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OUTUBRO - 2019

SUMÁRIO

Outubro Rosa reforça ações contra o câncer de mama

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Campinas terá a primeira delegacia especializada no atendimento de PCD´s

Menores de idade também podem comprar carro com isenção de impostos EQUIPE BRASILEIRA DE RUGBI FICA EM 8º LUGAR EM TORNEIO MUNDIAL

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CPB/Divulgação

Reprodução/G1

IMAGENS DO MÊS

EXPEDIENTE

FÉ E SUPERAÇÃO

Um homem que teve a perna amputada após sofrer um acidente de trabalho faz uma romaria de cadeira de rodas para celebrar o 12 de outubro no Santuário Nacional em Aparecida (SP). Para Lourival Leonetti, que caiu de uma torre de telefonia de 18 metros de altura, sobreviver ao acidente é mais um milagre de Nossa Senhora Aparecida em sua vida.

O devoto de 59 anos saiu de Salto (SP), onde mora, uma semana antes de chegar ao Santuário. Foi de ônibus até Jacareí e pediu ao motorista que o deixasse no entroncamento da Dom Pedro I com a Dutra. A partir dali, ele começou sua peregrinação de mais de 90 quilômetros em uma cadeira de rodas até a Basílica de Aparecida. (Fonte: G1)

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CÂNCER DE MAMA OUTUBRO ROSA

A importância de campanhas e diagnóstico precoce

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Pixabay

esultado de uma multiplicação desordenada de células da mama, o câncer de mama é um dos tipos mais comuns entre as mulheres no mundo. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a cada ano, entre todos os tipos de câncer, o de mama corresponde a 25% dos novos casos registrados. No Brasil, o percentual sobe para 29%. A estimativa é de que, em 2019, sejam diagnosticados cerca de 59.700 casos novos no país, dado preocupante. Um fato curioso é que a doença ocorre também em homens, entretanto é raro. Apenas 1% do total de casos da doença acontece em pessoas do sexo masculino. DADOS INSPIRAM ATITUDES Diante desses números, políticas públicas são desenvolvidas no Brasil, desde os anos 80, com o intuito de controlar a incidência da patologia. As primeiras ações, por exemplo, foram impulsionadas pelo Programa Viva Mulher, de 1998. Hoje, o controle do câncer de mama é uma prioridade da agenda de saúde no Brasil. No mundo, um dos maiores movimentos de conscientização para o controle de câncer de mama surgiu no início dos anos 90. Na ocasião, o Outubro Rosa foi criado pela Fundação Susan

G. Komen for the Cure. Anualmente, o mês é marcado pela divulgação de informações com intuito de promover a conscientização sobre a doença. Essas ações visam, também, a ampliação do acesso de serviços de diagnóstico e tratamento. CÂNCER DE MAMA É FOCO DE AÇÕES DE CONSCIENTIZAÇÃO No Brasil, o Outubro Rosa se

popularizou em 2008, ano em que o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, foi iluminado de rosa. De lá para cá, o movimento ganhou força. Tanto órgãos públicos quanto instituições privadas e empresas como a Labtest promovem campanhas e ações voltadas ao público interno, lembrando a importância do diagnóstico precoce e dialogando com a proposta de alerta do Outubro Rosa. O INCA, por exemplo, pro-

Diagnóstico precoce é necessário O diagnóstico precoce do câncer de mama é fundamental para um tratamento efetivo. Além disso, quando identificado nos seus estágios iniciais, o tumor tem menos chances de alcançar outros órgãos. Dessa forma, é necessária atenção aos sinais que indicam a possibilidade da doença. De acordo com o INCA, os principais sintomas da doença são:

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n Caroço endurecido e indolor nas mamas; n Pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço; n Alterações no mamilo; n Saída espontânea de líquido do mamilo; n Pele da mama avermelhada e retraída.

É importante ressaltar que há vários tipos de câncer de mama. Isso faz com que a doen-

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ça evolua de diferentes maneiras. Enquanto alguns tipos têm desenvolvimento lento, outros crescem mais rápido. Por isso, é imprescindível que a pessoa procure um médico ao perceber os primeiros sinais indicativos da doença. A realização de exames de rotina, o autoexame e a mamografia quando solicitada também são ações que garantem o diagnóstico precoce desse tipo de câncer.

move eventos técnicos, debates sobre o tema e materiais de distribuição gratuita. A Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) também atua junto a sociedade promovendo campanhas durante o mês. Para este ano, a instituição lançou a campanha #MeTrateDireito focada no empoderamento dos pacientes oncológicos. (Fonte: Tinno comunicação) Pixabay


Senado obriga SUS a realizar exame de câncer em 30 dias OUTUBRO ROSA

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Plenário do Senado Federal aprovou, no dia 16 de outubro, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 143/2018, que garante aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com suspeita de câncer o direito a biópsia no prazo máximo de 30 dias, contados a partir do pedido médico. A matéria seguirá para sanção presidencial. De autoria da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), o projeto estabelece que o limite de até 30 dias valerá para os exames necessários nos casos em que a neoplasia maligna (termo médico que se refere aos tumores cancerígenos) seja a principal hipótese do médico. A mudança será incluída na

lei que já estipula o início do tratamento pelo SUS em no máximo 60 dias a partir do diagnóstico do câncer (Lei 12.732, de 2012). O objetivo é acelerar ainda mais o acesso a medicações e cirurgias necessárias pelos pacientes. A autora do projeto avalia que a falta de prazo também para os exames diagnósticos é uma lacuna na lei atual. Em abril, o projeto foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), sob a relatoria do senador Nelsinho Trad (PSDMS). “O momento da detecção do câncer impacta decisivamente a sua letalidade, ou seja, o percentual de pessoas acometidas que vêm a falecer por causa da doença. Afinal, pouco adianta

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instituir o tratamento para as neoplasias malignas no prazo de 60 dias contados a partir do diagnóstico da moléstia, se este é realizado tardiamente”, disse Trad, sendo apoiado pela senadora Zenaide Maia (Pros-RN). A senadora Rose de Freitas (Podemos-ES) citou dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostrando que 300.140 novos casos foram registrados

entre os homens e 282.450 entre as mulheres somente em 2018. Já os últimos dados de mortalidade por câncer disponíveis apontam para 107.470 homens e 90.228 mulheres no ano passado. A referência ao Outubro Rosa foi feita também pela senadora Leila Barros (PSB-DF), que contou ter perdido a mãe vítima da doença. “Isso tem que ser uma causa não só das mulheres, mas uma causa do Congresso Nacional. A gente tem que olhar com muito carinho não só no Outubro Rosa, mas todos os dias. A gente tem que dar atenção e as respostas devidas, principalmente às mulheres”, frisou. (Fonte: Agência Senado)

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OUTUBRO ROSA

Mamografia ou ultrassonografia?

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Qual o mais indicado ?

egundo estimativas do INCA (Instituto Nacional de Câncer), em 2019 teremos 59.700 novos casos de câncer de mama no Brasil. Apesar da alta incidência, se diagnosticada em estágio inicial, a paciente tem 95% de chances de cura. Mas, então, por que será que o câncer de mama, entre as brasileiras, ainda é o que mais mata? A resposta está no exame preventivo. “O Colégio Brasileiro de Radiologia e organizações internacionais recomendam que a mamografia seja feita anualmente a partir dos 40 anos de idade”, afirma o Dr. Eduardo de Faria Castro Fleury, radiologista especializado em câncer de mama do Grupo Pardini e professor do Centro Universitário São Camilo. Mas no Sistema Público de Saúde, o exame é recomendado apenas a partir dos 50 e a cada dois anos. “A mamografia é essencial para o diagnóstico precoce já que consegue mostrar lesões muito

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pequenas, muitas delas em estágios pré-cancerígenos”, afirma o Dr. Eduardo. Para as mulheres que apresentam fator de risco elevado, entre 20% e 25% em relação à população geral, e que têm histórico da doença na família, o

acompanhamento deve ser iniciado ainda antes. “Se a paciente tem familiar que desenvolveu o câncer de mama aos 40 anos, por exemplo, ela deve iniciar o acompanhamento 10 anos antes, ou seja, aos 30”, explica o especialista do Grupo Pardi-

ni. Nesses casos, a ressonância magnética deve ser associada aos exames de controle anual.

