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PREFÁCIO

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INTRODUÇÃO

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CAPITULO I – TUDO É PELA GRAÇA

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CAPITULO 2 – O CARÁTER DO CIDADÃO DO REINO DOS CÉUS

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CAPITULO 3 – AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

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CAPITULO 4 – SENDO SAL E LUZ CAPITULO 5 – A JUSTIÇA DO REINO: INTERPRETANDO A LEI CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA

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O Sermão do Monte é o primeiro de cinco discursos de Jesus relatados no livro de Mateus, e nele a ênfase do ensino do Mestre é a Ética que Ele espera daqueles que se proponham a segui-lo. O objetivo desse e-book é desenvolver um pensamento reflexivo sobre a importância do sermão do monte, delimitado aos pontos tratados no capitulo 5 de Mateus, na conduta prática dos nascidos do Espirito, cidadãos do Reino de Deus, principalmente pela ótica da graça derramada em nossas vidas através do seu filho Jesus Cristo. Abordamos temas que nos fazem retornar ao ponto de partida do sermão realizado por Jesus, sendo primeiramente dirigido a um mundo no qual os fariseus tinham conseguido dissimilar a vida e o significado da lei de Moisés. A sociedade dos dias atuais, está transformando o evangelho em pouco mais do que mera formalidade do século 21. Por esta razão, é da maior urgência que olhemos frequente e cuidadosamente para o sermão do Filho de Deus que, talvez, mais do que qualquer outro, define a própria essência do Reino do céu. O e-book propõe uma visão clara e objetiva para os nossos dias da coleção de ensinamentos que Jesus desejava que fossem conhecidos e praticados pelos seus discípulos, mas também pela multidão que o ouvia. Uma verdadeira constituição do seu Reino.

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Antes de iniciar seu ministério, Jesus jejuou durante 40 dias no deserto. A primeira mensagem que, logo no princípio, dirigiu ao povo é o chamado “Sermão do Monte” ou “Sermão da Montanha”, proferido nas colinas de Kurun Hattin, ao sudoeste do lago de Genezaré. Estas palavras podem ser consideradas, como diríamos em linguagem política, “A constituição dos cidadãos do Reino dos céus”. Representam o programa de orientação de Deus e da ética humana, visando a total autorrealização do homem. Ao proferir a coleção de ensinamentos, Ele desejava que fossem conhecidos e praticados pelos discípulos, mas também pela multidão que o ouvia. Mahatma Gandhi expressou-se sobre a sua importância dizendo: “Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade, e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido.”

George Bernard Shaw, certa vez, descreveu o Sermão do Monte como: "Uma explosão impraticável de anarquismo e de sentimentalismo".

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche foi de um extremismo sarcástico ao escrever que: "A moralidade cristã é a mais maligna forma de toda a falsidade" (Ecce Homo).

Em 1929, o humanista John Herman Randall estava disposto a reconhecer que Jesus era: "Verdadeiramente um grande gênio moral."

Mas ao mesmo tempo estranhava como um carpinteiro galileu pudesse ter proferido a última palavra em ética humana (A Religião no Mundo Moderno).

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Muitas outras pessoas têm apreciado este sermão com grande consideração, até mesmo quando não o conheceram nem o entenderam muito bem. Pode-se dizer, com segurança, que a essência do capitulo 5 de Mateus é a parte do sermão do monte, mais conhecida, menos entendida e menos praticada. Representa o mais alto grau de contraste entre os padrões do homem ímpio e o ideal para o homem cidadão do “Reino dos céus”. Para compreender tão excelsa sabedoria devemos ultrapassar os preceitos do nosso intelecto analítico e através da nossa natureza tricotômica buscar uma experiência que estabelece uma compreensão, de modo direto e instantâneo, sem a utilização de deduções ou classificações caracterizadas por conceitos já formados. O homem ímpio vive em rebelião contra Deus e acha absurdo amar os que nos odeiam, fazer bem aos nossos malfeitores, ceder a túnica à quem nos roubou a capa, sofrer mais uma injustiça em vez de revidar a que já recebeu. Se analisarmos apenas da perspectiva do homem mental, a consciência do ímpio tem razão. A diversidade e a abrangência dos assuntos aqui abordados por Jesus nos lembram do custo de ser discípulo do Mestre. Seguir os ensinos de Jesus tem implicações em todos os aspectos da nossa vida. Não podemos ser discípulos do Mestre se desejamos segui-lo apenas em assuntos espirituais. A ética, a moral, o nosso comportamento e todas as nossas atitudes devem estar de acordo com os preceitos apresentados. Assim Jesus nos ensina como proceder nos relacionamentos com o nosso próximo e na nossa vida conjugal, tanto quanto nos ensina sobre oração e dependência de Deus. O desafio para um completo discipulado, cobrindo todos os aspectos da nossa vida está em todo o Sermão do Monte e de forma bem explicita em todo o capitulo 5. Este é um sermão para os cidadãos do Reino. A salvação, e não a reconstrução social que os judeus tanto esperavam, é seu alvo e os homens de sabedoria apenas mundana estão destinados a jamais entendê-lo. Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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O homem que queira seguir e guardar seus mandamentos, um verdadeiro discipulo que age conforme a filosofia e ensinamentos de Jesus Cristo, necessita viver uma vida 100% sincera consigo mesmo, e não se iludir com paliativos e camuflagens que lhe encubram a verdade sobre quem realmente é e qual o propósito do porque foi criado. O discurso de Jesus na encosta de um monte galileu não é, na realidade, um mero sermão. Ele mais se aproxima de uma “Constituição” do Reino de Deus, pois ele trata de atitudes práticas “Sine qua non” aos discípulos de Cristo. O sermão permanece na entrada do Reino de Deus sendo a chave de seus grandiosos planos e reflete o caráter do próprio Cristo.

