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EXPEDIENTE

SUMÁRIO

JORNAL GENTE CIENTE A SERVIÇO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

FUNDADOR: José Luiz Gennari (Zelão) em memória DIREÇÃO: Maria Inês Gennari Guimarães DIREÇÃO COMERCIAL: José Roberto Guimarães EDIÇÃO: João Carlos Lage (MTb 47.175/SP) GENTE CIENTE COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA. R. Dona Luísa de Gusmão, 555 Sala 5 Lagoa Office - Taquaral Campinas - SP Cep: 13.088-028

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8 Tese universitária mapeia cotidiano de pacientes com Alzheimer. 12 UNICAMP LANÇA GUIA DE ORIENTAÇÃO PARA DEFICIÊNCIA NEUROMOTORA. 22 Mesmo sem contribuir para o INSS, deficientes têm direito ao BPC.

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GOVERNO PAULISTA BUSCA PARCEIROS PARA GESTÃO DO CENTRO PARAOLÍMPICO.

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IMAGEM DO MÊS

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ÁREAS DE ATUAÇÃO DO GENTE CIENTE RMC - Região Metropolitana de Campinas 20 CIDADES

Outras áreas São João da Boa Vista + distribuição São José do Rio Pardo via Correios para assinantes n Rio Claro de todo o Brasil n Limeira

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Mogi Mirim n Mogi Guaçu n Piracicaba

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VOLTA POR CIMA Jakson Follmann, um dos poucos sobreviventes da tragédia com o avião da Chapecoense, teve um dia especial no dia 7 de agosto. O jogador perdeu uma parte da perna direita no acidente, mas vestiu o uniforme, calçou as chuteiras e deu o pontapé inicial da partida contra o Barcelona,

válida pelo Troféu Joan Gamper. Nas redes sociais, Andressa Perkovski, noiva de Follmann, postou uma imagem do goleiro ao lado de Neto e Alan Ruschel, outros sobreviventes, e descreveu o momento vivido por eles como "épico, emocionante e de grande alegria". (Fonte: R7) GENTE CIENTE - AGOSTO 2017

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Fotógrafa cria álbum sensorial para pais cegos

Reprodução

A gaúcha Márcia Beal, que produz ensaios fotográficos de gestantes e recém-nascidos, ficou surpresa quando recebeu em seu estúdio o casal Jorge e Carlise Vieira – ambos eram cegos, mas pretendiam fazer as fotos da filha para mostrar a amigos e à família. Ao fim do ensaio, Márcia teve a ideia de entregar algo além das fotografias ao casal. Jorge, aliás, cego desde o nascimento, não tinha a concepção do que pudesse ser uma foto. Assim, com a ajuda do designer Hayaks Winter e o artista visual Marco Escada, Márcia iniciou um projeto que entregaria aos pais nove meses depois – um álbum sensorial, com imagens tridimensionais do rosto do

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bebê Natália, de forma que os pais pudessem relembrar usando o tato, além de objetos (como lacinhos que a criança usou), texturas – como tecidos das roupas – e cheiro do perfume da criança. Textos em braile descrevem as cenas fotografadas, contando se a criança está dormindo, se sorri, que roupas usa, se está junto com os pais. Por enquanto, o álbum foi feito apenas para os pais de Natália. “O custo é alto e não fica financeiramente viável”, diz Márcia, que está à procura de apoio de empresas ou institutos para dar continuidade ao projeto e poder oferecer o serviço com preço acessível para pessoas com deficiência visual. “Lembrar-me de Jorge e Carlise dizendo que era a primeira vez que estavam vendo uma fotografia sem ser pelos olhos de outra pessoa me enche de emoção até hoje”, diz. (UOL)

Célia Leão protocola ação contra faculdade de SP Uma estudante de artes visuais da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), de São Paulo vem enfrentando os piores desafios para acessar seu local de estudos. Paloma Barbosa, de 23 anos, é cadeirante e encontra pela frente o mesmo problema da maioria das pessoas com deficiência em todo o Brasil: a falta de acessibilidade. No começo de agosto a estudante teve que ser carregada pelo Corpo de Bombeiros para que pudesse ter acesso ao 1º andar do prédio onde estuda, pois o mesmo não possui elevador, conforme determina a legislação. O caso ganhou grande repercussão na mídia e nas redes sociais. A deputada estadual Célia Leão (PSDB), que tem como principal bandeira de trabalho a defesa dos direitos das pessoas com deficiência, entrou com uma representação contra

Reprodução/Alesp

a FMU em São Paulo. “Desde 1988 a nossa Constituição, em seu artigo 5º, garante a todas as pessoas o direito de ir e vir, sem barreiras. Estamos em 2017, um novo século, um novo milênio, é inaceitável que uma instituição, ainda mais de ensino superior, não cumpra à risca e com respeito, os direitos básicos das pessoas, garantindo aos seus estudantes o mínimo de dignidade. Nossa briga é constante, diuturna, incansável e vigilante”, ressalta Célia Leão. A representação junto ao MP exige que a faculdade restabeleça imediatamente o direito da Paloma e de todos os que precisam de atendimento específico.


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ARTIGO - VAGNER ALVES

Cadê a Chave ivemos hoje um momento de igualdade de oportunidade, e dentro deste olhar, temos as pessoas com deficiência. Diferente de há 40 anos, percebemos, muitas pessoas com algum tipo de deficiência nas ruas, faculdades, órgãos públicos, empresas e eventos em geral. As pessoas estão aproveitando sua vida e se inserindo na sociedade. Como todo ser humano, também a pessoa com deficiência, ou pessoa com mobilidade reduzida, precisa ir ao banheiro quando está no mercado, shopping ou órgãos públicos. Bem, encontrar um banheiro adaptado até que não é difícil, pois com as exigências legais os estabelecimentos comerciais e órgãos públicos, estão se adequando e seguindo a lei e, principalmente a NR 9050. O complicado por incrível que possa

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parecer é, encontrar, a chave para destrancar esses locais. Isso mesmo, com quem fica a chave para abrir o banheiro? Uma pessoa, me relatou que viveu situações constrangedora, em um grande supermercado de Valinhos (SP). Pois ao se dirigir ao banheiro, encontrou o fechado. Perguntou para um funcionário, que disse para ela se dirigir até o balcão de informações, lá a fila para informações estava grande. conclusão. Não ela não fez na roupa, foi embora com vergonha de ter que ficar dando explicações. Ouvindo esse relado, fui verificar alguns locais da cidade e para minha surpresa, todos os locais que possuem o banheiro adaptado estavam trancados. O argumento das gerências é de que se deixar destrancado, pessoas sem deficiência irão usar. Mas, e daí? Que usem. O que é deselegante, cons-

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trangedor é a pessoa precisar usar o banheiro e ter que se dirigir ao balcão de informações, para pedir a chave do banheiro, sem contar que estamos falando de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, que neste caso, terá mais dificuldade para ficar andando atrás de informações. Outro aspecto negativo é, todo mundo ficar sabendo que a pessoa precisa fazer seu xixi, ou o número dois, quando seria mais fácil deixar aberto para uso deste público, e se outras pessoas usarem, paciência. Esses locais podem desenvolver campanhas internas de conscientização. Um segundo ponto é, que os empresários e gestores por falta de informação na hora da construção, deste locais, transformam o banheiro em uma mini UTI, com maca, suporte para todos os lados, material de pri-

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meiros socorros, ao entrar num banheiro para pessoas com deficiência, parece ter entrado numa unidade de terapia intensiva. Como dica, deixe os banheiros para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida destrancado, caso contrário, dependendo da vontade, vai que não dá tempo de esperar chegar a chave. VAGNER ALVES é radialista e consultor de acessibilidade em Valinhos e na região de Campinas.


