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Índice Revista Real - nº 66 Junho 2008 2 Queens Parade Green Lanes London - N8 0RD Fone: 020 8347 5045 Fax: 020 8347 0514 www.revistareal.com

Editor - Chefe Régis Querino (editor@revistareal.com) Arte & Design Mariano Arias Llorente (arte@revistareal.com)

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Marketing & Comercial Fabiano B. Soldati Lacerda Diego Jezler (vendas@revistareal.com)

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Redação Marina Gaspar (jornalismo@revistareal.com)

Fotógrafo Rafael Reina (Reino Unido) Distribuição: BR Jet Delivery brjetlondon@yahoo.com

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Cartas Destaques do mês Brasil Economia Reino Unido Mundo Capa Música Livros Mondo HQB Comportamento Ciência Saúde

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Mulher Personalidades Turismo Motores Tecnologia Esportes Brasileiro em Londres Receitas Crônica Mônica Classificados Endereços Úteis

E D ITOR I A L Há três anos, tentativas frustradas de atentados ao sistema público de transporte geravam uma paranóia na capital britânica. Na caça aos terroristas, a Scotland Yard cometeu talvez o maior erro de sua história, um fato que manchou a sua reputação: matou um inocente. A trágica história que estampou manchetes de jornais mundo afora ainda ecoa com os gritos por justiça da família de Jean Charles de Menezes. A Real mostra em matéria especial que o caso ganhará novos capítulos nos tribunais londrinos em setembro, fala das expectativas dos parentes quanto à puni-

ção dos oficiais envolvidos na operação e de como o triste episódio abalou o relacionamento entre a comunidade brasileira e a polícia. Fique sabendo também que, depois de virar livro, a história de Jean vai ser contada na telona do cinema. Com “Brazuca”, que deve começar a ser rodado em agosto em Londres, a Mango Films vai mostrar a trajetória do mineiro de Gonzaga, sua vida e seus sonhos. Para dar uma esquentada no verão, que cá para nós ainda está bem tímido, a edição de julho traz ótimas dicas de programas na capital londrina. Querendo relaxar e aproveitar um dia de sol? Que tal vi-

sitar alguns parques e jardins não muito conhecidos do público? Confira as dicas na página 32. Seu perfil é esportivo? Então pegue seus patins, compre ou alugue um par e vá deslizar pelas ruas de Londres (página 34). Em busca de diversão à noite? Confira algumas das baladas brasileiras mais quentes da noite londrina (páginas 22 a 26). Em matéria de informação geral, você fica sabendo que a Comissão Européia aprovou leis de imigração mais rígidas (pág. 40), que a ex-primeiradama Ruth Cardoso faleceu em São Paulo (pág. 10) e que se o técnico Dunga está na corda bamba na seleção

brasileira, Felipão, cheio de moral, acabou de chegar para comandar o Chelsea (págs. 72 e 73). Também em Londres, índios da reserva Raposa do Sol, de Roraima, fazem um apelo para salvar as suas terras na Amazônia (pág. 29). Tem muito mais no cardápio de variedades da Real: viagens a Windsor e Cambridge, dicas para uma pele saudável e a participação da Mangueira no Carnaval del Pueblo em agosto. Grande abraço e um ótimo mês a todos. Régis Querino Editor-chefe Revista Real 3

Índice

Colaboradores Alberto Luiz Schneider (Reino Unido) Alessandro Freitas (Brasil) Bete Kiskissian (Reino Unido) Camilo Adorno (Reino Unido) Devaldo Gilini Jr. (Brasil) Eloyr Pacheco (Brasil) Gabriela D’Andrea (Reino Unido) Jacqueline A. de Oliveira (Brasil) Rafael Pieroni (Reino Unido) Tonico Sanches (Brasil)


Cartas

CA RTAS D O L E I T OR

Ethel de Almeida Rowbotham Chorley, Lancashire

Agradecemos a todos os leitores pelas cartas enviadas. Um grande abraço! Régis Querino Editor - Chefe

Rodolfo B. Tamborello Manchester

Reclamei para a ITV que a cobertura da F-1 foi uma desgraça. Eles só falam do Lewis (que arruinou as chances do Kimi na última corrida) e do problema do motor do Kimi e ainda tem a petulância de comentar que o Massa quase não apareceu na tela. Os apresentadores, além de mal vestidos, estão irados porque os direitos de cobertura passarão para a BBC no ano que vem. Sobre a revista número 66, do mês passado, na matéria sobre o Estado de Israel, importante notar que o presidente das Nações Unidas em 1948 era o brasileiro Oswaldo Aranha. Sua revista foime apresentada por um amigo português preocupado com a nova ortografia. Parabéns pela revista, muito bem apresentada, inteligente, variada e sem o horror do “bate-boca” de uma outra. Há muitos anos que não leio revista brasileira-londrina pelo vocabulário de baixo calão e artigos de má qualidade.    Gaúcha cosmopolitana Londres

Cartas

Admiro a lei brasileira que protege os menores e impede que sejam levados do Brasil ao exterior por um dos pais sem o conhecimento do outro ou raptados por estranhos. No entanto, a Autorização de Viagem para Menores não faz o menor sentido nos casos em que a criança nasceu e reside com os pais no exterior. Com os preços exorbitantes das passagens atualmente, dificilmente toda a família pode ir junta visitar os parentes no Brasil. Se a criança viaja ao Brasil com a mãe, por exemplo, por que precisamos desta autorização se o pai não está no Brasil? O parágrafo que diz que “ela não pode viajar para fora da comarca onde reside” não se aplica, pois ela já se encontra fora do país onde reside (Inglaterra, EUA, Canadá, etc)!!! Estas regras precisam ser repensadas, pois aumentam ainda mais o custo da nossa viagem ao Brasil, com taxas de consulado, autenticações, carimbos de advogados e outras burocracias. É muito fácil comprovar que a família reside no exterior, que a passagem aérea originou-se no exterior e que a viagem é só de duas ou três semanas para rever os parentes. Tenho esperança de que alguém venha a examinar esse Estatuto e considere a situação bem diferente em que se encontram os residentes no exterior. Quando saímos do Brasil estamos voltando para a casa, e não saindo de férias para o exterior ou fugindo do país! Já é hora de alguém se interessar por este assunto que afeta milhares de famílias.

É bom que as pessoas que têm intenção de vir morar na Inglaterra se informem antes, pela internet, sobre a realidade das coisas por aqui. Assim ficam espertas e não correm o risco de cair na mão de gente sem escrúpulos. Matérias como a da última edição, sobre os brasileiros online, ajudam nesse sentido.

Caro Leitor, Não hesite em nos contatar. Sugestões, críticas e dúvidas podem ser enviadas para o seguinte endereço: 2 Queens Parade, Green Lanes London - N8 0RD Também pelo e-mail: editor@revistareal.com

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Destaques do mês

Mais de 40 milhões na internet

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Brasil ultrapassou pela primeira vez na história a marca de 40 milhões de pessoas com acesso à internet em qualquer ambiente, como casa, trabalho, escola, cybercafés e bibliotecas. O dado, referente ao primeiro trimestre de 2008, foi divulgado no dia 27 de junho pelo Ibope/NetRatings. De acordo com a pesquisa, nos primeiros três meses de 2008, 41,565 milhões de pessoas com 16 anos ou mais declararam ter acesso à internet, o maior nível atingido no Brasil desde setembro de 2000, quando a empresa começou a fazer a medição no Brasil. Dado que o Brasil tem aproximadamente 184 milhões de habitantes, o número de internautas já equivale a 22,5% da população. “[Os dados] refletem as políticas públicas de abertura de pontos de acesso à internet em escolas, bibliotecas, telecentros e muitos outros locais, além da avalanche de facilidades para adquirir computadores novos”, afirma Alexandre Sanches Magalhães, gerente de análise do Ibope. Atualmente, o Brasil é o quinto maior mercado de PCs, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Reino Unido.

Tragédia no mar das Filipinas

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Destaques

tufão Fengshen atingiu o litoral das Filipinas no dia 21 de junho provocando destruição pelo país e causando uma tragédia no mar. O barco Princess of Stars, com 862 passageiros a bordo, foi atingido por enormes ondas formadas pelo tufão e afundou próximo à ilha de Sibuyan. Equipes de resgate trabalharam intensamente na área, mas apenas 43 sobreviventes foram resgatados. Segundo um porta-voz da guarda costeira, os desaparecidos devem ter sido levados pela correnteza durante a tempestade. “Muitos de nós pularam, as ondas eram muito grandes, e a chuva era forte”, disse a uma rádio local um dos sobreviventes. “Houve apenas um anúncio pelo megafone, cerca de 30 minutos antes do barco virar. Imediatamente depois que eu pulei, o navio virou, e as pessoas mais velhas foram deixadas lá.” Esse foi o maior desastre marítimo no país desde dezembro de 1987, quando cerca de 4.400 morreram no sul do país depois que um barco chocou-se com um petroleiro. Em terra, pelo menos 163 pessoas morreram em conseqüência do tufão deste ano, segundo a Associated Press.

Ditador do Zimbábue assume sexto mandato

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ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, tomou posse no dia 29 de junho para o seu sexto mandato como presidente, após ter sido declarado vencedor pela Comissão Eleitoral do país. Mugabe, há 28 anos no poder, obteve 2.150.269 votos, contra 233 mil de Morgan Tsvangirai, do MDC (Movimento para a Mudança Democrática). A votação foi condenada pela comunidade internacional devido à desistência de Tsvangirai, que retirou sua candidatura em razão das recentes ondas de violência contra opositores no Zimbábue, que causaram mais de 80 mortes e forçaram a retirada de cerca de 200 mil de suas casas. O partido opositor MDC divulgou considerar a eleição de Mugabe “uma farsa” organizada devido à derrota do partido governista Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica) no primeiro turno, relizado em 29 de março. “É uma farsa e um ato de desespero por parte do regime”, afirmou à agência France Presse o porta-voz do MDC, Nelson Chamisa. Tsvangirai venceu o primeiro turno, mas não obteve mais de 50% dos votos, o que provocou uma segunda eleição.


Destaques Revista Real 7


Brasil

Em defesa da floresta Governo quer aumentar participação das Forças Armadas na proteção à Amazônia

Brasil

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governo estuda formas de resolver os entraves constitucionais que inviabilizam a participação das Forças Armadas na defesa da Floresta Amazônica. A afirmação é do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que tem discutido o assunto com o ministro com o Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Segundo Minc, os trabalhos estão sendo desenvolvidos em três frentes: a primeira diz respeito à questão constitucional que deverá ser solucionada com a instituição do conceito de Soberania Ambiental, que atribuiria às Forças Armadas esse papel constitucional. A segunda seria viabilizar os recursos necessários para a atuação dos militares em defesa do meio ambiente, “porque as Forças Armadas vivem sem recursos paras essas e outras de suas atribuições”. A terceira frente a que se referiu Minc seria criar nas Forças Armadas batalhões ou regimentos florestais, específicos para esse fim. “Seria nos moldes do que já acontece aqui no estado do Rio, onde a Polícia Militar já possui os seus batalhões florestais”, disse o ministro. Minc ressaltou que, de certa maneira, as Forças Armadas já ajudam a combater o des-

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matamento ilegal e, portanto, na preservação da floresta, ao dar apoio logístico a diversas operações realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele citou a Operação Boi Pirata, que já apreendeu mais de 3 mil cabeças de gado e que contou com o apoio de aviões da Força Área Brasileira (FAB). Força Preventiva Ambiental Também encontra-se em elaboração junto com o Ministério da Justiça a criação do conceito de Força Preventiva Ambiental, que implicará a concessão de recursos da União para que bombeiros e batalhões florestais dos estados possam também participar da tarefa de preservar as florestas. Para isso, segundo Minc, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar um decreto destinando recursos para os bombeiros estaduais e batalhões florestais dos estados que se disponham a assinar convênios de cooperação na prevenção à degradação ambiental. Segundo o ministro, até o momento 16 estados já se dispuseram a assinar os convênios com a União, inclusive o Mato Grosso

do Sul, do governador Blairo Maggi. “A gente vai dar recursos para os bombeiros e para os batalhões e, em troca, os estados vão colocar 20, 30 bombeiros em unidades federais do Instituto Chico Mendes. No caso dos batalhões florestais, serão colocados cerca de 80 a 120 homens para trabalhar em operações preventivas junto com o Ibama. Vale lembrar, ainda, que a Força Nacional de Segurança já está trabalhando junto com o Ibama e a Polícia Federal no chamado Arco de Fogo.” O ministro do Meio Ambiente disse que o governo federal lançará até o dia 9 de julho um pacote com medidas voltadas para a preservação do meio ambiente e ao combate ao desmatamento no país. “Estarão sendo criados mais parques florestais, assinados os decretos regulamentando os crimes ambientais e criando a figura do guarda-parque e assinado o projeto de lei que cria o Fundo de Mudanças Climáticas. Enfim, será uma outra leva de medidas ecológicas a serem anunciadas pelo presidente Lula”, anunciou Minc. (Envolverde/Agência Brasil)


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Ruth Cardoso morre em São Paulo Esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi vítima de arritmia grave

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Brasil

ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77, morreu no dia 24 de junho, em São Paulo, vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana, segundo boletim médico. Ruth Cardoso morreu em seu apartamento, após desmaiar. Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique, quando passou mal. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não estava em casa. Uma semana antes, Ruth havia sido internada após sentir fortes dores no peito. Ela recebeu alta na segunda-feira, dia 23, do hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista (região central de São Paulo). Na nota, os médicos recordaram que ela foi submetida a um cateterismo que “revelou doença coronária de extensão similar à doença já revelada em cateterismos realizados em 2006”. Carreira Nascida em 19 de setembro de 1930 na cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, Ruth Correa Leite Cardoso foi professora de Antropologia e Ciência Política na USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em São Paulo. Bacharel em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, a ex-primeira-dama se casou em 1953 com Fernando Henrique, com quem teve três filhos. Em 1972, recebeu o título de doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Anos depois, concluiu pós-doutorado na Universidade de Columbia, em Nova York, e também foi professora em universidades americanas e inglesas. Durante o mandato de FHC (1995-2002), dona Ruth fundou o projeto Comunidade Solidária em 1995, uma ação de combate à pobreza e à exclusão social. Atualmente, fazia parte do conselho diretor da Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) Comunitas, criada para dar continuidade aos projetos do Comunidade Solidária. Entre seus cargos de destaque, presidiu o conselho assessor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)

Jovem Guarda perde Sylvinha A cantora Sylvinha Araújo, da Jovem Guarda, morreu no dia 25 de junho em São Paulo. Sylvinha lutava contra um câncer de mama e estava internada no Hospital Nove de Julho desde o dia 4 do mês passado. Sylvinha tinha 56 anos, era casada desde 1969 com o cantor Eduardo Araújo, também da Jovem Guarda, e deixa dois filhos. Mesmo doente, Sylvinha continuava cantando, segundo informou sua assessoria. Antes de ser internada, ela estava envolvida no trabalho do DVD que celebra os 40 anos da Jovem Guarda. O DVD,

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lançado no ano passado, reúne ícones da música brasileira, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. Nascida em Mariana, Minas Gerais, Sylvinha também ficou conhecida por sua participação em jingles de campanhas publicitárias. Entre as músicas que ela cantava estavam “Feitiço de broto” e “Vou botar pra quebrar”. Em recentes apresentações com o marido, o repertório incluía clássicos da Jovem Guarda como “Estúpido cupido”, “Parei na contramão”, “Eu sou terrível”, “Vem quente que eu estou fervendo” e “Banho de lua”, entre outras.

sobre Mulher e Desenvolvimento, foi membro da junta diretiva da UN Foundation e da Comissão da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre as Dimensões Sociais da Globalização e da Comissão sobre a Globalização. Tornou-se uma das principais referências sobre antropologia no país, tendo escrito diversos livros sobre temas relacionados, como juventude, violência e cidadania.


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100 anos da Imigração Japonesa Príncipe herdeiro Naruhito participa das festividades no Brasil

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o dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru chegou ao porto de Santos, no litoral de São Paulo, vindo de Kobe e trazendo as primeiras famílias japonesas ao Brasil. Era o início da imigração japonesa, que completou 100 anos no mês passado com muitas comemorações realizadas em várias cidades brasileiras, com a presença do príncipe herdeiro japonês Naruhito. Em Santos, Naruhito inaugurou uma escultura em homenagem ao centenário, idealizada pela artista plástica Tomie Ohtake. A obra, de 15 m de altura por 20 de largura, se destaca pelas curvas e está localizada na orla de Santos. Em São Paulo, num discurso a estudantes e docentes da USP, Naruhito surpreendeu e falou durante cerca de cinco minutos em português. Lendo seu discurso, Naruhito disse esperar “contribuir para o fortalecimento e o desenvolvimento da relação de amizade entre os dois povos”. Durante as festividades no Palácio das Convenções do Anhembi, na capital paulista, aconteceu uma apresentação da Turma da Mônica, com a participação de Tikara e Keika, os dois mascotes que Mauricio de Sousa criou para o Centenário. Os personagens de Mauricio cantaram e dançaram três músicas: Viva o Imigrante Japonês, Tikara e Keika, todas compostas por Marcio Araujo. Durante sua estada no Brasil, Naruhito visitou, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e o Distrito Federal.

SUS fará cirurgia

de mudança de sexo Sistema público realizará cirurgia para transexuais

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Ministro José Gomes Temporão, da Saúde, informou no início de junho que assinará uma portaria autorizando os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer cirurgia de mudança de sexo. O anúncio foi feito durante a I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBT), realizada em Brasília. “Há uma demanda social. Esta portaria estará atendendo a todas as especificidades”, disse o ministro à imprensa ao chegar ao evento. Segundo Temporão, a portaria a ser divulgada estabelecerá os critérios para a autorização da cirurgia. Ele não informou quantos hospitais estarão disponíveis para a realização do procedimento, mas adiantou que, por se tratar de um ato cirúrgico complexo, de longa duração e que exige um grupo de profissionais específicos, poucas unidades do SUS estarão aptas a realizá-lo. A previsão é de que sejam hospitais universitários de grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A cirurgia de mudança de sexo foi aprovada pelo Conselho Federal de Medicina há 11 anos, mas desde então só foi realizada, no Brasil, em clínicas particulares e a altos custos.

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Por Alberto Luiz Schneider* *Doutor em História pela Unicamp. Pesquisador Associado do Departamento de Português e Estudos Brasileiros do King’s College (University of London).

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espanto dos habitantes do Rio, muitos deles desalojados para acomodar os que ali acabaram de chegar. Mas por que Dom João VI tomou aquela decisão?

