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REALIZADOR PRODUTOR ARGUMENTO FOTOGRAFIA MONTAGEM MÚSICA SOM ANIMAÇÃO TÉCNICA DE ANIMAÇÃO VOZ OFF IDIOMA ORIGINAL LEGENDAS

José Miguel Ribeiro Luís da Matta Almeida Gonçalo Galvão Teles, Levina Valentim,Virgilio Almeida Carlos B. Cunha Frederico Fonseca, João Champlon Bernardo Devlin Mafalda Roma; Samuel Duarte; Henrique Dias José Miguel Ribeiro; Indira Su’ad Nedell, Igor Simões Animação de volumes Dora Bernardo,Vitor Soares, Teresa Côrte-Real, Paulo Raposo Português Espanhol, Francês, Inglês Ano: 1999 Género: Curta- Metragem Duração: 25 minutos

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capitulo I Descrição

A SUSPEITA

A suspeita é uma curta-metragem em stop motion realizada por José Miguel Ribeiro. A suspeita passa-se algures em Portugal, numa viagem de comboio com destino a Tábua. A carruagem é o único local onde as cenas se passam. Encontra-se quatro indivíduos numa carruagem, onde começa o elenco da animação. A animação contém poucas personagens (5 personagens, um revisor e quatro passageiros) ao longo do elenco, havendo assim personagens tipo. A suspeita tem inicio com um passageiro, Salcedas, a ler um jornal, este encontra uma notícia que um assassino tem andado a atacar na linha de comboio que se encontra. Entram na carruagem mais três personagens e começa assim a existir suspeitas de quem é o assassino dos comboios. Salcedas desconfia de Jonas. A cena de maior suspanse é a cena de maior acção do filme. O uso mais frequentes de planos utilizados ao longo da curta-metragem foram planos aproximados e grandes planos.

A principal característica é a proximidade em relação a um objecto ou pessoa, eliminando o ambiente envolvente, simboliza e personaliza o que capta, pode servir para salientar intenções e atitudes do indivíduo também é a forma mais correcta em filmagens de diálogos como é o caso. O Grande plano torna os pormenores mais claros, caracterizando, também pode revelar pensamentos. Foi a animação que ganhou mais prémios em Portugal, 24 prémios internacionais, onde se destaca o Cartoon D´Or 2000 – o melhor filme de animação da Europa do ano 2000. Stop Motion é uma técnica de animação. Esta é feita através de disposição sequencial de fotografias de movimentos diferentes de um objecto inanimado. Cada movimento deve ter 24 frames por segundo. Para fazer este efeito é necessário uma máquina de filmar, máquina fotográfica ou computador. 3


capitulo II

Análise de cenas

Ao longo destas duas cenas vamos encontrar pouca variedade de planos e a câmara está sempre estática em todos os frames, mas existe alguns intercut ao longo das sequências. A iluminação predominante é a artificial dando a ilusão de luz natural. O cenário é quase como um protagonista secundário está bastante elaborado mas com a ajuda da luz as personagens principais destacam-se deste. É um cenário bastante actual (1993), representa cenas dentro de um comboio. é um cenário aberto, por uma janela (dá para ver a paisagem ao longo que o comboio se move) e uma porta. O uso da janela e da porta dá a noção de profundidade de liberdade. A porta deixa antever acções pela transparência da mesma e pela cortina. Não existe cenário real é tudo fabricado pelo homem (maquetes em grande escala), como também há ausência de efeitos especiais.

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Cena 1 2:37 min até 3:48 min

A cena inicia-se com uma personagem a entrar em acção, entra de costas na porta do compartimento do comboio. O embate na porta foi de tal forma grotesca que as cortinas cederam voltando-se a enrolar. O plano utilizado nas imagens é um plano de proximidade, eliminando o ambiente envolvente. O papel da câmara é estática, ou seja mantém-se no mesmo lugar deixando a cena desenrolar-se. A cena é enfatizada através das cores utilizadas (castanhos, beges) como também das texturas este tratamento chama à atenção da entrada de uma nova personagem em cena. Como também existe uma sombra, Haze Effect (causada por efeitos de luz artificial a simular a luz natural do exterior) na cortina para avisar a entrada do personagem. A luz artificial a simular a luz natural é utilizada ao longo de todo o filme. O cenário envolve a personagem como também envolve o espectador, pois os actos e atitudes do personagem parecem que comunica com o espectador. Sendo assim a personagem quase que antecipa a acção, dizendo indirectamente ao espectador o seu desempenho ao longo da curta-metragem.

