Page 1


Apresentação

Este estudo visa uma análise urbanística do bairro da Iputinga, sob a luz das diretrizes do Urbanismo sustentável, com destaque às áreas das comunidades de Santa Marta, Ayrton Senna, Barbalho, Vila União e seus respectivos arredores. A partir desta análise, realizou-se a interpretação das diretrizes do Urbanismo sustentável na área de estudo. O resultado encontrado, através das análises, dispõe-se em textos e gráficos, de cada subtópico, visando um maior entendimento do local e de suas especificidades, em busca de uma possível mudança na conjuntura encontrada. A elaboração desde estudo foi realizada pelos alunos: Beatriz Maranhão, Germana Tinoco, João Vitor Macêdo e Julia Santana, estudantes da disciplina de Urbanismo II, da Universidade Católica de Pernambuco, no primeiro semestre de 2019, orientados por Clarissa Duarte e Maria de Lourdes Nóbrega.


00 INTRODUÇÃO A revolução industrial foi responsável por várias mudanças significativas, tanto em relação a produção quanto na forma de morar. Antes dessa revolução, se tinha uma clara divisão entre cidade e campo, e a maior parcela da população habitava na zona rural, as cidades eram apenas locais de realização de trocas de mercadorias. Após a revolução, houve uma explosão populacional nas cidades, gerando ambientes tenebrosos e insalubres, isso resultou em construção de grandes conceitos de remodelação urbana, afim de adequar melhor essas cidades. Entretanto, graves problemas de desigualdade social começam a explodir, onde os mais pobres são empurrados para as áreas periféricas, para viverem em condições muito precárias, sem serviços básicos, como saneamento e água potável. Essa ocupação em áreas periféricas, passaram a ser um novo problema, pois, para a realização de construções em locais dessa natureza, há uma destruição das reservas de mata e degradação das reservas fluviais. Essa situação se faz presente na maior parcela das cidades contemporâneas, o que só contribui com o avanço da degradação das reservas naturais. O desenvolvimento sustentável através do urbanismo, visa a reestruturação de espaços visando impedir os avanços de degradação ambiental e garantindo recursos para as gerações futuras. Essa ação tem como base os conceitos de compacidade, completude, conectividade e biofilia, conceitos chave um planejamento urbano que alcance o desenvolvimento sustentável. O objetivo desse trabalho é de elaborar diretrizes de planejamento urbano para a área de estudo (trecho do bairro da Iputinga), a partir da leitura urbana realizada nas disciplinas de PU1 E PU2, à luz dos conceitos e recomendações do urbanismo sustentável. Dessa forma, a partir dos embasamentos bibliográficos, acerca do desenvolvimento sustentável apresentados por Douglas Farr

(2013), Richard Rogers (2015) e Jan Ghel (2010), foi realizada uma análise em um trecho do bairro da Iputinga, zona oeste do Recife, a qual abordou os diversos aspectos presentes na localidade, tais como, morfológicos, ambientais, históricos e legislativos. O primeiro capitulo desse livro, aborda os aspectos históricos e culturais que resultaram e resultam nos problemas globais e locais e de inviabilização do desenvolvimento sustentável em boa parcela das cidades contemporâneas. Dessa forma, as definições dos conceitos chave do urbanismo sustentável, compacidade, completude, conectividade e biofilia são apresentados, revelando a forma de como se alcançar os 10 princípios do desenvolvimento sustentável, apresentados por Douglas Farr, no planejamento urbano. O segundo capitulo, apresenta as definições desses 10 princípios, em 8 tópicos, relacionando-os com a área de análise, recorte do bairro da Iputinga, e ao mesmo passo, elaborando diretrizes para um planejamento urbano de alcance sustentável para a localidade. O bairro da Iputinga está localizado às margens do rio Capibaribe e pertence a RPA 4, contando com uma população que confere 3% do total do município. O território do bairro é uma antiga porção de um dos engenhos que compreendiam a várzea do Capibaribe, que em 1936 houve o parcelamento desse solo rural em urbano, resultando em áreas loteadas e outras espontâneas, como é o caso da maior parcela da região analisada. É valido ressaltar, que a área, mesmo sendo resultado de um espraiamento, apresenta vários pontos de interesse urbano-sustentável, o que aparece como uma potencialidade de áreas espontâneas, entretanto, mesmo com essa potencialidade, devido a falta de ordenamento e de legislação adequada, a área é uma grande contribuinte para a degradação das reservas naturais ali presentes.


Figura 1: Mapa do Recife Fonte: Os autores, 2019.

3

5

4

1 2

1- Creche Municipal Casinha Azul 2- Escola Municipal Dina de Oliveira 3- Escola Municipal Casarão do Barbalho 4- Praça Arari Ferreira Fonseca 5- Largo da Rua Sucupira

Figura 2:Área geral de análise Fonte: Os autores, 2019.


mapa de elementos de paisagens

1. Educação

4. Edifícios Religiosos

1.1

Creche Municipal Casinha Azul

4.1 Assembleia de Deus Vila do Barbalho

1.2

Escola Municipal Diná de Oliveira

4.2 Igreja Pentecostal

1.3

Escola Municipal Casarão do Barbalho

4.3 Assembleia de Deus Ministério Tambiá

2. Praças 2.1

Praça Arari Ferreira Fonseca

2.2

Largo da Rua Sucupira

3. Avenida/ Rua notável 3.1

Estrada do Barbalho

3.2

Rua São Mateus

3.3

Rua Monsenhor Ferreira Lima

3.4

Rua Sucupira

Figura 3:Mapa de Elementos de Paisadgem Fonte: Os autores, 2019.

4.4

Igreja Evangélica da Família

4.5 Assembleia de Deus Ministério Palas 5. Edifícios Residenciais 5.1 Conjunto Habitacional Casarão do Barbalho


ELEMENTOS DE PAISAGENS

1.1

1.2

1.3

2.1

2.2

3.1

3.2

3.3

3.4

4.1

4.4

4.2

4.5

4.3

5.1

Figura 4: Fotos dos elementos de paisagem Fonte: Fotos retiradas do google street view.


01 POR UM URBANISMO SUSTENTÁVEL conceitos E perspectivAs 1.1 DO GLOBAL AO LOCAL. A cultura das cidades A vida humana sempre esteve em constante ligação com os recursos produzidos pela natureza, entretanto devido a falta de manutenção desses recursos, a sobrevivência do homem está dependente diretamente ligada ao sistema de apoio à vida do planeta. Essa extravagancia no uso dos recursos naturais está totalmente ligada a vida nas cidades, onde segundo Richard Rogers (2015), o habitat da humanidade, caracteriza-se como o maior agente destruidor do ecossistema e a maior ameaça a sobrevivência da humanidade no planeta. Nesse aspecto a Organização das Nações Unidas, propõe um signi cado ao termo Sustentabilidade, de modo a garantir e gerar uma política global levando em consideração o signi cado do termo, sendo seu signi cado, o de preservação dos recursos naturais para garanti-los as gerações futuras. A falta de planejamento urbano e segregação social, é muito aparente a partir da revolução industrial, onde há uma explosão populacional gerando uma tenebrosidade nas cidades, pois essas eram insalubres. Nesse impasse, cidades como Paris, Londres e Nova York desenvolveram projetos para se construir na área periférica. Nessa lógica, surgiram conceitos como o da cidade-jardim de Howard, que previa um núcleo central contornado por outros núcleos. A medida que a população ia crescendo, em muitas cidades o fenômeno do espraiamento ia se tornando algo muito frequente, e com isso apareceram problemas ocasionados por esse crescimento acelerado, como a falta dos direitos humanos básicos, problemas de mobilidade e ambientais, além da segregação de pessoas e pessoas e espaços, e esses espaços acabam por perder suas multifuncionalidades e passarem a agregar uma única função, situações em nada contribuem para um urbanismo sustentável (ROGERS, 2015).

