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EXPEDIENTE

SUMÁRIO

REVISTA GENTE CIENTE A SERVIÇO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA FUNDADOR: José Luiz Gennari (Zelão) em memória DIREÇÃO: Maria Inês Gennari Guimarães DIREÇÃO COMERCIAL: José Roberto Guimarães EDIÇÃO: João Carlos Lage (MTb 47.175/SP) GENTE CIENTE COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA. R. Dona Luísa de Gusmão, 555 Sala 5 Lagoa Office - Taquaral Campinas - SP Cep: 13.088-028

6 Projeto OUÇA BEM ajuda deficientes auditivos em Campinas. 8 ENEM 2017 SURPREENDE COM TEMA SOBRE SURDEZ E EDUCAÇÃO. 30 ATENÇÃO: Cadastro no BPC foi prorrogado para dezembro de 2018.

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ENTREVISTA: TERAPEUTA DE CAMPINAS FALA SOBRE INTEGRAÇÃO SENSORIAL.

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Outras áreas São João da Boa Vista + distribuição n Mogi Mirim n São José do Rio Pardo via Correios para assinantes n Mogi Guaçu n Rio Claro de todo o Brasil n Limeira n Piracicaba n Araras

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LUTA CONTRA O ALZHEIMER Bill Gates irá investir US$ 50 milhões em um fundo denominado Dementia Discovery Fund e outros US$ 50 milhões em startups que trabalham na busca da cura do Alzheimer. A decisão do segundo homem mais rico do mundo não faz parte da Fundação Bill & Melinda Gates. Gates, que investe muito em doenças infecciosas, investe no Alzheimer por questões pessoais e por ser muito difícil de achar uma cura

para a doença. A esperança de Gates é que nos próximos 10 anos achem poderosas drogas que possam resolver a questão. A lista com as startups em que Gates irá investir ainda não foi divulgada, mas sabe-se que elas são focadas em pesquisas que buscam entender e retardar a doença que atinge cerca de 50 milhões de pessoas no mundo. É um problema moderno: estima-se que mais 131 milhões terão a doença até 2050. (Start)

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PcD´s poderão ter mais autonomia na escolha de seus curadores

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Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou, no dia 8 de novembro, projeto de autoria do senador Romário (Podemos-RJ) que oferece mais proteção às pessoas com deficiência submetidas à curatela. O PLS 262/2017 segue para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) em caráter terminativo. A curatela é o exercício jurídico que determina uma pessoa como curadora dos maiores de 18 anos que não possuem condições físicas ou mentais de responder por seus atos civis como, por exemplo, administrar os próprios bens. O projeto de Romário, que altera os parágrafos do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) que tratam deste tema, foi relatado na CDH pelo

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senador José Medeiros (Podemos-MT). “O projeto é altamente meritório porque visa corrigir descompasso cronológico que se instaurou no arcabouço jurídico do país em matéria de proteção à pessoa com deficiência. É bom que se note que o fez alinhando-se à tendência internacional de ampla promoção da autono-

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mia da pessoa com deficiência”, afirmou Medeiros. O senador Romário elogiou o relatório e frisou que que a luta pelos direitos das pessoas com deficiência precisa continuar. “As coisas tem melhorado dia a dia, o preconceito vem diminuindo, mas ainda falta muita coisa para que eles tenham uma vida digna”, disse Romário.

De acordo com o projeto, a pessoa submetida à curatela terá direito ao convívio familiar e a dar sua palavra ao juiz sobre a escolha do seu curador, entre outros direitos. O projeto estabelece ainda que o Ministério Público só promoverá a curatela em caso de deficiência mental, intelectual ou doença mental grave; que, na entrevista com o interditando ou em qualquer outra fase processual, quando se tratar de pessoa com deficiência, o juiz será sempre assistido por equipe multidisciplinar; e que, em relação à sentença que decretar a interdição, o juiz nomeará curador, que poderá ser o requerente da curatela, fixando limites na forma da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. (Rádio Senado)


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Cadastro no BPC é prorrogado para DEZEMBRO DE 2018 prazo para cadastramento dos idosos beneficiários do BPC no CadÚnico, que era até o final deste ano, foi prorrogado para dezembro de 2018. Pessoas com deficiência também têm até o final de 2018 para se cadastrar. Mais de 254 mil idosos e 180 mil pessoas com deficiência recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada) no Estado de São Paulo. O Governo de São Paulo distribuiu mais de 10 mil cartazes em todo o Estado, como também nas estações do Metrô, CPTM e EMTU, para ressaltar a importância do cadastramento no CadÚnico. Popularmente conhecido como LOAS, o BPC é um programa do Governo Federal voltado a idosos e pessoas com deficiência. Para se cadastrar no CadÚnico é necessário procurar um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo da residência. Na inscrição do CadÚnico, é preciso levar ao CRAS os seguintes documentos: CPF (obrigatório para todos os membros da família) ou Título de Eleitor do respon-

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sável pela Unidade Familiar e qualquer documento das outras pessoas da família: Certidão de Nascimento, Certidão de Casamento, RG, CPF, Título de Eleitor ou Carteira de Trabalho. O cadastro deve ser atualizado no máximo a cada dois anos ou quando houver alteração nas informações declaradas no último cadastramento.

SOBRE O BPC O BPC é um benefício que assegura o pagamento de 1 salário mínimo mensal a pessoas a partir dos 65 anos de idade, ou mais. Para receber o benefício, é necessário comprovar não possuir meios de garantir o próprio sustento, nem tê-lo provido por sua família. A renda mensal familiar per capita deve ser inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo vigente. Para a pessoa com deficiência o BPC oferece um salário mínimo mensal é a pessoa de qualquer idade, por meio de avaliação médica e social do INSS que evidencie impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. A renda mensal familiar per capita deve ser inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo vigente. O familiar recebe 1 salário mínimo de forma mensal. (Senado)


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Projeto ‘Ouça Bem’ beneficia pacientes surdos em Campinas projeto “Ouça Bem”, que irá fornecer aparelhos auditivos para 300 pacientes, foi lançado pelo prefeito Jonas Donizette no dia 7 de novembro. Serão beneficiados jovens, adultos e idosos que residem no município e vivem em situação de vulnerabilidade social. Os aparelhos custam entre R$1,5 mil e R$ 7 mil, dependendo da necessidade do paciente. Não há fila de espera para crianças. Elas são atendidas prioritariamente, para que o aprendizado escolar não seja comprometido. A ação é uma parceria da Prefeitura, por meio das secretarias dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Cidadania e de Saúde com Apascamp (Associação de Pais e Amigos Surdos de Campinas), Funda-

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ções Starkey e Fundação Affonso Ferreira, o braço social do Instituto Penido Burnier. Apresentando o projeto, o prefeito Jonas Donizette lembrou que o “Ouça Bem” segue o mesmo processo da distribuição de óculos para as crianças da rede pública de ensino. “Nós estamos lançando o “Ouça Bem” do mesmo jeito que fizemos com os óculos, por meio de parcerias. Foi feito um diagnóstico e havia uma demanda de 300 pessoas que procuraram os nossos serviços de Saúde com problemas de audição - parcial ou total. Já a quantidade de aparelhos que será produzida e distribuída depende da avaliação que acontecerá no próximo dia 25 de novembro”, disse o prefeito. Os novos exames confirmarão se os casos