O plano referente a esta sequência é um plano geral, este plano mostra maior clareza de pormenores da acção humana e dá menos importância ao ambiente que este está enquadrado. O plano mostra onde se desenrola a acção e os seus intervenientes. O espectador pode assim concentrar a sua atenção em cada momento da acção. É utilizado vários planos e posições para explicar a mesma acção, Insert – Cut. O espaço do enquadramento tem elementos cenográficos tais como edifícios e vegetação dando noção de profundidade ao longo de todo o filme. Na entrada de Esmeralda na acção existe um 5


foco de luz que destaca a personagem, enfatizando o papel que esta representa na animação como também da profundidade ao espaço envolvente da carruagem, ou seja, esta parece maior. O espaço onde decorre a acção continua fora do enquadramento apesar do espectador perceber que é tudo cenário dá a sensação que este continua. Cena composta por um plano próximo, proporcionando ao espectador uma relação de proximidade com a acção eliminando o ambiente envolvente. A luz utilizada é a iluminação por múltiplas fontes, ou seja, luz frontal para destacar a personagem do seu meio envolvente e luz artificial imitando luz natural para dar a sensação de profundidade no espaço. Nesta cena também existe um grande plano focando a mala do personagem a voar, este plano é utilizado essencialmente para retratar pormenores. Não existe movimentos de câmara, mantém-se estática ao longo de toda a sequência.

É utilizado diferentes planos (plano médio e plano geral) e posições para explicar a mesma acção, mostrando a surpresa de Salcedas da entrada da nova personagem. Este fenómeno chamase POV. Salcedas fica bastante atrapalhado e curioso. Este tipo de plano reforça a personalidade do personagem. O meio envolvente do enquadramento tem elementos cenográficos tais como edifícios e vegetação dando noção de profundidade e realidade à cena. Os elementos do exterior visto da janela são pintados para dar a sensação de volumes e profundidade.

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A Esmeralda entra em cena de uma forma caricata mas ao mesmo tempo estranha, entra na carruagem e cai para cima do banco (interacção da personagem com o cenário) distraindo o espectador sobre a sua verdadeira personalidade. A Luz mais uma vez utilizada é uma luz artificial imitando natural vindo do exterior do comboio. É utilizado um plano geral para o público conseguir observar com clareza a personagem. O cenário interior encontra-se num enquadramento frontal.

O plano utilizado é um plano próximo , para captar maior interessa no publico sobre as personagens. A câmara está a mostrar a reacção das personagens, a câmara foca a Esmeralda a olhar para o espectador e de seguida foca o Salcedas, ou seja, a esmeralda estava a olhar para o Salcedas. Este fenómeno é designado por POV.O facto da Esmeralda estar a “olhar” para o espectador chama-se Eye Journey é uma aproximação psicológica acompanhada de uma luz discreta. Também existe um plano geral sobre o Salcedas.

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A Esmeralda após o trambolhão compôs-se e tirou o casaco, na personagem incide um foco de luz artificial de locais reais como o exterior, este foco de luz bate na personagem e no casaco da mesma. Este efeito destaca a actividade que a personagem está a fazer de todo o cenário e meio envolvente. É usado um plano geral, para enfatizar mais uma vez a actividade da personagem. A câmara está sempre fixa, a narrativa composta por vários planos, ao longo dos quais se mantém o mesmo fio narrativo. Depois de despir o casaco a Esmeralda coloca-lo na prateleira onde é feito um grande plano, neste caso existe um High-Key Lighting, consiste num preenchimento de luz de fundo para criar baixo contraste entre as áreas mais claras e mais escuras dando uma atmosfera real do dia-a-dia e feliz acompanhada por uma musica bastante animadora. Na mesma sequência é dado um plano próximo, este aproxima a personagem do espectador mostrando algumas características da mesma. Logo de seguida é feito um enquadramento frontal com um plano geral à personagem. O cabelo de esmeralda quase que desfaz o penteado, esta mostra-se muito arreliada e constrangida com o acontecimento. Esta atitude revela algum suspanse mostra que a personagem parece que está a esconder algo porque quando o cabelo volta ao normal ela suspira de alívio. A luz é artificial de preenchimento mostrando luz natural. Há uma escassez ou número essencial de localizações de câmara o ângulo de filmagem é sempre o mesmo. A personagem tem predominância sobre o cenário. A personagem da esmeralda ao longo da animação tem bastante expressão, move-se e actua de forma credível exprimindo personalidade real, intenções e emoções. O peso da Esmeralda dá-lhe uma característica comida à cena.

