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14 realizados pelas mulheres. Nós não voltaremos a nos subordinar em papéis inferiores”. Os delegados não estavam interessados em empurrar as mulheres de volta para “papéis subordinados inferiores”. Eles somente queriam entender o que a palavra gênero significava antes de aprovar um texto em que a palavra aparecia mais de duzentas vezes. RE-IMAGINANDO O GÊNERO Para aumentar a controvérsia, um membro de uma delegação governamental que havia considerado o debate sobre a definição de gênero como exagerado, comentou o assunto com a babá da família. A babá estava justamente fazendo um curso no Hunter College intitulado “Re-imaginando o Gênero”. Ela explicou a seu patrão que ‘gênero’ não mais significava ‘sexo’, mas referia-se a um papel socialmente construído. A instrutora do curso, Lorna Smedman, havia redigido a seguinte introdução para seus estudantes: Neste curso vamos ler vários autores modernistas e pós modernistas e buscar compreender como os pensadores do século vinte reimaginaram o conceito de gênero. O gênero é uma “construção social” ou o produto de um “sexo biológico”? O que estaria envolvido na transgressão das categorias binárias mulher e homem, feminino e masculino, heterossexual e homossexual, natural e não-natural? Os representantes dos países conservadores não estavam interessados em voltar para casa com um documento que “transgredia as categorias binárias”, ou que abrisse a questão da homossexualidade. Entre os materiais fotocopiados do curso havia um artigo, escrito por Adrianne Rich, intitulado “Heterossexualidade Compulsória e Existência Lésbica”, que incluía as seguintes citações: “A heterossexualidade, assim como a maternidade, necessita ser reconhecida e estudada como uma instituição política. Em um mundo de genuína igualdade, onde os homens fossem não-opressivos e educados, todos seriam bissexuais”. Um artigo escrito por Lucy Gilbert e Paula Webster, “Os Perigos da Feminilidade”, sugeria que definir ‘gênero’ como “construção social” significaria que o masculino e o feminino seriam não-naturais. Particularmente problemático era um artigo escrito por Anne Falsto-Sterling, intitulado “Os Cinco Sexos: Por que Macho e Fêmea não são Suficientes”. Este artigo era a origem das idéias defendidas por Marta Llamas. O interesse da Sra. Falsto-Sterling em acrescentar sexos extras não parecia estar relacionado com uma preocupação sincera pelo pequeno número de indivíduos que sofrem destas anormalidades, mas com um desejo de desafiar crenças tradicionais.

Agendagenero  

Agenda de gênero e a destruição da família tradicional

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