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são mesmo para receber o aparelho, de que tipo e se para um ou os dois ouvidos. Ao agradecer as instituições parceiras, Jonas Donizette ressaltou que “é mais um problema que resolvemos usando uma forma criativa através de parceria que, além de confeccionar e distribuir os aparelhos personalizados, fará o acompanhamento dos pacientes para verificar se as pessoas estão se adaptando”. Durante a cerimônia, foi enfatizado que, na crise pela qual o País está passando, o “Ouça Bem” é muito benéfico,

porque embora a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) forneça aparelhos, há uma fila de espera para adultos. Com o projeto, essas pessoas poderão ser atendidas mais rapidamente. Além do prefeito, participaram do lançamento a secretária municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Cidadania, Eliane Jocelaine Pereira; o secretário municipal de Saúde, Carmino Antonio de Souza; o diretor clínico do Instituto Penido Burnier e representante da Fundação Affonso Ferreira, Renato Guedes de Melo; a gerente de produtos da Starkey do Brasil e coordenadora geral da Fundação, Camila Quintino; a representante da Apascamp, Adriana Machado; e demais autoridades do município. (Prefeitura de Campinas)


Display tátil da Disney permite que cegos sintam fogos de artifício Reprodução

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Disney Research é o braço da casa do Mickey responsável pelo desenvolvimento de produtos e tecnologias que podem ou ser incorporadas em suas soluções como disponibilizadas para outros, e há um consenso que seus cientistas são um pouco bruxos: eles já apresentaram projetos como técnicas revolucionárias para a criação de CGIs com gelo, água ou ressuscitação de atores falecidos, já brincaram com robótica, animatrônicos, drones, edição de vídeo e áudio, redes neurais e reconhecimento facial… a lista é bem grande. A diferença da Disney Research para outros institutos é que não importa se a pesquisa envolve high ou low tech, o importante é apresentar resultados que causem impacto nas pessoas que virão a consumir tais produtos e por isso mesmo o mais recente projeto, apresentado em parceria com a ETH Zurich é sensacional: trata-se

de um display tátil que permite a deficientes visuais de diversos graus, desde os com visão reduzida aos completamente cegos possam apreciar algo tão simples como… fogos de artifício. Quem já foi à Disneyworld agora o show de fogos que encerra os eventos do parque todas as noites, é um espetáculo e tanto mas essencialmente visual. Quem não consegue ver até pode contar com outros descrevendo para eles o que está aconte-

cendo mas a experiência de testemunhar eles mesmos o show, isso deficientes visuais não têm. Aí entra o projeto Feeling Fireworks: trata-se de uma série de jatos de água esguichados contra uma tela flexível, que retornam feedback háptico de mdo que uma vez programados para seguir uma apresentação de fogos, aqueles com visão reduzida ou cegos podem utilizar as mãos para sentir através do tato o que está acontecendo nos céus. O estudo da Disney Research demonstra que os efeitos psicológicos nos usuários é o mesmo tanto para quem teve contato com os fogos de artifício com os olhos quanto pelo tato, e o que é melhor: o projeto como um todo é muito barato e completamente escalável. Logo é possível instalar telões táteis enormes nos parques da Disney permitindo que todos, sem exceção possam apreciar o evento sem intermediários. (MeioBit)

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Pessoas com deficiência podem se aposentar mais cedo? Reprodução

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s pessoas que possuem alguma deficiência conseguem se aposentar mais cedo e com o valor maior. Esta proteção previdenciária alcança, inclusive, a pessoa com deficiência leve, seja ela física, mental, intelectual ou sensorial.

direito de se aposentar com menos idade ou tempo de contribuição. Quais são as etapas para quem quer ter um benefício desses? SÃO QUATRO ETAPAS:

Que tipo de aposentadoria é esta? Antes de 2013, a lei protegia apenas dois tipos de pessoas: as que poderiam trabalhar e as que estavam inválidas. Agora, há mais leis de proteção. A aposentadoria por tempo de contribuição de quem tem uma deficiência leve acontece dois anos antes. Se a deficiência for moderada, o benefício pode ser antecipado em até seis anos, e, dez anos se ela for grave. E porque o valor desta aposentadoria é maior? Por que no cálculo não se aplica o fator previdenciário, que reduz o valor do benefício em razão da expectativa de vida. É por isso que aumentou a procura por esta espécie de aposentadoria. Esta lei se aplica tanto para quem nasce com deficiência, como para quem a adquiriu ao longo da vida, inclusive antes ou depois de ter iniciado algum trabalho remunerado. Na aposentadoria por idade a

pessoa com deficiência também tem proteção? Sim. O homem normalmente se aposenta com 65 anos e a mulher, com 60. Se for uma pessoa com deficiência, há uma redução de cinco anos. A mulher se aposenta com 55 anos e o homem com 60 anos, mas tem que ter pelo menos 15 anos de contribuição com deficiência. Mas os benefícios por incapacidade continuam existindo? Sim, houve a inclusão de mais benefícios. Quem estiver totalmente incapacitado para o trabalho continua tendo direito à aposentadoria por invalidez, inclusive, com acréscimo de 25%, se necessitar de ajuda de alguém. O auxílio-doença é para

quem está afastado, mas pode retornar ao trabalho. O auxílioacidente é para pessoas com limitação parcial. Como é apurado o grau de deficiência para redução do tempo ou da idade para se aposentar? Por meio de duas perícias. Uma com o médico e outra com um assistente social que vai avaliar, por meio de um questionário, a funcionalidade da pessoa com deficiência. Existem muitos programas de inclusão social, mas mesmo quando as barreiras sociais são superadas por modificação, adaptação ou há execução de tarefas de forma diferente ou com mais lentidão, ainda assim persiste o

1ª etapa – O segurado faz o agendamento do atendimento pela Central 135 ou no site da Previdência Social; 2 ª etapa – O segurado é atendido pelo servidor na agência da Previdência Social para verificação da documentação e procedimentos administrativos; 3ª etapa – O segurado é avaliado pela perícia médica, que vai considerar os aspectos funcionais físicos da deficiência e a interação com as atividades que o segurado desempenha; 4ª etapa – O segurado passa pela avaliação social, que vai considerar as atividades desempenhadas pela pessoa no ambiente do trabalho, casa e social; A avaliação do perito médico e do assistente social certificará a existência, ou não, da deficiência e o grau (leve, moderada ou grave). Caso o segurado não concorde, ele pode discutir a decisão da Previdência na Justiça. (G1)

Reforma da Previdência não vai mexer na aposentadoria de PcD´s Na tentativa de aprovar ainda neste ano na Câmara dos Deputados a sua reforma da Previdência, o presidente Michel Temer (PMDB) realizou uma série de mudanças no projeto que fora aprovado em uma comissão especial pelos parlamentares. Para aumentar as chances de que o impopular texto consiga o número de votos necessários, o Governo reduziu de 25 para 15 o tempo mínimo de contribuição para os trabalhadores que quiserem se aposentar pela Previdência Social. A regra vale apenas para quem

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atua na iniciativa privada. Os servidores públicos ainda terão de contribuir por 25 anos, ao menos. “O funcionalismo público tem uma estabilidade que os que trabalham na iniciativa privada não têm. Por isso, a regra é diferente”, afirmou o relator da proposta na Câmara, o deputado Arthur Maia (PPS-BA). A gestão Temer também abdicou de fazer qualquer alteração na aposentadoria rural e no BPC, um tipo de benefício destinado a deficientes físicos _ambos são considerados mais programas sociais que rendi-

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mentos previdenciários. As medidas visam amenizar as críticas, principalmente da oposição, de que a reforma retirava direitos dos brasileiros.