O ato O ano de 2008 marca o bicentenário de um advento histórico internacional de profundo significado ao Brasil. Há duzentos anos, Dom João VI, Príncipe regente de Portugal, tomou uma decisão assombrosa: transferiu a sede da Monarquia lusitana de Lisboa para o Rio de Janeiro. Trata-se de uma complexa decisão política, apenas compreensível no contexto de uma Europa em guerra, cujas dramáticas transformações afetariam o mundo. Foi também uma imensa aventura humana, que não envolveu apenas decisões em palácios, mas a vida de milhares de pessoas. Tão pouco foi um acontecimento sem maiores conseqüências ao largo do tempo. Ao contrário, foi um lance histórico decisivo na formação do Brasil. Na manhã de 27 de novembro de 1807, no Porto de Belém, Dom João e toda família real portuguesa – inclusive a mãe idosa e louca, a rainha Dona Maria I – embarcaram rumo ao Brasil levando consigo todo governo – ministros e funcionários, arquivos e bibliotecas e também clérigos, nobres e criados, uma multidão de aproximadamente 15 mil pessoas, distribuída em mais de 50 navios, portugueses e ingleses. No dia 29 de novembro, quando os ventos se mostraram favoráveis, as naus zarparam da barra do Tejo, numa longa viagem oceânica. Em 7 de março de 1808, depois de meses no mar e uns dias de descanso na Bahia, Dom João finalmente alcançou o Rio de Janeiro, onde ficaria por 13 anos. A cidade de 60 mil almas recebeu o equivalente a 8% da população de Lisboa, o que representaria 25% de seus habitantes. Da noite para o dia, o Rio se transformou de uma pacata urbe colonial na sede de uma Monarquia européia. Imaginemos o desespero daquelas milhares de pessoas no cais do porto, com suas coisas e seus medos, esperando a hora de embarcar. E a sensação de abandono dos que ficaram para trás. Imaginemos o

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O processo No começo do século XIX, a Europa estava em ebulição. A Revolução Francesa (1789) e a ascensão de Napoleão (1801) abriram uma nova era na História do Ocidente, que assistia à derrocada de um mundo e o nascimento de outro. Eis um tempo de reis e rainhas degolados, como Luis XVI e Maria Antonieta; de Impérios em ruínas, como a outrora poderosa Espanha; ou de reis em fuga, como a casa de Savóia, que abandonou Turim às pressas; ou a casa de Bragança, que deixou Lisboa poucas horas antes do exército inimigo marchar sobre a cidade. Todos acossados pelas tropas de Napoleão. Os motivos históricos que levaram a família real a transferir a sede da Monarquia originaram-se nas disputas entre a Inglaterra e a França revolucionária. Napoleão Bonaparte - Imperador da França e inimigo de todas as velhas Monarquias da Europa - determinou o fechamento dos portos ao comércio inglês. Napoleão, ao perceber a impossibilidade de vergar a Inglaterra, dado ao seu poderio naval, pretendia sufocá-la economicamente, inviabilizando sua nascente indústria. Aliado inglês desde outros tempos, Portugal foi obrigado a tomar partido. Ceder à pressão francesa significaria romper com a Inglaterra, o que fatalmente geraria retaliações. Os britânicos estavam interessados em comercializar com o Brasil e não hesitariam em usar seu poder naval para viabilizar seus interesses. Em outras palavras, ou Portugal corria o tangível risco de perder o Brasil ou o Reino seria ocupado pelas tropas de Napoleão. Dom João optou pela antiga aliança com a Inglaterra, ou seja, optou pelo Brasil, a jóia da Coroa. As naus inglesas escoltaram a fantástica carga de coisas e pessoas que o Príncipe transladou para o outro lado do Atlântico. Naturalmente, haveria um preço. Antes mesmo de chegar ao Rio de Janeiro, ainda na Bahia, Dom João abriu os portos


As conseqüências Uma das mais notáveis conseqüências do processo foi a transformação pela qual o Rio de Janeiro passou. Quando Dom João retornou a Portugal, em 1821, a cidade já contava com 112.600 habitantes. Haviam sido fundados jornais, livrarias, teatros, escolas, faculdades e casas comerciais que mudariam a vida da cidade para sempre. Naqueles poucos anos, foram criadas as instituições que estiveram na base do Império Brasileiro, como a Escola Nacional de Belas Artes, a Escola de Medicina, a Biblioteca Nacional, o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, o Jardim Botânico. Um dos aspectos mais negativos desse processo foi o enraizamento de uma Monarquia arcaica, que se fez acompanhar por uma aristocracia parasita, ciosa de títulos monárquicos, herdeira de uma cultura de certo modo anti-moderna. O período joanino também foi particularmente hostil aos índios e aos negros. A Monarquia levou adiante uma guerra de extermínio contra os índios botocudos, famosos pela sua resistência aos europeus. A chegada da Corte também coincidiu com o aumento da pressão policial contra os batuques, festas e procissões organizadas pelas irmandades negras, relativamente toleradas no período colonial. A própria escravidão não foi apenas mantida, como aprofundada, gerando uma das classes senhoriais mais ricas das Américas. O Estado brasileiro nasceu conservador e relativamente estável do ponto de vista geográfico e político, especialmente se comparado à turbulência que marcou a formação das repúblicas latino-americanas. O Brasil talvez simplesmente não existisse se não fosse a presença de Dom João em solo brasileiro. O historiador José Murilo de Carvalho argumenta que a América portuguesa, à semelhança da América espanhola, provavelmente teria se fragmentado em cinco ou seis países, não fosse a institucionalização de uma Monarquia européia,

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brasileiros “às nações amigas” e permitiu a instalação de indústrias no país (proibida durante o período colonial). Um tratado de 1810 consolidou os interesses comerciais ingleses. A abertura dos portos foi muito bem recebida pela elite brasileira, que pôde comercializar com o mundo, sem o intermédio dos comerciantes portugueses. Mas foi melhor ainda para Inglaterra, que pôde abastecer-se de produtos tropicais e garantir mercado para suas indústrias. (Além de certos benefícios extras: qualquer crime praticado em solo brasileiro por cidadãos ingleses não poderia ser julgado pela Justiça comum, a mesma a que os brasileiros deveriam se submeter, mas por um magistrado indicado pelos próprios ingleses). A abertura dos portos representou a modernização da inserção internacional do Brasil. No entanto, uma modernização conservadora, pois a estrutura da produção – centrada no latifúndio e na escravatura - não mudou. Ao contrário, aprofundou-se e ganhou escala. A institucionalização da Monarquia e a abertura dos portos puseram em marcha, de modo quase irreversível, a Independência política do país, de fato confirmada em 1822 e liderada pelo filho primogênito de Dom João VI, Dom Pedro I.

capaz de organizar e legitimar a centralização do poder. A unidade política do país é uma longa construção histórica, para a qual muitos fatores contribuiram. Mas se hoje pernambucanos, paulistas, cariocas, gaúchos, mineiros ou paraenses são e sentem-se brasileiros, deve-se, em parte, a ousada decisão tomada no Palácio de Mafra. Ironicamente, construído no século XVIII com o dinheiro do ouro extraído das Minas Gerais. Revista Real 15


Exército gera fúria

em morro do RJ

Soldados entregam três rapazes a traficantes de grupo rival; jovens foram executados

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o último dia 14, três jovens foram detidos por oficiais do Exército que faziam a segurança de uma obra no morro da Providência, no Rio de Janeiro e, segundo testemunhas, entregues para traficantes do morro da Mineira e mortos. Os traficantes da Mineira, no centro do Rio, são parte da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do CV (Comando Vermelho), que controla a Providência. Os militares estavam na Providência desde dezembro de 2007, onde faziam a segurança de obras do projeto Cimento Social, que previa a reforma de 728 casas na favela carioca. Os três jovens – Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, David Wilson Florença da Silva, de 24, e Wellington Gonzaga Costa, de 19 – voltavam para casa às 7h30, depois de um bale funk, quando foram parados pelos oficiais do Exército e detidos por desacato. Eles foram levados para o quartel do Exército que fica próximo à favela, mas o capitão que liderava a corporação no momento ordenou que fossem liberados. No entanto, um dos tenentes desobedeceu as ordens e, com outros dez militares, entregou os rapazes aos traficantes da Mineira. Os três foram encontrados mortos no lixão de Granacho, em Duque de Caxias, município da baixada fluminens, no dia seguinte. Há denúncias de que os militares tenham recebido R$ 60 mil dos traficantes em troca das vítimas. Cadeia e paralisação Segundo a polícia, os militares confessaram o crime e tiveram prisão preventiva decretada. Eles foram indiciados por triplo homicídio, com três agravantes: motivo torpe, impossibilidade de defesa das vítimas e meio cruel.

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Os traficantes suspeitos de terem executado os rapazes, no entanto, ainda permanecem soltos. O episódio envolvendo a morte dos jovens gerou uma polêmica sobre a presença dos militares na Providência. Pouco depois do ocorrido, a Justiça Federal ordenou a retirada das tropas no

morro, mas o Governo Federal recorreu e conseguiu que os militares permanecessem. Logo depois, a Justiça Eleitoral determinou que as obras fossem paralisadas, pois entendeu que o projeto tinha caráter eleitoral – o projeto foi apresentado pelo senador Marcelo Crivella e posto em prática após um acordo de integração entre os ministérios da Defesa e das Cidades, mas obras dessa natureza são proibidas pela Constitui-

ção em períodos eleitorais. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou, então, que o Exército deixasse definitivamente o morro. A Procuradoria Geral da União tinha até o dia 27 para recorrer da decisão de paralisação das obras, mas até o fechamento desta edição não tinha se manifestado.


Roubo ousado na

Pinacoteca de SP Em plena luz do dia, três homens levam obras no valor de R$ 1 milhão

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após o roubo. O Museu de Arte Sacra de São Paulo, no centro histórico da capital, também recebeu um detector de metal e um guarda armado. Instalado no Mosteiro da Luz, o Museu de Arte Sacra tem um dos acervos mais valiosos da cidade, com 4 mil peças, com obras de Aleijadinho, Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Manuel da Costa Athayde e Padre Jesuíno do Monte Carmelo. Uma semana após sofrer o assalto, a Estação Pinacoteca abriu uma nova mostra com a doação de R$ 1 milhão do banco Credit Suisse - o mesmo valor das obras roubadas do museu. A exposição, que ficará em cartaz até 17 de agosto, inclui 15 obras de artistas contemporâneos, como Beatriz Milha-

Pinacoteca de São Paulo

zes, Caetano de Almeida, Daniel Senise, Carmela Gross, Marepe, Rosângela Rennó, Efrain Almeida, Carlos Zilio e Ivan Serpa.

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Secretaria Estadual da Cultura de São Paulo resolveu reforçar a segurança nos museus do estado depois que a Pinacoteca da capital paulista foi roubada no mês passado. Duas obras de Pablo Picasso, uma gravura de Lasar Segall e uma tela de Di Cavalcanti, avaliadas em R$ 1 milhão, foram levadas no dia 12 de junho. Três homens aproveitaram a falha no sistema de segurança e levaram as obras tranquilamente, em plena luz do dia, pela porta da frente da Pinacoteca. Apesar de o secretário estadual da Cultura, João Sayad, afirmar que a Pinacoteca é o “museu mais seguro de São Paulo”, vigilantes armados foram deslocados na surdina, uma semana


Economia

A transformação

Economia

que precisamos

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imprensa nacional e internacional têm constantemente publicado que o país vive, como de fato, uma transformação. Porém, a verdadeira e mais profunda ainda esteja por acontecer. Essa sim deverá ter o impacto que definitivamente consolidará o desenvolvimento do Brasil. Quando percebermos essa mudança, o que teremos assistido é a evolução de políticas, leis e, acima de tudo, da forma como encaramos a educação pública para todos e de todos. A educação se tornou um direito público na constituição de 1934, com Getúlio Vargas presidente do país. Desde lá, houve mudanças profundas na legislação e na implantação de diretrizes do ensino básico ao terceiro grau. Talvez a reformulação do estado, ao longo do tempo, não acompanhasse a explosão demográfica que passamos entre os anos 60 e 90. Tampouco esse dado pode ser aceito como justificativa para a baixa qualidade das nossas escolas. Para abrir a discussão e lançar um marco que registre o rompimento com o modelo atual, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado entregou um relatório contendo sugestões ao Plano de Desenvolvimento da Educação lançado pelo governo federal. Segundo o presidente da comissão, o senador Cristovam Buarque, há uma cultura de desprezo pela educação já disseminada. O foco das soluções apresentadas no relatório intitulado “A Revolução da Educação” foi o educacionismo, a fim de se chegar à universalização da qualidade do ensino. Mas, na prática, quais seriam essas mudanças?

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Segundo o documento, seria federalizar a educação, porém com descentralização gerencial. O MEC se dividiria em Ministério da Educação de Base e Ministério do Ensino Superior. Hoje 75% das verbas para a educação vão para as universidades federais e apenas 25% vão para o ensino fundamental. Construir e reformar escolas. São gritantes as diferenças das instalações públicas e particulares, por exemplo. Criar a Lei de Metas para a Educação e a Lei de Responsabilidade Educacional, como é o caso da Lei de Responsabilidade Fiscal. Valorizar, formar e motivar o professor; o documento propõe também que é necessário fiscalizar o desempenho dos professores, como já acontece no setor privado. Proteger edificações e equipamentos. Algumas escolas no país são o próprio desestímulo para as crianças estudarem. Substituir o vestibular pelo sistema de avaliação seriada. Lembrando que o mesmo foi criado pela UNB em 1995 com o nome de PAS. Instituir um sistema de premiação que estimule alunos, professores, escolas, cidades e estados. O programa de auditório Caldeirão do Huck, da Rede Globo, tem surpreendido com a audiência de um quadro em que jovens de todas as regiões do Brasil concorrem soletrando palavras. Entre milhares de crianças, o último vencedor e premiado foi o mineirinho Eder Coimbra, estudante da rede pública (critério da competição) do Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais carentes do país. Como se já não fosse comovente, o menino, até então, caminhava todos os

dias por quilômetros em estrada de chão batido para ir e voltar da escola. Mérito puramente individual, mas que demonstra a sede de conhecimento do povo. Na direção contrária, para cada dez crianças na escola pública, apenas quatro conseguem completar o ensino médio. Desse total, 90% entram no curso superior, mas apenas 18% têm comprovadamente boa formação. Entre outras soluções apresentadas no relatório, a erradicação do analfabetismo ainda trata-se de uma luta a ser travada. No Brasil há 20 milhões de analfabetos com mais de 18 anos e 33 milhões de incapazes de ler ou escrever. Na outra ponta da discussão, o artigo “O poder da Inovação no Brasil”, publicado pelo Conselho Federal de Economia, aponta o baixo nível educacional e cultural da mão-de-obra e a incompreensão dos setores públicos e privados do significado contemporâneo de Inovação, como os dois principais gargalos para a formulação de políticas para a indústria nacional. O artigo conclui que o próximo salto na economia depende da capacidade de inovar. As conseqüências do sistema atual, seguindo o presidente da CE, são a violência que assola o país, desemprego, desigualdade de renda, atraso científico e tecnológico, dependência econômica, desaglutinação social e pobreza cultural. Talvez, por isso mesmo, a verdadeira transformação do Brasil ainda não começou. Alessandro Freitas


InBev reitera

oferta por cervejaria Grupo belgo-brasileiro pode comprar dona da tradicional marca Budweiser

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A cervejaria belgobrasileira InBev reiterou em junho a sua oferta de US$ 46 bilhões pela fabricante de bebidas Anheuser-Busch (AB) - dona da tradicional marca Budweiser – e garantiu que o negócio não acarretará no fechamento de cervejarias nos Estados Unidos.

Orgulho ferido A venda da fabricante americana de cerveja gerou uma onda de insatisfação entre os americanos, já que a Budweiser é tida como um símbolo do país. Até políticos entraram na briga. “Eu disse que sou veementemente contra essa venda” disse a senadora democrata Claire McCaskill, do Estado do Missouri (onde fica a sede da cervejaria), após encontro com o executivo-chefe da InBev, Carlos Brito. McCaskill disse esperar que a AB “veja o que esse negócio significa para a empresa e a cultura” americana e rejeite a oferta e que irá enviar uma carta à diretoria da AB pedindo que não aceitem o negócio. A senadora, no entanto, reconheceu ter pouco poder para impedir que o negócio prossiga.

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Economia

cervejaria belgo-brasileira InBev reiterou em junho a sua oferta de US$ 46 bilhões pela fabricante de bebidas Anheuser-Busch (AB) - dona da tradicional marca Budweiser – e garantiu que o negócio não acarretará no fechamento de cervejarias nos Estados Unidos. Segundo o presidente da companhia, em caso de uma possível compra, alguns dos executivos do primeiro escalão e membros do conselho da companhia norte-americana serão mantidos. “A combinação tentará manter o primeiro escalão administrativo de ambas as empresas e seus membros de conselho”, afirmou o presidenteexecutivo da InBev, Carlos Brito, em entrevista. “Não haverá fechamento de cervejarias (nos Estados Unidos)”, acrescentou.


Reino Unido

Músico é barrado na imigração Guitarrista brasileiro é impedido de entrar no país e fazer show em Londres

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Reino Unido

guitarrista e compositor brasileiro Marcos Davi foi impedido de entrar na Grã-Bretanha pelos funcionários da imigração em junho. Ele estava em turnê pela Europa e já havia passado por Suíça e Alemanha. O músico se apresentaria no dia 12 de junho na Canning House, entidade que promove eventos culturais e educacionais a fim de apoiar a integração entre Grã-Bretanha, Portugal, Espanha e América Latina.

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Marcos Davi, que mora no Brasil, chegou a Londres no dia 11 de junho à noite, mas os agentes da imigração britânica não aceitaram a carta da organização do show explicando que o músico participaria de um evento cultural no país e o mandaram de volta à Alemanha, último país por onde havia passado. Ele ficaria só um dia em Londres e depois seguiria em turnê. Larissa Litchfield, funcionária da Canning House que organizou o show, disse, em entrevista à BBC Brasil, acreditar que, por Marcos Davi ter chegado ao país à noite, os funcionários da imigração não tiveram como entrar em contato com a organização do evento nem com a embaixada brasileira para confirmar o show e, por isso, resolveram mandar o músico de volta. Davi, por sua vez, diz esperar que as autoridades brasileiras tomem algum tipo de posição em relação à maneira como foi tratado. Em carta à embaixada brasileira, o músico disse não ter conhecimento da necessidade de quaisquer outros documentos além dos usuais e da carta de confirmação do show – os mesmos que o permitiram entrar na Suíça e na Alemanha sem problemas. Ele relata ainda ter sido tratado de maneira desrespeitosa pelos agentes da fronteira britânica. Teve as impressões digitais tiradas e a escolta de um policial que só deixou de observálo quando as portas do avião foram fechadas. O passaporte do músico foi entregue ao piloto da aeronove e só devolvido após a chegada à Alemanha. Também não foi permitido que desse qualquer telefonema às pessoas que o receberiam. “Não sei se esses procedimentos são habituais, mas sei que isso não é maneira de se tratar um trabalhador da arte que é honesto e nada mais queria, se não, fazer o seu trabalho”, disse o músico.


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Festa Junina no Barracuda

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conteceu no dia 21 de junho a Festa Junina no Barracuda, organizada pela turma da THE POINT, com apoio da LCC. A galera entrou no clima caipira e foi vestida a caráter, com direito a premiação do melhor casal da noite. Como não poderia faltar, a revista Real traz alguns flashes da moçada que compareceu em massa ao evento. A balada foi um sucesso de público, deixando muita gente já na expectativa para os próximos eventos da mais tradicional e agitada festa brasileira em Londres. A Festa Junina marcou o início de uma série de outras festas temáticas, como a Festa da Mini Saia e a Festa da Rainha da bateria, que acontecerão em julho.

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Inauguração do Canecão

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oi inaugurado no dia 21 de junho o primeiro pub brasileiro em Londres, o Canecão, localizado entre Camden Town e King’s Cross. O evento contou com muita animação, festa, boa música, voz e violão, DJ, banda ao vivo e principalmente cerveja gelada e aquele tira-gosto com o tempero brasileiro. Um autêntico pub inglês com uma pitada da alegria da nossa terra. A proposta dos sóciosproprietários Adriano Dadalto e Cláudio Henrique é que o Canecão seja um pub feito por brasileiros para brasileiros e amantes da nossa cultura, além de oferecer um atendimento diferenciado, variedade de bebidas e a inédita Caipibeer (caipirinha de cerveja).


Festa em Seven Sisters

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Reino Unido

ondres é conhecida pelas inúmeras baladas que rolam na cidade. Sabendo disso, não poderíamos deixar de lado a mais nova festa brasileira que está animando ainda mais as noites de verão da capital britânica. Localizada em um ponto estratégico da cidade, pertinho da estação de Seven Sisters, a Na Balada Brazil, organizada pelo produtor Thiago Sales, veio para dar mais uma opção àqueles que sentiam falta de uma festa às sextasfeiras. A festa é semanal e conta com DJ e bandas ao vivo comandando o ritmo na pista de dança.

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A Mangueira vem aí gente! A Verde e Rosa será a principal atração do Carnaval del Pueblo 2008

da Salsa: preparem o fôlego! Haverá um local reservado para eles dançarem ao ritmo do som “caliente” durante seis horas consecutivas! Atividades para as crianças, comidas típicas e artesanato vão completar a festa que espera receber esse ano, segundo os seus organizadores, 160 mil pessoas, 30 mil a mais que no ano passado. A Real estará lá fazendo a cobertura do evento, porque como diz um dos famosos sambas-enredo da Mangueira: “atrás da Verde e Rosa só não vai quem já morreu!” Mais informações sobre o Carnaval del Pueblo você encontra no site www.carnavaldelpueblo.co.uk Bete Kiskissian

Atrações no parque Além do Samba da Mangueira, vários shows com grupos de música cubana, mexicana, peruana e boliviana prometem fazer a galera cair no som no Burgess Park. O recado especial esse ano, porém, é para os amantes

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hora de começar a afinar os tamborins e se preparar para rasgar a fantasia! Está chegando a vez de celebrar o 10º Carnaval del Pueblo, maior festival de música, dança e expressão cultural latino-americana do Reino Unido e Europa. O evento, que acontecerá no dia 3 de agosto no sul de Londres, vai homenagear esse ano a grande comunidade brasileira que vive na capital britânica. Para tanto, os organizadores da festa estão prometendo grandes surpresas. A maior delas será a participação especial da carioquíssima escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Trazendo 12 integrantes da bateria e sua rainha, além de belas passistas, a Verde e Rosa promete contagiar a todos com seu batuque, alegria e muito samba no pé, é claro!

