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Escola Secundária D. Inês de Castro – Alcobaça Ano Letivo 2011/2012 Curso de Educação e Formação de Adultos – EFA (ReAct) – NS CULTURA, LÍNGUA e COMUNICAÇÃO [CLC] UFCD 7 - Fundamentos da Cultura Língua e Comunicação

____________________________________________________________ Ficha 6

A Língua e a Literatura portuguesa no mundo como elemento de união e intervenção cívica

Competência: 

Intervir de forma pertinente, convocando recursos diversificados das dimensões cultural, linguística e comunicacional.

Revela competências em cultura, língua e comunicação adequados ao contexto profissional em que se inscreve.

Objetivos específicos:    

Explorar conceitos de memória coletiva e imaginário. Identificar textos literários. Distinguir realidade de ficção. Proceder à contração de textos informativos através do resumo e da síntese.

Conceitos - chave: literatura; realidade e ficção; texto literário; texto informativo; memória individual; memória coletiva; imaginário; o sebastianismo.

Recursos / Materiais: Computador com acesso à Internet; textos e fichas em suporte digital; vídeo.

Os formadores/professores: João Salvado e Manuela Oliveira

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TEXTO A ULISSES O mytho é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus É um mytho brilhante e mudo O corpo morto de Deus, Vivo e desnudo. Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos criou. Assim a lenda se escorre A entrar na realidade, E a fecundá-la decorre. Em baixo, a vida, metade De nada, morre. Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Edições Ática, 1986

TEXTO B

TEXTO C

D. SEBASTIÃO

D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

'Sperai! Caí no areal e na hora adversa Que Deus concede aos seus Para o intervalo em que esteja a alma imersa Em sonhos que são Deus.

Louco, sim, louco, porque quis grandeza Qual a Sorte a não dá. Não coube em mim minha certeza; Por isso onde o areal está Ficou meu ser que houve, não o que há.

Que importa o areal e a morte e a desventura Se com Deus me guardei? É O que eu me sonhei que eterno dura É Esse que regressarei. Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Edições Ática, 1986

Minha loucura, outros que me a tomem Com o que nela ia. Sem a loucura que é o homem Mais que a besta sadia, Cadáver adiado que procria? Fernando Pessoa, Mensagem, Lisboa, Edições Ática, 1986

PARA OUVIR http://www.youtube.com/embed/ETUlTvmBwiI - El Rei Dom Sebastião . Quarteto 1111 http://youtu.be/EpEupcs5Npk - Em Alcácer eram verdes

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estas palavras que agora são tão caladas tão cernes tão feitas desta demora.

TEXTO D ALCÁCER QUE VIER Em Alcácer eram verdes as aves do pensamento. Eram tão leves tão leves como as lanternas do vento.

Em Alcácer eram verdes as flores da sepultura. Eram tão verdes tão verdes tão verdes como a loucura.

Em Alcácer eram verdes os cavalos encarnados. Eram tão fortes tão negros como os punhos decepados.

Em Alcácer era verde meu amor o teu olhar. Era tão verde tão verde quase à beira de cegar.

Em Alcácer eram verdes as armas que eu inventei. Eram tão leves tão leves tão leves que nem eu sei.

Em Alcácer eram verdes os lençóis onde morri. Eram tão frios tão verdes como os campos que eu não vi.

Em Alcácer eram verdes os homens que não voltaram. Eram tão verdes tão verdes como os campos que deixaram.

Em Alcácer eram verdes as feridas do meu país. Eram tão fundas tão verdes como este mal de raiz.

Em Alcácer eram verdes as maças feitas de lume. Eram tão frias tão frias como as dobras do ciúme.