O principal ponto da reforma está mantido no projeto, o de estabelecer uma idade mínima para aposentadoria dos trabalhadores: homens aos 65 anos de idade e mulheres, aos 62. No Congresso, contudo, há uma onda inclusive entre parlamentares governistas de reduzir essa idade mínima para 60 e 58, respectivamente. “O que entendemos que é essencial está nessa nossa proposta. O que não impede que a Câmara sugira alterações. Não tenho como controlar isso”, afirmou o relator Maia. (El País)


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Projeto agiliza adoção e prioriza crianças deficientes no Brasil Reprodução

Plenário do Senado aprovou por unanimidade, no dia 25 de outubro, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 101/2017, que agiliza o processo de adoção de crianças e dá prioridade aos grupos de irmãos ou menores com deficiência, doença crônica ou com necessidades específicas de saúde. A preferência será inserida no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A matéria segue para a sanção presidencial. O projeto, do deputado Augusto Coutinho (SD-PE), havia sido aprovado na manhã desta terça pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) com voto favorável da relatora Marta Suplicy (PMDBSP), antes de ganhar urgência para a votação em Plenário. “Essas crianças que estão nos abrigos gostariam de ter um lar, mas é tanta burocracia que elas não conseguem ser adotadas. Demora tanto tempo para chegar ao cadastro nacional que aí elas crescem e muitas famílias se desinteressam desse processo. Esse projeto foca nesse

quando estão em um orfanato ou em famílias substitutas provisórias. Pessoas jurídicas também poderão apadrinhar crianças e adolescentes para colaborar em seu desenvolvimento.

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gargalo para agilizar os procedimentos relacionados à destituição do poder familiar e à adoção de crianças e adolescentes”, destacou. Uma das novidades do texto é a autorização do cadastro para adoção de recém-nasci-

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dos e crianças mantidas em abrigos que não forem procuradas pela família biológica em até 30 dias. O projeto ainda formaliza a prática do apadrinhamento, favorecendo menores em programas de acolhimento institucional ou familiar, ou seja,

PRAZOS Também fica limitado a 120 dias o prazo máximo para conclusão da habilitação à adoção, que poderá ser prorrogado por igual período mediante decisão judicial. E foi fixada em 90 dias a duração máxima do estágio de convivência que antecede a adoção nacional. No caso de adoção internacional, a proposta determina que esse prazo deverá oscilar entre 30 e 45 dias, prorrogável uma única vez também por decisão judicial. Outras iniciativas importantes estão previstas no projeto, como regular o procedimento de entrega, pela mãe biológica, do filho para adoção antes ou logo após o nascimento. Isso será possível quando não existir indicação do pai ou quando este também manifestar essa vontade. (Agência Senado)


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Pai ouve a voz da filha pela 1ª vez após implante coclear Reprodução

educador físico Eduardo Favaro registrou no Facebook uma das experiências mais emocionantes de sua vida: o momento em que escuta, pela primeira vez, aos 35 anos de idade, a voz da filha. Morador de Brasília, o rapaz teve meningite com 1 ano e 8 meses de vida e sofre de surdez profunda nos dois ouvidos desde então. Após ouvir o diagnóstico negativo de muitos profissionais, ele decidiu ignorar os médicos que diziam que o caso era irreversível e, há um mês, recebeu um implante coclear. O vídeo, que já acumula mais de 118 mil visualizações em poucos dias, mostra Eduardo ouvindo a voz da filha, Maria Eduarda, de 6 anos, pela primeira vez. Ele também ouviu a mãe a mulher. A emoção é tanta, que Eduardo se emociona e pede: “Pode aumentar um pouco!“. O rapaz revela que, como não havia surdos na família, ele sempre teve vontade de ouvir como os familiares. Ele passou por uma série de tratamentos na infância e

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aprendeu a ler, escrever e falar — mesmo tendo quase nada de audição. “Mesmo depois de várias tentativas em alguns centros especializados em audição e tendo resposta de que não teria possibilidade no meu caso, eu não perdi a esperança“, contou. No Facebook, Eduardo escreveu: “Gostaria de expressar o momento marcante da minha vida! Eu tive meningite quando tinha 1 ano e 8 meses de idade, ficando com surdez profunda bilateral. Quando fui crescendo foi surgindo a vontade de ouvir, como

na minha família não havia nenhum surdo, eu queria ouvir como eles. Mesmo depois de várias tentativas em alguns centros especializados em audição e tendo resposta de que não teria possibilidade no meu caso, eu não perdi a esperança. Quando temos um grande sonho, Deus coloca as pessoas certas na nossa vida. Através de um grande amigo, o Serginho, eu conheci o Dr. Fayez e ele foi o único médico que deu esperança e confiança em realizar o procedimento cirúrgico de Implante Coclear. Fiz a cirurgia no dia 19 de outubro e foi bem sucedida, tendo resposta de todos os 22 eletrodos, que são colocados dentro da cóclea. Fiz somente de um lado, o direito. Aguardei ansioso o período de cicatrização e no dia 17 de novembro fiz a ativação! Eu nem acreditei que eu poderia captar sons no primeiro dia e de fato ocorreu! Eu sempre acreditei ser possível, por mais que alguns achavam que seria impossível, só não sabia como tudo isso aconteceria”. (Veja São Paulo)


PL propõe sistema de alarme nos banheiros para PcD´s Reprodução

O projeto do deputado Maurício Picarelli (PSDB) propõe que os banheiros destinados às pessoas com deficiência, tenham um sistema de alarme para dar segurança aos usuários, em caso de acidentes no local. Eles poderão acionar desta forma os funcionários da empresa ou loja, para prestarem o devido socorro ou ajuda. O deputado justifica que chegou ao seu conhecimento, um caso de uma pessoa com deficiência, que acabou passando mal no banheiro adaptado. O acompanhante que estava do lado de fora, notando a demora, resolveu entrar no local e o encontrou desmaiado. "Se houvesse este sistema de alarme, assim que teve o incidente, ele iria acionar as pessoas para devida ajuda". Segundo a proposta, os alarme serão instalados de acordo com os preceitos da ABNT (Associação Brasileira de Nor-

mas Técnicas), sendo colocados ao lado do assento sanitário e box, a uma altura que permita o seu acionamento imediato. Os banheiros deverão ter uma placa com informações sobre a existência do alarme. Se o projeto for aprovado pelos deputados e se torne lei estadual, as lojas, empresas e prédios com banheiros adaptados para pessoas com deficiência, terão que se adequar a estas novas medidas em até 180 dias, após publicação. A proposta segue para as comissões da Assembleia, para depois ser votada pelos deputados em plenário.

