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Manual de Boas Prรกticas Emocionais

12 Passos para melhorar o seu fitness emocional

Ana Raquel Veloso


Manual de Boas Prรกticas Emocionais

Todo o ser humano tem por dever tornar-se naquilo que quer ser. As pessoas inteligentes criam-se e reinventam-se ao longo da vida. Ana Raquel Veloso

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Manual de Boas Prรกticas Emocionais

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Passos para melhorar o seu fitness emocional


∙ ÍNDICE ∙ INTRODUÇÃO 12 PASSOS 1 • PARAR 2 • ESCUTAR 3 • CONTEMPLAR 4 • DUVIDAR 5 • ASSUMIR 6 • APRENDER 7 • DESAPRENDER 8 • DECIDIR 9 • PENSAR 10 • ACREDITAR 11 • OUSAR 12 • COMUNICAR

CONCLUSÃO


11-13 15-129 16-25 26-35 36-45 46-55 56-65 66-75 76-83 84-93 94-102 103-111 112-119 120-129

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1 • PARAR

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Todo o ser humano tem por dever tornar-se naquilo que quer ser. As pessoas inteligentes criam-se e reinventam-se ao longo da vida. Ana Raquel Veloso

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Este manual deve ser lido de forma íntima e reservada, pois a nossa saúde emocional precisa que lhe dediquemos tempo, carinho e atenção. Temos que estar voltados para nós para nos podermos ver, ouvir e sentir. Dedique-se este tempo de leitura, tempo de qualidade exclusivamente para si. Assinale a data em que o começou a ler e desfrute.


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∙ INTRODUÇÃO ∙

Todos os manuais de boas práticas estão formatados para ajudar as pessoas a resolver, aprender, desenvolver ou treinar algo – este, não tem diferente propósito. As boas práticas emocionais podem, sem qualquer dúvida, ser aprendidas, desenvolvidas e aplicadas. Mas, como qualquer outra atividade, tem que haver prática para haver o domínio da mesma, não há mestria sem treino! São os nossos hábitos que fazem de nós o que somos. Isso significa que se treinarmos e mudarmos os nossos hábitos, aquilo que fazemos, mudaremos também aquilo que somos. Mudar algo em nós, é na verdade apenas uma questão de treino e vontade de o fazer. O objetivo deste manual não é dar soluções nem respostas, mas sim ajudá-lo a encontrá-las. Tem como propósito ajudar a desenvolver competências críticas e de reflexão, pois são estas que nos permitam melhorar o nosso fitness emocional e ter uma atitude mais saudável e proactiva perante a vida.

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INTRODUÇÃO

O potencial deste manual é imenso pois os resultados que obtiver dependem unicamente do uso que dele fizer. Melhorar a gestão emocional que faz da sua vida depende única e exclusivamente de si – ler este manual é sem dúvida um bom passo nessa direção. Mas atenção, garanto desde já que não bastará. Terá que fazer mais. Ler é o primeiro passo mas, como já referi, a mestria exige treino. Nos dias de hoje a temática das emoções é abordada com alguma leveza e leviandade, isso origina muita confusão. Embora possa parecer paradoxal a verdade é que, apesar da importância que as emoções têm na nossa vida, no dia-a-dia pouco sabemos sobre a forma como as gerir. Num mundo governado por emoções, não saber geri-las é ficar à mercê das circunstâncias, é ser peão, mero executor, e nunca o decisor do jogo. A importância de aprender a fazer uma boa gestão emocional é imperativa para quem quiser governar a sua vida e não permanecer apenas como um mero sobrevivente. Só aprendendo a ser um bom gestor emocional, um líder da sua própria mente, só desenvolvendo o nosso Quociente Emocional (QE), podemos ser emocionalmente competentes e alcançar o que desejamos e sonhamos. A felicidade que conquistamos na vida é diretamente proporcional ao esforço e investimento que fazemos

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em nós. Não podemos querer que algo melhore ou mude nas nossas vidas, sem que sejamos nós os agentes impulsionadores dessa mudança. Temos que agir para que haja melhorias, somos nós o motor que dá andamento às mudanças da nossa vida. Neste manual encontrará muita ação: verbos para conjugar, palavras a pronunciar, conceitos a aprender, ações a empreender, frases para inspirar e motivar. Sem ação nada conseguimos alcançar, temos que vencer a inércia e criar as condições que nos permitam ter a vida que desejamos. Muitos me dizem que estão à espera que a vida lhes resolva os problemas, eu respondo sempre que somos nós que temos que resolver os problemas da vida e fazer dela aquilo que queremos que seja. Cada um deverá utilizar este manual como bem entender, da forma que lhe for mais conveniente e confortável, aplicá-lo como considerar mais ajustado à sua vida, necessidades e expectativas. As resposta às perguntas sugeridas no final de cada tema deverão ser dadas pela ordem que cada um entender e à medida que tiver vontade de o fazer. O manual é seu, a leitura é sua! Somos seres únicos, toda a informação e conhecimento que adquirimos deverá sempre estar de acordo com os nossos interesses e ajustada à nossa realidade. Interessa no entanto saber: Qual é a nossa realidade?

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12 PASSOS

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PARAR “…O sábio respondeu: podemos cometer alguns excessos de vez em quando. Mas é sempre bom parar, e refletir sobre o que fazemos na vida.” Confúcio


1 • PARAR

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uando queremos mudar algo em nós ou alterar a direção das nossas vidas, é imprescindível parar. Saber quando parar, e conseguir fazê-lo, é mesmo uma das aprendizagens mais importantes que podemos fazer na vida. É interessante que uma das ações que nada exige que façamos seja uma das que mais nos custa aprender e empreender. Quando algo menos bom nos acontece, quando não sabemos para onde ir ou não nos agrada o rumo da nossa vida, parar é sem dúvida a melhor solução. Se não o fizermos continuaremos a andar em círculos ou a percorrer os mesmos caminhos erróneos, que nos levam aos destinos de sempre, com os resultados que já conhecemos. Só parando conseguiremos ver onde estamos e perceber para onde queremos ir. Só assim perceberemos também que opções temos e que caminhos que devemos seguir. Só parando podemos ter capacidade para discernir e escolher, convenientemente, o que é mais adequado para nós. Devemos perceber que em movimento tudo se torna mais confuso, a capacidade de concentração diminui, a rapidez das ações aumenta e a velocidade a que tomamos decisões erradas, obviamente, também. Sem possibilidade de parar, para pensar ou refletir, corremos o risco de aumentar os danos já existentes, por vezes de forma irreparável.

