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JOE #3


e por fim senti nôjo do meu corpo por te ter amado tão profundamente mas agora para mim tu já és igual a todas as outras

às vezes gostava que fossemos como as serpentes, que mudam de pele e a abandonam em certos lugares, aparentemente sem sofrer


e porque o inferno é vermelho e nele morremos todos os dias

-custa-me sair assim, da tua casa...a correr -nem sempre o amor magoa, às vezes só dói


hoje vou-me vender...vou procurar alguém para amar, como se fosses tu...vou entregar o meu corpo ao falso desejo...depois hei-de sentir nôjo...ao sujar o corpo, sujarei o espírito, ao lavá-lo, limparei a alma...eu nunca te tive, tu perdeste-me

e foi por seres tão dramaticamente transparente, que se tornou tão terrivelmente assustador olhar o teu lado mais sombrio


e um dia, na despedida, soltou as lรกgrimas que fazem do mar, salgado, e dos oceanos, infinitos...

apesar do aviso foste comendo primeiro um depois outro um a um sonho a sonho ficaste com todos


daquelas que apesar de salgadas são horrivelmente amargas

-custa-me sair assim, da tua casa...a correr -nem sempre o amor magoa, às vezes só dói


não sei o que sonhei hoje, ou até se sonhei, mas sei a primeira coisa em que pensei, mal acordei... queres saber?

hoje apetecia-me ser pequeno outra vez e brincar contigo em sítios que só nós conhecemos…


...é bom sentir-te aí, ...pousada, em cima de mim, porque afinal, até somos feitos da mesma coisa... -és uma merda dum cabrão, dum filho da puta! -... -não sei porque é que me fazes cenas destas! -... -como é que eu faço um dia quando morreres? -... -sei lá... telefono-te... e tu não atendes... -... -não sei se estás bem a ver a minha situação!... -... -como é? -... -sim, como é?... quando é que nos voltamos a ver? -... -porque senão, isto parece só sexo...


ontem beijamo-nos hoje também

(será que também sonhas comigo?) hoje sonhei contigo ontem também deve querer dizer alguma coisa acho eu que acredito em certas coisas e assim o mundo não é monótono daqueles (sonhos) fantásticos cheios de realismo de personagens que juramos existir na vida real mas só conhecemos de sonhos em lugares a que nunca fomos mas onde nunca nos perdemos


sou uma espĂŠcie de delĂ­rio ambulante e vidente das coisas que nunca vais saber


n達o me canso de cometer erros, mas n達o sinto culpa de absolutamente nada

nunca vou a tempo de evitar que algumas coisas se destruam


a tua necessidade de consolo, nunca poderá ser satisfeita, porque aquilo que procuras, não é mais do que uma memória perdida no tempo


fiquei tão feliz quando te encontrei, que te falei logo do meu mundo só quando me revelaste o teu é que descobri, que apenas tinha uma janela entre eles, para trocarmos pequenos objectos


fazes parte da minha vida, quando 茅 que queres fazer parte das minhas 'est贸rias'?


o silêncio às vezes é para mim, só uma forma de conter as lágrimas, como se, ao abrir a boca, elas me saltassem por ali fora por isso, hoje, ainda não te consigo dizer nada, porque as palavras são tantas que o seu som é o...

-um dia ainda vou querer saber, -... -se a tua voz, -... -é aquela que (às vezes) escuto...


perdi-me

entre nĂłs hĂĄ sempre demasiado ruĂ­do


lembras-te quando eras pequenina e nesta altura já próxima do natal, procuravas um brinquedo numa montra, um boneco, que desejavas tanto e que sabias que a única coisa que querias, era passar uma noite abraçado a ele, porque a felicidade de adormecer profundamente com aquilo ao teu lado, era tal, que o tempo do universo se tornava infinito?


Joe #3 by Liliana Faustino