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Mesmo quando Israel, num gesto ousado, oferece aos palestinos o estabelecimento de um Estado em troca de uma paz duradoura, intelectuais e ativistas políticos atacam Israel, acusando-o de ser uma potência imperialista, que oprime os palestinos. NOTA:

Nos campi mais notáveis dos Estados Unidos e de todo o mundo circulam petições contra Israel e boicotando os judeus israelenses, independentemente de suas posições individuais.

Os oponentes mordazes de Israel acusam essa democracia de praticar abusos sem precedentes contra os direitos humanos, enquanto os outros se calam.

Neste livro arrebatador, fazendo uso de argumentos muito bem fundamentados, Alan Dershowitz redime a história e deixa claro que Israel, ainda que imperfeito, é um posto avançado de democracia e liberdade no Oriente Médio.

Ele impugna 32 acusações caluniosas e imprecisas imputadas a Israel recentemente, tais como: • Israel é um Estado colonial e

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EM DEFESA DE ISRAEL


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AGRADECIMENTOS

Trabalhei neste livro desde 1967, quando comecei a defender a questão de Israel nos campi universitários, na mídia e nos meus artigos. Nesse período tive a assistência – frequentemente uma assistência crítica – de um número demasiadamente grande de colegas, aos quais gostaria de agradecer. Entre aqueles que merecem uma menção especial estão o professor Irwin Cotler, atualmente membro do Parlamento canadense, com quem trabalhei em tantas causas e projetos; os juízes Aharon Barak e Yitzak Zamir, que tanto me ensinaram; o professor George Fletcher, que me ensina pelo argumento e pelo desafio; o professor Amnon Rubinstein, com cujos artigos quase sempre concordo; Israel Ringel, que gentilmente corrige os meus enfoques erróneos sobre Israel, e numerosos estudantes que me mantêm atualizado sobre assuntos correntes. Ao escrever este livro aproveitei muito a assistência em pesquisa de Owen Alterman, Mara Zusman, Eric Citron, Holly Beth Billington, Natalie Hershlag e Ayelet Weiss. Minha assistente, Jane Wagner; minha agente, Helen Rees; minha editora, Hana Lane e minha assistente temporária, Robin Yeo, deram um suporte inestimável. Agradeço aos meus amigos Bernard Beck, Jeffrey Epstein, Steve Kosslyn, Alan Rothfeld e Michael e Jackie Halbreich os comentários pertinentes sobre o manuscrito. Minha esposa, Carolyn, e minha filha, Ella, inspiraram-me, debateram comigo e encorajaram-me. Meus filhos, Elon e Jamin, meu sobrinho Adam, minhas sobrinhas Rana e Hannah, meu irmão Nathan e minha cunhada Marilyn fizeram sugestões úteis, as quais sinceramente agradeço. Agradeço ao povo de Israel, que se sacrificou tanto em seus esforços históricos na procura por paz, prosperidade e democracia diante de tanta inimizade e violência. Finalmente, agradeço aos construtores da paz, que a defenderam, e aos que a procuram, de ambos os lados desse conflito, especialmente àqueles que deram suas vidas para que outros pudessem viver em paz e segurança.

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SUMÁRIO

Introdução ............................................................................................................................................11 1. Israel é um Estado colonial e imperialista?..............................................................................27 2. Os judeus europeus deslocaram os palestinos?......................................................................38 3. O movimento sionista foi uma trama para colonizar toda a Palestina?.......................48 4. A Declaração Balfour foi uma lei internacional obrigatória?............................................52 5. Os judeus estavam relutantes em dividir a Palestina?.........................................................61 6. Os judeus sempre rejeitaram a solução de dois Estados?..................................................68 7. Os judeus tiraram partido do Holocausto?...............................................................................77 8. A divisão da Palestina pela ONU foi injusta para com os palestinos?...........................89 9. Os judeus eram uma minoria no território que se tornou Israel?..................................94 10. A vitimação dos palestinos por Israel foi a principal causa do conflito árabe-israelense?................................................................................................................98 11. A guerra da independência de Israel foi uma agressão expansionista?...................... 103 12. Israel criou o problema dos refugiados árabes?.....................................................................108 13. Israel desencadeou a Guerra dos Seis Dias?.............................................................................124 14. A ocupação por Israel foi injustificada?......................................................................................129 15. A guerra de Yom Kippur foi culpa de Israel?............................................................................136

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16. Israel tem feito sérios esforços pela paz?.........................................................................................142 17. Arafat tinha razão ao recusar a proposta de paz de Barak e Clinton?..................................157 18. Porque morreram mais palestinos do que israelenses?.............................................................164 19. Israel tortura palestinos?.........................................................................................................................179 20. Israel tem cometido genocídio contra civis palestinos?.............................................................187 21. Israel é um Estado racista?......................................................................................................................203 22. A ocupação israelense é a causa de todos os problemas?..........................................................209 23. Israel contestou o Estado palestino?..................................................................................................215 24. A política de Israel de destruir casas é um castigo coletivo?....................................................220 25. 0 assassinato de líderes terroristas é ilegal?...................................................................................229 26. A colonização da margem ocidental e de Gaza é um grave empecilho para a paz?.............................................................................................................................234 27. O terrorismo é apenas parte de um ciclo de violência?..............................................................238 28. Israel é o principal violador mundial dos direitos humanos?..................................................242 29. Existe equivalência moral entre terroristas palestinos e respostas israelenses?.............................................................................................................................252 30. As universidades deveriam abandonar Israel e boicotar os intelectuais israelenses?.........................................................................................................................262 31. Os críticos de Israel são anti-semitas?...............................................................................................275 32. Por que tantos judeus e até mesmo israelenses apoiam os palestinos?..............................................................................................................................................287 Conclusão: Israel - o judeu entre as nações....................................................................................293


INTRODUÇÃO

A nação judaica de Israel é acusada pela justiça internacional. As incriminações incluem a de ser um Estado criminoso e violador dos direitos humanos, uma imagem especular do nazismo e de ser a barreira mais intransigente para a paz no Oriente Médio. Pelo mundo todo, das comissões da ONU aos campi das universidades, Israel é discriminado com condenações, despojamentos, boicotes e demonizações. Seus líderes são ameaçados de processos como criminosos de guerra. Seus amigos são acusados de dupla lealdade e provincianismo. Chegou a hora de uma defesa proativa de Israel ser apresentada na corte da opinião pública. Neste livro apresento tal defesa – não de qualquer política ou ação israelense, mas do direito básico de Israel à existência. De proteger seus cidadãos do terrorismo e de defender suas fronteiras de inimigos hostis. Mostro que Israel há muito tempo deseja aceitar a existência de dois Estados, propostos no "mapa da estrada" para a paz, e que foi a liderança árabe que persistentemente se recusou a aceitar qualquer Estado judeu – não importa quão pequeno – nas regiões palestinas com maioria judaica. Também procuro apresentar um quadro realista de Israel, com seus defeitos, como uma democracia multiétnica florescente, em muitos aspectos parecida com os Estados Unidos, que oferece a todos os seus cidadãos-judeus, muçulmanos e cristãos – oportunidades e condições de vida muito melhores do que as oferecidas por qualquer nação árabe ou muçulmana. Acima de tudo, afirmo que todos que escolhem Israel como único alvo de uma crítica, que não é dirigida contra países com registros muito piores de violações de direitos humanos, são eles pró-


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prios culpados de intolerância internacional. Essa é uma acusação séria e eu a comprovo. Permitam-me esclarecer que eu não estou acusando todos os críticos de Israel de antisemitismo. Eu mesmo tenho criticado políticas específicas e ações de Israel ao longo dos anos, como fizeram quase todos os que apoiam Israel, praticamente todo cidadão israelense, e muitos judeus americanos. Mas também critico outros países, inclusive o meu, bem como nações da Europa, Ásia e Oriente Médio. Na medida em que a crítica é comparativa, contextuai e justa, ela deve ser encorajada e não inibida. Mas, quando a nação judaica é a única a ser criticada por erros que são muito mais graves em outras nações, essa crítica atravessa a linha entre o certo e o errado, e vai do aceitável ao anti-semita. Thomas Friedman, do New York Times, acertou quando disse que "criticar Israel não é anti-semitismo, e afirmar isso é mau. Mas condenar Israel por infâmia e sanção internacional - desproporcionalmente em relação a qualquer outra parte no Oriente Médio é anti-semitismo e não admiti-lo é desonestidade".1 Uma boa definição usual de antisemitismo é tomar uma característica ou uma ação largamente difundida, se não universal, e culpar apenas os judeus por ela. Foi isso que Hitler e Stalin fizeram e foi o que o antigo presidente da Universidade de Harvard A. Lawrence Lowell fez nos anos 1920 ao tentar limitar o número de judeus a serem admitidos em Harvard porque "os judeus trapaceiam". Quando um aluno de destaque fez objeção a isso, argumentando que não-judeus também trapaceiam, Lowell respondeu: "Você está mudando de assunto; eu estou falando sobre judeus". Da mesma maneira, quando aqueles que escolhem apenas a nação judaica para fazer crítica são questionados por que não criticam também os inimigos de Israel, eles respondem: "Você está mudando de assunto; estamos falando de Israel". Este livro prova não apenas que o Estado de Israel é inocente das acusações contra ele levantadas, mas que nenhuma nação na história que tenha enfrentado desafios semelhantes segue padrões mais elevados de direitos humanos, é mais sensível à segurança de civis inocentes, esforça-se mais para seguir as leis ou tem estado mais disposta a assumir riscos pela paz. Esta é uma reivindicação audaz e eu a apoio com fatos e números, alguns dos quais vão surpreender aqueles que recebem informações de fontes tendenciosas. Por exemplo, Israel é a única nação no mundo cujo sistema judiciário reforça ativamente a lei contra seus militares, mesmo em tempo de guerra.2 É o único país na história moderna a devolver território disputado, capturado numa guerra defensiva e crucial para sua própria defesa, em troca da paz. E Israel matou menos civis inocentes, em comparação ao número dos seus civis mortos, do que qualquer país comprometido com uma guerra similar. Desafio os acusa-

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dores de Israel a apresentar dados em apoio à sua afirmação de que, como foi dito por um acusador, Israel "é o exemplo primeiro dos violadores de direitos humanos no mundo". 3 Não serão capazes de fazê-lo. Quando o melhor é acusado de ser o pior, o foco deve mudar para os acusadores que, eu afirmo, podem ser culpados de intolerância, hipocrisia ou, no mínimo, de uma ignorância abismal. São eles que devem estar no banco dos réus da história, junto com outros que também escolheram o povo judeu, sua religião, sua cultura ou a nação judaica para uma condenação sem igual e imerecida. A premissa deste livro é que uma solução de dois Estados para as reivindicações palestinas e israelenses é, ao mesmo tempo, inevitável e desejável. A forma final precisa dessa solução é, naturalmente, objeto de muita disputa – como prova o fracasso das negociações de Camp David e Taba em 2000-2001 para alcançar uma solução aceitável por ambas as partes e pelas disputas em torno do "mapa da estrada" de 2003. Existem, na verdade, apenas quatro alternativas possíveis para um Estado judeu e um Estado palestino viverem em paz, lado a lado. A primeira é a solução preferida dos palestinos, defendida pelo Hamas e outros, que rejeitam o direito de Israel existir (geralmente denominados de recusantes): especificamente exigem a destruição de Israel e a eliminação total de um Estado judeu em qualquer parte do Oriente Médio. A segunda alternativa é preferida por um pequeno número de fundamentalistas judeus e expansionistas: a anexação permanente da margem oeste e da faixa de Gaza e a expulsão ou integração dos milhões de árabes que atualmente habitam essas áreas. A terceira alternativa já foi a preferida dos palestinos, mas eles não mais a aceitam: algum tipo de federação entre a margem oeste e um outro Estado árabe (isto é, a Síria ou a Jordânia). A quarta, que sempre tem sido um pretexto para tornar Israel um Estado palestino de fato, é a criação de um único Estado binacional. Nenhuma dessas alternativas é aceitável atualmente. Uma resolução que reconheça o direito de autodeterminação por israelenses e palestinos é o único caminho razoável para a paz, apesar de não estar livre de riscos. A solução de dois Estados também parece ser um dos poucos pontos de consenso para o conflito árabe-palestino-israelense que, de outra forma, é um dilema insolúvel. Qualquer consideração razoável de como resolver pacificamente essa disputa prolongada deve começar a partir desse consenso. A maior parte do mundo atualmente advoga uma solução de dois Estados, incluindo a grande maioria dos norte-americanos. Uma maioria expressiva de israelenses, há muito, já aceitou esse compromisso. E hoje a posição oficial da Autoridade Palestina e dos governos do Egito, da Jordânia, da Arábia Saudita e do Marrocos. Apenas os extremistas en-

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tre os israelenses e palestinos, bem como os Estados recusantes da Síria, do Irã e da Líbia, desejam que todo território do que atualmente é Israel, a margem oeste e a faixa de Gaza sejam permanentemente controlados apenas por Israel ou apenas pelos palestinos. Alguns opositores acadêmicos de Israel, como Noam Chomsky e Edward Said, também rejeitam a solução de dois Estados. Chomsky afirmou: "Não creio que seja uma boa ideia", apesar de reconhecer que possa ser "a melhor das várias ideias ruins que andam por aí". Há muito, Chomsky tem preferido, e aparentemente ainda prefere, um Estado único binacional baseado nos modelos do Líbano e da lugoslávia.4 O fato de ambos esses modelos terem falhado lamentavelmente e terminado em sangrento fratricídio é ignorado por Chomsky, para quem a teoria é mais importante do que a experiência. Said opõe-se firmemente a qualquer solução que deixe Israel existir como um Estado judeu: "Não creio numa solução de dois Estados. Creio numa solução de um Estado". 5 Como Chomsky, ele é a favor de um Estado secular binacional – uma solução elitista e impraticável que teria de ser imposta a ambos os lados, uma vez que virtualmente nenhum israelense ou palestino iria aceitá-la (exceto como trama para destruir a outra nação). Com certeza, os resultados de pesquisas em favor de uma solução de dois Estados variam com o tempo, especialmente de acordo com as circunstâncias. Em períodos de conflito violento, mais israelenses e mais palestinos rejeitam o compromisso, mas a maioria das pessoas razoáveis percebe que, apesar do que indivíduos possam teoricamente esperar ou mesmo reivindicar como direito divino, a realidade é que nem israelenses nem palestinos sairão ou aceitarão a solução de um só Estado. Conseqüentemente, a inevitabilidade – e correção – de algum tipo de compromisso de dois Estados é um começo útil para qualquer discussão que busque uma solução construtiva desse conflito perigoso e doloroso. Um ponto de partida concordante é essencial porque cada parte dessa longa disputa inicia a narrativa de sua reivindicação relativa ao território em um ponto diferente da história. Isso não deveria ser surpreendente, uma vez que nações e povos em conflito geralmente escolhem como início de sua narrativa nacional o ponto que melhor serve para apoiar suas reivindicações e queixas. Quando os colonizadores americanos procuraram obter a separação da Inglaterra, sua Declaração de Independência deu início à narrativa com uma história de "repetidas injustiças e usurpações" cometidas pelo "rei de então", tais como "taxação sem a nossa concordância" e "alojamento de muitas tropas armadas entre nós". Aqueles que se opuseram à separação começaram sua narrativa com os erros dos habitantes da colônia, como sua recusa em pagar

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determinados impostos e as provocações aos soldados ingleses. De modo similar, a Declaração de Independência de Israel começa sua narrativa com a terra de Israel sendo "o local de nascimento do povo judeu", onde "eles pela primeira vez alcançaram a cidadania... e legaram ao mundo o eterno Livro dos Livros". A genuína carta da Constituição palestina começa com a "ocupação sionista" e rejeita qualquer "reivindicação de ligações históricas ou espirituais entre os judeus e a Palestina", a divisão da Palestina pela ONU e o "estabelecimento do Estado de Israel". Qualquer tentativa de desvendar as controvérsias históricas de disputas complexas e, em última análise, não comprováveis dos extremistas israelenses e árabes somente conduz a argumentos não-realistas de ambos os lados. Evidentemente é necessário ter alguma descrição da história – antiga ou moderna – dessa terra e de sua demografia em constante mutação, nem que seja para começar a entender como pessoas razoáveis podem chegar a conclusões tão opostas a partir dos mesmos fatos básicos. A realidade, é claro, é de que há concordância em apenas parte dos fatos. Muito é defendido e considerado a verdade absoluta por alguns, enquanto outros crêem exatamente no contrário. Essa disparidade tão acentuada de percepção resulta de vários fatores. Às vezes é uma questão de interpretação de algum acontecimento. Por exemplo, quando chegarmos ao capítulo 12, veremos que ninguém nega o fato de que centenas de milhares de árabes que viviam onde hoje é Israel não vivem mais lá. Apesar de haver disputa sobre o número preciso, a maior discordância é se todos, a maioria, alguns ou nenhum desses refugiados foi expulso de Israel. Se cada um partiu porque os líderes árabes lhe deram a ordem ou se houve alguma combinação desses e de outros fatores. Também há discordância sobre quanto tempo esses refugiados realmente viveram nos lugares depois abandonados, uma vez que a ONU definiu um refugiado palestino – ao contrário de qualquer outro refugiado na história – como qualquer um que tenha vivido no território que se tornou Israel durante apenas dois anos antes de partir. Pelo fato de ser impossível reconstruir a dinâmica precisa e as condições que acompanharam a guerra de 1948, deflagrada pelos Estados árabes contra Israel, a única conclusão sobre a qual se pode ter absoluta certeza é que jamais alguém saberá – ou convencerá seus opositores – se a maioria dos árabes que abandonou Israel foi expulsa, abandonada ou sofreu alguma combinação de fatores que a levou de um lugar para outro. Recentemente, Israel abriu muitos dos seus arquivos históricos para os estudiosos, e novas informações conduziram a compreensões e interpretações mais amplas, mas não terminaram – e jamais terminarão – com as discordâncias.6

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De modo similar, a maioria dos 850 mil judeus sefardis que viviam nos países árabes antes de 1948 foram para Israel, porque foram forçados a sair, abandonados ou experimentaram algum tipo de temor, tiveram alguma oportunidade ou foram em busca de um ideal religioso. Novamente, o movimento dinâmico e preciso da história jamais será conhecido, especialmente porque os países árabes dos quais saíram não mantêm registros e arquivos históricos ou recusam-se a fornecê-los. Cada lado faz jus à narrativa que lhe é conveniente, embora reconheça que outros possam interpretar os fatos de modo algo diferente. Algumas vezes a disputa é mais sobre a definição de termos do que sobre a interpretação dos fatos. Por exemplo, os árabes frequentemente argumentam que Israel recebeu 54% do território da Palestina apesar de apenas 35% dos residentes serem judeus.7 Os israelenses, por outro lado, argumentam que os judeus eram uma clara maioria nas regiões da terra alocada a Israel quando a ONU fez a partição do território em disputa. Como se vê, as definições precisas podem algumas vezes estreitar as disparidades. Um outro ponto de partida deve incluir algum tipo de lei de caducidade para ressentimentos antigos. Assim como a questão a favor de Israel não pode mais basear-se exclusivamente sobre a expulsão dos judeus da terra de Israel no primeiro século, também a questão dos árabes não pode se basear com segurança em acontecimentos que supostamente ocorreram há mais de um século. Uma razão para uma lei de caducidade é o reconhecimento de que, à medida que o tempo passa, se torna cada vez mais difícil reconstruir o passado com algum grau de precisão e as memórias políticas endurecem e substituem os fatos. Como já foi dito, "há fatos e há fatos verdadeiros". Com relação aos acontecimentos que precederam a primeira Aliyah em 1882 (a imigração inicial de refugiados judeus europeus para a Palestina), existem mais memórias políticas e religiosas do que fatos reais. Sabemos que sempre houve uma presença judaica em Israel, principalmente nas cidades santas de Jerusalém, Hebron e Safed, e que sempre houve uma pluralidade ou maioria em Jerusalém por séculos. Sabemos que judeus europeus começaram a se mudar para onde hoje é Israel em números significativos durante a década de 1880 – só pouco depois da época em que australianos descendentes de ingleses começaram a deslocar os aborígines australianos, e americanos descendentes de europeus começaram a se mudar para alguns territórios ocidentais, originalmente habitados por americanos nativos. Os judeus da primeira Aliyah não deslocaram os residentes locais por conquista ou por intimidação, como fizeram os americanos e australianos. Legal e abertamente compraram terras – boa parte das quais 16


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considerada não-cultivável – de proprietários ausentes. Ninguém que aceite a Austrália como sendo legitimamente uma nação cristã de língua inglesa, ou a América ocidental como parte dos Estados Unidos, pode questionar a legitimidade da presença judaica onde hoje é Israel, de 18 80 até o presente. Mesmo antes da divisão feita pela ONU, em 1947, tratados e leis internacionais reconheceram que a comunidade judaica existia na Palestina como questão "de direito", e qualquer discussão racional do conflito deve ter como premissa que o "conflito fundamental" é de "direito com direito". Tais conflitos são frequentemente os mais difíceis de resolver, já que cada lado deve ser persuadido a comprometer-se com o que acredita ser uma absoluta questão de direito. A tarefa torna-se ainda mais desalentadora quando há alguns de cada lado que vêem a sua reivindicação com base num mandato divino. Inicio a questão a favor de Israel por uma breve revisão da história do conflito entre árabes, muçulmanos e judeus e depois entre árabes, palestinos, muçulmanos e israelenses, com ênfase na recusa dos líderes palestinos em aceitar uma solução de dois Estados (ou duas pátrias) em 1917, 1937, 1948 e 2000. Focalizo os esforços pragmáticos de Israel para viver em paz dentro de fronteiras seguras, apesar dos repetidos esforços dos líderes árabes para destruir o Estado judeu. Saliento os erros de Israel, mas argumento que foram geralmente cometidos num esforço bem-intencionado (apesar de algumas vezes mal orientado) de defender a sua população civil. Finalmente, argumento que Israel procurou cumprir a lei basicamente em todas as suas atividades. Apesar da minha forte crença de que deve haver uma lei de caducidade para ressentimentos, levantar a causa a favor de Israel requer uma breve viagem ao passado relativamente recente. Isso é necessário porque a causa contra Israel, nos dias atuais sendo levantada em campi universitários, na mídia e no mundo todo, baseia-se em distorções propositais dos registros históricos, a começar com a chegada dos primeiros europeus à Palestina, no final do século XIX, e continuando com a divisão feita pela ONU, o estabelecimento do Estado judeu, as guerras entre Estados árabes e Israel, culminando no atual terrorismo e nas reações diante dele. Os registros históricos devem ser bem estabelecidos para evitar a advertência do filósofo Santayana de que aqueles que não lembram o passado estão condenados a repeti-lo. Cada capítulo deste livro começa com a acusação apresentada contra Israel, citando fontes específicas. Respondo à acusação com fatos reais embasados em provas aceitáveis. Ao apresentar os fatos geralmente não me baseio em fontes pró-Israel, mas principalmente em fontes objetivas e, algumas vezes, para enfatizar algum ponto, em fontes anti-Israel.

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Provo, sem sombra de dúvida, que as ações de Israel têm sido julgadas por um duplo padrão pernicioso: que mesmo quando Israel foi o melhor entre os melhores do mundo, tem sido muitas vezes acusado de ser o pior entre os piores. Também provo que esse duplo padrão não tem sido apenas injusto com o Estado judeu, mas tem prejudicado o código da lei, ferido a credibilidade de organizações internacionais como a ONU e encorajado terroristas palestinos a cometer atos de violência para provocar reações exageradas de Israel e assegurar a condenação unilateral de Israel pela comunidade internacional. Na conclusão do livro, argumento que é impossível entender o conflito no Oriente Médio sem aceitar a realidade de que, desde o início, a estratégia da liderança árabe tem sido a eliminação da existência de qualquer Estado judeu e mesmo de uma substancial população judaica onde hoje se situa Israel. Mesmo o professor Edward Said, o mais destacado defensor acadêmico dos palestinos, reconhece que "o nacionalismo palestino foi integralmente baseado na expulsão dos israelenses [querendo dizer judeus] " 8. Esse é um fato simples, não sujeito a um questionamento razoável. As provas verbais e escritas vindas de líderes árabes e palestinos são esmagadoras. Várias táticas têm sido usadas para esse fim, inclusive a mentirosa reescrita da história da imigração de refugiados judeus para a Palestina e a história demográfica dos árabes na região. Outras táticas têm incluído o ataque a civis judeus vulneráveis a partir da década de 1920, o suporte palestino a Hitler e ao genocídio nazista nos anos 1930 e 1940 e a oposição violenta à solução de dois Estados proposta pela Comissão Peei, em 1937, e depois pela ONU, em 1948. Ainda uma outra tática foi a criação e posterior exacerbação e exploração da crise dos refugiados. Para alguns, a simples ideia de um Estado palestino ao lado de um Estado judeu tem sido uma tática em si – um primeiro passo – para a eliminação de Israel. Entre 1880 e 1967, na verdade, nenhum porta-voz árabe ou palestino falou a favor de um Estado palestino. Em vez disso, queriam que a área chamada pelos romanos de Palestina fosse incorporada à Síria ou à Jordânia. Como Auni Bey Abdul-Hati, um proeminente líder palestino, disse à Comissão Peei em 1937, "não existe tal país... Palestina é um termo que os sionistas inventaram... nosso país foi, durante séculos, parte da Síria". Portanto, os palestinos rejeitaram a pátria independente proposta pela Comissão Peel porque também traria consigo uma pequena pátria judaica. O objetivo sempre permaneceu o mesmo: eliminar o Estado judeu e transferir a maioria dos judeus para fora da área. Os realistas árabes agora reconhecem que esse objetivo é inatingível – pelo menos em um futuro previsível. A esperança é que o pragmatismo predomine sobre o fundamentalismo e que o povo palestino e seus líderes fi-

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nalmente cheguem a compreender que a causa a favor de um Estado palestino é fortalecida pela aceitação de um Estado judeu. Quando os palestinos desejarem seu próprio Estado mais do que desejam a destruição do Estado judeu, a maioria dos israelenses receberá pacificamente o Estado palestino como bom vizinho. O acordo que deverá seguir o "mapa da estrada" e os apertos de mão, bem como promessas trocadas em Acaba, em 4 de junho de 2003, representam alguma esperança de que a solução de dois Estados - há tempos aceita por Israel - se torne finalmente uma realidade. Acolho a discussão vigorosa sobre a questão a favor de Israel que defendo neste livro. De fato, espero gerar um debate honesto e contextuai sobre um assunto que se tem polarizado por argumentos extremistas. Certamente haverá discordâncias sobre as conclusões a que chego e as inferências que faço dos fatos históricos. Mas não pode haver discordância razoável sobre os fatos básicos: os judeus europeus que se juntaram aos seus primos sefardis onde hoje é Israel, no final do século XIX, tinham um direito absoluto de procurar refúgio na terra de seus ancestrais; estabeleceram com o suor do rosto uma pátria judaica em partes da Palestina que justamente compraram de proprietários ausentes; deslocaram bem poucos felás (árabes que trabalhavam a terra) locais; aceitaram propostas baseadas na lei internacional para uma pátria judaica repartida em áreas com maioria judaica; e, pelo menos até recentemente, quase todos os líderes palestinos e árabes categoricamente rejeitaram qualquer solução que incluísse um Estado judeu ou a autodeterminação judaica. Esses fatos indiscutíveis estabeleceram as bases do conflito que acompanhou o estabelecimento de Israel e que continua até hoje. É importante apresentar esses fatos históricos como parte da atual questão a favor de Israel porque essa distorção ou omissão fundamental na história dolorosa é um elemento da questão muitas vezes levantada contra o Estado judeu. Decidi escrever este livro depois de acompanhar de perto as negociações de paz de Camp David e Taba, de 2000-2001, e depois de ver como tantas pessoas no mundo se voltaram contra Israel quando as negociações falharam e os palestinos retornaram ao terrorismo. Eu estava lecionando na Universidade de Haifa, em Israel, durante o verão de 2000, e pude observar em primeira mão o entusiasmo e a expectativa com os quais tantos israelenses aguardavam o resultado do processo de paz iniciado com os acordos de Oslo em 1993 e que parecia estar a caminho da aceitação de uma resolução de dois Estados, com Israel e Palestina finalmente convivendo pacificamente depois de tantos anos de violento conflito. À medida que o processo se encaminhava para a resolução, o primeiro-ministro israelense Ehud Barak surpreendeu o mundo ao oferecer aos palestinos praticamente tudo que demandavam, inclusive um Estado

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com sua capital em Jerusalém, o controle do Monte do Templo, a devolução de aproximadamente 95% da margem ocidental e toda a faixa de Gaza e um pacote de compensação de 30 bilhões de dólares para os refugiados de 1948. Como poderia Yasser Arafat rejeitar essa oferta histórica? O príncipe Bandar, da Arábia Saudita, que estava servindo de intermediário entre as partes, exortou Arafat a "aceitar este negócio". Você poderia alguma vez conseguir "um negócio melhor"?, perguntou. Você preferiria negociar com Sharon? Como Arafat vacilou, Bandar advertiu-o: "Espero que o senhor se lembre do que eu lhe disse. Se perdermos esta oportunidade será um crime".9 Observei com horror como Arafat cometeu esse crime, rejeitando a oferta de Barak e abandonando as negociações de paz sem nem mesmo fazer uma contraproposta. Mais tarde o príncipe Bandar iria caracterizar a decisão de Arafat como "um crime contra os palestinos – de fato, contra toda a região". Considerou Arafat pessoalmente responsável por todas as mortes resultantes dos conflitos entre israelenses e palestinos.10 O presidente Clinton também colocou toda a culpa pelo fim do processo sobre Arafat, como o fizeram quase todos que participaram das negociações. Mesmo alguns europeus ficaram furiosos com Arafat por abandonar essa oferta generosa. Finalmente, parecia que a opinião pública mundial estava abandonando os palestinos, que haviam novamente rejeitado a solução de dois Estados, e voltando-se para os israelenses, que haviam feito uma proposta para a saída do impasse violento. Mas em poucos meses a opinião pública internacional novamente mudou a favor dos palestinos e contra Israel, desta vez com uma vingança. Repentinamente Israel era o pária, o vilão, o agressor e o destruidor da paz. Em campi universitários ao redor do mundo era Israel – o país que tinha acabado de oferecer tanto – o único objeto das petições de despojamento e boicote. Como tantas pessoas inteligentes puderam esquecer tão depressa quem era culpado pelo fim do processo de paz? Como o mundo podia tão depressa transformar Arafat, o vilão de Camp David, num herói e Israel, que heroicamente tinha oferecido tanto, num vilão? O que aconteceu nesse breve período para produzir uma mudança tão dramática na opinião pública? Fiquei sabendo que o que aconteceu foi precisamente aquilo que o príncipe Bandar havia predito a Arafat que aconteceria se rejeitasse a proposta de paz de Barak: "Você tem apenas duas alternativas. Ou você aceita esta proposta ou haverá guerra". Arafat escolheu ir à guerra. De acordo com seu próprio ministro das Comunicações, "a Autoridade Palestina começou a preparar-se para o início da atual revolta naciona-

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lista dos palestinos a partir do retorno das negociações de Camp David, a pedido do presidente Yasser Arafat".11 A desculpa para a escalada das explosões suicidas foi a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo. Mas, como o ministro das Comunicações alardeou, "Arafat... havia previsto o início da intifada como um passo complementar à resistência palestina nas negociações, e não como um protesto específico contra a visita de Sharon ao Al-Haram AlSharif [o Monte do Templo]". De fato, a escalada do terrorismo havia começado alguns dias antes da visita de Sharon, como parte "das instruções da Autoridade Palestina" às "forças políticas e facções para conduzir todos os elementos da intifada". Em outras palavras, em vez de mostrar "firmeza nas negociações" fazendo contrapropostas à generosa oferta de Barak, Arafat decidiu fazer a sua contraproposta na forma de explosões suicidas e aumento da violência. O príncipe Bandar acusou Arafat de responsável pelo banho de sangue resultante: "Ainda não me recuperei... da magnitude da oportunidade perdida", declarou ele a um repórter. "Mil e seiscentos palestinos mortos até agora. E setecentos israelenses mortos. No meu julgamento, nenhuma dessas mortes de israelenses e palestinos é justificada".12 Então, de que maneira este homem, responsável por essas mortes evitáveis, que escolheu rejeitar a proposta de paz de Barak e instruiu seus subordinados a reiniciar a violenta intifada como um "estágio complementar" às negociações, conseguiu mudar a opinião pública mundial tão depressa em favor dos palestinos e contra Israel? Essa pergunta desalentadora necessitava de uma resposta, e foi a resposta assustadora que me levou a escrever este livro. A resposta vem em duas partes. A primeira é bastante óbvia: Arafat jogou a comprovada carta do terrorismo, que funcionou para ele tantas vezes através de sua longa e tortuosa carreira como terrorista diplomata. Ao fazer de alvo civis israelenses – crianças ou ônibus escolares, mulheres grávidas em shopping centers, adolescentes numa discoteca, famílias num jantar de Pessach, estudantes universitários numa cafeteria –, Arafat sabia que podia fazer com que Israel tivesse uma reação exacerbada, primeiro elegendo um primeiroministro mais sagaz para substituir o manso Ehud Barak, depois instigando os militares a tomar atitudes que inevitavelmente resultariam na morte de civis palestinos. Funcionou perfeitamente, como no passado. De repente, o mundo estava vendo imagens perturbadoras de soldados israelenses atirando em multidões, parando mulheres em pontos de controle e matando civis. Arafat havia "dominado" uma "dura aritmética da dor", como foi dito por um diplomata: "As perdas palestinas contam a seu favor e as perdas israelenses também. A nãoviolência não compensa".13

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Para muitos, a simples aritmética era suficiente: mais palestinos do que israelenses estavam mortos, e só esse fato já provava que Israel era o vilão. Era ignorado o fato de que, apesar de "apenas" 800 israelenses terem sido mortos (até junho de 2003), os terroristas palestinos haviam tentado matar milhares mais e não haviam conseguido só porque as autoridades israelenses haviam frustrado "aproximadamente 80% das tentativas" de ataques terroristas.14 Também foi ignorado o fato de que entre os aproximadamente dois mil palestinos mortos havia centenas de homens-bomba, fabricantes de bombas, atiradores de bombas, comandantes terroristas e mesmo supostos colaboradores mortos por outros palestinos. Quando se contam apenas os civis inocentes, morreram significativamente mais israelenses do que palestinos.15 De fato, Israel matou menos civis palestinos inocentes durante as décadas que tem combatido o terrorismo do que qualquer outra nação na história diante de tal violência, e essas mortes trágicas foram consequências nãointencionais do combate ao terrorismo, mais do que o objeto da violência. Por que então tantas pessoas na comunidade internacional – diplomatas, homens de mídia, estudantes, políticos, líderes religiosos – caíram na trama transparente e imoral de Arafat? Por que não culpavam Arafat pela escalada da violência, como fizeram o príncipe Bandar e outros? Por que culpavam Israel tão apressadamente? Por que líderes morais e religiosos, que geralmente traçam uma clara distinção entre aqueles que propositalmente alvejam civis inocentes e aqueles que inadvertidamente matam civis, num esforço de proteger seus próprios civis, eram incapazes de fazer essa importante distinção quando se tratava de Israel? Por que não compreenderam como a liderança palestina estava manipulando e explorando a aritmética da morte? Por que não podiam ver além da contagem de corpos e focalizar o correto cálculo moral: quantas pessoas inocentes foram deliberadamente transformadas em alvos e mortas de cada lado? Procurando responder a essas perguntas perturbadoras, tornou-se claro para mim que forças obscuras estavam em jogo. A mudança dramática e quase total nas percepções do público num período tão curto de tempo não podia ser explicada com base exclusiva em princípios da lógica, moralidade, justiça – mesmo política. As respostas estavam, pelo menos em parte, no fato de Israel ser o Estado judeu e o "judeu" entre os Estados do mundo. Uma total compreensão das reações bizarras do mundo à generosa proposta israelense de paz e a violenta resposta palestina requer o reconhecimento da longa e difícil história mundial no julgamento do povo judeu por padrões diferentes e muito mais exigentes. O mesmo ocorre com a nação judaica. Pouco após o seu estabelecimento como primeiro Estado judaico moderno do mundo, Israel tem sido 22


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avaliado segundo um duplo padrão de julgamento e crítica de suas ações ao defender-se contra ameaças à sua própria existência e à sua população civil. Este livro é sobre este duplo padrão – a sua injustiça em relação a Israel e, mais importante, seu pernicioso efeito ao encorajar o terrorismo palestino e outros. Se o tom deste livro algumas vezes pode parecer contencioso, é porque as acusações atuais contra Israel frequentemente são estridentes, intransigentes, unilaterais e exageradas: "tipo nazista", "genocida", "exemplo clássico de violadores de direitos humanos no mundo", e assim por diante. Essas falsas acusações devem ser respondidas direta e verdadeiramente antes de se poder restaurar um tom de compromisso e reconhecimento mútuo de erros, e os assuntos serem debatidos nos seus méritos e deméritos frequentemente complexos. Mas, com demasiada frequência, o debate atual, especialmente nos campi universitários, é caracterizado por acusações contenciosas e unilaterais feitas por aqueles

que

desejam

demonizar

Israel.

São

frequentemente

respondidas

pelo

reconhecimento bastante mais franco de erros por defensores de Israel e um tom de desculpa que muitas vezes serve aos acusadores. O avanço em direção à paz somente virá quando ambos os lados quiserem reconhecer seus próprios erros e culpas e ir além das acusações do passado para um futuro de compromisso mútuo. Uma atmosfera favorável a tal compromisso não será alcançada se o ar não for purificado das acusações falsas, exageradas e unilaterais que agora poluem a discussão em tantas colocações. A finalidade deste livro é ajudar a purificar o ar, fornecendo defesas diretas e verdadeiras a falsas acusações. O tom dessas defesas, algumas vezes, necessariamente espelha o tom das acusações. A principal característica dos meus escritos, discursos e aulas durante anos sempre foi ser direto e não criar intrigas ou preocupar-me em ofender aqueles que, com base em suas ações intolerantes e falsas acusações, merecem ser ofendidos. Procuro seguir esse caminho neste livro. Uma vez purificado o ar dos poluentes da intolerância e da falsidade, um debate mais diferenciado pode ser iniciado sobre políticas especificamente israelenses – bem como sobre políticas especificamente palestinas. Este livro não é parte desse debate, apesar de eu ter minhas próprias opiniões sobre muitas dessas questões. Enquanto Israel for particular e falsamente acusado de ser o principal infrator, a primeira obrigação daqueles comprometidos com a verdade e a justiça é refutar essas acusações – de modo firme e inequívoco. Freqüentemente, perguntam-me como, na qualidade de civil defensor do livrearbítrio e liberal, posso apoiar Israel. A implicação por trás da pergunta é que devo estar comprometendo meus princípios ao apoiar

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um regime tão "repressivo". A verdade é que apoio Israel precisamente porque sou um civil defensor do livre-arbítrio e liberal. Também critico Israel sempre que suas políticas violam o rigor da lei. Tampouco procuro defender ações chocantes de Israel ou de seus aliados, tais como as matanças de 1948 por tropas irregulares de civis em Deir Yassin, o massacre falangista de palestinos em 1982 no campo de refugiados de Sabra e Shatila ou os assassinatos em massa de muçulmanos orando por Baruch Goldstein em 1994. Como em qualquer outra democracia, Israel e seus líderes deveriam ser criticados sempre que suas ações deixem de atingir padrões aceitáveis, mas o criticismo deveria ser proporcional, comparativo e contextuai, como deveria ser também em relação a outras nações. Defendo a causa de Israel com base em considerações liberais e de defesa da liberdade civil, apesar de acreditar que os conservadores também deveriam apoiar o Estado judeu com base em valores conservadores. Não peço a ninguém que faça concessões a seus princípios. Antes, o meu pedido é que todas as pessoas de boa vontade simplesmente apliquem ao Estado judeu de Israel os mesmos princípios de moralidade e justiça que aplicam a outros Estados e povos. Se aplicassem um só padrão de justiça, a causa a favor de Israel se resolveria por si. Mas, como tantas pessoas insistem em ser mais exigentes em relação a Israel, eu agora defendo a causa segundo a qual, num julgamento por qualquer padrão racional, Israel merece o apoio – embora, certamente, não o apoio sem crítica – de todas as pessoas de boa vontade que atribuem valor à paz, à justiça, à honestidade e à autodeterminação.

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NOTAS 1. Thomas Friedman, "Campus hypocrisy", New Work Times, 1.6 de outubro de 2002. 2. V. capítulo 28. 3. V. capítulo 28. 4. A preferência de Chomsky por um modelo federal "ao longo das linhas da Iugoslávia" é articulada em Middle east illusions (Oxford, Rowman & Littlefield, 2003), pp. 105-106. A sua defesa do Líbano como um modelo vem de um debate comigo em 1970. 5. Atlantic unbound (publicação on-line no Atlantic Monthly). Entrevista de Said por Harry Bloom,

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de

setembro

de

1999,

www.theatlantic.com/unbound/interviews/ba990922.htm. 6. V. Benny Morris, Righteous victims (Nova York: Vintage Books, 2001), p. XIV. 7. V. capítulo 9. 8. Atlantic unbound, 22 de setembro de 1999. 9. V. capítulo 17. 10. V. capítulo 17. 11. V. capítulos 16 e 17. 12. V. capítulo 17. 13. James Bennet, "Arafat´s edge: violence and time on his side", New York Times, 18 de março de 2002. 14. Bruce Hoffman, “’The logico f suicide terrorismo”, Atlantic Monthly, junho de 2003, p. 45. 15. V. capítulo 18.

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Israel é um Estado colonial

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e imperialista

A ACUSAÇÃO Israel é um Estado colonial, imperialista, colonizador, com um regime comparável ao apartheid da África do Sul.

OS ACUSADORES "[Um Estado judeu na Palestina] somente poderia emergir como filho bastardo de potências imperialistas e só poderia chegar a existir pelo deslocamento da maioria da população palestina, incorporando-a num regime de apartheid ou por meio de alguma combinação de ambos. Além disso, uma vez criado, Israel só poderia sobreviver como Estado militarista, expansionista e hegemônico, constantemente em guerra com seus vizinhos." (M. Shahid Alam, professor de economia na Northeastern University.)1 "A Palestina ocupada [que inclui todo Israel] deve ser descolonizada, 'desracializada' e devolvida ao povo palestino como único Estado soberano. Em linguagem clara, o Estado sionista precisa ser desmontado." (Imam Achmed Cassiem, presidente nacional da Islamic Unity Conviction, África do Sul.)2


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A REALIDADE Israel é um Estado composto principalmente de refugiados e seus descendentes, exercendo seu direito à autodeterminação. A partir da década de 1880, os judeus que se mudaram para onde hoje é Israel eram refugiados escapando do anti-semitismo opressivo da Europa colonial e dos Estados muçulmanos do Oriente Médio e do Norte da África. Ao contrário de colonizadores servindo aos objetivos expansionistas. Comerciais e militares de nações imperialistas como Grã-Bretanha, Franca, Holanda e Espanha, os refugiados judeus estavam saindo dos países que os tinham oprimido durante séculos. Esses refugiados judeus se comparavam mais aos colonizadores dos Estados Unidos que haviam saído da Inglaterra devido à opressão religiosa (ou aos outros europeus que mais tarde emigraram para a América) do que aos imperialistas Ingleses dos séculos XVIII e XIX que colonizaram a índia, aos franceses que colonizaram o norte da África e aos expansionistas holandeses que colonizaram a Indonésia.

A PROVA Aqueles que, de modo absurdo, afirmam que os refugiados judeus que emigraram para a Palestina nas últimas décadas do século XIX eram "instrumentos" do imperialismo europeu devem responder à seguinte pergunta: para quem esses socialistas e idealistas estavam trabalhando? Estavam plantando a bandeira do odiado czar da Rússia ou dos regimes anti-semitas da Polônia ou da Lituânia? Esses refugiados não queriam ter nada a ver com os países dos quais fugiram para evitar pogroms (massacres organizados) e discriminação religiosa. Chegaram à Palestina sem nenhuma arma do imperialismo. Traziam consigo poucas armas ou outros meios de conquista. Suas ferramentas eram os ancinhos e as enxadas. A terra que cultivavam não foi tirada dos seus legítimos donos pela força ou confiscada por lei colonial. Foi comprada, primeiramente de proprietários ausentes e especuladores imobiliários, a preços justos ou, muitas vezes, a preços exorbitantes. Como Martin Buber, um defensor dos direitos dos palestinos, observou em 1919: "Nossos colonizadores não vêm para cá como os colonizadores do Ocidente, para terem nativos trabalhando por eles; eles mesmos debruçam os ombros sobre o arado e gastam sua energia e seu sangue para tornarem a terra fértil".3 Tampouco a terra que procuravam cultivar era rica em recursos naturais, tais como petróleo ou ouro, ou posicionada es-

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trategicamente como rota comercial. Era um pedaço de terra destituída de valor material num fim de mundo cuja importância para os judeus era de caráter religioso, histórico e familiar. Certamente esses trabalhadores judeus não eram os imperialistas típicos que você poderia imaginar. Eram refugiados de regimes opressivos que procuravam uma nova vida num lugar em que seus ancestrais tinham-se estabelecido havia muito tempo e do qual a maioria foi expulsa. Além disso, como documentado pelo historiador britânico Paul Johnson, as potências colonialistas fizeram todo o possível para impedir o estabelecimento de uma pátria judaica: "Em todos os lugares do Ocidente os Ministérios do Exterior, da Defesa e as grandes empresas estavam contra os sionistas"4 Os refugiados judeus que foram morar na Palestina tiveram de superar o imperialismo turco, britânico e pan-árabe para poder alcançar a autodeterminação. Para provar sem deixar sombra de dúvida, que Israel não é e nunca fui um Estado imperialista ou colonizador é necessário contar de novo, resumidamente, a história inicial dos refugiados judeus da Europa que se juntaram à maioria sefardi que vivia na Palestina havia gerações. A primeira onda de imigração (ou, como era chamada, "Aliyah") começou em 1882 e terminou em 1903, e não era diferente, em muitos aspectos, da primeira imigração em larga escala de judeus da Europa oriental para a América, aproximadamente na mesma época. Era uma época de emigração e imigração maciças através do mundo, especialmente das congestionadas cidades e vilas européias. Grandes mudanças de população ocorreram, com pessoas estabelecendo-se em lugares distantes de suas cidades natais. Famílias irlandesas, italianas, gregas, alemãs, polonesas e judaicas, bem como chinesas, japonesas e caribenhas, procuraram uma vida melhor nos Estados Unidos, Canadá, América do Sul, Austrália e outros lugares, onde podiam trabalhar com as mãos e desenvolver a mente. Aproximadamente 10 mil judeus da Europa oriental emigraram para a Palestina, e quase um milhão de judeus foram para os Estados Unidos.5 A maioria dos judeus da primeira Alyah não tinha nenhuma esperança realista de estabelecer uma nação judaica na Palestina. Apesar de alguns intelectuais judeus, como Leo Pinsker, lerem defendido a "autoemancipação" já em 1882, não havia nenhum movimento político a favor de um Estado judeu até quase o fim da primeira Aliyah em 1897, quando Theodore Herzl organizou o primeiro congresso sionista em Basileia, na Suíça. Os judeus da primeira Aliyah editaram um manifesto em 1882, no qual explicitamente se referiam à recente onda de pogroms e aos mais

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distantes autos-de-fé que haviam ameaçado destruir o judaísmo europeu. Não desejavam necessariamente um Estado, mas "um lar em nosso país", talvez "um Estado dentro de um Estado maior", onde pudessem ter seus "direitos civis e políticos" e também pudessem "ajudar nosso irmão Ismael em períodos de necessidade". Assim como os judeus que procuraram refúgio na América, a maioria dos judeus que primeiro retornou ao Sião estava simplesmente procurando um lugar para viver em paz, sem discriminação e sem ameaças físicas à sua sobrevivência. Certamente tinham esse direito. A Palestina, terra de seus antepassados, parecia ser um Lugar apropriado por várias razões importantes, incluindo a de que sempre houve uma presença judaica significativa na região. Os historiadores acreditam que os hebreus chegaram ao atual Israel em algum momento no segundo milênio a.C. Sob Josué e, posteriormente, sob o rei Davi e seus sucessores, existiam reinados hebreus independentes. "Durante mais de 1.600 anos os judeus constituíam a principal população da [como posteriormente chamada pelos romanos] Palestina" de acordo com o historiador Martin Gilbert.6 Depois da conquista pelos babilônios, persas e gregos, um reinado judeu independente renasceu em 168 a.C., mas Roma tomou o controle efetivo no século seguinte. Os romanos suprimiram as revoltas judaicas em 70 d.C. e em 135 d.C., e a Judéia mudou de nome para Palestina para ser desjudaizada: os romanos a renomearam em virtude dos anteriores habitantes da costa, os filisteus.7 A partir daí, apesar dos repetidos esforços dos romanos, cruzados e alguns muçulmanos pura liberar a Palestina dos judeus, milhares de judeus conseguiram manter-se em suas cidades sagradas, especialmente Jerusalém, Safed, Tiberíades e Hebron. Havia também comunidades Judaicas em Gaza, Rafah, Ascalon, Cesaréia, Jafa, Acre e Jericó. Entre os judeus que viviam em Jericó durante o século VII havia refugiados do sangrento massacre de duas tribos árabes judaicas por Maomé. Os judeus de Khaibar tinham vivido pacificamente entre seus vizinhos árabes até que o profeta Maomé "desferiu atrocidades desumanas sobre seu inimigo derrotado", massacrando homens, mulheres e crianças judias. Os judeus de Khaibar "orgulhavam-se da pureza de sua vida familiar: agora suas mulheres e filhas [as que escaparam da execução] foram distribuídas e levadas pelos conquistadores".8 Aqueles judeus que conseguiram escapar da espada do profeta foram proibidos de permanecer na península Arábica, de acordo com as ordens do profeta: "Jamais podem existir duas religiões na Arábia".9 Muitos estabeleceram-se na Palestina, juntando-se a refugiados judeus da opressão cristã pós-romana. Os cruzados massacraram milhares de judeus Junto com muçulma-

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nos no século XI, e pouco tempo depois judeus da França, da Inglaterra e, mais tarde, da Espanha, da Lituânia, de Portugal, da Sicília, da Sardenha, de Rodes e de Nápoles estabeleceram centros de estudo judaico e comércio, A partir dessa época a Palestina jamais deixou de ter uma presença judaica significativa e bem documentada. Quando os turcos otomanos ocuparam a Palestina em 1516, apenas na região de Safed viviam aproximadamente 10 mil judeus. No século XVI, de acordo com relatos britânicos, "algo como 15 mil judeus" viviam em Safed, que era um "centro de estudos rabínicos",10 Muito mais judeus viviam em Jerusalém, Hebron, Acre e outros lugares. Jerusalém, de fato, tem tido uma maioria judaica desde quando os primeiros levantamentos populacionais foram leitos no século XIX. De acordo com o cônsul britânico em Jerusalém, os muçulmanos "mal superavam um quarto da população total".11 Jerusalém era uma cidade predominantemente judaica bem antes da primeira Aliyah. Em meados do século XIX – trinta anos antes da primeira Aliyah de judeus europeus – os judeus também tinham uma presença significativa, frequentemente uma pluralidade ou uma maioria, em Safed. Tiberíades e várias outras cidades e aldeias.12 Tel Aviv foi uma cidade predominantemente judaica desde a sua fundação por judeus europeus sobre dunas de areia em 1909. A Palestina manteve-se como centro de aprendizado judaico, religiosidade e misticismo ao longo das épocas. Os judeus europeus contribuíram para as instituições religiosas na Palestina e oravam diariamente por um retorno ao Sião (que, originalmente, era um termo mais religioso do que político; daí a sua frequente menção em fontes cristãs). Apesar de a maioria dos judeus da primeira Aliyah ter sido secular até o âmago – a saudade do Sião transcendeu a teologia e foi um aspecto importante da história judaica. Os judeus que viviam fora da Palestina eram tidos como em diáspora ou exilados. O povo judeu jamais abandonou sua reivindicação de retornar à terra da qual tantos de seus ancestrais foram expulsos. Bem antes dos primeiros sionistas europeus terem chegado à Palestina, pogroms de inspiração religiosa e outras formas de violência vitimaram judeus locais, cujos ancestrais haviam chamado a Palestina de lar durante séculos. Durante a ocupação egípcia da Palestina na década de 1830, os judeus que lá viviam foram perseguidos impiedosamente por fanáticos muçulmanos simplesmente por intolerância religiosa. Em 1834, lares judeus em Jerusalém "foram saqueados e suas mulheres violentadas".11 Mais tarde, naquele mesmo ano, judeus em Hebron foram massacrados. O cônsul britânico William Young, num relatório ao Foreign Office – 40 anos antes da primeira Aliyah –, pintou um quadro claro e desalentador sobre a vida dos judeus em Jerusalém em 1839:

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Considero meu dever informá-lo de que foi feita esta semana uma proclamação pelo administrador do bairro judeu para não permitir a nenhum judeu orar em sua casa sob a pena de ser severamente punido – aqueles que quiserem rezar devem ir à sinagoga... Também houve uma punição de um judeu e de uma judia – mais revoltante à natureza humana, que, acredito, seja meu dever relatar. No cometo daquela semana uma casa no bairro judeu foi invadida tendo sido cometido um roubo – a casa estava em quarentena – e o guarda, que era um judeu, foi levado ao administrador – e negou conhecer o ladrão ou as circunstâncias. Para fazê-lo confessar foi deitado e chicoteado e, em seguida, aprisionado. No dia seguinte foi levado novamente diante do administrador quando continuou a Insistir na sua inocência. Foi então queimado na face com um ferro quente e em várias partes do corpo – acoitado nas partes inferiores de seu corpo – a ponto de a carne ficar pendurada aos pedaços. No dia seguinte a pobre criatura morreu. Era um jovem judeu de Salônica, com aproximadamente 28 anos de idade, que eslava aqui havia pouco tempo, tendo procurado emprego comigo uma semana antes. Um jovem – judeu – com passaporte francês também era suspeito – ele fugiu. Sabia-se que o seu caráter era indiferente. Sua mãe, uma mulher idosa, foi presa sob suspeita de esconder seu filho – foi amarrada e espancada da maneira mais brutal... Devo dizer que sinto e estou surpreso que o administrador tenha agido de maneira tão selvagem – porque, certamente, pelo que vi dele, eu o teria considerado superior a uma tal brutalidade –, mas o jovem era um judeu – sem amigos ou proteção – e servia bem para mostrar que não é sem razão que o pobre judeu mesmo no século XIX, vive de um dia para o outro em terror pela sua vida.14

O judeu também não podia procurar desagravo, como o relatório observa: Como o cão miserável sem dono, ele recebe pontapés de um por atravessar o seu caminho e, algemado por outro porque grita, tem medo de procurar desagravo porque isso poderia piorar sua situação: ele acha melhor suportar do que viver na expectativa de que sua queixa acabe por voltar-se contra ele.15

Vários anos depois o mesmo cônsul atribuiu a condição do judeu em Jerusalém ao "ódio cego e ao preconceito ignorante de um populacho fanático", associados com a impossibilidade de a comunidade judaica, atingida pela pobreza, defender-se física ou politicamente.16. Isso foi meio século antes do advento do sionismo moderno e da chegada dos judeus europeus. Era uma pura intolerância religiosa dirigida contra uma popu-

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-lação nativa que vivia na Palestina havia séculos e tinha o mesmo direito do estar lá e de ser tratada com justiça como qualquer árabe ou muçulmano. Como veremos, só depois de os judeus europeus terem começado a unir-se com seus primos sefardis na Palestina, que refugiados judeus puderam preparar algum tipo de defesa contra a violência de inspiração religiosa que tornava tão difícil a vida na região. Certamente os judeus nativos da Palestina, que tinham, no mínimo, tanto direito de estar lá como qualquer muçulmano ou cristão, faziam jus à proteção contra a discriminação religiosa e maus-tratos, e seus correligionários europeus tinham o direito de oferecer-lhes essa proteção peia introdução de instituições de autodefesa. Apesar de os judeus que emigraram da Europa oriental para a Palestina serem semelhantes em muitos aspectos aos judeus que foram para a América – no sentido de que ambos os grupos eram refugiadas do anti-semitismo europeu e procuravam vida nova num lugar livre de antigos preconceitos –. diferiam no fato de que alguns que foram para Israel tinham motivos ideológicos para sua escolha de um novo lar, enquanto aqueles que foram para a América escolheram a “Golden Medina” {nação dourada}, principalmente com base em considerações práticas (tais como oportunidades econômicas, liberdade política, igualdade religiosa e unificação familiar). Os judeus americanos mudaram para vizinhanças judaicas, estabeleceram instituições comunitárias judaicas e continuaram a falar ídiche enquanto seus filhos dominavam o inglês. Apesar de terem sofrido discriminações e terem sido explorados, como outros grupos de imigrantes, com o tempo assimilaram-se econômica, política e mesmo socialmente à maioria. Os judeus da primeira Aliyah encontraram uma realidade muito diferente na Palestina dos fins do século XIX. Também estabeleceram as suas comunidades, organizaram suas instituições comunitárias e reviveram a antiga língua hebraica. Mas a assimilação, mesmo pura aqueles judeus ou árabes que a desejavam, não era viável. Grupos organizados de árabes atacavam colônias judaicas desprotegidas e desarmadas e eram feitos esforços para impedir mais judeus europeus de procurar asilo na Palestina. Apesar de alguns líderes árabes terem recebido bem os refugiados judeus e os terem visto como potencial fonte de emprego para árabes locais, muitos queriam desencorajar qualquer imigração de nãomuçulmanos ou não-árabes. Ao contrário da América, onde os imigrantes judeus podiam eventualmente viver e trabalhar ao lado de americanos não-judeus, na Palestina os refugiados judeus tinham de viver em co-

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munidades separadas e cultivar suas próprias terras. Como foi concluído mais tarde pela Comissão Peel, a assimilação não era viável por causa do preconceito antijudaico estimulado pelos líderes muçulmanos. A fase inicial do yishuv ("retorno" ou "comunidade") foi, assim, mais uma imigração de refugiados do que um movimento político determinado ou movimento nacionalista, apesar de as sementes do sionismo político terem certamente sido plantadas durante a primeira Aliyah (e talvez mesmo antes) por aqueles cuja decisão era motivada, pelo menos em parte, por um desejo de retornar ao Sião. Mais ou menos na época em que a primeira onda de refugiados judeus da Europa estava emigrando para a Palestina outras ondas de refugiados judeus de países e regiões muçulmanos, como Yêmen, Iraque, Turquia e norte da África também começavam a chegar à Palestina. Esses judeus árabes não tinham noção de sionismo político. Estavam simplesmente voltando para casa a fim de escapar das perseguições, tendo chegado ao seu conhecimento que o Império Otomano estava permitindo (ou fechando os olhos para) uma certa imigração judaica para a Palestina. Com base na história real dos refugiados judeus que emigraram para a Palestina, o argumento de que Israel é um Estado colonizador ou imperialista é tão artificial que simplesmente serve para ilustrar como a linguagem é propositalmente distorcida a serviço de uma agenda facciosa.

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NOTAS 1. "What went wrong?" Al-Ahram Weekly (Egito) 12-18 de dezembro de 2002. Todas as citações a Al-Ahram Weekly disponíveis em http://weekly.ahram.org.eg. 2. Radio 786, 23 de maio de 20O2. 3. Buber a Gandhi, citado em Arthur Hertzberg, The zionist idea. Jewlsh, (Philadelphia: Jewish Publication Society, 1997), p. 464. 4. Paul Johnson, Modern times: the world from the twenties to the nineties (Nova York, Harper & Row, 1983), p. 485. 5. Os 10 mil judeus que procuraram refúgio na Palestina constituíam aproximadamente 2% da população existente. O milhão de judeus que procurou refúgio na América constituía aproximadamente 2% da população existente. 6. Martin Gilbert, The routledge atlas of the arab-israeli conflict, 7. ed. (Londres: Routledge Taylor Francis Group, 2002), p. 1. 7. Clayton Miles Lehmann, "Palestine", http://www.usd.edu/erp/Palestine/history/htm. 8. Yitzchak Ben-Zvi, The exiledand redeemed (Philadelphia: Jewish Publication Society, 1961), pp. 44-45. 9. Sheikh Abd Allah Al Meshad, "Jews' Attitudes touward Islam and Muslims in the first islamic ERE", citado em D. F. Green, ed., Arab theologians on jews and Israel (Genebra: Editions de I'Avenir, 1976). 10. Palestine Royal Commission Report (Peel Report) (Londres: His Majesty's Stationary Office, 1937). pp. 1 1-12. 11. James Finn para Earl of Clarendon, 1º de janeiro de 1858. 12. James Finn para o Viscount Palmerston, 7 de novembro de 1851. 13. Jacob de Haas, History of Palestine (Nova York: Macmillan, 1934), p. 393. 14. Wm. T. Young ao Coronel Patrick Campbell, 25 de maio de 1839. 15. Wm. T. Young ao Visconde Palmerston, 25 de maio de 1839. 16. Wm. T. Young ao Visconde Canning, 13 de janeiro de 1842.

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Os judeus europeus deslocaram

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os palestinos

A ACUSAÇÃO Os judeus europeus que chegaram à Palestina deslocaram os palestinos que estavam vivendo lá há séculos.

OS ACUSADORES "Os judeus roubaram a nossa terra. Que mais podemos fazer, apenas ir embora?" (Mohammad Abu Laila, professor de religião comparativa na Universidade AI-Azhar, no Cairo, no contexto da defesa de homens-bomba como "mártires.")1 "Os judeus odeiam os árabes. Eles odeiam os palestinos porque os judeus roubaram a terra dos árabes e a Palestina. Um ladrão odeia o dono do direito." (“O presidente do Iraque afirma que o bombardeio de TelAviv 'foi fantástico'; o Gabinete endossa a suspensão da exportação de petróleo", publicado em 4 de junho de 2001.) "Os sionistas... conceberam seu plano para um estado colonizador na Palestina na medida em que executavam esse plano sustentado pelas forças imperialistas – com guerras, massacres e limpeza étnica – e, mais tarde, na medida em que persistiram nos seus planos de privar os palestinos dos últimos fragmentos dos seus direitos e herança cujas raízes


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cananéias eram mais antigas do que Isaías, Ezequiel, Davi e Moisés." (M. Shahid Alam)2 "Agora, nesse sentido, quero dizer que os palestinos são o povo nativo da Palestina, São os descendentes das tribos semitas que chegaram ao território palestino e o habitaram há milhares e milhares de anos, certamente bem antes de Abraão ter posto o pé em território palestino. [...] E digo que nós, palestinos, somos os descendentes e o povo nativo da Palestina, [...] Agora admitimos que os judeus, os israelenses, têm relações históricas com a Palestina, apesar de essas relações não serem tão antigas e não tão fundamentais como as nossas, sendo nós o povo nativo" (Haider Abdel Shafi, então líder da delegação palestina à conferência de paz, atualmente ativista independente)3 "Assim, existem dois grupos nacionais que reclamam autodeterminação nacional. Um grupo é a população nativa, ou o que dela sobrou – boa parte foi expulsa ou fugiu. O outro grupo são os colonizadores judeus que vieram da Europa, mais tarde de outras partes do Oriente Médio e de alguns outros lugares. Assim, há dois grupos, a população nativa e os imigrantes e seus descendentes." (Noam Chomsky)4

A REALIDADE A Palestina para a qual os judeus europeus da primeira Aliyah emigraram era bem pouco povoada, e a terra para a qual os judeus mudaram foi, de fato, comprada principalmente de proprietários ausentes e de especuladores imobiliários. Além de a Palestina ser um lugar apropriado para refugiados judeus devido à próxima conexão com sua história e ideologia, também era vista como adequada pela demografia da terra para a qual estavam se mudando ou, nas suas palavras, retornando. Mark Twain, que visitou a Palestina em 1867, fez a seguinte descrição: Não há mais cenas agitadas... no vale de [de Jezrael]. Não há sequer uma aldeia solitária ao longo de sua extensão – nem em trinta milhas em qualquer direção. Há dois ou três pequenos aglomerados de tendas de beduínos, mas nenhuma habitação permanente. Pode-se cavalgar dez milhas por aqui sem ver dez seres humanos... Vir à Galiléia por isso... esses desertos despovoados, esses montes enferrujados de aridez, que nunca, nunca,

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nunca sacodem o brilho de seus contornos ásperos e esmaecem e desmaiam numa perspectiva vaga; aqueIa melancólica ruína de Cafarnaum: esta aldeia insípida de Tiberíades, dormitando sob as suas seis palmeiras fúnebres... Alcançamos Tabor em segurança... Jamais vimos um ser humano no caminho todo. Nazaré está abandonada... Jericó, a amaldiçoada, está se desfazendo em ruínas, exatamente como o milagre de Josué a deixou há mais de três mil anos; Belém e Betânia, na sua pobreza e humilhação, nada têm para nos lembrar de que uma vez tiveram a honra da presença do Salvador, o lugar abençoado onde os pastores cuidavam de seus rebanhos durante a noite e onde os anjos cantavam "paz na terra entre os homens de boa vontade", estão sem qualquer presença humana... Betsaida e Corazin desapareceram da face da terra e os "lugares desertos" ao seu redor, onde milhares de homens ouviram uma vez a voz do Salvador e comeram o pão milagroso, dormem no silêncio de uma solidão habitada apenas por aves de rapina e raposas esquivas.5

Outros viajantes registraram relatos semelhantes da Palestina antes da chegada dos judeus da primeiru Aliyah, que começaram um processo de revilalizaçãu da terra e aumento da sua população pela criação de empregos e de uma infra-estrutura.

A PROVA Existiram duas mitologias que competiram entre si na Palestina por volta de 1880. A mitologia judaica extremista, há muito abandonada, dizia que a Palestina era uma "terra sem gente para uma gente sem terra". (Esta frase foi na verdade criada pelo lorde britânico Shaftesbury nas suas memórias de 1884.) A mitologia palestina extremista, que se tem consolidado ao longo do tempo, é que em l880 havia um povo palestino; alguns se dizem mesmo uma nação palestina que foi deslocada pela invasão sionista. A verdade, como sempre, está em algum lugar no meio. A Palestina certamente não era uma terra sem gente. É impossível reconstruir a demografia da área com algum grau de precisão, uma vez que dados dos censos para esse período não são confiáveis e a maioria das tentativas de reconstrução – tanto por fontes palestinas como israelenses – parece ter um cunho político. Mas estimativas pouco precisas são possíveis. A população inteira da Palestina (definida, para este fim, como o atual Israel, a margem ocidental e a faixa de Gaza) devia ser de cerca de meio milhão na época da primeira Aliyah no começo da década de 1880. Essa mesma

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região atualmente tem uma população de mais de 10 milhões e é capaz de manter uma população bem maior. A região que então foi dividida num Estado judeu pela ONU, em 1947, tinha apenas uma fração desse número, com estimativas variando entre 100 mil e 150 mil. Como entidade geográfica, a Palestina tinha fronteiras incertas e em constante mudança. Não era uma entidade política em qualquer sentido significativo. Sob o regime otomano, que prevaleceu entre 1516 e 1918, a Palestina estava dividida em várias partes territoriais denominadas de samjaks. Esses sanjaks faziam parte de unidades administrativas chamadas de vilayets. A maior parte da Palestina pertencia ao vilayet da Síria e era governada de Damasco por um paxá, explicando, assim, por que geralmente se fazia referencia à Palestina como Síria meridional. Depois de uma ocupação de dez anos pelo Egito nos anos de 1830, a Palestina foi dividida no vilayet de Beirute, que cobria o Líbano e a parte norte da Palestina (até onde hoje se situa Tel Aviv), e o samjak independente de Jerusalém, que cobria aproximadamente de Jafa até Jerusalém e ao sul até Gaza e Beersheva. Assim, não está claro o que significaria dizer que os palestinos eram o povo que originalmente habitava a "nação" da Palestina. Além disso, proprietários ausentes detinham boa parte da terra que acabou sendo dividida em Israel. De acordo com registros de compras de terra, muitos viviam em Beirute ou Damasco e alguns eram coletores de impostos e mercadores vivendo em outros lugares. Esses proprietários eram especuladores imobiliários de países estrangeiros que não tinham vinculo com a terra e que, frequentemente, exploravam os trabalhadores locais ou felás. Como refugiados em outros países, os refugiados judeus na Palestina compraram terras, boa parte das quais não aráveis. Os propagandistas palestinos exageraram muito quanto ao número de famílias árabes realmente deslocadas pelas compras judaicas de terras. Benny Morris é um historiador israelense cujos escritos tem sido criticados por alguns por sua "unilateralidade... contra Israel"6 e ele é freqüentemente citado por Noam Chomsky. Edward Said c outros críticos de Israel, bem como entre os "novos historiadores" que não apresentam a "linha sionista". Said caracterizou Morris e outros "historiadores revisionistas" como tendo "um desejo genuíno de entender o passado"; e o que dizem a esse respeito é "sem desejo de mentir ou esconder o passado" – alto elogio de alguém tão asperamente crítico do sionismo. Morris tem sido elogiado pelo New York Times Book Review por ter escrito "o relato mais sofisticado e matizado do conflito sionista-arabe".7 Ele resume os registros históricos como segue: "Os historiadores concluíram que apenas 'alguns milhares de famílias' foram deslocados em seguida às vendas de terra aos judeus entre a década de 1880 e o finai da década de 1930".8 Isso é uma fração

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do número de pessoas deslocadas pela construção egípcia do dique de Aswan, do deslocamento iraquiano dos árabes do pântano e outros movimentos forçados por governos ou companheiros árabes. Mesmo anos mais tarde, quando as compras de terras por judeus estavam aumentando, enricou-se que "a quantidade de terra árabe oferecida parei venda excedia muito a capacidade judaica de comprar".9 Uma análise profissional das compras de terras entre 1880 e 1948 definiu que três quartos dos lotes comprados por judeus eram de megaproprietários e não dos que trabalhavam o solo.10 Mesmo uma escritora tão própalestinos como a professora Rachel Khalidi reconhece que houve consideráveis vendas de terra pelos "proprietários ausentes (tanto palestinos como não-palestinos)".11 David BenGurion, antigo primeiro-ministro, instruiu os refugiados judeus a nunca comprar terras pertencentes aos "felás locais ou cultivadas por eles".12 Desafio qualquer um, levantando a questão contra Israel, a apresentar qualquer dado objetivo – desde relatórios dos censos, registros de vendas de terras ou relatórios demográficos – que contradiga essa realidade histórica. Ninguém conseguirá fazê-lo. Mesmo assim, a falsa reivindicação de que judeus roubaram a terra de felás árabes locais continua a ser feita. Uma reivindicação relacionada, e igualmente falsa, é que os poucos felás que foram deslocados eram todos árabes da localidade que tinham vivido e trabalhado a terra "ininterruptamente por 1.300 anos"13 – que eles eram os descendentes de árabes nativos "cujas raízes cananéias eram mais antigas do que de Isaías, Ezequiel, Davi e Moisés".14 Ha considerável controvérsia sobre a etnicidade do povo que trabalhava a terra que acabou se tornando Israel. Muitos gregos que fugiram do domínio muçulmano na sua pátria haviam mudado para a Palestina. Em meados do século XVIII o porto bíblico de Jafa, de onde Jonas iniciou a sua profética viagem, tinha se tornado uma cidade povoada por turcos, árabes, gregos, armênios e outros. Um historiador cristão relatou que várias aldeias ao longo da Palestina "são povoadas totalmente por colonizadores de outras partes do Império Turco no século XIX. Há aldeias de bósnios, drusos, circassianos (da região do Cáucaso) e egípcios"15 A edição de 1911 da Encydopaedia Britannica descreveu a população da Palestina como compreendendo grupos "étnicos" muito diferentes, "falando não menos do que 50 línguas". Portanto, era desencorajador "escrever concisamente" sobre a "etnografia da Palestina", especialmente após o influxo de população do Egito "que ainda persiste nas aldeias". Além de árabes e judeus, os outros grupos étnicos na Palestina em fins do século XIX e no começo do século XX incluíam curdos, templários alemães, persas, sudaneses, argelinos, samaritanos, tártaros, geórgios e muitas pessoas de etnias

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mistas. Como um erudito, escrevendo em 1984, resumiu a situação: "Os poucos árabes que viviam na Palestina há cem anos, quando começou a colonização judaica, eram um pequeno grupo remanescente de uma população volátil, que havia estado num fluxo constante, como resultado de intermináveis conflitos entre tribos e déspotas locais. A malária e outras doenças haviam imposto um pesado tributo aos habitantes".16 Antes da chegada dos judeus europeus no começo da década de 1880, o número de árabes, especialmente na parte da Palestina que deveria dar origem ao Estado judeu, era pequeno e até decrescia. Um comunicado de 1857 do cônsul britânico em Jerusalém informava que "o país esta num considerável vácuo sem habitantes e, portanto, a sua maior necessidade é um corpo populacional".17 Nota-se também que, apesar dos árabes terem a tendência de partir e não voltar, a população judaica era mais estável: 'Temos judeus que viajaram para os Estados Unidos e para a Austrália" e "em vez de ficarem lá, voltam para cá".18 Quatro anos mais tarde foi relatado que "a perda de população está avançando mesmo agora”19 E, quatro anos depois disso, percebeu-se que em certas partes do país "a terra está deixando de ser cultivada e vilarejos inteiros estão rapidamente desaparecendo... e a população fixa sendo extirpada".20 Outros historiadores, demógrafos e viajantes descreveram a população árabe como “decrescente",21 e o país como "pouco povoado”22 "desocupado",23 "desabitado"24 e "agora quase abandonado". A planície de Sharon, que os judeus da primeira Aliyah posteriormente cultivaram, era descrita pelo reverendo Samuel Manning, em 1874, como "uma terra sem habitantes"' que "poderia suportar uma imensa população".25 Além disso, as condições de vida local antes da chegada dos refugiados europeus era pouco invejável. Apenas uma pequena proporção da população sabia ler ou escrever. 26 Os cuidados com a saúde eram abomináveis,27 a mortalidade infantil alta, a expectativa de vida curta e a água escassa.28 Tudo isso iria melhorar de forma considerável depois da chegada dos judeus europeus. Não surpreendentemente, a pequena e decrescente população árabe-muçulmana da área também era transitória e migratória, em contraste com a população judaica, menor, porém mais estável. O mito de uma população palestino-árabe-muçulmana estável e estabelecida, que havia vivido nas pequenas cidades e trabalhado a terra durante séculos, apenas para ser usurpada pelos invasores sionistas, é simplesmente inconsistente com os dados demográficos colhidos e registrados não pelos judeus ou sionistas, mas pelas próprias autoridades locais. J. L. Burkhardt relatou que já na segunda década do século XIX "poucos indivíduos... morrem na mesma aldeia em que nasceram. Famílias estão continuamente mudan-

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do de um lugar para outro... em alguns anos... mudam para algum outro lugar, do qual ouviram falar que seus irmãos são mais bem tratados".29 Em meados da década de 1890 – apenas uma dezena de anos depois do inicio da primeira Aliyah – os judeus estavam se tornando uma parte importante da mescla étnica e religiosa da Palestina, especialmente na área mais tarde destinada pela ONU a um Estado judeu em 1947. Na época da divisão havia uma clara maioria judaica nessa área30 (538 mil judeus e 397 mil árabes). De acordo com alguns relatórios discutidos – nos quais não me baseio para o meu argumento –, já nos meados da década de l890 haveria uma pluralidade de judeus em partes da Palestina que se tornaram o centro da área judaica sob a divisão da ONU.31 Sem qualquer dúvida, já havia uma significativa presença nessa área antes do início do século XX. Alguns muçulmanos – os números não são seguros – haviam sido atraídos às novas áreas de colonização judaica pelos empregos que se tornaram disponíveis pela imigração judaica e pelo cultivo da terra. Um estudo da colonização judaica em Rishon L’Tzion, primeiramente estabelecida em 1882, mostrou que as 40 famílias judaicas que lá se lixaram atraíram "mais de 4OO famílias árabes", muitas das quais eram beduínas e egípcias. Essas famílias mudaram para áreas em torno da colônia judaica e formaram um novo vilarejo árabe no lugar "de uma ruína abandonada".32 O relatório observou um modelo similar com relação a outras colônias e vilarejos. Apesar de ser impossível reconstruir com algum grau de confiança o numero preciso de árabes-muçulmanos-palestinos que viviam por gerações na região que acabou se tornando a área judaica após a divisão, o numero é muito inferior ao proclamado pelos polemistas palestinos. De acordo com um historiador, "no mínimo 25% dos [muçulmanos que viviam na Palestina toda em 1882] eram recém-chegados ou descendentes daqueles que chegaram após [a conquista egípcia de 1831]".33 Além do influxo egípcio havia uma considerável imigração de turcos, gregos e argelinos. Além disso, muitos dos muçulmanos palestinos que foram atraídos à Palestina ocidental entre 1882 e 1893 vieram da Palestina oriental (as margens oeste e leste do Jordão). Juntando esses dados, chegamos à inevitável conclusão de que o número de palestinos com profundas raízes nas áreas de colonização judaica – apesar da impossibilidade de sua avaliação precisa – constitui uma pequena fração do mais de um milhão de árabes palestinos que agora vivem em Israel. O numero de muçulmanos que viviam nas áreas judaicas cresceu de forma dramática depois de as colonizações judaicas florescerem, não só porque muitos árabes eram atraídos para as áreas recém-colonizadas

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e para a terra recém-cultivada, mas também porque a presença judaica melhorava os cuidados com a saúde, diminuía a mortalidade infantil e aumentava a expectativa de vida. Um oficial britânico relatou em 1937, que "o crescimento no [número de felás árabes] deviase principalmente aos serviços de saúde, combatendo a malária, reduzindo a mortalidade infantil, melhorando o abastecimento de água e o saneamento". 34 Essas melhorias começaram com hospitais modernos e sistemas de fornecimento de água e saneamento introduzidos na Palestina pelos refugiados judeus da Europa. Devido à ausência de um censo preciso ou de registros sobre terras, ninguém jamais poderá reconstruir, com algum grau de segurança, a demografia precisa da área que foi designada ao Estado judeu pela divisão por parte da ONU, de 1947, na época em que os refugiados judeus da Europa começaram a chegar lá. Mas vai além da disputa razoável – com base em números de censos, relatórios autorizados, relatos de testemunhas oculares e simples aritmética – que o mito do deslocamento de uma população muçulmana grande, estável e estabelecida, que estava vivendo naquela parte da Palestina havia séculos, pelos refugiados judeus da Europa é demonstravelmente falso. Mesmo muitos intelectuais árabes reconhecem a natureza mítica dessa reivindicação. Como o líder palestino Musa Alami disse em 1948, "o povo tem muita necessidade de um mito' para preencher a sua consciência e imaginação".35 O rei Abdullah, da Jordânia, também reconheceu que a história do deslocamento de palestinos era uma ficção, ao reconhecer que "os árabes são tão pródigos na venda de suas terras como são pródigos... ao chorar [por causa disso]”.36

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NOTAS 1. Kenneth R. Timmerman, "Top egyptian cleric justifies terrorism", Insight on the News, 26 de novembro de 2002. 2. "A colonizing project built on lies", Counter Punch (www.counterpunch.org), 18 de abril de 2002. 3. Discurso de almoço no Center for Policy Analysis on Palestine, State Department briefing, Federal News Service, 17 de janeiro de 1992. 4. Entrevista com David Barsamian da Radio Alternative, "Israel, the Holocaust, and anti-semites", 24 de outubro de 1986, em Noam Chomsky, Chronicles of dissent (Monroe, Me.: Common Courage Press, 1992). 5. Mark Twain, The innocents abroad (Nova York: Oxford University Press, 1996), pp. 349, 366, 441442. 6. Efraim Karsh, Fabricating Israeli History; the "New Historians" (Londres: Frank Cass, 1997), pp 4-6. 7. Ethan Bronner, Book Review, The New York Times, 14 de novembro de 1999. Desde que Arafat abandonou as ofertas de paz de Barak e Clinton em Camp David e Taba em 2000-2001, Morris tem escrito de maneira mais crítica a respeito dos palestinos, apesar de ainda criticar muitas políticas israelenses, bem como ações e decisões. V. Benny Morris, "The rejection", New Republic, 21-28 de abril de 2003. 8. Morris, p. 123. 9. Citado em Morris, p. 111. 10. Abraham Granott, The land system in Palestine: history and structure (Londres: Eyrev & Spottiswoode, 1952), p. 278. 11. Edward Said e Christopher Hitchens, eds., Blaming the victims (Londres: Verso, 2001). 12. Shabtai Teveth, David Ben Gurion and the Palestinian Arabs (Nova York: Oxford University Press, 1985), p. 32. 13. Jamal Husseini, 9 de fevereiro de 1939, citado em Arieh Avneri, The claim of Dispossession (New Brunswick: Transaction Books, 1984), p. 11. 14. M. Shahid Alam, 'A colonizing built on lies", Counterpunch, www.counterpunch.org., 18 de abril de 2002. 15. James Parkes, Whose land? A history of the peoples of Palestine (Nova York: Taplinger,1971), p. 212. 16. Avneri, p. 11. 17. James Finn para Earl of Clarendon, 15 de setembro de 1857. 18. Ibid. 19. J. B. Forsyth, A few months on the East (Quebec: J. Lovell, 1861), p. 188. 20. H. B. Tristram, The Land of Israel: A Journal of travels in Palestine (Londres: Society for Promoting Christian Knowledge, 1865), p. 490.

