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Portugal e Brasil: relações empresariais e económicas crescem pouco

Nº 134 › Mensal › Novembro 2013 › 2.20# (IVA incluído)

Francisco Ribeiro Telles Embaixador de Portugal no Brasil

João Albuquerque Presidente da ACIB

Paulo, Sónia e Carlos Marques Administradores da SPM

Qualificar as pessoas é prioritário Domingos Lopes, Gestor do POHP Programa Operacional Potencial Humano, revela que o programa tem tido um enorme sucesso no contributo para qualificar os recursos humanos em Portugal, com grande aproveitamento pelas empresas nacionais Novembro 2013 | País €conómico › 1


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Ficha Técnica

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Portugal e Angola. Tempo de Reconstrução Numa edição onde damos o maior destaque às relações económicas e empresariais luso-brasileiras, este editorial vai incidir sobretudo no momento porque passam as relações entre Portugal e Angola. E este momento não é nada positivo, nem para Portugal nem para Angola, mas no que respeita a Portugal e às responsabilidades que terá na degradação do relacionamento entre os dois países, pensamos que a atuação do país, ou melhor, de vários agentes deste país, não orgulha ninguém nem permite invocar pretensas lições de moralidade ou de ética. Sejamos claros e indo diretamente ao assunto. Cabe às autoridades judiciais portuguesas, e em particular ao Ministério Público, investigar com rigor, imparcialidade, equidade e independência, as eventuais práticas irregulares que possam ter sido praticadas em território português. Sejam essas práticas cometidas por portugueses, angolanos, ingleses, alemães, russos, americanos ou outros quaisquer. No entanto, continuando a falar claro, nas últimas duas décadas e meia, componentes integrantes de entidades judiciais portuguesas têm praticado as chamadas “fugas ao segredo de justiça” que têm enlameado na praça pública, em primeiro lugar, muitos cidadãos portugueses, que depois nada se veio a provar ser verdadeiro, na maioria dos casos, sem a devida reparação pública da sua honra e moral. No caso mais recente das investigações a cidadãos angolanos que ocupam lugares importantes na hierarquia institucional e política do seu país, e que tiveram investigadas determinadas operações em Portugal, uma vez mais, sem qualquer pudor, foi revelado o teor das investigações, sempre reveladas numa determinada direção para levar à conclusão pública e popular de uma condenação antecipada e irrestrita. Não pode ser. Existe gente em Portugal que sabe que tem os ordenados assegurados no fim do mês pelo Estado, porque se trabalhassem na vida privada, muito provavelmente seriam postos na rua imediatamente, que não se importam dos danos das suas práticas desviantes face à lei, à honra e à ética da sua profissão, e não se importam das consequências dos seus atos levianos, irresponsáveis e por vezes, cretinos. Naturalmente que a parte angola também não está isenta de atitudes menos ponderadas, mas importa, agora, que o mal foi feito, tentar remediar os estragos. A relação entre Portugal e Angola é muito importante para os dois países, e não podem, ambos os lados, pensar que o enfraquecimento desse relacionamento, nomeadamente em termos económicos, empresariais, profissionais, sociais e culturais, será indiferente para o curso evolutivo e de desenvolvimento de ambos os países e sociedades. É tempo de reconstruir e de progredir. Assim saibamos todos estar à altura desse desafio. É esse o desafio! Jorge Gonçalves Alegria

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Índice Grande Entrevista Domingos Lopes, Gestor do POHP – Programa Operacional Potencial Humano, mostra nesta entrevista a importância que o programa teve na qualificação de muitos portugueses, tendo registado mais de 60 mil candidaturas desde 2007. Potencial e valorizar o potencial humano dos portugueses é o grande desafio e para onde tem direcionada a atenção do programa, nomeadamente para as pequenas e médias empresas, pois segundo o responsável do POHP é crucial que as empresas portuguesas apostem na qualificação para ganharem a batalha da produtividade e da competitividade.

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Ainda nesta edição…

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Grande Plano

CME constrói parques eólicos no Ceará Natal acolhe encontro de escritores lusófonos Sigame apresentado em Fortaleza Queijo Saloio faz parceria com empresa da Bahia Autoeuropa reforça investimento em Palmela Presidente da ACIB quer levar indústrias para a Bahia Têxteis portugueses ganham no mundo Promovalor investe em Portugal e em Moçambique CAME acolhe a primeira empresa em Montemor-o-Novo Lisnave certificada ambientalmente AIP leva missão a feira na Argélia Fundo JESSICA reforça investimentos no Alentejo

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A balança comercial entre Portugal e o Brasil está quase empatada, usando uma expresso futebolística, ainda com ligeira vantagem para o Brasil. Entrevistado eme exclusivo pela País €conómico, o embaixador de Portugal no Brasil acredita que os dois países podem e devem aumentar os fluxos comerciais entre ambos, o mesmo que disse recentemente em Lisboa o ex-presidente brasileiro Lula da Silva. Em todo o Brasil existem vastas oportunidades para investimentos, negócios e comércio entre portugueses e brasileiros, além de que, nunca é demais sublinhar, os brasileiros deverão considerar de forma crescente a posição de Portugal como porta de entrada na Península Ibérica e na própria União Europeia.

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› dossier brasil-portugal Francisco Ribeiro Telles, Embaixador de Portugal no Brasil, destaca o sucesso da diplomacia económica para sustentar o desenvolvimento das relações luso brasileiras mas sublinha

Portugal e Brasil devem diversificar as suas relações económicas As relações luso brasileiras atravessam um dos melhores momentos da sua história. Quem o afirma é o Embaixador de Portugal em Brasília, o diplomata Francisco Ribeiro Telles. O representante lusitano no Brasil destaca o bom clima político entre os dois países e sublinha a concertação que tem permitido defender o aprofundamento das relações económicas e empresariais entre Portugal e o Brasil. O Ano de Portugal no Brasil, segundo o diplomata português, contribuiu de forma significativa para a mudança de perspetiva como os brasileiros percepcionam os portugueses. Texto › JORGE Alegria | FOTOGRAFIA › Cedidas pela Embaixada Portuguesa em Brasília As relações económicas entre Portugal e o Brasil continuam a crescer de forma significativa. Como avalia o presente momento das relações económicas e empresariais entre os dois países?

As relações entre Portugal e o Brasil atravessam um momento de maturidade, dinamismo e diversificação, visível também nas nossas relações económicas, comerciais e empresariais, como ficou patente por ocasião da visita de dois dias da Presidente Dilma Rousseff a Portugal, em junho passado. Do ponto de vista económico, o Brasil é estratégico para Portugal, tanto a nível das nossas trocas comerciais, como do investimento. Portugal ainda tem cerca de 70% das suas exportações direcionadas para o mercado europeu. O Brasil ocupa, no entanto, um lugar de destaque na estratégia de diversificação de mercados por parte das empresas portuguesas, fruto não só da atual conjuntura internacional, mas também da crescente especialização dos nossos

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exportadores em setores de elevado valor-acrescentado. Além de trocas comerciais relevantes, o investimento direto com elevado valor-acrescentado entre os dois países tem também ganho novo fôlego nos últimos anos. São disso exemplo as duas fábricas da Embraer em Évora e os significativos investimentos portugueses no Brasil, nos mais diversos setores. Curiosamente, ao invés do que sucedeu durante muitos anos, no primeiro semestre do presente ano, Portugal conseguiu equilibrar a balança comercial com o Brasil. A que se deveu a capacidade portuguesa para equilibrar as contas com o Brasil? Ao longo dos anos, a balança comercial bilateral tem sido tradicionalmente desfavorável a Portugal, é verdade. No entanto, nos últimos cinco anos temos assistido a uma tendência para a redução do nosso déficit, na medida em que as nossas exportações têm crescido mais do que as importações. O déficit sofreu uma redução de 33,9% entre 2008 e 2012, e con-

sequentemente deu-se um aumento dos coeficientes de cobertura das exportações face às importações: 49,6% em 2012 contra 23,5% em 2008. Entre Janeiro e Junho deste ano, as nossas exportações para o mercado brasileiro cresceram 11.2% e as perspetivas de crescimento são positivas, tendo em conta a consolidação da nossa presença no Brasil, assim como os acordos recentemente alcançados no domínio dos vinhos, do azeite e, mais recentemente, dos produtos frutícolas. A importância das Câmaras de Comércio no Brasil Em que medida a designada diplomacia económica – e a Embaixada de Portugal no Brasil recebeu uma distinção do Ministério dos Negócios Estrangeiros pela sua ação – tem contribuído para incrementar as exportações portuguesas para o Brasil?

À diplomacia é cada vez mais exigida uma adaptação às novas realidades estruturais

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› dossier brasil-portugal e conjunturais criadas pela globalização e um reforço da sua componente económica, que passa não só pela promoção dos fluxos de exportação, mas, também, dos fluxos de investimento, no duplo sentido de atração de IDE, de apoio e projeção de empresas nacionais noutros mercados por via do investimento, fusões e aquisições. Num país com a dimensão e a diversidade do Brasil, a valorização e a dinamização desta componente económica da nossa diplomacia tornam necessária a implementação de novas metodologias e um intenso trabalho numa rede que agrega um número cada vez maior de atores locais com projeção internacional como são as empresas ou as Câmaras de Comércio. É o que temos procurado fazer no Brasil. Além da AICEP, com escritório em São Paulo, e da nossa rede consular, a nossa ação passa cada vez mais por uma ligação estreita ao mundo empresarial, tanto brasileiro, como nacional, e às 13 Câmaras de Comércio Portugal-Brasil espalhadas pelo país. Procedemos a um aumento do número de ações de promoção dos produtos portugueses, potenciado também pela realização do Ano de Portugal no Brasil, de apoio à internacionalização das nossas empresas, e de ações de captação de IDE brasilei-

ro que veio permitir um reforço da nossa presença neste mercado e do aumento do potencial de crescimento das nossas relações económicas bilaterais. Por outro lado, temos trabalhado no sentido do aprofundamento das relações económicas institucionais, quer ao nível político, quer ao nível técnico, que permitiu a conclusão de Acordos com inegável contributo para as operações das empresas nacionais neste mercado, dos quais destaco o Memorando de Entendimento (MdE) no domínio do Azeite, assinado em 2012, e o Memorando de Entendimento para a promoção e a cooperação no domínio dos produtos frutícolas, concluído em abril de 2013. Tem sido igualmente desenvolvido um trabalho contínuo junto das autoridades brasileiras ligadas ao comércio exterior, à agricultura e veterinária, à logística, para citar apenas alguns setores-chave. Todavia, segundo um estudo da Câmara de Comércio Portuguesa (em São Paulo) ainda existe um vasto conjunto de produtos que Portugal produz, que o Brasil importa, mas não o faz de Portugal. Como será possível coloca-los na pauta dos importadores Brasileiros? Começam a ser dados importantes passos para o aumento e a diversificação das

Embaixador discursou em Fortaleza O Embaixador Francisco Ribeiro Telles participou no final de Setembro numa conferência realizada em Fortaleza pela Câmara Brasil-Portugal no Ceará, no qual assistiram mais de uma centenas de empresários portugueses e cearenses, aproveitando a ocasião para insistir na tecla de que os empresários portugueses não devem «insistir no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e estarem atentos à região Nordeste, onde estão as oportunidades de negócios mais significativas». O diplomata português aconselhou também os empresários portugueses que desejem internacionalizar as suas atividades no Brasil a fazê-lo «numa perspetiva de médio e longo prazo», adiantando que se afigura necessário «um trabalho de casa meticuloso» e lembrou que deve ser aproveitada o conhecimento, a experiência, a credibilidade e a rede de contatos estabelecidas pelas câmaras portuguesas de comércio no Brasil. Aproveitando a estadia na capital cearense, Francisco Ribeiro Telles encontrou-se com Cid Gomes, Governador do Ceará, com quem discutiu a possibilidade da ampliação de investimentos portugueses naquele estado do nordeste brasileiro. ‹

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exportações dos nossos produtos para o mercado brasileiro. É matéria que já começa a dar resultados positivos na balança comercial bilateral, mas que terá sobretudo efeito a médio-longo prazo, numa perspetiva de introduzirmos neste mercado um número cada vez mais significativo de produtos de maior valor acrescentado. Oportunidades não se esgotam no Sudeste Quais os setores que considera mais interessantes para as empresas portuguesas investirem no Brasil? E em que zonas do país considera com maior potencial?

O Brasil é um país de dimensão continental, com realidades que variam de Estado para Estado. Ao definirem as suas estratégias de internacionalização e elegerem o seu destino de implantação no Brasil, é importante que as empresas tenham em conta estas diferentes dinâmicas. A concentração de riqueza, de consumidores com elevado poder de compra, de grandes empresas e de infraestruturas modernas fizeram com que, durante muito tempo, grandes metrópoles como São Paulo e o Rio fossem os principais pólos de atração de empresas estrangeiras. Hoje, a realidade do Brasil é outra, as oportunidades de negócio não se esgotam no Sudeste. Hoje, existe uma escolha mais diversificada de destinos do que há 10 anos atrás, cada vez mais fora do eixo Rio-São Paulo, em áreas onde Portugal detém uma presença histórica consolidada e que oferecem novas oportunidades de negócios. Verifica-se a existência de um forte potencial de cooperação e investimento em diversas áreas, entre os quais destacaria: os setores energético, petroquímico, indústria naval, biotecnologias, indústria farmacêutica, infraestrutura, construção, transporte, telecomunicações, tecnologia de informação e comunicação, e turismo.