MAMOGRAFIA X ULTRASSONOGRAFIA Embora a ultrassonografia mamária não faça parte de nenhum programa de rastreamento da doença, ela pode se tornar complementar em casos onde a mamografia perde sua eficiência, ou seja, em pacientes com mamas mais densas. Quanto mais jovem a mulher, maior será a densidade da mama. Isso pode acabar camuflando nódulos e cistos, acarretando exames falso negativo. Pacientes menores de 25 anos, não devem ser submetidas à mamografia pelo seu custo-benefício. "Por isso, a ultrassonografia deve ser usada geralmente como primeira opção diagnóstica para pacientes jovens ou como exame adicional à mamografia”, afirma o médico. (Fonte: Casa 9 Comunicação)

Vacina pode ficar pronta em 8 anos, diz pesquisador

Uma vacina que pode impedir que o câncer de mama se desenvolva ou volte, assim como o de ovário, poderá estar disponível em 8 anos, segundo um estudo da Mayo Clinic, em Jacksonville, na Flórida, Estados Unidos. A pesquisa está em fase inicial e levará ao menos três anos para que seja testada em um grande número de pacientes. Segundo os pesquisadores, o imunizante é seguro. "Ele estimula o sistema imunológico (para combater o câncer) ”, afirmou Keith Knutson, um dos autores do estudo, à revista norte-americana Forbes. Ela ainda explicou que a vacina não apresentou nenhum efeito adverso, a não ser irritação na área aplicada, semelhante ao que ocorre na vacina

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contra gripe. O imunizante ainda deve passar por ensaios clínicos e aprovação do FDA (Food and Drug Administration), que regulamenta medicações nos Estados Unidos. A Mayo Clinic divulgou que já têm duas vacinas, sendo uma contra o câncer de mama triplo nega-

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tivo e outra contra o câncer de mama positivo HER2. Os pesquisadores revelaram que também estão trabalhando em um imunizante contra o carcinoma ductal in situ, câncer de mama não invasivo que leva a 300 mil novos casos por ano nos Estados Unidos, de acordo com a revista. Segundo Knutson relatou à

Forbes, os ensaios têm alto custo, chegando a custar US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões). Ensaios da fases mais avançadas custam o dobro disso. Knutson também realiza pesquisas sobre outras vacinas contra o câncer focadas no conceito da imunoterapia e da terapia celular, que estimulam o sistema imunológico do organismo a combater o tumor. Sua equipe se dedica a descobrir como os tumores fogem do sistema de defesa do corpo. "Se formos capazes de treinar o sistema imunológico para reconhecer células anormais ou células pré-cancerosas, talvez ele possa eliminá-las antes que elas se desenvolvem", afirmou Amy Degnim, cirurgiã da Clínica Mayo, para a Forbes. (Fonte: Portal R7)


Campinas terá delegacia para atender pessoas com deficiência

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ampinas deve ganhar a primeira delegacia especializada em atender pessoas com deficiência e ela funcionará em uma ala adaptada na 2ª Delegacia Seccional do município, no Jardim Londres. A unidade deve abrir atéo final do mês de novembro. A delegacia será instalada em uma sala adaptada da Seccional e no local haverá policiais civis e intérpretes de libras, sociólogos e assistentes sociais que auxiliarão a pessoa com deficiência a registrar boletins de ocorrência e outros casos. De acordo com o delegado responsável pelo Deinter 2 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), José Henrique Ventura, o projeto é piloto e funcionará em duas salas adaptadas na Seccional.

"Campinas será um laboratório para esse tipo de serviço. Ainda estamos aguardando mais detalhes e como funcionará. Mas as salas estão sendo reformadas", afirmou. O vereador Jorge da Farmácia (PSDB), que é membro do Conselho Gestor da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo e quem encaminhou o pedido, conta que recebe muitas reclamações de pessoas com deficiência, principalmente as surdas, do atendimento nas delegacias. "Aos procurarem as delegacias para registrar os boletins de ocorrência, elas sentem falta do intérprete de libras", disse ele. NA CAPITAL Na capital, a delegacia já

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opera com esse sistema diferenciado, ao manter uma equipe mista de policiais e um Centro de Apoio Integrado composto por uma equipe multidisciplinar. Criada em 2014, a delegacia é uma parceria da Secretaria dos Direitos da Pessoa com

Deficiência do Governo do Estado de São Paulo e a SSP (Secretaria da Segurança Pública). A delegacia de Campinas deve ainda funcionar nos mesmos moldes da capital, que tem acesso a toda a rede de assistência social da cidade e que muitas vezes as pessoas necessitam de atendimento médico ou hospitalar. Além disso, visitas às residências também são feitas em alguns casos para o melhor compreensão da dinâmica familiar e social do atendido.

DENÚNCIAS As denúncias de crimes contra pessoas com deficiência são repassadas para a delegacia pelo serviço do Disque 100, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. (Fonte: A Cidade ON)

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Tecnologia melhora cirurgia de catarata, afirma oftalmologista

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doença ocular que mais cresce no Brasil por conta do envelhecimento da população é a catarata, opacificação do cristalino do olho. Apontada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a maior causa global de cegueira tratável, tem prevalência crescente no Brasil devido ao rápido envelhecimento da população. Pior: Levantamento realizado pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto nos prontuários do Instituto Penido Burnier mostram que de 1,1 pacientes com idade de 60 a 75 anos e indicação para operar catarata, 38% também têm astigmatismo. O médico explica que isso acontece por causa do maior peso das pálpebras conforme envelhecemos, pequenos traumas no decorrer da vida causados pelo hábito de coçar os olhos e aumento dos processos inflamatórios. MAIS PRECISÃO A boa notícia é que a cirurgia, único tratamento efetivo para catarata, vem ganhando cada vez mais precisão. Segundo o oftalmologista, a cirurgia de catarata corrige a visão para todas as distâncias de quem tem astigmatismo com o implante de lentes multifocais tóricas. “Hoje a cirurgia também conta com um sistema que permite a portabilidade dos dados do pré-operatório para os equipamentos do centro cirúrgico”, salienta. Os

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resultados das cirurgias feitas com esta tecnologia superaram as expectativas dos pacientes. "Um dia após a operação, todos apresentam visão completamente nítida e conseguem ler as minúsculas letras de bulas sem óculos, inclusive uma paciente que antes da cirurgia tinha um astigmatismo bastante importante", conta gratificado.

COMO FUNCIONA Queiroz Neto explica que isso acontece porque o sistema faz uma verdadeira impressão digital do olho que inclui medidas da curvatura, espessura e superfície da córnea, tamanho da pupila, além de uma imagem do globo ocular com características da íris (parte colorida do olho) e vasos sanguíneos. que influem na visão. O envelhecimento, afirma, aumenta as aberrações ópticas, imperfeições que interferem na visão, independente do grau. Por isso, o pré-operatório também inclui a aberrometria ou análise de frente de onda que faz o diag-

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nóstico dessas imperfeições. O médico ressalta que o exame é importante na escolha do tipo de lente a ser implantado. Isso porque, guia o cirurgião durante o procedimento. Todas estas informações são transferidas digitalmente para o microscópio no centro cirúrgico, auxiliando na centragem e posicionamento da lente intraocular.

COMPATIBILIDADE A boa notícia é que esta tecnologia é compatível não só com o equipamento utilizado na cirurgia de catarata a laser, como com os microscópios utilizados nas cirurgias de catarata por facoemulsifição e cortes manuais que ainda predominam no país. Por isso, é acessível a um grande número de brasileiros. Para o especialista o mais importante deste sistema é permitir a centragem precisa da lente intraocular. Isso porque, a descentração induz a imperfeições ópticas que impedem a adaptação às lentes multifocais, afirma.

CATARATA ASSOCIADA A OUTRAS DOENÇAS O oftalmologista ressalta que este sistema também pode ser usado em conjunto com um equipamento capaz de medir a resistência e elasticidade da córnea através de um impulso de ar. O exame é indicado para quem tem glaucoma ou doenças na cérnea. Isso porque, nestes casos a córnea pode perder a resistência e sofrer dilatação que interfere na qualidade da visão após a cirurgia de catarata.

O QUE VEM POR AÍ O oftalmologista afirma que recentemente novos modelos de lentes intraoculares, inclusive tóricas para correção de astigmatismo. foram lançados em Paris durante o 37º Congresso da Sociedade Europeia de Catarata e Cirurgia Refrativa. Outra novidade é um laser de femtosegundo que faz dispensa o uso do ultrassom para fragmentar a catarata durante a cirurgia. “Por isso, preserva as células do endotélio, camada interna da córnea, que são perdidas durante a exposição do olho ao calor do ultrassom”, salienta. A grande revolução fica por conta de uma tecnologia que é usada com o laser para alterar o poder refrativo da lente intraocular. A expectativa é de que até 2020 estas novidades cheguem ao país, conclui. (Fonte: LDC Comunicação)


Estudante cria impressora em Braille para arquivo de texto

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om apenas 19 anos, a estudante de engenharia Bruna da Silva Cruz criou uma impressora capaz de reproduzir textos em Braille, sistema de escrita tátil utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão. O usuário digita pelo computador, envia um arquivo de texto pelo celular ou dita as palavras, e o conteúdo é impresso automaticamente em papel em relevo. A invenção rendeu à jovem de Novo Hamburgo (RS) o segundo lugar no Prêmio Jovem Cientista 2019, que reconhece as pesquisas científicas e tecnológicas desenvolvidas por alunos de escolas de ensino médio e da educação profissional de nível técnico do estado. A relevância do protótipo criado por Bruna é reforçada pelo número de potenciais usuários: o Brasil tem mais de 6,5 milhões de pes-