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21. Samuel Bartlett, From Egypt to Palestine (Nova York: Harper. 1879), p- 409, Citado em Fred Gottheil, "The population of Palestine, Circa 1875", Middle Eastern Studies, vol. 15, nº 3, outubro de 1979. 22. Edward Wilson. In Scripture lands (Nova York: C, Scribner's, 1890), p. 316. Citado em Gottuheil. 23. W. Allen, The Dead sea: A new route to India (Londres: 1855), p. 113. Citado em Gottheil. 24. William Thonsom, The land and the book (Nova York: Harper Bros., 1871), p, 466. Citado em Gottheil. 25. Reverend Samuel Manning, Those holy fields (Londres: The Religious Tract Society, I874), pp. l4-17. 26. Roderic H. Davison, Reform in the Ottoman Empire (Princeton University Press, 1963), p. 69, citando um escritor muçulmano, em 1868. 27. Morris, p. 6. 28. Ibid. 29. John Lewis Burkhardt, Travels in Syria and the Holy Land (Nova York: AMS Press, 1983), p. 299. 30. V. capítulo 9. 31. A pesquisa do geógrafo francês Vital Cuinct serviu de base para esta conclusão. V. Joan Peters, From time immemorial (Chicago: JKAP Publications, 1984). As conclusões e dados de Peters foram questionados. V. Said e Hitchens, p. 33. Não me baseio neles de forma alguma neste livro. 32. A. Dmyanow, Ketavim Letoldot Hibbat Zyyon Ve-Yishshuv Erez Yisra’el (Escritos sobre a História de Hibbat Ziyyon e a colonização da terra de Israel) (Odessa, Tel Aviv, 1919, 1925, 1932), vol. 3, pp. 66-67. 33. Ernst Frankenstein, Justice for my people (Londres: Nicholson & Watson, 1943), p. 127. 34. Report by His Britannic Majesty’s Government to the Council of the League of Nations on the Administration of Palestine and Trans-Jordan for the year 1937, Colonial nº 146, pp. 223-224. 35. Citado em Peters, p. 11. 36. Rei Abdullah da Jordânia, My memoirs completed, Harold W. Glidden, trad. (Londres: Longman, 1978), pp. 88-89.

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O movimento sionista foi uma

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trama para colonizar toda a Palestina

A ACUSAÇÃO Mesmo se a primeira Aliyah puder ser caracterizada como uma imigração de refugiados que apenas estavam procurando um lar na Palestina, a segunda Aliyah foi o início de uma trama sionista imperialista para colonizar a Palestina toda.

OS ACUSADORES "A minha premissa é que Israel se desenvolveu como organização social a partir da tese sionista de que a colonização da Palestina deveria ser feita para e por judeus e pela retirada dos palestinos; que na sua ideia consciente e declarada sobre a Palestina o sionismo primeiro tentou minimizar, depois eliminar e, mais tarde, tendo tudo falhado, subjugar os nativos como garantia de que Israel não se tornasse simplesmente o Estado de seus cidadãos (naturalmente incluindo os árabes), mas o Estado de todo povo judeu, com uma espécie de soberania sobre terra e povos que não possuíam ou possuem um outro Estado." (Edward Said)1 "[Os 60 mil judeus que viviam na Palestina no fim da segunda Aliyah] eram em sua maioria anti-sionistas e seus descendentes ainda concordam [com este ponto de vista" (Noam Chomkv).]2


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A REALIDADE A segunda Aliyah, apesar de fortemente inspirada pela ideologia sionista, também foi uma imigração ocasionada pela perseguição e contemplava cooperação com muçulmanos da localidade para criar melhores condições de vida para todos os residentes da Palestina,

A PROVA A segunda Aliyah (1904-1914) foi mais uma imigração de refugiados procurando asilo em decorrência de perseguições. O historiador Benny Morris escreve: "Os pogroms [russos] de 1903-1906 foram um desencadeador importante da segunda Aliyah". Essas ondas de violência de inspiração governamental eram ainda "piores do que aquelas da década de 1880".4 O primeiro pogrom do século XX, na Páscoa de 1903, em Kishinev, resultou no assassinato de 49 judeus, em ferimentos de centenas de pessoas e na destruição de 1.500 casas, lojas e instituições de judeus. Centenas de pogroms se seguiram em toda a colônia do Pale, matando e ferindo milhares de homens, mulheres e crianças judeus, que não podiam defender-se sem estimular ainda mais revide. A única opção era tornarem-se refugiados. Centenas de milhares emigraram para a América do Norte e Europa ocidental. Dezenas de milhares procuraram refúgio na Palestina. Muitos eram sionistas ardentes, seguindo o sonho de Herzl de uma pátria judaica. Outros eram simplesmente refugiados, dispostos a suportar as agruras de uma terra que esperavam transformar num paraíso socialista. A segunda Aliyah, à semelhança da onda de refugiados que foi para a América do Norte no mesmo período, incluiu muitas pessoas das classes trabalhadoras que formaram sindicatos e partidos de trabalhadores. Também estabeleceram uma imprensa hebraica c uma organização de autodefesa para proteger os judeus da violência árabe que havia vitimado os refugiados anteriores. Em 1905, o escritor árabe Najib Azouri publicou uma arenga antijudaica que repercutiu pela Palestina toda. Advertia sobre uma conspiração secreta judaica de estabelecer um Estado sionista “desde o Monte Herman ao deserto árabe e o Canal de Suez".5 O jovem David Ben-Gurion ficou preocupado com "os seguidores de Azouri" que estavam “plantando sementes de ódio aos judeus em Iodos os níveis da sociedade árabe".6 Muitos, mas, não Iodos os refugiados judeus, procuraram estabelecer boas relações com seus vizinhos árabes. Uma das principais publica-

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ções de um sionista que vivia em Israel foi um pequeno livro escrito por Yitzhak Epstein intitulado A questão escondida [The hidden question], que propunha dar acesso a árabes da localidade a hospitais, escolas e bibliotecas judaicas.7 Outros estimulavam os refugiados judeus a aprender árabe e a abster-se de comprar quaisquer terras que incluíssem vilarejos árabes ou lugares santos.8 Mas os conflitos persistiam à medida que o número de refugiados aumentava. Em 1913, uma personalidade da liderança árabe publicou um poema com os seguintes versos: Judeus, filhos do ouro tilintantes, com sua falsidade: Não seremos enganados para negociar em nosso país! ... Os judeus, o mais fraco de todos os povos e o menos importante deles, Estão regateando conosco e disputando a nossa terra; Como podemos continuar sem ação?

Apesar dessas provocações e da contínua violência de inspiração religiosa contra os judeus refugiados, os esforços continuaram no sentido de alcançar alguma reaproximação. No começo de 1914 o líder sionista Nachum Sokolov deu uma entrevista a um jornal do Cairo conclamando os árabes a ver os refugiados judeus como irmãos semitas "voltando ao lar", que poderiam ajudá-los a prosperar juntos. Diálogos árabe-judaicos foram planejados para o verão de 1914, mas o início da Primeira Guerra Mundial, que teria enormes consequências para judeus e árabes da Palestina, deixou em suspendo tais esforços de cooperação.

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NOTAS

1. The Question of Palestine (Nova York: Vintage Books, 1992 ed.), p. 84. 2. Palestra, Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002 (videotape). 3. Morris, p. 25, 4. Ibid. 5* Ibid., p. 57. 6. Ibid. 7. Ibid. 8. Ibid., pp. 57-59.

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A Declaração Balfour foi uma

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lei internacional obrigatória?

A ACUSAÇÃO A Declaração Balfour, que promulgava o estabelecimento de "um lar judaico na Palestina" não tem efeito legal, uma vez que expressava meramente a opinião do governo inglês.

OS ACUSADORES "A Declaração Balfour foi feita: a) por uma potência europeia, b) a respeito de um território não-europeu, c) em flagrante desconsideração tanto da presença como dos anseios da maioria nativa residente naquele território e d) configurou-se como uma promessa sobre esse mesmo território a um outro grupo estrangeiro, de modo que esse grupo estrangeiro pudesse literalmente fazer desse território um lar nacional para o povo judaico... as afirmações de Balfour na declaração admitem o direito mais alto de uma potência colonial de dispor de um território como lhe convém." (Edward Saidn)1 "Em 1917, a Declaração Balfour prometeu um lar nacional ao povo judeu. Sob a lei internacional a declaração era nula e vã uma vez que a Palestina não pertencia à GrãBretanha – de acordo com o pacto da Liga das Nações ela pertencia à Turquia." (Faisal Bodi, jornalista inglês.)2


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A REALIDADE Um lar judeu de facto já existia em partes da Palestina, e seu reconhecimento pela Declaração Balfour tornou-se um assunto de lei internacional obrigatória quando a Liga das Nações fez dela parte do seu mandato.

A PROVA No começo da Primeira Guerra Mundial o número de judeus que viviam na região da Palestina, que se tornaria Israel, oscilava entre 80 mil e 90 mil. Mesmo antes da Declaração Balfour, de 1917, havia um lar nacional judeu de facto na Palestina, consistindo em várias dezenas de moshavim e kibbutzim a oeste e noroeste da Palestina, e cidades judaicas como Tel Aviv, Jerusalém e Safed. Os judeus refugiados na Palestina haviam estabelecido essa pátria desde os seus fundamentos, sem a assistência de nenhuma potência colonialista ou imperialista. Haviam confiado em seu próprio trabalho duro na construção de uma infraestrutura e no cultivo da terra que haviam legalmente comprado. A Primeira Guerra Mundial colocou os ingleses (entre outros) contra a Alemanha e o Império Otomano (entre outros). Os Estados Unidos entraram na guerra ao lado dos ingleses em 1917, e o presidente Woodrow Wilson declarou que o princípio de autodeterminação deveria governar qualquer reorganização de territórios, antes controlados pelo Império Otomano, após a guerra. O apoio à autodeterminação judaica naquelas regiões da Palestina em que os judeus eram a maioria era visto por muitos como parte da autodeterminação de Wilson.3 Afinal, jamais havia existido um Estado palestino nessa área. Um lar judaico não seria encravado num Estado palestino preexistente. Pelo contrário, uma decisão teria de ser tomada sobre como alocar uma área de 45 mil milhas quadradas de terra que havia sido tomada do Império Otomano e que era populada por árabes, judeus e outros. Havia quatro alternativas básicas: (1) dar toda a terra, mesmo aquela na qual os judeus eram a maioria, a algum novo Estado árabe; (2) dar toda a terra, mesmo a parte na qual os árabes eram a maioria, aos judeus; (3) entregar toda a terra à síria, para ser governada a partir de Damasco; ou (4) dividir a terra justamente entre árabes e judeus de modo que cada um pudesse criar um lar nacional com base na autodeterminação. A última dessas opções foi selecionada e tomou-se a decisão de alocar uma porção da terra ao grupo que lá vivia, trabalhava a terra e construiu a infra-

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Estrutura. O que poderia ser mais justo e mais apropriado ao espírito da autodeterminação? Winston

Churchil,

"um

eterno

sionista",

havia

tempo

favorecido

a

autodeterminação judaica na Palestina. Já em 1908 ele viu o estabelecimento "de um Estado judeu forte" como "um passo importante em direção a uma disposição harmonizadora entre seu povo".4 Quando a Grã-Bretanha finalmente estava em posição de ajudar a tornar realidade tal "disposição harmonizadora", Churchill foi até mais explícito: É claramente correio que os judeus espalhados devam ter um centro nacional, um lar nacional e devam ser reunidos, e onde senão na Palestina, à qual estão íntima e profundamente ligados há mais de 3.000 anos? Achamos que será bom para o mundo, bom para os judeus, bom para o Império Britânico, mas também para os árabes que vivem na Palestina... Eles compartilharão dos beneficies e progressos do sionismo.5

Portanto, não deveria ser surpreendente que uma vez que o governo britânico havia planejado a vitória sobre o Império Otomano, ele divulgasse, por meio de uma carta do ministro do Exterior, lorde Arthur Balfour, que "o governo de Sua Majestade vê favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um lar nacional para o povo judeu". Também anunciou que tal lar "não deveria prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina".6 Ironicamente, uma das principais objeções que muitos árabes faziam à Declaração Balfour era que parecia considerar a Palestina como uma entidade separada em vez de parte da Síria. Como o Relatório da Comissão Peel observou mais tarde, "os árabes sempre consideraram a Palestina como incluída na Síria". A ultima coisa que desejavam era uma Palestina separada porque perceberam que a separação da Palestina significava uma Palestina que, sob a Declaração Balfour, poderia incluir um pequeno lar para a sua população essencialmente judaica. O ministro do Exterior francês tinha divulgado uma afirmação similar à Declaração Balfour vários meses antes, descrevendo "como ato de justiça e de reparação" o "renascimento da nacionalidade judaica na terra da qual o povo de Israel foi expulso há tantos séculos".7 O texto da Declaração Balfour havia sido submetido ao presidente Wilson e previamente aprovado por ele. Os governos francês e italiano também a aprovaram subsequentemente. Em 1919 o presidente Wilson afirmou: "Estou persuadido de que as nações aliadas, com a total participação do nosso governo e do nosso povo, concordam que na Palestina devem ser fincados os alicerces de uma comunidade judaica".8 Em 1922

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o Congresso norte-americano aprovou uma resolução declarando que "um lar nacional para o povo judeu" fosse estabelecido na Palestina. Winston Churchil também confirmou que o governo britânico "contemplava o eventual estabelecimento de um Estado judeu" 9 e observou que a essência da Declaração Balfour havia sido reafirmada em vários tratados multinacionais consistentes, bem como no mandato da própria Liga das Nações e "não é suscetível de mudança". Depois, tornou-se uma questão de lei internacional obrigatória. Churchill também reconheceu que um lar judeu na Palestina já existia na base, sem qualquer ajuda dos britânicos: Durante as duas ou três últimas gerações os judeus recriaram uma comunidade na Palestina, agora com 80 mil pessoas, das quais aproximadamente um quarto são fazendeiros ou trabalhadores da terra. Essa comunidade tem seus próprios órgãos políticos: uma assembleia eleita para a direção de seus problemas domésticos; conselhos eleitos nas cidades; e uma organização para o controle de suas escolas. Tem seu rabino-chefe, eleito, e um conselho Rabínico para a direção dos assuntos religiosos. Seu comércio é feito em hebraico como língua vernácula e uma editora hebraica atende às suas necessidades. Tem sua vida intelectual característica e mostra uma considerável atividade econômica. Então, essa comunidade, com sua população urbana e rural e suas organizações políticas, religiosas e sociais, sua língua própria, seus próprios costumes, sua vida própria, tem, de fato, características "nacionais". Quando se pergunta o que significa o desenvolvimento de um Estado nacional judaico na Palestina, pode-se responder que não é a imposição de uma nacionalidade judaica sobre os habitantes da Palestina como um todo, mas o adicional desenvolvimento da comunidade judaica existente, com a assistência de judeus de outras partes do mundo, para que se torne o centro pelo qual o povo judeu como um todo possa interessar-se e orgulhar-se, em termos de religião e de raça. Mas, para que esta comunidade tenha a melhor perspectiva de pleno desenvolvimento e forneça plena oportunidade ao povo judeu de mostrar sua capacidade, é necessário saber que está na Palestina de pleno direito e não por tolerância. Essa é a razão por que é necessário que a existência de um lar nacional judaico na Palestina seja garantida internacionalmente e que seja reconhecida formalmente para repousar sobre a antiga ligação histórica. Essa, pois, é a interpretação que o governo de Sua Majestade dá à Declaração de 1917 e, assim entendida, o ministro de Estado é de opinião que não contém ou implica algo que possa alarmar a população árabe da Palestina ou desapontar os judeus.10

A legislação internacional reconheceu que a comunidade judaica estava "na Palestina de direito" e que o esforço para "facilitar o estabe

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lecimento do lar nacional judaico [pelo aumento da imigração judaica] era uma obrigação internacional sobre o mandatatário".11 As sementes políticas e legais estavam assim semeadas para uma solução de dois (ou três) Estados para o "problema palestino". Isso era um perfeito exemplo de autodeterminação em ação. Os judeus da Palestina certamente mereceram a Declaração Balfour pelo seu suor e sangue. Secaram os pântanos de Hula, infestados de malária, e plantaram pomares de laranjeiras em seu lugar, empregando milhares de árabes e judeus. A Legião Judaica lutou ao lado do exército britânico para derrotar o exército otomano e recebeu de braços abertos a tomada de Jerusalém pelo general Edward Allenby. Em contrapartida, a maioria dos árabes palestinos, bem como a maioria dos árabes em geral, lutou do lado do perdedor Império Otomano. Como Lloyd George, o primeiro-ministro britânico, observou: "A maioria das raças árabes lutou durante a guerra ao lado dos opressores turcos... os árabes palestinos [em particular] lutaram pelo domínio turco".12 Foram os palestinos que se colocaram ao lado do colonialista e imperialista império turco contra aqueles que favoreciam a autodeterminação. Apesar de terem escolhido o lado – o que fizeram novamente na Segunda Guerra Mundial –, os árabes emergiram da derrota turca com ganhos significativos. Acima de tudo conseguiram 80% da Palestina, separados como um Estado exclusivamente árabe, sem permissão para o estabelecimento de colônias judaicas. Essa grande parte da Palestina oriental foi chamada de Transjordânia. Assim, o primeiro Estado estabelecido na Palestina foi um emirado com grande maioria palestina. Abdullah, o irmão do novo governante do vizinho Iraque, seria o seu governador. Muitos judeus que viviam na região que se transformou na Jordânia – alguns dos quais estavam lá havia gerações – foram forçados a sair por causa de surtos esporádicos de violência e, por lei, os poucos judeus remanescentes foram proibidos de viver na Transjordânia.13 O recém-formado reino da Transjordânia consistia em um vasto território com uma minúscula população total de 320 mil pessoas, muitas das quais eram beduínos nômades.14 A população da Transjordânia era muito menor do que a da Palestina, mas não havia permissão para judeus morarem lá. O restante um quinto da Palestina agora podia ser repartido ou dividido entre seus residentes árabes e judeus. Pelo menos, essa era a teoria. Mas a oposição árabe a qualquer lar judeu em qualquer parte da Palestina – a qualquer autodeterminação judaica em áreas nas quais judeus eram uma maioria, associada à autodeterminação árabe em áreas nas quais estes eram maioria – tornou-se cada vez mais violenta depois da Primeira Guerra Mundial e da Declaração Balfour. A última coisa que a maioria

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dos líderes árabes desejava era uma mútua autodeterminação. Estavam satisfeitos com a decisão imperialista de criar um emirado hashimita na Transjordânia, e teriam estado igualmente satisfeitos com uma decisão imperialista de entregar toda a Palestina ao governo de um paxá sírio distante – qualquer coisa para impedir a criação de um lar judaico, mesmo numa pequena porção do que havia sobrado da Palestina! A oposição não era só contra um lar judaico. Cada vez mais, os líderes árabes começaram a exigir a eliminação de uma presença judaica na Palestina. O objetivo era tornar a Palestina tão livre de judeus como havia se tornado a Transjordânia. Como Aref Pasha Dajana, um notável de Jerusalém, colocou de forma clara, "é impossível para nós chegarmos a um entendimento com [os judeus] ou mesmo viver com eles... Em todos os países onde estão atualmente, não são desejados... porque sempre tiram o sangue de todos. Se a Liga das Nações não ouvir o apelo dos árabes, este país vai tornar-se um rio de sangue".15 A sua predição tornou-se realidade à medida que os árabes recorreram cada vez mais ao derramamento de sangue. Alguns líderes árabes moderados reconheceram os benefícios da autodeterminação judaica na Palestina. O emir Faiçal, filho de Hussein, autoridade suprema de Meca, que representou o reino árabe de Hedfjaz, assinou um acordo em 1919 com Chaim Weizmann, que representava a organização sionista. Esse acordo previa a tomada de todas as medidas necessárias para "encorajar e estimular a imigração de judeus para a Palestina em grande escala [para alcançar] uma colonização mais densa e cultura intensiva da terra" desde que "o lavrador árabe e fazendeiros arrendatários tenham seus direitos protegidos e tenham assistência para o seu desenvolvimento econômico".16 Numa carta consecutiva ao professor Felix Frankfurter, Faiçal fez as seguintes declarações: Achamos que árabes e judeus são primos na raça, tendo sofrido opressões similares nas mãos de potências mais fortes do que eles, e, por uma feliz coincidência, foram capazes e tomar o primeiro passo para, juntos, atingirmos seus ideais nacionais... Nós, árabes, especialmente os que receberam educação, vemos o movimento sionista com a maior simpatia. A nossa delegação aqui em Paris está totalmente ciente das propostas apresentadas ontem pela Organização Sionista à Conferência de Paz e as vemos como moderadas e corretas. Faremos o melhor possível, no que nos diz respeito, para que tenham sucesso: desejaremos aos judeus calorosas boas-vindas... Estamos trabalhando juntos para um Oriente Próximo reformado e revisto e os nossos dois movimentos completam-se um ao outro. O movimento judeu é nacional e não imperialista. O nosso movimento é nacional e não impe-

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rialista e há lugar na Síria para ambos. Na verdade, penso que nenhum pode ser um sucesso sem o outro.17

Infelizmente, essa visão de longo alcance foi bloqueada pela intolerância virulenta e antijudaica do homem escolhido para tornar-se o líder da comunidade muçulmana da Palestina.

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NOTAS 1. The Question of Palestine (Nova York: Vintage Books, 1992 ed.), pp. 15-16. 2. "Why We're on the side of justice", Sunday Mail (Austrรกlia), 7 de abril de 2002. 3. Morris, p. 71. 4. Ibid., p. 72. 5. Ibid. 6. Ibid., p. 75. 7. Ibid., p. 74. 8. Peel Report, p. 24. 10. Ibid., p.33. 11. Ibid., p. 41. 12. Citado em Morris, p. 82. 13. Lei de Nacionalidade Jordaniana, Art. 3 (3) da Lei nยบ 6; e Official Gazette, nยบ 1171, 16 de fevereiro de 1954. 14. Peel Report, p. 308. 1 5. Citado em Morris, p. 91. 16. Walter Laqueur e Barry Rubin, The Israel-Arab Reader, 6. ed. (Nova York: Penguin, 2001), p. 19. 17. Ibid.

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Os judeus estavam relutantes

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em dividir a Palestina?

A ACUSAÇÃO Enquanto os árabes estavam dispostos a dividir a Palestina com os judeus, estes queriam o país todo para si.

OS ACUSADORES "Desde o início do planejamento sionista sério para a Palestina... podemos notar a crescente prevalência da idéia de que Israel seria construído sobre as ruínas da Palestina árabe." (Edward Said)1 "[Um] território antes cheio de árabes emergiu de uma guerra a) essencialmente esvaziado dos seus residentes originais e b) tornado impossível para o retorno dos palestinos. Tanto os preparativos ideológicos como organizacionais para o esforço sionista de conquistar a Palestina, bem como a estratégia militar adotada, previam a posse do território e a sua ocupação com novos habitantes." (Edward Said)2

A REALIDADE O objetivo da liderança árabe não era apenas impedir o estabelecimento de um Estado judeu em qualquer parte da Palestina, mas transferir


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os judeus da Palestina para fora do seu lar histórico e de esvaziá-la inteiramente de judeus. Líderes judeus, por outro lado, estavam dispostos a cumprir dolorosos compromissos desde que pudessem ter um lar judaico naquelas áreas da Palestina onde eram uma maioria. A PROVA Pouco tempo depois de a Declaração Balfour ter-se tornado uma lei internacional obrigatória, vários pogroms organizados foram dirigidos contra os refugiados judeus. Um educador árabe, cristão, descreveu o que observou em Jerusalém ocidental e no bairro judeu da cidade velha, que havia sido judeu por séculos: [Um] motim irrompeu, as pessoas começaram a correr, e pedras foram arremessadas contra os judeus. As lojas foram fechadas e ouviram-se gritos... Eu vi um soldado sionista [isto é, judeu-britânico] coberto de pó e de sangue. [...] Depois, eu vi um hebronita aproximar-se de um engraxate judeu escondido atrás de um saco em um dos cantos [da cidade velha] perto do portão de Jafa, tomar a sua caixa e espancá-lo [o engraxate] na cabeça. Ele gritou e começou a correr, a cabeça sangrando, e o hebronita o deixou e voltou ao fluxo do transito... O motim alcançou seu ponto culminante. Todos grilavam: “A religião de Maomé nasceu com a espada"... Imediatamente fui ao jardim municipal... a minha alma está enojada e deprimida pela loucura da humanidade.3

Pouco tempo depois, mulheres judias foram violentadas e sinagogas destruídas num pogrom organizado por um grupo nacionalista denominado de Al-Nadi Al-Arabi.4 Um levantamento britânico concluiu: "Todas as provas indicam que esses ataques foram covardes e traiçoeiros, principalmente contra homens idosos, mulheres e crianças – frequentemente pelas costas".5 Outros ataques contra refugiados judeus ocorreram em Jafa, ande treze judeus foram assassinados. Alguns dias mais tarde, mais seis foram assassinados numa plantação de laranjas. Pouco tempo depois, centenas de árabes palestinos de Tulkarem atacaram um moshav judeu em Hadera. Ataques contra civis indefesos por terroristas palestinos estavam se tornando a norma. Numa tentativa de controlar essa violência, os britânicos indicaram Haj Anin alHusseini, grão-mufti de Jerusalém, como líder espiritual político dos muçulmanos na Palestina.6 A esperança era de que, pela centralização do poder religioso e político em uma pessoa que os britânicos

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acreditavam poder controlar, eles pudessem limitar os ímpetos da multidão. Mas escolheram o homem errado. Husseini era um anti-semita virulento,7 cujo ódio contra os judeus era ao mesmo tempo religioso e racial. Com o tempo iria tornar-se um aliado próximo e conselheiro de Adolf Hitler e um defensor ativo da "solução final" – o assassinato em massa do judaísmo na Europa. Em 1940 ele pediu às potências do Eixo a solução do problema judeu na Palestina de acordo com os "interesses raciais dos árabes e por vias semelhantes às usadas para resolver a questão judaica na Alemanha".8 Ele insistiu com Hitler que estendesse a solução final aos refugiados judeus que haviam alcançado a Palestina e aconselhou-o, em 1943 – quando o que estava acontecendo nos campos de extermínio na Polônia era bem conhecido –, a enviar os judeus para a "Polônia para assim proteger-se da sua ameaça".9 O ódio racista de Husseini pelos judeus manifestou-se cedo na sua longa carreira como grão-mufti. Ele instigou motins e pregou incitamentos antijudaicos, "ltbah al-Yahud" (matem os judeus) era a mensagem, junto com "Nashrab dam al-Yahud” (beberemos o sangue dos judeus). O resultado foi um aumento da violência antijudaica. Apesar de ter havido ataques antes, especialmente ao longo de 1920, agora esses ataques tinham a benção formal do líder oficial dos muçulmanos palestinos. O grão-mufti também apoiou a falta de disposição do seu povo em aceitar um compromisso. Antes da sua ascendência à liderança dos muçulmanos palestinos haviam existido rumores segundo os quais os árabes se comprometeram com a divisão de autoridade sobre a terra e seu povo. Por exemplo, um jornal árabe tinha escrito que as conhecidas "energias" e "trabalhos" do povo judeu "iriam melhorar e desenvolver o país para beneficio dos seus habitantes árabes".10 Mesmo alguns críticos da Declaração Balfour, como um grupo de cem dignitários árabes que haviam feito uma petição à Grã-Bretanha em 1918, escreveram que "sempre simpatizaram profundamente com os judeus perseguidos e suas dificuldades em outros países", mas recusavam-se a ser governados por esses judeus, sugerindo assim que alguma forma de mútua autodeterminação numa Palestina equitativamente dividida poderia ser viável.11 Toda esta conversa terminaria logo com a indicação de Husseini como grão-mufti. O que de outro modo poderia ter sido uma disputa política, sujeita a uma solução política de compromisso, tornara-se uma proibição religiosa absoluta que não podia fazer parte de qualquer compromisso: de acordo com o grão-mufti de Jerusalém, se apenas uma polegada da Palestina fosse controlada pelos judeus, isso representaria uma violação à lei islâmica, A autodeterminação judaica em áreas com maioria judaica – cidades e colônias judaicas e raízes históricas judaicas – era

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proibida pela lei islâmica, de acordo com Husseini, e todo muçulmano deveria estar preparado para travar uma guerra santa a fim de impedir que isso acontecesse. Assim que a solução de dois (ou três) Estados baseada na autodeterminação e na aceitação internacional dos princípios da Declaração Balfour parecia ser promissora, ela foi descartada por Husseini. De acordo com o grão-mufti a única solução era ou a expulsão violenta dos judeus ou a permanência de um pequeno número de judeus numa terra muçulmana como dimmi – não-cidadãos de segunda classe, sujeitos ao controle absoluto dos muçulmanos.12 Ele deixou muito claro que, se os muçulmanos alguma vez controlassem toda a Palestina, todos os judeus seriam expulsos.13 Havia, é claro, judeus que desejavam o controle da Palestina toda – ou, pelo menos, dos 20% que sobraram depois de a Transjordânia ter sido criada como um Estado árabe a partir do que era a Palestina original. Mas o compromisso sempre foi tido como uma necessidade pragmática pela maioria dos sionistas e sua liderança. A realidade de uma pátria judaica com uma população judaica em sua maioria era muito mais importante do que o tamanho dessa pátria. De fato, a autodeterminação era realista apenas naquelas partes da Palestina que já eram judaicas em virtude da demografia e da presença de instituições judaicas. Os refugiados judeus da Europa, junto com os judeus sefardis e seus descendentes, estavam criando um lar judaico apenas em algumas áreas da Palestina, tornando inevitável um compromisso territorial e deixando espaço para um outro Estado palestino na margem ocidental do Jordão. No crescente confronto entre os judeus da Palestina, liderados pelo pragmático socialista David Ben-Gurion, e os muçulmanos da Palestina, liderados pelo intransigente inimigo dos judeus Haj Amin al-Husseini, não se procurava determinar se os judeus ou os muçulmanos controlariam o que havia sobrado da Palestina depois de a Transjordânia ter sido transformada num emirado exclusivamente árabe. Pelo contrário, procurava-se determinar – com uma visão realista – se o restante da Palestina deveria ser dado exclusivamente aos muçulmanos da Palestina ou se deveria ser justamente dividido entre os judeus e muçulmanos da Palestina, já que cada um deles efetivamente controlava certas áreas. Apresentada de outro modo, a questão era se o princípio de Wilson de autodeterminação permitiria a cada grupo controlar seu próprio povo e seu próprio destino. Para essa questão o grão-mufti tinha uma resposta simples não para os judeus; sim para os muçulmanos. A abordagem do grão-mufti em relação aos judeus da Palestina – destruí-los pela força, atemorizá-los pela violência dirigida contra os seus civis mais vulneráveis para que partissem, ou transferi-los por força 64


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de lei – culminou no massacre de Hebron de 1929. Os judeus de Hebron não eram todos sionistas nem refugiados europeus. Muitos eram sefardis religiosos, judeus que viviam em Hebron por causa de seu significado bíblico como lugar de nascimento do judaísmo e dos vários seminários judaicos e antigas sinagogas que existiam naquela cidade santa. O massacre de Hebron foi o ponto culminante de uma série de massacres de inspiração religiosa, deliberadamente provocados pelo grão–mufti. Em outubro de 1928, ele organizou uma série de provocações contra os judeus que oravam no muro ocidental, o lugar mais sagrado do judaísmo por, acredita-se, ser a única reminiscência do Segundo Templo. O mufti ordenou nova construção "próxima e sobre o muro" com tijolos que muitas vezes caíam sobre judeus rezando, a travessia de mulas "pelas suas áreas de oração, frequentemente deixando excrementos", e o aumento do número dos muezins (religiosos islâmicos encarregados de convocar o povo) durante as orações judaicas.14 Os judeus protestaram e as tensões permaneceram graves durante meses. Em agosto de 1929 folhetos preparados pelo mufti mandaram os muçulmanos atacar os judeus. Um desses folhetos dizia que os judeus haviam "violado a honra do Islã"15 e "haviam violentado as mulheres e assassinado viúvas e bebês". Era um libelo de sangue proclamando uma guerra santa contra os judeus. Uma multidão bem organizada queimou livros de oração judaicos no muro ocidental e destruiu notas de súplica deixadas nos vãos do muro. Isso foi seguido por ataques aos judeus e o incêndio de suas lojas, com a participação dos policiais árabes. Em 23 de agosto, Hebron foi atacada. Estudantes de uma ieshivá (estabelecimento de ensino superior hebraico), desarmados, foram assassinados, lares judaicos foram atacados e seus ocupantes massacrados. Sessenta judeus foram mortos e o restante foi expulso da cidade. As sinagogas foram profanadas. Pela primeira vez, em séculos, Hebron ficou sem judeus. A política do grão–mufti de limpeza étnica dos habitantes judeus estava sendo implementada com vingança. O chefe de polícia britânico de Hebron posteriormente deu o seguinte testemunho: Ao ouvir os gritos num quarto, subi por uma espécie de passagem em um túnel e vi um árabe cortando a cabeça de uma criança com uma espada. Ele já a havia atingido e estava cortando novamente e, ao ver-me, tentou atingir-me, mas errou: estava praticamente na boca do meu rifle. Eu o atingi na virilha. Atrás dele estava uma mulher judia coberta de sangue com um homem que reconheci como um policial [árabe] chamado Issa Sheril, de Jafa... Estava de pé sobre a mulher com um punhal na mão. Ao ver-me, fugiu para um quarto vizinho e tentou trancar-me – gritando em árabe: "Senhor, eu sou um policial". Eu entrei no quarto e atirei nele.16

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Os motins logo chegaram a Safed, onde 45 judeus foram assassinados e outros seriamente feridos.17 Outros assassinatos aconteceram nas áreas judaicas da Palestina. Antes de o derramamento de sangue orquestrado terminar, 133 judeus haviam sido assassinados e 339 ficaram feridos.18 Os britânicos condenaram "as atrocidades cometidas por grupos de malfeitores cruéis e sanguinários". Levantaram a voz contra "assassinatos perpetrados contra indefesos membros da população judaica... acompanhados, como em Hebron, por atos de indescritível selvageria".19 Atribuíram os assassinatos à "animosidade racial por parte dos árabes".20 Ao tentar defender-se da acusação de ter incitado os pogroms, o grão-mufti culpou as vítimas. Citando os Protocolos dos sábios de Sião (uma notória invenção czarista há muito usada pelos anti-semitas), Husseini afirmou que foram os judeus que atacaram os muçulmanos. Os britânicos sabiam que a violência premeditada era inspirada pelo mufti para enviar uma mensagem clara de que se os britânicos não restringissem a imigração haveria mais violência. Mas, em vez de responder à violência muçulmana agindo contra seus perpetradores, os britânicos puniram as suas vítimas dando ao mufti precisamente o que este procurava: uma redução da imigração judaica e um pronunciamento pelo altocomissário britânico de que a Declaração Balfour era um erro colossal".21 Não seria a ultima vez que os britânicos iriam recompensar a violência terrorista calculada, dirigida contra civis judeus desarmados. De fato, era uma atitude que viria a ser adotada com frequência: quase todas as vezes que a comunidade judaica fazia algum progresso o mufti jogava a carta do terrorismo e assassinava judeus inocentes. Isso iria persuadir os britânicos de que os árabes eram "irracionais" e que suas reivindicações deveriam ser atendidas. (Como veremos mais adiante, Yasser Arafat, um parente de Husseini, iria repetir essa atitude com relação ao terrorismo e o mundo iria repetir a sua reação, recompensando-o e, assim, fomentando-o). Esperava-se menos dos árabes "irracionais" do que dos judeus "civilizados". (Esse tipo de racismo baseado em um duplo padrão – racismo contra, mas em última análise favorável aos árabes – tem recrudescido nos últimos tempos.) O grão-mufti caracterizou o assassinato de mulheres, crianças e estudantes judeus em Hebron como o começo de uma revolta que continuou pela década de 1930 com recompensas ainda maiores por parte dos britânicos. A restrição da imigração judaica para a Palestina não poderia ter vindo num momento pior para os judeus, já que Adolf Hitler logo se tornaria o Führer da Alemanha, com um programa de libertar a Europa dos judeus, seja pela emigração, seja pelo genocídio.

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NOTAS

1. The question of Palestine, pp. 12-13. 2. Ibid., p. 101. 3. Morris, p. 95. 4. Ibid., p. 96. 5. Citado em Morris, p. 96. 6. Morris, p. 100. 7. Eu uso anti-semitismo no seu significado original como ódio aos judeus em particular, não semitas em geral. 8. Citado em Peters, p. 37. 9. Carta de Husseini ao ministro de Assuntos Exteriores da Hungria, 28 de j unho de 1943. 10. Morris, p. 76. 11. Ibid., p. 76. 12. V. testemunho citado no Peel Report, p. 141. 13. Ibid. 14. Morris, p. 112. 15. Ibid., p. 113. 16. Ibid., p. 114. 17. Peel Report, p. 68. 18. Morris, p. 11. Como se para sugerir alguma equivalência moral, Morris relata que 116 árabes foram mortos. Mas em sua maioria eram perpetradores armados, mortos pela polícia, não civis inocentes desarmados; v. Peel Report, p. 68. 19. Morris, citando Sir John Chancellor, p. 116. 20. Peel Report, p. 68. 21. Independentemente do que o alto comissário, que era um declarado anti-sionista, possa ter pensado da Declaração Balfour, nessa época era lei Internacional obrigatória, que não podia ser abolida unilateralmente pelos britânicos, apesar de terem começado a fazê-lo.

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Os judeus sempre rejeitaram a

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solução de dois Estados?

A ACUSAÇÃO Os judeus sempre rejeitaram a solução de dois Estados, ao passo que os árabes a aceitaram.

OS ACUSADORES “Acima de tudo, os palestinos não acreditavam, e estavam certos em não acreditar, que Ben-Gurion e as outras lideranças sionistas estariam satisfeitos ou manteriam compromisso. Em outras palavras, eles temiam, que a 'aceitação' sionista do plano da ONU era falsa, que os líderes sionistas eram inflexíveis no desejo de expandir um Estado judeu para incluir toda a Palestina bíblica e que simplesmente usariam um compromisso de divisão como base a partir da qual se expandiriam no futuro." (Jerome Slater, pesquisador de ciência política em SUNY – Buffalo.)1 "Só precisamos lembrar o mundo real no qual a OLP tem solicitado negociações e um acordo pacífico com Israel durante muitos anos, enquanto os Estados Unidos e Israel nunca responderam 'com quaisquer pessoas dispostas a fazer a paz', assim como não querem hoje." (Noam Chomsky)2 "Se você usar o termo [recusante] num sentido não-racista, concluímos no mesmo instante que os Estados Unidos lideram a frente de


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recusa/de rejeição, e o têm feito há muitos anos, e que ambos os grupos políticos em Israel... são recusantes estritos, e que isso foi completamente incontroverso até meados da década de 1990... e acho que ainda é assim no presente." (Noam Chomsky)3

A REALIDADE Assim que a divisão em dois Estados foi proposta, os judeus a aceitaram e os árabes a rejeitaram.

A PROVA Em 1937 – no meio da revolta terrorista inspirada pelo grão-mufti – os britânicos publicaram o Relatório da Comissão Peel com base nas suas investigações sobre "as causas dos distúrbios". Não deixava lugar a dúvidas sobre quem era culpado: "Um lado colocou-se, não pela primeira vez, em erro por recorrer à força, enquanto o outro pacientemente cumpria a lei".4 A comissão verificou que a violência assassina contra civis que havia começado na década de 1920 tinha sido deliberadamente ordenada pelo mufti e a Alta Comissão Árabe.5 Também confirmou que os judeus que haviam ido à Palestina eram refugiados, denominando o sionismo como "uma doutrina de escape" da perseguição sofrida pelos judeus da diáspora. No sentido mais amplo, e comissão via o problema como "fundamentalmente um conflito entre o certo e o certo", arraigado profundamente no passado. Depois de rever as reivindicações históricas dos judeus e dos árabes, a comissão concluiu que ambas eram constrangedoras. Voltando ao presente, a Comissão Peel descobriu que a "simpatia dos árabes palestinos por seus parentes na Síria tinha sido claramente demonstrada... Ambos os povos aderiam ao princípio de que a Palestina era parte da Síria e nunca deveria ter sido separada dela".6 Também concluiu que seria "totalmente irreal esperar" que os judeus aceitassem um status de minoria num Estado muçulmano,7 especialmente porque haviam essencialmente criado um lar judeu, com jornais hebraicos, escolas e universidades hebraicas, um sistema hospitalar judaico, um ativo sistema político e sindical e todos os outros atributos de um Estado. As regiões judaicas da Palestina eram mais semelhantes a um Estado em funcionamento do que as áreas árabes. Tel Aviv era uma metrópole judaica com uma população superior a 150 mil. Jerusalém ocidental tinha

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uma população de 76 mil, muito maior do que a população muçulmana. Haifa, com sua população de 100 mil, era metade judia e muito do comércio em seu porto é "judaico". Governos democráticos locais, bem como uma agência nacional, tinham quase vinte partidos. A democracia havia chegado à Palestina, pelo menos nas regiões judaicas. Assim também a arte e a cultura: A cada ano que passa, o contraste entre a comunidade moderna intensamente democrática e altamente organizada e o antiquado mundo árabe ao redor acentua-se cada vez mais e em nenhum campo mais evidentemente do que no aspecto cultural. A produção literária do Lar Nacional está fora de qualquer proporção relativa ao seu tamanho. Traduções hebraicas das obras de Aristóteles, Descartes, Leibnitz, Fichte, Kant, Bergson, Einstein e outros filósofos, e de Shakespeare, Goethe, Heine, Byron, Dickens, dos grandes novelistas russos e de muitos escritores modernos têm sido publicadas. Na literatura criativa as obras de Bialik, que morreu em 1935, têm sido a realização maior na poesia hebraica e as de Nahum Sokolov, que morreu em 1936, na prosa hebraica. Várias novelas hebraicas têm sido escritas, refletindo a influência da vida no Lar Nacional sobre a mente judaica. A imprensa hebraica cresceu para quatro diários e dez revistas semanais. Dos primeiros o Há’aretz e o Davar são os mais influentes e mantêm um alto padrão literário. Dois periódicos estão exclusivamente voltados à literatura e um à arte dramática. Mas, talvez, o aspecto mais relevante da cultura do Lar Nacional é o seu amor pela música. Foi durante nossa estada na Palestina que o Signor Toscanini dirigiu a Orquestra Sinfônica da Palestina, composta de cerca de 70 judeus palestinos, em seis concertos, principalmente dedicados às obras de Brahms e Beethoven. Em cada ocasião todos os lugares estavam ocupados e é digno de nota que um concerto estava reservado para 3 mil trabalhadores a preços muito baixos e que outros 3 mil participaram do ensaio final da orquestra. Em resumo, a conquista cultural desta pequena comunidade de 400 mil pessoas é um dos feitos mais notáveis do Lar Nacional.8

Em 1937 a Comissão Peel recomendou um plano de divisão para resolver o que se caracterizou como um "conflito irregressível... entre duas comunidades nacionais dentro das estreitas fronteiras de um pequeno país".9 Devido à hostilidade geral e ao ódio dos muçulmanos aos judeus, "a assimilação nacional entre árabes e judeus está... descartada". 10 Tampouco se poderia esperar dos judeus que aceitassem o governo muçulmano, uma vez que o grão-mufti deixou claro que a maioria dos judeus seria expulsa da Palestina se os muçulmanos ganhassem o controle total.11 A Comissão Peel concluiu que a divisão era a única solução justa:

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Declaradamente o problema não pode ser resolvido dando-se aos árabes ou aos judeus o que eles desejam. A resposta à pergunta "Qual deles, afinal, governará a Palestina" certamente deverá ser: "Nenhum". Não acreditamos que qualquer estadista justo poderia supor, agora que a esperança de harmonia entre as raças se mostrou inatingível, que a Grã-Bretanha devesse entregar 400 mil judeus aos árabes, ou que, se os judeus se tornassem uma maioria, um milhão e tanto de árabes deveriam ser entregues ao seu domínio. Mas, enquanto nenhuma das raças pode governar justamente a Palestina, não vemos razão por que, se fosse praticável, cada raça não devesse governar uma parte. Sem dúvida a idéia da partição como solução do problema ocorreu frequentemente aos que o estudaram, apenas para ser descartada. Existem muitos que instintivamente não desejariam retalhar a Terra Sant. A separação da Jordânia da Palestina histórica, teriam pensado, já era bastante ruim. Nesse ponto iríamos sugerir que há pouco valor moral em manter a unidade política da Palestina ao preço de um ódio permanente, de luta e derramamento de sangue e que há pouco dano moral em traçar uma linha política através da Palestina se a paz e a boa vontade entre os povos de cada lado puderem, com isso, ser atingidas a longo prazo... A partição parece oferecer ao menos uma chance de paz final. Não podemos vê-la em nenhum outro plano.12

O plano da Comissão Peel propunha um lar judaico em áreas nas quais havia uma nítida maioria judaica, divididas em duas partes não contíguas, A porção norte ia de Tel Aviv à atual fronteira com o Líbano. Consistia principalmente em uma faixa de terra de 10 milhas de largura, do Mediterrâneo para leste, até o fim da planície do litoral, depois uma área algo mais larga de Haifa até o mar da Galiléia. Uma porção meridional, desconcertada da setentrional por uma área sob controle britânico, que incluía Jerusalém, com a sua maioria de população judaica, estendia-se do sul de Jafa ao norte de Gaza. A área árabe proposta era, por outro lado, inteiramente contígua e compreendia todo o Negev, a margem ocidental e a faixa de Gaza. Era várias vezes maior do que a proposta para o lar judeu. A população da área judaica proposta teria 300 mil judeus e 190 mil árabes. Mais de 75 mil judeus viviam em Jerusalém, que teria ficado sob controle britânico. A comissão sugeriu que ao longo do tempo poderia haver trocas de terra e de população: Os judeus poderão querer dispor de algumas ou de todas as terras que agora lhes pertencem e que se encontram dentro das fronteiras do Estado árabe, e seus ocupantes poderão desejar mudar para o Estado judeu...

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Os árabes... poderão, igualmente, querer vender a terra de que são proprietários dentro das fronteiras do Estado judeu [e mudar para o Estado árabe].13

A comissão resumiu as vantagens da partição para ambos os lados: As vantagens da partição para os árabes dentro das linhas que propusemos podem ser resumidas como segue: I.

Eles obtêm sua independência nacional e podem cooperar em pé de igualdade com os

árabes dos países vizinhos na causa da unidade árabe e do progresso. II.

Eles finalmente ficam livres do medo de serem "engolidos" pelos judeus e da

possibilidade de sujeição ao domínio judeu. III.

Em particular, a limitação final do Lar Nacional Judeu dentro de fronteiras fixas e a

decretação de um novo mandato para a proteção dos lugares santos, solenemente garantida pela Liga das Nações, remove toda a ansiedade sobre a possibilidade de esses lugares caírem sob o controle judaico.

IV.

Como compensação aos árabes pela perda do território que consideram seu, o Estado

árabe receberá uma subvenção do Estado judeu. Também obterá um subsídio de dois milhões de libras do tesouro da Grã-Bretanha, tendo em vista o atraso da Transjordânia; e, se um acordo puder ser feito pela troca de terras e de população, um subsídio adicional será feito para a conversão, até onde seja possível, de terra não cultivável no Estado árabe em terra produtiva da qual lucrarão os agricultores e o Estado.

As vantagens da partição para os judeus podem ser resumidas como segue: I.

A partição assegura o estabelecimento de um Lar Nacional Judaico e elimina a

possibilidade de estar sujeito ao domínio árabe no futuro.

II.

A partição habilita os judeus no sentido mais amplo a considerarem seu o Lar

Nacional: porque o converte num Estado judeu. Seus cidadãos poderão admitir tantos judeus quantos considerarem que podem ser absorvidos. Alcançarão o objetivo primário do sionismo – uma nação judaica plantada na Palestina, dando aos seus cidadãos o mesmo status no mundo como outras nações dão aos seus. Finalmente, deixarão de viver uma "vida de minoria".14

Finalmente, a comissão aludiu a como a partição iria ajudar a salvar os judeus do nazismo na Europa: Tanto para árabes como para judeus a partição oferece uma perspectiva – e não vemos tal perspectiva em qualquer outra política – de obter o inestimável benefício da paz. Certamente vale algum sacrifício de ambos

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os lados se a disputa, à qual o mandato deu início, pudesse ser encerrada com seu término. Não é um feudo natural ou antigo. Um hábil expoente da questão árabe nos contou que os árabes ao longo de sua história não só estiveram livres de sentimentos antijudaicos, mas também mostraram que o espírito de compromisso está profundamente arraigado em sua vida. E continuou para exprimir sua simpatia com o destino dos judeus na Europa. "Não há nenhuma pessoa decente", disse, "que não desejaria fazer tudo humanamente possível para aliviar o sofrimento dessas pessoas" desde que "não fosse à custa de infligir um sofrimento correspondente a um outro povo". Considerando o que a possibilidade de encontrar um refúgio na Palestina significa para muitos milhares de judeus em sofrimento, não podemos acreditar que a "aflição" ocasionada pela partição, por maior que fosse, seria maior do que a generosidade árabe pudesse suportar. E nisso, como em tantas outras coisas ligadas à Palestina, não são apenas os povos desse país que devem sem considerados. O problema judeu não é o menor dos muitos problemas que estão perturbando as relações internacionais neste momento crítico e obstruindo o caminho para a paz e a prosperidade. Se os árabes, com algum sacrifício, pudessem ajudar a solucionar esse problema, seriam dignos da gratidão não apenas dos judeus, mas de todo o mundo ocidental.15

Os judeus aceitaram com relutância o plano Peel de partição enquanto os árabes o rejeitaram categoricamente, exigindo que a Palestina toda fosse colocada sob o controle árabe e que a maioria da população judaica da Palestina fosse "transferida" para fora do país, porque "este país [não pode] assimilar os judeus agora nele residentes". 16 A Comissão Peel implicitamente reconheceu que não era tanto pelos árabes quererem a autodeterminação, mas por não desejarem que os judeus tivessem autodeterminação ou soberania sobre a terra que eles próprios tinham cultivado e na qual eram uma maioria. Afinal, os palestinos queriam ser parte da Síria e governados por um monarca distante. Simplesmente não podiam conformar-se com a realidade de que os judeus da Palestina haviam criado para si uma pátria democrática de acordo com o mandato da Liga das Nações e de acordo com uma legislação internacional. Mesmo se a recusa da proposta Peel não resultasse num Estado para os palestinos, isso era preferível a permitir um pequeno e nãocontíguo Estado para os judeus. Quando os britânicos marcaram um encontro entre as partes "os árabes não se sentariam na mesma sala que os judeus". 17 Além disso, responderam ao Plano Peel com violência maciça contra os civis judeus, bem como contra a polícia britânica e servidores civis. O impasse, resultante da rejeição árabe de "todas as tentativas de ceder qualquer parte da Palestina à soberania judaica,"18 associada à violência árabe, levou diretamente à decisão britânica de diminuir o

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fluxo de refugiados judeus para a Palestina, apesar do reconhecimento no Relatório da Comissão Peel de que “os judeus entram na Palestina por direito e não por tolerância" e que “a imigração judaica não é meramente sancionada, mas requerida por solenes acordos internacionais".19 O Livro Branco da Grã-Bretanha de 1939 limitava a imigração judaica a 75 mil durante os cinco anos seguintes. A Grã-Bretanha tinha se tornado a barreira à independência e condição de Estado para a comunidade judaica na Palestina. Os objetivos imperialistas da Grã-Bretanha agora favoreciam os árabes em detrimento dos judeus. Corno expôs Michael Oren, "apesar de os britânicos terem continuamente abandonado o seu apoio a um Lar Nacional Judaico, o lar já era um fato: um Estado incipiente e em fase de crescimento rápido".20 Mas era um Estado que estava sendo impedido pela Grã-Bretanha, a pedido dos árabes, de abrir seus portões àqueles refugiados que mais necessitavam. Isso coincidiu com o início do Holocausto, no qual seis milhões de judeus foram assassinados. Se os árabes tivessem aceito a solução de dois Estados recomendada pela Comissão Peel em vez de responder com violência, centenas de milhares – talvez um milhão, ou mais – de judeus europeus poderiam ter sido salvos, já que o programa nazista, até 1941, desejava que os judeus fossem expulsos da Europa, mas não necessariamente assassinados. A “solução final" tornou-se a opção para os nazistas só quando ficou claro que não havia lugar para onde os judeus europeus pudessem ir, exceto para as câmaras de gás e campos de extermínio,

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NOTAS

1. "Can zionism be reconciled with justice for the palestinians?" Tikkun, julho-agosto de 2000. 2. "Middel East diplomacy: continuities and change", Z magazine, dezembro 1991, disponível em www.zmag.org/chomsky (última vez visitado em 17 de março de 2003). 3. Palestra na Universidade de Harvard, 2 5 de novembro de 2002. 4. Peel Report, p. 2. 5. Ibid., pp. 106-107. 6. Ibid., p. 59. 7. Ibid., p.61. 8. Ibid., p. 116-117. 9. Ibid., p. 370. 10. Ibid., p. 371. 11. Ibid., p. 141. 12. Ibid., pp. 375-376. 13. Ibid., p. 389. 14. Ibid., pp. 394-395. 15. Ibid., p. 395. 16. Ibid., p. 141, pergunta ao grão-mufti e sua resposta. 17. Ian Bickerton e Carla Klausner, A concise history of the arab-israeli conflict (Upper Saddle River, N.J.: Prentice HalI, 2002), p. 56. 18. Ibid. 19. Peel Report, p. 147. 20. Michael Oren, Six days of war (Oxford: Oxford University Pres, 2002), p. 93.

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Os judeus tiraram partido do

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Holocausto?

A ACUSAÇÃO Os judeus tiraram partido do Holocausto para angariar a simpatia em favor de um Estado judaico à custa dos palestinos, que não têm nenhuma responsabilidade pelo genocídio de Hitler contra os judeus.

OS ACUSADORES "O Holocausto mostrou ser uma arma ideológica indispensável. Através do seu desenvolvimento, uma das mais fantásticas potências militares, com um registro horrendo em direitos humanos, colocou-se como Estado ‘Vítima’ e o grupo étnico mais bem-sucedido nos Estados Unidos também adquiriu um status de vítima. Dividendos consideráveis resultam desse capcioso estado de vítima – em particular, imunidade às críticas, por mais que justificadas." (Norman Finkelstein)1 "O que deixa muitos palestinos e árabes EXTREMAMENTE IRADOS é que as memórias do Holocausto estão sendo exploradas para apontar os palestinos como nazistas. Tal comparação perigosa e táticas de propaganda são desde cedo continuamente transmitidas para muitas crianças israelenses e judias, especialmente após uma visita ao museu do Holocausto, em Yad Vashem. É preciso enfatizar que muitas fotos em tamanho real de al-Hajj-Amin ao lado de Hitler estão expostas em Yad Vashem, a oeste de


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Jerusalém, não longe de Deir Yassin. É uma hipocrisia responsabilizar os palestinos pela 'malfadada' escolha de al-Hajj Amin, enquanto israelenses e judeus fecham os olhos para as escolhas que alguns dos seus líderes fizeram durante a Segunda Guerra Mundial." (www.PalestineRemembered.com em resposta à "Propaganda sionista israelense" de que Hajj Amin al-Husseini colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.)

A REALIDADE A liderança palestina, com aquiescência da maioria dos árabes palestinos, apoiou ativamente e ajudou o Holocausto e a Alemanha nazista c carrega uma culpa moral, política e mesmo legal pelo assassinato de muitos judeus.

A PROVA Pouco depois de Hitler assumir o poder, o grão-mufti decidiu igualar-se a ele. Informou o cônsul alemão em Jerusalém de que "os muçulmanos dentro e fora da Palestina saudavam o novo regime da Alemanha e esperavam que o sistema de governo fascista antidemocrático se estendesse a outros países".2 No esforço de instalá-lo em seu próprio país, Husseini organizou os "jovens nazistas" com base na "juventude hitlerista".3 A suástica tornou-se um símbolo bem recebido entre muitos palestinos. O meado e o final da década de 1930 foram marcados por esforços árabes para impedir a imigração e empenhos judaicos para salvar tantos judeus quanto possível da Europa de Hitler. Esses anos também foram maçados pela escalada da violência muçulmana orquestrada por Husseini e outros líderes muçulmanos. Em 1936 o terrorismo árabe tomou ama nova dimensão. No começo, os alvos eram civis judeus, indefesos em hospitais, cinemas, casas e lojas. Isso foi seguido por greves e fechamento de lojas, depois pelo bombardeio de escritórios britânicos. O regime nazista na Alemanha e os fascistas italianos apoiaram a violência, enviando milhões de dólares ao mufti.4 A SS. sob a liderança de Heinrich Himmler, deu tanto apoio financeiro como logístico aos pogroms anti-semitas na Palestina. Adolf Eichmann visitou Husseini na Palestina e subsequentemente manteve contato regular com ele. O apoio era mútuo, como um comentarista árabe observou: “Sentindo o impacto da pressão e da influência judaicas, os árabes simpatizaram com os nazistas e fascistas na sua agonia e provações 78


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nas mãos de intrigas judaicas e da pressão financeira internacional".5 A resposta britânica inicia! foi a pacificação na forma de redução da quota de imigração judaica. Na verdade, responderam pela força, explodindo casas como punição e repressão, Em Jafa destruíram sistematicamente parles da cidade velha, explodindo 220 casas.6 Os palestinos e seus aliados árabes eram tudo, menos neutros perante o destino do judaísmo europeu. O líder oficial dos palestinos, Hajj Amin al-Husseini, grão-mufti de Jerusalém, que formou uma aliança com os nazistas e na verdade passou os anos de guerra em Berlim, com Hitler servindo de consultor sobre a questão judaica, foi levado para uma visita a Auschwitz por Himmler e expressou seu apoio ao assassinato em massa dos judeus europeus. Ele também procurou “resolver os problemas do elemento judaico na Palestina e em outros países árabes" empregando "o mesmo método" que "nos países do Eixo". Não ficaria satisfeito com os residentes judeus da Palestina – muitos dos quais eram descendentes dos judeus sefardi que estavam vivendo lá por centenas, mesmo milhares de anos – permanecendo como uma minoria num Estado muçulmano. À semelhança de Hitler, ele queria ver-se livre "do último judeu". Como Husseini escreveu em suas memórias: Uma condição fundamental para a cooperação com a Alemanha estava livre para erradicar cada judeu da Palestina e do mundo árabe, Solicitei a Hitler uma ação explícita que nos ajudasse a resolver o problema judaico da maneira adequada às nossas aspirações nacionais e raciais e de acordo com os métodos científicos inovados na Alemanha para lidar com seus Judeus. A resposta que recebi foi: "Os judeus são seus".7

O mufti aparentemente estava planejando voltar à Palestina no caso de uma vitória alemã e construir um campo de extermínio seguindo o modelo de Auschwitz, perto de Nablus. Husseini incitou os seus seguidores pró-nazistas com as palavras: "Levantem-se, ó filhos da Arábia. Lutem pelos seus sagrados direitos. Matem os judeus onde os encontrarem. O seu sangue derramado agrada a Alá, à nossa historia e religião. Isso salvará a nossa honra". Em 1944, uma unidade de comando árabe-alemã sob as ordens de Husseini foi lançada de pára-quedas na Palestina num esforço para envenenar os poços de Tel Aviv. Husseini também ajudou a inspirar um golpe pró-nazista no Iraque e a organizar milhares de muçulmanos nos Bálcãs em unidades militares conhecidas como divisões Handselar, que praticaram atrocidades contra os judeus iugoslavos, sérvios e ciganos. Depois de um encontro com Hitler ele registrou o seguinte em seu diário:

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O mufti: "Os árabes eram amigos naturais da Alemanha... Estavam, portanto, preparados para cooperar com a Alemanha, de todo o coração, e estavam prontos para participar numa guerra, não só negativamente, pela execução de atos de sabotagem e instigação de revoluções, mas também positivamente, pela formação de uma Legião Árabe. Nessa luta, os árabes estavam empenhando-se pela independência e unidade da Palestina, Síria e Iraque". Hitler: "A Alemanha estava decidida, passo a passo, a solicitar a uma nação européia depois da outra que resolvesse o seu problema com os judeus e, no momento adequado, dirigir um apelo similar também a nações não-européias. O objetivo da Alemanha seria, então, somente a destruição do elemento judaico vivendo na esfera árabe sob a proteção da potência britânica. No momento em que as divisões de tanques alemães e suas esquadrilhas aéreas aparecessem ao sul do Cáucaso, o apelo do público feito pelo grão-mufti poderia espalhar-se pelo mundo árabe".8

É justo concluir que o líder oficial dos muçulmanos na Palestina, Haj Amin alHusseini, era um completo criminoso de guerra nazista e como tal foi acusado em Nurembergue. Depois da guerra foi procurado pela Iugoslávia e pela Grã-Bretanha, escapando para o Egito onde recebeu asilo e ajudou a organizar muitos ex-nazistas e simpatizantes do nazismo contra Israel. Também é justo dizer que as simpatias e o apoio pró-nazistas de Husseini eram difundidos entre os seus seguidores palestinos, que o viam como herói mesmo depois da guerra e da divulgação do seu papel nas atrocidades nautas. De acordo com o seu biógrafo, "a popularidade de Haj Amin entre os árabes palestinos e dentro dos Estados árabes na realidade aumentou mais do que nunca durante o seu período com os nazistas" porque "boa parte do mundo árabe compartilhava essa simpatia com a Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial". Não foi meramente um ódio pelo sionismo que animou esse apoio à ideologia nazista. O ódio do grão-mufti pelos judeus "era insondável e ele o manifestou totalmente durante o seu período de atividade ao lado dos nazistas (outubro de 1941 a maio de 1945)". Os seus discursos na Rádio Berlim eram profundamente anti-semitas: "Matem os judeus onde os encontrarem - isso agrada a Deus, à história e à religião". Em 1948 o Conselho Nacional Palestino elegeu Husseini como seu presidente, apesar de ser procurado corno criminoso de guerra vivendo em exílio no Egito.9 De fato, Husseini ainda é reverenciado hoje por alguns palestinos como herói nacional, enquanto outros se esforçam para apagá-lo da história palestina. Yasser Arafat cabe perfeitamente na primeira categoria. Numa entrevista concedida em 2002 e reproduzida no diário palestino Al-Quds em 2 de agosto de 2002,

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o presidente da Autoridade Palestina classifica Haj Amin al-Husseini de "nosso herói", referindo-se ao povo palestino. Arafat também se gabou de ser "um de suas tropas", mesmo sabendo que ele era considerado "um aliado dos nazistas".10 (Se um alemão atualmente chamasse Hitler de "nosso herói" seria apropriadamente rotulado de neonazista!) Mesmo o professor Edward Said acredita que "Hajj Amin al-Husseini representou o consenso nacional árabe palestino, tinha o apoio dos partidos políticos palestinos e era reconhecido de algum modo pelos governos árabes como a voz do povo palestino".11 Ele era "o líder nacional da Palestina"12 quando fez a sua aliança com Hitler e desempenhou um papel ativo no Holocausto. Apesar de não ser justo considerar o povo palestino responsável pelo assassinato dos judeus da Europa, a sua liderança oficial estava certamente longe de ser inocente em relação ao Holocausto. Apoiou ativamente a solução final de Hitler, bem como a vitória nazista sobre os americanos e seus aliados. O grão-mufti de Jerusalém foi pessoalmente responsável pela chacina de milhares de judeus em campos de concentração. Quando soube que o governo húngaro estava planejando permitir que milhares de crianças escapassem dos nazistas, ele interveio com Eichmann e exigiu a reversão do plano. O plano foi revertido e as crianças foram enviadas aos campos de morte.13 O mufti também apoiou militarmente os nazistas, oferecendo a sua Legião Árabe para lutar contra os aliados, de modo a opor-se à Brigada Judaica, que estava lutando ao lado dos aliados.14 À luz da estreita associação entre a liderança palestina e o nazismo ao longo das décadas de 1930 e 1940 é irônico que muitos grupos pró-palestinos tenham escolhido a suástica como o símbolo para atacar Israel. Assim como os nazistas chamavam os judeus de comunistas e Stalin chamava os judeus de fascistas, muitos palestinos e seus partidários – ambos na extrema direita e na extrema esquerda – agora usam a palavra "nazista" para caracterizar Israel, os judeus e o sionismo. Os judeus sempre se encontraram entre o preto e o vermelho, como foi dito por um estudioso. Estão de volta à posição desconfortável na medida em que a extrema esquerda e a extrema direita procuram demonizar o Estado judaico pela falsa comparação com uma ideologia que praticou o genocídio contra o povo judeu – um genocídio amplamente apoiado e auxiliado por líderes palestinos. O chefe de polícia palestino Ghazi Jabali comparou o primeiro-ministro de Israel, o socialista Ben-Gurion, ao monstro perverso contra o qual lutava: "Não há diferença entre Hitler e Ben-Gurion".15 Nos campi universitários de hoje, pode-se frequentemente ouvir o primeiro-ministro de Israel ser comparado a Hitler, de acordo com a seguinte cantilena: "Sharon e Hitler – a mesma coisa – a única diferença está no nome".

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Ninguém compara, por exemplo, Sharon com Pinochet ou mesmo Stalin. É sempre Hitler e o nazismo. Cartazes justapondo a estrela de Davi e a suástica são comuns. Esses cartazes estão usando deliberadamente o "turnspeak" de George Orwell por tentar associar a estrela de Davi com a suástica, sabendo o quanto a suástica ofende os judeus. Alguns grupos judeus entraram em contato comigo nos últimos anos e solicitaram que eu tentasse banir o uso da suástica em ataques contra Israel. Como me oponho à censura, sempre os incentivei a usar a tentativa palestina de comparar Israel com o nazismo como uma oportunidade educacional de lembrar o mundo do amplo apoio palestino a favor do nazismo e do fato de que criminosos de guerra nazistas receberam asilo no Egito e ajudaram o governo egípcio nos seus ataques contra alvos civis israelenses. Se os apoiadores palestinos insistirem no uso da suástica certamente não poderão queixar-se quando esse símbolo se virar contra eles para lembrar o mundo de fatos históricos indiscutíveis com relação ao papel do seu reverenciado líder no apoio ao genocídio de Hitler contra os judeus e a fracassada tentativa de Hitler de levar o Holocausto à Palestina. O sócio de Hitler no genocídio é agora o "herói" do presidente da Autoridade Palestina enquanto seu primeiroministro uma vez tentou "provar" que o Holocausto de Hitler contra os judeus jamais ocorreu. Essa é a realidade e nenhuma tentativa de transformar vítimas em perpetradores ou os vilões em heróis vai mudar a história. Geralmente aqueles que apoiam o lado perdedor numa guerra – especialmente um lado tão flagrantemente mau como o dos nazistas – não se beneficiam da reconstrução do pós-guerra que inevitavelmente segue à rendição do lado perdedor. A maioria dos muçulmanos palestinos estava do lado perdedor na Primeira Guerra Mundial ao passo que os judeus da Palestina estavam do lado vitorioso. O apoio dos judeus aos britânicos na Primeira Guerra Mundial, que incluiu combater ao lado das forças britânicas, ajudou-os a merecer a Declaração Balfour em 1917. O apoio dos judeus – incluindo o apoio militar de milhares de judeus palestinos – aos aliados durante a Segunda Guerra Mundial ajudou-os a merecer a partição da ONU em 1947. Churchill acreditava que "nada era devido aos árabes num acordo de pós-guerra" por causa do seu amplo apoio ao nazismo. Winston Churchill havia caracterizado o líder dos palestinos como "o inimigo mortal".16 Na opinião de muitas pessoas decentes, os palestinos e o amplo apoio árabe dado aos nazistas não deveria lhes dar o direito de terem algo a dizer dos rearranjos do pós-guerra, assim como os alemães dos Sudetos perderam o direito de opinar sobre a sua transferência dos Sudetos na fronteira com a Tchecoslováquia, onde haviam vivido por séculos, para as

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novas e menores fronteiras da Alemanha. Como Winston Churchill disse, "é claro que deve haver uma transferência", apesar das objeções daqueles que são transferidos e suas próprias preocupações com as implicações humanitárias.17 Em 1947 foi oferecido aos palestinos quase o mesmo acordo que haviam rejeitado em 1937 {com exceção do deserto do Negev), apesar da maior necessidade de um lugar para centenas de milhares de refugiados judeus dos campos de extermínio da Europa. Ao tempo do plano de partição da ONU, 250 mil judeus refugiados estavam vivendo em deploráveis campos de prisioneiros no próprio país que havia assassinado seus pais, filhos e irmãos. Não podiam retornar à Polônia porque os poloneses continuavam a assassinar os judeus mesmo depois de os nazistas terem sido derrotados, e a última coisa que os líderes comunistas da Polônia desejavam era um influxo de refugiados judeus. Tampouco podia se esperar que ficassem na Alemanha, onde estavam localizados os campos de refugiados naquele tempo. A imigração para um lar judeu na Palestina dividida era a única solução viável para o problema dos refugiados. Também havia um crescente problema com relação aos países árabes que tinham significativas populações judaicas. Os judeus nos países muçulmanos sempre foram tratados como cidadãos de segunda classe (na melhor das hipóteses) e como alvos apropriados de violência em massa (na pior das hipóteses). Apesar de os judeus do Islã jamais terem sofrido algo como o Holocausto, havia muito eram vítimas de pogroms e discriminação religiosa. Alguns governos islâmicos tinham um sistema semelhante ao apartheid sob o qual os dhimmis – uma categoria religiosa que inclui judeus e cristãos – eram, por lei e pela teologia, considerados inferiores e sujeitos a regras separadas, mas desiguais. Os dhimmis eram, e em alguns lugares ainda são, excluídos dos empregos públicos, forçados a usar uma vestimenta distintiva e sujeitos a restrições sobre a construção e manutenção de sinagogas e igrejas. É verdade que aos dhimmis é permitido praticar sua religião e manter sua cultura, mas só se pagarem um jizya especial, ou imposto per capita, não requerido aos muçulmanos. Os dhimmis pagam o imposto em troca de proteção do Estado. Como tais, eles se encontram fora da comunidade política. Então não é que os dhimmis sejam cidadãos de segunda classe – essencialmente, os dhimmis não são cidadãos. Mesmo se determinados regimes muçulmanos os tratam de forma tolerável, ainda vivem sob o capricho do governo como estrangeiros marcados. Em seguida ao Holocausto e, principalmente, ao amplo apoio em seu favor dos muçulmanos e árabes, tornou-se claro que não se podia esperar que os judeus continuassem a viver como uma inferior minoria

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dhimmi sujeita à proteção caprichosa de uma maioria discriminatória. Os judeus do Islã eram refugiados em ritmo de espera. Estavam esperando por um lugar para se mudarem – um lugar onde pudessem viver como iguais, sem considerar sua religião ou etnia. Israel era esse lugar e, pouco após o seu estabelecimento, aproximadamente 850 mil judeus sefardis e orientais foram obrigados a sair, ou "escolheram" sair de lugares no mundo árabe que eles e seus ancestrais haviam habitado por milhares de anos. Como veremos no capítulo 12, a situação daqueles judeus sefardis que abandonaram seus antigos lares por medo, coerção ou falta de disposição para viverem como uma minoria perseguida era, de muitos modos, comparável à situação dos refugiados árabes que saíram de Israel em seguida aos maciços ataques árabes contra o recém-declarado Estado judeu. Argumenta-se algumas vezes que, apesar de os sobreviventes judeus do Holocausto, que se tornaram refugiados no fim da guerra, terem direito a um lar em algum lugar, esse lar não deveria vir à custa dos árabes em geral e dos palestinos em particular. Argumenta-se que o Holocausto foi culpa dos alemães e de países incluindo os Estados Unidos, que se recusaram a aceitar os refugiados judeus da Alemanha, da Polônia e da Áustria. Como o presidente do Irã, Khatami, declarou em 2001: ''Se os nazistas e fascistas no Ocidente cometeram crimes contra os judeus, por que deveriam os palestinos pagar o preço agora? Aqueles [ocidentais] que cometeram os crimes deveriam pagar o preço".18 Esse argumento é falho pelo menos por duas razões. Primeiro, o Estado de Israel não chegou a existir à custa seja dos árabes ou dos palestinos. A área destinada ao Estado judeu tinha uma maioria judaica, tinha direito à autodeterminação diante dos britânicos (e aos otomanos antes deles). A terra em questão não era nem árabe nem palestina. Tinha passado de um império para outro e a hora da autodeterminação dos dois grupos que viviam em diferentes partes havia chegado. Histórica, demográfica, econômica e legalmente era simultaneamente uma terra judaica e árabe. (O último Estado independente a existir na Palestina foi o Estado judeu que foi destruído pelos romanos em 70 d.C.) Segundo, o argumento fecha os olhos à realidade de que alguns líderes árabes e palestinos tinham significativa responsabilidade pelo Holocausto. Eles o apoiaram, ajudaram, usaram-no em seu benefício e esperavam ter benefícios dele. Além disso, foi como resultado direto da pressão árabe e palestina que os portões de imigração para a Palestina foram fechados aos judeus durante os anos cruciais quando centenas de milhares de judeus, talvez até mais, poderiam ter sido salvos se lhes tivesse sido permitido entrar na Palestina – mesmo na pequena parte da Palestina proposta como lar judeu pela Comissão Peel em 1937.

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Os árabes e palestinos tinham suficiente culpa pelo Holocausto e por apoiarem o lado errado durante a Segunda Guerra Mundial para justificar a sua contribuição, como parte do lado perdedor, no rearranjo do território e da demografia que inevitavelmente segue um conflito mundial cataclísmico. Assim como os alemães dos Sudetos carregaram parte da culpa por estarem do lado errado, assim também os árabes e palestinos foram solicitados pelas Nações Unidas, com justiça, a contribuir para uma resolução do problema dos refugiados pós-guerra. Além disso, tudo que as Nações Unidas fizeram dividindo a Palestina foi conceder à maioria judaica, na terra alocada ao Estado judeu, o direito à autodeterminação – um direito que há muito era valorizado por apoiadores dos direitos humanos e das liberdades civis, e um direito reivindicado atualmente pelos palestinos na margem oeste e na faixa de Gaza. As nações árabes e muçulmanas eram totalmente responsáveis pelo status de segunda classe (ou pior) que os seus líderes políticos e religiosos haviam imposto às suas minorias judaicas durante séculos. O mito do tratamento benigno pelo mundo árabe e muçulmano das suas minorias judaicas foi destruído pelos eruditos modernos. Os judeus eram vítimas de um sistema semelhante ao apartheid, comparável em muitos aspectos ao infligido aos negros sul-africanos pelo governo da África do Sul antes de Mandela. Além da discriminação legal e teológica – os requisitos de usar roupas distintivas, de não possuir armas defensivas e de pagar um imposto especial –, eles estavam sujeitos a pogroms periódicos e libelos de sangue, como em Damasco em 1840. De acordo com Morris também havia massacres em Tetua, no Marrocos, em 1790; em Mashhad e Barfurush, Pérsia, em 1839 e 1867 respectivamente; e em Bagdá, em 1828. O bairro judeu de Fez (no Marrocos) foi quase destruído em 1912 por uma turba muçulmana; e turbas pró-nazistas massacraram dezenas de judeus em Bagdá, em 1941. Repetidamente em várias partes do mundo islâmico as comunidades judaicas – ao contrário das disposições dos dhimma – recebiam a escolha entre conversão ou morte. Geralmente, mas nem sempre, os incidentes de violência em massa ocorreram nas extremidades vulneráveis do império muçulmano, mais do que no seu núcleo mais auto-confiante. Mas a atitude subjacente de que os judeus eram infiéis e opositores do Islã, e necessariamente inferiores aos olhos de Deus, prevaleceu através das terras muçulmanas pelos séculos.19

Menos letal, mas bastante degradante era uma outra prática amplamente difundida: Uma medida e símbolo da degradação judaica era o fenômeno comum

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– chegando a certos lugares, como no Iêmen e no Marrocos, a um costume local – de apedrejamento dos judeus por crianças muçulmanas. Um viajante do século XIX escreveu: "Vi um menino de seis anos, com uma turma de menininhos gordinhos de apenas três ou quatro, ensinando-(os) a atirar pedras num judeu, e um garotinho andar bamboleando na direção do homem com a maior frieza e literalmente cuspir na sua roupa. A tudo isso o judeu é obrigado a submeter-se: seria mais do que à sua vida poderia valer, bater num muçulmano''.20

Um historiador resumiu o tratamento histórico infligido aos judeus pelos muçulmanos como "tolerância desdenhosa".21 Eram tratados como uma "raça inferior".22 O fato de não haver inquisições ou holocaustos apenas mostra que as coisas estavam ainda piores na Europa cristã. Tanto os cristãos da Europa como os muçulmanos das nações árabes tratavam a sua minoria judaica de forma tão horrível que a necessidade de autogoverno judaico, num Estado judeu com uma maioria judaica, onde os judeus pudessem ser tratados como iguais e defender-se das perseguições, tornou-se evidente para a maioria do mundo no final da Segunda Guerra Mundial. Se há males que vêm para o bem, como argumentei extensamente em outro lugar,23 então os males impostos à minoria judaica residente em Estados muçulmanos e cristãos demonstraram ao mundo que o povo judeu tinha o direito à autodeterminação num lugar em que os judeus eram maioria. Gomo Winston Churchill havia observado corretamente um quarto de século antes, um tal estado já existia de fato e de direito naquelas áreas da Palestina com maioria judaica, instituições judaicas políticas, econômicas e culturais e um exército judeu que havia lutado ao lado dos vencedores da Primeira Guerra Mundial – e subsequentemente na Segunda Guerra Mundial. Tudo que as Nações Unidas fizeram foi reconhecer a realidade da autodeterminação judaica em áreas a que tinham todo direito – reconhecido por leis internacionais, tratados, pela Liga das Nações e uma maioria nas Nações Unidas – a viver e cultivar terras que haviam legalmente comprado de proprietários ausentes. Como o London Times escreveu em editorial à época, "é difícil ver como o mundo árabe, e menos ainda os árabes da Palestina, sofrerão com o mero reconhecimento de um fato consumado – a presença na Palestina de uma comunidade judaica compacta, bem organizada e virtualmente autônoma".24 Mesmo para aqueles que rejeitam qualquer participação dos palestinos e árabes na condição dos refugiados judeus do nazismo e do apartheid islâmico – uma posição insustentável à luz do amplo apoio palestino aos nazistas –, a razão para alguma ação positiva em favor de um povo que sofreu tão dolorosamente nas mãos de outros é poderosa. Aqueles de nós

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que apóiam uma ação positiva com relação aos afro-americanos o fazem, pelo menos em parte, numa teoria de reparação pelos erros do passado. Apesar de nossos próprios antepassados não poderem ter responsabilidade alguma pela escravidão, pois nem estavam no país, todos devemos estar dispostos a compartilhar alguns dos ônus da reparação. Aos nossos filhos e netos poderão ser negados lugares nas universidades ou empregos de sua primeira escolha porque esses lugares estão alocados aos descendentes de escravos e de outras minorias. Certamente aqueles que se beneficiaram diretamente da escravidão têm uma obrigação especial de fazer reparações assim como aqueles que se beneficiaram do Holocausto têm uma responsabilidade especial perante os que luram suas vítimas. Mas, num sentido mais amplo, o mundo todo deve às vítimas da escravidão, do Holocausto e de outros genocídios impostos pela humanidade uma forma de ação positiva. Mesmo a Comissão Peel parecia reconhecer um componente de ação positiva na sua decisão de reconhecer a existência de um Lar Nacional judeu: É impossível, acreditamos, para qualquer observador sem preconceitos ver o Lar Nacional e não lhe desejar sucesso. Tem muito significado para o alívio de sofrimento imerecido. Demonstra muita energia, iniciativa e devoção a uma causa comum. Na medida em que a GrãBretanha ajudou na sua criação, afirmaríamos, com lorde Balfour, que nessa medida, evidentemente, o cristianismo mostrou-se "não esquecido de todos os males que fez".21

O mundo muçulmano também deveria reconhecer todos os males que fez aos judeus que historicamente tratou como não-cidadãos de segunda classe (dhimmi). Mesmo para aqueles que em 1947 não acreditavam que a partição da Palestina fosse justa para com os palestinos, quando a partição é vista como uma forma de ação internacional positiva, ela parece mais do que justa. Para aqueles que apoiam uma ação positiva com base na necessidade de diversidade, um Estado judeu certamente acrescenta considerável diversidade a um mundo com mais de quarenta Estados muçulmanos e numerosos Estudos cristãos, hindus e budistas. Apesar de já existir um Estado com maioria palestina na Jordânia, um novo Estado palestino na margem ocidental e em Gaza, governado por palestinos, também acrescentaria um elemento de diversidade.