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PcD´s que nunca contribuíram com o INSS podem receber o BPC Reprodução

dosos a partir dos 65 anos e deficientes físicos ou intelectuais de qualquer idade podem receber do INSS um salário mínimo mensal, atualmente em R$ 937, sem nunca ter contribuído para a Previdência Social. Isso porque o governo federal mantém para esse grupo de pessoas um benefício assistencial. É o Benefício da Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/Loas), que está garantido a quem tem baixa renda. Pode ser buscado diretamente em uma agência do INSS. Porém, é preciso ficar atento aos diversos requisitos para conseguir o auxílio. No caso do benefício para os idosos, além do critério da idade (mais de 65 anos), há a condição de ter renda familiar inferior a um quarto do salário mínimo vigente por pessoa, ou seja, R$ 234,25. O idoso também não pode receber qualquer outro benefício da Seguridade Social ou de outro regime, inclusive o seguro-desemprego. Já para o deficiente obter esse auxílio,

so ou deficiente tenha contribuído ao INSS. Sua função é dar renda mensal a quem não tem condições de trabalhar, no caso de deficientes e, no caso dos idosos, complementar uma renda familiar. É um auxílio de caráter alimentar, porém, muitas vezes, deixa de ser concedido porque as pessoas não sabem que têm direito”, explica.

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é preciso estar impossibilitado de participar de forma ativa na sociedade e em igualdade de condições com as demais pessoas. Nesses casos, os beneficiários passam por perícia. O advogado previdenciário Murilo Aith destaca que, muitas vezes, pessoas que precisam da renda deixam de receber por desconhecerem as regras ou até a existência do benefício. “É um benefício assistencial, por isso, não é necessário que o ido-

CADASTRO O governo exige um cadastro prévio para que o idoso ou o deficiente peça o BPC. É necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico). LOCAIS O CadÚnico é feito nas agências do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) de cada município. RENDA Os segurados que recebem essa modalidade de assistência (BPC) não têm direito ao 13º salário pago pelo INSS. (Fonte: Jornal Extra)


Empresa cria bonecas e bonecos com Down para inspirar crianças brincadeira é a linguagem universal das crianças. Brincando, os pequenos assimilam as informações do mundo e constroem seus primeiros referenciais do outro e de si mesmas. Por isso, é essencial pensar em qual perfil de brinquedo oferecemos à criança, afinal, quanto mais diversidade existir neste momento, mais ampla será sua visão de mundo. A educadora e pesquisadora Waldorf Nina Veiga explica que "a boneca é uma expressão da linguagem, é uma maneira de expressar simbolicamente aquilo que nos cerca". É desse entendimento que surgem bonecas de perfis variados, como a coleção de Barbies presidentes, criadas com o intuito de inspirar meninas a aspirar

Reprodução

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carreiras de liderança e subverter, ou mesmo as bonecas criadas pelas próprias famílias, na intenção de estimular os filhos a se sentirem representados naquele brinquedo, como a mãe que costurou uma boneca com manchas na pele para a filha. Agora, a marca australiana

Leave It To Leslie - Conhecendo necessidades específicas na primeira infância, especializada em brinquedos de assistência à infância, inclusivos e multiculturais, lançou uma linha de bonecas e bonecos com características físicas de pessoas com síndrome de Down. Com isso, o brinquedo fun-

ciona não só como elemento de identificação para crianças com essa condição genética, mas também como propulsor de uma maior diversidade para as outras crianças. Afinal, o respeito, a tolerância e a empatia começam na infância. Na página de apresentação do brinquedo, com linguagem bem didática e acessível, há uma descrição explicando o que é a síndrome, para estimular as famílias e começar um diálogo sobre o assunto. Por enquanto, a boneca é comercializada somente pela internet, por meio do site da empresa, mas pode servir de inspiração para marcas brasileiras que se preocupem em oferecer brinquedos inclusivos e representativos da diversidade da infância. (Catraquinha Livre)

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HORROR Islândia aborta 100% dos bebês diagnosticados com Down m por ano. Talvez dois. Essa é a taxa de nascimento de pessoas com síndrome de Down na Islândia. Mas o que o país está fazendo não é a erradicação da síndrome de Down, e sim a erradicação das pessoas com síndrome de Down: 100% dos bebês diagnosticados com a condição ainda no útero são abortados no país. Os poucos sortudos que continuam nascendo não tiveram a condição detectada no exame pré-natal. O país escandinavo, de apenas 330 mil habitantes, é o primeiro a levar ao limite uma tendência que já se verifica em outros países. Na Dinamarca, o aborto vitima 98% dos bebês diagnosticados com síndrome de Down. No Reino Unido, a porcentagem chega a 90%. Na França são 77%

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e nos Estados Unidos 67%. Na Islândia, a lei permite que o bebê seja abortado mesmo depois de 16 semanas de gestação, em casos de deformidade do feto, o que, segundo a compreensão da lei islandesa, inclui a síndrome de Down, mesmo diante do fato de que a condição permite que seus portadores vivam normalmente, com uma expectativa de vida média de 60 anos, na grande maioria das vezes. Os exames pré-natais que detectam más-formações e outras características do feto não são obrigatórios na Islândia, mas por volta de 80% a 85% das gestantes optam por realizá-los. No Hospital Universitário de Landspitali, onde nascem cerca de 70% dos bebês islandeses, Helga Sol Olafsdottir é a funcionária res-

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ponsável por aconselhara as gestantes que detectaram alguma anomalia cromossômica em seus bebês. “Esta é a sua vida – você tem o direito de escolher como quer que ela seja”, é o que ela diz às mulheres. As mães que optam pelo aborto tratam o fato com uma estranha normalidade. Chamam o bebê de “meu filho” e, depois do procedimento, fazem uma visita ao corpo do bebê, lhe dizem adeus e chamam pastores para uma pequena cerimônia religiosa. É comum fazer cartõezinhos com o nome do bebê, uma oração e a impressão dos seus pezinhos. “Não vemos o aborto como assassinato”, explicou Olafsdottir. “Nós damos fim a uma possível vida que poderia ter tido uma complicação enorme… Prevenimos o sofrimento para essa criança e para a família”. Agnes Sigurðardóttir, bispa da Islândia e líder da Igreja Evangélica Luterana da Islândia, diz que a sua igreja não é nem a favor nem contra o aborto. “Na

Islândia existe apenas um pequeno grupo de pessoas que são contra o aborto. Bem pequeno, bem invisível”. A fotógrafa Sigga Ella tem uma tia com a condição. Para combater o preconceito e a eugenia de que os portadores da síndrome têm sido alvos, Ella clicou 21 portadores de síndrome de Down com idades entre 9 meses e 60 anos e produziu uma série de retratos chamada First and foremost I am – “Antes de tudo e mais do que tudo, eu sou”. Já Thordis Ingadottir é ativista pelo direito das pessoas com síndrome de Down desde 2009, quando a sua filha Agusta nasceu com a condição. Na época, os exames mostraram que o seu bebê tinha 1 em 1,6 mil chances de ter a síndrome. “Espero que, quando crescer, Agusta esteja plenamente integrada a esta sociedade com as suas próprias condições. Este é o meu sonho”, disse Ingadottir à rede CBS. “Em que tipo de sociedade você quer viver?” (Fonte: Sempre Família/CBS)


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ALZHEIMER, para além da doença O