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soas com deficiência visual 582 mil são cegas e 6 milhões têm baixa visão, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A oferta de obras literárias em Braille, porém, contempla uma parcela mínima dessa população. De acordo com a União Mundial de Cegos, representante de aproximadamente 253 milhões de pessoas com deficiência visual de organiza-

ções em mais de 190 países, cerca de 5% das obras literárias no mundo são transcritas para Braille nos países desenvolvidos. Já nos países mais pobres, esse número é de 1%. O protótipo criado por Bruna, chamado de Fast Braille, funciona como uma máquina de escrever e uma impressora. "O usuário, seja cego ou não, usa o teclado de computador convencional para escrever os tex-

tos. Depois, ele manda imprimir, por meio da tecla 'enter', e os dados são enviados à máquina, onde o conteúdo é compilado, transformado em Braille e impresso", explica Bruna. Mais leve e barata De acordo com Bruna, a impressora ainda permite que esse tipo de equipamento seja mais acessível ao público. "Há máquinas parecidas? Há. Mas, de acordo com minhas pesquisas, são muito caras e pesadas e não costumam ter tantas funções em um produto só", afirma. O protótipo desenvolvido pela estudante teve um custo de produção de cerca de R$ 1 mil. Em larga escala, segundo ela, o valor final não deve passar de R$ 3 mil - custo médio de um notebook -, o equivalente a um terço do valor encontrado no mercado. (Fonte: UOL)

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Cientistas descobrem estágios iniciais do mal de PARKINSON

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esquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da University of Virginia School of Medicine, dos EUA, descobriram os estágios iniciais da doença de Parkinson. O estudo com a conclusão foi publicado em outubro no jornal Communications Biology. A pesquisa demorou três anos para ser concluída. A próxima etapa será o rastreamento de drogas que bloqueiem os oligômeros (estrutura proteica em forma de cadeia com baixo peso molecular), antes de partir para a segunda fase de testes em animais e seguir para os testes finais em humanos. O mal de Parkinson é a segunda mais comum das doenças neurodegenerativas e pode levar à demência. A primeira é o Alzheimer.

DESTRUIÇÃO PROGRESSIVA Doenças neurodegenerativas são doenças em que ocorre a destruição progressiva e irreversível de neurônios, as células responsáveis pelas funções do sistema nervoso. Quando isso acontece, dependendo da doença, gradativamente o paciente perde suas funções motoras, fisiológicas e/ou sua capacidade cognitiva. “A grande questão é saber qual é o alvo para poder desenvolver uma terapia, um medicamento. O nosso trabalho mostra, exatamente, a formação dos chamados oligômeros competentes”, disse um dos autores do trabalho o pesquisador pela UFRJ, Jerson Lima Silva. “Tem evidências que [os oligômeros] seriam o nosso melhor alvo”. De acordo com o pesquisador, o mal de Parkinson afeta mais de 5 milhões de pessoas no mundo. Essas estruturas proteicas, quando se rompem, fazem a célula morrer e, na maioria das vezes, quando o paciente é diagnosticado com sintomas clínicos, na realidade o mal de Parkinson começou muito antes. “O tratamento é paliativo. Não há

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tratamento que cure ou atenue a doença”, disse Silva, que é médico e professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ. O estudo permitiu que os cientistas observassem, pela primeira vez, como diferentes variantes da alfa-sinucleína, proteína associada ao mal de Parkinson, interagem ao longo do tempo, formando inicialmente esses oligômeros. A partir disso, e usando a forma familiar, com mutação, eles conseguiram identificar a formação inicial de agregados da proteína ligados aos casos precoces da doença.

DOENÇA AO LONGO DA VIDA O professor da UFRJ e doutorando na Universidade de Virginia, Guilherme A. P. de Oliveira, também coautor do estudo, disse que uma pessoa desenvolve Parkinson ao longo de toda a vida. “A conversão entre os estágios da proteína acontece lentamente e as estruturas intermediárias e os filamentos se acumulam por muito tempo. Não sabemos qual dos dois desencadeia o surgimento dos sintomas e é mais tóxico para as células”, disse. Oliveira disse que, se os pesquisadores conseguirem entender o início da conversão, poderiam desenvolver uma terapia para o tratamento precoce da doença. Silva acrescentou que o desenvolvimento da doença é um processo lento e que os sin-

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tomas, em geral, costumam atingir pessoas com mais idade. “Por isso a forma não familiar é comum depois dos 65 ou 70 anos de idade”. Segundo o cientista da UFRJ, os tratamentos paliativos não cessam o processo de formação de oligômeros que geram mais agregados, passando de célula para célula. “É isso que a gente tem que buscar debelar”.

TÉCNICAS DE PONTA Os pesquisadores usaram técnicas de ponta em microscopia eletrônica de alta resolução que permite ver a nível atômico as proteínas desagregadas. “É importante entender qual é o alvo e o que deve ser utilizado, tanto para desenvolver medicamentos, quanto para, talvez, desenvolver métodos diagnósticos”, disse Silva. O estudo utiliza as proteínas retiradas das células e avalia seu comportamento. Os pesquisadores puderam ver que o produto final tinha diferença, dependendo da mutação. Silva estima que o projeto deverá se estender por dois ou três anos. Os pesquisadores compararam a formação das estruturas em quatro variantes da alfasinucleína, das quais três estavam ligadas a casos hereditários precoces da doença e uma se achava presente nos casos de envelhecimento, que não tem mutação. Com isso, descobriram que nos casos de Parkinson precoce, os estágios interme-

diários dos processos de agregação de cada variante da proteína se formavam em uma velocidade maior do que nos casos de envelhecimento. Isso pode explicar o surgimento de sintomas em pessoas mais jovens. Eles detectaram também que os filamentos amiloides mostraram estruturas distintas, dependendo da variante da proteína da qual se originam. Além de perceber que os estágios iniciais da conversão são distintos, notaram que alguns filamentos formados nos casos de Parkinson precoce também são diferentes.

FLUORESCÊNCIA Utilizando a técnica de fluorescência, os pesquisadores não só visualizaram as diversas etapas de associação da proteína ao longo do tempo, mas observaram também estruturas que antes não eram percebidas. Ao usarem a técnica da criomicroscopia eletrônica, que deu a seus criadores o Prêmio Nobel de Química em 2017, os pesquisadores observaram a organização estrutural dos filamentos amiloides. “Como elas [proteínas] são muito sutis, não era muito clara a separação entre o que é estrutura competente e não competente para gerar fibra”, disse Silva. Oliveira acredita que ao enxergar tais estruturas, os cientistas poderão contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a doença. O estudo teve apoio da Pew Charitable Trusts, organização não governamental sem fins lucrativos, que estimula a filantropia na população carente dos Estados Unidos, e foi financiado também pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Estrutural e Bioimagem (Inbeb). (Fonte: Agência Brasil)


Lei pode beneficiar deficientes visuais no Estado de São Paulo

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projeto de lei 673/19, de autoria da deputada estadual Leticia Aguiar (PSL), que autoriza a instalação de placas com cardápios em braille em restaurantes, como incentivo a inclusão das pessoas com deficiência visual, foi aprovado em plenário por unanimidade. "Fico muito feliz em ter meu primeiro projeto de lei aprovado, ainda mais porque irá beneficiar pessoas com deficiência. Essa é apenas mais uma entre as diversas ações necessárias para a acessibilidade dos deficientes visuais", explicou a parlamentar. Agora, o documento seguiu para o governador João Doria (PSDB), que tem 30 dias para sancionar o projeto. A lei ainda prevê a criação do "Selo Amigo das Pessoas com Deficiência" que será con-

Reprodução

cedido, aos comércios que comprovarem ações inclusivas que atendam todos os tipos de deficiências. A medida é um prêmio de reconhecimento aos que se adequarem à lei, proporcionando mais acessibilidade, comodidade e autonomia às pessoas com deficiência. "Tenho certeza que o comerciante que aderir ao projeto vai conquistar uma gama maior de clientes, porque há um público consumidor que deseja frequentar restaurantes e lanchonetes e que precisam ter as condições mínimas para se sentirem incluídos. Com isso, terão o respeito das pessoas com deficiência e ainda um importante incremento aos seus negócios, gerando renda, empregos e movimentando a economia" finalizou a parlamentar. (Fonte: Agência Alesp)