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Capítulo 1

Capítulo 1

O Sermão do Monte permanece nos nossos dias como uma explanação da verdadeira natureza do Reino de Deus. É um sermão proferido na História e serve para responder às questões que, naturalmente, seriam levantadas pelo anúncio em Israel do iminente aparecimento do Reino (Mateus 3:2; 4:17). Mais ainda, o caráter totalmente inesperado do pregador e o acirrado conflito entre Jesus e os fariseus estavam para provocar ainda maior preocupação entre aqueles que primeiro ouviram o grito: "Está próximo o Reino dos céus!" A natureza do Reino de Deus deve sempre ecoar em nossos corações quando pensamos na missão da igreja, ou seja, Cristo habita em mim, logo “o filho do Reino”, “você” é diferente naquilo que admira e valoriza, diferente naquilo que pensa e sente, diferente naquilo que procura e realiza. Ser diferente é uma consequência da vida com Deus. Sua graça, seu tão grande amor e o caráter de Cristo em mim, produzem a afirmação do apostolo Paulo aos Gálatas: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20) Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Ele nos amou tanto que enviou o seu filho, e o seu filho o Cristo, o caminho a verdade e a vida, cumpriu a sua missão, Ele nos fez um “favor imerecido”. Tudo nos leva a graça de Deus. Tudo é pela graça. Tudo nos remete a esse favor que nós jamais seriamos merecedores. Ele nos amou primeiro (I João 4:19). Mesmo que não explicitamente pois Jesus só haveria de falar claramente de sua morte até um ano mais tarde, Mateus 16:21, não há nada mais óbvio no seu sermão do que a verdade central do evangelho que a salvação é pela graça de Deus. Na realidade Cristo foi enviado não meramente para ser exemplo, para ensinar uma filosofia de vida ou doutrina religiosa, mas, principalmente, para morrer por nós, por causa dos nossos pecados. Foram os nossos pecados que o cravaram na cruz. A Epístola aos Hebreus, referindo-se ao sacrifício que foi a morte de Cristo, afirma: “Mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hebreus 9:26). Na verdade, se Cristo não tivesse sido erguido naquela cruz, jamais seríamos salvos (João 3:14-15). Caso houvesse Cristo permanecido na morte, Ele não teria vencido o pior inimigo da humanidade: a própria morte. Porém, Cristo ressuscitou. Isso é algo que nunca podemos nos esquecer. Diferentemente do que Nietzsche afirmou: “Deus NÃO está morto”. O sepulcro está vazio e o seu trono a direita de Deus está preenchido com a sua presença Aleluia!

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Capítulo 1

A questão que somos confrontados aqui é, permaneceremos na inercia? Apenas olhando o tempo passar ou avançamos e enfrentamos esse mundo dos nossos dias, não nos conformando com este século. “No sistema do mundo as pessoas têm necessidade de ostentar para mostrar que são felizes. No Reino as pessoas se sentem felizes ajudando e repartindo” (Joyce Meyer)

1.1 Aparências nada mais Nos dias que Jesus proferiu o sermão do monte, existiam os fariseus. Esta palavra, “Fariseu” quer dizer: “separados”. Formavam um grupo religioso fanático muito numeroso e influente. Os fariseus faziam de tudo para merecer o “paraíso” e acreditavam que só seriam salvos aqueles que submetessem aos seus rígidos costumes religiosos. Eram severos e até desumanos na observação das tradições e costumes extra bíblicos, criados pelos anciões. Naquela época dizia-se: “Se dois conseguirem entrar no paraíso, um com certeza será fariseu”. Pecaram pela presunção. Eram avarentos e gostavam de ostentar santidade, a fim de serem vistos pelos homens (Mateus 23:5). E quantos hoje tem pregado um evangelho de aparências de ostentação de santidade, agora a moda é “patriarca”, porque “apostolo” já era.

Aparências

nada

mais

sustentaram nossas vidas...”

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Talvez você conheça a história daquele desempregado que, depois de procurar por toda parte um lugar onde pudesse ganhar o seu sustento, acabou procurando o dono de um zoológico. Quem sabe teria algum trabalho para ele? Contudo, ali também não havia nenhuma vaga. Mas, disse o dono, “tenho uma proposta diferente: há duas semanas morreu o nosso gorila. Ele era uma grande atração para os visitantes. Se você quiser fazer o papel de gorila, eu pago bem. Tenho aqui uma fantasia de gorila e ninguém perceberá que não é de verdade”. Claro que o homem aceitou, precisava sustentar a família. Começou o trabalho e deu-se muito bem. Com muita habilidade agarrava-se às grades. Um enorme tronco inclina-se por cima da jaula do leão ao lado. Ele subia naquele tronco como um verdadeiro malabarista. As pessoas paravam para ver as artes do gorila. Até que, num descuido, escorregou do tronco e caiu na jaula do leão. O leão deu um rugido. Ele se assustou e tentou aproximar-se das grades da jaula para subir, sem sucesso. O leão aproximou-se dele. Desesperado, ele gritou: “Socorro! ” E o leão respondeu: “cale a boca rapaz, senão nós dois estamos desempregados! ” Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

Temos que ficar atentos para nossa vida cristã não ser assim. De aparência. Saiba que Deus aceita você como é, mas a caminhada com Ele requer mudanças. Não adianta você andar com Deus na igreja, e fora ser igual ao mundo, ou falar de Deus para todos, mas em suas atitudes ser igual ao mundo.

O

Religioso

quando

tem

é

fiel gente

vendo, o Cristão é fiel quando só Deus pode vê-lo”

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1.2 Fazendo a diferença "Não vos conformeis com este mundo" (Romanos 12:1-2). Os filhos do Reino não se moldam a este mundo. A palavra grega traduzida como "conformado" aqui significa co-moldado, co-formado. O que a Palavra está nos dizendo aqui é: não tenha o mesmo contorno, a mesma forma, com este mundo. Um cidadão do Reino é diferente. Nós não pertencemos a este mundo. Um cidadão do Reino tem que fazer a diferença. O milagre de Jesus na multiplicação dos cinco pães e 2 peixinhos narrado em Mateus 14:14-20 é um belo exemplo. Nós entregamos a Ele “Trazei-mos aqui” (Mateus 14:18) e Ele opera “segundo a sua boa vontade” (Filipenses 2:13). A multidão faminta são todos aqueles que você conhece. O pão da vida é Jesus, Ele é o pão vivo que desceu do Céu (João 6:51). Ele quer multiplicar e alimentar a multidão através de você. É você quem tem a missão de levar Cristo a multidão. Você é a oferta, para que em você e através de você Ele possa manifestar a sua glória. Assim como Jesus se entregou por você, apresente a Ele quem é você e tudo que tem sem ressalvas, como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como um verdadeiro adorador, oferta de amor ao Senhor (Romanos 12:1).