Novo shopping da Sonae Sierra inaugurado em Goiânia

dam investir no Brasil – assim como nou-

Digo muitas vezes aos empresários portugueses, em particular às PMEs, que procuram a Embaixada para obter informações sobre o mercado brasileiro, que devem ponderar a entrada no mercado brasileiro com uma perspetiva de médio-longo prazo. É necessário um trabalho de casa meticuloso, que implica missões de prospeção, um estudo de todas as vertentes do mercado – e em especial as exigências normativas e jurídicas, contactos com empresas portuguesas aqui instaladas, mas também a procura de parcerias com empresas brasileiras. As 13 Câmaras de Comércio Brasil-Portugal espalhadas pelo Brasil e as empresas já aqui estabelecidas têm, a este nível, um papel essencial enquanto conhecedoras profundas dos mercados locais, das obrigações jurídicas que variam muito de Estado para Estado, e das redes implantadas nos vários sectores de actividade.

tros países – precisam de tomar mais

No entanto, as relações entre Portugal

atenção a que aspetos da legislação

e o Brasil não se circunscrevem à eco-

brasileira?

nomia, atravessam transversalmente

As empresas portuguesas que preten-

todos os aspetos da ação das respetivas sociedades. Como avalia o que foi o Ano de Portugal no Brasil?

Portugal e o Brasil mudaram muito nos últimos anos e estas mudanças não foram ainda totalmente absorvidas no imaginário que cada país tem do outro. Subsistem ainda imagens e estereótipos a ultrapassar. O Ano de Portugal no Brasil contribuiu acima de tudo para esse fim: atualizar. Atualizar imagens, atualizar contactos, atualizar relações entre os dois países e os dois povos, com enfoque na modernidade e na inovação. Serviu para nos conhecermos melhor. Foi um ano rico em iniciativas de grande qualidade e muito variadas - culturais, empresariais, académicas, desportivas - que nos permitiram trazer um pouco da nossa identidade e da nossa modernidade a todo o Brasil, de Rio Branco a Porto Alegre, passando por Manaus, Belém do Pará, Recife, Maceió, Natal, Salvador da Bahia, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba ou Florianópolis. Foram mais de

300 eventos de parte a parte, que chegaram, direta ou indiretamente, a milhões de pessoas. Estou certo que o Brasil e os Brasileiros não ficaram indiferentes a esta grande mostra do Portugal atual que, a partir desta atualização de imagens, contribuirá para criar novas correntes criativas entre os nossos países que nos continuarão a aproximar no futuro. Como perspetiva o futuro das relações luso brasileiras?

Portugal e o Brasil têm um idioma comum e singulares laços históricos e culturais. Têm excelentes relações políticas e institucionais. Têm um relacionamento económico, social e cultural em expansão nas últimas décadas. Temos, em suma, uma ampla e densa base para aprofundar as relações entre as sociedades nos planos económico e empresarial, social, científico e cultural. Cada vez mais, o relacionamento entre os dois países estará assente em parcerias voltadas para o futuro, sem esquecer a densidade e a riqueza da nossa história comum. ‹

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› dossier brasil-portugal João Tição, Diretor Geral da Cleanroom, explica o investimento em curso em São Paulo

O Brasil e a América do Sul precisam do nosso produto João Tição vai liderar a fábrica de produção de salas limpas na cidade de Atibaia, localizada no estado brasileiro de São Paulo. Numa parceria estabelecida com a francesa Plast Europe, João Tição, Diretor Geral da Cleanroom em Portugal, foi considerado o “homem certo” para liderar o novo projeto empresarial em terras brasileiras, num reconhecimento da sua comprovada especialização numa área muito sofisticada e sensível para muitas empresas. O objetivo da futura unidade brasileira, refere o empresário português, é o de estar junto do forte mercado brasileiro e latino-americano, «um mercado dos produtos de alta qualidade como o que nós já fabricamos na Europa, mas que se afigurou indispensável, estarmos junto desse grande mercado». Já em Portugal, a Cleanroom mantém um desempenho muito positivo e já tem projetos de

E

porte significativo para instalar no próximo ano. Texto › JORGE Alegria | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

os dois encarregados já receberam formação na Cleanroom em Portugal. Num espaço de cinco anos o responsável da unidade paulista aponta para a quadruplicação do número de pessoas a trabalhar brasileira. A escolha do Brasil para o investimento conjunto da Plast Europe justifica-se, segundo João Tição, pelo fato da elevada qualidade do produto não ter correspondência atual no mercado brasileiro nem nos restantes países da América Latina. Com efeito, enfatiza que o grupo francês recebeu diversas solicitações de multinacionais sobretudos das áreas farmacêuticas, eletrónica e aeronáutica, que pretendiam instalar unidades industriais no Brasil, mas que lhes faltava um fornecedor de salas limpas de alta qualidade, questão indispensável em várias das partes dessas empresas onde o grau de investigação ou de sofisticação na produção industrial obriga a operar em ambiente de sala limpa «ou mesmo ultra limpa, questão em que somos dos mais avançados a

nível mundial. Por exemplo, as duas salas limpas que existem na TAP em Portugal fomos nós que a equipámos, foi igualmente a Plast Europe que criou as salas limpas do Centro Espacial Europeu, portanto, possuímos um know how incomparável nesta área, mas, no que ao Brasil diz respeito, a importação dos produtos que importamos encontram taxas alfandegárias à entrada do território brasileiro que impedem a competitividade no mercado respetivo». Então, a solução que pareceu mais óbvia, sublinha João Tição, foi a de avançar para a construção de uma unidade industrial no Brasil para produzir localmente e assim beneficiar duplamente, isto é, de não necessitar do pagamento de taxas alfandegárias e consequentemente tornar o preço do produto mais competitivo, e por outro lado, ter acesso direto a um mercado de grandes dimensões e em crescimento de um produto topo de gama no seu segmento e que o próprio mercado brasileiro e latino-americano careciam.

O que são salas limpas? João Tição tinha a resposta preparada e referiu que segundo a Norma ISO 14644 que confere o estatuto de qualidade a uma sala limpa significa que é uma sala em que foram criadas todas as condições para controlar as condições ambientais quer em termos de contaminação, quer em termos de temperatura e humidade, o que significa ao cumprimento de uma série de regras e de normas que só será possível se vários aspetos, entre as quais, as paredes, os tetos e as portas, disporem das condições a que as normas referem, além de que o acesso às próprias salas limpas só é possível de uma forma controlada e higienicamente inatacável. Forte investimento na investigação João Tição aproveitou para sublinhar que «o nosso grupo nos últimos 15 anos tem investido muito na qualidade, visto que uma percentagem bastante significativa dos resultados obtidos tem sido aplicada

specialista na construção de salas limpas, João Tição, Diretor Geral da Cleanroom, foi convidado pela empresa francesa Plast Europe para construir um projeto industrial em Atibaia, localidade situada a meio caminho entre as cidades de São Paulo e Campinas. A linha de montagem já está a ser instalada no Brazilian Business Park e o empresário português espera poder começar a laborar no decorrer do próximo ano. Segundo João Tição, a unidade do Brasil, que se designará por Cleanbox, empregará inicialmente 12 pessoas, «sendo eu o único português que estarei diretamente ligado ao projeto, embora talvez venha também a estar presente um técnico de origem francesa que será responsável pela área das aquisições da matéria-prima empregue na empresa» referiu o responsável da fábrica de Atibaia, adiantando que

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› dossier brasil-portugal

Consultório Fundos Comunitários Diogo Gomes de Araújo Presidente Executivo da SOFID

É um foguete? É um pássaro? Não, é o Brasil!

N

na investigação de novas soluções e de novos produtos, «o que levou a Plast Europe à condição indiscutível de líder em termos de qualidade na produção de salas limpas. A futura unidade de Atibaia, como recordou o responsável português (e também acionista da empresa brasileira) destina-se a atender a procura no próprio mercado do Brasil, mas igualmente os restantes países da América Latina, «pois a partir da nossa unidade estaremos em melhores condições logísticas para nos afirmarmos de forma competitiva em todo o espaço dos países latino-americanos. Não vamos vender pelo preço, vamos estar no mercado pela alta qualidade dos nossos produtos», referiu o empresário português. Por outro lado, adiantou João Tição, será a partir da fábrica de Atibaia que o grupo pretende no futuro fornecer os mercados

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de Angola e de Moçambique, situação que acontecia de forma muito esporádica a partir de Portugal, mas que agora passará a acontecer de forma estratégica e sustentada a partir do Brasil. Cleanroom é referência em Portugal Em Portugal o grupo atua através da Cleanroom, empresa onde João Tição é o Diretor Geral. O exemplo das salas limpas da TAP constituem uma das bandeiras da empresa que já olha para outras possibilidades no setor aeronáutico. Apesar das dificuldades económicas por que passa o país e as próprias empresas em Portugal, João Tição está satisfeito com o nível de atividade desenvolvida pela empresa em Portugal, onde a qualidade dos seus produtos tem sido amplamente reco-

nhecida. Mais, o empresário deu a notícia à País €conómico de que em 2014 dois projetos de média dimensão são terão sido encomendados à Cleanroom, um primeiro na área dos plásticos, e um segundo no setor dos dispositivos médicos, onde um grande grupo do norte da Europa fechará a fábrica que possui no seu país e construirá uma nova unidade industrial no concelho de Penafiel. As salas limpas da futura unidade penafidelense, que ocuparão cerca de 1.500 metros quadrados de um total de 2.500 metros quadrados da própria fábrica, serão executadas pela Cleanroom. «Para Portugal é um projeto de excelente dimensão e sermos nós a participarmos na sua construção no que às salas limpas diz respeito, constitui um orgulho muito grande», finalizou João Tição. ‹

uma das últimas edições da revista The Economist saiu um relatório especial sobre o Brasil onde a famosa revista recorda que há quatro anos publicou um especial, também sobre o Brasil, onde na capa figurava o Cristo Redentor levantando voo do Corcovado, como se de um foguete se tratasse. Desta vez, a capa do suplemento é uma águia em um carro de cortejo de carnaval, numa posição quase como se estivesse acossada, de asas semiabertas, pousada. Efetivamente, em 2010 o PIB brasileiro cresceu 7,5%, tendo desacelerado em 2011 para 2,7% e em 2012 para somente 0,9%, denotando que de foguete, o Brasil passou a ave esvoaçante, relembrando os “voos de galinha” ou crescimentos curtos que caracterizaram a sua história económica do século XX. O desafio que se coloca é saber como poderá o Brasil reverter a atual tendência e retomar um crescimento sustentável. Como qualquer economia emergente, o Brasil apresenta diversos desafios, sociais, infraestruturais, económicos, sendo que um dos aspetos mais importantes terá a ver com a capacidade de atrair “bom investimento”. Investimento que traga competências técnicas e de gestão modernas, necessárias para aumentar a produtividade e a competitividade. Investimento que crie emprego formal, que contribua para a capacitação das pessoas e para a melhoria das suas condições de vida. A urgência em reformar o país é espelhada por um conjunto de problemas que será necessário dirimir.

O esquema tributário é demasiado complexo e imprevisível, representando um fardo significativo para o investidor. No Brasil, são necessárias em média 2600 horas só para que uma empresa consiga preparar e preencher a sua declaração de impostos, enquanto a média dos restantes países ibero-americanos é de apenas 308 horas, comparando com 186 dias nos países da OCDE. Quem queira abrir uma empresa no Brasil tem de cumprir em média 13 procedimentos. A média ibero-americana é de 9 passos e a dos países da OCDE é de apenas 5. Ao nível de dias necessários para criar essa empresa, um empresário no Brasil tem que estar preparado para esperar 119 dias, enquanto se investir num outro país da região, o tempo de espera é de apenas 51 dias, comparando com somente 12 dias nos países da OCDE. Finalmente, o processo de insolvência demora em média 4 anos no Brasil, contra praticamente 3 anos nos restantes países da Ibero-América e de menos de 2 anos na OCDE. Para o bem dos brasileiros, mas também da economia mundial, é fundamental que o Brasil retome os níveis de crescimento de anos anteriores. Para isso terá que combater a burocracia e simplificar – e muito – o seu regime tributário. Terá que procurar atrair o “bom investimento”, acolhendo-o verdadeiramente. Só assim poderá melhorar a sua produtividade, capacitar a sua mão-de-obra, criar emprego e ajudar o país e ganhar asas e voar – não digo como um foguete – mas como uma águia, deixando para trás o seu longo historial de voos de galinha. ‹

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Galp Energia confirma mais petróleo A Galp Energia investiu nos primeiros nove meses 728 milhões de euros, 77% (557 milhões e euros) na área de exploração e produção, um aumento de 152 milhões de euros face ao período homólogo de 2012. Do montante investido, cerca de 59% decorreu das atividades de desenvolvimento, sobretudo no bloco BM-S-11 do campo Lula/Iracema no Brasil. Por outro lado, as atividades de exploração e avaliação representaram 41% do investimento total e destinaram-se às campanhas de exploração e avaliação no Brasil, nomeadamente na bacia de Potiguar e de Santos, em Moçambique, na Área 4, bem como à campanha exploratória na Namíbia. No Brasil, a Galp Energia é parceira do consórcio para a exploração do bloco BM-S-24,localizado no pré-sal na designada Bacia de Santos, a 267 quilómetros

do litoral do Rio de Janeiro, anunciou que concluiu a perfuração do poço 3-BRSA-1183-RJS, mais conhecido como Bracuhy, tendo sido comprovada uma coluna de hidrocarbonetos com cerca de 160 metros gross, a partir de 5.322 metros de profundidade, com rochas em boas condições de porosidade e permeabilidade. Além do cap de gás e condensado, o poço constatou uma coluna de óleo de cerca de 100 metros gross de espessura. A Galp Energia, através da sua subsidiária Petrogal Brasil, detém uma participação de 20% no consórcio que explora o bloco referido, cabendo 80% à Petrobras, que é a empresa operadora. Nos primeiros nove meses deste ano, a petrolífera portuguesa registou um lucro líquido de 218 milhões de euros, resultado inferior em 21% em relação ao período homólogo. ‹

Terminal em Natal A construção do Terminal Marítimo de Passageiros no Porto de Natal tem cerca de 70% das obras concluídas e deverão estar completamente finalizadas em Março de 2014, após o final da presente temporada de cruzeiros marítimos no Brasil. O objetivo é ter um novo terminal, capaz de melhorar o atendimento ao cliente que demanda a capital do Rio Grande do Norte. Este projeto integra o designado PAC – Programa de Aceleração e Crescimento, que decorrerá no próximo ano em doze cidades brasileiras, incluindo na cidade de Natal. ‹