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diagnóstico da doença de Alzheimer não é algo simples. Depende dos exames clínicos realizados por médicos, da análise da história do paciente e de uma avaliação aprofundada de suas funções cognitivas. É comum que o médico esteja atento ao cotidiano do paciente e geralmente se leva em conta se a pessoa consegue se vestir, comer, tomar banho, etc. A perda da memória, da cognição e da linguagem é apontada como parte de um processo de “dissolução do self”, expressão usada por neurologistas. Ou seja, a pessoa não se reconhece mais. Mas há uma potência nisso, apesar de parecer assustador, de acordo com Daniela Feriani, autora da tese de doutorado “Entre sopros e assombros: estética e experiência na doença de Alzheimer”. “Há outras possibilidades de ser pessoa”, adianta. A pesquisa foi defendida na área de antropologia social do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, com orientação da docente Guita Grin Debert. O objetivo da tese foi mapear um campo de relações em torno da doença de Alzheimer. “Percorri os fios que foram tecendo a doença em um emaranhado de sujeitos, campos, imagens, tanto na composição do diagnóstico como na experiência e na estética”, detalha Daniela. Para desenvolver o trabalho ela recolheu uma série de imagens, metáforas sobre a doença, ensaios fotográficos, vídeos de campanhas de conscienti-

Reprodução/Pixabay

zação, blogs escritos por pessoas em processo demencial e obras de arte feitas por um artista diagnosticado com Alzheimer. Também observou os gestos e cenas envolvendo pacientes e familiares que acompanhou em consultas na neurologia e na psiquiatria geriátrica de um hospital universitário. Além disso, a pesquisadora participou de reuniões da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Algumas famílias foram escolhidas para visitas domésticas. Sem gravador ou papel para anotar, “apenas disposta a ver e ouvir”, Daniela passou tardes nas casas de pessoas com Alzheimer e observou cenas cotidianas. “Numa das visitas, vi uma senhora aflita porque acreditava que o macaco da novela invadiria a sala”. Esse tipo de reação é comum no dia a dia daqueles que convivem com a doença e faz parte do que a pesquisadora considera um “cotidiano assombrado”, quando as atividades domésticas mais Daniela Feriani, autora da tese de doutorado

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banais podem se tornar assustadoras. “Tentar mudar o canal da televisão com o chinelo, vestir uma camisa como se fosse calça, não conseguir ligar a máquina de lavar, usar detergente para cozinhar, entrar de roupa para tomar banho, convidar a imagem do espelho para passear são parte desse cotidiano”, salienta a pesquisadora. OUTRO MUNDO POSSÍVEL Assombrado, assustador, mas também, possível e potente, como coloca a autora da pesquisa. O cotidiano dos pacientes e também cuidadores das pessoas com Alzheimer se equipararia a um outro mundo, com outras referências. “Mostro como é outro mundo, o mundo às avessas da demência, no qual memória e alucinação, terror e humor, demência e lucidez, rotina e criatividade se sobrepõem”, afirma. Segundo a pesquisadora, ainda que a linguagem verbal possa ser perdida, há outras formas de expressão. “O rosto de cada pessoa diz muito, e seus gestos também falam. Encontrei grande quantidade de rostos em fotografias e pinturas sobre a doença, como se contassem algo que não pode mais ser contado por palavras. Se as neurociências elegeram o cérebro como conceito-imagem da noção de pessoa, a contra-narrativa da doença de Alzheimer elegeu o rosto, com suas expressões e distorções”, acentua. A tese procura mostrar ain-

da como a doença abala paradigmas médicos e filosóficos. A autora buscou diálogos com o xamanismo e a literatura para pensar outras noções de pessoa, doença e realidade. “O xamanismo e a literatura me ajudaram a pensar no devir outro, no delírio, no espelho como metamorfose. Porém, se lá eles compõem pessoa e modo de conhecer, na clínica são sintomas patológicos”. Daniela afirma que a doença pode ser uma “subjetividade diferenciada”, um modo de vida, um outro mundo possível, e que o cuidador pode tentar partilhar desse mundo. “Muitas pessoas com a doença de Alzheimer querem voltar para a casa da infância, fazem as malas, conversam com os pais que já morreram. Em vez de negar, a recomendação dos médicos e da ABRAz é ser criativo, mudar o foco, ou entrar no mundo deles. ” No mapeamento do campo de relações que envolve a doença de Alzheimer, Daniela procurou mostrar o quanto ela é plural e “nebulosa”. “Entre a epidemia e a incerteza, a doença de Alzheimer revela uma obscuridade epistemológica e ontológica, aparece como estranheza, ‘embrolho’. Em meio à névoa, vi os borrões, mas também os vaga-lumes: um olho que brilha, uma mão que segura o cobertor, os pingos d’água depois do banho, a borra de café na xícara, uma piada, uma dança, uma queixa, um desejo”. (Jornal da Unicamp)


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Olhos podem revelar Alzheimer 20 anos antes dos sintomas Reprodução

m exame ocular não invasivo poderá detetar a doença de Alzheimer duas décadas antes de os primeiros sintomas começarem a surgir, sugere novo estudo. O exame foi criado por investigadores do Cedars-Sinai Medical Center, um hospital em Los Angeles, no estado norte-americano da Califórnia. Já foi testado em 16 pacientes e mostrou ser tão preciso quanto a tomografia por emissão de positrões (PET, na sigla em inglês) – uma técnica de imagiologia que necessita que o paciente seja injetado com uma substância radioativa. No teste feito aos 16 indivíduos com doença de Alzheimer, estes tiveram de tomar uma bebida que inclui curcumina, um componente natural do açafrão.

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A curcumina faz com que a placa amilóide na retina ‘acenda’ e seja detetada pelo exame aos olhos – o mesmo que é feito pelos oftalmologistas para dete-

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tar problemas como glaucoma ou degeneração macular. Os indivíduos envolvidos no teste foram comparados a um grupo de pessoas mais jovens

e cognitivamente saudáveis e os investigadores descobriram que os resultados que obtiveram no exame aos olhos eram tão precisos quanto ops encontrados através de métodos invasivo padrão – análise do cérebro postumamente. Como reporta o Jornal Daily Mail, os especialistas dizem que esta descoberta é um dos maiores avanços da investigação ligada à doença de Alzheimer até o momento, oferecendo o primeiro sinal de um teste económico e não invasivo. "As descobertas sugerem que a retina pode servir como uma fonte confiável para o diagnóstico da doença de Alzheimer", disse a principal autora do estudo, a Dra. Maya Koronyo-Hamaoui, neurocirurgiã no Cedars-Sinai. (Notícias ao Minuto)


Inteligência artificial acelera busca por medicamentos contra a ELA obôs de inteligência artificial estão acelerando a corrida para encontrar novos medicamentos para combater a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A enfermidade, também conhecida como doença de Lou Gehrig, ataca e mata as células nervosas que controlam os músculos, provocando fraqueza, paralisia e, por fim, insuficiência respiratória. Existem apenas dois remédios aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA para retardar a progressão da esclerose lateral amiotrófica, uma disponível desde 1995 e outra aprovada apenas este ano. Cerca de 140 mil novos casos são diagnosticados por ano globalmente e não há cura para a doença, conhecida por afetar o físico Stephen Hawking (foto).

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“Muitos médicos a consideram a pior doença da medicina e a demanda não atingida é enorme”, disse Richard Mead, do Sheffield Institute of Translational Neuroscience, que descobriu que a inteligência artificial já está acelerando seu trabalho. Robôs (softwares complexos que são executados por

computadores poderosos) trabalham como super-pesquisadores incansáveis e imparciais. Eles analisam enormes bancos de dados químicos, biológicos e médicos, ao lado de resmas de artigos científicos, muito mais rápido do que humanamente possível, produzindo novos alvos biológicos e possíveis remédios.