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Por isso o discurso de Jesus na encosta de um monte galileu não é, na realidade, um mero sermão. Ele mais se aproxima de um manifesto, ou seja, uma declaração pública e solene do próprio Deus dos fundamentos e do caráter transformado dos cidadãos do Reino de Deus. Não é somente carne para os maduros na fé, mas um desafio a todo àquele que busca o Reino de Deus e à sua justiça.

Quando a Igreja é diferente do mundo é que passa a ser procurada pela grande massa de desiludidos com a vida sem Deus.”

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O capítulo 5 de Mateus, nada têm de misterioso e complicado entendimento. É de uma mensagem simples e tão transparente como o mais límpido cristal. A sua dificuldade jaz em outro setor: Ele convida o homem a abdicar definitivamente do seu velho ego pecador, despojar-se do “velho homem” e revestir-se do “novo homem”, da “nova criatura em Cristo, feita em verdade, justiça e santidade”. Isso deve ter caído como uma “bomba” sobre os ouvidos judeus do primeiro século e ainda hoje vai de encontro com as práticas da nossa sociedade moderna do século XXI. Que fórmula para o sucesso mais improvável poderia dificilmente ter sido imaginada. Elas estão na rota de colisão com cada conceito da sabedoria convencional e deixam o ouvinte chocado e perplexo. Estamos diante do “caráter essencial ao cidadão do Reino de Deus”. “Ter Caráter é ser quem você é quando ninguém está olhando” (Bill Hybels).

Caráter é um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes. 13 Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos


O conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa é que vão determinar a sua conduta e a sua moralidade, o seu caráter. Os seus valores e firmeza moral definem a coerência das suas ações, do seu procedimento e comportamento. "Deus tornou-Se homem para transformar criaturas em filhos não simplesmente para produzir homens melhores da antiga espécie, mas para produzir uma nova espécie de homens” (C. S. Lewis).

Eu complemento, homens bem-aventurados. A expressão “bem-aventurado” aparece várias vezes tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. Bem-aventurado significa “feliz”, aquele que tem a “glória dos céus”. Não significa uma felicidade passageira ou fundamentada apenas em estímulos, que se retirados, a destroem. Por exemplo: Ser feliz dentro do contexto greco-romano era: a)

Ser culturalmente sábio;

b)

Ter posses;

c)

Ter influência;

d)

Ter beleza física.

No Judaísmo era: a)

Os religiosos tinham muito orgulho de si mesmos e se viam como superiores aos outros;

b)

Usavam a lei como forma de exaltação pessoal e justiça própria;

c)

Subjugavam os mais humildes e menos favorecidos na sociedade.

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Jesus vai contra a mentalidade de que para “ser” alguém era necessário “ter” algo. A felicidade de que Jesus expressa é fundamentada em Deus, na obediência à Sua palavra e na fé.

Essa obediência e fé geram a ação de Deus no coração, que gera a felicidade, e essa felicidade é capaz de resistir aos momentos mais difíceis” O mundo todo, assim como em nossos dias, estava em busca, incansável, da felicidade e não tinha a mínima ideia de como obtê-la. Não houve surpresa no anúncio de que havia verdadeira bem-aventurança, ou seja, suprema felicidade no Reino. O choque veio com o tipo de pessoas que estavam destinadas a obtêla. As bem-aventuranças falam exclusivamente de qualidades espirituais. As preocupações históricas do homem, riqueza material, condição social e sabedoria secular, não recebem atenção. Jesus está claramente esboçando um Reino que não é deste mundo (João 18:36), um Reino cujas fronteiras não passam através de terras e cidades, mas através dos corações humanos (Lucas 17:20-24). Este Reino totalmente improvável chegou, conforme anunciado, no primeiro século (Marcos 9:1; Colossenses 1:13; Apocalipse 1:9), porém muitos estavam despreparados para reconhecê-lo e aceitá-lo. Da mesma forma hoje, a sociedade do “one click” acham que, na era atômica e cosmonáutica onde o homem viaja

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de avião a jato, e não mais em canoa ou carro de boi, também o ingresso no Reino dos céus deva ser modernizado. As práticas obsoletas do primeiro século do Cristianismo, neste contexto, acham eles, perderam a sua razão de ser. Vamos, pois, ingerir comodamente alguns comprimidos de “magia mental”, “ritualismo esotérico” ou “sugar pelas nossas narinas a bíblia”, a fim de entrarmos suavemente na “viagem por osmose da palavra de Deus” e de contrabando nesse Reino da felicidade, e não mais pela “porta estreita e caminho apertado”, como Jesus ensinou. “Cegos guiando outros cegos...”

Os Cegos, denominam-se líderes de uma verdadeira legião de seguidores. Muitos desses seguidores são apenas virtuais, não são reais, tal como a experiência deles do novo nascimento. “ Afirmam que se Ele voltasse hoje, o Cristo não mais repetiria as fieis palavras do Sermão do Monte, mas se adaptaria ao estado da nossa civilização, ao nosso tempo, e mostraria aos homens o modo de viajar ao céu com vários títulos acadêmicos, casas e carros luxuosos, uma lucrativa conta bancária e em uma confortável cabine do jatinho particular. As bem-aventuranças não são o produto da hereditariedade ou do ambiente, mas da escolha do homem, através do que lhe foi concedido pelo próprio Deus, o livre16 Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos


arbítrio. Ninguém, jamais, "tropeça e cai" displicentemente em cada uma delas. Elas não acontecem no homem naturalmente, e são de fato distintamente contrárias ao "velho homem" que o orgulho e a ambição têm feito prevalecer nos corações de toda a humanidade. Talvez não haja verdade mais importante a ser reconhecida sobre as bemaventuranças do que o fato que elas não são provérbios independentes, que se aplicam a oito diferentes grupos de homens, mas são uma descrição composta de cada cidadão do Reino de Deus. Estas qualidades são tão entrelaçadas num tecido espiritual que são inseparáveis. Possuir uma é possuir todas e não ter uma é não ter nenhuma. E como todos os cristãos têm que possuir todas estas qualidades de vida no Reino, eles estão também destinados a receber todas as suas bênçãos; bênçãos que, como suas qualidades, são apenas componentes de um prêmio; um corpo chamado em uma só esperança (Efésios 4:4). Em suma, então, as bem-aventuranças não contêm uma promessa de bênção sobre os homens em seu estado natural (todos os homens choram, mas certamente nem todos serão consolados, 5:4) nem de fato oferecem esperança àqueles que parecem cair numa categoria ou noutra. Elas são um quadro composto do que cada cidadão do Reino, não somente uns poucos superdiscípulos, têm que ser. Elas marcam a diferença radical entre o Reino do céu e o mundo dos homens.