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Parkinson começa muito antes

dos tremores, afirma neurologista

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Divulgação

Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa que atinge aproximadamente 1% da população mundial com mais de 65 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Normalmente, ele é associado aos sintomas motores que manifesta, especialmente o tremor. No entanto, o que pouca gente sabe, é que a doença se inicia anos antes de o paciente começar a ter tremores, com outros sintomas não motores que acabam sendo ignorados. O neurologista Gustavo Franklin explica que, em geral, os primeiros sintomas da Doença de Parkinson não são associados ao movimento. “Geralmente, a doença se inicia anos antes de aparecerem os sintomas motores, como tremor ou rigidez. Ela pode começar apresentando apenas uma constipação intestinal (intestino preso) ou apenas um disturbio do sono, com sonhos v'ividos e esses serem os únicos sinais por anos”, explica. O especialista comenta que além da constipação intestinal, o paciente pode começar a ter alterações do sono, o chamado distúrbio da fase REM. “O

paciente tende a se movimentar de forma brusca durante o sono, falar dormindo e apresentar sonhos vívidos, ou seja, que parecem reais”. Um estudo recente mostrou que pacientes com Disturbio comportamental do sono Rem, tem ate 70% de chance de desenvolver uma 'sinucleinopatia', grupo de doencas neurodegenerativas em que se encontra a Doen'ca de Parkinson. Depois disso, segundo o médico, a pessoa também

pode começar a se queixar de dificuldades para sentir cheiros e apresentar sintomas psiquiátricos, como transtorno de ansiedade e depressão. E após todo esse quadro, a Doença de Parkinson segue evoluindo e aí sim começam os sintomas motores e é nessa fase que a maior parte dos pacientes são diagnosticados. “Além do tremor, é comum que a pessoa apresente bradicinesia, ou seja, seus movimentos voluntários

tendem a ficar mais lentos. Além disso, outro sinal comum é a rigidez muscular, a sensação de que os membros estão mais ‘duros’ e, por isso, mais difíceis de movimentar”. Como a doença é progressiva, quanto antes ela for diagnosticada, melhor para o paciente, que consegue ser tratado precocemente para ter mais qualidade de vida. “É muito importante que as pessoas conheçam esses outros sintomas que aparecem antes dos sinais motores, para que procurem ajuda, façam uma avaliação com um neurologista”, alerta. Existem diversas opções de tratamento para pacientes com Doença de Parkinson. Normalmente, são medicamentos que repõem a dopamina que os neurônios não estão produzindo em decorrência da doença, aliviando os sintomas. “Apenas o médico pode avaliar qual a melhor opção e dosagem do medicamento de acordo com as condições particulares do paciente. Mas quanto antes esse tratamento se inicia, melhores são as chances de que a pessoa continue realizando as suas atividades”. (Fonte: Assessoria)

Entrou em vigor em outubro uma nova regra no transporte de passageiros da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos). A partir de agora, mulheres, idosos e pessoas com deficiência já

podem desembarcar fora dos pontos de parada regulares das linhas metropolitanas da EMTU/SP entre 22h e 5h. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), são 425 ônibus distribuídos em 151 linhas.

A possibilidade de os passageiros escolherem o local mais seguro e acessível para o desembarque veio com a Lei nº 17.173, sancionada pelo governador João Doria e publicada no dia 15 de outubro, no Diário Oficial do Estado. O objetivo da medida é dar mais segurança às pessoas com vulnerabilidade. O desembarque segue as regras de trânsito e não será permitido em locais onde é proibido estacionar ou que comprometa o fluxo dos veículos e a segurança dos passageiros. Além disso, a parada deverá estar dentro do trajeto regular da linha, não podendo haver desvio de itinerário. A EMTU/SP já orientou as

empresas operadoras para que informem motoristas e cobradores sobre a aplicação da nova lei. E para informar os passageiros, a EMTU/SP começou uma campanha de comunicação nas mídias sociais. Cartazes e adesivos estão sendo afixados dentro dos ônibus da frota metropolitana. Os passageiros que constatarem irregularidades ou não forem atendidos, devem informar o ocorrido pelo site http://www.emtu.sp.gov.br. As empresas concessionárias ou permissionárias que não cumprirem a lei estarão sujeitas a autuação e multa. A EMTU/SP gerencia o transporte metropolitano em cinco regiões do Estado. (Fonte: Correio Popular)

Nova lei flexibiliza desembarque de PCD´s na EMTU

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acompanhar PCD´s em Campinas

A Câmara de Campinas aprovou na noite desta segunda-feira (14), em primeira votação, projeto de lei do vereador Marcos Bernardelli (PSDB) – presidente da Casa – que propõe alteração no Estatuto do Animal de Campinas para que os cães-terapeutas passem a ter os mesmos direitos de acesso dos cães-guia, podendo acompanhar os donos que necessitam deles em áreas públicas ou privadas de uso coletivo. “Os cães de assistência ou cães-terapeutas são utilizados amplamente em diversos tipos de tratamento, mas ainda têm problemas de acesso em diversos locais de Campinas. Fomos procurados por um número elevado de pessoas envolvidas com o tema, que nos contaram inclusive que, recentemente, uma mulher com depressão foi impedida de atravessar o Par-

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que Portugal acompanhada com o cachorro, enquanto um jovem autista foi impedido de entrar em uma loja com o animal. Hoje somente o cão guia está autorizado a adentrar em espaços acompanhando o dono e é essa situação que queremos corrigir”, pontua Bernardelli. Para se tornar lei , o PL precisa voltar ainda ao Plenário e ser aprovado em segunda análise, para só então seguir para sanção do prefeito. (Fonte: Câmara de Campinas)

Google Maps será mais útil para usuários cegos

A Google lançou uma nova atualização para o seu aplicativo de navegação que pretende melhorar as indicações para cegos e pessoas com problemas de visão. O objetivo é tornar as indicações por voz mais precisas, informando os utilizadores quando estão aproximarse de um cruzamento ou sugerindo que se mantenham no caminho indicado. A ideia é que com esta atualização os cegos possam ser mais independentes

nas suas deslocações. “Os indicadores por voz não só ajudam cegos a ir do ponto A ao ponto B, como também nos dão confiança e segurança quando nos deslocamos sozinhos. Com um guia por voz detalhado no Google Maps, a minha viagem desvanece-se e posso focar-me mais no que farei no destino”, escreveu no blogue da empresa a analista de negócio da Google, Wakana Sugiyama. (Fonte: Notícias ao Minuto) Reprodução

Cães terapeutas poderão

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Brasil tem 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, diz estudo

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studo feito em conjunto pelo Instituto Locomotiva e a Semana da Acessibilidade Surda revela a existência, no Brasil, de 10,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Desse total, 2,3 milhões têm deficiência severa. A surdez atinge 54% de homens e 46% de mulheres. A predominância é na faixa de 60 anos de idade ou mais (57%). Nove por cento das pessoas com deficiência auditiva nasceram com essa condição e 91% adquiriram ao longo da vida, sendo que metade foi antes dos 50 anos. Entre os que apresentam deficiência auditiva severa, 15% já nasceram surdos. Do total pesquisado, 87% não usam aparelhos auditivos. “A deficiência auditiva é uma deficiência que se agrava com o passar dos anos. E como o Brasil está passando por um processo de envelhecimento da população, hoje já temos 59 milhões de brasileiros com mais de 50 anos e, em 2050, vamos chegar com mais de 98 milhões de brasileiros com mais de 50 anos de idade, essa é uma tendência que só vai crescer”, disse Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Completou que a “sociedade, claramente, não está preparada para isso”. Nesse cenário de envelhecimento crescente da população brasileira, Meirelles destacou que oferecer condições de inclusão para as pessoas com deficiência auditiva é cada vez mais importante, “porque o

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número dessas pessoas só vai crescer”.

DIFICULDADES Dois em cada três brasileiros relataram enfrentar dificuldades nas atividades do cotidiano. “Com isso, eles se divertem menos, têm menos chance no mercado de trabalho, não têm as mesmas oportunidades educacionais que os ouvintes têm”. A falta de acolhimento e inclusão limitam o acesso dos surdos às oportunidades básicas, como educação (somente 7% têm ensino superior completo; 15% frequentaram até o ensino médio, 46% até o fundamental e 32% não possuem grau de instrução). Vinte por cento das pessoas com deficiência auditiva idosos não conseguem sair sozinhas, só 37% estão no mercado de trabalho e 87% não usam aparelhos auditivos. “Porque é muito caro e inacessível para a maioria dessa população”, disse Meirelles. “E como a população surda teve menos oportunidade de estudar do que a população ouvinte, como tem

mais dificuldade no mercado de trabalho do que a população ouvinte, o dinheiro para conseguir o aparelho é ainda mais difícil. Esse conjunto de preconceitos que existe na sociedade acaba criando um círculo vicioso que não possibilita que os surdos e os ouvintes tenham as mesmas oportunidades de se dar bem na vida.” “Quando comecei no meu trabalho, as pessoas pensavam que eu não era capaz de fazer as coisas. Demorou demais para que elas acreditassem que eu tinha capacidades, mas às vezes ainda me olham com discriminação e desconfiança por eu ser quem sou”, afirmou uma mulher com deficiência auditiva de 30 anos, entrevistada em São Paulo.