Em síntese, para que se tenha uma cidade sustentável é necessário se valer do respeito a cultura local, da garantia dos direitos humanos básicos, resultando em um compromisso social e cultural de todas as comunidades alinhadas ao desenvolvimento em todos os aspectos. Essa falta de planejamento urbano e a segregação social, muito apontado por Richard Rogers, é vista com muita clareza na área de análise, um problema que vai além do apenas social, pois a medida que a população passa a ocupar espaços sem planejamento urbano, serviços de direto humano básicos como o do saneamento passa a ser um problema regional, já que, a maioria da população mais pobre tanto do Recife quanto da área especi ca vive em locais de beira de rio, há uma contaminação dessas águas uviais pelo lixo e pelos dejetos sanitários. Logo, se rea rma que não há condições de se ter um desenvolvimento sustentável enquanto houver segregação social acoplada a falta da garantia dos diretos humanos essenciais.

(Figura 5)Fonte: Estuda.com.

(Figura 6)Fonte: Mundo Educação.


1.2 Urbanismo Sustentável: o ambiente construído e aonde precisamos ir Ter um planejamento urbano é essencial para que as inter-relações ocorram, sejam elas relacionadas com a natureza ou com sua forma de deslocar ou onde morar. Quando o homem habita uma região que apresenta os princípios do urbanismo sustentável, ele está se proporcionando qualidade de vida, ao mesmo tempo que respeita a integridade da natureza e cria vínculos comunitários que permitem a perpetuação da sua e de outras espécies. Na área de análise, se vê que em alguns aspectos a área tem bastante potencial para seguir evoluindo no sentido do urbanismo sustentável, um dos principais está no fato da cultura do caminhar e no mix de usos, entretanto, esses aspectos positivos podem ser fragilizados com a falta da promoção dos diretos humanos básicos, levando à aquela população a uma segregação e a perda de valores culturais. Ter um planejamento urbano, em áreas como essa, é essencial para que as inter-relações ocorram, e se propague ainda mais aspectos positivos, como já identi cados na localidade, além de que esses relações estejam conectadas com a natureza e sua manutenção, além de se relacionar com a forma de deslocamento ou de morar. Áreas que apresentam o urbanismo sustentável, promovem qualidade de vida a seus habitantes e ao mesmo tempo que respeita a integridade da natureza, além de criar vínculos comunitários. Em áreas como a do trecho do bairro da Iputinga, tal forma de urbanismo, só somaria aos aspectos comunitários e sociais ali presentes. Para que uma cidade venha a ser sustentável é preciso que apresente, segundo Douglas Farr, os seguintes aspectos:

COMPACIDADE: Está totalmente co-

nectada a densidade da área, sendo ela populacional, construtiva, habitacional ou ocupacional. Esse aspecto diz respeito ao desenvolvimento compacto, planejado para cada área, e é essencial para a aplicação do urbanismo sustentável. Relacionando esse conceito com a área de análise se observa que a localidade diverge

totalmente desse conceito, pois apresenta ocupações irregulares e aglomerações, não possibilitando assim espaços planejados que possibilitem aplicar os benefícios sustentáveis para a comunidade e regiões.

(Figura 7)Fonte: adaptado ROGERS 2001

COMPLETUDE: Aspecto que se refere aos

serviços e comodidades que um bairro oferece a seus habitantes, ou seja, variações de uso de solo, tipos de edi cação e tipos de moradia, de modo que favoreça e estimule o caminhar e a troca de gerações, conferindo um ciclo social sustentável no local. Nesse aspecto, a área analisada, apresenta uma forte tendência no mix de usos, principalmente os de viés comercial e nos seus eixos viários principais, além de predominância de edi cações de apenas um pavimento e uma cultura do caminhar que é muito forte.

(Figura 8)Fonte: ArchDaily

CONECTIVIDADE: Se refere a promoção

do deslocamento facilitado nos diversos modais, principalmente ao caminhar, o andar de bicicleta e os serviços de transporte público para os bairros adjacentes e destinos regionais. Ao longo do eixo viário principal se veri cou uma variação enorme de modais, cinco ao todo, promovendo diversidade de modais, sendo o mais frequente o caminhar e a utilização de bicicletas. Entretanto, não há uma acomodação adequada para todos, as calçadas por exemplo, não apresentam boas condições em sua maioria, além da faixa de rolamento que não há uma separação


para o uso da bicicleta e do transporte público, interferindo diretamente no deslocamento facilitado da população.

(Figura 9)Fonte: Viva Decora

BIOFILIA: Diz respeito a relação do ho-

mem com a natureza, mais precisamente a inter-relação da natureza no habitat do homem, a cidade, e a do homem com a natureza, como consequência da busca de espaço e planejamento na extração e manutenção dos recursos naturais. Na localidade, existem pontos que ao longo da beira do rio apresenta uma grande massa vegetativa, entretanto essa mesma não se repete ao logo do recorte territorial, principalmente em espaços públicos, como as praças, e as poucos massas vegetativas presentes, estão dentro do lote privado. Além disso, por ser uma localidade com grande número de aglomerações e por não ser um espaço planejado, há uma grande carência no saneamento básico, logo por ser uma área próxima ao rio, os dejetos humanos são direcionados para o rio, ocasionando poluição nas águas uviais. Tal situação diverge totalmente do que seria esse conceito, o qual se relaciona com o planejamento e a manutenção dos recursos naturais

OS 10 PRINCÍPIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Ter um planejamento urbano é essencial para que as inter-relações ocorram, sejam elas relacionadas com a natureza ou com sua forma de deslocar ou onde e como morar. Quando o homem habita uma região que apresenta os princípios do desenvolvimento sustentável, ele está se proporcionando qualidade de vida, ao mesmo tempo que respeita a integridade da natureza e cria vínculos comunitários que permitem a perpetuação da sua e de outras espécies. Os princípios em destaque abaixo estão relacionados com o crescimento urbano sustentável, e serão de nidos ao longo do segundo capitulo.

1-Crie uma gama de oportunidades e escolhas de habitação.

2-Crie bairros nos quais se possa caminhar. 3-Estimule a colaboração da comunidade e dos envolvidos.

4-Promova lugares diferentes e interessantes com um forte senso de lugar.

5-Faça decisões de urbanização previsíveis, justas e econômicas.

6-Misture os usos do solo. 7-Preserve espaços abertos, áreas rurais e ambientes em situação crítica.

8-Proporcione uma variedade de escolhas de transporte.

9-Reforce e direcione a urbanização para comunidades existentes.

10-Tire proveito do projeto de construções compactas.