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NOTAS 1. Norman G. Finkelstein, The Holocaust industry: reflections of the exploitation of jewish suffering (Londres: Verso, 2001). 2. Citado em Morris, p. 125. 3. Morris, p. 124. 4. Ibid., p. 137. 5. Citado em Morris, p. 137. 6. Morris, pp. 130, 134. 7. Sarah Honig. "Fiendish hypocrisy II: The man from Klopstock St.", Jerusalem Post, 6 de abril de 2001. 8. Alemanha, Auswärtiges Amt, Documents on German Foreign Policy, 1918-1945, from the Archives of the German Foreign Ministry, series D. vol XIII, nº 515 (Washington, D.C.: U.S. Government

Printing

Office,

1949),

pp.

881-885.

Citado

em

www.psych.upenn.edu/~fjgil/muftihitler.htm. 9. V. Zvi Elpeleg, The grand-mufti (Londres: Frank Cass, 1993), p. 100. 10. Itamar Marcus, "Nazi Alley, Hajj Amen al-Husseini Is Arafat’s 'Hero', "Palestinian Media Watch, www.pmw.org.il/new/bulletins-050802.html. 11. Said e Hitchens, p. 248. 12. Ibid. 13. Morris, p. 166. 14. Ibid., p. 165. 15. Jornal da AP, Al-Hayat Al-Jadeeda, 1º de setembro de 1997. 16. Elpeleg, p. 164. 17. Martin Gilbert, Winston S. Churchill, vol. II (Londres: Heinemann, 1966), pp. 90, 154. 18. "'Dialogue of civilizations seeks international democracy', States President Khatami, Tehran, 27 de fevereiro de 2001", do website do International Centre for Dialogue among Civilizations, www.dialoguecentre.org/news detail 2.htm. 19. Morris, p. 11. 20. Ibid. 21. Elie Kedourie, citado em Morris, p. 9. 22. Morris, p. 39. 23. Alan Dershowitz, Shouting fire: civil liberties in a turbulent age (Boston: Littel, Brown, 2002), pp. 33-48. 24. London Times, 1º de dezembro de 1947. 25. Peel Report, p. 124.

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A divisão da Palestina pela ONU

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foi injusta para com os palestinos?

A ACUSAÇÃO O plano de partição da ONU de 1947 foi injusto para com os palestinos.

OS ACUSADORES Shavit: "Você teria aceito o plano de partição de 1947?" Said: "Instintivamente digo não. Era um plano injusto baseado na minoria recebendo direitos iguais aos da maioria. Talvez não devêssemos ter ficado lá. Talvez devêssemos ter apresentado um plano nosso. Mas posso entender que, na época, o plano de partição seria inaceitável para os palestinos." (Edward Said)1 "Em 1947 a ONU propôs uma solução que foi aceita por apenas um lado, o lado judeu. E, na história das Nações Unidas, geralmente quando não se tem um acordo de ambos os lados não se executa tal solução. Aí a história começou a ficar difícil. O fato é que se impinge a solução a uma maioria do povo vivendo na Palestina que se opunha a essa solução; portanto, não é surpresa que eles se opuseram mesmo pela força." "... Mas nem sequer temos o direito de dizer que estavam errados em recusar a partição. Eles viam o sionismo como um movimento colonialista. E há bem poucas razões para não entender esse ponto de vista.


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Imagine só o movimento nacional argelino concordando, na década de 1950, em dividir a Argélia em dois Estados, entre si e os colonizadores brancos (‘les pieds-noirs')! Quem teria dito à liderança argelina 'não percam esta oportunidade histórica?'!" (Ilan Pappe, professor de ciência política na universidade de Haifa)2

A REALIDADE O plano da ONU era justo para ambos os lados e era um reflexo da mútua autodeterminação, tanto para árabes como para judeus, e é agora o consenso da opinião mundial. A PROVA Como a ONU concluiu quando dividiu a Palestina em 1947, é impossível basear qualquer solução dos problemas nas alegadas "origens históricas do conflito" ou nos "acertos e erros" apresentados de ambos os lados. A "premissa básica" da partição era de que "as reivindicações da Palestina por parte de árabes e judeus, ambas válidas, são irreconciliáveis". É útil fazer referência às conclusões da ONU, já que formam a base para o atual consenso internacional com relação à solução de dois Estados no caso do conflito palestino-israelense: 1. A premissa básica da proposta de partição é que as reivindicações de árabes e judeus pela Palestina, ambas possuindo validade, são irreconciliáveis e que, entre todas as soluções apresentadas, a partição fornecerá o acordo mais realista e praticável, e é a que tem mais probabilidade de estabelecer uma base de trabalho para satisfazer, em parte, às reivindicações e aspirações nacionais de ambas as partes. 2. É um fato que ambos os povos têm suas raízes históricas na Palestina e que ambos fazem contribuições vitais à vida econômica e cultural do país. A solução da partição leva em conta essas considerações. 3. O conflito básico na Palestina é um choque entre dois nacionalismos intensos. Independentemente das origens históricas do conflito, dos erros e acertos das promessas e contrapromessas e da intervenção internacional incidente ao mandato, há atualmente na Palestina cerca de 650 mil judeus e l milhão e 200 mil árabes que são diferentes no seu modo de vida e, por enquanto, separados por interesses políticos que tornam difícil uma cooperação política plena e eficaz.

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4. Apenas por meio da partição essas aspirações nacionais conflitantes podem encontrar uma expressão substancial e qualificar ambos os povos a tomar seus lugares como nações independentes na comunidade internacional e nas Nações Unidas,

Como mencionado anteriormente, a solução de dois Estados é também a premissa deste livro. Rejeito – como fez a Comissão Peel em 1937, como fizeram as Nações Unidas em 1947, como fez Ehud Barak em 2000 e a maior parte do mundo faz agora – as reivindicações extremistas de ambos os lados: rejeito a reivindicação extremista judaica de que "todo Grande Israel" deveria ser um Estado judeu e rejeito a reivindicação extremista árabe de que o Estado judeu, mesmo que "tivesse o tamanho de um selo do correio... não tem direito de existir".3 O atual consenso mundial apoia esta premissa: de que deveria haver dois Estados, um judeu e um palestino, existindo lado a lado. Não há consenso quanto ao tamanho relativo e quanto às fronteiras precisas entre os dois Estados, Mas o principio de uma solução de dois Estados é até mais aceito hoje do que era em 1947, já que a maioria dos Estados árabes e a Autoridade Palestina parecem aceitá-lo ao menos quando falam a terceiros. Aqueles que atualmente a rejeitam incluem uma pequena minoria de israelenses e judeus americanos à margem da sociedade israelense e judaica; os grupos terroristas palestinos, tais como Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmico e a Frente Popular para Libertação da Palestina, bem como os Estados da Síria, Ira e Líbia. (Em fevereiro de 2003 Tariq Aziz, o antigo vice-primeiroministro, recusou-se a admitir uma pergunta de um jornalista israelense numa entrevista aberta de imprensa em Roma.) Pelo fato de a solução de dois Estados ser a melhor esperança para a paz, a sua aceitação por Israel, primeira em 1937 e depois em 1948, associada à categórica e violenta rejeição dos Estados árabes, dos palestinos e virtualmente de todos os líderes muçulmanos – primeiro em 1937 e novamente em 1948 – é um componente central na questão a favor de Israel. Deve ser respondida por qualquer um que esteja procurando apresentar a questão contra Israel. A decisão de dividir a Palestina – ao menos a parte ainda não a locada a um emirado exclusivamente árabe, renomeada Transjordânia e depois Jordânia – em Estado judeu e árabe não foi um reflexo do colonialismo desacreditado ou do imperialismo do passado. Antes, estava entre os primeiros exemplos da nova autodeterminação que o presidente Woodrow Wilson e muitos outros progressistas advogavam. Desde a divisão da Palestina pela ONU em unidades políticas judaica e árabe, muitos novos Estados emergiram como resultado da autodeterminação, incluin-

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do vários Estados islâmicos. Alguns, como o Paquistão, resultaram de partições. Mas a autodeterminação da maioria judaica naquelas áreas da Palestina destinadas ao Estado judeu é - a única entre os novos Estados criados - caracterizada por alguns inimigos de Israel como colonialismo e imperialismo.4 Isso não passa de argumentação por slogans, apesar de nem o nome nem o slogan caberem nos fatos da história. O estabelecimento da Jordânia e a escolha do seu líder hashimita pelo governo britânico em 1923 foi um ato de imperialismo e colonialismo. A sua exclusão formal de todos os judeus foi um ato de flagrante racismo. Mas essas caracterizações são raramente ouvidas com relação à ilegítima certidão de nascimento daquela nação. A reivindicação judaica para governar a área da Palestina que lhe foi alocada pela ONU é certamente mais consistente com relação à autodeterminação do que as reivindicações hashimitas de governar a maioria da população palestina da Jordânia. Mas os criadores de slogans apontam a sua retórica mal dirigida apenas contra o Estado judeu. O ônus recai sobre eles para explicarem por quê.

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NOTAS

1. Numa entrevista no Ha'aretz com o jornalista Ari Shavit, "My right of return", 18 de agosto de 2000. 2. Numa entrevista com o jornalista belga Baudoin Loos, 'An interview of Ilan Pappe", Le Soir (Bélgica), 29 de novembro de 1999. 3. Faisal Bodi, "Israel surely has no right to exist", The guardian, 3 de janeiro de 2001. Essa opinião também é partilhada na Aliança Nacional Palestina de 1968. 4. V. capítulo 1.

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Os judeus eram uma minoria

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no território que se tornou Israel?

A ACUSAÇÃO O Estado judeu foi estabelecido na Palestina apesar do fato de os judeus constituírem apenas uma minoria do total da população palestina.

OS ACUSADORES "Os americanos recebem a maior parte da informação referente ao conflito israelense-palestino da mídia corporativa dominante, controlada, manipulada politicamente. Poucos têm a oportunidade de examinar a realidade da história que resultou nas tensões que existem no Oriente Médio. Poucos sabem que palestinos são, de todos os modos legítimos, a população nativa da área; que a terra agora ocupada pelos israelenses era propriedade dos palestinos; que 98% da população era árabe em 1870 e apenas 2% judaica; que em 1940 os palestinos representavam 69% da população, mesmo quando os judeus se aglomeravam na área, vindos da Europa, numa tentativa de escapar dos nazistas; que em 1946, o ano em que a ONU criou Israel sem a aprovação da população nativa, os palestinos representavam 65% e os israelenses menos de 35% dos 1.845.000 que viviam lá." (William A. Cook, professor inglês na Universidade de La Verne, Califórnia.)1 "Em 1947 havia 600 mil judeus e l milhão e 300 mil árabes palestinos. Assim, quando a ONU dividiu a Palestina, os judeus eram uma


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minoria (31% da população). Essa divisão, promovida pelas principais potências imperialistas-com apoio de Stalin - deu 54% da terra fértil ao movimento sionista." (Cecília Toledo, jornalista brasileira)2 "Vale notar que, mesmo após cinco décadas de limpeza étnica, ocupação e desalojamento, a relação demográfica entre palestinos (8,2 milhões) e judeus israelenses (4,5 a 5 milhões) ainda é a mesma que era em dezembro de 1947, que era (e ainda é) de 2 para 1 em favor ao povo palestino. Entretanto, para Israel manter o seu "Estado judeu" democrático, e sobretudo o seu "caráter judaico", optou por remover etnicamente 80% do povo

palestino

de

suas

casas,

fazendas,

negócios,

barcos,

bancos...

etc."

(www.PalestineRemembered.com em resposta à "propaganda dos sionistas israelenses [sic]" de que "os árabes rejeitaram a partição da Palestina em 1947 pela ONU e, conseqüentemente, atacaram o Estado judeu e perderam a guerra de 1948.")

A REALIDADE Os judeus eram uma significativa maioria naquelas áreas da Palestina destinadas pela ONU à formação de um Estado judeu. A PROVA Os advogados às vezes fazem um jogo com a demografia para apoiar as suas conclusões. Ao estimar a população árabe da Palestina na época da partição de 1947 pela ONU, advogados da causa árabe algumas vezes incluem a população do que hoje é a Jordânia, bem como do que hoje é a margem oeste e Gaza. Ao determinar a imparcialidade do plano de partição da ONU de 1947, quando a ONU dividiu a Palestina, a população palestina relevante da área é aquela atribuída ao Estado judeu em 1947. 3 Mesmo considerando essa população, as estimativas variam, mas a estimativa oficial da ONU era que a terra atribuída ao Estado judeu continha aproximadamente 538 mil judeus e 397 mil árabes (um número que incluía cristãos, beduínos, druzos e outros). Ninguém duvida de que, se tivesse havido um referendum sobre a Autodeterminação e separação, os residentes da área destinada pela ONU ao Estado judeu teriam votado em sua grande maioria a favor do que a ONU decretara. Em termos de divisão da terra, o Estado judeu teria recebido mais do que os árabes, apenas se considerarmos a totalidade do deserto 95


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do Negev, que era considerado não habitável e não-cultivável. Se o Negev for excluído ou substancialmente descontado, a terra disponível, alocada aos árabes, era maior do que aquela alocada aos judeus. Além disso, muito da terra alocada ao Estado judeu era originalmente um pântano e um deserto que tinha de ser irrigado e tornado fértil pelo trabalho e pelo investimento judeus. A terra alocada aos árabes também era contígua e próxima à Transjordânia, cuja população sempre foi predominantemente palestina, apesar de uma monarquia hashimita ter sido imposta à população pela Grã-Bretanha. A terra alocada aos judeus não incluía Jerusalém ocidental, que tinha uma maioria judaica, ou Hebron, duas das cidades mais sagradas e históricas do judaísmo. Jerusalém, com uma população de 100 mil habitantes deveria ser internacionalizada, mas isolada das áreas judaicas. Hebron deveria ser parte do setor árabe, sem presença judaica, apesar do fato de os judeus terem vivido lá por milhares de anos até que os massacres palestinos de mulheres, crianças e idosos judeus expulsaram a população judaica em 1929 e novamente em 1936. Pelo fato de a terra em que os judeus deveriam viver estar dividida em áreas nãocontíguas e separadas por terra árabe, seria difícil defendê-la ante a ameaça de um ataque árabe. Além de Jerusalém, também Safed estava isolada. Mesmo Tel Aviv poderia ser facilmente isolada por forças inimigas na estreita linha de cintura da área judaica, que media aproximadamente 9 milhas entre a área árabe e o Mediterrâneo. Mesmo assim, Israel rapidamente aceitou a partição da ONU e logo proclamou-se um Estado soberano. Os árabes rejeitaram a partição e atacaram o novo Estado pelo ar e por terra. O que sobrou do proposto Estado palestino depois de Israel ter repelido esses ataques foi rapidamente engolido pela Jordânia e pelo Egito. Se os árabes tivessem aceito a partição da ONU, teria havido um grande e contíguo Estado palestino ao lado de um Estado judeu. A solução de dois Estados, que é atualmente o consenso internacional, teria sido alcançada sem derramamento de sangue. Certamente quem agora aceita a solução de dois Estados deve atribuir a culpa por esta não ter sido implementada em 1947 (ou mesmo antes, em 1937) aos líderes árabes e palestinos que rejeitaram um Estado palestino quando este lhes foi oferecido. (Como veremos nos capítulos 16 e 17, um Estado palestino, com capital em Jerusalém, foi novamente oferecido em Camp David e em Taba, em 2000, e novamente rejeitado pelos palestinos, que não responderam à oferta apresentando uma contraproposta, mas aumentando os atentados suicidas contra civis israelenses.)

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NOTAS 1. "A World-Wide Intifada? Why?" Counterpunch, www.counterpunch.org/cook1207.html (visitado pela última vez em 6 de abril de 2003). 2. "Israel: Five decades of pillage and ethnic cleansing", Marxism Alive Website, www.marxismalive.org/israelfive3.html (visitado pela última vez em 6 de abril de 2003). 3. O mesmo seria verdadeiro a respeito da proposta da Comissão Peel. Norman G. Finkelstein, um polemista anti-sionista, argumenta que "as únicas comparações demográficas apropriadas são entre as populações árabe e judaica na Palestina toda e, discutivelmente, entre as populações árabe e judaica na região da Palestina que mais tarde se tornou Israel" (a ênfase é nossa). Said e Hitchens p. 65. Isso é falso. A fim de verificar a justiça da partição da ONU em 1947, a comparação relevante é entre as populações judaica e árabe na área alocada ao Estado judeu por essa partição. O fato de Israel ter ganho mais território depois de ter sido atacado pelos exércitos árabes e guerreiros palestinos não é relevante à justiça do plano de partição original.

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A vitimação dos palestinos por

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Israel foi a principal causa do conflito árabe-israelense?

A ACUSAÇÃO Israel é a causa do conflito árabe-israelense.

OS ACUSADORES "Não há simetria nesse conflito. Isso deve ser dito. Eu sinceramente acredito. Há um lado culpado e há vítimas. Os palestinos são as vítimas" (Edward Said)1

A REALIDADE

A rejeição árabe ao direito de existência de Israel tem sido há tempos a causa do problema.

A PROVA

A repetida rejeição pelo grão-mufti, pela Organização de Libertação da Palestina, pelo mundo árabe e pelo povo palestino da solução de dois Estados (ou Lar Nacional) de 1937, quando foi oficialmente proposta pela primeira vez, até recentemente, é a raiz do conflito. A razão para a rejei-


EM DEFESA DE ISRAEL

cão tem sido que a maioria dos líderes árabes e muçulmanos se preocupava mais em negar aos judeus o direito de autodeterminação naquelas áreas da Palestina onde eram uma maioria do que em exercer seu próprio direito à autodeterminação nas áreas de maioria muçulmana. Essa triste realidade é demonstrada pelas palavras de tantos líderes palestinos e árabes ao longo de muito tempo. Essa realidade vai além de uma disputa razoável. Quando a Comissão Peel questionou o grão-mufti, em 1937, ele não só se recusou a aceitar qualquer governo judaico autônomo, "poder político" ou "privilégio", mas categoricamente se recusou a "dar garantias para a segurança da população judaica no caso de um Estado árabe palestino". Isso tornava certo, evidentemente, que não haveria Estado palestino ou divisão federal. Depois de o grão-mufti concluir seu depoimento, o comitê "notou com Ironia": Não estamos questionando a sinceridade ou a humanidade das intenções do mufti e as de seus colegas, mas não podemos esquecer o que aconteceu recentemente, apesar das provisões dos tratados e garantias explícitas, à minoria assíria no Iraque; nem podemos esquecer que o ódio dos políticos árabes pelo Lar Nacional jamais foi escondido e que agora permeou a população árabe como um todo.2

Pouco mudou ao longo dos anos. A rádio oficial da Autoridade Palestina transmitiu um sermão em 30 de abril de 1999, no qual foi dito o seguinte: A terra da Palestina muçulmana é uma unidade que não pode ser dividida. Não há diferença entre Haifa e Shechem (Nablus), entre Lod e Ramallah e entre Jerusalém e Nazaré... a terra da Palestina é terra waqf sagrada para o beneficio de todos os muçulmanos, a leste e oeste. Ninguém tem o direito de dividi-la ou de entregar qualquer parte. A libertação da Palestina é obrigatória para todas as nações islâmicas e não apenas para a nação palestina.3

E, em 2002, o juiz superior do Muslim Trust em Jerusalém, indicado por Yasser Arafat, disse o seguinte: "Toda a Palestina é terra islâmica... Os judeus a usurparam... Não pode haver compromisso em terra islâmica".4 Uma fatwa proíbe mesmo a venda de qualquer terra palestina aos judeus, declarando-a como sendo "um ato de apostasia e rejeição do Islã". E é proibido, de acordo com alguns estudiosos islâmicos, aos judeus governar muçulmanos ou terra muçulmana.5 Em anos recentes as principais lideranças palestinas finalmente disseram – embora com certa ambiguidade e retrocesso – que aceitam a

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existência de Israel desde que retorne às fronteiras que os palestinos haviam previamente rejeitado pela violência. Mas muitos outros líderes árabes e palestinos ainda rejeitam a solução de dois Estados. Estes incluem não apenas os Estados que a rejeitam (tais como Síria, Irã e Líbia) e as organizações palestinas (tais como Hamas. Hezbollah e Jihad Islâmico), mas também importantes vozes dominantes que pretendem falar pelos palestinos. Essas vozes incluem o professor Edward Said, da Universidade de Columbia, que tentou colocar a sua rejeição categórica à existência de Israel em termos "politicamente aceitáveis" para secularistas: O único caminho razoável... é recomendar que os palestinos e os que os apoiam renovem a luta contra o principio fundamental que relega "não-judeus" à subserviência na terra da Palestina histórica... Somente se a inerente contradição entre o que, de fato, é um exclusivismo teocrático e étnico por um lado e a genuína democracia do outro for enfrentada, pode haver alguma esperança de reconciliação e paz em Israel/Palestina.6

O que Said deixa de mencionar é que cada Estado muçulmano e árabe, incluindo a Autoridade Palestina, relega os judeus a uma posição muito inferior àquela de não-judeus no dominantemente secular Israel. Said também sugere que a alternativa para Israel seria uma "genuína democracia", sem reconhecer que nenhum Estado árabe ou islâmico, incluindo a Autoridade Palestina, chega perto de ser tão democrático quanto Israel. Apesar de Israel ser de longe o Estado menos teocrático e mais democrático no Oriente Médio – tanto por lei como pela prática –, Said considera Israel particularmente condenável, como se fosse o único Estado na região a elevar uma religião acima de uma outra. O ônus da explicação por esse duplo padrão de julgamento recai apenas sobre ele. Recentes levantamentos de opinião pública realizados por organizações de pesquisa de opinião palestinas também mostraram que uma maioria de palestinos não aceita a solução de dois Estudos. Numa pesquisa, 87% eram a favor da "libertação total da Palestina".7 Mesmo Yasser Arafat – que durante muito tempo rejeitou a solução de dois Estados, depois parecia aceitá-la – tem sido ambíguo. Depois de assinar os acordos de Oslo, que contemplavam uma eventual solução de dois Estados, Arafat foi surpreendido fazendo a seguinte declaração a líderes árabes no Grand Hotel de Estocolmo: Nós da OLP concentraremos agora todos os nossos esforços para dividir Israel psicologicamente em dois campos... Dentro de cinco anos teremos 6 a 7 milhões de árabes vivendo na margem ocidental e em Jerusalém. Todos os árabes palestinos serão bem-vindos por nós. Se os judeus po-

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dem importar todo tipo de etíopes, russos, uzbeques e ucranianos como judeus, nós podemos importar todos os tipos de árabes... [A OLP planeja] eliminar o Estado de Israel e estabelecer um Estado puramente palestino. Tornaremos a vida impossível para os judeus através de guerra psicológica e explosão populacional; os judeus não vão querer viver no meio de árabes.8

Isso era plenamente compatível com as opiniões expressas antes por Abu Iyad, um dos principais assessores de Arafat: "De acordo com o plano Phased, estabeleceremos um Estado palestino em qualquer parte da Palestina da qual o inimigo se retirar. O Estado palestino será um passo em nossa prolongada luta pela libertação da Palestina em todos os seus territórios".9 Quaisquer que sejam as opiniões atuais de palestinos e árabes, não se discute que até recentemente a rejeição da solução de dois Estados era virtualmente unânime entre palestinos e árabes. Nem se discute que essa rejeição, durante tantos anos e tantas oportunidades de compromisso perdidas, contribuiu muito para o derramamento de sangue.

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NOTAS 1. Entrevista no Há’aretz com Ari Shavit, "My right to return", 18 de agosto de 2000. 2. Elpeleg, pp. 45-46. 3. Discussão irradiada pela rádio da Autoridade Palestina em 30 de abril de 1999; liberada em relatório do escritório do primeiro-ministro de Israel e citado no Boston Globe, 30 de junho de 2002. 4. Citado por Nissim Ratzlav-Katz, "*Joseph’s inheritance", National Review, 8 de agosto de 2002; e Charles A. Radin "Sacred sites caught in historie conflict", Boston Globe, 30 de junho de 2002. 5. V. capítulo 16. 6. "Fifty years of dispossession", Al Ahram Weekly, 7 a l 3 de maio de 1998. 7. New York Times, 18 de maio de 2002. 8. Como citado por Yedidya Atlas, "Arafat's secret agenda is to wear Israelis out", Insight on the News, 1º de abril de 1996, p. 16. O incidente foi originalmente noticiado pelo diário norueguês Dagen e amplamente citado depois. 9. Como citado pelo senador Warren Rudman, numa audiência do Subcomitê de Comercio, Justiça, Estado e Judiciário do Comitê de Verbas do Senado em 13 de abril de 1989.

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A guerra da independência

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de Israel foi uma agressão expansionista?

A ACUSAÇÃO A guerra da independência de Israel foi uma agressão expansionista iniciada por Israel.

OS ACUSADORES "Para mostrar Israel como vítima, a narrativa sionista alega que exércitos árabes do Egito, da Síria e da Jordânia atacaram Israel no dia seguinte à sua criação, em 14 de maio de 1949 [sic]." "Os árabes estavam atacando um Estado estabelecido com um direito histórico, moral e legal sobre a Palestina ou estavam apenas defendendo-se - defendendo suas terras, seus lares, seus direitos históricos - contra uma ocupação estrangeira apoiada sucessivamente por duas potências imperialistas, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos?" "Em 1948 os árabes fizeram o que, não duvido, os americanos teriam feito: defenderam-se contra uma invasão estrangeira." (M. Shahid Alam)1

A REALIDADE Israel defendeu-se contra uma guerra de extermínio genocida.


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A PROVA Assim que Israel declarou a sua independência, o Egito, a Jordânia, a Síria, o Iraque e o Líbano o atacaram, com ajuda da Arábia Saudita, do Iêmen e da Líbia, Exércitos árabes, com a ajuda de terroristas palestinos, estavam determinados a destruir o novo Estado judaico e exterminar a sua população. O primeiro ataque contra Israel veio pelo ar. A força aérea egípcia bombardeou o maior centro civil israelense, a cidade de Tel Aviv. Um relatório da Associated Press, de 17 de maio de 1948, descrevia o ataque: "Aviões árabes atingem Tel Aviv, Tiberíades; invasores atacando postos avançados judeus". Na verdade, como em cada ataque árabe anterior contra os judeus, desde que os primeiros refugiados chegaram à Palestina – e mesmo antes –, os alvos eram civis inocentes. "Despachos das capitais árabes disseram que os exércitos de invasão de cinco nações árabes atacavam as colônias judaicas na Palestina com aviões e artilharia." O artigo continuava descrevendo o bombardeio de lares de civis judeus. "Um colonizador judeu que chegou a Haifa forneceu este relato da luta na área da Galiléia: aviões inimigos atacaram Ashdot Yaacov, Afikim e Ein Geg, bem como Tiberíades. Ein Geg foi bombardeada dos morros além do Jordão." A Haganah [defesa], o exército dos cidadãos israelenses, "reivindicou ter matado 200 soldados inimigos em Malikya, na fronteira libanesa, dentro do Estado judeu".2 Os ataques aéreos egípcios persistiram e civis foram mortos, especialmente num ataque aéreo que tinha como alvo a estação central de ônibus em Tel Aviv. Esforços também foram feitos para bombardear a cidade por terra. A inexperiente força aérea israelense respondeu alvejando instalações militares dentro e ao redor de Ama e Damasco, sem matar civis. O modelo das lutas passadas e futuras estava assim estabelecido: os árabes alvejariam áreas civis – cidades, vilarejos, kibutzim e moshavim – procurando matar tantas crianças, mulheres, idosos e outros civis desarmados quanto possível ao passo que os israelenses responderiam alvejando soldados, equipamento militar e outros alvos legais. Os ataques militares que tem civis como alvo violam a lei internacional e a lei da guerra, mas esses sempre têm sido e continuam sendo os alvos escolhidos não apenas por terroristas árabes e guerrilhas, mas também pelos exércitos constituídos da Jordânia, do Egito, da Síria e do Iraque. Esse é simplesmente um fato histórico, e nenhum historiador militar razoável tentou negá-lo. Como veremos nos capítulos 13 e 20, as tropas regulares de Israel não responderam alvejando centros populacionais árabes, como Amã, 104


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Damasco e Cairo, apesar de essas cidades terem estado bem ao alcance da força aérea de Israel. O exército de Israel como qualquer outro exército no mundo, matou civis ao atacar alvos militares, especialmente porque os exércitos árabes e grupos terroristas muitas vezes escondem e protegem seus alvos militares por deliberadamente os cercarem de escudos civis. Por outro lado, Israel tem suas bases militares isoladas tanto quanto possível dos seus centros de população civil. Existe, evidentemente, uma enorme diferença em moralidade, bem como na lei entre alvejar expressamente civis, como os árabes têm feito há tempo, e atingir civis colateralmente, que se encontram próximos a alvos militares apropriados que oferecem um perigo contínuo. O primeiro é um crime contra a humanidade, absolutamente proibido pela lei internacional. O segundo é permissível sob as leis da guerra desde que a resposta seja proporcional e razoável e esforços sejam feitos no sentido de minimizar as inevitáveis perdas de civis. A guerra da independência de Israel foi iniciada pelos árabes, cujo objetivo expresso era o genocídio. "Assassinem os judeus" e "Joguem os judeus ao mar" eram os gritos de guerra dos exércitos invasores. O exército árabe de libertação era comandado por Fawzi alQawuqji, que havia passado os anos de guerra na Alemanha, irradiando a mensagem nazista para o mundo árabe. Outros antigos defensores do nazismo também participaram dessa guerra de extermínio contra os judeus, muitos dos quais eram sobreviventes do Holocausto, Os meios iniciais escolhidos eram alvejar os civis por meio de "grandes ataques terroristas urbanos, provavelmente preparados com a aprovação pessoal de Husseini".3 Os exércitos árabes também massacraram civis mesmo depois de esses se renderem. Eles repetida e deliberadamente atiraram bombas sobre centros de população civil, longe de qualquer legítimo alvo militar. O "principal fabricante de bombas de Husseini, Fawzi iil-Katab, havia aprendido seu ofício num curso da SS na Alemanha nazista".4 O objetivo era terminar o trabalho que Hitler havia iniciado: "Esta será uma guerra de extermínio".5 Mas o professor Edward Said insiste em chamar o ataque de 1947-1948 contra Israel de "a guerra palestina bicomunal!"7 Com grande custo em vidas humanas – Israel perdeu 1% da sua população total –, o despreparado exército de Israel derrotou os exércitos árabes invasores e os atacantes palestinos. Ganharam em grande parte porque, como Morris argumenta, seus valores eram muito mais fortes. Eles tinham o "estímulo que aumenta a disposição moral" de lutar pelo seu próprio lar e seus campos (em muitos casos literalmente) e na defesa dos seus entes queridos. Além disso, como durante a primeira metade "civil" da guerra, os judeus sentiam que enfrentariam uma ma-

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tança se fossem derrotados. Com a memória do Holocausto ainda viva em suas mentes, as tropas da Haganah estavam imbuídas de ilimitada motivação.7

Por outro lado, os soldados árabes estavam envolvidos numa guerra agressiva, longe de casa, e por uma "causa algo abstrata"8 Ao derrotar os exércitos árabes, Israel conquistou mais terra do que lhe havia sido concedida pela partição da ONU. Grande parte da terra recém-conquistada tinha uma significativa população judaica e também colônias, como na Galiléia ocidental. Essa terra tinha de ser conquistada para garantir a segurança dos seus residentes civis judeus. Os egípcios e Jordanianos também conquistaram terra, mas pela simples razão de aumentar o seu território e de controlar seus residentes palestinos. De fato, ao final da guerra, de acordo com Morris, o "plano de guerra árabe mudou... para uma tomada de terra visando as áreas árabes do país. Os "planos" árabes em andamento deixaram de atribuir o que quer que fosse aos palestinos ou de considerar suas aspirações políticas".9 Uma parte importante do plano árabe era completar a "marginalização" dos palestinos.10 Os jordanianos queriam a margem ocidental e os egípcios queriam a faixa de Gaza. Ninguém queria um Estado palestino independente. Ninguém pode culpar Israel pela decisão egípcia e jordaniana de ocupar terras alocadas aos palestinos para um Estado e por negar aos palestinos o direito à autodeterminação nessas terras. Esses são fatos históricos incontroversos não sujeitos a uma discussão razoável, mas omitidos pelas pseudo-histórias pró-palestinos do período. A ocupação da Palestina pela Jordânia e pelo Egito jamais foi condenada pela ONU nem foi alvo de expressão de preocupação dos grupos de direitos humanos. De fato, nem os palestinos fizeram grandes protestos.

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NOTAS 1. "Zionist theses and anti-theses", THE Palestine Chronicle, 27 de novembro de 2002; www.palestinechronicle.com/article.php?story=2002112719193028 (visitado pela última vês em 7 de abril de 2003). 2. Relatório da Associated Press publicado no The Morning Call Allentown. Pa., em 17 de maio de 1948. 3. Morris, p. 201. 4. Ibid. 5. Ibid., p.219. 6. Said e Hitchens, p. 266. 7. Morris, p. 233. 8. Ibid. 9. Ibid., p. 221. 10. Ibid., pp. 221-222.

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refugiados árabes?

A ACUSAÇÃO Israel criou o problema dos refugiados árabes.

OS ACUSADORES "O Estado de Israel foi estabelecido como um projeto colonial patrocinado por várias potências coloniais, por diferentes motivos. Por não ser possível estabelecer um Estado judeu na Palestina sem expulsar a população nativa, que constituía a maioria da população, a guerra de 1948 ensejou uma cobertura para a sua ampla e sistemática expulsão." (Azmi Bishara, membro do Knesset de Israel,)1 Shavit: "E, em 1948, a responsabilidade moral pela tragédia palestina daquele ano recai apenas sobre os judeus? Os árabes não têm também parte da culpa?" Said: "A guerra de 1948 foi uma guerra de desalojamento. Naquele ano aconteceu a destruição da sociedade palestina, a substituição dessa sociedade por uma outra, e a expulsão daqueles que eram considerados indesejáveis – os que estavam no caminho. Para mim é difícil dizer que toda a responsabilidade está de um lado. Mas a parte do leão na responsabilidade pelo despovoamento de cidades e sua destruição definitivamente está com os judeus sionistas. Yitzhak Rabin expulsou os 50 mil habitan-


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tes de Ramia e Lydda, de modo que, para mim, é difícil ver outro como responsável por isso. Os palestinos só eram responsáveis por estar lá". (Edward Said)2 "Os israelenses fizeram uma 'limpeza étnica' durante a guerra de 1947-1948. 'Ninguém acredita' na pretensão sionista de que líderes árabes 'disseram aos palestinos para sair... Ninguém mais nem afirma isso'. Benny Morris mostrou que a população árabe 'foi expulsa' pelos israelenses." (Noam Chomsky)3 A REALIDADE O problema foi criado por uma guerra iniciada pelos árabes. A PROVA A guerra agressiva desfechada contra Israel em 1947 e 1948 pelos exércitos palestinos e árabes não só tirou terra dos palestinos, mas também criou o primeiro problema dos refugiados. Enquanto os exércitos árabes procuravam matar civis judeus e, de fato, massacraram muitos que tentaram fugir o exército de Israel permitiu que civis árabes fugissem para áreas controladas pelos árabes. Por exemplo, quando o Sexto Batalhão da Legião Árabe conquistou Kfar Etzion, eles não deixaram nenhum refugiado judeu. Os habitantes renderam-se e caminharam, com mãos ao alto, para o centro da vila. Morris relata que os soldados árabes simplesmente os "dizimaram".4 Os soldados massacraram 120 judeus; 21 deles eram mulheres. Isso fazia parte de uma política árabe geral: "Judeus tomados como prisioneiros durante as batalhas geralmente eram executados ou frequentemente mutilados pelos seus apreensores".5 É precisamente porque o exército de Israel, ao contrário dos árabes, não matou civis deliberadamente, que surgiu o problema dos refugiados.6 Vários problemas distintos, apesar de sobrepostos, de refugiados foram criados pelo ataque árabe sobre Israel em 1947 e 1948. O primeiro foi criado entre dezembro de 1947 e março de 1948, durante os ataques dos palestinos nos meses antes da invasão dos exércitos pan-árabes. De acordo com Benny Morris, historiador bastante crítico em relação a Israel e aos sionistas e especialista no problema dos refugiados, "os Yishuv [os judeus da Palestina que em breve iriam tornar-se israelenses] estavam na defensiva e os árabes das classes alta e média fugiram - algo como 75

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mil". Morris descreveu como as famílias que tinham meios para mudar para o Cairo, Amã ou Beirute o fizeram, esperando retornar como haviam feito depois da violência do fim da década de 1930. Entre aqueles que saíram estavam "muitos dos líderes políticos e/ou suas famílias... incluindo a maioria dos membros do Comissariado Árabe e do Comitê Nacional de Haifa". Estes notáveis, de acordo com Morris, "poderiam ter temido uma Palestina governada por Husseini" tanto quanto estavam preocupados com o domínio judaico. Morris destacou que o conflito árabe-judaico era apenas parte de "um colapso mais amplo da lei e da ordem na Palestina depois da resolução de partição da ONU". Os serviços públicos entraram em colapso depois da saída dos britânicos e sua substituição por "tropas irregulares árabes que extorquiam dinheiro de famílias prósperas e ocasionalmente maltratavam pessoas nas ruas".7 O segundo problema dos refugiados começou quando a Haganah, o exército judeu oficial de defesa, começou a ganhar a ofensiva entre abril e junho de 1948. Uma vez capturadas Haifa e Jafa pelos israelenses, começou um efeito dominó, com a fuga das cidades levando à fuga das aldeias circunvizinhas, o que, por sua vez, levou à fuga de outras aldeias. Ao contrário da caracterização de Noam Chomsky sobre as conclusões de Morris – Chomsky afirma que Morris não acredita que quaisquer lideres árabes "tenham dito aos palestinos para sair" –, Morris na verdade afirma que: Em algumas áreas os comandantes árabes ordenaram aos habitantes das aldeias que evacuassem a área, para deixarem-na livre para fins militares ou para impedir a rendição. Mais de meia dúzia de aldeias – ao norte de Jerusalém e na baixa Galiléia – foram abandonadas durante esses meses como resultado de tais ordens. Em outros lugares, a leste de Jerusalém e em muitas aldeias peto país, os comandantes [árabes] ordenaram que mulheres, idosos e crianças fossem mandados embora, que saíssem do caminho. De fato. a preparação psicológica para a remoção dos dependentes do campo de batalha havia começado em 1946-1947, quando o Alto Comissariado Árabe e a Liga Árabe tinham endossado periodicamente tal movimento ao contemplarem a guerra futura na Palestina.8

Morris estima que entre dois e três mil árabes fugiram de seus lares durante essa fase da luta iniciada por seus líderes. Novamente, ao contrário da caracterização de Chomsky, do ponto de vista de Morris, durante a primeira fase "não havia política sionista para expulsar os árabes ou intimidá-los ai fugir", apesar de alguns certamente terem ficado felizes de vê-los partir. Durante o segundo estágio

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também "não havia uma política abrangente de expulsão",9 mas as ações militares da Haganah certamente contribuíram para a fuga. Tal fuga dos campos de batalha ocorre na maioria das guerras, quando o lado vencedor o permite, em vez de procurar matar aqueles que tentam fugir, como fizeram os árabes. Há pouca dúvida de que se os exércitos árabes tivessem capturado cidades judaicas não teriam permitido aos civis fugir para outras cidades judias. Eles os teriam massacrado para impedir a criação de um problema de refugiados judeus no Estado árabe que esperavam resultasse de uma vitória árabe. O grão-mufti declarou uma "guerra santa" e deu ordem a seus "irmãos muçulmanos" para "assassinar os judeus, assassiná-los todos".10 Não deveria haver sobreviventes nem refugiados. A posição do grão-mufti sempre tinha sido de que uma Palestina Árabe não podia absorver nem mesmo 400 mil judeus.11 Em 1948 a população judaica passava de 600 mil. O extermínio, não a criação de uma difícil população de refugiados, era o objetivo do ataque árabe contra populações civis judaicas. Como o secretário-geral da Liga Árabe, Abd al-Ahlman Azzah Pasha disse claramente: "Esta será uma guerra de extermínio e de massacres monumentais, da qual se falará como dos massacres mongóis e das cruzadas". O porta-voz do grão-mufti, Ahmad Shukeiry clamou pela "eliminação do Estado judeu" com relação aos objetivos do ataque árabe. Não se falava, nem havia planejamento, sobre uma grande população de refugiados judaicos no caso de uma vitória árabe. "Não importa quantos [judeus] existem. Nós os jogaremos no mar", proclamou o secretário-geral da Liga Árabe.12 Os judeus entenderam perfeitamente que "estariam diante de uma matança, caso fossem derrotados".13 Israel, por outro lado, estava preparado para dar plena cidadania a qualquer número de árabes remanescentes no Estado judeu. Apesar de muitos judeus certamente preferirem uma minoria árabe mais reduzida, as organizações Judaicas oficiais não tomaram atitudes para assegurar uma redução geral da população árabe, apesar de os comandantes militares israelenses terem ordenado a evacuação de várias aldeias hostis que haviam servido de base para unidades árabes irregulares, que estavam impedindo o acesso à estrada principal para Jerusalém e que "eram uma permanente ameaça tanto para as comunicações Norte-Sul como Leste-Oeste (Te! Aviv-Jerusalém)"14 Apesar de não ser a política da Haganah incentivar a fuga de árabes locais, isso certamente parece ter sido a política do Irgun (ou Etzel), a ala paramilitar do movimento revisionista liderado por Menachem Begin, e do Lechi (ou grupo Stern), liderado por Yitzhak Shamir. Em 9 de abril de 1948, unidades paramilitares lutaram numa difícil batalha peio controle

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de Deir Yassin, uma importante aldeia árabe no caminho para Jerusalém. A batalha foi feroz, com as forças do Etzel e do Lechi perdendo mais de um quarto de seus combatentes. Os combatentes judeus estavam bloqueados pelo fogo de atiradores de elite e jogaram granadas pelas janelas de muitas casas. A maioria dos habitantes fugiu. Um carro blindado do Etzel com alto-falantes exigiu que os civis remanescentes depusessem as suas armas e deixassem as suas casas. Morris relata que "o carro ficou atolado numa valeta"15 e que u mensagem não foi ouvida. A luta continuou e, quando terminou, 100 a 110 árabes estavam mortos.16 Muitos dos mortos eram mulheres, porque os guerreiros árabes vestiam-se de mulheres e atiravam nos israelenses que haviam "se rendido"17 – uma tática empregada por alguns iraquianos em 2003. Algumas crianças e alguns idosos também foram mortos. Apesar de ter havido, e continuar havendo, uma considerável disputa em torno das circunstâncias dessas mortes, o acontecimento foi chamado de massacre e, à medida que a notícia se espalhava, contribuiu para a fuga dos árabes das aldeias circunvizinhas. "Cada um tinha um interesse" em divulgar e exagerar o número de pessoas mortas e a brutalidade das matanças. O lado árabe queria desabonar os judeus argumentando – com bastante hipocrisia à luz de sua própria política de deliberada mente massacrar civis ao longo das décadas – que os judeus eram piores do que eles. Os britânicos também queriam desabonar os judeus. Etzel e Lechi queriam "provocar o terror e amedrontar os árabes para que fugissem". E a Haganah queria "manchar" o Etzel e o Lechi.18 A Haganah e a Agência Judaica – os órgãos oficiais do futuro Estado – imediatamente condenaram o massacre e os que haviam participado dele. Uma nota formal de desculpas e explicações foi enviada ao rei Abdullah. De fato, o massacre de Deir Yassin certamente contribuiu para a controvertida decisão de Ben-Gurion – o primeiro primeiro-ministro de Israel – de desarmar, pela força, esses grupos paramilitares em junho de 1948. Mas o efeito de Deir Yassin e da publicidade em torno disso foi certamente o de provocar mais fugas dos árabes. Alguns líderes palestinos na realidade fizeram circular falsos boatos de que mulheres haviam sido violentadas. Quando confrontado com a realidade de que isso não havia acontecido, Hussein Khalidi, um líder palestino, disse: "Temos que dizer isto, de modo que os exércitos árabes venham para nos libertar dos judeus".19 Hazam Nusseibi, que, na época, era um jornalista, declarou à BBC anos depois que a deliberada invenção das acusações de estupro "foi o nosso maior erro... tão logo ouviram que mulheres haviam sido violentadas em Deir Yassin, os palestinos fugiram aterrorizados".20

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Deir Yassin destaca-se na história do conflito árabe-judaico na Palestina precisamente porque era tão fora do comum e não característico dos judeus. Nenhum massacre árabe de judeus tem esse status porque são numerosos demais para serem listados. Mas cada criança árabe na escola e cada divulgador sabe e fala de Deir Yassim, enquanto poucos mencionam Hebron, Kfar Etzion, o hospital Hadassah, Safed e os muitos outros futuros massacres árabes bem planejados contra os judeus, exceto quando extremistas orgulhosamente os assumem como mérito próprio. Os árabes vingaram a agressão sofrida pelo massacre de Deir Yassin, não atacando os responsáveis por tê-lo praticado – alvos militares do Etzel ou do Lechi –, mas cometendo deliberadamente um massacre muito mais premeditado por sua conta. Num bem planejado ataque, quatro dias depois de Deir Yassin, as forças árabes fizeram uma emboscada contra um comboio civil de médicos, enfermeiras, professores de escola de medicina e pacientes que se dirigia ao hospital Hadassah para tratar dos doentes, assassinando setenta deles. Para assegurar-se de que não havia sobreviventes, os atacantes árabes cobriram os ônibus e carros do pessoal médico com gasolina "incendiando-as".21 Não foram oferecidas desculpas ou explicações por esse massacre cuidadosamente planejado de não-combatentes médicos. As forças de Israel não se vingaram pelo massacre de Hadassah alvejando civis árabes. Saíram atrás daqueles assassinos armados que perpetraram o ataque. Deir Yassin permaneceu uma mancha isolada, apesar de trágica e imperdoável, das ações paramilitares israelenses na defesa de sua população civil 22 enquanto o alvejamento deliberado de civis permaneceu – e ainda permanece – como política dos grupos terroristas palestinos, bem como de muitos governos árabes. Uma outra fase do problema dos refugiados árabes aconteceu quando a Haganah ganhou a batalha de Haifa em fins de abril de 1948. De acordo com Morris; "Os líderes árabes, preferindo não render-se, anunciaram que eles e a sua comunidade pretendiam evacuar a cidade, apesar de um pedido do prefeito judeu para que ficassem". 23 De modo similar, em Jafa, a feroz luta com muitas perdas judaicas causou pânico entre a população árabe da cidade e muitos fugiram. Morris escreve que "o comportamento dos militares árabes de Jafa também contribuiu: eles saquearam as casas vazias e ocasionalmente roubaram e abusaram dos habitantes remanescentes". Quando visitou Jafa depois da luta ter arrefecido, David Ben-Gurion escreveu no seu diário "Eu não consegui entender. Por que os habitantes... saíram?"24 Evidentemente Jafa permaneceu uma cidade árabe e, atualmente, a sua população inclui milhares de árabes. Haifa permaneceu uma cidade

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mista, cuja população atual também inclui milhares de árabes. Algumas outras cidades e aldeias das quais os árabes fugiram permanecem mistas atualmente, enquanto outras não viram um retorno da população árabe. Morris, que é um crítico feroz da história tradicional de Israel com relação ao assunto dos refugiados, resume o problema causado pelo ataque palestino e pan-árabe: "O problema dos refugiados palestinos nasceu da guerra, não foi planejado... A liderança árabe dentro e fora da Palestina provavelmente ajudou a precipitar o êxodo... Não há evidência de uma mão dirigente ou de um controle central". 25 Morris afirma que durante os primeiros meses a fuga das classes média e alta das aldeias despertou pouco interesse árabe".26 Parecia uma repetição do êxodo que havia tido lugar nos motins dos fins da década de 1930 e os Husseinis "provavelmente estavam felizes porque muitas dessas famílias ricas, ligadas à oposição, estavam partindo".27 Morris salienta que "nenhum governo árabe fechou suas fronteiras ou de alguma outra forma tentou deter o êxodo".28 Finalmente, Morris nota que esses refugiados seriam utilizados durante os anos seguintes pelos Estados árabes como um importante penhor político e de propaganda contra Israel. A memória ou memória vicária de 1948 e das décadas subsequentes de humilhação e privação nos campos de refugiados afinal transformaria gerações de palestinos em terroristas ativos ou em potencial e o "problema palestino" em um dos mais intratáveis do mundo.29

Nos seus discursos públicos Noam Chomsky descaracteriza as conclusões de Morris dizendo às suas audiências que Morris não alega – de fato, Chomsky diz que, atualmente, ninguém alega – que os líderes árabes contribuíram para a fuga dos palestinos. Ele afirma (erradamente) que Morris coloca toda a culpa em Israel, que jamais "houve tais chamados" pelos líderes árabes e que essa história era "propaganda sionista" que foi "abandonada há quase 15 anos" e "na qual ninguém acredita".30 A verdade, evidentemente, é que Morris realmente conclui que alguns "comandantes árabes ordenaram a evacuação das aldeias" e que a Liga Árabe "periodicamente havia endossado esse movimento". Morris, e outros historiadores como Chomsky, considera a responsabilidade da criação do problema dos refugiados de ambos os lados e conclui que nenhum lado deliberadamente o causou "intencionalmente", mas que "a liderança árabe dentro e fora da Palestina ajudou a precipitar o êxodo" – uma conclusão, assegura Chomsky à sua audiência, "na qual ninguém acredita", especialmente Morris. É sempre importante verificar as fontes citadas por Chomsky, especialmente quando discute sobre Israel.

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Nas suas memórias de 1972, o antigo primeiro-ministro da Síria, Khalid al-Azim, pôs toda a culpa pelo problema dos refugiados sobre os árabes: Desde 1948 somos nós que exigimos o retorno dos refugiados... enquanto fomos nós que os fizemos sair... Trouxemos a desgraça sobre... refugiados árabes por convidá-los e fazendo pressão sobre eles para saírem... Transformamo-los em miseráveis... Acostumamo-los a esmolar... Participamos na redução de seu nível moral e social... Depois exploramo-los na execução de crimes de assassinato, incêndios e de arremesso de bombas sobre... homens, mulheres e crianças – tudo isso a serviço de fins políticos.31

Mesmo Mahmoud Abbas (Abu Mazen), o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, acusou os exércitos árabes de terem abandonado os palestinos depois de os "terem forçado a emigrar e a deixar sua pátria e os jogaram em prisões similares a guetos nos quais os judeus costumavam viver".32 Outras fontes simpatizantes da causa árabe concordam. Em 1980 o Comité Nacional Árabe, em Haifa, escreveu um memorando aos Estados árabes que incluía o seguinte: "A remoção dos habitantes árabes... foi voluntária e foi executada a nosso pedido. A delegação árabe orgulhosamente solicitou a evacuação dos árabes e sua remoção para os países árabes vizinhos... Estamos muito contentes em poder afirmar que os árabes guardaram a sua honra e as tradições com orgulho e grandeza".33 E um relatório de pesquisa feita pelo Instituto para Estudos Palestinos, subvencionado pelos árabes, concluiu que a maioria dos refugiados árabes não foi expulsa e que 68% deles "saíram sem ver um soldado israelense". 34 No mínimo, o problema é demasiadamente complexo e multifacetado para permitir apontar apenas para uma direção. Existe alguma disputa sobre o número total de árabes que deixaram as suas cidades, aldeias e vilarejos como resultado dos ataques palestinos e árabes sobre os judeus. Há ainda maior discordância sobre a proporção dos que partiram por sua vontade, foram expulsos, ou ouviram dos árabes que deveriam partir. Também há considerável discordância sobre quanto tempo muitos desses refugiados realmente tinham vivido nas áreas das quais saíram. E há pouca concordância sobre quantos árabes, que atualmente se denominam refugiados da guerra de 1947-1948, realmente pertencem a essa categoria. A maioria dos estudiosos tem calculado o número total de refugiados árabes dos ataques palestino-árabes de 1947-1948 entre 472 mil e 750 mil. O mediador da ONU na Palestina calculou apenas 472 mil, dos

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quais 360 mil necessitaram de ajuda.35 A contagem oficial de Israel foi de 520 mil. Morris considera 700 mil. Os palestinos chegaram ao total de 900 mil. Qualquer que seja o número real, é impossível subdividir esse número total em voluntários, obrigados ou alguma combinação de fatores. Como Morris conclui: "A criação do problema era quase inevitável, dada a mistura geográfica das populações, a história da hostilidade árabe-judaica desde 1917, a rejeição, por ambos os lados, de uma solução binacional [diferente de uma solução de dois Estados] e a profundidade da animosidade árabe aos judeus e receios de cair sob o governo judaico".36 Dito de outro modo, a última coisa que muitos árabes desejavam era permanecer como cidadãos de minoria no Estado judeu de Israel nas aldeias e nos lares que haviam abandonado. O reivindicado direito ao retorno jamais contemplou o seu retorno como grupo de minoria, com base em qualquer desejo pessoal de viver numa determinada cidade ou casa no Estado de Israel. O direito ao retorno sempre contemplou o regresso como grupo majoritário de modo a eliminar o Estado judeu e viver num Estado muçulmano. Em 4 de agosto de 1948, Emile Ghoury, secretário do Alto Comissariado Árabe, declarou ao Beirut Telegraph que "é inconcebível que os refugiados devessem ser mandados de volta aos seus lares enquanto esses estão ocupados pelos judeus... serviria de primeiro passo na direção do seu reconhecimento de Israel".37 Pouco tempo depois, o ministro do Exterior egípcio reconheceu que "é bem sabido e entendido que os árabes, ao exigirem o retorno dos refugiados a Palestina, consideram o seu retorno como donos de sua pátria e não como escravos. Mais explicitamente: eles pretendem aniquilar o Estado de Israel".38 Em outras palavras, os refugiados não eram fundamentalmente uma preocupação humanitária, mas uma tática política desenvolvida para produzir a pretendida destruição de Israel. Certamente ninguém esperaria que Israel facilitasse seu próprio politicídio. Quanto ao tempo em que esses refugiados realmente viveram nas aldeias e cidades que abandonaram, o próprio Morris documenta que como resultado de "processos econômicos e sociais que haviam iniciado em meados do século XIX [bem antes da primeira Aliyah] grandes partes da população rural [haviam] ficado sem terra" antes dos acontecimentos de 1947-1948:39 Conseqüentemente, havia uma constante e crescente mudança populacional do interior para barracos e favelas urbanos; em algum grau isso levou a uma separação física e psicológica da terra. [Eles também] perderam seus meios de sustento. Para alguns o exílio pode ter vindo como uma opção atraente, pelo menos até que a Palestina se acalmasse.40

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EM DEFESA DE ISRAEL

A ONU, reconhecendo que muitos dos refugiados não haviam vivido muito tempo nas aldeias que abandonaram, tomou uma invulgar decisão de mudar a definição de refugiado – apenas com a finalidade de definir quem é um refugiado árabe de Israel – para incluir qualquer árabe que tivesse vivido em Israel por dois anos antes de partir.41 Além disso, um árabe era considerado refugiado se ele se mudasse a apenas algumas milhas de uma parte da Palestina para outra – mesmo se ele retornasse à aldeia em que havia vivido antes e na qual a sua família ainda vivia, saindo de uma aldeia para a qual se mudara apenas dois anos antes. De fato, um número significativo de refugiados palestinos simplesmente mudou de uma parte da Palestina para outra. Alguns preferiram viver numa área controlada pelos árabes e não pelos judeus, assim como os judeus que haviam vivido em cidades que caíram sob controle árabe escolheram mudar para o lado israelense da partição. Os judeus que se mudaram a algumas milhas (mesmo aqueles que não tinham escolha) não eram chamados de refugiados, mas os árabes que se mudaram a mesma distância eram chamados assim. Foi a definição de refugiado mais incomum na historia. Ao contrário de todos os outros refugiados no mundo, os refugiados palestinos são tratados por uma agência especifica da ONU, com uma definição diferenciada e uma missão separada. Se a definição padrão de refugiado (que se aplica a todos os outros grupos de refugiados) fosse aplicada aos palestinos, o número de refugiados palestinos cairia assustadoramente. O Alto Comissariado para Refugiados da ONU (UNHCR), a agência geral para refugiados que serve outros grupos que não os palestinos, inclui na sua definição de refugiado alguém que (1) sai por "um receio bem-fundamentado de ser perseguido", (2) está "fora do país de [sua] nacionalidade" e (3) "não tem condições... ou não deseja beneficiar-se da proteção daquele país". Mas a Agencia de Socorro e Trabalhos da ONU (UNRWA), a agência específica para refugiados palestinos, aplica um conjunto de diretrizes muito mais amplo. Define palestinos como refugiados, independentemente de saber se saíram devido a "um bem-fundamentado receio de perseguição" e independentemente do país em que vivem. Especificamente a UNRWA define um refugiado palestino como alguém (1) "cujo lugar normal de residência era a Palestina entre junho de 1946 e maio de 1948" e (2) "que perdeu tanto seus lares como seus meios de subsistência em resultado do conflito árabeisraelense de 1948" (independentemente do motivo da saída). Além disso, a UNRWA define como refugiados todos os descendentes dos que satisfazem esses dois critérios.42 Além disso, a UNHCR e a UNRWA têm missões diferentes. A UNHCR deve encontrar lures permanentes para refugiados. O manda-

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to da UNRWA não se preocupa com soluções permanentes e é planejada apenas para manter e apoiar os palestinos dentro dos campos de refugiados, onde muitos se encontram hoje. Com sua ampla definição de refugiado e uma missão voltada para a dependência, a contagem de refugiados da UNRWA subiu de menos de um milhão em 1950 para mais de 4 milhões (incluídos os números até hoje).43 Esse enfoque da questão dos refugiados foi planejado para impedir sua solução e para permitir que se inflamasse e mesmo fosse exacerbada. O problema dos refugiados árabes poderia ter sido facilmente solucionado entre 1948 e 1967 quando a Jordânia controlava e havia anexado a margem ocidental, que era uma área sub-habitada e subcultivada, Mas, em vez de integrar os refugiados numa sociedade religiosa, linguística e culturalmente idêntica, eles foram segregados em guetos chamados de campos de refugiados e submetidos a viver das esmolas da ONU, enquanto recebiam propaganda sobre o seu glorioso retorno à aldeia do outro lado da estrada, que havia sido o seu lar por apenas dois anos. Mais ou menos na mesma época em que entre 472 mil e 750 mil árabes se tornaram refugiados de Israel, dezenas de milhões de outros refugiados haviam sido "criados" como resultado da Segunda Guerra Mundial. Em praticamente todos esses casos, os refugiados foram deslocados de lugares nos quais eles e seus antepassados haviam vivido por décadas, algumas vezes séculos – certamente mais do que os dois anos requeridos para serem considerados refugiados palestinos. Por exemplo, os alemães sudetos, que foram removidos em massa para fora das fronteiras da Checoslováquia, haviam vivido lá por centenas de anos. Os judeus da Europa – o que sobrou deles depois do Holocausto – haviam vivido na Polónia, Alemanha, Checoslováquia, Hungria e União Soviética por centenas de anos. Como resultado de terem vivido no que se tornou Israel por apenas dois anos, milhares e milhares de árabes e seus descendentes foram mantidos em campos de refugiados por mais de meio século para serem usados como trunfos políticos num esforço de demonizar e destruir Israel. Durante esse mesmo período muitos outros problemas de refugiados no mundo foram solucionados pelas nações anfitriãs, aceitando e integrando a população refugiada na sua. Trocas de população aconteceram entre várias nações – inclusive índia e Paquistão, Grécia e Turquia – sem a necessidade de construir campos permanentes de refugiados. Apesar de essas mudanças não terem sido sem dificuldade, e algumas permanecem controversas, nenhuma criou o tipo de problemas permanentes causados pela falta de vontade dos Estados árabes de integrarem a população árabe palestina.

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Entre 1948 e 1967 dezenas de milhões de outros refugiados tornaram-se membros produtivos das suas novas sociedades. Mas, durante os quase vinte anos que o Egito e a Jordânia controlaram a faixa de Gaza e a margem ocidental, a população de refugiados palestinos permaneceu em campos, crescendo em número e desespero. Mesmo o rei Hussein, da Jordânia, que poderia ter ajudado a solucionar o problema dos refugiados, reconheceu que as nações árabes têm usado os refugiados palestinos como penhor desde o começo do conflito: "Desde 1948 os líderes árabes... têm usado o povo palestino para fins políticos egoístas. Isto é... criminoso".44 O outro problema importante de refugiados que afetou o Oriente Médio foi a criação de centenas de milhares de judeus refugiados de países árabes e muçulmanos nos quais haviam vivido por centenas e, algumas vezes, por milhares de anos, mesmo antes da chegada do Islã. Maomé e seus contemporâneos criaram um problema de refugiados quando expulsaram os judeus da Arábia. Ainda, depois da criação do Estado judeu, a situação dos judeus em muitos países árabes e muçulmanos tornou-se tão cheia de riscos que muitos sentiram não ter escolha senão partir. Nos anos seguintes à criação do Estado de Israel, cerca de 850 mil dos assim chamados judeus árabes tornaram-se refugiados das terras onde haviam nascido. O número de refugiados judeus dos países árabes foi ligeiramente mais alto do que o número de refugiados árabes de Israel. Houve uma "troca de populações", e os refugiados judeus foram forçados a abandonar muito mais propriedade e riqueza do que os refugiados palestinos deixaram. O patrimônio abandonado incluía casas grandes, comércio e dinheiro. A diferença é que Israel trabalhou muito (apesar de, nem sempre, com sucesso completo) para integrar a sua população de refugiados na sociedade mais ampla enquanto os árabes deliberadamente estimularam os seus refugiados a marginalizar-se, por manter tantos deles em campos, onde muitos ainda estão, e recusar-se a integrá-los às suas populações mais homogêneas. Isso foi feito apenas para tentar criar dúvidas sobre a legitimidade de Israel, apesar da necessidade desesperada em alguns países árabes subpovoados, como Síria e Jordânia, de mais trabalhadores para servirem às necessidades econômicas intensivas de mão-de-obra dessas nações. Mesmo depois de a Autoridade Palestina ter assumido o controle das principais cidades da margem ocidental e de Gaza, em seguida à implantação inicial dos acordos de Oslo II, em 1995, nenhum esforço sério foi feito para tirar os refugiados dos campos e integrá-los na sociedade palestina. Permanecem penhores num esforço de inundar Israel com uma população hostil, destinada a destruir as suas características como Listado judeu.

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Existem aqueles que argumentam que os refugiados palestinos eram diferentes dos refugiados judeus num outro aspecto: enquanto os palestinos foram forçados a fugir de seus lares, os judeus escolheram sair de suas antigas pátrias. Já vimos que as razões pelas quais os palestinos saíram são complexas e não atribuíveis a um motivo tão simples e particular. Uma breve revisão da fuga dos judeus de países árabes e muçulmanos demonstra uma complexidade comparável e mostra que os dois problemas de refugiados, apesar de muito diferentes nas suas soluções, eram bastante similares nas suas causas. Um historiador resumiu a situação como segue:

Nos anos que conduziram ao estabelecimento de Israel, os judeus em muitas partes do mundo árabe e muçulmano enfrentaram crescentes ameaças quanto à sua segurança. Em novembro de 1945, o chefe da comunidade judaica de Trípoli (capital da Líbia) descreveu a cena do seguinte modo: "Os árabes atacaram os judeus em obediência a ordens misteriosas. A sua explosão de violência bestial não tem motivo plausível. Durante 50 horas caçaram homens, atacaram casas e lojas, mataram homens, mulheres, idosos e crianças, torturaram horrivelmente e mutilaram judeus isolados no interior... Para executar o massacre, os atacantes usaram várias armas: facas, adagas, paus, barras de ferro, revólveres e mesmo granadas de mão".45

Quando a guerra da independência começou cm 1947, a violência aumentou. Em Alepo 300 casas e 11 sinagogas foram destruídas num pogrom, e 82 Judeus foram mortos em Aden. Motins no Iraque e no Egito forçaram os judeus a sair desses países. Os judeus do mundo árabe foram forçados a sair por medo de violência política extravasada para as ruas. Nesse caso, era incentivada por incitação oficial do governo, como no Iraque, onde o sionismo podia ser punido pela morte.46 Sabri Jiryis, um antigo advogado árabe-israelense que saiu de Israel e tornou-se membro do Conselho Nacional Palestino, reconheceu que "os judeus dos Estados árabes foram expulsos de seus antigos lares [e] vergonhosamente deportados depois de terem sua propriedade confiscada... o que aconteceu foi... uma troca de população e de propriedade e cada lado deve arcar com as consequências... os Estados árabes... devem acomodar os palestinos em seu próprio meio e resolver os seus problemas".47 Eles deliberadamente agravaram os problemas. E importante lembrar que Israel não foi o único país que ganhou território como resultado do fracassado ataque árabe. A Jordânia ocupou – na verdade, anexou – toda a margem ocidental enquanto o Egito ocupou a faixa de Gaza. Não havia resoluções exigindo um fim a essas ocupações,

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apesar de muitas vezes terem sido repressivas e brutais. Um observador descreveu Gaza como "de fato, um grande campo egípcio de prisioneiros".48 Os palestinos não pareciam incomodar-se com o fato de sua terra, aldeias e cidades serem ocupadas conquanto não fossem ocupadas por judeus. Nem havia queixas de alguns palestinos-especialmente cristãos – tornarem-se refugiados das ocupações pela Jordânia e pelo Egito.49 A questão dos refugiados de 1947-1948 foi deliberadamente deixada sem solução pelos árabes como tática para destruir o novo Estado judeu. Para entender como seria diferente o conflito árabe-israelense se o mundo árabe, incluindo os palestinos muçulmanos, tivesse aceito a solução de dois Estados quando foi proposta (ou mesmo nos anos seguintes), devemos brevemente voltar ao Relatório da Comissão Peel. Se os árabes tivessem aceito a proposta de partição da Comissão Peei, teria havido um Estado palestino (além da Transjordânia) na maior parte do que restou da Palestina depois da partição da Transjordânia. A absoluta maioria dos árabes e muçulmanos na Palestina teria vivido sob controle palestino e a minoria árabe que vivia na terra alocada ao Estado judeu teria tido a escolha de mudar para o Estado palestino ou de permanecer como parte da minoria árabe no Estado judeu. O mesmo teria sido verdade para os judeus que viviam no Estado árabe. O Estado judeu estaria aberto à imigração e poderia ter salvo centenas de milhares, talvez mais, de judeus europeus do Holocausto. Apesar de a área alocada ao Estado judeu pela Comissão Peel ser pequena em comparação à alocada ao Estudo árabe (e comparavelmente menor mesmo se fosse incluída a Transjordânia), era suficientemente grande para absorver milhões de refugiados, como comprova o fato de milhões de pessoas viverem nessa área atualmente. Não teria havido um problema de refugiados árabes se os Estados árabes tivessem aceito a subsequente partição por parte da ONU. Mas em lugar disso, tendo rejeitado a autodeterminação judaica em 1937, o mundo árabe rejeitou-a novamente em 1948 e atacou Israel num esforço para destruir o novo Estado judeu, exterminar a sua população e "jogar os judeus no mar". Depois, novamente em 1967, ameaçou Israel com destruição e aniquilamento,

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NOTAS 1. "Caliing a spade a spade", Al Ahram Weekly, 6-12 de setembro de 2001. 2. Numa entrevista no Ha’aretz com Ari Shavit, "My right to return". 18 de agosto de 2000. 3. Palestra, Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002. 4. Morris, p. 214. 5. Ibid., p. 204. 6. Como veremos, os raros casos em que civis árabes foram alvejados foram perpetrados não pelo exército de Israel, mas por tropas irregulares e grupos paramilitares que estavam sem trabalho desde que o exército de Israel assumiu o controle da defesa de Israel. 7. Morris, p. 255. 8. lbid., p. 256. 9. Ibid. 10. Larry Collins e Dominique Lapierre, O Jerusalem (Nova York: Simon & Schuster, 1972), p. 400. 11. Peel Report, p. 141. 12. Morris, p. 219. 13. Ibid., p. 233. 14. Martin Gilbert, Israel: A history (Nova York: William Morrow and Co., 1998), p. 216. 15. Morris, p. 208. 16. Ibid., p. 209. Os primeiros relatórios consideraram o elevado número de 254 mortos, mas verificou-se que esse número era um exagero. 17. V. Uri Milstein, History of Israeli War of Independence, vol. IV, ed. por Alan Sacks (Lanham. Md.: University Press of America, 1996), p. 262. 18. Morris, p. 209. 19. Relatório da BBC, Israel and the Arabs: The 50 Year Conflict. 20. Ibid. 21. Morris, p. 209. 22. Houve outros episódios envolvendo indivíduos e grupos paramilitares nos quais houve alegações de massacre, mas nenhum na escala e seriedade de Deir Yassin. 23. Morris, p. 211. 24. Ibid., p. 212. 25. Benny Morris, The birth of the palestinian refugee problem (The Birth) (Cambridge: Cambridge University Press, 1988), pp. 286-289. 26. Ibid., p. 289. 27. Ibid. 28. Ibid., p. 290.

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29. Ibid., p. 296. 30. Palestra, Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002. 31. Citado em Peters, p. 16. 32. "Abu Mazen charges that the arab states are the cause of the palestinian refugee problem", Wall Street Journal, 5 de junho de 2003. 33. Peter Dodd, River without bridges (Beirute: Institute for Palestine Studies, 1969), p. 43: como citado em Peters, p. 445, nº 21. 34. Citado em Peters, p. 13. 35. Assembléia Geral, relatórios oficiais: 3ª Sessão, suplemento nº 11 (A/648), Paris, 1948, p. 47. 36. Morris, p. 253. 37. Citado em Peters, p. l 3. 38. Citado em Peters, p. 22. 39. Morris, p. 253. 40. Ibid. 41. Ruth Lapidoth, "Legal aspects of the palestinian refugee queslion", Jerusalém Center for Public Affairs, nº 485, 24 Elul 5762, vww.jcpa.org/jl/vp485.htm 42. V. www.unhcr.ch (Office of the High Commissioner for Human Rights) e www.un.org.unrwa/index.html (United Nations Relief and Works Agency). 43. Erik Schecter, "Divided responsibilities: The U.N. and the refugees", The Jerusalem Report, 29 de janeiro de 2002: UNHCR, "Who is a refugee?", disponível em www.unhcr.org (visitado pela última vez em 13 de março de 2003), citando a Convenção Relativa ao Status dos Refugiados, de 1951: UNWRA, "Who is a palestinian refugee?", disponível em www.um.org/unwra/refugees/pl.htm (visitado pela última vez em l 3 de março de 2003). 44. Entrevista do rei Hussein, da Jordânia, à Associated Press, janeiro de 1960; citado em Peters, p. 23. 45. David G. Littman, "The forgotten refugees", National Review, 3 de dezembro de 2002. 46. Howard Sachar, A history of Israel (Nova York: Knopf, 1967), pp. 398-401. 47. Citado em Peters, pp. 29-30. 48. Daniel Doron, "Palestinian lies and western complicity", National Review, 4 de agosto de 2002. 49. Bernard Caplan, "Muslims also targeted Jerusalem’s christians", Richmond PostDispatch, 29 de junho de 1997.

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Israel desencadeou a Guerra

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dos Seis Dias?

A ACUSAÇÃO Israel desencadeou a Guerra dos Seis Dias.

OS ACUSADORES "Em 1967, Israel começou as Guerra dos Seis Dias desfechando um ataque aéreo sobre Egito, Jordânia, Síria e Iraque. Israel ocupou Jerusalém oriental, a margem oeste e Gaza e 1,5 milhão de árabes, a maioria palestinos, caíram sob a ocupação israelense. Mais de 300 mil palestinos foram forçados a fugir. Israel ainda ocupa os territórios." (Eva Bjoreng, secretária-geral da Ajuda Norueguesa ao Povo, e Steinar Sorlie, secretário-geral do Conselho Norueguês de Refugiados.)1

A Realidade Apesar de Israel ter dado o primeiro tiro contra o Egito – mas não contra a Jordânia – a guerra foi iniciada pela decisão do Egito de fechar o Golfo de Acaba à navegação israelense e de ordenar a remoção das tropas da ONU do Sinai.


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A PROVA Apesar de Israel ter dado os primeiro tiros, quase todos reconhecem que Egito, Síria e Jordânia começaram a guerra. A ilegal decisão egípcia de fechar os estreitos de Tiran pela força militar foi reconhecida pela comunidade internacional como um ato de guerra. Como o presidente egípcio Nasser se gabou, "sabíamos que o fechamento do Golfo de Acaba significava guerra com Israel... o objetivo era a destruição de Israel".2 O comandante egípcio de Sharm al-Shekh, o ponto de entrada aos estreitos dos quais os egípcios advertiram que podiam atirar sobre qualquer navio israelense que tentasse passar no caminho de Eilat reconheceu que "o fechamento dos estreitos era uma declaração de guerra".3 Entretanto, de acordo com Nasser, a guerra não dizia respeito aos estratos de Tiran, mas ao direito de Israel a "existir".4 Tampouco era considerada a rendição de Israel. Essa guerra, como a de 1948, estava planejada para ser uma guerra de extermínio. A Rádio Damasco instigou os seus ouvintes: "Massas árabes, este é o seu dia. Corram ao campo de batalha... Deixem que eles percebam que enforcaremos o último soldado imperialista com as entranhas do último sionista".5 Hafiz al-Assad ordenou seus soldados sírios que "atacassem as colônias do inimigo [civil], as transformassem em pó e pavimentassem as estradas árabes com os crânios dos judeus. Que atacassem sem piedade".6 Ele caracterizou o ataque a Israel, que estava por vir, como uma "batalha de aniquilação". As vozes dos árabes no Cairo exortavam para assegurar que "Israel seja liquidado".7 O primeiro-ministro do Iraque previu que "praticamente não haverá sobreviventes judeus".8 Cairo estava cheia de cartazes anti-semitas "mostrando soldados árabes atirando, esmagando e mutilando judeus barbudos, de narizes aduncos".9 Isso não era apenas retórica. Os exércitos árabes estavam aglomerando-se ao longo da fronteira de Israel, prontos para atacar. Os planos de guerra egípcios incluíam o massacre da população civil de Tel Aviv. Os planos palestinos incluíam a destruição de Israel "e seus habitantes". O serviço de espionagem de Israel relatou que o invasor exército egípcio estava equipado com "cartuchos de gás venenoso".10 A única questão era se os exércitos árabes conseguiriam aplicar o primeiro golpe militar. Como o primeiro-ministro Levi Eshkol declarou ao seu gabinete em 21 de maio de 1967, "os egípcios planejam fechar os estreitos ou bombardear o reator atômico em Dimona. Em seguida, um ataque geral. Seguiria-se uma guerra na qual os primeiros cinco minutos seriam decisivos. A questão é quem iria atacar primeiro os campos de aviação do outro".11

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Depois de esgotar todas as opções diplomáticas12 e ficar sabendo que o Egito estava preparando um ataque iminente e havia feito vôos de reconhecimento sobre o território israelense, a força aérea israelense atacou os aeroportos egípcios, sírios e iraquianos na manhã de 5 de junho de 1967. Teria qualquer nação razoável agido diferentemente se colocada diante de ameaças de aniquilação comparáveis? Israel não atacou a Jordânia esperando que esta ficasse fora da guerra, apesar do seu tratado com o Egito. Israel enviou várias mensagens ao rei Hussein prometendo não atacar a Jordânia a não ser que fosse atacado primeiro. Israel deixou claro que não tinha ambições na margem ocidental, nem mesmo no bairro judeu de Jerusalém, com o seu muro ocidental. Foi a Legião Árabe que iniciou as hostilidades entre Jordânia e Israel.13 A Jordânia ignorou as repetidas aberturas pacíficas de Israel e começou a bombardear os centros de população civil judaica nas principais cidades de Israel e ao seu redor e subúrbios. Seis mil morteiros foram disparados sobre áreas residenciais judaicas, ferindo mil civis, muitos deles gravemente. Vinte civis foram mortos e 900 edificações danificadas. Canhões alvejaram os subúrbios de Tel Aviv e aviões jordanianos juntaram-se aos MIGs sírios e iraquianos no bombardeio de centros de população civil nas cidades, vilas, kibutzim e moshavim. A Rádio Damasco orgulhosamente noticiou que: "A força aérea síria começou a bombardear cidades israelenses".14 Era uma repetição de 1948, em que os exércitos árabes deliberada e ilegalmente alvejaram os centros de população civil israelense, enquanto o exército de Israel atacavam legítimos alvos militares. Apesar do ataque jordaniano voluntário contra civis israelenses, o exército de Israel não respondeu, esperando que os jordanianos limitassem suas ações militares a algumas salvas de artilharia, mas, depois que a Jordânia enviou a sua força aérea para bombardear as vizinhanças residenciais de Netânia, Kfar Sirkin e Kfar Saba, as forças aéreas israelenses finalmente atacaram aeroportos militares jordanianos. Os israelenses depois aceitaram um cessar-fogo, proposto pelo principal observador da ONU, mas os jordanianos continuaram a lutar. Só então Israel conquistou a margem ocidental e a Cidade Velha de Jerusalém – claramente numa guerra defensiva contra a Jordânia, iniciada pela Jordânia depois de Israel ter deixado claro que não desejava um conflito militar com o reinado hashimita. A Guerra dos Seis Dias criou ainda um outro problema de refugiados, este muito mais fácil de resolver no contexto de uma solução de dois Estados. Os 200 mil a 250 mil refugiados que saíram de Gaza e da margem ocidental em seguida à ocupação israelense dessas áreas certamente

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terão um direito de retorno àquelas áreas uma vez estabelecido um Estado palestino. (Será interessante ver quantos efetivamente exercem esse direito, já que o exercício desse direito – ao contrário do alegado direito de retorno a Israel – não terá maior efeito político ou demográfico sobre o Estado judeu.) A maioria dos refugiados saíram por sua própria vontade. Sobre a história definitiva da guerra de 1967, Michael Oren afirma: "Poucos israelenses tiveram contato com civis, a maioria dos quais havia fugido com o comando sírio, bem antes dos ataques",15 De modo geral as perdas entre civis "foram notavelmente baixas" durante a Guerra dos Seis Dias porque Israel se certificou de que a maior parte da luta "ocorresse longe dos principais centros populacionais" de acordo com Oren. De fato, a maioria das perdas civis foi infligida por turbas árabes sobre civis judeus inocentes em cidades árabes não envolvidas nos combates. Oren resume a situação: Com as notícias da vitória de Israel, turbas atacaram vizinhanças judaicas no Egito, no Iêmen, no Líbano, na Tunísia e no Marrocos, queimando sinagogas e atacando residentes. Um pogrom em Trípoli, na Líbia, deixou 18 judeus mortos e 25 feridos; os sobreviventes foram conduzidos a centros de detenção. Dos 4 mil judeus do Egito, 800 foram presos, inclusive os principais rabinos do Cairo e de Alexandria, e sua função foi proibida pelo governo. As antigas comunidades de Damasco e Bagdá foram colocadas sob prisão domiciliar, seus líderes aprisionados e multados. Um total de 7 mil judeus expulsos, muitos com apenas uma bolsa.16

Esse problema de refugiados jamais foi considerado pela comunidade internacional. As outras perdas civis, como vimos, foram, infligidas a residentes judeus das cidades e vilas que foram alvo de abusos e morteiros árabes. O pequeno número de baixas civis árabes foi menor do que em qualquer guerra comparável na história moderna – um fato nunca mencionado por aqueles que acusam Israel de genocídio ou de matança indiscriminada de civis. O maior impacto da Guerra dos Seis Dias foi a ocupação em si.

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NOTAS 1. "International commnity bargains with rights of palestinians", Aftenposten (Diário norueguês) colocado no site da e-revista Spectre, www.spectrezine.org/war/Palestine (visitado peta última vez em 6 de abril de 2003). 2. Oren, p. 93 3. Ibid., p. 84. 4. Morris, p. 306. 5. Ibid., p. 310. 6. Citado em Oren, p. 253. 7. Morris, p. 310. 9. Oren, p. 92. 10. Ibid., p. 63. 11. Ibid., p. 82. 12. Ibid., p. 99. 13. Ibid., pp. 186-187. 14. Ibid., p. 186. 15. Ibid., p. 306. 16. Ibid., pp. 306-307.

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A ocupação por Israel foi

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injustificada?

A ACUSAÇÃO A ocupação israelense da margem ocidental da faixa de Gaza e das Colinas de Golan em seguida à sua vitória na Guerra dos Seis Dias não tem nenhuma justificativa.

OS ACUSADORES "Há dois fatos cristalinos que não podem ser obscurecidos por propaganda e preconceito: em 1948 Israel limpou etnicamente a Palestina para abrir espaço para si e, como resultado, apoderou-se de 78% da Palestina mandatária; e em 1967, Israel impôs uma ocupação brutal e desumana sobre os restantes 22% da terra, da margem oeste e da faixa de Gaza." (Ilan Pappe)1 "A maioria das matanças recentes e a destruição [com referência à violência resultante da segunda intifada] tiveram lugar na margem ocidental e em Gaza, territórios conquistados (junto com Jerusalém oriental) por Israel na guerra de 1967. A resolução 242 da ONU – a favor da qual votaram os Estados Unidos – defende que a contínua ocupação desses territórios é ilegal. Essa resolução proclama a inadmissibilidade de aquisição de território através da guerra."


