cores da noite que meu bem me deixou e ainda não fez o favor de voltar. Digo-me que não há terreno baldio, nem arrepio, nem medo de escuro e de frio, digo-lhe que meu branco não é vazio, é a rima do poema que morreu no olhar.

JO FAGNER

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SONHANDO SONHANDO COM VOCÊ Adormeço envolvido em teu manto ao som maravilhoso do teu beijo sonho com teus olhos, meu encanto, e navego nas nuvens de luz do meu desejo. Cada instante no meu mundo de fantasia transforma-se em beleza, perfume de girassóis, em que te tenho, flor de uma estranha magia que me aprisiona do teu lado, debaixo dos meus lençóis. Que seja sonho infinito, sentimento verdadeiro que me carrega em névoas de intensa loucura e repousa com êxtase no meu travesseiro onde teu rosto me enfeitiça com imensa bravura, imagens de um sonho que respiro o tempo inteiro antes que o sol transforme em apenas aventura.

JO FAGNER

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É leve a dor De um adeus Elevo a dor Dos olhos meus Eu levo a dor Até meu Deus No elevador Dos lábios teus.

JO FAGNER

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AMOR EM POESIA Luar em flor reflexo na água noite de amor coração sem mágoa. Brilho no olhar aurora do entardecer, quando o sol beija o mar faz meu pranto adormecer. Inspira uma canção ah, que doce melodia nas notas de um violão me desperta nostalgia. Que bela a arte de amar enfeitiça, seduz, escraviza, faz o coração palpitar, nos carrega em tua brisa. Faço versos no papel, um sentimento me contagia quando vejo a Lua lá no céu E meu amor em poesia.

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RETRATO Sou duende, sou gnomo, sou fantástico ser que a natureza abriga; sou filho bastardo de Eros, amante da Lua, cúmplice do amor entre as estrelas; sou príncipe, sou plebeu, sou mutante, sou camaleão de emoções; sou espectro, sou humano, sou idoso, sou criança, sou platéia do espetáculo do tempo; sou chuva de verão, sol de inverno, sou água, sou fogo, sou vento, neblina, sou calor, sou frio, sou imprevisão meteorológica; sou flecha sem direção, sou a erosão das falésias de uma praia, de um arquipélago de desejos; sou sombra, sou luz, sou reflexo de um anoitecer; sou nesse instante mais um grão de areia no deserto, sonhando feito Ícaro para nas nuvens encontrar a resposta de quem finalmente sou: sou poeta.

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BLACKOUT Noite, faz calor, estou sem luz, acendo velas mas não tenho com quem jantar. Entrego-me a um devaneio... Só não me falta a companhia dos versos, escrevo pra espantar a solidão. Janelas fechadas, alma aberta, e o vinho embebece qualquer ânsia de me afogar. No espelho não vejo nada, a não ser o reflexo de alguma coisa, nesse escuro obscuro. Insônia, inércia, insipidez, vejo meu corpo imerso no suor da poesia e o silêncio me revela os sons da madrugada, enquanto tento relutar o medo de escuro. Entre marchas e faixas de um mp4 afastem-se às margens ou fiquem nos seus lugares, assistam o clímax do meu andar. Vivo sem nexo, caminhando em círculos... À noite faz calor, o álcool não tem sabor, onde vou parar?

JO FAGNER

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POÉTICO Um verso brota de um sentimento arde em ritmo, aflora em melodia liberta-se da faísca de um pensamento e desperta em flor, luz de poesia. Palavras que se deitam sobre linhas e espaços e repousam nas estrofes de um poema inacabado reacendem na memória de um beijo, olhares, abraços sentimentos de chuva e sol em verso emoldurados. Seja fonte de inspiração, fuga de um mundo real sejam lágrimas da alma, voz de uma sensação seja estranha presença, eclipse em noite de lual seja o grito adormecido que liberta a emoção, é poesia, verso vivo humano de face animal, canção no compasso do pulsar de um coração.

JO FAGNER

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ESPELHO Escrevo porque tenho vontade e minha poesia são lágrimas no papel escrevo em meu minuto de felicidade encontro nos meus versos o caminho do céu. Escrevo porque o destino me escreve e o poema é meu teatro da solidão escrevo para que o vento me leve à poesia que se esconde no meu coração. Escrevo porque meu escrever me orienta a escrever nestas linhas o meu sentimento escrevo porque é poesia e atenta a deixar livre a poesia do meu pensamento escrevo porque isso me alenta porque sou poesia, alimento do vento.

