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EXPEDIENTE JORNAL GENTE CIENTE A SERVIÇO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA FUNDADOR: José Luiz Gennari (Zelão) em memória DIREÇÃO: Maria Inês Gennari Guimarães EDIÇÃO: João Carlos Lage (MTb 47.175/SP) DIREÇÃO COMERCIAL: José Roberto Guimarães GENTE CIENTE COMUNICAÇÃO E EVENTOS LTDA.

SUMÁRIO Nicolelis diz que o exoesqueleto já está quase pronto. Teste será em novembro.

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Nova descoberta da medicina pode levar à tão esperada cura do Alzheimer.

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Inmetro reprova a maioria das cadeiras de rodas testadas.

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R. Dona Luísa de Gusmão, 555 Sala 5 Lagoa Office - Taquaral Campinas - SP Cep: 13.088-028 FALE CONOSCO: TELEFONES: (19) 3296-5657 - 3384-6776 - 3256-2737 CEL: (19) 9136-0622 (dep.coml.) CEL: (19) 7851-7997 (jornalismo)

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SEJA VOCÊ TAMBÉM UM PARCEIRO DO GENTE CIENTE

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FERIDOS DE BOSTON GANHAM NOVA VIDA COM AS PRÓTESES.

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IMAGEM DO MÊS

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P A R C E I R O S

n Beni Car (Honda) n Nippokar (Toyota) n Maggi Motors (Toyota) n Grupo Cipa (Reatech) n Mário Trentin (Auto-escola) n Mitsubishi n GM (Concessionárias - Interior) n Fiat Tempo n Ford Tempo n Volks Tempo n Grupo Andreta n Le Mans Citroën n Hyundai Caoa n Vancar adaptações n Dahruj Impressão: Gráfica Lince

OUTUBRO - 2013

VISÃO TECNOLÓGICA A empresa israelense OrCam desenvolveu um dispositivo adaptado aos óculos que permite a deficientes visuais ‘enxergarem’ objetos e pessoas. Custando o mesmo preço que um bom aparelho auditivo, o dispositivo é capaz de identificar milhares de objetos mediante o simples apontar de dedos para eles, transmitindo ao usuário a informação por meio de um sistema de áudio. Entre estes objetos estão rostos de pessoas conhecidas, animais, ônibus, textos de jornais e produtos de uma loja. O dispositivo funciona com inteligência artificial e algoritmos especiais construídos em um pequeno computador alimentado por uma câmera e uma bateria de longa duração. GENTE CIENTE - OUTUBRO 2013

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Nicolelis diz que exoesqueleto será testado no Brasil até novembro Reprodução

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neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis anunciou que vai iniciar no país, entre o fim de outubro e o início de novembro, testes com humanos do exoesqueleto que, segundo o pesquisador, fará um jovem paraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014. A informação foi divulgada no dia 4 de outubro durante o seminário "Inovação: investimentos em pesquisa e desenvolvimento", promovido pela revista "Brasileiros" em São Paulo. Nicolelis participou do encontro por meio de teleconferência, direto da Universidade Duke, em Durham, nos Estados Unidos, onde funciona um dos laboratórios que desenvolvem o exoesqueleto. O pesquisador afirmou que pequenos testes já foram feitos com humanos, com partes do equipamento. "No Brasil, os testes vão começar entre o fim de outubro e o começo de novembro. Já testamos as articulações, os motores e o controle neural, e agora tudo isso está sendo montado, finalizado. Na simulação, [o exoesqueleto] funcionou bem, mas agora o desafio é colocar a veste completa, com articulações e movimentos", explicou. Segundo Nicolelis, cerca de cem cientistas americanos, europeus e brasileiros trabalham no Walk Again Project (Projeto Andar de Novo). O projeto é uma parceria entre a Universidade Duke e instituições de Lausanne (na Suíça), Berlim e Munique (ambas na Alemanha), Natal e São Paulo. O QUE É O EXOESQUELETO O exoesqueleto é um aparelho que envolve os membros paralisados – no caso de um paraplégico, as pernas. Ele pode ser conectado diretamente ao cérebro do paciente, que então controlaria o equipamento como se fosse parte de seu próprio corpo. Dessa forma, seria perfeitamente possível que um paraplégico chutasse uma bola.

A técnica faz parte de uma linha de pesquisa conhecida como "interface cérebro-máquina", com a qual Nicolelis já obteve resultados internacionalmente relevantes. Em um dos mais importantes, o neurocientista fez com que macacos não só controlassem uma mão virtual, como também sentissem uma espécie de tato quando exerciam a atividade. LABORATÓRIO NA AACD Experimentos com voluntários serão feitos na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em São Paulo, onde também passará a funcionar até o fim deste mês um laboratório dirigido por Nicolelis. Segundo o neurocientista, dez pessoas já foram selecionadas e vão participar dessa nova fase da pesquisa. (G1)

Cientista recebeu autorização para os testes O neurocientista Miguel Nicolelis anunciou em redes sociais que recebeu “a última autorização” para colocar em prática o teste, no Brasil, do exoesqueleto no qual trabalha para fazer um jovem paraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014. 4

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“Depois de 2 anos de trabalho intenso, Walk Again recebe a última aprovação para ser posto em prática no Brasil. Agora é só ciência/engenharia!”, comemorou o pesquisador no Twitter. Consultado pelo site G1 sobre que tipo de autorização recebeu, Nicolelis apenas respondeu que

aguarda que dois artigos sobre componentes do exoesqueleto sejam aceitos por publicações científicas para dar mais detalhes numa nota oficial. No Facebook, Nicolelis anunciou a novidade da seguinte maneira: “Agora é oficial: Projeto Andar de Novo recebe a última autoriza-