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O filho do Reino é diferente naquilo que ele admira e valoriza, diferente naquilo que ele pensa e sente, diferente naquilo que ele procura e realiza. “

Para uma sociedade governada por algumas concepções errôneas sérias do Reino de Deus, as bem-aventuranças fazem duas afirmações básicas. 1. O Reino não está aberto aos que se julgam virtuosos e aos presunçosos, mas ao pecador suplicante e vazio que chega procurando por ele. 2. O Reino não é para o "poderoso" que obtém o que deseja pela riqueza ou pela violência, mas para uma companhia de homens pacientes, que abrem mão, não somente de suas vontades, mas até dos seus "direitos", em prol das necessidades dos outros. A justiça do Reino não repousa num sistema de lei, mas sobre o sistema da Graça. Seus santos padrões são atingíveis pelos homens pecadores que pela graça mediante a fé, em Cristo, o único e suficiente salvador, são perdoados, justificados, regenerados e adotados como filhos, somente pelo “favor imerecido” através do amor de Deus (Mateus 5:48) (Efésios 1:7) (I Pedro. 1:18-19) (II Coríntios 5:21) (Tito 3:5) (I João 3:1). De outra maneira, o Sermão do Monte haveria de ser fonte de maior desespero do que a lei de Moisés (Romanos 7:25). Diz o texto evangélico, que Jesus proferiu esta mensagem, depois de ter passado a noite toda em oração com Deus. Durante essa noite de intimidade com o Pai dos 18 Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos


céus, Jesus encheu-se do Espirito Santo, para proferir cada uma das palavras do Sermão do Monte.

Se, algum dia, cada um de nós buscar uma intimidade com Deus, “adorando o Pai em espírito e em verdade”, o caráter do cidadão dos céus será nossa primeira pele e estará estampado em todas as nossas atitudes. Por outro lado, quanto mais cada indivíduo se identificar vivencialmente com o Espírito Santo, tanto mais apto se tornará ele para servir de precursor e arauto do Reino de Deus sobre a face da terra cumprindo o Ide da grande comissão (Mateus 28:19-20). O brado “venha a nós o teu Reino! ” só poderá ter resposta na atmosfera dessa mensagem de Cristo, porque o “Reino de Deus está dentro de nós”, e estas palavras são o mais veemente clamor para o despertar da sua longa dormência e proclamar a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. É de suma importância destacar que Jesus Cristo profere lições de conduta e moral, ditando os princípios que normatizam e orientam a verdadeira vida cristã, uma vida que conduz a humanidade: a) Ao Reino de Deus e; b) Que põe em prática a vontade de Deus; 19 Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos


c) Que leva à verdadeira libertação do homem. Ensinamentos do próprio Jesus a respeito do Reino de Deus, do acesso ao Reino e da transformação que esse Reino produz. John Stott, teólogo e escritor, diz que a essência do Sermão do Monte foi o apelo de Cristo aos seus seguidores para serem diferentes de todos os demais. "Não sejam iguais a eles", disse Jesus (Mt 6.8). O Reino que Cristo proclamou deve ser uma contracultura, exibindo todo um conjunto de valores e padrões distintos. Desse modo, ele fala de justiça, influência, misericórdia, confiança e ambição, e conclui com um desafio radical para que se escolha o caminho dele. Além de importantes princípios ético-morais, pode-se notar grandes revelações, pois aquilo que muitas vezes é tido por ruim, por desagradável, diante de Deus é o que realmente vai levar muitos à verdadeira felicidade. Esta passagem forma um paradoxo, contrariando a ideia de muitos e mais uma vez mostrando que...

"…'Deus não vê como o homem vê, o homem vê a aparência, mas Deus sonda o coração" (I Samuel 16.7). Enfim, na constituição dos céus, os cidadãos são livres e bem-aventurados, por que aceitam o convite de viverem um caráter inteiramente transformado, fruto apenas da experiência verdadeira de nascer do Espírito, através do amor e graça salvadora de Deus em suas vidas. 20 Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos


Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS A mensagem das bem-aventuranças é como se Cristo nos estivesse falando hoje. Agora mesmo. O ideal apresentado por Jesus nas bem-aventuranças fala de três aspectos importantes: a. Ele deseja que todos os cristãos sejam bem-aventurados; b. Que as qualidades geradoras da bem-aventurança sejam apresentadas por eles; c. E que saibam que não podem ser alcançadas a partir das tendências naturais do ser humano, mas sim pela graça de Deus. 3.1 Bem-aventurados os humildes de espírito Aqui está a chave para o entendimento das demais. Ninguém pode adentrar o Reino dos Céus se não for humilde de espírito, ou seja, aqui está a característica fundamental do Cristão. Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Um esvaziamento da confiança em si mesmo, a humildade de reconhecer que sem Deus é incapaz de caminhar um passo sequer. ” Logo, vemos que a condição atinge a ricos e a pobres. Um homem ou uma mulher pobre não está mais perto do Reino de Deus do que um homem ou uma mulher rica. O que está em foco é a atitude da pessoa para consigo mesma. Ser humilde de espírito não significa também ser tímido, fraco e acovardado. A qualidade que Jesus busca e que traz bem-aventurança fala da completa ausência de orgulho pessoal e do reconhecimento de que nada representamos na presença de Deus, ou seja, sentimo-nos nulos, quando O contemplamos. A palavra grega, aqui traduzida como "humilde", vem de uma raiz que significa abaixar-se ou encolher-se. Ela se refere não simplesmente àqueles para quem a vida é uma luta diária, mas aos homens que são constrangidos por participarem do ciclo vergonhoso de mendicância porque eles não têm absolutamente nada (Lucas 16:20-21). É como estar em um “buraco negro” de uma falência espiritual absoluta, na qual uma pessoa é compelida a implorar por aquilo que ela é impotente para obter (Jeremias 10:23) e ao que ela não tem nenhum direito (Lucas 15:18-19; 18:13) mas sem o que ela não pode viver. Mendigar é duro para os homens (Lucas 16:3). Especialmente os orgulhosos e confiantes em si mesmos, mas isto é onde nossos caminhos pecaminosos nos têm levado e não veremos o reino do céu até que encaremos esta realidade com humildade e simplicidade.

