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O jornal equilíbrio Ano I - Edição única - Mariana/MG - 2014

CETICISMO E DOGMATISMO EM FILOSOFIA

colocando questões sobre a relatividade do conhecimento e os limites da razão.

CETICISMO DOGMATISMO

O cético, no sentido comum, é aquele que desconfia de tudo, que não acredita nas possibilidades que estão à sua frente. Por exemplo: alguns alunos, no inicio do segundo semestre letivo, diante do seu mau desempenho escolar, tornam-se céticos com relação à possibilidade de aprovação e não se esforçam mais. Em filosofia, dizemos ceticismo a corrente de pensamento que duvida de toda e qualquer possibilidade de se chegar ao conhecimento verdadeiro. A Atitude cética é típica das épocas de crise, quando verdades estabelecidas são destruídas, sem que se tenham, ainda, propostos novos princípios sobre os quais fundamentar o conhecimento e as ações. Nesses momentos, coloca-se tudo em dúvida, examinam-se todas as certezas, opiniões e crenças, numa busca de solo seguro sobre o qual construí um novo saber. O ceticismo, ainda, inspira a atitude crítica e questionadora da filosofia contemporânea,

No senso comum, o dogmático é a pessoa que acredita ter a posse da verdade e se recusa ao diálogo, não admitindo o questionamento de suas certezas. Encontramos essa atitude em muitas situações do cotidiano: desde governos a escolas e pais dogmáticos, que se recusam a colocar em discussão

certas regras que, para eles, são as únicas verdadeiras e corretas. Em filosofia, dogmatismo assume sentidos um pouco diferentes entre si, mas interligados. O primeiro sentido de dogmatismo é a admissão de que se pode conhecer as coisas em si e de que esse conhecimento é confiável para nos guiar na vida prática diária. No segundo sentido, dogmatismo é a doutrina, ou atitude, que afirma, de modo absoluto, sermos capazes de chegar a verdades seguras exclusivamente por meio do uso da razão. REFERÊNCIA ARANHA, Maria L. A. MARTINS, Maria H. P. Temas de filosofia. Ed. Moderna. São Paulo: 2005.

Extraído de <http://ephesens.blogspot.com.br/2008/02/aula-3dogmatismo-e-ceticismo.html>Acesso 08/5/2014.

O físico brasileiro Marcelo Gleiser afirma que o dogmatismo científico é tão inflexível quanto o da religião veja nas páginas 2 e 3


O jornal equilíbrio

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EDITORIAL Esta edição única do “Dogmatismo Ceticismo X Filosofia – O jornal equilíbrio” versa sobre um assunto muito interessante, quando se trata de questões que envolvem a busca pela verdade e de como o ser humano se porta diante das diferenças com relação ao outro, quando da discussão a respeito de como a verdade se torna “próxima” ou “distante”, ou até mesmo impossível de ser alcançada. Nessas páginas podem ser lidos alguns artigos extraídos de fontes diversas e que tratam do assunto em questão, o objetivo não é colocar em extremas todas as respostas dadas à questão, mas levantar uma provocação que gere novos questionamentos, tão importantes para a obtenção de novos conteúdos. Independentemente do ponto que se tome como iniciativa para a discussão: é bom deixar claro que só será possível alçar vôos mais distantes no aprendizado, quando o leitor se permitir ser provocado por questões que diferem do seu ponto de vista inicial e a partir dele observar as indagações, feitas por si próprio e por quem auxilia na geração dessas perguntas. Como dito anteriormente não serão exauridas todas as dúvidas com relação ao assunto a partir desse impresso, mas nos utilizamos de alguns recursos para facilitar o aprendizado inicial, dentre eles podemos dizer a cerca da charge utilizada, da “Cruzadinha CéticoDogmática” e principalmente da parte “Para saber +”, que permitem ao leitor a interação com o conteúdo e esta última leva à ampliação das possibilidades através da indicação de algumas fontes que podem ajudar com dúvidas e/ou questionamentos. Enfim, esperamos que os leitores deste pequeno informativo possam ter a oportunidade de saírem da mesmice através da leitura, indagação e interpretação do assunto, e que o conhecimento não seja apenas letras impressas em papeis, mas que façam, os leitores, do coração o maior caderno de aprendizado. Os editores.