(Figura 10)Fonte: ArchDaily


02 Princípios do URBANISMO SUSTENTÁVEL e relações com a área de estudo 2.1 crie bairros no qual se possa caminhar O ato de caminhar é um movimento que leva o caminhante de um local ao outro, devendo ser de uma forma agradável e confortável. O termo acessibilidade está ligado a ideia de livre acesso, possibilidade de aproximação e que é de fácil aquisição. Já a ideia de mobilidade se associa a algo que se possa mover, do que consegue se movimentar e o que há possibilidade de movimento. E esses dois termos são essenciais para que se tenha uma rua convidativa ao caminhar. A ocorrência de cidades e países com grande número de obesos está ligado ao ambiente construído e criado pelo homem, bem como a falta de trajetos e espaços interessantes nas ruas, somando a esse fator os avanços da tecnologia que facilitam o deslocamento e colocam em segundo plano elementos de deslocamento, como a escada, que auxiliariam a diminuir esse número de obesos (FARR, 2013). Outro fator mecânico da sociedade moderna que interfere nas condições de saúde do homem, está na criação da ventilação mecânica, que enclausura o homem, além de privar as vistas de janelas que antes eram abertas para a rua, passam a ser fechadas, levando a ruas sem a presença de “olhos”, e por consequência a privação e o receio das pessoas de passarem por aquele local. Não é apenas os “olhos para a rua” que contribuem para que uma localidade seja convidativa ao caminhar, a qualidade da pavimentação também é essencial para que os deslocamentos sejam realizados de forma mais agradável possível, associado a pavimentação se deve ter espaços climaticamente confortáveis, com mobiliários e vegetação adequados para garantir uma mobilidade e ciente.

Criar bairros onde se possa caminhar, é essencial para a manutenção de ruas vivas e ativas, além de ser um potencial no auxílio da saúde do homem. Na área analisada a cultura do caminhar é um fator de muito destaque, a maior parcela da população usa do meio para se deslocar praticamente por todo o entorno, além disso nos eixos principais o mix de usos das edi cações contribui para a vida ativa daquela região. Em contraste a isso, a péssima qualidade de calçadas e divisão da calha para os variados usos da localidade prejudicam em grande escala a manutenção da Caminhabilidade naquele local; além da permeabilidade visual não ser um fator efetivo em todas as áreas analisadas, não possuindo monumentos ou edifícios arquitetônicos que promovam uma caminhada agradável e não só mais um percurso rotineiro. (FIGURA 11) EXEMPLO DE UMA CIDADE BOA PARA SE CAMINHAR, ONDE O PEDESTRE SE TORNOU UMA PRIORIDADE, E TODOS OS OUTROS MEIOS SE ADAPTARAM A ELE: CALÇADAS LARGAS, BEM CUIDADAS, ILUMINAÇÃO PÚBLICA, ENTRE OUTROS.

(Figura 11)Paris, França. Fonte: Viagem e Turismo


Outro fator extremamente importante quando falamos do ato de caminhar, é a sensação que o pedestre tem nesse momento. Quanto mais arborizado o local, mais agradável será seu percurso. Isso está diretamente ligado ao conceito de Farr, quando se tem espaços públicos arborizados e a conexão entre sistemas, levando em consideração de que quando se tem uma alta compacidade e uma alta completude, as pessoas fazem mais percursos a pé, aproveitando os espaços livres e tendo um maior contato com a natureza. Na Iputinga, foi notório o desconforto causado pela falta de vegetalização no ambiente público. Alguns lotes contam com a presença de árvores de médio e pequeno porte, mas só elas não são su cientes para suprir tamanha incidência solar no local. As praças, que deveriam ser os locais mais arborizados, não tem árvores (devido a uma reforma que está sendo realizada). Nas calçadas, quase não se encontra, tornando a caminhada cansativa por conta do alto grau térmico e desconfortável. Cerca de 83% das calçadas não são sombreadas, número relativamente alto para a área de estudo.

(Figura 12)Foto: Autores 2018

(Figura 13)Foto: Autores 2018


Figura 15: Mapa de Iluminação Fonte: Autores, 2019


Figura 16: Mapa de Vegetalização Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios: 2.1 Falta de calçamento e espaço adequados nas calçadas para o acolhimento e boa caminhada do pedestre.

Potencialidades: 2.1 Cultura do caminhar, mesmo com tantos defeitos no bairro, inserção de vários tipos diferentes de serviços no mesmo local, fazendo com que o andar a pé seja suficiente para resolver situações


2.2 Proporcione uma variedade de escolhas de transporte A mobilidade é o poder do deslocamento para desempenhar qualquer função primária da cidade de forma segura, saudável e sustentável. Farr (2013), aponta que um dos princípios para a sustentabilidade é ter uma variação de transportes, a multimodalidade. A INTEGRAÇÃO ENTRE DIFERENTES FORMAS DE DESLOCAMENTO, É ESSENCIAL PARA FACILITAR O MOVIMENTO NO ESPAÇO, QUANTO MAIOR A INTEGRAÇÃO MELHOR É A MOBILIDADE. Cada cidade apresenta uma forma estrutural única, revelando uma identidade particular de cada local, dessa forma a realização de um projeto urbano adequado, contribui no acolhimento dos modais e facilita seus deslocamentos. Pelo contrário, proporciona um ambiente caótico com mal acolhimento multimodal, promovendo a falta de multimodalidade ( g. 17).

Figura17: Trânsito complicado em importante via de São Paulo. Foto: Reprodução. Fonte: http://www.destaquesp.com Acesso em: Abril de 2019.

O elemento principal de favorecimento dos deslocamentos e de promoção da multimodalidade está na con guração da malha urbana, pois ela é responsável por proporcionar ou não a facilidade dos deslocamentos, ter uma legibilidade da malha, é sem dúvida, o facilitador das entradas e saídas dos diversos tipos de núcleos urbanos. TER UM BAIRRO OU CIDADE COMPACTO É ESSENCIAL PARA A CONECTIVIDADE E A MULTIMODALIDADE DE UM LOCAL, O QUE POSSIBILITA A OFERTA DE PLANEJAMENTO URBANO ADEQUADO, ALÉM DE ELEMENTOS DE PROMOÇÃO DE DESLOCAMENTO SEGURO, PRINCIPALMENTE PARA PEDESTRES E CICLISTAS, COMO BOAS CALÇADAS E CICLO FAIXAS.

Acolher a multimodalidade é essencial para a aplicação do urbanismo sustentável, pois, além de proporcionar um melhor deslocamento, sendo esse de forma limpa e segura, esse acolhimento também diz respeito a acomodação da bio lia, como proteção térmica no trajeto de pedestres e ciclistas no espaço público. O ideal multimodal está na integração desses meios de deslocamento, e na acomodação desses, de forma hierárquica e, principalmente, de integração entre o modal limpo (caminhada e bicicleta) e o transporte coletivo, sendo esse um complementar e e ciente, principalmente para grandes deslocamentos (Fig. 18). A abrangência de meios de deslocamento limpo e que permita integração com a cidade, como por exemplo, o transporte uvial, também é uma das essências do urbanismo sustentável. Portanto, ter um bairro compacto, de bom planejamento urbano, com transporte público de bom funcionamento é a garantia de promoção da sustentabilidade urbana local.

Figura18: Rua da cidade de Bogotá com acolhimento aos diferentes modais. Foto: Cidade Ativa. Fonte: https://www.mobilize.org.br Acesso em: Abril de 2019.