ALAN DERSHOWITZ

"Mas Israel recusa-se a pôr fim à ocupação." (Max Elbaum e Hany Khalil, escritores colaboradores no War Times, uma publicação "de oposição à guerra contra o terrorismo".)2 A REALIDADE Israel estava disposto a negociar terras conquistadas numa guerra defensiva pela paz, como fez com os egípcios e jordanianos, mas os palestinos e os sírios não mostraram o desejo de oferecer a paz em troca de terra, como requerido pela Resolução 242 do Conselho de Segurança. A PROVA Quase imediatamente depois de derrotar os exércitos árabes que tinham jurado e planejado aniquilar Israel, o governo israelense concordou em obedecer à Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU que, pela primeira vez na sua história, ordenou que uma nação devolvesse territórios legalmente conquistados numa guerra defensiva. Mas ordenou isso apenas como parte de um acordo geral de paz, reconhecendo o direito de Israel de "viver em segurança". Isto é o que a Resolução 242 previa: [O Conselho de Segurança] (1) Afirma que o cumprimento dos princípios estatutários requer o estabelecimento de uma paz justa e duradoura no Oriente Médio, que deveria incluir a aplicação de ambos os princípios seguintes: (I) Retirada das forças armadas de Israel de territórios ocupados no recente conflito; (II) Fim de todas as reivindicações ou estados de beligerância e reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de cada Estado na área e seu direito de viver em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, livre de ameaças ou atos de força (a ênfase é nossa).3

Note que a resolução não exige a retirada de Israel de todos os territórios, apenas "de territórios", contemplando, assim, alguns ajustes territoriais como os propostos por Israel em Camp David e em Taba, no ano 2000. (Eu desempenhei um papel muito pequeno e informal de consultor do embaixador dos Estados Unidos Arthur Goldberg, que teve um papel importante na negociação da Resolução.) A eliminação do artigo definido os era um compromisso explícito preparado pelos Estados Unidos para permitir a Israel a retenção de territórios necessários para garantir fronteiras seguras.

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EM DEFESA DE ISRAEL

Israel imediatamente aceitou os princípios da Resolução 242. De acordo com Morris, "o governo israelense esperava converter a sua extraordinária vitória militar numa realização política; os territórios conquistados poderiam ser trocados pela paz".4 Moshe Dayan, que então era o ministro da Defesa, foi citado como tendo afirmado que "estava esperando um telefonema do rei Hussein" para discutir uma negociação de terras em troca da paz.5 O telefonema não veio até muitos anos depois, quando Hussein havia renunciado a toda reivindicação na margem oeste em favor da Organização para a Libertação da Palestina. Em 19 de junho de 1967 o gabinete israelense decidiu que Israel "entregaria o Sinai e Golan em troca da paz" juntamente com o Egito e a Síria, escreve Morris.6 "Em poucos dias, tanto o Egito como a Síria tinham rejeitado a abertura."7 Como veremos, Israel implementou, de fato, os princípios operativos da Resolução 242 devolvendo a seguir todo o território conquistado, desejado pelo Egito, quando este terminou todas as suas reivindicações de beligerância contra Israel. Israel também devolveu terras reclamadas pela Jordânia como parte do acordo de paz com o reinado hashimita. Finalmente, propôs devolver à Autoridade Palestina quase todo território restante conquistado da Jordânia cm troca da paz, mas os palestinos rejeitaram essa oferta feita em Camp David e Taba, recentemente, em 2000 e, por seu turno, apelaram para um crescente terrorismo. Os principais Estados árabes, junto com a liderança palestina, por outro lado, categoricamente rejeitaram os princípios da Resolução 242, em 1967, porque esta requeria a paz com Israel, o que eles obstinadamente se recusavam a fazer. Numa reunião de cúpula em Cartum, os líderes árabes publicaram a sua notória declaração "dos três nãos": "Não à paz com Israel, não às negociações com Israel, não ao reconhecimento de Israel". Os palestinos responderam à oferta de paz de Israel baseada na sua aceitação da Resolução 242 com a adoção da Constituição Nacional Palestina, que expressamente recusava a Israel o direito de existir e comprometia-se a continuar a "luta armada" como único meio de libertar a Palestina toda. Determinava que a Palestina incluiria todo Israel (bem como, aparentemente, toda a Jordânia): "A Palestina, com as fronteiras que tinha durante o mandato britânico, é uma unidade territorial indivisível". Num desafio à ONU, a Constituição Palestina declarava a "partição da Palestina pela ONU em 1947 e o estabelecimento do Estado de Israel totalmente ilegais", porque eram "contrários ao desejo do povo palestino". E rejeitava "todas as soluções que são substitutas da total libertação da Palestina" pela luta armada, declarando o sionismo e Israel racistas, colonialistas e fascistas.

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ALAN DERSHOWITZ

Qualquer possibilidade de uma resolução de dois Estados – ao longo das linhas propostas pela Comissão Peel em 1937, e pela ONU, em 1947, e imediatamente aceita por Israel – era assim categoricamente rejeitada pelos palestinos, que exigiam total controle da Palestina inteira, apesar de estarem do lado perdedor de quatro guerras de agressão (a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, a guerra de 1947-1948 contra Israel e a Guerra dos Seis Dias). Aba Eban, o ministro do Exterior de Israel, observou que essa foi "a primeira guerra na história que terminou com os vitoriosos servindo à paz e os derrotados requerendo um rendimento incondicional".8 De fato, os palestinos estavam exigindo mais do que o rendimento de Israel como nação. A Constituição Palestina também exigia a transferência para fora da Palestina de todos os judeus, exceto aqueles "que haviam normalmente residido na Palestina até o começo da invasão sionista". Aos olhos dos palestinos, desde que a invasão sionista havia começado, muitos anos antes – mais recentemente, em 1917, e anteriormente, em 1882 –, esse procedimento iria requerer a transferência de milhões de judeus cujos pais e avós haviam vivido, no que agora era Israel, por gerações e, em muitos casos, por um período muito mais longo do que os palestinos que os deslocariam. Desde que a Jordânia, da qual Israel havia conquistado a margem ocidental numa guerra defensiva, subsequentemente renunciou a todas as reivindicações territoriais a favor da Autoridade Palestina, e como esta rejeitava a paz em troca da margem ocidental (em contraste com a Palestina toda, inclusive Israel) a Constituição Palestina criava um impasse. Não havia entidade para a qual Israel pudesse devolver a margem ocidental atendendo à Resolução 242, mesmo que quisesse, enquanto os palestinos se recusassem a cumprir com o Princípio II da Resolução 242, que requeria o fim de todas as reivindicações ou estados de beligerância" e reconhecimento do direito de Israel à "soberania, integridade territorial e independência política", junto com a maioria das nações árabes, os palestinos rejeitaram a Resolução 242, enquanto Israel a aceitava, como havia aceito o Relatório da Comissão Peel e a partição da ONU. Novamente, os palestinos e árabes rejeitaram a solução de dois Estados, enquanto Israel revelava a concordância em dar passos que teriam conduzido a essa solução. Apesar dessa realidade histórica, intelectuais anti-Israel, como Noam Chomsky, desorientaram os estudantes dizendo-lhes que Israel e os Estados Unidos são Estados que sempre se opuseram a esse compromisso político, enquanto os Estados árabes e a OLP o haviam aceito.9 Havia, é claro, ações unilaterais que o governo de Israel poderia ter tomado, e na minha opinião deveria ter tomado, em seguida ã vitória

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EM DEFESA DE ISRAEL

na Guerra dos Seis Dias e à conquista da margem ocidental e da faixa de Gaza, apesar de tal ação unilateral não ser, de forma alguma, requerida pela Resolução 242 a não ser que acompanhada pela paz e pelo reconhecimento dos Estados árabes. (Eu adio qualquer discussão do Sinai neste ponto porque Israel finalmente devolveu o território ao Egito em troca da paz.) Israel poderia, e deveria, ter implementado o assim chamado Plano Alon ou alguma variante dele. O Plano Alon, proposto pelo general israelense Yigal Alon, que então era ministro do Trabalho e um importante assessor do primeiro-ministro, contemplava a retirada de Israel dos centros populacionais da margem ocidental e de todos os outros territórios conquistados, exceto algumas áreas despovoadas que eram consideradas necessárias para assegurar a "integridade territorial" de Israel dentro de fronteiras "seguras", como contemplado pela Resolução 242. O Plano de Alon, ao contrário da Resolução 242, fazia uma importante distinção entre ocupar territórios e ocupar populações. A resolução do Conselho de Segurança focalizava exclusivamente territórios e não pessoas. Mas a margem ocidental compreende cidades, aldeias e vilas, bem como vastas áreas de terra despovoada. O Plano Alon teria implementado um "compromisso territorial" sob o qual Israel "reteria uma faixa de 6 a 7 milhas ao longo da margem ocidental do rio Jordão" como "cinturão de segurança". Também teria feito mais alguns pequenos ajustes de fronteira na estrada para Jerusalém de modo a não retornar ao que Abba Eban, um grande pacifista, chamou de "linhas de Auschwitz", que expunham a população dos centros de Israel a graves riscos. Apesar de em 1967 Israel não ter tido parceiros para a paz dispostos a dá-la em troca de um território, teria sido mais sábio, no meu ponto de vista, se Israel tivesse se retirado, unilateralmente se necessário, dos centros populacionais palestinos, tais como Nablus, Ramallah, Jericó, Hebron, Jenin, Belém e Tulkarm, mantendo controle sobre áreas de segurança bem pouco povoadas. Se Israel tivesse seguido esse caminho, seus soldados não teriam se transformado num exército de ocupação de pessoas. Os árabes ainda se queixariam de que a sua terra estava sendo ocupada, mas a Resolução 242 contemplava ajustes territoriais desenvolvidos para alcançar fronteiras seguras "livres das ameaças de atos de guerra". Além disso, os árabes teriam se queixado de que a sua terra estava sendo ocupada ainda que Israel tivesse devolvido cada centímetro de território conquistado na guerra de 1967, enquanto Israel continuasse a ocupar a cidade judaica de Tel Aviv ou qualquer outra área que havia sido da Palestina ou da Síria meridional sob o mandato britânico. Em vez de retirar-se unilateralmente dos centros populacionais palestinos, Israel manteve controle sobre toda a margem ocidental, tratan-

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do-a como peça de barganha para a paz com a Jordânia. Mas a Jordânia não tinha interesse em conseguir a paz em troca de um retorno à margem ocidental, talvez porque não quisesse reassumir o controle sobre mais de 600 mil palestinos, que poderiam desestabilizar um cambaleante regime hashimita, que já tinha uma maioria populacional palestina na própria Jordânia. Qualquer que fosse a razão, Israel assumiu o controle dos centros populacionais palestinos durante 28 anos – de junho de 1967 à dezembro de 1995 –, quando entregou essas cidades à Autoridade Palestina, de acordo com o Tratado de Oslo II. A ocupação durante 28 anos desses centros populacionais contribuiu para muitos dos fatores que agora tornam mais difícil alcançar a paz. Entretanto, não há garantia de que. se os centros populacionais palestinos não tivessem sido ocupados por Israel, a paz teria sido alcançada, já que o fim da ocupação desses centros entre 1995 e 2001 não aproximou a região da paz. Nem havia paz entre 1948 e 1967 – um período durante o qual não havia ocupação Israelense. A ocupação certamente contribuiu para um aumento no número e na letalidade dos ataques terroristas pelos palestinos, apesar de o terrorismo ter sido geral desde a década de 1920, e a OLP, envolvida com o terrorismo como meio de libertar toda a Palestina, ter sido estabelecida desde o início da ocupação.

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NOTAS 1. Numa carta, defendendo o documentário antiisraelense do jornalista britânico John Pilger, "Carta: Fautless Film", The Independent (Grã-Bretanha), 23 de setembro de 2002. 2. "War on terrorism or iIlegal occupation?" War Times Newspaper. www.wartimes.org/pdf/palestine02045.pdf (visitado pela última vez em 8 de abril de 2003). 3. U. N. Security Council, Resolution 242, 22 de novembro de 1967. 4. Morris, p. 330. 5. Ibid. 6. Ibid. 7. Ibid. 8. Abba Eban, Abba Eban (Nova York: Random House, 1977), p. 446. 9. Palestra, Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002.

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A guerra de Yom Kippur foi

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culpa de Israel?

A ACUSAÇÃO A guerra de Yom Kippur foi culpa de Israel.

OS ACUSADORES "A responsabilidade pela nova explosão militar no Oriente Médio é totalmente dos líderes de Tel Aviv... Israel continua sua agressão, iniciada em 1967, contra os países árabes." (Secretário-geral soviético Leonid I. Brezhnev, outubro de 1973.)1 "Nossa vitória na guerra destroçou para sempre a ilusão de nossos vizinhos com relação à sua bravura militar invencível. Nós nos mostramos como seus iguais, intelectual e praticamente. Os direitos e deveres dos árabes, e do árabe individualmente, não podiam continuar a ser objeto de escárnio e do ridículo. A guerra de outubro marcou o fim da teoria racista da inerente superioridade do povo israelense." (Osama EI-Baz, conselheiro egípcio de segurança nacional.)2

A Realidade O ataque voluntário contra Israel foi injustificado e violou os estatutos da ONU.


EM DEFESA DE ISRAEL

A PROVA Em outubro de 1973, o Egito e a Síria desfecharam ataques-surpresa contra Israel no Yom Kippur, o dia mais sagrado do ano judaico. Os ataques também aconteceram no Ramadã, um período em que líderes muçulmanos frequentemente proclamam que um ataque a eles violaria princípios religiosos e mostraria desrespeito pelo Islã. Ninguém duvida de que egípcios e sírios, que causaram consideráveis baixas a Israel, começaram a guerra de Yom Kippur. O seu objetivo era recuperar a terra perdida para Israel na Guerra dos Seis Dias – guerra que os egípcios começaram, apesar de Israel ter dado o primeiro tiro. Ao final, os egípcios conseguiram esse objetivo e recuperaram todo o Sinai depois de terem feito uma paz fria com Israel. Os sírios falharam no seu esforço de recuperar as Colinas de Golan porque se recusaram a fazer qualquer acordo de paz com Israel. Israel aprendeu algumas lições importantes da guerra de Yom Kippur. Primeiro, e principalmente, descobriu como era vulnerável a um ataque-surpresa, mesmo com fronteiras expandidas. Em preparação ao ataque, o Egito tinha obtido grandes quantidades de mísseis Scud, que "podiam atingir os centros populacionais de Israel".3 Novamente, o objetivo árabe era matar tantos civis quanto possível, apesar do fato de que o ataque deliberado a alvos civis é um crime de guerra e uma violação da lei internacional. O ataque inicial egípcio incluiu uma tentativa de jogar bombas sobre Tel Aviv, que foi impedida pelos interceptadores da força aérea israelense.4 O ataque sírio também tinha como alvo colônias civis israelenses, e as forças sírias de tanques quase conseguiram romper a tênue linha de defesa de Israel que protegia os seus centros populacionais do norte. Como o comandante da unidade responsável pela defesa das cidades e aldeias ao norte de Israel mais tarde contou à Comissão Agranat, que foi estabelecida para investigar o quase desastre, ''o sentimento era de que iria haver um holocausto".5 Todos sabiam o que os soldados sírios fariam aos civis capturados, já que previamente haviam assassinado e mutilado israelenses também capturados. Na frente egípcia também havia um genuíno receio de um genocídio. Moshe Dayan, ministro da Defesa de Israel, enviou uma mensagem ao comandante da força aérea de que "o terceiro templo" – seu código para significar o Estado de Israel – "está em perigo". Dayan sugeriu mobilizar estudantes dos colégios e pessoas bastante idosas para serviços de reserva.6 Novamente foi levado ao conhecimento de Israel que seus inimigos árabes podiam perder guerra após guerra sem riscos para a sua existência

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e sem perigo para a sua população civil. Mas, se Israel perdesse apenas uma guerra, isso poderia significar o fim do Estado judeu, um massacre da sua população civil e a transferência dos refugiados sobreviventes para fora do país. Talvez tenha sido essa realidade que motivou os soldados israelenses a lutar tão ferozmente na defesa do seu país. O que Morris disse sobre as motivações e incentivos dos guerreiros israelenses durante a guerra da independência era igualmente verdadeiro durante a guerra do Yom Kippur: estavam lutando "pela defesa dos [seus] entes queridos" que corriam o risco de massacre se fossem derrotados".7 Israel afinal sobreviveu à guerra, mas com enormes perdas. Surpreendentemente, os egípcios e sírios, apesar de sua derrota, consideraram e ainda consideram a guerra do Ramadã (a mesma que os israelenses chamam de guerra do Yom Kippur) como uma vitória. Num discurso em 16 de outubro de 1973, o presidente egípcio Anuar Sadat disse ao seu povo: "As forças armadas egípcias alcançaram um milagre sob qualquer padrão militar... Essas forças tomaram a iniciativa, surpreenderam o inimigo e fizeram com que perdesse o equilíbrio". O Egito "restaurou a sua honra".8 De modo similar, o presidente Hafiz al-Assad disse ao seu povo que a Síria havia "transformado a agressão de Israel desde 6 de outubro, numa retinida das forças Inimigas e infligido perdas ao inimigo que profundamente chocaram a entidade sionista". Ele disse ao povo sírio como "as ferozes batalhas empreendidas por nossas forças restauraram a autoconfiança do cidadão árabe".9 Até hoje a vitória árabe é celebrada no Egito e na Síria, apesar da realidade de seus exércitos terem sido salvos por um cessar-fogo imposto sobre Israel pelos Estados Unidos e pela União Soviética. Morris descreveu os motivos de Sadat e Assad para atacarem Israel: Tanto para Sadat como para Assad, a guerra prometia importantes lucros, a começar com a restauração do orgulho árabe. (Depois da guerra, os cronistas árabes ale falariam do "renascimento'' do "homem egípcio".) A simples ousadia de ir à guerra contra as invencíveis forças de defesa de Israel seria vista como profundamente corajosa; limpar a vergonha de 1967, de fato a vergonha da história árabe desde 1948, traria a ambos os regimes recompensas em termos de popularidade, legitimidade e longevidade, bem como grandes contribuições aos reinados do petróleo.10

Israel aprendeu uma outra lição importante dessa disparidade em definir a vitória na guerra: qualquer líder árabe que pode infligir sérios danos à Israel é motivado a fazê-lo, mesmo se sua nação perder a guerra. Essa é a triste realidade por uma série de razões, Primeiro, os riscos são

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EM DEFESA DE ISRAEL

muito menores para os países árabes que perdem guerras contra Israel. Podem perder algum território (que podem recuperar em troca do oferecimento de paz) e alguns soldados, mas a existência de sua nação e as vidas dos seus civis não estão em risco. Segundo, qualquer líder árabe que tem a mínima possibilidade de derrotar Israel será louvado e recompensado por tentar e, talvez, condenado, ou mesmo derrubado, por não tentar. Por isso é tão importante para a preservação da paz que Israel permaneça qualitativamente mais forte militarmente do que todos os exércitos árabes combinados ao seu redor. Se essa superioridade militar fosse algum dia perdida, é quase certo que Israel seria novamente atacado. É por isso que Nelson Mandela estava errado ao sugerir qualquer analogia entre o programa nuclear defensivo de Israel e os esforços do Iraque em desenvolver armas de destruição em massa para uso agressivo. Isto é o que Mandela disse: "Mas o que sabemos é que Israel tem armas de destruição em massa. Ninguém fala sobre isso. Por que deveria haver um padrão para um país, especialmente porque é negro, e um diferente para outro país, Israel, porque é branco?".11 Israel tem armas nucleares desde os anos de 1960. Jamais as usou, mesmo na guerra de Yom Kippur. Já se falou da capacidade nuclear de Israel que, provavelmente, jamais será usada porque só poderia ser usada cedo ou tarde demais: se Israel alguma vez utilizasse armas nucleares para prevenir um desastre, seria condenado universalmente. Se esperasse para usá-las até depois do desastre, seria tarde demais. O arsenal nuclear de Israel é a última dissuasão contra um regime radical que poderia querer produzir Armagedon (que, literalmente, é uma pequena aldeia em Israel chamada Meggido). O perigo é que pode haver alguns líderes radicais islâmicos, mais voltados para o próximo mundo do que para este, que poderão não ser dissuadidos pela perspectiva de uma mútua devastação nuclear. Sadat alcançou ambos os seus objetivos ao atacar Israel no Yom Kippur de 1973. Além de restaurar a honra egípcia, ele também reconquistou todo o Sinai para o controle egípcio. Assim que Sadat, corajosamente, demonstrou uma disposição de fazer a paz com Israel em troca do Sinai, o governo israelense, então sob controle do beligerante partido Likud e seu duro líder Menachem Begin, removeu os colonizadores judeus no Sinai e devolveu-o, com os campos de petróleo e o que mais havia, ao Egito. A decisão de fazer a paz, mesmo uma paz fria, em troca do estratégico e mineralmente rico Sinai pode ter custado a vida a Sadat – assim como a decisão do rei Abdullah, da Jordânia, de levar em conta a paz com Israel lhe custou a vida um quarto de século antes. Mas pavimentou o caminho para o rei Hussein, da Jordânia, neto de Abdullah, estabelecer a paz com Israel.

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Como a Jordânia havia renunciado a todas as reivindicações na margem oeste em favor da Autoridade Palestina, não havia terra que Israel pudesse dar em troca da paz. (De fato, Israel devolveu uma pequena faixa de aproximadamente 300 km2 em Arava.) Se a Jordânia tivesse desejado um retorno ao status quo antes da guerra de 1967, é provável que Israel teria aceito, talvez com alguns pequenos remanejamentos territoriais. Mas a última coisa que a Jordânia queria em 1994 era assumir a responsabilidade pelos milhões de palestinos que viviam na margem ocidental, especialmente depois da abortada guerra civil palestina dirigida pela OLP contra o rei Hussein em 1970. Israel repetidamente tentou fundamentar a paz com a Síria em troca do território conquistado durante a Guerra dos Seis Dias, como relata Morris: "Em agosto de 1993, um grande avanço foi alcançado quando Rabin entregou ao Secretário de Estado Christopher seus 'hipotéticos' acordos para a retirada de Israel do conjunto das Colinas de Golan se a Síria respondesse com adequados arranjos de segurança e medidas para a normalização das relações. Entretanto, os sírios deixaram de responder com semelhante abertura".12

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NOTAS 1. Laqueur e Rubin, p. 143. 2. "The spirit of october", Al-Ahram Weekly (Egito), 8-14 de outubro de 1998. 3. Morris, p. 390. 4. Ibid., p. 413. 5. Citado em Morris, p. 406. 6. Morris, p. 419. 7. Ibid., p. 223. 8. Citado em Laqueur e Rubin, p. 148. 9. Ibid., p. 143. 10. Morris, p. 387. 11. Tom Masland, "Nelson Mandela: The USA is a threat to world peace", Newsweek, 10 de setembro de 2002. 12. Morris, p. 632.

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Israel tem feito sérios esforços

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pela paz?

A ACUSAÇÃO Nos últimos anos, Israel não tem feito esforços sérios pela paz com os palestinos.

OS ACUSADORES "Agora tornou-se claro que, pelo fato de o público ocidental ser tão mal informado, as autoridades públicas israelenses podem dizer qualquer coisa, inclusive mentiras deslavadas. Na semana passada, um importante debate na televisão, nos Estados Unidos, entre o ministro da Autoridade Palestina Nabil Shaath e o locutor do Knesset Avraham Burg confirmou este triste fato... Burg estava sentado lá e descaradamente fabricou uma falsidade depois da outra – que, como democrata e amante da paz, estava preocupado que não houvesse um campo real de paz palestino; que Israel está tentando com afinco manter-se calmo enquanto os terroristas palestinos (encorajados pela Autoridade) ameaçavam sua filha com brutal assassinato: que Israel sempre desejou a paz:... e assim por diante. Tudo destacando, no estilo da propaganda clássica (de que repetir mentiras de maneira enfática é acreditar nelas), que Israel é vitimado pelos palestinos, que deseja a paz e que está esperando que os palestinos acompanhem sua magnanimidade e controle." (Edward Said)1


EM DEFESA DE ISRAEL

"Quanto mais os Estados Unidos e Israel rejeitarem um acordo político, tanto pior será." (Moam Chomsky)2

A REALIDADE Israel ofereceu aos palestinos todas as oportunidades razoáveis de fazer a paz, mas os palestinos rejeitaram tais ofertas, mais recentemente em Camp David e Taba em 20002001.

A PROVA Israel conseguiu fazer algum progresso duvidoso nas conferências de paz com os palestinos, a partir do início da década de 1990. Mesmo antes dessa época, um número de membros mais velhos da Fatah estava pregando a solução de "dois Estados", mas esses indivíduos haviam sido vítimas de assassinatos – o que George Bernard Shaw, certa vez, caracterizou como "a última forma de censura" – nas mãos de outros palestinos. Desde a sua fundação em 1964 (e mesmo antes), a OLP (e seus predecessores) havia rejeitado a solução de dois Estados em favor do terrorismo, da destruição de Israel e da expulsão da população judaica. O terrorismo palestino foi, entretanto, bastante bem-sucedido ao levar as queixas dos palestinos no centro da atenção do mundo. Apesar de a exigência palestina da destruição de Israel e da expulsão da sua população judaica – como articulado nos seus estatutos – ser muito menos constrangedora de uma perspectiva moral do que as razões de queixas de outros povos sem Estado e ocupados, como os tibetanos, os curdos e os bascos, o fato de a OLP recorrer ao terrorismo global fez com que as reivindicações palestinas suplantassem as reivindicações mais constrangedoras de outros. Entre 1968 e 1990 os terroristas palestinos assassinaram milhares de civis inocentes, inclusive viajantes internacionais, judeus em oração em sinagogas no coração da Europa, atletas olímpicos, crianças de jardim-de-infância, diplomatas e peregrinos cristãos. Explodiram aviões, colocaram bombas em shopping centers, atiraram granadas de mão sobre crianças, enviaram cartas-bomba a pessoas do mundo dos negócios e sequestraram um navio de cruzeiro, atirando até mesmo um passageiro deficiente físico ao mar. Apesar de todas essas ações constituírem crimes de guerra e violações da lei internacional, a comunidade internacional – e especialmente a ONU – tem repetidamente recompensado o terrorismo

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palestino dando à OLP um reconhecimento muito maior do que aquele dado a outros grupos sem Estado que não recorreram ao terrorismo global. Como o quadro que aparece no meu livro Why terrorism works demonstra vivamente, quanto mais cruéis, ilegais e letais se tornaram os ataques dos terroristas palestinos contra civis, tanto mais reconhecimento diplomático receberam da ONU que escolheu a OLP, entre todas as outras representações de grupos sem Estado, como observadora especial e deu-lhe privilégios diplomáticos. Isso foi feito na época em que a OLP rejeitou a partição da Palestina pela ONU, rejeitou a existência de Israel como membro da ONU rejeitou a Resolução 242 do Conselho de Segurança e exigiu controle de toda a Palestina e a expulsão da maioria dos judeus. Não surpreende que a OLP tivesse mantido a essência de sua confiança no terrorismo como caminho para alcançar as suas exigências. O terrorismo estava trabalhando para isso não apenas na ONU, mas também em capitais europeias e outras, no Vaticano, e entre alguns acadêmicos e formadores de opinião pública em muitas partes do mundo. Mas isso não estava funcionando para os palestinos com relação a Israel ou aos Estados Unidos. O terrorismo só fortaleceu a decisão dessas duas democracias de não recompensar o assassinato de civis inocentes e encorajar mais ainda a recorrência a essa tática imoral e ilegal. Apesar de suas vitórias diplomáticas na ONU e em outros lugares, os palestinos não estavam mais próximos da cidadania ou do fim da ocupação. Quando muito, Israel estava permitindo mais colônias na margem oeste e justificando-as por razões de segurança, embora a realidade era que a maioria tinha pouco a ver com segurança. De fato, do ponto de vista da maioria de israelenses, muitas das colônias tinham um efeito adverso sobre a segurança de Israel. A

situação,

para

ambos,

israelenses

e

palestinos,

estava

se

tornando

progressivamente pior, especialmente depois da primeira intifada ter começado em fins da década de 1980, resultando em maior violência contra israelenses e maiores restrições aos palestinos. O fundamentalismo islâmico estava crescendo e o Hamas – que era mais inflexível no seu fervor fundamentalista, porém menos corrupto do que a OLP – estava aumentando a sua influência entre os muçulmanos palestinos. O seu estatuto, adotado em agosto de 1988, é até mais extremista e declaradamente anti-semita do que o estatuto da OLP. Exige a "reinstituição do Estado muçulmano" em "cada centímetro" da Palestina e o erguimento da "bandeira de Alá" sobre toda a Palestina, que é descrita como "Waqf islâmico". Proclama que qualquer acordo, mesmo se todo dirigente árabe e palestino o aceitasse, seria uma violação da lei islâmica. Todas as iniciativas de paz ou "assim chamadas soluções pacíficas são contrárias às

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crenças do Movimento de Resistência Islâmica". E "renunciar a qualquer parte da Palestina significa renunciar à parte da religião". Proclama que não se pode confiar nem em judeus nem em cristãos, caracterizados coletivamente como "infiéis", e declara que "não ha solução para o problema palestino a não ser pela jihad [guerra santa muçulmana]. Os estatutos tornam-se aberta e cruamente anti-semitas ao descrever o "nazismo dos judeus" e reivindicar que "Israel, em virtude de ser judeu e ter uma população judaica, maculou o islã e os muçulmanos". Falsamente afirmam que "quando os judeus ocuparam a sagrada Jerusalém em 1967, gritaram com alegria ‘Maomé esta morto, ele deixou as filhas para trás’" significando que os judeus querem violentar mulheres e meninas muçulmanas. Depois invocam a criação czarista anti-semita Os protocolos dos sábios de Sião e argumentam que a sua "[conduta] presente é a melhor prova do que lá está escrito [nos Protocolos]". Os estatutos do Hamas também culpam os judeus pelas revoluções Francesa e Russa, pelas duas guerras mundiais e pela criação da ONU "para governar o mundo".3 Chamando a chegada dos judeus refugiados à Palestina de "esta desprezível invasão nazi-tártara", os estatutos – num arroubo de irracionalidade, excedendo mesmo a que veio anteriormente – joga parte da culpa sobre os "maçons, clubes Rotary e Lions [e outras] organizações secretas [que] agem a favor dos interesses do sionismo e sob suas ordens e procuram destruir sociedades" e "distribuir drogas e tóxicos de todos os tipos para facilitar seu controle e expansão". Os estatutos terminam exigindo que todos os muçulmanos resistam a essa nova cruzada dos "judeus, os mercadores da guerra", como resistiram às cruzadas cristãs. Descrevendo o judaísmo como "uma fé falsa e falsificada", confiantemente os estatutos prevêem uma vitória sobre os "sionistas nazistas".4 Os estatutos do Hamas condenaram o Egito por fazer a paz com Israel e condenaram a OLP por "adotar pensamento secular" e advogar soluções seculares. Apenas um Estado puramente islâmico, sem judeus, e com todos os cristãos árabes numa posição subordinada, seria aceitável pelo Hamas. Alguns meses mais tarde, um panfleto da Fraternidade Muçulmana caracterizou os judeus como "A mais suja e vil de todas as raças" e impressos chamaram os "judeus de irmãos dos macacos, assassinos dos profetas". 5 Esse tipo de retórica racista também permeia os currículos escolares em toda a margem ocidental e em Gaza. Uma prova de colégio colocou a seguinte questão: "Explique as razões que fizeram os europeus perseguir os judeus". A resposta, corno encontrada no texto do livro escolar, inclui os "fatos de que os judeus são "autocentrados", que a sua Torá promove "o fanatismo religioso e racial [e] o dolo em relação

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a outras nações" que têm "crenças anticristãs" e causam "massacres", que controlam a "economia",

que se sentem "superiores", que são "loucos por dinheiro" e que crucificaram

Jesus. O texto também diz aos estudantes para não se compadecerem dos judeus porque "a perseguição [é] desejada pelos judeus" para que possa ser "explorada para a realização de lucro... material" e para ajudar a "sionizar" os judeus do mundo.6 De forma não surpreendente a intifada assumiu um tom abertamente anti-semita, como demonstrado pelas arengas semanais das sextas-feiras, em defesa da violência, irradiadas pela mídia da Autoridade Palestina.7 Também dirigiu extrema violência contra os palestinos que supostamente estariam colaborando com Israel. Morris escreve: "No fim de 1989, aproximadamente noventa árabes que tinham dado informações aos israelenses ou os tinham ajudado vendendo terras, foram mortos e muitos torturados de maneira bárbara antes de serem executados".8 Ao final da intifada, em 1993, quase 400 palestinos tinham sido assassinados por outros palestinos – quase tantos quantos foram mortos pelas forças de defesa de Israel.9 Numa incrível demonstração de afronta, alguns porta-vozes palestinos contaram esses assassinatos ao fornecerem dados à mídia com uma lista de palestinos mortos durante a intifada!10 A intifada provavelmente conduziu tanto o governo de Israel como a OLP (que estava perdendo o controle sobre os grupos palestinos de rua para os grupos mais radicais islâmicos) a algum tipo de aproximação. Os Estados Unidos estavam cuidadosamente fazendo esforços nesse sentido por vários dias, assim como alguns pacifistas israelenses. Quando o processo de paz de Oslo começou, no início da década de 1990, Israel estava disposto a aceitar a Autoridade Palestina como um parceiro de negociação igual desde que esta aceitasse o direito de existência de Israel Nunca antes na história, o lado vencedor de guerras defensivas tinha estado disposto a negociar com o lado perdedor, que havia começado as guerras, sendo tratado como igual. Considerar aqueles que haviam iniciado guerras agressivas, e que as haviam perdido, como parceiros iguais de negociação é encorajar a deflagração de guerras como um acessório à negociação. Deve haver um preço a pagar por começar e perder guerras. Esse preço inclui um status diminuído nas negociações de paz do pós-guerra. Se um povo tem a liberdade de iniciar uma guerra, exigir a paz, quando perde, e depois esperar ser tratado na mesa de negociação como moralmente igual àqueles a quem atacaram, haverá pouco desestímulo à agressão. Por que não iniciar uma guerra? Se isso falhar, iniciem-se negociações, insistindo na paridade como condição para não iniciar uma guerra novamente. Depois da derrota da Alemanha e do Japão na

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Segunda Guerra Mundial, imaginemos como o mundo teria reagido se alguns alemães e japoneses tivessem utilizado o terrorismo contra as potências vitoriosas, depois exigido um status igual como negociadores nas negociações do pós-guerra. Tratar os palestinos como parceiros iguais de negociação implica o risco de enviar uma mensagem errada sobre a guerra agressiva. Os palestinos deveriam ser tratados como agressores que perderam. Deveriam ser tratados com honestidade, mas sem reivindicações morais sobre uma parceria em igualdade de condições no processo de negociação. Desentendimentos sobre segurança deveriam ser resolvidos desfavorecendo aqueles que começaram as guerras e favorecendo aqueles que se defenderam, com sucesso, contra a agressão. Disputas sobre o controle dos lugares sagrados também deveriam ser resolvidas desfavorecendo aqueles que se apoderaram desses lugares, como os árabes fizeram em 1948, negando acesso àqueles de quem as áreas foram tomadas. Os agressores deveriam ser obrigados a absorver refugiados criados pela sua agressão. No fim, entretanto, devem ser alcançados compromissos para assegurar a paz, os quais nem sempre podem ser baseados em simples princípios. Mas, ao menos, o princípio compromissado deveria ficar claro, e esse princípio é que ninguém deveria beneficiar-se por ter iniciado uma guerra agressiva e ter perdido. A principal razão pela qual os palestinos receberam o mesmo status nessas negociações foi que a maioria dos israelenses queriam a paz mais desesperadamente do que a maioria dos palestinos. As pesquisas de opinião pública demonstram claramente essa realidade. A maioria das pesquisas mostra que uma grande parte de israelenses deseja paz e pode ceder muito num esforço para assegurá-la,11 enquanto 87% dos palestinos querem a continuação do terrorismo até que toda a Palestina esteja libertada.12 Assim, Israel está há tempos preparado para dar mais, na esperança de alcançar uma paz duradoura e segura. Essa atitude é certamente elogiável, mas há questões até maiores em jogo do que a paz no Oriente Médio. Outras nações e povos não devem ser encorajados a perseguir a trilha agressiva da guerra e do terrorismo que conduziu os palestinos a receber um status de igualdade no processo de negociação. Se os palestinos conseguirem tudo o que têm procurado nessa trilha será apenas uma questão de tempo antes de outras nações e povos que se julguem lesados perseguirem a guerra agressiva e o terrorismo como primeira opção. O mundo será um lugar muito mais violento e perigoso se essa for a lição das negociações entre israelenses e palestinos. Thomas Friedman, do New York Times, advertiu que se o terrorismo for recompensado no Oriente Médio "acabará chegando perto de você".13

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O resultado final dessas negociações tem sido um contínuo processo de começar e parar e recomeçar e parar novamente com muita esperança seguida por muito desapontamento quanto à solução do conflito palestino-israelense e, talvez até mesmo, do conflito árabe-israelense. O processo de paz de Oslo finalmente conduziu a um fim a ocupação israelense de cidades, vilas e aldeias palestinas (com poucas exceções). Em 25 de setembro de 1995, Israel e a Autoridade Palestina assinaram um acordo segundo o qual as tropas de Israel deveriam retirar-se da maioria das áreas populadas da margem ocidental e de Gaza.14 A polícia da Autoridade Palestina, em número de 30 mil, assumiu o controle desses centros populacionais palestinos. Apesar de Israel ainda manter controle de áreas substanciais da margem ocidental, onde há poucos ou nenhum residente palestino, a ocupação de centros populacionais palestinos terminou substancialmente em 1995. Havia durado 28 anos. Israel não reocupou nenhum desses centros populacionais ate 2001, aproximadamente um ano depois de uma onda de ataques suicidas ter começado, e, mesmo então, apenas reocupou, temporariamente, aqueles lugares que estavam sendo usados como base para ataques terroristas. Jericó, por exemplo, não foi reocupada, já que não havia servido de base para o terrorismo. Durante os quase seis anos de controle palestino sobre os seus centros populacionais, algum progresso foi feito no sentido de resolver assuntos pendentes. A OLP, embora não o Hamas e outros grupos radicais islâmicos, parecia mover-se no sentido de aceitar uma solução de dois Estados para o conflito palestino-israelense. No começo do verão de 2000 parecia que a paz poderia estar próxima. O terrorismo havia diminuído um pouco em relação aos vários anos anteriores e um governo pacifista de Israel, liderado por Ehud Barak, estava procurando ativamente pela paz. Bill Clinton, no último ano do seu mandato, estava determinado a deixar um legado de paz no Oriente Médio. Os israelenses e a OLP concordaram em reunir-se a partir de 11 de julho de 2000, sob os auspícios dos Estados Unidos. Ao longo dessas reuniões, que duraram até janeiro de 2001, Barak surpreendeu o mundo oferecendo aos palestinos quase todo o território que estavam desejando. Quando as negociações terminaram, Barak havia aceito a proposta ainda mais generosa de Clinton e estava oferecendo aos palestinos "entre 94% e 96% da margem ocidental" e toda a faixa de Gaza.15 Em troca dos 4% ou 6% que ficariam em mãos israelenses por questões de segurança, Israel cederia 1% a 3% de sua terra aos palestinos. Isso teria atendido plenamente a Resolução 242 do Conselho de Segurança, que determinava a devolução de "territórios", não todos os territórios, conquistados na guerra defensiva de Israel com a Jordânia. Poucas pessoas, se é que

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alguma, permaneceriam sob a ocupação israelense. Além disso, Barak ofereceu aos palestinos um Estado com a parte árabe de Jerusalém como sua capital e completo controle sobre Jerusalém oriental e a parte árabe da Cidade Velha, bem como todo o Monte do Templo, apesar de seu significado histórico e religioso para os judeus. Israel manteria o controle sobre o muro ocidental, que não tem significado para os muçulmanos. Sobre a questão dos refugiados, Israel "reconheceria o sofrimento moral e material causado ao povo palestino como resultado da guerra de 1948 e a necessidade de dar assistência à comunidade internacional para enfrentar o problema".16 Israel aceitaria alguns dos refugiados por motivos humanitários e de unificação de famílias, mas a maioria viveria no Estado palestino; 30 bilhões de dólares em compensação seriam acordados para aqueles que não mudassem para Israel. Nenhuma compensação foi oferecida pelos refugiados judeus dos Estados árabes em seguida às guerras de 1948 e 1967. No que se referia as colônias judaicas. Barak concordou com a "eliminação da maioria das colônias e a concentração da maior parte dos colonos dentro" da pequena porcentagem da margem ocidental a ser anexada por Israel.17 Yasser Arafat rejeitou a proposta de Barak, deixando claro que jamais entregaria o direito de mais de 4 milhões de palestinos de retornarem a Israel em vez de viverem no Estado palestino com uma compensação. Isso tornaria Israel, evidentemente, mais um outro Estado palestino, além da Jordânia e do novo Estado da margem ocidental e da faixa de Gaza. O problema dos refugiados palestinos foi sempre uma manobra feita para tornar Israel um Estado palestino, e a rejeição de Arafat da generosa oferta de Barak demonstrou isso com pouca ambiguidade. É bem natural que a maioria dos palestinos preferisse viver num Estado palestino, sob controle palestino, a viver em um Estado judeu sob controle israelense – isso é certamente o que os palestinos têm exigido durante anos. Mas, se o objetivo é inundar Israel com milhões de árabes para torna-lo mais um Estado palestino, muitos refugiados poderiam decidir – ou serem persuadidos a – fazer o seu dever e mudar para Israel, se tivessem escolha. O jornal pacifista israelense Há’aretz escreveu o seguinte editorial, depois de Barak ter feito a sua oferta: Os palestinos não podiam querer um momento mais adequado para conseguir o melhor tratado de paz possível do que exatamente agora. Mas eles querem mais... Acima de tudo querem o direito de retorno para serem reconhecidos e plenamente atendidos. O problema dos refugiados palestinos não foi causado por Israel; foi causado pelos Estados árabes, que ten-

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taram, repetidas vezes, usar a força bruta para nos eliminar do mapa... O cumprimento do direito do retorno significaria o fim de Israel como um Estado judeu, e assim Israel jamais concordará com essa exigência. Se os palestinos incluíram a cláusula sobre o direito do retorno como uma manobra, unicamente para destacar a sua posição na negociação, eles seriam sensatos em retirá-la precisamente agora – porque o tempo está acabando. Mesmo o mais paciente pretendente desiste de tentar conquistar uma virgem difícil de ser conseguida. Arafat perdeu a sua virgindade há muito tempo, e estamos fartos de seu jogo e de suas tentativas de ameaça... Se desistirem de agarrar essas ofertas agora, em vez de Barak receberão Sharon.18

Alguns líderes palestinos queixaram-se de que a terra oferecida não era toda contígua. A faixa de Gaza, por exemplo, é separada da margem ocidental. Israel ofereceu algumas pontes terrestres e arranjos de locação permanente, mas os palestinos exigiam contiguidade. Deve-se lembrar que a terra oferecida a Israel em 1937 pela Comissão Peel e pela ONU em 1947 também era não-contígua. Mesmo assim, Israel aceitou essas ofertas. Além disso, alguns dos principais grupos terroristas, tais como o Hamas, o Jihad islâmico e o Hezbollah, opõem-se à existência de Israel e rejeitam a criação de um Estado palestino na margem ocidental e em Gaza. Juraram continuar o terrorismo contra os judeus de Israel até que toda Palestina seja libertada e nenhum centímetro dela esteja sob controle judeu. Para eles, a mera contiguidade é irrelevante. Eles querem tudo. O real motivo por que Arafat rejeitou a oferta de Barak é que ele tinha medo de fazer a paz com Israel, independentemente do que Israel oferecesse, exceto deixar de existir. Ele sabia que os grupos radicais islâmicos, representando um crescente número de palestinos, rejeitam a solução de dois Estados e considerariam qualquer um que a aceitasse como traidor, merecendo a morte que foi o fim de tantos outros – de Abdullah a Sadat e de palestinos moderados – que haviam previamente aceito o direito de Israel de existir. Era mais seguro para Arafat encontrar desculpas para não aceitar a oferta de paz do que provocar a inimizade, possivelmente mortal, daqueles que rejeitam o direito de Israel de existir. Existem alguns que põem a culpa da renovação do terrorismo que se seguiu à rejeição de Arafat à oferta de paz israelense sobre a decisão de Ariel Sharon – antes de tornar-se primeiro-ministro – de visitar o Monte do Templo, em 28 de setembro de 2000. Mas as provas mostram claramente que a violência havia sido cuidadosamente planejada bem antes

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da visita de Sharon. Como o ministro das Comunicações da Autoridade Palestina ingenuamente reconheceu: A Autoridade Palestina havia começado a preparar o início da atual intifada desde o regresso das negociações de Camp David, a pedido do presidente Yasser Arafat, que previu o início da intifada como um passo complementar à firmeza palestina nas negociações, e não como protesto específico contra a visita de [Ariel] Sharon ao Al-Haram Al-Qudsi [o Monte do Templo]... A intifada não foi surpresa para a liderança Palestina. A liderança havia investido todos os seus esforços em canais políticos e diplomáticos para consertar as falhas nas negociações e no processo de paz, mas sem resultado. Encontrou a teimosia israelense e contínua negação dos direitos dos [Palestinos]... A Autoridade Palestina instruiu as forças políticas e facções para conduzirem todos os materiais da intifada.19

A Comissão Mitchell, dirigida pelo ex-líder da maioria no Senado George Mitchell – ele mesmo um descendente de cristãos libaneses – chegou a uma conclusão similar: "A visita de Sharon não causou a intifada de Al-Aksa". De fato, não houve mortes e poucos palestinos foram feridos no dia da visita de Sharon, apesar de 28 policiais israelenses terem sido feridos com pedras. As mortes e ferimentos chegaram pouco depois de um ataque orquestrado de palestinos contra judeus rezando no muro ocidental. A visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo foi negociada antecipadamente com líderes palestinos. Mesmo assim, no meu ponto de vista, foi uma provocação errada que proporcionou uma desculpa – mesmo um estopim – para a violência, mas a arma já havia sido carregada em antecipação a uma inevitável provocação de algum tipo. Uma verdadeira paz no Oriente Médio deve ser capaz de suportar o tipo de provocação verbal, simbólica, representada pela visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo. Qualquer paz duradoura deveria esperar por esse tipo de provocação de ambos os lados. O que não pode ser tolerado são respostas violentas a essas provocações, especialmente se a violência for orquestrada ou mesmo aceita nos níveis mais altos. Essa é uma lição importante que foi mal-entendida durante os sangrentos dias que se seguiram à visita de Sharon. Os israelenses são provocados diariamente por palavras e ações, desde o ensino da negação do Holocausto e do antijudaísmo em escolas palestinas dirigidas pelo Estado até uma visita provocativa no muro ocidental por legisladores árabes. A resposta apropriada à provocação verbal e simbólica é o protesto político, incluindo demonstrações e talvez mesmo interrupções de trabalho. Mas atirar pedras e bombas e dar tiros são atos

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totalmente inaceitáveis e não deveriam ser encorajados pela comunidade internacional. Mas o mundo, inclusive muita gente na mídia, no meio acadêmico e mesmo na diplomacia, parece aceitar a violência palestina como cultural. Por outro lado, algo diferente é esperado dos israelenses. Isso é relativismo cultural que se aproxima do racismo. Esperar menos dos palestinos, independentemente de suas queixas, é diminuir sua benevolência humana. O fato é que vão ocorrer provocações, especialmente numa democracia em que Sharon. como qualquer cidadão israelense, tem o direito de visitar um lugar aberto ao público que é santo, tanto para judeus como para muçulmanos. A atitude mental dos palestinos precisa mudar para que a paz se torne realidade. Eles precisam aprender que a proporcionalidade, que acertadamente exigem dos militares israelenses, também deve ser exigida deles pelos seus líderes. Provocações verbais e simbólicas fazem parte de uma democracia. Sharon, no seu próprio modo inábil, levantou um ponto relevante: quando a Cidade Velha de Jerusalém era controlada pelo governo jordaniano e pelos imames palestinos, nenhum judeu podia visitar o Monte do Templo ou rezar no muro ocidental. Depois que Israel se defendeu do ataque jordaniano durante a Guerra dos Seis Dias e conquistou Jerusalém, os lugares santos foram abertos para todos. Sharon procurou demonstrar que, se o Monte do Templo fosse devolvido ao controle palestino, ele e outros judeus não seriam bem-vindos. Pode ter havido melhores caminhos para salientar esse ponto, mas numa democracia os governos não podem, em geral, restringir a maneira pela qual pontos políticos são conquistados, desde que a maneira não seja violenta. Permitir a oposição de um atirador de pedras é minar a liberdade de expressão. Se o governo de Israel tivesse impedido Sharon de entrar no Monte do Templo, isso também teria enfraquecido o processo de paz por dar munição à extrema direita israelense. Quando os dois lados voltarem à mesa de negociação, deverão levar em consideração a probabilidade – de fato, a inevitabilidade – de que provocações similares ou mesmo piores vão ocorrer em ambos os lados. Nenhum provocador, seja simbolicamente como Sharon, seja um terrorista violento de qualquer lado, deveria ser capaz de pôr fim ao processo de paz. Serão necessárias mentes sábias e corações abertos para construir uma paz resistente a provocações. A paz egípcio-israelense, bem como a paz jordaniano-israelense, tem sido capaz de suportar ataques terroristas de indivíduos egípcios e jordanianos contra cidadãos israelenses, inclusive crianças. Os palestinos precisam aprender a suportar provocações verbais e simbólicas, assim como os israelenses precisam aprender a

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responder à violência de modo que minimize ferimentos e ataques. Já no outono de 2000, os palestinos decidiram usar a visita de Sharon como uma desculpa para acelerar o terrorismo. Como veremos em detalhe no próximo capítulo, a eclosão de terrorismo que se seguiu à rejeição da oferta de Barak por Arafat foi cuidadosamente "planejada de antemão", 20 porque Arafat sabia que, jogando a sua cartada suja terrorista, ele podia novamente influenciar a opinião pública e a diplomática a seu favor. Quando Arafat se distanciou da generosa oferta de Barak, a comunidade internacional inicialmente se voltou contra ele, a favor de Israel. Mas depois da bem planejada retomada do terrorismo contra civis israelenses e da totalmente previsível reação de Israel contra o assassinato de jovens e famílias em pizzarias, discotecas e jantares de Pessach, boa parte da opinião pública novamente se voltou contra Israel. Entendendo essa dinâmica, alguns palestinos "quase deram boas-vindas aos ataques israelenses", de acordo com o New York Times.21 Fazia parte da sua estratégia para recuperar apoio internacional. Como um diplomata declarou ao New York Times, "os palestinos dominaram uma dura aritmética da dor... as perdas palestinas contam a seu favor e as perdas israelenses também. A não-violência não compensa".22 Terrorismo é uma tática escolhida por líderes de elite porque funciona, não porque seja uma reação desesperada à opressão. Thomas Friedman, do New York Times, observa: O mundo precisa entender que os palestinos não escolheram homens-bomba por "desespero" resultante da ocupação israelense. Isso é uma grande mentira. Por quê? Para começar, muitas outras pessoas no mundo estão desesperadas, mas não andam por aí amarrando dinamite ao seu corpo. Mais importante, o presidente Clinton ofereceu aos palestinos um plano de paz que poderia ter posto fim à sua ocupação "desesperada", e Yasser Arafat ignorou-a.23

Um levantamento de uma pesquisa sobre quem se transforma num homem-bomba mostra a mentira da afirmação de que o terrorismo é a consequência inevitável da falta de esperança, pobreza e de privação dos direitos civis. "Tão lógico quanto possa parecer o argumento de que pobreza gera terrorismo, diversos estudos mostram que os atacantes suicidas e os que os apoiam raramente são ignorantes ou empobrecidos". Muitos foram educados "em circunstâncias relativamente prosperas e frequentaram a universidade". Um estudo com cerca de 250 aspirantes palestinos a homens-bomba mostrou que "nenhum era inculto, desesperadamente pobre, de mente pouco desenvolvida ou deprimido". Outros

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estudos descobriram que esses assassinos em massa "não eram ignorantes, desamparados ou privados dos direitos civis". Tinham "trabalhos normais, respeitáveis" e pareciam "ser membros totalmente normais de suas famílias". Eles não "exprimem falta de esperança ou um senso de 'nada a perder".24 O desespero pode explicar como tem sido fácil para os líderes de elite persuadir jovens impressionáveis a tornar-se homens-bomba, mas só o desespero não é a explicação completa mesmo para aquela forma de abuso de crianças palestinas. As glorificações do homem-bomba, associadas com a desumanização da sua vítima, são fatores contributivos essenciais para o motivo de crianças estarem dispostas a autodestruir-se. Um exemplo da glorificação política do bombardeio suicida é a afirmação feita pela esposa de Yasser Arafat, que vive em luxo com sua filha em Paris. Embora longe de estar desesperada, ela disse que "odeia" Israel e, se tivesse um filho, não haveria "maior honra" para ele do que tornar-se um homem-bomba que matasse judeus. Ela não disse se queria que sua filha se tornasse uma mártir.25 Líderes religiosos e políticos islâmicos tornam mais fácil para esses assassinos suicidas envolver-se no assassinato em massa de civis por desumanizar israelenses e judeus nas suas escolas, mesquitas e na mídia. Como Charles Krauthammer escreveu no Washington Post, "Arafat criou uma geração inteira educada no ódio aos 'judeus-nazis'". Essa doutrinação inclui "a mais grosseira instigação ao assassinato, como neste discurso de Ahmad Abu Halabiya, indicado e subvencionado por Arafat, transmitido ao vivo na televisão oficial da Autoridade Palestina no começo da intifada. O tema: 'os judeus'". (Nota: não os israelenses, mas os judeus): "Eles precisam ser massacrados e mortos, como Alá todopoderoso disse: 'Lutem contra eles: Alá vai torturá-los nas suas mãos'... Não tenham piedade dos judeus, não importa onde estejam, em qualquer país. Lutem contra eles onde estiverem. Onde os encontrarem, matem-nos".26 Os educadores palestinos também incitam seus estudantes a assassinar por uma retórica racista. Uma cerimonia de final de ano para 1.650 alunos de jardim-de-infância realizada pelo Hamas "incluiu uma encenação de crianças que encorajavam o assassinato de judeus como um mandamento religioso".27 Essa combinação de mensagens religiosas, políticas e da mídia ajuda a explicar por que, entre os muitos povos desesperados da terra, apenas as crianças palestinas fazem fila para cometer suicídio e homicídio.28 Pode parecer irônico que, logo depois de Israel oferecer aos palestinos quase tudo que eles e a comunidade internacional queriam – um Estado palestino com a Jerusalém árabe como sua capital, devolução de

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toda a faixa de Gaza e de quase toda a margem ocidental, uma resolução justa e prática do problema dos refugiados e um fim das colonizações judaicas –, (Israel) é agora um pária da comunidade internacional, da opinião pública europeia e de grandes facções da esquerda americana, acadêmica e religiosa. Israel tornou-se o objeto de espoliação e de campanhas de boicote e outros esforços de demonização, enquanto os palestinos – que rejeitaram a oferta de paz e responderam com o assassinato sistemático e deliberado de civis israelenses – tenham se tornado os queridinhos dos mesmos grupos. Mas não é uma ironia. É o resultado de cálculos deliberados feitos pelos líderes palestinos que compreendem como é fácil provocar democracias a reagirem pelo assassinato dos seus civis mais vulneráveis. França, Inglaterra, Rússia, Estados Unidos e Canadá foram provocados de maneira similar, mas apenas Israel tem sido tão injustamente condenado pelos seus esforços, totalmente compreensíveis, mesmo que algumas vezes desproporcionais, para proteger a sua população civil do terrorismo. A liderança palestina bem entende a avidez de muitos grupos de criticar, por vários motivos, o Estado judeu pelas ações que não produzem um criticismo equivalente quando praticadas por outras nações ou grupos. As razões para esse duplo padrão de julgamento residem profundamente na psique e na história dos críticos seletivos, mas o duplo padrão é inegável e demonstrável. Isso é também avidamente explorado pelos palestinos. A tragédia é que, por aplicarem esse duplo padrão, aqueles que são severos demais com relação a Israel, ao passo que são tão condescendentes com relação aos palestinos, na realidade, encorajam os palestinos a optar pelo terrorismo em vez de adotar um compromisso de paz. Eles também são um pouco cúmplices da confiança palestina no terrorismo – e das mortes daí resultantes.

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NOTAS 1. "Israel sharpens its axe", Counter Punch, 13 de julho de 2001. www.counterDunch.ora/saidaxe.html (visitado pela última vez em 5 de abril de 2003). 2 . Palestra na Universidade de Harvard, 2 5 de novembro de 2002. 3. Morris, p. 578. 4. Laqueur e Rubin, pp. 341-348. 5. Morris, pp. 578-579. 6. Report Jews, Israel and peace in palestinian school textbooks, www.edume.org/reports/7/l.htm. 7. V. Itamar Marcus, "Palestine Media Watch Report # 37", 2 de julho de 2001 , disponível em www.pmw.org.il/report-37.html. 8. Morris, p. 581. 9. Ibid., p. 596. 10. "Em 1991 os israelenses mataram menos palestinos – aproximadamente 100 – do que os palestinos – aproximadamente 150." V. Morris, p. 612. 11. Ephraim Yaar e Tamar Hemrann, "Peace Index: most Israelis support attack on Iraq", Ha'aretz, 6 de março de 2003. 12. Thomas Friedman, New York Times, 18 de março de 2002. 13. Serge Schmemann, "Mideast Turmoil: The talks", New York Times, 18 de março de 2002. 14. Thomas Friedman, "The hard truth", New York Times, 3 de abril de 2002. 15. "Clinton Minutes", Ha'aretz, 31 de dezembro de 2000. 16. Ibid. 17. Benny Morris, "Camp David and After: an exchange. (1) An interview with Ehud Barak", New York Review of Books, 13 de junho de 2002. 18. Laqueur e Rubin, pp. 565-567. 19. Alan Dershowitz, Why terrorism works (New Haven, Conn.: Yale University Press, 2002), p. 79. Khaled Abu Toameh, "How the war began", Jerusalem Post, 20 de setembro de 2002. 21. Joel Brinkley, 4 de abril de 2002. 22. Citado em Why terrorism works, p. 82. 23. The New York Times, citado em Why terrorism works, pp. 79-80. 24. Scott Atran, "Who wants to be a martyr", The New York Times, 5 de maio de 2003, p. A27. 25. Why terrorism works, p. 80. 26. Ibid., p. 81. 27. Ibid. 28. Ibid.

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Arafat tinha razão ao recusar

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a proposta de paz de Barak e Clinton?

A ACUSAÇÃO Arafat estava certo em recusar as propostas de Barak e Clinton, em 2000-2001, e a culpa pelo fracasso das conversações de paz cabe ou totalmente aos israelenses ou é compartilhada por Barak e Arafat.

OS ACUSADORES "Às vésperas do colapso da conferência de cúpula de Camp David, em julho de 2000, a culpa foi instantaneamente atribuída ao presidente palestino, acusado de deliberada sabotagem do processo de paz ao repudiar a 'generosa oferta' de Ehud Barak, por apoiar indiretamente a liquidação do Estado judeu e, depois, por lançar um violento levante com essa finalidade. Ele tem sido insultado como um terrorista não arrependido e um mentiroso inveterado, que não mais conseguia ocultar os seus verdadeiros objetivos. Até mesmo o presidente dos Estados Unidos e muitos autoproclamados defensores do campo de paz israelense – nutrindo um profundo sentimento de confiança traída – juntaram-se a orgia de difamação." (Tony Klug, antigo chefe do desenvolvimento internacional da Anistia Internacional.)1 "O governo israelense cancelou as negociações de Taba." (Noam Chomsky)2


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A Realidade Não apenas os presidentes Clinton e George W. Bush colocaram toda a culpa sobre Arafat, mas também o fizeram muitos dos seus conselheiros mais próximos. E agora, mesmo o príncipe Bandar, da Arábia Saudita, que desempenhou um papel central nos bastidores das negociações, chamou a rejeição de Arafat diante da oferta de Barak de "um crime contra os palestinos – de fato, contra toda a região". A avaliação do príncipe Bandar, quanto à rejeição de Arafat da proposta de paz e do amplo apoio aos palestinos daí resultante, fornece um estudo de caso de como o uso do terrorismo por Arafat é estimulado pelo duplo padrão, segundo o qual Israel é culpado por oferecer paz e os palestinos são recompensados por rejeitá-la.

A Prova Na verdade, todos que desempenharam algum papel no processo de paz de Camp David e de Taba agora põem toda a culpa pelo seu fracasso na decisão de Arafat de recusar a oferta de Barak. O presidente Clinton, que estava furioso com Arafat e o chamou de mentiroso, culpou-o totalmente pelo fracasso. Dennis Ross, que era o principal negociador americano, disse que Arafat não queria aceitar nenhuma proposta de paz porque, para ele, "terminar o conflito é terminar consigo mesmo".3 A melhor prova do argumento de Ross é que Arafat nem sequer ofereceu uma contraproposta à oferta de Israel. Ele simplesmente a rejeitou e ordenou preparativos para um renovado terrorismo. O presidente Bush, de acordo com o New York Times, também "põe toda a culpa pelo aumento da violência em Arafat".4 Mesmo alguns dos mais confiáveis assessores de Arafat e antigos colaboradores estão agora lamentando a decisão e, mesmo Arafat deixou transparecer que se a mesma oferta fosse feita agora ele poderia aceitá-la – depois de aproximadamente 3 mil mortes perfeitamente evitáveis. É claro que ninguém em Washington ou em Israel leva as promessas de Arafat a sério, depois de ter mentido tanto ao presidente Clinton, em Camp David. como ao presidente George Bush, quando negou saber sobre o embarque de armas iranianas destinadas ao uso dos terroristas palestinos, apesar de uma admissão pelo capitão do navio de que as suas ordens vinham diretamente de Arafat.5 Tampouco os membros mais pacifistas do campo de paz israelense confiam em Arafat, muitos dos quais se sentem absolutamente traídos pela sua recusa de uma oferta que eles pressionaram Barak a fazer e a qual, conforme lhe asseguravam, Arafat

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aceitaria. Culpam Arafat pela derrota eleitoral de Barak diante de Sharon em seguida à rejeição do que muitos israelenses consideram atualmente como uma oferta ingênua e generosa demais. Se Arafat não quis aceitar aquela oferta, eles acreditam que não vai querer aceitar nenhuma oferta de paz que permita Israel existir. Numa notável série de entrevistas conduzidas por Elsa Walsh para o New York Times, o príncipe Bandar, da Arábia Saudita, revelou publicamente o seu papel nos bastidores do processo de paz e o que disse a Arafat. As revelações de Bandar ultrapassam tudo o que já foi previamente revelado por uma fonte interna às negociações e fornecem a melhor prova disponível de como Arafat joga a carta do terrorismo para mudar a opinião pública, não apenas no mundo árabe e muçulmano, mas no mundo em geral. Bandar, que foi um diplomata da Arábia Saudita em Washington durante 20 anos, é um membro de alto escalão da família real, serviu de intermediário decisivo entre Arafat e a administração Clinton. Ele, como quase todo mundo, ficou surpreso com a "extraordinária" oferta de Barak, que dava ao Estado palestino "cerca de 97% dos territórios ocupados",6 a Cidade Velha de Jerusalém, exceto as partes judaicas e armênias, e 30 bilhões de dólares em compensação pelos refugiados. Arafat solicitou a ajuda de Bandar nas negociações com o príncipe Abdullah, o monarca em exercício da Arábia Saudita. Bandar concordou, mas disse a Abdullah que "não há muito que eu possa fazer, a não ser que Arafat esteja disposto a entender que é isso mesmo". Uma melhor oferta de Israel não era possível. Em 2 de janeiro de 2001 – algumas semanas antes do final do mandato de Clinton –, Bandar recebeu Arafat na Base da Força Aérea de Andrews, examinou a proposta de Barak e perguntou a Arafat se ele poderia conseguir um "acordo melhor". Bandar também lhe perguntou diretamente se ele preferia negociar com Sharon em vez de Barak. Arafat disse que sim, desde que "os negociadores de Barak sejam pacifistas". Bandar então reavaliou a história das oportunidades perdidas com Arafat: "Desde 1948, cada vez que temos algo sobre a mesa dizemos não. Em seguida, dizemos sim. Quando dizemos sim, o assunto já não está mais em pauta. Depois temos de negociar com algo menor. Não é hora de dizermos sim?". Bandar enfatizou que os árabes sempre haviam dito aos americanos que, se "vocês conseguirem uma boa negociação em relação a Jerusalém, nós também vamos em frente". Bandar expôs as opções a Arafat: "Ou você aceita este acordo ou partimos para a guerra. Se você aceitar este acordo, todos disporemos a nossa influência a seu favor. Se você não o aceitar, você pensa que alguém irá à guerra por sua causa.?".

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Pouco tempo depois, Bandar advertiu severamente Arafat: "Eu espero que o senhor se lembre do que eu lhe disse. Se perdermos esta oportunidade não será uma tragédia, será um crime". Apesar das promessas de Arafat de que aceitaria a oferta se a Arábia Saudita e o Egito lhe dessem cobertura, e apesar das garantias egípcias e da Arábia Saudita e das ameaças de Bandar, Arafat rejeitou o acordo e voltou para casa sem oferecer nenhuma contraproposta ou retificação. Como as negociações se realizaram com hesitação, Arafat ordenou aos seus líderes terroristas que desencadeassem a violência. Ele tinha um plano de como transformar um desastre de relações públicas e um crime contra o povo palestino num sucesso de relações públicas. Era um plano já experimentado e verdadeiro; funcionou até melhor dessa vez do que no passado. Mas, voltando ao príncipe Bandar, ele estava bem furioso com Arafat, porque este lhe havia mentido, embora não estivesse surpreso, como relata Walsh: "Bandar disse aos seus colaboradores que todos no mundo árabe sabiam que Arafat não era verdadeiro". Pessoalmente, Bandar atribuiu toda a culpa a Arafat. "Clinton, o canalha, realmente tentou o melhor possível", disse Bandar a Walsh, oficialmente. Os seus comentários mais críticos com relação a Arafat foram, aparentemente, feitos em off, como novamente relatado por Walsh: Bandar acreditou que a recusa de Arafat do acordo de janeiro de 2001 foi um erro trágico – na verdade, um crime. Mas dizer isso em público seria ruim para a causa palestina... Bandar estava particularmente furioso com Arafat porque, se ele defendesse publicamente o relatório de Barak, poderia parecer um apologista de Barak e de Israel. "Eu estava lá, eu fui testemunha, eu não posso mentir", ele disse, confidencialmente.8

Mas ele estava disposto a fazer as seguintes afirmações de condenação de maneira aberta: "Eu ainda não me recuperei, para dizer a verdade intimamente, da magnitude da oportunidade perdida em janeiro", declarou-me Bandar na sua casa em McLean, Virgínia. "Mil e seiscentos palestinos mortos até agora. E setecentos israelenses mortos. Para mim, nenhuma única vida perdida desses israelenses e palestinos se justifica."9

Mas esse não é o fim da história. Agora voltamos ao grandioso plano de Arafat para recuperar o apoio de Bandar, dos países árabes e da maioria do resto do mundo. O plano era simples: começar assassinando judeus em oração, adolescentes israelenses em pizzarias e discotecas, mulheres grá-

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vidas em shopping centers, trabalhadores fazendo uma pausa para comer falafel e universitários tomando refrigerantes num bar para estudantes. Você pode contar com uma reação exagerada de Israel, especialmente depois de ter ajudado a eleger um general embusteiro como primeiro-ministro, que prometeu ser duro contra o terrorismo. Mesmo se não houver uma grande reação, certamente haverá alguma que você poderá caracterizar como exagerada. Mesmo uma reação branda ao terrorismo vai produzir algumas vítimas civis, especialmente se você tiver o cuidado de localizar as suas fábricas de bombas ao lado de jardins-de-infância e usar mulheres (incluindo as grávidas) e crianças como escudos humanos, atiradores de bombas e pedras, e mesmo homens-bomba. O plano funcionou, mesmo com Bandar, que sabia exatamente o que Arafat estava fazendo. Walsh descreve que o príncipe estava assistindo à televisão e viu um soldado israelense empurrando uma mulher palestina. O príncipe telefonou a Bandar: "É isso aí. Esses canalhas! Até mulheres – eles estão pisando em cima delas".10 Bandar descreveu a raiva do príncipe, especialmente pela prática israelense de destruir casas dos membros das famílias de terroristas. "Pensamos como o povo americano veria o presidente dos Estados Unidos ordenando que todas as casas da família McVeigh fossem destruídas ou suas fazendas incendiadas", disse, referindo-se a quem bombardeou o edifício em Oklahoma, Timothy McVeigh.11 Abdullah deixou de mencionar que a família de McVeigh não elogiou as ações de seu filho. Nem o ajudou e o estimulou a tornar-se um mártir. Além disso, ele não fazia parte de um trabalho constante que continua a aterrorizar civis. Como resultado da resposta de Israel ao calculado terrorismo palestino, Abdullah ordenou a Bandar que encontrasse com o presidente Bush. Num desses encontros, Bandar mostrou a Bush fotografias de crianças palestinas mortas. Ele não mostrou a Bush fotografias das bem mais numerosas crianças judias que foram deliberadamente mortas por terroristas palestinos, ao contrário das crianças palestinas (algumas delas terroristas suicidas), que foram acidentalmente mortas por soldados israelenses. Mas uma fotografia de uma criança morta certamente provoca compaixão, e, como Walsh relata, "os olhos de Bush pareciam dizer que ele estava bem informado". Imagens unilaterais similares estavam sendo transmitidas pela televisão para as ruas árabes e muçulmanas, criando enorme solidariedade aos palestinos e ódio aos israelenses, o que era precisamente o objetivo do plano de Arafat. O terrorismo funciona melhor na rua árabe do que as negociações, especialmente se produz o desejado duplo benefício: o "co-

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rajoso martírio dos homens-bomba que matam odiados israelenses, seguido pela reação israelense, que gera novos mártires palestinos. O efeito na rua árabe rapidamente traduziuse em pressão sobre governos árabes, o que, por sua vez, exerceu pressão sobre os Estados Unidos. Nesse caso, Bandar pressionou os americanos a controlar os israelenses "mesmo que não confiassem em Arafat". Isso não foi útil para Bush no mundo árabe. Ele parecia estar a ponto de pôr toda a culpa em Arafat. Em maio, o príncipe da coroa, Abdullah, publicamente recusou um convite para ir à Casa Branca. "Queremos que eles vejam a realidade e considerem a sua consciência", declarou a um repórter do Financial Times. "Eles não vêem o que está acontecendo às crianças palestinas, às mulheres, aos idosos – a humilhação, a fome?"12

O resultado de toda essa pressão foi uma declaração dada pelo presidente Bush em favor do Estado palestino – a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos oficialmente endossa essa saída. Eu, pessoalmente, sou a favor da criação de um Estado palestino como resultado dos esforços para pôr fim ao terrorismo, não como uma recompensa por ter aumentado o terrorismo usando uma tática cuidadosamente calculada para alcançar a condição de Estado. O ponto real é como Arafat manipula a opinião pública abrindo e fechando a torneira do terrorismo. Mesmo aqueles que sabem intelectualmente o que Arafat está fazendo – como o príncipe Bandar – e que ele é totalmente culpado pelo colapso do processo de paz, agora estão emocionalmente compelidos a apoiar as "vítimas" da reação exagerada de Israel ao terrorismo, apesar de o terrorismo ter calculado para causar essa reação e a resposta emocional do mundo a ele. O terrorismo funciona, e Arafat explora essa realidade. A liderança palestina cometeu um erro trágico ao rejeitar a oferta paz de Barak e Clinton, em 2001-2002. Mas a maioria dos palestinos culpa Israel pelos erros do seu próprio líder. Isso é parte de um longo modelo, como descrito peio historiador Benny Morris num artigo de abril de 2003: Uma das características do movimento mundial palestino tem sido a visão dos próprios palestinos como eternas vítimas dos outros – otomanos, turcos, oficiais britânicos, sionistas, americanos – e de jamais reconhecer que eles são, pelo menos em grande parte, vítimas dos seus próprios erros e iniqüidades. De acordo com a "Weltanschauung" [cosmovisão] palestina eles nunca cometem erros; as suas desgraças são sempre culpa dos outros. O inevitável corolário dessa recusa em reconhecer sua própria atuação tem sido um perpétuo lamento – este, eu temo, é o termo apropriado – ao mundo exterior para salvá-los daquilo que, geralmente, é a sua própria culpa.13

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NOTAS 1. "The infernal scapegoat", 25 de setembro de 2001, www.mideastweb.org/infernalscapeagoat.html. 2. Palestra, Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002. 3. M. Kondracke, "Powell should tell Arafat: ‘It’s now or never’", Roll Call, 11 de abril de 2002. 4. Elsa Walsh, "The prince", The New Yorker, 24 de março de 2003, p. 61. 5. James Bennet, "Skipper ties cargo to Arafat's group", The New York Times, 7 de janeiro de 2002. 6. A citação é a descrição de Walsh do que foi mostrado a Bandar pelos negociadores americanos. 7. The New Yorker, 24 de março de 2003, p. 55. 8. Ibid., pp. 49, 58. 9. Ibid., 49. 10. Ibid. 11. Ibid., p. 59. 12. Ibid., p. 57. 13. Benny Morris, "Rejection", The New Republic, 21-28 de abril de 2003, p. 37.

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Por que morreram mais

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palestinos do que israelenses?

A ACUSAÇÃO O fato de mais palestinos do que israelenses terem sido mortos durante o recente agravamento de terrorismo (de setembro de 2000 até agora) prova que a reação de Israel é pior do que o terrorismo palestino.

OS ACUSADORES "Eu não posso acreditar que, como clérigo, você não esteja alarmado com o uso de helicópteros de ataque americanos, bombardeiros, tanques atacando a polícia de defesa palestina com pistolas, com jovens homens-bomba. Você sabe que talvez mais palestinos do que israelenses morreram por causa disso. Você não está atemorizado como clérigo, com o uso de armas americanas para matar tantos civis?" (Bob Novak, comentarista político.)1 "Abbas Hamideh disse que estava perturbado com os relatos da mídia que mostram os israelenses como vítimas quando mais palestinos morreram desde que a segunda intifada começou, em setembro de 2000." (Ernie Garcla, jornalista.)2


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A REALIDADE Há várias razões importantes que demonstram como essa comparação é enganosa. Essas razões incluem o fato de os palestinos contarem os homens-bomba como vítimas e ignorarem o grande número de ataques terroristas frustrados e evitados contra os israelenses.