Advogados deficientes terão PREFERÊNCIA NO TRT-2 Advogados idosos, deficientes e obesos terão preferência nas sustentações orais durante as sessões de julgamento do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). A regra, estabelecida pela Portaria GP 99/2017 e publicada no dia 10 de novembro, também define prioridade para advogadas gestantes, adotantes ou com criança de colo. Para esses casos, não haverá ordem de precedência, devendo ser observada a ordem cronológica de inscrição para as sustentações orais. O texto faz a ressalva de que pessoas com mais de 80 anos de idade passam na frente de idosos mais novos, como determina a Lei 13.466/2017, sancionada em julho. Atualmente, existe um formulário no portal do TRT-2 na internet em que os interessados se

inscrevem para as sustentações em segundo grau. Com a nova portaria, o formulário permitirá que o advogado informe se tem alguma das características preferenciais. De acordo com a portaria, assinada pelo desembargador Wilson Fernandes, presidente do TRT-2, a medida leva em consideração os Estatutos do Idoso, da Pessoa com Deficiência e da Advocacia, entre outras normas.Com informações da Assessoria de Imprensa do TRT-2.

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LÍGIA DE GODOY CARVALHO - TERAPEUTA OCUPACIONAL DA CLÍNICA LUDENS

INTEGRAÇÃO SENSORIAL aju Como a clínica Ludens trouxe a primeira certificação internacional para o Brasil e de que forma desenvolve um dos trabalhos mais respeitados nesse campo O que é Integração Sensorial de Ayres e como ela chegou ao Brasil? Lígia Carvalho (LC): Integração Sensorial (IS) é um termo abrangente que envolve uma teoria, um processo neurológico, um distúrbio e uma abordagem de tratamento (Bundy,2005; Mulligan,2003). Jean Ayres, terapeuta ocupacional americana foi um marco de referência para a Terapia Ocupacional e a precursora no estudo da Integração Sensorial, criando uma teoria e uma metodologia de avaliação e tratamento para crianças com disfunções sensoriais. Inicialmente foi dirigida àquelas que apresentavam distúrbios de aprendizagem e atualmente se ampliou aos portadores de disfunções neurológicas e do comportamento, que tem se beneficiado com sua aplicação em hospitais, instituições, clínicas e escolas. Até a década de 80, não havia qualquer modelo de formação para a clínica e nem profissionais com experiência e competência técnica para o exercício da IS no Brasil. Sua iniciação por aqui foi com o curso de extensão “Integração dos Sentidos”, ministrado pela terapeuta ocupacional americana Roselyn Van Benschoten, em Campinas, em 1979. A partir daí, outros cursos de formação foram sendo oferecidos e os terapeutas se capacitando. Hoje, temos a Ludens Cursos que oferece, entre outros, uma certificação internacional que habilita terapeutas ocupacionais a aplicarem esta técnica de tratamento. Quais são as pessoas que podem se beneficiar com o tratamento da Integração Sensorial? Existe limite de idade? LC: Toda criança que por alguma razão teve uma intercorrência em vida intrauterina, no nascimento ou pós-nasci-

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tica, piscina de bolinhas, entre outros materiais que favorecem a ativação de sistemas responsáveis por funções sensoriais e motoras do Sistema Nervoso Central. Além disso, outros materiais sensoriais são utilizados como grãos, tintas, esponja, buchas, escovas variadas, espuma, massas terapêuticas e plásticas com o objetivo de ativar e regular o sistema tátil.

A terapeuta ocupacional Lígia M. G. Carvalho, experiência e referência em Integração Sensorial no Brasil

mento pode ter problemas primários ou secundários que geram uma disfunção sensorial. Estas condições e os fatores sensório-motores influenciam no comportamento e no desenvolvimento das habilidades tanto para a aprendizagem como nas relações sociais. Crianças com diagnósticos de paralisia cerebral, síndromes genéticas (Down, RETT, X Frágil), atraso no desenvolvimento global, autismo - também chamado de TEA (transtornos do espectro autista)-, Síndrome de Asperger ou mesmo com disfunções sensoriais primárias podem se beneficiar do tratamento de Integração Sensorial. O quanto antes for diagnosticada uma disfunção sensorial - que em geral vem acompanhada de outras disfunções motoras, cognitivas e comportamentais -, melhor é o prognóstico e a resposta ao tratamento. Atualmente muito tem se falado da Plasticidade Cerebral que é um conceito que nos remete à capacidade plástica do cérebro de se desenvolver

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na medida que receba os estímulos e as informações adequadas à demanda, mesmo após uma lesão ou dano nesse órgão. Logo, a idade é um dado importante a ser considerado, mas não como limite para as aquisições. Nos anos 90, se considerava uma faixa de idade até 11, 12 anos, mas hoje, na prática, o que observamos é que adolescentes e adultos tem se beneficiado consideravelmente com o tratamento da Integração Sensorial, seja qual for a causa primária. Que tipo de recurso terapêutico material é necessário para a aplicação da Integração Sensorial? LC: Para a aplicação terapêutica da técnica de Integração Sensorial é necessário um ambiente apropriado e que ofereça experiências sensoriais de acordo com a necessidade específica de cada criança. A sala ou espaço tem características que se assemelham aos parques infantis, com uma estrutura que comporta balanços, escaladas, tirolesa, cama elás-

Quais profissionais estão capacitados para aplicação da IS e quais os procedimentos utilizados na rotina do tratamento? LC: O terapeuta ocupacional é o profissional habilitado e capacitado para os atendimentos de Integração Sensorial dedicados a crianças com disfunções sensoriais de distintas causas. Para tanto, é necessária uma formação específica em IS, uma certificação que prepara esses terapeutas ensinando tanto métodos e protocolos de avaliação quanto as ferramentas para a intervenção terapêutica. Os profissionais da Clínica Ludens passam por essa formação, que em geral leva de 3 a 5 anos para ser concluída. Além dos terapeutas ocupacionais, outros profissionais da saúde, como fonoaudiólogos e fisioterapeutas, podem lançar mão de estratégias sensoriais e usar como um recurso à Integração Sensorial nas suas intervenções específicas. Entendemos a importância desse conhecimento ser ampliado levando em conta que a integração dos sentidos é um campo da biologia e essencial para o desenvolvimento global do ser humano e sua saúde, independentemente do profissional que o trata. Em geral, os pacientes necessitam dos cuidados de uma equipe multidisciplinar que precisa entender a prática de sua profissão integrada com outros profissionais.


udando a organizar CORPO E MENTE Fotos: Divulgação/Assessoria

Equipamentos terapêuticos e ambiente apropriado oferecem experiências sensoriais de acordo com a necessidade específica de cada criança

O terapeuta ocupacional utiliza protocolos avaliativos para detectar as alterações sensoriais que podem estar impactando a funcionalidade para as atividades da vida diária, escolar, do brincar e das relações sociais. Após o processo de avaliação, é definida a elegibilidade ou não para o tratamento, os objetivos e as metas a serem alcançadas ao final. A Ludens oferece espaço, estrutura material e recursos humanos para a

aplicação da técnica de tratamento da Integração Sensorial com todo o cuidado e a responsabilidade necessários. Existem novidades da técnica de Integração Sensorial chegando às clínicas atualmente? Se sim, quais? LC: Hoje, felizmente, temos tido maiores oportunidades de trazer profissionais renomados tanto da América Latina como dos Estados Unidos, que anualmen-

te vem à Campinas para ensinar, treinar e demonstrar o uso de instrumentos de medidas de avaliação, tornando o processo avaliativo consistente e, consequentemente, garantindo um tratamento efetivo e respaldado por protocolos quantitativos e qualitativos. Dessa forma, a confiabilidade e eficácia do tratamento se torna algo palpável e efetivo. Além disso estamos engajados em pesquisas na Integração Sensorial que até então

eram desenvolvidas apenas em países da América do Norte, algumas na América Latina, com crianças desses países. Hoje isso se ampliou e estamos participando atualmente de duas pesquisas internacionais sobre protocolos que pretendem medir a responsividade sensorial das crianças brasileiras típicas e não típicas. Fabiana Schoqui Assessoria de Imprensa