Ao observar a área de análise, se percebe que há uma grande variação de modais, sendo principalmente o deslocamento a pé e utilizando a bicicleta, os principais meios de locomoção, como é possível ver no mapa de multimodalidade. Os pontos de ônibus, estão posicionados em pequenas distancias, possibilitando a integração entre o pedestre ou ciclista e o transporte público (mapa de distância entre os pontos de transporte público). Mesmo havendo essa multimodalidade, principalmente no que diz respeito a uma locomoção limpa, caminhada e bicicleta, o acolhimento desses e de outros modais


presentes no local, não é realizado de forma adequada, impedindo o bom transitar desses modais ( g. 19). As calçadas, não apresentam boa manutenção, e a maior parcela é estreita e/ou inclinada, com rampas irregulares e buracos, além de que, em alguns lugares, é inexistente a calçada, ora por conta de estarem ocupadas por produtos de estabelecimentos comerciais, ora por edi cações construídas no paramento do meio o. Situações, assim, levam o pedestre a ter que se locomover pela faixa de rolamento, aumentando o risco de acidentes. Além desse fator, não há uma separação de usos na faixa de rolando, ou seja, não há ciclo faixas ou ciclovias, todos os modais dividem o mesmo espaço ( g. 20 e 21). Outro ponto, é com relação aos locais e a sinalização dos pontos de ônibus, pois esses em alguns locais a sinalização não é aparente, sendo conhecida apenas pelos populares, além de que, a calçada onde o ponto se localiza, tem a mesma situação das demais da área, com buracos e até mesmo, sem pavimentação, prejudicando a locomoção de pessoas com mobilidade reduzida e demais usuários ( g. 22). Além desses fatores, o local ca próximo à margem do Rio Capibaribe, havendo construções nas margens, e não há um transporte uvial passando pela localidade, provavelmente, devido a degradação das águas do Capibaribe naquele local. O que se vê na localidade, é uma grande variação de modais, com grande uso do caminhar e da bicicleta, mas com falta de acolhimento adequado a esses e aos demais, além de acolhimento a novos modais sustentáveis. Alinhando esses aspectos positivos, de variação modal, com a reabilitação de espaços públicos e da bio lia, poderá se obter uma região de promoção do urbanismo sustentável.

Figura 19: Falta de acolhimento adequado aos diferentes modais. Fonte: Google Maps. Acesso: Abril de 2019.

Figura 20: Calçadas estreitas levam o pedestre a caminhar pela faixa de rolamento. Foto: Autoral, 2018.

Figura 21: Ocupação das calçadas por estabelecimentos, impedem o bom transitar dos pedestres. Foto: Autoral, 2018.

Figura 22: Ponto de ônibus em frente ao Detran, na estrada do Barbalho, apresenta calçamento com buracos. Fonte: Google Maps. Acesso: Abril de 2019.


Figura 23: Mapa de Multimodalidade Fonte: Autores, 2019


Figura 24: Mapa de Pontos de Transporte PĂşblico Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios 2.2 Desordenamento e falta de hierarquia dos diferentes modais

potencialidades 2.2 Diversidade de modais, uso frequente da bicicleta e cultura do caminhar.


2.3 Promova lugares diferentes e interessantes com senso de lugar – considerando os elementos da paisagem Segundo a recomendação Europa da ONU, paisagem é de nida e caracterizada da maneira pela qual determinado território é percebido por um indivíduo ou por uma comunidade, por dá testemunho ao passado e ao presente do relacionamento existente entre os indivíduos e seu meio ambiente, ajuda a especi car culturas e locais, sensibilidades, práticas, crenças e tradições. A conservação de espaços e edi cações marcos de um local, é essencial para a manutenção da identidade de um local, pois são esses marcos que dão visibilidade, ajudam no reconhecimento e caracterizam um determinado local. Esses marcos são patrimônios de um local, patrimônios no sentido mais recente da palavra, no sentido de conjunto de bem natural ou cultural de importância reconhecida, como aponta Márcia Chuva (2019). As áreas de preservação e tombamento são essenciais para o planejamento urbano, pois trazem a essência e a referência de lugar naquela área ou região. Negar ou simplesmente ignorar tal bem, leva a um urbanismo tábula rasa, que em nada integra com a essência daquela localidade. Preservar um patrimônio, vai além do que guardar um momento passado, é ter uma preocupação de preservar a vida futura para a conservação dos elementos da paisagem e da identidade (FARR, 2013), pois como de nido por Hall (2006) a identidade nada mais é que um espaço e tempo simbólicos de paisagens que caracterizam o senso de lugar e de tempo.

e querem pertencer a ele, ca mais fácil de adensar, de obter compacidade, sendo necessário a diversidade de usos, que de acordo com Rogers, pode ser feita a partir da criação de edifícios multifuncionais ou modernização do uso de edi cações históricas, onde traria estímulo as pessoas a se apropriar da cidade atendendo qualquer necessidade diária apenas com percursos feitos a pé. Na nossa área de estudo, concluimos que a identidade é alta, analisando a grande recorrência de um tipo arquitetônico (mesmo existindo 6 tipos diferentes). O edifício de 2 pavimentos representa mais da metade dos edicícios do local, sendo assim, o que mais identi ca a Iputinga. Dessa maneira, o que marca aquele lugar nas pessoas são esses edifícios singulares, responsáveis por transmitir o sendo de lugar do local. Outro fator muito grande que faz as pessoas terem o senso de lugar com o bairro, é a presença de “monumentos” que são importantes para a história da área, como as praças, os colégios, e as creches, de grande representitividade não só física como também sentimental para quem ali vive. E essa identidade alta pode ser muito mais bem explorada devido a multi modalidade presente no local, onde os percursos podem ser feitos a pé ou com uso dos transportes disponíveis.

É IMPORTANTE CRIAR ESPAÇOS COM SENSO DE LUGAR QUE RESPEITE O PATRIMÔNIO HISTÓRICO E PAISAGÍSTICO, USANDO ESSES ESPAÇOS PARA CONECTAR OU ATRAIR PESSOAS. Dessa maneira, entende-se que para as pessoas se apropriarem de um lugar afetivo, ele precisa ter compacidade, completude, conectividade e bio lia. As edi cações históricas e os espaços públicos compõem a paisagem da cidade, e são responsáveis pela sensação de pertencimento das pessoas, o senso de lugar. Quando as pessoas se apropriam do lugar,

Figura 25: Foto retirada do google.

Figura 26: Foto retirada do google.