Um candidato a medicamento proposto por tais máquinas produziu recentemente resultados promissores na prevenção da morte de células do neurônio motor e atraso no início da doença em testes pré-clínicos em Sheffield. Caso a pesquisa produza novos medicamentos, marcaria uma vitória notável para a inteligência artificial na descoberta de remédios, impulsionando as perspectivas de um crescente número de startups focadas na tecnologia. Estas empresas estão se baseando na premissa de que, embora os robôs de inteligência artificial não substituam cientistas e médicos, podem economizar tempo e dinheiro, descobrindo fármacos muito mais rapidamente do que os processos convencionais. (O Globo)

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ARTIGO - ALESSANDRA TRIGO

Reprodução assistida e os direitos da pessoa com deficiência Reprodução

presente trabalho vem demonstrar o quanto a Lei Brasileira de Inclusão avançou ao reconhecer expressamente, no disposto do art. 18, inciso VII, como direito da pessoa com deficiência à reprodução humana assistida, de forma gratuita, pelo Sistema Único de Saúde. Portanto, ela supriu uma lacuna legislativa e eliminou qualquer possibilidade de não atendimento por parte do Poder Público desse direito. Embora muitas decisões judiciais já a admitiam como inerente ao cidadão – com ou sem deficiência - não havia até a promulgação da Lei Brasileira de Inclusão nenhuma lei expressa nesse sentido. Tais decisões, dotadas de uma interpretação sistemática e que caminhava de encontro ao nosso ordenamento jurídico, o Poder Judiciário quando provocado, na sua grande maioria, propugnava como um direito inerente do cidadão a concessão de todo o procedimento necessário visando assegurar, de forma ampla, à reprodução humana assistida, em atendimento a um direito fundamental inviolável: a saúde, com fulcro no contido no art. 196 da CF/88. Isso porque esse direito deveria ser entendido como um estado completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas na ausência de doença ou de enfermidade. Além disso, problemas de infertilidade, quando não tratados, poderiam ocasionar transtornos mentais e psicoló-

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gicas graves. Somado a isso, reconhecia que o deferimento do direito à reprodução humana assistida respeitava um dos princípios mais importantes descritos na Constituição Federal: a dignidade da pessoa humana. Afinal,. é direito das pessoas fazerem o planejamento familiar de acordo com suas convicções (art. 226, §7º, da CF). Existem várias formas de reprodução humana assistida. De forma resumida ela pode ocorrer: a) por meio de inseminação artificial, onde a fecundação ocorre no próprio corpo da mulher, a qual se apresenta de três formas: 1) homóloga (quando a fecundação se der entre gametas provenientes do próprio casal – óvulo e sêmen), 2) homóloga post mortem (quando a introdução do esperma con-

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servado ocorrer no aparelho reprodutor feminino após a morte do doador/cônjugue) e 3) heteróloga (quando ao menos um dos componentes genéticos introduzidos no aparelho reprodutor feminino for estranho ao casal); b) fertilização in vitro, também conhecida como bebê de proveta, onde não há relação sexual e nem introdução de material genético no corpo da mulher antes da formação do embrião. Todo o procedimento – fecundação do óvulo pelo esperma - ocorre por meio de tubo de ensaio. A partir daí, os embriões são implantados no aparelho reprodutor feminino. Por conseguinte, não temos dúvidas de que a sociedade brasileira enfrenta várias questões polêmicas. No tocante a quem tem direito à reprodução humana assistida isto não é diferente. Na sua interpretação, devemos reconhecê-la de forma ampla ao cidadão, sem distinção de raça, religião, credo político, condição econômica ou social. Assim sendo, numa sociedade moderna, na interpretação do direito, tais questões descortinam-se com os preconceitos e não se consideram as vertentes religiosas. Ocorre a revalorização das diferenças inerentes a cada indivíduo no que se refere à sexualidade, afe-

tividade e biologia. Dessa forma, outorga-se, sem restrições, o direito à reprodução humana assistida a solteiros (ausência de relacionamentos afetivos), viúvos ou casados, independente do sexo – homem ou mulher - e da opção sexual - heterossexual ou homossexual. Partindo de todo o exposto, não temos dúvidas de que as pessoas são senhoras dos seus próprios destinos, atos e modos de vida. Para muitas delas, a expectativa de ter um filho é muito mais que um sonho de liberdade, é um desejo intrínseco, desde a tenra idade, atuando como um vetor de toda uma vida, que deve ser respeitado e proporcionado pelo Estado. Nessa seara de raciocínio cabe a nós, operadores do direito, transformar e lutar para que a legislação seja cumprida de maneira a garantir à reprodução humana assistida a toda pessoa com deficiência que assim deseje, de modo que essa tal felicidade faça parte de sua vida, em respeito à sua dignidade. Sob essa perspectiva, encerro com as palavras de Epicuro: “não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça e não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade”. Divulgação

ALESSANDRA TRIGO possui deficiência física (Osteogêneses imperfecta), é servidora pública federal, mestre em Direito Constitucional, palestrante, autora do livro: "OI, não é o fim, é só o começo".


Divulgação/Volvo

Volvo Cars lança Novo XC60 no Brasil

Segunda geração do utilitário esportivo mais vendido no mundo pela marca chega em setembro para se tornar referência também no segmento para pessoas com deficiência ito anos depois de sua primeira aparição e mais de 1 milhão de clientes conquistados ao redor do mundo, a Volvo Cars apresenta no mercado brasileiro o Novo XC60, utilitário esportivo de luxo que chega às 29 concessionárias da rede em setembro em três versões de acabamento: Momentum, Inscription e R-Design. Veículo mais vendido da marca também no Brasil, com 18 mil unidades comercializadas, o Novo XC60 é o passo seguinte no plano de transformação da fabricante sueca, iniciado em 2015 com o XC90. Pela grande ambição depositada no modelo, a Volvo desenvolveu a segunda geração do SUV sobre a inovadora plataforma modular SPA (Scalable Product Architecture), a mesma dos carros da série 90 (XC90, S90 e V90). Sua versatilidade permitiu reunir em um só automóvel design refinado, interior sofisticado, recursos ainda mais avançados de segurança e dirigibilidade que colocam o Novo XC60 em um outro patamar de seu segmento.

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Divulgação/Volvo

IDENTIDADE VISUAL O Novo XC60 é a expressão pura do design escandinavo ao combinar robustez com visual elegante e refinado. O exterior combina um capô longo, para-lamas alargados

e vincos de linhas ascendentes que confirmam a presença imponente do modelo. A forte personalidade da dianteira é expressada pelo mais avançado sistema de iluminação entre seus concorrentes. Na traseira, a lanterna característica que identifica o modelo se conecta com a geração anterior. Agora com feixes de LED, o conjunto ótico elevado apresenta um desenho ainda mais marcante que se prolonga na tampa do portamalas. INTERIOR SOFISTICADO O interior do Novo XC60 utiliza materiais naturais e luxuosos por toda a cabine. Madeira, metais genuínos e detalhes esculpidos estão em harmonia com o design escandinavo. Além de desfrutar de um interior requintado, os passageiros contam com mais espaço proporcionado pela maior distância entre os eixos, ampliada em 9 centímetros quando comparado à geração anterior do modelo. Outro destaque é o sistema de entretenimento e conectividade Sensus Connect, acessível pela tela antirreflexo sensível ao toque de 9 polegadas de LCD no painel central, que reúne praticamente todos os comandos do veículo em um úni-

co lugar. Além disso, o sistema Sensus integra o Volvo On Call atualizado, um serviço de segurança, proteção e conveniência que oferece assistência 24h, auxílio de emergência e localização, em caso de roubo ou furto. Extremamente útil, permite ao condutor, por meio de seu aplicativo no smartphone, controlar o nível de combustível, trancar e abrir as portas, climatizar a cabine à distância, dar partida remota e enviar destinos para o sistema de navegação, por exemplo. DIRIGIBILIDADE O Novo XC60 foi projetado para proporcionar ao consumidor a experiência mais prazerosa de direção a bordo de um SUV médio de luxo. Para isso, o utilitário esportivo chega equipado com tração integral AWD (All Wheel Drive), sempre amparado por um controle dinâmico de estabilidade e tração. O controle absoluto do veículo se dá também por meio de diferentes modos de condução. São cinco no total, que alteram rotação para mudança de marcha, resposta do acelerador, suspensão e peso da direção. CONFORTO E SEGURANÇA O novo XC60 é um dos carros mais seguros já fabricados pela indústria automotiva. Repleto de novas tecnologias, o modelo chega ao Brasil equipado com o inovador City Safety, que foi atualizado no veículo e inclui um assistente de direção, que entra em ação quando a frenagem automática sozinha não seria suficiente para evitar uma colisão em potencial. Nessas circunstâncias, o carro oferece assistência à manobra para evitar o obstáculo à frente. O sistema City Safety opera para evitar colisão contra veículos, ciclistas, pedestres e até animais de grande porte, atuando tanto de dia quanto durante a noite.