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Conheça os perigos do

DIABETES GESTACIONAL

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comum ocorrer um problema ou outro durante a gravidez, por mais que a mulher sonhe com uma gestação totalmente saudável, intercorrências podem aparecer como, por exemplo, o diabetes gestacional. O problema nada mais é do que uma alteração hormonal que causa a intolerância a carboidratos. Segundo a endocrinologista, Dra. Amália Lucy Querino, "o diabetes gestacional nem sempre pode ser prevenido porque parte do problema está relacionado às alterações hormonais típicas da mulher grávida causadas pela placenta para assegurar alimento (açúcar) ao embrião. A disglicemia é a alteração metabólica mais comum na gravidez, sendo o diabetes gestacional a forma mais prevalente, definido como uma alteração da glicemia de qualquer grau, detectada pela primeira vez nos exames do pré natal. A ocorrência da doença tem aumentado nas últimas décadas, devido dois importantes fatores de risco: a prevalência do sobrepeso na população e ao fato de as mulheres estarem adiando a hora de engravidar, esperando muitas vezes estabilidade profissional", explica. Também pode acontecer de a mulher já ser diabética antes da gravidez, nesse caso há um risco maior de malformações, pois o açúcar alto interfere na fertilização e implantação do embrião, afetando de modo par-

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ticular a organogênese. Esse fato faz aumentar o risco de aborto precoce, defeitos congênitos graves e retardo no crescimento fetal, sobretudo nos casos tratados de maneira inadequada. Além das complicações fetais, as manifestações maternas também são relevantes, em especial naquelas mulheres que já eram diabéticas antes de engravidar, uma vez que o estado gestacional pode causar ou piorar complicações prévias, como retino, neuro, nefro e vasculopatia diabéticas. Não é incomum de a mulher só descobrir que é diabética nos exames do pré-natal. Por isso, o ideal é uma gestação programada e, na presença de fatores de risco (obesidade, idade maior que 35 anos e história familiar) aconselha-se o rastreio de dia-

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betes, para evitar aquelas complicações da fase inicial mencionadas. Tanto o diabetes prévio quanto o diabetes que aparece na gravidez aumentam risco de parto prematuro e ganho de peso exagerado do bebê, além de complicações neonatais, como hipoglicemia e icterícia. Três em cada 10 gestantes continuam diabéticas após o parto. "Esse é um dos motivos para a recomendação de mulheres se submeterem a novo exame de glicemia de jejum cerca de dois meses depois do parto. Mulheres que já eram obesas antes da gravidez têm mais risco de continuar diabéticas", diz a especialista. Muitas vezes a doença aparece na segunda metade da gestação, na medida em que a

placenta amadurece e libera mais hormônios. A única maneira de saber é fazendo o teste de glicose no pré-natal e, se necessário, o teste de tolerância a glicose, em que a gestante toma um líquido doce e coleta-se o sangue para saber como o corpo reage. “Acima de tudo a prevenção continua sendo o melhor remédio. Caso não haja contraindicação obstétrica inicie ou não deixe de fazer atividade física e mantenha uma alimentação equilibrada evitando grande quantidade de carboidratos e bebidas açucaradas” alerta. Mas faça tudo sempre com orientação médica, assim você conseguirá controlar o açúcar durante toda a gestação", finaliza Amália. (Fonte: Toda Comunicação)


Pacientes com Alzheimer contarão com novo medicamento no SUS s pacientes que sofrem com o Alzheimer terão mais uma opção de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento “Memantina” foi incorporado 9 de novembro, pelo Ministério da Saúde e estará à disposição da população em até 180 dias nas unidades de saúde do país. O novo fármaco, que será ofertado em comprimidos, proporcionará melhor qualidade de vida dos pacientes com esta doença, que afeta um terço da população idosa. A decisão da oferta do medicamento no SUS ocorreu após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) em julho deste ano. “A incorporação é uma luta antiga de representantes e pacientes que

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sofrem com a doença. É uma conquista significativa que influenciará favoravelmente na qualidade de vida dos doentes e cuidadores”, afirmou Marco Fireman, Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. O mal de Alzheimer atinge 33% da população com mais de 85 anos de idade. No Brasil, estima-se que haja 1,1 milhão de pessoas com a doença. O Alzheimer é neurodegenerativo, causado pela morte progressiva de células do cérebro, prejudicando funções como memória, atenção e orientação e linguagem, o que gera graves consequências para qualidade de vida dos pacientes. TRATATAMENTO O Protocolo Clínico de Dire-

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trizes Terapêuticas sobre a Doença de Alzheimer foi criado em 2002 e atualizado em 2010 e 2013. O documento estabelece o tratamento multidisciplinar e deve envolver os diversos sinais e sintomas da doença. Apesar de não ter cura para a doença de Alzheimer, o tratamento e o cuidado adequados nos diversos pontos de atenção Rede SUS podem proporcionar uma maior sobrevida e mais qualidade de vida. O tratamento proporciona alívio dos sinto-

mas e a estabilização ou retardo da progressão da doença, proporcionando mais autonomia e independência funcional pelo maior tempo possível. Por isso a importância do trabalho multidisciplinar ofertados nos serviços especializados em reabilitação, com a presença de fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e suporte psicológico e familiar, buscando evitar e/ou retardar a perda das funcionalidades e habilidades cognitivas. Tais serviços são ofertados na Rede SUS nos Centros Especializados em Reabilitação. Atualmente, o Brasil conta com 139 Centros Especializados em Reabilitação habilitados pelo Ministério da Saúde para realizar diagnóstico e ofertar o tratamento. (Agência Saúde)

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Parar em vaga de deficiente vai ter multa 5 vezes maior no Brasil

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Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa aprovou projeto que aumenta a multa em cinco vezes do condutor que estacionar indevidamente seu veículo em vaga destinada a idoso ou pessoa com deficiência (PL 3575/15). O texto prevê ainda que, caso haja reincidência no prazo de 12 meses, o condutor tenha suspenso o direito de dirigir e pague ainda o valor da multa em dobro daquela primeiramente aplicada. O projeto altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97). Atualmente, a legislação já prevê a infração como gravíssima, punida com multa. A proposta original, do deputado Pedro Vilela (PSDB-AL), previa detenção de seis meses a dois anos para o motorista que cometer a infração. A relatora

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na comissão, deputada Leandre (PV-PR), alterou o projeto por entender que punição era desproporcional. “Os crimes de trânsito são extremamente graves, como o ato de praticar homicídio ou lesão corporal culposos na direção de veículo automotor ou ainda potencialmente capazes de atentar contra a vida de terceiros. Por mais reprovável que seja a atitude de ocupar indevidamente uma vaga destinada a idosos ou a pessoa com deficiência, ela não se reveste desse caráter”, afirmou Leandre. TRAMITAÇÃO O projeto, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisado pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Agência Câmara)