AUTÔNOMOS Entre os tipos de ocupação desempenhada pelas pessoas com deficiência auditivo com 18 anos de idade ou mais destacam-se empregado no setor privado (43%) e trabalhador por conta própria (37%). Segundo Renato Meirelles, “essas pessoas desistiram de arrumar

emprego e passaram a empreender para garantir o seu sustento”. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 5 de setembro passado, com 1,5 mil brasileiros surdos e ouvintes. No total, o Brasil possui 50,30 pessoas com deficiência. Nove em cada dez brasileiros afirmaram ser favoráveis aos direitos das pessoas com deficiência. A pesquisa mostra que a maior parcela de pessoas com deficiência auditiva está na Região Sudeste (42%), seguida pelo Nordeste (26%) e Sul (19%). Já as regiões CentroOeste e Norte detêm os menores percentuais de surdos (6% e 7%, respectivamente). Das pessoas com deficiência auditiva, 28% declararam ter também algum tipo de deficiência visual e 2%, deficiência intelectual. Uma parcela de 14% dos brasileiros com problemas auditivos disseram não se sentir à vontade e poder falar sobre quase tudo com a família; 40% sentem isso em relação a amigos, contra 11% e 34% da população de forma geral. A sondagem revela, ainda, que pessoas com deficiência auditiva severa têm três vezes mais chance de sofrerem discriminação em serviços de saúde do que pessoas ouvintes. MUNDO Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) existem 500 milhões de surdos no mundo e, até 2050, haverá pelo menos 1 bilhão em todo o globo. (Fonte: Agência Brasil)

Escolas podem ser obrigadas a ter intérprete de Libras para pais surdos

A Comissão de Direitos Humanos (CDH), do Senado, analisa um projeto de lei que obriga a contratação de intérprete da língua brasileira de sinais (Libras) em escolas públicas e privadas. O Projeto de Lei nº 5.188/2019, da senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Edu-

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cação para definir que as instituições de ensino devem manter pelo menos um intérprete para garantir a comunicação com pais ou responsáveis surdos sobre o desempenho escolar dos filhos. Segundo a autora do projeto, embora haja leis que obriguem as escolas a atender estudantes surdos, "há um vácuo na

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legislação" no que se refere aos pais portadores de deficiência que precisam se informar sobre o desenvolvimento escolar dos filhos. “Estes pais comparecem às reuniões da escola, onde supostamente tratariam do desenvolvimento escolar dos seus filhos, e saem de lá sem absolutamente informação alguma, uma vez que a escola não

dispõe de nenhum profissional intérprete de Libras para superar a barreira comunicativa que a vida lhes impôs”, explica na justificativa do texto. O PL 5.188/2019 aguarda o recebimento de emendas e designação de relator. Depois, será encaminhado à Comissão de Educação (CE). (Fonte: Agência Senado)


A Comissão de Direitos Humanos (CDH) analisa um projeto de lei que obriga a contratação de intérprete da língua brasileira de sinais (Libras) em escolas públicas e privadas. O PL 5.188/2019, da senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para definir que as instituições de ensino devem manter pelo menos um intérprete para garantir a comunicação com pais ou responsáveis surdos sobre o desempenho escolar dos filhos. Segundo a autora do projeto, embora haja leis que obriguem as escolas a atender estudantes surdos, "há um vácuo na legislação" no que se refere aos pais portadores de deficiência que precisam se informar sobre o desenvolvimento escolar dos filhos. “Estes pais comparecem às reuniões da escola, onde supostamente tratariam do

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desenvolvimento escolar dos seus filhos, e saem de lá sem absolutamente informação alguma, uma vez que a escola não dispõe de nenhum profissional intérprete de Libras para superar a barreira comunicativa que a vida lhes impôs”, explica na justificativa do texto. O PL 5.188/2019 aguarda o recebimento de emendas e designação de relator. Depois, será encaminhado à Comissão de Educação (CE). (Fonte: Agência senado)

Isenção do ICMS fica fora da pauta de reuniões do Confaz

O Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) realizou sua reunião ordinária, em Pernambuco, no dia 27 de setembro. Todavia, o tema “isenção de ICMS para pessoas com deficiência”, ficou fora da pauta de discussões. A inclusão da isenção do ICMS para a compra de automóveis por PCD´s na pauta do órgão federal havia sido solicitada pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), no início do mês de setembro, durante reunião do Cotepe/Confaz, que é o grupo técnico de trabalho que discute a questão dos veículos automotivos e seus benefícios fiscais. Na reunião, Mara Gabrilli havia solicitado a discussão sobre o reajuste do valor máximo do veículo, que está há 9 anos congelado em R$ 70 mil, e também a redução do prazo para a troca do carro, de 4 para 2 anos.

A assessoria da senadora informou que o gabinete já está questionando formalmente o Confaz sobre o assunto e solicitando novamente que o tema seja discutido nas próximas reunião do conselho, que acontecem até dezembro deste ano. A Revista Gente Ciente vai acompanhar o andamento e informar seus leitores dos resultados das reuniões.

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Escolas poderão ter intérprete de Libras para pais surdos

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Dicas para o paciente com

osteoporose viver numa casa segura

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casa adaptada para o paciente com osteoporose visa diminuir consideravelmente os riscos de quedas, e por isso é fundamental na prevenção de fraturas”, declara Dr. Sergio Setsuo Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP). O médico aproveita para destacar as principais dicas:

n Iluminação: o ambiente deve ser bem iluminado para que o paciente consiga circular com tranquilidade e segurança no ambiente interno.

n Retirar tapetes: é fundamental que sejam excluídos todo tipos de tapetes e carpetes da

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casa, pois eles são causas frequentes de escorregões, tropeços e quedas.

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n Objetos soltos: num mundo com tanta tecnologia e aparelhos conectados, fios soltos pelo chão da casa precisam ser evitados. Isso também serve para brinquedos e outros objetos.

n Piso escorregadio: causa frequente de quedas, principalmente quando molhados. Aqui a atenção deve ser redobrada.

n Banheiro: onde mora o perigo. “Uma dica é a instalação de barras antiquedas na área de banho, banquinhos para sentar e lavar os pés. Tapetes antiderrapantes dentro e fora do box são importantes também, pois o piso está sempre molhado.”

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Alarmes ou outro tipo de comunicação no banheiro, um telefone, por exemplo, para que, no caso de uma emergência, o paciente tenha como chamar socorro.

n Altura de cama e sofá – devem ter altura mínima de 45

a 50 cm do chão.

A osteoporose é uma doença em que há baixa massa óssea, seja pela diminuição da formação ou por aumento de reabsorção de minerais e de cálcio. Não apresenta sintomas, e se agrava com o envelhecimento. Dados apontam que cerca de 33% das mulheres e 15% dos homens com mais de 65 anos terão osteoporose. Portanto, é um problema de saúde pública. As fraturas osteoporóticas causam dor, levam à dependência física e estão associadas à maior mortalidade. A alimentação rica em cálcio e exposição solar, principal fator para formação da Vitamina D e essencial para saúde dos ossos, podem minimizar esta evolução. (Fonte: Gengibre Comunicação)


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MPT realiza oficina de

capacitação e inclusão em Campinas

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Ministério Público do Trabalho realizou, no dia 10 de outubro, em parceria com a Gerência Regional do Trabalho de Campinas (Ministério da Economia) e a Fundação FEAC, a oficina “Capacitação para Inclusão”, destinada a profissionais de recursos humanos de empresas de Campinas e demais interessados, com o objetivo de mostrar a teoria e a prática da Lei Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência, com vistas ao preenchimento da cota instituída pela Lei 8.213/91, e a quebrar barreiras que impedem a inclusão. O evento, que aconteceu na sede do MPT Campinas, contou com a presença de 200 pessoas e teve tradução simultânea em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). A oficina foi aberta com o discurso do procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Campinas, Dimas Moreira da Silva, que ressaltou a importância do evento para a inclusão de pessoas com deficiência na cidade de Campinas, lembrando que a instituição está de portas abertas para discutir temas em prol do desenvolvimento social. “O Ministério Público é a casa da sociedade. É um lugar para as pessoas trazerem as suas reivindicações e discutir assuntos de importância para a classe trabalhadora. Temos um papel relevante na defesa dos direitos sociais, principalmente daquela parte mais esquecida: as minorias”, afirmou. A procuradora e representante regional da Coordenadoria Nacional da Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), Danielle Olivares Masseran, apresentou um retrato da inclusão no país e na cidade de Campinas, baseada em estatísticas oficiais, e foi além da inclusão pela cota legal. “Acreditamos que não há como cumprir a cota se não houver inclusão de fato dentro da empresa. E a primei-

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Divulgação/MPT

ra barreira que tem que ser quebrada é a barreira atitudinal, aquela cultura de que a pessoa com deficiência não vai se desenvolver no regime da empresa e que não será capaz de entrar no processo produtivo com outros trabalhadores. Ela é capaz sim, mas precisa de capacitação, como todo e qualquer trabalhador”, lembrou. De acordo com uma releitura do Censo Demográfico de 2010, apresentada pelo IBGE em julho de 2018, a população brasileira era de 190 milhões de pessoas, das quais mais de 12,7 milhões era composta por pessoas com algum tipo de deficiência permanente, ou seja, 6,7% dos brasileiros possuíam alguma deficiência visual, auditiva, motora ou intelectual. Estimativas levantadas pelo Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp, com base em dados do IBGE e do Ministério da Economia, apontam que, na cidade de Campinas, existia em 2010 uma população de 35 mil pessoas com deficiências severas e graves, com faixa etária de 18 a 59 anos, ou seja, aptas a ingressar