Joaquim Pessoa

Em Alcácer eram verdes

Texto E O Sebastianismo «[...] Veio depois a derrota de Alcácer Quibir e o desaparecimento do Rei (1578). A nação caiu sob o domínio castelhano. A literatura chorou, com a perda de D. Sebastião, o desfazer das esperanças desmedidas, a ruína dum povo que, havia pouco, deslumbrara o mundo com os Descobrimentos e a criação de um grande Império. Vasco Mouzinho de Quevedo, por exemplo, recorda doridamente o Rei, «Sebastião cuja morte inda hoje é viva, / Renovando-se sempre de ano em ano». Foi então que surgiu, como instintiva reacção, o sebastianismo. Julgou-se que só a fé visionária poderia salvar-nos. Na primeira metade do séc. XVI vários pretensos profetas, desafiando os rigores da Inquisição, haviam aliciado adeptos, nomeadamente cristãos novos. Entre esses «profetas» contava-se Gonçalo Anes, de alcunha «o Bandarra», sapateiro de Trancoso (Beira Alta), homem cujas trovas, largamente divulgadas, se tornariam «o evangelho do sebastianismo». O Bandarra (falecido em 1545, segundo um epitáfio mandado gravar no séc. XVII) tinha-se inspirado na Bíblia para verberar a corrupção da época e fazer obscuras predições, entre as quais, parece, estavam a da conquista de Marrocos, a da derrota dos Turcos e a do Quinto Império. [...] Durante o séc. XIX, o sebastianismo foi passando da esfera política para os domínios literário e culturológico. O sonho heróico de D. Sebastião, a sua morte na batalha, o mito do seu 3


regresso e a quimera do Quinto Império inspiram poetas e prosadores. [...] No Frei Luís de Sousa de Garrett, é Telmo, o velho criado, quem associa à fé no retorno do Rei a convicção de que D. João de Portugal, seu amado amo, um dia aparecerá.» (Coelho, Jacinto do Prado, DICIONÁRIO DE LITERATURA)

TEXTO F

O Sebastianismo Morto D. Sebastião em Alcácer Quibir, e tendo sido Portugal anexado pela Espanha em 1580, Portugal estava perante o período mais negro da sua História: perdera toda a opulência e grandiosidade do início do século, com a batalha de Alcácer Quibir perdeu o melhor da sua juventude e dos seus militares, ficou endividado com o pagamento dos resgates e sofreu o domínio castelhano, que o vai oprimir. Nasce então uma versão particular de messianismo, sobretudo de influência judaica, o Sebastianismo: crê-se que toda esta opressão, todo este sofrimento, toda esta miséria, toda esta crise será vencida com o aparecimento de D. Sebastião (numa manhã de nevoeiro...), que libertará Portugal dos castelhanos e da sua opressão e lhe restituirá a antiga grandeza. Defende-se que D. Sebastião não morreu nem podia ter morrido. E aparecem então os falsos "D. Sebastião", tendo sido presos uns e mortos outros. Este sonho é sustentado e difundido por várias pessoas e de várias maneiras, em que sobressaem as Trovas do Bandarra de Trancoso - e, já no nosso século, a Mensagem de Fernando Pessoa. Primeiro clandestinamente, depois mais à luz do dia, esse movimento influencia a revolta do Manuelinho de 1637, em Évora, e vai propiciar o 1.o de dezembro de 1640, pelo entusiasmo posto na sua execução e pela confiança que a todos transmite. O Sebastianismo transforma-se num mito: quando há épocas de crise aparece como uma esperança de melhores dias, de mais justiça e de maior grandeza. O mito (como é próprio dos mitos) foi sendo adaptado às realidades de cada momento. Em 1640, por alturas da restauração da independência nacional, era D. João IV o "Encoberto". Sebastianismo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/Sebastianismo>.

2003-2011.

[Consult.

2011-11-17].

TEXTO G A memória coletiva (termo criado por Maurice Halbwachs) é partilhada, transmitida e também construída pelo grupo ou sociedade. Distingue-se da memória individual. O imaginário coletivo é um conjunto de símbolos, conceitos, memória e imaginação de um grupo de indivíduos pertencentes a uma comunidade específica. A sensibilização dessas pessoas em relação a esses símbolos compartilhados reforça o sentido de comunidade. Muitas vezes, essas representações da realidade podem ultrapassar as circunstâncias do mundo real, adquirindo a força e a beleza do mito e se tornando ícones de uma era, na história de um povo, um património comum, independentemente das directivas religiosas, políticas e culturais das pessoas que fazem parte da comunidade. 4