CME constrói parques eólicos no Ceará A CME, através da sua subsidiária Tecneira, dedicada às energias renováveis, está a construir um parque eólico no estado brasileiro do Ceará, que entrará em operação em Abril do próximo ano, revelou João Reis Costa, presidente da empresa ao Jornal de Negócios. Ainda no primeiro trimestre de 2014, a empresa espera iniciar a construção de mais dois parques eólicos naquele estado do nordeste brasileiro, que no seu conjunto alcançarão os 70 MW. No conjunto dos três parques em desenvolvimento no Brasil, irão produzir anualmente 292 gigawatt hora, um volume de energia equivalente ao consumo anual de eletricidade de 117 famílias portuguesas. De referir que a CME possui diversos ativos no mercado brasileiro, pelo que se forem somados os projetos próprios aos projetos encomendados por diversos clientes, a carteira do grupo ascende a 250 milhões de reais (cerca de 82 milhões de euros). O Grupo CME também está a apostar na África do Sul e em Moçambique, onde neste último país está a concorrer para construir um parque eólico de 30 MW, devendo apresentar uma proposta nos próximos meses. ‹

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Encontro de Escritores de Língua Portuguesa em Natal A UCCLA (União das Cidades Capitais da Língua Portuguesa) vai promover nos dias 7 e 8 de Novembro, pelo quarto ano consecutivo, o IV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, evento que se realizará na cidade brasileira de Natal, capital do Rio Grande do Norte. A edição deste ano do IV EELP integra-se no Festival Literário de Natal (organizado pela Prefeitura de Natal) que decorrerá entre os dias 6 e 9 de Novembro, contribuindo desse modo para o estabelecimento de um diálogo e enriquecimento reciproco entre escritores do Rio Grande do Norte, com os dos restantes estados brasileiros e dos diferentes países de expressão portuguesa. Este IV EELP tem como tema geral “Os Prazeres da Vida”, no qual serão analisados três subtemas centrais, respetivamente, “A Literatura e o Humor”, “A Literatura e a A Gastronomia” e “A Literatura e O Erotismo”. ‹

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TAP vai voar para o norte do Brasil Luís da Gama Mór, vice-presidente da TAP, informou que a companhia aérea portuguesa iniciará em Junho de 2014 a voar de Lisboa para as cidades brasileiras de Manaus e Belém, capitais dos estados do Amazonas e do Pará, ambos no norte do Brasil. Serão três voos semanais, que de forma circular ligarão diretamente a capital portuguesa a Manaus, seguindo daqui para Belém e regressando depois a Lisboa. Segundo um comunicado da própria TAP, a captação de tráfego direto entre o norte do brasil e a Europa, vai também permitir a libertação de lugares noutras rotas operadas pela TAP no Brasil. De referir, que já depois do anúncio dos novos voos para Manaus e Belém, a companhia portuguesa anunciou um reforço de voos para o Brasil no Verão do próximo ano, destacando-se os dois voos diários para o Rio de Janeiro (14 voos semanais), além de onze voos para São Paulo, sete voos para as cidades de Salvador, Recife, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza, seis voos para Porto Alegre, quatro voos para Natal, três voos para Campinas e os já acima referidos três voos para Manaus/Belém. A partir da cidade do Porto partem também três voos semanais para o Rio de Janeiro e outros tantos para São Paulo. No próximo Verão a TAP terá um total de 82 frequências semanais para o Brasil. ‹

SIGAME apresentado no Ceará

Nova onda no turismo brasileiro

O Ceará foi o primeiro estado brasileiro a participar no projeto SIGAME – Internacionalizar+, que tem como objetivo fomentar o aumento das trocas comerciais com Portugal, Moçambique, Angola, Brasil e S. Tomé e Príncipe, através do estabelecimento de alianças estratégicas e do facilitar o relacionamento entre os mercados destes países. O programa SIGAME tem sido desenvolvido numa parceria entre duas instituições portuguesas, respetivamente, a ANEME – Associação Nacional das Empresas Metalúrgicas e Eletromecânicas e a AIDA – Associação Industrial do Distrito de Aveiro, mas está a crescer a e registar a adesão crescente de entidades dos restantes países participantes. O Ceará, através da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, a Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil assinaram um protocolo, tendo como instituições que sediarão o projeto no Brasil a Câmara Brasil Portugal no Ceará assim como o Centro Internacional de Negócios (CIN). Em Fortaleza, na apresentação do SIGAME, estiveram João Reis, vice-presidente executivo da ANEME, Elizabete Rita, diretora geral da AIDA, além dos responsáveis das entidades cearenses e das câmaras portuguesas de comércio. ‹

A realização em de megaeventos puxou muitos turistas estrangeiros para o Brasil. Neste ano já se realizou a Copa das Confederações (Junho/Julho) e as Jornadas Mundiais da Juventude (Rio de Janeiro), que levou, a título de exemplo, a que a entrada de turistas estrangeiros no país no mês de Julho tivesse aumentado 27%. Já em Agosto o aumento cifrou-se em 5,5%. Segundo o presidente da Embratur, Flávio Dino, «o turismo do Brasil vive um momento único. No círculo virtuoso provocado pelos megaeventos, o turismo internacional caminha para fechar 2013 com 6 milhões de turistas e em 2014 alcançaremos a marca de 7,2 milhões». O responsável da Embratur adiantou ainda que no período acumulado entre Janeiro e Julho do corrente ano, os gastos dos turistas estrangeiros no Brasil atingiram a impressionante cifra de 2,95 mil milhões de euros. A cidade com o maior aumento de turistas estrangeiros este ano foi o Rio de Janeiro, com um acréscimo de 30%. ‹

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› dossier brasil-portugal

Os queijos que unem Portugal e a Bahia O Secretário da Agricultura, Eduardo Salles, e o Presidente da Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia, António Coradinha, foram testemunhas privilegiadas da celebração do acordo estabelecido entre a empresa baiana Laticínios Marianna e a portuguesa Queijo Saloio, acordo esse que prevê uma cooperação técnica entre as duas empresas visando a transferência de conhecimen-

tos e tecnologias agropecuárias, adaptadas às pequenas e médias propriedades na Bahia. Complementarmente, os responsáveis das duas empresas estabeleceram também um protocolo de intenções tendo como objetivo instalar no Município de Alagoinhas, na Bahia, uma indústria de processamento de leite de vaca, cabra e ovelha, para a produção de queijos especiais da marca Saloio. ‹

Portugal e Brasil com contas quase empatadas A balança comercial entre Portugal e o Brasil regista, em expressão futebolística, praticamente um empate. Entre Janeiro e Setembro deste ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, este país exportou para Portugal um total de 751,5 milhões de dólares, enquanto Portugal exportou para o Brasil a quantia de 744,3 milhões de dólares, ou seja, nos primeiros nove meses de 2013 o saldo comercial é favorável ao Brasil em apenas 7,2 milhões de dólares. No mesmo período do ano passado, as exportações brasileiras para Portugal tinham atingido 1,3 biliões de dólares, enquanto as exportações portuguesas para o Brasil ficaram nos 717 milhões de dólares, dando então ao Brasil um saldo favorável de 600 milhões de dólares. De referir que no mês de Setembro, as exportações brasileiras para Portugal atingiram os 135,6 milhões de dólares, enquanto as exportações portuguesas para o Brasil se cifraram em 119,9 milhões de dólares. No entanto, para além de continuar relativamente baixas as trocas comerciais entre os dois países de língua portuguesa, é de sublinhar que perante os números dos resultados alcançados verifica-se que Portugal diminuiu a sua quota enquanto país europeu exportador para o Brasil, baixando de 0,44% no ano passado, para apenas 0,42% em igual período deste ano. Portugal também representou mais no quadro das exportações brasileiras para a União Europeia em 2012, quando significava 0,74%, enquanto em 2013 esse valor se reduziu para apenas 0,42%. ‹

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AJAP colabora com a Bahia Aproveitando a estadia do Secretário Eduardo Salles em Portugal, o governo da Bahia assinou um protocolo com a AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, tendo como objetivos a “troca de experiências no setor agropecuário, notadamente no associativismo, cooperativismo, assistência técnica, importação e exportação de produtos e insumos”, além de «avançarmos na possibilidade de atração de jovens agricultores para investirem na Bahia, também fazermos o intercâmbio de jovens agricultores dos dois países para estagiarem em fazendas portuguesas e baianas», adiantou na ocasião o responsável pela agricultura baiana. ‹

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› dossier brasil-portugal

Negócios em Pauta

Texto › Jean Valério jeanvalerio@gmail.com

TAP se reinventa no Brasil

Luiz da Gama Mór

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Um levantamento feito na TAP mostra que, em 2013, o Brasil superou pela primeira vez Portugal como principal fonte de receita da companhia aérea. O mercado brasileiro é o principal ponto de crescimento da companhia com 27% da participação nas vendas. E as perspectivas são as melhores possíveis, pois a TAP espera alcançar a meta dos 80 voos nas rotas com o Brasil. Luiz da Gama Mór, vice-presidente da companhia, informou em entrevista à imprensa brasileira que a TAP trabalha na divulgação de novos destinos na região Norte, para Manaus e Belém, aproveitando o potencial reconhecido da Amazônia. Luiz Mór se diz “especialista em Brasil” e informa que os voos da empresa estão com 84% de ocupação neste país. Nada mal para a companhia que sofreu fortes turbulências e, há 13 anos, envolta em dívidas, quase foi vendida e privatizada. De lá para cá, ampliou sua receita em 400%, um crescimento surpreendente, acima da média europeia (150%). A TAP ainda superou um momento complicado com a crise económica internacional de 2008, quando a empresa teve de se reinventar invertendo o fluxo de passageiros (vendia passagens para europeus e passou a vender para brasileiros). As rotas no mercado brasileiro representam hoje 45% dos voos da companhia.

Exportar faz bem à economia portuguesa

Fusão da Oi com a Portugal Telecom

Portugal descobre que ampliar as exportações é a melhor maneira de tirar a economia da recessão. Muitas empresas do país aceitaram que o crescimento deve vir de fora das fronteiras portuguesas e a economia está começando a melhorar. É o caso da Herdade de Manantiz, que produz azeite de oliva, antes vendia apenas no mercado interno e hoje voltou suas operações para buscar clientes fora de Portugal. Autoridades portuguesas avaliam que exportações crescentes foram o principal motivo para que Portugal registrasse o mais forte crescimento do segundo trimestre entre os países da União Europeia. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu em 1,1% ante o trimestre anterior.

A CorpCo, empresa criada com a fusão da Oi com a Portugal Telecom, quer estar entre as maiores do mundo, com significativo potencial de crescimento no Brasil. A fusão da Portugal Telecom com a Oi fez a ação da empresa portuguesa disparar mais de 20%. A operação envolverá o aumento de capital de, no mínimo de 7 biliões de reais, na operadora brasileira. A sede da empresa resultante da fusão será na cidade do Rio de Janeiro.

Passagens mais caras no Brasil

Continua em vigor a lei portuguesa que prevê a concessão de cidadania europeia a investidores, inclusive quem disponha de pelo menos 500 mil euros – mais de 1,5 milhões de reais – para adquirir uma casa ou apartamento no país. A normatização flexibiliza a conquista do visto. Para obtê-lo não é mais necessário se mudar para Portugal desde que sejam cumpridas exigências desta normatização, como a que o comprador permaneça sete dias no primeiro ano para ter visto de residência provisório e 14 dias nos dois biénios subsequentes. Após cinco anos, o comprador pode pedir o visto de residência permanente e no sexto ano tem direito a pedir a cidadania portuguesa. Esta é uma tentativa de Portugal atrair dinheiro estrangeiro para o mercado imobiliário. O valor,

O preço das passagens aéreas no Brasil aumentou 131,5% acima da inflação desde 2005. Os dados são do IBGE (Instituto de Geografia e Estatística). O Governo brasileiro tenta liderar um movimento para convencer as companhias aéreas de que os preços cobrados no País são alto demais. Por conta da Copa do Mundo, há casos de aumentos de até 1.000% no preço das passagens. Fora o evento maior do mundial de exporte, não há nenhum fator económico que justifique o aumento abusivo.

Atração de investimentos

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› dossier brasil-portugal próximo ao praticado em imóveis de classe média alta em endereços nobres de Brasília, Rio e São Paulo, permite a aquisição de um apartamento de luxo e bem localizado em Lisboa ou arredores, como Cascais e Estoril. Portugal pode ser vantajoso para os brasileiros por causa do idioma, clima mais ameno da Europa e pela segurança e facilidade de circulação. É bom lembrar que o mercado imobiliário em Portugal está em baixa, o que pode ser vantagem na hora da compra, mas não na hora da venda. Há cerca de 10 mil imóveis vazios no país. A política portuguesa para atrair investidores ao país é tão agressiva que acena com a isenção de Imposto de Renda para aposentados estrangeiros que queiram morar no país. É o esforço para contribuir e tirar a economia da recessão mais violenta da história.

ra de combustível do país parece mesmo estar à venda. A Revista Exame noticiou que a ALE teria pedido apoio ao banco de investimento JP Morgan para intermediar a sua venda. O valor seria de 1 bilião de reais. A ALE fatura 10 biliões de reais por ano. Estariam no páreo para absorver a companhia Petrobras, Ipiranga e Shell. A ALE é controlada por bloco de acionistas formado pelo grupo mineiro Asamar, Marcelo Alecrim e pelo fundo de investimentos Darby. Nenhum executivo confirmou a venda, que seria referente à metade da companhia, uma vez que circula a informação de que a Bungue, gigante do setor de alimentos e do etanol, com foco na sua estreia no varejo (comércio) de combustíveis, teria adquirido outros 50% da ALE. O negócio teria sido fechado por 1,2 biliões de reais – 800 milhões em dinheiro e a assunção de dívidas de 400 milhões de reais com o Bradesco. Tudo estaria guardado em sigilo e somente poderia ser anunciado em fevereiro, com o fim do acordo de acionistas e de uma auditoria interna.