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no mercado de trabalho pelo sistema de cotas (3,3% da população). O número de reserva de vagas para cumprimento de cota no município era de 7.511 (de acordo com a RAIS 2017 e um levantamento do CAGED em outubro de 2018), sendo que apenas 52,76% delas estão preenchidas. A coordenadora nacional da Coordigualdade, Keley Kristiane Vago Cristo, enalteceu a iniciativa do MPT Campinas de realizar uma capacitação para inclusão. “É muito importante que eventos como esse promovam a possibilidade das empresas dialogarem diretamente conosco para mostrarem as suas dificuldades e dúvidas, e poder ouvir os relatos das que já superaram essas barreiras discriminais, arquitetônicas e comunicacionais, para que possamos, juntos, implantar a prática da inclusão”, observou. O gerente regional do Trabalho de Campinas, Carlos Alberto de Oliveira, citou a empatia e o amor ao próximo como elo de união entre as pessoas, o que possibilita que os empresários se coloquem no lugar da

pessoa com deficiência e, dessa forma, a entenda como ser valoroso e produtivo. “É uma necessidade do ser humano discutir questões tão relevantes para a vida. Nós estamos falando de pessoas, estamos falando de almas, das habilidades, do potencial e da capacidade que as pessoas muitas vezes não sabem que têm, porque a nossa autoestima sempre fica presa nas nossas deficiências. Quando nós estamos discutindo a questão da inclusão, definimos que incluir é acolhimento. E a acolhida nos remete a uma única situação que dá sentido à vida das pessoas: o amor. Não é possível fazer inclusão sem amor, e essa discussão nos une porque esse é o nosso maior desejo na vida, ninguém quer passar pela vida sem ter amado ou sem amar alguém. E o amor implica em superar barreiras, enfrentar as dificuldades e vencer os preconceitos”, disse. A mesa diretiva contou com a presença do secretário de Trabalho e Renda de Campinas, Luís Yabiku, e do vereador por Campinas Jorge da Farmácia. (Fonte: Assessoria MPT)


Para profissionais de RH, acessibilidade ainda é tema pouco conhecido

ARTIGO - Tábitha Laurino

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ampas, pisos táteis, plataformas com audiodescrição, tradutor de conteúdos digitais. Essas e outras ferramentas são suportes de acessibilidade que integram pessoas com deficiência às ações do dia a dia, incluindo as do mercado de trabalho. Segundo estudo conduzido pela Santo Caos - consultoria de engajamento por meio da diversidade - em parceria com a Catho, a maioria dos profissionais de RH afirmam não conhecerem sobre acessibilidade arquitetônica (63%) e tecnologias acessíveis (61%), experiências importantes para o recrutamento desses profissionais. Tais conhecimentos são indispensáveis para demonstrar ao colaborador que ele não

- CATHO

Reprodução

entrou ali apenas para cumprir cotas e que seu talento poderá ser demonstrado no dia a dia. As cidades e os lugares que as pessoas com deficiência frequentam costumam não oferecer a acessibilidade adequada. Entretanto, as empresas podem ser protagonistas destas transformações.

Por meio dos dados é possível observar a importância de um conhecimento específico para recrutar talentos entre os profissionais com deficiência. O processo pode ser potencializado com o auxílio de consultorias que identificam e implementam metodologias de inclusão dentro das empresas.

A depender das especificidades da deficiência do profissional contratado, essas necessidades se alteram. Alguns profissionais precisam de uma cadeira ortopédica, outros de um espaço de circulação maior entre as mesas do ambiente corporativo. Cada profissional deve ser visto de forma individual. Sendo assim, nem tudo diz respeito a uma acessibilidade arquitetônica. Às vezes, as necessidades são infinitamente menores, mas ainda assim, por conta do desconhecimento, impedem uma real integração no merDivulgação cado de trabalho. Tábitha Laurino, gerente sênior de operações da Catho.

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OSTEOPOROSE

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Especialista responde às principais dúvidas

osteoporose é uma doença que se agrava com o envelhecimento, fragilizando os ossos e piorando, consideravelmente, o quadro de saúde do paciente. O Dr. Sergio Setsuo Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEMSP), responde abaixo às principais dúvidas sobre osteoporose.

1 - Como se caracteriza a osteoporose? Dr. Maeda - A osteoporose é uma doença que provoca o aumento da perda de massa óssea, pela diminuição da formação e absorção de minerais e de cálcio. A doença se agrava com o envelhecimento e dados apontam que cerca de 33% das mulheres e 15% dos homens com mais de 65 anos terão osteoporose. Portanto, é um problema de saúde pública. As fraturas osteoporóticas causam dor, levam à dependência física e estão associadas à maior mortalidade. A alimentação rica em cálcio e exposição solar, principal fator para absorção da Vitamina D e essencial para saúde dos ossos, podem minimizar esta evolução.

2 - O que provoca a osteoporose? Existe uma predisposição

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genética e, por esta razão, a história familiar tem importância e merece ser avaliada. Temos ainda a contribuição de maus hábitos de vida como etilismo, tabagismo e sedentarismo. A história clínica também deve avaliar o uso de medicamentos que prejudicam a saúde óssea como os glicocorticoides, entre outros. Várias doenças estão associadas a prejuízo ósseo como doenças de má-absorção intestinal, inflamatórias, endócrinas como por exemplo: hipercortisolismo (síndrome de Cushing), hipertireoidismo, estados de hipogonadismo (incluindo secundários a tratamento de câncer), hiperparatireoidismo, artrite reumatoide e diabetes mellitus.

3 - Quais os sintomas da osteoporose? A doença é silenciosa e dificilmente apresenta sintomas, daí a importância de fazer alerta. A presença de cifose (corcunda) pode sugerir a presença de fraturas vertebrais. Quando é diagnosticada, a osteoporose, muitas vezes, está em estágio avançado. A fratura por baixo impacto causada por queda da própria altura ou por trauma mínimo é a manifestação da doença e mesmo assim há pacientes que não são investigados ou tratados.

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4 - Qual o tratamento para a osteoporose? Tem cura? Temos atualmente medicamentos que diminuem a destruição óssea, chamados de antirreabsortivos, e nos casos mais graves temos indicação de formadores. Devem ser avaliados os riscos e benefícios, e se fazer um plano de tratamento que deve ser individualizado, pois cada medicamento tem uma particularidade no seu uso. Isto deve ser avaliado pelo médico que acompanha o caso. Em alguns casos, pode-se reverter a osteoporose em osteopenia, mas o principal objetivo do tratamento é reduzir o risco de fratura.

5 - É possível prevenir a doença? Sim. Atividades físicas regulares que trabalhem equilíbrio e força, prevenção de quedas, consumir nutrientes como cálcio e proteínas ao longo da vida e a manutenção de níveis adequados de Vitamina D, obtida pela exposição solar e suplementos em alguns casos, são medidas básicas para garantir a saúde óssea. 6 - Como deve ser feito o diagnóstico da osteoporose? Dr. Maeda - A densitometria óssea é o principal exame para detectar precocemente a

osteoporose. Toda mulher com mais de 65 anos e homens acima de 70 anos devem fazer esse exame. Adultos com mais de 50 anos, que tenham doenças que possam trazer fatores de risco, também devem ser avaliados. O Raio X de coluna auxilia na busca de fraturas vertebrais (muitas vezes assintomáticas), enquanto exames de sangue e urina ajudam a investigar a causa da osteoporose em conjunto com a história e suspeita clínica.