Cada vez mais importante na formação e reprocessamento do imaginário coletivo é o papel desempenhado pelos meios de comunicação social. O tamanho das comunidades que podem compartilhar um património simbólico comum é cada vez mais amplo, de modo que o conceito de "povo" tende a ser gradualmente substituído pelo de aldeia global. http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagin%C3%A1rio_coletivo (capturado em 17/11/11, às 19:55)

Atividades: 1. Procure o significado dos seguintes termos: literatura; literário; realidade; ficção. Literatura pode ser definida como a arte de criar e recriar textos, de compor ou estudar escritos artísticos; o exercício da eloquência e da poesia; o conjunto de produções literárias de um país ou de uma época. Literário é algo que está relacionado às letras, à literatura ou a conhecimentos humanos adquiridos pelo estudo. Realidade significa tudo o que existe, ou seja, o que é acessível ou entendido pela ciência, filosofia ou qualquer outro sistema de análise. Ficção significa, contráriamente à realidade, tudo o que é criado baseado na imaginação.

2. Elabore um resumo e uma síntese de um dos textos (E ou F). Texto F Resumo Portugal passa por um período negro após a perda de dependencia de portugal para Espanha e morte de D.Sebastião na batalha de Alcácer Quibir. Esta mesma batalha deixou Portugal sem militares, endividado e com o sofrimento do domínio castelhano. Superando esta fase, nasce uma nova era: O sebastianismo, suportando a crença de que toda a miséria trazida pela batalha venha a desaparecer com o aparecimento de D. Sebastião numa manha de nevoeiro. Crê-se na imortalidade desta figura, dando asas ao aparecimento de falsos “D. Sebastião”, que acabaram mortos ou presos. Esta crença continua a ser sustentada por várias pessoas e de várias maneiras, como pela 5


“Trovas do Bandarra de Trancoso” e a “Mensagem” de Fernando pessoa, já na era mais actual. Este movimento acaba por influênciar a revolta do Manuelinho em 1637 e propiciar o 1º de Dezembro de 1640. Transforma-se assim num mito em que aparece em épocas de maior crise, na esperança da vinda do melhor.

Síntese O texto aborda a temática do nascimento do mito sobre S. Sebastião. Segundo este, o mito nasce da morte de D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir, tendo como consequência a perda de Portugal para Espanha. A partir deste momento Portugal atravessa uma época de miséria e perda e então o povo acredita que D. Sebastião vai aparecer de novo numa manhã de nevoeiro, salvando-os. Assente nesta crença começam a aparecer falsos “D. Sebastião” que logo são mortos ou presos. Este sonho acaba por ser sustentado por várias pessoas e de várias maneiras como nas “Trovas de Bandarra de Trancoso” ou a “Mensagem” de Fernando Pessoa. Este mesmo mito teve grande influência no inicio da revolta do Manuelinho 1637 e no 1º de Dezembro de 1640.

3. Como deve ter verificado, todos os textos referem a mesma temática – o sebastianismo. Num pequeno texto, com aproximadamente 100 palavras, diga o que é para si o sebastianismo. Como D. Sebastião morreu na Batalha de Alcácer Quibir e isso permitiu que Portugal caisse nas mãos de Espanha, perdendo a sua independência, as pessoas não quiseram acreditar no pior, mantendo sempre a esperança que o seu Rei aparecesse numa manhã de nevoeiro para os salvar da miséria e desgraça peçla qual irião passar. Numa situação dificil e angustiante, as pessoas tiveram a necessidade de criar algo irrial, uma crença, na qual podessem acreditar, nunca perdendo a esperança da vinda de dias melhores. Esta crença, que embora nunca tenha vindo a acontecer, tornando-se então um mito, manteve as pessoas com “fé” suficiente para continuar a lutar pelas suas

vidas.

Ainda hoje se recorre ao mito, quando nos deparamos com uma situação dificil que teremos de ultrapassar, preferindo sempre acreditar na crença de que algo ou alguém nos venha salvar. 6


proposta de trabalho nº6