Colorindo as ruas de Londres Como de costume, a abertura do Carnaval, que conta com o apoio da prefeitura da cidade, vai começar ao meio-dia com um desfile de carros alegóricos e foliões vestidos com fantasias multicoloridas. Os participantes de 11 países latino-americanos mostrarão ali, mais uma vez, sua música e dança para a multidão que os acompanhará de Elephant and Castle, passando por Walworth, Cawberwell and Albany Road até chegar ao Burgess Park, onde a festa continuará até por volta das 22 horas. A entrada é grátis. A grande novidade esse ano é que o Carnaval del Pueblo será “eco-friendly”. Uma mostra disso é que as caixas de som serão mantidas a pilha ao invés de eletricidade. “Como o festival atrai gente de todas as partes do mundo, essa é uma boa oportunidade para levar a mensagem ao público de que podemos nos divertir e ao mesmo tempo ajudar a preservar o meio ambiente”, diz Mario Tamasá, um dos diretores do evento.


Feijoada no centro de Londres Bankete oferece boa comida e localização privilegiada entre Liverpool e Aldgate

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ferecer a melhor comida brasileira de Londres é o mínimo que o empresário Leonardo Cotta, do restaurante Bankete, espera. E que ninguém duvide da capacidade do moço de chegar lá. “Trabalhando como nunca”, como define o momento atual, ele oferece, no restaurante, um cardápio bem brasileiro para ninguém botar defeito. O melhor: entre as estações de Liverpool Street e Aldgate, o Bankete é de fácil acesso para os brasileiros que vivem em qualquer parte da cidade. O Bankete é fruto de muito trabalho de Leonardo e de uma grande amizade. Há seis anos na Inglaterra, passou alguns meses em Londres antes de partir para outras cidades do país. Trabalhou de garçom, chegou a gerente de restaurantes e viu que, se sabia administrar bem o negócio dos outros, estava na hora de cuidar do próprio. Projeto na cabeça, logo pensou no talento de Tavares, amigo desde a chegada na terra da rainha, com as panelas. “Quando moramos juntos, ele cozinhava e eu lavava”, lembra o empresário. Foi assim que, em 2006, o negócio começou a ser idealizado, até abrir definitivamente as portas em 2008. “É muito trabalhoso, mas vale a pena, pois, quando vou para a casa à noite, sei que trabalhei para mim”, diz Leonardo. Ele conta que uma das partes mais complicadas foi lidar com todos os papéis exigidos pela lei britânica. “É muita burocracia”. O trabalho começou na escolha do ponto. A localização é privilegiada, mas o local onde funciona o Bankete era originalmente uma loja. “Tivemos de reformar tudo”, diz o empresário que, outra vez com a ajuda do amigo e chef, colocou a mão na massa na construção. “Ele já havia trabalhado em construção. Nós erguemos paredes, pintamos nós mesmos.” Depois, foram alguns meses até conseguir todas as licenças necessárias para a casa funcionar. Primeiro veio a licença para abrir o restaurante, depois demorou ainda alguns meses para poder vender bebida alcoólica. Com tudo em dia, o Bankete agora funciona a todo vapor. O cardápio, a la carte, conta com as delícias do chef Tavares e tem a feijoada e a picanha entre as campeãs na preferência do público. Para beber, os tradicionais guaraná Antarctica, caipirinha e cerveja Skol também fazem sucesso entre brasileiros e estrangeiros. “Como estamos no centro, durante a semana tem muito movimento de pessoas que trabalham por perto na hora do almoço e o público é metade brasileiro e metade estrangeiro”, diz Leonardo. Nos fins de semana, no entanto, a história é outra. Os jogos de futebol na televisão, aliados a MPB ao vivo nas noites de sexta e um pagode todo sábado, a partir das 16h, deixam a casa lotada dos conterrâneos do dono. “A capacidade durante a semana é de 40 pessoas sentadas aqui dentro. Nos fins-de-semana, colocamos mesas lá fora e chegamos a ter umas 70 pessoas.” Para quem quer um motivo a mais para ir ao Bankete, além da boa comida, da música e do futebol, fica a dica: o local também oferece conexão wireless à Internet sem cobrar nadinha a mais por isso.

Parceria: o chef Tavares e o empresário Leonardo Cotta

Serviço: Restaurante Bankete - 3 Bell Lane - E1 7LA - Telefone: 020 7247 5479 28 Revista Real


Índios fazem apelo na Europa Tribos que vivem em Roraima buscam ajuda internacional para salvar suas terras

Foto: Marc Cowan / Survival Os representantes dos índios na Embaixada do Brasil

Apoio à luta “Se perdermos essa batalha, será algo muito triste que entrará para a nossa história, porque outros invasores ilegais vão se sentir no direito de também roubar outras terras que pertencem aos índios brasileiros. Por causa disso, para nós é muito importante que tenhamos o apoio de um grande número de pessoas”, avalia a índia wapichana Pierlangela. Após a visita à Europa, os dirigentes índigenas de Raposa do Sol pretendem entregar um documento às autoridades brasileiras com assinaturas de todos que estão, dentro e fora do país, apoiando a manifestação. As entidades que estão engajadas nessa luta são: Caritas, Manos Unidas, Entreculturas, Anistia Internacional, Green Pace e Survival International, entre outras. Aos interessados em fazer parte desta campanha, há o modelo de uma carta a ser preenchida no site www. survival-international.org. Para saber mais informações sobre o trabalho indígena em Raposa do Sol acesse www.cir.org.br. Bete Kiskissian Revista Real 29

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Terra da discórdia A ação de Lula em 2005 representou uma grande vitória na história indígena do país, uma vez que este povo vinha lutando pela homologação de seu patrimônio há 30 anos. Entretanto, não foi bem vista por alguns políticos e plantadores de arroz locais. De lá para cá eles vem protestando duramente para que esta lei caia e já entraram com ação junto ao Supremo Tribunal Federal para pedir o direito de continuarem mantendo suas lavouras. O caso será decidido pelo STF em agosto. Com o intuito de lutar pelos seus direitos e acabar com o conflito na região, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) criou a campanha “Anna Pata, Anna Yan” (Nossa Terra, Nossa Mãe), pedindo o suporte da população e de entidades envolvidas nas questões indígenas brasileiras. Desapontados com a pequena repercussão do caso na imprensa nacional, dirigentes do CIR resolveram pedir ajuda também na Europa. Para cumprir essa missão que começou em junho e tem previsão para terminar no dia 8 deste mês, o ex-coordenador do CIR, índio macuxi Jacir José de Souza, e a coordenadora da Organização dos Professores Indígenas de Roraima, índia wapichana Pierlangela Nascimento da Cunha, estão visitando dirigentes de entidades governamentais e não governamentais da Espanha, Inglaterra, Bélgica, França, Itália e Portugal. Eles pretendem com isso sensibilizar as organizações européias para que, através do seu apoio, as autoridades brasileiras mantenham o decreto de posse da reserva Raposa Serra do Sol aos povos índígenas da região e afastem os agricultores de lá definitivamente. “A produção de arroz em nossas terras está trazendo danos ambientais e prejuízo à saúde de nosso povo. Depois que trouxemos a campanha à Europa, a mídia no Brasil está fazendo o caso repercurtir, mas antes, demos mais de 50 entrevistas e não vimos muitos noticiarem os problemas que estamos enfrentando”, diz o índio José de Souza.

Pierlangela e Jacir: luta pe los direitos indígenas

Foto: Fiona Watson / Survival

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ontes queimadas, pessoas feridas, uma aldeia bombardeada. É sob esse clima de pé de guerra que os povos indígenas da reserva Raposa do Sol, em Roraima, vêm vivendo nos últimos tempos. Os causadores de tamanha agressão são agricultores que cultivam arroz e teimam em continuar em terras que foram reconhecidas oficialmente em 2005, pelo presidente Lula, como sendo de posse dos índios. A reserva Raposa do Sol é habitação ancestral dos povos macuxi, wapichana, ingarikó, taurepang e patamona. Lá vive uma população estimada em 19 mil índios, dividida entre 194 comunidades num território de 1,7 milhões de hectares.


Conheça os serviços

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Com um cardápio variado de opções para os clientes, loja central da LCC

LCC Dean Street

100 Dean Street, W1D 3TF, 020 7494 4440. Seg. a Sex. 9h às 20h; Sáb 9h às 17h; Dom. 11h às 17h. Metrô: Oxford Circus ou Tottenham Court Rd.

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mais movimentada de todas as filiais da LCC Transenvio, em Dean Street, não pára. Aberta de segunda a domingo, realiza centenas de envios de dinheiro por dia para 90 países. Acha pouco? Pois lá ainda dá para descontar cheques-salário e cheques comuns, trocar moedas e, de quebra, navegar na Internet tomando um guaraná Antarctica, à venda no local. “Somos uma loja central e temos clientes de quase todos os países”, diz Karen Fiestas Navas, gerente da LCC Dean Street. Não à toa, a maioria dos atendentes fala três línguas e o domínio do inglês, claro, é obrigatório. No total, são 11 funcionários trabalhando diariamente para garantir que todos os clientes terão o serviço realizado da maneira mais eficiente possível. Duas atendentes ficam exclusivamente na recepção para cadastrar e cuidar da documentação dos clientes, o que agiliza o atendimento nos caixas e evita que percam tempo precioso em filas. Cinco se revezam no atendimento e tratam de fazer com que o dinheiro dos clientes chegue o mais rápido possível ao destino. Quem optar pelo envio expresso vê o saldo na conta corrente

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no mesmo dia, mas o normal é que chegue entre 24 e 72 horas. O principal motivo do sucesso do negócio, segundo Karen, é a confiança que a empresa passa para os clientes. “Estamos há muito tempo no mercado, conhecemos bem todos os processos para o envio, atuamos em vários países. O cliente sente segurança ao utilizar os nossos serviços”, explica.

Há 11 anos no mercado, a LCC faz envios de dinheiro para 90 países O país que mais recebe envios é o Brasil, com 65% das operações realizadas diariamente pela LCC Dean Street. Para dar uma idéia da importância do mercado brasileiro, a Polônia, que ocupa o segundo lugar no ranking, representa apenas 13% do total. Filipinas e Portugal também são bem requisitados entre os clientes, mas a localização central da loja próxima a Oxford Circus faz com

que haja um grande volume de envios para destinos um tanto inusitados. “Fazemos muitos envios para o Uzbequistão”, conta Karen. É também por estar em um local de tão fácil acesso que a loja recebe os documentos do pessoal que faz os envios por meio do telefone, ligando para o call center da LCC. Outros serviços Nem todos os serviços da LCC de Dean Street, porém, são relacionados ao envio de dinheiro. A filial do centro também oferece caixas postais, ideal para quem costuma mudar muito de endereço e quer receber todas as correspondências. Funciona assim: a pessoa aluga a caixa por um determinado período e tudo o que vier pelo correio é depositado lá, em um armário trancado a chave pelo dono da caixa, que pode ir retirar o conteúdo quando quiser. E, para quando bater aquela vontade de visitar os parentes no Brasil, no mesmo espaço funciona a Bravo Turismo, sempre com ótimas condições para quem vai cruzar o Atlântico ou prefere algum destino aqui pela Europa mesmo. Marina Gaspar Fotos: Gabriela D’Andres


da LCC Dean Street International Money Transfer é procurada por gente do mundo inteiro

t: ean Stree D C C L a n r para faze O que dá

We speak English... ...e outras línguas também! Veja o que fala cada uma das atendentes da LCC Dean Street.

• • • • •

Envios regulares de dinheiro para 90 países Troca de cheques-salário e cheques comuns Troca de moedas: euro, libra e real Serviço de caixa postal Internet (10 minutos gratuitos para clientes)

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Márcia: português e inglês Tatiana: português, inglês, italiano e espanhol Agnieszca: polonês, inglês e russo Olga: espanhol, inglês e português Monika: polonês, inglês e russo Hellen: português, inglês e espanhol Fabiana: português, inglês e italiano

Os preços são bons; as promoções, ainda melhores. Veja as v antagens de utilizar os serviços da LCC :

• Em julho, envios para Portugal estão em promoção: £3. • Vale lembrar: para Brasil e Polônia, além do primeiro envio, o quarto também passa a ser grátis.

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Jardins

secretos de Londres

Cansado dos parques lotados? Que tal explorar locais menos conhecidos da capital?

Reino Unido

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só esquentar um pouquinho que lá vai aquele batalhão de gente ocupar cada milímetro do gramado do Regent’s Park, do Green Park ou do Hyde Park. Para os mais animados, ainda rola o grande espaço de Hampstead Heath ou os belos cenários de Richmond. Ainda há centenas de pequenos parques e jardins públicos espalhados por toda a cidade. Mas se você for mais um dos moradores em busca de uma Londres ainda pouco explorada, então saiba que existem espaços como este.

Aí vão algumas dicas para você se aventurar no verão: Eltham Palace

No sudeste da capital existe o Eltham Palace, construído em 1936 por uma família britânica, mas que acabou virando propriedade do English Heritage. Durante o passeio você irá se surpreender com uma imensa parede medieval que foi construída sobre um pequeno lago dentro da propriedade. Área verde repleta de flores, como rosas e magnólias. Court Yard SE9

www.elthampalace.org.uk

tempo e saiba como era feito o cultivo de plantas durante a época da Rainha Elizabeth I, por exemplo. Kingsland Rd E2

www.geffrye-museum.org.uk

China Landscape at the British Museum Que tal conhecer jardins chineses sem sair de Londres? Neste verão, o destaque dos jardins do British Museum são plantas trazidas de montanhas da China. Bambus e uma espécie de planta que existia no tempo dos dinossauros foram trazidos especialmente para esta estação. Não perca! 44 Great Russel Street WC1

www.britishmuseum.org

5 Fenton House

Geffrye Museum Gardens

Para quem é fã de jardinagem, este é um local imperdível, especialmente durante a primavera. Este museu, localizado no leste da cidade, reúne métodos de cultivo dos últimos 500 anos. Viaje no

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Para quem mora no noroeste da cidade, a dica pode ser esta área que foi criada no século 17. De acordo com historiadores, os jardins faziam parte da residência de um antigo mercador. Destaque para um orquidário que já existe há mais de 300 anos e para a plantação de maçãs, com 30 variedades. Fenton House Hampstead Grove NW3

www.nationaltrust.org.uk

Rafael Pieroni


Informe Publicitário

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Londonbyheart atua no mercado há mais de cinco anos com o intuito de ajudar a comunidade brasileira através de serviços especializados, como: assistência em obtenção de vistos, restituição de taxas, serviços de intérpretes e uma série de outros serviços visando o seu bem-estar. A partir desse mês estaremos nas páginas da revista Real esclarecendo suas dúvidas sobre imigração com a ajuda de nossa orientadora, a “barrister” Mavelyn Vidal, da Duncan Lewis & Co Solicitors. Nesta edição de stacaremos uma importante mudança na lei de imigração: o governo britânico anunciou, no dia 25 de junho, novas medidas que serão implementadas até o final do ano. Pessoas autorizadas a permanecer no país que receberem visita de membros da família e não cumprirem os prazos de retorno estabelecidos pelo governo serão proibidas de trazer qualquer outra pessoa, estando sujeitas a pagar multa equivalente a 5 mil libras, além de sentença de prisão.

O novo visto de patrocinador familiar é apenas uma das firmes mudanças com relação ao sistema de visto de curto prazo, o qual fará parte do novo Sistema de Pontuação, introduzido no início desse ano. Outras propostas anunciadas inc luem: - A introdução de dois vistos para aquelas pessoas que atuem nas áreas de: business, esportiva ou de entretenimento. - A criação de um visto de curto prazo para pessoas que desejem participar de um único evento cultural. Mande suas dúvidas sobre imigração para: contact@londonbyheart.com Até breve! Carina Laidens & Murilo Souto Diretores Executivos da Londonbyheart Limited

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Para receber visitas de membros da família será necessário obter lic ença para dar suporte aos familiares, de acordo com as atuais mudanças no sistema de visto britânico. Os patrocinadores terão a obrigação

de garantir que seus familiares deixarão o país antes de terem seu visto expirado.


Temporada de patinação

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Não é preciso mais do que um par de patins e itens de proteção para deslizar pela cidade

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om os dias de sol, é hora de ir para Brighton, aproveitar as tardes livres no parque, fazer picnic com a turma ou um churrascão em casa... Maravilha, não? Bom, mas como todo mundo tem que continuar trabalhando, essa também é a época dos ônibus abafados e do calor infernal nas estações e dentro do metrô. Pois tem uma turma que não está nem aí para o transporte público. Ciclistas estão por toda a parte e, agora, a turma de patins anda zapeando por toda a cidade. O grupo mais organizado é o LondonSkate, que já existe desde 2000. No início, era mais um grupo de amigos querendo reviver a onda dos patins da década de 80. Mas agora o negócio ficou sério. Já são mais de 700 pessoas cadastradas. Eles já têm página da internet e horários para diferentes níveis de patinadores. Para quem tem muita vontade e pouca prática, o ideal é começar encontrando a turma aos domingos no Hyde Park Corner. Os mais experientes, com o nível intermediário, já são convidados a ingressar nos famosos passeios noturnos, às quartas-feiras, a partir das 20 horas. E quem já tem milhas nos patins, o dia de encontro é sexta-feira. O encontro de quarta-feira é o mais tradicional. Para participar do grupo não é preciso gastar nenhum centavo. Bom, claro,

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você precisa ter o seu próprio par de patins. Além de se exercitar, encontrar o grupo é um bom motivo para fazer novos amigos. A inglesa Carol Waters diz que perdeu peso e ganhou um monte de amigos. “É muito divertido, sem dúvidas. Você se exercita com amigos e conhece gente nova. Eu já não consigo mais viver sem esses encontros”, confessa. Trânsito Se você já está na turma intermediária, os passeios são nas ruas, ou seja, no meio de carros e pedestres. Por isso, é bom ficar atento a algumas regras. A primeira delas é sempre andar do lado esquerdo. Seguir a orientação do pessoal do grupo de apoio (com um colete escrito “marshal”), andar sempre fora da calçada e usar equipamentos de segurança (como proteção para joelho e cotovelo, capacete e um colete fluorescente) são algumas das regras básicas para fazer parte dessa tribo. Rafael Pieroni

Dicas para entrar nessa turma Contato No site www.londonskate.com você consegue descobrir as rotas e o ponto de encontro de cada semana.