ção necessária para iniciar testes com exoesqueleto robótico no Brasil. Primeiro projeto envolvendo uso de sinais neurobiológicos para controlar e ‘sentir’ desempenho de exoesqueleto robótico em pacientes sofrendo de paralisia corporal severa será implementado no Brasil”. (Fonte: G1)


Perda de audição pode comprometer saúde mental e física dos idosos

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ntre todas as dificuldades que afetam a vida de um idoso, uma das piores é a perda auditiva, que pode isolar o indivíduo do convívio com familiares e amigos. Esse retraimento e isolamento da vida em sociedade pode levar o idoso à tristeza e à depressão e, até mesmo, fazê-lo perder o interesse por atividades que sempre realizou ao longo da vida, simplesmente porque não consegue entender o que os outros dizem e interagir com o mundo ao redor. E assim, a deficiência auditiva, se não for tratada, pode acarretar uma série de outros males. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, constataram na prática essa triste realidade. Por meio de um estudo realizado com idosos, confirmaram que há uma correlação entre perda de audição não tratada e problemas de saúde física, emo-

cional e mental na terceira idade. Os resultados da pesquisa mostraram que, dos idosos que tinham perda auditiva não tratada, 32% haviam sido hospitalizados e 36% deles tinham uma probabilidade maior de sofrer danos e doenças nos dez anos seguintes. Eles também eram 57% mais suscetíveis a sofrer estresse profundo, depressão ou mau humor. "A perda auditiva tem um efeito prejudicial ao bem estar físico e mental nos idosos e até mesmo nos cuidados com a saúde", afirma o responsável pela pesquisa, Frank Lin, M.D., Ph.D., otologista e epidemiologista. “Nosso estudo descobriu o motivo pelo qual a perda auditiva não deve ser considerada algo irrelevante, mas uma questão importante para a saúde pública.” Nos idodos, a perda auditiva ocorre, na maioria das vezes, em

razão de mudanças degenerativas naturais do envelhecimento, chamada de presbiacusia. Muitas vezes, a dificuldade em procurar ajuda e usar uma prótese auditiva ocorre por vergonha e constrangimento. "Falar sobre deficiência auditiva nunca é fácil, por causa da resistência que as pessoas têm em admitir a surdez. Mas trazer à tona o problema é a melhor coisa a fazer. Estudos como esse comprovam que o tratamento da perda auditiva, em alguns casos com o uso de aparelhos auditivos, resulta em melhoras significativas na autoestima e na qualidade de vida do idoso", afirma a fonoaudióloga

Isabela Gomes, da Telex Soluções Auditivas. Cabe aos fonoaudiólogos indicar qual o tipo e modelo de aparelho indicado para atender às necessidades do deficiente auditivo. O aparelho será então regulado para tornar os sons audíveis e confortáveis para o paciente. “Ouvir uma música, acompanhar as novelas, o noticiário na TV, conversar com amigos e parentes, tudo isso é muito importante para o idoso se sentir estimulado para a vida. O uso do aparelho não só ajuda a restaurar a audição como devolve a alegria de viver. Os relacionamentos ficam muito melhores e o usuário pode participar das conversas. A qualidade de vida dá um salto. Por isso, os familiares devem dar o primeiro passo, ajudando os mais velhos a procurar logo uma ajuda médica”, conclui a fonoaudióloga Isabela Gomes.

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‘É minha cura’, diz professor que usa aulas para superar o Parkinson Reprodução

Com 75 anos, Egydio Neto leciona filosofia em faculdade de São José (SP). Ele ministra aulas há três décadas e descobriu a doença há 13 anos.

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professor universitário Egydio Pilotto Neto, de São José dos Campos (SP), tem na sala de aula uma 'terapia' para superar o Mal de Parkinson, descoberto há 13 anos, quase metade do tempo em que assumiu a carreira. Com 75 anos, Pilotto iniciou as atividades lecionando engenharia, mas atualmente ministra aulas de filosofia em uma universidade particular da cidade. Formado em engenharia pela Academia das Agulhas Negras, de Resende (RJ), na década de 1970, Egydio tem um vasto currículo. Ele é pós graduado pela Universidade de São Paulo (USP), já foi vereador, diretor de obras de São José dos Campos, calculou a base da torre de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) em Alcântara (MA), presta consultoria em cálculo estrutural para empresas e em 2013 termina outra pós graduação à distância. "A lógica humana sugere que as maiores riquezas da vida são a saúde e a sabedoria. Se nos falta a saúde, torna-se necessário aumentar a sabedoria para compensar e continuar vivendo, porque a vida é eterna enquanto dura”, disse o pro-

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fessor. Egydio Pilloto deixou a carreira militar para lecionar nas universidades. “Eu saí da vida militar, pois um dia eu pensei que estava treinando homens para a guerra e eu não quero a guerra, eu quero a vida. Muitas pessoas ainda não entendem, mas eu sou satisfeito com o que eu faço”, disse. Em 2000, ele recebeu um diagnóstico da doença em estágio inicial. O professor conta que a princípio não sabia o que fazer, mas foi uma questão de tempo para escolher o melhor caminho. "Quando eu descobri que era portador de Mal de Parkinson, o mundo caiu em cima de mim. Como um engenheiro, eu tinha três soluções: fazer de conta que eu não tinha Parkinson, reagir e fazer da doença algo suportável ou assumir e cair em uma cama. Eu escolhi a segunda opção”, relatou Pilloto ao G1. Para o professor, os alunos são uma das forças que fazem com que ele permaneça dando aula e vencendo a doença. De acordo com Egydio, ele é um portador da doença mas não se considera um doente. "Uma turma de primeiro ano que ainda não sou professor, pediu para eu ministrar um dia na sala deles. Isso é uma satisfação tremenda, que substitui qualquer dopamina. Eu sou um portador, mas não um doente. A sala de aula, é uma das maneiras para a minha cura", disse Egydio. O convite para ministrar aulas de filosofia, chegou quando ele estava contando os dias para se aposentar e no momento em que