Figura 27: Mapa de Senso de Lugar Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios: 2.3 Falta de manutenção de espaços e áreas publicas

Potencialidades: 2.3 Marcos no bairro que são conhecidos por toda população e marcados como patrimônios dos mesmos, sendo lugares respeitados e reconhecidos como importantes


2.4 Misture os usos do solo – criando bairros saudáveis O bairro é a unidade básica do planejamento urbano. O dinamismo e a diversidade que caracterizam cidades atraentes dependem de uma base sólida de bairros ativos e coerentes. Essas a rmações apresentadas por Farr (2013), levam a um dos atributos mais importantes do urbanismo sustentável: a completude. Essa é compreendida como a maneira inteligente de mistura do uso do solo de modo que favoreça e estimule o caminhar e a troca de gerações, conferindo um ciclo social e sustentável no local. Mas para que um bairro alcance o equilíbrio exato do uso do solo, é preciso que esse nível de completude esteja relacionado a porcentagem de usos presente nos bairros, sendo esse valor satisfatório entre 30 e 70 %, como é possível veri car na tabela x, apresentada por Farr (2015).

diversidade arquitetônica. Promover e favorecer o deslocamento a pé, é essencial para se alcançar o urbanismo sustentável. Pois, segundo Ghel (2015), “EM CIDADES VIVAS, SEGURAS, SUSTENTÁVEIS E SAUDÁVEIS, O PRÉ-REQUISITO PARA A EXISTÊNCIA DA VIDA URBANA É OFERECER BOAS OPORTUNIDADES DE CAMINHAR. ” Além de que, estimular o deslocamento a pé, proporciona um melhor desenho urbano, estimula a multimodalidade a forma e função do uso do solo e do entorno ( g. 28). Oferecer uma grande exibilidade de uso do solo, é a estratégia mais poderosa para reduzir o congestionamento desnecessário do trânsito, além de possibilitar que os moradores criem raízes em uma comunidade e conheçam seus vizinhos, promovendo a vivacidade do lugar e a sua segurança. Mas, acima da promoção de edi cações mistas, se deve privilegiar a bio lia, pois é ela que atrai o pedestre a rua, e se con gura como uma forma de refúgio do caos urbano. Logo, promover espaços púbicos abertos, é essencial para se ter um bairro saudável ( g. 29).

Tabela X: Tabela de completude do bairro. Pag. 126 e 127, Farr (2015).

A maioria das pessoas caminha uma distância de 400m antes de retornar ou optar por dirigir de bicicleta, por isso, o bairro ideal deve ter o seu tamanho variado entre 16 e 80 hectares para que seja o mais adequado ao pedestre. Outrossim, é preciso que se ofereça atrativos ao longo de todo o bairro, de maneira mista, proporcionando ao morador opções de habitação, locais de trabalho, centros comerciais, funções cívicas, entre outras, levando-o a realizar todas as suas atividades a pé. Qualquer composição de usos diminui radicalmente o número de deslocamentos de automóvel, de modo que não há um percentual mínimo de escritórios ou lojas que possa ser determinado. Pelo menos três tipos de habitação são necessários para criar uma

Figura 28: Uso misto, com o térreo oferecendo serviço e os demais pavimentos habitação, na avenida Borges de Medeiros na cidade de Gramado/ RS. Foto: Autoral, 2018.

Figura 29: Mobiliário urbano e a bio lia criando um ambiente de estar no meio da Av. Borges de Medeiros em Gramado/RS. Foto: Autoral, 2018.


A variação do uso do solo na localidade pode ser considerada como uma potencialidade da área, por haver muitas edi cações de uso misto, principalmente, na via principal, a estrada do barbalho, e em alguns núcleos. Alguns desses núcleos recebe apenas o uso habitacional, mas há edi cações de uso de serviço na proximidade ( g. 30). Ao submeter a área de análise ao cálculo da completude, é possível veri car que o nível de completude da área é de 45%, logo sendo um valor considerado satisfatório, revelando uma grande potencialidade na localidade, no que diz respeito a variação do uso do solo, ao uso misto das edi cações (visto que, há um grande número de edi cações mistas, onde o térreo funciona como um equipamento de serviço e o primeiro pavimento residência, como é possível veri car no mapa xxxx) e ao acesso a esses serviços que podem ser realizados a pé. Em contrapartida a esse nível de mixagem de usos, está no acolhimento dos pedestres ao longo de toda região, onde as faltas de infraestrutura adequada para a circulação dos pedestres, como calçadas amplas e com boa pavimentação, são quase nulas na área, o que desconvida o pedestre e o põe em risco ao ter que caminhar pela faixa de rolamento para realizar suas atividades opcionais e/ou necessárias. Além desse fator de calçamento adequado, a falta e/ou a precariedade da bio lia também se revela como um aspecto negativo para o alcance de um urbanismo sustentável ( g. 31).

Em suma, a região apresenta bons números e bons aspectos para se ter uma boa completude, como a densidade populacional, a existência de edi cações de uso misto e seu alcance a pé, além da existência da cultura do caminhar na localidade. Por outro lado, aspectos que desfavorecem o incentivo pela caminhada, desfalece a cultura do caminhar local, revelando um aspecto preocupante. Pelo contrário, havendo incentivos que valorizem os aspectos positivos alinhados ao melhoramento dos negativos, se terá um número maior de pessoas que trafegam pela rua e consequentemente haverá um aumento do uso misto de solo, de forma completa e compacta, como aponta Jan Gehl (2015) “SE AS CONDIÇÕES PARA PERMANÊNCIA AO AR LIVRE FOREM BOAS, AS PESSOAS SE ENTREGAM A MUITAS ATIVIDADES NECESSÁRIAS E TAMBÉM A UM NÚMERO CRESCENTE DE OPCIONAIS. ”

Figura 30: Uso misto das edi cações na área de análise. Foto: Autoral, 2018

Figura 31: Ocupações irregulares nas calçadas e a irregularidade da bio lia levam o pedestre a caminhar pela faixa de rolamento. Foto: Autoral, 2018.


Figura 32: Mapa de Diversidade Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios 2.4 Áreas com apenas um tipo de uso do solo

potencialidades 2.4 Grande variação de uso do solo e alcance dos serviços a pé.


2.5 Crie uma gama de oportunidades e escolhas de habitações É o primeiro tópico dos dez princípios do crescimento urbano sustentável, tendo como base a diversidade de habitações e a sua relação com a quantidade de moradores da área. Ou seja, prega que as vizinhanças devem ser diversi cadas em usos e população; projetadas para o pedestre como também para o carro, as cidades devem ser conformadas por espaços públicos sicamente de nidos e universalmente acessíveis; os sítios urbanos devem ser moldados pela arquitetura do edifício e da paisagem. Através da Carta do Novo Urbanismo, 1996, o documento referencia o Congresso do Novo Urbanismo, que prega princípios associados à formação do espaço regional, da cidade e do bairro. Sua intenção é organizar sistemas regionais articulando áreas urbanizadas centrais com as cidades menores em setores bem delimitados do território, o que faz evitar a ocupação dispersa, valoriza a acessibilidade por transportes coletivos, favorece a superposição de uso do solo como forma de reduzir percursos e criar comunidades compactas, estimula o processo de participação comunitária, e retoma os tipos do urbanismo tradicional relativos ao arranjo das quadras e da arquitetura. A densidade urbana é um tema central para o urbanismo sustentável. AS BAIXAS DENSIDADES E OS USOS SEGREGADOS DO SOLO NA URBANIZAÇÃO DISPERSA GERAM MAIORES DESLOCAMENTOS DEPENDENTES DO AUTOMÓVEL. Os bairros densos, com diferentes tipos de habitação entre unifamiliares e multifamiliares, associado ao emprego de diferentes usos do solo com comércio local, promove além da vitalidade do bairro permitido pelo acesso a destinos a pé, também possibilita a sustentação de transporte público. O adensamento habitacional no bairro, colabora na geração de menor impacto, quando ocorre o agrupamento de várias unidades habitacionais. São várias as vantagens de ordem ambiental e econômica, pois permite reduções tais como: de

área ocupada; de superfície expostas de fachadas e coberturas; de quantidade de materiais utilizados; consumo de energia; e custo da construção. Quanto à forma da edi cação, a melhor opção seria a integração das unidades em volumes compactos, ou seja, edifícios coletivos. A habitação semicoletiva, também conhecida como habitação intermediária, é uma opção entre a casa e a habitação coletiva. A diversidade urbana é compreendida nos diferentes usos do solo, diferentes tipos de habitação que atenda a diferentes rendas e idades diferentes de edi cações. Na busca pelo bairro ideal, a teoria do urbanismo ortodoxa, produziu bairros voltados para si, na tentativa de atender as necessidades em comum de uma pequena população local isolam-se,9 desconsiderando a vida em cidade. Re etindo sobre a natureza das cidades contemporâneas e os empreendimentos urbanos isolados, que fragmentam o tecido urbano e desprezam a continuidade das vias, devemos entender que ESTE MODELO DE URBANIZAÇÃO CAMINHA EM DIREÇÃO CONTRÁRIA AO BEM-ESTAR COLETIVO.