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Obesidade predispõe ao glaucoma, diz oftalmologista de Campinas Reprodução

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ais da metade dos brasileiros, 53,8%, está acima do peso e 30 milhões são obesos de acordo com uma pesquisa divulgada este ano pelo Ministério da Saúde. Segundo o oftalmologista, Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier de Campinas o sobrepeso e a obesidade podem prejudicar a visão. Isso porque, predispõem ao glaucoma que é apontado como a maior causa de cegueira irreversível pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A doença atinge mais de 2 milhões de pessoas no Brasil e cerca de 60 milhões no mundo. Queiroz Neto explica que em 90% dos casos é caracterizada pelo aumento da pressão intraocular. O tratamento é feito com uso contínuo de colírio para evitar a escavação do nervo óptico e perda definitiva do campo visual. Em outros 10% a pressão se mantém normal, até 21,5 mmHg, mas alterações metabólicas provocam os mesmos danos à visão que a pressão intraocular alta. “Por isso no glaucoma de pressão normal as terapias variam conforme as alterações sistêmicas que possam estar colocando a visão em risco, como por exemplo a hipertensão arterial, diabetes, apneia do sono, neurite óptica, esclerose múltipla ou qualquer outro problema sistêmico que possa provocar glaucoma”, pontua. A obesidade pode induzir a muitas dessas doenças

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periódicos que meçam a endotelina 1 nos grupos de risco: maiores de 40 anos, obesos, negros e quem tem familiares com glaucoma. NA RETINA O médico ressalta que outro grupo de pesquisadores descobriu uma camada de células da retina que sofrem alterações antes dos primeiros sinais de glaucoma. Por isso, pondera, os grupos de risco devem .fazer anualmente uma OCT (Tomografia de Coerência Óptica) que examina todas as camadas de células da retina. Isso porque as células do fundo do olho são irrecuperáveis

sistêmicas e é por isso que predispõe ao glaucoma, explica. O oftalmologista afirma que o maior desafio do glaucoma é o diagnóstico precoce. Prova disso é que mais da metade dos brasileiros só descobrem a doença em estágio avançado. Isso porque, rouba a visão sem apresentar sintomas. O problema é que um levantamento feito pelo médico com 814 pessoas mostra que 47% acreditam que qualquer alteração na visão pode ser percebida logo no início. “Na verdade, a maioria das doenças oculares não são percebidas logo que aparecem”, afirma o médico. BIOMARCADOR PLASMÁTICO A boa notícia é que pesquisadores acabam de identificar

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biomarcadores que podem sinalizar a iminência do glaucoma antes da doença aparecer. Um desses biomarcadores está no plasma. Queiroz Neto conta que uma metanálise de 13 estudos mostra que o exame de sangue dos portadores de glaucoma contém maior concentração no plasma de endotelina 1 que o do grupo sadio de controle. O médico explica que a endotelina 1 é um peptídeo que responde pelo estreitamento dos vasos. Por isso, quando o exame de sangue revela maior concentração desta substância pode indicar risco de hipertensão arterial, diabetes e glaucoma antes dessas doenças aparecerem. Significa que o glaucoma pode ser prevenido por exames de sangue

ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO Para manter a pressão intraocular sob controle outras alternativas de tratamento elencadas pelo oftalmologista são a aplicação de laser que pode reduzir a pressão intraocular, embora nem todos deixem de usar colírio. O mais novo tratamento para glaucoma é um dispositivo que pode ser implantado na malha trabecular durante a cirurgia de catarata. O implante reduz a pressão intraocular, desviando o humor aquoso para um canal do globo ocular. Só pode ser colocado, conclui, em que tem glaucoma inicial ou moderado, mas a maioria das pessoas fica livre do uso de colírios. (Assessoria)


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Doença aumenta risco de amputação

O MAL DO SÉCULO Diabetes e seus malefícios

egundo estudos, no Brasil há mais de 14 milhões de pessoas com diabetes, número que representa 6,9% da população. E os casos não param de crescer, em alguns deles, o diagnóstico demora, favorecendo o aparecimento de complicações. De acordo com o nutrólogo Máximo Asinelli, do hospital de Medicina e Cirurgia do Paraná e da Asinelli Clínicas, "a diabetes acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir o hormônio chamado de 'insulina' em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou também porque este hormônio não é capaz de agir da maneira adequada no organismo", explica. A diabetes comumente classifica-se em dois grupos: Tipo 1 e Tipo 2, porém também é possível encontrar a pré-diabetes e também os de casos específicos, como a diabetes gestacional. Máximo destaca que no Tipo 1, o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina em decorrência de um defeito do sistema imunológico, fazendo os anticorpos atacarem as células que a produzem. "Essa forma de diabetes é resultado da

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destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico", diz. O Tipo 2 aparece quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz; ou não produz insulina suficiente para controla a taxa de glicemia. "Cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o Tipo 2. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar", alerta. Dependendo da gravidade, ele pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose. A diabetes gestacional é o aumento da resistência à ação da insulina na gestação, que faz aumentar os níveis de glicose no sangue diagnosticado pela primeira vez na gestação. Pode ser transitório ou não e, ao término da gravidez, a paciente deve ser investigada e acompanhada. "Na maioria das vezes ele é detectado no terceiro trimestre da gravidez, através de um teste de sobrecarga de glicose. As gestantes que tiverem história prévia de diabetes gestacional, como perdas fetais, má

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formações fetais, hipertensão arterial, obesidade ou história familiar de diabetes não devem esperar o 3º trimestre para serem testadas, já que as chances de desenvolverem a doença são maiores", alerta Máximo. A maioria das pessoas não sabe o que é pré-diabetes. O termo é usado quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas não o suficiente para um diagnóstico de Diabetes Tipo 2. Obesos, hipertensos e pessoas com alterações nos lipídios estão no grupo de alto risco. "É importante destacar que 50% dos pacientes nesse estágio 'pré' vão desenvolver a doença. O pré-diabetes é especialmente importante por ser a única etapa que ainda pode ser revertida ou mesmo que permite retardar a evolução para o diabetes e suas complicações", exalta o médico. Assim como Diabetes Tipo 2, o pré-diabetes pode chegar à sua vida sem que você perceba. Ter consciência dos riscos e buscar o diagnóstico é importante. Perder de 5 a 10% do peso por meio de alimentação saudável e exercícios faz uma grande diferença na qualidade de vida. (Portal Na Mira)

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil tem aproximadamente 14 milhões de pessoas vivendo com a doença. Nesse universo, cerca de 1 milhão de pacientes desenvolverão úlceras e 200 mil precisarão passar por amputações, das quais cerca de 40 mil levam o indivíduo a óbito. O risco de um pessoa com diabetes sofrer uma amputação é 25 vezes maior do que o de um indivíduo sem a doença, sendo que cerca de 10% dos pacientes podem sofrer amputação de membros inferiores, causados pelo pé diabético – infecção, ulceração ou qualquer tipo de destruição dos tecidos dos pés. “Esses números são muito preocupantes. Infelizmente, ao não controlar adequadamente a glicemia (nível de açúcar no sangue) e o uso correto de medicamentos, criam-se condições para o aparecimento de complicações que afetarão sensivelmente a qualidade de vida do paciente e da sua família”, esclarece o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), Dr. Fadlo Fraige Filho. Entre as complicações microvasculares da doença estão os danos nos nervos – que podem levar à diminuição da sensação de dor e agravar feridas existentes nos pés – nos rins e nos olhos – que podem evoluir para insuficiência renal e cegueira, respectivamente. Ainda de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 40% e 70% de todas as amputações das extremidades inferiores estão relacionadas ao diabetes[iv], sendo que 85% delas são precedidas de uma ulceração nos pés4. “Se essas lesões fossem evitadas ou tratadas adequadamente na fase inicial seria possível impedir a perda do membro, por isso é tão importante a prevenção e o controle do diabetes”, complementa o presidente da ANAD.