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Aprender a parar, e deixar a cabeça assentar, é sempre uma boa medida a adotar. E se a situação em termos emocionais for intensa, é também aconselhável parar e dormir uma boa noite de sono, ou várias. Continua a ser verdade que a almofada é boa conselheira, talvez mesmo a melhor. Isto é assim porque enquanto dormimos desligamos a nossa mente consciente e entramos num modo inconsciente de ‘resolução de problemas’. O sono tem como objetivo recuperar-nos física e mentalmente dos desgastes e agruras que sofremos ao longo do dia. Durante os sonhos temos a possibilidade de avaliar o nosso comportamento, de nos vermos fora do nosso corpo, de sermos espectadores daquilo que durante o dia aconteceu e avaliar as situações de outra forma. É também através dos sonhos que podemos fazer uma gestão por cenários da nossa vida, explorar novas abordagens, perceber o que acontece se agirmos de forma diferente, vermos que resultados obteríamos se nos expuséssemos a determinada situação. É um processo de experimentação e em simultâneo de consolidação de experiências, porque na ver-

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1 • PARAR

dade elas acontecem no nosso cérebro portanto aprendemos sempre algo. Por incrível que possa parecer quando sonhamos exercitamos zonas específicas do cérebro e acabamos sempre por criar novas ligações, novos conhecimentos. É também durante os sonhos que temos a possibilidade de libertar a nossa mente dos pensamentos e emoções mais corrosivos. É como um processo de higiene emocional através da atividade onírica. Por vezes há assuntos que ficam resolvidos nos sonhos, situações que se encerram, emoções que desaparecem, apenas porque uma situação ‘sonhada’ permitiu que assim fosse. Parar de pensar e de remoer, descansar e recuperar energia, dormir e sonhar são as primeiras medidas a tomar para alcançar uma saúde emocional equilibrada e começar a fazer uma boa gestão das emoções. Numa fase inicial de aprendizagem das dinâmicas emocionais que nos envolvem é quase impossível compreender a totalidade do contexto emocional em que vivemos e que nos rodeia. Não creio que esta seja fase para grandes conver-

Neste primeiro passo, o importante mesmo é saber parar, descansar, dormir e aguardar que esteja chegado o momento de dar os passos seguintes. 20


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sas, penso até mesmo que para nenhumas. Ainda não possuímos muita informação sobre nós, os factos ainda não são devidamente conhecidos, as experiências ainda não estão assimiladas, não sabemos qual a dimensão e extensão das nossas feridas emocionais, muito menos que tratamentos adotar. Não temos conhecimentos novos que nos permitam entender de forma mais elevada o que devemos e podemos fazer. Falar de nada adianta, bem pelo contrário, só complica, confunde e desgasta. Com este primeiro passo, criamos o hábito de sentir em vez de falar, para que depois possamos falar do que sentimos e não, como muitas vezes acontece, acreditarmos que sentimos aquilo de que falamos.

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1 • PARAR

Considere algumas questões: • Quantos momentos de pausa tem no seu dia? • Como planeia em regra esses momentos? Será que os planeia? • Como são os seus momentos de pausa? • Depois de grandes acontecimentos tem por hábito parar, reservar-se algum tempo para refletir e sentir tranquilamente o que viveu? • Tem dificuldade em conseguir parar? • O que sente quando para? • Tem a sensação de que quando para o mundo avança rápido demais? • Ou sente que quando para tudo para também? • Sente que beneficiaria se parasse mais vezes? • O que está disposto a fazer para que isso aconteça?

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1 โ€ข PARAR

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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ESCUTAR “Falar é uma necessidade, escutar é uma arte.” Johann Goethe


2 • ESCUTAR

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eixar de fazer barulho e aprender a ouvir o silêncio é dominar com mestria uma verdadeira arte da vida. Os conflitos emocionais tendem a deixar-nos muito confusos e ruidoso’ o que só dificulta o processo de ouvir o que nos rodeia. Aprender a estar em silêncio é o passo mais importante para que consigamos perceber onde estamos, o que queremos ou devemos fazer. Temos que permitir à nossa alma falar connosco, gritar-nos, insurgir-se contra as decisões que tomamos, zangar-se e enraivecer-se pelos danos que lhe causamos. Temos que lhe permitir ser ouvida para que possa sentir-se entendida e, mais importante, para que possa sentir paz. Só em silêncio podemos dialogar com ela, fazer as pazes connosco e ouvir os conselhos que temos para nos dar. Só em silêncio podemos estar em comunhão connosco, ficar em verdadeira intimidade a usufruir em pleno da nossa companhia. O ruído em que as nossas mentes vivem a toda a hora é profundamente ensurdecedor. De tanto barulho que geramos, e guardamos dentro da nossa cabeça, é perfeitamente natural que nos sintamos confusos e muitas vezes prestes a enlouquecer.

É preciso parar para ouvir o que em silêncio nos está a ser dito.

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Antes de conseguirmos ouvir os outros temos que aprender a ouvir-nos a nós próprios. Sem saber o que temos para nos dizer nunca conseguiremos perceber o que os outros nos dizem. Se não nos sabemos ouvir, como conseguiremos ouvir e entender os outros? Aprender a procurar aquela conexão com o nosso interior, sintonizar a frequência do centro emocional que nos guia, a nossa consciência, a nossa voz interior é imperativo para uma vida emocionalmente saudável. A Voz da Consciência Afinal de contas o que é a voz da nossa consciência? Pense quantas vezes entra em diálogo consigo, quantas vezes ouve essa voz interior que o guia? Será que gosta sempre do que ouve? Será que às vezes a evita? Quantas vezes decidiu, deliberadamente, ligar a música ou o televisor para não se ouvir a pensar em algo que não queria? Quantas vezes, assolado pelos seus pensamentos, pegou no telefone para se distrair a falar com alguém? Creio que isto já nos aconteceu a todos… Optamos por falar e rodear-nos de pessoas ruidosas para bloquear o acesso à nossa consciência, à nossa voz interior. Optamos por alimentar a nossa mente com

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2 • ESCUTAR

músicas e letras, filmes e séries de TV, conversas e imagens, histórias e banalidades. Um alimento muito pouco nutritivo diga-se em abono da verdade e da nossa saúde. Optamos simplesmente por nos censurar porque é mais fácil e confortável, simplesmente porque não sabemos ou queremos fazer melhor. E depois dizemos: Afinal de contas é o que todos fazem, porquê ser diferente? Não tenho que ouvir coisas desagradáveis, mesmo que seja minha cabeça! Evitamos o desconforto a todo custo, mas será que isso nos conduz à felicidade? Será que isso nos ajuda a crescer? O que é que isso nos ensina? A verdade é que nos impede de ouvir aquilo que os outros dizem. Os mal-entendidos, discussões, desgastes emocionais têm muitas vezes aí a sua origem… Penso que nos devemos perguntar, e ouvir claramente a resposta que nos damos, se não será que não é todo esse ruído que nos isola? Será que não é esse ‘faz de conta que não me oiço’ que nos ensurdece? Pense nas palavras que nunca teve coragem para se dizer. Pense nos passos que já aprendeu: Parar e Escutar. Ponha-os em prática e lembre-se: temos dois ouvidos e uma boca para utilizar nessa mesma proporção.

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Considere algumas questões: • Que importância tem o silêncio na sua vida? • Quantos momentos de silêncio tem ao longo do dia? • Em que situações o silêncio é para si ruidoso? • Na intimidade do silêncio o que não gosta de se ouvir dizer a si próprio? • Em que alturas prefere o ruído ao silêncio? Porquê? • Quantas vezes, propositadamente, cala a sua voz interior? • Como se sente quando o faz? • O que gostaria de se ouvir dizer a si próprio? • O que é preciso acontecer para conseguir dizer-se isso?