GENTRIFICAÇÃO:

O termo gentri cação é a versão aportuguesada de gentri cation que é derivada de gentry uma expressão inglesa que designa pessoas ricas, ligadas à nobreza, conceito criado pela socióloga britânica Ruth Glass em seu artigo: London: Aspects of Change(1964), para descrever e analisar transformações observadas em diversos bairros operários em Londres. A gentricação é um processo de transformação de centros urbanos através da mudança dos grupos sociais ali existentes, onde sai a comunidade de baixa renda e entram moradores das camadas mais ricas ( gura 33). Desde seu surgimento, a palavra tem sido amplamente utilizada em estudos e debates sobre desigualdade e segregação urbana, assim como nos estudos sobre patrimônio, nos mais diferentes domínios: sociologia, antropologia, geogra a e arquitetura, além de planejamento e gestão urbana, economia e estudos urbanos em geral.


PORQUE A GENTRIFICAÇÃO NÃO DEVE ACONTECER?

Figura 33: Retirada do Google

Um processo de gentri cação possui bastante semelhança com um projeto de revitalização urbana, com a diferença que a revitalização pode ocorrer em qualquer lugar da cidade e normalmente está ligada a uma demanda social bastante especí ca, como reformar uma pracinha de bairro abandonada, promovendo nova iluminação, jardinagem, bancos… E quem se bene cia da obra são os moradores do entorno e, por tabela, a cidade toda. A gentri cação, por sua vez, se apoia nesse mesmo discurso de “obras que beneciam a todos”, mas não motivada pelo interesse público, e sim pelo interesse privado, relacionado com especulação imobiliária. Logo, tende a ocorrer em bairros centrais, históricos, ou com potencial turístico. Um exemplo de gentri cação é a favela do Vidigal ( gura 34). Um dos pontos mais nobres da cidade, devido à sua localização e vista, depois da paci cação em 2012 rapidamente o metro quadrado no Vidigal se valorizou.

Por constituir um processo típico de especulação imobiliária, a gentri cação precisa de muito investimento e respaldo do poder público para atender à uma demanda de interesse privado. Ou seja, a cidade (enquanto “a coisa pública”) tem propensão a ser planejada de acordo com a vontade do interesse privado, que não necessariamente é a mesma vontade da população, e nem sempre vai ao encontro das demandas defendidas por especialistas em planejamento urbano.

CONSEQUÊNCIAS DA GENTRIFICAÇÃO: -AFASTAMENTO DOS COMUNIDADES DE BAIXA RENDA PARA A PERIFERIA OU OUTRAS CIDADES DA REGIÃO METROPOLITANA. -ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA E INFLAÇÃO NOS PREÇOS DE IMÓVEIS E SERVIÇOS NO BAIRRO. -MUDANÇA NO PERFIL SOCIAL DOS MORADORES: SAEM AS COMUNIDADES TRADICIONAIS ENTRAM ELITES OU TURISTAS. -DESCARACTERIZAÇÃO DOS BAIRROS E PERDA DE IDENTIDADE LOCAL.

Figura 34: Retirada do Google


Figura 35: Mapa de Identidade e Tipologia Fonte: Autores, 2019


Figura 36: Mapa de Legislação e Economia Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios: 2.5 falta de variedade e divergĂŞncia de adensamento em algumas ĂĄreas

Potencialidades: 2.5 Diversidade de modais e frequente uso da caminhada como forma de percurso


2.6 preserve espaços abertos e ambientes em situação crítica Suportes principais da bio lia, parques e praças são equipamentos urbanos que permitem encontros sociais e/ou casuais e que melhoram a qualidade de vida de um bairro. Parques e espaços abertos tem uma imensa importância em áreas comerciais ou distritos industrias, pois funcionam como refúgio do caos urbano, atraindo muitas pessoas, e em locais de alta densidade desempenham um papel fundamental na ltragem das águas pluviais, o que é um importante objetivo do urbanismo sustentável ( g. 37). “OS PARQUES E AS PRAÇAS COM GRANDE PERCENTUAL DE ÁREAS VERDES, EQUIPAMENTOS URBANOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA PLUVIAL OU VISTAS DO CÉU A NOITE DESEMPENHAM UM PAPEL-CHAVE NO SUPORTE À BIOFILIA. “ (FARR, 2015) Douglas Farr (2015) aponta que, esses espaços livres devem estar a uma distância que possa ser percorrida a pé, além de ter uma área mínima de 650 m2, tamanho mínimo de 2 mil m2 e ser limitado por pelo menos duas vias públicas. Essas áreas podem ser de diferentes naturezas, de acordo com a realidade de cada local, podendo ser: campos de esporte, área verde comunitária para a recreação, praças tanto de lazer quanto para atividades cívicas e até mesmo jardins comunitários, que são uma opção para o cultivo em pequena escala, principalmente em locais de alta densidade construtiva. Para se alcançar a bio lia, vale destacar, é necessário também, a preservação das reservas ambientais, tal como matas e rios ( g. 38). Essa preservação, principalmente em meio urbano tem se tornado um ponto de bastante preocupação, pois, principalmente em subúrbios de cidades uviais a construção de edi cações às margens de rios causa um grande impacto naquele local, pois são residências que não possuem tratamento de água nem de esgoto. Além desse fator, com o advento das cidades e o grande número de doenças causadas pela péssima higienização dessas, surgiram os primeiros sistemas de tratamento de esgoto, que visavam apenas o descarte dos resíduos. Esse fator de descarte, ainda é

muito empregado na questão da água da chuva, que em vez de ser reaproveitada, essa passa por sistemas rápidos de captação para seguir com o descarte. Quando se associa o descarte desses dois tipos de água, se tem como resultado alagamentos, que são de grande risco a saúde humana e de grande impacto ambiental. A solução para esses problemas é apresentada por Douglas Farr (2015), com a utilização de novas tecnologias que realizam a captação das águas, sendo as cinzas retratadas para a utilização na irrigação de áreas verdes de lazer e de plantação ( g. 39). UM BAIRRO COMPACTO E COMPLETO SÓ É VERDADEIRAMENTE SUSTENTÁVEL QUANDO SE RESPEITA E PRESERVA A BIOFILIA.

Figura 37: Parque Lago Negro, na cidade de Gramado/ RS, funcionando como um equipamento de refúgio urbano. Foto: Autoral, 2018.