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Estes "humildes" são aqueles que, possuindo pouco ou muito, tem consciência de seu profundo vazio espiritual, que apenas Jesus pode preencher. ” Jesus proclama bem-aventurados, cidadãos do reino dos céus, agora e aqui mesmo, todos aqueles que são pobres, ou desapegados, dos bens terrenos, não pela força imposta das circunstâncias externas e inesperadas, mas sim pela livre e espontânea escolha espiritual; os que, podendo possuir bens materiais, resolveram livremente despossuir-se deles, por amor aos bens espirituais, fiéis ao espírito de Cristo: “Não acumuleis para vós tesouros nessa terra, mas acumulai tesouros nos céus”. (Mateus 6:19) Essa libertação da escravidão material só é possível através de uma grande experiência e intimidade com Deus. Ninguém abandona algo que considera valioso sem que encontre algo mais valioso. Quem não encontrou A “verdade que liberta” do reino dos céus não pode abandonar os pseudotesouros e as pérolas falsas dos bens deste mundo. É próprio do serhumano que cada um retenha e proteja aquilo que julga ser mais valioso.

O que nos faz bons ou maus não é aquilo que nos acontece, mas sim o que nós mesmos fazemos e somos. “

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS “O que de fora entra no homem não torna o homem impuro, mas o que de dentro sai do homem e nasce em seu coração, isto sim torna o homem impuro” (Marcos 7:14). Ou também, puro, conforme nosso novo caráter “regenerado”. Ser rico não é pecado, assim como ser pobre materialmente falando não é qualidade. A questão é saber ou não saber ser rico ou pobre. É onde está depositado o nosso coração. Possuir sem ser possuído. Aquele jovem rico do Evangelho (Mateus 19:16-22), ao que parece, era incapaz de possuir sem ser possuído; por isso, Jesus lhe recomendou que desse aos pobres tudo o que tinha a fim de que ele não ficasse preso as coisas deste mundo, mas ele falhou. E por isso se retirou, triste e pesaroso, “porque era possuidor de muitos bens”. Possuidor? Não. Era possuído de muitos bens. Entre possuidor e possuído há, verbalmente, apenas a diferença de uma letra, o “r” mas esse ”r” faz uma diferença enorme, porque é o “r” da redenção que nos leva a regeneração, novo nascimento. O novo nascimento só é possível quando sou redimido dessa escravidão. Quem faz dos bens materiais um fim, em vez de um meio, pratica idolatria, porque “ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6:24). Quando servimos a Deus “em espírito e verdade” podemos ser servidos pelo dinheiro e por outros bens materiais, pois a nossa nova natureza é esvaziada da confiança em si mesmo. Somos bem-aventurados pois através da humildade reconhecemos que sem Deus somos incapazes de caminhar um passo sequer, uma das marcas do caráter de Jesus em nossas vidas. Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS

3.2 Bem-aventurados os que choram Para Jesus, são felizes os que choram em espírito, porque compreendem que, ao contemplar as suas ações, sentem-se impotentes para corrigi-las: a. O que há em mim que me leva a agir dessa maneira? b. Por que me irrito com tanta facilidade? c. Por que não consigo controlar-me? d. Por que tenho este mal temperamento? O verdadeiro cidadão do reino descobre o conflito que existe dentro dele e chora. E chora, também, pelos pecados alheios, pela maldade do mundo. Para estes que choram, Jesus garante consolo: "Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos" (Salmo 119:67 e 71).

As lágrimas têm sempre nos ensinado mais do que os risos sobre as verdades da vida. Mas, existe algo mais sobre o choro. Isaías previu que o Ungido do Senhor viria para "curar os quebrantados de coração" e para "consolar todos os que choram" (61:1-2). Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS A visão de Ezequiel da ira de Deus por uma Jerusalém corrupta revelou que somente aqueles que "suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela" deverão ser poupados (9:4-6). O fato que precisamos entender é que este choro é um choro de aflição experimentado por aqueles que ao adorarem a Deus ficam horrorizados, por seus próprios pecados, os de seus irmãos, daqueles a quem o mundo tem tragado pela porta larga e são comovidos às lágrimas de amarga vergonha e aflição. Esta é a "tristeza segundo Deus", sobre a qual Paulo escreve, uma tristeza que "produz arrependimento para a salvação”: “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz a morte. Vejam o que esta tristeza segundo Deus produziu em vocês: que dedicação, que desculpas, que indignação, que temor, que saudade, que preocupação, que desejo de ver a justiça feita! Em tudo vocês se mostraram inocentes a esse respeito” (II Coríntios 7:9-10). Estas são as lágrimas que derramam aqueles que renunciam ao orgulho obstinado e por vontade própria, escolhem chegar diante do trono da graça do único Deus que perdoa a todos nós, e toma-nos em suas poderosas mãos, Ele finalmente enxugará todas as lágrimas. “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Apocalipse 21:4). Até mesmo a aflição que é inevitável aos homens, seja qual for sua condição, pode ter efeitos saudáveis sobre nossas vidas, se permitirmos que assim seja. Ela pode, como Salomão diz, lembrar-nos da tênue transitoriedade de nossas vidas. Nos fazem pensar seriamente sobre as coisas mais importantes (Eclesiastes 7:2-4). O Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS salmista, que nos deu tão rica meditação sobre a grandeza da lei de Deus, ligou a dor com o entendimento. "Antes de ser afligido" ele refletiu, "andava errado, mas agora guardo tua palavra." (Salmo 119:67) O choro do arrependimento é o único choro que traz alegria. Esse choro é o ventre onde é concebida a verdadeira felicidade. Nesse choro está o começo da vida, e vida em abundância. O choro do arrependimento é a felicidade que carrega em si a promessa da consolação. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

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3.3 Bem-aventurados os mansos Marca infalível do caráter de cidadão do reino é a mansidão. Num mundo que “jaz no maligno” (I João 5:19), a mansidão pareceria uma maneira rápida de cometer suicídio. Para o homem natural totalmente racional, a mansidão em um mundo cruel é uma completa insanidade. Os violentos e os teimosos prevalecem. Os mansos são sumariamente atropelados. A verdade é que, a curto prazo, isto poderá ser assim mesmo. Os cidadãos do reino de Deus têm que enfrentar isso. A gentileza de Jesus não o salvou da cruz. Mas, no final, Jesus nos ensina que é somente a mansidão que sobrevive.