Servidora diminui carga horária para cuidar de filha com Down Reprodução

ma decisão judicial permitiu a uma mãe o direito de cuidar da filha de nove meses com Síndrome de Down. A partir de agora, a servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) vai trabalhar metade da carga horária diária, sem redução salarial e sem o dever de posterior compensação das horas não trabalhadas em expediente. A sentença da 7ª Vara Cível da Justiça Federal publicada na última sexta-feira (10/11) é assinada pelo juiz Eduardo Rocha Penteado. O magistrado acatou o pedido da mãe de flexibilização da jornada para ter tempo de acompanhar a filha, nascida no dia 27 de janeiro deste ano, às terapias necessárias para o seu desenvolvimento. "Com efeito, a criança portadora de

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Síndrome de Down necessita de cuidados especializados, que lhe permitiam desenvolver, ao máximo, suas capacidades físicas e habilidades mentais".

No entendimento do magistrado, a mãe comprovou com documentação que a menina precisa de cuidados constantes da genitora para a manutenção

de seu bem-estar, saúde e educação. O juiz entendeu ainda a necessidade de manter o salário integral porque a redução da renda familiar seria prejudicial à criança com deficiência. Além disso, não exigiu compensação das horas, entendendo que seria tirar "com uma mão o pretendeu oferecer com a outra". Por fim, a conclusão do juiz é a de que "defiro o pedido de tutela antecipada de urgência para determinar à União que reduza a carga horária da autora em 50% (cinquenta por cento), mantendo-se o salário integral, portanto, sem redução de salário, enquanto houver necessidade de acompanhamento da filha com deficiência, sem necessidade de compensação posterior, até o julgamento da demanda", escreveu o juiz. (Correio Braziliense)

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Após levar tiro, jovem ainda tem esperanças de voltar a andar Reprodução

professora Isabel Rosa dos Santos (foto), mãe da adolescente Isadora, de 14 anos, que ficou paraplégica após ser alvejada por um colega de classe em Goiânia, disse em novembro que a menina tem “altos e baixos” e que ainda se lembra de detalhes do dia da tragédia. “Ela está bem, mas tem altos e baixos. Em alguns momentos, ela se mostra bem confiante, diz que vai sair daqui, vai voltar a andar, mas em outros ela também se pergunta por que isso aconteceu com ela. Ela se lembra de detalhes, coisas que foram ditas lá na hora, então é normal esse trauma. Ela tem 14 anos, tinha uma vida toda pela frente e agora vai ter que se reeducar”, disse a mãe em coletiva de imprensa. Isadora está internada no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), onde deve ficar por pelo menos mais 30 dias para começar o tratamento de reabilitação. Ela perdeu os movimentos e a sensibilidade da região do umbigo para baixo. Os médicos ainda não sabem

dito que ela vai se sobressair, ela é muito forte e determinada e sei que aqui o atendimento é de excelência”, arrematou. A mãe de Isadora estava ao lado do marido, Carlos Alberto Morais, e dos médicos que atendem a adolescente no Crer.

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se ela poderá recuperar os movimentos ou não, mesmo que parcialmente. “Para nós é muito angustiante ouvir tudo isso dos médicos porque a gente nunca espera que isso vai ocorrer com o filho da gente, mas com o passar do tempo acre-

O CASO A tragédia que chocou Goiânia e todo o País aconteceu no último dia 20 de outubro no Colégio Goyases, localizado no Conjunto Riviera, na capital goiana, quando um adolescente de apenas 14 anos abriu fogo contra os colegas de sala, matando dois e deixando quatro feridos. O garoto, filho de policiais militares, usou uma pistola .40 para cometer o atentado. Segundo informações de colegas, ele sofria bullying e era extremamente introvertido. O autor dos disparos foi internado após decisão judicial. Todos os outros feridos já receberam alta hospitalar. Apenas Isadora permanece internada.


Novembro Azul: câncer de próstata é o 2º mais nocivo para homens Reprodução

o dia 17 de novembro comemorou-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer da Próstata, e o mês todo também é remetido a sua conscientização. A enfermidade é considerada a segunda mais fatal em indivíduos do sexo masculino, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, de acordo com pesquisas e especialistas da área oncológica. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam que entre 2016 e 2017 surgiram cerca de 61.200 novos casos em todo o País. Segundo João Neiva, médico oncologista do Hapvida Saúde, no estágio inicial a patologia não apresenta indícios e os fatores de riscos podem aumentar a possibilidade de ocorrência. “O câncer de próstata está diretamente relacionado ao envelhe-

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cimento do homem e a alguns fatores como a hereditariedade com parentes de 1º grau que desenvolveram a doença. Dentre os sintomas mais comuns, estão à dificuldade para iniciar ou finalizar a urina, gotejamento após o término da urina e redução da força do jato urinário”, explica Neiva. No início do tratamento, são analisados o estágio em que doença se encontra, se o paciente possui doenças sistêmicas e as contraindicações a determinado procedimento escolhido para tratar a enfermidade. O tratamento pode ser feito com cirurgia, radioterapia ou quimioterapia – para destruir ou inibir o crescimento de células cancerosas que formam o tumor –, embora, em alguns quadros, os métodos podem ser combinados. Os casos de pacientes com

alto risco do reaparecimento do câncer ou nos quais o tumor não está restrito à próstata são caracterizados como fase avançada ou metastática. Em função disso, recomenda-se a utilização do bloqueio hormonal, cujo intuito é bloquear a produção de testosterona (hormônio

masculino), que intensifica o crescimento do tumor, interrompendo as células tumorais. Conforme explica o oncologista, a prevenção torna-se o melhor remédio e aumenta a probabilidade de cura. Manter hábitos saudáveis, praticar atividades físicas, evitar obesidade, não fumar, consumir alimentos mais saudáveis e menos condimentos ou industrializados são orientações importantes para evitar alterações no estado de saúde. “Estas medidas básicas previnem a grande maioria das doenças mais predominantes e que causam mais mortes na nossa ‘era moderna’, como, por exemplo, a hipertensão, diabetes, problemas cardíacos, infarto e AVC, além de oferecer às pessoas uma melhor qualidade de vida”, conclui Neiva. (Fonte: Assessoria)