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Esmeralda para se sentir mais à vontade descalça os sapatos e calça uns chinelos, esta acção mostra uma personagem descontraída e amigável despistando qualquer desconfiança sobre ela ser o assassino de comboios. Nesta sequência existe intercut composta pelo grande plano e plano médio. O enquadramento utilizado é mais uma vez um enquadramento frontal / normal, pois este é mais eficaz em resultados estáticos e corresponde á visão objectiva que o espectador tem sobre a situação. A câmara foi colocada ao nível do olhar do indivíduo, sendo assim mais fácil captar a atenção na acção. A narrativa é composta por um grande plano e um plano médio. O plano médio é utilizado de forma a eliminar o cenário e só captar a atenção na Esmeralda, é um plano caracterizado pela acção individual. O grande plano tem como objectivo focar a acção da Esmeralda, neste caso calçar-se e descalçar-se. A iluminação utilizada é Luz artificial, tentando parecer luz de tecto. A personagem na sequência interage com bastantes adereços, o saco onde tem as suas coisas pessoais, uns sapatos e uns chinelos. Também existe um POV pois na animação mostra a Esmeralda a olhar para os sapatos e a colocar os chinelos e existe vários planos dessa sequência (esmeralda olha para o sapato; sapatos calçados; esmeralda com os chinelos na mão; esmeralda com chinelos calçados).

Esmeralda após instalar-se comodamente na carruagem assume uma cara de conforto e tranquilidade. Este acto é composto por um plano médio. O enquadramento é frontal e a câmara mantém-se estática. A luz utilizada é igual às cenas anteriores, artificial e também existe um preenchimento de luz, atenuando os contrastes entre áreas, transmitindo uma atmosfera quente ao espectador. No primeiro frame a personagem estabelece continuidade do olhar, ou seja, Eyeline. 9


No segundo frame Esmeralda mostra-se surpresa com algo e transmite ao espectador interesse para saber o que vai acontecer de seguida, deixando em aberto assim esta cena. É uma aproximação psicológica à personagem pela câmara, Eye Journeys. A Esmeralda estava a olhar para a câmara e de seguida olha para a porta com um olhar de admiração, nesta situação houve continuidade pelo olhar, eyeline. O movimento que a personagem actua é credível e transmite emoções. Cena estudada pelos dois alunos em questão mas podendo adquirir a responsabilidade do mesmo o aluno João Saúde #20102085

Cena 1I 21:03 min até 24:02 min

Esta cena inicia-se com o descanso de Esmeralda por Jonas e Helena chegarem ao seu destino e esta poder ficar sozinha no compartimento com Salcedas. Bate à porta uma senhora para poder entrar na carruagem e Esmeralda diz que está ocupado fecha a porta e puxa a cortina para não se ver nada. O enquadramento da sequência fotográfica é frontal / normal, a câmara mantém-se estática. E existe um plano próximo e um grande plano. O plano próximo serve para destacar o dialogo da nova personagem com a Esmeralda de forma a converter a “figura humana” no centro das atenções. 10


Grande plano serve para representar a parte de um todo. Este enquadramento torna mais claro os pormenores personificando-os. O cenário é frontal ao espectador e está aberto por uma porta e uma janela, por estes elementos consegue-se ver uma paisagem do exterior. A paisagem exterior dá noção de profundidade e tem mais luz, uma luz artificial simulando luz natural a entrar na carruagem. Esta luz tem um tom alaranjado dando a entender que deve ser de tarde. Também existe uma luz de tecto muito suave para destacar a Esmeralda. A personagem na sequência interage com material de tricot e com o próprio cenário (a porta e a cortina). O comportamento de Esmeralda foi bastante suspeito, começa a suscitar duvidas no espectador. No grande plano dá relevo à acção de puchar a cortina para baixo. É usado iluminação por múltiplas fontes. Iluminação por enchimento, atenuando os claros e escuros e também iluminação de modelação de personagens, ou seja, kicker light.