A PROVA Os palestinos propositadamente tentaram matar muito mais israelenses do que de fato conseguiram, ao passo que as mortes atribuíveis a Israel foram em sua maioria causadas acidentalmente ou num esforço legítimo para tentar deter o terrorismo. Por exemplo, durante os primeiros dois meses de 2003 não houve ataques terroristas bemsucedidos contra civis israelenses. Isso não ocorreu porque os terroristas palestinos não tivessem feito esforços consideráveis para cometer atos letais de terrorismo. As autoridades israelenses impediram centenas de tentativas de ataques terroristas apenas nesse período. Uma tentativa de ataque terrorista carrega a mesma culpabilidade moral que um ataque bem-sucedido. Se cada uma dessas tentativas de ataques bem planejados tivesse tido êxito, talvez tantos milhares de cidadãos israelenses teriam sido mortos nesses dois meses de "calma" e dezenas de milhares mais, desde que os ataques suicidas recomeçaram em 2000. Num único ataque planejado – o frustrado bombardeio da Shalom Towers (a torre israelense equivalente ao World Trade Center) – centenas de civis poderiam ter sido mortos. Num outro, o frustrado ataque das instalações de gás e combustível Pi Gilot em Tel Aviv, milhares mais poderiam ter sido mortos. Entre setembro de 2000 e agosto de 2002 "aproximadamente 14 mil ataques foram feitos contra a vida, pessoa e propriedade de inocentes cidadãos israelenses residentes, os idosos, as crianças e as mulheres".3 Desde então muitos ataques ocorreram. Milhares mais foram frustrados ou impedidos.4 Uma estimativa conservadora do número de israelenses que poderiam ter sido mortos se todos ou a maioria desses atentados tivessem tido êxito é, pelo menos, dez vezes maior do que os mais de 800 que foram efetivamente mortos. O número de cidadãos israelenses mortos, em comparação com o número de cidadãos palestinos mortos, também reflete diferentes prioridades na alocação de cuidados médicos aos feridos. Israel tem alocado recursos substanciais ao atendimento médico em ataques terroristas. Desenvolveu uma especialidade médica de tratamento das vítimas dos 165


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ataques terroristas e tem conseguido transformar centenas de resultados que, de outra forma, teriam sido fatais em casos de ferimentos muito graves, muitas ve.es permanentes, mas não mortais. O número de israelenses seriamente feridos, com deficiências permanentes, esta na casa dos milhares Muitas dessas vítimas teriam morrido se o atendimento médico israelense não tivesse sido tão extraordinário. O New York Times informou que: "As pesquisas publicadas neste ano [dezembro de 2002] sugerem que o fator mais significativo de manter baixa a taxa de homicídios significa... ambulâncias mais rápidas e melhores cuidados na sala de emergência".5 A pesquisa concluiu que: "A taxa de mortalidade está caindo em 70%. Assaltantes "não são menos mortíferos – apenas esta ficando mais difícil matar". O mesmo é verdade para os terroristas palestinos: eles não são menos mortíferos – está apenas mais difícil para eles matar israelenses devido ao excelente atendimento médico. A resposta médica de Israel ao terrorismo deve ser comparada com a resposta palestina. A Autoridade Palestina decidiu não mais transferir palestinos feridos a hospitais israelenses, apesar do fato de hospitais israelenses serem completamente apolíticos no seu tratamento dos pacientes, fazendo a sua triagem com base na gravidade dos seus ferimentos e não na necessidade de saber em que lado do conflito eles estão.6 O ministro da Saúde de Israel "várias vezes ofereceu tratar todos os palestinos feridos na atual Intifada em hospitais de Israel e a custa de Israel". O ministro destacou que "as instalações palestinas não tem condições de tratar muitos dos feridos. Os palestinos rejeitaram a oferta, de acordo com o ministro da Saúde, "porque eles preferem que não saibamos a verdade sobre o número de seus feridos".7 Quaisquer que sejam as razões, a realidade é que significativamente menos palestinos teriam morrido dos seus ferimentos se os seus lideres tivessem permitido que fossem tratados pelos excelentes especialistas em pronto-atendimento de Israel e não por médicos muitas vezes incompetentes e hospitais palestinos inadequados. Já em 1994, quando havia muito menos violência, administradores de hospitais palestinos deixaram "quatro palestinos feridos [morrerem] por falta de sangue, enquanto estavam sendo mandados de Hebron para o Hospital Mohassed em Jerusalém numa ambulância. Isso ocorreu enquanto [Israel] ofereceu helicópteros para transportar os feridos a hospitais israelenses para cuidado médico gratuito". Um juiz da Suprema Corte, indicado para investigar esta tragédia, ficou furioso com os administra

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dores palestinos, declarando que ele não "entende a idéia de se recusar a ajuda médica com base em motivos políticos".8 A recusa de palestinos de levar os seus feridos ao melhor centro médico tem contribuído para um número de mortes palestinas que seriam evitáveis. Além disso, apesar da enorme riqueza pessoal desses palestinos por meio de corrupção – a fortuna pessoal de Arafat, de acordo com a revista Forbes, passa de 300 milhões de dólares –, bem pouco dinheiro tem sido alocado na melhoria do primitivo sistema de medicina de emergência da Autoridade Palestina. Isso também tem contribuído para o número de mortes que poderiam ter sido evitadas Alguns porta-vozes palestinos contam entre os palestinos mortos os seguires: os próprios homens-bomba; combatentes dos líderes de grupos terroristas, incluindo aqueles como o engenheiro que tinha responsabilidade operacional pela fabricação de bombas; terroristas mortos em autodefesa ao colocarem ou atirarem bombas; fabricantes de bombas (e seus vizinhos) que morreram quando as bombas que estavam fabricando explodiram acidentalmente; colaboradores que foram mortos por outros palestinos; mesmo pessoas que morreram como resultado da absurda e perigosa pratica de atirar munição ao ar em funerais e protestos palestinos. A ideia de que qualquer um contraria os homens-bomba e outros terroristas que morreram como vítimas em comparação com os civis inocentes que eram seus alvos é tão absurda e imoral que desafia qualquer explicação sobre como a mídia pode apresentar esses números como baixas comparativas com a cara limpa. Mas muitos jornais e relatos de televisão e rádio continuam a fornecer esses números comparativos assimétricos e tendenciosos. Os palestinos também contam pessoas inocentes surpreendidas em fogo cruzado entre combatentes palestinos e israelenses, mesmo em situações em que não se pode saber qual lado disparou o tiro fatal. Por exemplo, a criança que foi filmada pela televisão francesa nos braços de seu pai pode muito bem ter sido atingida por atiradores palestinos, de acordo com um relatório investigativo da televisão alemã, que comparou o ângulo das balas com a localização dos atiradores palestinos e Israelenses. "As amplas provas indicam, com alta probabilidade, que os israelenses não fizeram isso."9 Além disso, porta-vozes palestinos claramente exageram no número de vítimas, como fizeram em seguida à luta em Jenin, em 2002. Inicialmente os palestinos sustentavam que Israel havia "massacrado" 3 mil civis. Depois reduziram este número para 500. O secretário-geral da ONU verificou que o número de palestinos mortos foi de 52, muitos dos quais eram combatentes armados. Não há provas de que soldados israelenses deliberadamente tenham matado um

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único civil apesar do fato de que combatentes armados, atirando entre civis em Jenin, e escondendo-se em casas de civis, tenham matado 23 soldados israelenses. Esse deliberado exagero é bem típico, mesmo entre acadêmicos palestinos. O professor Edward Said escreveu que "centenas de milhares [foram] mortos... por Israel com apoio norteamericano".10 Isso é simplesmente uma mentira. Um crítico mais polido chamou isso de "uma reivindicação absurda".11 Mesmo com todas essas distorções e exageros, o real numero de civis palestinos inocentes, mortos por israelenses, é consideravelmente menor do que o número de israelenses inocentes mortos por palestinos. A vasta maioria de palestinos que foi morta estava diretamente envolvida em atividade terrorista. Aqueles que não estavam diretamente envolvidos foram mortos acidentalmente no curso de ações militares legítimas contra terroristas De acordo com uma análise interna das Forças de Defesa Israelenses, como informado no Boston Globe, em abril de 2003. "18% dos quase 2 mil palestinos mortos por forças de Israel desde que o levante começou em setembro de 2000, eram civis sem ligações com atos de terror".12 Isso representa aproximadamente 360 civis inocentes mortos em ações de legítima autodefesa. No meu ponto de vista, esse número e esse percentual são muito altos e Israel deve carregar alguma responsabilidade pelos palestinos mortos e feridos. Mas a responsabilidade moral de Israel por essas baixas acidentais, apesar de muitas vezes previsíveis, de nenhum modo se compara com a responsabilidade dos terroristas palestinos que alvejaram deliberadamente cada vítima civil israelense. Das mais de 800 mortes israelenses, aproximadamente 567 foram de civis inocentes, muitos dos quais crianças, mulheres e idosos.13 Cada uma dessas mortes é um assassinato de primeiro grau. Comparar a morte acidental de civis durante a legítima autodefesa contra o terrorismo com o assassinato intencional de civis inocentes é como comparar o remédio com o veneno. Ambos podem resultar em morte; mas com o primeiro é um efeito colateral trágico, apesar de algumas vezes previsível, enquanto o segundo é o eleito diretamente pretendido. O número de mulheres israelenses e crianças mortas e feridas é bem maior do que o de mulheres palestinas e crianças mortas e feridas – simplesmente três vezes mais, de acordo com um estudo.14 Uma proeminente escritora feminista observou: Do lado Israelense, 80% dos mortos eram não-combatentes, a maioria dos quais eram mulheres e meninas. As vítimas israelenses femininas foram em número multo maior do que as vítimas femininas palestinas numa proporão de 3:1 ou 4:1. (Até agora não ouvi queixas de feministas sobre isso;

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vocês ouviram?) As mulheres e meninas israelenses constituíram quase 40% dos nãocombatentes israelenses mortos por palestinos. Das mortes palestinas, mais de 95% eram de homens. Em outras palavras, os palestinos propositalmente foram atrás de mulheres, crianças e outros civis desarmados e os israelenses lutaram contra soldados homens, armados, que os estavam atacando.15

Mesmo quando os homens – que mais provavelmente são combatentes – são incluídos, o número de israelenses inocentes mortos e feridos excede o número de palestinos inocentes mortos e feridos, e as razões deveriam ser óbvias a qualquer um que se dê ao trabalho de pensar nisso mesmo por um instante. Os terroristas tentam tudo que é possível para maximizar as mortes, e diz-se que, mesmo algumas vezes, embebem os pregos que usam nas suas bombas antipessoais com veneno de rato para impedir a coagulação do sangue. Recentemente, médicos israelenses expressaram a preocupação de que o sangue de alguns homens-bomba, que se espalha por toda a cena e é tocado por pessoal médico, bem como seus ossos, que penetram no corpo de suas vítimas, possa conter vírus da hepatite ou da Aids, levantando o temor de que líderes terroristas poderiam estar transformando homens-bomba em portadores de armas biológicas, seja aplicando injeções, seja selecionando homens-bomba portadores. Um primeiro caso desse tipo foi documentado na edição de julho de 2002 do Israel Medicai Association Journal. Médicos no Hillel Yaffe Medicai Center, em Hadera, extraíram fragmentos ósseos do pescoço, peito e virilha de uma mulher que havia sido vítima de um ataque suicida. Os fragmentos ósseos foram enviados ao Instituto de Medicina Forense em Tel Aviv, e foi encontrado o vírus de hepatite B.16 Os autores da revista médica disseram: "Fragmentos de ossos humanos, que agem como corpos estranhos e são de origem biológica infectada, são um novo conceito em ferimentos por explosão". 17 Os médicos "levantaram a hipótese de que homens-bomba podem carregar um número de doenças infecciosas, incluindo tipos de hepatite, HIV, sífilis, dengue, doença de Creutzfeld-Jacob ou malária".18 A teoria virou prática quando as vítimas da explosão na cafeteria da Universidade Hebraica tiveram de receber doses maciças de antibióticos porque "os médicos israelenses descobriram que muitos dos homens-bomba estão Infectados com doenças que vão da hepatite ao HIV".19 Resta constatar se isso foi uma situação isolada ou uma revoltante escalada na metodologia do terrorismo. No meio tempo, os hospitais israelenses devem estar preparados para o pior cenário. As revistas médicas israelenses estão discutindo esses problemas. De fato, toda a edição de ju-

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lho de 2002 do Jornal da Associação Médica de Israel foi dedicada ao assunto "Terror e medicina". Os primeiros a tomar medidas foram equipados com kits de teste, vacinas e antibióticos para confrontar essa nova ameaça em potencial. E não será fácil, porque "kits de teste são feitos para sangue. É muito difícil testar ossos, especialmente no caso de um vírus frágil como o HIV".20 Além disso, o novo perigo requer a remoção cirúrgica de ossos que de outra forma, ficariam no corpo da vítima. Os terroristas têm sucesso sempre que tornam mais difícil o trabalho daqueles que tentam salvar vidas. Segundo esse padrão, as novas ameaças feitas por homens-bomba infectados representam uma vitória do terrorismo. Num claro contraste ao modus operandi dos terroristas palestinos – matar tantos judeus inocentes quanto for possível, usando qualquer meio disponível – os civis palestinos inocentes que foram mortos pelos israelenses não eram os alvos pretendidos dos esforços israelenses de contra-terrorismo. Israel procura usar balas de borracha e outras armas feitas para reduzir as fatalidades e aponta para as pernas sempre que possível. Quando os israelenses acidentalmente matam um civil, há críticas internas, comissões de inquérito e algumas vezes, até punição.21 Quando os terroristas palestinos assassinam crianças escolares israelenses há um festejo generalizado e elogios aos matadores. Israel não tem nada a ganhar e tudo a perder matando palestinos inocentes. O oposto é verdade para os terroristas palestinos que deliberadamente alvejam os civis israelenses mais inocentes. Por esconder-se intencionalmente e operar a partir de centros de população civil, como campos de refugiados, os terroristas palestinos usam seus próprios civis como escudos. É uma violação da lei internacional usar civis como escudos, e segundo a lei internacional um civil que é morto enquanto é usado como escudo é contado como uma vítima alvejada por aqueles que o estavam usando como escudo, não por aqueles que. legitimamente, estavam tentando atacar um alvo militar apropriado, como um terrorista armado. Reproduzindo o que um diplomata declarou ao New York Times "os palestinos dominaram uma dura aritmética da dor... As perdas palestinas contam a seu favor, e as perdas israelenses também".22 O líder do Hamas, Ismail Haniya, declarou ao Washington Post que: "Os palestinos estão afugentando os israelenses agora porque encontraram seu ponto fraco: os judeus amam a vida mais do que outros povos e preferem não morrer. Assim, os homens-bomba são ideais para lidar com eles" Essa visão sobre a vida e a morte pode ser "realmente doente" como Thomas Friedman caracterizou.23 mas é parte da aritmética terrorista palestina. Aqueles que argumentam que Israel deveria ser condenado porque mais palestinos do que israelenses foram mortos, de fato, encorajam esse cruel cálculo da morte.

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Ninguém afirma que "árabes e muçulmanos são portadores dos genes do terrorismo", como Edward Said acusa os advogados pró-Israel de acreditar nisso.24 O geneticamente homem inócuo de Said não deveria, entretanto, cegar-nos diante da triste realidade de que muito da liderança palestina – tanto política como religiosa – adotou o terrorismo como um primeiro recurso e o glorifica como parte de sua cultura e religião. Eles são responsáveis pela sua proliferação. Os líderes palestinos também são responsáveis pelo grande número de crianças e jovens adultos palestinos mortos e feridos pelo fogo israelense. Foram os líderes palestinos que mudaram as regras de combate por deliberadamente usarem crianças e jovens adultos como armas agressivas. Esses jovens – alguns com apenas 11 anos – foram recrutados como homens-bomba, atiradores de bombas e de pedras. Salah Shehadeh, um líder do Hamas em Gaza, disse numa entrevista, em 26 de maio de 2002, que as crianças estavam sendo recrutadas num ramo especial do Hamas. Numa entrevista à televisão Aljazirah, um proeminente professor muçulmano defendeu o uso do que insensivelmente chamou de "crianças-bomba".25 Uma pesquisa feita pela Universidade Islâmica entre mil jovens de 9 a 16 anos mostrou que 49% disseram haver participado em violência anti-Israel e 73% expressaram o desejo de morrer como mártires. Não surpreendentemente, algumas crianças explodiram no processo de detonar ou colocar bombas. Soldados israelenses ou civis que eram alvo dos jovens terroristas atiraram em outros como autodefesa. Por exemplo, o New York Times, de 8 de março de 2003, relatou que "jovens atiraram pedras e bombas incendiárias sobre tropas durante o dia todo. Num certo momento os soldados atingiram um jovem que havia atirado uma bomba incendiária", de acordo com oficiais num hospital árabe de Gaza.26 Outros exemplos incluem os seguintes: 

Em 6 de julho de 2002 dois meninos de 11anos foram surpreendidos tentando colocar uma bomba perto de um posto militar israelense e um deles disse que esperava tornar-se um mártir.

Em 23i de abri. de 2002 três estudantes, com idade de 12, 13 e 14 anos foram mortos quando tentavam infiltrar-se na aldeia de Nitzarim para desencadear um ataque suicida. Cada um deixou um testamento, enfatizando seu desejo de morrer como mártires. Os três jovens mortos são agora tidos como exemplos de mártires.

Um menino de 14 anos foi morto quando tentava entrar num posto militar israelense carregando duas bombas.

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Um menino de 16 anos foi morto quando atirava uma granada de mão sobre soldados israelenses.

Uma menina de 15 anos foi presa depois de confessar que seu tio, um ativista do Tanzim, em Belém, a havia recrutado para tornar-se uma mulher suicida e ela havia concordado em recrutar mais meninas da sua escola.

Em 11 de março de 2002, um menino de 16 anos realizou um ataque suicida num posto do Magen David Adom (a Cruz Vermelha israelense) matando seis civis israelenses e a si próprio.

Um estudante de ginásio de 16 anos foi preso a caminho de executar um ataque suicida num ônibus lotado, depois de ter anunciado para toda a sua classe que ele não retornaria porque ia tornar-se um mártir.

Mesmo assim, apesar desses casos bem documentados, um porta-voz da Anistia Internacional disse numa reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU, em 2003, que “segundo o meu conhecimento, jamais houve um menor palestino envolvido num ataque suicida”.27 Essa pessoa deveria dizer isso às famílias dos seis israelenses assassinados pelo menino palestino suicida, de 16 anos, no posto da Cruz Vermelha israelense! A filósofa da Universidade de Chicago Jean Bethke Elshtain, no seu livro Just war against terror, compara os líderes terroristas islâmicos, que proclamam que “os jovens islamitas amam a morte”, aos líderes nazistas que mandaram “5 mil crianças com idades entre 8 e 17 anos” para a morte, quase certa, nos últimos dias do sítio a Berlim: Apenas 500 sobreviveram. O que era surpreendente para os observadores foi a determinação dessas crianças de “fazer o seu dever até estarem literalmente prontas para cair. Elas haviam sido alimentadas com lendas de heroísmo desde que podiam se lembrar. Para elas o chamado para o ‘derradeiro sacrifício' não era uma frase vazia”.28

Ninguém culpou as tropas aliadas por matar crianças armadas que estavam tentando impedi-las de conquistar Berlim e terminar a guerra. Citando a obra dos teólogos H. Richard Niebuhr e Paulo Tillich, Elshtain ofereceu a seguinte análise: Uma disposição para sacrificar crianças é um sinal de uma cultura da morte. Isso nos lembra não apenas da tendência para a morte, enaltecida por Bin Laden e exaltada pelos radicais islâmicos em toda parte, mas especificamente de como milhares de crianças iranianas foram atiradas ao horror da guerra de oito anos entre Irã e Iraque, de 1980 a 1988.

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Essas crianças foram dizimadas: enviadas como caça-minas humanas, eram mortas diretamente ou ficavam sem as pernas e marcadas de cicatrizes. Mas as famílias falavam da honra de serem pais de tais mártires. Compare-se esse hediondo desejo de sacrificar crianças com o treinamento ético de soldados adultos a lutarem de modo a preservar tantas vidas quanto possível, tanto deles próprios como dos não-combatentes.29

Quanto mais os líderes palestinos quebram o tabu contra o uso de jovens como terroristas, tanto mais jovens serão feridos e mortos. Tal deliberado mau uso de crianças é uma forma extrema de abuso, e é unicamente culpa dos que abusam, não daqueles que legitimamente se defendem de bombas incendiárias e de homens-bomba que podem ser jovens. Como Golda Meir, ex-primeira-ministra de Israel, disse uma vez: “Talvez possamos desculpá-los por matarem as nossas crianças, mas jamais poderemos perdoar-lhes por nos forçarem a matar as crianças deles". O mesmo é verdade quanto às mulheres palestinas, mesmo as grávidas, que agora têm sido recrutadas para se tornarem mulheres-bomba. As mulheres realizaram mais de vinte ataques suicidas desde 2001. Algumas delas foram recrutadas pelo uso de chantagem emocional e cultural. Por exemplo, agentes terroristas intencionalmente seduziram Andalib Suleiman, uma mulher de 21 anos, de Belém. Quando ela ficou grávida foi-lhe dito que a única maneira de evitar a vergonha era morrer como mártir. Ela então concordou em explodir-se num shopping center de Jerusalém, matando seis civis, incluindo dois operários da China. Um exemplo similar é Ayat al-Ahras, uma mulher de 18 anos, de Dehaisi, que se explodiu num supermercado, matando dois civis, depois de ter sido seduzida e ter engravidado. Esse método de aborto terrorista é um desprezível exemplo da criação de vida nova para gerar a morte. Há outros exemplos de jovens mulheres violentadas para se tornarem mulheres envergonhadas, cujo único meio de restaurar a honra da família é morrer como mártires. Em um caso, a família ficou sabendo da tentativa de ativistas do Tanzim de chantagear sua filha e a transferiu para fora de Belém. Ela agora vive escondida. 30 O Hamas conseguiu um regulamento religioso legal sobre o que é permitido a uma mulher-bomba vestir quando entra no negócio de matar civis judeus: Pergunta: “As mulheres-bomba em via de executar uma operação devem vestir-se de acordo com a Sharia [lei religiosa muçulmana] sabendo que se a operação for numa área israelense... a mulher ficará exposta?" Resposta: “A questão da hijab [cobertura da cabeça da mulher| não está aberta à discussão. Isso é um mandamento e uma obrigação que uma

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guerreira jihad não pode deixar de cumprir. Um segundo ponto é que, nas nossas ruas e cidades ocupadas pelos judeus [Israel todo é considerado ‘ocupado’|, as nossas irmãs podem vestir suas roupas de Sharia mesmo com véu sobre seus rostos e usando luvas. O terceiro ponto, e este é muito significativo, é que nossas irmãs, as guerreiras jihad, podem enganar os judeus usando roupas do tipo usado pelas assim chamadas mulheres religiosas judias, aceitável de acordo com a Sharia. Avante o comboio Shahid [morte por Alá]!”31

Um regulamento recente de “um clérigo influente com sede em Qatar” diz que uma mulher palestina “pode alcançar o paraíso por meio de ataques suicidas” e que ela poderia remover seus véus e andar sem dama de companhia para matar judeus, porque ela está indo para “morrer pela causa do Alá e não para mostrar a sua beleza”.32 Regras de combate apropriadas requerem uma resposta para todos os envolvidos numa atividade possivelmente letal contra as forças armadas ou civis de uma nação. Uma boa analogia é o recente recrutamento de crianças por traficantes internacionais para transportar dentro de seus corpos, engolindo preservativos cheios de heroína e cocaína. Como resultado dessa mudança na idade dos transportadores de drogas, as autoridades das alfândegas tiveram de começar a revistar crianças, dando origem a algumas queixas. Mas a culpa está naqueles que decidiram usar crianças como transportadores de explosivos mortais. Um homem-bomba de 13 anos é tão perigoso como um de 25 e Israel tem o mesmo direito de autodefesa contra ambos. O único meio de terminar a matança de jovens e mulheres por soldados israelenses e pela policia é os palestinos pararem de usá-los como terroristas. Mas isso é improvável porque os líderes terroristas fizeram um cálculo cruel: a causa deles beneficia-se cada vez que um soldado israelense mata uma criança ou mulher palestina. Eles mesmos chegaram a ponto de colocar as suas fábricas de bombas ao lado de jardins-de-infância e escolas primárias, de modo que, se Israel atacasse essas fábricas, as crianças seriam mortas. A localização dessas fábricas perigosas também expõe as crianças ao risco de uma morte acidental.33 Os Estados Unidos também tiveram de mudar as suas regras de combate depois que os iraquianos usaram uma mulher aparentemente grávida como terrorista. Os soldados americanos tiveram de começar a revistar as mulheres de forma mais intrusiva e ocasionalmente atirar em carros que nau paravam nos postos de controle. Esses são os custos trágicos, mas inevitáveis, de proteger pessoas contra o terrorismo, especialmente quando mulheres e crianças são usadas como bombas humanas.

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Aquelas pessoas bem-intencionadas que, em altos brados, criticam Israel cada vez que uma criança palestina é morta por soldados israelenses em autodefesa, na realidade, na verdade encorajam o recrutamento de mais crianças como terroristas – e vitimas. A propaganda palestina entende e explora a realidade de que pessoas decentes ficam chocadas com a morte de uma criança e, muitas vezes, colocam a culpa no lado que deu o tiro fatal, em vez de culpar o lado que deliberadamente colocou a criança no caminho do perigo. A propaganda palestina também entende que recebe mais benefícios de palestinos mortos por Israel (mesmo em autodefesa) do que de palestinos mortos por árabes (mesmo a sangue-frio). Thomas Friedman do New York Times expressou isso desta forma: Por que quando hindus matam centenas de muçulmanos isso gera uma manchete abafada na mídia árabe, mas, quando Israel mata uma dúzia de muçulmanos, numa guerra em que muçulmanos também estão matando judeus, isso inflama todo o mundo árabe. ... Esse é um problema sério. Nas últimas semanas sempre que muçulmanos árabes falavam comigo sobre a dor de verem palestinos maltratados por israelenses nas suas telas de televisão todas as noites, eu também perguntava: “Por que vocês ficam sofrendo tanto quando israelenses maltratam palestinos, mas não dizem uma palavra sequer sobre a brutalidade com a qual Saddam Hussein apagou duas gerações de iraquianos, por assassinatos, medo e gás venenoso? Não recebi boas respostas”.34

Apesar de muito mais árabes e palestinos terem sido mortos por companheiros árabes do que por israelenses, as queixas mais fortes e mais concretas levantam-se quando um palestino é morto por um judeu. Isso, também é um tipo de racismo. Existem muitas queixas também quando americanos matam civis árabes, como foi feito no Afeganistão e no Iraque, mas os estridentes brados de “genocídio", “táticas nazistas" e "holocausto” são geralmente reservados a Israel. Em 10 de junho de 2003 a Associated Press publicou suas averiguações da investigação de cinco semanas sobre o número de civis iraquianos mortos durante as recentes lutas. Depois de examinar registros de hospitais e outros, concluiu que “pelo menos 3.240 civis haviam morrido no país todo, incluindo 1.896 em Bagdá”. O relatório enfatiza que a “contagem ainda é parcial e o número completo – se chegar a ser computado – com certeza será significativamente maior”.35 A razão pela qual esses números são tão altos para uma guerra tão curta é que os soldados iraquianos – como os terroristas palestinos – vestiram-se de mulheres, esconderam-se entre os civis e mesmo den-

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tro de ambulâncias, tornando difícil, assim, a distinção entre combatentes e nãocombatentes. Muitos dos civis iraquianos tinham sido vítimas do regime brutal de Saddam Hussein e não estavam, de forma alguma, apoiando o seu exército. Muitas das vítimas civis entre os palestinos que foram mortos por tropas israelenses eram, sim, cúmplices e apoiavam os terroristas. Mas as críticas dirigidas contra as tropas americanas não chegam perto do nível de crítica dirigida contra soldados israelenses. A contagem de corpos, por si só, não determina a moralidade ou legalidade de uma operação militar. Mas opositores de Israel tendem a focalizar o “fato” enganoso de que mais palestinos do que israelenses foram mortos.

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NOTAS 1. No Crossfire da CNN, 4 de abril de 2002, em resposta aos comentários feitos pelo Rev. Jerry Falwell. 2. “Mideast peace visions shared”, The Journal News (Westchester County, N.Y.), 4 de março de 2002, citando Abbas Hamideh, co-presidente do setor Nova York-New Jersey do AlAwda Palestine Right to Return Coalition. 3. Ajuri v. I.D.F. Commander, HCJ (Corte Suprema de Israel) 7015/02, 3 de setembro de 2002. 4. Bruce Hoffman, “The logic of suicide terrorism”, Atlantic Monthly, junho de 2003, p. 45. 5. “The ambulance-homicide theory”, New York Times Magazine, 15 de dezembro de 2002, p. 66. 6. Jerusalem Post, 18 de abril de 2002. 7. Jerusalem Post, 22 de maio de 2001. 8. Chicago Tribune, 5 de abril de 1994. 9. Ellis Shuman, TV alemã, “Mohammed A-Dura likely killed by palestinian gunfire”. V. também James Fallows, “Who shot Mohammed Al-Dura”, Atlantic Monthly, junho de 2003, p. 49. 10. Citado em Jean Elshtain, Just war against terror (Nova York: Basic Books. 2003), p. 87. 11. Ibid. 12. David F. Green, “Fighting by the book”, Boston Globe, 20 de abril de 2003. 13. Ibid. IDF Update, 23 de junho de 2003. 14. Dan Radlauer, ICT Associate, “The Al-Aqsa Intifada’: An Engineered Tragedy”, 20 de junho de 2002 (updated 7 de janeiro de 2003), www.ict.or.il: “Em termos absolutos, apesar de no total mais palestinos do que israelenses terem sido mortos, as fatalidades com mulheres israelenses são muito mais numerosas do que as fatalidades com mulheres palestinas. Se incluirmos todos os relatórios confiáveis sobre mulheres e meninas mortas no conflito, a relação é de 219 mulheres israelenses para 92 palestinas - uma relação de quase 2,5 para 1. Se restringirmos a comparação a mulheres israelenses não-combatentes mortas pelos palestinos e mulheres palestinas nãocombatentes mortas por Israel, a diferença é ainda mais dramática: 69 palestinas contra 214 israelenses, uma relação de três para um”. 15. Phyllis Chesler, The new anti-semitism (John Wiley & Sons, advance proof), p. 117. 16. Karen Birchard, “Hep B case makes suicide bombers an infection risk”, Medicai Post, MacLean Hunter Ltd., 10 de setembro de 2002. 17. Ibid.

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19. Michael Ledeen, “Hebrew U survivor: An interview with Eliad Moreh”, National Review online, 6 de agosto de 2002. 20. “Hepatitis spread via suicide bombers”, The Straits Times (Cingapura), 26 de julho de 2002. 21. “Israeli soldier given 49 days in jail for killing Palestinian boy”, Deutsche Presse Agentur, 25 de fevereiro de 2001. 22. James Bennet, “Arafat’s Edge: violence, and time, on his side”, New York Times, 31 de março de 2002. 23. Thomas Friedman, “Suicidai lies”, New York Times, 31 de março de 2002. 24. Said and Hitchens, p. 159. 25. “Hate goes high tech”, Frontline Magazine, inverno de 2003, p. 5. 26. “Israel kills a top Hamas leader”, New York Times, 8 de março de 2003. 27. Anne Bayefsky, “Human rights groups have less than noble agendas”, Chicago Sun Times, 6 de abril de 2003. Esta afirmação é notável, considerando a documentação disponível para o público - incluindo nomes específicos e datas—dos muitos atos terroristas cometidos pelos adolescentes e crianças palestinas. V. Jeremy Cooke. “School trains suicide bombers”, BBC News, 18 de julho de 2001: Justus Reed Weiner, “Palestinian children and the cult of martyrdom”, Harvard Israel Review, verão de 2003; “Participation of children and teenagers in terrorist activity during the Al-Aqsa’ Intifada”, www.mfa.aov.il. 28. Elshtain, p. 104. citando Gerhardt Rempel, Hitler’s children (Chapel Hill University of North Carolina Press, 1989), pp. 233k, 241. 29. Elshtain, p. 104. 30. Israeli Security Forces. “Blackmailing young women into suicide terrorism”, Israeli Ministry

of

Foreign

Affairs

Report,

12

de

fevereiro

de

2002,

www.mfa.gov.il/mfa/go.asp?MFAH0n2a0. 31. Itamar Marcus, Bulletin e-mail for Palestinian midia watch, 2 de dezembro de 2002. 32. James Bennet, “The mideast turmoil: killer of 3; How 2 took the path of suicide bombers”, New York Times, 30 de maio de 2003. 33. Declarações de Slaim Haga, um ativo membro do Hamas, e Ahmed Moughrabi, um ativo do Tanzim, 27 de maio de 2002. 34. Thomas L. Friedman, “The core of Muslim rage”, New York Times, 6 de março de 2002, citado em Why terrorism works, pp. 89-90. 35. Atlanta Journal Constitution, www.ajc.com/news/content/news0603/1Oiragdead.html. visitado pela última vez em 11 de junho de 2003.

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Israel tortura palestinos?

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A ACUSAÇÃO A lei de Israel autoriza a tortura de prisioneiros palestinos e as autoridades israelenses aplicam a tortura constantemente.

OS ACUSADORES “É um fato bem documentado e facilmente verificável que a lei de Israel oficialmente autoriza a tortura de prisioneiros.” (John Ihnat, Comitê Coordenador Norte-Americano para ONGs sobre a questão da Palestina, num pronunciamento publicado em 2001, quase dois anos depois de a Suprema Corte de Israel oficialmente ter banido todas as formas de pressão física.)1

A Realidade Israel é o único país do mundo cujo judiciário encarou a difícil questão, se alguma vez se justifica aplicar tortura, numa forma não letal – como as táticas atualmente usadas pelos Estados Unidos com prisioneiros da al-Qaeda – para obter informação considerada necessária, como para impedir uma bomba-relógio de matar dúzias de civis. Em 6 de setembro de 1999, a Suprema Corte de Israel decidiu não apenas que a


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tortura é absolutamente proibida, como também os tipos de pressão física atualmente usados pelos Estados Unidos – demover do sono, posições desconfortáveis forçadas, música alta, solavancos, capuz sobre a cabeça – são proibidos pela lei israelense, mesmo nos casos em que a pressão é usada não para obter uma confissão, mas para obter informação que poderia impedir um iminente ataque terrorista. Antes dessa decisão, os serviços de segurança de Israel utilizaram algumas vezes medidas físicas semelhantes às utilizadas atualmente pelas autoridades dos Estados Unidos contra suspeitos terroristas. Isso contrasta fortemente com a situação no Egito, na Jordânia, no Marrocos, na Arábia Saudita, nas Filipinas e em outros países muçulmanos, onde a tortura – incluindo a tortura letal de prisioneiros políticos – é comum e aprovada nos níveis mais altos de governo. Também contrasta fortemente com a situação nos Estados Unidos, onde novas formas de tortura, que incluem componentes físicos e psicológicos, são praticadas e não estão facilmente sujeitas a revisão judicial. De fato, a questão dominante nas cortes americanas parece considerar a tortura não-letal como razoável e necessária quando a sua finalidade não é obter uma confissão para uso num processo, mas obter informação para salvar uma única vida.2 Um debate sobre esse difícil problema está atualmente em andamento na Alemanha depois da ameaça de usar tortura num seqüestrador num esforço de salvar a vida da sua vítima.3 Outros países, como a França, publicamente condenam todas as formas de tortura enquanto toleram em silêncio algumas das suas piores formas. A Inglaterra utilizou táticas semelhantes às usadas por Israel – posições desconfortáveis, música alta, capuzes, etc. – ao interrogar suspeitos terroristas na Irlanda do Norte. Mas apenas Israel tem sido tão repetida e maldosamente condenado por uma prática que sua lei atual nem sequer permite.

A PROVA A questão da tortura, talvez melhor do que qualquer outra, ilustra o duplo padrão hipócrita aplicado contra Israel. 0 desempenho de Israel no problema da tortura é muito melhor do que o de qualquer nação do Oriente Médio ou muçulmana, e melhor do que o da maioria das democracias, incluindo os Estados Unidos, a França e a Alemanha, mas apenas Israel é repetidamente condenado por aplicar tortura. Por exemplo, um dos quatro itens que compreendem a porção de queixa e de demanda da petição de destituição que está atualmente circulando nos campi universitários inclui o seguinte: “Também convocamos as [universidades] a abandonar 180


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Israel [até] que Israel cumpra o Relatório do Comitê da ONU de 2001, contra a Tortura, que recomenda que Israel dê um fim ao uso da tortura”. Essa petição começou a circular em 2002, três anos depois de a Suprema Corte de Israel ter apresentado a sua decisão proibindo o uso de pressões físicas, ainda menos do que a maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, considera como tortura. As técnicas de interrogatório explicitamente proibidas pela Suprema Corte de Israel incluem o que segue: 1. Fazer o suspeito “agachar-se... na ponta dos pés por cinco minutos”. 2. Fazer o suspeito sentar-se, algemado a uma cadeira baixa na desconfortável “posição de Shabach” (“o suspeito é algemado com [uma mão] colocada dentro do vão entre o assento da cadeira e o encosto, enquanto a outra é amarrada atrás dele, contra o encosto”). 3. Cobrir a cabeça do suspeito com “um saco com ar”. 4. Tocar “música extremamente alta”. Vale a pena ler a decisão do professor Aharon Barak. presidente da Corte Suprema de Israel, que inclui o seguinte: Os fatos apresentados diante desta Corte revelam que 121 pessoas morreram em ataques terroristas entre 1/1/1996 e 14/5/1998. Setecentas e sete pessoas foram feridas. Um grande número dos mortos e feridos foram vítimas de dolorosos bombardeios suicidas no coração das cidades de Israel. Muitos ataques – incluindo homens-bomba, tentativas de explodir carros-bomba, seqüestro de cidadãos e de soldados, tentativas de seqüestro de ônibus, colocação de explosivos, etc. – foram impedidos devido às medidas tomadas pelas autoridades responsáveis por combater as atividades terroristas hostis acima descritas numa base diária.4 [A decisão prossegue para proibir todas as formas de pressão física e depois resume o seu julgamento como segue:] Essa decisão inicia-se com uma descrição da difícil realidade em que Israel se encontra do ponto de vista de segurança. Vamos concluir este julgamento dirigindo-nos novamente a esta dura realidade. Estamos cientes de que esta decisão não facilita lidar com a realidade. Este é o destino da democracia, nem todos os meios são aceitáveis para ela, nem todas as práticas empregadas pelos seus inimigos são convenientes diante dela. Apesar de uma democracia muitas vezes precisar lutar com uma mão atada às costas, ela, ainda assim, tem a mão mais forte. Preservar a lei e o reconhecimento da liberdade individual constitui um importante componente no seu entendimento de segurança. No final do dia, esses fortalecem o espírito e o vigor da democracia, possibilitando-lhes superar suas dificuldades.

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Em conseqüência, fica decidido que a ordem ainda não absoluta, torna-se absoluta, assim como declaramos que o GSS não tem autoridade para “sacudir” um homem, mantê-lo na posição de “Shabach”... forçá-lo a “agachar-se como sapo” e privá-lo do sono, numa forma diferente da que é inerentemente requerida pelo interrogatório. De modo similar, declaramos que a defesa da “necessidade”, encontrada na Lei Penal, não pode servir de base de autoridade para o uso dessas práticas de interrogatório, ou para a existência de diretivas pertencentes aos investigadores do GSS, que lhes permitam utilizar práticas de interrogatório desse tipo.5

Não sei de nenhuma decisão de Corte Suprema reconhecendo que as restrições impostas a interrogatórios quase com certeza custarão as vidas dos seus civis, e ainda assim proibindo o uso de táticas eficazes, mas desumanas. À luz dessa decisão corajosa parece ironia dizer que, em maio de 1999, a seção holandesa da Anistia Internacional publicamente se opôs à entrega de um prêmio de direitos humanos ao autor dessa, e de muitas outras leis sobre direitos humanos, e apoiou as reivindicações palestinas com base nas quais “as decisões da Suprema Corte de Israel com relação a direitos humanos... têm sido devastadoras”. A Anistia Internacional declarou expressamente que “Israel é o único país do mundo que efetivamente legalizou a tortura”. 6 Não deveria surpreender que tantos advogados dos direitos humanos perderam a fé na objetividade da Anistia Internacional quando se trata de fazer relatos sobre Israel. Compare-se a decisão da Suprema Corte de Israel com uma decisão da Corte de Apelações dos Estados Unidos para o 11º Circuito em um caso envolvendo dois seqüestradores que estavam mantendo uma vítima adulta para obter o resgate. Um dos seqüestradores chegou à casa da família da vítima para receber o resgate e foi preso pela polícia, que exigiu que dissesse onde estavam o seu parceiro e a vítima. Quando se recusou, a polícia “estrangulou” o suspeito e torceu seu braço “até que revelasse onde [a vítima] estava sendo mantida”. Um juiz caracterizou a ação da polícia como “técnicas de tortura”. Mesmo assim, a Corte de Apelações aprovou as ações como necessárias para “um grupo de policiais preocupados, que agia de modo razoável para obter informações de que necessitava para poder proteger um outro indivíduo contra danos corporais ou morte”. 7 A Corte Suprema de Israel não teria aprovado essa ação da polícia, quer num caso criminal comum, quer numa situação de prevenção terrorista. A prática que foi declarada ilegal pela Suprema Corte de Israel era similar, tanto em espécie como em grau, àquela usada pelos Estados Unidos após o 11 de setembro de 2001. Em 9 de março de 2003 o New York Times fez uma reportagem sobre o modelo que estava sendo seguido 182


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pelos investigadores americanos. Ele inclui o fato de forçar os presos a ficar em pé, nus, com “suas mãos acorrentadas no alto e com os pés algemados”. Suas cabeças são cobertas com “capuzes pretos”; são forçados “a ficar em pé ou ajoelhados em posições desconfortáveis num frio ou calor extremo” que pode rapidamente variar de “100 a 10 graus”. Os presos são impedidos de dormir, “bem pouco alimentados”, expostos a sons e luzes desorientadores e, de acordo com algumas fontes, “eles apanham e são maltratados”. Em um caso, envolvendo um agente de alto escalão da al-Oaeda, “analgésicos eram negados ao sr. [Abu] Zubaydah, que havia recebido vários tiros durante a sua captura”.8 Um oficial de inteligência ocidental descreveu essas táticas como “não exatamente torturas, mas quase tão perto quanto se pode chegar”. Houve pelo menos duas mortes e dezessete tentativas de suicídio atribuídas a essas táticas de interrogatório. Quando Israel empregou táticas similares,

apesar

de menos extremas,

foram

universalmente

caracterizadas como tortura sem mesmo ser salientado o fato de que não eram letais e não infligiam dor contínua.9 Isto é o que o Comitê contra a Tortura, da ONU, concluiu em 1997: Hoje o Comitê contra a Tortura concluiu a sua décima oitava sessão – uma série de reuniões durante duas semanas, marcada, entre outras coisas, por um caloroso debate com Israel, aprovado pelo governo, sobre o uso do que chamou de “moderada pressão física” durante interrogatórios para extrair informações que pudessem frustrar ataques terroristas. Nesta manhã o Comitê declarou, em conclusão oficial, que tais métodos de interrogatório aparentemente incluíam encarceramento em condições muito dolorosas; detenção sob condições especiais; música muito alta por longos períodos; privação do sono por longos períodos; ameaças de morte; espancamento violento; e uso de jatos de ar frio. Na opinião do Comitê, tais métodos constituem tortura, como definido pelo Artigo 1 da Convenção contra a Tortura, especialmente quando usados em conjunto, o que, dizem, parecia ser prática comum. Pediu, entre outras coisas, que Israel “deixasse de usar imediatamente” esses e quaisquer outros procedimentos de interrogatórios que violassem a Convenção e enfatizou que nenhuma circunstância – mesmo "o terrível dilema do terrorismo”, que reconhecia estar sendo enfrentado por Israel – poderia justificar a tortura. ... Membros de uma delegação do governo, depondo diante do Comitê, afirmam que tais métodos ajudaram a impedir cerca de 90% de ataques terroristas planejados durante os dois últimos anos e salvaram muitas vidas de civis, num caso recente, possibilitando a membros do Serviço Geral de Segurança do país a localização de uma bomba. A delegação negou repetidamente que os procedimentos significavam tortura.10

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Se os procedimentos antes praticados por Israel e atualmente seguidos pelos Estados Unidos constituíram ou não tortura, o fato é que a Suprema Corte de Israel agora consideraos ilegais. Oficiais de inteligência “também reconheceram que alguns suspeitos foram entregues [pelos Estados Unidos] aos serviços de segurança em países os quais se sabe usam tortura”.11 Esses países incluem Egito, Jordânia, Filipinas, Arábia Saudita e Marrocos. A entrega de presos a países para que sejam torturados é uma plena violação da Convenção Internacional contra a Tortura, de 1984, da qual nós, e os países aos quais estamos enviando presos, somos signatários. Um porta-voz do governo egípcio “culpou oficiais desonestos” por qualquer abuso no seu país e disse que “não havia uma política sistemática de tortura”. Continuou argumentando que “qualquer terrorista vai reclamar de tortura – isso é o mais fácil. Reclamações de torturas são universais. Organizações de direitos humanos justificam a sua existência graças a essas queixas”. 0 porta-voz continuou, gabando-se de que o Egito havia “estabelecido o modelo” para iniciativas antiterroristas e os Estados Unidos aparentemente estão “imitando o modelo egípcio”.12 Quando Israel também argumentou que queixas de tortura feitas por alguns detidos que deram informações podem ser por questões de autodefesa e até exageradas, autoridades egípcias e outras insistiram que os detidos mereciam credibilidade. 0 Wall Street Journal noticiou que um oficial de inteligência norte-americano disse que detidos que tinham informações importantes podiam ser tratados asperamente: Entre as técnicas: fazer os presos usar capuzes, forçá-los a ficar em pé em posições “estressantes e dolorosas” por longo período e sujeitá-los a sessões de interrogatório de até 20 horas. Oficiais norte-americanos que acompanham interrogatórios de elementos da al-Qaeda capturados em Bagram e na Base Naval da Baía de Guantânamo, em Cuba, podem até autorizar “tapas no rosto”, disse um oficial de inteligência. “Há os da al-Qaeda que necessitam de um estímulo extra", disse o oficial. “Há uma razão pela qual [o sr. Mohammed] não estará perto de um lugar onde ele terá os direitos de Miranda ou o seu equivalente”, diz o executor principal da lei federal. “Ele não estará num lugar como a Espanha, a Alemanha ou a França. Nós não estamos nos aproveitando disso para processá-lo. Isso é para a inteligência. Só Deus sabe o que vão fazer com ele. Procuramos outro país que nos deixará dar umas coronhadas nesse cara.” [...] As autoridades americanas têm um incentivo adicional para fazer o sr.

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Mohammed falar, se ele compartilhar mesmo do compromisso suicida dos seqüestradores de 11 de setembro: “Os americanos têm acesso a duas das suas crianças que freqüentam a escola primária”, diz o oficial. “As crianças foram capturadas numa incursão de setembro que acobertava um dos principais companheiros do sr. Mohammed, Ramzi Binalshibh”.13

Não há dúvida de que essas táticas seriam proibidas pela Corte Suprema de Israel, mas a Corte de Apelações dos Estados Unidos do Distrito de Columbia, recentemente, estabeleceu que cortes americanas não têm poder nem mesmo para rever as condições impostas sobre detidos em Guantânamo ou outros centros de interrogatório fora dos Estados Unidos.14 Contudo nos campi universitários pelo mundo afora nenhuma palavra de crítica é ouvida sobre o freqüente uso da tortura por quaisquer países, exceto Israel. Com certeza não há críticas sobre países muçulmanos e outros que torturam dissidentes políticos de maneira habitual, enfrentando muito menos ameaças do que Israel. Esse duplo padrão de procedimento começou nas Nações Unidas, onde, durante muito mais tempo, atenção e condenação têm sido dirigidas contra o antigo uso de pressão física, embora não letal de Israel, para extrair informações que salvam vidas, procedimento habitualmente também empregado por muitos regimes, inclusive a Autoridade Palestina, contra opositores políticos, dissidentes e colaboradores. Aqueles que acusam apenas Israel de usar a tortura, sem condenar as práticas muito mais brutais e menos justificáveis de outras nações do Oriente Médio, têm o dever de justificar o seu duplo padrão de procedimento, tão evidente.

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NOTAS 1. “Uninteresting terrorism and insignificant oppressions”, All Things New, www.scmcanada.ora/atn/atn95/atn952_p.19.html. 2. Leon v. Wainwright, 734F.2d 770, 772-773 (lllhCir. 1984), citado em Why terrorism works, p. 125. V. também Chavez v. Martinez (slip opinion, U.S. Supreme Court, Nº 01-1444). Em 27 de maio de 2003 a Corte Suprema dos Estados Unidos, numa decisão muito dividida, determinou que o ato de torturar um suspeito para obter uma declaração não é, em si, uma violação do privilégio à auto-incriminação concedida pela 5ª Emenda, a não ser que a declaração seja depois admitida contra o suspeito num caso criminal. O ato de torturar pode, entretanto, constituir uma violação do processo em casos extremos. 3. Richard Bernstein, “Kidnapping has germans debating police torture”, New York Times, 10 de abril de 2003. 4. Public Committee against Torture v. State of Israel, HCJ (Suprema Corte de Israel) 5100/94, 15 de julho de 1999. 5. Ibid. 6. Adri Kemps (director, Dutch Section of Amnesty International) ao Dr. Mário Soares, em protesto contra a concessão do prêmio “Justicia en el Mundo” a Aharon Barak. 7. Leon v. Wainwright, 734 F.2d at 772-773. 8. Raymond Bonner, et al., “Questioning terror suspects in a dark and surreal world”. New York Times, 9 de março de 2003. 9. Uma pessoa morreu depois de ter apanhado, mas uma investigação independente atribuiu a sua morte a uma condição médica preexistente da qual não se tinha conhecimento. V. Public Committee against Torture, HCJ (Suprema Corte de Israel) 5100/94. 10. “Committee against Tortre Concludes Eighteenth Session Geneva. 28 de abril a 9 de maio”, 1997. Press release da ONU HR/4326. 11. Raymond Bonner, New York Times, 9 de março de 2003. 12. Ibid. 13. Jess Bravin e Gary Fielfs, “How do interrogators make terrorists talk”, Wall Street Journal, 3 de março de 2003. 14. Al Odah v. United States, 321 F.3d 1134 (2003).

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Israel tem cometido genocídio

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contra civis palestinos?

A ACUSAÇÃO Israel é culpado pelo genocídio contra palestinos e árabes.

OS ACUSADORES “Gostaria de sugerir publicamente aqui em Gaza, Palestina – onde começou a intifada que completa hoje dez anos que o Governo Provisório do Estado da Palestina e seu presidente adotem procedimentos legais contra Israel diante da Corte Internacional de Justiça (ICJ), em Haia (a assim chamada Corte Mundial), por violação da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, de 1948. Tenho certeza de que todos podemos concordar que Israel de fato perpetrou o crime internacional de genocídio contra o povo palestino. O objetivo do processo seria demonstrar esse inegável fato ao mundo todo. Esses trabalhos da Corte Mundial vão provar ao mundo e à história que aquilo que os nazistas fizeram aos judeus há uma geração, perante a lei, é semelhante ao que os israelenses estão fazendo atualmente com o povo palestino: genocídio... Certamente, a Palestina tem uma reivindicação justa de que Israel e seus predecessores legais – as Agências e Forças sionistas - cometeram genocídio contra o povo palestino, que de fato começou em 1948 e continua aceleradamente até hoje, em violação dos Artigos II (a), (b) e (c), entre outros, da Convenção sobre Genocídio.”


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“Pelo menos durante os últimos cinqüenta anos, o governo israelense e seus predecessores legais – as Agências e Forças sionistas – têm implacavelmente implantado uma sistemática e compreensiva campanha militar, política e econômica com o objetivo de destruir em parte substancial o grupo nacional, étnico e racial conhecido como povo palestino. Essa campanha sionista/israelense consiste na matança de membros do povo palestino em violação do Artigo II (a) da Convenção sobre Genocídio.” (Francis Boyle, professor de Direito Internacional na Universidade de Illinois, apresentado em Gaza, em 13 de dezembro de 199 7, em honra ao décimo aniversário da primeira intifada.)1

A REALIDADE Todas as nações devem ser julgadas em comparação com outras nações enfrentando ameaças parecidas. O contexto é essencial para qualquer avaliação justa do comportamento de uma nação. Julgada dessa maneira, a ação de Israel na sua guerra contra o terrorismo e ataque externo recebe notas relativamente altas. De fato, nenhuma outra nação enfrentando ameaças comparáveis, tanto externas como internas, foi mais protetora de civis inimigos, mais disposta a assumir riscos pela paz e mais dedicada à lei.

A PROVA Por três quartos de século a guerra árabe-israelense tem sido entre nações árabes, dedicadas à agressão genocida contra civis, de um lado e o Estado judeu, determinado a proteger sua população civil por tomar ações defensivas dirigidas contra alvos militares, de outro. Essa guerra, na qual o lado árabe tem consistente, ilegal e agressivamente alvejado civis, e o lado israelense tem consistente, legal e defensivamente respondido ao ataque a alvos militares, começou em 1929 com o bem planejado e cuidadosamente coordenado massacre de sessenta crianças, mulheres e idosos judeus, e outros civis desarmados, residentes da cidade bíblica de Hebron, onde os judeus tinham vivido pacifica e continuamente desde tempos imemoriais. As vítimas desse crime contra a humanidade incluíam muitos judeus que não eram sionistas ou colonos. 0 massacre de 1929 foi um precursor de massacres de civis ainda por vir – como a Kristallnacht nove anos depois, que pressagiou o Holocausto. Também foi a primeira amostra de “limpeza étnica” na Palestina, já que todos os 188


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judeus de Hebron foram assassinados ou expulsos de uma cidade na qual haviam vivido durante milênios. Antes do estabelecimento do Estado de Israel, grupos dissidentes – não sob controle da Agência Judaica (o governo pré-Israel) ou da Haganah (o exército oficial pré-Israel) – bombardearam o quartel-geral do governo colonial britânico, localizado numa ala do Hotel King David, matando 91 pessoas, muitas das quais eram judeus ou oficiais coloniais britânicos. A Irgun [organização militarizada judaica, existente na Palestina desde 1937] declarou que advertências haviam sido feitas antes da explosão do King David. Grupos dissidentes também mataram civis em Deir Yassin (v. Capítulo 12) e em alguns outros lugares, mas esses abusos foram firmemente condenados pela Agência Judaica. Assim que Israel se transformou em Estado, seu primeiro-ministro, David Ben-Gurion, desarmou esses grupos dissidentes pela força, chegando a afundar um navio carregado de armas compradas pela Irgun. Dezesseis judeus foram mortos pelas forças da Haganah durante a batalha pelo Altalana. Não foram cometidos novos atos de terrorismo, pela Irgun ou pela Lechi. BenGurion também desmontou o Palmach – a força-comando permanentemente mobilizada, leal ao próprio partido de Ben-Gurion – e o integrou às Forças de Defesa de Israel, que estavam e permanecem sob controle civil. Entre 1948 e 1967, os fedayin palestinos [combatentes da guerrilha palestina], subvencionados pelo Egito e pela Síria, assassinaram civis israelenses em centenas de incursões através das fronteiras. Esses assassinatos ocorreram antes de Israel ter ocupado qualquer terra palestina ou construído quaisquer colônias fora da área que controlava, de acordo com as partições da ONU e o cessar-fogo que se seguiu ao ataque de 1948 contra o recém-estabelecido Estado judeu. Na guerra de 1967, todo o exército árabe – incluindo os exércitos egípcio, sírio, palestino, jordaniano e iraquiano - alvejou os centros de população civil israelense numa violação das leis de guerra. Como documentado previamente, a artilharia síria e aviões MIG abriram fogo sobre cidades israelenses, kibutzim e moshavim, incluindo Degania. A Jordânia atirou 6 mil morteiros sobre Jerusalém ocidental e os subúrbios de Tel Aviv, enquanto caças Hawker despejaram bombas sobre Netânia, Kefar Sirkin e Kefar Sava. Aviões iraquianos bombardearam Nahalal, Afula e comunidades civis no Vale de Jezreel. A Rádio Damasco alardeou que a força aérea síria estava bombardeando cidades israelenses. As forças jordanianas foram instruídas a “destruir todos os prédios e matar todos os presentes”, incluindo civis, se conquistassem partes de Jerusalém. Os planos de batalha palestinos incluíam a destruição de Israel e seus habitantes. Os planos de batalha

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egípcios incluíam o massacre da população civil de Tel Aviv como primeiro passo para “a destruição de Israel”. Cartazes no Cairo mostravam “soldados árabes alvejando, esmagando, estrangulando e esquartejando judeus barbudos com narizes aduncos".2 Como disse Nasser, “se a guerra vier, será total e o objetivo será a destruição de Israel”.3 Ao contrário, Israel não alvejou civis inocentes, apesar de certamente ter essa capacidade, com relação ao bombardeio dos seus centros de população civil. Israel ameaçou bombardear Amã e Damasco, durante a guerra de 1967, se as forças da Jordânia e da Síria persistissem no bombardeio de cidades israelenses, mas não chegou a fazê-lo. Bombardeou bases aéreas, comboios de tanques e outros legítimos alvos militares, apesar de o inimigo alvejar civis israelenses durante a curta guerra. No relato definitivo de Oren sobre a guerra de 1967, ele concluiu que o número de vítimas entre civis árabes era “surpreendentemente baixo” porque as ações militares de Israel eram conduzidas “longe dos principais centros populacionais”.4 Desde o fim da guerra de 1967, todo foco da agressão palestina tem sido os civis, tanto dentro de Israel como no mundo todo. O terrorismo global começou em 1968, não como último recurso contra uma longa ocupação, mas como primeiro recurso - na verdade como uma continuação de uma tática ilegal e imoral continuamente usada pelos árabes contra os judeus desde o começo do conflito. O alvejamento de civis não era resultado da ocupação. Ao contrário, a ocupação era o resultado – pelo menos em parte – de uma longa história árabe de massacre de civis. Se a ocupação justificasse o terrorismo, então a Ku Klux Klan e os Night Riders pósguerra civil, que aterrorizaram negros durante a Reconstrução – que incluía a ocupação militar da derrotada Confederação – seriam vistos como defensores da liberdade. Mas esses grupos terroristas foram relegados, bem merecidamente, à lata de lixo da história e são glorificados apenas em filmes racistas como Birth of a Nation. Muitos dos que marcham em apoio aos terroristas palestinos ficariam ultrajados se Birth of a Nation fosse mostrado num campus universitário, ou se a Klan fosse convidada a recrutar membros, apesar da realidade de que terroristas palestinos lincharam e aniquilaram mais pessoas – incluindo centenas de pessoas negras5 – do que a Klan conseguiu matar no seu reinado de um século de terror. Aqueles que elogiaram e apoiaram os assassinos que dinamitaram a igreja negra onde quatro meninas foram mortas são vistos agora como monstros. Entretanto, aqueles, como o poeta Tom Paulin, que elogiam e apóiam terroristas que assassinam judeus são convidados a falar em campi universitários como visitas honradas.

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Com certeza, civis palestinos morreram na guerra de 73 anos, mas o seu número é ínfimo em comparação com o número de palestinos e árabes mortos pela Jordânia, Síria, Iraque e Irã durante o mesmo período. Mesmo comparando perdas de civis israelenses inocentes com perdas civis palestinas, verifica-se que Israel tem agido com moderação. E isso não leva em conta a realidade de que muitos dos chamados civis palestinos não eram acolhedores e apoiadores de terroristas tão inocentes. Além disso, as mortes palestinas ocorreram principalmente porque os terroristas se escondiam entre seus próprios civis, como no Líbano, enquanto as mortes israelenses resultaram do alvejamento específico de civis inocentes. Quando Israel acidentalmente matou palestinos num legítimo esforço para prevenir o terrorismo, o fato foi sinceramente lamentado. O assassinato de israelenses inocentes, por outro lado, tem gerado comemorações entre os palestinos. Em 1994, Baruch Goldstein, um médico judeu demente de Hebron, metralhou 29 muçulmanos, em oração. Sua família afirmou que os repetidos ataques contra judeus o fizeram perder a cabeça. É interessante que as mesmas pessoas que sempre afirmaram que os homens-bomba – e aqueles que os enviam – eram resultado da repressão israelense à prática de seus atos assassinos rapidamente rejeitaram essa afirmação, quando feita por uma família judaica. De qualquer forma, o ataque terrorista individual de Goldstein contra civis palestinos foi fortemente condenado pelo governo israelense e pela absoluta maioria de israelenses e judeus pelo mundo. Isso contrasta exatamente com a reação palestina aos seus "mártires” que assassinam israelenses e judeus inocentes. Essas pessoas são elogiadas e suas famílias são recompensadas pelos seus bem planejados crimes. Em abril de 2002, após centenas de ataques suicidas que culminaram no massacre do jantar de Pessach de 29 mulheres, crianças e homens em oração, o exército de Israel entrou no campo de refugiados de Jenin, que se transformou numa fábrica de bombas e num centro terrorista. Em vez de bombardear o campo terrorista, como os Estados Unidos fizeram no Afeganistão e a Rússia fez na Tchetchênia, com pouco risco para seus próprios soldados, os homens de infantaria israelenses entraram no campo, indo de casa em casa à procura de terroristas e equipamentos para fabricar bombas, que efetivamente encontraram. Vinte e três soldados israelenses e 52 palestinos, muitos dos quais eram combatentes, foram mortos. Isso agora é chamado de massacre pelos propagandistas palestinos. De acordo com os padrões israelenses as mortes de 52 palestinos, alguns dos quais não eram combatentes, foram um desvio da norma, apesar de terem posto seus próprios soldados em risco para minimizar o número de vítimas civis pales-

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tinas. Mas, de acordo com os padrões palestinos terroristas, a morte de alguns nãocombatentes é apenas um outro dia comum para o seu terrorismo! Contudo, o brado palestino, hipócrita, contra o massacre em Jenin persiste, e é apoiado pelo chefe da Agência para Refugiados da ONU (UNRWA), Peter Hanson, um velho apologista do terrorismo e seu facilitador. Ele caracterizou as ações de Israel em Jenin como “uma catástrofe com relação aos direitos humanos que tem poucos paralelos na história recente”. Não só Jenin não foi um massacre ou uma catástrofe sem paralelo, mas é considerado por muitos um modelo de como conduzir guerra urbana contra terroristas escondidos entre civis. Um artigo do New York Times, de l2 de abril de 2003, noticiou que o exército americano estudou a experiência de Israel “no combate direto”. Oficiais do exército americano disseram que estavam particularmente interessados em como o exército de Israel fez rondas de tanques especialmente armados para fazer buracos através de paredes, sem derrubar os prédios, durante as lutas no ano passado, no campo de refugiados de Jenin. Em Jenin, Israel também usou tratores e mísseis teleguiados atirados de helicópteros para subjugar cerca de 200 atiradores escondidos dentro do campo.6

0 artigo do Times citou o historiador militar israelense Martin van Creveld, afirmando que, quando ele visitou um campo militar americano, os fuzileiros navais estavam “interessados no que seria combater uma guerra de guerrilha, especialmente em uma campanha urbana como a que estávamos conduzindo em Jenin”. O professor van Creveld concentrou-se nos tanques, helicópteros e “nos problemas morais e éticos que certamente viriam” pelo fato de lutar entre não-combatentes.7 Um editorial no New York Times, de 3 de abril de 2003, insistia com os comandantes americanos para “olharem de perto a lição duramente aprendida da experiência de Israel no combate urbano” porque passava “um bom modelo de táticas militares”. O artigo continuava dizendo: Vinte e nove soldados israelenses foram mortos nessas batalhas; porém, apenas seis deles na batalha pelo campo de refugiados de Jenin. Apesar do número de mortes palestinas ser, evidentemente, fortemente debatido, a estimativa israelense é de 132 mortos em Nablus e Jenin. Em comparação com o número de vítimas de combates urbanos nos anos recentes – tais como as lutas na Tchetchênia, onde o exército russo perdeu pelo menos 1.500 soldados durante seu primeiro assalto a Grozni –, esses números são surpreendentemente baixos.8

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Uma notícia de capa, na edição de junho de 2003, da revista Atlantic Monthly escrita por um destacado especialista em terrorismo da Rand Corporation também focalizou as “lições” que a América precisa aprender de como Israel trata o terrorismo. Um artigo na seção “Ideas” do Boston Globe analisou o treinamento ético recebido por soldados israelenses e concluiu: “O exército de defesa de Israel oferece um exemplo a nós e a outras forças de coalizão”.9 Descrevia o conceito israelense de “pureza de armas”, que “requer que os soldados ponham em risco suas próprias vidas para evitar ferir nãocombatentes”. Também os obriga a responder apenas com “força proporcional”. O código de ética das Forças de Defesa de Israel, que está “incorporado ao treinamento de todos os soldados israelenses”, foi compilado “com a assistência de alguns dos principais filósofos morais do país” e “encontra amplo apoio entre cidadãos de outra forma divididos”. Requer que cada soldado atue “a partir do reconhecimento do valor supremo da vida humana” e determina-lhes “fazer tudo em [seu] poder para evitar causar danos à vida, aos corpos, à dignidade e propriedade de [não-combatentes], e abster-se de cumprir ordens flagrantemente ilegais”. Um dos membros da equipe que preparou o código é um conhecido advogado da paz, o professor Moshe Halbertal, que apóia a retirada unilateral dos territórios. Ele reconhece que a estratégia dos palestinos na recente intifada tem sido “apagar a distinção entre combatentes e não-combatentes de ambos os lados” por alvejarem civis israelenses e fazerem com que os terroristas palestinos se misturem à população civil. Mesmo assim, ele vê o desafio para Israel em dirigir suas medidas defensivas “contra aqueles que instigam”10 – um desafio desencorajador com uma população palestina que contém milhares e milhares de instigadores, facilitadores, estimuladores e apoiadores. Israel tem enfrentado esse desafio melhor do que qualquer nação que tenha encontrado perigos comparáveis. De acordo com números das Forças de Defesa de Israel, levantados entre setembro de 2000 e março de 2003, “18% dos quase 2 mil palestinos mortos por forças de Israel... eram civis sem ligação com atos de terror”. Essa é uma proporção consideravelmente menor de mortes de civis do que as alcançadas por outros exércitos. O professor Michael Walzer, da Universidade de Princeton, um forte crítico da ocupação israelense e autor do clássico de 1977 Just and unjust wars notou que nas batalhas, o exército de Israel normalmente admitiu riscos para os seus próprios homens para reduzir os riscos que eles apresentavam à população civil. O contraste com o modo como os russos lutaram em Grozni, para

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tomar o exemplo mais recente de guerra urbana em grande escala, é surpreendente, e a marca crucial desse contraste é o número muito pequeno de vítimas civis nas cidades palestinas apesar da violência do combate.11

Essa situação também se compara favoravelmente com o modo como nós algumas vezes lutamos no Iraque, como em breve veremos. Três histórias ilustram o compromisso de Israel com a proporcionalidade e para evitar vítimas civis desnecessárias. A primeira envolve um ataque israelense dirigido contra Salah Shehadeh, um proeminente comandante do Hamas, responsável por centenas de bombardeios terroristas. Em várias ocasiões o exército deixou passar a oportunidade de atacá-lo “porque estava com sua mulher ou filhos. Cada vez que a vida de Shehadeh era poupada ele ordenava mais ataques suicidas contra Israel”. Em outras palavras, Israel estava preparado para arriscar as vidas de seus próprios civis para poupar as vidas de civis palestinos, incluindo a mulher de um importante terrorista. A segunda história foi relatada pelo chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel, Moshe Ya’alon. Ela envolve um oficial de inteligência que impediu a força aérea de atacar um alvo palestino que retinha informações necessárias. O oficial havia acreditado, erradamente, que a operação poria civis em risco. “Do ponto de vista moral, ele merece um louvor”, comentou Ya’alon. “Do ponto de vista operacional, ele merecia ser afastado do seu posto.” O chefe do Estado Maior acrescentou que tinha orgulho de ter “oficiais que levam tão a sério a sua responsabilidade moral”.

A terceira história envolve um oficial de infantaria chamado Ze’ev, que descreveu uma área vigiada por dois meses, em uma aldeia palestina na margem ocidental. “Todas as noites vinham tiros da aldeia, tiros de armas pesadas. Quando você vê uma pessoa com uma arma, não há dúvida sobre o que deve fazer. Mas, quando você vê não três ou quatro, mas 40 pessoas, com um rifle, que se movem de um lugar para outro, você precisa escolher os seus alvos com cuidado.” Ze’ev relata um incidente no qual um companheiro tinha autorização do seu comandante para atirar num combatente abaixo dos joelhos – para ferir, não para matar. O soldado atirou duas vezes, a segunda vez depois de o inimigo ter caído, e terminou por matar um menino com um rifle.

O soldado, de acordo com Ze’ev foi “mandado para a cadeia e expulso de sua unidade” – uma afirmação que não podia ser corroborada

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livremente porque apenas os primeiros nomes foram citados. Pode ser confirmado que as violações do código têm sido investigadas e mesmo processadas, apesar de não em grandes números. De acordo com o relatório do Boston Globe, Zeev diz que comportar-se com reserva sob fogo “não é uma missão impossível”. Ele acrescenta: “Se você tem algum senso de comportamento moral, e pensa por um segundo, não deveria haver nenhum problema em aderir às coisas que estão no código”. Mas nem todos nas Forças de Defesa de Israel pensam que é tão simples. Elazar Stern, um general de brigada e chefe do Corpo Educacional das Forças de Defesa de Israel, está ciente das ambigüidades morais inerentes ao trabalho de um soldado. “Uma parte do que a nação exige de nós”, diz ele, “é o desejo de ver as nossas cabeças virarem no travesseiro várias vezes durante a noite. E, se tiver sorte, no final você saberá que fez a coisa certa”.12

Esse tipo de agitação é típico dos soldados israelenses que devem tomar decisões de vida ou morte limitados por um rígido código de conduta. Suas decisões não são sempre as mais certas; erros inevitavelmente acontecem na neblina da guerra, especialmente quando terroristas se escondem deliberadamente por trás de civis para provocar erros que acrescentam à contagem de corpos – uma contagem fundamental à sua cruel aritmética da morte. Apesar de soldados israelenses cometerem erros e reagirem exageradamente como soldados de qualquer exército, existe um código ético, e contra o qual as suas ações podem ser julgadas. Os terroristas palestinos não têm semelhantes restrições. As suas ordens são matar e ferir tantos civis inocentes quantos puderem, e eles o fazem com zelo e há a promessa de uma recompensa celeste para cada criança e mulher judia assassinadas. Os Estados Unidos também têm um código, mas é muito mais genérico do que o de Israel, enfatizando a honra e a tradição. Os soldados americanos têm cartões de “regras de combate” que os instruem a poupar alvos civis, a não ser que estes devam ser atacados, em uma situação de autodefesa.13 Assim como ocorre com os soldados israelenses, esses códigos e cartões não resolvem as decisões de vida ou morte que precisam ser tomadas no meio do combate. Um relatório dramático e comovente do campo de batalha da guerra do Iraque, feito por Peter Maas no New York Times Magazine, de 20 de abril de 2003, descreve uma situação enfrentada pelos fuzileiros navais americanos que foi semelhante àquelas freqüentemente vividas pelos soldados israelenses. Dois fuzileiros navais americanos tinham sido atingidos por iraquianos que atiravam de caminhões em movimento. O comandante americano deu as instruções às suas forças

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para dar tiros de advertência a quaisquer veículos que se aproximassem algumas centenas de metros da estrada acima. À medida que meia dúzia de veículos se aproximavam, alguns tiros foram dados para o chão, na frente dos carros; outros foram dados, com grande precisão, nos pneus ou nos blocos dos motores... Alguns dos veículos, porém, não ficaram completamente inutilizados pelos atiradores e continuaram a avançar. Quando isso aconteceu, os fuzileiros crivaram os veículos de balas até pararem. [...] Só mais tarde ficou claro que os veículos estavam repletos de civis iraquianos. Esses iraquianos aparentemente tentavam escapar das bombas americanas que estavam caindo atrás deles, mais abaixo na estrada, e escapar da própria Bagdá. A estrada em que se achavam é uma das principais artérias rodoviárias que conduz para fora da cidade. Os civis provavelmente não conseguiam ver os fuzileiros, que estavam usando uniformes com camuflagem e haviam assumido posições no solo e sobre os tetos de difícil identificação para combatentes que se aproximassem... Em meio ao caos, os civis estavam se dirigindo para a direção de um batalhão de fuzileiros navais que tinham acabado de perder dois dos seus em combate naquela manhã e que tinham sido avisados que homens-bomba estavam a caminho deles. Os civis foram mortos, um após outro. A várias centenas de metros das posições avançadas dos fuzileiros navais uma minivan azul foi atingida; três pessoas foram mortas. Um homem idoso, andando com uma bengala na beira da estrada recebeu tiros e morreu também. Ao longo de um trecho de 600 metros, quase meia dúzia de veículos foram parados por tiros. Quando os tiros cessaram, havia quase uma dúzia de corpos. Dois deles não usavam roupas militares e aparentemente não portavam armas. Um líder de esquadrão, depois de o fogo ter cessado, gritou: “Os meus homens não mostraram dó. Extraordinário”. Contei pelo menos seis veículos alvejados por tiros. A maioria continha corpos ou havia corpos nas proximidades. A van azul, uma Kia, tinha mais de 20 buracos de bala no seu parabrisa. Dois corpos estavam caídos no banco dianteiro; eram homens com roupas civis e não tinham armas visíveis. No banco traseiro uma mulher, com a cabeça envolvida por um chador preto jazia no chão, morta. Não havia carga visível na van - não havia nem malas nem bombas. Um jornalista se aproximou e disse que não se deveria ter atirado nos civis... “Como você pode dizer quem é quem?”, disse o cabo Ventura. Ele falava asperamente, como se tentasse conter a sua fúria. “Você encontra um soldado com uma AK-47 num carro e civis no carro seguinte. Como se pode saber? Não se pode saber”. Ele fez uma pausa. Depois continuou, ainda nervoso com a insinuação de que as mortes não eram justas. “Uma dessas vans pegou nosso tanque. Carro-bomba. Quando lhes dissemos que tinham de parar, eles deviam parar”, disse, referindo-se aos

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civis. “Temos de nos preocupar com nossa segurança. Jogamos panfletos sobre esse pessoal há semanas e semanas e lhes dissemos para abandonar a cidade. Você não pode culpar os fuzileiros navais pelo que aconteceu. E difícil. O que você está fazendo dentro de um táxi no meio da zona de guerra?” “A metade deles parecia civis”, continuou. Ele estava se referindo a forças irregulares. “Quero dizer, eu entendo, e isso parte o meu coração, mas não se pode saber quem é quem. Fizemos mais do que o suficiente para ajudar esse pessoal. Eu não me lembro de alguma vez ter lido sobre uma guerra na qual pessoas inocentes não tivessem morrido. Não há nada que possamos fazer...” Os carros destruídos estavam a algumas centenas de metros das posições dos fuzileiros navais que haviam atirado neles. Os fuzileiros poderiam ter esperado um pouco mais antes de atirar e, se o tivessem feito, talvez os carros tivessem parado, ou talvez os fuzileiros tivessem imaginado que nos carros havia civis desorientados. O atirador de tocaia sabia disso. Ele sabia que alguma coisa de trágico havia acontecido na ponte. E assim, quando falamos em Bagdá, ele parou de defender as ações dos fuzileiros navais e começou a falar sobre as suas intenções. Ele e os seus companheiros fuzileiros, disse, não tinham vindo ao Iraque para enfiar balas em mulheres e homens idosos que estavam apenas tentando achar um lugar seguro... Os civis que foram mortos - não há um número preciso, e provavelmente jamais haverá, disponível pelo pedágio na ponte Diyala, ou no restante do Iraque - pagaram o preço final. Mas um preço também foi pago pelos homens responsáveis pela sua morte. Para esses homens não era uma guerra livre de bombas e ataques cirúrgicos. Era uma guerra como sempre tem sido, guerra de combate próximo, guerra como Sherman a descreveu, sangrenta e cruel.

Apesar de muitos civis terem sido tragicamente mortos nessa batalha de um dia – provavelmente mais do que na guerra de uma semana de casa em casa, em Jenin –, ninguém a chamou de massacre. Foi uma batalha característica entre um exército regular e terroristas que se escondem entre civis. Israel, como os Estados Unidos, está tentando enfrentar essas batalhas atingindo um adequado equilíbrio entre autodefesa e risco indevido a civis inocentes. Além do Código de Ética pelo qual todos os soldados israelenses são treinados, a Corte Suprema de Israel – única entre os judiciários do mundo – exerce controle sobre decisões militares que são desafiadas pela lei como que criando riscos indevidos a civis. Considere-se, por exemplo, o seguinte dilema enfrentado pelos militares israelenses quando estão tentando prender um terrorista armado, escondido numa casa. Se os soldados se aproximarem da casa e derrubarem a porta, arriscam-se a levar

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tiros do terrorista, como aconteceu com muitos soldados. Então o exército criou uma tática denominada de “procedimento de vizinho”, segundo a qual eles primeiro exigiam a rendição do terrorista fazendo uso de um alto-falante. Se isso não produzisse resultados, mandavam um vizinho palestino à casa levando uma mensagem pedindo ao terrorista que se rendesse. De acordo com as Forças de Defesa de Israel esse procedimento de vizinho funcionou eficazmente durante mais de vinte anos, salvando a vida de muitos soldados israelenses, bem como de palestinos que estavam sendo mantidos na casa com o terrorista. No verão de 2002 o procedimento resultou na primeira morte de um homem palestino chamado Nidal Abu M’Khisan, que foi atingido e morto por um terrorista que o confundiu com um soldado israelense. O exército de Israel tinha dado a M’Khisan um colete à prova de balas, mas este não o salvou. Como resultado dessa tragédia, na qual um civil palestino levou uma bala de um terrorista destinada a um soldado israelense, várias organizações de direitos israelenses instauraram um processo, para que a Suprema Corte proibisse qualquer uso futuro do “procedimento de vizinho”. Nenhuma outra Corte Suprema no mundo chegaria a ouvir esse caso, especialmente durante uma guerra em andamento. A Suprema Corte de Israel não apenas ouviu a questão, mas fez uma recomendação proibindo as Forças de Defesa de Israel de utilizarem esse procedimento no futuro, mesmo quando o comandante de campo acreditasse representar um risco pequeno ao civil e que poderia salvar a vida dos seus soldados. A questão não é se essa decisão é certa ou errada – eu, pessoalmente, acredito que seja certa – mas, sim, que a Suprema Corte de Israel está ordenando aos militares que cumpram a lei com operações comprovadas pelo tempo, mesmo que isso signifique pôr em risco a vida dos seus soldados. De um ponto de vista objetivo dos fatos em pauta, torna-se bem claro que nenhum país na história moderna em estado de guerra tem protegido mais os direitos de inimigos não-combatentes, inocentes, do que Israel. Desafio qualquer um a mencionar um país que tenha enfrentado ataques comparáveis, direcionados à sua população civil, e que tenha respondido com mais solicitude em relação aos seus inimigos civis, com risco tão grande para seus próprios soldados. Certamente não a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos, que bombardearam cidades inimigas, nem a França, nem a Rússia, que fizeram pior. Israel é o único país na história moderna de guerras que nunca atirou bombas indiscriminadamente sobre uma cidade inimiga num afã de matar civis inocentes em represália ao deliberado bombardeio de seus próprios civis. Mesmo quando atacou as partes de Beirute que abrigavam 198


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terroristas, a força aérea de Israel fez grandes esforços – apesar de nem sempre bemsucedidos – para evitar vítimas civis desnecessárias. Lembre-se de que, quando Israel procurou proteger-se contra o terrorismo sediado em Beirute em 1982, enviou um grupo de soldados – liderados pelo então general Ehud Barak, vestido de mulher – para alvejar os próprios terroristas no edifício, que estava sendo usado como sua base em vez de bombardeá-lo do ar, o que teria resultado em muito mais vítimas. Isso é típico do enfoque israelense: o ataque “de varejo” em vez de “por atacado” no combate ao terrorismo. Pode-se ser crítico dos ataques aéreos israelenses a Beirute – como fui crítico e como muitos israelenses o foram –, mas caracterizar as ações de autodefesa (mesmo reações exageradas) como genocídio e compará-las às atrocidades nazistas é abraçar uma forma não tão sutil de anti-semitismo internacional contra a nação judaica. É interessante e significativo que os inimigos de Israel jamais comparam o Estado judeu à Itália de Mussolini ou à União Soviética de Stalin, ou ao Japão de Hirohito – apenas à Alemanha nazista de Hitler. A comparação é obscena e anti-semita tanto na intenção como na realidade. De fato, Israel deveria ser comparado aos Estados Unidos, no sentido de que ambos os países fazem significativos esforços para treinar suas tropas a fim de evitar vítimas civis, embora nem sempre sejam bem-sucedidos. Em seu livro ]ust war against terror, a filósofa da Universidade de Chicago, Jean Bethke Elshtain compara claramente os filmes de treinamento exibidos aos soldados americanos (filmes similares São mostrados a soldados israelenses) com um filme de treinamento que está sendo amplamente utilizado para recrutar terroristas islâmicos: Os filmes de treinamento militares americanos incluem doses generosas de “o que deu errado” em várias operações. “O errado” refere-se não apenas a perdas militares americanas, mas também a operações que levaram à perda não intencional - de vidas de civis. Esses filmes indagam: como podem ser evitadas tais perdas, no futuro, num cenário de guerra? Ninguém é estimulado, ou mesmo autorizado, para chamar a matança de eivis de “vontade de Deus” ou, ainda pior, um ato realizado em nome de Deus. O vídeo do [terrorista islâmico, que é “exibição de rotina” em muitas mesquitas radicais, inclusive a freqüentada por Zacarias Moussaoui e Richard Reed] mostra inimigos sendo decapitados com facas depois de terem sido desarmados - algo estritamente proibido pelas leis da guerra. O narrador do filme instiga: “Vocês têm de matar em nome de Alá até serem mortos. Então vocês ganharão seu lugar para sempre no Paraíso. Todo o mundo islâmico deveria levantar-se para lutar contra todos os nefastos infiéis. A bandeira da Jihad estará para sempre no alto. Os nossos inimigos estão

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lutando em nome de Satã. Vocês estão lutando em nome de Deus”. O espectador é submetido “a uma gritaria histérica enquanto os militantes observam que um soldado ainda está vivo. ‘Ele está se movendo’, grita um guerreiro. Um militante calmamente se abaixa e corre uma faca pelo pescoço do ferido. A imagem do sangue escorrendo da sua artéria carótida, cortada, é mostrada cinco vezes no vídeo”.14

Desde 11 de setembro, e especialmente durante a guerra contra o Iraque, o governo dos Estados Unidos cometeu, de fato, todos os males pelos quais Israel tem sido condenado. Efetivamente, muitos dos males cometidos por Israel – e depois reproduzidos pelos Estados Unidos – foram condenados pelos próprios Estados Unidos nos seus relatórios anuais do Departamento de Estado sobre direitos humanos. Por exemplo, soldados americanos atiraram numa multidão de iraquianos, matando mais de uma dúzia, incluindo duas crianças com menos de 11 anos.15 Nossas tropas argumentaram, como as tropas israelenses têm argumentado em situações semelhantes, que foram alvejadas primeiro por pessoas na multidão. O governo americano também salientou, como o governo israelense tem salientado de modo similar, que tropas de combate não são treinadas para executar o controle de motins e, ocasionalmente, vão reagir de modo exagerado a provocações de uma multidão indistinta de pessoas protestando, pessoas atirando pedras ou bombas e atiradores. Os soldados americanos também têm sido acusados de atirar primeiro e questionar-se depois, quando se aproximam de seus pontos de controle veículos não identificados, que deixam de cumprir uma ordem de parar. Os Estados Unidos descrevem situações em que indivíduos e veículos que se aproximam de pontos de controle causaram a morte de soldados americanos. Depois que uma mulher, aparentemente grávida, explodiuse, matando e ferindo americanos, nossos soldados responderam de forma mais agressiva a aproximações semelhantes. As autoridades americanas têm feito detenções administrativas de centenas de suspeitos terroristas, militantes islâmicos e outros por longos períodos de tempo. As autoridades americanas têm usado táticas de pressão, beirando a tortura não letal, num esforço de obter informações consideradas necessárias para impedir futuros atos de terrorismo. Fazendo essas comparações, não pretendo escolher os Estados Unidos como alvo de crítica, como muitos fizeram em relação a Israel. De fato, tanto os Estados Unidos quanto Israel têm se conduzido muito melhor do que outros países confrontando o terrorismo e a guerra urbana. Comparações com os russos na Tchetchênia e os franceses na Argélia favorecem os Estados Unidos e Israel. Tampouco pretendo sugerir que dois erros fazem um acerto. Tanto os Estados Unidos como Israel são

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justamente criticados quando erram, como outras nações. Volto a insistir que existe uma disposição da comunidade internacional de mostrar Israel como único ou “principal” violador de direitos humanos quando qualquer avaliação comparativa objetiva vai provar que, apesar de Israel ter cometido erros e reagido em excesso, o seu desempenho geral está entre os melhores do mundo, talvez o melhor do mundo, quando são levadas em conta as circunstâncias que enfrenta. Francis Boyle, o professor de direito americano que se tornou um porta-voz dos grupos terroristas palestinos, tem razão num ponto: um lado tentou o genocídio durante o conflito árabe-palestino-israelense. A autoproclamada guerra árabe de extermínio em 1948, o alvejamento de cidades israelenses por exércitos árabes durante as guerras de 1948, 1967 e 1973 e os contínuos ataques terroristas que mataram milhares de israelenses, judeus, e outros civis podem ser caracterizados como tentativa de genocídio. Os esforços de Israel para proteger seus cidadãos contra esses assassinatos em massa, atacando alvos militares árabes, só podem ser rotulados de genocídio por uma pessoa preconceituosa que deseja envolver-se na dialética orwelliana contra um povo que foi verdadeiramente vitimizado pela pior forma de genocídio. Talvez nada mais possa ser esperado do professor Boyle, que há muito tempo tem sido um propagandista unilateral a favor do terrorismo palestino, mas certamente se espera mais de um autor que recebeu o Prêmio Nobel, como José Saramago, que recentemente caracterizou os esforços de Israel na defesa de seus cidadãos contra o terrorismo como “um crime comparável a Auschwitz”. Quando Saramago foi pressionado sobre “onde... estavam as câmaras de gás” ele respondeu “não estão aqui, ainda”.16 Esse comentário revoltante é quase obsceno e só pode ser explicado por uma ignorância abismai e um ódio profundo e irracional contra o Estado judeu. Mas apenas a ignorância não pode explicar a alegada “reportagem” de um “jornalista” como Chris Hedges, que argumentou ter observado pessoalmente soldados israelenses “atraírem crianças para uma armadilha como ratos e assassiná-las por esporte”.17 Esse tipo de reportagem merece estar ao lado da que apareceu no jornal da Arábia Saudita Al- Riyadh, em 10 de março de 2002, descrevendo o “fato bemestabelecido”, segundo o qual os judeus usam “o sangue de crianças cristãs e muçulmanas com menos de 10 anos” para “preparar pastéis para as suas festas”.18

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NOTAS 1. Colocado por cortesia de Boyle em www.mediamonitors.netifrancisl.html. Boyle continua delineando um plano de ação completo, passo a passo, para o “Estado da Palestina” para conduzir o processo. Pelo meu conhecimento, era tudo conversa e nenhum processo foi realizado. 2. Oren, p. 92. 3. Ibid., p. 93. 4. Ibid., p. 306. 5. Cleo Noel, o diplomata americano assassinado em março de 1973, era o diplomata nãobranco de mais alto nível no American Foreign Service. Alguns dos 273 fuzileiros mortos por terroristas palestinos em Beirute eram negros. Vários passageiros aéreos mortos em numerosos ataques contra companhias aéreas e nos terminais eram negros, bem como vários dos judeus assassinados em Israel. 6. James Bennet, “A nation at war: parallels”, New York Times, l2 de abril de 2003. 7. Ibid. 8. Yigal Henkin, “The best way into Baghdad”, New York Times, 3 de abril de 2003. 9. David R. Green, “Fighting by the book”, Boston Globe, 20 de abril de 2003. 10. Ibid. 11. Michael Walzer, “The four wars of Israel/Palestine”, Dissent, outono de 2002. 12. Green, Boston Globe, 20 de abril de 2003. 13. Jascha Hoffman, “The good soldier”, Boston Globe, 20 de abril de 2003. 14. Elshtain, pp. 21-22. 15. New York Times, 30 de abril de 2003. 16. Forward, 10 de maio de 2002. 17. Chris Hedges, “A Gaza Diary”, Harper’s Monthly, outubro de 2001. 18. Dr. Umaya Ahmad al-Jalahma, Al-Riydh, citado em Middle East Media Research Institute (MEMRI), Special Dispatch Series, 13 de março de 2002, n2 543. http://memri.org.