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2 • ESCUTAR


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2 โ€ข ESCUTAR

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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CONTEMPLAR “Às vezes é preciso parar e olhar para longe, para podermos ver o que está diante de nós.” John Kennedy

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3 • CONTEMPLAR

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epois de parar e começar a ouvir as palavras mudas ditas na intensidade do silêncio, o passo seguinte é aprender a contemplar. Observar - sem falar, opinar ou tecer quaisquer comentários - é essa a verdadeira arte da contemplação. Já percebemos que tentar ver algo em movimento nunca nos dá uma visão clara e, muito menos, fidedigna da realidade. Quando paramos e ficamos em silêncio alcançamos uma capacidade de visão muito maior, de tal forma que conseguimos inclusive ver para dentro de nós. O silêncio apura a visão e ajuda-nos a contemplar melhor. Quando observamos algo e de imediato, sem pensar sequer um segundo, abrimos a boca para tecer um juízo de valor ou emitir uma opinião, estamos a acorrentar-nos a um Eu do passado, a um Eu que julga tudo à luz do que já conhece e do que outrora aconteceu. Quando julgamos e opinamos, sem refletir, estamos a ver tudo à luz dos velhos conhecimentos, das experiências que tivemos, do que já fomos e sentimos. É difícil aprender algo novo quando se vive agrilhoado ao passado. Não conseguimos preparar o futuro ou a promover mudanças na nossa vida e em nós quando andamos virados para trás, de costas para o futuro.

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Agindo dessa forma pouco aprendemos pois na verdade nada vemos. Com uma boca sempre aberta acabamos por ter uma mente fechada e o que conseguimos dessa forma é, na melhor das hipóteses, que tudo seja como sempre foi… sempre igual ao passado. Quando analisamos, ao invés de simplesmente contemplar, damos muita atenção ao pormenor, ao particular, dedicamos muita energia às partes e não ao todo. Focamos a nossa atenção nos pequenos detalhes que não fazem a diferença, apenas nos fazem perder tempo e foco no que realmente interessa. Quando vemos apenas um pedaço de determinada realidade não podemos sentir toda a sua essência, somos condicionados pelo pouco que vemos e agimos com base no pouco que sabemos. E, com esse pouco, temos muitas vezes o atrevimento de atribuir um significado ao todo. Temos a convicção limitadora de que com conhecimentos antigos, preconceitos criados no passado, crenças adquiridas ou herdadas muito lá atrás, conseguimos analisar novas realidades e criar uma imagem fidedigna. O que acontece é que dedicamos demasiado tempo a olhar e analisar o mundo e os outros. Quando fazemos isso criamos uma realidade ilusória que nos engana e obriga a ficar presos ao nosso Eu e à imagem que dele construímos, acreditando

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3 • CONTEMPLAR

que é um Eu real e absoluto. Mas é tão limitador… Sugiro que, pondo em prática o que já aprendeu, parado e em silêncio, se permita acordar desse passado, aos poucos e sem grandes sobressaltos. Contemple-se antes de contemplar os outros, olhe para si antes de olhar para os outros, conheça-se a si próprio antes de qualquer outra coisa.

A capacidade de contemplar é o que nos dá a verdadeira sabedoria, é quase como que de forma intuitiva pudéssemos aceder à imensidão de informação contida no universo. A arte da contemplação é apenas isso, permitir que a informação chegue até nós, de forma serena e intuitiva. Pare, oiça o silêncio e contemple - uma nova realidade revelar-se-á diante dos seus olhos. A possibilidade de aprender mais sobre nós, de ter acesso a uma fonte de informação inesgotável é-nos oferecida através da contemplação. Parar, ouvir e contemplar estes são os primeiros passos…

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Considere algumas questões: • Será que vemos o mundo tal como ele é ou será

que o vemos tal como somos? • Será que o que vê quando se olha ao espelho é o

mesmo que os outros veem quando olham para si? • Será que quando olha para os outros não vê o seu próprio reflexo? • Sente-se capaz de contemplar sem analisar, julgar ou opinar? • Há situação em que é para si mais difícil fazê-lo e outras onde é perfeitamente impossível? Quais? Porquê? • Quão enraizados estão os seus juízos de valor e crenças? • Em que situações o prejudicam? • Como pensa libertar-se disso e começar a contemplar mais?

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3 • CONTEMPLAR 3 • CONTEMPLAR

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3 โ€ข CONTEMPLAR

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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DUVIDAR “Um dos paradoxos dolorosos do nosso tempo reside no facto de serm os estúpidos os que têm a certeza, enquanto os que possuem imaginação e inteligência se debatem em dúvidas e indecisões.” Bertrand Russell “É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos.” Orson Welles

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4 • DUVIDAR

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capacidade de duvidar de si próprio é sem dúvida uma das que mais contribui para o desenvolvimento do ser humano e é uma excelente prática para melhorar o nosso fitness emocional. Einstein dizia que o mais importante é nunca pararmos de questionar. A dúvida e as questões que nos pomos, de forma persistente e contínua, determinam o grau de conhecimento que alcançamos sobre a vida e sobre nós.

As nossas dúvidas, em última instância, determinam o grau da nossa sabedoria! O desejo de qualquer comum mortal devia tão somente ser: perceber-se e perceber o mundo que o rodeia. Na verdade não creio que isso seja difícil pois para lá chegar, ou pelo menos para caminhar nesse sentido, temos apenas que estar atentos ao que vemos, fazemos e dizemos, e depois duvidar da legitimidade e veracidade de tudo isso. Parece simples, não? Pois, simples de entender mas difícil de executar! Não há nada mais errado num ser humano do que acreditar, convictamente, que está sempre certo. Pensemos, quantas vezes a vida já nos mostrou que não temos razão! Por que razão é tão difícil para nós aprender com essas lições e muitas das vezes voltamos a cometer o mesmo erro?

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Para entender esta dificuldade temos que nos colocar algumas questões para sabermos mais sobre nós e o que nos motiva a ser assim. Vejamos: - O que representa para nós ter razão? - O que acontece (e sentimos) se não a tivermos? - Todos podemos perceber que não temos razão e ter a possibilidade de resolver as situações sem consequências desastrosas. Por que razão não o fazemos? - Será que não faz mais sentido tentar perceber o ponto de vista dos outros antes de defendermos, com toda a nossa energia e muitas vezes de forma insana, o nosso ponto de vista? - O que representa para nós ter razão? - O que acontece (e sentimos) se não a tivermos? - Todos podemos perceber que não temos razão e ter a possibilidade de resolver as situações sem consequências desastrosas. Por que razão não o fazemos? - Será que não faz mais sentido tentar perceber o ponto de vista dos outros antes de defendermos, com toda a nossa energia e muitas vezes de forma insana, o nosso ponto de vista? Aprender a conhecer as nossa zonas erróneas - os nossos comportamentos desviantes, os nossos lados lunares, os nossos campos de visão oblíquos, as nossas imagens mais turvas - é ter a possibilidade de subir de patamar em patamar os degraus do crescimento e da

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4 • DUVIDAR

elevação na vida humana. Saber o que não se sabe é sem dúvida iluminador e mostra-nos a imensidão da vida que está ao nosso alcance. Saber que não se sabe, ou que poderemos estar errados, é um passo de gigante na procura do conhecimento e da verdade.