entendeu que era necessário pensar mais na vida. "Eu estava quase me aposentando, quando surgiu um convite para cobrir um professor durante um semestre e agora são oito anos dando aula", relatou o professor universitário. FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO Pertencente a uma família de professores, Egydio é casado há 50 anos e pai de três filhos. Apaixonado por conhecimento, Pilloto conta que o único ciúme que a esposa tem dele é de sua relação com os livros. "Minha esposa disse que o único ciúme que ela sente de mim é com os livros. Não posso entrar em uma livraria, que eu saio com um livro. Ele é o melhor professor que existe. Ele não cobra nada, não faz prova e te ensina muito”, afirmou. Como sucessora da profissão de Egydio, a filha, Simone Pilotto, de 40 anos, se espelha no pai para

formar novos profissionais da área. "Ele é o meu exemplo. Quando ele corrigia as provas ou preparava as aulas, eu estava perto dele e isso foi também um fator para eu escolher essa carreira”, relatou Simone. Segundo o professor de filosofia, o segredo para continuar dando aulas e ser feliz é fazer o que gosta. "Meus alunos são minha bateria. A dica é: sinta-se feliz com aquilo que você faz e você vai fazer tudo muito bem feito", finalizou.


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Britânico tem cegueira revertida graças a implante de dente no olho Reprodução

or mais estranho que o título desta matéria pareça, essa foi a última proeza médica a virar notícia no mundo. De acordo com o site news.com.au, Ian Tibbetts, um britânico de 43 anos, recuperou parte da visão depois de passar por um radical e revolucionário procedimento chamado osteo-odonto-queratoprótese — ou OOKP —, que consiste no implante de uma espécie de córnea artificial desenvolvida a partir de um fragmento de dente. Tibbetts participou de um documentário produzido pela BBC e contou que teve a córnea dilacerada durante um acidente de trabalho, que o deixou cego. Depois de tentar outras opções para recuperar a visão, o britânico decidiu passar pelo complexo procedimento, que foi realizado em um hospital de Brighton, na Inglaterra.

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IMPLANTE Conforme descreveu, a cirurgia foi levada a cabo em duas etapas, sendo que a primeira consistiu em remover um dente e uma parte do maxilar de Tibbets e inserir uma lente dentro do dente com uma broca. Posteriormente, o dente com a lente foi colocado sob um dos olhos de Tibbetts durante alguns meses para que se mantivesse vascularizado e desenvolvesse os tecidos necessários. A segunda etapa consistiu em remover parte da córnea danificada do britânico e implantar o dente no olho. Como essa estrutura foi criada a partir de tecidos do próprio paciente, o risco de rejeição é minimizado. O dente então funciona como uma espécie de suporte que mantém a lente no lugar. Tibbetts foi recuperando a visão gradualmente, e hoje ela é equivalente a 40% do normal.


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DJ surdo usa tecnologia para levar sua música para as pessoas Reprodução

Robbie Wilde, que perdeu a audição aos 7 anos, consegue exercer o ofício através da leitura labial e da vibração da música

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ue a tecnologia está mudando nossas vidas todo mundo já sabe. Mas há casos em que ela parece fazer o impossível: Robbie Wilde é um DJ surdo, que há 10 anos vem praticando o ofício e que, através da leitura labial, da vibração da música e da medição das performances em seus aparelhos, conseguiu realmente se tornar especial. O DJ Robbie Wilde perdeu a audição com 7 anos, devido a uma

infeção nos ouvidos, ficando com apenas 20% de capacidade no ouvido esquerdo. Do direito não consegue compreender qualquer som. Mas isso não o impediu de realizar seu sonho. Hoje ele vê e sente a música, ao invés de a ouvir. Por isso, quando fez 18 anos, seu pai, dono de um restaurante,

disponibilizou o espaço pra Robbie tocar. O lugar estava cheio e chamou tanto a atenção da população local que ele acabou sendo convidado pra outras festas. Os sets de Robbie percorrem uma grande variedade de estilos, mas a década de 90 está sempre presente: “são músicas que tenho na cabe-

ça da minha infância, antes de perder a audição” Robbie utiliza um dispositivo parecido com uma mochila, que envia apenas frequências graves para as suas costas, fazendo com que ele sinta a vibração e afastando todos os outros ruídos. “É como um fone de ouvido para a comunidade surda”. No momento de misturar e tocar, Robbie usa um programa, Serrato, que mostra as formas de onda, as imagens do som, com cores. Assim ele consegue separar os vocais, que ele não ouve, do resto. É como um substituto da audição, que Robbie usa pra ser mais criativo. “A tecnologia definitivamente me ajuda a ficar mais atualizado, com minhas técnicas, mas eu nunca a utilizo como uma ‘fraude’, para substituir os métodos de DJing real”, conclui Robbie. (Fonte: Hypeness)

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Nova descoberta pode levar à cura de Alzheimer, diz estudo britânico Reprodução

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estada apenas em camundongos, uma substância química provou, pela primeira vez, ser possível impedir a morte de células do cérebro. A descoberta da primeira substância química capaz de prevenir a morte do tecido cerebral em uma doença que causa degeneração dos neurônios foi aclamada como um momento histórico e empolgante para o esforço científico. Ainda é necessário maior investigação para desenvolver uma droga que possa ser usada por doentes. Mas os cientistas dizem que um medicamento feito a partir da substância poderia tratar doenças como Alzheimer, Mal de Parkinson, Doença de Huntington, entre outras. Em testes feitos com camundongos, a Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha, mostrou que a substância pode prevenir a morte das células cerebrais causada por doenças priônicas, que podem atingir o sistema nervoso tanto de humanos como de animais. A equipe do Conselho de Pesquisa Médica da Unidade de Toxicologia da universidade focou nos mecanismos naturais de defesa formados em células cerebrais. Quando um vírus atinge uma célula do cérebro o resultado é um acúmulo de proteínas virais. As células reagem fechando toda a produção de proteínas, a fim de deter a disseminação do vírus. No entanto, muitas doenças neurodegenerativas implicam na produção de proteínas defeituosas ou 'deformadas'. Estas ativam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves.