Ofertas e emprego na construção civil Após quatro meses de estabilidade, o emprego na construção civil brasileira volta a crescer acima de um ponto percentual em setembro, segundo levantamento das entidades representativas do setor. Com a abertura de 36 mil vagas, o nível de emprego avançou no país 1,03% em setembro, na comparação com agosto. O montante de vagas criadas também é superior ao apresentado em Setembro de 2012, quando ocorreram 13,7 mil contratações. No acumulado dos primeiros nove meses deste ano, o indicador aponta alta de 5,16%, com a contratação de 174,1 mil trabalhadores. N o mesmo período de 2012, haviam sido contratadas 247,9 mil pessoas. A construção civil brasileira deve fechar 2013 com crescimento real de 2%, abaixo dos 3% de aumento do ano passado e longe do avanço de quase 15% que foi registrado em 2010.

Itaú apresenta lucro de 4 biliões de reais Marcelo Alecrim

Rede de postos ALE está à venda? O sócio individual e fundador da ALE, Marcelo Alecrim, empresário brasileiro, não confirma, mas a quarta maior rede distribuido-

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Com a menor inadimplência em cinco anos, o Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, anunciou que encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de 4,022 biliões de reais, alta de 17,9% em relação a igual período do ano passado e avanço de 11% sobre o trimestre anterior. O valor, que exclui ganhos e perdas extraordinários, veio melhor do que o mercado esperava (cerca de 3,8 biliões de reais). Sem o desconto dos efeitos extraordinários, o lucro ficou em 3,995 biliões de reais. No acumulado dos nove primeiros meses de 2013, o lucro foi de 11,576 biliões de reais, 12,8% superior ao valor em igual período do ano passado.

Enrico Fermi

Financiamento de imóveis cresce 32% no Brasil Volume de empréstimos para a compra e construção de imóveis com recursos da poupança somou 9,16 biliões de reais em setembro, 32% a mais do que em 2012, apontou a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). No acumulado de janeiro a setembro, os financiamentos imobiliários somaram 79,3 biliões de reais, montante 35% maior do que o registrado no mesmo período de 2012. Nos últimos 12 meses, os empréstimos para a compra e construção de imóveis com recursos da poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somaram 103,4 biliões de reais. Esse total é 30% superior ao volume dos 12 meses anteriores. Os financiamentos tiveram, em setembro, alta de 17% em relação ao mesmo mês em 2012. No acumulado deste ano, foram financiados 387 mil imóveis, 16,5% a mais do que no mesmo período do ano passado. Nos 12 meses encerrados em setembro, foram financiados 508 mil imóveis, alta de 11% em relação aos 12 meses anteriores.

Brasil quer turista de Angola O presidente da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Enrico Fermi Torquato, afirmou à País Económico que o mercado turístico brasileiro está de olho nos turistas de Angola e Moçambique. Fermi disse que as agências de turismo brasileiras montam estratégias para atrair esses turistas. A moeda valorizada e a língua portuguesa são fatores essenciais.

Rodadas de petróleo e gás Já são 14 empresas habilitadas a participar da 12ª rodada de licitações de áreas de petróleo e gás natural, prevista para os dias 28 e 29 de novembro no Brasil. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), as regiões com maior potencial para o gás não convencional são as bacias de São Francisco, Recôncavo e Sergipe-Alagoas. Serão ofertados 240 blocos em terra, em sete bacias sedimentares, somando uma área de 164 mil quilómetros quadrados. ‹

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› NOTÍCIAS

› A ABRIR

Subindo na Pirâmide

Tiago Cavaco Alves

Tiago Vieira

É o novo Sénior Vice-Presidente da

O Administrador da Promovalor anunciou em Outubro a inauguração de um projeto imobiliário em Portugal e do arranque de um ambicioso projeto imobiliário e comercial na cidade de Maputo, Moçambique. São projetos demonstrativos da capacidade e arrojo empresarial de uma nova geração de empresários que está a emergir no país, que continuam a apostar em Portugal, mas simultaneamente investem na internacionalização. ‹

Science4you, empresa portuguesa que se dedica à produção, desenvolvimento e comercialização de brinquedos científicos e didáticos em parceria com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O responsável da empresa ocupava anteriormente o cargo de Country Manager da Scuence4you em Espanha. ‹

Ministro da Economia esteve na Alemanha

VW Autoeuropa reforça investimento em Palmela André Dias Lopes O Diretor Executivo da Agap2 anunciou a inauguração do escritório em Amesterdão, na Holanda, juntando assim este país dos Países Baixos ao conjunto de outros seis países onde a consultora portuguesa já estava presente, respetivamente, Bélgica, Alemanha, França, Espanha, Suíça e naturalmente Portugal. ‹

Maria João Martins É novamente a líder da My Change, empresa de consultoria posicionada nas áreas de Change Management, Human Capital e Employee Engagement, que tinha fundado em 2006. Depois de 4 anos a dirigir a Direção Corporativa de Recursos Humanos da EDP, a “boa filha à casa torna” para impulsionar novamente a “Mudança Positiva” que as organizações portuguesas necessitam. ‹

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O Grupo Volkswagen assinou com o Estado português um contrato de investimento de 38,2 milhões de euros na fábrica da Autoeuropa em Palmela. O valor será aplicado em novos projetos nas áreas de produção e não produção, nomeadamente em pintura, cunhos e cortantes e tecnologias de informação. Presente em Wolfsburgo, sede da empresa na Alemanha, o ministro português da Economia, António Pires de Lima, aproveitou a ocasião para sublinhar que «este investimento significa um sinal claro de confiança na economia portuguesa como um todo». Já Hubert Waltl, membro do Conselho de Administração da Marca Volkswagen sublinhou que «este investimento mostra que estamos empenhados no sucesso da VW Autoeuropa. Temos muito orgulho nos nossos colaboradores da fábrica de Palmela, que têm apoiado as operações do grupo através da sua disponibilidade e flexibilidade». Presente na ocasião esteve igualmente António Melo Pires, diretor da VW Autoeuropa, que além de se referir à importância do investimento, aproveitou para realçar o facto da unidade de Palmela ter neste momento cerca de 200 colaboradores portugueses a trabalharem e a desenvolverem programas de formação técnico-profissional e atualização de competências na sede da empresa. ‹

Porto de Setúbal ligado à Embraer O Porto de Setúbal recebeu no Terminal Multiusos Zona 1, concessionado à Tersado, em finais de Setembro, a escala do navio “Toledo”, para a descarga de peças e ferramentas destinadas à fábrica da Embraer Portugal, localizada em Évora. As 151 toneladas de equipamento viajaram diretamente de Yokohama, no Japão, para serem descarregadas no Porto de Setúbal, numa operação que mantém a ligação deste porto ao desenvolvimento do projeto industrial com duas fábricas da empresa brasileira Embraer na cidade de Évora. ‹

Corredor Azul promoveu segunda visita A Rede Urbana Corredor Azul, constituída pelos municípios de Arraiolos, Borba, Elvas, Estremoz, Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Vila Viçosa, Santiago do Cacém e Sines, recebeu novamente uma comitiva de diplomatas de países representantes do Brasil, Alemanha, Colômbia e Reino Unido, além de entidades nacionais de apoio ao desenvolvimento económico e empresarial. Durante os dois dias da visita ao conjunto territorial daqueles municípios do Alentejo, os representantes externos tiveram a oportunidade de aprofundarem o conhecimento do território e das empresas instaladas, além de terem ficado a saberem das condições de acolhimento e apoio a investimentos empresariais em diversas áreas de atividade e o potencial de setores económicos âncora, como a transformação de mármore, o agroalimentar (vinhos e carnes), a transformação de cortiça, a logística, o setor aeronáutico e o turismo. A iniciativa está integrada no Programa “Promoinvest – Rede de Promoção Empresarial”, e é liderado pelo Município de Vendas Novas. ‹

Porto de Sines dispara nos contentores O Porto de Sines movimentou nos primeiros nove meses do ano 692.011 TEUS através do Terminal XXI, correspondendo a um crescimento homólogo de 76,5%. Relativamente ao total das mercadorias movimentadas atingiram a cifra de 27,4 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 29% relativamente a 2012. Os segmentos de carga que apresentaram as melhores performances foram a carga geral e os granéis líquidos, sendo de destacar o aumento de 87,7% no movimento da carga geral. Nestes primeiros nove meses de 2013 entraram no Porto de Sines um total de 1.477 embarcações, mais 36% do que no mesmo período do ano passado. ‹

Paulo Portas O Vice-Primeiro Ministro apresentou finalmente o Guião para a Reforma do Estado. Documento sintético e aberto, como referiu, e independentemente da opinião de cada cidadão, é um ponto de partida indispensável para refletir e atuar de forma decisiva sobre a necessária e fulcral reforma de um Estado que continua assente numa filosofia e numa estrutura típica do século XIX. ‹

Eduardo Salles O Secretário da Agricultura do Governo do estado brasileiro da Bahia continua a apostar forte na dinamização das relações empresariais entre o seu estado e Portugal, acreditando que o nosso país possui as condições de saber fazer, tecnologia e know how para contribuir para um desenvolvimento sólido da economia agrícola e industrial da Bahia. ‹

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› GRANDE ENTREVISTA Domingos Lopes, Gestor do POPH – Programa Operacional Potencial Humano

«Este é um programa de grande sucesso» O POPH é o programa que concretiza a Agenda Temática para o Potencial Humano inscrita no QREN para o período entre 2007 e 2013. Com uma dotação de 8,8 mil milhões de euros, dos quais 6,4 mil milhões foram até agora comparticipados pelo Fundo Social Europeu (FSE), o POPH visa estimular o potencial de crescimento sustentado da economia portuguesa em várias prioridades. Em entrevista que concedeu à País €conómico, Domingos Lopes, gestor do POPH congratulou-se com os resultados até agora atingidos por este programa: «Quase 50 por cento das 60 mil candidaturas recebidas de 2007 até hoje, foram aprovadas», e lembra que no capítulo da Formação/ Ação relativamente às PME, «estamos a tentar nestes últimos dois anos de vigência do POPH maximizar e executar a nossa intervenção». Domingos Lopes lembra as oportunidades proporcionadas por este programa, sublinhando que é importante para as PME reconhecerem o peso da sua valorização, conhecimento e aprendizagem. «Só desta

M

forma se tornarão empresas mais fortes e competitivas». Texto › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

uito embora 2012 tivesse sido um ano de alguns problemas para o POPH, que no entender de Domingos Lopes tiveram a ver com a reformulação do QREN «que originou, por um lado, um desinvestimento na formação de adultos (Novas Oportunidades), e por outro com a formação para as empresas, ações que poderiam ser apoiadas pelo COMPETE», mesmo assim é justo assinalar que no final de 2012, 108% da dotação do Fundo Social Europeu (FSE) atribuída ao POPH estava já comprometida, tendo sido aprovadas cerca de 30 mil candidaturas que envolveram um investimento total de 9,9 mil milhões de euros. Do total de candidaturas submetidas registava-se um nível de aprovação bruta de 47%, indicador que na opinião do gestor do POPH «revela o elevado grau de seletividade e rigor na análise dos projetos candidatos». Diz Domingos Lopes que com esta reorientação o POPH direcionou as suas atenções mais para o ensino profissional e

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para acudir às entidades do Ministério da Educação, procurando-se de certo modo que os investimentos que o próprio ME fazia «pudessem contribuir para diminuir o défice público». O gestor do POPH aproveitou para esclarecer que com esta reprogramação do QREN foi decidido que o apoio às empresas que o POPH tinha na chamada formação para a inovação e estímulo, deixasse de ser concluído e deixasse de ser apoiado pelo POPH, e passasse a ser competência do COMPETE. «A partir de 2012 não tornámos a abrir candidaturas, e em 2013 o grande foco do POPH foi claramente o Ensino Profissional e o Ministério da Educação», justificou o gestor do POPH, que sobre esta matéria teceria mais algumas considerações: «Ainda temos uma tipologia chamada Formação/ Ação para as PME, esta exclusivamente aberta para PME, que é uma tipologia que tem tido algum sucesso e que se destina a alguns organismos intermédios, que são associações empresariais: AIP, AEP, CAP, CTT, AIMINHO, Centro Empresarial do

Centro e o próprio IAPMEI. Estamos as falar de uma intervenção muito ativa mas que não está muito massificada. É uma intervenção muito abrangente na empresa, e por ser muito abrangente naquela empresa, acabamos por financiar poucas empresas. O POPH financiou cerca de 15 a 16 mil empresas e tem o objetivo de até ao final de 2014 chegar às 20 mil empresas», lembrou Domingos Lopes, gestor do POPH. A propósito da execução do POPH, convirá adiantar que em termos regionais, 94% do financiamento público aprovado e da execução aprovada concentra-se nas regiões de convergência sendo a região Norte, a mais populosa de todas as NUTS II de convergência, a responsável por 51% do financiamento público aprovado daquele universo e por 50% da execução aprovada. Domingos Lopes, gestor do POPH disse à P€ que a execução FSE da dotação atribuída, e reprogramada, ao POPH cifrou-se em 63,8%, correspondendo a uma taxa