Figura 38: Lazer nas águas da praia do rio Paraná, recuperado. Foto: Nilton Rolin, Reprodução. Fonte: https:// oglobo.globo.com Acesso: Abril de 2019.

Figura 39: Água de reuso sendo utilizada na irrigação de condomínio no Rio Grande do Sul. Foto: UFRGS Fonte: https://www.ecycle.com.br Acesso: Abril de 2019.


Analisando a área de estudo, se percebe muito pontos críticos com relação a manutenção da bio lia. A princípio, vale destacar, que a área é cortada pelo rio Capibaribe e possui um trecho de zona de preservação ambiental. O primeiro grande desa o da área se apresenta próximo a encosta do rio, onde existem várias construções irregulares, sem o acesso a tratamento de água e esgoto, onde seus dejetos são colocados diretamente na água do rio, além dessa água ser utilizada para banho ( g. 40). Tal situação, causa um grande impacto, não só na vida dos habitantes dessa localidade, pois a água do rio não é estátic¬¬¬a e essa vai seguindo um uxo e essa contaminação vai seguindo junto com esse uxo, além de que, as pessoas que utilizam da água desse rio para o banho, podem transmitir doenças levando a um grande impacto no sistema público de saúde. Esse fator, se apresenta como um ciclo não só nessa área de análise, mas em vários locais de subúrbio com a presença de uma frente de água. Outro aspecto, diz respeito a situação do lixo na localidade. Quando se iniciou os primeiros levantamentos, se veri cou que as praças existentes, serviam como deposito de lixo, bem como ao longo das ruas, a presença do lixo era algo de muito incomodo, pois esse ocupava o pouco espaço do pedestre nas calçadas, além de impedir a presença e o estar das pessoas nessas praças ( g. 41 e 42). Atualmente, houve uma melhoria em uma dessas praças, a Arari Fonseca, onde uma intervenção que contou com a participação popular, retomou a característica primária dessa praça, a de um espaço de convivência e de lazer para as crianças e adultos, além de conscientizar os moradores com a questão da importância de se manter uma praça pública e cuidar dela ( g. 43). Esse bom aspecto, infelizmente não se fez presente nos outros pontos que apresentam a mesma problemática do lixo, e essa situação revela dois aspectos, sendo o positivo, o de que, havendo incentivo haverá uma melhoria e um mantimento da boa situação, já o negativo, é a falta de incentivo da própria população para resolver um problema que apresenta

tanta queixa por parte deles mesmos. Em síntese, a área tem uma grande potencialidade no que diz respeito a áreas abertas e de potencial para parques ecológicos, entretanto, pela falta de mantimento da bio lia, esse local está gerando um grande impacto ambiental, e provocando um ciclo desse impacto. Esses fatores, tem vários fatores responsáveis, entretanto, o de mais destaque é a falta de uma legislação e de planejamento rigorosos e que visam a sustentabilidade para a localidade.

Figura 40: Ocupações irregulares nas margens do Rio. Foto: Autoral, 2018.

Figura 41: Lixo, entulho e outras ocupações na Praça Arari Fonseca. Foto: Autoral, 2018.

Figura 42: Entulho e lixo na praça Zé gotinha. Foto: Autora, 2018.

Figura 43: Praça Arari Fonseca requali cada e sendo utilizada adequadamente pelos moradores. Foto: Atelier Vivo Fonte: www.instagram.com/ateliervivo/ Acesso: Maio de 2019.


Figura 44: Mapa de Diversidade Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios 2.6 Construções irregulares nas margens do rio e praças e locais públicos com lixo acumulado.

Potencialidades 2.6 Praças públicas e uma zona de preservação ambiental com mata nativa e rio.


2.7 tire proveito de projetos e construções compactas Ter densidade urbana mínima é totalmente contraditório com as relações do urbanismo sustentável, pois é pela densidade que há uma valorização ou não de determinados serviços públicos ou não. Segundo FARR (2013) o urbanismo sustentável cria negócios em bairros sustentáveis por meio da integração desses com um mercado permanente que tenha densidade residencial no entorno, e que as oportunidades de integração do projeto de infraestrutura aumentam com a densidade. Entretanto, não se faz um urbanismo sustentável apenas visando a densidade, pois isto é uma prática do desenvolvimento convencional, para se ter um desenvolvimento sustentável é preciso que esse seja compacto, para que se alcance os benefícios relacionados ao urbanismo sustentável. TER UM DESENVOLVIMENTO COMPACTO DIZ RESPEITO NÃO SÓ A QUESTÃO DE COMPORTAR MAIS PESSOAS POR METRO QUADRADO, MAS SIM A DE PENSAR E PLANEJAR CIDADES ONDE AS PESSOAS POSSAM REALIZAR TODAS AS SUAS ATIVIDADES EM UM ÚNICO NÚCLEO, seu bairro, sem depender de um deslocamento mecânico, que gere mais poluentes para o meio. Segundo ROGERS (2015), a cidade compacta abrange questões que permitem a mobilidade, pois essas cidades crescem em volta de centros de atividades sociais e comerciais junto aos pontos nodais de transporte público, além de pontos focais. Em localidades de ocupações espontâneas, é comum se observar o máximo aproveitamento dos espaços, garantindo a ocupação de todos em determinados metros quadrados. No local de análise não é diferente, tendo a maior densidade em locais de referência da localidade, ele apresenta uma forte possibilidade de acomodar os princípios do desenvolvimento compacto sustentável, que nada mais é que a aplicação do urbanismo sustentável. Entretanto um planejamento compacto não depende unicamente do seu planejador, pois isso levaria a aplicação a apenas um local que recebesse uma licença para aplicar tais fundamentos, sendo esse

local sem relação com os demais que o rodeiam. A de nição do que e como deve ser construído em um local deve ser certicado no plano diretor de uma cidade e esse, segundo FARR (2013) que sejam códigos baseados na forma da edi cação relacionada com o espaço urbano. Ter um plano diretor que tem o foco na forma é de caráter extremamente positivo, principalmente para que ocorra as inter-relações entre o pedestre e a edi cação, gerando assim espaços ativos e que se relacionam não só com o pedestre, mas com tudo que o rodeia. Tal estímulo de plano garante para a localidade um desenvolvimento sustentável, pois delimita não só a forma em si, mas sim, a taxa de ocupação do solo e como o imóvel deve ser implantado, para garantir todos os aspectos do urbanismo sustentável. Atualmente, a legislação municipal não apresenta um código de de nição baseado na forma que abranja toda a localidade, em alguns pontos há uma restrição no que e como construir, mas não são códigos verdadeiramente restringentes, mas de apenas determinação de parâmetros, o que di culta o mantimento do que de fato caracteriza o local e sobretudo, a característica local que se relaciona com o desenvolvimento compacto. É IMPORTANTE TER UM PLANO DIRETOR BASEADO NA FORMA PARA ORIENTAÇÃO NA CRIAÇÃO DE BAIRROS ATIVOS E SUSTENTÁVEIS (FARR, 2013).

Figura 45: Foto dos Autores 2018

Figura 46: Foto dos Autores 2018


Figura 47: Mapa de Densidade Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios: 2.7. Falta de um plano diretor baseado na forma relacionada com o espaço urbano.