Onde conseguir equipamento: www.clubblueroom.com www.lonskate.com www.47degrees.com www.skatefresh.com (Além de equipamentos, também é possível marcar aulas para iniciantes)


Trabalhando no verão Saiba como conseguir um emprego e ainda se divertir durante a temporada de sol

Ibiza. Além dos mil euros mensais pagos pelo empregador, ela conseguiu ganhar cerca de 2,5 mil euros em um único mês apenas com gorjetas. “O melhor é que muitos empregadores oferecem acomodação, então não temos despesas com isso. O trabalho é pesado, longas horas, mas vale a pena se você pensa em juntar algum dinheiro”, conta. Além de ilhas espanholas, há opções em praias portuguesas, acampamentos na França e resorts na costa da Itália. Para quem não está a fim de passar o verão como garçom, saiba que também há uma grande variedade de oportunidades nestes trabalhos de verão. Se você for trabalhar em um resort, por exem-

plo, é possível conseguir vaga como gerente, salva-vidas, recreador infantil ou professor de esportes. “Precisamos de vários tipos de profissionais e esta é a melhor hora de mandar CV”, comentou um representante do Club Cantrabica, na Itália. Alem de experiência, quem pretende se aventurar pela Europa precisa estar com vistos e documentação em dia. Na hora da aplicação, vale conferir todos os detalhes com o empregador e como funciona as leis de cada país. Se animou? Então não esqueça o protetor solar. E bom verão! Rafael Pieroni

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verão já chegou! E se aqui na Inglaterra a temporada dura apenas algumas semanas, em outras partes da Europa a estação “bomba”. Se você daria tudo para curtir a estação mais quente do ano em uma ilha do Mediterrâneo mas está sem grana, saiba que existe uma solução: arrumar um emprego por lá. Parece difícil? Bem, nem tanto. Nesta época, empregadores estão desesperados atrás de mão de obra. As principais ofertas são para as ilhas e resorts, onde os europeus tomam conta do pedaço durante o verão. Então, prepare-se para começar a sonhar com uma temporada em Mallorca, Ilhas Canárias ou Ibiza. O seu sonho pode virar realidade! De acordo com o website www.ibizaspotlight.com a fase de recrutamento começou no mês passado. Com uma avalanche de 4 milhões de turistas durante o verão, a ilha está recrutando centenas de pessoas para trabalhar. Hotéis, bares, restaurantes e boates são os principais empregadores. Em média, paga-se cerca de mil euros por mês, mas quem trabalha direto com o público sabe que são as gorjetas que fazem toda a diferença. Linda Rodrigues passou dois verões em


Arte às margens

do Tamisa Artistas brasileiros mostram suas obras no verão londrino em galerias da cidade

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arte moderna brasileira ganha espaço no verão londrino. Duas importantes galerias em Southbank, a Hayward e o Tate Modern, expõem ousadas instalações em suas fachadas durante toda a temporada de calor e, entre os artistas de todo o planeta escalados para fazer arte no trecho mais descolado das margens do Tamisa, quatro vieram do Brasil especialmente para mostrar a criatividade do lado de lá do Atlântico. A mais nova é a Hayward Gallery, que, para comemorar os 40 anos de existência no mundo, convidou dez nomes da cena artística mundial para realizar a exposição Psycho Buildings (Construções Malucas, em tradução livre), que combina arquitetura e arte com cor, luzes e cheiros. Foi lá que o artista plástico brasileiro Ernesto Neto instalou uma estufa gigantesca que traz aromas de cravo e pimenta. “A exposição convida os visitantes a mergulhar nas instalações atmosféricas, cativantes e desconcertantes”, disse um porta-voz da galeria à BBC Brasil. Grafite tamanho família A atração maior, no entanto, fica na imponente fachada de tijolinho do Tate Modern. Um dos museus de arte moderna mais importantes de todo o planeta, o Tate resolveu pôr a arte de rua do lado de fora. A mostra Street Art (Arte de Rua, em português) traz painéis gigantescos de 25 metros de altura que ficarão expostos na frente do prédio durante todo o verão. Dos seis desenhos em grafite, todos feitos aos olhos do público, dois levam assinatura brasileira. Os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, mais conhecidos como OsGêmeos, foram dois que deixaram a marca na frente do museu. A dupla, que tem uma extensa lista de trabalhos na Europa, como a fachada de um castelo na Escócia e um mural enorme em Berlim, fez um gigante amarelo carregando dezenas de câmeras de circuito interno de televisão como as que, diversas vezes ao dia, filmam os cidadãos que circulam pelas ruas de Londres. Outro toque brasileiro vem do artista plástico Francisco Silva, conhecido como Nunca. É dele o grafite do canibal urbano que coleciona cabeças enquanto degusta uma delicada xícara de chá. Cedar Lewinsohn, curador da exposição, rodou o mundo para escolher os criadores dos seis painéis e explica porque o Brasil ganhou destaque. “Estive em São Paulo, onde vi o trabalho deles [dos artistas]. Não dava para deixá-los de fora”, explicou ao site de notícias G1.

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Solidariedade por um futuro melhor ABC luta para tirar crianças brasileiras das ruas de cidades como o Rio de Janeiro ações empreendidas. Eventos realizados pelo Reino Unido também ajudam a encher o cofrinho que vai ajudar as crianças brasileiras e, para os interessados em fazer um pouquinho, ficam algumas dicas: no dia 10 de julho, a exibição do filme Tropa de Elite pelo projeto Jungle Cineclub terá renda revertida para a instituição. No mês seguinte acontece, de 29 a 31 de agosto, o Festinho, evento que vai unir, em Long Melford, Suffolk, músicos brasileiros e britânicos, workshops de capoeira, mercados, brincadeiras para crianças e muito mais. Para outras informações, é só visitar o site www.festinho.com.

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oda criança deve ter um motivo para sorrir. É com essa idéia na cabeça que a organização não-governamental britânica ABC Trust (Action for Brazilian Children) juntou um time de voluntários para ajudar a reverter a realidade das cerca de sete milhões de crianças brasileiras que vivem, de alguma maneira, nas ruas, segundo estimativas recentes. A entidade atua, hoje, com cerca de três mil crianças em 20 projetos sociais diferentes que incluem dança, cinema, circo, leitura e reforço escolar. Criada pela norte-americana Jimena Page e conduzida majoritariamente por britânicos, a ABC, que existe há oito anos e procura promover a cultura, a educação e o respeito próprio das crianças que estão passando por algum tipo de necessidade no Brasil, já enviou mais de £ 1 milhão em doações para as entidades do outro lado do Atlântico. “Procuramos entender os problemas que eles enfrentam e ajudar os jovens a refletir mais sobre a realidade e a construir uma estabilidade para que possam andar com as próprias pernas no futuro”, explica Andrew Webb, diretor executivo da ABC. Os projetos que a entidade ajuda são idealizados no Brasil, mas a organização sempre procura ir até lá e verificar de perto a utilização dos recursos e identificar necessidades. O Nós do Morro, no Rio de Janeiro, é um exemplo de ação social apoiada pela ABC e já gerou alguns atores que se tornaram velhos conhecidos de quem assistiu a produções como Cidade de Deus e Cidade dos Homens, além de continuar a formar novas turmas todos os anos. Já o Avante Lençóis, na Bahia, oferece apoio escolar, estimula a leitura com a biblioteca que montou no local e promove oficinas de artes. Além de projetos artísticos e educacionais, há também outros voltados simplesmente para tirar as crianças em necessidade das ruas e dar abrigo e comida. A idéia da organização britânica é suprir as necessidades financeiras para que projetos como esses tenham chance de sair do papel. Para tanto, cerca de 20 voluntários atuam, no Reino Unido, exclusivamente para conseguir doações, seja de pessoas anônimas ou até outras mais vultosas vindas de fundos e de empresas. O desafio, no entanto, é conseguir parceiros regulares para que não faltem fundos para as Revista Real 37

Reino Unido

Estabilidade Alguns projetos apoiados pela ABC são postos em prática há mais de uma década, como é o caso do Meninos de Luz, no Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro. As entidades brasileiras que procuram o apoio da ABC devem se inscrever para receber a ajuda. O projeto é então avaliado dentro das possibilidades e dos objetivos da ABC, que atua em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco. Para os dirigentes da ABC, não vale oferecer ajuda financeira e pronto. “Queremos dar apoio para que as entidades andem com as próprias pernas”, explica Webb. O objetivo é lutar para aumentar o volume de doações, que hoje é de cerca de £ 200 mil por ano, para £ 500 mil e, assim, melhorar a vida das crianças em necessidade no Brasil. Quem quiser saber mais sobre o projeto e também como ajudar, é só visitar o site www.abctrust.org.uk.


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Obama é candidato Senador vai concorrer à presidência norte-americana e é o favorito nas pesquisas

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Mundo

epois de seis meses de acirrada disputa, Barack Obama derrotou a também senadora Hillary Clinton e será o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. “Posso dizer que serei o candidato à presidência. Hoje termina uma jornada histórica e começa outra”, disse Obama, ao declarar a vitória no dia 3 de junho, na cidade de Saint Paul, estado de Minnesota. A indicação de Obama foi dada como certa após os primeiros resultados da apuração das urnas dos dois últimos estados que promoveram prévias para escolher o candidato democrata, Dakota do Sul e Montana. Elogios e críticas No discurso feito após declarar-se vitorioso na disputa, Obama elogiou Hillary Clinton e disse ser um candidato melhor por ter tido a honra de competir com ela. “A senadora Hillary Clinton fez história não apenas porque é uma mulher que fez o que nenhuma outra fez antes, mas porque ela é uma líder que inspira milhões de americanos com sua força, coragem e compromisso com as causas que nos trouxeram aqui hoje à noite.” O senador, por outro lado, não poupou

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críticas ao oponente na corrida presidencial, o senador republicano John McCain. “Existem muitas palavras para descrever a tentativa de John McCain de vender as políticas de George Bush abraçadas por ele como sendo bipartidárias e novas. Mas mudança não é uma dessas palavras.” Recentes pesquisas deram vantagem de 15 pontos a Obama.

Depois de seis meses de acirrada disputa, Barack Obama derrotou a também senadora Hillary Clinton e será o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. Apoio Hillary admitiu a derrota apenas em 7 de junho, quatro dias depois de Obama anunciar-se candidato, após o encerramento da apuração. Em um discurso emocionado que

reuniu milhares de pessoas, Hillary agradeceu os que a acompanharam durantes os meses de disputa e declarou apoio a Obama. “Agora precisamos concentrar nossas forças para ajudar a eleger Barack Obama o próximo presidente dos Estados Unidos. Eu o parabenizo por sua vitória nessa extraordinária campanha e dou a ele todo o meu apoio. E peço a vocês que se juntem a mim para ajudar a eleger Barack Obama.” Antes mesmo da senadora divulgar o apoio a Obama, já havia uma forte especulação de que ela poderia integrar a chapa como vice do candidato. A senadora disse, no entanto, em um comunicado, que não está buscando ser vice, mas que fará tudo o que for necessário para pôr um democrata na Casa Branca. Obama tem, no momento, uma comissão trabalhando para encontrar possíveis nomes para integrar a chapa democrata e declarou que não tem pressa em tomar uma decisão. Analistas, no entanto, garantem que o apoio de Hillary é crucial para que ele vença as eleições presidenciais, já que, nas prévias, ela demonstrou ter forte aceitação do público em importantes estados norte-americanos.


China em estado de alerta Às vésperas dos Jogos Olímpicos, Governo de Pequim cria força antiterrorista

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pos extremistas. Em abril, 45 membros de um grupo extremista chamado Movimento Islâmico do Turquestão do Leste foram

presos, acusados de planejarem ataques a hotéis, prédios do governo e instalações militares, segundo o governo chinês.

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ma equipe antiterrorismo com aproximadamente 100 mil homens, entre forças policiais e do exército, está em ação desde o início do mês passado para prevenir qualquer ataque terrorista antes e durante os próximos Jogos Olímpicos, em agosto, anunciou em junho o Bocog, comitê organizador do evento. As forças antiterrorismo que trabalham na operação, denominada “Grande Muralha 5”, incluem a equipe especial da polícia chinesa, SWCU (Snow Wolf Commando Unit), criada em 2002. Pequim anunciou também que irá cooperar com forças policiais internacionais, como a Interpol, e que irá fornecer diariamente a todos os países participantes informações detalhadas sobre as condições de segurança. O FBI (polícia federal norte-americana) e as polícias francesa, britânica, australiana e israelense também entraram em contato com as forças de segurança chinesas. Durante os Jogos, Pequim será controlada por 150 mil oficiais de segurança e mais 290 mil voluntários. A missão da força é garantir a segurança aos milhares de turistas e atletas estrangeiros que chegarão ao país e desarticular possíveis ações de gru-


Imigrantes ilegais na mira Segundo lei aprovada pela Comissão Européia, ilegais podem ser detidos por até 18 meses

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s cerca de oito milhões de imigrantes que vivem entre os 27 países da União Européia estarão sujeitos, a partir de 2010, às novas leis de repatriação aprovadas em junho pela Comissão Européia, órgão administrativo da União Européia (UE). O polêmico conjunto de regras unificará a atuação de todos os integrantes do bloco europeu na hora de mandar imigrantes ilegais de volta para seus países de origem. O pacote de medidas, conhecido como Diretiva de Retorno, sofreu oposição dos partidos de centro e de esquerda, mas o conservador Partido Popular Europeu, que o defendia, obteve a maioria dos votos na Eurocâmara. Entre as medidas polêmicas, está a de que os ilegais poderão ficar detidos por um período de até 18 meses antes de serem deportados para o país de origem. Atualmente, os limites de período de detenção de imigrantes ilegais variam no bloco. Na Espanha, eles podem ficar presos por mais de 40 dias, na Hungria, por mais de um ano, segundo levantamento da Comissão Européia. A Alemanha já tem o limite de 18 meses enquanto oito outros países da UE que possuem prazos mais altos ou não fixaram nenhum terão de introduzir as novas normas aprovadas pelo Parlamento Europeu. A nova diretiva permite, ainda, que menores de idade desacompanhados sejam expulsos do país onde estiverem residindo ilegalmente. Os países europeus se comprometeram, no entanto, a garantir os direitos básicos, o que inclui apoio jurídico,

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aos imigrantes ilegais detidos. A Grã-Bretanha e a Irlanda, que não integram a área de Schengen (o espaço sem fronteiras na UE), não vão pôr essa lei em prática. A Dinamarca decidirá dentro de seis meses se implementa ou não o pacote de medidas. Polêmica As novas medidas aprovadas pela Comissão Européia não apenas criaram polêmica entre os partidos que as votaram como repercutiram ao redor do mundo. Entidades defensoras dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e o Conselho da Europa, classificaram como vergonhoso o tratamento destinado aos ilegais. “A detenção de homens, mulheres e crianças por até 18 meses simplesmente por residir ilegalmente é inaceitável”, comunicou a Associação Européia dos Direitos Humanos. Ainda, 44 países da África e da América Latina enviaram cartas à

Comissão Européia condenando a decisão e pedindo a revisão das medidas. Cerca de 50 artistas, incluindo o músico Manu Chao, também protestaram e enviaram um documento pedindo que os deputados não aprovassem as novas regras. Para alguns grupos que votaram a favor da medida, no entanto, elas asseguram os direitos dos imigrantes em países onde, até então, eram insuficientes. “O acordo acaba com algo dificilmente compreensível, como o fato de existirem países na União Européia onde os imigrantes podem ser detidos indefinidamente”, disse o deputado espanhol Augustín Díaz de Mera, do Partido Popular Europeu (PPE). No final de junho, associações como a Abraço-ASBL, associação de ajuda e de informação aos migrantes de língua portuguesa em situação irregular ou precária, sediada em Bruxelas, na Bélgica, promoveram manifestações exigindo a regularização dos imigrantes ilegais.


Governo brasileiro critica decisão da União Européia

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nova lei de imigração da União Européia desagradou o governo brasileiro. Em nota, o Itamaraty lamentou a decisão de endurecimento das regras de tratamento a imigrantes ilegais. “O Brasil, país que deu acolhida a milhões de imigrantes e descendentes

União Européia de maneira recíproca. Temos de ter reciprocidade nas relações internacionais. Relações internacionais são feitas com reciprocidade de compromisso, de direitos e de deveres. Ninguém tem de se sujeitar ou se subjugar a uma decisão de um bloco de países”, afirmou.

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hoje harmoniosamente integrados na sociedade brasileira, lamenta uma decisão que contribui para criar percepção negativa da migração e vai no sentido contrário ao de uma desejada redução de entraves à livre circulação de pessoas e de um mais amplo e pleno convívio entre os povos”, diz a nota. Indagado sobre a nova lei de imigração européia, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil respeita o direito de cada país de determinar quem pode ou não ingressar em seu território desde que isso seja feito de maneira não-arbitrária, não-discriminatória e com respeito aos direitos humanos. Ele assegurou que o Brasil adotará o princípio da reciprocidade no caso de medidas contra cidadãos brasileiros. Para o deputado Dr. Rosinha (PTPR), “os demais países do mundo, ao tomarem conhecimento dessa decisão da Europa, devem tratar a

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Jean Charles, três Morte do brasileiro pela polícia britânica continua à espera de respostas, enquanto

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o dia 22 de julho de 2005, às 10h02, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia britânica com oito tiros dentro de um trem do metrô na estação de Stockwell, Sul de Londres. Três anos depois, a trágica história do mineiro da cidade de Gonzaga, confundido com um homem-bomba por uma das corporações policiais mais bem-preparadas do mundo, ainda não teve nenhum dos responsáveis pela operação punido. Porém, um inquérito judicial para apurar as circunstâncias da morte, a ser iniciado em setembro, traz novamente esperança à família do eletricista de que justiça seja feita. “Soa repetitivo, mas, passados três anos ainda estamos sem saber o que aconteceu de fato com o Jean naquele dia. E quanto mais o tempo passa, surgem mais dúvidas e fica mais difícil entender o que ocorreu e porque foram cometidos erros tão graves [pela polícia]”, diz Patrícia Armani, prima de Jean Charles que, à época do incidente de Stockwell, dividia com ele o flat em Tulse Hill de onde o brasileiro começou a ser seguido pela polícia. Por “erros graves”, ela se refere às 19 falhas (veja box) apontadas no julgamento da Scotland Yard ocorrido em outubro do ano passado. À época, a Promotoria britânica decidiu que nenhum dos 15 oficiais que fizeram parte da operação que resultou na morte de Jean Charles seria levado a julgamento ou sofreria qualquer processo criminal. Apenas a corporação policial como um todo foi condenada pela violação da Lei de Segurança e Higiene no Trabalho, de 1974, por ter colocado a segurança do público em risco durante a operação. A pena foi o pagamento de uma multa no valor de L 175 mil, acrescidos de outras L 385 mil pelos custos do processo. O veredicto, dado no dia 1 de novembro passado no tribunal de Old Bailey, em Londres, isentou Cressida Dick, comandante da operação, de quaisquer responsabilidades individuais. Carlos Mellinger, presidente da Associação Brasileira no Reino Unido (ABRAS), avalia o resultado do julgamento sem, contudo, fazer juízo sobre o que seria uma punição ideal. “A ABRAS sempre entendeu que houve falhas de proteção ao público no dia 22 de julho de 2005, principalmente causadas pela morosidade da ação e comandos. Esperar um então suspeito de terrorismo embarcar em um ônibus e depois em uma estação de metrô foi um verdadeiro absurdo. O despreparo das pessoas que tocaram a ação no momento também foi de se lastimar. Colocaram, sim, o público em risco e foram condenados por isso.”


anos sem justiça corporação tenta reverter imagem arranhada pelo trágico episódio de Stockwell Inquérito judicial A esperança dos que querem ver justiça no caso recai agora sobre o inquérito judicial que vai ser iniciado no dia 22 de setembro e tem previsão de durar três meses. Assim como o primeiro, não é um processo criminal, mas vai apurar as circunstâncias em que a morte do brasileiro aconteceu. “Estamos esperançosos de que a verdade, ou parte da verdade, venha à tona. Nós sabemos que nada trará o Jean de volta, mas esperamos que o Estado realize um inquérito justo, claro e transparente, e dê uma resposta principalmente aos pais dele, que até hoje choram a morte do filho”, diz a prima Patrícia. O que poderá ser feito depois da con-

clusão do inquérito ainda não foi avaliado, mas, dependendo do resultado, ele poderá ser utilizado caso a família queira dar entrada em futuras ações cíveis. A preocupação, no momento, é de que seja cancelado. Isso porque uma nova lei antiterrorismo que ainda será levada à Câmara dos Lordes prevê que os inquéritos de tal natureza sejam realizados em sigilo. Se aprovada, ela acabará com as aspirações da família de Jean Charles de saber o que realmente ocorreu na estação de Stockwell no dia da morte do eletricista. O sigilo em torno do caso e os resultados da Comissão Independente de Queixas Contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) revoltam os familiares de Jean

Charles. Em dezembro de 2007, um relatório da corporação, que anteriormente já havia inocentado o comissário-chefe da Scotland Yard, Sir Ian Blair, de ter mentido deliberadamente sobre o fato de Jean Charles ter reagido à abordagem dos policiais, não determinou ações disciplinares individuais a nenhum dos quatro oficiais superiores envolvidos na trágica operação. “Eu acho que esses oficiais não podiam mais estar trabalhando. Não acredito que a prisão de um deles seria um desfecho ideal, mas eles não têm condições de trabalhar. Justiça, para mim, seria assumirem a culpa de realmente terem errado e matado um homem inocente”, diz Patrícia Armani.

Em uma operação que durou pouco mais de meia hora, a polícia metropolitana cometeu 19 erros, contabilizados no julgamento ocorrido em 2007: 1. Falha ao comunicar as estratégias do comandante McDowell aos oficiais que realizaram a operação. 2. Falha ao planejar e executar as estratégias para controlar a região. 3. Um entendimento inconsistente entre os oficiais de controle da Scotland Yard e os oficiais que estavam em operação na rua sobre a estratégia a ser executada na Scotia Road.