As proteínas deformadas permanecem por um longo tempo, resultando no desligamento total da produção de proteína pelas células do cérebro, levando à morte destas. Este processo, que acontece repetidamente em neurônios por todo o cérebro, pode destruir o movimento ou a memória, ou até mesmo matar, dependendo da doença. 'EXTRAORDINÁRIO' Acredita-se que esse processo aconteça em muitas formas de neurodegeneração, por isso, interferir nesse processo de modo seguro pode resultar no tratamento de muitas doenças. Os pesquisadores usaram um composto que impediu os mecanismos de defesa de se manifestarem, e por sua vez interrompeu o processo de degeneração dos neurônios. O estudo, divulgado na publicação científica "Science Translational Medicine", mostrou que camundongos com doença de príon desenvolveram problemas graves de memória e de movimento. Eles morreram em um

período de 12 semanas. No entanto, aqueles que receberam o composto não mostraram qualquer sinal de tecido cerebral sendo destruído. A coordenadora da pesquisa, Giovanna Mallucci, disse à BBC: “O que é realmente animador é que pela primeira vez um composto impediu completamente a degeneração dos neurônios. Este não é o composto que você usaria em pessoas , mas isso significa que podemos fazê-lo, e já é um começo”, disse Mallucci. Ela afirmou que o composto oferece um 'novo caminho que pode muito bem resultar em drogas de proteção' e o próximo passo seria empresas farmacêuticas desenvolverem um medicamento para uso em seres humanos. O laboratório de Mallucci também está testando o composto em outras formas de neurodegeneração em camundongos, mas os resultados ainda não foram publicados. Os efeitos colaterais são um problema. O composto também atuou no pâncreas, ou seja, os camundongos desenvolveram uma forma leve de diabetes e perda de peso. Qualquer medicamento huma-

no precisará agir apenas sobre o cérebro. No entanto, o composto dá aos cientistas e empresas farmacêuticas um ponto de partida. ESTUDO DE REFERÊNCIA Comentando a pesquisa, Roger Morris da King's College London, disse: 'Esta descoberta, eu suspeito, será julgada pela história como um acontecimento importante na busca de medicamentos para controlar e prevenir o Alzheimer.' Ele disse à BBC que uma cura para a doença de Alzheimer não era iminente, mas disse que está muito animado, pois é o primeiro teste feito em um animal vivo que prova ser possível retardar a degeneração de neurônios. “O mundo não vai mudar amanhã, mas este é um estudo de referência”. David Allsop, professor de neurociência da Universidade de Lancaster descreveu os resultados como 'muito impressionante e encorajador', mas advertiu que era necessário mais pesquisas para ver como as descobertas se aplicam a doenças como Alzheimer e Parkinson. Eric Karran, diretor de pesquisa da organização sem fins lucrativos Alzheimer's Research UK, disse que focar em um mecanismo relevante para uma série de doenças neurodegenerativas poderia render um único medicamento com benefícios de grande alcance, mas este composto ainda está em uma fase inicial. “É importante que estes resultados sejam repetidos e testados em outras doenças neurodegenerativas, incluindo o mal de Alzheimer”. (Fonte: BBC)

Proteína do vinho pode estar relacionada à doença Um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do mal de Alzheimer, presente em cerca de dois terços das pessoas que portam a doença, é a proteína ApoE4. Contudo, os cientistas ainda não entendem como essa molécula presente em um quarto da população - aumenta o risco de desenvolvimento do mal. Um estudo divulgado pela revista especializada Proceedings of the National Academy 12

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of Sciences (PNAS) indica que há uma relação entre a ApoE4 e a SirT1, uma proteína "antienvelhecimento" cuja produção é acelerada pelo resveratrol, substância presente no vinho tinto. Os cientistas, contudo, não afirmam no artigo que há ligação entre consumo da bebida e prevenção da doença. O estudo do Instituto Buck (EUA) indica que o ApoE4 causa uma grande redução no SirT1 no

organismo. Os pesquisadores afirmam ter notado a diminuição tanto em culturas de células neurais em laboratório, quanto em amostras de cérebros de pacientes que sofreram com a doença e que tinham o gene da ApoE4. O estudo descobriu ainda que a criação das proteínas tau e betaamiloide - uma das características do Alzheimer - podem ser prevenidas pelo aumento de SirT1 no

organismo. Os pesquisadores inclusive identificaram medicamentos candidatos que teriam esse efeito. "Um dos nossos objetivos é identificar um tratamento seguro, não tóxico que pode ser dado a qualquer um que porte o gene ApoE4 e previna o desenvolvimento de Alzheimer", diz Rammohan V. Rao, um dos autores do estudo. (Rede Saci)