Nesta sequência Esmeralda tenta disfarçar a sua atitude e força um sorriso a Salcedas, é acompanhado por um som triste e intrigante deixando o espectador ansioso por saber o que vai acontecer de seguida. Os movimentos corporais da personagem são a denúncia que algo se passa. O enquadramento é frontal e composto por um plano próximo. O plano está a realçar a personalidade escondida de Esmeralda, deixando Salcedas um pouco desconfiado ou triste. A luz ficou bastante fraca com tons muito sóbrios parecendo adivinhar o pior. É uma luz de teto. Direcciona a atenção para a acção e fornece de certa forma informação ao espectador. 11


A acção esta cada vez mais comprometedora. Salcedas fica a olhar para o exterior vendo os seus “companheiros ” de comboio no seu destino. Jonas deixa cair a mala no chão e apanha os seus pertences enquanto é observado. O descuido a mala ter caído foi perpositado pelo actor. O enquadramento é de frente para que o espectador consiga estabelecer relação com os personagens e a filmagem e á altura da linha dos olhos, para que não haja distracções. A luz é simulação de luz artificial no interior do comboio e luz artificial simulando luz artificial (candeeiros de rua), pois já se encontra no entardecer. No exterior também existe o uso de sombras atenuadas por luz reflectida. A sequencia é composta por intercut, contém um plano próximo, plano geral e um plano de pormenor. No plano próximo é o Salcedas a espreitar pela janela este plano retrata uma certa preocupação da personagem parece bastante irrequieta. O Plano geral foi utilizado de forma a destacar a acção de Jonas. Jonas entra em interacção com a sua mala, o facto da mala ter caído facilitou a descoberta do assassino de comboios. O uso do som ajuda a percepção da demora propositada de Jonas a apanhar as suas coisas. A atmosfera envolvente é fria tornando cada passo muito calculista. O cenário está em perspectiva dando noção de profundidade e de continuidade do meio envolvente. O plano de pormenor vem salientar a personagem de Salcedas, parecendo que algo lhe vai acontecer.

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Enquadramento normal composto por um plano próximo e um muito grande plano. Nesta sequencia esta representado a Esmeralda a fazer tricô e a cortar a lã com o canivete que o Jonas deixou na carruagem. O plano próximo foi utilizado para destacar a expressão da personagem, esta parece que está a tramar algo. O muito grande plano retrata a interacção da personagem com os adereços (lã e canivete). A Esmeralda encontra-se a cortar lã, o corte simboliza fim de vida, começando assim a anunciar-se como assassina. Câmara foi cuidadosamente posicionada para tornar as acções mais compreensível. A Luz mais uma vez é artificial simbolizando luz artificial de tecto, amarela para dar uma atmosfera pesada. O cenário está completamente fechado captando/suscitando assim emoções no espectador.

A sequência fotográfica o Jonas acaba de apanhar as suas coisas no chão e um jornal vem contra as suas pernas e este fica a ler uma noticia. Enquanto a Esmeralda acaba de tricotar uma blusa fica bastante contente e o seu penteado desfaz-se. Os planos utilizados na sequência são plano geral, plano próximo, grande plano e plano de pormenor. 13


O som da animação vai cada vez mais ficando agitado mexendo com a maneira que o espectador observa a curta-metragem. O plano geral foi utilizado para salientar o Jonas a arrumar as coisa e a levar com um jornal nas pernas. Este fica curioso com o jornal. O Plano próximo é utilizado para mostrar a satisfação de Esmeralda por acabar a sua blusa, esta fica despenteada e com os olhos esbugalhados, havendo uma aproximação psicológica á personagem pela câmara, Eye Journey. Mostra ao espectador que Esmeralda esta a revelar-se como personagem. É usado um foco de luz para destacar a acção da personagem bem como ela do cenário. O plano de pormenor serviu para salientar a admiração de Jonas por ver a notícia do jornal, havendo aqui um Truck shot, o plano recua do personagem. A Câmara manteve-se estática mas houve um zoom out à acção para dar mais drama casando efeito no espaço e principalmente psicológico. A luz utilizada é a mesma das sequências anteriores.