O SUV de segunda geração também disponibiliza como itens de série sistema de alerta de mudança de faixa, sistema de proteção em saída de estrada, sistemas de proteção contra impactos laterais e lesões na coluna cervical, alerta de colisão frontal e sistema de monitoramento de pressão dos pneus. O Novo XC60 incorporou benefícios da tecnologia de segurança introduzida nos carros da série 90 como uma abordagem estratégica de desenvolver sistemas de segurança automotivos baseados na segurança na vida real. A visão da marca é de que ninguém morra ou sofra lesões graves num veículo novo da Volvo até 2020. O sistema de limpeza do parabrisa do Novo XC60 também evita outras situações indesejadas, como grande quantidade de líquido desperdiçado, líquido que pode atingir passageiros com janelas abertas ou mesmo no veículo que se encontra atrás dele. Outra grande novidade do Novo XC60 é a possibilidade de ser adquirido por pessoas com deficiência com a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Por todas as suas características técnicas e tecnológicas o veículo passar a ser uma das melhores opções para este público em todo o Brasil. Confira abaixo os modelos com os valores especiais para pcd´s. Mais informações sobre os veículos Volvo podem ser obtidas no site www.volvocars.com.br. GENTE CIENTE - AGOSTO 2017

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Cresce o número de pessoas com autismo no mercado de trabalho

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Divulgação

les têm alto índice de concentração, foco e objetividade. Possuem habilidades específicas em organização, facilidade no cumprimento de regras e normas, são pontuais e responsáveis. Estes são alguns dos motivos que têm levado cada vez mais pessoas autistas a serem absorvidas pelo mercado de trabalho. “Desde dezembro de 2012, a pessoa com TEA (Transtorno do Espectro Autista) é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais, conforme estabelecido pela Lei n° 12.764/2012. Portanto, é relativamente nova a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho por meio da Lei de Cotas, um mecanismo afirmativo para garantir a equidade de pessoas que ao longo da vida sofrem preconceitos e desigualdades em nossa sociedade”, ponderou a assessora técnica do Departamento de Assistência Social da Fundação FEAC, Regiane Costa Fayan. Há um ano, a Associação para o Desenvolvimento dos Autistas de Campinas (Adacamp), entidade parceira da Fundação FEAC, realiza, por meio do Programa de Inclusão – Mercado de Trabalho, acompanhamento e atendimento a jovens e adultos que possuem o diagnóstico de TEA, com perfil de alto funcionamento. Esta iniciativa, conquistada por intermédio do Programa de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS/ PCD) visa,

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de maneira gratuita, capacitar, encaminhar, acompanhar e monitorar mais pessoas com TEA para inserção no mercado de trabalho, com ações para desenvolver as habilidades funcionais, sociais e laborais. E ainda promove, nas empresas, orientação sobre o autismo e as características do indivíduo inserido, para estimular e adequar o comportamento e contato social, para uma melhor adaptação do funcionário. “Uma das características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a falta de sociabilidade. Mas, se o ambiente da empresa estiver preparado para recebê-lo e os colaboradores abertos para conhecer o autista sem preconceito, o resultado será positivo para ambos os lados”, frisou a coordenadora geral da Adacamp, Roseli Cruz Guirao. Gabriel Franzine Marciano, 21 anos, é um dos exemplos de sucesso dos esforços da Adacamp. Chegou ao restaurante onde trabalha na cidade de Valinhos/SP por meio de um anúncio de jornal visto pela equipe técnica da instituição. “Eles me ligaram e perguntaram se a vaga poderia ser preenchida por uma pessoa com TEA, formada em gastronomia. Claro que eu concordei. Só avisei que a entrevista seria igual para todos os outros candidatos”, relatou o chef Márcio Viggiano. Gabriel trabalha como assistente na cozinha do Gió Cucina há oito meses. Segundo o chef, a espe-

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cialidade dele é confeitaria, mas assume também a correria do dia a dia junto com a brigada da cozinha. Uma das sobremesas do cardápio leva a assinatura de Gabriel. O ‘Quenelle de Chocolate com Terra de Cacau’, uma mistura de chocolate, uísque e caramelo. “Ela foi criada para um menu exclusivo de Páscoa. Foi o resultado de pesquisas e de experiências de algumas técnicas e sabores”, explicou o assistente. Ele tem planos, para daqui um ano e meio, estudar fora do Brasil. A escola já está definida, Le Cordon Bleu, na cidade de Ottawa, no Canadá, onde Gabriel irá se especializar em confeitaria. PROGRAMA DE INCLUSÃO O programa é realizado por uma equipe formada por uma coordenadora, uma assistente social, uma psicóloga, uma terapeuta ocupacional e dois assistentes terapêuticos. A preparação é feita antes dos atendidos assumirem as vagas no mercado de trabalho, desde a preparação para a entrevista até o que enfrentarão quando já empregados, como receber ordem, seguir regras, e saber lidar com problemas e conflitos que venham a acontecer. Aborda também sobre como irão geren-

ciar o salário que recebem. “Eles não sabem como usar o dinheiro, pois não têm repertório social. Para mudarmos esse cenário realizamos passeios, saídas para compras ou para tomar lanche. Estas vivências contribuem muito”. A equipe dá suporte também quando eles já estão inseridos no mercado de trabalho, pois é justamente nesta fase que podem aparecer as dificuldades. Dentro de cada empresa há uma pessoa destacada para ser a referência deste novo trabalhador, que será também o canal de comunicação com a entidade. “São eles que nos atualizam sobre as evoluções ou sobre os problemas, quando ocorrem, para que possamos solucioná-los com rapidez”, observou a terapeuta ocupacional, Carolina De Carlo Meza Felisberto. E esta missão é com os acompanhantes terapêuticos que se deslocam até o local de trabalho e avaliam a demanda que será trabalhada em equipe. Caso o problema tenha a ver com a postura dos demais funcionários, é realizada uma readaptação com os colaboradores da empresa. “Se percebemos que a empresa não está entendendo o que é o autismo, é feita uma capacitação”, explicou a terapeuta ocupacional. A Adacamp atende, neste projeto, pessoas com TEA de Campinas e região. Na cidade, por ser referência no atendimento a autistas, a entidade tem parceria com várias empresas (Fonte: Feac Campinas)


AUTISMO e perspectivas serão tema de evento em Ribeirão Preto Reprodução

m outubro, Ribeirão Preto receberá o 3º Encontro Panda Intervenção Precoce e Desenvolvimento Infantil - “Avanços no Brasil”, em que serão discutidos o Autismo e suas perspectivas terapêuticas. O evento, promovido pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento e Aprendizagem (Fundação Panda), é voltado para educadores, profissionais da saúde, pais e cuidadores, e tratará da dedicação à intervenção precoce na redução do risco para o desenvolvimento infantil em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O encontro contará com a presença de nomes importantes da área, como o médico neuropediatra referência no assunto Erasmo Barbante Casella, que falará sobre as crianças