Amor diferente: como lidar com a deficiência do companheiro Reprodução

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namoro é uma das coisas mais gostosas da vida de qualquer pessoa, seja ela portadora de necessidades especiais ou não. A relação de mais intimidade e carinho proporciona a chance única para permitir que os sentimentos aflorem de maneira saudável, além de proporcionar inúmeras descobertas e frustrações que devem ser vencidas. A sociedade moderna, por mais desenvolvida que possa parecer, ainda não está totalmente preparada para aceitar, de bom grado, uma relação que envolva um portador de deficiência física e outra pessoa sem nenhum tipo de limitação. Vale relatar que, na maioria das vezes, o portador de necessidades especiais acaba se casando com alguém não-deficiente. Conheça alguns aspectos que devem ser esclarecidos e confira dicas de como lidar com essa situação. NAMORO ESPECIAL É necessário ter em mente que, assim como a maioria das situações vividas por um deficiente físico, a relação amorosa necessitará de cuidados especiais que devem ser tomados. Não é possível frequentar todos os lugares e a aceitação dos familiares pode não ser muito positiva, uma vez que desconhecem as verdadeiras

possibilidades que possuem as pessoas com esse tipo de problema. Para tranquilizar a família é necessário que haja muito diálogo, procurando responder questões relacionadas ao futuro, que geralmente são o motivo da preocupação dos entes. Alguns aspectos que devem ser abordados nessa conversa são: quem irá trabalhar para sustentar a casa, o benefício que o relacionamento trará para ambas as partes; a necessidade de quem cuidar de quem, entre outros. Essas questões podem surgir como resultado da ideia equivo-

cada de que o deficiente é uma pessoa improdutiva, e por isso um diálogo franco e claro é primordial para proporcionar maior bem estar entre os familiares. DICAS PARA UM RELACIONAMENTO FELIZ O importante é aproveitar bastante essa fase com vida, sem se esquecer de agir com total prudência e muito respeito. O parceiro não-deficiente deve ser uma pessoa bastante atenta aos detalhes, especialmente no início da relação, pois é triste constatar que, dependendo do tipo de deficiência e idade do paciente, ele pode vir a

desenvolver uma série de problemas, a partir do momento em que o casal desenvolve um nível maior de intimidade. Quando essas pessoas descobrem algumas limitações, como falta de libido, dificuldade de ereção e falta de prazer nas regiões erógenas, alguns deficientes podem apresentar resistência em procurar por relacionamentos. Nesse momento o papel da família é de suma importância e, com muito amor e carinho, ajudará não somente a superar essa situação, como garantirá muito mais confiança e melhora na autoestima. (Fonte: Mundo das Tribos)

Instituto dos Cegos Trabalhadores de Campinas recebe homenagem pelos seus 80 anos O Instituto dos Cegos Trabalhadores de Campinas está completando 80 anos desde a sua fundação. E por isso recebeu o Título de Honra ao Mérito, concedido pela Câmara Municipal de Campinas. A honraria é uma iniciativa do vereador Campos Filho. A solenidade de entrega do Título aconteceu no dia 15 de outubro, no Plenário da Câmara Municipal de Campinas, e reuniu dezenas de pessoas engajadas às causas das pessoas com deficiência visual. Funcionários, diretores e representantes de outras instituições de Campinas também marcaram presença no evento. "Em nome de seu presidente, Dr. Vicente Montero, parabenizo a todos do Instituto dos Cegos de Campinas, que há 80 anos trabalham pela inclusão dos deficientes visuais e neste tempo construíram uma das mais respeitadas instituições da nossa cidade", enalteceu a deputada Célia Leão.

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MEC incentiva produção de livros para pessoas com deficiência visual Ministério da Cultura lançou, no dia 16 de outubro, editais de incentivo à acessibilidade em bibliotecas públicas e à produção e distribuição de livros voltados a pessoas com deficiência visual. “Mais que destinação de recursos, esses editais são simbólicos para que as pessoas cegas do nosso país possam usufruir do grande prazer que é a leitura”, disse a ministra da Cultura, Marta Suplicy. O primeiro edital, para a produção, difusão e distribuição de livros acessíveis, vai destinar R$ 1,5 milhão a nove instituições que forem selecionadas com propostas que proporcionem descrição ou narração em formatos como braile, livro falado ou outro formato que seja acessível a quem tem deficiência visual.

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São três as categorias desse edital: infraestrutura de produção de livros, distribuição de livros e capacitação e difusão em livros em formato acessível. Podem concorrer entidades privadas sem fins lucrativos, entidades públicas que já desenvolvam projetos para pessoas com deficiência visual ou na produção de livros, como associação, bibliotecas e organizações. O presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil, Moisés Bauer, disse que o mercado literário para quem tem dificuldades visuais é muito restrito. “Hoje temos no Brasil um acervo inferior a 10 mil títulos e isso é muito pouco diante dos cerca dos 20 mil novos títulos lançados anualmente. Com esses editais, vamos ter a possibilidade de tornar acessíveis novos títulos e também títu-

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los clássicos da literatura. Temos uma grande barreira de acesso à informação que é passada no formato escrito”, disse. O diretor de Direitos Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Souza, destacou que, além do facilitar e ampliar o acesso aos livros e incentivar a criação de polos regionais de produção, a expectativa é que a iniciativa permita a difusão a outros países dos livros brasileiros acessíveis. “Com esse edital, começamos a dar cumprimento ao Tratado de

Marrakesh, que prevê o trânsito transfronteiriço de obras acessíveis. Esperamos que com a ampliação dessas obras também comecemos a ter a transferência dos livros em formato acessível para países de língua portuguesa e da América Latina”, disse, citando o tratado assinado pelo Brasil em junho. O segundo edital prevê a ampliação e a qualificação da acessibilidade em bibliotecas e irá selecionar dez unidades públicas. O valor destinado é R$ 2,7 milhões. “O Censo Nacional de Bibliotecas Públicas 2010 verificou que 94% delas não têm qualquer acessibilidade. Esse edital tenta também responder a esse ponto crítico”, disse o diretor de Livros, Leitura e Bibliotecas da Biblioteca Nacional, Fabiano dos Santos. (Fonte: MEC)