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› GRANDE ENTREVISTA de realização de 70,8%do investimento aprovado. 60 mil candidaturas desde 2007 é significativo De 2007 até hoje o POPH recebeu cerca de 60 mil candidaturas. Domingos Lopes, gestor do Programa Operacional Potencial Humano não tem dúvidas que em termos de adesão «este é claramente um programa de sucesso», embora saliente que a taxa de aprovação face ao indicador de seletividade não atinja os 50 por cento. «Mesmo levando em conta o indicador de seletividade, que representa o número de candidaturas como base na proporção daquelas que são apresentadas, o POPH é, em relação a outros programas, aquele

que regista o maior número de candidaturas», salientou Domingos Lopes. «Temos indicadores objetivos sobre as candidaturas que foram apresentadas ao PO e pela seletividade, que é o indicador que nós utilizamos e que define o número de projetos que são aprovados na proporção daqueles que foram apresentados, diremos que o POPH é claramente o programa que reúne o maior número de candidaturas», observou o gestor do POPH, que a propósito desta questão esclareceu também que os projetos que aceitam são por norma «projetos muito pequenos e que se relacionam com milhares de entidades que promovem ações de formação e qualificação, e por esta razão poderá até não ser um bom critério para aferir este

grande número de candidaturas», referiu Domingos Lopes, para lembrar que desde o dia em que o POPH arrancou até hoje, «já recebemos mais de 60 mil candidaturas». Entretanto, este responsável chamou a atenção para um registo importante. «Levando em conta o indicador de seletividade, diremos que a taxa de aprovação não chega aos 50 por cento». Domingos Lopes não tem dúvidas que existe uma forte adesão ao POPH e que este é um programa de grande sucesso. «A adesão tem sido grande, há candidaturas de muito interesse e de muita qualidade, mas muitas candidaturas não chegam a ser aprovadas porque não há capacidade financeira para aprovar todos os projetos que nos são apresentados», sublinhou o gestor do POPH. Aprovação de candidatura obedece a critérios de avaliação Para uma candidatura ser aprovada deve obedecer a que critérios? Domingos Lopes foi direitinho à questão. «Essa aprovação depende muito das tipologias da própria candidatura. Há tipologias que nós consideramos que são as chamadas tipologias próprias do sistema. Por exemplo, nas Escolas Profissionais é onde a seletividade é menor, porque o requisito de acesso é menos exigente, já que as Escolas Profissionais têm de ser reconhecidas pelo Ministério da Educação, e só se candidatam os cursos previamente autorizados põe este ministério», lembrou o gestor do POPH, dizendo ainda a este propósito que «aonde normalmente nós temos maior grau de seletividade e maior número de candidaturas é naqueles projetos em que nós financiamos diretamente as empresas. Aonde há um maior grau de seletividade é na requisição de formação à medida das necessidades das empresas. Neste caso estamos a falar de projetos muito direcionados para a inovação, e a preocupação do POPH é apoiar cada vez mais as PME», recordou Domingos Lopes, que adiantaria um pormenor importante. «Tenho acompanhado muitas dessas intervenções, e alguns responsáveis de associações empre-

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sariais e até empresários me têm dito que esta é a intervenção a favor das PME com maior sucesso». Ajudar as PME na internacionalização Segundo Domingos Lopes um dos grandes objetivos do POPH é apoiar as PME no seu crescimento. «Apoiamo-las para elas se tornem grandes cá dentro e lá fora. No fundo, muitos destes projetos que nós financiamos nesta Formação/Ação, proporcionaram às empresas beneficiadas um salto para a internacionalização. Algumas destas empresas tinham problemas porque o processo de internacionalização implicava saber línguas estrangeiras, ir a feiras internacionais, contactar com gente que fala outros idiomas. Estes apoios do POPH permitiram a essas empresas ultrapassarem esta situação, ao contratarem um licenciado que sabe línguas e as

ajudasse na internacionalização», revelou o gestor do POPH, para este propósito exemplificar ainda que muitas destas empresas deixaram de se confinar ao seu espaço em Portugal e impor-se com sucesso no mercado externo. Fundadas esperanças no Programa Portugal 2020 Domingos Lopes sabe que o desenvolvimento de mais candidaturas ao POPH depende sempre da capacidade de financiamento que existir. Por isso mesmo o gestor do POPH não esconde a sua esperança em relação ao Programa Portugal 2020, que deverá ter início a partir de 2014 ou 2015. «Será essencial para desenvolver o país e corrigir assimetrias regionais», reconheceu Domingos Lopes. De facto uma linha fundamental do Portugal 2020 é o reforço do Fundo Social Euro-

peu, que sobe de 37,5% para 41% do total dos fundos estruturais destinados a Portugal. E isto representa uma aposta clara nas pessoas, na sua valorização e uma descida dos investimentos em infraestruturas e equipamentos. Neste programa o Governo definiu um quadro de áreas prioritárias, a saber: Competitividade e Internacionalização da Economia; Capital Humano; Investigação, Desenvolvimento e Inovação; e Inclusão Social e Emprego. «No Programa Portugal 2020 o POPH vai certamente deixar de existir, irá ser dividido em dois programas dirigidos para as áreas da Educação e Inclusão Social, mas no apoio às empresas e à economia esta tarefa passará para a responsabilidade do COMPETE. O programa que se vai chamar Competitividade e Internacionalização da Economia vai, por outro lado, ser o sucessor do COMPETE, e vai

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› GRANDE ENTREVISTA

concentrar estas medidas de formação. O que se pretende é que os programas regionais ganhem peso em relação aos nacionais, passando a representar cerca de 40% do total, face aos 30% que têm no QREN. Este ganho resulta da integração do Fundo Social Europeu nos programas

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regionais», antecipou Domingos Lopes. O gestor do POPH aproveitaria para expressar o seu otimismo em relação à boa execução do POPH. No entender de Domingos Lopes, até agora a execução do POPH já atingiu ou 78%, «mas ainda dispomos de uma margem que já está previamente

destinada. O que queremos dizer com isto é que o POPH vai ter a sua execução na totalidade até 2014, cumprindo na íntegra o papel que lhe foi destinado. Até final de 2013 já vamos ultrapassar os 80% de execução», referiu o nosso entrevistado. ‹

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› empresariado João Albuquerque, Presidente da ACIB – Associação Comercial e Industrial de Barcelos, explica o porquê da anunciada internacionalização das empresas industriais do concelho para a Bahia (Brasil)

Estar no Brasil é atingir toda a América Latina A celebração do acordo entre o governo do estado brasileiro da Bahia e a ACIB – Associação Comercial e Industrial de Barcelos foi vista como um passo fundamental para sustentar a criação de um futuro pólo industrial no oeste baiano especialmente vocacionado para a instalação de indústrias têxteis, de moda e de calçado. João Albuquerque, Presidente da ACIB, em entrevista à País Económico, reforçou a prioridade da implementação desse projeto, que poderá ser de grande importância estratégica na internacionalização e capacidade global para a fileira da moda, têxtil e calçado do concelho de Barcelos e da própria região norte. O presidente da ACIB defende o investimento na indústria, sublinhando que este é fundamental para a região e o país e pede uma rápida solução para a falta de financiamento atual à economia e às empresas. «Se isso não for resolvido, a competitividade das nossas empresas continuará muito afetada. É preciso uma solução para financiar as empresas em Portugal», apela João Albuquerque. Texto › JORGE Alegria

Quais foram as razões que levaram a ACIB e as empresas associadas a escolherem o oeste da Bahia para darem mais um passo no seu processo de internacionalização?

As razões fundamentais que nos levaram a encetar este processo prendem-se sobretudo com o facto de a Bahia ser o segundo principal produtor de algodão do Brasil, uma matéria-prima que, como se sabe, é um elemento de grande importância para a indústria têxtil, e no contexto da Bahia ser justamente a sua região oeste, particularmente na área compreendida pelos municípios de Barreiras e de Luís Eduardo Magalhães, a principal zona produtora de algodão. Em segundo lugar, porque também encontrámos na Bahia um conjunto de autoridades, estaduais e municipais, mas igualmente alguns elementos com influência ao nível federal em Brasília, que se constituíram como interlocutores de elevado nível e muito interessados em

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| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

levar por diante uma estratégia de implantação de um pólo industrial que compreendesse as áreas têxtil, calçado e moda naquela região baiana. Em terceiro lugar, porque ao criarmos na Bahia, um estado central nesse país continental que é o Brasil, uma nova indústria que abrangesse toda a fileira em que nos encontramos, estávamos a dar igualmente um passo decisivo para produzirmos para um mercado que já ultrapassou os 200 milhões de potenciais consumidores, que cada vez são mais atentos e interessados aos assuntos da moda e que a consomem em doses crescentes. De notar, que ao produzirmos no Brasil também estaremos em muito melhores condições para exportarmos as nossas produções para a América Latina, com particular incidência para os países do Mercosul, em virtude das mais baixas taxas aduaneiras praticadas entre os membros deste bloco comercial. Não gostaria também de deixar de sublinhar que ainda ponderámos um outro

conjunto de fatores, como sejam a possibilidade de ter acesso a terrenos a muito baixo custo, à disponibilidade para termos parceiros locais para as nossas empresas, não apenas no aspeto da produção do algodão, mas também do ponto de vista financeiro e acionista, e por último, as melhores possibilidades de acesso ao crédito no Brasil, particularmente no que concerne a investimentos que alavanquem novas indústrias e equipamentos com tecnologia mais sofisticada do que a que existe atualmente no país. Portugal deve ser a porta de entrada do Brasil na Europa O fato da Europa e dos EUA estarem a negociar um acordo comum, que por sua vez poderá colocar espaços como os da América Latina à margem das empresas europeias, e neste caso portuguesas, foi um fator tido em conta?

A sua pergunta toca num ponto muito importante e que discutimos imenso com

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› empresariado as autoridades da Bahia. Na verdade, independentemente da forma como ele será futuramente comunicado, constituirá um acordo que fechará em grande medida as fronteiras económicas do espaço ocidental ao nível do hemisfério norte. Essa circunstância coloca enormes desafios, não apenas aos restantes continentes e aos países neles integrantes, como também a diversos países integrantes da própria União Europeia, como é o caso de Portugal. Então, o que dissemos às autoridades da Bahia é que o Brasil e Portugal, pela histórica ligação que possuem e que importa alargar e reforçar a todos os níveis, ambos colocados em posições estrategicamente importantes em cada um dos blocos a que pertencem, poderão desempenhar um papel fundamental no reforço do relacionamento bilateral e perante os blocos a que pertencem. Mais, dissemos às autoridades da Bahia e às pessoas que são ouvidas em Brasília, que Portugal poderá desempenhar um papel estratégico para a introdução no espaço europeu de empresas, produtos e serviços brasileiros na Europa, e que a ACIB está em condições e disponível para contribuir para que as empresas brasileiras tenham em Portugal as melhores condições para atingirem esse desafio, pois a partir do momento em que estiverem em Portugal, passarão a dispor de todo o espaço europeu para se movimentarem. O mesmo papel terá o Brasil em relação às empresas portuguesas que se queiram internacionalizar utilizando a plataforma brasileira para chegar, não apenas ao gigante mercado do próprio país, mas aos restantes países do Mercosul e da própria América Latina.

Sem dúvida que sim, mas não nos admiraria que pudesse aumentar esse número. Como então referimos, vai ser criado no oeste da Bahia um pólo industrial integrado da fileira do têxtil, da moda e do calçado. O número na altura avançado aquando da celebração do protocolo assinado a 23 de Setembro com o Governo da Bahia mantém-se válido, mas têm-nos surgido algumas manifestações de propósitos, vindas de outros setores industriais que não das áreas têxtil, moda ou calçado, como é o exemplo da metalomecânica de precisão, que podem estar interessadas em se instalarem na Bahia. E esta é uma questão estratégica fundamental. O modelo de internacionalização empresarial individual, ou seja, de cada empresa, particularmente no que respeita às pequenas e médias empresas, não tem futuro. A internacionalização das empresas portuguesas deverá passar para um modelo de conjunto e parceria. Significa que é preciso as empresas pensarem em conjunto modelos estratégicos de internacionalização e conjugarem esforços e recursos para se internacionalizarem em grupos mais alargados. Foi esta linha que a ACIB seguiu e conseguiu convencer muitas empresas de Barcelos e da região a pensarem e a seguirem uma linha de internacionalização na Bahia enquanto localização estratégica e com capacidade de as tornar mais competitivas no mercado global.

Em finais de Setembro disse à País Eco-

e para lá deslocarizarem algumas das

Esperamos que o pólo industrial têxtil seja uma realidade já em 2014, e como também dissemos na altura poderá representar um investimento de cerca de 300 milhões de euros, ou até mais, caso se concretizem as tais outras manifestações de interesse setorial em estarem na Bahia.

suas atividades industriais. Esse núme-

A formação profissional das pessoas que

ro continua a ser a referência de traba-

poderão constituir a futura mão-de-obra

lho para a ACIB?

das empresas que se instalarem no oes-

nómico que esperava que cerca de 30 empresas industriais do concelho de Barcelos e da própria região poderiam aproveitar as condições na Bahia para reforçarem a sua internacionalização

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Têxtil, moda, calçado e metalomecânica de precisão Quando é que o projeto poderá ver a luz do dia, ou seja, quando é que as empresas portuguesas poderão se instalar e começar a trabalhar na Bahia?

te baiano, estará assegurado pelas diversas entidades participantes neste ambicioso projeto?

Sem dúvida nenhuma. Aliás, com a vasta experiência, capacidade comprovada e estrutura que a ACIB possui, naturalmente que essa foi uma das questões que mais ponderámos e trabalhámos de forma a assegurar que essa questão seja plenamente assegurada.

prio comércio e serviços que acabam de serem beneficiados pela atividade económica global do concelho e da região. Qual tem sido a ação da ACIB no apoio à consolidação do quadro empresarial do concelho de Barcelos?

Como avalia o estado das empresas de

Para além das questões relacionadas à formação profissional que tem permitido o reforço da competitividade das empresas associadas e do concelho, a ACIB também desenvolve um conjunto de ações de informação, de apoio à melhoria da gestão, da inovação, do marketing e do que já abordámos anteriormente a da questão da internacionalização, que têm conferido aos nossos associados um conjunto muito importante de ferramentas que os têm ajudado a fortalecerem as suas empresas, a melhorarem o emprego e a serem mais competitivas e com capacidade de concorrerem lá fora.

Barcelos, mormente as dos setores co-

As empresas da região

mercial e industrial?

para se inovarem têm tido

Quando olhamos para o estado do país verificamos que ele não é brilhante, longe disso. Como tal, o panorama empresarial de Barcelos e da própria região envolvente também não poderia ser brilhante. Mas, é preciso afirmar bem alto que os nossos empresários têm tido nesta última década um desempenho fantástico, conseguiram inovar e desenvolveram-se, muitos passaram a exportar e outros aumentaram a sua penetração externa, o que levou a que, apesar das evidentes dificuldades da economia interna, a indústria em Barcelos continue a ter um peso muito importante, questão fulcral para termos um desemprego mais baixo do que a média nacional, e com essa força industrial em plena laboração é igualmente o pró-

uma boa relação com as

As empresas portuguesas vão estar na Bahia detendo a totalidade do capital social das sociedades que lá criarem ou poderão estar abertas a parceiros locais?