O desafio para nós é entender o que é a verdadeira mansidão de que Jesus está falando. “

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS O que consiste a mansidão? Mansidão não é uma disposição natural. Não é um temperamento que simplesmente nascemos com ele. Não é o comportamento do escravo que exagera no desejo de agradar, pois seu estado de impotência força-o a adotar um modo servil, que ele despreza e que abandonaria na primeira oportunidade de fuga. O que consiste então a mansidão? Mansidão é a disposição mantida por uma decisão moral sólida e inflexivel, ao mesmo tempo em que se pode ter o poder e a inclinação para se comportar diferentemente. O homem manso é aquele que defende a verdade com tal empenho que se dispõe a morrer por ela. Mansidão é uma atitude para com Deus e os outros que é produto da escolha de servir e possuir o caráter do cidadão do Reino. Mansidão não é indiferença ao mal. Jesus suportou com muita paciência os ataques que lhe fizeram, mas foi forte para defender o nome e a vontade do seu Pai. Jesus odiava a iniquidade tanto quanto amava a justiça (Hebreus 1:9). Moisés era o mais manso dos homens quando se tratava de injúrias contra ele (Números 12:3), mas sua ira queimava como fogo contra a irreverência para com Deus (Êxodo 32:19). O homem manso pode suportar maus tratos pacientemente (ele não é interessado em autodefesa), mas não é suscetível de experimentar e pactuar ao mal. “O amor deve ser sincero. Odeiem o que é mau; apeguem-se ao que é bom” (Romanos 12:9). “Há nele um compromisso ardente contra todos os caminhos da falsidade” (Gálatas 1:8-9; Salmo 119:104). Mansidão não é fraqueza nem frouxidão. Jesus não era manso porque ele fosse impotente. Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Ele era manso porque tinha seu imenso poder sob controle de grandes princípios. Atingimos assim a base para mansidão: a. Seu amor por seu Pai (João 14:31) e; b. Seu amor pelos homens perdidos (Efésios 5:2). Teria sido muito mais fácil ter simplesmente aniquilado todos que se opunham a Ele e seus ensinamentos do que suportar pacientemente suas ofensas. Ele seguiu a estrada difícil. A mansidão do Filho de Deus é poderosamente demonstrada pela sua atitude quanto aos privilégios de seu estado ("pois ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou," Filipenses 2:6-7), e em sua submissão a seu Pai ("embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu," Hebreus 5:8). Ele veio ao mundo como um servo. Ele esvaziou-se pelo benefício dos outros. O homem manso é o que foi amansado para o jugo de Cristo (Mateus 11:29), e, consequentemente, toma sobre si os fardos uns dos outros (Gálatas 6:2). Ele está preocupado em ser uma bênção, não só para seus irmãos (Romanos 15:3), mas até mesmo para seus inimigos (Lucas 6:27-28). Ele esvazia seu coração de si mesmo e o preenche com Deus. Como seu Mestre, ele se torna o servo dos servos. E por esta própria razão o futuro que está reservado aos cidadãos do Reino lhe pertence. Os mansos herdarão a terra. E que terra é esta? Jesus nunca pregou o mundo terreno e carnal. A terra prometida no Antigo Testamento estava associada à ideia de descanso, e no Novo Testamento a referência a terra diz de coisas melhores: do descanso de Deus e a Nova Jerusalém. Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça" (II Pedro 3:13 ). “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e coherdeiros de Cristo” (Romanos 8:17). O manso não receberá como herança um hectare de terra, antes será herdeiro de novos céus e nova terra. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.

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Capítulo 3

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3.4 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça Aqueles que se sentem infelizes com relação a si mesmos, no tocante ao seu estado espiritual, aqui está o Evangelho: não nos compete ter fome e sede de experiências e de bênçãos, pelo contrário, precisamos ter fome e sede de justiça. E o que significa então ter fome e sede de justiça? Ter fome e sede de justiça significa anelar por ser “livre do pecado”, porque o pecado nos separa de Deus. Significa mais, querer ser livre do próprio desejo de pecar, ou seja, do próprio "eu".

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Ter fome e sede de justiça é o desejo do homem de ser santo. Na parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32) quando ele teve fome, queria alimentar-se com as bolotas jogadas aos porcos. Mas quando estava morrendo de inanição, voltou para o pai.

Aquele que chega a compreender o quanto precisa de Deus, será farto.”

A bem-aventurança fala do profundo vazio espiritual que está levando à morte. Há uma diferença fundamental entre estar de estômago faminto e de coração faminto. A questão é: reconhecer um estômago que geme de fome é comum até mesmo para as pessoas mais duras e insensíveis . Elas são movidas pela fome do corpo, entretanto, existem poucos que reconhecem a fome do espírito e o vazio que o pecado produz. Espiritualmente falando, os homens se parecem com corpos sem vida, “Walking Dead”, mortos que caminham, mas eles teimosamente se recusam a reconhecer a falta de significado da vida sem Deus. Eles não estão no “Caminho”, eles simplesmente vagam com um fim certo, a morte eterna. Estão vagando em uma terra distante. Nem todos os que estão numa "terra distante" conseguem confessar, como o filho pródigo, que "morro de fome" (Lucas 15:17). A "justiça" que estas almas oprimidas pelo pecado procuram é: a. Primeiro de tudo, a justiça de um direto relacionamento com Deus, através do perdão e da justificação (Romanos 5:1-2) (II Coríntios 5:20-21) e; Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS b. Segundo, a justiça concreta de uma vida transformada (Romanos 6:8; 8:29). Elas não só desejam sentir-se justas, mas fazer justiça. Elas desejam encontrar o Caminho, a Verdade e a Vida. (João 14:6) Há, embutido em cada ser humano, uma inevitável necessidade de Deus. Esta fome de Deus é comoventemente expressada por Davi, quando fugia de Saul: "Minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, numa terra árida, exausta, sem água" (Salmo 63:1). O pecado colocou, em cada homem, um vazio que o dinheiro, o prazer e até mesmo a sabedoria deste mundo tornam-se a base de um apetite insaciável, que nos deixa vazios, irrealizados, resultado, vidas destruidas (Eclesiastes 5:10-11). Há, nesta bem-aventurança, um chamado para mudança de prioridades. Para muitos de nós, um justo relacionamento com Deus é visto como uma parte importante da "boa vida" que todos nós deveriamos ter, mas isso não é tudo, certamente. Jesus diz que esse relacionamento com Deus tem que ser mais do que um interesse vital, ele tem que se tornar a paixão dominante de nossa existência. Tudo em que pessoas verdadeiramente famintas podem pensar, é em alimento, o “Pão Vivo”. Preste atenção, uma questão chave está na história do filho pródigo, o pai estava onde sempre esteve, a esperar que nós reconheçamos o nosso estado de mortos espirituais. Ele está a observar o caminho, e quando aparecemos mesmo que longe dos olhos, Ele corre para nos abraçar, nos cobrir com vestes de alegria ao invés de cinzas e nos fartar com o mais belo banquete. Jesus está a porta, ele bate insistentemente. Ele nunca entrará para fazer morada e nos fartar com a mais maravilhosa ceia, a ceia da vida eterna, se nós detentores da chave não lhe abrirmos a porta do nosso coração (Apocalipse 3:20). Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Faça essa oração agora. “Jesus Cristo, o meu coração é o Teu lugar, faça morada em mim, o vazio do meu coração é do tamanho da tua presença e a tua misericórdia Deus é que eu preciso. Enche a minha vida com a tua glória. Eu te amo meu Senhor e Salvador, faça morada em mim, eu te servirei para todo sempre. Amém. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.