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Israel é um Estado racista?

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A ACUSAÇÃO O fato de Israel ser um Estado judeu com a lei do retorno, que dá o direito aos judeus e às suas famílias de tornarem-se cidadãos de Israel, apenas prova que ele é um Estado racista.

OS ACUSADORES “Israel, além disso, é o único país do mundo, hoje em dia, que adotou, como política oficial, a busca de uma certa composição racial entre seus cidadãos, isto é, mantendo uma maioria judaica. Essa política, como é bem sabido fora dos Estados Unidos, evidentemente viola diretamente a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, que explicitamente proíbe ‘qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica’.” (Ahmed Bouzid, presidente da Palestine Media Watch.)1 “A lei do retorno de Israel é uma outra lei racista. De acordo com ela, o Estado deve acomodar quaisquer judeus de qualquer parte do mundo que possam, a qualquer momento, migrar para Israel. Se repentinamente 4 milhões de judeus emigrarem para Israel/Palestina, o governo de Israel os acomodará. Em contrapartida, 4 milhões de palestinos que


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perderam as suas terras e foram forçados ao exílio quando Israel foi criado não têm o direito de voltar porque – nas palavras de Ehud Barak – isso seria um ‘suicídio nacional’.” (Na’eem Jeenah, Associação Islâmica pela Palestina.)2 “De todas as leis discriminatórias e práticas do sionismo nenhuma pode comparar-se à lei do retorno israelense pela sua iniqüidade. Essa lei, que foi promulgada em 5 de julho de 1950, dá a cada membro do povo judeu’, nascido em qualquer parte do mundo, o direito de imigrar para Israel e tomar-se um cidadão tão logo chegue. Ao mesmo tempo, nega esse direito aos muçulmanos e cristãos palestinos que nasceram na Palestina e foram expulsos durante as sucessivas guerras de ocupação.” (Dr. Daud Abdullah, Centro Palestino de Retorno.)3

A REALIDADE Todos os outros Estados na área, incluindo a Autoridade Palestina, têm uma religião oficialmente estabelecida, o Islã, e discriminam tanto legalmente como de fato nãomuçulmanos, especialmente judeus. Já Israel é, na prática, um Estado secular que é pluralista religiosa e racialmente, com liberdade de religião para todos. Além disso, vários outros Estados e a Autoridade Palestina têm leis do retorno, e a Jordânia tem uma lei que explicitamente proíbe os judeus de tornarem-se cidadãos, mas apenas Israel – cuja lei surgiu da história de judeus sendo massacrados porque nenhum outro Estado, nem a Palestina sob o mandato britânico, queria aceitar refugiados judeus – é condenado pela sua lei de retorno.

A PROVA Apesar de Israel ser um Estado judeu, é predominantemente secular e dá completa liberdade de religião a muçulmanos, cristãos e outros grupos religiosos. Os únicos grupos religiosos que são de alguma forma discriminados em Israel são grupos judeus que não seguem as escrituras do judaísmo ortodoxo. Judeus conservadores, reformistas e seculares são menos do que iguais quando se trata de assuntos como casamento, conversão e educação provida pelo governo. Posto de outra forma, há liberdade de religião para todos em Israel, mas os judeus não-ortodoxos também não estão livres da religião. Durante muito tempo tenho criticado a política do governo israelense com relação aos judeus conservadores, refor-

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EM DEFESA DE ISRAEL

mistas e seculares, apesar de entender que suas fontes estão na natureza quixotesca do sistema político de Israel, que dá um poder desproporcional aos ortodoxos por causa da necessidade de incluí-los em coalizões tanto da direita como da esquerda. Mas mesmo em relação aos judeus não-ortodoxos tem sido feito um progresso significativo no reconhecimento de seus direitos, tanto de praticar uma forma de judaísmo diferente da ortodoxia como de não praticar nenhuma religião. Apesar das imperfeições do enfoque do governo de Israel quanto à religião, ele é muito mais tolerante ao pluralismo religioso do que qualquer outro país no Oriente Médio, qualquer Estado muçulmano no mundo e a maioria dos Estados cristãos ao longo da história, mesmo atualmente. Escolher Israel para a crítica por ser um Estado judeu é claramente uma forma de anti-semitismo internacional, especialmente quando a desaprovação não é acoplada à desaprovação comparável, ou mais severa, dos Estados muçulmanos que praticam uma forma muito mais discriminatória de religião patrocinada pelo Estado. Mesmo a Autoridade Palestina, que há tempo advoga um Estado secular binacional em Israel (claramente como estratagema) e tem sido extremamente crítica de Israel como Estado judeu, recentemente declarou o Islã como sua religião oficial e única.4 Não ouvi críticas a esse respeito por parte daqueles que são tão rápidos em condenar Israel por qualquer desvio da perfeição que nenhum país jamais alcançou. Com relação à lei israelense do retorno tem havido permanente controvérsia sobre se ela é basicamente uma lei religiosa, uma lei de reunificação familiar, uma reação à discriminação étnica ou uma combinação desses fatores históricos. Antes de mais nada, deve ser vista como uma lei humanitária. Ela se seguiu às ondas de imigração durante os primeiros anos, que trouxeram sobreviventes do Holocausto juntamente com refugiados forçados a sair dos países árabes. Desde que foi promulgada, judeus têm sido salvos da repressão e do anti-semitismo do bloco comunista, de “desaparecimentos” sob ditadores argentinos e da fome na Etiópia. Alguns críticos da lei a caracterizam como “racista”. Deixando de lado a óbvia falsidade dessa afirmação – que discutirei a seguir –, esses críticos são culpados pelo costumeiro duplo padrão: Israel está longe de ser o único país – e longe de ser a única democracia – com leis comparáveis. Desde o desmoronamento da União Soviética, a Rússia tem dado as boas-vindas a milhares de russos étnicos das antigas repúblicas. Desde 1945, milhões de alemães étnicos chegaram à Alemanha provenientes de toda a Europa central e oriental e da antiga União Soviética. Durante quase cinqüenta anos a lei de imigração alemã seguiu a definição oficial de que “membros do povo alemão são aqueles que se entregaram, nas suas pá-

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trias, ao germanismo (Deutschtum), na medida em que essa entrega for confirmada por certos fatos, tais como descendência, língua, educação ou cultura”. 5 Outros Estados também têm leis e ligações similares a suas diásporas. Mas apenas Israel é atacado como racista pela sua lei do retorno não racial. Apesar de judeus (e alguns dos seus parentes) terem direito à cidadania (sujeita a certas desqualificações por atividades criminosas), não-judeus também podem procurar a cidadania, e muitos, de fato, foram bem recebidos por Israel como cidadãos de primeira classe, com todos os direitos concedidos a cidadãos judeus. Em abril de 1999, Israel transportou por ar mais de 100 refugiados albaneses de Kosovo e os convidou a viver no kibutz Maagan Michael. Esses refugiados não-judeus juntaram-se a um grupo anterior de muçulmanos que escaparam da guerra civil na Bósnia em 1993. Os refugiados receberam a escolha de ficar permanentemente em Israel ou de retornar a Kosovo depois das lutas. 6 Israel havia previamente oferecido asilo a refugiados não-judeus de outras partes do mundo envolvidas em conflitos. Muitos dos que escaparam da repressão soviética emigrando para Israel eram não-judeus (embora muitos fossem parentes de judeus). A lei do retorno foi claramente uma resposta à discriminação histórica de outras nações contra os judeus. Certamente é compreensível porque Israel, assim que se tornou Estado, respondeu a essa discriminação abrindo suas portas a qualquer judeu, bem como a outros que procuravam refúgio ou uma vida melhor. Existe, de fato, alguma discriminação contra cidadãos árabes de Israel. A maioria não pode servir o exército, mas poucos escolheriam combater contra outros árabes se tivessem a opção. Até recentemente os árabes não podiam comprar casas em certas áreas judaicas, assim como judeus não podem comprar casas nas aldeias árabes. Uma decisão da Corte Suprema de Israel, em 2002, determinou que o governo não pode alocar terra com base na religião ou etnia e não pode impedir cidadãos árabes de viver onde quiserem: “O princípio da igualdade proíbe o Estado de fazer distinção entre seus cidadãos com base na religião ou nacionalidade”, escreveu o juiz Aharon Barak. “O princípio também se aplica à alocação de terras do Estado... 0 caráter judaico do Estado não permite a Israel discriminar seus cidadãos.”7 É justo dizer que Israel, conduzido pela sua progressista Corte Suprema, está fazendo um considerável avanço na eliminação dos vestígios da discriminação anti-árabe, que eram principalmente um produto da recusa do mundo árabe em aceitar o Estado judeu. Também é justo dizer que, apesar de algumas desigualdades que ainda subsistem, há muito menos discriminação em Israel do que em qualquer nação do Oriente Médio, árabe ou muçulmana.

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O apartheid mais primitivo contra não-muçulmanos ainda é abertamente praticado em alguns países árabes.8 Além disso, a Jordânia tem uma lei do retorno que explicitamente nega a cidadania a todos os judeus, mesmo àqueles que viveram lá por gerações. As suas leis determinam que a cidadania é aberta “a qualquer pessoa não-judia” e que satisfaz determinados critérios.9 A Arábia Saudita, de modo similar, baseia a elegibilidade em afiliação religiosa. A Alemanha tinha há tempos uma lei do retorno, como a China e muitos outros países. Mas apenas Israel, que tem cidadãos de, possivelmente, todas as religiões, etnias, raças e origem nacional é caracterizado pelos seus inimigos como racista ou praticante do apartheid.

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NOTAS 1. Ahmed Bouzid, “The right of return – Israel and Palestine”, Media Monitors NetWork, www.mediamonitors.net/bouzid3.html. 2. Na’eemjeenah, “Zionismisatheoryof ethniccleansingand racism”, Islamic Association for Palestine, www.iap.org/zionism3.htm. 3. Dr. Daud Abdullah, “The right of return in the zionist political discourse”, palestra para Friends of Al-Aqsa. Disponível em www.aqsa.org.uk/journals/vol4iss1/discourse.html. 4. James Bennet, “Letter from the Middle East: arab showpiece? Could it be the west bank?” The New York Times, l2 de abril de 2003. 5. Ruud Koopmans, “Germany and its immigrants: an ambivalent relationship”, Journal of Ethnic and Migration Studies, 1º de outubro de 1999. 6. Agence France Presse, “Israel airlifts kosovo refugees on eve of Holocaust memorial day”, 12 de abril de 1999. 7. Qadan v. Israel lands administration, HCJ (Suprema Corte de Israel) 6698/95, 8 de março de 2000. 8. O website oficial do Projeto David mostra exemplos de discriminação contra “Dhimmi” de muitas persuasões étnicas e religiosas diferentes nos países árabes, incluindo cristãos e os discípulos de Baha Alá. Também mostra uma placa rodoviária na Arábia Saudita com uma pista para “muçulmanos apenas”. V. www. davidproiect.org/see/connectthedots.htm. 9. Artigo 3 (3) da lei da nacionalidade jordaniana. Lei N2 6 (1954), Official Gazette, nº 1171, 16 de fevereiro de 1954; reproduzido em Uri Davis, Citizenship and the State (Reading, U.K.: Ithaca Press, 1997), p. 70.

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A ocupação israelense é a causa

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de todos os problemas?

A ACUSAÇÃO A ocupação israelense é a mais longa e brutal da história moderna.

OS ACUSADORES “Al Nakba [o pecado original] é a maior, mais cuidadosamente planejada e mais longa operação de limpeza étnica na história moderna. A população de 530 aldeias e vilas foi expulsa em 1948, retirando 85% dos palestinos da terra que se tornou Israel. Aqueles que não tiveram esse destino na parte restante da Palestina estão agora nas garras da ocupação mais brutal, mais longa e única no mundo.” (Salman Abu Sitta)1 “A vida do palestino comum tem sido uma longa viagem de miséria e humilhação. Colonizados, despojados, ocupados e coletivamente castigados, suportando etnocídio e fome, além do mais, roubados de seus lares e terras por um crime cometido por europeus contra judeus há 50 anos, os palestinos não se incomodam mais com o que o Ocidente, ou mesmo os árabes, pensam. Sofrendo sob o brutal regime israelense e sob a mais longa ocupação militar na história recente, eles recorreram, com relutância, à ‘operação martírio’ em

reação

à

contínua

repressão

e

carnificina

israelenses.”

(Artigo

no

www.mediareviewnet.com, em reação a uma fotografia mostrando um bebê palestino vestido como homem-bomba.)2


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A REALIDADE Outras ocupações, tais como a ocupação chinesa do Tibete, foram mais longas e menos justificadas e Israel terminou a sua ocupação em 1995, só retornando a algumas áreas para impedir o terrorismo. Ofereceu novamente o término da ocupação em troca dos melhores esforços das autoridades palestinas para porem fim ao terrorismo.

A PROVA Como documentado anteriormente, foi oferecida uma pátria aos palestinos em três ocasiões distintas – em 1937, 1947 e 2000-2001 – e cada vez a oferta foi rejeitada e respondida com aumento do terrorismo. É bastante surpreendente o fato de ter sido oferecido algo aos palestinos depois da Segunda Guerra Mundial, considerando que a sua liderança se colocou ativamente ao lado dos perdedores nazistas. O apoio ao lado perdedor geralmente não resulta na oferta de um Estado. Os judeus obtiveram a Declaração Balfour por apoiarem o lado certo na Primeira Guerra Mundial. Os palestinos receberam uma oferta generosa de partição depois de terem se aliado a Hitler. Desconheço qualquer situação na história em que um povo tenha rejeitado, por duas vezes, a possibilidade de se tornar um Estado, respondido com o massacre de civis, sendo depois recompensado pelas suas sucessivas rejeições e crimes contra a humanidade por mais uma oferta de condição de Estado. Em 2000 foi novamente oferecida a condição de Estado aos palestinos, desta vez compreensivelmente com uma redução em território, mas sem redução de controle sobre a população palestina. Pela terceira vez os palestinos responderam com violência. Segundo qualquer padrão de moralidade e justiça, a questão pela independência e criação de um Estado palestino é muito mais fraca do que a questão pela independência e condição de Estado de numerosos outros povos que buscam a autonomia. A ocupação do Tibete pela China foi mais longa, mais brutal e menos justificada por considerações protetivas ou militares, e há muito mais tibetanos do que palestinos. Além disso, não existe nenhum outro Estado com uma maioria de população tibetana, enquanto pelo menos dois terços da população da Jordânia são palestinos. O governo chinês construiu muito mais colônias no Tibete do que Israel na margem ocidental e em Gaza. Enquanto os colonos judeus constituem uma pequena minoria em áreas palestinas, os chineses encheram o Tibete com tantos chineses étnicos que os tibetanos se tornaram uma minoria em seu próprio país:

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Uma política tornou-se cada vez mais proeminente e pode provar-se a mais eficaz ao longo do tempo: a política de transferência populacional dos cidadãos chineses para o Tibete. A transferência populacional fez dos tibetanos uma minoria no Tibete, feriu o ambiente tibetano e facilitou violações dos direitos humanos.3

O Dalai-Lama resumiu a situação em 2000: Depois de 50 anos de domínio chinês, o Tibete não parece mais próximo da liberdade. Apesar de muitos apelos em prol dos direitos humanos terem tido pouco efeito até agora, esses apelos, sem dúvida, continuarão a ser feitos: isso poderá, eventualmente, ajudar os tibetanos na sua luta por autodeterminação e terminar com as transferências de população. [...] Só em 1999 houve seis casos conhecidos de mortes resultantes de tortura e abuso. As autoridades expulsaram um total de 1.432 monges e freiras de seus mosteiros e conventos... Há 615 prisioneiros políticos tibetanos conhecidos e documentados... Desde 1996 um total de 11.409 monges e freiras foram expulsos... Mesmo hoje o atual jovem reencarnado Panchen Lama está, na verdade, sob prisão domiciliar, o que o torna o mais jovem prisioneiro político do mundo. Estou muito preocupado com isso.4

Um recente artigo numa revista internacional de direito acrescentou o seguinte: Os direitos recusados aos tibetanos incluem: 1. Vida, liberdade e segurança foram violados. 2. Foi infligido trabalho forçado aos tibetanos. 3. Têm sido infligidos tortura e tratamento cruel e degradante. 4 Direitos a casa e privacidade têm sido violados. 5. A liberdade de movimento dentro de um Estado, e o direito de partir e voltar ao Tibete têm sido negados. 6. Têm sido forçados casamentos apesar de parceiros relutantes. 7. Os direitos de propriedade têm sido arbitrariamente violados. 8. A liberdade de religião e de culto tem sido sistematicamente negada. 9. Falta totalmente a liberdade de expressão e de comunicação de idéias. 10. A liberdade de associação é negada. 11. O direito de um governo representativo é negado. 12. Há uma desconsideração injustificada pelos direitos econômicos do homem em relação aos recursos do seu país. 13.0 direito de livre escolha de emprego é negado. 14. As condições de trabalho não estão de acordo com os padrões mínimos no que diz respeito ao descanso e ao limite das horas. 1. O direito a um adequado padrão de vida é negado. 16.0 direito a um sistema educacional livre e eficiente, não discriminatório, é negado. 17. O

direito

de

participar da vida cultural da comunidade é negado. 18. As limitações impostas aos direitos dos tibetanos ultrapassam de longe as que são razoavelmente aplicáveis ao que concerne à moralidade pública, ordem pública e ao bem-estar da sociedade.5

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Apesar desse registro horrendo, a ONU jamais condenou a China ou reconheceu os direitos dos tibetanos à autodeterminação. Ao contrário, a comunidade internacional recompensou a China com as Olimpíadas de 2008, e poucos dos que requerem a condição de Estado palestino manifestam-se na questão muito mais obrigatória da independência tibetana. Por quê? A mesma pergunta pode ser feita quanto aos curdos, aos armênios na Turquia, aos tchetchenos, aos bascos e a dezenas de outros grupos sem Estado, nenhum dos quais têm o status de observador da ONU ou é reconhecido por tantos estados ou grupos religiosos como os palestinos. Além disso, a nenhum desses outros grupos foi oferecida a condição de Estado e rejeitada em múltiplas ocasiões. Israel ofereceu a condição de Estado aos palestinos em troca de um compromisso por parte da Autoridade Palestina de fazer os seus melhores esforços para pôr fim ao terrorismo, e a resposta palestina tem sido uma escalada do terrorismo. Os palestinos no fim terão um Estado, mas ele não deveria vir como recompensa ao terrorismo. Tenho me oposto enfaticamente à ocupação de centros populacionais palestinos desde 1967, mas as ações de Israel têm sido muito mais justificadas militar, legal e moralmente do que outras ocupações mais longas e que, nem de longe, foram objeto de tanta condenação. Além disso, a ocupação israelense, ao contrário de qualquer uma das outras ocupações atuais, trouxe consideráveis dividendos aos palestinos, incluindo melhorias significativas em longevidade, cuidados com a saúde e educação. Também trouxe uma redução da mortalidade infantil. Entre 1967 e 1994, quando Israel era responsável por serviços médicos e de saúde, mais de 90% dos bebês e crianças em idade escolar foram vacinadas, houve um aumento no controle de doenças infantis contagiosas e a taxa de mortalidade infantil caiu de 100 a 150 mortes por 1.000 nascimentos durante os anos em que a margem ocidental e Gaza estavam ocupadas pela Jordânia e pelo Egito para 20 a 2 5 mortes por 1.000 nascimentos ao fim da ocupação de Israel em 1994.6 Ironicamente, a ocupação israelense em vez de jordaniana e egípcia também promoveu o nacionalismo palestino. Nenhum desses dividendos justifica uma ocupação indesejada, mas exigem uma justificativa dos que condenam apenas a ocupação israelense, sem sequer expressar preocupação por outras ocupações muito mais brutais e menos justificadas. Tampouco o terrorismo palestino terminaria incondicionalmente se Israel devolvesse cada polegada de terra que ocupou ao defender-se contra a agressão jordaniana e egípcia em 1967. Em primeiro lugar, o terrorismo palestino veio antes da ocupação como uma tática de escolha. A partir da década de 1920 os ataques terroristas alvejaram judeus – igualmente

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sionistas e não-sionistas. O terrorismo tornou-se pior na década de 1930 e continuou depois de Israel tornar-se um Estado, mas antes de ocupar a margem ocidental e Gaza. Entre 1951 e 1955 quase mil civis israelenses foram mortos por fedayin em ataques entre fronteiras. Entre os ataques terroristas conduzidos contra civis israelenses antes da ocupação da margem ocidental e da faixa de Gaza estão os seguintes: o assassinato em massa de onze passageiros de ônibus retornando de férias em Eilat em 1954 (os terroristas primeiro mataram o motorista e depois subiram no ônibus e mataram todos os passageiros) e o ataque, por tiros, a crianças e adolescentes numa sinagoga, no qual quatro foram mortos e cinco feridos. Esse ataque foi semelhante ao bombardeio da Ku Klux Klan contra uma igreja de negros, no Alabama, no qual quatro crianças foram mortas. O Hamas, o Hezbollah e outros grupos juraram continuar o terrorismo, mesmo se a ocupação terminasse. Uma recente pesquisa feita na Universidade de Najah, em Nablus, descobriu que “87% dos palestinos pesquisados eram a favor de continuar os ataques terroristas” e que “87,5 % eram a favor de ‘libertar a Palestina toda’”.7 Se o terrorismo conseguir garantir um Estado palestino na margem ocidental e na faixa de Gaza, por que não deveria continuar a ser usado para garantir o que a grande maioria de palestinos diz almejar? Como Thomas Friedman escreveu pouco depois da pesquisa: Não se pode acreditar nos palestinos que usam homens-bomba para explodir israelenses num jantar de Páscoa e depois declaram que “basta terminar a ocupação e tudo estará bem”. Nenhum israelense lúcido confiaria que Yasser Arafat, que tem usado homens-bomba sempre que isso serviu aos seus propósitos, não faria o mesmo se conseguisse de volta a margem ocidental e alguns dos seus seguidores começassem a exigir Tel Aviv. Ainda não se pode confiar nos palestinos para controlar essas áreas por sua conta se Israel se retirar.8

Friedman concluiu com uma pergunta retórica que todos os israelenses deveriam fazer-se: “Você confiaria em Yasser Arafat para vigiar a sua vizinhança?”.9

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NOTAS 1. Salmon Abu Sitta, “The right of return is alive and well”, Popular front for the liberation of Palestine. www.pflp-pal.org/right.html. Publicado no The Jordan Times. 2. “Baby

bomber

picture

generates

intense

fear”,

Media

Review

Network,

www.Mediareviw.net.com/Baby%20Bomber%20picture%20generates%20intense%20fea r.htm (visitado pela última vez em 11 de abril de 2003). 3. John S. Hall. “Chinese population transfer in Tibet”, 9 Cardozo J Int’ I & Comp. I. 173 (2001). 4. Ibid. 5. Regina M. Clark, “China’s unlawful control over Tibet: The tibetan people’s entitlement to self-determination”, 12 Ind. Int’I & Comp. L. Rev. 293 (2002). 6. “Health Services development in Judea-Samaria and Gaza, 1967-1994”, Israeli Government website, www.mfa.gov.il/mfa/go.asp?MFAHObzzO. 1999 (visitado pela última vez em 11 de abril de 2003). 7. Thomas Friedman, New York Times, 18 de março de 2002. 8. Ibid. 9. New York Times20 de março de 2002, citado em Why terrorism works, p. 180.

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Israel contestou o Estado

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palestino?

A ACUSAÇÃO Israel tem negado o direito a um Estado ao povo palestino, que o merece mais do qualquer outro povo que sofreu uma ocupação ou que não tem Estado.

OS ACUSADORES “Os objetivos de Israel são claros, porque, como líderes sionistas e israelenses têm afirmado francamente há várias gerações, as reivindicações nacionais palestinas não são admissíveis nem válidas. [...] Com Israel, os Estados Unidos têm se oposto resolutamente à idéia de autodeterminação nacional.” (Edward Said e Christopher Hitchens)1 “Por que os europeus não têm pelos tibetanos, tchetchenos ou curdos a mesma simpatia que têm pelos palestinos? “Isso é um outro lapso perverso, porque, se o Ocidente fizesse pelos palestinos o que fez pelos curdos iraquianos, Yasser Arafat seria realmente um homem muito feliz. Além disso, nem Saddam Hussein nem o Partido Comunista Chinês vão a capitais ocidentais um mês sim, outro não, pedindo (usando chantagem seria mais correto) fundos para subsidiar suas máquinas de opressão e o desalojamento de curdos e tibetanos.


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“Mas mesmo se esse argumento fosse válido, e o Ocidente silenciasse sobre os crimes contra outros povos oprimidos, isso tornaria o que Israel faz um crime menor? ‘A imoralidade inerente a essa lógica perversa é um convite ao paradoxo. Os que apóiam Israel reconhecem que a sociedade israelense está empenhada num esforço imoral para subjugar, desalojar e oprimir os palestinos. Eles sabem que o que estão fazendo é imoral e ilegal e escolheram ser guiados por um notório criminoso de guerra que não fez segredo de suas intenções de usar apenas a violência para impor a sua vontade sobre uma população cativa. “Quando esses simples fatos são assinalados, os que apóiam Israel gritam ‘racismo!’. Criticar esses crimes torna-se racismo perverso, ao passo que concordar com eles, ou mesmo defendê-los, torna-se a atitude correta. A imoralidade torna-se uma retitude moral e o mundo todo torna-se o ‘submundo’, uma fraternidade de crime e no crime.” (Abdelwahab el-Affendi, pesquisador orientador, no Centro para o Estudo da Democracia, Universidade de Westminster.)2

A REALIDADE Os palestinos nunca procuraram criar seu Estado quando foram ocupados pela Jordânia e pelo Egito. Historicamente desejavam ser parte da Síria. A reivindicação palestina pela condição de Estado começou como uma tática para eliminar o Estado judeu de Israel. Além disso, a reivindicação palestina à condição de Estado e independência não é mais forte e, em alguns casos, é bem mais fraca do que as reivindicações dos tibetanos, curdos, bascos, tchetchenos, armênios turcos e outros povos que não têm Estado. Mas a reivindicação palestina suplantou outras mais urgentes por uma razão principal: os palestinos chamaram a atenção mundial pelo assassinato de milhares de pessoas inocentes, enquanto os tibetanos nunca recorreram ao terrorismo e os outros grupos utilizaram apenas terrorismo local episódico, que não tem sido recompensado pela comunidade internacional do mesmo modo que o terrorismo palestino. O sucesso dos palestinos em apresentar a sua causa à avaliação do mundo não lhes rendeu, entretanto, um Estado porque nem Israel nem os Estados Unidos estão dispostos a recompensar o terrorismo do mesmo modo que a ONU, a Comunidade Européia, o Vaticano e outros fizeram.

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A PROVA Por mérito, a causa palestina é muito mais fraca do que a de muitos outros povos sem Estado. Por que, então, a extrema esquerda, particularmente a esquerda européia, junto com a extrema direita, defendem a causa dos palestinos, enquanto largamente ignoram as causas muito mais meritórias dos tibetanos, curdos e outros povos? Por algum critério objetivo de moralidade, as reivindicações dos tibetanos e curdos – para focar apenas dois grupos sem Estado – são muito mais constrangedoras do que as reivindicações dos palestinos. Os tibetanos e os curdos têm sido tratados de modo muito mais brutal pelos seus ocupadores do que os palestinos. Já existe um Estado em que uma maioria da população é palestina, enquanto nem os tibetanos nem os curdos têm um Estado próprio. Os tibetanos usaram apenas o meio legal e legítimo para procurar reparação. Os curdos originariamente também contaram com tais meios. Já os palestinos, desde o início, cometeram crimes contra a humanidade, alvejando os civis mais indefesos. Os tibetanos e os curdos sempre buscaram sua independência e seu Estado, ao passo que os palestinos tiveram muitas oportunidades de conquistar a condição de Estado, a começar com o Relatório Peel, a partição da ONU, as ocupações jordaniana e egípcia e as ofertas feitas em Camp David e Taba. Eles nunca buscaram a condição de Estado exceto como tática para destruir Israel. As reivindicações dos curdos e tibetanos sob a lei internacional são muito superiores àquelas dos palestinos. Os palestinos apoiaram o lado perdedor em todas as guerras do século XX, incluindo a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, a guerra de independência de Israel e a guerra do Golfo, enquanto tibetanos e curdos não se alinharam com os males do nazismo, terrorismo e saddamismo. Uma maioria dos palestinos apóia a destruição de um Estado membro da ONU, ao passo que nem os tibetanos nem os curdos procuram a destruição de nenhum Estado. Entretanto, apesar das reivindicações bem mais constrangedoras dos tibetanos e curdos, nenhum desses grupos jamais recebeu nenhum reconhecimento da ONU, da Comunidade Européia, do Vaticano e de nenhum outro organismo oficial. Além disso, intelectuais da extrema direita e da extrema esquerda têm amplamente ignorado as suas causas. Um ônus pesado recai sobre aqueles moralistas seletivos que defendem uma causa mais fraca enquanto negligenciam outras mais fortes. A condição de Estado tem sido negada aos palestinos pelos seus próprios líderes que têm rejeitado, seguidamente, ofertas que os teriam levado a essa condição. O historiador Benny Morris escreve sobre “a rejeição instintiva que era como um filete escuro através da história pales-

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tina”.3 Israel estava pronto – e está pronto hoje – a oferecer a condição de Estado aos palestinos em troca dos melhores esforços genuínos por parte da Autoridade Palestina para pôr fim ao terrorismo daqueles grupos determinados a continuar os seus crimes contra a humanidade até a destruição de Israel. Essa é uma condição perfeitamente razoável que qualquer nação democrática, enfrentando semelhantes perigos, exigiria.

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NOTAS 1. Said and Hitchens, p. 291. 2. “Arab word looks the other way as race-based hatreds target it on two fronts”, Daily Star (Líbano), disponível em Lebanon Wire, www.lebanonwire.com/0206/02062612DS.asp (publicado em 26 de junho de 2002). 3. Benny Morris, New Republic, 21-28 de abril de 2002, p. 32.

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A política de Israel de destruir

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casas é um castigo coletivo?

A ACUSAÇÃO A política de Israel de destruir casas é um castigo coletivo proibido pela lei internacional.

OS ACUSADORES “A demolição de casas [vazias] pelos tanques israelenses no Campo de Refugiados de Rafah não é muito diferente da cena do World Trade Center [na qual mais de 2.500 pessoas foram mortas], que foi destruído pelos terroristas que aqui concordamos combater e destruir. “O Conselho de Segurança ‘está praticando um duplo critério em não denunciar as ações de Israel’ enquanto ‘denuncia os perpetradores da destruição de 11 de setembro’.” (declaração do representante sírio no Conselho de Segurança)1

A REALIDADE De maneira sábia ou não, a política de Israel de demolir casas que foram usadas para facilitar o terrorismo ou que eram de propriedade de pessoas que ajudaram os terroristas é uma penalidade econômica por cumplicidade com assassinatos. Não é particularmente eficaz, uma vez


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que as casas são reconstruídas com dinheiro arrecadado pelos simpatizantes, mas, desde que se limite a casas que são de propriedade de ajudantes do terrorismo, não é um castigo coletivo, Além disso, o conceito de responsabilidade coletiva pelo terrorismo, que é vastamente apoiado pela ampla maioria dos palestinos e sua liderança, é inteiramente consistente com a lei e a moral.

A PROVA O terrorismo contra civis inocentes é, evidentemente, a forma definitiva de castigo coletivo. Cada israelense – independentemente do seu apoio ou oposição a determinadas políticas governamentais – é alvo de morte pelo simples fato de ser israelense ou judeu. Mas aqueles que apóiam o terrorismo palestino queixam-se em voz mais alta quando uma casa usada por um terrorista é destruída como estorvo econômico contra aqueles que abrigam terroristas. Devido à impossibilidade de deter os próprios terroristas, especialmente os homensbomba, é importante orientar a intimidação àqueles que os enviam, àqueles que facilitam as suas ações e àqueles que podem ter alguma influência sobre eles. Cada vez que uma intimidação se volta contra alguém que não o ator imediatamente culpável, essa intimidação pode ser considerada uma forma de punição coletiva. Apesar de a punição coletiva ser proibida pela lei internacional, ela é amplamente praticada, inclusive pelos países mais democráticos e voltados para a liberdade. De fato, nenhum sistema internacional de intimidação pode ser eficaz sem contar com a punição coletiva. Toda vez que uma nação pratica a retaliação contra outra, ela pune coletivamente os cidadãos do outro país. Os bombardeios americanos e britânicos em cidades alemãs puniram os habitantes dessas cidades. O bombardeio atômico em Hiroshima e Nagasaki matou milhares de japoneses inocentes por causa dos crimes de seus líderes. O bombardeio de alvos militares inevitavelmente mata civis. Além de matar e ferir indivíduos sem culpa, há uma punição econômica coletiva, como as sanções aprovadas pela ONU e a bancarrota da economia de uma nação inimiga, que é uma ferramenta comum tanto de guerras quentes como frias. Nações que travam uma guerra agressiva e são derrotadas, muitas vezes, perdem território, e tal perda pode muito bem punir habitantes inocentes daquele território. Muitos alemães étnicos, alguns dos quais não apoiaram Hitler, foram obrigados a mudar-se após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. O castigo

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coletivo é uma questão de grau, com o conceito nazista de Sippenhaft – o assassinato por parentesco ou por habitantes da cidade – numa ponta do continuum e as conseqüências econômicas da agressão na outra. Chamar algo de castigo coletivo é freqüentemente uma tática política ou de relações públicas, calculada para confundir mais do que esclarecer. Há muita coisa errada com certos tipos e graus de castigo coletivo. Mas há pouco erro – e, algumas vezes, algo muito certo – em alguns tipos de responsabilidade coletiva pela ação de líderes. Por exemplo, foi certo o povo alemão todo sofrer pelo que seu líder eleito deflagrou sobre o mundo. Os poucos alemães que lutaram contra Hitler deveriam ter sido recompensados, mas a imensa maioria de alemães deveria ter sido considerada responsável pela sua cumplicidade com o mal. Num mundo perfeito, a responsabilidade teria sido imposta numa proporção direta à cumplicidade pessoal, os mais diretamente envolvidos tornando-se prisioneiros, e os menos diretamente envolvidos tendo de sofrer privação econômica. Ao povo alemão prometeram os benefícios de uma vitória nazista, que é parte da razão pela qual tantos apoiaram Hitler. Portanto, apenas eles deveriam sofrer por causa de uma derrota nazista, apesar de alguns entre os sofredores terem sido menos culpados do que outros. Isso é parte do que significa ser uma nação ou um povo. Aqueles que começam guerras e as perdem muitas vezes infligem sofrimento ao seu povo. Isso é justiça desigual. Também é um empecilho a guerras injustas. Aplicando esse princípio ao terrorismo, não é injusto fazer a causa em si sofrer pelas ações terroristas cometidas em seu favor, especialmente se há amplo apoio ao terrorismo na causa. Considere-se, por exemplo, um grupo extremista anti-aborto, no qual há alguns membros que assassinam os médicos que praticam abortos, fazem explodir clínicas de abortos e ameaçam mulheres grávidas que procuram fazer aborto. Seria absurdo recompensar o seu terrorismo reduzindo o direito de uma mulher escolher o aborto. Seria justificado impedir a sua causa se persistisse ou aumentasse o terrorismo, especialmente se o terrorismo fosse amplamente apoiado por soldados rasos do grupo. Nesse contexto, lembre-se da pesquisa de 2002, descrita anteriormente, que descobriu que 87% dos palestinos apoiavam os contínuos ataques terroristas. Como esses defensores esperam e aguardam beneficiar-se coletivamente do terrorismo, é justo (apesar de imperfeitamente justo) responsabilizar a comunidade pelos atos assassinos perpetrados em seu nome e sob seu controle final. Se essa forma benigna de responsabilidade coletiva puder, efetivamente, salvar vidas inocentes por deter o terrorismo, a balança da justiça pende a seu favor.

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O tipo de terrorismo suicida praticado pelos palestinos – assassinatos em massa de civis totalmente inocentes com o amplo apoio logístico, financeiro, religioso, político e emocional de uma grande maioria da população civil – nos desafia a repensar a clássica distinção muito clara entre combatentes e não-combatentes. Esse alinhamento que se encontra no âmago da lei internacional de guerra tem sido explorado no interesse do terrorismo. Os terroristas palestinos aprenderam a usar civis quer como espadas, quer como escudos: eles alvejam civis israelenses, depois se escondem atrás de civis palestinos quando são perseguidos pelos militares israelenses. Usam não-combatentes como escudos para combatentes. Deliberadamente mantêm as suas fábricas de bombas na proximidade de escolas, hospitais e outras construções civis. O resultado é que Israel precisa escolher entre utilizar táticas de autodefesa “por atacado”, tais como ataques aéreos que põem em risco a vida de muitos não-combatentes, entre os quais estão escondidos os combatentes, ou utilizar táticas “de varejo”, como o combate casa a casa que põem em risco as vidas dos soldados israelenses, como fizeram em Jenin. Não há uma fórmula precisa para calcular a relação ideal combatente/nãocombatente, mesmo na guerra convencional. Uma nação digna deve estar disposta a arriscar alguns dos seus próprios soldados para prevenir a matança colateral de civis inimigos, mas não precisa arriscar as vidas de muitos dos seus próprios combatentes para alcançar esse objetivo salutar. A proporção moral adequada deveria depender, pelo menos em parte, da participação dos nãocombatentes. Se muitos deles estiverem dispostos a permitir que os combatentes se escondam entre eles, se fornecerem apoio aos combatentes, se fizerem mártires dos assassinos, sua cumplicidade aumenta e eles se aproximam mais do status de combatentes, o que tem se tornado uma só coisa, sem uma clara linha separando civis de combatentes. Um exército de libertação, cuja finalidade é salvar cidadãos que não concordam com os abusos de direitos humanos cometidos contra eles pelos seus líderes não-eleitos, deveria empregar uma relação moral diferente daquela usada por um exército lutando contra um grupo misto de civis e combatentes que se apóiam mutuamente para cometer crimes contra a humanidade. Quanto da responsabilidade de combater o terrorismo deveria recair sobre a coletividade? Certamente não o suficiente para deliberadamente acusar pessoas inteiramente inocentes diante de casos de assassinatos. Na verdade, isso é precisamente o que os terroristas fazem. Mas sanções econômicas impostas a defensores do terrorismo são justas e podem ser eficazes. Mesmo se algumas pessoas que não apóiam o terrorismo sofrerem um impacto econômico, este será um preço moral pequeno a ser pago

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para salvar muitas vidas inocentes, especialmente porque aqueles que apóiam os terroristas esperam colher os benefícios do terrorismo. Sempre que é imposta uma punição econômica coletiva àqueles que apóiam o terrorismo, eu fico surpreso pelo fato de ouvir os protestos de alta indignação moral daqueles que, pessoalmente, apóiam o terrorismo que leva à matança, como Yasser Arafat. Igualmente hipócritas são os acadêmicos que apóiam o boicote a qualquer intelectual israelense judeu, independentemente dos seus pontos de vista pessoais sobre a política israelense, e depois se queixam do castigo coletivo de palestinos que são, eles próprios, cúmplices do terrorismo. Um boicote a todos os intelectuais israelenses e a destituição de todas as companhias que comercializam com Israel são, evidentemente, atos de castigo coletivo. Aqueles que são cúmplices do terrorismo, ao debaterem punições coletivas, fazemme lembrar do infame caso de estupro de Fall River (transformado em ficção no filme The accused), no qual havia várias categorias de pessoas moral e legalmente cúmplices: aqueles que efetivamente estupraram a mulher; aqueles que a seguraram; aqueles que impediram sua fuga; aqueles que estimularam e encorajaram os estupradores; e aqueles que poderiam ter chamado a polícia, mas não o fizeram. Nenhuma pessoa racional sugeriria que qualquer uma dessas pessoas estivesse inteiramente livre de culpa moral, apesar de pessoas razoáveis poderem discordar da culpa legal daqueles das duas últimas categorias. A objeção de impor uma responsabilidade legal a pessoas nessas duas categorias seria diminuída se a única sanção contra elas fosse econômica – digamos, uma multa ou responsabilidade civil. A responsabilidade por estupro é, certamente, uma questão de grau, assim como a responsabilidade por terrorismo daqueles que estimulam os terroristas, fazem deles mártires, estimulam seus próprios filhos a tornarem-se terroristas ou esperam beneficiar-se do terrorismo. Não há nada de moralmente errado em considerar tais cúmplices responsáveis, porquanto as conseqüências impostas sobre eles sejam proporcionais à sua cumplicidade. As sanções econômicas dos Estados Unidos contra Iraque, Líbia e Cuba são castigos coletivos impostos a grandes populações pelos atos dos seus líderes. Assim também foram as sanções e os boicotes impostos a Israel pela Liga Árabe. A política de Israel de demolir as casas dos terroristas ou daqueles que os abrigam é uma forma branda de castigo coletivo dirigida contra a propriedade daqueles que são considerados cúmplices de alguma forma. Isso ocasionalmente tem um impacto sobre pessoas inocentes, o que depõe contra sua moral, mas num grau consideravelmente menor do que amplas sanções econômicas impostas a nações inteiras. Mas a ONU tem apoiado tais sanções econômicas as224


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sim como tem condenado a política de Israel de punir aqueles que ajudam os terroristas. A política norte-americana de confiscar carros, barcos, aviões e casas usados para facilitar o tráfico de drogas também é uma forma de responsabilidade coletiva, desenvolvida para impedir que pessoas concordem que traficantes de drogas os usem. Pode muito bem ser uma política questionável, mas não incorreu no tipo de condenação imposta a Israel por tomar medidas muito menos questionáveis para se proteger de um mal muito mais sério. Evidentemente Israel esvazia as casas antes de demoli-las, mas em algumas ocasiões pessoas foram mortas, incluindo uma manifestante que se atirou em frente do trator e, aparentemente, não foi vista pelo seu condutor. Apesar de ter sido descrita na mídia como uma ativista pela paz – implicando que ela era uma pessoa não-partidária que apoiava a paz –, nada podia estar mais longe da verdade. Ela pertencia a um grupo de fanáticos radicais própalestinos – alguns da extrema esquerda, outros da extremamente racista “ala direita”2 – que são partidários do terrorismo palestino. Membros do Movimento de Solidariedade Internacional aprendem a “ser sensíveis” a homens-bomba porque “eles estão dando suas vidas pela sua terra e pelo seu povo”. São instruídos a “falar com os palestinos” antes de fazer qualquer coisa. Servem de escudos humanos, trabalhando de perto com os grupos de terroristas palestinos e protegendo apenas palestinos dos soldados israelenses. Nunca se oferecem a servir de escudo protegendo civis israelenses contra o terrorismo palestino. Eles não apóiam a paz. Em vez disso, esses fanáticos advogam a vitória do terrorismo palestino sobre a autodefesa de Israel. Eles recebem “subsídios tanto da Autoridade Palestina e do Hamas como de Shadi Sukiya, um membro importante do Jihad islâmico, em Jenin, que esteve envolvido no planejamento de vários ataques suicidas frustrados e que foi preso pelas tropas da Força de Defesa de Israel enquanto se escondia nos escritórios do Movimento Internacional de Solidariedade” em março de 2003.3 E em abril de 2003 dois homens-bomba da Inglaterra esconderam-se entre o grupo, mesmo participando de uma cerimônia dirigida por ele, poucos dias antes de um deles explodir-se junto com três israelenses.4 0 grupo da “solidariedade” depois condenou Israel pela sua resposta aos assassinatos. A mídia deveria parar de referir-se a essas pessoas como ativistas da paz e deveria chamá-los pelo que são: partidários e facilitadores do terrorismo palestino. Mesmo assim, não há desculpa para o tipo de negligência daqueles responsáveis pela demolição das casas que resultaram na morte da fanática, mas, excluindo-se o dano físico a indivíduos, a sanção

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econômica da destruição de casas é inteiramente moral se for limitada àqueles que têm alguma cumplicidade moral com o terrorismo que se procura impedir. O principal problema com a destruição de casas envolvidas com o terrorismo não diz respeito à moralidade. Uma abordagem que não visa à morte, como esta, está entre as mais morais e calibradas respostas ao terrorismo – muito mais do que a retaliação militar maciça que, inevitavelmente, produz mortes concomitantes de não-combatentes (especialmente quando combatentes se misturam com não-combatentes e quando o não-combate é, muitas vezes, uma questão de grau). O problema relativo à destruição de casas é que rende pouco na televisão. De fato, em alguns países muçulmanos, os telespectadores são levados a acreditar que as casas são destruídas com pessoas habitando nelas! Mesmo quando fica claro que não há ninguém dentro, a imagem inevitável da mulher chorando, lamentando a perda do seu lar, cria simpatia, mesmo se essa mulher no dia anterior estava estimulando seu filho a tornar-se um mártir e amanhã estará festejando as notícias do bombardeio de um restaurante israelense com uma dezena de adolescentes dentro. (Se os terroristas concordassem em avisar com antecedência que iriam explodir um edifício, como fazem os israelenses, então poderia haver algum argumento para equivalência moral.) A destruição de casas também é ineficaz porque o Hamas continua a pagar às pessoas cujas casas são destruídas dinheiro suficiente para construírem uma casa maior. (Saddam Hussein havia anunciado, em abril de 2002, que pagaria 25 mil dólares em dinheiro à família de qualquer homem-bomba que matasse judeus, mas a disponibilidade de dinheiro acabou quando ele perdeu o poder.) Segundo a lei norte-americana, qualquer pessoa que concorde antecipadamente em pagar à família de um homem-bomba é um conspirador do terrorismo e homicídio. A comunidade internacional precisa acatar a justiça das intimidações proporcionais, não-letais, feita contra aqueles que apóiam e se beneficiam do terrorismo, em vez de ameaçar com sanções sem sentido os próprios terroristas suicidas. Isso é justo e virtualmente eficaz como intimidações contra muitos tipos de terrorismo, especialmente aqueles que se baseiam em homens-bomba. A Associated Press noticiou, em 21 de maio de 2003, que palestinos cujas casas haviam sido destruídas pelas forças militares israelenses manifestaram ódio pelos terroristas palestinos que, como diziam, atraiam o ataque por lançarem foguetes a partir de sua cidade. De acordo com Mohammed Zaaneen, um dos fazendeiros palestinos, “[Os terroristas] dizem que são heróis [mas eles] nos trouxeram apenas destruição e nos fizeram ficar sem teto. Eles usaram as nossas

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fazendas, as nossas casas e as nossas crianças... para se esconder”.5 Como veremos no capítulo 28, a Corte Suprema de Israel recentemente legislou que só as pessoas diretamente envolvidas em atos de terrorismo podem ser movidas de uma parte dos territórios ocupados para outra. Essa importante decisão certamente será citada como um precedente para aqueles que argumentam que a destruição de casas só pode ser usada contra pessoas que são cúmplices do terrorismo. Numa detalhada análise das respostas israelenses aos atentados suicidas, o New York Times concluiu que Israel alcançou um sucesso considerável em impedir muito ataques - mas com um custo. O jornal descreveu o caso em que um homem chamado Ali Ajouri enviara dois homens-bomba que mataram cinco civis. O exército de Israel explodiu a casa da família de Ajouri e acusou sua irmã de “costurar cinturões de bombas para os atacantes” e seu irmão por ajudar os assassinos. Em seguida, mataram Ali Ajouri quando tentava fugir. Ele era um membro da Brigada de Mártires de Al-Aksa, que se especializara em ataques suicidas. Os palestinos – 70% a 80% dos quais ainda apóiam os ataques suicidas, de acordo com pesquisas de opinião citadas pelo New York Times em 5 de abril de 20036 – têm criticado essas táticas, apesar de “os militantes concordarem que as medidas têm tornado mais difícil a realização de ataques”.7 A casa de Ajouri “em grande parte foi reconstruída”. As vidas das vítimas não podem ser reconstruídas. Enquanto libertários civis chegam a discordar se as medidas de segurança tomadas por Israel são ou não excessivas, nenhuma pessoa razoável, de boa vontade, pode alegar que elas constituem flagrantes violações dos direitos humanos ou de alguma forma são comparáveis aos atos de terrorismo que tentam impedir – às táticas nazistas ou mesmo às táticas atualmente usadas pelos regimes árabes mais “progressistas”, como a Jordânia ou o Egito. De fato, são comparáveis às medidas tomadas por outras democracias, como os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha.

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NOTAS 1. Declaração do representante da Síria no Conselho de Segurança. Essa foi a primeira declaração dada pelo representante desde que a Síria assumiu uma das quinze cadeiras no Conselho de Segurança. Israel foi excluído de seu direito de ter lugar no Conselho de Segurança. 2. Autodescrição de Danny Warren, que orgulhosamente se gabou de vir da “cidade mais racista da Grã-Bretanha" e desejando “voltar e contar à minha cidade o que descubro”. Haaretz, 21 de dezembro de 2002. 3. Joel Leyden, “Initial IDF Report: Shot Palestinian activist may have fired first”, Jerusalem Post, 12 de abril de 2003. 4. Warren Hodge, “Britain Holds 6th. Person in Tel Aviv Blast”, New York Times, 4 de maio de 2003. 5. Ibrahim Barzak, “Protesters in Gaza Town blame Palestinian militants for incursion", Associated Press, 21 de maio de 2003. 6. Greg Myre, “Israel stems suicide bombings, but at a cost”, New York Times, 5 de abril de 2003. 7. Ibid.

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O assassinato de líderes

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terroristas é ilegal?

A ACUSAÇÃO A política de assassinato de líderes terroristas é ato proibido pela lei internacional.

OS ACUSADORES “Assassinatos têm sido parte da política de segurança de Israel por muitos anos. Israel é o único país democrático que considera tais medidas um tipo de ação legítima. Essa política naturalmente é ilegal, de acordo, tanto com a lei de Israel quanto com a lei internacional, uma política cuja implementação envolve um alto risco de ferir pessoas por perto e do qual não há retorno, mesmo se forem descobertos erros depois do fato. Israel imediatamente deve parar de assassinar palestinos.” (Yael Stein, da organização israelense de direitos humanos BTselem.)1

A REALIDADE Alvejar os líderes militares de um inimigo durante as hostilidades é perfeitamente correto de acordo com as leis marciais, que é o que Israel – bem como os Estados Unidos e outras democracias – tem feito.


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A PROVA Em certo sentido, o oposto de punição coletiva é o “assassinato encomendado”. Essa tática procura evitar terrorismo futuro incapacitando aqueles que planejam executá-lo, mas estão além do alcance de outros métodos de incapacitação, tais como prisão. Regimes tirânicos têm empregado largamente as formas extremas de assassinato contra inimigos domésticos ou no exterior. Hitler mandou matar impunemente seus rivais. Stalin expandiu a sua campanha de assassinatos pelo mundo, chegando até o México, onde seus agentes assassinaram Leon Trotsky. Os Estados Unidos, com certeza, também procuraram assassinar líderes estrangeiros ao longo dos anos. A sua lista de alvos já incluiu Fidel Castro, bem como Patrice Lumumba, Muammar el-Qaddafi e Saddam Hussein. Apesar de os Estados Unidos não terem assassinado diretamente Salvador Allende ou Ngo Dinh Diem, certamente desempenharam um papel ativo em ajudar outros a matá-los. Recentemente, voltaram-se outra vez contra Saddam Hussein, seus filhos e seus generais, e prometeram recompensas pelas cabeças de Osama bin Laden e do mulá Mohammad Omar. Outras nações democráticas também deram a seus agentes uma “licença para matar” em situações extremas. O assassinato encomendado, à semelhança do castigo coletivo, opera numa seqüência. Na extremidade estão todos os opositores políticos conhecidos, como foi praticado por Hitler e Stalin. Na outra está o que os Estados Unidos e Israel estão fazendo atualmente: procurando atingir determinados líderes terroristas ativamente envolvidos no planejamento ou na coordenação de ataques terroristas e que não conseguem prender. Um exemplo de tal alvo foi Yehiya Ayash, conhecido como “engenheiro”, o principal fabricante de bombas para o Hamas, morto pelos agentes de Israel, em janeiro de 1996, quando foram colocados explosivos no seu telefone celular. Um outro exemplo foi o ataque israelense com foguetes, em abril de 2003, contra um carro, matando o líder do Jihad islâmico, Mahroud Zatme. Sua organização emitiu uma declaração “condenando o assassinato”, mas gabando-se de que “o mártir era um engenheiro de bombas e cintas explosivas que mataram dezenas e feriram centenas de ocupantes sionistas”,2 isto é, crianças judias e outros civis. Ninguém mais foi morto no ataque contra Zatme. O que há de condenável nas mortes encomendadas é que aqueles que autorizam a execução são promotores, juízes e jurados – e não há apelação. Em Israel a decisão em relação a quem é um alvo apropriado geralmente é tomada por altos oficiais do governo com responsabilidade política. A vantagem desse tipo de assassinato é que, se o alvo é escolhido

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EM DEFESA DE ISRAEL

com cuidado, ele é direcionado e costuma evitar punições coletivas e colaterais. O “fanático assassino” de Albert Camus estava usando o assassinato encomendado contra um malfeitor, quando ele se recusou a prosseguir, em face da punição coletiva (ou colateral) que atingiria a jovem sobrinha e o sobrinho do malfeitor. Mesmo quando há vítimas indiretas, há menos delas do que em genuínas represálias militares. De acordo com a lei internacional e as leis marciais, é totalmente legítimo alvejar e matar um inimigo combatente que não tenha se rendido. Os terroristas palestinos – quer sejam eles mesmos homens-bomba, quer sejam aqueles que os recrutam, os responsáveis pela operação ou comandantes de grupos terroristas – são inegavelmente combatentes inimigos, independentemente do fato de usarem uniformes oficiais ou roupas civis. É legal matar um combatente inimigo, mesmo quando ele está dormindo, como os Estados Unidos procuraram fazer com Saddam Hussein, enquanto ele não se rendia. Nem precisa ser-lhe dada uma oportunidade de render-se. Ele deve tomar a iniciativa; caso contrário, o soldado do outro lado vai correr o risco de levar um tiro. O governo israelense geralmente escolhe como alvos apenas terroristas, não líderes políticos, como comprovado pelo fato de ter repetidamente protegido a vida de Yasser Arafat, que é, ao mesmo tempo, um líder político e um terrorista. Israel também anunciou que iria parar de fixar o alvo em terroristas do Hamas se a Autoridade Palestina começasse a prendê-los. O problema precípuo na avaliação do assassinato encomendado é se o alvo está suficientemente focalizado sobre o terrorista sem pôr em risco desnecessário a vida de civis inocentes (e algumas vezes não tão inocentes). Por exemplo, quando os Estados Unidos colocaram sob a mira Qaed Salim Sinan Al-Harethi – o primeiro homem da al-Qaeda no Iêmen – para assassiná-lo, explodiram o carro no qual estava viajando, matando a ele e a outros ocupantes do carro. A única questão real era se aqueles ocupantes eram, eles próprios, alvos certos. De modo similar, quando Israel bombardeou um quartel-geral terrorista em Gaza, alvejando Mohammed Deif, um líder terrorista do Hamas, a crítica apropriada – da qual compartilho – era que a ação não foi suficientemente dirigida, à luz do fato de que vários presentes, inocentes, também foram mortos ou feridos. Muitos israelenses compartilharam a minha crítica desse assassinato específico e os militares israelenses reconheceram que os dados, sobre os quais a ação foi baseada, eram falhos. Quando os Estados Unidos tiveram como alvo Saddam Hussein e no processo mataram muitos civis, o problema foi o mesmo. Acredito que o assassinato encomendado só deveria ser usado como último recurso, quando não há oportunidade de prender o assassi-

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ALAN DERSHOWITZ

no (apesar de isso não ser requerido pela lei marcial se o assassino for um combatente), quando o terrorista estiver envolvido em contínuas atividades assassinas e quando o assassinato

puder

ser

feito sem risco desnecessário a

pessoas

inocentes.

A

proporcionalidade é a chave de qualquer ação militar, e o assassinato encomendado deveria ser julgado de acordo com esse pré-requisito. Sob qualquer padrão razoável, a política de Israel com relação a assassinatos encomendados de “terroristas homens-bomba” não merece o tipo de condenação que está recebendo, especialmente em comparação com outras nações e grupos cujas ações legais são muito menos plausíveis em relação ao perigo que enfrentam.

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NOTAS 1. Yael Stein, “Israel’s assassination policy: extra-judicial executions”, B’Tselem, janeiro de 2001, disponível em www.btselem.org. 2. Ibrahim Barzak, Associated Press, 31 de maio de 2003.

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A colonização da margem

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ocidental e de Gaza é um grave empecilho para a paz?

A ACUSAÇÃO A colonização judaica na margem ocidental e em Gaza é um grave empecilho para a paz.

OS ACUSADORES “Por que é tão difícil construir a paz no Oriente Médio? A principal barreira são as colônias israelenses – estas são o motivo e o motor da ocupação israelense dos territórios palestinos. Três décadas de objeções dos Estados Unidos e da Europa não alcançaram nada. A rápida expansão das colônias israelenses – todas ilegais – tem prejudicado as tentativas palestinas de construir uma nação. Se continuarem a espalhar-se, porão um fim ao Israel que seus fundadores imaginaram.” (Marwan Bishara, professor de Relações Internacionais na Universidade Americana de Paris.)1

A REALIDADE Os árabes e palestinos recusaram-se a fazer a paz antes de haver uma única colônia, e os palestinos recusaram-se a fazer a paz quando Ehud Barak ofereceu acabar com as colônias. Além disso, quando o Egito


EM DEFESA DE ISRAEL

se propôs a fazer a paz, as colônias do Sinai não eram uma barreira; elas foram imediatamente removidas. Apesar de, pessoalmente, eu não acreditar que elas sejam uma barreira real para a paz. A barreira real tem sido a falta de vontade de muitos palestinos, de muitos terroristas palestinos e de muitas nações em aceitar a existência de um Estado judeu em qualquer parte da Palestina. Se esses grupos aceitassem uma solução de dois Estados, as colônias seriam removidas (com alguns ajustes territoriais). Um levantamento recente mostrou que um grande número de colonos estaria disposto a abandonar seu lar se os palestinos aceitassem a paz. E o primeiro-ministro, Ariel Sharon, anunciou em abril de 2003 que Israel estaria disposto a fazer “dolorosas concessões” em relação às colônias em troca da paz com os palestinos: “Eu sei que teremos de desfazer-nos de alguns desses lugares. Como judeu isso me angustia. Mas eu decidi fazer todos os esforços para chegar a um acordo”.2 Mesmo após anos de assassinatos terroristas, de acordo com os levantamentos feitos em fins de abril de 2003, o público israelense apóia o “mapa da estrada” patrocinado pelos Estados Unidos e Europa, que requer significativas concessões de Israel e contempla o estabelecimento de um Estado palestino por volta de 2005.3

A PROVA De um ponto de vista puramente legal e moral não há nenhuma boa razão por que antigas cidades judaicas, como Hebron, não tenham judeus. Os judeus que foram expulsos de Hebron por massacres de cunho religioso, e seus descendentes, deveriam ter o mesmo direito de retorno ou compensação que os refugiados árabes reivindicam. Além disso, o retorno de alguns milhares de judeus a Hebron não afetaria a demografia daquela área controlada pelos árabes, ao passo que o retorno a Israel dos milhões de palestinos que reivindicam status de refugiados rapidamente transformaria Israel num terceiro Estado palestino. Mesmo assim, por razões pragmáticas, a esses refugiados judeus de Hebron e de outras áreas judaicas nas províncias bíblicas da Judéia e Samaria deveria ser negado o direito ao retorno no interesse pela paz e compromisso. Uma solução de dois Estados pressupõe um Estado com caráter e população predominantemente judeus e um outro Estado com caráter e população predominantemente palestinos. Num mundo ideal, os judeus deveriam poder viver como minoria num Estado palestino, assim como os palestinos têm vivido como uma minoria em Israel

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ALAN DERSHOWITZ

desde sua criação. O mundo em que vivemos está, entretanto, longe do ideal, e se o preço da paz é uma Palestina sem judeus (junto com uma Jordânia livre de judeus), é um preço que vale a pena pagar – mas é um preço, e o mundo deveria reconhecer que Israel está disposto a pagá-lo em troca da paz.

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NOTAS 1. Marwan Bishara, “West Bank settlements obstruct peace: Israel’s empire State building”, Le

Monde

Diplomatique,

junho

de

2002,

disponível

em

http://

logosonline.home.igc.org/bishara.htm. 2. James Bennet, “Mideast sides maneuver. expecting peace effort”, New York Times, 14 de abril de 2003. 3. Forward, 2 de maio de 2003.

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O terrorismo é apenas parte de

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um ciclo de violência?

A ACUSAÇÃO A política de retaliação agressiva de Israel contra o terrorismo – incluindo assassinatos, destruição de casas, bombardeios que matam civis e reocupação de cidades palestinas e campos de refugiados - promove um ciclo de violência.

OS ACUSADORES “O que Israel está fazendo é aumentar o ódio contra os israelenses, tornando mais fácil recrutar civis como militantes que, de bom grado, da-riam suas vidas para causar algum tipo de dano a Israel e aos judeus inocentes que o representam.” (Ash Pulcifer, colunista, Yellowtimes.org.)1

A Realidade Embora pessoas razoáveis possam discordar da eficácia de determinados aspectos das táticas antiterroristas de Israel, a história do terrorismo palestino mostra claramente que ele aumenta sempre que Israel oferece a paz ou está envolvido numa eleição na qual concorre um candidato pacifista. O terrorismo tem sido usado como uma tática deliberada para prejudicar qualquer movimento em favor da paz e da solução de dois


EM DEFESA DE ISRAEL

Estados. Por exemplo, no mesmo dia em que Mahmoud Abbas tomou posse como primeiroministro da Autoridade Palestina, e apenas horas antes do mapa da estrada para a paz ter sido revelado, um suicida palestino acionou uma explosão mortífera num café próximo da embaixada americana em Tel Aviv. Grupos palestinos radicais assumiram os assassinatos e disseram que continuariam com seu terrorismo para impedir o sucesso do plano de paz, que contempla uma solução de dois Estados. Como afirma um editorial do New York Times: A ocorrência da explosão pouco depois do novo primeiro-ministro ter feito o seu primeiro discurso, desacreditando o terrorismo, é uma improvável coincidência. Os extremistas por trás do ataque de Tel Aviv estavam, sem dúvida, apontando a sua violência contra sua própria liderança e contra os israelenses. Não se pode permitir que tenham êxito. Haverá enormes obstáculos para a paz. Todos os envolvidos – israelenses, palestinos, americanos e europeus – devem estar preparados para mostrar determinação, coragem e energia. O terrível ataque de ontem será apenas o primeiro teste.2

Não há nada que Israel possa fazer para parar o terrorismo, além de tomar providências para impedir o sucesso de terroristas determinados. Um ciclo de violência pressupõe que um lado pode voluntariamente parar o ciclo se, simplesmente, não responder à violência do outro lado. A experiência mostra que, quando Israel não respondeu firmemente ao terrorismo palestino, mais terrorismo se seguiu e, quando Israel tomou medidas militares apropriadas, o número e a severidade dos ataques terroristas foram reduzidos.

A PROVA A suposição subjacente ao argumento do ciclo de violência é que o terrorismo é um ato de vingança, de motivação emocional, no qual se envolvem indivíduos frustrados que não têm outro recurso. A história do terrorismo contra Israel solapa essa suposição e prova que o terrorismo palestino é uma tática racional, escolhida por líderes, porque se provou eficaz. Pode ser mais fácil recrutar homens-bomba no meio de uma população de indivíduos frustrados à procura de vingança, mas homens-bomba e outros terroristas não partem por conta própria para missões de morte. Eles são enviados por líderes de elite que fazem um cálculo racional baseado em custos e benefícios. Os custos são bastante baixos, uma

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vez que os grupos terroristas radicais se beneficiam de cada morte, tanto de israelenses como de palestinos. Os palestinos são tratados como mártires e suas famílias são homenageadas e bem pagas. Um dos objetivos dos terroristas é provocar uma reação exagerada dos israelenses, de modo a gerar apoio à própria causa terrorista. Essa foi certamente a consideração mais forte na bem planejada escalada de bombardeios-suicidas que se seguiu à rejeição feita por Arafat ás ofertas de Barak e Clinton em Camp David e Taba em 2000-2001. A comunidade internacional, que estava se voltando contra Arafat por rejeitar essas ofertas razoáveis, logo se virou contra Israel, em seguida às respostas de Israel aos ataques suicidas. Um outro objetivo – em particular dos que se opõem radicalmente à paz, como o Hamas – é encaminhar o eleitorado israelense para a direita a fim de reduzir a possibilidade de uma paz negociada que tornaria Israel um Estado judeu. Esse foi. certamente, um efeito importante da escalada dos bombardeios suicidas que ajudou a assegurar a eleição de Sharon, para a satisfação do Hamas e de outros que rejeitam o direito de Israel de existir. Um terceiro objetivo é matar tantos israelenses quantos for possível e tentar atemorizar Israel para levá-lo à submissão. Um quarto objetivo é satisfazer o povo árabe, que por excessivas vezes aprendeu nas escolas, nas mesquitas e na mídia que derramar sangue judeu é uma obrigação. Apenas o primeiro desses objetivos pode ser influenciado por respostas mais moderadas de Israel, mas a um custo alto. Israel deveria ser moderado e proporcional na sua resposta ao terrorismo porque essa é a coisa certa a fazer. Mas acreditar que a moderação israelense reduziria de modo significativo o terrorismo é supor erroneamente que este é parte de um ciclo de violência mais do que uma tática de primeira escolha que funcionou para os palestinos.

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NOTAS 1. Ash Pulcifer, “The cycle of violence begins again", Yellowtimes.org, www.yellowtimes. org/article.php?sid=1126. 2. “Mideast hope meets its enemy”, New York Times, 30 de abril de 2003.

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Israel é o principal violador

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mundial dos direitos humanos?

A ACUSAÇÃO Israel é “o maior exemplo de violador de direitos humanos do mundo”.1

OS ACUSADORES “A Conferência Mundial contra o Racismo foi precedida por quatro Conferências Regionais cuja tarefa foi preparar uma Declaração contra o Racismo e um Plano de Ação. Israel foi excluído da última das conferências, em Teerã, que publicou a mais grosseira denúncia contra Israel desde a Segunda Guerra Mundial. Havia sete itens de ‘denúncia’: 

a ocupação é um crime contra a humanidade, uma nova forma de apartheid, uma ameaça à paz e segurança internacionais:

Israel é essencialmente um Estado de apartheid;

Israel é um metatransgressor de direitos humanos (num mundo em que os direitos humanos constituem uma nova religião secular, Israel torna-se o novo ‘anticristo’ do nosso tempo):

Israel é o perpetrador de crimes internacionais – crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio – daí o direito à ‘luta armada’ e ‘resistência’ contra este Estado ‘criminoso’;

Israel (como Estado judeu) é um ‘pecado original’ estabelecido pela ‘limpeza étnica’ da Palestina de mandato árabe;


EM DEFESA DE ISRAEL

a referência a ‘holocaustos’ está no plural e em minúsculas, com Israel como um exemplo de um ‘holocausto’ contra os árabes;

o sionismo é declaradamente não apenas como uma forma de racismo, mas o próprio sionismo é ‘anti-semita’.” (professor Irwin Cotler, descrevendo as acusações.)2 “Cada dia da sessão de seis semanas da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que

completou agora a sua segunda semana, começa com uma violação do princípio de relações internacionais mais básico dos estatutos da ONU: ‘a igualdade de todas as nações, grandes e pequenas’. Um membro da ONU fica em pé nos corredores todas as manhãs das 9 às 10 horas enquanto todos os outros membros e observadores da ONU (incluindo a Autoridade Palestina) se encontram em sessões estratégicas especiais de troca de informações em cada um dos cinco grupos regionais. Esse país é Israel. Isso é apartheid no estilo da ONU... Quanto à agressão substantiva contra Israel, que neste ano começou na quinta-feira, os registros da Comissão falam por si: •

Israel foi o único Estado sujeito a um item inteiro de agenda cada ano;

a Comissão de Direitos Humanos dedicou mais tempo a Israel do que a qualquer outro país;

enquanto 11% do total de reuniões substantivas foi apenas sobre Israel, 24% do tempo foi consumido por todos os outros Estados da ONU juntos;

2 7% das resoluções específicas relativas a países, críticas de um Estado, foram apenas sobre Israel. “Os verdadeiros padrões duplos? Nenhuma resolução na história da comissão

considerou Estados como Síria, China, Arábia Saudita ou Zimbábue. ‘A culpa não é das milhares de vítimas, que durante anos se queixaram à ONU dos brutais e sistemáticos abusos contra os direitos humanos em países como Bahrein, Libéria, Malaui, Mali, Paquistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iêmen e Zimbábue. Mas a cada ano a comissão mantém reuniões a portas fechadas – a primeira aconteceu na sexta-feira – nas quais enterra essas queixas e recusa-se a sujeitar tais Estados à condenação pública das resoluções. “Os debates das comissões sobre o item da agenda de Israel explicam muito. Na quinta-feira o representante palestino Nabil Ramlawi (a quem o presidente da Líbia chama de ‘Sua Excelência, o distinto embaixador da Palestina’) disse: O mundo condenou o nazismo no passado... durante a Segunda Guerra Mundial... O mundo também condenou Israel sionista pelos mes-

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mos crimes que vem perpetrando contra o povo palestino... por mais de 50 anos, começando... em 1948... O mundo... ainda não eliminou o novo nazismo sionista e ‘Israel foi criado com base em crimes que perpetrou contra a humanidade e que continuam hoje’.” (Anne Bayefsky, descrevendo as acusações.)3

A REALIDADE Israel é a única nação no Oriente Médio onde a lei respeita os direitos humanos como qualquer país no mundo que tenha enfrentado perigos semelhantes. A sua Suprema Corte está entre as melhores do mundo e repetidamente tem controlado o exército e o governo, obrigando-os a seguir a lei. Israel destaca-se no que se refere aos direitos de mulheres, homossexuais, deficientes físicos e mentais, etc. Também tem liberdade de palavra, de imprensa, de diferença de opiniões, de formação de associações e de religião. A Autoridade Palestina, por outro lado, não mostra respeito pelos direitos humanos. Tortura e mata supostos colaboradores sem sombra de um processo devido. Tolera pouco a dissidência e é intolerante a estilos de vida alternativos. Os propagandistas palestinos invocam os “direitos humanos” meramente como uma tática contra Israel.

A PROVA Nenhuma nação na história, enfrentando os mesmos perigos, tanto internos como externos, jamais exigiu que os militares agissem tanto dentro da lei. A Suprema Corte de Israel, de todos os pontos de vista uma das melhores do mundo, tem desempenhado um papel muito maior no controle de militares israelenses do que qualquer outra corte na história, incluindo os Estados Unidos. Apesar de obviamente sensível à necessidade de segurança, a Suprema Corte de Israel repetidamente proibiu ao governo israelense e aos seus militares a execução de ações que violam os mais altos padrões legais. Em qualquer outra democracia, incluindo os Estados Unidos, as cortes são extremamente limitadas em sua habilidade de impedir os militares de tomar qualquer ação que lhes pareça necessária para preservar a segurança nacional. Como o New York Times informou: “Um dos aspectos menos comuns da legislação de Israel é o rápido acesso que requerentes, inclusive palestinos, têm à mais alta corte de Israel. Em abril de 2002, du-

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rante os mais intensos combates do atual conflito, no campo de refugiados de Jenin, na margem ocidental, a alta corte recebia e julgava requerimentos quase diariamente”.4 Yitzhak Zamir, um antigo juiz da Suprema Corte de Israel, com “uma reputação de forte advogado dos direitos humanos”, disse não saber de “nenhum outro país onde as cortes civis tinham uma jurisdição tão ampla para rever ações militares”. 5 Mesmo Raji Sourani, o diretor do Centro Palestino de Direitos Humanos, em Gaza, e um exaltado crítico de Israel, diz que fica “constantemente surpreso pelos altos padrões do sistema legal”.6 A Suprema Corte de Israel, sob a liderança de seu presidente, Aharon Barak, empenhou-se em chamar atenção para o adequado equilíbrio entre segurança e liberdade. Ela tem protegido os direitos dos palestinos, de não-combatentes, dos prisioneiros de guerra e de outros, muitas vezes acarretando risco considerável para os civis e os soldados israelenses. A moderna Suprema Corte de Israel tem sido a única alta corte a ocupar-se diretamente do problema da aplicação de pressão física (tortura não-letal) a terroristas capturados num esforço de obter informações necessárias para impedir contínuos ataques terroristas. Apesar de reconhecer que tais medidas extremas podem algumas vezes salvar vidas, ela tem proibido o seu uso, reconhecendo assim que Israel precisa enfrentar a guerra contra o terrorismo “com uma mão atada às costas”, porque é isso que exige a lei. Tem proibido os militares israelenses de atacar ambulâncias, apesar de reconhecer que estas são muitas vezes usadas para transportar explosivos e homens-bomba.7 Consideramos oportuno enfatizar que as nossas forças combatentes são obrigadas a seguir as regras humanitárias com relação a cuidados com os feridos, os doentes e os corpos dos mortos. O abuso cometido pelo pessoal médico [palestino] em hospitais e em ambulâncias obriga as Forças de Defesa de Israel a agir para evitar tais atos, mas o próprio Estado de Israel não aceita a quebra das regras humanitárias. E, de fato, essa é a posição declarada do Estado. Essa posição é apropriada não apenas no que diz respeito à lei internacional, na qual os requerentes basearam seu argumento, mas também à luz dos valores do Estado de Israel como um Estado judeu e democrático. As Forças de Defesa de Israel devem mais uma vez lembrar as forças de combate, até simples soldados no campo, desse compromisso de nossas forças, baseado na lei e na moralidade – e, de acordo com o Estado, mesmo na utilidade – por meio de instruções concretas que vão impedir, na medida do possível, e mesmo em situações graves, atividades que não estão em sintonia com as regras da ajuda humanitária.8

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Depois dessa decisão, os terroristas palestinos continuaram a usar ambulâncias. O New York Times, de 21 de maio de 2003, noticiou um caso em que “um suposto terrorista se escondeu três vezes numa ambulância na tentativa de passar pelas tropas israelenses... Ele depois juntou forças com uma mulher de 40 anos, mãe de três filhos, que amarrou uma bomba ao seu peito e o acompanhou numa viagem de táxi”. A Suprema Corte tem proibido Israel de manter prisioneiros como “peças de barganha” para a troca de prisioneiros ilegalmente mantidos pelos seus inimigos.9 Em 3 de setembro de 2002, a corte julgou um caso no qual os militares israelenses ordenaram a expulsão da irmã e do irmão de um terrorista que havia organizado vários ataques suicidas. Eles foram expulsos da margem ocidental por um período de dois anos e levados para a faixa de Gaza com base na descoberta de que a irmã havia costurado cinturões de explosivos e o irmão havia servido de “espião quando seu irmão e membros do seu grupo levaram duas cargas explosivas de um lugar para outro”.10 A corte julgou que a ordem de expulsão, que constituía “uma indicação temporária de residência” dentro dos territórios ocupados, mais do que uma transferência para fora dos territórios, só era válida se “a própria pessoa [que está sendo expulsa] representa um real perigo”: Não se pode indicar a residência de um parente inocente que não representa perigo, mesmo que esteja provado que a indicação de tal residência possa deter outros de executar atos terroristas. Não se pode indicar a residência de alguém que não representa mais perigo. Indicar o lugar de residência de alguém só pode ser feito na base de provas administrativas claras e convincentes. Deve ser proporcional.11

Num caso semelhante, a corte reverteu a ordem de expulsão: Entretanto, foi decidido que, com relação ao requerente Abed Alnasser Mustafá Ahmed Asida – o irmão do terrorista Nasser A-Din Asida –, a medida de indicação da residência não podia ser adotada. A razão para isso é que, apesar de ter sido provado que esse requerente sabia dos atos do seu irmão terrorista, o seu envolvimento resumiu-se apenas em emprestar um carro a seu irmão e dar-lhe roupas limpas e alimento em sua casa, e nenhuma ligação foi estabelecida entre os atos do requerente e a atividade terrorista do irmão. Foi, portanto, considerado que havia uma base inadequada para determinar a suficiente periculosidade do requerente para que sua residência fosse apontada.12

Em sua conclusão, a corte fez a seguinte observação:

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EM DEFESA DE ISRAEL

O Estado de Israel está atravessando um período difícil. O terror está ferindo seus habitantes. A vida humana é pisoteada. Centenas foram mortos. Milhares têm sido feridos. A população árabe na Judéia e, na Samaria e na faixa de Gaza também está sofrendo insuportavelmente. Tudo isso por causa dos atos de assassinato, matança e destruição perpetrados por terroristas... O Estado está fazendo tudo que pode para proteger seus cidadãos e garantir a segurança da região. Essas medidas são limitadas. As restrições são, primeiro e principalmente, de ordem militar-operacional. E difícil lutar contra pessoas que estão preparadas a se transformar em bombas vivas. Essas restrições também são normativas. O Estado de Israel é uma democracia que procura a liberdade. É um democracia defensiva agindo dentro dos limites do seu direito de autodefesa – um direito reconhecido pelos estatutos da ONU... Nem toda medida eficaz também é legal... De fato, a posição do Estado de Israel é difícil. Também nosso papel como juizes não é fácil. Estamos fazendo tudo que podemos para encontrar um equilíbrio adequado entre direitos humanos e a segurança da área. Nesse equilíbrio, os direitos humanos não podem receber proteção total, como se não houvesse terror, e a segurança do Estado não pode receber proteção total, como se não existissem direitos humanos. É necessário um delicado e sensível equilíbrio. É o preço da democracia. É caro, mas vale a pena. Fortalece o Estado. Fornece uma razão pela sua defesa.13

O texto completo dessa decisão, que está disponível na internet,14 deveria ser leitura obrigatória para aqueles que acusam Israel de não cumprir a lei. É justo dizer que, apesar de as ações de Israel no combate ao terrorismo estarem longe de perfeitas, Israel tem cumprido a lei mais do que qualquer outro país enfrentando perigos semelhantes. Em contraste com Israel, os egípcios, jordanianos e palestinos, de forma rotineira, torturam suspeitos e não limitam a sua tortura a aplicações não-letais. Em 2002 a Autoridade Palestina reconheceu ter torturado um colaborador suspeito para fazê-lo incriminar sua tia, que depois foi executada sem nenhum tipo de julgamento. 15 A Jordânia não só torturou terroristas suspeitos, mas também seus parentes, num esforço para soltar a língua de terroristas que não queriam cooperar. E interessante lembrar que, quando o governo chinês matou manifestantes na praça Tiananmen, em 1989, a primeira pessoa a felicitar Jiang Zemin por conter a manifestação foi Yasser Arafat, falando em nome do povo palestino. Isto é o que ele escreveu: Em nome do povo palestino, de sua liderança e em meu próprio... aproveito esta oportunidade para exprimir a grande alegria de o senhor ter conseguido restaurar a ordem normal depois dos recentes incidentes na

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China Popular. Desejo-lhes, caros amigos, mais progresso em seus esforços para alcançar as esperanças, os objetivos, as aspirações, a estabilidade e a segurança dos nossos amigos, o povo chinês.16

Os mesmos propagandistas palestinos que, em voz tão alta e de forma tão hipócrita se queixam sempre que Israel se desvia, mesmo por um milímetro, da perfeição em direitos humanos, são rápidos em elogiar e apoiar qualquer destruidor tirânico dos direitos humanos, desde Saddam Hussein a Muamar Khadafi e Fidel Castro. Como qualquer outra nação, Israel tem cometido erros em reagir de forma exagerada ao terrorismo e outras ameaças à sua população civil. Está longe de ser perfeito, mas uma avaliação comparativa e contextual de suas ações demonstra que merece ser elogiado, não receber críticas, pelos seus esforços para combater o terrorismo dentro da lei e com sensibilidade pelos direitos de não-combatentes inocentes. Num discurso de 1987, o juiz William Brennan, talvez o juiz defensor mais enfático da liberdade civil na história da Corte Suprema dos Estados Unidos, fez a seguinte observação a respeito dos esforços de Israel para equilibrar segurança e liberdades civis: Pode bem ser Israel, não os Estados Unidos, que fornece a maior esperança de construir uma jurisprudência que proteja as liberdades civis contra as exigências da segurança nacional. Porque é Israel que tem enfrentado ameaças reais e sérias à sua segurança nos últimos quarenta anos e parece destinado a continuar enfrentando tais ameaças no futuro previsível. A luta para estabelecer liberdades civis contra o pano de fundo dessas ameaças à segurança, apesar de difícil, promete construir baluartes de liberdade que possam suportar os receios e delírios do repentino perigo - baluartes para ajudar a garantir que uma nação, lutando pela sua sobrevivência, não sacrifique aqueles valores nacionais que tornam a luta meritória... As nações do mundo, enfrentando ameaças repentinas à sua própria segurança, olharão para a experiência de Israel em lidar com a sua contínua crise de segurança, e poderão bem achar nessa experiência a habilidade de rejeitar reivindicações de segurança que Israel expôs como sem fundamento e a coragem de preservar as liberdades civis que Israel tem preservado sem detrimento da sua segurança... Eu [não ficaria] surpreso se, no futuro, as proteções geralmente conferidas às liberdades civis durante períodos de perigo mundial devessem muito às lições que Israel aprende na sua luta para, simultaneamente, preservar as liberdades dos seus cidadãos e a segurança da sua nação. Porque nesse cadinho de perigo reside a oportunidade de forjar uma jurisprudência mundial de liberdades civis que possam suportar as turbulências da guerra e das crises. Dessa forma, a adversidade ainda pode ser a serva da liberdade.17

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EM DEFESA DE ISRAEL

Quando um líder estudantil como o citado no começo deste capítulo declara que Israel é o primeiro violador dos direitos humanos do mundo, ele é culpado de ignorância abissal ou de intolerância maligna. Em todo o caso, ele tem muita companhia, apesar de não muito boa. A maioria das pessoas razoáveis preferiria receber aulas de liberdades civis e direitos humanos do juiz William Brennan a recebê-las de Eric Reichenberger, Yasser Arafat ou da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Se resta alguma dúvida sobre a superioridade da democracia de Israel e o compromisso com a lei em comparação com as nações árabes e muçulmanas, e mesmo com a maioria das nações ocidentais, deixemos que seja resolvida pelos próprios palestinos, que estão familiarizados com as instituições políticas e jurídicas de Israel. Khalil Shikaki, um cientista político palestino que tem feito pesquisas entre os palestinos, desde 1996, sobre “que governo admiram” encontrou o seguinte: A cada ano Israel tem melhorado seu desempenho, algumas vezes recebendo mais de 80% de aprovação. O sistema americano tem sido o segundo melhor, seguido pelo francês e depois, bem longe, pelo jordaniano e pelo egípcio. Nos seus primórdios a Autoridade Palestina tinha o quarto lugar, com cerca de 50% de aprovação. Agora, é a última, com menos de 20%. A corrupção, má administração e a estagnação da condição palestina voltaram a cultura da crítica contra os dirigentes palestinos.18

Os palestinos que foram pesquisados também gostariam de ver uma constituição que “substancialmente fortalecesse e protegesse o judiciário [que] é atualmente o elemento mais fraco do governo palestino”. Este também é modelado no judiciário israelense. Não é surpresa que Arafat “prefira um judiciário fraco”. A maioria dos ditadores prefere.