JO FAGNER

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COMO NASCE UM POETA Poetas são versos que o vento dá a forma, enigmas revelados na melodia de si mesmos, são música, inspiração e ritmo refletidos na luz de suas mãos. Poeta é espelho da dor, reflexo do êxtase, um caleidoscópio do sentir. Ele se embriaga com o sal de cada lágrima e se aquece com o calor de cada beijo. Poetas são suaves canções de notas descompassadas na harmonia de sorrir e chorar. São mistérios da lua que nascem ao entardecer e moram no olhar do coração até que se revele em linhas como nasce um poeta....

JO FAGNER

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CARTA NA GARRAFA Aquarelas, lancem às mãos cores e pincéis e eu vos expresso as nuances de uma solidão... Margaridas, exalem no meu ar aromas e notas e eu vos permito sentir o perfume da emoção... Sedas e cetins, tragam ao meu tato movimentos e texturas e eu lhes mostro cada caminho e cada curva da sensação... Manjares, toquem em meus lábios os seus paladares e eu lhes revelo os sabores e êxtases, sem ficção... Valsas e violinos acordem em meus dias letras e melodias que eu vos concedo os passos e notas de uma doce canção... Oh, minha nobre poesia, traz-me às mãos inspiração e versos JO FAGNER

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que eu então, lhes mostro os labirintos desse meu coração...

JO FAGNER

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BRINCAR DE SER POETA Vou correr entre as estrelas e desenhar nuvens no chão vou fugir para longe e voltar pra perto de mim vou viajar num cometa, ser o sol da galáxia de uma paixão serei sombra, serei luz suavidade e fúria de um fogo sem fim. Vou brincar de ser gnomo, elfo, duende ou coisa parecida quero mesmo é ser o que ainda não fui, o que me falta ser, natureza ou ficção, cachoeira de sonhos, quero ser vida, serei nuvem de sentimentos, tempestade que meus versos fazem chover. Vou acordar e ser simplesmente aquele pequeno ser humano, ser astronauta, fera indomada, anjo que emoções anuncia, serei a máscara do coração num segundo insano ser o ritmo de um peito em que bate forte a poesia... Serei catavento que move o tempo na direção do infinito, uma aquarela de emoções na moldura de um retrato eterno, serei o canto da minha vida, pássaro livre num vôo bonito, JO FAGNER

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vou brincar de ser poeta existência capturada na página do meu caderno.

JO FAGNER

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FOGO BRANCO Aflora em labaredas no meu peito e deita-se em chamas numa folha de papel queimando emoções no meu deleito levando-me em vôo lento do inferno ao céu. Vive em flores que se abrem à luz do dia, ns cores e ritmos da canção solar esconde-se na Lua quando vem a nostalgia imortaliza-se em fúria na lembrança de um olhar. Com pétalas de fogo branco arrebata meu ser energiza meu pensamento com positividade polariza meus olhares em direção ao meu crescer e veste meu rosto numa efêmera felicidade, é verso e poesia, liberdade que me faz nascer em sonhos desnudos que transformo em realidade.

JO FAGNER

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VERSO FINAL Escrevo em um dia comum para afugentar qualquer monotonia, já que as nuvens ainda fazem o mesmo movimento e o horizonte desse mar ainda mora no meu pensamento e agora só me resta poetizar. Escrevo qualquer verso simples para expressar uma emoção sem cor, enquanto lá fora tudo ainda é letra de uma mesma melodia e os ritmos e paisagens são retratos] de obscuras máscaras à luz do dia e agora só me resta o olhar. Escrevo em minha fiel esperança os traços, vírgulas e letras de minhas pontuações porque meus sonhos ainda reservam alguém diferente que no meio de nuvens e ruas, de tanta gente faça o meu verso final encontrar.

JO FAGNER

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C O M O

N A S C E

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P O E T A

BIOGRAFIA Nasci em Acari, em novembro de 84. No Seridó Potiguar dei os meus primeiros passos para a vida. E foi também onde aprendi a andar. E pensar. E escrever. E porque não transcrever? Fiz os meus primeiros versos por acaso, durante uma aula no colégio. Depois veio o gosto pela poesia, que foi ultrapassando os anos e despertando as primeiras linhas de um escritor. Escolhi Natal para realizar meu sonho de criança. Hoje sou formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Vivo e sigo na poesia, como qualquer ser humano que caminha onde sente mais prazer. É assim que me apresento: um exagerado que bebe na fonte dos sentimentos a inspiração para continuar a existir.

JO FAGNER

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C O M O

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http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/br/

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Como Nasce um Poeta  

Versão digital do livro "Como Nasce um Poeta", de Jo Fagner. Primeira Antologia Poética

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