Poderá acontecer situações de diversa índole. O que importa sobretudo é que cada uma e no seu conjunto considerem da importância de estarem na Bahia, no Brasil e na própria América Latina. Na verdade, existe a hipótese de se encontrar parceiros locais, seja agregando empreas que produzem as matérias-primas ou parceiros de natureza industrial ou de serviços. A Bahia poderá constituir um destino histórico para as empresas portuguesas e em particular de Barcelos e da região norte. Empresas industriais reinventaram-se na última década

universidades?

Obviamente que sim, sobretudo com a Universidade do Minho, mas também com as universidades do Porto e de Aveiro, além dos institutos politécnicos da região, muitos deles com cursos e especializações tecnológicas dirigidas ao setor têxtil e ao design aplicável. Como perspetiva o futuro da indústria em Barcelos?

Barcelos e a região estão inseridas no desenvolvimento económico do país. É preciso reformular completamente o financiamento à economia e às empresas. Este

é um dos principais problemas com que se debatem as empresas portuguesas. Não é capacidade e competitividade destas, que felizmente têm aumentado, é o financiamento o atual o nó górdio da questão presente. É preciso resolver esse problema, pelo que as autoridades deste país, e não falo só do governo, mas também das instituições financeiras precisam em con-

junto de resolver esse problema. As empresas querem crescer, querem exportar cada vez mais, mas em muitas ocasiões ficam estranguladas devido à escassez de financiamento. É preciso mudar esse panorama. As empresas sabem perfeitamente fazer o seu papel. É preciso que cada um também saiba fazer o seu. ‹

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› grande plano Eduardo Salles, Secretário da Agricultura do Governo da Bahia

Desejamos mais parcerias entre empresas baianas e portuguesas A última visita de Eduardo Salles a Portugal teve resultados concretos e bem positivos. É essa a certeza que o Secretário da Agricultura do Governo da Bahia transmitiu nesta entrevista à País Económico. O protocolo com a ACIB, que poderá levar à criação de um polo industrial têxtil no oeste da Bahia, com o apoio e instalação de indústrias têxteis portuguesas, é considerado muito positivo. Assinou recentemente um acordo com a ACIB – Associação Comercial e Industrial de Barcelos (Portugal), visando criar um pólo industrial do setor têxtil no oeste baiano para aproveitar a matéria-prima (algodão) produzida nessa região. Qual poderá ser a importância para a economia e para o setor agrícola do oeste baiano?

É de uma importância fundamental porque não importa apenas produzir bem, é necessário agregar valor. Significam estas palavras, do meu ponto de vista, que não podemos apenas produzir uma boa matéria-prima, como no caso o algodão, é necessário acrescentar a essa qualidade um valor agregado, que poderá muito bem acontecer com a vinda dessas empresas têxteis portuguesas para a região. Gostaria de aproveitar esta ocasião especial desta entrevista à País Económico para sublinhar a importância e o peso do setor agrícola e agro-pecuário na economia e na sociedade da Bahia. A Bahia possui 56 milhões de hectares, com três biomas diferentes, na região oeste o chamado serrado, depois na zona intermédia do nosso território predomina a catinga e já na área litoral prevalece a mata atlântica. Esses três biomas permitem que a Bahia possua uma grande diversidade de produções, em muitos casos com grande expressão a nível nacional, senão repare, o nosso estado é o maior produtor de sisal

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do país, é o maior produtor de mamona, de coco e de manga, é o segundo maior produtor de borracha natural, mas igualmente do já referido algodão, bem como de frutas como a banana e a laranja. Mais, a Bahia é o maior exportador de frutas do Brasil. Sendo essa força na produção agrícola que mencionei, acontece que durante muitos anos a Bahia se esqueceu de se industrializar e agregar mais valor a toda essa capacidade de produção agrícola. É preciso sublinhar que para conseguirmos que muitas pessoas, nomeadamente as mais novas, continuem a viver nas regiões mais interiores do estado, mesmo em regiões fortemente produtivas, é preciso levar a industrialização para essas zonas da Bahia. Como Secretário da Agricultura o que é que tem feito para levar essa industrialização às regiões agrícolas da Bahia? Este acordo com a ACIB é um exemplo único ou já houve outros acordos com o mesmo objetivo?

Nestes três anos de mandato já conseguimos assinar protocolos com 28 agro-indústrias entrando na Bahia, umas já instaladas, outras em fase de instalação e outras ainda no circuito burocrático visando a sua futura concretização. Dou-lhe um exemplo concreto. Na área da produção e transformação do coco, onde a Bahia é o maior produtor nacional, conseguimos

trazer o grupo holandês Aurantiaca para o Município do Conde, onde passará a produzir fibra, leite e água de coco. Poderia, aliás, citar outros exemplos concretos. Em relação à sua pergunta do acordo que estabelecemos em Portugal, sublinho uma vez mais que a Bahia é o segundo maior produtor nacional de algodão, mas mais importante é que possuímos no estado a melhor capacidade produtiva no mundo, mas precisamos também, sem dúvida, de trazer para a Bahia o know how industrial para aproveitar esse potencial. Mas, é preciso salientar que o casamento entre a nossa capacidade de produzir um algodão de grande qualidade e o know how técnico e tecnológico que as empresas portuguesas poderão trazer para agregar valor, poderá constituir um resultado muito bom e que todos possamos ganhar com essa grande parceria. A Bahia possui área para esse empreendimento, poderemos ir buscar recursos ao BNDES, existem produtores locais na Bahia interessados em firmar essas parcerias, além de que é preciso referir que o próprio Brasil representa um mercado muito grande, com forte potencial de absorção da produção de têxtil e moda aqui produzida, além da forte possibilidade de exportarmos para o mercado mundial, até através de Portugal, visto que o seu país constitui uma forte referência internacional nas áreas do têxtil e da moda.

Quais serão os próximos passos para

do já comece a materializar-se em ações

concretizar o acordo estabelecido?

concretas?

Precisamos, antes de mais, de ultrapassar a burocracia inicial. Está já programada uma nova vinda dos responsáveis da ACIB à Bahia para podermos mostrar os terrenos e começar a discutir o melhor modo de operacionalizar a situação. Aliás, com a ajuda da Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia, entidade que tem realizado um trabalho excepcional e constitui um porto seguro para a chegada dos investimentos portugueses à Bahia, certamente que conseguiremos dar boa sequência ao acordo estabelecido.

Não tenho dúvidas de que assim será. O estado, no caso da indústria têxtil, aplicará em matéria do imposto aplicável – ICMS – uma redução de 98% justamente para podermos atrair esta nova indústria para a Bahia e que não existe atualmente. Naturalmente que dialogaremos com as autoridades municipais onde o projeto será desenvolvido de forma a poderem também reduzir o imposto municipal aplicável – ICSS – além obviamente da própria possibilidade de existir uma doação do terreno ou a sua venda por um preço simbólico. Existe igualmente a possibilidade

Acredita que no próximo ano este acor-

de trazer de Portugal alguns equipamentos, nomeadamente na área da fiação, e que poderão entrar em condições mais favoráveis. Este acordo poderá servir de inspiração e modelo para outros acordos com outras cadeias produtivas, baianas e portuguesas?

Sem dúvida que a resposta é sim. Neste momento, da Europa, de Portugal e do próprio Brasil, poderemos incorporar várias cadeias produtivas, como sejam os casos dos vinhos - sobretudo nas regiões da Chapada Diamantina e do Vale de S. Francisco – dos sumos ou dos laticínios. ‹

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› EMPRESARIADO João Costa, Presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal

«Temos hoje um setor mais moderno, mais capacitado e mais acreditado» Responsável por cerca de 4300 milhões de euros de exportações e empregando mais de 130 mil pessoas o setor dos têxteis, depois de ter passado por um período de dificuldades, dá mostras claras de uma maior tranquilidade. E porquê? Em entrevista que concedeu à País €conómico o presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal reconhece que o setor viveu tempos difíceis e que as dificuldades ainda não estão totalmente ultrapassadas, sobretudo quando nos referimos ao mercado interno. Mas, disse João Costa, «o setor na sua globalidade fez um grande esforço de ajustamento, de modernização, de aposta na inovação, na credibilidade, no design e na moda. Hoje temos um setor mais moderno, mais capacitado e mais acreditado, com recursos

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humanos mais qualificados, ao nível do melhor que há no Mundo». Texto › VALDEMAR BONACHO | FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS

oão Costa lembra também que o setor desfruta hoje de uma área de negócios mais posicionada no segmento de maior valor acrescentado e, portanto, «não competimos de uma forma tão intensamente concentrada no preço, como acontecia há alguns anos atrás», referiu. Por outro lado – acrescentou o presidente da ATP - «as condições mundiais também se alteraram, e nós hoje estamos num mercado de outra gama. Como há também uma melhoria das condições de consumo na Ásia, isso de alguma forma acaba por aliviar um pouco a força concorrencial que países como a China, Paquistão e Indonésia (principalmente a China) exerciam quando competiam connosco no mercado europeu. Hoje essa situação está um pouco melhor, mas devo aqui louvar o grande esforço feito pelo setor na modernização e qualificação dos seus recursos humanos que permitiu que as empresas na área das exportações se tenham mantido relativamente bem». Podemos dizer que já estamos ao nível do que de melhor se faz em todo o mundo? João Costa não hesitou na resposta. «Sem dúvida. Devemos dizê-lo sem nenhum

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constrangimento porque os nossos competidores são aqueles que produzem e estão constantemente a dizer para se melhorar a qualidade, a criatividade e a inovação», sublinhou o presidente da ATP. João Costa aproveitaria o ensejo para se referir ao papel desempenhado pela ATP neste processo de recuperação do setor. «A ATP resultou da fusão entre duas grandes associações, a APIM – Associação Portuguesa dos Industriais de Malhas e a APT – Associação Portuguesa dos Têxteis e Vestuário, fusão que ocorreu de Julho de 2003. Esta associação tornou-se numa associação abrangente, que engloba desde o início da fileira (associações, e até produtores de fibra) e que se estende pela fiação, pela tecelagem, pelas tinturarias e acabamentos, passando pela confeções, e até pelos criadores de moda e designs. Portanto, a ATP é uma associação transversal do setor e muito abrangente, que teve um papel muito importante na qualificação e modernização do setor, pela qualidade dos serviços que presta às empresas, mas também pela importância e pela influência que exerceu em representação das empresas e dos empresários junto do poder

político, junto das instâncias nacionais e internacionais, designadamente a União Europeia no sentido de que houvessem programas que pudessem enquadrar, defender e melhorar as condições de competitividade das empresas, e sobretudo evitar que determinadas situações acontecessem, como quando foi o período da entrada da China e da Índia na Organização Mundial do Comércio, em que numa fase inicial a situação foi muito difícil para Portugal, e em que a ATP teve aqui um papel extremamente importante no sentido de moderar e criar algumas condições de regulamentação que dessem tempo para que as empresas nacionais pudessem ajustar-se às novas condições e para que as outras empresas de outros países também percebessem melhor em que condições é que estavam a vender», sublinhou João Costa, presidente da ATP. Segundo o nosso entrevistado, durante muitos anos deu-se a deslocalização de muitas empresas de têxteis para a China, «que curiosamente nos últimos anos começaram a voltar». «Houve a deslocalização de empresas que eram os grandes players, grandes com-

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› EMPRESARIADO pradores internacionais, grandes marcas, que num dado momento por diferenças de preço muito significativas, e numa altura em que um Euro valia US$1,60. Essa situação prejudicou-nos bastante e nessa altura a China tinha preços que nem sequer traduziam o custo da matéria-prima. Em Portugal tivemos que enfrentar esse embate, e a ATP procurou, dentro de uma linha de prevenção consistente de atuação junto dos poderes públicos nacionais e europeus, tudo fazer para que a situação melhorasse», lembrou João Costa, a exercer o seu segundo mandato à frente dos destinos da ATP. O papel determinante do CITEVE A qualificação e modernização do setor continuam a ser algumas das grandes prioridades da ATP para este mandato. E aqui, João Costa fez questão de se referir ao importante papel que está a ser desempenhado pelo Citeve, como elemento estratégico no desenvolvimento deste setor de atividade. «O Citeve é um centro tecnológico estratégico no desenvolvimento e modernização deste setor. A ATP estava aqui no Porto, mas achámos que deveríamos estar localizados no mesmo edifício do Citeve, porque este edifício funciona como um centro geográfico do setor têxtil e vestuário. Por outro lado os distritos de Braga e do Porto representam entre 80 a 85 por cento das exportações de têxteis. O Citeve desempenha desde o seu início um trabalho grandioso aos níveis da inovação, do controlo da qualidade, e na formação de determinado tipo de qualificações. Este órgão ministra um determinado tipo de qualificações às pessoas que trabalham no setor, e apresenta-se como um centro tecnológico têxtil e vestuário de elevadíssima qualidade, indispensável ao desenvolvimento e modernização deste setor. Contrariamente ao que por vezes acontece com outros organismos, o Citeve tem a sua sede no Norte e não em Lisboa, e isso compreende-se porque é aqui que se concentram a quase totalidades das empresas do setor. Por exemplo, o Citeve está prepa-

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rado para formar técnicos de laboratórios, porque esta entidade tem laboratórios, tem os equipamentos. Na inovação, na investigação e no desenvolvimento tecnológico o Citeve desempenha um papel importante no domínio de testar materiais, na metodologia, na deteção de defeitos, na certificação de produtos. Em todos estes casos o Citeve tem um papel determinante», lembra João Costa, que aproveitou para sublinhar também que esta entidade tem fortes ligações a algumas universidades da região, como sejam a Universidade do Minho, a Univer-

sidade de Aveiro, a Universidade da Beira Interior. «A Universidade do Minho e a Universidade da Beira Interior têm cursos destinados ao setor (a Engenharia Têxtil é um desses cursos) mas a procura nos últimos anos tem sido pouca, embora registe agora algumas melhorias. E este facto não é propriamente por culpa das universidades, é mais por circunstâncias que têm a ver com as condições de empregabilidade, com a motivação das pessoas. Porque é que os jovens se interessaram tanto pelo curso de Engenharia Têxtil?