Na sequência a câmara mantêm-se fixa, o enquadramento é de frente destacando a acção. Permanece apenas um grande plano na cena/sequência fazendo uma sucessão de planos compondo a narrativa Esmeralda mostra a camisola e esta tem uma cruz é a mesma cruz que o Salcedas viu na notícia do jornal sobre o assassino. A camisola está sobreposta a Salcedas (sendo possivelmente a próxima vitima do assassino), neste plano o espectador vê a acção como se fosse a Esmeralda. Logo de seguida existe uma desfocagem em profundidade do Salcedas e do cenário,, este facto é designado por deep focus. A blusa fica destacada de todo o resto, esta simboliza um assassinato. O som é cada vez mais intenso. A iluminação é ambiente por meio de simulação de luz artificial de interior. As sombras também são manipuladas de forma a poder ver-se de forma clara a e concisa a blusa de lã.

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Após Jonas perceber que o Salcedas ficou dentro da carruagem com a assassina este tenta avisa-lo mas não tem sucesso. Jonas ainda corre atrás do comboio mas não consegue alcança-lo. Salcedas fica a acenar ao jovem. A sequência é composta por insert-cut um plano proximo e um grande plano. Na sequencia a câmara mostra a reacção das personagens foca uma e de seguida foca a outra, ou seja, é o Jonas a tentar ajudar o Salcedas mas este não percebe e a cena repete-se varias vezes para se destacar. A este acontecimento designa-se POV. Nesta fase também existe um movimento de câmara (Dolly), este movimento simboliza a partida do comboio. O ângulo da câmara evidencia a profundidade cénica da acção (afastamento do comboio) A luz reflectida utilizada produz uma sombra intencional dando a sensação de movimento da acção. A luminosidade envolvente participa na composição da acção transmitindo ao espectador Tensão (Low-Key Lighting).

A câmara mantém-se fixa ao longo de toda a sequencia e o enquadramento é de frente/normal. Salcedas acena a Jonas de forma a despedir-se mas este corre a trás do comboio para salvar a vida do “parceiro”. 15


O plano utilizado é um plano próximo, para que haja maior interacção das personagens com o espectador. Salcedas interage com o cenário, ou seja, o comboio. Nestes frames Salcedas ao olhar para Jonas também cruza o olhar com o espectador (eyeline), quase como um pedido de ajuda. O cenário mantém-se em aberto devido à perspectiva utilizada, a janela do comboio também transmite noção de espaço. O cenário nos últimos frames (comboio a partir com uma paisagem de fundo) mostra aos espectadores uma paisagem comum com foco de luz propositado, Iluminação em CG. Mas na realidade não ilumina nada, embora altere a percepção do espaço e do tempo, indicando altura do dia e os elementos atmosféricos. O cenário nesta situação quase que se torna o protagonista principal. O som que acompanha o fim de cena é muito triste, deixa em aberto se Esmeralda volta a atacar a linha de comboio. Ao longo da curta-metragem Jonas assumiu um papel desinteressado e um pouco antipático. O plano próximo à cara da personagem transmite uma personalidade que nunca admitiu, mostra uma pessoa com coração e desiludido por não poder ajudar mais o pobre do Salcedas. A luz incidente no personagem é sombria dando uma atmosfera triste e derrotada. Por fim há um grande plano do jornal, mostrando o pormenor do retrato robot do assassino, revelando ao espectador ser a Esmeralda. A câmara mantém-se fixa e na linha dos olhos para mostrar com melhor eficácia o detalhe. O cenário é completamente excluído pois o autor só queria realçar o “mau da história”. Cena estudada pelos dois alunos em questão mas podendo adquirir a responsabilidade do mesmo a aluna Ana Rita Malveiro #20102037

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capitulo III

A SUSPEITA e o Design

O design é uma disciplina plenamente integrante na produção deste filme de animação. Grande parte do filme é orientado por linhas de comunicação mostrando-nos assim o espaço envolvente. A carruagem mostra-nos através de vários pormenores a época do acontecimento (1993) dando ênfase a certos pontos de semelhança á cultura portuguesa.