Street e Nightingale Lane. 10. Informações sobre a identificação de Jean Charles, suas roupas e possível nível de perigo não foram precisamente passadas aos oficiais, particularmente os armados. 11. Não ter se certificado de que as dúvidas sobre a identificação de Jean Charles haviam sido comunicadas aos escritórios de controle da Scotland Yard.

4. Não ter preparado os oficiais para parar e questionar pessoas vindas da Scotia Road (rúa onde Jean morava).

14. Falha dos oficiais armados por não terem se certificado que uma identificação correta de Jean Charles como suspeito havia sido feita pelos oficiais de vigilância. 15. Não terem tomado quaisquer providências para parar ônibus e trens do metrô, a fim de minimizar os riscos corridos pelo público em geral. 16. O fato de terem permitido a Jean Charles entrar em um ônibus e depois na estação de metrô, já que o consideravam suspeito de ser homem-bomba e ele havia saído do endereço conhecido de um terrorista.

5. Não ter se certificado se havia uma força policial armada quando Jean Charles saiu da porta comum do conjunto de apartamentos.

17. Não ter sido dada nenhuma ordem para que Jean Charles fosse parado ou interrogado antes de entrar na estação de Stockwell.

6. Não ter um plano de contingência para lidar com as pessoas saídas dos apartamentos antes dos oficiais armados chegarem. 7. Não ter parado e questionado pessoas saídas dos apartamentos.

Charles e evitar que ele entrasse em um ônibus e na estação de metrô.

8. Não ter identificado um local apropriado onde as pessoas saídas dos apartamentos pudessem ser paradas e interrogadas.

12. Falha dos oficiais nos escritórios de controle por não terem se certificado de que uma identificação precisa de Jean Charles como suspeito havia sido passada pelos oficiais de vigilância que realizaram a operação.

9. Ter passado informações prévias desequilibradas aos oficiais armados em Leman

13. Não ter oficiais armados em locais importantes da operação para parar Jean

18. Não ter passado informações precisas para a comandante Cressida Dick sobre onde estavam os oficiais armados enquanto ela decidia se eles ou oficiais de um esquadrão especial deveriam parar Jean Charles. 19. Ter minimizado o risco inerente aos oficiais armados quanto à detenção de Jean Charles, considerando a localização, o momento e a maneira como foi detido.

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Os 19 erros da Scotland Yard


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Imagem arranhada Os erros da polícia britânica ao atirar e matar Jean Charles arranharam a imagem da corporação mundialmente e especialmente entre os milhares de brasileiros que vivem no Reino Unido. “O primeiro impacto [na comunidade brasileira] foi de espanto, pois somos de um país onde a polícia é extremamente violenta e usa armas, enquanto aqui se presumia que o acontecido [com Jean Charles] jamais pudesse ocorrer”, avalia Carlos Mellinger quanto aos impactos que o caso teve sobre a comunidade. A falta de confiança na polícia britânica foi algo que perdurou nos dois primeiros anos subseqüentes à morte do brasileiro e resultou em eventos para aproximar comunidade e corporação policial. Procurada pela reportagem da Real para avaliar o impacto da morte de Jean Charles sobre as relações com a comunidade, a Polícia Metropolitana de Londres não se manifestou, tanto pelos canais formais de comunicação quanto pelo contato direto tentado com alguns dos oficiais que realizam o trabalho de se aproximar não apenas dos brasileiros, mas dos grupos étnicos em geral. Em conversa informal durante evento para o público brasileiro, na sede da ABRAS, meses atrás, um policial britânico, que não quis se identificar por não ter autorização do comando da corporação

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para falar à imprensa, avaliou que depois do ocorrido em Stockwell a população brasileira se sentia, de alguma maneira, perseguida, e que a Polícia Metropolitana queria mostrar que tinha o objetivo de servir ao público.

“Certamente a polícia reconhece que foi responsável por um erro absurdo e ir-

reparável. A política de se aproximar de comunidades de diferentes origens étnicas não se limita a brasileiros. Creio que haja um esforço especial para tentar um relacionamento com a nossa comunidade e fazer com que nós possamos entender que a função da polícia é de proteção e não de ataque. Para a polícia, somos uma comunidade pacífica e ordeira e isso é importante para que todos ganhemos nas tentativas de um bom relacionamento com as autoridades”, avalia Mellinger. O presidente da ABRAS acredita que o melhor a fazer é esperar o resultado do inquérito, depois do qual poderão ser tomadas as medidas cabíveis, e procurar viver em paz. “Nossa comunidade acredita que o momento agora é de tocar a vida para frente e que nada ganharemos com ataques infrutíferos [contra a polícia londrina]”. Isso não significa, porém, esquecer o que aconteceu em Stockwell ou deixar de cobrar justiça para o caso, mas saber diferenciar os agentes que erroneamente mandaram atirar em Jean Charles daqueles que saem às ruas diariamente para garantir a segurança pública. Marina Gaspar Fotos: Rafael Reina e Justice 4 Jean


Evento visa aproximação da comunidade E ber Court Sport Club (Ember Lane, East Molesey, Surrey, KT8 OBT). Saiba mais:

inglês para imigrantes. Os ingressos estão à venda por £3 e £5.

• Organizações de apoio às comunidades podem armar estandes para oferecer serviços.

• Tanto a polícia quanto os bombeiros estarão recrutando interessados em fazer parte das corporações.

• Haverá atividades diversas para adultos e crianças.

• As estações mais próximas do local do evento são Thames Ditton e Esher. Trens para ambas saem de Waterloo, com bilhetes de ida e volta a L3. A companhia South West Train oferece desconto de 50% para grupos de quatro pessoas.

• Uma partida de futebol entre o time da Polícia Metropolitana e o Brasil Unido vai arrecadar fundos para arcar com cursos de

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ventos de aproximação entre polícia e comunidade ajudam a recuperar a confiança entre os dois grupos. A ABRAS empresta a sede e dá apoio para que os encontros promovam o reporte de crimes, uma ajuda e tanto para quem não domina o inglês, além de oferecer aos participantes maior conhecimento sobre como ingressar na carreira policial. No dia 13 de julho, um novo encontro, com entrada gratuita, vai reunir famílias das comunidades latinas e os responsáveis pela segurança, das 12h às 18h, no Im-


Vida de Jean inspira

Contada em livro, a vida do mineiro que veio a Londres cheio de sonhos vai virar filme

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história de Jean Charles não é contada apenas pelos noticiários que informam as novidades sobre o caso sempre que possível. O trágico destino do brasileiro que desembarcou em Londres cheio de sonhos, como milhares de imigrantes que vieram tentar a sorte por aqui, e trabalhava para garantir uma vida melhor para os pais na pequena cidade mineira de Gonzaga, vai virar um longa-metragem. A direção será de Henrique Goldman, da produtora Mango Films. As filmagens de “Brazuca”, previstas para ter início em agosto, vão se dividir entre Londres e a cidade natal de Jean Charles, que será interpretado pelo ator Selton Mello. No enredo, a vida de Jean em Gonzaga, a chegada a Londres, os trabalhos pelos quais passou e a vida na cidade até o desfecho trágico de julho de 2005 em Stockwell. Junto de Vanessa Giácomo, Luís Miranda e Paulo Miklos, Selton dividirá o set com uma grande maioria de novatos. “Estamos selecionando o elenco quase todo aqui em Londres”, conta Eduardo Mauro, da produtora Mango Films. Quem quiser fazer um teste para tentar uma ponta no filme não precisa ter expe-

riência prévia como ator: é só mandar, até o fim de julho, foto e telefone de contato para o e-mail brazuca.casting@yahoo.com. br. Mauro conta que, no total, cerca de 70 pessoas deverão fazer parte da produção e que a estréia do filme deve acontecer no começo de 2009. “Em Nome de Sua Majestade” Quem também se interessou em levar a história do mineiro Jean Charles para o público foi o jornalista Ivan Sant’Anna. Autor de obras de grande repercussão no segmento do jornalismo investigativo, como “Caixa Preta”, sobre três grandes desastres aéreos brasileiros, e “Plano de Ataque”, que demandou três anos de busca pelos fatos que envolveram os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, Sant’Anna lançou “Em Nome de Sua Majestade”, em 2007, pela editora Objetiva. “Resolvi procurar uma boa história para contar. E optei pela de Jean Charles”, diz o jornalista. Para escrever as 176 páginas do livro, ele veio a Londres, acompanhou o material divulgado pela imprensa e entrevistou a canadense Lana Vanderberghe, funcionária do Independent Police Com-

plaints Commission (IPCC, que investiga queixas contra a atuação da polícia). Ela desmentiu em público a versão dada pelo chefe da Scotland Yard, Ian Blair, de que Jean Charles havia reagido a uma aproximação dos policiais e agido de maneira suspeita no dia em que foi morto. Sant’Anna também conversou com os jornalistas que noticiaram o caso e foi até a cidade natal do eletricista. Ele avalia o impacto da morte do brasileiro como mínimo do lado de lá do Atlântico, já que tragédias acontecem a todo instante nas principais cidades do país, mas procurou, com a obra, mostrar os fatos sobre a morte de Jean Charles que permaneciam desconhecidos do público. Para o jornalista, um final ideal seria a punição dos culpados, mas ele é cético quanto ao assunto. “O desfecho ideal seria que esses agentes fossem identificados e julgados criminalmente, assim como seus superiores. Mas isso jamais acontecerá”, diz. “Não acho que meu livro mudou as coisas, assim como o filme não mudará. Mas é uma história muito dramática e poderá render um grande filme.” Marina Gaspar

Os primos fazem uma homenagem a Jean Charles em julho do ano passado, na estação de Stockwell


livro e filme

Justiça e

homenagem

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A falta de informações sobre o que aconteceu de fato no dia 22 de julho de 2005 fez com que a família e os amigos de Jean Charles de Menezes aqui em Londres fundassem uma campanha para não deixar que o caso fosse simplesmente esquecido. A Justice 4 Jean é formada por voluntários que procuram cobrar das autoridades as respostas pelas quais a família espera até hoje. Também são voluntários que mantêm o memorial construído em homenagem ao brasileiro do lado de fora da estação de Stockwell. “Uma moça grega e uma senhora sul-africana se encarregam de trocar as flores, as velas e ver se está tudo em ordem com os recados que as pessoas deixam”, conta Patrícia Armani, prima de Jean Charles. É em Stockwell que, todo dia 22 de julho, desde a morte de Jean Charles, um ato simboliza o protesto pelo ocorrido. Para este ano, a idéia de descer até a plataforma e realizar um minuto de silêncio às 10h02 ainda aguarda autorização das autoridades para ser posta em prática, mas, assim como nos anos anteriores, pretende ser uma forma de mostrar que a luta por justiça para o brasileiro continua.(MG)


Música

LCC dá um Créu no Baixo Astral! MC Créu e suas dançarinas animaram o segundo baile funk de Londres

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em mesmo todas as superstições que rondam a sexta-feira 13 foram capazes de conter os popozudos de plantão que lotaram, no dia do azar do mês passado, o segundo baile funk do “Lo at the Troxy”, no leste de Londres. O motivo para tanta euforia? Um show promovido pela LCC Trans-Sending e o Popozão Shop com MC Créu e suas suculentas dançarinas: Daiane Cristina, mais conhecida como Mulher Jaca, e Ellen Cardoso, também chamada de Mulher Moranguinho, substituta de Andressa Soares, a Mulher Melancia, que deixou o grupo para se dedicar à carreira solo. Intitulada de “Paixão Nacional” pela Playboy , onde posou como veio ao mundo na edição de abril da revista, Melancia foi uma das grandes responsáveis pelo sucesso relâmpago da banda. Seus avantajados 121 centímetros de quadril, fazendo jus ao tamanho da fruta a qual foi apelidada, atraíram milhares de pessoas aos galpões de bailes funk do Brasil, este ano, e tornaram a Dança do Créu famosa em todo o país. Nascimento do Créu A letra simples e maliciosa criada pelo DJ e produtor carioca Serginho Costa (MC Créu), conhecido há 10 anos pelos funkeiros brasileiros, nasceu de uma brincadeira com os amigos. Porém, o sucesso foi tanto que em poucas semanas, apenas no site You Tube, foram registrados 1.300 vídeos sobre a dança, sendo um deles acessado quase 1 milhão e meio de vezes. Energia eletrizante Quando sobe ao palco, Serginho parece estar ligado à voltagem 220. O primeiro DJ MC do funk não pára um minuto e desafia o público a dançar, com ele e suas “frutinhas”, as cinco velocidades do Créu. Ele começa fazendo um aquecimento geral, como numa aula de aeróbica, vai aumentando os ritmos sensuais da dança e quando chega à velocidade cinco, a galera já está no delírio total. Haja fôlego! No show promovido pela LCC no “Lo at the Troxy”, MC Créu e suas “frutinhas” repetiram o mesmo “frenezi” que vêm causando nas pistas brasileiras. Eles deixaram o público (principalmente o masculino, é claro), em êxtase e com água na boca! As imagens do fotógrafo da Real, Rafael Reina, falam por si. Bete Kiskissian

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Cinema

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Livros

por Camilo Tellarolli Adorno

Literatura em Parati A cidade carioca realiza em julho a sexta edição da Feira Literária Internacional

Livros

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e 4 a 8 de julho a cidade de Parati se transforma na capital brasileira da literatura, sediando pela sexta vez a FLIP – Feira Literária Internacional de Parati. Desde a primeira edição da festa, em 2003, o prestígio da Flip só cresceu, a ponto de hoje ser considerada a mais importante feira literária do país, atraindo pessoas das mais variadas regiões e deixando as ruas da bela cidade fluminense ainda mais charmosas. A cada nova edição a Flip presta homenagem a um expoente da nossa literatura. No último ano, o homenageado foi Nelson Rodrigues. Esse ano, claro, o homenageado é Machado de Assis. Com isso, a Flip dá continuidade aos eventos do Ano Nacional Machado de Assis, projeto do Ministério da Cultura e da Academia Brasileira de Letras que procura celebrar o centenário da morte do mais importante autor brasileiro de todos os tempos. Vale ressaltar que o início das festividades em homenagem ao Bruxo do Cosme Velho teve início aqui em Londres, com a Semana Machado de Assis, realizada na Embaixada do Brasil, entre os dias 18 e 22 de junho do ano passado, e que contou com a presença de Alcides Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras. A programação da Flip será aberta pelo crítico literário Roberto Schwartz, especialista em Machado de Assis, que fará uma palestra a partir de um texto inédito a respeito de Dom Casmurro, romance mais importante não somente de Machado, mas também da literatura nacional. Schwartz considera Dom Casmurro o mais refinado romance de nossa literatura. Após a fala do crítico literário, um show de Luíz Melodia, que apresentará músicas de seu

mais recente trabalho, Estação melodia, no qual o cantor revisita sambas dos anos 30, 40 e 50, dará seqüência ao primeiro dia da festa. Além da homenagem a Machado de Assis, a Flip deste ano tem ainda uma agenda recheada de atrações nacionais e internacionais debatendo a respeito de literatura e cultura. Entre as mesas para debates que abrilhantarão Parati, pode-se destacar Retrato em Branco e Preto, que contará com a participarão de Carlos Lyra e Lorenzo Mammi. Mammi é crítico musical e autor de livros e ensaios sobre a bossa nova; Carlo Lyra, por sua vez, é um dos mais importantes expoentes do gênero musical que fez a cabeça de toda

uma geração no final dos anos 1950. Carlos Lyra esteve em Londres, no último dia 26 de maio, com o show 50 Years of Bossa Nova, em evento que celebrava o cinqüentenário do movimento musical. No entanto, existem ainda muitos outros nomes que enriquecerão o mais aguardado evento literário do ano. Entre as ilustres presenças que passarão por Parati estão autores do calibre de Zoë Heller, Ingo Schulze, Modesto Carone, Rodrigo Naves, João Gilberto Noll, Caco Barcelos , Xico Sá, Contardo Calligaris e Cees Nooteboom. No último dia da Flip, a festa apresentará ao público filmes baseados em obras de Machado de Assis, como Quanto vale ou é por quilo, do cineasta Sério Bianchi; Memórias Póstumas de Brás Cubas, de André Klotzel, e outros cuja temática gira em torno da literatura brasileira.

Dicas A descoberta da América pelos turcos

Paraíso perdido

Jorge Amado - Cia das Letras A descoberta da América pelos turcos é o mais recente livro de Jorge Amado a ser relançado pela Cia das Letras. Nele, o autor baiano constrói uma narrativa bem humorada, na qual destaca a importância dos povos árabes na formação da miscigenada cultura brasileira, dando-nos um aspecto sensual, alegre e trabalhador. O livro apresenta ainda um posfácio de José Saramago.

Cees Nooteboom - Cia das Letras

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Tradução: Cristiano Zwiesele do Amaral

Paraíso perdido é o mais recente trabalho do aclamado autor holandês que estará em julho abrilhantando a FLIP, a Feira Literária Internacional de Parati, no estado do Rio de Janeiro. No romance, o autor cria uma fábula de encontros e desencontros, apresentando aventuras amorosas e existenciais.


Mondo HQB

por Eloyr Pacheco*

Banzai!

Os Quadrinhos Brasileiros,

o Mangá e o IMIN 100 Lançamentos marcam os 100 anos da Imigração Japonesa ao Brasil e homenageiam os Mestres Julio Shimamoto e Cláudio Seto

É

Mondo HQB

grande a influência dos Mangás (Quadrinhos Japoneses) na feitura das Histórias em Quadrinhos Brasileiras, especialmente nos dias de hoje, quando a globalização permite mais fácil acesso às publicações da Terra do Sol Nascente. Não há como discutir a hibridez do traço “tupiniquim” citando apenas os Comics (Quadrinhos Americanos). Em meio às comemorações do IMIN 100 (100 Anos da Imigração Nipônica) muitos lançamentos saúdam a data em que o navio Kasato Maru aportou em Santos. Destaco três deles: Front Especial 1 - Imigração Japonesa (Via Lettera, 112 págs.) tem como convidado de honra o Mestre Julio Shimamoto. A edição reúne um time de primeira: Alex Moletta, André Freitas, André Leal, Bira Dantas, Caio Majado, Conceição Cahu, Cris Chinchila, Daniel Esteves, Iuri Casaes, Jozz, Júlio Brilha, Leandro Malósi Dóro, Leandro Moraes, Leonardo Santana, Marcelo Garcia, Mário Cau, Mário César, Mário Mancuso, Maurílio DNA, Mauro Fodra, Minêu, Nick Farewell, Ricardo S. Tayra, Sidnei Akiyoshi, Túlio Carapiá, Wanderson de Souza, Will e Xalberto. O prefácio é do quadrinhista Alexandre Nagado (autor do Almanaque da Cultura Pop Japonesa). “...as HQs, textos e ilustrações desta edição trazem citações e interpretações sobre os mais variados aspectos da cultura japonesa no Brasil. Tudo sob a ótica multifacetada de uma coletividade de artistas que buscou registrar, cada um à sua maneira, como dois países tão diferentes criaram uma história em comum tão rica e tão marcante”, escreveu Nagado. O Segredo da Longa Vida, segundo livro infanto-juvenil da escritora e educadora Lúcia Maria Teixeira Furlani, conta em quadrinhos a aventura de Lucas e de Aiko. O livro tem arte de Bill Silva e Leandro Rodrigues e tradução em japonês (em kanji e furigana) da professora Sayoko Nakai. O Segredo da Longa Vida (Unisanta/Global, 20 págs.) se

passa em 1908 e conta a história do garoto Lucas, que encontra Aiko, uma garotinha que se perdeu dos pais no porto de Santos, logo na chegada do Kasato Maru. Em busca dos pais de Aiko, os dois enfrentam o Ninja Sei, da Organização do Mal. Tudo é possível - Incrível viagem no tempo, onde Lucas faz um passeio pelos principais momentos da história do Brasil, é o primeiro livro de Lúcia Furlani. Na Front, Bira Dantas publica a HQ A Incrível História do Falso Cláudio Seto, sobre o grande artista e seu irmão gêmeo. Uma antiga superstição japonesa diz que gêmeos é sinal de pobreza. E é Cláudio Seto que assina o texto e a arte de Lendas do Japão (Devir/Jacaranda, 128 págs.), livro que publica quinze lendas japonesas selecionadas entre as mais de duzentas lendas publicadas no

jornal Nippo Brasil, de São Paulo, onde Seto mantém uma coluna desde 2000. Foi Seto que, em 1967, na Edrel, introduziu o estilo mangá nas revistas da editora, em títulos como O Samurai (que também foi publicado pela Grafipar, de Curitiba) e Ninja, o Samurai Mágico. A figura que se transformará em troféu no 20º HQ Mix, que será entregue no dia 23 de julho, em São Paulo, é o personagem Samurai, de Cláudio Seto. *Eloyr Pacheco é editor e quadrinhista. Mantém o site Bigorna (http://www. bigorna.net), leciona produção de HQs no SESC Londrina e recebeu, entre outros, o Troféu Jayme Cortez 2008 pela sua atuação na área e o HQ Mix 2007 na categoria Melhor Prozine. Revista Real 53


Comportamento

Comportamento

Estresse de coisas boas

Momentos agradáveis podem gerar ansiedade

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abe aquela viagem de férias, planejada com cuidado por meses a fio, para ser um momento de relax depois de todo um ano de trabalho? Pois bem, ela pode, no fim das contas, ser a causa de algum estresse. Viagens, promoções, reencontros com pessoas queridas e mais uma infinidade de situações que deveriam ser motivo da mais pura alegria podem ser a causa de muita aflição caso não sejam administradas com cuidado. Segundo a psicóloga Marlise A. Bassani, professora associada pela Faculdade de Psicologia e Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP, o motivo é que, muitas vezes, enquanto as pessoas esperam por coisas boas que estão para acontecer não conseguem planejar ou administrar bem a situação. “O estresse é uma defesa do organismo para condições do ambiente”, disse a especialista em entrevista ao site Terra. Ainda de acordo com a especialista, ele é prejudicial quando as pessoas não conseguem lidar com o que acontece à volta. Entre os motivos de alegria que acabam virando tormento, um dos campeões é a viagem. “É muito comum as pessoas se estressarem por causa de viagens”, explica a psicóloga. Em algumas situações, a ansiedade é tamanha para uma passeio que a pessoa acaba não se preparando como deveria e, na hora, não consegue curtir. “Outro caso é quando se quer aproveitar ao máximo o passeio.