Empresa holandesa lança bengala digital para cegos Reprodução

a dia 15 de outubro, uma empresa holandesa chamada "I-Cane" apresentou ao público uma bengala para cegos. O produto, desenvolvido em conjunto com deficientes visuais, possui um sistema de navegação por GPS que fornece ao usuário a possibilidade de registrar a rota realizada, podendo assim repeti-la quantas vezes forem necessárias. Chamada de "I-Cane Mobilo", a bengala também conta com uma tecnologia de sensores que avisam sobre obstruções no percurso ou mudanças de declive no solo. Enquanto percorre o caminho desejado, o usuário põe o polegar em uma seta, que pode ser sentida ao toque do dedo. Ela, então,

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se movimentará indicando a direção correta a seguir ou alertará para a necessidade de desvios. Martijn van Gurp, CEO da marca, garantiu que o sentido da audição permanecerá livre, "pois os sons desempenham um papel importante na orientação no trânsito". (Fonte: O Povo)

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Comissão aprova manutenção do BPC a deficiente empregado Reprodução

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Comissão de Seguridade Social e Família aprovou no dia 2 de outubro proposta que permite que pessoas com deficiência continuem a receber uma parte do Benefício da Prestação Continuada (BPC) mesmo depois de empregados. A medida está prevista no Projeto de Lei 4297/12, do deputado Ângelo Agnolin (PDT-TO). Pelo texto, o pagamento poderá continuar por um ano após a assinatura da carteira de trabalho, nos seguintes percentuais:

n com redução de 15% para quem recebe até um salário mínimo; n com redução de 30% para beneficiários com até dois salários mínimos; n com redução de 50% para aqueles que ganham até três salários mínimos. 16

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INCLUSÃO SOCIAL Relatora na comissão, a deputada Rosinha da Adefal (PTdoBAL) afirmou que o projeto contribui para incrementar a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, o que reper-

cutirá não apenas em benefício pessoal, mas para as empresas e para a economia. “A medida contribui, certamente, no sentido da construção de uma transição entre as situações de beneficiários e de empregados,

uma vez que a suspensão abrupta do benefício constitui, sem dúvida, impedimento para a aceitação de ofertas de trabalho, principalmente em se tratando de pessoas com menor remuneração”, afirmou. Atualmente, a Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742/93) prevê a suspensão do benefício assim que o portador de deficiência for empregado formalmente. A legislação assegura a manutenção concomitante do benefício e da remuneração, por no máximo dois anos, apenas no caso de contratação de pessoa com deficiência na qualidade de aprendiz. TRAMITAÇÃO O projeto ainda será analisado, conclusivamente, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Agência Câmara)


Empresas de tecnologia descobrem potencial dos autistas s empresas do setor de tecnologia de informação descobriram o enorme potencial de pessoas autistas, como o personagem imortalizado por Dustin Hoffman em 'Rain Man' há 25 anos. O fabricante alemão de software para empresas SAP decidiu em maio empregar nos próximos anos centenas de autistas para formá-las em testes de software e programação, e em setembro começou a seleção na cidade alemã de Walldorf. A SAP já selecionou oito autistas para serem treinados nos próximos meses e que começarão a trabalhar em janeiro de 2014 na Alemanha. Os autistas se destacam pela excepcional habilidade de buscar e reconhecer erros porque são pes-

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soas muito perfeccionistas, ligadas em detalhes e podem ficar concentradas durante muitas horas. Os autistas têm habilidades lógicas e analíticas muito desenvolvidas, assim como seriedade e tolerância zero aos erros. A SAP quer que até 2020 1% dos 65 mil empregados da companhia sejam autistas, a mesma proporção de autistas em relação à população. A diretora de Diversidade e Integração da empresa, Anka Wittenberg disse à Agência Efe que começaram em 2011 um projeto similar na Índia, onde trabalharam com autistas e comprovaram que o autismo e a tecnologia de informação se dão bem, especialmente em testes e controles de garantia de qualidade. Após o sucesso da experiên-

cia na Índia, a empresa decidiu fazer o mesmo na Irlanda em dezembro de 2012 e este ano no Canadá e nos Estados Unidos. Dustin Hoffman foi o primeiro a falar do mundo dos autistas através do cinema ao protagonizar 'Rain Man' em 1988, e, dez anos depois, Miko Hughes interpretou um autista em 'Código Para o Inferno'. O autismo é um comportamento, qualificado como transtornos de espectro, que afeta de maneira e grau diferentes cada pessoa e é caracterizado por dificuldades na interação social e nas habilidades de comunicação. A SAP trabalha com Specialisterne, uma iniciativa dinamarquesa cujo objetivo é integrar no mercado de trabalho um milhão de autistas que não são limitados inte-

lectualmente. A Specialisterne, fundada por Thorkil Sonne, pai de uma criança autista, oferece consultores em tecnologia da informação que têm um diagnóstico no espectro do autismo ou similares, como autismo, Síndrome de Asperger, TDA, TDAH ou Síndrome de Tourette. Sonne ganhou o prêmio de empresário social em 2012 no Fórum Econômico de Davos. Entre os clientes de Specialisterne estão Microsoft, Siemens, a empresa sueca de serviços financeiros Nordea e a empresa dinamarquesa de telecomunicações TDC. A empresa berlinense Auticon é a primeira na Alemanha a empregar exclusivamente autistas como consultores no setor de tecnologia da informação. (Fonte: EFE)

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Efeito da talidomida pode ter sido mais amplo, afirma pesquisador Reprodução

Estudos recentes indicam que a droga talidomida pode ter causado uma gama mais ampla de más-formações do que se imaginava.