O físico brasileiro Marcelo Gleiser afirma que o dogmatismo científico é tão inflexível quanto o da religião Galileu - Seu livro 'O Fim da Terra e do Céu' foi escrito antes dos ataques terroristas de 2001. Mas esses acontecimentos têm sido abordados em suas palestras sobre a obra. Por quê? Marcelo Gleiser - Eu tenho puxado bastante para esse lado, principalmente nos Estados Unidos, pois nesse livro eu falo muito sobre as seitas apocalípticas, o extremismo religioso e como as pessoas podem matar ou se matar pela fé. Para muitos extremistas, o martírio faz parte da salvação, da redenção final. Muitas pessoas continuam a pensar desse jeito. Galileu - Apesar desse enfoque, seu livro segue a linha de seus trabalhos anteriores que é a da divulgação científica. O que você acha que a divulgação científica pode trazer para esta virada de século influenciada pelo espírito apocalíptico? Gleiser - Eu sempre digo, inclusive nesse livro, que a ciência não promete a salvação eterna. Ela pode, através da reflexão sobre o conhecimento da natureza, dar às pessoas condições para uma emancipação individual, ou uma liberdade pessoal. Ela oferece uma capacidade de emancipação racional, uma capacidade de cada pessoa decidir sobre a sua vida. Com ela, não é preciso depender da fé para alguém escolher qual vai ser o seu destino. E a fé, muitas vezes, só pode oferecer uma alternativa dogmática, como a recompensa em outra vida, muitas vezes por um ato. Galileu - Por outro lado, esse dogmatismo existe também no meio científico, onde muitas vezes não se reconhece limitações da própria ciência, e isso acaba

fortalecendo os argumentos contrários... Gleiser - Concordo plenamente. Tenho feito uma verdadeira cruzada junto a colegas cientistas, principalmente nos Estados Unidos, que seguem uma linha quase reacionária, que é a do dogmatismo científico. Não se fala em espiritualidade. É um assunto proibido, um tabu. Para eles, a sociedade não deveria dar espaço para qualquer coisa que tenha a ver com emoções ou com o que não esteja relacionado aos processos da descoberta científica. Essa é a linha de Carl Sagan e de Lawrence Krauss, o autor do livro 'A Física de Jornada nas Estrelas'. Essa atitude tem efeito extremamente negativo com as pessoas religiosas, tratando-as de uma forma tão inflexível quanto o dogmatismo que se pretende combater. Tive uma discussão com Krauss sobre os criacionistas - que pretendem combater o ensino da teoria da evolução nas escolas - em que ele disse que nem aceita debater com eles para não lhes dar legitimidade. E eu respondi que isso é errado, pois é justamente a falta desse diálogo que vai dar oportunidade aos criacionistas para convencer cada vez mais pessoas. Galileu - Por falar em criacionismo, essa doutrina tem sido revigorada até mesmo nos meios acadêmicos pela teoria do Intelligent Design, ou Planejamento Inteligente, que, sem recorrer aos textos bíblicos, tenta comprovar que a origem e a evolução do Universo e dos seres vivos foram guiadas por um ser superior. O que o sr. acha dessa teoria?

EXPEDIENTE Editor-chefe: Há contradições. Editores-base: Delvair Xavier, Emerson Henrique, João Filho, Sidinei Braz. Jornal produzido para a aula de Iniciação Filosófica.


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Gleiser - Essa é a teoria dos criacionistas mais sofisticados. Eles dizem que a natureza funciona de uma forma muito precisa, harmoniosa demais, para que seja fruto de um mero acaso e, portanto, tudo só pode ter surgido com um design, ou m e l h o r, u m p l a n e j a m e n t o inteligente. Tem vários problemas nessa visão. Um deles é que o ser humano é fruto de um longo processo evolutivo que o dotou de um córtex cerebral capaz de perceber semelhanças, simetrias e padrões. Essa capacidade tornou o homem apto a sobreviver em um ambiente hostil. Somos especialmente preparados para reconhecer padrões e somos recompensados por nossa química cerebral - e isso vale também para o reconhecimento da beleza. A explicação criacionista inverte a ordem das coisas. Nossa inteligência consiste em reconhecer padrões na natureza e construir a ciência sobre esses padrões, podendo escapar muitos aspectos que não percebemos - o que significa também que a ciência não detém a verdade sobre tudo. Galileu - Voltando ao tema do extremismo, havia pessoas com conhecimento tecnológico de nível superior entre os terroristas que participaram dos atentados do ano passado, mas esse

conhecimento não os impediu de cometer uma ação suicida. Por que essa mentalidade não diminuiu nos últimos anos com o crescimento da divulgação científica? Gleiser - Esse conhecimento nada pode fazer com a cegueira causada pela fé extremista. Ele não passa de um meio, e acaba servindo para cumprir missões fanáticas em busca da redenção final.

Extraído de <http://revistagalileu.globo.com/Galileu/ 0,6993,ECT352826-1945,00.html/> Acesso 07 mai. 2014.