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Fica-se tão preocupado tentando ver o máximo de coisas e não perder nada que acaba-se não comendo, não se alimentando direito”, completa. Uma atitude típica de quem está estressado com uma viagem é ficar tão eufórico a ponto de não conseguir sequer planejar a viagem. Durante o passeio, preocupação com os filhos, com o

Entre os motivos de alegria que acabam virando tormento, um dos campeões é a viagem. “Quando se quer aproveitar ao máximo o passeio. Fica-se tão preocupado tentando ver o máximo de coisas e não perder nada que acaba-se não comendo direito”, explica a psicóloga Marlise A. Bassani. trabalho e com tudo o mais que ficou podem ser um sinal de que está na hora de começar a relaxar e se desligar um pouco do que ficou em casa. Promoções no trabalho também estão no topo da lista. Uma promoção que de-

mora para chegar, ou que, ao vir, deixa o promovido às voltas com maiores responsabilidades às vezes é de fazer arrancar os cabelos. O ruim é que tanta preocupação com o novo cargo acaba impossibilitando de planejar bem as novas tarefas – e planejamento é palavra-chave para quem não quer deixar um motivo de comemoração se tornar estresse. Eventos também podem fazer muita gente se deparar com crises de estresse. Organizar um casamento dá trabalho, mas a dica é que os noivos o façam com prazer para, na hora, poderem curtir a festa como planejado. A dica da especialista é que, muitas vezes, mais vale um evento menor do que uma superfesta que só gera preocupação. Longe do estresse Seja qual for a boa nova que está por vir, o bom é que ela possa ser comemorada – e aproveitada. E, para tanto, a psicóloga separou algumas dicas. Planejar bem o tempo e organizar prioridades são cruciais para manter o estresse a milhas de distância. Durante uma viagem, não valorizar nem desvalorizar a ausência: os filhos e parentes podem, sim, se virar, desde que antes de ir a pessoa se certifique de que ficarão bem. Ter consciência da capacidade e não ultrapassar limites é outra dica da especialista. Por último, para os que vão viajar, fica a dica: nada de deixar coisas por fazer. Caso contrário, elas acabam embarcando junto para o destino de férias.


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Ciência

Amazonas destrona o Nilo Estudo comprova que o rio que nasce no Peru e passa pela região Norte do Brasil é o maior do mundo

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Sociedade Geográfica de Lima, no Peru, apoiada por entidades da comunidade científica internacional, pôs fim à polêmica sobre a origem do rio Amazonas. Com nascente nos Andes do sul do Peru, o Amazonas é o maior rio do mundo, com quase 400 quilômetros a mais do que o Nilo, na África. A sua nascente é na quebrada Apacheta, na base do Nevado Quehuisha, no departamento de Arequipa, a 5.150 m de altitude. Ele percorre 7.062 km de extensão até a sua desembocadura no Atlântico, após percorrer Peru e Brasil, segundo matéria publicada em abril pela agência de notícias France Presse. O Amazonas tem 391 km a mais do que o Nilo, na África, que se estende por 6.671 km, de acordo com o especialista Zaniel Novoa, da Sociedade Geográfica de Lima, e com o jornalista e explorador polonês Jacek Palkiewicz, que liderou, em 1996, uma expedição multinacional na sua nascente. Palkiewicz chegou a estabelecer essa medição, que é validada 12 anos depois por importantes entidades da comunidade científica internacional. Entre elas, estão a Sociedade Geográfica de Londres, a Academia de Ciências da Rússia e o brasileiro Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Isso significa, para mim, uma satisfação muito pessoal, já que sou estrangeiro e tive a oportunidade de descobrir algo importante fora do meu país”, disse Palkiewicz em entrevista à imprensa. Além de determinar sua nascente e sua extensão, é importante divulgar os benefícios do rio Amazonas para toda a América do Sul e o fato de que se trata de uma das últimas reservas naturais do mundo, destacaram os especialistas. Palkiewicz disse que pretende voltar à nascente do Amazonas no ano que vem, à frente de uma nova expedição, para fazer novas pesquisas, especialmente sobre o possível impacto do aquecimento global sobre o rio. Para Novoa e Palkiewicz, indagações anteriores, como a feita pela National Geographic Society, em 2000, e por uma expedição tcheca anos antes, “carecem de valor científico e não eram sérias”. Ambas divulgaram que a nascente do Amazonas seria no nevado Mismi, da quebrada Carhuasanta, também no Arequipa. Com o apoio de entidades científicas internacionais, a Sociedade Geográfica se propôs a iniciar uma campanha para divulgar a pesquisa de Palkiewicz entre todas as instituições geográficas do mundo.

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Saúde

Cuidando do corpo Desintoxique-se uma vez por semana e proteja seu organismo dos ataques de toxinas

Vamos aprender um pouco sobre isso: - Água é a melhor substância que temos para limpar tudo. Portanto, não só no dia de desintoxicação, mas sempre beba muita água, no mínimo dois litros por dia. Você pode iniciar o dia de desintoxicação bebendo em jejum 500ml de água com dois limões espremidos. O limão tem efeito detergente em nosso organismo e, além de ser diurético, estimula a eliminação de líquidos. - Acordou com o limão? Faça algum exercício para suar por pelo menos 30 minutos. Eliminamos muita toxina no suor, e principalmente, no período da manhã.

Das 4h às 12h nosso organismo tem maior capacidade de eliminação de toxinas e de queimar gorduras, segundo a cronobiologia, ciência que estuda nosso relógio biológico. - Terminou de suar? Está com fome? Então, coma muitas frutas, elas são os alimentos que mais auxiliam no processo de desintoxicação no período da manhã. Para limpar a mente: medite. Escolha um cantinho bem gostoso de sua casa, acenda um incenso, coloque uma música suave, sente-se confortavelmente e tente não pensar em nada. - Esvaziou sua cabeça? Alongue-se, espreguice, contorça-se, coloque seu corpo no lugar. Agora beba água. Vamos pensar no almoço Todas as reações químicas que acontecem em nosso organismo são facilitadas e aceleradas por enzimas. A desintoxicação é uma soma de reações químicas onde as células se livram das sujeiras acumuladas em seu interior. Portanto, se ingerirmos mais enzimas, a desintoxicação vai acontecer com mais facilidade. Encontramos enzimas nas frutas, hortaliças cruas e alguns fermentados. Então, nosso almoço será composto por verduras e legumes crus e amornados. Compre uma boa variedade de hortaliças (alface é folha, pepino é fruto, aipo é talo, cenoura é raiz, couve-flor é flor). Quanto maior a variedade, maior a quantidade de enzimas diferentes. Tenha nesta refeição em torno de oito vegetais diferentes. Tempere com alho, que também é desintoxicante, o azeite ajuda no funcionamento intestinal, o limão é detergente, ervas tipo hortelã, orégano e basilicão são auxiliares digestivos. Desintoxicar tem que ser saboroso.

Cozinhe inhame ou batata doce no vapor. Eles são depurativos do sangue. Tempere com azeite, ervas e pouco sal. Pode ser purê, pode ser frio ou quente, mas a salada deve ser em maior quantidade que essas raízes. Descanse após almoçar para a digestão acontecer sem grandes esforços e para sobrar energia para a desintoxicação. Vamos passar a tarde tomando chá branco. É a mesma planta do chá verde, só que são utilizados os brotos da planta, e por isso tem mais princípio ativo. Tome umas duas xícaras no período da tarde. Lanche também desintoxica! Que tal salada de frutas com creme de abacate? Mais salada de frutas do que creme de abacate. Pode ser também suco de frutas feito com água de coco e mamão e abacaxi. Coma melão ao longo do dia para estimular a diurese. E no jantar a melhor pedida é uma boa sopa para deixar o aparelho digestivo descansando. Sopa de legumes com missô (pasta de soja fermentada, uma colher de chá pra cada prato de sopa, coloque o missô quando a sopa estiver pronta). A fermentação da soja produz enzimas reguladoras da digestão e altamente desintoxicantes. Tome dois pratos de sopa. Antes de dormir beba 300ml de suco de maçã para limpar o fígado. E boa noite. Mas depois desse dia pense duas vezes antes de sujar o que você limpou. Evite excessos, pratique alguma atividade física e medite pra limpar seu cérebro. Até julho. Jacqueline A. de Oliveira Nutricionista responsável pelo Spa Maria Bonita, no Rio de Janeiro, especialista em reeducação alimentar e alimentação natural.

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Saúde

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stá se sentindo cansado, inchado, empanzinado, com gases? Você pode estar com toxinas acumuladas em seu corpo. Onde? Na pele, nos intestinos, no fígado, no cérebro, no pulmão, nos rins e no sangue. Esses órgãos, quando intoxicados, funcionam de maneira precária e além de trabalhar com sobrecarga, não conseguem eliminar todos os resíduos que ingerimos ao longo dos dias. Excesso de toxinas enfraquece nosso sistema imunológico, baixa nosso metabolismo, modifica nossos odores, dificulta o processo digestivo, nos deixa mal-nutridos... Várias coisas nos intoxicam: poluição do ar, da água, estresse, alimentos industrializados, medicamentos, energia eletromagnética, cosméticos... Não fique assustado... É só prestar mais atenção no que você tem ingerido por aí, dar uma melhorada na alimentação e uma vez por semana dar uma desintoxicada. Basta selecionar alguns alimentos, escolher um dia para se concentrar nisso e se dedicar a limpar seu corpo.


Mulher - Moda, Beleza e Saúde

Cuidado com os banhos quentes Reduzir o tempo da ducha e a temperatura da água mantém a pele saudável

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e você é daquelas que não dispensa um banho quente e demorado no final do dia, cuidado. Este hábito pode comprometer a saúde e a viscosidade da sua pele. Quando se deseja manter a pele sempre revigorada, logo se pensa em cremes poderosos e sabonetes hidratantes. Mas poucas se dão conta de que a temperatura da água pode ser uma grande vilã para a beleza da cútis. “O banho quente prejudica a camada manto-lipídica da pele, que é responsável pela textura suave”, explica a dermatologista Meire Parada Brasil ao site Terra. Ela aconselha a reduzir o tempo da ducha, que serve apenas para lavar o corpo e não desestressar, e ainda dá outra dica a quem não consegue ficar sem, pelo menos, dois banhos por dia. “O sabonete tem de ser usado em todo o corpo uma única vez. No segundo banho, deve-se usá-lo apenas nas axilas, no genital e nos pés”, afirma Meire. O dermatologista Fernando Bezerra, por sua vez, acredita que qualquer tipo de banho remove os fatores hidratantes naturais da pele. “O problema é que a temperatura alta da água estimula a dilatação dos poros e para quem tem propensão a urticárias, pode ser que apresente coceiras na pele”, diz. A bucha também pode acabar com a suavidade da pele, quando usada diariamente. Ela é uma boa alternativa para limpar os pés e as axilas. “A bucha tem de ser delicada. A vegetal é uma boa opção, mas elas se contaminam facilmente. Por isso, deve ser posta para secar sempre após a utilização e trocada quando surgirem os primeiros pontos escuros”, informa Meire.


Furacão Gisele passa pelo Brasil Modelo desfila coleção de verão da Colcci na São Paulo Fashion Week

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epois de quatro anos sem pisar em passarelas paulistanas, a supermodelo Gisele Bündchen desfilou, com exclusividade, para a grife Colcci na noite do último dia 22. A supermodelo arrancou aplausos e gritinhos da platéia ao cruzar a passarela por duas vezes, primeiro com uma calça clara de cintura alta marcada e top estampado com laranja. Depois, vestindo uma calça boca-de-sino tiédye lilás com top florido de babados. Simpática, ao voltar à passarela para o encerramento do desfile, Gisele recolheu o presente de uma fã anônima que driblou a segurança para chegar perto da musa. A coleção de verão da marca veio com tema de jardins e trouxe forte inspiração dos anos 70, com tie-dyes, babados, flores, jeans claros, vestidos curtos e jardineiras. Entre os detalhes das criações, botões grandes e aplicações em pérolas também agradaram. Antes do desfile, Gisele deu coletiva à imprensa, da qual participaram cerca de 300 jornalistas. Disse estar feliz de voltar às passarelas de São Paulo, onde começou aos 14 anos e não quis comentar as celulites e gordurinhas que a top Karolina Kurkova, colega dos tempos em que fazia parte do time da Victoria’s Secrets, exibiu ao desfilar de biquíni. Ela também afirmou ficar orgulhosa de ver a moda brasileira fazer sucesso no exterior e por ajudar a atrair atenção para o evento brasileiro. Entre os planos para o futuro está o de abrir uma instituição para ajudar pessoas carentes, mas nada ainda definido. Casamento, Tom Brady e Leonardo di Caprio, no entanto, foram temas proibidos pela assessoria da top.

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Manter a pele limpa é necessário e não é difícil

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impeza de pele não é só aquela feita no consultório de esteticistas, embora esta seja extremamente importante. E o motivo para realizá-la todos os dias é simples: o vento, o sol e a poluição da cidade já são motivo suficiente para acumular impurezas e secreções. Real consultou a esteticista Cláudia Reis, da clínica Equilibrium, para dar dicas de como manter a pele hidratada, limpa e rejuvenescida. “As agressões que a pele sofre todos os dias faz com que os poros fiquem asfixiados”, diz Cláudia. Dependendo do tipo de trabalho de cada um, o desgaste pode ser ainda pior. “Quem trabalha em cozinha fica muito exposto a vapor e gordura, quem trabalha com limpeza, a produtos químicos”. Não à toa, a pele deve ser limpa e tratada duas vezes ao dia, de manhã e à noite. A boa notícia é que o processo nem dá muito trabalho: segundo a esteticista, não leva mais que três minutos. Não realizar a limpeza, no entanto, pode trazer conseqüências nada agradáveis. O aparecimento de manchas, o envelhecimento precoce e a mudança da tonalidade e das características da pele são algumas delas. Cláudia ensina o passo-a-passo diário para quem quer manter uma pele de bebê. Mas é bom ressaltar que consultar um especialista é fundamental. “O cuidado diário é como escovar os dentes, a limpeza feita pelo profissional é como ir ao dentista”, explica. “Só o esteticista sabe como extrair os cravos sem agredir a pele, além de aplicar produtos com princípio ativo elevado que podem ser usados apenas por profissionais”. Também é o especialista quem vai indicar o tipo de produto que cada tipo de pele precisa para o cuidado caseiro.

As dicas da especialista - O primeiro passo é lavar a pele. Cláudia recomenda uma emulsão de limpeza, que deve ser aplicada em todo o rosto e pescoço e depois enxaguada. Vale lembrar que cada tipo de pele requer um produto com PH diferente, por isso é bom, na consulta ao esteticista, ter a recomendação do profissional antes de sair comprando produtos por aí. - Depois, chega a hora de tonificar a pele. O tônico ajuda a fechar os poros, manter a oxigenação do sangue, retirar os resíduos do produto utilizado na limpeza e prepara a pele para receber o hidratante. - O hidratante é o terceiro passo. Os produtos devem ter fator de proteção solar incluído, pois em qualquer época do ano a pele tem de ser protegida dos efeitos do sol. As pessoas com pele acnéica devem escolher produtos à base de gel, para não piorar a oleosidade. O hidratante é essencial: ele é absorvido pela pele, impedindo a evaporação de líquidos e a penetração de impurezas. Um motivo a mais para nunca deixá-lo de lado é que também previne o aparecimento de rugas. Se optar, durante o dia, por um hidratante que não inclua a proteção, o filtro é o quarto passo. - À noite é hora de nutrir a pele. O creme para o período vai devolver à pele proteínas, vitaminas, sais minerais e outros componentes que manterão a pele macia e rejuvenescida. - Uma dica: aplicar produtos não é tudo. Evitar alimentos gordurosos e optar por frutas e legumes é essencial. Beber água durante o dia também ajuda a manter a pele hidratada.

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A limpeza mais profunda deve ser realizada uma vez por mês, quando acontece a troca de células. Se a pele for propensa à acne, o ideal é que o cuidado seja dobrado.


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Personalidades

Casamento sem estrelas

Kaká é papai

Só amigas?

Novo escândalo

Naomi é condenada

Amy no hospital

Personalidades

Sandy e o músico Lucas Lima vão mesmo se casar em setembro. Depois de muita especulação em torno do assunto, a confirmação veio por parte do noivo enquanto, irritado, desmentia boatos de que a cantora estaria grávida. O que se sabe sobre a cerimônia é que não haverá muitas celebridades na lista de convidados, a fim de manter longe os flashes dos fotógrafos. Sandy andou pesquisando vestidos e, entre os mais cotados, estão alguns modelos românticos da estilista Emanuelle Junqueira.

A amizade da cantora Ana Carolina e a apresentadora e atriz Adriane Galisteu não pára de dar o que falar. Ana Carolina, gay assumida, tem sido companhia constante de Galisteu nas últimas semanas e, durante um show da cantora, a loira falou à jornalista Mônica Bergamo que não se importa com boatos. “Têm determinados assuntos que são tão delicados que é melhor deixar falar. Não tô ligando para responder que sim, nem que não.” Para completar, a loira passou a circular, recentemente, com um suposto novo affair: o empresário Alexandre Iódice.

No último dia 20, a modelo Naomi Campbell se declarou culpada em um tribunal londrino por ter desacatado policiais do aeroporto de Heathrow ao saber que uma de suas malas havia sido extraviada enquanto voava para a capital britânica. Condenada, a top model escapou da cadeia, mas terá de cumprir 200 horas de serviço comunitário e pagamento de multa. No ano passado, ela já havia realizado serviços do mesmo tipo em Nova York após condenada por atirar um blackberry em uma ex-secretária.

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No dia 10 de junho, nasceu no hospital Albert Einstein, em São Paulo, o primeiro filho do jogador Kaká com a esposa, Caroline Celico. O pequeno Luca veio ao mundo com 3,5 quilos e 51 centímetros. Enquanto mãe e bebê passaram sem maiores percalços, o papai Kaká não anda nos melhores dias. Afastado do Milan para se recuperar de uma cirurgia no joelho, não foi convocado para os últimos jogos da seleção pelas eliminatórias da Copa de 2010.

Depois do escândalo com travestis que acabou na delegacia, uma morena foi a nova pedra no sapato do craque Ronaldo. Após uma festa no bar do hotel Fasano, no Rio de Janeiro, Ronaldo teria ido direto para uma suíte com a moça e, lá, fotografado dormindo abraçado a ela por uma amiga da acompanhante. Enquanto ela negociava a venda das fotos, com baixíssima qualidade de imagem, para agências internacionais, Ronaldo desmentiu tudo e rumou para a França para encontrar a noiva Bia Antony, grávida de dois meses.