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com TEA; Graciela Pignatari, da Tismoo, que tratará sobre genética e Autismo; Dra. Maria Carolina Martone, que abordará a avaliação comportamental da criança com TEA; entre outros. O evento está marcado para do dia 21 de outubro, das 8h30 às 17h, no Iguatemi Empresarial (Shopping Iguatemi), localizado na Avenida Luiz Eduardo de Toledo Prado, 870. As inscrições podem ser realizadas no site da organização e custam R$ 170 (1º lote até 20/09) e R$ 200 (2º lote de 21/09 a 20/10). Grupos com mais de quatro pessoas podem solicitar a inscrição promocional pelo valor de R$ 160, por meio do e-mail administrativo@fundacaopanda.com.br ou pelo telefone (16) 3637-4290, para ter acesso ao código promocional. (Revide)

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Deficiência intelectual deixa de ser um impeditivo para o casamento Reprodução

nir-se a alguém e constituir uma nova família é o desejo e projeto de vida de muita gente. O Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionado em julho do ano passado e em vigor desde janeiro de 2016, possibilita a realização deste sonho a pessoas com algum tipo de deficiência intelectual. Há seis meses, em Artur Nogueira – cidade localizada no interior de São Paulo –, foi oficializada a primeira união deste tipo no Brasil, graças à nova lei. Antes, para se casarem no cartório, os noivos dependiam do consentimento de seus pais ou responsáveis legais, além da elaboração de uma ação judicial, que exigia a autenticação de um juiz, não concedida por magistrados mais conservadores. Agora, porém, basta que o casal leve os documentos, apresente as testemunhas e assine um papel que atesta a espontânea vontade de ambos de se tornarem cônjuges. Cláudia Grabois, presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência do IBDFAM, explica que, após a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

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(CDPD) – adotada pela ONU e ratificada no Brasil em 2008 – e a adoção da Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015), as pessoas com deficiência intelectual passaram a gozar de todos os direitos, em igualdade de condições com os demais cidadãos. Segundo ela, o movimento em prol do deficiente é mundial, e cada país contratante se obriga a ofertar acessibilidade para que

os 33 artigos de conteúdo da CDPD sejam cumpridos. “O Brasil ratificou também o protocolo facultativo, e presta contas a ONU a cada dois anos. Neste sentido, no meu entendimento, a lei nacional (de inclusão) vai ao encontro da Convenção, ao eliminar barreiras que impedem o acesso”, afirma. Com isso, são assegurados aos portadores de deficiência (mental/intelectual) direitos sexuais e reprodutivos, além da garantia de uma vida autônoma. “Se anteriormente as pessoas com deficiência mental ou intelectual necessitavam de autorização judicial para casar em cartório, podemos dizer que, a partir da CDPD, o 'tempo' do judiciário diminuiu. Contudo, foi com o Estatuto da Pessoa com Deficiência que esses indivíduos passaram a ter direito de contrair matrimônio, sem depender de curatela e anuência para isso”, conta Cláudia. Estando sob curatela ou não, essas pessoas têm agora a oportunidade, caso queiram, de realizar o sonho do casamento e constituir família, sob a tutela da legislação vigente. (Fonte: IBDFAM)

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Unicamp lança guia de orientação para deficiência neuromotora Divulgação/Unicamp

cada meia hora nasce no mundo uma criança com paralisia cerebral. No Brasil, estima-se que hoje haja cerca de 40 mil casos novos de paralisia cerebral por ano. O último censo do IBGE (de 2010) apontou que 2,8 crianças brasileiras de zero a quatro anos têm algum tipo de deficiência neuromotora, provocada por lesões ou infecções nos centros e vias nervosas que comandam os músculos – em qualquer fase da vida da pessoa – ou por uma degeneração neuromuscular, cujas manifestações exteriores podem ser fraqueza muscular, paralisia ou falta de coordenação. Esse quadro tem um forte impacto na relação familiar. Os pais acabam vivenciando fases de luto, choque, negação, aceitação, adaptação e muitas dificuldades no dia a dia para oferecer cuidados a essa criança. Mas, na maior parte das vezes, o que os pais mais necessitam é de apoio e de orientações para uma situação que pode ser progressiva. A maior incidência dentre as patologias de deficiência neuromotora é a paralisia cerebral. Em segundo lugar, aparece a Síndrome de Down. Fruto de observação na sua prática clínica, a pesquisadora Jenifer Silva de Souza, que apresentou seu mestrado à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp sob orientação da professora colaboradora Keila Knobel há cerca de

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Jenifer e Keila mostram o novo guia

um ano, com financiamento da Capes, verificou que essa problemática precisava ser compartilhada e orientada. Como resultado, acaba de lançar com Keila Knobel o Guia Ilustrado para Cuidadores de Crianças com Deficiências Neuromotoras, destinado a pais e cuidadores. Esse novo guia está disponível eletronicamente no site da Editora Memnon. Os interessados podem se cadastrar gratuitamente e fazer download da obra. Ela traz orientações básicas, com foco principalmente na estimulação precoce, termo que hoje não é tão empregado, embora seja essencial para auxiliar em casa esses familiares logo que recebem o diagnóstico de que seus filhos têm algum problema motor ou cognitivo.

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O guia traz orientações de posicionamento para os mais variados decúbitos (sentado, de pé, com apoio, decúbito lateral, como que se posiciona e estimula) e é ilustrativo, com desenhos das posições para os pais compreenderem e estimularem seus filhos. Uma das sugestões contidas na obra é que, ao brincar com a criança, ela seja colocada de barriga para baixo e receba estímulos. O cuidador deve segurá-la de modo a deixar as mãos livres para alcançar os objetos. Alguns recursos criativos para os pais nas atividades do dia a dia das crianças são almofadas, câmaras de pneu, calças, entre outros. "São ferramentas acessíveis e baratas mencionadas no guia para colaborar com a população mais

carente, nosso público-alvo”, salienta Keila. No final da obra, há algumas dicas de brinquedos e brincadeiras, como por exemplo usar garrafas de estimulação, que podem ser feitas com garrafas de água. Nelas são introduzidos objetos como bolinhas de gude, gliter com água, objetos coloridos, para as crianças irem atrás e pegarem. A caixa de estimulação pode ser feita de papelão, de caixa de sapato, etc. Basta colocar objetos, fechar a caixa e incentivar a criança com deficiência a ir ao encontro deles. Há também algumas massinhas comestíveis feitas em casa com farinha que devem ser manipuladas pela criança. Jenifer conta que o guia já está sendo útil para as mães da pesquisa, tanto que muitas expressaram que gostariam de terem tido acesso a esse material muito antes. O plano da fisioterapeuta agora é estudar o impacto do guia em várias comunidades. "O que mais desejamos é que o guia seja recebido pelas pessoas que precisam dele. Para isso, contaremos com a ajuda de outros profissionais da saúde, de clínicas, escolas, universidades, ambulatórios, unidades básicas de saúde e interessados, a fim de popularizar esse material”, acrescenta Keila Knobel. Leia mais em www.unicamp.br


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SUS não tem recursos para atender demanda por aparelhos auditivos

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coordenadora-geral da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Odília de Sousa, reconheceu que os recursos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para aparelhos auditivos são insuficientes, principalmente porque a demanda é cada vez maior com o envelhecimento da população brasileira. "O gestor repassa o recurso para os serviços, mas nunca é suficiente para que seja feito todo esse atendimento", afirmou a coordenadora, em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados em agosto. Estima-se que 20 milhões de brasileiros tenham algum problema auditivo – desse total, mais de 2 milhões com deficiência severa. Para estes, o SUS disponibiliza aparelhos