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m 1961, já havia ficado claro que o remédio estava levando ao nascimento de bebês com problemas de formação graves, como o encurtamento de braços e pernas. Ainda em 1961, a droga foi retirada do mercado em vários países.Criada pela companhia farmacêutica alemã Grunenthal, a talidomida começou a ser vendida em 1957, inicialmente como um sedativo leve. Depois, passou a ser receitada a mulheres grávidas, para combater o enjoo. Segundo números oficiais, cerca de 10 mil pessoas em todo o mundo nasceram com más-formações provocadas pela talidomida. Acredita-se que muitas mortes ocorreram ainda no útero. Hoje, a talidomida ainda é utilizada para tratar a hanseníase (lepra) e o mieloma múltiplo (um tipo de câncer). No Brasil - segundo país do mundo em casos de hanseníase, superado apenas pela Índia milhões de comprimidos da droga são consumidos por milhares de pacientes. Recentemente, um estudo brasileiro vinculou 100 casos de bebês nascidos com deformidades à ingestão de talidomida. NOVA PESQUISA Em 1973, na Grã-Bretanha, após longas batalhes em tribunais, os distribuidores britânicos da Talidomida - a empresa Distillers - concordaram em compensar financeiramente as vítimas. O Thalidomide Trust foi criado e mais de 400 crianças foram beneficiadas. No entanto, os critérios para a determinação dos casos que se qualificam para receber indenizações são, na opinião de 18

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alguns, inapropriados. Muitos indivíduos que nasceram com deformidades mas foram excluídos do grupo que recebe ajuda financeira para conviver com suas deficiências acompanham com atenção os estudos do pesquisador Neil Vergesson, da University of Aberdeen, Escócia. Vergesson vem observando os efeitos da talidomida no desenvolvimento de embriões de pintinhos e peixes. No passado, o especialista escreveu relatórios para advogados que representavam alguns dos pacientes excluídos da lista oficial de vítimas. Na década de 1960, especialistas decidiram que os fetos eram afetados pela droga durante um período muito curto da gestação entre o vigésimo e o trigésimo-sexto dia após a concepção. Vargesson questiona essa teoria. E afirma também que a droga afeta indivíduos de maneiras diferentes. "Esse intervalo de tempo (durante o qual o feto seria sensível à droga) foi baseado em entrevistas com pais de crianças seriamente afetadas e está relacionado a danos externos e danos internos graves", disse. E acrescentou: "Tendo em vista a diversidade dos danos em sobreviventes da talidomida e estudos em animais que mostram que em uma mesma ninhada cada feto é danificado de forma diferente, está claro para mim que a droga age de maneira

diferente em cada indivíduo e embrião". Para Vergesson, é possível que a talidomida provoque uma gama mais ampla de danos do que se imaginava. No entanto, ele admite que é difícil saber com exatidão que danos são esses. "Jamais saberemos a gama verdadeira (de efeitos da droga), é tão difícil voltar 55 anos e dizer, bem, vamos dar uma olhada nessas pessoas, porque na maioria dos casos, nem sabemos quem são essas pessoas". O trabalho de Vergesson é polêmico e há especialistas que discordam de suas conclusões. Para alguns, porém, as pesquisas do especialista oferecem alguma possibilidade de justiça. INJUSTIÇA? O britânico Gary Grayson, da cidade inglesa de Ipswich, nasceu em 1961. Suas pernas tinham deformidades graves e foram amputadas antes de ele completar dois anos de idade. Poucos meses depois, ele passou a usar pernas artificiais. A mãe de Grayson tomou talidomida, mas ele nunca recebeu qualquer indenização. Médicos do Thalidomide Trust disseram que as deformidades que Grayson apresentava não eram típicas da talidomida.Ele não deixou que a deficiência atrasasse seu desenvolvimento e se saía bem na escola. Hoje, casado e pai

de família, trabalha no Ministério da Defesa britânico. "Na minha juventude, nunca me considerei uma vítima". Mas agora, depois de investigar mais a fundo seu próprio histórico médico, ele acha que tem provas suficientes para brigar na Justiça por uma indenização. INDENIZAÇÕES Várias firmas de advocacia vêm cuidando do caso de Grayson e de outras supostas vítimas - muitas delas britânicas. O grupo se autodenomina Thalidomiders. Em outros países mais processos estão em andamento. Na Espanha, 185 pessoas estão levando o fabricante alemão Grunenthal para o tribunal. Elas nunca receberam qualquer indenização da empresa. No ano passado, na Austrália, os distribuidores da droga concordaram em indenizar uma vítima, Lynette Rowe, de 50 anos. Mais casos são esperados ainda neste ano. No Brasil, vítimas da talidomida ganharam direito a indenizações pelo governo brasileiro em 2010. O governo foi responsabilizado porque, ao contrário de outros países, que retiraram a droga de circulação em 1961, o Brasil só suspendeu o uso do medicamento quatro anos depois. Segundo estimativas de 2010, 650 brasileiros se qualificavam para receber compensação financeira.