Mais um capítulo na conturbada vida de Amy Winehouse. Em junho, após sofrer um desmaio, a cantora foi levada às pressas ao hospital. Depois de mais de uma semana internada e rumores de que estaria com tuberculose, Mitch Winehouse, pai da estrela, anunciou que ela sofre de enfisema pulmonar, doença pulmonar crônica que desenvolveu por fumar cigarros e crack. Em entrevista ao jornal Sunday Mirror, ele disse que a doença está em fase inicial, mas que, caso a cantora não abandone o vício, pode levá-la à morte.


Ela pode

Personalidades

Marcas que quiserem ter Ivete Sangalo como rosto de algum produto podem se preparar para abrir os cofrinhos. A baiana mais arretada da atualidade não põe os pezinhos fora de casa para estrelar comerciais por menos de R$ 2 milhões, o equivalente a, aproximadamente, US$ 1,250 mil. Sabe o que isso significa? Que é só um pouquinho menos do que a über model Gisele Bündchen recebe para mostrar o rostinho famoso por aí e mais que o dobro do que Sarah Jessica Parker cobra. Para estrelar campanha de um novo shopping paulista, recentemente, a estrela de Sex and the City recebeu míseros US$ 600 mil. Com a carreira musical a toda, corpão de dar inveja, namorado bonitão a tiracolo e um cachê desses, Ivete está, mais do que nunca, podendo.

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Turismo

Cambridge:

centro cultural a céu aberto A Real visita a cidade mais intelectual do Reino Unido, que fica pertinho de Londres

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sensação que se tem ao chegar em Cambridge é a de estar num grande campus universitário. O burburinho alegre dos estudantes, os museus, galerias de arte e recitais de poesia ao vivo nas ruas fazem com que você se sinta convidado a explorar o lado mágico e cultural que a cidade tem a oferecer. Uma das grandes surpresas ao visitar Cambridge é descobrir que a universidade, considerada a segunda melhor do mundo após a americana Harvard, não é uma instituição única. Na verdade, ela é formada por um complexo de 31 colégios que são órgãos independentes uns dos outros, responsáveis por administrar seus próprios bens, orçamentos e instalações esportivas, por exemplo. Ver de perto essas construções imponentes que um dia foram residências de estudantes famosos já faz a visita valer a pena. Porém, ter a oportunidade de vislumbrar a harmonia arquitetônica do antigo com o moderno, explorar as ruas medievais lotadas de restaurantes, cafés e pubs, bem como admirar as conservadas pontes e jardins exuberantes, é o que faz com que a experiência peça para ser repetida várias vezes. Desejo este que não é difícil de ser realizado, uma vez que Cambridge encontra-se a 50 minutos do centro de Londres e a 20 minutos do aeroporto London Stansted. Formação da universidade As primeiras referências escritas da cidade datam do ano de 875. Por volta de 1200 ela já era um promissor centro comercial e, em 1209, começava a receber alguns acadêmicos vindos de Oxford que refugiaram-se ali, após serem tratados com hostilidade pelos cidadãos daquela cidade. Depois de alguns anos trabalhando como tutores em Cambridge, eles resolveram formar, em 1226, uma comunidade acadêmica que mais tarde tornaria-se universidade. Depois disso foi a vez dos colégios começarem a surgir. Entre eles, o de grande destaque é o Trinity College, fundado por Henrique VIII em 1546. Um ilustre estudante deste colégio foi o físico e matemático Isaac Newton. Ele começou a estudar lá em 1661 e permaneceu na instituição como professor até 1696. Newton era membro ativo da universidade e publicou, em 1687, “Philosophiae Naturales Principia Mathematica” (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural), onde anunciou a lei da gravitação universal. Entre o período de 1904 a 1998, 31 estudantes do Trinity College foram ganhadores do Prêmio Nobel, entre eles físicos, químicos e filósofos. Atrações para todos os gostos e bolsos Cambridge tem uma movimentada agenda de eventos para o ano todo. Não importa a época a ser visitada, sempre há o que se fazer por lá. A Real selecionou aqui alguns passeios para quem quiser dar uma passadinha na cidade neste verão. Ainda que o sol não brilhe da maneira que você espera, com certeza o passeio vale a pena. Para começar, que tal fazer uma tour? Há empresas que prestam esse serviço diariamente na cidade. Guias profissionais vão lhe pôr a par de estórias fascinantes sobre pessoas famosas que passaram pelos portões da universidade. No trajeto está incluída ainda uma visita ao King’s ou St. John’s College, dependendo de qual estiver aberto no dia, e aos pontos mais interessantes e bonitos do local. Outra tour altamente recomendada é a de barco pelo famoso rio Cam. A embarcação parecida com as gôndolas de Veneza é puxada por um guia que, num trajeto de 45 minutos, faz um resumo sobre

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fatos importantes e curiosos da cidade. Já a dica para os amantes do teatro é assistir ao Cambridge Shakespeare Festival, que acontece entre os meses de julho a setembro em vários colégios. As performances que prometem ser uma experiência única para os espectadores são apresentadas em meio a cenários e figurinos de época, ao som de música Elizabethana ao vivo. Para aqueles que preferem curtir a natureza, ao invés de se esgueirar por ruelas e colégios antigos, e não têm nenhum interesse em poesia, uma boa opção é ir passar o dia em Jesus Green. Este grande parque localizado no centro da cidade é ideal para quem quer relaxar, bater uma bolinha, caminhar, fazer picnic ou até mesmo nadar! No verão cinco piscinas são abertas ao público neste local, e o que é melhor: com entrada franca. Ainda para celebrar a estação mais quente da Europa, Cambridge conta com bandas de jazz tocando ao ar livre e em muitos parques espalhados pela cidade. Com tudo isso, não dá para ficar de fora, não é? Bete Kiskissian

Serviço Informações gerais: www.visitcambridge.org Informações: Ônibus: www.nationalexpress.com Passeios pela cidade: tours@cambridge.gov.uk ou pelo telefone 01223 457574 Passeios pelo rio Cam: www.scudamores.com Piscinas: www.everyoneactive.com/clubs/cambridge/ cambridge.html


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Uma visita ao castelo de Windsor Sempre que pode, a família real passa um fim de semana por lá. Que tal fazer o mesmo?

com um blazer preto com uma longa calda. O colégio foi fundado em 1440 e hoje cerca de 1300 garotos, entre 13 e 18 anos, estudam na instituição.

Turismo

Caminhada

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castelo de Windsor começou a ser construído há quase mil anos e é o castelo mais antigo do mundo que ainda continua ocupado. Por volta do ano 1040, o rei William, o Conquistador, decidiu construir o castelo pela sua localização estratégica. De cavalo, ele ficava a apenas um dia da Torre de Londres e ainda serviria como um ponto de defesa para a ameaça dos invasores que vinham pelo oeste. A arquitetura original foi sendo remodelada ao longo dos séculos. Mas rebeliões e lutas pelo poder nunca chegaram a ameaçar o castelo, nem durante a Segunda Guerra Mundial, onde Elizabeth II, ainda princesa, ficou escondida durante os anos de conflito. No entanto, em 1992, uma falha elétrica gerou o maior incêndio que se tem notícia no castelo. Durante cerca de 15 horas, as chamas consumiram parte da capela e outras dependências do castelo, que precisaram de mais de cinco anos para serem reconstruídas. Mas até o incêndio entrou para a história e quem visita Windsor encontra uma parte importante da história da monarquia britânica. Parte do castelo hoje é aberto ao público, que pode visitar algumas das dependências da família real.

Região de Eton

Mesmo que seu interesse nem seja passear pelos aposentos reais, uma visita até Windsor valerá muito a pena. A região de Eton é uma das mais bonitas, cheias de pequenas residências, um clima de interior. Mas talvez a fama da cidade esteja ligada ao mais tradicional colégio britânico apenas para meninos, o Eton College. Nobres europeus e até o Príncipe Charles passaram pelo colégio. O uniforme mais parece a roupa usada por um maestro de ópera,

Serviço: De trem você paga £ 7 Estações: Paddington ou Waterloo Percurso: de 30 a 50 minutos Informações: www.nationalrail.co.uk Entrada no Castelo: Adulto £14.80 - Crianças £8.50 www.windsor.gov.uk

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Se você curte uma caminhada, vá com roupas leves, garanta água e, quem sabe, leve um sanduíche para degustar no caminho e contemplar uma bela paisagem. Para quem tem disposição, o ideal é percorrer um percurso (cerca de 40 minutos), saindo de perto do castelo cortando o Great Park. Entre o portão do castelo e um monte conhecido como Snow Hill, existe o Long Walk. Passeando por este caminho, com cerca de 5 quilômetros, você pode observar parte dos dois mil hectares do parque. Toda essa área começou a ser desenhada em 1360 e era popular entre os reis que caçavam na região. Hoje, cervos selvagens vivem no parque sem o risco de serem caçados. Ainda no pique? Então siga o fluxo. Vire à esquerda, no final do Long Walk, e você começa a entrar dentro da floresta. Árvores centenárias e vários lagos, entre eles o Viginia Water. Sente na grama para relaxar e comece a pensar em como voltar para casa. A partir deste ponto, você tem duas opções: rever as mesmas belas paisagens e voltar pelo mesmo local até a estação de trem de Windsor ou seguir até uma outra estação, a de Egham, perto da Holloway Royal University. Para não passar nenhum aperto, vale a dica de garantir um mapa da região assim que chegar à cidade. Bom passeio!

Rafael Pieroni


Turismo Revista Real 67


Motores

por Devaldo Gilini Júnior

Maserati GranTurismo chega ao Brasil

Motores

Design e estilo marcam o modelo esportivo do projeto Maserati e Pininfarina

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m carro esportivo, de uso diário, que alia desempenho e estilo único com conforto e requinte. Tudo isso reunido em um automóvel luxuoso e funcional. Parece impossível, mas para os projetistas da Maserati essa palavra realmente não faz parte do dicionário. A escolha do nome GranTurismo não é mera coincidência. Mais uma vez, as forças combinadas da Maserati e da Pininfarina (estúdio reconhecido pela criatividade automobilística) criaram um carro que pode excitar e superar a concorrência em design, estilo único e inimitável. Com o novo carro, a Maserati prossegue o seu leque de renovação que começou com a apresentação no Salão de Detroit do Quattroporte Automatica, em 2007. O Maserati GranTurismo adquiriu experiência com o modelo de luxo Quattroporte, com o qual tem em comum o set-up mecânico concebido para oferecer emocionante dirigibilidade, a cuidadosa escolha concebida de materiais e equipamentos para fornecer alta qualidade e ampla gama de opções de personalização. Para chegar a esta condição, a Maserati SpA. disponibiliza uma série de características, capazes de posicionar o GranTurismo com benefícios evidentes sobre os concorrentes, a começar por ser um carro “musculoso”, ultraesportivo, emocionante de conduzir, que não compromete quando se trata de prazer cotidiano. Além disso, o carro destaca vantagens competitivas, como o seu design, de impacto imediato e incomparável (estilo inspirado nas linhas da Pininfarina Birdcage 75º carro-conceito; estilo e dimensões proporcionais e elegantes), a emoção de conduzir, traduzida por seu propulsor V8, de 4,2 litros, 405 hp, o conversor hidráulico para transmissão automática com rotação de até 7.100 rpm e chassis com distribuição equilibrada de peso (49% frente - 51% traseira). Mais espaço O modelo tem mais espaço na parte traseira do que a média do segmento, assentos traseiros equipados para acomodar dois adultos, mesmo em viagens de longo percurso. Os recursos estilísticos do Maserati GranTurismo podem ser traçados diretamente ao legado do Tridente (Maserati A6GCS) e com um imenso futuro ilustrado pelo Birdcage 75° carro-conceito. Inspirado por este, a parte exterior aparece com natural e decisiva fluidez dos volumes que começam a partir da impressionante grelha e marca todo o lado de fora até as luzes; as fendas suspensas sobre as grandes rodas criam uma poderosa e elegante forma. A lateral se distingue pelo cromo que transmite luz: o logo Ma-

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serati no pilar traseiro, o perfil das grelhas na frente, a alça da porta, e o contorno da marcação da superfície do vidro. A imponente e dinâmica frente mostra o plano tradicional Maserati V, que culmina com a grande grelha oval juntamente com os faróis que desenvolvem horizontalmente a mistura perfeita. A traseira do carro dá mais ênfase ao esportivo e à tecnologia: o uso de 96 luzes LED triangulares que acendem imediatamente ao escurecer; um túnel de vento concebido por um cone aerodinâmico nas laterais por um escape cromado, sobre a parte inferior do párachoque. O V8 adaptado para o Maserati GranTurismo foi especialmente afinado, em comparação com o motor montado nas versões do Quattroporte Automatica, a fim de aumentar a sua receptividade aos controles. Nesta configuração, ele desenvolve potência máxima de 405 h a 7100 rpm e torque máximo de 460 Nm a 4.750 rpm, dos quais 75% já estão disponíveis a 2500 rpm. O Maserati GranTurismo tem excelente aceleração (0-100 km/h em 5,2 segundos) e, ao mesmo tempo, consumo reduzido de combustível e o ruído interior em níveis de altas velocidades. A velocidade final do Maserati GranTurismo é de 285 km/h a 7.050 rpm.

Devaldo Gilini Júnior Editor do Blog http://sportcarsnaweb.blogspot.com e da RICTVRecord. devaldojr@gmail.com


Motores Revista Real 69


Tecnologia

De olho no teclado

Tecnologia

Estudo britânico mostra que ele pode ter mais bactérias que assento de privada

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quantas anda a higiene do teclado do seu compu- Transmissão de sujeira tador? Quem nem se preocupa muito com a sujeiDe acordo com a revista Which? Computing, uma causa para os rinha que insiste em acumular em torno dele pode teclados andarem tão imundos é o fato de que, na correria do diater uma bela surpresa. A revista britânica Which? Compu- a-dia, muita gente simplesmente faz as refeições na frente do comting realizou uma pesquisa utilizando os computadores da putador. O resultado é que mãos sujas de comida acabam por tocar redação e constatou que alguns deles as letras do teclado ou migalhas caem nos tinham mais bactérias que o assento espaços que são difíceis de serem vistos e, Na correria do dia-a-dia, de uma privada. conseqüentemente, limpos. Outro motivo, Segundo o estudo realizado pela segundos os pesquisadores, é que maus muita gente simplespublicação especializada em compuhábitos de higiene dos usuários, como ir tação, quatro dos 33 computadores mente faz as refeições na ao banheiro e não lavar as mãos antes de analisados tinham mais germes que voltar para a frente da tela, contribuem frente do computador. o assento de uma privada e foram para deixar teclados ainda mais imundos. considerados como potenciais riscos Na redação da Which? Computing, o O resultado é que mãos à saúde, uma vez que foram enconproblema parece estar perto de ser resolsujas de comida acabam tradas bactérias que poderiam causar vido, já que a diretora da revista, Sarah infecção alimentar. Um deles, cinKidner, determinou que todos limpassem por tocar as letras do teco vezes mais sujo que o assento do os teclados antes de começar a trabalhar. A vaso sanitário, foi retirado do local dica é boa para ser seguida tanto por quem clado ou migalhas caem por microbiologistas, que determitrabalha de frente para a tela quanto para nos espaços onde são naram que o acessório ficasse em os que utilizam o computador em casa quarentena até poder ser utilizado – principalmente aqueles que não perdem difíceis de ver e, consenovamente. a chance de fazer um lanchinho enquanto qüentemente, limpar. “Um teclado do computador é um checam e-mails ou batem papo on-line. reflexo do que está no seu nariz e no A pesquisa da revista britânica é um seu intestino”, disse o microbiologista bom alerta para quem não liga muito Peter Wilson, do University College of London. Ainda segundo para a higiene do teclado. E não é a única do gênero: a Universio especialista, pessoas que compartilham teclados com colegas dade do Arizona, nos Estados Unidos, já havia constatado no ano de trabalho têm maiores chances de transmitir doenças umas às passado que uma mesa de trabalho pode ter até 400 vezes mais outras. “Se alguém tem um resfriado no escritório, ou mesmo bactérias que o assento do vaso sanitário. E tem mais. Segundo os uma gastrenterite, há muitas chances de você vir a pegar a do- pesquisadores norte-americanos, as mesas das mulheres têm de ença por meio do teclado”, explicou Wilson. três a quatro vezes mais germes que as dos homens.

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Competindo contra o Massa Videogame vai permitir disputas em tempo real durante corridas da F-1

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enxergar você, então ele atravessaria seu carro. Neste ponto, a inteligência artificial adapta a situação e o que você vê no jogo é uma ultrapassagem bastante realista”, diz Lurling. Os testes com carros de F-1 já foram realizados e o jogo pode chegar no mercado ainda em setembro deste ano.

O Orkut encolheu Segundo pesquisa, site perde cada vez mais usuários na América Latina

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ede de relacionamentos queridinha dos brasileiros, o Orkut perdeu 34% dos usuários na América Latina. Os números são resultado de pesquisa realizada pela consultoria ComScore, que indicou que o site perdeu oito milhões de usuários no continente entre abril de 2007 e o mesmo mês de 2008. O motivo da perda de usuários do Orkut seria o crescimento de outros sites de relacionamento, como o Hi5 e o Facebook. Ainda que o Orkut permaneça na liderança entre as redes sociais, com 15,2 milhões de usuários latino-americanos, foi o único a perder participantes. A Hi5 segue na vice-liderança na América Latina, com 12,3 milhões de usuários e cresceu 79% em um ano. Logo depois vem o Facebook, que saltou de 717 mil usuários para 7,7 milhões, um aumento de 976% no período. No fim da lista seguem os sites Sônico, com 6,2 milhões de usuários, e o MySpace, com 5,8 milhões. Juntos, os sites de relacionamento receberam cerca de 50 milhões de acessos só em abril deste ano, 32% a mais que no mesmo período de 2007. Os líderes em acesso no mundo são Facebook e MySpace e, juntos, têm 115 milhões de acessos únicos. No Brasil Os brasileiros são os primeiros colocados entre os usuários do Orkut. Por lá, o site continua firme e forte na primeira colocação e recebeu 15,2 milhões de acessos em abril. O Sônico ficou comendo poeira em segundo lugar, com 1,7 milhões de usuários. Os brasileiros não são apenas os que mais utilizam o Orkut, mas as redes sociais em geral. A estimativa é que 20,6 milhões de brasileiros acessam tais redes, o equivalente a 90% dos usuários de Internet no país. Revista Real 71

Tecnologia

e você é um daqueles que se considera bom de braço, sempre sonhou em ser piloto mas nunca teve grana para iniciar aquelas aulinhas básicas de kart, em breve você poderá competir contra os melhores da Fórmula 1. Isso mesmo, que Felipe Massa ou Lewis Hamilton que nada, bom mesmo na pista pode ser você. Segundo a BBC, uma empresa holandesa está desenvolvendo uma tecnologia de videogame que permite aos jogadores competirem com pilotos de F-1 em tempo real, durante uma corrida de verdade que está passando ao vivo na televisão. O jogo desenvolvido pela iOpener Media capta os dados de GPS da F-1 em tempo real e os transmite para o console de videogame. “A próxima moda de gaming será trazer objetos reais para o mundo virtual, jogando não com outros usuários, mas contra pessoas que estão praticando o esporte de verdade”, disse Andy Lurling. Além da tecnologia, a empresa está desenvolvendo um software de inteligência artificial para corrigir algumas incompatibilidades entre o jogo virtual e a corrida real. “Se Hamilton estivesse dirigindo atrás de você (no jogo), ele não conseguiria


Esportes

Dunga sob pressão

Esportes

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técnico Dunga vive inferno astral na seleção brasileira após uma série de maus resultados no comando do time em junho. A lua-de-mel do treinador com a torcida começou a azedar depois que o Brasil perdeu pela primeira vez na história para a Venezuela, num amistoso disputado nos Estados Unidos, por 2 a 0. O mesmo placar se repetiu no jogo contra o Paraguai, em Assunção, pelas Eliminatórias da Copa 2010, quando o time brasileiro atuou com três volantes e foi muito criticado por torcedores e imprensa esportiva por “jogar como time pequeno”. Depois da derrota na capital paraguaia, um insosso 0 a 0 contra a Argentina, no Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 18, quando a torcida, em coro, pediu a saída do técnico. Nem a troca da seleção principal pela olímpica, num amistoso em Volta Redonda (RJ), aliviou a pressão sobre Dunga. Sob vaias, após a vitória dos olímpicos contra um combinado carioca por 1 a 0, o técnico se defendeu. “Não é a primeira vez que isso acontece, e todos os outros técnicos da seleção também passaram por isso: Parreira, Zagallo... só para citar alguns”, lembrou o ex-volante tetracampeão mundial.