Duvidar de si, daquilo que a sua mente lhe diz, de todas as certezas que tem, de tudo o que acredita saber, do que acha que vê e ouve, é a uma das maiores provas de sabedoria da condição humana. Perguntar-se: Será que analisei bem a situação? Será que estou a pensar bem? Será que vi aquilo que acredito ter visto? Terei feito bem em dizer aquilo? Será que me estou a sobrevalorizar? Terei falado demais? Será que podia ter feito melhor? Terei mesmo respeitado os interesses de todos? Ter-me-ei deixado conduzir apenas pelas emoções que me assolaram? Estarei a julgar bem? Estarei a fazer a melhor utilização dos conhecimentos que tenho? Falei o que devia ou deixei o meu ego apoderar-se do discurso? Se conseguir fazer-se algumas destas perguntas com relativa frequência, sem que de imediato surjam frases desculpabilizantes para si, estará já num patamar bem 50


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lรก em cima no caminho da gestรฃo emocional eficiente. Pare, escute, contemple e comece a duvidar!

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4 • DUVIDAR

Considere algumas questões: • Quantas vezes considera a hipótese de não ter

razão? • Quantas vezes sabe que não tem razão mas con- tinua a defender a sua posição? • Por que razão o faz? • O que ganha com isso? • O que perde? • Com que frequência duvida daquilo que pensa? • Acontece-lhe regularmente pensar que viu ou ouviu algo e depois perceber que não foi bem assim? • Sente convictamente que a opinião dos outros é tão importante como a sua?

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4 โ€ข DUVIDAR

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5 • ASSUMIR

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ASSUMIR “Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.” Friedrich Nietzsche

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5 • ASSUMIR

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verbo assumir é um pouco intenso e penso que, por isso mesmo, muito utilizado quando falamos de emoções. Ouvimos muitas vezes a expressão “coragem para assumir”, mas o que quererá isto dizer? Será esta a única forma para assumir algo? Quiçá faça sentido refletirmos sobre este verbo: ASSUMIR. Quando se trata de reconhecer os nossos méritos, passamos a vida a mostrar ostensivamente as medalhas que temos. Somos os melhores nisto e naquilo, conseguimos alcançar este e aquele feito, temos mais do que aquele e do que o outro. Gabamo-nos tanto de nós próprios que às vezes, não ficando satisfeitos com o que dizemos, ainda sentimos necessidade de fazer citações: os meus amigos dizem que sou uma pessoa que pensa muito nos outros, o fulaninho gosta muito do meu trabalho, a minha mãe diz que nunca conheceu um filho tão dedicado, quem me conhece sabe que sou amigo do meu amigo, dizem-me que sou boa pessoa e confio demais… A verdade é que se for para assumir algo bom, se for para dizer o que acreditamos ser ‘bem de nós’ nunca somos poupados em palavras. Quando se trata de gabar o que temos, fazemos ou achamos que somos, temos sempre frases feitas na ponta da língua prontas a utilizar em qualquer lugar e para qualquer pessoa.

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Mas, quando se trata de assumir os nossos erros ou fragilidades, temos tendência para virar as costas e fingir que não é nada connosco. Como se diz habitualmente, levantamos o tapete e varremos tudo para debaixo acreditando que ninguém vai reparar ou ver. Sempre que falo disto costumo utilizar uma frase fabulosa que há muito ouvi, diz o seguinte: os perfumes e os defeitos notam-se sempre mais nos outros do que em nós. A verdade é que assumir implica parar, refletir, ponderar, aceitar, equacionar, observar, todas competências muito úteis e presentes nas pessoas eficientes na arte da gestão emocional. Assumir implica ter consciência dos nossos atos e das situações em que estamos envolvidos. Quando aqui falo em ASSUMIR trata-se de assumir tudo, para que consigamos perceber o que é da nossa responsabilidade e o que não é. Assumir é tirar os véus da nossa mente e do nosso discurso para conseguirmos ver além da penumbra, para conseguirmos não ser influenciados por sombras, vultos ou zonas mais obscuras.

Assumir é um ato de lucidez e enorme inteligência! A nossa vida é aquilo que fazemos com ela e, por

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5 • ASSUMIR

mais que doa, é melhor perceber bem o que dela fizemos para que a possamos recuperar e melhorar, se for esse o caso. Com toda a certeza que se quisermos fazer melhor isso estará ao nosso alcance pois é sempre possível melhorar. Inteligência emocional é assumir a responsabilidade pelo que fizemos e deixamos que nos fizessem, pelo que não fizemos e não permitimos que fizessem; é aprender com o que aconteceu e não desperdiçar mais um momento das nossas vidas sem essa aprendizagem.

Um ser humano que não aprende com os seus erros faz da sua vida uma sucessão infinita de erros. Sem aprender voltamos a cometer os mesmos erros, a sentir o mesmo caos emocional, permanecemos na rotina errante de ser e fazer sempre o mesmo por na verdade não fazermos o esforço para aprender. Sem aprendizagem a vida torna-se um ciclo, neste caso um ciclo de dor permanente. É imperativo assumir o que fazemos, mesmo que sejam os nossos erros, aliás principalmente se forem os nossos erros! Assumir exige consciência, ação, isso sim dá-nos poder e controle sobre as nossas vidas. Todo e qualquer erro é uma oportunidade de apren-

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dizagem, uma possibilidade para começar de novo e fazer melhor desta vez.

Todos os erros são portais de entrada para uma nova realidade, para novas descobertas, para novas formas de ser, estar e fazer. Aproveitemos as oportunidades que a vida nos oferece, aprendamos sempre algo e não permitamos que os nossos erros nos condicionem ou definam. Assumir os nossos erros exige muita coragem num mundo que parece feito de pessoas perfeitas que nunca erram. Assumir as nossas fragilidades e más escolhas, a nossa ignorância, as nossas falhas, ou até mesmo a nossa vontade, exige muita determinação e alguma humildade num mundo em que todos parecem saber tudo sobre tudo. O que essas pessoas não sabem é que assumir promove a coragem, desenvolve a resiliência, alimenta o amor-próprio e melhora a autoestima. Assumir é o que nos permite desenvolver competências que promovem o nosso crescimento. Como em tudo na vida, assumirmo-nos é apenas uma questão de hábito. Não tenha medo de assumir riscos porque, como alguém disse outrora - umas vezes ganha-se, outras, aprende-se. Perder nunca está no horizonte de quem assume riscos!

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5 • ASSUMIR

Considere algumas questões: • Com que frequência assume um erro mesmo que apenas seja perante si? • Como se sente quando o faz? • Como se sente quando não o faz? • Com que frequência pensa que se ninguém souber não vale a pena assumir? • Como assume os seus desejos e vontades? • Como assume as prioridades que define para a sua vida? • Como se assume perante os outros? • E perante si, como se assume?