7 - A osteopenia é um préestágio da osteoporose? É possível frear a evolução da osteopenia para não se tornar osteoporose? A osteopenia corresponde a um estágio antes da osteoporose. É uma situação que merece acompanhamento clínico para se avaliar os fatores de risco e sua evolução. Muitas vezes, apenas a adequação de cálcio e vitamina D em conjunto com exercícios e prevenção de quedas é o suficiente. Porém, alguns casos de osteopenia também têm indicação de tratamento, como por exemplo, aqueles que fazem uso de glicocorticoides, ou evoluem com perda óssea no seguimento. (Fonte: Gengibre Comunicação)


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Menores também podem comprar carro com isenção de impostos

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oda pessoa com deficiência, condutora (que possui CNH especial) ou não condutora (autistas, cegos, Down, deficiência intelectual, entre outros) têm direito à isenção de impostos na hora de comprar um automóvel zero quilômetro. É o que dizem as leis nº 8.898 (isenção de IPI), Convênio ICMS 38/2012 (Isenção de ICMS) e Lei 16.498/2017 SP (isenção de IPVA). A legislação beneficia todas as pessoas com deficiência, inclusive aquelas menores de idade, que podem também adquirir veículos com isenção total de impostos. Neste caso, a compra é realizada pelo responsável legal pelo menor de idade, e toda a documentação do veículo será emitida em nome do beneficiário. O primeiro passo é passar por uma banca especial, composta por médicos peritos credenciados pelo Detran, que irão avaliar cada caso e emitir um laudo oficial que atesta a deficiência, onde constará o CID (Classificação Internacional de Doenças) exigido por lei. De posse deste laudo oficial, o responsável pelo menor com deficiência deve procurar o

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escritório do Gente Ciente, especializado em isenção para PCD´s, que vai passar a lista dos outros documentos necessários para o processo, que inclui a isenção do IPI, ICMS e IPVA, cujo desconto pode chegar até a 30% do valor do veículo. Lembrando que a isenção vale apenas para carros zero quilômetro. Para obtenção de

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todos os impostos o valor do carro não pode ultrapassar R$ 70 mil. Acima deste teto estabelecido pela Lei, o deficiente tem direito apenas à isenção do IPI. A legislação que trata sobre o IPVA garante também isenção para veículos usados, desde que também não ultrapassem o valor de R$ 70 mil, de acordo com a tabela FIPE. Os processos de isenção

realizados pelo Gente Ciente, em parceria com a JR Isenções, não têm custo algum para os interessados nas concessionárias conveniadas. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (19) 3756-1110 ou no site www.genteciente.com.br. O escritório do Gente Ciente fica na Rua Dona Luísa de Gusmão, 555 Sala 5 – Taquaral – Campinas – SP.


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Ex-paciente do Boldrini reforça

importância da aceitação pós amputação

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ostrar a importância de aceitar o tratamento e de ver que a amputação não é o final da vida. Esse foi o objetivo da ex-paciente do Centro Infantil Boldrini,Thaline Iolanda Pádua de Oliveira, durante a manhã desta segunda-feira, 14, ao conversar de igual para igual com as crianças, pacientes e familiares atendidos pelo hospital e pelo Centro de Reabilitação Lucy Montoro. Thaline,que teve um osteosarcoma na adolescência e precisou amputar a perna direita e sabe muito bem o que é ter que se adaptar à nova realidade e não desistir. Exemplo de superação e reabilitação, a jovem de 31 anos, que estuda direito e trabalha em um banco, voltou a montar a cavalo e hoje compete pelo Brasil a prova dos três tambores. “Quando eu fiquei doente aos 16 anos, não tinha ninguém em quem me inspirar, como referência. Eu quero mostrar a todos

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Fotos: Divulgação

que ter que amputar um membro para se curar não tem problema. Contei tudo o que passei e quis levar a mensagem que a gente tem que se aceitar e optar por viver. Quero inspirar e mostrar que tem uma vida linda esperando por eles depois do tratamento e da amputação. Eu sempre quis montar a cavalos e tive que interromper para o tratamento. Depois voltei e, amputada, hoje realizei meu sonho”, contou. Segundo a jovem, as pessoas que passam pela amputação muitas vezes sofrem com os olhares das pessoas de desconfiança e até mesmo de preconceito, mas é preciso se manter firme e seguir. “Temos que entender e aceitar que a amputação nos dá a oportunidade de fazermos as coisas de maneira diferente, mas que isso não significa que temos que deixar de

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fazer o que gostamos”, avalia. E a história de Thaline realmente serviu de inspiração. Jackeline Rodrigues Pinheiro é mãe da pequena Manuella, de seis anos, e conta que estão passando a mesma situação de Thaline. “Essa conversa foi maravilhosa. Tiramos várias dúvidas, pois a Manu está passando pela mesma coisa. Ela prestou atenção em tudo e viu que tem como continuar a viver. A palavra é literalmente inspiração”, afirma. Manu dançava Ballet desde os quatro anos e em dezembro do ano passado abandonou as aulas ao descobrir o osteosarcoma. Amputou a perna esquerda há cerca de três meses, mas manteve intacto o sonho de voltar aos palcos. “No final do ano ela deve fazer uma participação no espetáculo da escola em que dançava. Ela está animada com

as provas de roupa”, conta a mãe. A menina, segundo a mãe, voltou a sonhar depois da fase difícil do tratamento e, agarrada à boneca amputada que ganhou de presente de Thaline, faz planos para o futuro: quer ser cantora, dançarina e policial quando crescer. Thaline foi além da questão da amputação em sua conversa com os pacientes. “Durante o tratamento, os pacientes muitas vezes perdem o cabelo e isso, principalmente para as meninas é um peso. Eu vivi isso e não tinha em quem me espelhar. Eu acho importante falar para eles que o cabelo cresce de novo, que a gente pode ser e é bonita sem ele. Essa é uma fase muito difícil de aceitação e mostrar que é possível passar por ela, é essencial para os pacientes”. (Fonte: Fonte comunicação)


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Como buscar o atendimento SUS para pessoas com deficiência

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paciente não deve procurar diretamente um centro de reabilitação. Primeiro deve procurar atendimento em uma Unidade de Saúde da Família (USF) da rede pública, tem sempre uma perto de sua casa. Depois de atendido na Atenção Primária e com diagnóstico da doença poderá ser encaminhado por um médico para um serviço especializado, no caso os CER. Esses centros são pontos de atenção ambulatorial especializados em reabilitação, que fazem diagnóstico, tratamento, concessão, adaptação e manutenção de equipamentos que auxiliam as pessoas com deficiência a desempenhar suas atividades. Além disso, os CERs fazem manutenção de produtos, equipamentos e dispositivos, as tecnologias assistivas, com o objetivo de promover a autonomia, independência e inclusão social dos indivíduos. Entre os produtos estão aparelhos auditivos, próteses e cadeiras de rodas. Os Centros são organizados a partir da combinação de no mínimo duas modalidades de reabilitação (auditiva, física, intelectual, visual) e podem ser de três tipos: CER II - composto por dois serviços de reabilitação habilitados; CER III - composto por três serviços de reabilitação habilitados; e CER IV - composto por quatro ou mais serviços de reabilitação habilitados. Atualmente, existem 228 CER habilitados pelo Ministério da Saúde no país. Além dos CER, A rede de atendimento à pessoa com deficiência conta com 37 oficinas ortopédicas e 259 Serviços de Reabilitação habilitados em modalidade única. Nos centros de reabilitação, o paciente pode ter acesso às órteses e próteses e materiais de locomoção. As órteses são dispositivos aplicados externamente para modificar as características estruturais e funcionais do corpo ou membro afetado, podendo desempenhar funções de imobilização, mobi-

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lização, correção, alívio e estabilização. Já as próteses são dispositivos aplicados externamente para substituir total ou parcialmente um membro, órgão ou tecido ausente ou com alteração da estrutura. E, os meios auxiliares de locomoção são dispositivos que auxiliam a função motora, o qual não corrige ou substitui função ou segmento do corpo.

O DESAFIO DE CUIDAR E RESPEITAR A DIFERENÇA Os profissionais de saúde são orientados pelas diretrizes do cuidado à pessoa com deficiência a atuar no sentido de respeitar a diferença e as necessidades de cada um na atenção dirigida ao público atendido pela Rede. O coordenador geral de Saúde da Pessoa com Deficiência ressalta a importância da inclusão social ao lembrar as limitações que passa, por exemplo, uma pessoa com deficiência visual e faz um desafio. “Em casa, faça um teste muito simples: tome banho de olhos fechados. Vai ser difícil no primeiro momento. Em seguida, você vai começar a sentir que sua percepção ao toque, em seu próprio corpo, muda completamente”. Angelo Roberto Gonçalves, coordenador geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde

ASSISTÊNCIA DESDE OS PRIMEIROS DIAS DE VIDA A prevenção e identificação precoce de deficiências em todas as fases da vida é um dos principais objetivos da Rede e uma grande aliada. A identificação precoce de condições que possam ocasionar deficiência possibilita uma intervenção oportuna e oferece condições para o desenvolvimento das capacidades e potencialidades que permitem prognósticos mais favoráveis. No caso da criança, logo depois do nascimento, a Triagem Auditiva Neonatal (TAN) ou Teste da Orelhinha, serviços oferecidos no SUS, tem por fina-

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lidade a identificação o mais precocemente possível de deficiência auditiva nos neonatos e lactentes e consiste em testes com medidas fisiológicas e eletrofisiológicas da audição. Após a sua realização, caso seja necessário, é possível iniciar o diagnóstico e o tratamento das alterações auditivas precocemente. Sem contra-indicação, o exame é simples, rápido e indolor, levando de 5 a 10 minutos para ser concluído e deve ser realizado, preferencialmente, nos primeiros dias de vida (24h a 48h) ainda na maternidade, ou no máximo, durante o primeiro mês de vida. Outro exame que deve ser realizado nos bebês ainda na maternidade é a Triagem Ocular Neonatal, mais conhecida como Teste do Olhinho. Este exame possibilita a identificação, diagnóstico e tratamento adequado de alterações oculares que, caso não sejam identificados precocemente, podem levar a prejuízos permanente à visão e ao desenvolvimento da criança. Assim como o Teste da Orelhinha, o Teste do Olhinho também é um exame simples, rápido, indolor e sem contraindicação para sua realização. SAÚDE DA MULHER COM DEFICIÊNCIA E MOBILIDADE REDUZIDA Outro exemplo está na atenção integral à saúde das mulheres com deficiência e mobilidade reduzida. Mesas ginecológicas acessíveis para Unidades de Saúde da Família estão disponíveis como componente da Rede de Cuidados a Saúde da

Pessoa com Deficiência. O objetivo é promover maior acessibilidade e fortalecer as ações voltadas às mulheres com deficiência e mobilidade reduzida, na esfera dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, promoção, prevenção e recuperação da saúde. O Ministério da Saúde destinou, em 2018, recursos para 266 municípios realizarem a compra e aquisição de mesas ginecológicas acessíveis para Unidades Básicas de Saúde e prevê para 2019 a destinação de recursos para 640 municípios.