Potencialidades: 2.7 Maior densidade em locais de referĂŞncia da localidade, apresentando uma forte possibilidade de acomodar os princĂ­pios do desenvolvimento compacto sustentĂĄvel


2.8 Estimule a colaboração da comunidade e dos envolvidos e reforce e direcione a urbanização para comunidades existentes A colaboração da comunidade é essencial nas transformações de uma localidade, pois é com a participação comunitária que um local se transforma com as características próprias daquele povo, daquela localidade. A colaboração é um dos aspectos fundamentais para o bom avanço do urbanismo sustentável em uma área, pois um bom planejamento urbano, tem a participação ativa da comunidade que o envolve ( g. 48). OS PROCESSOS DE PLANEJAMENTO BASEADOS EM VALORES LOCAIS PRODUZEM SOLUÇÕES QUE SUSTENTAM COMUNIDADES SAUDÁVEIS. AS COMUNIDADES SAUDÁVEIS MELHORAM O BEM-ESTAR SOCIAL, ECONÔMICO E FÍSICO DE SEUS MORADORES, LUGARES E AMBIENTES NATURAIS. (FARR, 2015) Parte de um bom planejamento se deve ao valor compartilhado e engajado com a comunidade e ao estabelecimento de compromissos com os atores interessados na preparação do plano. A intervenção urbana inserida em uma comunidade já existente deve compartilhar a visão e o planejamento desde a primeira etapa do processo, para incentivar a apropriação daquele espaço dentro daquela comunidade. Além de que, um equilíbrio deve ser alcançado entre o engajamento da comunidade, que é focado nos interesses locais a curto prazo, e o que é extraído do conhecimento local e dos compromissos históricos para informar e apoiar o planejamento, devendo também ser compartilhado todo o processo, de maneira que se desenvolva um resultado de comum interesse.

Criar valor em cima dos ativos da comunidade, das suas inspirações e de seus potenciais, desenvolve espaços públicos que promovam saúde, felicidade e bem-estar para as pessoas. Um ótimo espaço público não pode ser medido apenas por aspectos físicos, ele deve ser um lugar vívido, onde as funções vêm antes da forma, aponta Heemann (2014). A participação da comunidade, em discursões de planejamento que envolve a comunidade, é essencial para o bom funcionamento daquele tipo de planejamento. Em locais de subúrbio, essa participação tem importância muito mais signi cativa, pois, esses locais surgiram, em sua maioria, a partir de levantes populares, vítimas do espraiamento e que encontraram nesse local a solução para moradia ( g. 49). HÁ MUITO RISCO EM PLANEJAR SEM A COLABORAÇÃO DA COMUNIDADE, POIS, PODE-SE CRIAR ESPAÇOS VAZIOS E DE NÃO ACOLHIMENTO COMUNITÁRIO.

Figura 48: Urbanização do complexo “Cantinho do Céu”. Foto: Daniel Ducci. Fonte: www.archdaily.com.br Acesso em: Maio de 2019.

Figura 49: Apresentação de propostas para o projeto da nova conde de boa vista, com a participação popular. Foto: Jorge Cavalcanti Fonte: www.ivanmoraes lho. com.br Acesso: Maio de 2019.


No local, a participação comunitária é bastante frequente no dia a dia, e por ser um local de subúrbio, que surgiu a partir de um espraiamento, a relação comunitária é muito forte. Nas redondezas do local há uma ZEIS, a vila união e mais 6 comunidades de baixa renda, como mostra o mapa xxxx, revelando que é uma localidade que precisa de um planejamento que conte com a participação de cada comunidade existente, de maneira a se planejar sem “preferencias”. Um bom exemplo dessa colaboração da comunidade se faz presente em momentos de discursões que envolvem o interesse comunitário e a intervenção de locais públicos, como no caso da praça Arari Fonseca, a qual passou por uma intervenção de ns privados e teve a importante participação dos moradores na de nição do que seria mais adequado em termos de mobiliários para a intervenção da praça ( g. 50). Ações comunitárias de auxílio a moradores mais carentes também contribuem para o aspecto de colaboração na localidade, esses auxílios são por parte de supermercados e de algumas instituições religiosas, além da contribuição dos próprios moradores em donativos. Essas contribuições, revelam a sentimento de pertencimento dos moradores com o local, o que é de grande valia para um plano de detém a intenção de preservação, reabilitação e revitalização do local.

Foto 50: Comunidade participando da requali cação da praça Arari Fonseca Foto: Atelier Vivo Fonte: www. instagram.com/ateliervivo/ Acesso: Maio de 2019.


Figura 51: Mapa de Colaboração Fonte: Autores, 2019


desafios e potencialidades

Desafios 2.8 Falta de planejamento urbano com a participação comunitária

Potencialidades 2.8 Comunidade participativa em questões de interesse local e ações comunitárias de auxílio aos mais carentes.


03 diretrizes de planejamento O capítulo a seguir aborda os desa os e potencialidades da área de análise, os quais surgiram a partir das diretrizes de planejamento Urbano Sustentável apresentados no Capítulo 2 deste livro, elaborando um diagnóstico dessas diretrizes, com o intuito futuro, de elaborar diretrizes de planejamento e decisões de urbanização previsíveis, justas e econômicas. A abordagem foi realizada em formato de infográ co para melhor compreensão das temáticas abordadas.


referências COSTA, Emmanuel. O que é gentrificação e porque você deveria se preocupar com isso. Arch Daily, 2019. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/788749/o-que-e-gentrificacao-e-porque-voce-deveria-se-preocupar-com-isso. Acesso em: abr. 2019. HABITAÇÃO SOCIAL E SUSTENTABILIDADE URBANA. Academia, 2019. Disponível em: https://www.academia.edu/33623937/HABITA%C3%87%C3%83O_ SOCIAL_E_SUSTENTABILIDADE_URBANA_O_Programa_Minha_Casa_Minha_Vida_na_cidade_do_Rio_de_Janeiro. Acesso em: abr. 2019. LEI N 16.284/97. Leis Municipais, 2019. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/pe/r/recife/lei-ordinaria/1997/1628/16284/ l e i - o r d i n a r i a - n - 16 2 8 4 - 1 9 9 7 - d ef i ne - os - i m ov ei s- e s p e ci a i s- d e -preservacao-iep-situados-no-municipio-do-recife-estabelece-as-condicoes-de-preservacao-assegura-compensacoes-e-estimulos-e-da-outras-providencias. Acesso em: abr. 2019. NÓBREGA, Maria de Lourdes et al. Por um espaço público cidadão. : Issu, 2019. Disponível em: https://issuu.com/senge-pe/docs/arquivo_ final_cartilha. Acesso em: abr. 2019 RECOMENDAÇÃO Europa. Ipham, 2019. Disponível em: http://portal. iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Recomendacao%20Europa%201995.pdf. Acesso em: abr. 2019. ROLNIK, Raquel. Casas sem gente, gente sem casa: entendendo o problema, pensando soluções. Arch Daily, 2019. Disponível em: https:// www.archdaily.com.br/br/897113/casas-sem-gente-gente-sem-casa-entendendo-o-problema-pensando-solucoes. Acesso em: abr. 2019.


Profile for João Vitor Macêdo

Livro de Urbanismo 2  

Trabalho desenvolvido na cadeira de Urbanismo 2, no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pernambuco.

Livro de Urbanismo 2  

Trabalho desenvolvido na cadeira de Urbanismo 2, no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pernambuco.

Advertisement