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NOTAS 1. Eric Reichenberger, porta-voz do Students Allied for Freedom and Equality, um grupo própalestino na Universidade de Michigan, na conferência contra o isolamento de Israel patrocinada por essa organização em outubro de 2002 (Daniel Treiman, “Students rap Israel at divestment parley”, Forward, 18 de outubro de 2002; também citado por Nat Hentoff, Op.-Ed., “Israel at stake on U.S. Campuses; Students and faculty call for divestment", Washington Times, 25 de novembro de 2002). 2. Professor Irwin Cotler, “Beyond Durban: The conference against racism that became a racist conference against jews”, Global Jewish Agenda, www.jafi.org.il/agenda/2001/english/wk322/6.asp (visitado pela última vez em 11 de abril de 2003). 3. Anne Bayefsky, “At U.N., Israel bashing is always the first priority”, Chicago Sun Times, 5 de maio de 2003. 4. Greg Myre, “Trial of Palestinian leader focuses attention on Israeli Courts”, New York Times, 5 de maio de 2003. 5. Ibid. 6. Ibid. 7. Supreme Court Justice Dorit Beinisch, “The role of the Supreme Court of Israel in times of emergency”, Globes, 21 de novembro de 2002. 8. Physicians for Human rights v. commander of I.D.F. Forces in the West Bank, HCJ 2936/12, 8 de abril de 2002. 9. Dan Izenberg, et al., “Supreme Court orders Lebanese freed: MIA’s Slam ‘Self-destructive judicial system’”, Jerusalem Post, 12 de abril de 2000. 10. Ajuri, HCJ (Israeli Supreme Court) 7015/02. 11. “Israeli Supreme Court decision on deportation of family members of ter-rorists”, Jewish Virtual Library,

American-Israel

Cooperative

Enterprise.

www.us-

israel.org/jsource/Terrorism/sctdec.html. 3 de setembro de 2002 (visitado pela última vez em 8 de abril de 2003). 12. Ibid. 13. Ibid. 14. V. www.court.gov.il 15. Khaled Abu Toameh, “200 suspected collaborators held in P.A. Jails”, Jerusalem Post, 15 de agosto de 2002. V. também Serge Schemann, “For arab informers, death; for the executioners, justice”, New York Times, 2 de setembro de 2002, descrevendo a execução das mulheres de uma família inteira sob suspeita de colaboração com Israel. 16. “Parliamentary

Debates

2001

”,

Parliament

of

Ireland,

www.irlgov.ie/debates-

01/13dec/sect4.htm, 13 de dezembro de 2001 (visitado pela última vez em 8 de abril de 2003).

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17. Justice William J. Brennan Jr., “The quest to develop a jurisprudence of civil liberties in times of security crisis”, palestra na Hebrew University Law School, disponível em www.rennancenter.org/resources/downloads/nation_security_brennan. pdf 18. James Bennet, “Letter from the Middle East”, New York Times, 2 de abril de 2003.

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Existe equivalência moral entre

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terroristas palestinos e respostas israelenses?

A ACUSAÇÃO Existe equivalência moral entre aqueles que deliberadamente fazem de alvo crianças inocentes, mulheres, idosos e outros civis, bem como aqueles que inadvertidamente matam civis no processo de tentar impedir novos ataques terroristas.

OS ACUSADORES “Homens-bomba são terroristas, também o são os piores crimes dos israelenses que nós [os Estados Unidos] praticamos.” (Noam Chomsky)1 “Matando o futuro: crianças na linha de fogo, um novo relatório emitido hoje pela Anistia Internacional, descreve em detalhes o modo como as crianças palestinas e israelenses têm sido alvo de uma maneira sem precedente, desde o começo da atual intifada. “A Anistia Internacional declarou hoje que ‘Crianças carregam cada vez mais a violência desse conflito. Tanto as Forças de Defesa de Israel (IDF) como os grupos armados palestinos mostram uma completa falta de consideração pelas vidas de crianças e de outros civis’. ‘O respeito pela vida humana precisa ser restaurado. Só um acordo entre israelenses e palestinos pode impedir a matança de mais crianças.’


EM DEFESA DE ISRAEL

“A impunidade que os membros das Forças de Defesa de Israel e os grupos palestinos responsáveis pela morte de crianças desfrutam, sem dúvida, ajudou a criar uma situação em que o direito à vida das crianças e de civis do adversário tem pouco ou nenhum valor.” “Chega de razões inaceitáveis e desculpas. Tanto o governo israelense como a Autoridade Palestina devem agir rápida e firmemente para investigar a morte de cada criança e assegurar que todos os responsáveis por tais crimes sejam levados à justiça, declarou a organização.” (Press-release da Anistia Internacional)2 “[O Papa João Paulo II emitiu uma] condenação inequívoca do terrorismo, de qualquer lado que venha.”3 “Condenamos igualmente... tanto os homens-bomba... como a violência da ocupação de Israel.” (Delegação do Oriente Médio do Conselho Nacional de Igrejas)4 “Os palestinos argumentarão que a violência da ocupação israelense é muito maior e que a combinação diária de tortura, demolições de casas, revistas humilhantes, assassinatos dirigidos e o sítio de vilas e aldeias é muito pior do que qualquer coisa experimentada pela população israelense. Eles podem estar certos.” (rabino Michael Lerner)5

A REALIDADE Qualquer escola razoável de filosofia, teologia, jurisprudência e bom senso faz distinção entre fazer civis de alvo de forma deliberada e inadvertidamente matar civis ao fazer de alvo terroristas que se escondem entre eles.

A PROVA Os ataques terroristas contra israelenses e judeus têm incluído os seguintes alvos: •

um jardim-de-infância no qual 18 crianças e professores foram metralhados até a morte:

uma escola fundamental na qual 2 7 crianças e professores foram mortos;

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ALAN DERSHOWITZ

um centro comunitário judaico no qual 86 civis foram mortos;

uma sinagoga turca na qual 27 judeus em oração foram mortos;

um avião suíço que se dirigia para Israel, no qual todos os 47 passageiros civis foram mortos;

um terminal de passageiros no aeroporto de Lod [Israel] no qual 27 civis, maioria peregrinos cristãos, foram mortos;

um jantar de Pessach no qual 29 judeus foram mortos;

uma discoteca para adolescentes na qual 21 judeus, a maioria russa, foram mortos;

um café na Universidade Hebraica no qual 9 pessoas foram mortas;

um avião cheio de turistas israelenses retornando de férias de Chanuka, no Quênia.

Apenas o último desses ataques falhou. Essa matança encomendada de crianças, idosos e outros cidadãos indefesos não tem nenhuma justificativa moral. A Anistia Internacional declarou tais atos como “crimes contra a humanidade”. Muitos atos terroristas não são dirigidos contra civis israelenses – por injustificado que isso seja –, mas dirigidos contra judeus que vivem fora de Israel, independentemente de suas opiniões sobre Israel. Isto é, pura e simplesmente, violento ódio anti-semita. Quando a Ku Klux Klan perpetrou similares ataques brutais, apesar de ser em escala muito menor, houve condenação universal. Ninguém condenou da mesma forma os bombardeios deliberados da Klan e as ocasionais reações exageradas do FBI. Entretanto, existem aqueles que procuram justificar as atuais violências contra os judeus como obra de quem combate pela liberdade. A realidade é que extremistas da direita e militantes islâmicos estão trabalhando juntos na Alemanha e em outros países da Europa para disseminar “antisemitismo violento em campi universitários”.6 Neonazistas também cooperaram com terroristas islâmicos na Argentina para perpetrar violência antijudaica. As vítimas do Holocausto e de outros genocídios não se vingaram matando crianças inocentes, nem mesmo as crianças dos que perpetraram o genocídio. Entretanto, os inimigos de Israel – dos palestinos aos iranianos e grupos neonazistas que têm trabalhado em colaboração com eles – não hesitaram em mirar como alvo crianças ou qualquer outro, judeu ou não-judeu. E muitos na comunidade internacional insistem em descrever as tentativas de Israel de impedir essas violências como moralmente equivalentes às violências em si. Entre os maiores infratores estão certos líderes religiosos que deviam saber melhor e cujas próprias 254


EM DEFESA DE ISRAEL

teologias fazem uma distinção crucial entre conseqüências intencionais deliberadas, tais como fazer crianças de alvos, e conseqüências não-intencionais, mesmo quando causam a morte acidental de uma criança no processo de alvejar um terrorista perigoso. A New Catholic Encydopedia define o princípio de “duplo efeito” como “uma regra de conduta freqüentemente usada na teologia moral para determinar quando uma pessoa pode legalmente executar uma ação à qual seguirão dois efeitos, um mau e o outro bom”. Depois dá o seguinte exemplo, que descreve perfeitamente a política de Israel de combate ao terrorismo: Na guerra moderna, o princípio do duplo efeito é freqüentemente aplicável. Assim, ao travar uma guerra, uma nação pode desfechar um ataque aéreo sobre um importante objetivo militar do inimigo mesmo se um número relativamente pequeno de não-combatentes vier a morrer. Esse efeito mau pode ser compensado pelo grande benefício conquistado pela destruição do alvo. Isso não seria verdadeiro se o número de não-combatentes mortos no ataque fosse desproporcional ao dos benefícios obtidos. [...] Além disso, se o objetivo direto do ataque fosse matar um grande número de não-combatentes, de modo que o moral do inimigo fosse quebrado e ele pedisse a paz, o ataque seria pecaminoso... Seria um caso do uso de meios maus para uma boa finalidade.

Como o filósofo Jean Bethke Elshtain observou corretamente em reação à reivindicação de equivalência moral por parte de alguns clérigos e teólogos: Se não pudéssemos distinguir entre uma morte acidental resultante de um desastre de carro e um assassinato intencional, o nosso sistema de justiça criminal desmoronaria. E se não pudéssemos distinguir entre a morte de combatentes e tomar como nosso alvo civis pacíficos, estaría-mos vivendo num mundo de niilismo moral. Num mundo assim tudo se reduziria ao mesmo tom cinza e não poderíamos fazer distinções que nos ajudem a assumir nossos comportamentos políticos e morais.7

Essa falta de entendimento – ou, pior, entender, mas não reconhecer –, a diferença fundamental entre fazer deliberadamente civis de alvo e acidentalmente matar civis numa situação de autodefesa, reflete uma moral obtusa, na melhor das hipóteses, ou intolerância na pior. Também estimula aqueles que deliberadamente empregam o assassinato de civis como meio para alcançar “igualdade moral” com seus inimigos mais humanos na corte da opinião pública. A cruel ironia é que, para alguns intolerantes, Israel nem mesmo é visto como equiparável moralmente aos seus inimigos terroristas. Noam Chomsky, por exemplo, considera as

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ações antiterroristas de Israel e dos Estados Unidos como muito piores do que o terrorismo em si. O argumento que estou expondo não é que dois erros produzem um acerto. Sempre é possível encontrar erros em todos os lados. O argumento – e é um argumento precípuo para as civilizações e a justiça – é que o conceito de erros nem sempre é uma questão de grau; há diferenças qualitativas entre erros não-intencionais e erros propositais. Dois civis mortos não são moralmente equivalentes se um foi escolhido para alvo de assassinato e a morte do outro foi a infeliz conseqüência dos melhores esforços, incluindo riscos para os próprios soldados, para impedir o assassinato de civis. Os dois são erros, assim como a morte de dois pacientes de hospital por excesso de drogas para tratamento de câncer é um erro. Mas qualquer um que não possa, ou não queira distinguir entre um caso em que um paciente negro recebeu deliberadamente a dose excessiva de uma enfermeira racista e o outro caso em que o paciente morreu depois de consentir com a agressiva terapia de câncer, que ele sabia ser de alto risco, ou é moralmente cego ou intencionalmente intolerante. Todos entendem essa diferença e todos acreditam nela em outros contextos. Mas, quando se trata de Israel, a simples inteligência e a moralidade básica são suspensas por alguns que insistem em julgar o Estado judeu usando um duplo critério. Mesmo se Israel é justamente criticado por reagir exageradamente em casos particulares, pondo civis em risco, ainda não há equivalência moral entre explodir uma bomba feita de pregos embebidos em veneno contra ratos, cujo único objetivo é maximizar os ferimentos e a possibilidade de morte de civis, por um lado, e fazer terroristas de alvos em circunstâncias nas quais é possível que alguns civis inocentes morram, por outro lado. Ambos são erros, mas o primeiro é muito mais grave moralmente do que o outro por causa das diferentes finalidades. Nenhuma sociedade civilizada considera o assassinato premeditado de primeiro grau como equivalente a homicídio por negligência. Isso é verdade na Bíblia, no Corão e na lei internacional – exceto, aparentemente, quando se trata de Israel, em que antigas distinções e regras morais universalmente aceitas parecem ser esquecidas. É importante para algumas pessoas acreditar que toda a moralidade é relativa, e que não há mal absoluto no mundo. Isso é especialmente verdadeiro para pessoas que amadureceram depois da era Hitler-Stalin. Mesmo depois da morte desses dois perfeitos monstros havia outros que eram o puro mal, como Pol Pot e Idi Amin. Mas eles moravam em países distantes e não faziam parte da consciência americana do dia-a-dia, como Hitler e Stalin. A guerra do Vietnã era vista por muitos como um

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EM DEFESA DE ISRAEL

choque entre agressores moralmente equivalentes. Fidel Castro era visto por muitos da esquerda como tendo feito algum bem e algum mal. Mas há o verdadeiro mal no mundo, e deliberadamente tomar crianças como alvos, como também mulheres e idosos com base na sua etnia ou origem nacional, é puro mal, absolutamente sem justificativa. Deixar de reconhecer tal terrorismo como puro mal convida ao relativismo em tudo. Se é permissível tomar bebês e crianças como alvo só por serem judeus, existe algo que se encontra além do limite do aceitável? Em Os irmãos Karamázov, Fedor Dostoiévski levantou essa questão no famoso diálogo entre Ivã e Aliócha sobre relativismo: Ivã: “Imagine que você está criando uma estrutura de destino humano com a finalidade de fazer os homens felizes, dando-lhes, no mínimo, paz, mas que seja imprescindível e inevitável torturar até a morte apenas uma pequena criatura – aquele bebê batendo no seu peito com seus punhos, por exemplo – e basear esse edifício sobre as suas lágrimas não vingadas, você consentiria em ser o arquiteto dessas condições? Diga-me, e diga a verdade”. Aliócha respondeu sem hesitação: “Não, eu não consentiria”.

Lembremos que Hitler e Stalin reivindicavam justificativas para as suas políticas de morte em massa e tinham muitos seguidores, que incluíam intelectuais, profissionais e artistas. Mas agora entendemos que nada poderia justificar a aniquilação de dezenas de milhões de civis inocentes, apesar de alguns líderes palestinos e árabes ainda lamentarem o fato de que Hitler não tenha terminado o trabalho. Por que então pessoas decentes estão hoje com medo de chamar o mal pelo seu nome? Por que tantos insistem em estabelecer equivalência moral? E por que tantas pessoas descrevem o pior dos males – tomar deliberadamente crianças como alvos – com termos aparentemente positivos como “luta pela liberdade”, enquanto descrevem esforços razoáveis para impedir esses males semelhantes ao nazismo como o próprio nazismo? Noam Chomsky gosta de lembrar ao seu público que Hitler e Stalin diziam que seu genocídio era realmente antiterrorismo, como que sugerindo que tudo que fosse rotulado de antiterrorismo – da construção de campos de extermínio, nos quais milhões de crianças foram mortas em câmaras de gás, à morte encomendada de um único comandante terrorista – fosse moralmente equivalente. Um dia depois de o presidente Bush ter reunido o primeiro-ministro israelense Sharon e o primeiro-ministro palestino Abbas em Acaba, o líder do Hamas, Ismail Abu Shanab, jurou continuar com os ataques suicidas depois de queixar-se amargamente de que Abbas havia reconhecido que os judeus sofreram ao longo da história: “Ele falou sobre o sofrimento

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israelense como se os palestinos tivessem cometido o Holocausto contra os judeus, quando na verdade são os palestinos que estão sendo vítimas de um holocausto israelense”. 8 Essa ignorância histórica ou auto-ilusão sobre o papel real dos líderes palestinos no Holocausto, junto com comparações imorais entre os campos de extermínio nazistas e a autodefesa de Israel contra o terrorismo, tornou-se, em si, uma barreira para a paz. O análogo político à equivalência moral é a imparcialidade. Pode-se concluir, a partir da falsa premissa de que os israelenses têm igualmente culpa pelo rompimento do processo de paz e pela escalada de violência, que a comunidade internacional deveria ser imparcial no tratamento de ambos os lados. Mas isso também decorre do indiscutível fato de que os líderes palestinos são culpados pela sua repetida rejeição da solução de dois Estados, e pela resultante escalada de violência, por isso os dois lados não deveriam ser tratados de maneira imparcial. Recompensar a rejeição e a violência com imparcialidade é encorajar tal conduta. Deve haver um alto preço pago por aqueles que rejeitam a paz em favor da violência, como têm feito os palestinos desde a década de 1920. Deve haver um benefício para aqueles que estavam dispostos a aceitar uma pacífica solução de dois Estados em 1937, 1947 e 2000-2001, como Israel estava. Além disso, deve haver um preço pago por aqueles que começam guerras agressivas de aniquilação, como os Estados árabes e combatentes palestinos têm feito repetidamente. E deveria haver um benefício para aqueles que, com sucesso, defendem a sua população civil contra tais guerras agressivas. Qualquer outro enfoque encorajará guerras agressivas. Também deve haver um preço pago por aqueles que repetidamente se aliaram aos piores tipos de mal, e os apoiaram ativamente, desde o nazismo até o saddamismo. De modo similar, aqueles que apóiam os lados vencedores de guerras justas têm tradicionalmente sido recompensados com tratamento favorável. O conceito de imparcialidade parece benigno, quase moral. Como um povo envolvido com a igualdade, os americanos geralmente apóiam a imparcialidade. Certamente a esperaríamos de um juiz num evento esportivo. Exigimos a imparcialidade do nosso governo no tratamento de pessoas de diferentes raças, religiões, sexos e preferências sexuais. Mas a imparcialidade não é automaticamente um critério desejável para lidar com nações e grupos que se comportaram de maneira bem diferente – alguns muito melhor que outros – de acordo com o julgamento por critérios morais universalmente aceitos. Ninguém esperava imparcialidade para alemães e japoneses após a Segunda Guerra Mundial e ninguém esperava imparcialidade quando o Departamento de Justiça enfrentou a Ku Klux

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Klan. De modo mais relevante, ninguém espera imparcialidade entre a al-Qaeda de Bin Laden e aqueles que procuram destruir a sua capacidade de infligir novos danos a pessoas inocentes. Deveríamos dar preferência àqueles que não estão procurando destruir um membro da ONU sobre os que estão. Passando do teórico ao prático, a imparcialidade é raramente uniforme. Aqueles que advogam a imparcialidade entre Israel e seus inimigos geralmente pendem contra Israel e a favor dos palestinos. Certamente isso é verdade, há tempos, da ONU que fala a linguagem da imparcialidade, mas vota com um forte viés contra Israel, com uma preferência pelos palestinos, não apenas em relação a Israel, mas a todos os outros povos ocupados e sem Estado. O mesmo tem sido verdade na maioria dos países europeus e asiáticos. Mesmo a Anistia Internacional não passou no teste da imparcialidade por falsamente argumentar que nenhum menor palestino tenha jamais se envolvido num ataque suicida e que o exército de Israel “coloca a mira” sobre crianças palestinas inocentes. Os Estados Unidos, que geralmente têm sido imparciais de fato, entre Israel e os palestinos, são geralmente vistos como injustamente favoráveis a Israel, enquanto aqueles que são de fato injustamente favoráveis aos palestinos são normalmente vistos como imparciais. Os Estados Unidos votaram contra Israel no Conselho de Segurança em várias ocasiões, algumas vezes de forma lamentável, como quando condenaram Israel por destruir o reator nuclear do Iraque – uma ação pela qual os Estados Unidos estão agora bastante gratos. Muitas nações que proclamam ser imparciais quase nunca votaram para condenar as ações dos palestinos. Mesmo o falso argumento sobre por que os Estados Unidos “pendem” a favor de Israel, enquanto o resto do mundo é imparcial, é muitas vezes matizado com um anti-semitismo não tão sutil. “Os judeus controlam a América”, proclamam, e é por isso que os Estados Unidos são tão a favor de Israel. Raramente se ouvem queixas comparáveis sobre influências muçulmanas ou do petróleo sobre a política francesa. Americanos, judeus ou não, que apóiam Israel porque acreditam ser essa a melhor política para os Estados Unidos, têm o perfeito direito de tentar influenciar, por meios democráticos, a política americana, especialmente quando uma parte do restante do mundo é tão unilateralmente contra Israel, como refletido pelos resultados dos votos unilaterais na ONU e em outros organismos internacionais. Se a imparcialidade for algum dia alcançada em toda a comunidade internacional, isso só acontecerá se os Estados Unidos não tentarem igualar os conceitos europeus de imparcialidade. Se os Estados Unidos al-

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gnm dia se tornassem tão imparciais como a comunidade internacional tem sido, isso certamente encorajaria a continuação da agressão contra o Estado judeu. Também seria moralmente errado. A imparcialidade em relação àqueles cujas ações não são equivalentes do ponto de vista moral é uma forma artificial de simetria imoral e perigosa.

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NOTAS 1. Palestra, Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002. 2. “Israel/Occupied Territories/Palestinian authority: killing children under scrutiny at UN”, www.amnesty.org.au/children/killingfuture.html, 30 de setembro de 2003 (visitado pela última vez em 11 de abril de 2003). 3. Declaração da Santa Sé, em 11 de abril de 2002, disponível em www.vatican.va 4. “By my spirit: what will make for peace in the Middle East”, declaração da delegação para

o

Oriente

Médio

do

National

Council

of

Churches,

disponível

em

www.nccusa.org/nccmiddleeastdelegation/statement.html 5. “State of the spirit”, palestra feita na conferência de fundação da Tikkun Community. 6. Peter Finn, “Germany announces Ban on islamic extremist group”. Washington Post, 16 de janeiro de 2003. 7. Elshtain, p. 20. 8. Boston Globe, 7 de junho de 2003, p. A14.

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As universidades deveriam

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abandonar Israel e boicotar os intelectuais israelenses?

A ACUSAÇÃO As ações de Israel, mais do que as de qualquer outra nação, justificam alijamento e boicote.

OS ACUSADORES “Nós, abaixo assinados... solicitamos ao MIT e à Harvard que abandonem Israel.” (Noam Chomsky, assinando uma petição para o alijamento.) “O alijamento está errado, em princípio... “O alijamento é um erro por princípio... O alijamento ‘não segue princípios’ e ‘seria adorado por Alan Dershowitz, Lawrence Summers e Mary Peretz, que ficam felizes em ver mais atrocidades e violência contra os palestinos’. Essas pessoas são ‘extremistas que querem maximizar as atrocidade e crimes dos Estados Unidos e de Israel’.” (Noam Chomsky)1

A REALIDADE Essas campanhas de demonizar Israel são imorais, intolerantes e baseadas em informações errôneas.


EM DEFESA DE ISRAEL

A campanha atualmente orquestrada contra Israel em campi universitários pelo mundo é alimentada por ignorância, intolerância e cinismo. Dirigida pelos esforços da Universidade de Harvard, do Massachusetts Institute of Technology e outras escolas para pôr fim ao investimento universitário em Israel e boicotar os comunicadores e acadêmicos israelenses, essa campanha procura tirar a legitimidade e isolar Israel como um Estado pária. A campanha também procura levar aos estudantes a falsa noção de que Israel está entre os piores violadores dos direitos humanos do mundo e é culpado de genocídio, tortura, racismo, limpeza étnica e táticas nazistas, enquanto os palestinos e seus apoiadores árabes são vítimas da agressão israelense. Apesar de ser improvável que o alijamento seja implementado nesses campi, o objetivo da campanha é similar a tentativas anteriores, e delas se nutre, para tentar isolar Israel igualando sionismo a racismo e cumprindo com o atualmente desacreditado e ilegal boicote árabe a Israel e a produtos judeus.

A PROVA O patrocinador intelectual dessa campanha não é nenhum outro senão Noam Chomsky, que pediu a abolição do Estado de Israel e sua substituição por um “Estado secular binacional”, baseado nos modelos do Líbano e da Iugoslávia. Chomsky também defendeu as idéias do notório anti-semita, o homem que negou o Holocausto, Robert Faurísson, que afirma que os judeus foram responsáveis pela Segunda Guerra Mundial e que nenhum judeu foi morto nas câmaras de gás. Chomsky disse que não via “nenhuma indicação de implicações anti-semitas no trabalho de Faurisson”, incluindo a sua negação do Holocausto, que, afirma Chomsky, se baseia “em extensa pesquisa histórica”. Chomsky chegou ao ponto de escrever uma introdução para um dos livros antisemitas de Faurisson. Apesar de não ver indicação de anti-semitismo na culpa atribuída aos judeus pela Segunda Guerra Mundial e de negar a morte de judeus nas câmaras de gás, Chomsky facilmente acusa de racismo aqueles que defendem o direito de Israel de defenderse contra o terrorismo. Chomsky tem companhia na sua ignóbil petição de alguns que tomariam o dinheiro agora investido na única democracia do Oriente Médio e o enviariam à Líbia, à Síria, a Cuba, à Autoridade Palestina e a outros que apóiam e financiam o terrorismo. São um grupo heterogêneo de anti-sionistas bitolados, antiamericanos fanáticos, esquerdistas radicais como a Spartacus League (que também defende o “direito” da Coréia

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do Norte de desenvolver e vender armas nucleares), e mesmo alguns dos antigos alunos de Chomsky, que agora lecionam em Israel. Não deveria surpreender que a petição tenha alcançado um apoio tão pequeno entre defensores dos direitos humanos, mais respeitáveis e experimentados, já que não há uma questão intelectual ou moralmente defensável para apontar o alijamento de Israel. As universidades investem numa grande variedade de empresas que operam no mundo todo, incluindo muitas que sistematicamente violam os direitos humanos de milhões de pessoas. E esses outros países não estão se defendendo daqueles que os poderiam destruir e apontar para seus civis como alvos. Entretanto, essa petição focaliza apenas o Estado judeu, excluindo todos os outros, mesmo aqueles que, com base em qualquer padrão razoável, estão entre os piores violadores dos direitos humanos. Como advogado, professor e estudante de direitos humanos por quase quarenta anos, sinto-me seguro em afirmar que o desempenho de Israel na questão dos direitos humanos está entre os melhores do mundo, especialmente entre nações que enfrentaram ameaças semelhantes. Israel tem o único judiciário independente em todo o Oriente Médio e uma das mais consideradas Cortes Supremas do mundo. É a única Corte no Oriente Médio da qual um árabe ou um muçulmano pode esperar justiça, como muitos obtiveram, ganhando dezenas de vitórias contra o governo de Israel, seus cidadãos, e os militares israelenses. Não há componente mais importante na proteção dos direitos humanos e das liberdades civis do que um judiciário independente disposto a encarar seu próprio governo. Desafio os que propõem o alijamento a apontar uma Corte em qualquer país árabe ou muçulmano comparável à Corte Suprema de Israel. Israel é a única democracia verdadeira no Oriente Médio e o único país que na verdade tem liberdade ilimitada de expressão. Sua mídia é geralmente bastante crítica com relação ao governo. Qualquer pessoa em Israel – seja judia, seja muçulmana ou seja cristã – pode criticar o governo de Israel e seus líderes. Nenhum cidadão de qualquer outro país do Oriente Médio ou Estado muçulmano pode fazer isso sem medo de prisão ou morte. Tampouco os palestinos podem criticar abertamente seus líderes sem medo de represália. É conhecido como Arafat desafiou o prefeito de Belém depois de este ter proposto uma trégua que teria freado o terrorismo palestino: “Quem quer que pense em frear a intifada antes que ela alcance seus objetivos, eu lhe darei 10 tiros no peito”.2 Arafat primeiro negou ter feito essa declaração, e depois que o Departamento de Estado americano apresentou uma fita gravada, Arafat negou que fosse uma ameaça. Finalmente, quando tradutores árabes disseram que não poderia ter outro sentido, Arafat negou que fosse dirigida ao prefeito, mas a si mesmo! “Eu 264


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disse que se eu tentasse frear a intifada, o pequeno menino que está ao meu lado iria atirar em mim".3 O prefeito de Belém não teve dificuldade para entender exatamente o que Arafat estava dizendo: ele imediatamente retirou a sua proposta de trégua.4 Um gaiato recentemente expressou isso assim: cidadãos de Israel e a Autoridade Palestina têm exatamente a mesma liberdade de expressão – ambos podem criticar Ariel Sharon e elogiar Yasser Arafat. Como documentado anteriormente, Israel é o único país do mundo que abertamente confrontou o difícil problema das liberdades civis do bombardeador terrorista, julgando que, apesar dos benefícios em potencial de empregar a pressão física, tal pressão agora é ilegal. Tortura brutal, inclusive tortura que leva à morte, é comum em muitos países muçulmanos e do Oriente Médio. De fato, os Estados Unidos algumas vezes enviam suspeitos ao Egito, à Jordânia e às Filipinas precisamente porque sabem que serão torturados nesses países. Há mais orientação religiosa e sexual e igualdade étnica em Israel do que em qualquer outro país do Oriente Médio ou muçulmano. Os direitos das mulheres, homossexuais e outros são muito mais reconhecidos e implementados em Israel do que em qualquer parte do mundo árabe. O exército de Israel não discrimina homossexuais, como até o exército americano faz, e o Knesset de Israel agora inclui um membro declaradamente gay. (Entretanto, foram vistos cartazes em manifestações anti-israelenses que diziam “Gays pela Palestina”, apesar da realidade de que se alguém mostrasse um cartaz desses na Autoridade Palestina correria o risco de ser morto! De fato, palestinos gays que foram torturados por causa da sua opção sexual procuraram asilo em Israel.) Árabes israelenses têm assento no Knesset, servem na Suprema Corte de Israel e têm seus próprios jornais. A lista poderia continuar e, por qualquer padrão, Israel estaria na frente de outros países contra os quais não é feita nenhuma petição de alijamento. Com certeza, Israel está longe de ser perfeito. Tenho criticado algumas de suas políticas, mas há mecanismos dentro de Israel para melhorar seus registros de liberdades civis e direitos humanos. Esses mecanismos não existem em outros países do Oriente Médio ou muçulmanos. Mesmo em comparação com nações européias, o registro de defesa de direitos humanos em Israel é muito bom. E muito melhor do que o da França sob qualquer critério, mesmo esquecendo a guerra da Argélia, na qual os franceses torturaram e assassinaram milhares de pessoas. E no mínimo tão bom como o registro britânico ao lidar com o terrorismo na Irlanda do Norte e o registro dos Estados Unidos em lidar com o terrorismo da al-Qaeda. O sistema legal de Israel é muito superior ao da Itália, da Espanha e de muitos países europeus, e no mínimo tão bom como o

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sistema norte-americano. Existem, naturalmente, questões difíceis a serem resolvidas entre Israel e os palestinos. Estas incluem as colonizações, o estabelecimento do autogoverno palestino e a prevenção do terrorismo. Essas questões vão requerer compromisso de ambos os lados. Qualquer americano certamente deveria sentir-se livre para criticar Israel, bem como qualquer país do mundo, cujos registros de defesa dos direitos humanos não são perfeitos. Mas escolher o Estado judeu de Israel como se fosse o pior transgressor de direitos humanos é pura e simples intolerância, e aqueles que assinam a petição inspirada por Chomsky deveriam sentir-se envergonhados por si e pelos outros. Eu ofereci uma alternativa ao alijamento de Israel. Deixemos universidades investirem seus fundos na ordem dos registros de direitos humanos de vários países. Se isso fosse feito, o investimento em Israel aumentaria de forma dramática, enquanto os investimentos na Arábia Saudita, no Egito, na Jordânia, nas Filipinas, na Indonésia, na Autoridade Palestina e na maioria dos outros países do mundo diminuiria de forma dramática. Uma alternativa seria investir na ordem do grau de crítica interna do registro de direitos humanos de uma nação. A teoria por trás dessa variação é que o alijamento, que é uma pressão externa, é mais necessário em países que não toleram pressões internas por mudanças. Sob esse enfoque, o investimento em Israel também subiria às nuvens. Numa palestra no campus Memorial Church, em 2002, o reitor da Harvard, Lawrence Summers, condenou a campanha pelo alijamento e outros esforços que se voltavam contra Israel. Ele começou a sua palestra lembrando ao público “alguns dos acontecimentos globais do último ano”: •

Tem havido incêndios de sinagogas, ataques físicos a judeus e a suástica é pintada sobre monumentos judeus em todos os países da Europa. Observadores em muitos países indicaram o maior surto de ataques contra os judeus desde a Segunda Guerra Mundial.

Candidatos que negaram a importância do Holocausto venceram as prévias para as eleições presidenciais na França e Dinamarca. Em muitos países do mundo, estações de televisão subvencionadas pelo Estado vomitam propaganda anti-sionista.

A Conferência Mundial sobre Racismo, patrocinada pela ONU – apesar de deixar de mencionar abusos contra os direitos humanos na China, Ruanda ou qualquer lugar do mundo árabe – falou das políticas de Israel antes dos recentes choques ocorridos no governo Barak como constituindo uma limpeza étnica e crimes contra a humanidade. A declaração da ONG na mesma Conferência foi até mais virulenta.

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Summers depois discutiu questões mais perto de casa: É claro que as comunidades acadêmicas deveriam ser e sempre serão lugares que permitem a expressão de qualquer ponto de vista. E certamente há muito a ser debatido sobre o Oriente Médio e muito da política externa e defensiva de Israel que pode, e deveria ser, vigorosamente questionada. Mas onde o anti-semitismo e pontos de vista que são profundamente antiisraelenses têm tradicionalmente sido a salvaguarda primária de populistas da direita, de baixa educação, pontos de vista profundamente antiisraelenses têm encontrado cada vez mais apoio em comunidades intelectuais progressistas. Pessoas sérias e pensantes estão advogando e tomando passos que são anti-semitas no seu efeito, se não na sua intenção.

Summers deu os seguintes exemplos: •

Centenas de acadêmicos europeus exigiram o fim do apoio a pesquisadores israelenses, mas não o fim do apoio a pesquisadores de qualquer outra nação.

Na última primavera, intelectuais israelenses foram forçados a abandonar a direção de uma revista internacional de literatura.

Nos mesmos encontros em que as pessoas que protestam, muitas delas estudantes, condenam o FMI e o capitalismo global e fazem perguntas sobre a globalização, é cada vez mais comum também atacar Israel. De fato, nos encontros anti-FMI na última primavera, foram ouvidos gritos igualando Hitler e Sharon.

Encontros para levantar fundos para organizações de origem política questionável, de algumas das quais, mais tarde, se descobriu serem a favor do terrorismo, têm sido realizados por organizações estudantis neste e em outros campi com certo sucesso e pouca crítica.

E alguns aqui em Harvard e em outras universidades incitaram a universidade a escolher Israel entre todas as nações como o único país em que não é apropriado investir qualquer parte da dotação da universidade. Apresso-me em dizer que a Universidade rejeitou categoricamente essa sugestão. Finalmente, Summers defendeu o direito de qualquer um criticar Israel e qualquer

outra nação ou instituição: Deveríamos sempre respeitar a liberdade acadêmica que todos têm para tomar uma posição. Também deveríamos lembrar que a liberdade acadêmica não inclui a liberdade de julgar. O único antídoto contra idéias perigosas são fortes alternativas bem defendidas. Durante toda a minha vida sempre me senti dissuadido por aqueles que ouviam o som de estilhaços em qualquer insulto ou desprezo e invocavam a Kristallnacht de Hitler

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em relação a qualquer divergência com Israel. Tais opiniões sempre me pareceram alarmistas, senão ligeiramente histéricas. Mas devo dizer que, mesmo considerando-as injustificadas, parecem ser menos alarmistas no mundo atual do que anos atrás.

Essa equilibrada apresentação levou Noam Chomsky a incluir Summers na categoria dos “extremistas que querem maximizar os crimes e as atrocidades americanas e israelenses”. Também levou o jornalista britânico Robert Fisk a acusar Summers – a quem ele descreveu como o “reitor judeu de Harvard” – de participar numa “campanha infame de calúnia [contra] qualquer um que ousa criticar as políticas de Israel”. 5 Eu escrevi uma coluna em apoio ao reitor Summers na qual desafiei um mestre de Harvard, que havia assinado a petição, para um debate: Em meus 38 anos de ensino na Faculdade de Direito de Harvard não me lembro de jamais ter escrito a favor de qualquer ação de um reitor de Harvard. mas desta vez devo felicitar o reitor Lawrence Summers pela sua disposição para dizer alto e em bom tom aquilo em que muitos de nós na comunidade de Harvard há tempo acreditamos: que o isolamento de Israel entre todos os países do mundo, para alijamento, é uma ação efetivamente anti-semita, se não na intenção. As universidades deveriam encorajar o amplo debate e discussão sobre questões que dividem e são controvertidas. Um mestre que peremptoriamente assina uma petição e depois esconde-se atrás de “outras prioridades” não serve aos interesses do diálogo e da educação. Eu espero que [ele] aceite o meu desafio, e, se não aceitar, eu serei convidado pelos [seus] alunos a ajudar a preencher a brecha educacional deixada pela covardia daqueles que assinaram essa petição e se recusam a defender as suas ações num debate público.

Os seus alunos convidaram-me, mas ele se recusou a participar de qualquer debate ou discussão e eu “debati” com uma cadeira vazia, com uma cópia da petição diante dos seus estudantes no Winthrop House. O reitor Lee Bollinger, da Universidade de Columbia, também denunciou a petição de alijamento, respondendo àqueles que a compararam a petições similares contra o apartheid sul-africano; ele caracterizou a analogia com Israel como “grotesca e ofensiva”. Trezentos outros reitores de universidades expressaram preocupação com relação à intimidação e ao ódio dirigidos contra judeus que apóiam Israel em muitos campi. Eu escrevi o seguinte em apoio à sua declaração: Existem alguns que argumentam que o discurso do reitor esfriará o debate no campus. 0 exato oposto é verdadeiro. O discurso, juntamente com a

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declaração do reitor de Harvard, Lawrence Summers, de que a campanha pelo alijamento é anti-semita no seu efeito, tem estimulado um debate salutar. O reitor Summers fez o possível para deixar claro que a crítica voltada para Israel não é antisemita, seja efetiva, seja intencionalmente. Ninguém que eu conheça está procurando abafar a crítica a Israel ou ao atual governo, ou esfriar o apoio à criação de um Estado palestino e aos direitos humanos. O que é o mesmo de anti-semitismo é a escolha da nação judaica para alijamento, boicote, condenação pela ONU e outras sanções, apesar de seu desempenho em direitos humanos ser muito melhor do que qualquer outra nação no Oriente Médio e a maioria das nações do mundo. Certamente é possível que alguns que assinaram as petições de despojamento e boicote não acreditem que suas ações são anti-semitas. Eles podem ignorar a realidade de que estão sendo usados por inimigos de Israel que tornariam ilegítima e isolariam a única nação judaica do mundo. As recentes campanhas para alijamento e boicote crescem a partir de duas campanhas anteriores que, sem dúvida, foram motivadas pelo desejo de destruir o Estado judeu. A primeira foi o boicote árabe, que durou muitos anos e finalmente foi derrotado. A segunda foi a agora desacreditada resolução da ONU igualando sionismo e racismo. As atuais tentativas de igualar Israel ao regime apartheid da África do Sul também falharão porque a analogia é comprovadamente falsa. O objetivo dessa campanha não é realmente conseguir o alijamento, mas principalmente deseducar os jovens e estudantes universitários, impressionáveis, fazendo-os acreditar que Israel está entre os maiores violadores de direitos humanos do mundo, apesar do seu geralmente excelente histórico de direitos humanos e sua grande preocupação pela minimização das perdas civis, ao expor seus soldados aos riscos do combate “de varejo” em vez do bombardeio “por atacado”, do tipo executado por muitos países, inclusive os Estados Unidos. O fato de Israel ser o único país no Oriente Médio que tem liberdade de expressão, um judiciário independente, um compromisso com a igualdade das mulheres e dos homossexuais é ignorado nesse esforço de isolar Israel. A ignorância pode ser uma defesa da intolerância, mas não cabe num campus universitário. A campanha imoral nos campi contra judeus que apóiam Israel deve ser combatida no mercado de idéias. A carta do reitor é um componente importante dessa luta contra a intolerância. Muita gente boa silencia diante do anti-semitismo. E hora de se erguer e fazer-se notar.

Ficou claro diante da ampla condenação da petição de alijamento anti-Israel que nenhuma universidade americana importante planejaria seriamente alijar Israel. Aqueles que iniciaram a campanha de alijamento estavam, evidentemente, a par dessa realidade. O real alijamento não era o objetivo dessa campanha. Seu objetivo era deseducar e informar

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mal os estudantes do mundo todo sobre o desempenho de Israel no que diz respeito a direitos humanos. Depois de a maioria das assinaturas ter sido assegurada, Noam Chomsky na verdade admitiu o fato quando disse ao seu público em Harvard que, apesar de ter assinado – de fato liderado – a petição de alijamento de Israel, ele era realmente contra o alijamento de Israel! Chomsky disse: “Eu me oponho e tenho me oposto durante anos, de fato eu tenho, provavelmente, sido o maior opositor há anos da campanha de alijamento de Israel e da campanha pelos boicotes acadêmicos”.6 Ele também declarou que era “errado por princípio” e “amoral”.7 Quando foi perguntado por que havia assinado a petição de alijamento em vista da sua oposição a ele, o renomado lingüista explicou: “Não se espera de ninguém que assina uma petição que aprove cada palavra, mesmo partes longas, se o seu motivo for adequado e suficientemente importante”.8 Mas, evidentemente, o alijamento é a principal força da petição – pelo menos para muitos que concordaram em assiná-la. Mas não para Chomsky, cuja agenda secreta – a não-legitimação de Israel por meio da difusão de desinformação – não foi compartilhada com os signatários. Ele manteve em segredo da maioria dos signatários a sua oposição até depois de as assinaturas terem sido obtidas. Embora Chomsky tenha caracterizado o chamado para o alijamento como “um grande erro”, ele não removeria – como alguns professores agora fizeram – o seu influente nome, já que acredita que as suas pretensões substantivas são válidas. Mas são mesmo? Um olhar mais atento para essas pretensões em si demonstra que elas são fictícias – e sem qualquer comparação com outros países. A petição exige que Israel cumpra com a Resolução 242 da ONU, com o Relatório de 2001 da ONU do Comitê contra a Tortura, com a Quarta Convenção de Genebra e a Resolução 194 da ONU com respeito aos direitos dos refugiados. Aparentemente, a maioria dos que assinaram essa petição, que incluiu 130 membros de faculdades do MIT e de Harvard, não sabe que Israel já cumpriu ou ofereceu-se para cumprir cada uma dessas condições. A Resolução 242 da ONU, que teve como um dos seus autores o ultraliberal juiz Arthur Goldberg (de quem fui assistente), não requer que Israel devolva todos os territórios conquistados durante a guerra defensiva de 1967. O compromisso acordado pelo Conselho de Segurança era que Israel devolveria “territórios” – significando a maioria, mas não todos – em troca da completa cessação de todas as reivindicações ou estado de beligerância por parte dos países árabes. Uma resolução apresentada pela União Soviética e seus Estados clientes exigindo a retirada de Israel de todos os territórios não foi adotada.

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Tanto o juiz Goldberg como lorde Carrington, da Grã-Bretanha, os idealizadores primários da resolução que foi aceita, declararam, sem sombra de dúvida, que ela não contemplava a retirada de “todos os territórios”, reconhecendo, como foi apontado por lorde Carrington, que “teria sido errado exigir que Israel retornasse às suas posições de 4 de junho de 1967, porque essas posições eram indesejadas e artificiais”.9 Os dois únicos países que cumpriram a condição para a devolução de territórios conquistados – significando um completo término da beligerância contra Israel – são o Egito e a Jordânia. Como documentado anteriormente, Israel devolveu cada centímetro da terra reivindicado pelo Egito quando esse país renunciou à beligerância e a Jordânia abandonou quase todas as reivindicações por terras agora ocupadas por Israel. A pequena área que foi reivindicada pela Jordânia foi devolvida assim que ela fez a paz com Israel, e uma pequena área em disputa entre o Egito e Israel foi submetida a arbitragem e Israel a devolveu ao Egito quando o árbitro julgou a favor desse país. Além disso, no ano 2000, em Camp David e em Taba, Israel ofereceu devolver entre 94% e 96% da terra em disputa na margem ocidental e na faixa de Gaza e aceitar um Estado palestino. Essa oferta, juntamente com a devolução dos territórios ao Egito e à Jordânia, teria deixado Israel de posse da pequena porcentagem da terra a que se refere a Resolução 242 (além das Colinas de Golã, que Israel prometeu devolver em troca da paz com a Síria). Isso certamente constituiu total cumprimento do estabelecido pela Resolução 242 por parte de Israel. Mas não houve cumprimento da Resolução 242 por parte dos Estados árabes e organizações opositoras, que continuam a manter estado de beligerância contra Israel. Mas a petição de alijamento não impõe condições sobre esses Estados, muitos dos quais também recebem ajuda externa dos Estados Unidos e investimentos de Harvard e outras universidades. A segunda exigência é que Israel termine com o uso da “tortura legal”, como descrito no Relatório de 2001 da ONU do Comitê contra Tortura. Os redatores dessa condição são ou ignorantes ou mentirosos. Como previamente documentado, dois anos antes de a petição ter circulado, a Suprema Corte de Israel já havia tornado ilegal o uso de toda pressão física para extrair informações de terroristas em potencial. Israel é o único país no Oriente Médio a ter abolido qualquer tipo de tortura, de fato e legalmente. A Jordânia e o Egito, que recebem ajuda substancial e investimento dos Estados Unidos, abertamente praticam a tortura do tipo mais violento e letal. Mas a petição de alienação requer que apenas Israel pare de fazer algo que já parou de fazer, e não faz nenhuma exigência aos países que continuam a usar a tortura. Há dezenas de países

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com desempenhos piores. Por que escolher Israel? A resposta é óbvia para qualquer um que não tenha medo de fazer perguntas que têm respostas desagradáveis. Uma outra condição exposta na petição de alijamento é que Israel reconheça, em princípio, que os refugiados possam retornar às suas terras anteriores, ou que sejam recompensados pelas suas perdas, para cumprir a Resolução 194 da ONU. Tanto em Camp David como em Taba, Israel ofereceu aos palestinos a opção de serem compensados pelas suas perdas e eles a rejeitaram. Além disso, nenhum Estado árabe ofereceu, até hoje, compensação às centenas de milhares de judeus refugiados que foram forçados a fugir dos países em que eles e suas famílias haviam vivido por séculos depois de os árabes terem declarado guerra a Israel em 1948. Mas a petição não requer nada desses países árabes. A condição final, a cessação da formação de novas colônias e a desmontagem das existentes, é um assunto que divide profundamente os israelenses. A maioria dos israelenses concorda que não devem ser construídas novas colônias e que a maioria delas deveria ser evacuada como parte de um processo geral de paz na área. Até mesmo um número significativo de colonos expressou o desejo de deixar seu lar em troca da paz. Mas os palestinos recusaram-se a aceitar ofertas de paz feitas pelo governo israelense. Muitos palestinos moderados concordam que a rejeição de Arafat diante da oferta de paz feita em Camp David e em Taba foi um erro tático e que a retomada do terrorismo contra Israel é moralmente indefensável. Mesmo o príncipe Bandar, da Arábia Saudita, um forte defensor dos direitos dos palestinos, que esteve diretamente envolvido nas fracassadas negociações, reconheceu que a recusa de Arafat em aceitar a generosa oferta de Barak foi “um crime contra os palestinos” na verdade, “contra toda a região”. O príncipe Bandar, que disse que Arafat havia “mentido para ele”, e que é “um pretenso segredo dentro do mundo árabe que Arafat não foi sincero”, responsabilizou diretamente Arafat pela morte dos “1.600 palestinos... e 700 israelenses”. Como ele expôs numa entrevista ao The New Yorker: “No meu julgamento nenhum sacrifício da vida desses israelenses e palestinos pode ser justificado”. O príncipe Bandar viu a rejeição de Arafat como parte de um critério adotado por meio século: “Desde 1948, cada vez que tínhamos algo sobre a mesa, dissemos não. Depois dissemos sim. Quando dizemos sim, a questão não está mais em pauta. Então temos de lidar com algo menor. Não está na hora de dizermos sim?”10 Abba Eban fez uma consideração parecida quando disse: “Os palestinos nunca perderam uma oportunidade de perder uma oportunidade” e “eles parecem não conseguir aceitar

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um sim como resposta”. Mas, apesar de muitas pessoas de todos os lados do conflito reconhecerem que a culpa pela rejeição da oferta de Barak cai inteiramente sobre Arafat, a petição de alijamento unilateral de Israel põe a culpa só sobre Israel. Quando falei com os estudantes na Winthrop House em Harvard – a casa cujo chefe havia assinado a petição de alijamento de Harvard/MIT –, muitos dos estudantes pareciam não saber desses fatos sobre a transigência de Israel. Suspeito que muitos dos signatários da petição também não saibam das realidades complexas que servem de base às contínuas hostilidades no Oriente Médio. Mas os seus autores sabem. Partiram deliberadamente para desinformar, deseducar e orientar mal seus próprios alunos – uma forma particularmente repugnante de imperícia educacional. Qualquer pessoa digna que tem ciência dos fatos verdadeiros não assinaria uma petição destacando Israel para o alijamento. Aqueles que a assinaram ou estão mal informados ou são maldosos. Não há uma terceira alternativa.

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NOTAS 1. Palestra na Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002. 2. Congressional Record, Senate, 8 de fevereiro de 1989, S 1294. 3. Elaine Sciolino, “U.S. says it has Arafat threat on tape”, New York Times, 18 de janeiro de 1989. 4. Ibid. 5. Robert Fisk. “How to shut up your critics with a single word”, The Independent, 21 de outubro de 2002. 6. David Weinfeld, “Chomsky’s gift”, Harvard Crimson, 12 de dezembro de 2002. 7. Chomsky, palestra na Universidade de Harvard, 2 5 de novembro de 2002. 8. Weinfeld, Harvard Crimson, 12 de dezembro de 2002. 9. “Not just semantics”, Editorial, Orlando Sentinel, 7 de agosto de 2000. 10. The New Yorker, 24 de março de 2003, pp. 48-63.

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Os críticos de Israel são anti-

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semitas?

A ACUSAÇÃO Qualquer um que critique Israel é logo acusado de anti-semitismo, minimizando, assim, a crítica legítima ao governo e à política desse país.

OS ACUSADORES “É a clássica manobra sionista para difamar pessoas pela identificação da crítica de Israel com anti-semitismo.” (Edward Said)1 “O governo de Israel é colocado sobre um pedestal, e criticá-lo é ser imediatamente tachado de anti-semita.” (arcebispo DesmondTutu)2

A REALIDADE Eu nunca ouvi uma simples crítica de Israel ser chamada de anti-semita.


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A PROVA Os tiranos sabiam que, se você repete uma grande mentira um número razoável de vezes, um número suficiente de pessoas começa a acreditar nela. A grande mentira que está sendo repetida em todos os Estados Unidos, especialmente nos campi universitários, é que qualquer um que critique a política de Israel ou o governo Sharon será automaticamente rotulado de anti-semita. Seria terrível se isso fosse verdade, uma vez que é importante criticar Israel, como é importante criticar qualquer democracia imperfeita. Mas a realidade é que nos muitos anos que tenho falado sobre o conflito árabe-israelense jamais ouvi alguém de fato rotular uma simples crítica a Israel ou a Sharon como anti-semita. Nem ouvi uma simples desaprovação a Israel ser descrita como anti-semitismo. Entretanto, a grande mentira persiste. Susannah Heschel, uma professora de estudos judaicos em Dartmouth, fez o seguinte comentário: “Freqüentemente ouvimos que a crítica a Israel é equivalente a anti-semitismo”. Michael Lerner, o editor de Tikkun, fez um comentário semelhante. Assim também Noam Chomsky. Mais recentemente, um famoso professor de Harvard, Paul Hanson. da Divinity School, fez este comentário: “Eu desafio qualquer um que afirma que a simples crítica a Israel é freqüentemente rotulada de antisemitismo a comprovar essa séria acusação, passando dados reais, no contexto, identificando a fonte da afirmação. Não estou falando sobre os que apóiam Israel que, segundo se afirma, freqüentemente igualaram a simples crítica a Israel ao anti-semitismo”. Certamente não é isso que o reitor da Universidade de Harvard, Lawrence Summers, fez quando disse que “há muito a ser discutido sobre o Oriente Médio e muito sobre a política externa e de defesa de Israel, que pode e deve ser fortemente questionada”.3 Nem é isso que Thomas Friedman, do New York Times, fez quando escreveu o seguinte: “Criticar Israel não é anti-semita, e dizer isso é errado. Mas apontar Israel como opróbrio e sanção internacional – de modo desproporcional em relação a qualquer outro partido no Oriente Médio – é anti-semita, e não reconhecê-lo é desonestidade”.4 Certamente não é o que tenho feito quando considerei apropriadas as críticas sobre Israel, ao mesmo tempo que acusei de intolerância aqueles que escolheram Israel para castigo econômico capital, apesar da realidade de que o desempenho de Israel em relação aos direitos humanos é muito melhor do que o de qualquer outro país na região e, no mínimo, tão bom como o de qualquer outro país que tenha enfrentado perigos comparáveis. Freqüentemente tenho criticado determinadas políticas de Israel, especialmente com referência às colônias. Mesmo assim, jamais

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fui acusado de anti-semitismo nem o têm sido os muitos críticos de Israel na mídia israelense. De fato, os críticos mais severos do governo de Israel são israelenses, tanto de dentro como de fora do governo – e algumas vezes do próprio ministério! Ninguém jamais os chamou de anti-semitas. A única pessoa proeminente de que tenho conhecimento que igualou antisionismo a anti-semitismo foi Martin Luther King Jr., que respondeu a uma pergunta feita por um estudante que atacou o sionismo, dizendo ao estudante que ataques contra os sionistas eram muitas vezes um eufemismo para atacar os judeus: “Você está falando de antisemitismo”.5 Mas a afirmação de King não foi feita no contexto de uma crítica à política de Israel, mas de um ataque geral ao sionismo e ao direito de existência do Estado judeu. Luther King acreditava firmemente que todas as pessoas boas devem “proteger seu direito de existir”, como o deputado John Lewis, um dos principais assistentes de King, recentemente lembrou: Em 25 de março de 1968, menos de duas semanas antes de sua morte trágica, ele falou com clareza e franqueza dizendo: ‘A paz para Israel significa segurança, e devemos usar todas as nossas forças para proteger seu direito de existir, sua integridade territorial. Vejo Israel como um dos grandes postos avançados da democracia no mundo, e um exemplo maravilhoso do que pode ser feito, como o deserto pode ser transformado num oásis de fraternidade e democracia. Paz para Israel significa segurança e essa segurança precisa ser uma realidade”. Durante a recente Conferência da ONU sobre Racismo realizada em Durban, África do Sul, todos ficamos chocados com ataques contra os judeus, Israel e o sionismo. Os Estados Unidos levantaram-se contra esses ataques maldosos. Novamente, as palavras de Luther King passaram pela minha memória: “Eu solenemente prometo fazer o máximo para sustentar o justo nome dos judeus - porque qualquer forma de intolerância é uma afronta para todos nós”.6

É importante entender que, embora criticar Israel não seja em si anti-semitismo, existem certos tipos de críticas que são claramente anti-semitas, mesmo se a palavra judeu nunca é mencionada. Um exemplo óbvio é Amiri Baraka afirmando em seu poema que Israel e Sharon sabiam sobre o ataque ao World Trade Center antes de ele acontecer e advertiram 4 mil israelenses a se manterem distantes. Alguém pode duvidar que essa variação do libelo de sangue é anti-semita até o âmago? Alguém pode contestar que aqueles que tomam os judeus como alvo de ataque físico – seja na França, seja na Alemanha, seja na Rússia – estão praticando atos anti-semitas?

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O professor Irwin Cotler, um destacado estudioso de direitos humanos, identificou os seguintes nove grupos do que chama de “novo anti-semitismo”:7 •

Anti-semitismo genocida. Os apelos públicos para a destruição de Israel e do povo judeu. Exemplos: Os pactos de grupos terroristas como o Hamas que se comprometem a destruir Israel e o povo judeu. Leis religiosas (fatwas) que pedem a destruição de Israel e do povo judeu. Objetivos de genocídio estimulados pelo Estado (p. ex., a ameaça iraniana de aniquilar Israel).

Anti-semitismo político: A negação do direito do povo judeu à autodeterminação. A não-legitimação de Israel como Estado. A atribuição de todos os males do mundo a Israel - Israel como o “envenenador dos poços internacionais”.

Anti-semitismo ideológico (que ultrapassa a retórica sionismo-racismo) para “nazificar” Israel.

Anti-semitismo teológico. A convergência de anti-semitismo islâmico e a teologia cristã de “substituição”, baseada no ódio clássico contra os judeus.

Anti-semitismo cultural. A mistura de atitudes, sentimentos e discursos de intelectuais de salão que "estão na moda”.

Anti-semitismo econômico. Que vai além do boicote árabe contra Israel para incluir a aplicação extraterritorial de pactos restritivos contra países que têm intercâmbio comercial com Israel.

A negação do Holocausto.

Terrorismo racista contra os judeus.

Negação da igualdade diante da lei na arena internacional com relação a Israel. A escolha de Israel para tratamento diferencial e discriminatório na arena internacional. Aceitando ou não cada um desses aspectos, só pode restar pouca dúvida de que alguns

deles devem estar incluídos em qualquer tratado claro sobre intolerância. Certamente, negar o Holocausto, ou culpar “os judeus” por ele, o que tem sido um elemento essencial da retórica palestina extremista, constitui intolerância. Mesmo o “progressista” primeiro-ministro da Autoridade Palestina escreveu um livro negando o Holocausto, do que, aparentemente, se arrepende agora. E os temas de negação direta do Holocausto e de culpar os judeus por sua ocorrência invadem as pregações das sextas-feiras que são transmitidas pela Autoridade Palestina.8 Não surpreende que dois dos pontos que unem os radicais da extrema

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direita e da extrema esquerda são a negação do Holocausto e o inabalável apoio ao terrorismo palestino. Pode ser difícil imaginar duas pessoas com visões do mundo mais diferentes do que Patrick Buchanan, o arquiconservador, e Noam Chomsky, o anarquista radical de esquerda. Mas ambos apóiam fortemente os palestinos e odeiam Israel. Eles também flertaram com a negação do Holocausto, como também muitos líderes palestinos e árabes o fizeram. Pat Buchanan manifestou dúvidas sobre se os judeus foram mortos nas câmaras de gás em Treblinka. A sua “prova” era a seguinte vinheta: “Em 1988, 97 crianças, presas a 60 metros abaixo do solo num túnel em Washington, D.C. enquanto duas locomotivas espalhavam gases de exaustão de diesel para dentro do carro, saíram ilesas depois de 45 minutos”. 9 Um artigo no New Republic destacou que “muito do material sobre o qual Buchanan baseia as suas colunas [sobre o Holocausto] é enviado a ele por criminosos pró-nazistas e anti-semitas”. Perguntado sobre onde ele havia conseguido a informação sobre Treblinka, respondeu: “Alguém a enviou para mim”. O artigo conclui que os que negam o Holocausto sabem que “podem esperar uma audiência de Buchanan”.10 O apoio de Buchanan aos criminosos de guerra nazistas, tais como Klaus Barbie e Karl Linnas, e a favor da abolição do órgão governamental que os investiga, levaram o antigo oficial do Departamento de Justiça Alan Ryan a comentar que “um grande número de pessoas está se perguntando: por que Pat Buchanan está tão entusiasmado com os criminosos de guerra nazistas?”11 O flerte de Noam Chomsky com a negação do Holocausto é ainda mais estranho. Buchanan é simplesmente um anti-semita clássico, como muitos dos seus companheiros conservadores agora reconhecem. Mas Chomsky é um judeu, cujos pais eram professores de hebraico. Ele freqüentou o mesmo grupo que eu, em que se falava hebraico, e foi, na realidade, membro de um grupo pró-Israel, de ala esquerda, durante a sua juventude. Mas o registro publicado fala por si. A história começa com um francês estranho chamado Robert Faurisson. Faurisson, que era um obscuro professor de literatura francesa na Universidade de Lyon, escreveu um livro e fazia palestras nas quais zombava das vítimas do Holocausto e dos sobreviventes como perpetradores de uma mistificação. O Holocausto, de acordo com Faurisson, jamais ocorreu. As câmaras de gás de Hitler nunca existiram. Os judeus carregam a responsabilidade pela Segunda Guerra Mundial. Hitler agia de maneira razoável e em autodefesa quando cercou os judeus e os colocou em campos de trabalhos forçados, não campos de extermínio. A “mentira maciça” sobre o genocídio foi uma trama deliberada começada

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pelos sionistas americanos - no contexto ele obviamente se refere a judeus. O principal beneficiário desse engodo é Israel, que estimulou essa “enorme fraude política e financeira”. As principais vítimas dessa fraude têm sido o povo alemão e o povo palestino. Faurisson também chamou o diário de Anne Frank de falsificação.12 Não surpreende que, assim que o transtornado livro de Faurisson foi publicado, foi lido avidamente pelos que odeiam os judeus ao redor do mundo. Nos Estados Unidos o notório Liberty Lobby, que distribui os Protocolos dos sábios de Sião e outros best-sellers anti-semitas, traduziu as partes mais odiosas da obra e as distribuiu amplamente na sua rede, destacando que Faurisson era um professor! Suas palestras em vídeo foram distribuídas para uso em encontros neonazistas. Encomendei um desses vídeos e observei Faurisson sorrir ao descrever as “supostas vítimas” das “inexistentes” câmaras de gás. O seu público neonazista ria enquanto ele debochava do testemunho de testemunhas oculares sobreviventes. Após a publicação do seu livro, a Universidade de Lyon suspendeu Faurisson por um semestre, argumentando que não podia garantir a sua segurança. Essa decisão compreensível, considerando o fato de que Lyon sofreu muito durante a ocupação nazista, foi inadequada e tola. Um professor tem o direito de ser protegido mesmo abraçando idéias idiotas. Solicitou-se que Chomsky participasse dos protestos pela suspensão de Faurisson. Tenho certeza de que ele recebeu de bom grado essa oportunidade, porque os escritos e discursos de Faurisson são flagrantemente anti-sionistas, bem como anti-semitas. De fato, o professor Chomsky fez declarações sobre a exploração sionista da tragédia da Segunda Guerra Mundial que não são, do meu ponto de vista, tão diferentes de algumas das de Faurisson. Ele também comparou Israel à Alemanha nazista. Chomsky defendeu Faurisson não apenas sobre a questão da liberdade de expressão, mas também sobre os méritos da sua erudição e do seu caráter. Ele assinou uma petição que caracterizou as falsificações de Faurisson sobre a história como “achados” e disse que elas eram baseadas em “extensa pesquisa histórica”.13 Se Chomsky tivesse tido o trabalho de verificar a pesquisa histórica de Faurisson, ele teria descoberto que era falsa.14 Não havia extensa pesquisa histórica. Em vez disso, havia a fabricação fraudulenta de falsa anti-história. Era o tipo de mentira pela qual professores são justamente despedidos – não porque seus pontos de vista são controversos, mas porque eles estão violando os cânones mais básicos da erudição. Mas Chomsky estava preparado a emprestar a sua legitimidade acadêmica à “extensa pesquisa histórica” de Faurisson. Agora, não apenas o Holocausto foi “desmentido” por um professor, mas as pesquisas 280


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e as descobertas do professor foram comprovadas por um outro professor – este do MIT! Chomsky foi ainda mais longe. Depois de assinar a petição, escreveu um ensaio que permitiu fosse usado como prefácio do próximo livro de Faurisson sobre sua carreira como negador do Holocausto! No seu livro, Faurisson novamente chama as câmaras de gás de mentira e repete seus argumentos sobre o engodo do Holocausto. Chomsky, no seu prefácio, finge ignorância do trabalho de Faurisson – “Eu não conheço muito bem o seu trabalho” –, mas conclui que os argumentos de Faurisson não são anti-semitas e que Faurisson não é antisemita nem nazista, mas “um tipo de liberal relativamente apolítico”.15 Alguns anos mais tarde, depois de ter ficado claro, sem sombra de dúvida, que Faurisson estava conscientemente emprestando o seu nome a todos os tipos de grupos antisemitas e neonazistas, Chomsky repetiu a sua referência sobre o caráter: “Eu não vejo implicações anti-semitas em negar a existência das câmaras de gás, ou mesmo em negar o Holocausto. Tampouco haveria implicações anti-semitas no próprio argumento de que o Holocausto (acreditando-se nele ou não) está sendo explorado, maldosamente, por apologistas a favor da repressão e da violência de Israel. Não vejo indicação de implicações anti-semitas no trabalho de Faurisson”.16 Eu simplesmente não posso entender como um judeu que estava vivo durante o Holocausto e que chama tudo aquilo de que discorda de “racismo” pode deixar de ver um traço de anti-semitismo no trabalho de um homem que descreve o Holocausto como um “engodo” e uma “fraude” perpetrada por judeus. Também não posso entender como um judeu podia dizer, com referência ao Holocausto, “acreditando-se nele ou não” – sugerindo, assim, que pessoas razoáveis poderiam acreditar que ocorreu ou não. Encontrei esta afirmação num artigo do Boston Globe que caracterizou Chomsky como um defensor dos oprimidos e escreveu a seguinte carta ao editor: Enquanto alguns possam considerar Chomsky como um lingüista eminente, ele não entende o sentido mais óbvio de palavras no contexto. Deixar de ver “qualquer indicação de implicações anti-semitas” na condenação coletiva de Faurisson do povo judeu como mentiroso é ser tolo ou velhaco. Deixar de reconhecer as implicações anti-semitas da negação do Holocausto é como dizer que não haveria implicações racistas no argumento de que os negros gostavam da escravidão, ou implicações sexuais numa afirmação de que as mulheres querem ser estupradas. O Holocausto é o evento histórico central da história judaica moderna. Esforços para negá-lo ou minimizá-lo são as ferramentas atuais dos anti-semitas e neo-

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nazistas. Não surpreende que tanto Faurisson como Chomsky sejam freqüentemente citados com aprovação por esses instigadores de ódio. As ações de Chomsky ao defender a essência das observações intolerantes de Faurisson contra acusações válidas de anti-semitismo – diferente do que defender o direito de Faurisson de publicar tal baboseira perniciosa – desqualificam Chomsky de ser considerado um honrado defensor dos “oprimidos”. As vítimas do Holocausto, não os seus defensores ou negadores, são os oprimidos.17

Chomsky respondeu argumentando que Faurisson era um anti-sionista mais do que um anti-semita, porque havia denunciado as “mentiras sionistas”. Ele argumentou que “a fácil tradução de Dershowitz de ‘sionista’ para ‘judeu’ é ilegítima” e que “de fato, é uma manobra-padrão dos anti-semitas”.18 Após esse intercâmbio, desafiei Chomsky para um debate público sobre a questão se é anti-semita ou anti-judaico negar o Holocausto. Esta foi a sua resposta: “É tão óbvio que não há razão para se debater a questão porque ninguém acredita que há uma conotação antisemita na negação do Holocausto” (a ênfase é nossa).19 Essa resposta, que dá uma idéia do mundo perverso em que vive Chomsky, fala por si. Fica-se especulando sobre os motivos políticos e psicológicos de Chomsky para ficar tão enredado na defesa substantiva de um neonazista negador do Holocausto. A lógica da liberdade de palavra dos civis não funciona para Chomsky: partidários civis que defendem a liberdade de palavra de neonazistas não criam fundamentos na cama, ao legitimar as suas descobertas como tendo sido baseadas “em extensa pesquisa histórica” e ao defendê-los contra acusações bem documentadas de anti-semitismo. Além disso, redigir um prefácio para um livro é juntar-se ao autor e editor num esforço de vender o livro. Seu objetivo não é meramente deixar aberto o mercado de idéias. Seu objetivo é influenciar significativamente o mercado em favor das idéias do autor. Paul L. Berman, escrevendo para o Village Voice, acertou no ponto fulcral: “O ponto de vista de Chomsky sobre o anti-semitismo é positivamente extravagante. Sua definição é tão estreita que nem os Protocolos dos sábios de Sião nem a farsa do não-Holocausto cabem nela... Temo que os seus comentários atuais sobre anti-semitismo e mentiras sionistas não permitem que seja tomado a sério em assuntos que dizem respeito aos judeus”.20 Mas Chomsky, apesar da sua longa carreira de mentira a respeito de Israel e suas perversas opiniões sobre anti-semitismo, continua a ser levado a sério em assuntos que dizem respeito aos judeus por legiões de estudantes e professores no mundo todo. Ele mesmo deu um curso que

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inclui esse assunto no Harvard’s Kennedy School of Government apesar ser de um lingüista sem credenciais profissionais nessa área, além de suas opiniões unilaterais. O episódio Chomsky-Faurisson ilustra algumas questões importantes discutidas neste livro. A definição bizarra de Chomsky de anti-semitismo – uma definição que exclui a negação do Holocausto e o argumento de que é um engodo sionista – lembra-nos como o anti-sionismo freqüentemente dá uma cobertura ao anti-semitismo. Quando Faurisson diz que o Holocausto é um engodo perpetrado por sionistas, ele quer dizer judeus. Muitos judeus nâo-sionistas nos Estados Unidos e em outras partes estiveram envolvidos na educação e memorialização do Holocausto. Faurisson e Chomsky defendem qualquer acusação levantada contra o povo judeu desde que o acusador use direito a senha: Sionistas. Mas essas acusações facilmente transformam “sionista” em “judeu”. Historiadores “revisionistas” como Faurisson são regularmente citados por imames radicais que disseminam o ódio aos judeus nas pregações semanais. Por exemplo, o xeique Ibrahim Madhi chama os judeus de “asnos” e exige a destruição de Israel. Ele é um professor de ecologia na Universidade Al-Aqsa, em Gaza. Ele apresentou a seguinte análise “histórica” em setembro de 2001: “Uma das más ações dos judeus é o que passou a se chamar ‘O Holocausto', isto é, o massacre dos judeus pelo nazismo. Entretanto, [historiadores] revisionistas provaram que esse crime, executado contra alguns judeus, foi planejado pelos próprios líderes judeus e fazia parte da sua política”.21 Esse discurso – que Chomsky não consideraria anti-semita – foi transmitido pela televisão da Autoridade Palestina, como também o discurso seguinte, feito pelo doutor Ahmad Abu Halabiya, que era um membro oficial do Conselho do Fatwa, indicado pela Autoridade Palestina: Não tenham dó dos judeus, onde quer que estejam, em qualquer país. Lutem contra eles onde estiverem. Onde os encontrarem matem-nos. Onde quer que vocês estejam, matem aqueles judeus e aqueles americanos que são como eles - e aqueles que estão com eles - estão todos na mesma trincheira contra os árabes e os muçulmanos - porque estabeleceram Israel aqui, no coração pulsante do mundo árabe, na Palestina. Eles o criaram para ser o posto avançado de sua civilização - e a vanguarda do seu exército, e para ser a espada do Ocidente e dos cruzados, pairando sobre os monoteístas, os muçulmanos dessas terras. Eles queriam os judeus para serem sua ponta de lança.22

Mesmo aqueles que acreditam que escolher os sionistas ou o Estado sionista como alvos de crítica não é anti-semitismo, certamente vão re-

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conhecer que há uma diferença entre uma mera crítica a Israel e escolher Israel como merecedor de sanções sem igual, como alijamento ou boicote. É verdade que aqueles que defendem este último têm sido acusados de anti-semitismo, mas é falso que aqueles que cabem na primeira categoria tenham sido assim rotulados. Mas a grande mentira recente junta essas duas categorias. Chegou a hora de aqueles que estão espalhando essa grande mentira apresentar provas de sua acusação ou parar de confundir o público.

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NOTAS 1. Thomas Bartlett, ‘A surge of anti-semitism or McCarthyism?” The chronide of higher education, vol. 49, 4 de outubro de 2002. 2. “Apartheid in the Holy Land”, Guardian, 2 5 de abril de 2002. 3. Lawrence Summers, palestra na Memorial Church, Cambridge, Massachusetts, 17 de setembro de 2002. 4. Thomas Friedman, “Campus hypocrisy”, New York Times, 16 de outubro de 2002. 5. Seymour Martin Lipset, “The socialism of fools – the left, the jews, and fsrael”, Encounter, dezembro de 1969, p. 41 6. Representative John Lewis, “I ‘have a dream’ for peace in the Middle East”, San Francisco Chronicle, 21 de janeiro de 2002. 7. Professor

Irwin

Cotler,

“Beyond

Durban,”

Global

Jewish

Agenda,

www.jafi.org.il/agenda/2001/english/wk3-22/6.asp 8. V., p. ex„ MEMRI, 25 de setembro de 2001, nº 276. 9. Patrick Buchanan, “Dividing line,” New York Post, 17 de março de 1990. Buchanan, como de costume, tinha os fatos errados. Os judeus de Treblinka foram assassinados por vários métodos de câmaras de gás, incluindo o uso de gases de escapamento e Zyklon B. Os “fatos” de Buchanan sobre o Holocausto de modo especial vêm de malucos negadores do Holocausto. 10. Jacob Weisberg, “The heresies of Pat Buchanan”, New Republic, 22 de outubro de 1990, p. 22. 11. Philip Shenon, “Washington talk: The Buchanan aggravation”, New York Times, 19 de fevereiro de 1978. 12. Robert Faurisson, Memoire en defense (Paris: La Vieille Taupe, 1980). 13. Paul L. Berman, “Gas chamber games: crackpot history and the right to lie”, Village Voice, 10-16 de junho de 1981, p. 3 7. 14. Por exemplo, Faurisson baseia-se numa entrada de 18 de outubro de 1942, do diário do médico da SS Johann-Paul Kremer, escrita durante os três meses que passou em Auschwitz, em 1942. Um eminente erudito conferiu o uso de Faurisson da entrada e demonstrou que a pesquisa de Faurisson era totalmente falsa. A entrada do diário dizia: “Neste domingo de manhã, num tempo frio e úmido, estive presente na 11ª ação especial (holandês). Cenas atrozes com três mulheres que nos imploraram que as deixássemos viver. Faurisson conclui que essa passagem prova (1) que “uma ação especial” nada mais era do que a separação, pelos médicos, dos doentes dos que es-tavam sãos durante uma epidemia de tifo; (2) que as “cenas atrozes” eram “execuções de pessoas que haviam sido condenadas à morte, execuções nas quais o médico era obrigado a estar presente”: (3) que “entre os condenados estavam três mulheres que haviam chegado num comboio da Holanda [que]

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foram fuziladas (4) que não havia câmaras de gás já que as mulheres foram fuziladas e não mortas nas câmaras de gás (a ênfase é nossa). Um estudioso francês de nome George Wellers analisou essa entrada do diário e os outros documentos para Le Monde. Ele fez uma pesquisa histórica real, examinando os arquivos de Auschwitz pela data da entrada do diário – uma coisa simples. Ele descobriu que 1.710 judeus holandeses chegaram a Auschwitz em 18 de outubro de 1942. Desses, 1.594 foram imediatamente enviados para as câmaras de gás. Os restantes 116, eram mulheres que foram levadas ao campo: as três mulheres citadas no diário de Kremer devem ter estado entre elas. As três mulheres foram, de fato, fuziladas como Faurisson conclui. Mas agora o fato aparece no diário de Kremer. Como Faurisson soube disso? O professor Wellers foi capaz de encontrar a resposta com alguma pesquisa simples. Ele conferiu o testemunho do doutor Kremer num julgamento polonês de crimes de guerra. Isto é o que Kremer declarou no julgamento: “Três mulheres holandesas não queriam entrar nas câmaras de gás e suplicaram que tivessem a vida poupada. Eram mulheres jovens, de boa saúde, mas, apesar disso, a sua súplica não foi atendida e a SS, que estava participando da ação, as fuzilou no local” (a ênfase é nossa). Faurisson, que declarou haver pesquisado o julgamento, sabia que a sua própria fonte, o doutor Kremer, havia testemunhado que as câmaras de gás existiam. Mas ele deliberadamente omitiu esse item crucial do seu livro, incluindo o fato de que as mulheres foram fuziladas. Faurisson também sabia que as três mulheres estavam bem de saúde. Mas ele conduziu os seus leitores a acreditar que o doutor Kremer havia dito que elas haviam sido selecionadas por motivos médicos durante uma epidemia. Finalmente, Faurisson declara que aquelas que foram fuziladas haviam sido “condenadas à morte”. Mas ele sabia que elas foram fuziladas pela SS por se recusarem a entrar nas câmaras de gás. 15. Brian Morton, “The culture of terrorism”, Nation, vol. 246, n2 15, 7 de maio de 1988, p. 651. 16. W. D. Rubinstein, Chomsky and the Neo-Nazis”, Quadrant (Austrália), outubro de 1981, p. 12. 17. Alan M. Dershowitz, “Chomsky defends vicious lie as free speech”, Boston Globe, 13 de junho de 1989, p. 14. 18. Noam Chomsky, “Right to speak transcends content of speech”, Boston Globe, 4 de julho de 1989, p. 10. 19. Scot Lehigh, “Men of letters”, Boston Phoenix, 15-22 de junho de 1989, p. 30. 20. Paul L. Berman, “Reply to Chomsky”, Village Voice, 1-7 de julho, 1981, p. 18. 21. MEMRI, 25 de setembro de 2001, m276. 22. Palestinian Authority Television, 14 de outubro de 2000.

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Por que tantos judeus e até

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mesmo israelenses apóiam os palestinos?

A ACUSAÇÃO O fato de que tantos israelenses e judeus apóiam o lado palestino e tão poucos palestinos, árabes e muçulmanos apóiam o lado de Israel é a prova de que o lado palestino está certo.