As quatro personagens principais mostram/comunicações diferentes tipos de personalidades e comportamentos característicos do povo português.

O Salcedas mostra-se como sendo uma pessoa pequena, de meia idade, pouco comunicativa, insegura, demasiadamente organizada, e desconfiada. uma faceta muito característica segundo o autor, do povo português.

Ao entrar em cena a Esmeralda mostra-se uma senhora (personagem) de meia idade e volumosa (cheiinha, como se diz em terras portuguesas)com uma características muito diferenciadas do Salcedas, sendo esta muito simpática( talvez em demasia), comunicadora, curiosa e intrometida. Esta senhora apresenta-se com muitos objectos envolventes , comida, objectos de fazer malha, etc., características de outro tipo de personalidade tipicamente português. A esmeralda é a assassina de comboios, pois no fim esta mostra uma blusa com uma cruz como estava na noticia do jornal. 17


A Helena é já uma personagem magra, com “classe”, não muito simpática, sisuda e moderna. A helena é acompanhada por só uma mala, ao contrario da Esmeralda, que por vez é o “último grito” da tecnologia, sendo esta acompanhada de um sistema que puxa a bagagem para a prateleira sem grande esforço. Desta personagem é-nos possível extrair a tendência para a tecnologia que estaria para vir ao longo destes anos, a frieza e individualidade que surgiria com o passar do tempo e com a dependência das tecnologias.

Por ultimo é nos apresentado o Jonas, sendo este, um jovem com um ar carrancudo “de poucos amigos”, calado e desinteressado pelo meio envolvente, isto nota-se ao ignorar a conversa da Esmeralda e interrompe-a colocando uns headphones, mostrando-se assim desinteressado. Esta características são ainda bem frequentes na nossa sociedade, os jovens de hoje em dia criam uma espécie de “bolha pessoal” à qual ninguém se deve intrometer, através desta personagem o autor consegue transmitir outra fatia do “bolo” da sociedade portuguesa. No que toca ao Revisor este é uma personagem pequena fisicamente com uma personalidade forte, muito autoritária devido ao posto que ocupa no trabalho ( o facto de ser o Revisor e usar farda). As características da personagem assentam bem na sociedade portuguesa no que toca ao uso de fardas, todas as profissões que exijam uma farda são consideradas de mérito, ou vistas por outros como algo extremamente atractivo.

O design de moda: A maneira de vestir das personagens tem também um papel importante em toda a obra cinematográfica. O Salcedas tem uma maneira de vestir muito tradicional e conservada, no filme a personagem usa um fato escuro com um colete, mantendo a simplicidade, podendo assim desta maneira sobressair a sua verdadeira personalidade.

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A Esmeralda apresenta-se com um vestido vermelho com bolas brancas e com um casaco laranja com umas “penas” brancas. A maneira colorida como esta vestida reflecte um personalidade alegra e simpática.

Helena é a personagem mais actual no que toca à maneira de vestir, esta apresenta-se com calças cremes, blusa e um casaco castanho, além de todos estes características a personagem fuma, o que socialmente dá a noção de ser um ser superior. O Jonas é a personagem mais descontraída e casual no que diz respeito à maneira de vestir. No filme ele aparece usando calças de ganga, um pulôver e um cachecol às riscas, acompanhado ainda de um leitor de cassetes com headphones.

O Revisor usa farda pois é algo obrigatório do seu trabalho, esta é composta por um chapéu , camisa, gravata e um pulôver .

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É evidente o cuidado no design de personagens (character design), pois estas são muito ricas tanto no aspecto visual/ figurativo como na sua personalidade. O autor serviu-se tanto do aspecto físico do filme ( carruagem, rua através da janela, etc) como no das personagens, de modo a poder transmitir da melhor maneira possível a visão que ele tinha da sociedade portuguesa nos anos 90.

Ana Rita Malveiro #20102037 João R. Saúde #20102085

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A Suspeita/Cinema e Design  

trabalho escrito

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