Talvez porque num dado momento a situação era difícil e as pessoas acharam que encontravam melhor remuneração e melhor enquadramento profissional noutras áreas. Mas hoje a situação está a mudar para melhor», referiu João Costa. Os contributos da indústria No entender do presidente da ATP «esta questão da procura de profissões tem muito a ver com a valorização que se lhes dá em termos sociais. E num dado período não se valorizava demasiado a indústria, parece que trabalhar na indústria e sobretudo nas indústrias ditas tradicionais

era trabalho de países do terceiro mundo. Mas nenhum país tem a sua economia verdadeiramente sólida e nenhum país é verdadeiramente autónomo e pujante se não acarinhar a sua indústria. Isto porque é a indústria é que gera a necessidade da inovação, é que gera a necessidade da investigação científica. Não são os Serviços que geram tudo isto (embora alguns o façam), e se não tivermos a indústria também não vamos precisar desses serviços», resumiu João Costa. Nesta entrevista o presidente da ATP aproveitaria para tecer algumas considerações ao modo como o Governo tem

apoiado o setor. «Há muita coisa em que o Governo devia fazer e não faz por falta de estratégia, por falta de orientação, por falta de objetivos bem definidos. Não iniciou como deveria ter iniciado a reforma do Estado e a reforma das instituições de modo a permitir reduzir totalmente a despesa, para permitir qualificar o país, para permitir reduzir a burocracia, pôr a indústria e o sistema educativo a funcionar adequadamente. É verdade que tudo isto não se faz de um dia para o outro e que as coisas estão melhores, Mas há ainda muito por fazer…», referiu João Costa, presidente da ATP. ‹

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› EMPRESARIADO Construções Silvino Pedro Marques & Filhos – SPM

Um projeto erguido com trabalho, seriedade e profissionalismo Silvino Pedro Marques, foi o grande rosto deste projeto iniciado em 1991, com Carlos e Paulo, os seus dois filhos mais velhos. Natural da freguesia das Pontes (Setúbal), era um construtor civil com grande experiência no ramo, pessoa muito séria e estimada, que veio a falecer em 2000. Tinha por lema honrar os compromissos junto dos seus clientes e fornecedores. A criação das Construções SPM foi o corolário de toda essa dedicação, uma empresa que começou com uma expressão pequena e hoje em dia movimenta no mercado da construção civil com alguma ambição e com o desejo de se afirmar nos tempos vindouros. A País €conómico falou com os seguidores do projeto: Paulo Marques, Carlos Marques e Sónia Marques, filhos do fundador da SPM, que nos deram conhecimento dos passos que estão a dar na afirmação da empresa. «Queremos honrar a memória do nosso pai, prosseguindo e respeitando o trabalho que ele iniciou, era o seu grande sonho».

A

Texto › VALDEMAR BONACHO

| FOTOGRAFIA › RUI ROCHA REIS E SPM

s Construções SPM assinalaram em Janeiro de 2013 vinte e dois anos de existência. É uma empresa do ramo da construção civil com sede na freguesia das Pontes (Setúbal) que tem sabido impor-se em diversas áreas desta atividade, fruto da capacidade da sua equipa de profissionais, que hoje são 33 colaboradores diretos, envolvendo pedreiros, serventes, ladrilhadores, manobradores, motoristas, engenheiros civis e uma equipa administrativa. Sem estes a empresa reconhece, não seria possível chegar ao nível atual. «Depois da ausência do meu pai, eu e os meus dois irmãos decidimos que a melhor maneira de honrarmos a sua memória, seria darmos continuidade ao trabalho por ele iniciado, tentando com a nossa ação, com o nosso sentido de responsabilidade e com o nosso conhecimento, levarmos a SPM para o estatuto que ele sempre ambicionou. Considero que pouco a pouco estamos a conseguir concretizar o seu desejo», referiu Carlos Marques, o primeiro dos três filhos de Silvino Pedro Marques a abraçar a continuidade da empresa, a que se seguiu depois Paulo Marques, o filho mais velho, e em 2003 Sónia Marques, que é hoje a responsável pelos Serviços Administrativos da SPM.

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A SPM é uma empresa reconhecida pelo empenho e alto profissionalismo, que oferece aos seus clientes um vastíssimo leque de serviços, entre os quais destacamos a execução de diversos tipos de obras, industriais, obras públicas, construção de moradias, edifícios, seja em construções novas, seja em intervenções na área da reabilitação. «Possuímos um estaleiro com todos equipamentos próprios, para fazer face às exigências dos nossos clientes, somos autónomos e independentes», observou Sónia Marques, que na empresa garante um desempenho cabal na parte Administrativa. Uma caminhada que não tem sido fácil… Não se pense que o trajeto das Construções SPM tem sido fácil. Longe disso. Tal como Carlos Marques nos disse, «este tem sido um trajeto de muito sacrifício e de muita coragem, já que não é fácil substituir o trabalho que o meu pai desenvolvia na empresa». A ouvir a conversa estava Paulo Marques, o mais velho dos três irmãos que ombreiam este projeto, que a este propósito referiu. «Trabalhei como Soldador Mecânico e o meu irmão Carlos Fre-

zador Mecânico, quando terminámos o serviço militar fomos trabalhar com o nosso pai. Reconhecemos hoje que o facto de anteriormente já termos alguma experiência profissional, trouxe-nos vantagens na adaptação que tivemos de ter neste virar de página nas nossas vidas. Sónia Marques a mais nova dos três irmãos entrou na SPM por volta de 2003. «Precisávamos de alguém no escritório, aceitei o desafio que me foi proposto para ajudar a desenvolver o projeto», referiu, para acrescentar que à data do pai falecer a empresa não dispunha de serviços administrativos. «Quem pretende ter uma empresa moderna e competitiva tem de pensar em ter um departamento que funcione como um órgão determinante. Todos concordamos hoje que este foi mais um passo importante…», resumiu Sónia Marques. Fatores que pesam no desenvolvimento da empresa Carlos Marques, que não escondeu o desejo de um dia ver a SPM certificada com a norma de Qualidade – a ISO 9001:2000. «É um desejo de todos nós, mas teremos de saber dar passos à medida das nossas pernas…», sublinhou.

Apesar da empresa não possuir a certificação ISO 9001:2000, já incorpora nas suas atividades vários procedimentos que a norma requer, quer ao nível do controlo de qualidade, quer ao nível das regras de segurança, sendo uma preocupação constante a formação das equipas operacionais. A SPM opera com mais incidência nos distritos de Setúbal, Lisboa e Alentejo. Mas isto não significa de modo algum que a empresa não esteja apta e disponível para operar em qualquer parte do país. Sónia Marques aproveita para recordar que as Construções SPM sempre atuaram em várias frentes, «a SPM sempre encarou com o mesmo profissionalismo e rigor as obras de grandes dimensões como as obras de pequenas dimensões». Carlos Marques aproveitaria o ensejo para lembrar que «nas obras particulares somos muito fortes, em termos de cumprimento de prazos e de qualidade final dos trabalhos, queremos continuar a sê-lo». Muitas obras em execução «Entre outras obras, estamos a construir moradias, edifícios, Clínicas Dentárias, remodelação de moradias, de apartamentos,

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› EMPRESARIADO

obras Industriais, trabalhos no Parque das Nações e várias reabilitações», exemplificou Carlos Marques, coadjuvado pelo seu irmão Paulo, que acrescentou «dando esta carteira de clientes alguma estabilidade a médio prazo».

Crescimento em Contraciclo Numa altura em que o mercado da construção civil apresenta uma contração, em que a construção civil regista os mais baixos índices, a SPM apresenta-se como uma excepção. Nos últimos

5 Anos teve um crescimento gradual médio de 20% ao ano. As Construções SPM, em 2011 registaram um volume de faturação de 1,1 milhões de euros, em 2012 faturou 1,3 milhões de euros e em 2013 está a prever uma melhoria do volume de negócios, com base nos trabalhos a decorrer e nos adjudicados. Preocupação Social Atualmente todas as empresas têm uma preocupação social, sobre este assunto, foi referido que «já está no nosso espírito desde à muitos anos colaborar com quem necessita, como por exemplo uma parceria em curso com a Câmara Municipal de Lisboa e a Faculdade de Arquitetura, na recuperação urbana do Bairro 2 de Maio». Sempre a pensar no futuro Como qualquer empresa do seu género, as Construções SPM também estão atentas ao mercado externo e à internacionalização da empresa. E foi Carlos Marques que se prontificou a abordar esta questão.

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«Obviamente que esta é sempre uma hipótese a considerar no futuro, mas não agora. Temos em mãos uma carteira de obras que nos dá alguma tranquilidade, queremos levar por diante estes e outros trabalhos cumprindo rigorosamente com todos os requisitos inerentes aos mesmos, por isso a internacionalização é uma questão que não se coloca à SPM neste momento. Entretanto já visitei alguns mercados externos, casos de Angola e Moçambique, mas foi mais por curiosidade e para avaliar as suas potencialidades para oportunidades futuras», sublinhou Carlos Marques. Neste momento estável que atravessamos estamos a merecer o apoio por parte das entidades bancárias e fornecedores. «Isso testemunha que estamos no mercado com seriedade, a cumprir rigorosamente as nossas obrigações e que somos merecedores dessa confiança». «É com esta sustentabilidade e equilíbrio que queremos continuar a ser uma empresa de referência no sector», daí o nosso lema “ A solidez do passado, a confiança do presente, a construção do futuro”. ‹

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› alentejo

› Alentejo CAME de Montemor-o-Novo recebe primeira empresa e presidente do Município mostra-se otimista

«Queremos mais empresas em Montemor»

Luís Filipe Vieira e Tiago Vieira investem em Portugal e em Moçambique

Grupo Inland inaugurou Quinta do Aqueduto

O CAME – Centro de Acolhimento às Micro e Pequenas Empresas de Montemor-o-Novo acolheu a primeira empresa, com a assinatura do contrato com Sadilha Raab Moreira Santos que vai desenvolver no espaço uma empresa de mobiliário ecológico. Hortênsia Menino, presidente da Câmara de Montemor-o-Novo expressou que esta é a primeira de «várias empresas que poderão vir a localizar-se no CAME, uma estrutura inaugurada no final de Julho e que pretende ser um polo do empreendorismo e da inovação empresarial no concelho». Sadilha Raab Moreira Santos assinou o contrato para se estabelecer como a primeira ocupante do CAME em Montemor-o-Novo, onde vai criar uma empresa de fabrico de mobiliário ecológico, a partir de materiais

Ferreira do Alentejo acolhe empresa

O grupo Inland, especialista em promoção imobiliária, integrado na holding Promovalor, inaugurou recentemente a Quinta do Aqueduto, o seu novo projeto residencial localizado em Santo Antão do Tojal, concelho de Loures. O investimento neste projeto foi de 20 milhões de euros, segundo afirmou Tiago Vieira, administrador da Promovalor. Este responsável do grupo confirmou igualmente que já arrancou o primeiro projeto em Moçambique, com o início da construção do Edifício Platinum, em Maputo, um

O

investimento de 30 milhões de euros. Texto › JORGE Alegria | FOTOGRAFIA › Fornecidas pelo Grupo Inland

Grupo Inland inaugurou o projeto da Quinta do Aqueduto, localizado numa zona de grande beleza paisagística e arquitetónica, tendo como pano de fundo o Aqueduto existente na localidade. O projeto foi assinado pelo arquiteto Samuel Torres de Carvalho, e contempla 62 moradias com tipologias T2, T3 e T4, com dois pisos, bem como 30 apartamentos com tipologias de T1, T2 e T3. Segundo Tiago Vieira, «esta é uma aposta num projeto residencial que representa uma alternativa arquitetónica diferenciadora, uma vez que se destaca pela sua intervenção contemporânea enquadrada num cenário com o Aqueduto como pano de fundo, no centro da vila que é considerada o Museu de Loures». O gestor adiantou que o investimento na Quinta do Aqueduto se eleva a

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cerca de 20 milhões de euros, uma prova de que «num mercado em contraciclo, o Grupo Inland continua a apostar no território nacional, gerando emprego e funcionando como agente de desenvolvimento». É de destacar que a Promovalor já iniciou o seu projeto imobiliário em Moçambique, com o arranque da obra do Edifício Platinum, localizado na emblemática avenida Julius Nyerere, na cidade de Maputo. É um projeto assinado pelo arquiteto Frederico Valsassina e que contempla escritórios, lojas e área residencial, num investimento de 30 milhões e euros. Para concretizar este projeto, a Promovalor associou-se à Rioforte (Grupo Espírito Santo) e á empresa moçambicana MMD. ‹

recicláveis. A empreendedora frequentou o curso “Master of Women Business Administration”, ministrador pelo Celfinfo, sendo que os formandos destes curso têm a possibilidade de criar o seu negócio, recebendo para o efeito cinco mil euros e 50 horas de formação. A presidente da Câmara de Montemor-o-Novo, Hortênsia Menino, assinou o contrato em representação da autarquia, e expressou que o «Município continua disponível para poder acolher em Montemor-o-Novo novos negócios e investidores, e apoiar quem esteja disponível para melhorar e diversificar a nossa atividade económica». O CAME representou um investimento de 727 mil euros, sendo 525 mil financiados pelo Feder, e 200 mil euros suportados pela própria autarquia. ‹