BENEFÍCIO DO VEÍCULO ADAPTADO Para facilitar o acesso aos CER habilitados, usuários da Rede podem contar com veículos adaptados para transporte sanitário, que são disponibilizados para atender pessoas com deficiência que não apresentem condições de mobilidade e acessibilidade autônoma aos meios de transporte convencional, ou ainda, que manifestem grandes restrições ao acesso e uso de equipamentos urbanos. Os veículos do tipo van ou micro-ônibus adquiridos são adaptados com plataforma elevatória veicular, para possibilitar o embarque e desembarque de usuário cadeirantes e com dificuldades de locomoção. Ele também é equipado com sistemas de segurança para fixação da cadeira de rodas, cintos de segurança, além de protetores de cabeça para cada cadeirante, possibilitando o transporte seguro de pelo menos 9 (nove) usuários, sendo 03 (três) cadeirantes e 06 (seis) não cadeirantes. Desde 2012, foram adquiridos e doados pelo Ministério da Saúde 293 veículos adaptados, sendo que destes, 185 doações foram realizadas entre dezembro de 2018 e maio de 2019. A ação contribui para a superação de importantes barreiras de acesso aos serviços de reabilitação. (Fonte: Ministério da Saúde)


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Laís Souza emociona ao postar foto em pé nas redes sociais

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ex-ginasta Laís Souza postou em seu perfil no Instagram uma foto em pé. Aos 30 anos, ela continua o intenso tratamento para recuperar movimentos do corpo. Na recente postagem, ela destaca a importância de ter uma rotina de trabalho, estudo, casamento, além das diversas sessões de sua reabilitação. A publicação traz uma mensagem de incentivo para as pessoas acreditarem que é possível superar dificuldades. "No começo, parecia impossível... INDEPENDÊNCIA. Eu saí de casa aos 10 anos de idade, a partir daí sempre fui independente (12 anos de seleção brasileira e 18 meses no Ski)", escreveu Laís. Uma das melhores ginastas que o Brasil já teve em sua seleção, a ex-atleta disputou as Olimpíadas de Atenas (2004) e

Divulgação/CPB

Reproduçãio

Brasil termina em 8º no Mundial de Rugbi em Cadeira de Rodas

Pequim (2008). Ela só não esteve em Londres (2012) por causa de uma lesão. Laís ficou tetraplégica em 2014, quando sofreu um acidente de esqui. Na ocasião ela treinava para competir nos Jogos de Inverno de Sochi, mas o acidente dias antes da competição mudou a vida da brasileira. (Fonte: Terra)

No dia 19 de outubro, a Seleção Brasileira encerrou sua participação no Desafio Mundial de Rugbi em Cadeira de Rodas (WWRC 2019), na cidade de Tóquio, Japão. Com quatro derrotas, a equipe terminou na oitava colocação. O Brasil abriu o torneio Mundial contra a equipe da casa, Japão, com uma derrota por 61 x 42. Na segunda partida, foi a vez de enfrentar a equipe da Grã-Bretanha, com o resultado de 57 x 35. Na terceira partida, ainda pelo grupo de chaves, o Brasil voltou a perder pelo placar de 38 a 52 para França. Placar muito distante, comparado ao último confronto contra a França nas Paralímpiadas do Rio

2016 (Brasil 54 x 59 França). Finalmente, na quarta rodada, a seleção enfrentou a equipe da Nova Zelândia, última colocada do grupo B, pela disputa do 7º lugar na competição. Apesar do jogo equilibrado, o placar final foi de 54 x 47. Os EUA foram os campeões da competição. Venceram a seleção da Austrália, bicampeã paralímpica, em um jogo muito competitivo e emocionante que poderá ser revisto aqui (todos os jogos da competição estão disponíveis no Youtube), pelo placar de 59 x 51. Na disputa pelo terceiro lugar no pódio, o Japão venceu a equipe da GráBretanha pelo placar de 54 x 49.

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Surdos enfrentam dificuldade para atendimento em saúde

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eixar de ir ao médico para consultas de rotina ou em caso de dor parece algo impensável. Entretanto, essa é a realidade de muitas pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Surda, a professora de Língua Brasileira de Sinais (Libras) Sylvia Grespan, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, assume que evita o consultório médico, por julgar que os profissionais não estão preparados para atendêla da forma adequada. Ter de escrever ou depender de alguém que descreva ao médico os sintomas que ela sente e compartilhe partes relevantes do seu histórico de saúde é, para ela, um incômodo. "Dizem que os surdos não procuram médico. Eu, Sylvia, não procuro, porque já sei que não vou ter uma comunicação efetiva. Então, não me sinto confortável, não tenho conforto linguístico de conversar com um médico", diz, acrescentando que pessoas já relataram a ela casos

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Divulgação

em que foram repreendidas pelo médico por utilizarem o celular para tentar melhorar a comunicação durante a consulta. "É nosso direito ter um atendimento eficaz e efetivo. Já estamos no século 21 e até hoje a sociedade não está pronta pra receber o surdo?" De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,2 milhões de pessoas declararam ter deficiência auditiva. O grupo representa 1,1% da população brasileira. Sylvia conta que, certa vez,

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ficou internada e se surpreendeu com as marcações no chão do hospital onde deu entrada. "Eu achei legal, porque era [um recurso] visual, e perguntei 'Por que é colorido'?. Me disseram: 'Porque a maioria nesse município é analfabeta'. Tá vendo? Eles nem pensaram no surdo, e sim nas pessoas que não sabem ler nem escrever." A única exceção às experiências desagradáveis, afirma, ocorreu há dois anos, quando operou a vesícula e ficou na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], por um mês. Sem estar à vontade para pedir que sua mãe, já idosa, a acompanhasse, teve uma surpresa. "Eu me senti bem, porque ali todo mundo sabia Libras. Eu me senti muito feliz, porque eles eram meus ex-alunos."

LIBRAS Na avaliação da professora, que ministra aulas de Libras para alunos de fonoaudiologia e medicina e já formou, em três anos, 400 alunos, o curso não resolve o problema, isoladamente. "Não é só o curso de Libras que é importante. Também tem que saber como explicar para o surdo", ressalta. De acordo com a médica veterinária Alyne Pacífico, o vocabulário de Libras na área de saúde ainda é muito recente e os profissionais devem sempre colocá-lo em prática para não perder o aprendizado. "Não basta o nível básico, porque é um idioma", afirma, destacando que, como qualquer idioma, a Libras está sujeita a mudanças constantes.

Também professora de Libras, Alyne fez um levantamento com idosos surdos sobre a maior dificuldade enfrentada na área de comunicação. O resultado, obtido em 2016 quando ela cursava o mestrado em gerontologia, foi unânime: o atendimento na área de saúde. "Fiz uma entrevista perguntando quais eram os principais problemas com relação a saúde, educação e inclusão social e 100% das pessoas consultadas disseram que o maior problema era na saúde, porque na educação têm intérpretes, auxiliares, mas na saúde dependiam 100% de uma pessoa intérprete ou de alguém da família", comenta. Alyne acrescenta que, para ela, o Sistema Único de Saúde "está à frente" quanto à qualidade do serviço oferecido a esse público. "Os órgãos públicos estão buscando a capacitação [em Libras]", destaca.

POLÍTICAS PÚBLICAS A fonoaudióloga Beatriz de Castro, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic), menciona que 30% das crianças surdas ou com deficiência auditiva têm outras demandas de saúde, além da relacionada à audição. Além disso, 98% dos surdos têm pais ouvintes, o que, geralmente, faz com que não tenham contato com pessoas fluentes em Libras. O contexto, avalia a fonoaudióloga, requer uma política pública "múltipla". "Até que ponto a gente consegue que eles fiquem fluentes tão rápido quanto precisam, se nunca conviveram na comunidade? Até que ponto tenho comunidades disponíveis, nesse Brasil enorme, que tenham interlocutores que vão fazer Libras? Então, é difícil de um jeito ou do outro. Portanto, estratégias inclusivas são uma necessidade em políticas públicas que atendam a essa diversidade", afirma. (Agência Brasil)


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