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5 โ€ข ASSUMIR

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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APRENDER “Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.” Leonardo da Vinci

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6 • APRENDER

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e perguntarmos a qualquer pessoa com quem nos cruzemos qual é o seu objetivo na vida, creio que quase todas responderão que é ser feliz. Se, em seguida, lhes perguntarmos como é que vão alcançar isso, aí acredito que nem todos consigam responder. Parece estranho, não é? Todos queremos ser felizes, mas poucos sabemos como consegui-lo. A vida é dinâmica e os desafios que nos apresenta são constantes. Isto é uma verdade inquestionável. Todos percebemos que durante a vida as circunstâncias mudam, há variáveis muito diferentes a considerar, umas que podemos controlar, outras garantidamente que não. A pergunta que podemos fazer-nos é: - Que plano de ação traçamos para nos prepararmos para a vida? Ou, dito de outra forma: - Como pensamos levar a cabo a tarefa de nos tornarmos pessoas felizes?

Alguns partem à procura da felicidade e, por isso mesmo, se tornam merecedores. Mas há muitos outros (quiçá mesmo a maioria) que ficam à espera que a vida lhes sirva a felicidade numa bandeja.

Se é certo que a vida nos apresenta desafios constantes, será que não devemos fazer da tarefa de aprendizagem também uma constante na nossa vida? Por

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que razão nos custa tanto aprender? Porque não fazemos disso um modo de vida? Será que a eterna aprendizagem não é o real caminho para a felicidade? Será que não é o único? Creio pessoalmente que o conhecimento e a aprendizagem andam de mãos dadas pela vida. Creio também são bem mais que um caminho, diria que são mesmo a cura para muitos males. Aliás, a única cura para todas as doenças originadas por um mal chamado ignorância. Na nossa sociedade aceitamos tudo o que vemos e ouvimos como uma verdade universal. Acabamos por limitar os nossos conhecimentos apenas ao que está acessível no nosso dia-a-dia; limitamos as nossas escolhas a tudo aquilo que nos é oferecido, acreditando que é muito. Por vivermos numa sociedade global achamos que temos acesso a muita informação e diversificada - não podíamos estar mais enganados! Aprendemos o que toda a gente aprende porque vemos o que todos veem, ouvimos o que ouvem e falamos todos da mesma forma. Comunicamos de forma tão empobrecida que dificilmente nos entendemos, mas achamos que o acesso a fontes de informação muito variadas e diferentes meios de comunicação nos tornam bons comunicadores. Mais uma vez, estamos tão enganados!

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6 • APRENDER

A verdade é que essa nossa aceitação passiva de tudo o que nos é imposto não representa uma escolha, mas sim uma não escolha. Criamos o hábito de nos contentarmos, sem fazer qualquer tipo de reflexão, com aquilo que nos dão de forma massificada e nada personalizada. Com as nossas ‘não escolhas’, ao invés de nos assumirmos como seres únicos, mostramos apenas que somos mais um igual a muitos outros. Acaba por ser uma solução para todos e não a melhor escolha para nós. Se a vida é única, se somos todos diferentes, se temos competências e características que nos tornam únicos, é para que possamos aprender e experienciar de forma única aquilo que esta nos dá. As nossas vidas são originais e cada um de nós tem desafios para os quais se tem que preparar antecipadamente. Será sinal de inteligência saber que vamos ser presenteados, ou ser postos à prova, e esperar que isso aconteça sem qualquer preparação? Será que isso, por si só, não é preparar a derrota? Fará sentido depois atribuir a culpa dos resultados às circunstâncias? O verdadeiro valor de um ser humano está no conhecimento que possui e no uso que dele faz. Em termos muito simples acredito que é assim que se mede o valor de uma vida – a nossa vida é aquilo que dela fazemos e quanto mais soubermos melhor faremos. 70


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É sinal de grande inteligência e boa forma emocional fazer sempre o máximo que estiver ao nosso alcance. Todos temos competências para aprender e adquirir conhecimento de várias formas, a vida ensina-nos permanentemente, só não aprendemos se não estivermos interessados em fazê-lo. É importante fazer da aprendizagem um prazer, uma procura constante, um desafio permanente – um modo de vida! Tenha consciência do que não sabe e, sem medo ou vergonha, desafie-se a aprender. Alguém disse em tempos que o nível mais baixo de ignorância num ser humano é não querer aprender o que não se sabe. Pense nisso… Reúna informação, adquira novos conhecimentos, reflita sobre determinados assuntos, experimente novas situações e abordagens. O nosso cérebro precisa de estímulos para se poder desenvolver – treine o seu fitness emocional. Se quer que a sua vida seja mais, entenda que a primeira condição para mudar uma realidade é aceitá-la, a segunda conhecê-la. Se sente e sabe que precisa de mudar algo na sua vida primeiro aceite-se como é, assuma o que quer e o que não quer, depois aprenda a conhecer-se e transforme-se no que quiser!

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6 • APRENDER

Considere algumas questões: • Com que frequência procura saber algo mais sobre determinado assunto? • Considera que há matérias sobre as quais já sabe o suficiente? • O que faz para aprender coisas novas? • Como procura a informação que precisa? Com que frequência precisa? • Como sabe o que precisa de aprender? • Como se sente depois de aprender algo novo? • Que tipo de assuntos despertam mais o seu interesse? • Quando foi a última vez que aprendeu algo novo?

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6 โ€ข APRENDER

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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6 • APRENDER

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DESAPRENDER “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender.” Alvin Toffler

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7 • DESAPRENDER

P

rimeiro aprende-se, depois desaprende-se. Crescer ao longo da vida exige algo extremamente difícil para a maioria dos seres humanos – desaprender. Parece que cada vez que temos que desaprender algo nos confrontamos com o abandono da nossa própria identidade. Se alguma informação se torna dissonante, com aquilo que em tempos aprendemos ou nos foi ensinado, é imediatamente contestada pois parece pôr em cheque toda a nossa existência. Considerar que algo em que outrora acreditávamos poderá hoje não ser verdade, desperta em nós um sentimento de incoerência que nos coloca numa situação de extremo desconforto. Sentimos quase como se estivéssemos a rejeitar ou abandonar uma parte de nós. Parece mesmo que se mudarmos a nossa opinião relativamente a algo ou alguém, arriscamo-nos a deixar de ser nós próprios.

Frases como ‘eu sou assim’, ‘eu não mudo’, ‘eu sempre pensei assim’ ou ‘a mim ninguém me convence do contrário’, indiciam que por detrás da boca aberta que as profere, está uma mente muito fechada.