Reprodução

auditivos, mas a fila de espera chega a três anos. O representante da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, Fayez Bahmad Júnior, afirmou que, diante da impossibilidade de se atender a todas as pessoas com deficiência auditiva, a prioridade do SUS deve ser o diagnóstico precoce, que permite o desenvolvimento normal em crianças. "A partir do diagnóstico precoce, os nossos bebês teriam direito à reabilitação auditiva precoce, que é fundamental porque o nosso cérebro precisa disso: de um diagnóstico precoce e de uma reabilitação precoce", declarou. Atualmente, o teste da orelhinha – como ficou conhecida a triagem auditiva neonatal – só é realizado em 30% dos recém

nascidos. A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), que propôs a audiência, reconheceu que já houve avanços, mas afirmou que é preciso garantir mais recursos. Ela afirmou que, somente em seu estado, existem 7.500 pessoas à espera de um aparelho auditivo. "Avançamos? Avançamos sim, mas precisamos encurtar essa distância que existe entre o tempo do diagnóstico, que já é muito longo, e o acesso aos equipamentos", disse Carmen Zanotto. A audiência foi promovida

pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; e de Seguridade Social e Família da Câmara. A perda auditiva é mais comum em pessoas acima de 60 anos, mas pode acometer pessoas mais novas, principalmente pela exposição constante a lugares barulhentos ou a uso de fones de ouvido por períodos longos e em volume alto. Três em cada mil crianças nascidas vivas apresentam perdas auditivas. Entre os idosos, a proporção é de um a cada três. Em crianças, a deficiência auditiva atrapalha o desenvolvimento cognitivo e motor; em idosos, causa o isolamento e a depressão; em adultos, dificulta o ingresso no mercado de trabalho. (Agência Câmara)

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Colômbia inaugura primeiro bar inclusivo para deficientes auditivos Reprodução

uas moças estão sentadas em uma mesa de madeira rústica e acendem uma luz. É assim que elas chamam pelo garçom no primeira cafeteria para surdos na Colômbia. Erin Priscila Pinto e Carol Aguilera são amigas de longa data e há pouco tempo têm à disposição um lugar público em Bogotá adequado a suas necessidades: o Sin Palabras Café Sordo, situado no tradicional bairro de Chapinero, em meio a outros bares temáticos. Os clientes dividem-se quase por igual entre surdos e pessoas que podem ouvir. A música está no mesmo volume que estaria em um bar convencional. A diferença é que, aqui, as mãos são as protagonistas. Adaptações. O Sin Palabras conta com telas exibindo vídeos musicais que têm interpretação simultânea em linguagem de sinais e uma plataforma de madeira no chão que transmite a vibração da música. “É a primeira vez que posso sentir a música, gosto muito disso porque é a primeira vez que posso dançar”, explica Priscila, 23, estu-

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dante de fotografia audiovisual, em linguagem de sinais. Os seis garçons do Sin Palabras também são surdos. Embora boa parte da sua clientela desconheça a linguagem de sinais, conseguem comunicar-se e responder aos pedidos dos clientes com gestos ou escrevendo. Além disso, há cartilhas com os sinais básicos da linguagem colombiana de sinais para os clientes que não a conhecem ou querem aprender mais sobre ela.

Para Juan Carlos Villamil, 26, um dos garçons, os clientes costumam surpreenderse, mas, no fim das contas, acabam familiarizando-se com a linguagem de sinais. “A comunicação com os que ouvem no início costuma chocar porque não nos entendemos, mas você faz com que flua”, diz. Além da música e do cardápio, escrito no alfabeto manual, há jogos de mesa como Jenga e dominó. “É o primeiro bar na Colômbia e em Bogotá que é comunicacional, visual e sensorialmente adequado para esse público”, explica María Fernanda Vanegas, uma das três proprietárias. Ela acrescenta que o bar faz com que pessoas não surdas se adaptem aos que não ouvem, e não o contrário, como sempre acontece. María Fernanda e seus sócios, Cristian Melo e Jessica Mojica, nenhum deles com deficiência auditiva, esperam que o Sin Palabras seja frequentado pela maioria dos 54.092 surdos que vivem em Bogotá, segundo o Instituto Nacional para Surdos. (Fonte: O Tempo)


Parar em vaga de PcD´s em shoppings vai dar multa em SP Reprodução

Prefeitura de São Paulo anunciou que vai multar quem estacionar em vagas reservadas para idosos e deficientes em locais particulares, como supermercados e shoppings, a partir de 1º de setembro. A multa estabelecida pelo decreto será no valor de R$ 293,47, além de o motorista infrator perder 7 pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Hoje, as multas são aplicadas somente em locais públicos, com ruas. Para o secretário municipal da Pessoa com Deficiência, Cid Torquato, a existência das vagas reservadas para pessoas com deficiência e idosos é sinal de respeito à condição de vida desses cidadãos. "Eles se locomovem mais vagarosamente e o tempo perdido para chegar a um elevador, por exemplo, pode

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significar o atraso para uma consulta médica ou entrevista de emprego", avalia o secretário. A partir de agora, deficientes e idosos (pessoas com mais de 60 anos) deverão possuir seus respectivos cartões de estacionamento para evitar a punição. No dia 31 de agosto, terminou o prazo dado pelo Ministério Público para que os estabelecimentos regularizem a sinalização nas vagas exclusivas. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a fiscalização será feita pelos agentes de trânsito, por meio de solicitação do estabelecimento ou do próprio munícipe. A população pode denunciar este tipo de infração pelo telefone 1188. "A fiscalização tem como objetivo coibir o uso indevido e conscientizar o motorista sobre

a necessidade de reservar as vagas", afirma Torquato. "O objetivo da Prefeitura é orientar sempre, e não multar. Caberá ao munícipe respeitar a lei, que determina o uso das vagas apenas por idosos e pessoas com

deficiência", disse o secretário. De acordo com a portaria do DSV (Departamento de Operação do Sistema Viário), publicada em maio, a sinalização dos estabelecimentos precisa ser vistoriada e aprovada pela CET, gerando o "Laudo de Aprovação de Sinalização de Vagas para Deficiente e Idoso". Só haverá autuações por desrespeito às vagas reservadas quando estas estiverem devidamente sinalizadas, conforme regulamentação vigente. Para obter o cartão de estacionamento, é preciso apresentar uma cópia do RG, CPF e comprovante de residência. O requerimento é feito na sede do DSV, em Pinheiros, na Zona Oeste. É preciso levar os formulários impressos e preenchidos e as cópias dos documentos. (Fonte: Diário de S.Paulo)

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Aeroporto japonês terá cadeiras de rodas autônomas Reprodução

Panasonic anunciou o início de uma fase de testes para implementar cadeiras de rodas autônomas no Aeroporto Internacional de Tóquio, também conhecido como Haeda. O veículo, desenvolvido em parceria com a Whill Inc., ganhou o nome de Whill Next e é classificado pela Panasonic como um "robô que possibilita transporte seguro e confortável para passageiros com mobilidade reduzida". A cadeira conta com três tecnologias de locomoção que podem fazer a diferença para seu público-alvo: uma função identifica obstáculos e para automaticamente (mesmo se o usuário estiver no controle), o que evita acidentes com outros passageiros, por exemplo. Outra tecnologia é a direção autônoma propriamente dita. "A cadeira pode identificar sua pró-