Odemira em Zurique Um grupo de alunos da disciplina de Biologia da Escola Secundária de Odemira, distrito de Beja, venceram o prémio especial “Ambiente”, e o prémio “Semana Internacional de Investigação sobre a Vida Selvagem”, ambos entregues numa cerimónia que decorreu no Museu da Electricidade, em Lisboa. Duas alunas do grupo – Valéria Patrícia e Sonya Lenehan, foram depois em representação desse grupo à cidade suíça de Zurique, onde tiveram a oportunidade de apresentaram os trabalhos vencedores no âmbito da “Semana Internacional de Investigação sobre a Vida Selvagem” 2013, que decorreu naquela cidade dos Alpes Suíços. É de salientar que o grupo de alunos da Secundária de Odemira foi orientado pela professora Paula Cunha, uma docente que se tem distinguido pela formação de alunos e orientação em concursos que têm levado à obtenção de diversos prémios internacionais por alunos de Odemira. ‹

O Ninho de Empresas de Ferreira do Alentejo acolheu mais um investidor, mais precisamente a Optipassagem, empresa que é considerada a maior prestadora de serviços agrícolas a operar em Portugal. A Optipassagem trabalha desde há muito com várias empresas do concelho de Ferreira do Alentejo, de que são exemplos, a Sovena e o Vale da Rosa, e por isso decidiu reforçar a sua presença no sul do país e particularmente no distrito de Beja, com a instalação na “Capital do Azeite”. No polo de Ferreira do Alentejo, a empresa criou três postos de trabalho de natureza administrativa, além de manter entre 200 e 350 pessoas no trabalho do campo, em atividades como a mobilização de solos, plantação e colheita, incluindo os que se relacionam com a atividade florestal. ‹

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› ECONOMIA IBÉRICA

EDITORIAL E

spanha e Portugal seguem caminhos que às vezes são paralelos e outras se cruzam. Pode acontecer que uma ideia positiva para empresas e cidadãos sejam implementada antes num país do que no outro e vice-versa. É o caso do visto para investidores, que foi lançado em Portugal no final do ano passado e que recentemente teve a sua versão espanhola. Além de algumas medidas isoladas, a verdade é que valeria a pena analisarmos as melhores práticas ibéricas, e sermos capazes, portanto, de adaptar num país o que de melhor existe no outro. Sem lugar a dúvidas, a competitividade da Península aumentaria de forma exponencial e todos teríamos a ganhar com isso. Talvez na próxima cimeira... I.- VISTO PARA INVESTIDORES EM ESPANHA Com a publicação da Lei de Empreendedores, Lei 14/2013, de 28 de Setembro, entrou em vigor uma das medidas mais badaladas, o visto para investidores, que permitirá a determinadores tipos de investidores qualificados entrar e manter a residência em Espanha de forma mais rápida. A Lei prevê três grupos de requisitos, sendo suficiente cumprir apenas um deles: a) compra de bens imóveis por valor mínimo de € 500.000 (os primeiros € 500.000 devem estar livres de cargas e gravames); b) investimento de € 2 milhões em dívida pública espanhola; ou € 1 milhão em acções de sociedades espanholas; ou depositar € 1 milhão numa conta bancária em Espanha; c) desenvolver em Espanha um projecto empresarial de interesse geral. O visto para investidores é válido por um ano. O investidor pode solicitar uma autorização de residência válida por 2 anos e renovável por períodos de 2 anos também. Já quanto ao pedido de nacionalidade, em regra, os residentes podem solicitá-la após um período de residência de 10 anos. Porém, os nacionais de países Ibero-americanos, Andorra, Filipinas, Guiné Equatorial, Portugal e de origem sefardita precisam de apenas um período de 2 anos. Por último, no que diz respeito à reunificação os seguintes membros da família podem solicitá-la: esposo ou pessoa em união de facto; filhos menores de 18 anos; os ascendentes do investidor (se têm mais de 65 anos) e os ascendentes do esposo (se dependerem economicamente do investidor); menores e pessoas incapacitadas sob custódia do investidor. No que diz respeito à reunificação dos ascendentes do esposo, deve provar-se que não dispõem dos meios económicos necessários.

Antonio Viñal Menéndez-Ponte Antonio Viñal & Co. Abogados. Lisboa

lisboa@avinalabogados.com

II.- GALIZA E EURO-REGIÃO GALIZA-NORTE DE PORTUGAL AMPLIAÇÃO DE LICENÇAS “NA HORA” NO CONCELHO DE VIGO A Consellería de Urbanismo da Câmara Municipal de Vigo está a ampliar o número de casos de emissão de licenças “na hora” para aberturas de negócios até 500 m2. A Câmara concedeu até à data 900 licenças deste tipo. NOVO VIVEIRO ZONA FRANCA DE VIGO: “SPAIN BUSINESS AEROSPACE INCUBATOR (SBAI)“ O Consórcio Zona Franca Vigo, a Fundación Incyde e a Câmara de Comércio de Vigo assinaram no mês de Setembro um convénio de colaboração para promover um viveiro especializado na transferência de tecnologia do

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espaço. O viveiro, “Spain Business Aerospace Incubator (SBAI)”, nasce com o objetivo de estabelecer linhas de colaboração entre instituições, descobrir e fomentar iniciativas empresariais com novas tecnologias e promover a transferência de tecnologia do espaço pelas empresas. ESTUDO DO NOVO CENÁRIO 2014-2020 GALIZA-NORTE DE PORTUGAL No passado mês de Setembro, o Diretor Geral de Relações Exteriores e com a UE, Jesús Gamallo, reuniu com o coordenador português da Comunidade de Trabalho Galicia–Norte de Portugal e novo responsável para a Cooperação Transfronteiriça, Nuno Almeida, com o fim de analisar o estado da cooperação transfronteiriça, as novas perspetivas e o trabalho desenvolvido pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza-Norte de Portugal.

III- EVENTOS E FEIRAS DATA

EVENTO

LUGAR

OUTUBRO

FIMMA (Feria Internacional de Maquinaría y Herramientas para la Madera)

Valencia

OUTUBRO

IBERFLORA (Feria Internacional de Planta y Flor, Tecnología y Bricojardín)

Valencia

Outubro

MADERALIA (Feria Internacional de Proveedores para la Industria del Mueble y la Madera)

Valencia

3 – 6 OUTUBRO

SWAB BARCELONA (Feria Internacional de Arte Contemporaneo)

Barcelona

4 – 6 OUTUBRO

SALÓN LOOK INTERNACIONAL (Feria de la Imagen y la Estética Integral)

Madrid

8 – 10 OUTUBRO

SEAFOOD BARCELONA

Barcelona

11 – 13 OUTUBRO

IBERZOO

Barcelona

15 – 17 OUTUBRO

SIMO NETWORK (Feria Internacional de Servicio y Soluciones TIC para Empresas)

Madrid

15 – 18 OUTUBRO

PISCINA BCN, SALÓN INTERNACIONAL DE LA PISCINA (Salón de la Piscina)

Barcelona

15 – 18 OUTUBRO

TRAFIC (Salón Internacional de la Seguridad Vial y el Equipamiento para Carreteras)

Madrid

16 – 18 OUTUBRO

FRUIT ATTRACTION (Feria del sector de frutas y hortalizas)

Madrid

17 – 19 OUTUBRO

SIF (Salón Internacional de la Franquicia)

Valencia

17 – 19 OUTUBRO

SIF (Salón Internacional de la Franquicia)

Valencia

17 – 19 OUTUBRO

VISCOM ESPAÑA (Exposición Internacional para la Industria de la Comunidad Visual)

Madrid

17 – 19 OUTUBRO

SOUTHERN EUROPEAN VETERINARY CONFERENCE (Congreso Nacional de AVEPA)

Barcelona

22 – 24 OUTUBRO

EXPOBIONERGIA

Valladolid

22 – 25 OUTUBRO

MUNICIPALIA (Salón Internacional de Equipamientos y Servicios Municipales)

Lleida

23 – 24 OUTUBRO

FUTURMODA, 2º edición (Salón Internacional de la Piel, Componentes y Maquinaria para el Calzado y la Marroquinería)

Elche (Alicante)

23 – 27 OUTUBRO

BARCELONA MEETING POINT (Salón Inmobiliario Internacional y Symposium)

Barcelona

31 OUT. – 3 NOV.

SALÓN DEL MANGA

Barcelona

NOVEMBRO

EGÉTICA – EXPOENERGÉTICA (Feria de las Energías)

Valencia

8 – 10 NOVEMBRO

EXPOMINER (Salón de Minerales, Fósiles y Joyería)

Barcelona

8 – 11 NOVEMBRO

ESTAMPA (Feria Internacional de Arte Múltiple Contemporáneo)

Madrid

17 – 20 NOVEMBRO

EVS 27 (Electric Vehicle Symposium and Exhibition)

Barcelona

19 – 21 NOVEMBRO

BCNRAIL (Salón Internacional de la Industria)

Barcelona

19 -21 NOVEMBRO

SMART CITY EXPO WORLD CONGRESS (Salón del Equipameinto para las Ciudades y el Medio Ambiente)

Barcelona

19 -21 NOVEMBRO

EIBTM (Salón de la industria de viajes de negocios, congresos e incentivos)

Barcelona

19 – 21 NOVEMBRO

GLOBALGEO (Salón Internacional de la Geomática y la Geotelemática)

Barcelona

20 – 22 NOVEMBRO

VENDIBERICA

Madrid

21 – 24 NOVEMBRO

INTUR (Feria del Turismo de Interior)

Valladolid

27 – 29 NOVEMBRO

INDUFERIAS – HINCHALIA (Feria Internacional de Atracciones de Ferias, Parques Infantiles, Máquinas para Juegos de Azar y Elementos Auxiliares)

Valencia

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› A FECHAR

Lisnave obteve a certificação ambiental No passado dia 3 de Outubro, a Lisnave obteve a Certificação Ambiental ISO 14001, atribuída pela Lloyd’s Register, reconhecendo assim o esforça da reparadora naval portuguesa no que respeita à sua capacidade de inovação e renovação. Segundo uma nota da Lisnave, estando o “estaleiro dotado de todas as infra-estruturas, que lhe permitem fazer o tratamento de águas residuais, como também o manuseamento e encaminhamento dos resíduos gerados no decorrer da sua atividade”, a Lisnave “rege-se pelo princípio de Prevenção da Poluição em todas as suas componentes”. A empresa com sede na Mitrena, Setúbal, sublinha também que “através da sua atividade de Manutenção e Reparação Naval, contribui para aumentar a Segurança do Transporte Marítimo, bem como, pela prática diária das normas internacionais do Sistema de Gestão Ambiental, desde há muito implementadas na Empresa”. ‹

Casa da Anadia inova A Casa da Anadia lançou recentemente uma edição especial do azeite Private Collection numa garrafa de espumante, a primeira em todo o mundo, no que constitui uma inovação internacional, pois utiliza garrafas de espumante premium, fechadas e seladas com rolha de cortiça e musulet de arame, originais do espumante. Merecedor este ano de três medalhas, incluindo uma de ouro no New York International Olive Oil Competion, o Private Collection é um azeite de qualidade superior, muito complexo e frutado. ‹

Fundo JESSICA apoia investimento no Alentejo O Fundo JESSICA realizou recentemente em Évora um balanço da sua atividade e concluiu que os projetos desenvolvidos no Alentejo já tiveram um apoio de cerca de 10 milhões de euros. Por outro lado, salientou o facto de estarem a ser ultimados mais três projetos na região no valor de 25 milhões de euros, dos quais 13 milhões são provenientes do Fundo JESSICA. Este fundo tem sido procurado sobretudo por promotores privados, destacando-se uma maior proximidade junto das pequenas e médias empresas e o investimento em projetos de maior dimensão, nomeadamente no turismo. Este fundo europeu visa apoiar projetos de investimentos de reabilitação urbana. ‹

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AIP leva produtores à Argélia No âmbito do seu Projeto de Internacionalização apoiado pelo QREN, a AIP está a organizar a participação empresarial portuguesa no Fórum Agro Alimentar Selection Argélia 2013, que se realizará entre os dias 26 e 28 de Novembro. Espera-se a presença neste importante certame argelino e de todo o norte de África, da ministra da Agricultura, Assunção Cristas, bem como são esperadas as presenças de vários dirigentes governamentais, associativos e empresariais argelinos. De referir que as exportações portuguesas para a Argélia têm vindo a ganhar relevo tendo atingido em 2012 os 427,8 milhões de euros, ou seja, a 14ª posição no ranking de clientes, a que correspondeu uma quota superior a 0,9% das exportações nacionais. ‹

PORTUGAL ACOLHE A 1ª CONFERÊNCIA CPLP DE GOVERNO ELETRÓNICO A 1ª Conferência CPLP de Governo Eletrónico 2013 acontece em Lisboa, no dia 29 de novembro, organizada pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Agência para a Modernização Administrativa, IP (AMA) e a Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI). A iniciativa surge tendo em conta o potencial de colaboração na área do Governo Eletrónico entre os Estados-Membros da CPLP e pretende constituir um espaço privilegiado de diálogo em torno da temática do e-government, da qual a AMA é a entidade pública que desempenha o papel de Ponto Focal ao nível nacional. O encontro, aberto à comunidade, contará com a presença dos dirigentes das instituições públicas responsáveis pela implemen-

tação de medidas e estratégias de modernização do Estado com base nas tecnologias de informação e comunicação (TIC) nos países da CPLP, de representantes da Comissão Europeia e da Organização das Nações Unidas, entre outros peritos da comunidade CPLP reconhecidos ao nível de e-government. Ao longo de um dia e sob o tema “Governação Inteligente para Liderar o Futuro”, os oradores irão apresentar boas práticas e casos de referência dos seus países, bem como debater os desafios de um mundo cada vez mais global, digital e transparente. Refira-se que nos dias 26 e 27 de novembro irá realizar-se a Reunião de Pontos Focais de Governo Eletrónico da CPLP, um encontro à porta fechada que antecede a Conferência pública.

Mais informações e registo na Conferência em www.egov2013.cplp.org ou através do email egov@ama.pt.

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52 › País €conómico | Novembro 2013

Pais €conómico  

A revista País €conómico falou com os representantes da Empresa de Construção Civil SPM, no qual, deram conhecimento dos passos que estão a...

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