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Desaprender é arrumar a mente, limpá-la de ideias antigas para que novas possam entrar. É evoluir e deixar para trás as amarras dos pensamentos obsoletos e caídos em desuso, que hoje de nada nos servem e só atrapalham. Desaprender é decidir que o caminho é para a frente, superando as nossas próprias limitações, nem que para isso tenhamos que rumar contra o nosso próprio ego. É dizer gosto demasiado de mim para me sujeitar a ficar sempre da mesma forma. É um ato de coragem e não sinal de fraqueza – é puro crescimento emocional. É imperativo que com regularidade façamos uma limpeza ao sótão dos nossos conhecimentos e tentar perceber o que será que sabemos e fazemos que neste momento pode já não estar correto ou em desuso. Temos que tentar encontrar a toda a hora formas mais atuais, eficientes e agradáveis de fazer as mesmas coisas. Temos também que tentar fazer coisas diferentes para que nos possamos surpreender com os resultados. O nosso cérebro precisa de ginástica, a mente precisa de ser estimulada com novidades. Temos que sentir novas emoções, aprender novas formas de pensar e agir, fazer diferente para que conheçamos novas formas de SER diferentes. Se fizermos sempre o mesmo seremos sempre o mesmo. Precisamos

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7 • DESAPRENDER

de FAZER e ESTAR de forma diferente para que possamos evoluir e SER diferentes. Desaprender ao longo da vida é quiçá o ‘exercício’ que mais nos confronta com os nossos medos e convicções limitadoras. Portanto, em última instância, o simples ato de desaprender acaba por ser uma enorme aprendizagem para nós. Para mudar algo em nós, para nos tornarmos num ser melhor temos que libertar espaço para que novas coisas entrem. Mas antes as velhas têm que sair…

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Considere algumas questões: • Com que frequência muda de ideias ou de opiniões? • Como avalia os conhecimentos que tem e a sua utilidade para a vida que leva? • Como sabe o que já não lhe faz falta saber? • Como determina o que deve desaprender? • Como faz para desaprender? • Quão difícil é para si desaprender? • O que sente quando é confrontado com uma dessas situações? • O que mais lhe custa desaprender?

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7 โ€ข DESAPRENDER

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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8 • DECIDIR

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DECIDIR “Somos indivíduos livres e a nossa liberdade condena-nos a tomar decisões durante toda a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas a partir das quais nos possamos guiar. E isto torna mais importantes as nossas decisões, as nossas escolhas.” Jean-Paul Sartre

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8 • DECIDIR

A

maioria das pessoas considera que a felicidade depende de variáveis e condições externas à sua própria vontade – penso que não podiam estar mais erradas. Se assim fosse, todos nós, perante as mesmas circunstâncias, reagiríamos de forma idêntica. Ora, sabemos perfeitamente que não é isso que acontece. Se duas pessoas, expostas a uma mesma situação, reagem de forma diferente é porque o seu comportamento não depende da situação em si, mas sim daquilo que elas decidem fazer perante essa mesma situação. Não podemos achar que o meio nos condiciona de tal forma que acaba por ser ele a determinar o somos. O nosso comportamento, a nossa forma de agir, reagir e sentir, é uma decisão nossa, consciente ou inconsciente. Nós somos o conjunto das decisões que tomamos ao longo da vida, e é isso que nos condiciona. Todas as vezes que decidimos algo, que optamos por não decidir ou deixamos que decidam por nós, estamos a fazer uma escolha e ficamos sujeitos às consequências da mesma. As decisões que tomamos fazem de nós aquilo que somos – isso é a mais pura verdade. É importante que nos coloquemos algumas questões: - Cada vez que tomamos uma decisão (seja ela decidir, não decidir, ou deixar que decidam por nós) será que 86


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temos consciência das consequências que esta acarreta? - Será que antes de decidir pensamos na forma como aquela decisão vai condicionar a nossa vida? uitas das decisões que tomamos baseiam-se em impulsos emocionais e são tomadas sem qualquer grau de consciência -sentimos, logo reagimos! Decidir sobre o que é melhor para nós é algo difícil de fazer e não está ao alcance da maioria de nós, pelo menos não sempre. Se soubéssemos decidir de forma eficiente em função do nosso bem-estar, estaríamos certamente muito mais satisfeitos com a vida. Se a nossa vida é o somatório das nossas decisões é importante que aprendamos a decidir da melhor forma possível. Para percebermos o nosso processo de tomada de decisão temos, obrigatoriamente, que parar e refletir para tentar compreender a forma como decidimos. O processo de reflexão é extremamente revelador e é importante que lhe dediquemos tempo nesta jornada de aprendizagem de boas práticas emocionais. Se acreditarmos que nada depende de nós, na verdade não temos que fazer o que quer que seja, basta-nos vaguear pelos mesmos círculos emocionais viciados de sempre. Temos que aprender a pôr-nos em cheque, a questionarmo-nos sobre o que pensamos e fazemos, pois somos nós os criadores daquilo que vivemos.

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8 • DECIDIR

Na maioria das vezes não decidimos, ou então decidimos a nosso desfavor, porque temos medo, estamos fragilizados, não conhecemos a realidade ou sentimo-nos inseguros. Outras vezes, não tomamos as melhores decisões porque simplesmente desconhecemos que as podemos tomar, não temos modelos de decisão que nos permitam fazê-lo. O nosso conhecimento, principalmente em questões relacionais, emocionais e comunicacionais, vem muito dos modelos que temos, daquilo que vemos e ouvimos, da educação que tivemos e das pessoas com quem privamos. De forma inconsciente reproduzimos padrões comportamentais que, para além de em nada nos ajudarem, só contribuem para agravar o nosso estado de fragilidade, fazendo-nos continuar no caminho das más decisões. Decidir é agir, analisar as variáveis, equacionar as circunstâncias, perceber com clareza os valores que nos movem, determinar os objetivos que pretendemos alcançar. Decidir bem é projetar as nossas ações no futuro, gostar do que vemos e sentir que vai ser bom para nós. Quando decidimos, conscientes dos valores que nos movem, temos clareza para ver o que vamos ganhar, o que vamos perder e o que teremos de investir. Isto é bom fitness emocional!

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Se a nossa vida acaba por ser o somatório das nossas decisões é bom que saibamos decidir da melhor forma e que sintamos orgulho em fazê-lo pois, afinal de contas, estamos a contribuir para aquilo que somos. Se é verdade que na maioria das vezes não decidimos porque simplesmente não o sabemos fazer, então por que razão não aprender?

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8 • DECIDIR

Considere algumas questões: • Como é o seu processo de tomada de decisão? • Com que frequência delega em outros decisões

importantes da sua vida? • Considera que tem boa capacidade de decisão? • Acha que sabe o suficiente sobre si para decidir o que é melhor para a sua vida? • Consegue, antecipadamente, avaliar as conse quências das suas decisões? • Quantas vezes se arrepende de algo que decidiu? • Quantas vezes se arrepende de não decidir?