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pria posição, selecionar rotas e se mover automaticamente a destinos apontados pelo smartphone", diz a empresa. "Ela pode trafegar eficientemente a lojas específicas e aos portões de embarque." Por fim, há um modo "tandem", que permite trafegar em grupo como se cada cadeira fosse um vagão num trenzinho autô-

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nomo. Algo muito útil para as Paralimpíadas de 2020, por exemplo, já que times inteiros poderiam se deslocar em conjunto. Após o uso, todas as cadeiras retornam automaticamente ao seu posto, dispensando qualquer intervenção humana. Os testes com a novidade começarão agora e vão até março de 2018. (Olhar Digital)

Comissão aprova fornecimento de fraldas para PcD´s A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados aprovou proposta que obriga o Poder Público a fornecer fraldas descartáveis para idosos e pessoas com deficiência que tenham comprovada indicação médica de uso contínuo e que recebam o benefício de prestação continuada. O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Eros Biondini (Pros-MG), ao Projeto de Lei 5986/16, do deputado licenciado e atual ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB-AL). O substitutivo especifica que as fraldas deverão ser destinadas às pessoas que recebem o benefício de prestação continuada (BPC), previsto na Lei 8.742/93. “Desse modo, estaria garantida a destinação aos que, reconhecidamente, carecem de recursos”, explicou o relator. (AC)


Estado repassa R$ 33 milhões para entidades paulistas ovos convênios nas áreas de turismo, segurança no trânsito, agricultura, infraestrutura urbana, direitos da pessoa com deficiência, esportes, cultura e defesa civil foram assinados pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). No total, R$ 33 milhões serão repassados em 177 convênios firmados em agosto, no Palácio dos Bandeirantes, na capital. Por meio dos convênios, as prefeituras e entidades recebem repasses de recursos ou materiais do Estado para executar projetos de importância local. “Com a assinatura destes convênios, estamos praticando dois princípios importantes: a descentralização, passando o recurso para a ponta, mais perto da população; e a participação, investindo na parceria com os governos locais. São convê-

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A Secretária dos Direitos da Pessoa com Defici|ência, Linamara Battistella, com o governador e autoridades em SP

nios importantes que assinamos com prefeituras e entidades, entre Apaes e Santas Casas”, afirmou o governador. Só para o turismo serão R$ 8.185.645,40 em repasse para

obras de infraestrutura de fomento ao setor a seis municípios: Brotas, Joanópolis, Mongaguá, Morungaba, Santa Rita do Passa Quatro e Santo Antônio do Pinhal.

ACESSIBILIDADE A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência ampliará a acessibilidade e a inclusão em bibliotecas com a entrega de equipamentos de tecnologia assistiva para 55 municípios. O projeto, chamado Acessibilidade em Bibliotecas, permite que pessoas com deficiência visual tenham acesso à leitura em 62 bibliotecas municipais. Cada unidade contemplada vai receber equipamentos do Kit Tipo 1 (computador, ampliador automático, scanner leitor de mesa, teclado ampliado, mouse estacionário, software de voz sintetizada para atuação com o software leitor de tela NVDA e computador) ou do Kit Tipo 2 (que conta ainda com display e impressora em braile). (Fonte: Portal do Governo de SP

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Estado lança edital para definir gestão de CT Paraolímpico

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o dia 27 de julho, o governador Geraldo Alckmin esteve na sede do Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro para participar da abertura dos Jogos Universitários Paralímpicos 2017. Na ocasião, ele anunciou o lançamento de edital dirigido as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Social (Oscips), interessadas em gerir o complexo esportivo. Alckmin estava acompanhado da secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistella. Ele agradeceu ao Comitê Paralímpico Brasileiro, que nos últimos doze meses teve a permissão de uso para a gestão do Centro de Treinamento. “Hoje, nós assinamos o edital que vai abrir uma concessão por cinco anos. Então, foi feito um chamamento para as Oscips poderem participar da concessão, conforme os termos do edital”, disse. Construído pelo Governo do Estado com o objetivo de fomentar o paradesporto nacional, o Centro de Treinamento Paraolímpico Brasileiro está entre os cinco existentes no mundo e é o primeiro em número de modalidades. O CT recebeu da Prefeitura de São Paulo o Selo de Acessibilidade pela excelência de suas adequações arquitetônicas. As competições dos Jogos Paralímpicos Universitários 2017 aconteceram no final de julho, com participação de cerca de 200 competidores em seis modalidades esportivas. Os atletas vieram de universidades de 20 estados brasileiros e do Distrito Federal. A abertura dos jogos contou com a presença de atletas que participaram do Mundial de Atletismo Paralímpico em Londres, encerrado em 23 de julho último, e que conquistaram o 9º lugar no quadro geral da competição. A delegação brasileira, com 25 atletas, ganhou 8 medalhas de ouro, 7 de prata e 6 de bronze.

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Divulgação/Governo de SP

Alckmin destacou a participação do Time São Paulo Paralímpico: “A equipe paulista conquistou 42,5% das medalhas que o Brasil ganhou. Então, a nossa grande saudação, meus parabéns, meus cumprimentos. O pessoal tá se preparando aí para a Olimpíada que ocorrerá em seguida”. No mundial de Londres, o Time São Paulo Paralímpico colaborou com a conquista de 3 medalhas de ouro, 4 de prata e 2 de bronze. ASSINATURA DE CONVÊNIO Na ocasião, Alckmin também participou da assinatura de convênio que permite ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) utilizar o sistema da Bolsa Eletrônica de Compras (BEC/SP),

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do governo estadual, para aquisições na modalidade de licitação Pregão Eletrônico e pelo procedimento Dispensa de Licitação. A adesão permitirá ao Comitê poupar, em média, 26,15% dos recursos empregados em compras juntos aos fornecedores. O Cadastro Único de Fornecedores (Caufesp) do sistema BEC/SP conta com mais de 69 mil empresas e um catálogo composto por 125 mil itens de materiais. “Desde a instituição da BEC, no ano 2000 até hoje, nós economizamos em torno de 21 e 22% nas compras através do leilão eletrônico. Nós assinamos, hoje, com o Comitê Paraolímpico Brasileiro. Eles vão

poder comprar artigos, equipamentos, máquinas, material esportivo… Tudo pela BEC”, disse Alckmin. A Bolsa Eletrônica de Compras do Estado de São Paulo (BEC/SP) é um sistema de compras via Internet administrado pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que permite a redução dos custos operacionais e dos preços pagos pelas unidades compradoras, além de agilizar o processo de aquisição e fornecer informações agregadas e rapidamente disponíveis para os sistemas de controle interno e externo. INSTALAÇÕES Com 95 mil m² de área construída, O Centro Paralímpico Brasileiro reúne 15 modalidades de paradesporto, como atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, natação, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, futebol de 7, golbol, halterofilismo, judô, rúgbi, tênis, tênis em cadeira de rodas, triatlo e voleibol sentado. O CT segue o conceito adotado por países que são considerados potências no esporte adaptado, como Ucrânia, China e Coreia do Sul. Suas instalações estão dispostas em 11 setores que englobam áreas esportivas de treinamento, hotel, centro de convenções, laboratórios, condicionamento físico e fisioterapia. O empreendimento serviu para a preparação da delegação brasileira para os Jogos Paralímpicos Rio 2016. TIME SÃO PAULO O Time São Paulo Paralímpico é a seleção composta por 56 atletas e 10 atletas-guia das modalidades: atletismo, natação, ciclismo, halterofilismo, judô, tênis de mesa, bocha, tiro esportivo e triatlo. A equipe é constituída por meio de convênio assinado em 2011 entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e o Comitê Paralímpico Brasileiro. (Portal Governo de SP)


Revista Gente Ciente Agosto 2017  

Revista Gente Ciente Agosto 2017 Edição 227

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