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Biomagnetismo: um novo aliado no tratamento de autistas esenvolvido no fim da década de 80 pelo médico mexicano Isaac Goiz Durán, o tratamento com biomagnetismo tem avançado cada vez mais no Brasil. Os resultados impressionam médicos e, principalmente, os pacientes e suas famílias. Apesar de indicado para várias doenças e transtornos como aterosclerose, déficit de atenção, fibromialgia, tendinites, síndrome do intestino irritável, esclerose múltipla (em fase inicial), com resultados positivos, é no tratamento do autismo que o biomagnetismo tem avançado de forma significativa. Um exemplo disso ocorreu em Campinas (SP), com Murilo Radomile, de 5 anos. Diagnosticado como autista hiperativo, o menino não conseguia sequer conversar com a mãe. Sua hiperatividade o deixava excluído de

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festas e atividades familiares. Utilizando procedimentos como a homeopatia e o biomagnetismo, a terapeuta Michela Costa, do Rio de Janeiro, conseguiu, após 8 meses de tratamento, fazer com que o jovem fale normalmente, faça todas as atividades escolares e interaja com os amigos e familiares. “No tratamento, são utilizados magnetos potentes para controlar parasitas, bactérias, fungos, vírus e outros microorganismos, que são a causa de várias doenças”, explica Michela. “A patologia está localizada no órgão ou tecido com desequilíbrio entre cargas iônicas positivas e negativas. No momento em que é atingido o equilíbrio biomagnético (frequências celulares) e bioquímicos (PH, neurotransmissores, neuroreguladores, hormônios e enzimas) isso é corrigido e o

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problema desaparece.” Foi o que também ocorreu com o adolescente Angelo Fernandes, de 17 anos, também de Campinas. Ele tinha uma situação ainda mais grave. Além do autismo de nível severo, o jovem sofria da Síndrome do X Frágil, doença que causa debilidades intelectuais, problemas de comportamento e de aprendizado. Angelo não conseguia interagir nem mesmo com a própria família (em suas diversas crises de fúria costumava agredir familiares). “Ele não conseguia sentar à mesa, jogava tudo no chão e ainda se automutilava”, lembra Michela. “Tudo o incomodava, era angustiado e inquieto. Nesse caso, achei que não conseguiria ter resultados positivos, pois já estava muito comprometido.” Contudo, após 6 meses de tratamento, usando técnicas

como biomagnetismo e cease therapy (desintoxicação), a vida de Angelo melhorou significativamente. Hoje, ele passeia no shopping, conversa com as pessoas e participa de atividades sem problemas, além de sentar à mesa com todos. Não se mutila mais e nem apresenta crises de agressividade. “Ele está muito tranquilo e o autismo já não interfere em sua rotina. A síndrome ainda persiste, mas está praticamente controlada", afirmou a terapeuta, que atua em parceria com médicos, responsáveis pelas prescrições. Aliás, o tratamento com biomagnetismo geralmente é feito de forma associada a outras terapias, como homeopatia, Floral de Bach e acupuntura. Dessa forma, busca-se maior equilíbrio e, consequentemente, melhores resultados. (Fonte: Orla Comunicação)


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Enem leva a sociedade a repensar a inclusão nas escolas Reprodução/Pixabay

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tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, que tratou dos desafios para a formação educacional de surdos no Brasil, surpreendeu muitos professores e candidatos por abordar uma questão tão específica. Mas para cerca de 6 mil alunos com surdez ou deficiência auditiva que fizeram a prova, o assunto foi uma oportunidade para debater os problemas vividos no dia a dia. A estudante Gleice Genaro diz que não consegue descrever a emoção que sentiu ao ver o tema da redação do Enem. Ela é surda congênita e estudou em escolas de surdos até o ensino fundamental. “No ensino médio, comecei a estudar em uma escola pública onde não tinha a acessibilidade, mas meus amigos me ajudavam muito. Hoje também já enfrento as barreiras na faculdade. Eu não tenho a acessibilidade e, além disso, faltam intérpretes de Libras (Língua Brasileira de

Sinais) nas aulas”, conta. Esta foi a segunda vez que a estudante fez o Enem. Ela já ingressou na faculdade de direito, mas quis prestar o exame neste ano novamente para experimentar o novo recurso da videoprova traduzida em Libras, oferecido pela primeira vez em 2017. O recurso é importante porque muitos surdos e deficientes

auditivos têm a Libras como primeira língua e o português como segunda, o que dificulta o entendimento da prova no formato tradicional. Para Gleice, a possibilidade de fazer o Enem com a videoprova em Libras significa uma experiência única e histórica. “Foi a melhor prova de minha vida, afinal foi a única que fiz em vídeo em Libras, uma verdadeira inclu-

são”, descreve. Ela já tinha feito a prova com intérpretes de Libras, mas sentiu dificuldade. “Apesar de eu ser bilíngue, não chego ao mesmo nível de pessoas que têm a Língua Portuguesa como majoritária”, diz. O Enem deste ano teve 1.925 solicitações de atendimento especializado para surdez e 4.390 para deficiência auditiva. (EBC)

Jovem surdo teve aparelho retirado durante a prova Reprodução

Apesar de o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano ter chamado atenção para a inclusão das pessoas com deficiência auditiva, com uma proposta sobre "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", os fiscais de um local de prova na cidade de Santa Barbara D'Oeste, em São Paulo, obrigaram um candidato de 17 anos a retirar seu aparelho auditivo durante a realização do exame. No comprovante de inscrição do rapaz, constava que ele é surdo, mas, ainda assim, ele foi obrigado a sair da sala, passar pelo detector de metais e ficar sem o aparelho usado no ouvido direito. O pai do estudante, Lourival Francisco Ribeiro, registrou um boletim de ocorrência em uma delegacia da cidade no mesmo dia. “Meu filho estava fazendo o

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Enem no domingo, quando, umas 15h, os fiscais pediram para ele se levantar, passar pelo detector de metais, retirar o aparelho e colocar num saquinho plástico. Não devolveram mais e ele teve que terminar a prova assim”, conta o pai, acrescentando que um episódio desse tipo nunca havia acontecido na vida escolar do filho, que estuda em colégio público. “É um trauma que ele vai levar para sempre, não vai esquecer”. CONFUSÃO COM PONTO ELETRÔNICO Ribeiro afirma que, segundo relato do filho, os fiscais da Faculdade Anhanguera, onde ele realizava o exame, acharam que o aparelho auditivo seria um ponto eletrônico para possibilitar cola. O menino tem surdez severa nos dois ouvidos, mas,

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enquanto o esquerdo não dá qualquer resposta a aparelhos tradicionais, o ouvido direito é capaz de ouvir com a ajuda do dispositivo. Na época em que foi comprado, custou R$ 6,4 mil — com desconto —, lembra o pai. Mas, depois do episódio durante a prova do Enem, o aparelho não funciona mais. “Não sei o que fizeram com ele, mas está quebrado. E, sem o aparelho, nem tem como mandar meu filho para fazer o segundo

dia de prova do Enem”, lamenta Ribeiro. O pai conta que, apesar do boletim de ocorrência, não houve até o momento qualquer retorno do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal que organiza o Enem. De acordo com o Inep, o candidato não teria informado que era deficiente auditivo e que, como o aparelho usado por ele se parecia com um ponto eletrônico, "a abordagem do aplicador em retirá-lo para verificação teria sido para evitar fraudes no Exame", mas "jamais" para constrangê-lo. Além disso, o Inep afirmou, por meio de nota, que se responsabilizirá pelos custos do conserto do aparelho - manuseado, segundo o órgão, apenas pelo candidato. (Fonte: O Globo)


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