Processo de fritura Dunga evitou entrar em conflito com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Disse que a iniciativa de convocar o meia Ronaldinho Gaúcho para as Olimpíadas de Pequim foi tomada em comum acordo com o cartola. “Estávamos conversando há mais de três

meses sobre isso. Fui o primeiro a ver essa situação. Sempre disse que ele é diferenciado”, disse o técnico. Nos bastidores, porém, a interferência do cartola é um sinal claro de que Dunga perdeu espaço junto à cúpula da CBF e não deve suportar outra série de resultados negativos à frente da seleção.

Mais polêmica sobre a Copa 78 Livro dá indícios de que ditadura argentina comprou o jogo contra o Peru

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m 1978, a seleção argentina de futebol derrotou o Peru por 6 a 0, eliminando o Brasil da Copa do Mundo, disputada na própria Argentina, em um jogo que passou para história como um dos

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mais polêmicos em mundiais da Fifa. Agora, três décadas depois, o jornalista argentino Ricardo Gotta publica “Fuimos Campeones”, livro no qual oferece mais indícios de que o jogo tenha sido comprado pela

ditadura de Buenos Aires. Após empatar com o Brasil, a seleção Argentina precisava ganhar do Peru com mais de 4 gols de diferença - e acabou marcando 6. Segundo o livro de Gotta, que chegou às livrarias portenhas no mês passado, a façanha não se deve ao talento dos jogadores argentinos, mas às combinações de uma ditadura interessada no resultado. “Reuni uma dezena de evidências contundentes que apontam para uma operação que instalou dois cenários”, conta Gotta, em entrevista à Ansa. “Um cenário de medo e outro de corrupção, de suborno, pelo menos sobre alguns dos membros da seleção do Peru.” O livro conta que, logo depois do fim da partida (realizada em 21 de junho de 1978, na cidade de Rosário), um dos jogadores peruanos, cujo nome não é citado, entrou furioso no vestiário e disse aos companheiros: “Bando de m...! Espero que pelo menos vocês repartam bem o dinheiro.” “Eu estudei o jogo segundo a segundo”, conta Gotta. “Houve movimentos insólitos de alguns jogadores peruanos. Movimentos ilógicos e suspeitosos, que excedem a uma simples noite de futebol ruim”, acusa.


Felipão assume o Chelsea Brasileiro chega para comandar o time ao sonhado título da Copa dos Campeões

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Cup, no Campeonato Inglês e na Copa dos Campeões da Europa. Fora de campo, Scolari acertou com o primeiro reforço para sua equipe: o preparador de goleiros Carlos Pracidelli, que estava no Palmeiras. “Não tinha como rejeitar, até por se tratar de um convite que partiu diretamente

do Scolari”, disse Pracidelli. Gomes no Tottenham O goleiro Gomes, ex-Cruzeiro e que estava desde 2004 no PSV Eindhoven holandês, transferiu-se para o Tottenham Hotspur, onde será companheiro do lateral esquerdo Gilberto.

Espanha quebra jejum Após 44 anos, Fúria fatura a Eurocopa

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Espanha venceu a Alemanha por 1 a 0 no dia 29 de junho, no estádio Ernst Happel, em Viena, e conquistou a Eurocopa pela segunda vez em sua história. O gol que deu o caneco à Fúria e quebrou o jejum de 44 anos sem título da competição foi marcado por Fernando Torres. Naturalizado espanhol, o brasileiro Marcos Senna se tornou o primeiro brasileiro campeão da Euro. A seleção espanhola encerrou a competição com o melhor ataque e a melhor defesa. A equipe do técnico Luis Aragonés marcou 12 vezes ao longo do torneio e levou apenas três em todas as seis partidas que disputou. A seleção que mais sofreu com o poderio ofensivo espanhol foi a Rússia. “Tive muitos momentos bons na vida, mas este é o melhor. Com esta vitória, tiramos um peso das costas e tenho certeza que, a partir de agora, a Espanha vai continuar ganhando”, disse Marcos Senna. No ano que vem, ele poderá enfrentar o Brasil pela primeira vez na Copa das Confederações. “Agora eu quero pensar na Espanha e nesse título que conquistamos, não na Copa das Confederações. A seleção brasileira está passando por um momento difícil, mas o Brasil é sempre o Brasil. O bom momento vai chegar”, completa. Revista Real 73

Esportes

pós cinco anos e meio à frente da seleção portuguesa, o técnico Luiz Felipe Scolari foi confirmado como novo técnico do Chelsea, onde assumiria o cargo no dia 1º de julho. Se o sonho de ser campeão europeu com os portugueses não se concretizou, Felipão tem agora o desafio de comandar os Blues rumo ao tão sonhado título continental. Afinal, a Copa dos Campeões sempre foi o objeto de desejo do dono do clube, o bilionário russo Roman Abramovich. Segundo especulações da imprensa britânica, uma das prioridades de Scolari seria a contratação de Ronaldinho Gaúcho. O clube londrino teria feito uma proposta de quase 19 milhões de euros (R$ 49,4 milhões) para o Barcelona, que pede mais de 30 milhões de euros pelo craque. O salário oferecido ao brasileiro seria o teto do clube, cerca de 6 milhões de euros por ano, como ganha o capitão do time, John Terry. Por outro lado, o Milan também concorre com o Chelsea pelo jogador. Além de Ronaldinho, os brasileiros Deco e Robinho também estariam na mira de Scolari para reforçar o Chelsea, que amargou o vice-campeonato em três competições na temporada passada: na Carling


Esportes

Futebol arte ainda existe? mês de junho colocou à prova teorias sobre a existência do futebol arte nos dias de hoje. Os fãs do futebol brasileiro não poderiam estar mais desapontados. Não apenas o povo brasileiro, mas como pessoas de todo o mundo que acompanham futebol e enxergam no time canarinho o melhor do planeta. Bastaram três jogos (para alguns, quatro) para que a cabeça de Dunga fosse posta a prêmio e para que a inquestionável qualidade do futebol do Brasil perdesse seu brilho. Ainda mais depois que um fenômeno laranja atraísse a atenção de todos no mundo, simultaneamente à desgraça verde-amarela. Na mesma semana que o Brasil se encontrou em uma verdadeira encruzilhada, o time da Holanda, disputando a Eurocopa, fez os olhos de seus torcedores e os de outros países brilharem. Isso devido a goleadas sobre os atuais campeão e vice-campeão mundiais, Itália e França, respectivamente. Enquanto a seleção brasileira “partia pra cima” de seus adversários com um meio-campo formado por três e até quatro volantes de ofício, a Holanda do técnico Marco Van Basten relembrava os bons tempos das seleções holandesas do início dos anos 70 e do final dos anos 80. Parecia para muitos que o futebol arte, sim, é possível. Em grupo classificado como o da “morte”, a Holanda atropelou todos seus adversários, com três vitórias em três jogos. Enquanto isso, no Brasil, torcida e imprensa atacavam o futebol da seleção brasileira, questionando: “Futebol arte ainda existe?”, “Os jogadores ainda têm paixão pela camisa canarinho?” e por aí vai. Não restava dúvida para comentaristas e repórteres que acompanhavam a Euro 2008 que a Holanda era a grande favorita ao título. Era. Pois no primeiro jogo da fase final enfrentou uma aguerrida e talentosa seleção russa. Quem esperava o futebol de toques rápidos, dribles e muitas finalizações da chamada “Laranja Mágica” viu o suco azedar. Exemplo de que o futebol é um dos esportes mais misteriosos que existem, a arte holandesa desapareceu repentinamente, devorada por um futebol aplicado e de muita vontade da Rússia. Muitos ficaram confusos, sem saber dar uma explicação digna de como um futebol tão belo voltava para casa tão cedo. Afinal de contas, a Holanda realmente jogou bem (e se jogou, vale lembrar, que brilhou em apenas dois jogos) ou simplesmente teve sorte e enfrentou adversários psicologicamente não preparados? O torcedor que assistiu essa última Eurocopa, certamente, no momento da melancólica eliminação holandesa, pensou: “Mas o futebol arte ainda existe?”. Tonico Sanches


As curtas do mundo esportivo

Rio na briga por 2016 O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), acertou no dia 23 de junho a transferência de US$ 500 mil (cerca de R$ 802 mil) para o COI (Comitê Olímpico Internacional) referentes à taxa de confirmação de inscrição da cidade como candidata a receber os Jogos Olímpicos de 2016. O Rio é uma das quatro cidades classificadas à fase final do processo seletivo para sede do evento. Chicago (Estados Unidos), Madrid (Espanha) e Tóquio (Japão) também disputam o direito de organizar a competição. As quatro cidades que continuam aptas a receber os Jogos Olímpicos terão que elaborar até fevereiro de 2009 um dossiê com todos os detalhes do projeto. Segundo o Comitê Olímpico Internacional, a sede da Olimpíada-2016 será anunciada em Copenhague, na Dinamarca, no dia 2 de outubro de 2009. Este ano, os Jogos acontecerão em agosto, em Pequim, na China.

Vaga nas Olimpíadas Após conquistar a vaga para os Jogos de Pequim no Pré-Olímpico Mundial, na Espanha, mês passado, a seleção brasileira feminina de basquete espera ganhar três reforços para a disputa da Olimpíada chinesa, compensando o fato de a ala Iziane ter sido cortada por indisciplina. A ala Karen e a pivô Érika estavam previamente convocadas para o PréOlímpico, mas acabaram cortadas. A primeira passou por uma artroscopia no joelho direito, enquanto a segunda sofreu fratura por estresse na perna direita. O técnico Paulo Bassul (foto) também espera contar com a armadora Adrianinha, que está afastada da seleção por motivos pessoais. O Brasil está no Grupo A do torneio olímpico junto com Austrália, Belarus, Coréia do Sul, Letônia e Rússia. A outra chave conta com China, Espanha, EUA, Mali, Nova Zelândia e República Tcheca.

Em busca da redenção A seleção masculina de basquete, que não disputa uma Olimpíada desde 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, terá uma árdua missão pela frente este mês, durante o Pré-Olímpico Mundial, na Grécia, que distribuirá as últimas vagas para os Jogos de Pequim. Seis jogadores pediram dispensa da seleção, entre eles Anderson Varejão, Leandrinho e Nenê, que atuam na NBA (a liga norte-americana profissional) e alegaram contusões. Com isso, a seleção vai estrear no torneio no dia 15, contra a Grécia, com uma equipe renovada, que inclui vários novatos, como Duda, Jonathan e Ricardo Probst. O Brasil ainda enfrentará o Líbano na primeira fase e precisa vencer pelo menos um dos dois jogos nesta etapa para jogar as quartas-de-final. Doze seleções participam do Pré-Olímpico, que terá em disputa as últimas três vagas aos Jogos de Pequim.

Tênis sob suspeita O executivo-chefe de Wimbledon, Ian Ritchie, negou mês passado as evidências de compra de resultados no tênis profissional. Ritchie procurava minimizar relatos dos jornais britânicos de que diversas partidas, incluindo oito em Wimbledon, estavam sob suspeita de terem sido arranjadas por sindicatos de apostas profissionais depois que agenciadores notaram picos inesperados em padrões de apostas. “Não há nenhuma evidência nova”, declarou Ritchie. Ritchie disse que Wimbledon intensificou a segurança nos vestiários dos jogadores este ano por sugestão de dois ex-detetives que comentaram sobre a integridade do tênis profissional. A partir de agora somente o jogador e seu técnico terão acesso ao vestiário, evitando a entrada de grupos que podem ser colocados sob suspeita de obter informação de dentro para ser usada nas apostas.

Festas de arromba O magnata russo Roman Abramovich, dono do Chelsea, promete abalar o mundo das celebridades. Seu provável casamento com a modelo russa Daria Zukhova, em outubro, terá nada menos do que seis festas pelo mundo, segundo a agência Ansa. O empresário foi indicado pela revista Forbes como o 15º homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em astronômicos 23,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 37 bilhões). A primeira festa seria realizada em Moscou, com banquete para cem convidados vips. Posteriormente, ainda sem ordem certa, aconteceriam festejos em Londres, além de Ilhas Maldivas e Los Angeles. Nos últimos meses, Abramovich teria gastado mais de 120 milhões de dólares (cerca de R$ 193 milhões) para presentear Daria, grande apreciadora de arte, com obras de L. Freud, F. Bacon e A. Giacometti. Revista Real 75

Esportes

Massa sonha alto Após ter assumido a liderança do Mundial da F-1 no dia 22 de junho, quando venceu o GP da França, o piloto Felipe Massa, da Ferrari, já sonha conquistar seu primeiro campeonato na carreira. Com oito provas disputadas e mais dez pela frente, o brasileiro somava 48 pontos, contra 46 do polonês Robert Kubica, da BMW. O finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, e o inglês Lewis Hamilton, da McLaren, vêm em seguida, com 43 e 38 pontos, respectivamente. “Estamos apenas na metade da temporada, ainda faltam dez corridas. É ótimo estar na liderança, mas meu sonho não é simplesmente liderar, é ganhar este campeonato”, disse Massa. Com a vitória de Massa, um piloto brasileiro voltou a assumir a ponta do Mundial de F-1 pela primeira vez desde 1993. O GP da Inglaterra, em Silverstone, aconteceria no dia 6 de julho, após o fechamento desta edição da Real.


Diversos

O que mais gosta e o que não gosta na cidade? Gosto da diversidade de cultura, pessoas, comida, aqui você pode ter de tudo de todos os cantos do mundo. Não gosto ou me desgasta, às vezes, é o corre-corre do dia-dia, essa cidade não pára. Como costumamos dizer: “it’s too busy”. Qual seu lugar predileto em Londres? Gosto da região de Covent Garden. O que você faz para se manter? Trabalho como assistente de gerente em um restaurante. Você já passou por alguma situação difícil, alguma “roubada” por aqui?

Acredito ser uma pessoa de sorte, pois nunca passei por alguma situação crítica ou difícil, a não ser as comuns como todos, contas caras de telefones que não pertencem a você... Alguma dica para os recém-chegados? Tente curtir a cidade, não pensar em vir para Londres para guardar   uma grana e voltar para o Brasil, porque dinheiro você até poderá guardar, mas algum dia acaba, e a experiência de vida que este lugar pode nos proporcionar fica com a gente para sempre.

Nome completo: Silvano Ciro Piaseski Idade: 28 anos Local de origem: Chapecó-SC

A experiência está valendo a pena? Para mim está valendo e muito. Como costumo falar com minha família no Brasil, se hoje fosse preciso, eu conseguiria sobreviver em qualquer outro lugar do mundo sem muitas dificuldades, porque eu já passei por Londres.

Por que você resolveu vir morar em Londres? Melhorar meu conhecimento sobre a língua inglesa. Há quanto tempo você está aqui? Cheguei em Londres em setembro de 2005.

Diversos

Como foi a primeira reação ao chegar? O que você mais estranhou?

Foi uma grande aventura, já tinha um lugar para ficar, mas ninguém para me buscar no aeroporto. Como tudo era novo, para ter idéia demorei mais de 5 horas do aeroporto a Willesden Green. Mas após o susto parecia estar vivendo em um filme, onde tudo o que somente havia visto através da tela da TV estava presenciando no meu dia-dia.

O que você mais sente falta do Brasil? Do clima, apesar de minha origem ser do Sul do país, onde também faz muito frio, mas ainda no inverno faz sol. Pretende voltar para o Brasil? Pretendo sim, o Brasil vem crescendo muito, criando novas oportunidade, apesar de termos ainda a idéia de país de terceiro mundo.

Truta assada

com batatas ao creme Ingredientes: • 2 trutas arco-íris médias • 1 cebola • 200 ml creme de leite • 500 gramas de batata • 2 limões • 75 gramas de manteiga • 75 gramas de queijo parmesão • Pimenta e sal a gosto

Rendimento: 2 pessoas

Modo de preparo: Preparar as batatas e fervê-las de 7 a 10 minutos para pré-cozinhar. Enquanto isso, abrir as trutas desde a cauda até as brânquias, tirar as tripas e secar bem. Untar dois pedaços de papel alumínio para os peixes e colocar sal e pimenta por dentro e por fora. Cortar a cebola em finas tiras e colocar dentro das trutas junto com 25 gramas de manteiga cada uma. Adicionar suco de limão nas trutas e fechar o papel alumínio quase como um pastel. Colocar em forno médio de 20 a 25 minutos. Escorrer as batatas e deixar esfriar.

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Cortá-las em rodelas de 1/2 cm de espessura e pré-esquentar outra forma. Colocar as rodelas de batata na forma bem distribuídas junto com pedacinhos de manteiga. Cobrir e espalhar creme de leite, sal e pimenta. Repetir este passo fazendo mais níveis até acabar as batatas. No último nível jogar queijo ralado por cima. Tampar com papel alumínio e levar ao forno por mais 15 minutos. Deixar repousar as batatas 5 minutos antes de servir. Bom apetite!


Palavras Crônica porCruzadas Camilo Adorno

A pátria que não nos pariu

P. Crônica Cruzadas

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om cerca de mais de oito milhões de habitantes, Londres é hoje considerada uma cidade do mundo, ou ainda, se você preferir, a capital do mundo. Em seus aproximadamente 1.579 quilômetros quadrados de extensão, é possível encontrar uma variedade tão grande e acentuada de nacionalidades e culturas que, muitas vezes, surpreende não somente aqueles que aqui desembarcam pela primeira vez como também os que vivem nessas terras há algum tempo. Lembro-me de certa vez, em uma noite gelada de outono, estar em um ônibus que vinha do centro da cidade em direção ao norte, no qual se encontravam aproximadamente dez pessoas – já passava das onze da noite e poucos encaravam o vento que cortava Londres naquela noite. Durante o percurso, de não mais de trinta minutos, praticamente todas as dez pessoas que ali se encontravam falaram, em algum momento, ao telefone celular e, por mais incrível que isso possa parecer (especialmente para alguém ainda não acostumado com a cidade), nenhuma daquelas pessoas falou inglês durante suas conversas. Cada uma falava em uma língua, mas todas tinham o mesmo destino e a mesma morada. Em meio a esse mar de pessoas, oriundas das mais longínquas e imagináveis regiões, não é difícil sentir-se parte da cidade, mesmo

tendo nascido e crescido muito longe da ilha comandada pela rainha. Afinal, a cidade se faz, também, por meio desses inúmeros estrangeiros que, em especial nos últimos anos, aventuraramse (e aventuram-se) por aqui, fazendo de Londres muito mais do que a principal cidade da Inglaterra, onde hábitos, pessoas e culturas se juntam em um amálgama que dá à cidade um caráter único, universal. No entanto, apesar de tamanha pluralidade, a vida na capital inglesa tende a ser também bastante amarga, uma vez que tamanha diferença cultural e de estilo de vida pode não apenas ajudar os estrangeiros a sentirem-se incluídos nessa sociedade diversificada, mas ainda, e muitas vezes com muita força, é capaz de excluir esses mesmos estrangeiros. Por mais que vivamos e nos habituemos com o cotidiano ímpar da cidade, há sempre a sensação de que não somos nem fazemos parte por completo dessa enorme engrenagem que é a capital da Inglaterra. Com o passar dos anos, é claro, acabamos por nos acostumar com o modo de vida e com as particularidades de Londres; todavia, isso não nos impede, muitas vezes,

de sentirmos um certo estranhamento em algumas situações. E é justamente esse estranhamento, esse desconforto, surgido às vezes de modo inesperado, que faz com que nos sintamos deslocados em meio a uma multidão de pessoas. O fato é que há sempre algo faltando, parece que nunca nos sentiremos suficientemente conectados a esse lugar, a essa pátria que não nos pariu, mas que por alguma razão passou a ser nossa morada (ainda que temporária). E a pergunta que insiste em martelar os que por aqui vivem é: será que seremos capazes de nos sentir parte integrante e relevante da cidade em algum momento de nossa estadia? Ou ainda, será que ao voltarmos ao nosso país, após esse período de experiências variadas, conseguiremos ser o que éramos? Ou com os hábitos adquiridos no exterior, somado a distância de nossas raízes, nos sentiremos estrangeiros em nossa própria cidade, em nosso próprio país?


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