OS ACUSADORES “Seguindo a linha de Judah Magnus, os grandes esforços críticos de judeus nãosionistas ou anti-sionistas como Elmer Berger, Israel Shahak, Noam Chomsky, Maxine Rodinson, Livia Rokach, I.F. Stone, muitos deles patrocinados ou diretamente estimulados pelos esforços árabes no Ocidente [produziram material], desacreditando para sempre o mito da inocência sionista.” (Edward Said e Christopher Hitchens)1 ‘Alguns dos jovens historiadores revisionistas israelenses... [Tom Sefev, Benny Morris, etc.] são sionistas, mas o seu trabalho é feito com um genuíno desejo de entender o passado; o que dizem sobre os horrores de 1948 o dizem abertamente sem intenção de mentir ou de esconder o passado. As suas contrapartes adaptadas ao sistema ainda agem de acordo com os antigos escrúpulos.” (Edward Said e Christopher Hitchens)2


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“O sionismo é anti-semita porque foca os judeus em sua essência. Muitos judeus não apóiam a opressão israelense do povo palestino.” (Amer Zahr, estudante de direito da Universidade de Michigan num painel de discussão patrocinado pelo grupo de estudantes pró-palestinos de Michigan.)3 “Os verdadeiros judeus permanecem fiéis à crença judaica e não estão contaminados pelo sionismo. Os verdadeiros judeus são contra a desapropriação das terras e dos lares dos árabes. De acordo com a Torá, a terra deveria ser-lhes devolvida.” (Website da Neturei Karta USA, seita anti-sionista ultra-ortodoxa.)4

A REALIDADE A realidade é que a total liberdade de informação e liberdade de expressão entre israelenses e judeus permite a apresentação da mais ampla gama de pontos de vista, enquanto o controle praticamente total da informação veiculada para a maioria dos habitantes dos Estados árabes e muçulmanos, associado a extremas sanções por expressar pontos de vista dissidentes, torna impossível qualquer comparação realista.

A PROVA Israelenses e judeus não têm restrições em receber opiniões com relação à contenda israelense-palestina. Eles podem assistir a programas de televisão árabes e islâmicos, ler o material anti-sionista mais radical e expressar quaisquer opiniões que quiserem sobre o conflito. Além disso, os judeus e israelenses tradicionalmente têm mantido a mais ampla gama de opiniões, desde as políticas e religiosas até os conceitos messiânicos do Estado judeu. A mídia tende a enfatizar as opiniões discordantes antes do que as da maioria. Por exemplo, os 500 a 600 reservistas que se recusaram a servir nos territórios constituem menos de 1% dos que serviram, e um número muito menor do que os que estavam acima da idade de servir e insistiram em apresentar-se como voluntários para defender Israel. Mas a mídia, por razões compreensíveis, deu muito mais atenção aos dissidentes do que à maioria. Entretanto, muitas organizações judaicas no Estados Unidos, ansiosas por ouvir a mais ampla gama de opiniões, receberam bem os 288


EM DEFESA DE ISRAEL

dissidentes e deram-lhes completa cobertura. A mídia americana e européia geralmente tende a apresentar as opiniões de israelenses articulados, como Amos Oz e Yossi Beilin, bem como de líderes da paz agora e do B’Tselem, que tendem a ser bastante críticos das atuais políticas israelenses. Apesar de a maioria desses críticos de Israel permanecer sionista e apoiar o direito de Israel existir como um Estado judeu e de defender-se contra os terroristas por meios proporcionais, as críticas feitas – bem entendido, dentro de Israel – são malempregadas fora de Israel por aqueles que tornariam ilegítimo e destruiriam o Estado judeu. Isso contrasta fortemente com o enfoque dado por palestinos, árabes e muçulmanos à discordância. Mesmo as menores vozes discordantes são caladas e, muitas vezes, executadas. (Lembremos a fatwa contra Salman Rushdie.) Além disso, a muitos palestinos, árabes e muçulmanos mundo afora, nega-se o acesso à informação que pudesse influenciar suas perspectivas a favor de Israel. Por exemplo, são mostradas a eles repetidas imagens de civis palestinos sendo mortos sem exibirem os corpos destroçados de bebês, mulheres e idosos judeus. Mostram-se a eles imagens de casas sendo destruídas sem dizer-lhes que foram esvaziadas antes da chegada dos tratores. Absolutamente não há comparação entre o livre fluxo de informação entre judeus e israelenses e o que existe entre palestinos, muçulmanos e árabes. Além disso, entre judeus e israelenses há tradicionalmente extremistas em qualquer questão. Existe uma antiga anedota sobre dois israelenses que foram achados numa ilha deserta depois de abandonados por cinco anos. A primeira coisa que contaram aos que os estavam resgatando foi que haviam formado sete partidos políticos entre si. A população israelense hoje em dia inclui anti-sionistas messiânicos, stalinistas, maoístas, trotskistas, universalistas, pessoas que acreditam na terra plana, negadores do Holocausto e outras opiniões concebíveis – e algumas inconcebíveis. Lembro-me de uma conversa com uma proeminente advogada israelense que havia devotado sua vida não apenas à defesa de terroristas palestinos no tribunal, mas também havia apoiado a sua causa na arena política e feito amizade pessoal com eles. Ela é uma virulenta anti-sionista e um membro ativo da ala stalinista do partido comunista. Quando lhe perguntei como podia ser stalinista, a sua resposta foi simples e comovente, ainda que não fosse convincente: “Stalin salvou-me, e à minha família, de Hitler: eu nunca poderei esquecer isso”. (Lamento não ter me lembrado de perguntar-lhe como ela podia apoiar e fazer amizade com pessoas que negam ou minimizam o Holocausto no qual tantos da sua própria família foram assassinados.) Além dessas opiniões judaicas dissidentes.

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mais de um milhão de muçulmanos e árabes são cidadãos de Israel e têm absoluta liberdade de informação e expressão. Antes do fracasso das conferências de paz de Camp David e Taba havia muito mais discordância entre os pacifistas israelenses sobre se Arafat era um real parceiro para a paz e se os esforços de paz palestinos eram sérios. Agora, apesar de ainda haver um ativo campo de paz, há bem poucos israelenses que têm alguma fé na disposição ou habilidade de Arafat construir a paz. Como Yoram Kinuik, um dos fundadores do movimento de paz israelense, afirmou: "Desde o fracasso das conversas de Camp David, quando a verdade apareceu, tive de enfrentar o fato de que os árabes simplesmente não aceitam Israel aqui. 0 nosso parceiro [de paz] é o homem-bomba”.5 O fato de que tantos estão otimistas com a indicação de um novo primeiro-ministro, apesar de o fato de Abu Mazen ter escrito um livro negando o Holocausto, é um testemunho da perseverança do campo de paz, bem como da escassez de líderes palestinos com opiniões aceitáveis. Muitos israelenses estão tão ansiosos em construir a paz, que alguns estão dispostos a distorcer a história e negar fatos claros quando a história e os fatos parecem tornar mais difícil a execução da paz. Por exemplo, quando Yasser Arafat foi surpreendido dando um resumo secreto a líderes árabes no qual revelava o seu verdadeiro plano para destruir o Estado judaico, muitos israelenses recusaram-se a acreditar na história. Muitos israelenses defensores da paz também estão dispostos a aceitar relatos históricos revisionistas, muitas vezes falsos, que produzem uma narrativa mais equilibrada do passado, porque acreditam que tal narrativa, em contraste com a história real, é um caminho melhor para a paz. Finalmente, existe um fator algo irracional, mas historicamente certo, que contribui para a disparidade entre a dissidência judaica e israelense, por um lado, e a sua falta por outro. Sempre houve um pequeno elemento dentro da comunidade judaica que, por razões inexplicáveis, foi hipercrítico de tudo ligado a judaísmo, judeus ou os Estados judeus. Karl Marx, Noam Chomsky e Norman Finkelstein facilmente vêm à mente. As razões para isso residem mais nos domínios de Sigmund Freud e Jean-Paul Sartre do que no domínio do discurso político e de mídia. Mas tem sido uma triste realidade ao longo do tempo. Não pretendo sugerir com essa observação que todos os anti-sionistas e os alheios a Israel sejam judeus que se auto-odeiam. As pessoas podem estar enganadas sem requerer nenhuma explicação psicológica. Mas a realidade é que existem alguns judeus que desprezam qualquer coisa judaica, desde sua religião até o Estado judeu e pessoas que são "judias demais”. Reconhecer a exatidão dessa observação empírica não é

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necessariamente diminuir a importância de lidar com argumentos anti-sionistas e antiisraelenses nos seus méritos e deméritos. É oferecer uma explicação parcial àquilo que parece tão incoerente para alguns – a saber, a cruel, algumas vezes, até alegre e, como o escritor feminista Phyllis Chesler o expôs, natureza “erótica” de impensadamente atacar Israel por causa de alguns judeus. Também há alguns judeus para quem a crescente impopularidade de Israel entre a esquerda radical é algo embaraçoso. Esses judeus querem ser apreciados por aqueles cujas políticas eles apóiam em outras questões. Assim, tendem a distanciar-se de Israel e muitas vezes a apoiar o lado palestino sem pensar muito sobre os méritos do caso. A oposição a Israel e o apoio aos palestinos é, para alguns judeus, uma maneira de estabelecer as suas credenciais da ala esquerda e provar que a sua retidão política sobrepuja qualquer solidariedade étnica. Esse fenômeno cria um efeito multiplicador que resulta em alguns judeus, que anteriormente apoiavam Israel, agora abandonando esse apoio na medida em que mais e mais esquerdistas radicais abraçam a causa palestina como parte de sua agenda. Um fenômeno parecido mostrou alguns judeus, especialmente na Europa, abandonando o seu apoio a Israel por medo. Em 1967, depois da sua espetacular vitória na Guerra dos Seis Dias, Israel era visto como uma fonte de proteção para os judeus pelo mundo. Judeus americanos e europeus, comprazendo-se com a vitória de Israel, experimentaram um novo orgulho de serem judeus. Hoje Israel é visto por muitos judeus europeus como fonte de perigo porque o anti-sionismo se tornou a justificativa atual ou desculpa para a violência contra os judeus. Isso tem resultado no abandono do apoio a Israel por alguns que o apoiaram em tempos melhores. É basicamente uma falácia concluir que um lado de uma contenda precisa estar certo se algumas pessoas que são etnicamente identificadas com aquele lado apoiarem o outro lado. Por exemplo, o fato de que há um punhado de judeus que negam o Holocausto – bem como alguns judeus proeminentes, como Noam Chomsky, que estão preparados para endossar a “extensa pesquisa” feita por um negador do Holocausto – não significa que o Holocausto não tenha ocorrido. Nem o fato de que alguns judeus italianos apoiaram Mussolini no começo dos anos 1930 prova que o fascismo estava certo. Mas um grande volume de propaganda própalestina é um argumento estruturado como segue: “Veja, mesmo um judeu como [coloque o nome] acredita que Israel está errado e que os palestinos estão certos sobre [preencha o assunto]”. Esse “argumento por aceitação étnica” é falacioso tanto lógica quanto empiricamente.

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NOTAS 1. Said and Hitchens, p. 15 2. Ibid., p. 9. 3. Relatado por Chris Amos, ‘Activists urge reappraisal of Middel East conflict”, Michigan Daily, 14 de novembro de 2002. 4. www.nkusa.org/aboutus/index.cfm (visitado pela última vez em 7 de maio de 2003). 5. Forward, 29 de novembro de 2002.

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Conclusão: Israel – o judeu entre as nações

Para avaliar o status de Israel na comunidade internacional, pode ser útil olhar para a única democracia do Oriente Médio como “o judeu” entre as nações. Particularmente admirado pelo seu espírito pioneiro, pela sua inteligência, agressividade e tenacidade, o Estado de Israel tem sido condenado publicamente como racista, combativo, xenófobo, intransigente, autoritário e teimoso. Durante a sua luta de mais de um século pela condição de Estado e sobrevivência depois de milênios de dispersão forçada e exílio, o moderno pré-Estado e Estado de Israel tem se situado longe da perfeição na sua adesão aos próprios e elevados valores professados e aos da lei internacional, aos direitos humanos e às liberdades civis (descritos coletivamente como “o domínio da lei”). Mas, como mencionado no início, a tese deste livro é que nenhuma nação na história do mundo que tenha enfrentado ameaças comparáveis à sua sobrevivência – tanto externas como internas – jamais fez maiores esforços para alcançar as elevadas diretrizes do domínio da lei ou chegou tão perto de fazê-lo. Entretanto, nenhuma nação civilizada na história do mundo, incluindo regimes totalitários e autoritários, jamais foi repelida, injusta e hipocritamente condenada e criticada pela comunidade internacional, como tem sido feito com Israel ao longo dos anos. O resultado é que o abismo entre o desempenho real no cumprimento da lei e o seu desempenho percebido é maior do que no caso de qualquer outra nação na história. Desafio qualquer um a contestar esta conclusão indicando um outro país no qual esse abismo seja igual ou maior. Nenhum chega perto,


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apesar de que, para alguns, os Estados Unidos podem estar num distante segundo lugar em relação a Israel. A razão subjacente para esse abismo enganador é que as imperfeições de Israel – e são muitas – foram bastante exageradas por amplos segmentos da comunidade internacional, pela mídia, pela sociedade acadêmica e pela opinião pública, enquanto as imperfeições semelhantes de outros países têm sido minimizadas. No interesse da justiça e da paz, o mundo precisa chegar a ver Israel de modo realista.

Deve

parar

de

olhar

apenas

as

imperfeições

e

depois

ampliá-las

desproporcionalmente, tanto no que diz respeito às realizações positivas de Israel como às imperfeições das outras nações. Israel é uma nação bem pequena, com poucos recursos naturais e pouca riqueza natural, que tem sido obrigada a destinar uma enorme porcentagem do seu produto nacional bruto para se defender contra inimigos externos e internos. Mas não apenas criou uma boa vida para os seus cidadãos judeus, como ajudou os seus cidadãos árabes a terem uma vida melhor – medida segundo renda, saúde, longevidade e outros critérios aceitos – do que têm os árabes de quaisquer países vizinhos. Não deveria surpreender que um levantamento entre os habitantes árabes de Umm el-Fahm, feito pelo semanário árabeisraelense Kul Al-Arab, em 2000, mostrou uma surpreendente porcentagem de 83% de habitantes de fronteira que não almejam incluir a sua cidade num Estado palestino. A razão dada por uma maioria daqueles que se opuseram era que desejavam permanecer sob o regime democrático e gostavam da boa qualidade de vida.1 Apesar de haver muito para ser criticado, e muito progresso a ser feito, na desigualdade econômica entre judeus e árabes vivendo em Israel, o mundo deveria reconhecer os benefícios que o Estado democrático de Israel traz aos árabes que vivem e trabalham dentro de suas fronteiras. Os opositores de Israel tendem a enfatizar a disparidade entre árabes israelenses e judeus, e mal mencionam como os árabes de Israel estão muito melhor do que suas contrapartes nos Estados árabes. Nos Estados Unidos e na Europa os jornais habitualmente citam o fato de que os árabes israelenses têm o menor rendimento familiar médio de qualquer grupo étnico em Israel, bem como a mais alta taxa de mortalidade infantil (como acontece com grupos minoritários na maioria dos países, inclusive os Estados Unidos). 2 Poucos destacam, entretanto, que as famílias árabes tendem a ser muito maiores apesar da taxa de mortalidade infantil, ou que as mulheres são desestimuladas a trabalhar nas comunidades árabes – fatos que explicam algumas das discrepâncias. Mesmo o crítico grupo Sikkuy, que controla a igualdade cívica entre judeus e palestinos, reconhece que tem havido esforços por parte do governo israelense para melhorar a infra-estrutura árabe e as instituições educacionais.3 294


EM DEFESA DE ISRAEL

O sistema israelense de cuidados à saúde também é muito superior ao dos seus vizinhos, para benefício de todos os seus cidadãos. Israel possui seguro-saúde nacional, que garante assistência médica a todos os seus cidadãos, independentemente de raça ou religião. 0 acesso a tais cuidados tem ajudado a aumentar a expectativa de vida dos árabes israelenses, tornando-a bem superior à dos seus vizinhos árabes, e a diminuir a taxa de mortalidade, tornando-a bem inferior. Apesar de a expectativa de vida ser um pouco mais baixa para palestinos israelenses do que para judeus israelenses – 77 anos para as mulheres e 74 para os homens contra 87 e 86 respectivamente4 –, ainda está bem acima daquela da Síria, que está apenas entre 75 e 80 para ambos.5 A Síria é um país rico em recursos, mas, como o Iraque, a sua riqueza tem sido usada para rechear os bolsos dos seus líderes em vez da saúde pública. Arafat é agora um dos homens mais ricos do mundo, mas pouco da sua generosidade forçada é gasto em hospitais e cuidados à saúde. E injusto criticar Israel por sua falta de perfeita paridade e não criticar esses outros líderes por sua completa ausência de esforços. De fato, o serviço de saúde de Israel provavelmente salvou mais vidas palestinas do que os cuidados disponíveis em muitos países vizinhos juntos. A economia de Israel também cria benefícios para a saúde além de suas fronteiras. Israel tornou-se um líder mundial em biotecnologia, e as empresas israelenses lideram o caminho em resultados de pesquisa sobre câncer e doenças auto-imunes. Existem atualmente mais de 160 empresas de biotecnologia em Israel, com centenas de milhões de dólares particulares investidos, fornecendo milhares de empregos e centenas de produtos para a melhoria da saúde – 80% dos quais são para exportação.6 Com laços estreitos com as florescentes universidades israelenses de pesquisa e com o sistema educacional, bem como apoio do governo, a biotecnologia de Israel tem-se tornado líder da indústria, trazendo progressos na pesquisa sobre as doenças de Parkinson e Alzheimer, esclerose múltipla e outras doenças que causam grande sofrimento. Agora, tragicamente, tem-se tornado o líder mundial no tratamento médico de ferimentos causados pelo terrorismo. Os dólares de pesquisa das companhias israelenses e do governo estão salvando vidas tanto em Israel como no exterior, e o mesmo simplesmente não pode ser dito de qualquer outro país na região apesar de estes disporem de mais recursos naturais. Oue Israel deva ser tão vilipendiado por suas desigualdades – desigualdades estas que afetam qualquer país –, apesar das suas desproporcionalmente grandes contribuições em cuidados com a saúde, simplesmente mostra que se tem uma visão injusta sobre os reais benefícios que a economia israelense e o sistema de saúde proporcionam, tanto a Israel como ao restante do mundo.

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Além da medicina, a pesquisa israelense encontra-se entre as mais respeitadas do mundo, abrangendo desde tecnologia de computadores até arqueologia. A questão freqüentemente ignorada é que Israel – por meio de trabalho duro, criatividade e, acima de tudo, dedicação à liberdade e à obediência à lei – tem se tornado uma democracia florescente e diversa com uma economia dinâmica, meios de comunicação vibrantes e críticos, uma criativa cultura artística e um compromisso com a igualdade de sexo, orientação sexual e raça. Outros países na região, que têm mais recursos naturais e ajuda externa comparável, não conseguiram traduzir esses ativos em benefícios para o seu povo. Além disso, a economia israelense, relativamente forte, contribui materialmente para o bem-estar de todos os israelenses, independentemente de sua religião, etnia ou raça, e o abismo entre israelenses judeus e não-judeus certamente diminuirá ainda mais se a paz for alcançada. O professor Amnon Rubenstein - um forte defensor de uma solução pacífica de dois Estados e um freqüente crítico das políticas governamentais israelenses – resumiu bem as conquistas de Israel no seu qüinquagésimo quinto aniversário: Israel pode olhar para trás com enorme orgulho. Pequeno em tamanho, não muito maior do que uma faixa costeira do Mediterrâneo, resistiu a contínuos ataques árabes, guerras, boicote e terrorismo: transformou-se de um pobre país rural numa usina de força industrial e pósindustrial; apesar do longo caminho pela frente, e da necessidade de integração adicional, reduziu os abismos sociais, educacionais e de saúde entre seus vários componentes, incluindo os abismos entre árabes e judeus. Algumas de suas realizações não têm precedente: os árabes israelenses têm uma expectativa de vida maior do que a maioria dos brancos europeus; sua democracia funciona dentro do próprio Israel, em tempos de grande emergência nacional; orgulha-se das cortes mais ativistas e intervencionistas no mundo, que não temem caminhar onde outras cortes se esquivam de interferir; tem mantido a liberdade de imprensa em tempo de guerra; destaca-se como uma singular ilha democrática, de primeiro mundo, num mar de pobreza e atraso árabe e muçulmano.

Entretanto, essas realidades são freqüentemente ignoradas ou distorcidas num esforço deliberado de demonizar Israel. Posso facilmente entender por que os interesses mundiais do petróleo possam procurar distorcer os fatos para favorecer os árabes, que controlam boa parte das reservas mundiais de petróleo e gás e não os israelenses, que devolveram os únicos campos de petróleo que possuíam

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a fim de fazer a paz com o Egito. Posso entender por que os fundamentalistas islâmicos favorecem os palestinos, que prometeram estabelecer um Estado islâmico, e não os israelenses, que têm em grande parte uma democracia judaica secular. Posso mesmo entender por que os anti-semitas, como Pat Buchanan e David Duke, estão a favor dos palestinos radicais, anticristãos e antiamericanos, que ordinariamente desprezariam se estivessem combatendo qualquer outro, menos judeus. Posso entender por que sexistas, homófobos e racistas favorecem aqueles que tratam injustamente mulheres, homossexuais e não-muçulmanos, e não os israelenses, que estão comprometidos com a igualdade. Posso entender por que aqueles que não valorizam a vida humana favorecem grupos que promovem ataques suicidas e o assassinato de civis, e não Israel, que valoriza cada vida humana. Posso entender por que aqueles que não se incomodam com as crianças favorecem os terroristas, que abusam dos próprios filhos para transformá-los em homens-bomba e para montarem suas fábricas de bombas perto de jardins-de-infância, e que abusam dos filhos dos outros para torná-los alvos do terrorismo, e não os israelenses, que procuram manter as crianças longe dos combates. Posso entender por que a extrema esquerda, que prefere a instabilidade à estabilidade, favoreceria o impacto radical desestabilizante do terrorismo palestino em lugar da estabilidade de Israel. Posso entender por que alguns dos que odeiam os Estados Unidos, a liberdade e a democracia favorecem aqueles que se aliaram aos inimigos dos Estados Unidos – o Kaiser, Hitler, Stalin, Saddam Hussein e Osama bin Laden –, e não um dos aliados democráticos mais leais e valiosos da América. Posso entender por que a direita neofascista, que lamenta o malogro de Hitler em completar o genocídio, favorece a destruição de Israel. Posso entender por que aqueles que acreditam que o conflito deveria ser resolvido pela violência em vez de ser resolvido por negociações favoreceriam o líder palestino, que saiu de Camp David e Taba sem oferecer nenhuma proposta de paz e renovou a violência sobre Israel, que sempre tem estado disposto a negociar e aceitar o compromisso. Posso entender por que todos esses favoreceriam a causa palestina, e não a causa israelense. Mas não posso, de maneira alguma, entender por que pessoas amantes da paz, comprometidas com a igualdade e a autodeterminação, devem favorecer o lado que rejeita todos os valores que lhes são caros e opõem-se ao lado que promove esses valores. O que explica o amplo apoio aos palestinos e a ampla oposição a Israel? Ao fazer essa pergunta não estou incluindo a crítica construtiva com relação a Israel ou o apoio às legítimas aspirações do povo palestino, que tem sofrido muito, principalmente nas mãos da sua destrutiva liderança e de sua exploração por outras nações árabes.

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Também não estou me referindo à oposição razoável a qualquer primeiro-ministro em particular, governo, partido ou política de Israel. Muitos dos que apóiam Israel opõem-se – inclusive radicalmente – a aspectos particulares de Israel num determinado momento, como eu. Estou questionando algo qualitativamente diferente: uma antipatia visceral – algumas vezes ódio – por Israel, associada com apoio não-crítico da causa palestina, mesmo por aqueles (como alguns Quakers) que normalmente ficariam apavorados com o terrorismo, aqueles (como alguns patriotas pró-América) que normalmente ficariam ultrajados diante do amplo apoio palestino dado a inimigos da América, aquelas (como algumas feministas) que normalmente iriam vituperar contra as práticas sexistas de muitos palestinos, aqueles (como alguns libertários civis) que jamais tolerariam a falta de lei da Autoridade Palestina, aqueles (como alguns esquerdistas) que normalmente se oporiam à corrupção financeira dos líderes palestinos e sua exploração dos trabalhadores palestinos e aqueles (como alguns internacionalistas) que jamais justificariam a reivindicação de muitos palestinos de destruir uma nação membro da ONU e de transformar não-combatentes em alvos de terrorismo. Quando se trata de oposição a Israel e apoio à causa palestina, a coerência parece ficar esquecida. O Estado judeu é suigeneris. É impossível explicar as atitudes de muitas pessoas e instituições, em geral razoáveis em relação a princípios de racionalidade, moralidade ou coerência. Tudo isso parece escapar pela janela quando o Estado judeu está em discussão. Várias explicações têm sido dadas diante dessa anormalidade. Primeiro, boas pessoas favorecem os oprimidos, e os palestinos, sem Estado, são os oprimidos na sua luta contra a ocupação pelo poderoso Estado israelense. Segundo, os palestinos são não-brancos ao passo que os israelenses são brancos europeus. Terceiro, Israel é uma ferramenta dos Estados Unidos imperialista já os palestinos são um povo do terceiro mundo. Quarto, boas pessoas passaram a esperar mais dos judeus do que dos árabes. Quinto, pessoas decentes sabem que não podem influenciar o comportamento árabe, mas elas podem influenciar o comportamento de Israel. Todos esses argumentos – de fato, racionalizações – são demonstravelmente falsos e têm um quê de evidente racismo. Visto pela perspectiva global, Israel, como a única nação judaica do mundo, é claramente o oprimido. Os palestinos têm o amplo apoio de um bilhão de muçulmanos. Acrescente-se a isso a ONU, a Comunidade Européia, o terceiro mundo, o Vaticano, muitos intelectuais de influência, a esquerda internacional, a extrema direita e muitas Igrejas protestantes. Os palestinos têm muito mais apoio do que os tibetanos, curdos. armê-

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nios, tchetchenos e outros verdadeiros oprimidos. Além disso, as nações que estão oprimindo esses outros grupos – China, Turquia e Rússia – são muito mais poderosas do que o pequeno Israel com uma população de aproximadamente 5,37 milhões de judeus e 1,2 6 milhão de árabes. Esses outros “oprimidos” recebem pouco apoio daqueles que patrocinam os palestinos. Israel é o oprimido também de um outro modo, até mais perigoso. Não pode suportar perder uma única guerra sem expor a sua população ao genocídio e a sua nacionalidade ao politicídio. As guerras travadas contra Israel são guerras de extermínio que visam suas cidades e centros populacionais. Seus inimigos procuram a sua total destruição. Em contrapartida, Israel evita alvejar cidades e civis e não procura a destruição de nenhum Estado vizinho. Os riscos são muito maiores para Israel do que para qualquer um dos seus inimigos e, apesar do seu atual poderio militar – que é absolutamente necessário como barreira contra agressões inimigas –, Israel é claramente o oprimido ao longo da história. O argumento da opressão, que permitiria apoiar os palestinos, é míope e inconsistente com a falta de apoio aos verdadeiros oprimidos. Com relação ao apoio a não-brancos, Israel é, de fato, uma nação de não-brancos. Tem uma das mais diversificadas populações no mundo, incluindo africanos negros da Etiópia; africanos pardos e asiáticos. Gente do norte da África, Iêmen, Egito, Iraque e Marrocos; judeus da Ásia central, Rússia e do Cáucaso; e famílias da Romênia, da América Latina e da antiga Iugoslávia. Nelson Mandela estava simplesmente errado quando descreveu Israel como uma nação “branca” em contraste com o Iraque, que chamou de nação “negra”. Quanto a Israel ser um instrumento dos Estados Unidos, isto é simplesmente falso. Israel é um aliado. Ambos os países são democracias lutando contra o terrorismo. Israel também é uma nação independente defendendo seu próprio interesse. Foi estabelecido com o apoio da União Soviética, que originalmente o reconheceu por causa de suas raízes socialistas. Aliou-se com a Inglaterra e a França quando o Egito nacionalizou o Canal de Suez. Tem dado assistência a nações africanas negras com conhecimentos técnicos e outras formas de ajuda. Os Estados Unidos freqüentemente se opuseram às políticas de Israel, como no caso de Suez, quando ele poderia ter destruído e cercado o exército egípcio em 1973. Os Estados Unidos apoiaram os esforços de Israel para conseguir a paz com os palestinos em 2000-2001, e o presidente Clinton pôs toda a culpa pelo colapso das negociações de Camp David e Taba sobre os palestinos. As estreitas, mas independentes relações

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entre os Estados Unidos e Israel – baseadas em princípios recíprocos de democracia, igualdade e domínio da lei são um argumento para apoiar Israel, não para aplicar um duplo padrão de condenação contra Israel, a não ser para aqueles que odeiam tudo que os Estados Unidos representam, como Noam Chomsky, que acredita que os Estados Unidos são o líder do verdadeiro “eixo do mal”. Não surpreende que o “eixo do mal” de Chomsky também inclua Israel e a Turquia,7 e exclua Líbia, Irã, Cuba, Coréia do Norte e mesmo o Iraque, de Saddam Hussein. O argumento de que deveria ser esperado mais dos judeus e menos dos árabes, e de que os israelenses “racionais” estão mais sujeitos à pressão do que os “irracionais” palestinos, é racismo barato e também cria profecias que se cumpririam por si mesmas, uma vez que se supõe que os árabes ajam irracionalmente. Um israelense pode ter o direito de esperar mais de Israel, assim como um americano pode ter o direito de esperar mais do seu próprio país, e um palestino de esperar mais do seu próprio povo. Mas ninguém de fora tem o direito de esperar mais de um povo do que de outro. Mesmo um judeu que tenha escolhido não se tornar cidadão israelense e suportar as suas cargas e os seus riscos não tem o direito, do meu ponto de vista, de aplicar um duplo critério ao Estado judeu e não a outros Estados. Certamente, ninguém deveria esperar menos de palestinos bem educados, ricos e privilegiados (como Arafat) ou árabes (como Bin Laden) do que das suas contrapartes judaicas. Também não é verdade que os americanos deveriam ser capazes de exigir mais de Israel do que dos seus vizinhos árabes porque Israel recebe uma grande parte da ajuda financeira dos Estados Unidos. Tal enfoque faria de Israel um fantoche americano, o que não é. Israel, mais do que qualquer nação árabe, merece seu apoio financeiro por fornecer aos Estados Unidos inestimável informação de inteligência, conselho tecnológico e uma presença democrática no Oriente Médio. Egito, Jordânia, Turquia e a Autoridade Palestina, que juntos recebem ajuda comparável àquela recebida por Israel, dão pouco retorno aos Estados Unidos. Recebem ajuda externa em grande parte para favorecer regimes que apresentam perigo de insurreições internas. Israel, como democracia, não tem essa necessidade. O argumento do duplo critério é extremamente perigoso, beirando o racismo e encorajando mais violência. Se as razões anteriores forem rejeitadas, o que resta para explicar o ódio irracional tão freqüentemente dirigido contra Israel e a óbvia disparidade entre a realidade e a percepção que existe com relação a Israel? Uma explicação óbvia e perturbadora é o latente anti-semitismo em muitas partes da comunidade internacional, que passa dos “judeus” para a 300


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nação judaica. Uma segunda explicação é que o movimento palestino tem feito um esforço combinado e, de certo modo, bem-sucedido para demonizar Israel, exagerando as suas imperfeições com relação aos direitos humanos. Uma terceira é que os opositores israelenses do governo no poder – passado e presente – tenham internacionalizado a oposição doméstica dando ênfase ao desrespeito dos direitos humanos, o que foi transmitido ao exterior, confirmando, assim, nas mentes de muitos, os exageros cometidos pelos inimigos de Israel. Uma quarta explicação é que até amigos de Israel – domésticos e externos – parecem esperar mais de Israel em termos de direitos humanos porque é o Estado judeu. A quinta é que mesmo algumas pessoas de boa vontade gostam de pôr a culpa nos judeus que, eles acreditam, sempre teriam reivindicado alguma superioridade moral, quando o Estado judeu se comporta como outros Estados. Thomas Friedman disse: O anti-semitismo que surge hoje na Europa sugere que no fundo os europeus querem que Sharon cometa um massacre contra os palestinos, ou querem descrever o que ele fez em Jenin como massacre, de modo que os europeus possam finalmente tirar a culpa pelo Holocausto de cima de suas costas e possam gritar: “Olhem para esses judeus, eles são piores do que nós fomos!"8

Uma sexta explicação é que alguns não-judeus, que se acostumaram a ver os judeus como vítimas indefesas e a simpatizar com eles, têm dificuldade de aceitar a imagem de um Estado judeu forte com a capacidade militar de revidar. Mas, quaisquer que sejam as explicações – e nenhuma delas sozinha ou em combinação permite justificar o duplo critério – , é essencial ao domínio da lei que esse abismo seja novamente avaliado. Durante os primeiros 2.000 anos da Era Comum, a alma de qualquer cidade, nação, cultura ou religião podia ser facilmente avaliada pelo modo como considerava e tratava os seus vizinhos judeus. Hoje a alma da comunidade internacional pode ser avaliada pelo modo como trata o judeu entre as nações. Julgada de acordo com esse modelo, a ONU peca profundamente, como também muitas das grandes nações da Europa, Ásia, África e América do Sul. De fato, se a ONU viesse a acabar, como a Liga das Nações acabou, poderia bem ser em conseqüência da perda de sua autoridade moral sobre Israel. Quando a Assembléia-Geral votou para declarar o sionismo como uma forma de racismo, tornou-se cúmplice do anti-semitismo e sofreu uma enorme perda de prestígio e apoio nos Estados Unidos e em algumas partes do mundo (embora não em outras). Quando a Conferência da ONU sobre Mulheres, na Cidade do México, em 1975, e em Copenhague, em 1980,

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dedicou mais tempo e energia para condenar o sionismo do que o sexismo, isso se tornou uma cruel piada. A Conferência da ONU sobre racismo em Durban tornou-se, nas palavras do membro do Parlamento canadense e especialista em direitos humanos Irwin Cotler, “uma conferência racista contra os judeus”,9 tornando-se um megafone para a intolerância. Mais do que a credibilidade da Assembléia-Geral ou toda a ONU é posto em risco pelo injusto tratamento do Estado judeu. A Corte Criminal Internacional fracassará se não for confiavelmente equilibrada em relação aos israelenses, mesmo sendo justa com relação a outros. Cortes sulistas durante Jim Crow [prática discriminatória de afro-americanos] e cortes sul-africanas durante o apartheid foram muitas vezes justas em processos entre litigantes brancos, mas não eram confiáveis para fazer justiça entre litigantes brancos e negros. O mesmo, em geral, tem sido o caso de organizações internacionais quando Israel está envolvido. Mesmo a Anistia Internacional – uma maravilhosa organização que eu apóio – tem contribuído para as falsas comparações entre Israel e nações fora da lei, que não respeitam o seu domínio. A Organização Mundial de Saúde, sem ouvir nenhuma prova, uma vez condenou Israel por oferecer assistência médica de baixa qualidade na margem ocidental, apesar do dramático aumento da expectativa de vida e diminuição da mortalidade infantil. Uma equipe médica foi então enviada para investigar. A equipe composta de médicos da Romênia, Indonésia e do Senegal concluiu que “a assistência médica nos territórios árabes ocupados por Israel tem mostrado lenta, mas contínua melhoria nos nove anos desde a guerra de 1967”. Quando esse relatório favorável foi recebido, a Organização Mundial da Saúde apresentou 65 votos contra 18, com 14 abstenções, para não aceitá-lo por não estar de acordo com sua agenda política.10 Em dezembro de 2001, as partes contratantes da Convenção de Genebra reuniram-se pela primeira vez – e o fizeram para criticar Israel. Essa foi a única vez em 52 anos que alguma nação foi condenada. De modo similar, a Comissão da ONU sobre Direitos Humanos tem repetidamente apontado Israel por tratamento discriminatório, enquanto ignora os reais violadores de direitos humanos.11

A rotineira condenação pública de Israel por ações que raramente são condenadas quando praticadas por outros países é apenas uma manifestação desse difuso padrão duplo. Um simples teste dessa proposição seria imaginar um mensageiro extra-terrestre enviado à Terra para verificar o cumprimento da ordem legal pelas nações deste planeta. Se o mensageiro limitasse a sua avaliação às resoluções da ONU e ao registro de condenações internacionais durante o último terço de século, ele in-

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formaria aos seus supervisores que Israel é a nação fora da lei, com o pior desempenho no seu cumprimento. O mensageiro extra-terrestre informaria que esse pária entre as nações tem sido condenado por deflagrar guerra agressiva, por conquistar e manter território de outras nações, por desapropriar cidadãos de suas casas, por destruir casas de civis inocentes, por torturar prisioneiros, por conduzir julgamentos secretos, por prender pessoas sem julgamento, por bombardear alvos civis, por estimular a discriminação religiosa e sexual e por uma série de outras violações do cumprimento da lei. Sendo um mensageiro disfarçado, o nosso extra-terrestre olharia não apenas para a história da condenação de Israel, mas também para a história comparativa de condenações dirigidas contra outras nações. Tal levantamento comparativo apenas confirmaria a sua conclusão de que Israel era o maior transgressor do planeta em termos de seriedade das transgressões, sua propriedade persuasiva e sua reincidência. Saberia pouco pelo estudo das resoluções da ONU sobre as violações de direitos humanos na China, em Cuba, no Egito, na Jordânia, na Argélia, na BieloRússia, nas Filipinas e em outras nações que têm um desempenho muito inferior no cumprimento da lei se comparadas a Israel. O mensageiro extra-terrestre é apenas uma invenção da imaginação de um professor de direito. Mas esse mesmo professor de direito viajou pelo mundo real, dando aulas e palestras sobre o domínio da lei em universidades e para públicos jovens, desde a Nova Zelândia até a África do Sul, da China à Rússia, da Austrália à Alemanha, do Canadá à Polônia, da Itália à Noruega e em qualquer cidade importante na América do Norte. O meu relatório sobre o grau de consciência de muitos homens e mulheres jovens, de educação sofisticada no mundo todo, não seria muito diferente das conclusões a que chegou o mensageiro extraterrestre. Apesar de a maioria dos terráqueos jovens perceber que as violações de direitos humanos não são só de Israel – essa maioria já ouviu falar do Irã, Iraque, Líbia, Argélia, China, Coréia do Norte e de outros violadores flagrantes e persistentes muitos acreditam que Israel está entre os principais transgressores. Essa percepção, como tenho demonstrado, não é só injusta e perigosa para Israel, mas é destrutiva do domínio da lei em si, que não pode sobreviver na ausência de um mesmo modelo, justamente aplicado a todas as nações. Quando os “direitos humanos” se transformam numa tática, invocada seletivamente e com sucesso pelos piores violadores contra aqueles que fazem sérios esforços para cumprir o domínio da lei, esses direitos humanos perdem todo sentido objetivo e sua permanente utilidade na luta por justiça internacional fica diluída.

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Até alguns diplomatas experientes volta e meia caem na grande mentira quando ela é repetida em um número suficiente de vezes. O Secretário-Geral do ONU, Kofi Annan, observou “que não pode ser que o mundo inteiro esteja contra Israel, mas Israel está certo”.12 Mas qualquer um que se lembre do “libelo de sangue” (a afirmação de que judeus fazem assassinato ritual de crianças cristãs e usam o seu sangue para fazer matzah*) ou Os protocolos dos sábios de Sião (a invenção czarista) compreenderá que milhões de pessoas podem acreditar numa acusação falsa. A grande questão moral que desafia o mundo ao raiar deste milênio é se a tentativa de Israel de proteger-se contra o terrorismo resultará num aumento maciço do antisemitismo mundial – anti-semitismo dirigido contra o próprio Estado judeu, contra os que o apóiam, contra os judeus ao redor do mundo. Duas proposições indiscutíveis são (1) que os atuais esforços de Israel para proteger os seus civis inocentes contra aqueles que assassinam crianças, mulheres, idosos, e outros não são piores – e, em muitos aspectos são consideravelmente melhores – do que os esforços de proteção feitos por outras democracias que enfrentaram ameaças muito menos virulentas e (2) que nenhum outro país – seja católico, protestante, muçulmano ou sem religião – enfrentou o tipo de condenação que Israel e os que o apóiam têm encontrado, particularmente desde que Yasser Arafat rejeitou as ofertas de paz de Israel em Camp David e Taba e dramaticamente aumentou a campanha de terrorismo contra civis israelenses. Como muitos comentaristas objetivos têm observado, desde os horríveis dias do fim da década de 1930 e início dos anos 1940, o mundo não tem experimentado uma expansão de anti-semitismo primitivo tão perverso e contínuo. Andrew Sullivan, que escreveu muito para o New York Times Magazine, expôs isso desta forma, pouco antes da guerra contra o Iraque: O movimento americano contra a guerra, ainda pequeno e em contínuo debate, está mostrando sinais de tornar-se presa de um dos preconceitos mais antigos e obtusos que existem. Talvez tivesse sido inevitável. O conflito contra o islamo-fascismo obviamente retorna à questão de Israel. O anti-semitismo fanático, tão ruim ou mesmo pior do que o de Hitler, é agora um padrão cultural em boa parte do Oriente Médio. É a cola ácida que une Saddam, Arafat, al-Qaeda, Hezbollah, Irã e os sauditas.13

* matzah = pão não-fermentado (N. T.)

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A escritora Oriana Fallaci expôs isso de maneira ainda mais dramática: “Acho vergonhoso e vejo em tudo isso o crescimento de um novo fascismo, um novo nazismo. Um fascismo, um nazismo, muito mais cruel e revoltante, conduzido e alimentado por aqueles que, de modo hipócrita, posam como fazedores do bem [e] progressistas”.14 Como já ocorreu em ondas anteriores de anti-semitismo, alguns têm procurado pôr a culpa nas vítimas. “É culpa dos judeus”, escreveu Dostoiévski no seu famoso artigo sobre a questão judaica em 1879. O grande escritor russo argumentou que o ódio aos judeus “deve ter-se originado de alguma coisa”. E, em vez de procurar pelas fontes entre os que odeiam, ele olhou para as ações dos odiados e declarou que “o próprio judeu é culpado”. E continuou: “0 judeu, onde quer que tenha se estabelecido... humilhou e debochou das pessoas”. De acordo com Dostoiévski, foram os judeus que “arruinaram” os lituanos “com vodca” e são os judeus que voltarão a escravizar “os milhões de negros libertados” na América do Sul: “Os negros foram agora libertados dos senhores de escravos, mas... isso não vai durar porque os judeus, dos quais há tantos no mundo, saltarão sobre essa nova pequena vítima”.15 As opiniões de Dostoiévski sobre a conspiração mundial judaica não são muito diferentes das opiniões expressas por Hitler em Mein Kampf ou na invenção czarista Os protocolos dos sábios de Sião. No mundo bizarro de Dostoiévski, “os judeus estão reinando em todos os lugares nas bolsas”, “eles controlam o capital”, “são os donos do crédito”. “São também os donos da política internacional” e “os judeus sabem o que vai acontecer no futuro”. Ele predisse que “o reinado deles, o reinado total deles, está chegando!” 16 Ele acreditava que “o judaísmo e a idéia judaica “estão abarcando o mundo todo, em lugar do cristianismo”.17 A teoria da conspiração de Dostoiévski baseou-se na seguinte lógica: Ele achou “impossível conceber um judeu sem Deus”, negando-se a acreditar “na existência de ateus mesmo entre os judeus cultos”. Ele acreditava que os judeus “todos – tanto o mais humilde como o mais famoso e erudito – o filósofo e o rabino cabalista – todos acreditam que o Messias os reunirá novamente em Jerusalém e trará, pela sua espada, todas as nações aos seus pés”. Ele também acreditava que “esta é a razão por que a grande maioria dos judeus tem uma predileção por apenas uma profissão – o comércio com ouro”. Quando o Messias chegar, segundo Dostoiévski, “será mais fácil [para os judeus] levar [o ouro] embora”. 18 Dostoiévski não conseguiu explicar por que os judeus iriam querer levar embora o ouro se já estão “reinando na Europa, controlando, no mínimo, as bolsas e, portanto, a política, assuntos domésticos e a moralidade dos estados”.19

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Tampouco a intolerância de Dostoiévski dirigiu-se apenas contra o judaísmo abstrato. Ele acreditava ser “difícil encontrar algo mais irritante... do que um judeu culto”.20 É bastante surpreendente que um homem do brilho de Dostoiévski e com conhecimento em tantas áreas tivesse abrigado fantasias tão primitivas sobre os judeus. Deve-se lembrar, entretanto, que a fama de Dostoiévski se baseia nos seus escritos de ficção e não no seu palavreado de não-ficção. Como muitos anti-semitas ao longo da história, e mesmo hoje, Dostoiévski negou quaisquer sentimentos anti-semitas, a priori, dizendo que “é o próprio judeu o responsável” por todo ódio voltado contra ele. Essas opiniões foram adotadas por Hitler, Stalin, pelo cardeal Glemp e outros anti-semitas notórios ao longo da história. Agora o brado é: “É culpa de Israel” ou “É culpa de Sharon”. Mas os fatos não apóiam essa acusação mais do que o raciocínio de Dostoiévski. Um ponto de comparação interessante pode ser a melhor nação árabe-muçulmana, certamente a favorita do Ocidente, a Jordânia. Uma criação do imperialismo britânico, a Jordânia ocupou a margem ocidental durante vinte anos. Anexou-a, impôs leis marciais de emergência aos habitantes e excluiu de lá todos os judeus. Em setembro de 1970 o rei Hussein da Jordânia matou e feriu mais palestinos em um mês do que Israel durante três anos, respondendo aos ataques suicidas da intifada.21 A tortura, especialmente de palestinos, é comum na Jordânia e foi desenvolvida a ponto de tornar-se uma fina arte. Não só suspeitos terroristas são torturados, mas também seus parentes. Aperfeiçoaram tanto a técnica que a CIA passou a confiar nos jordanianos, junto com Egito e Filipinas. Tudo de ruim que Israel possa ter feito aos palestinos, a Jordânia o fez muito pior. Mas não há campanhas de alijamento ou de boicote dirigidas contra aquele reino, apenas contra a democracia situada ao seu ocidente. Como defensor do livre-arbítrio e advogado dos direitos humanos, eu, pessoalmente, desaprovo muitos dos compromissos de Israel com a perfeição no domínio da lei, como faço com as imperfeições do meu próprio país. Se eu fosse um cidadão de Israel estaria fazendo campanha por mudanças e melhorias. Mas a comunidade internacional – ao contrário dos cidadãos israelenses – não tem o direito de escolher Israel como alvo da crítica de ser o pior transgressor quando esta nação, cercada, está entre as mais dedicadas ao domínio da lei. Para a comunidade internacional acusar Israel de ser o pior ou estar entre os piores violadores do domínio da lei, é o mesmo que dizer que é ele o equivalente internacional do velho libelo de sangue anti-semita. Para demonstrar como o tratamento injusto dedicado a Israel pela comunidade internacional é em si

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uma barreira para a paz, deixe-me apresentar uma importante questão o que seria se... O que aconteceria se Israel acatasse todas as exigências feitas pela Autoridade Palestina, pela ONU e pela Comunidade Européia? O que seria se, depois de seguir todos os passos exigidos, o terrorismo contra os seus civis continuasse ou mesmo aumentasse? O que a comunidade internacional esperaria então que Israel fizesse? O que faria a comunidade internacional? O que Israel poderia esperar que ela fizesse? Essas são as perguntas feitas por israelenses moderados e seus apoiadores americanos que desejam a paz. São perguntas particularmente perturbadoras à luz de como foi a resposta da comunidade internacional depois de Ehud Barak ter oferecido aos palestinos quase tudo que desejavam e a liderança palestina ter respondido com a escalada do terrorismo. A resposta-padrão oferecida hoje é que qualquer paz seria, evidentemente, condicionada pelos esforços de boa-fé por parte do novo Estado palestino criado para pôr fim ao terrorismo. Mas recentes pesquisas de opinião pública feitas pelos próprio palestinos mostram que uma significativa maioria de palestinos está a favor da continuação do terrorismo até que a Palestina toda, o que inclui Israel, seja libertada. Para ter certeza, é possível que esses números sejam inflados pela atual violência e que diminuíssem se a paz real fosse alcançada. Mas é possível que o oposto seja verdadeiro: se um Estado palestino for construído pelo terrorismo – ou se essa percepção existe entre a maioria dos palestinos –, então muitos vão recomendar uma escalada do terrorismo para alcançar o objetivo final de muitos dos grupos palestinos, incluindo o Hamas, o Hezbollah, o Jihad islâmico e até elementos dentro do movimento Fatah. Há um precedente para este último cenário: quando Israel saiu do sul do Líbano, em conseqüência do aumento do terrorismo do Hezbollah, vários grupos palestinos pediram um aumento do terrorismo. Thomas Friedman resumiu essa perspectiva como segue: “Desde a retirada unilateral do Líbano, os palestinos haviam assistido demais à TV do Hezbollah do Líbano, que havia propagado a idéia de que Israel tinha se tornado um grande e acomodado Vale do Silício e que, portanto, com um número suficiente de homens-bomba, os judeus podiam ser forçados a sair da Palestina assim como haviam saído do sul do Líbano”.22 Dado o expresso objetivo desses grupos radicais cada vez mais populares, aqueles que insistem na eventual criação de um Estado palestino, como eu, não podem ignorar a possibilidade realista de que tal Estado possa muito bem continuar a apoiar, estimular ou, pelo menos, tolerar um continuado terrorismo contra civis israelenses num esforço.

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por mais fútil que possa ser, para fazer com que os israelenses desistam e abandonem o seu Estado conquistado com tantas dificuldades. Quando Israel declarou a condição de Estado em 1948, uma das primeiras ações tomadas pelo seu novo primeiro-ministro, David BenGurion, foi atacar e afundar um navio carregado de armas destinadas ao grupo paramilitar de Menachem Begin, o Irgun. “Um Estado precisa ter um monopólio total sobre o seu uso da força”, declarou ele, e todos os grupos paramilitares foram desfeitos à força. Qualquer um realmente acredita que Yasser Arafat, ou qualquer líder popular palestino eleito, mostraria tal coragem contra seus próprios constituintes? O envolvimento pessoal de Arafat no embarque de armamentos (e sua negação) para terroristas do Irã, em 2002, certamente levanta algumas questões sobre a sua confiabilidade em pôr fim ao terrorismo. Qualquer observador imparcial da situação no Oriente Médio deve reconhecer a significativa probabilidade de que um Estado palestino poderia servir de plataforma de lançamento para terrorismo recrudescido – e pior ainda. Enquanto esse cenário assustador for encarado, a não ser que não seja mais, com garantias concretas dos Estados Unidos e da comunidade internacional, será mais difícil alcançar um consenso político em Israel a favor de tal Estado. Não é suficiente dizer que Israel tem o direito de defender-se e de combater o terrorismo, porque, quando Israel fez isso no passado, foi condenado pela comunidade internacional e pela ONU. Tal condenação só ficaria mais forte se Israel atacasse um recémformado Estado palestino que estivesse falando em acabar com o terrorismo, mas que, secretamente, o estivesse apoiando, ou simplesmente fechando os seus olhos. Não se poderia contar com a ONU, como comprovado pela recusa da UNRWA em fazer qualquer coisa com relação ao terrorismo que é abertamente planejado e organizado nos seus campos de refugiados. Apenas os Estados Unidos, com a cooperação de outras nações, poderia prover as necessárias garantias. Mas pouco se pensa atualmente sobre a eliminação dessa urgente barreira de o que seria para a paz porque é dada muita atenção à culpa de Israel pelo atual impasse. Se a única conseqüência de condenar Israel de maneira desproporcional aos seus erros fosse a injustiça em relação ao Estado judeu, isso seria bastante ruim, considerando a história de discriminação em relação aos judeus e instituições judaicas ao longo dos milênios, mas as conseqüências são muito mais graves. O duplo critério aplicado a Israel põe em perigo o domínio da lei e a credibilidade das instituições internacionais. O enfoque desproporcional, algumas vezes quase exclusivo, sobre as imperfeições de Israel dá à comunidade internacional uma pronta desculpa

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para ignorar violações de direitos humanos muito mais sérias e contínuas. Também estimula aqueles que deliberadamente usam a violência para provocar uma reação israelense, que eles sabem, resultará em crítica desproporcional e excessiva voltada contra Israel. Finalmente, e talvez de forma mais sutil, a desarmonia da injusta e extremista condenação de Israel, baseada em duplo critério, esvazia a crítica razoável, comparativa e contextual de determinadas políticas, governos e ações israelenses. Quando a nação judaica é criticada tão injustamente, alguns dos que a apóiam – mesmo aqueles que normalmente criticariam determinadas ações – tendem a tornar-se defensivos porque percebem que aumentar a crítica apenas incrementa o apoio aos esforços errados para demonizar o Estado judeu. O resultado final é que aqueles que atacam Israel injustamente tornam mais difícil criticar as suas políticas com justiça e, algumas vezes, desestimulam Israel a aceitar crítica razoável e a tomar atitudes. Também contribuem indiretamente, mas de forma palpável, para a violência que infesta os esforços de conseguir uma paz justa e duradoura. Como forte defensor da liberdade de expressão e um praticante, durante toda a minha vida, da liberdade de criticar, eu certamente jamais tentaria impedir a expressão de quaisquer pontos de vista com relação a Israel, mas também acredito fortemente na realidade de que palavras são importantes e que uma condenação injusta pode, algumas vezes, vir acompanhada de um preço alto. A crítica seletiva e injusta de Israel carrega consigo um preço particularmente alto, medido em vidas e membros. Para alguns inimigos de Israel vale a pena o risco – de fato, é especificamente calculado para produzir resultados violentos. Mas para muitas pessoas de boa vontade há uma falta de consciência de que a injustiça da condenação dirigida contra Israel contribui para os resultados que certamente desaprovariam. Em resumo, portanto, a questão de Israel é realmente forte, especialmente quando vista comparativa e contextualmente, mas mesmo quando decidida contra quaisquer padrões razoavelmente objetivos. Israel é uma pequena democracia cercada de inimigos hostis, que luta pela própria sobrevivência. Está lutando uma guerra de muitas frentes contra inimigos tanto dentro como fora de suas fronteiras, bem como contra nações hostis e grupos que procuram torná-lo ilegítimo diante da comunidade internacional. Suas ações na defesa dos cidadãos e de sua nacionalidade têm sido longe de perfeitas ao longo dos anos. Tem feito erros, reagido em excesso e, algumas vezes, faltou generosidade em relação aos seus inimigos. Mas o mesmo, e pior, pode ser dito da maioria das outras democracias.

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O que não pode ser dito de outras democracias é que qualquer uma tenha se comportado melhor – mais legalmente, mais generosamente – quando enfrentou ameaças equivalentes aos seus cidadãos e à sua sobrevivência. Sempre que Israel, ou qualquer nação, se desvia da perfeição deve ser criticada pelos seus próprios cidadãos e por pessoas de fora. Mas nenhuma nação – e, certamente, nenhuma nação cujo povo historicamente foi sujeito a tanto preconceito, perseguição e discriminação – deveria ser exposta ao tipo de condenação de duplo critério, exclusiva, à qual a nação judaica está sendo agora injustamente sujeita. Antes de voltar-me para as propostas de uma paz futura, permitam dirigir-me a um número crescente de estudantes e jovens que estão se juntando à legião de fanáticos que não conseguem ver nada de certo da parte de Israel e nada de errado da parte daqueles que procuram destruir o Estado judeu e expulsar a sua população judaica. Vocês estão do lado errado da história. Vocês estão do lado errado da moralidade e da justiça. Vocês, talvez inadvertidamente, deram as mãos a forças do mal que, durante milênios, impuseram um duplo critério contra tudo que era judeu. Vocês estão do lado daqueles que apoiaram o Holocausto de Hitler e agora negam que ele tenha existido. Vocês estão ajudando aqueles que novamente têm como alvo bebês, crianças, mulheres e idosos apenas porque são judeus. Vocês estão em muito má companhia. Vocês não podem alegar ignorância porque os fatos estão disponíveis com bastante facilidade para qualquer um que queira pensar por si mesmo. Se a tragédia fosse recair novamente sobre o povo judeu, ou sobre a nação judaica, na qual mais de cinco milhões têm o seu lar, a história julgaria vocês duramente, como julgou os seus predecessores ideológicos. Pensem por vocês. Aprendam os fatos. Ouçam todas as partes. E se vocês são pessoas de boa vontade, tenho certeza de que não mais verão esta questão complexa unilateralmente como anti-Israel. Vocês devem a si mesmos e à história não serem cúmplices de uma nova variante sobre o mais antigo preconceito do mundo.

A QUESTÃO PARA A PAZ: PRIMEIROS PASSOS NECESSÁRIOS A melhor chance de paz para Israel é permanecer militarmente forte e, ao mesmo tempo, ajudar a fortalecer aqueles palestinos que realmente acreditam numa solução de dois Estados – aqueles que ficariam satisfeitos com um Estado palestino vivendo lado a lado com um Estado judeu, não apenas como tática temporária, mas como uma solução permanente para esse problema que já dura um século. Apesar de as pesqui-

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sas atuais sugerirem que a maioria dos palestinos e muitos árabes pelo mundo estão vendo um Estado palestino como um primeiro passo tático para uma possível destruição de Israel, a melhor esperança para a paz é que o tempo e o progresso mudem esses números. Sempre haverá alguns que se opõem à existência de Israel e que estão preparados para se matar, juntamente com civis israelenses, para alcançar esse objetivo não realista. 0 terrorismo todo não chegará ao íim – nem agora nem nunca – mesmo se Israel fizesse tudo ao seu alcance para ajudar a estabelecer um Estado palestino forte. Israel, como os Estados Unidos, provavelmente terá de viver com um certo grau de terrorismo durante toda a sua história, assim como os afro-americanos tiveram de suportar a violência da Ku Klux Klan durante muitos anos. Mas a Klan está morta (ou, pelo menos, na UTI) e, talvez algum dia, o terrorismo palestino também vai morrer por senilidade. Mas será uma morte lenta, porque recebe mais apoio entre palestinos e extremistas islâmicos do que a violência da Klan jamais recebeu entre os racistas americanos. A cessação completa de todo terrorismo palestino não deveria ser um pré-requisito para a criação de um Estado palestino ao lado de um Israel seguro. Impor tal condição seria dar aos grupos terroristas um veto ao progresso para a paz – um veto com o qual eles lidariam com violência, como fizeram no passado, quando o avanço estava em curso. Mas um esforço total e honesto por parte da Autoridade Palestina, e daqueles grupos e indivíduos sobre os quais essa autoridade exerce um controle de facto para aniquilar o terrorismo, deve ser um pré-requisito incondicional à condição de Estado. Um Estado palestino deve procurar manter um monopólio absoluto sobre a violência militar, paramilitar, guerrilheira e terrorista, como o Estado judeu fez em 1948 quando forçosa e permanentemente desarmou a Etzel e a Lechi. Mesmo antes de tornar-se um Estado, a Autoridade Palestina deve mostrar que deseja e pode desarmar todos os grupos terroristas, e especialmente aqueles – como o Tanzim e a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa – que se consideram parte do movimento Fatah. Certamente, não pode haver consideração séria da condição de Estado se a Autoridade Palestina continuar a importar armamentos ilegais para grupos terroristas, como fez em janeiro de 2002, quando o Karine A foi apreendido e seu capitão admitiu que estava importando armas por ordem de Yasser Arafat. A criação de um Estado palestino forte ao lado de um Israel forte vai requerer que os palestinos deixem de lado o seu sonho irrealista e o temido pesadelo israelense de milhões de pessoas retornando a Israel, argumentando ser refugiados. Este assim chamado direito de retorno palestino, mais do que qualquer ação de Israel, incluindo a enganosa e con-

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tínua ocupação e a errada expansão das colônias, é a principal barreira para uma paz permanente entre Israel e os palestinos. Na verdade poucos palestinos querem retornar a Israel para fazer parte de uma minoria árabe que vive no Estado judeu (a não ser os que tenham medo de uma tirania muçulmano-palestina).23 A maioria, certamente, preferiria viver como parte de uma maioria muçulmana num Estado palestino economicamente viável e politicamente democrático. Como argumentado antes, um reivindicado direito de retorno tem sempre sido uma tática desenvolvida para encher Israel com milhões de palestinos de modo a transformar a nação judaica num terceiro Estado palestino e mais um dos numerosos Estados islâmicos. Como uma resolução aprovada pela conferência de refugiados em Homs, na Síria, deixou claro, em 1952: “Qualquer discussão voltada para uma solução do problema palestino que não for baseada em assegurar o direito dos refugiados de aniquilar Israel será considerada uma dessacralização do povo árabe e um ato de traição”.24 0 direito de existência de Israel como Estado judeu deve ser julgado pela comunidade internacional e deve ser concedido pela liderança palestina para sobrepujar qualquer pretendido direito de retorno. Os palestinos não estariam sequer desistindo de um verdadeiro direito. Nenhum outro grupo de refugiados na história – certamente nenhum criado pelo tipo de forças complexas que levaram um número equivalente de árabes a sair de Israel e de judeus a sair dos países árabes – recebeu um real direito de retorno que tivesse o efeito, se não a intenção, de mudar o caráter e a natureza do país do qual saíram. Além disso, a ampla maioria de palestinos que agora reivindica o direito de retorno a Israel jamais literalmente pôs os pés lá. Eles, seus filhos e muitas vezes seus netos nasceram em campos de refugiados deliberadamente estabelecidos pelos inimigos de Israel para perpetuar e expandir um problema de refugiados, desenvolvido para destruir Israel. Entre os poucos que de fato saíram há mais de meio século e que ainda estão vivos, muitos viveram em Israel por apenas alguns anos. Pense-se na definição de refugiado palestino, diferente da de qualquer outro refugiado na história do mundo, como alguém que viveu em Israel por apenas dois anos e partiu por qualquer motivo, incluindo conveniência econômica, reunificação familiar, ódio aos vizinhos judeus ou decisões táticas tomadas pelo líderes árabes. Essa é uma das mais fracas reivindicações de refugiados na história, mas é a que recebeu o apoio mais forte da comunidade internacional. Novamente, o fosso entre a realidade e o grau de consciência não tem precedentes, talvez porque a nação acusada de criar esse exagerado problema de refugiados é a nação judaica.

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Chegou a hora – de fato, a hora já passou faz tempo – de pôr um fim a essa charada do direito de retorno pelos assim chamados refugiados árabes. Até Noam Chomsky pressionou os líderes palestinos a parar de servir de alcoviteiros para os seus seguidores prometendolhes um direito de retorno que eles não têm possibilidade de assegurar. 25 Até que o mundo reconheça que a recusa árabe de aceitar a existência de Israel, de acordo com a partição da ONU, criou uma troca de populações que agora deve ser considerada permanente, não haverá perspectiva de paz entre árabes e israelenses. Mas, assim que o mundo reconhecer o direito de Israel continuar existindo e de prosperar como Estado judeu, sem a ameaça de milhões de refugiados hostis retornarem para destruí-lo, as perspectivas para a paz aumentarão de forma bem visível. O professor Michael Waltzer, do Princeton Institute for Advanced Studies, argumentou que os palestinos jamais alcançarão a condição de Estado se não desistirem do direito de retorno e de demograficamente destruírem Israel como Estado judeu. Também observou corretamente que poucos, se é que há alguns, líderes palestinos estão prontos para argumentar que abandonar o direito de retorno é o preço necessário para a condição de Estado. Isso me parece a posição certa, uma vez que a reivindicação de retornar efetivamente reabre o conflito de 1947-1948, o que não é vantajoso fazer meio século depois. Todos os outros refugiados dos anos imediatamente posteriores à Segunda Guerra Mundial, da Europa central ao Sudeste da Ásia, foram fixados com sucesso. Os palestinos ainda estão em campos porque foi tomada uma decisão pelos seus próprios líderes e pelos Estados árabes adjacentes de mantê-los lá: isso era um meio de insistir que a guerra de independência de Israel ainda não havia terminado. Entretanto, hoje em dia, se os palestinos quiserem ganhar a sua própria guerra de independência, eles precisam reconhecer que a de Israel já foi ganha. Talvez alguns refugiados retornem a Israel, um número maior para a Palestina (quantos serão, vai depender do ritmo de investimento e desenvolvimento econômico). O restante precisa, finalmente, refixar-se. É hora de concentrar-se na sua real miséria em vez de concentrar-se nas suas reivindicações simbólicas. Continuará havendo uma diáspora palestina, assim como continua havendo uma diáspora judaica. Uma declaração clara de Arafat, reconhecendo essa simples verdade, representaria um grande passo para a não-declaração da primeira guerra.26

Não apenas Arafat tem se recusado a dar esse passo, como também a Autoridade Palestina recentemente deu um grande passo para trás ao incluir o direito de retorno na sua nova Constituição e ao insistir que permaneça sobre a mesa como parte do “mapa da estrada”. Além disso,

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apesar de o novo primeiro-ministro palestino ter reconhecido o direito de Israel de “existir”, até agora recusou um pedido americano, feito em 1º de junho de 2003, para que a Autoridade Palestina reconheça o direito de Israel de existir “especificamente como Estado judeu”.27 Essa recusa preserva a reivindicação palestina de que Israel deveria permitir o “retorno” de milhões de refugiados árabes e de transformar Israel em um outro Estado com uma maioria palestina. A esperança da maioria dos israelenses é que os palestinos acabem abandonando essa exigência irreal, já que foi a recusa de Arafat de assim proceder que fez fracassar as anteriores negociações de paz em 2000-2001. O presidente Hosni Mubarak deu um primeiro passo positivo nesse sentido ao declarar que “a exigência palestina pelo ‘direito de retorno’ é totalmente irrealista e teria de ser resolvida mediante uma compensação financeira e o reestabelecimento em países árabes”.28 Isso, evidentemente, foi oferecido em Camp David e em Taba – um pacote de compensação de 30 bilhões de dólares, mais o reconhecimento dos “erros” cometidos contra os refugiados e o direito de alguns deles retornarem a Israel. Mas Arafat saiu dizendo que a oferta de Barak não resolveria o problema dos refugiados. Qualquer esperança de alcançar uma paz verdadeira será destruída a não ser que a liderança palestina deixe de lado esse suposto “direito de retorno”, que nada mais é que um velado “direito” de destruir Israel por meios demográficos em vez de ataques terroristas. O mundo muçulmano também deve desistir da sua reivindicação chauvinista e racista de que a existência de um Estado judeu, não importa quão pequeno, em “terra sagrada muçulmana” é uma violação da lei islâmica. Essa reivindicação absurda, e que só serve aos próprios muçulmanos, primeiramente feita pelo anti-semita grão-mufti na década de 1920 e continuamente repetida desde então nos estatutos palestinos, nas Constituições e nos discursos, deve ser rejeitada categórica e publicamente pela liderança palestina de uma vez por todas não como uma tática, mas como um reconhecimento de que um Estado judeu tem o mesmo direito de existir na área como um Estado palestino. Ethan Bronner, que cobriu o Oriente Médio de 1991 a 1997, e agora é editor do New York Times, recentemente falou sobre uma entrevista com o falecido rei Hussein, da Jordânia, que mostra quão profundamente a oposição à legitimidade de Israel está arraigada mesmo entre os líderes árabes mais moderados: Uma vez perguntei ao rei Hussein... se ele considerava o sionismo legítimo. Ele aceitava que havia alguma base histórica à reivindicação dos judeus por uma parte da Palestina como sua pátria? Ele me olhou como

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se eu fosse marciano e esquivou-se de responder. Talvez tenha abrandado o seu ponto de vista na ocasião da sua morte, em 1999. Mas a sua reação ainda exemplifica a da grande maioria dos árabes atualmente.29

Bronner também relata que Saeb Erekat, um líder palestino moderado, anunciou durante as negociações de Camp David, em 2002, que a posição muçulmana é “jamais ter existido um templo judaico” em Jerusalém, apesar da quase unanimidade entre os historiadores e arqueólogos de que o lugar mais sagrado em Jerusalém foi o do Monte do Templo. Essa falsificação da história é parte de um esforço palestino de disputar quaisquer reivindicações históricas pelos judeus, não apenas relativamente a Jerusalém, mas com relação a qualquer parte de Israel. As nações árabes e muçulmanas do mundo também devem chegar a aceitar não só a existência permanente de Israel como um fato, mas também seu direito de existir em segurança como Estado judeu. As ameaças de genocídio e politicídio continuamente feitas em muitos lugares, devem terminar de uma vez por todas. Os líderes árabes e muçulmanos devem dizer ao seu povo que Israel não será atacado porque tem o direito de existir permanentemente, não porque taticamente não é recomendável fazê-lo “neste momento” – e essas afirmações devem ser feitas e repetidas em árabe ao seu povo, não apenas em inglês e francês para os diplomatas. A segurança permanente de Israel deve ser garantida diante de inimigos tanto externos como internos. Até que, e a não ser que, isso ocorra, Israel deve continuar a manter uma superioridade militar qualitativa sobre as forças combinadas dos seus potenciais inimigos como melhor garantia de paz na região, já que Israel não pode contar com ninguém para garantir a sua sobrevivência. Israel, por seu lado, deve abandonar qualquer reivindicação, como fez em Camp David e Taba em 2000, da margem ocidental e da faixa de Gaza, referente apenas ao tipo de pequenos ajustes territoriais contemplados pela Resolução 242 da ONU para garantir a sua segurança. Também deve terminar o estabelecimento de colônias na faixa de Gaza e no miolo da margem ocidental, apesar de que, ao longo do tempo, os judeus deveriam ser livres para viverem em segurança em qualquer lugar da Palestina, assim como os palestinos podem viver, e vivem, em Israel. Em 2 5 de maio de 2003 o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon anunciou que “chegou o momento de dividir esta faixa de terra entre nós e os palestinos”. 30 O seu governo votou a favor da aceitação do “mapa da estrada”, incluindo a criação de um Estado palestino. Agora a Autoridade Palestina precisa demonstrar sua determinação de desmantelar as organizações palestinas terroristas e de fazer os melhores esforços para impedir novos atos de

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terrorismo. Resta ver se os seus atuais líderes têm a coragem e o poder de implementar suas obrigações sob o “mapa da estrada”. Em um importante artigo em Dissent, escrito no outono de 2002, o professor Walzer destacou que quatro guerras estão sendo travadas simultaneamente: A primeira é uma guerra palestina para destruir Israel. A segunda é uma guerra palestina para criar um Estado independente ao lado de Israel, terminando com a ocupação da margem ocidental e de Gaza. A terceira é uma guerra israelense pela segurança de Israel mantendo as fronteiras de 1967. A quarta é uma guerra de Israel por um grande Israel, para as colônias e os territórios ocupados.31

Walzer depois argumentou que, para a maioria dos palestinos, a guerra pela destruição de Israel parece ter prioridade sobre a guerra pela condição de Estado palestino ao lado de Israel. A prova é que em Camp David e Taba “a condição de Estado poderia ter sido alcançada sem nenhuma guerra, mas foi recusada porque deixaria Israel intacto como Estado judeu. Para a maioria dos israelenses, por outro lado, a “guerra defensiva pela segurança de Israel” tem prioridade sobre qualquer guerra por um “Israel maior”. A prova é que um governo israelense, quase com certeza apoiado pela maioria de sua população, estava preparado para pôr fim à ocupação e desmantelar as colônias em troca de paz e segurança reais. Mas Arafat deixou a proposta de Barak sem uma contraproposta. Para que a paz se torne uma realidade, os palestinos que apóiam o objetivo da primeira guerra – a destruição de Israel – precisam convencer-se de que não só é impossível alcançá-lo, mas que também é errado. E os israelenses que apóiam a quarta guerra – por uma ocupação permanente e uma extensa rede de colônias – devem convencer-se do mesmo. 0 problema é que há muito mais palestinos que acreditam na primeira guerra do que israelenses que acreditam na quarta e esses palestinos estão muito mais dispostos a usar a violência terrorista num esforço inútil, mas mortal, para alcançar o seu ignóbil objetivo de destruir o Estado judeu. Os passos mais importantes e duradouros pela paz são, assim, questões de atitude: os líderes palestinos devem parar de ensinar às suas crianças a odiar judeus e israelenses, eles também devem parar de publicar mapas que eliminam Israel e devem parar de enganar os “refugiados” fazendo-os acreditar que algum dia voltarão às suas casas num Israel muçulmano. Os líderes israelenses devem parar de estimular as colônias e devem desencorajar aqueles que têm a ilusão de um grande Israel, que

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inclui vastas partes da Judéia e da Samaria. As reivindicações bíblico-judaicas devem ser abandonadas em nome de um compromisso pragmático, assim como devem ser abandonadas as reivindicações islâmicas do Corão. Mais importante, a comunidade internacional, a esquerda acadêmica, os líderes religiosos e as pessoas de boa vontade pelo mundo devem parar de tentar demonizar e tornar ilegítima a nação judaica pelos seus razoáveis esforços de proteger a sua população enquanto procura parceiros para a paz. Esta impensada e unilateral condenação de Israel tem, em si, se tornado uma significativa barreira para a paz. Uma solução de dois Estados do tipo proposto pelo presidente Bill Clinton e pelo primeiro-ministro Ehud Barak, e agora, aparentemente, aceita pelos primeiros-ministros Ariel Sharon e Mahmed Abbas (Abu Mazen) promete tanto para os palestinos como para os israelenses uma Palestina democrática, economicamente viável, que não oferece perigo à segurança de Israel. Geralmente as democracias não vão à guerra umas contra as outras e democracias economicamente viáveis têm reais incentivos para resolver as suas diferenças pacificamente e impedir grupos terroristas de operar dentro de suas fronteiras. Abandonando as suas reivindicações irrealistas e cada um reconhecendo o direito do outro de viver em paz, Israel e Palestina podem tornar-se guias de esclarecimento, progresso e esperança num mundo cada vez mais perigoso. Escrevo estes parágrafos finais num espírito de otimismo cauteloso, tendo acabado de ver o primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon, o primeiro-ministro da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, o rei Abdullah da Jordânia e o presidente norte-americano George W. Bush apertarem-se as mãos e falar palavras de paz e reconciliação em Ácaba. Mas só apertos de mão e palavras de reconciliação não vão trazer a paz, depois de tantas décadas de derramamento de sangue. Ações difíceis e de longo prazo básicas serão necessárias para construir a confiança mútua. No dia da reunião de cúpula em Ácaba extremistas palestinos juraram continuar a violência, enquanto Yasser Arafat se queixou de que Israel não ofereceu “nada de tangível”. O próprio Mahmoud Abbas parecia estar preservando a opção de destruir Israel demograficamente pela recusa de reconhecer o seu direito de existir como Estado judeu. No mesmo dia, alguns colonos judeus da margem ocidental manifestaram-se contra os esforços de paz, carregando cartazes dizendo que ‘“o mapa da estrada' do sr. Bush entra em colisão com o mapa da estrada do Criador”. As boas novas são que uma grande maioria de israelenses, incluindo um número considerável de colonos, parece preparada para implementar o “mapa da estrada” desde que a estrada conduza a uma paz duradoura e a uma genuína solução de dois Estados – um com uma maio-

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ria judaica, o outro com uma maioria árabe. Um número considerável de palestinos também parece pronto a aceitar compromissos no interesse da paz. Se uma solução pacífica de dois Estados finalmente se transformasse em realidade, isso seria uma bênção para todos. Mas também teria reflexos trágicos, já que essa solução eminentemente razoável e justa poderia ter sido alcançada há muito tempo se a liderança árabe não tivesse rejeitado o Relatório Peel, a partição da ONU e as propostas de Camp David-Taba. Tantas vidas foram desperdiçadas por tão repetida falta de vontade por parte de líderes árabes em reconhecer o direito do povo judeu de estabelecer pacificamente um pequeno Estado judeu naquela região da antiga pátria judaica que os judeus haviam cultivado e na qual constituíram uma evidente maioria. Para evitar que o sangrento passado se torne

prólogo novamente,

devemos aprender

com

os erros trágicos que

desnecessariamente nos custaram todas essas vidas. Concluo agora a argumentação a favor de Israel que expus neste livro. Percebo, entretanto, que a defesa jamais pode descansar quando se trata do Estado judeu. Independentemente dos passos que Israel tomar em direção à paz e à solução de dois Estados, sempre haverá pessoas para as quais apenas a destruição de Israel será satisfatória. Por essa razão, a melhor defesa de Israel deve continuar sendo sua determinação de querer sobreviver e sua habilidade de defender seus cidadãos contra os fanáticos – alguns armados com bombas, outros com intolerância – que não conseguem conformar-se com a realidade de um Estado judeu forte, independente e democrático.

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NOTAS 1. Andrea Levin, “Israeli Arab rights and wrongs”, On CAMERA column, 14 de fevereiro de 2003. 2. “As diferenças de salário entre judeus e árabes em Israel são muito semelhantes às entre brancos e negros nos Estados Unidos”, Amnon Rubenstein, “Jewish Professions, Arab Professions”, Haaretzdaily.com, 15 de abril de 2003. O artigo continua para mostrar que “as disparidades de rendimento com base na etnia existem mesmo em Estados clássicos de bem-estar”, como a Holanda. 3. V. o Sikkuy Report, 2001 -2002, p. 5, www.sikkuy.org.il/report/Sikkuy%20Report% 202002.doc. 4. Israeli Central Bureau of Statistics, www.cbs.gov.il. 5. Steven Plaut, “The collapsing syrian economy”, Middle East Quarterly, vol. VI, nº 3, setembro de 1999. 6. Web site do Ministério de Relações Exteriores de Israel, www.israel-mfa.gov.il. 7. Noam Chomsky, palestra à Middle East Children’s Alliance, São Francisco, 21 de março de 2002, www.zmag.org/content/Mideast/chomskymecatalk.cfm. 8. Thomas Friedman, “Nine Wars Too Many”, New York Times, 15 de maio de 2002. 9. Professor

Irwin

Cotler,

“Beyond

Durban”,

Global

Jewish

Agenda,

www.jafi

org.il/agenda/2001/english/wk3-22/6.asp. 10. Juliana Pilon, “The United Nations’ Campaign against Israel”, Heritage Foundation Report, 16 de junho de 1983. 11. Cotler, “Beyond Durban”. 12. Ibid. 13. Publicado

no

website

pessoal

de

Andrew

Sullivan

em

www.andrewsullivan.com/main_article.php?artnum=20021020. 14. Oriana Fallaci, “Oriana Fallaci on anti-semitism”, Panorama, 12 de abril de 2002. 15. F. M. Dostoyevsky, The diary of a writer, Boris Brasol trans. (Salt Lake City: Peregrine Smith Books, 1985), pp. 642-645. 16. Ibid., p. 650. 17. Ibid., p. 651. 18. Ibid., p. 647. 19. Ibid., p. 640. 20. Ibid., p. 638. 21. As estimativas variam quanto ao número de palestinos mortos durante o “Setembro Negro”, com algumas estimativas que chegam a 4 mil. (One day in september, Sony Pictures, www.sonypictures.com/classics/oneday/html/blacksept, visitado pela última vez em 10 de abril de 2003, enquanto outros

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citam um número de 3 mil. (“Some key dates in the Israeli-Palestinian conflict”, www.umich.edu/-iinet/cmenas/studyunits/israelipalestinian_conflict/studentkeydates.html, visitado pela última vez em 10 de abril de 2003). 22. Thomas L. Friedman, “Reeling but ready", New York Times, 28 de abril de 2002. 23. V. Pesquisa pelo Palestinian Center for policy and research at Berzeit University, mencionado em Jewish Week, 18 de abril de 2003, p. 28. 24. Beirut al Nassa, 15 de julho de 1957. 25. Chomsky, palestra na Universidade de Harvard, 25 de novembro de 2002. 26. Michael Walzer, “The four wars of Israel/Palestine”, Dissent, outono de 2002. 27. James Bennet, “U.S. Statements guide the talks on the Mideast", New York Times, 2 de junho de 2003. 28. Jerusalem Post, 26 de janeiro de 1989. 29. Comentário sobre Shattered dreams por Charles Enderlin, New York Times Book Review, 4 de maio de 2003. 30. James Bennet, “The Mideast Turmoil: Jerusalem; Israel approves Bush’s roadmap to new Palestine,” New York Times, 2 6 de maio de 2003. 31. Walzer, “The four wars of Israel/Palestine”.

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Dershowitz prova que Israel foi criado sob os auspícios das Nações Unidas e que foram os árabes, e não os israelenses, que deram início ao ciclo de violência que persiste até nossos dias.

Demonstra que as ações israelenses na faixa de Gaza e na margem ocidental não são movidas por ambições territoriais, e sim porque Israel está sendo atacado. E ele mostra como os críticos de Israel minimizam a importância do terrorismo, dos abusos contra os direitos humanos e das ideologias antidemocráticas de outros regimes da região, empregando intolerância e anti-semitismo velado em lugar de análises objetivas.

Em defesa de Israel mostra enfim todo o talento do brilhante advogado empenhado em provar, mais uma vez, a inocência de um réu que a opinião pública é quase unânime em condenar.


Em Defesa de Israel - Alan Dershowitz  

Dershowitz prova que Israel foi criado sob os auspícios das Nações Unidas e que foram os árabes, e não os israelenses, que deram início ao c...

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