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8 โ€ข DECIDIR

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P


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PENSAR “A lei da mente é implacável. O que você pensa, você cria. O que você sente, você atrai, o que você acredita, torna-se realidade.” Siddhartha Gautam Buddha

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9 • PENSAR

P

ensar é provavelmente uma arte que todos consideram praticar, mas a verdade é que poucos a dominam. Pensar bem é difícil, implica treino, regras e metodologias que nem todos conhecerão, daí que a qualidade dos pensamentos não seja a mesma em todas as pessoas. Pensar é algo bem diferente de ser inundado ou assolado por pensamentos. Pensar é uma arte do intelecto, ser assolados por pensamentos é ter o intelecto ao serviço das emoções. Pensar é uma competência que se desenvolve, através da prática, com a aquisição de novos conhecimentos, através de experiências e, muitas vezes, por tentativa e erro. Quando a nossa mente está em controlo, dificilmente somos assolados por pensamentos ou inundados por emoções importunas e não desejadas. Quando seguramos as rédeas da nossa vida, passamos a ser senhores de nós e não servos do nosso corpo e das consequências das nossas ações não ponderadas. Creio que às vezes as questões emocionais são confundidas com a pura falta de competências. Há pessoas que dizem que são de determinada forma, ou sentem determinada coisa, apenas porque não sabem ou não querem aprender a ser ou fazer melhor. Ser ansiosa, ter insónias, comer compulsivamente, ter uma vida sedentária, falar agressivamente, não controlar impulsos,… 96


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isto não são caracteristicas das pessoas, mas sim manifestações da ausência de determinadas competências que consicionam o seu comportamento. Quando me dizem frases como: ‘não me consigo conter e ataco nos doces’, ou ‘não consigo dizer-lhe não’, o que eu oiço - não gosto de mim o suficiente para me cuidar, sinto que todos são melhores do que eu. Isto é viver subjugado às emoções, às vivências traumáticas do passado, isto é pura escravatura emocional auto-imposta! Como é óbvio se não investimos em nós, se não pensamos em nós e nos abandonamos, não podemos esperar grandes resultados. Por mais duro que pareça, a vida é aquilo que investimos nela, os frutos são proporcionais ao nosso investimento e dedicação. Não podemos pedir aos outros para nos darem aquilo que nós próprios não nos estamos dispostos a dar-nos. Temos que aprender a investir em nós e a gerir o que temos, porque na verdade é muito. Toda a vida emocionalmente equilibrada é feita de investimento contínuo, gestão de recursos e competências, a mais importante das quais - a arte de pensar. Habitualmente consideramos que investir e gerir são competências para gestores de empresas, não podiamos estar mais errados. Temos que aprender a gerir-nos como se da melhor empresa se tratasse,

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9 • PENSAR

não queremos viver uma vida inteira na iminência da bancarrota. Não se esqueça que são os nossos pensamentos que criam o nosso destino e nós somos o que pensamos!

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Considere algumas questões: • Quantas vezes vê a sua mente inundada por

pensamentos que o inquietam? • Quantas vezes se vê assolado por emoções que não controla? • O que acontece quando entrega o controlo da sua vida às suas emoções? • Quem o ensinou a pensar? • Com que frequência pensa sobre o que pensa? • Como se sente depois de aprender algo novo? • Como gostaria de pensar a partir deste momento? • Sobre que assuntos gostaria de pensar de outra forma? • Porque não o faz?

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9 โ€ข PENSAR

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10 • ACREDITAR

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ACREDITAR ���Dê o primeiro passo na fé. Você não precisa ver a escada inteira. Apenas dê o primeiro passo.” Martin Luther King

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10 • ACREDITAR

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om alguma frequência utilizo a expressão ‘Crer é Poder’. É óbvio que a maioria a conhece dita ou escrita de outra forma ‘Querer é Poder’. Considero, no entanto, que a forma como a utilizo é mais eficiente pois acredito que assim nos dá mais poder e melhores resultados. A vontade, o querer, pouco influencia aquilo que somos ou conquistamos na vida. Oiço muitas vezes as pessoas a dizer: queria mudar, mas não consigo; queria fazer melhor, mas não posso; queria mais… mas… Pergunto agora, será mesmo que querer é poder? Se querem, por que razão não conseguem? A resposta é simples: porque não acreditam! Aquilo em que acreditamos torna-se a nossa realidade pessoal pois é nisso que pensamos e depositamos a nossa energia. Somos o que pensamos porque assim acreditamos! Embora possamos dizer que queriamos mudar, a verdade é que não acreditamos que o consigamos fazer. Por essa razão na maioria das vezes nem tentamos ou desistimos ao primeiro contratempo. Dizemos que queremos muito mudar, fazer novas conquistas, ver o mundo de outra forma, aprender e fazer coisas novas. Queremos tudo isso, mas a verdade é que não conseguimos fazer quase nada se depender unicamente da nossa vontade. Queremos 104


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mas não cremos, não é uma questão de vontade mas sim de falta de fé em nós próprios. A fé que depositamos em nós, aquilo que acreditamos ser possivel fazer, é o segredo da motivação e do sucesso que alcançamos na vida. Quando acreditamos em nós, temos a certeza que vamos conseguir, começamos a preparar-nos para agir e realizar os nossos sonhos. Quando temos apenas vontade, ficamos sentados a encontrar desculpas para justificar o facto de nem sequer tentarmos. Essa é a diferença! A fé conduz-nos à ação, a vontade pode ser tão somente conformismo. Devemos perceber que acreditar nos obriga a agir com determinação, a traçar planos para lá chegar, a adquirir e treinar competências para melhorar, a gerir a nossa energia em função das prioridades e objetivos que definimos. Acreditar é a motivação que nos impele a fazer, e a única forma de começar a acreditar é agir, pois se assim não for teremos apenas vontade e essa não nos leva onde queremos ir. A vantagem de treinar este ato de fé (acreditar nas nossas capacidades) é que passamos também a poder fazê-lo com os outros. Perceberemos que se juntarmos a nossa vontade à deles de nada adianta, mas que se juntarmos a nossa motivação à deles daí surgirão resultados extraordinários.

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10 • ACREDITAR

Tudo o que acabei de dizer se aplica nas mais diversas situações das nossas vidas. Se temos vontade de melhorar uma relação de nada adianta ter vontade e continuar a culpar o outro pelo facto de não a conseguirmos melhorar. Esse querer definitivamente não nos dá poder, pelo contrário tira!Tudo o que acabei de dizer se aplica nas mais diversas situações das nossas vidas. Se temos vontade de melhorar uma relação de nada adianta ter vontade e continuar a culpar o outro pelo facto de não a conseguirmos melhorar. Esse querer definitivamente não nos dá poder, pelo contrário tira! Para uma relação melhorar, tem que haver investimento, dedicação, fé nas nossas ações e intenções, e assim poderemos alcançar os resultados que pretendemos. Qualquer relação com os outros pode ser melhorada, se ainda não se sente capaz, se ainda não acredita que tem esse poder, pode sempre começar por melhorar a sua relação consigo. Tenha fé, acredite que pode e assim conseguirá!

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Considere algumas questões: • Tem por hábito acreditar em tudo o que vê, ouve ou lê? • Conhece as suas crenças e as limitações que estas lhe impõem? • Com que frequência duvida de si? • Por que razão acha que isso acontece? • O que teria que fazer para começar a acreditar mais em si? • O que está disposto a fazer para que isso aconteça? • Como está disposto a treinar a confiança que

deposita em si? • Que tipo de competências considera que deve treinar para começar a ter mais confiança em si?