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Casa Cor Experience traz a público moradia acessível em Campinas Reprodução

quinta edição da Casa Cor Campinas trouxe uma novidade antenada com os novos tempos da responsabilidade social, a Casa Cor Campinas Experience, um projeto voltado para a inclusão das pessoas com deficiência ou com dificuldade de locomoção. A proposta inédita na região de Campinas pode ser vista – e vivenciada – até o dia 3 de novembro. Em parceria com o Parque D. Pedro Shopping, a Casa Cor Campinas criou o projeto de uma casa acessível composta por sala, cozinha, um banheiro, quarto do casal e quarto do bebê. Os responsáveis técnicos pelo projeto são o arquiteto Mawell Geraldi e o engenheiro Herbert Faustino. Ambos já tinham experiência no universo da acessibilidade. Mas foram escolhidos, principalmente, por terem sido premiados no Casa Cor 2012 com

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o projeto de uma capela. “Já executei obras públicas acessíveis, como hospitais, creches e centros de saúde”, conta Mawell, e garante: “Antes da lei da

acessibilidade ser regulamentada, a gente já cumpria esse padrão. Agora, fazemos isso com mais afinco, porque, afinal, a lei existe pra ser cumprida”. O arquiteto se refe-

re à Norma 9050, de 2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As principais características de uma casa acessível são corredores amplos, portas largas, maior altura da cama e das mesas (para o caso de cadeirantes), automatização de janelas e cortinas e vãos livres embaixo da pia e do fogão (para que a cadeira de rodas possa entrar), além da ausência de tapetes e a existência de barras de apoio, principalmente no banheiro. E tudo isto pode ser visto e vivenciado no Casa Cor Experience. “A gente quer que o público viva o projeto, experimente - por isso Experience. A gente quer que os visitantes entrem de cadeira de roda para visitar a casa, para poder vivenciar esse momento Casa Cor”, afirma Flavio Sanna, presidente da Casa Cor do Interior de São Paulo. (Fonte: Kátia Fonseca - RAC)


Inmetro testa funcionamento de oito marcas de cadeiras de rodas Reprodução

Fabricantes foram reprovados em testes de alinhamento, resistência do apoio para os pés, dos manípulos e da durabilidade dos freios das cadeiras Inmetro resolveu testar cadeira de rodas em função da natureza das reclamações que nós recebemos dos nossos consumidores que estão relacionadas à questão da segurança do usuário, da segurança do cadeirante”, explica Paulo Coscarelli, diretor substituto do Inmetro. Foram analisadas oito marcas de cadeiras de rodas manuais com capacidade entre 75 e 100 quilos:

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Carone, CDS, Freedom, Jaguaribe, Ortobras, Ortometal, Ortomix e Vanzetti. O Inmetro verificou se as cadeiras estão alinhadas, ou seja, se não puxam para a direita ou para a esquerda, o que dificultaria a utilização. Resultado: Todas as cadeiras se desviaram do percurso, sendo que uma apresentou um desvio de mais de um metro. O teste seguinte avaliou a resistência do apoio para os pés. “O objetivo dele é verificar se o apoio resiste à força normal de uso onde o cadeirante apoia o seu pé”, explica a gerente técnica do Laboratório Cetemo/ RS, Maria Bertarello. Ao todo, sete das oito marcas foram reprovadas nesse quesito. Mas será que os manípulos aguentam? O teste seguinte é justamente para saber se eles se soltam facilmente. Metade das marcas apresentou

problemas. No teste da durabilidade, que simula o uso diário de uma cadeira, quase todas as marcas também deixaram a desejar. No teste dos freios, sete das oito marcas de cadeiras de rodas avaliadas apresentaram falhas nos freios. “Há um risco real à segu-

rança dos cadeirantes que pode sofrer acidentes caso utilize essas cadeiras”, explica o diretor substituto do Inmetro. O relatório completo pode ser acessado no site http://estaticog1.globo.com/2013/10/18/rel_fi nal_cadeira_rodas.pdf

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Feridos na Maratona de Boston aprendem a correr com próteses ezenas de amputados feridos durante os ataques na Maratona de Boston compareceram às pistas de atletismo de Harvard na manhã chuvosa do dia 6 de outubro, juntamente com as famílias, fisioterapeutas e outros voluntários, para aprender a andar e a correr com as pernas protéticas. O evento foi uma parceria entre uma fundação parolímpica juntamente com um clínica que auxilia na recu-

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peração de pessoas que sofreram acidentes. Celeste Corcoran, que perdeu as duas pernas em explosões na linha de chegada da maratona, não era uma "grande" corredora antes, mas disse que espera um dia participar de uma corrida de 5 km por diversão . "Eu só quero ser capaz de fazer as coisas que eu fiz antes...Muitas pessoas estão a minha volta e eu sinto que eu posso fazer isso. Estou tentando fazer o meu melhor para desfrutar de estar viva", completou Corcoran. "As histórias mais inspiradoras estão na parte de trás da embalagem", disse Joan Benoit Samuelson, duas vezes vencedor da Maratona de Boston, ao participar do evento em Havard. "Nosso lema é 'Não há linha de chegada. Há sempre mais desafios lá fora. Vocês que vieram hoje são os porta-vozes desses desafios'", exclamou Samuelson aos participantes. Organizado pela fundação atletas paraolímpicos, que ajuda amputados e outras pessoas com deficiência a participar de esportes, a clínica reuniu no evento vítimas de maratona, os amputados feridos em ações militares, entre outros. "É inspirador", disse David Driscoll , um médico que estava trabalhando na linha de chegada, na tenda médica da maratona no dia da corrida. "É muito esclarecedor vê-los chegar e ver que eles estão superando isso.

Para Heather Abbott que teve sua perna esquerda amputada após as explosões de maratona, quatro próteses significam muito na vida - uma é a "perna todos os dias", outra é "impermeável" para a natação, outra que lhe "permite" usar salto alto e um outro tipo de prótese a possibilita de correr. "Estou tentando fazer todas as coisas que eu costumava fazer", disse Abbott. (G1) Reprodução



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