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3.5 Bem-aventurados os misericordiosos Que desejou nosso Salvador dizer com isso? Esse termo é aplicado a Deus: Deus é misericordioso, é também reto, santo, justo. O que é misericórdia? a. Sentimento de dor e solidariedade com relação a alguém que sofre uma tragédia pessoal ou que caiu em desgraça; dó, compaixão, piedade; b. Ato concreto de manifestação desse sentimento, como o perdão; indulgência, graça, clemência. A misericórdia aponta para o senso de compaixão, de parceria com o desejo de aliviar os sofrimentos. Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Os cidadãos do Reino de Jesus são preocupados com a miséria que homens e mulheres sofrem e deseja aliviá-los. Esta é uma bem-aventurança que tem sido muito mal interpretada, quando pessoas afirmam que, se fizerem algo pelos outros, também receberão de outros misericórdia. Sou humilde de espírito, choro diante dos meus pecados e os da humanidade, sou manso, porque recebi uma visão autêntica de mim mesmo, compreendi que não posso criar a justiça a partir de mim mesmo e agora compreendo que preciso ser uma pessoa diferente para os meus semelhantes. Você já demonstrou compaixão pelas pessoas que exibem amargura e ira? Ser misericordioso é compreender que elas são também pecadoras, e aceitá-las. Os cidadãos do reino não monopolizam a “vontade de Deus”, como os fariseus, uma organização sociopolítica baseada em privilégios de uma classe social formada por nobres religiosos, mas como homens perdoados e que perdoam. Misericórdia é um atributo próprio de Deus. Ser misericordioso como Deus é como se acolhêssemos um tesouro que Ele mesmo quer partilhar conosco. Só que este tesouro não deve ser retido para nós mesmos e sim partilhado com os mais necessitados. E por falar em necessitados, muitas vezes, pensamos naqueles que sofrem, que passam fome, que vivem em guerras, que vivem na miséria… E corremos o risco de pensar que estas realidades estão muito longe de nós, e que portanto, não podemos fazer nada. Então, perdemos de vista o que realmente precisamos viver neste tempo tão especial e profundo para nós. Muitos de nós passamos o dia e não percebemos como estão as pessoas com quem nos Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS encontramos, as quais estão a nossa volta, e que o próprio Deus coloca ao nosso lado: no trabalho, na escola, na família, na igreja e tantas outras pessoas com quem convivemos. Não são só as pessoas que têm poucos recursos que são necessitadas. Existem necessidades no espírito, na alma, no corpo. Todos aqueles que já receberam o amor e perdão de Deus são chamados para ser bênção para todos aqueles que estão à sua volta. Tiago aborda muito claramente isso quando nos escreve: De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Tiago 2:14-17 Quanto mais buscamos intimidade com Deus, mais exercemos a verdadeira misericórdia. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

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3.6 Bem-aventurados os limpos de coração O coração é o centro da personalidade: inclui a mente, a vontade, as emoções. Os que são bem-aventurados são aqueles que no seu interior há pureza. Essa pureza tem correspondência com a singeleza de coração, ou seja, todas as coisas estão visíveis, nada está escondido.

Ter o coração limpo, significa viver para a glória de Deus em todos os aspectos da vida, isso devemos almejar acima de tudo. “ Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Significa que desejamos Deus, queremos conhecê-lo, amá-lo e servi-lo. Os que possuem esta característica, diz Jesus, verão a Deus. Tiago faz este uso da limpeza quando ele escreve: "Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração" (Tiago 4:8). A verdadeira visão de Deus não será concedida aos que sabem agir de maneira a angariar para si vantagens e não se deixam enganar. Os calculistas de plantão, que se dão a jogos desonestos; ou aos de mente dupla, que nunca podem completamente firmar ambos os pés no reino, estão sempre procurando um “jeitinho” de se dar bem (Tiago 1:7-8), mas àqueles que são absolutamente honestos e sinceros de coração para com Deus, eles verão a Deus (Mateus 5:8). É uma velha questão, com uma velha resposta. "Quem", pergunta Davi, "subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração" (Salmo 24:3-4). As suas afeições, desejos e motivações são puras. Motivados por amor e gratidão, eles amam a Deus de todo coração, com sinceridade e sem hipocrisia. (Luc. 10:27) No Reino não há lugar para hipocrisia, pessoas assim não permanecerão na presença de Deus. Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mateus 7:23) Como manter um coração puro e limpo em nossos dias? Na época de Jesus os Fariseus estavam preocupados em manter rituais religiosos de purificação externa do corpo. A aparência de um exterior visível aos olhos da

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AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS multidão era o mais importante. Em total contraponto a este pensamento, Jesus estava falando de uma pureza e limpeza interna. De dentro para fora. Devemos viver na real presença de Deus nas nossas vidas.