O DOGMATISMO É um termo usado pela filosofia e pela religião. Dogmatismo é o pensamento que afirma a capacidade do homem de atingir a verdade absoluta e indiscutível. Na religião, corresponde ao conjunto de dogmas (pontos fundamentais e indiscutíveis de uma crença). O nome vem do termo grego dogma, que significa opinião. Esta opinião não deve ser entendida em seu sentido comum, como uma afirmação impensada ; podemos definir as opiniões de um filósofo como sua doutrina, ou seja, afirmações que se referem a princípios através dos quais é possível alcançar verdade e conhecimento absolutos. Já na filosofia, é o pensamento contrário ao ceticismo, que questiona a possibilidade de conhecimento total da verdade. É uma espécie de fundamentalismo intelectual, onde se expressam verdades que não são sujeitas a revisão ou crítica. Foi a posição assumida por vários filósofos ao longo da história da filosofia. A Bíblia é um ótimo exemplo do Dogmatismo. Sendo uma das fontes de dogmas mais conhecida por nós, afirmando verdades absolutas, como por exemplo, a existência de Deus. Assim, o termo dogmático pode ser compreendido como relativo a uma doutrina, fundado em princípios. Este termo foi criado pela escola de Pirro, composta por céticos, nos séculos IV e III a.C., para servir de contraponto à filosofia cética. Enquanto esta limita sua atividade à observação dos fenômenos, por acreditar não ser possível formar conhecimentos sobre da realidade, é considerado dogmático todo filósofo que admite qualquer certeza, mesmo sem comprovação. Mesmo soando estranho, muitos filósofos que se destacaram na história, eram dogmáticos; como por exemplo, Platão e Aristóteles. Como já foi citado, ao longo da história da filosofia, a posição dogmática aparece várias vezes, porém, as teorias que pretendem contrapor essa atitude, também foram propostas diversas vezes. Na Idade Moderna, Descartes pretende, com a instituição da dúvida metódica, evitar o uso do dogmatismo. Kant, por sua vez, opõe o dogmatismo ao criticismo, e o define

Diponível em <www.criacionismo.com.br> Acesso em: 06 abr. 2014.


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O CETICISMO O termo ceticismo faz referência a uma teoria filosófica, ou seja, retrata o perfil de uma pessoa que questiona várias idéias dentro da sociedade. Os questionamentos giram em torno da verdade, acreditando que nem tudo é como se pensa. A dúvida é o principal mecanismo do ceticismo, a pessoa deve ser movida pelas perguntas e incertezas para interpor uma idéia estabelecida. Os intelectuais acreditam que essa teoria teve sua origem na Grécia Antiga e foi fundamental para grandes avanços da humanidade. Há duas formas de ceticismo: o filosófico e o cientifico. Eles seguem basicamente a mesma linha, mas o primeiro avalia os pensamentos enquanto o segundo tenta encontrar explicações para as pesquisas dentro da ciência. Um dos setores que mais questiona o ceticismo é o religioso.

CRUZADINHA CÉTICO-DOGMÁTICA

1P L A 2- V 3- C T Ã O 4C E 5- R A R I S T 6- D Ó T 7- R E L E 8- F S PERGUNTAS: 1- Muitos filósofos que se destacaram na história eram dogmáticos, inclusive PLATÃO E ARISTÓTELES. 2 - Os céticos afirmam não ser possível alcançar a ________ plena a respeito das coisas. 3 - Ideologia que afirma não ser possível obter à verdade total das coisas. 4 - O dogmatismo ________ está ligado aos assuntos da ciência. 5 - Os que se valem «somente» da razão para alcançar seus objetivos são chamados de _______. 6 - Ideologia que acredita em uma verdade em caráter absoluto ou indiscutível, sem ser necessariamente comprovada cientificamente. 7 - O dogmatismo ________ está ligado aos assuntos da religião. 8 - A área de estudo (pensante) que pode promover o equilíbrio entre dogmatismo e ceticismo é a ________.

Disponível em <http://dogmatismoxceticismo.blogspot.co m.br/> Acesso em 07 mai. 2014.

+ @

Para saber

RESPOSTAS: 1 - PLATÃO E ARISTÓTELES; 2 - VERDADE; 3 - CETICISMO; 4 - CIENTÍFICO; 5 - RACIONALISTAS; 6 - DOGMATISMO; 7 - RELIGIOSO; 8 - FILOSOFIA.

como o procedimento da razão pura sem uma crítica preliminar de seu próprio poder. Segundo Augusto Comte, o dogmatismo é o estado normal da mente humana, uma vez que o homem necessita confiar em algo para viver, estando sempre se utilizando de uma determinada crença. Para este pensador, o ceticismo só poderia ser usado em um momento de crise, quando uma posição antiga deve ser evitada, de modo que se possa realizar a passagem de uma crença a outra. O dogmatismo deve ser em geral compreendido, filosoficamente, em relação ao problema do conhecimento e dos meios que este utiliza para chegar a uma resposta, uma verdade. Assim, podemos vê-lo em dois sentidos principais, que se encontram, no entanto, entrelaçados: como a afirmação da possibilidade de alcançar a realidade em si mesma e como a confiança nas habilidades humanas, mais especialmente na razão, como modos seguros de acesso à verdade. Teoricamente, as posturas que, de maneira mais radical, confrontam o dogmatismo são o ceticismo, representado pela escola de Pirro e seus seguidores, e o criticismo, instaurado a partir do pensamento de Kant.

Caso queira aprender mais sobre o assunto desta edição, recomenda-se os seguintes endereços:

* laudascriticas.wordpress.com/2009/11/29/ceticismo/ * dogmatismoxceticismo.blogspot.com.br/ * criacionismo.com.br


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