Só existem um mapa do tesouro para pureza de coração, seguir as pegadas de Jesus, o Verbo vivo que desceu dos céus.” Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo de acordo com a tua palavra. (Salmo 119:9) Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS 3.7 Bem-aventurados os pacificadores A palavra latina pacificare, da qual é derivada pacificus, é composta de dois radicais (e o mesmo acontece em grego): pax e facere, isto é, “paz” e “fazer”. Pacificador (em latim: pacificus) é, pois, aquele que faz a paz, é um “fazedor de paz”, um homem que possui em si a força

capaz

de

estabelecer

ou

restabelecer um estado ou uma atitude permanente de paz no meio de qualquer campo de batalha. Não se trata dos pacificadores, no sentido comum, o da mediação de disputas humanas, mas no mais alto sentido de trazer os homens à paz com Cristo (João 14:27). Quem é, pois, verdadeiro pacificador? Não é, em primeiro lugar, aquele que restabelece a paz entre pessoas ou grupos litigantes, mas sim aquele que estabelece e estabiliza a paz dentro de si mesmo. Aliás, ninguém pode ser verdadeiro pacificador de outros se não for pacificador de si mesmo. A pior das discórdias, a mais trágica das guerras é o conflito que o homem traz dentro de si mesmo o conflito entre o ego físico-mental da sua humana personalidade e o Eu espiritual da sua divina individualidade. Se não houvesse conflito interior, não haveria conflitos exteriores na família, na sociedade, nas nações, entre povos. Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Todos os conflitos externos são filhos de algum conflito interno não devidamente pacificado. Por isso, é absurdo querer abolir as guerras ou revoluções de fora as discórdias domésticas no lar ou no campo de batalha, enquanto o homem não abolir primeiro o conflito dentro da sua própria pessoa. “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”, disse Jesus, em vésperas da sua morte, não a dou assim como o mundo a dá; dou-vos a minha paz para que a minha alegria esteja em vós, e seja perfeita a vossa alegria, e ninguém mais vos tire a vossa alegria. Os verdadeiros pacificadores são aqueles que, eles mesmos; a. Estão em paz com Deus (Romanos 5:1); b. E com os homens (Romanos 12:18); c. E que pregam no mundo um evangelho de paz e reconciliação (Efésios 2:1317). Não há outras pessoas que possam ser chamadas de "filhos do Deus da paz" (Romanos 15:33). Quando os homens estão reconciliados com Deus e a paz de Cristo impera em seus corações, o espírito de compaixão, mansidão e perdão, produzido neles, ministra a reconciliação com todos os homens (Colossenses 3:12-15). Estes são os verdadeiros servos da Paz no mundo. Devemos reavaliar aquilo que nós temos ministrado para os outros. Os verdadeiros pacificadores possuem a bandeira da Paz de Cristo, através da Paz que habita neles, eles levam esta Paz a onde quer que andarem. Esta Paz deve ser promovida por nós. Não existe Cidadão do Reino que não a promova, por que isso é levar Jesus Cristo a vida das pessoas.

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Se onde estamos só há contendas, incertezas e muita confusão e ainda promovemos isso, saiba que tais coisas são incompatíveis com os chamados filhos de Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. (Filipenses 4:7) Você já parou pra pensar se você tem sido um verdadeiro servo da Paz no mundo? Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

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3.8 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.” (Mateus 5:10 e 12) “Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês". (Mateus 5:12) Aqui há uma conclusão inesperada. Os pacificadores tornam-se os perseguidos! Evidente que o mundo reagiria a ministração da Paz, pois o mundo “Jaz no maligno”. Seria óbvio pensarmos que o povo como o que Jesus descreveu seria recebido com grande alegria no mundo: a. Um povo humilde; b. Descuidado de si mesmo; Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS c. Dedicado às necessidades dos outros. Ao contrário, o Senhor agora revela que eles provocarão no mundo uma animosidade amarga e ódio. A conclusão que chegamos é que estamos neste mundo, mas não pertencemos a ele.

O mundo nos odeia mais Deus nos ama. ” O Filho de Deus nunca procurou esconder de seus seguidores as realidades do sofrimento. Ele falou francamente, de modo que, quando seus discípulos, nós sofrêssemos, nós podemos saber que isso é justamente como Ele disse que haveria de ser e se encorajem com a certeza de que as promessas de glória do nosso Mestre são igualmente seguras "pois quem fez a promessa é fiel" (Hebreus 10:23). Mas qual é a causa desta perseguição? Será que devemos ficar tristes e abatidos pela perseguição? a. Nós escolhemos a justiça e sermos justos em um mundo injusto; b. Nós escolhemos sermos semelhantes ao nosso Mestre (João15:18-20). Deixamos de sermos criaturas e passamos a Filhos de Deus. Os seguidores de Jesus Cristo foram chamados “Cristãos” pela primeira vez em Antioquia (Atos 11:26) porque seu comportamento, atividade e fala eram como Cristo. A expressão foi inicialmente usada pelas pessoas não salvas de Antioquia como um apelido desrespeitoso para debochar dos Cristãos. Significa literalmente: “pertencente ao partido de Cristo” ou um “aderente ou seguidor de Cristo” Sou Bem-Aventurado Joás A. Santos

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Capítulo 3

AS BEM-AVENTURANÇAS: AS MARCAS DO CARÁTER DE CRISTO EM NÓS Nosso amor e simplicidade servem só para ressaltar em feio contraste o tenebroso egoísmo de uma geração incrédula e perversa, que odeia a luz que irradia dos verdadeiros cidadãos do Reino. (João 3:19-20). E por que se alegrar? Os discípulos do Senhor devem regozijar-se diante de uma oposição que revela que o espírito e o caráter de seu Salvador foram vistos neles. Nós devemos nos alegrar porque nos foi concedido o privilégio de sofrer por aquele que sofreu tanto abuso por que nos amou primeiro (Filipenses 1:28-29; Atos 5:41).

Mas, acima de tudo, nós devemos nos alegrar porque seu sofrimento não foi em vão. “ "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor." (1 Coríntios 15:58) Jesus Cristo transforma o nosso caráter para sermos verdadeiros cidadãos do reino (Tiago 1:2-4). Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.

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Ebook sou bem-aventurado  

Um Panorama Prático do Capítulo 5 de Mateus

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