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10 • ACREDITAR 10 • ACREDITAR

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11 • OUSAR

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OUSAR “A pessoa que chega mais longe é geralmente aquela que está disposta a fazer e ousar. O barco seguro nunca navega muito longe da margem.” Dale Carnegie

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11 • OUSAR

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ousadia é habitualmente associada a determinação, bravura, coragem, sucesso. Recentemente ouvi alguém dizer que nos nossos dias o contrário de coragem não é cobardia, mas sim conformismo. Creio que tem toda a razão! Ser ousado é acreditar na vida, em nós, nos sonhos que temos e enfrentar o mundo para os conseguir realizar o que queremos. Quando somos ousados não permitimos que o mundo exterior determine a nossa vida, nós criamos as circunstâncias exteriores para ter a vida que sonhamos e desejamos. Ousar é decidir, é tomar as rédeas de todo o nosso potencial e fazer com isso o melhor que consigamos e queiramos. A ousadia melhora o nosso fitness emocional pois obriga-nos a desenvolver competências que nos tornam emocionalmente mais fortes, mais perseverantes e resilientes. Ser ousado implica ser conhecedor, assumir riscos, gerir recursos, ser empreendedor, saber sonhar, agir e concretizar. Ousadia não é o contrário de não ter medo, significa apenas que temos o medo controlado e não aceitamos ser controlados por ele. A satisfação de ousarmos concretizar os nossos sonhos é muito superior ao medo que possamos sentir. Ousar é fazer da ação a nossa zona de conforto. É desafiarmo-nos a sermos a nossa melhor versão

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e não nos contentarmos com uma imitação de menor categoria. Ser ousado é acreditar no nosso potencial acima de qualquer coisa e dizer à vida - eu quero, eu posso e eu faço! O poeta Fernando Pessoa dizia que tudo é ousado para quem nada se atreve. Ouse plantar sementes de grandeza e colha uma vida repleta de sucessos.

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11 • OUSAR

Considere algumas questões: • Considera-se uma pessoa ousada? • Acha que viver em função das paixões e daquilo em que acreditamos é uma ousadia? • Considera demasiado ousado viver em função dos sonhos que temos? • Quantas vezes ousou concretizar um sonho? • Quantas vezes abandonou um projeto por não querer ousar? • O que é preciso acontecer para que ouse ser mais feliz? • O quer precisa de aprender para ousar mais? • O que considera que podia ser diferente em si, e na sua vida se tivesse a coragem de ousar?

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11 โ€ข OUSAR

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COMUNICAR “Comunicação é a arte de ser entendido.” Peter Ustinov

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12 • COMUNICAR

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credito convictamente que muito do nosso desgaste emocional e dos conflitos internos que vivemos tem origem na forma como comunicamos. Digo muitas vezes que tenho como missão ajudar as pessoas a comunicarem melhor com elas próprias para depois se comuniquem melhor ao mundo. É neste processo de comunicação intrapessoal que tudo tem início… Comunicar parece ser uma arte bastante fácil e ao alcance de qualquer um de nós. Aparentemente todos nascemos com competências para comunicar de forma mais ou menos eficiente, pelo menos essa parece ser a crença generalizada. Se conseguimos falar, ouvir e compreender, presumimos também que conseguimos comunicar. Posso então perguntar: - Por que razão sentimos que muitas vezes, por mais que falemos, os outros não nos entendem? - Por que razão falam connosco e tantas vezes não conseguimos perceber o que nos dizem? Por que razão é que, tão frequentemente, a falar nos desentendemos? A verdade é que falar não significa necessariamente comunicar, pelo menos de forma clara e eficiente. Quando comunicamos com outro, fazemo-lo de forma consciente e inconsciente, comunicamos o que queremos e o que não queremos. Quando decidimos dizer algo, por mais que escolhamos as palavras, a nos-

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sa entoação, tom de voz, expressões, postura, acabam sempre por dizer algo mais do que pretendemos. As nossas emoções têm um papel ativo no processo de comunicação e na maioria das vezes o grande conteúdo da mensagem é transmitido de forma inconsciente. Os nossos medos, frustrações, ansiedades obrigam-nos a comunicar coisas que de forma consciente não faríamos. Se numa situação normal do dia-a-dia, a nossa mensagem verbal diz: ´não há problema com o atraso’, por seu lado, o tom de voz, a expressão, o olhar, a tensão no lábio superior podem perfeitamente dizer: ‘estou farto de esperar pelos outros, nunca sou uma prioridade, ninguém me respeita’. Neste conflito de mensagens o que será que entende o interlocutor? A verdade é que o interlocutor pode entender um sem número de coisas, pois a descodificação da mensagem depende unicamente de quem a recebe. Pode ler apenas a linguagem verbal e entender ‘que pessoa tão compreensiva, não ficou nada zangada com o atraso’; pode ler apenas os sinais não-verbais e entender ‘que pessoa mal-educada, nunca mais combino nada com ela’; pode ainda ler os sinais verbais e não-verbais dissonantes e entender ‘pobre pessoa, vive num turbilhão emocional, vejam só como ficou por causa de um pequeno atraso’. 123


12 • COMUNICAR

O processo de comunicação é algo bastante complexo porque em última instância somos nós a comunicarmo-nos ao mundo na expectativa de que este nos entenda tal como pretendemos. Se não estivermos conscientes do que somos, das nossas intenções, daquilo que nos move, é bem natural que a mensagem que transmitimos ao mundo possa não ser a que planeávamos que fosse. Devemos entender que tudo em nós comunica - a postura corporal, os gestos, o olhar, as entoações que damos ao discurso, as expressões do nosso rosto, os silêncios, as palavras que escolhemos, tudo isto diz muito sobre nós. Comunicar eficientemente não é assim tão fácil como parece e exige esforço. Um bom comunicador deve, em primeiro lugar, conseguir entender-se, de outra forma não é possível fazer-se entender. Devemos analisar o nosso discurso, a nossa postura, o que dizemos e da forma que dizemos, e perceber quais as nossas reais intenções. Ao percebermos as verdadeiras intenções que temos quando comunicamos (mesmo as mais subliminares) conseguiremos formatar o nosso discurso em função daquilo que pretendemos. Com um grau de consciência mais elevado sobre a forma como nos comunicamos, podemos começar a comunicar-nos de forma mais eficiente. Nós comuni-

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camos de determinada forma porque pensamos de determinada forma, se percebemos o que pensamos, podemos mudar o que comunicamos. Pode parecer complicado mas com treino deixa de o ser. Ao mudar o que pensamos, mudamos o que falamos, mas o contrário também é verdade. Quando mudarmos o que falamos mudamos também o que pensamos. E este é um dos treinos de fitness emocional mais poderosos e que mais contribui para uma gestão emocional eficiente. Se somos o que pensamos, e se a nossa linguagem reflete isso, ao alterarmos a nossa linguagem, alteramos também a nossa forma de pensar e, consequentemente, mudamos também aquilo que somos. A linguagem torna-se assim um importante instrumento de modelação e construção do ser humano. Não serve apenas para comunicar mas também para criar. A forma como falamos e comunicamos é um reflexo daquilo que somos e sentimos. Se alterarmos o nosso estilo de comunicação em função de objetivos concretos, podemos tornar-nos o que quisermos. Aprendamos a comunicar melhor connosco para assim nos comunicarmos melhor ao mundo!

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12 • COMUNICAR

Considere algumas questões: • Como caracteriza as suas competências comunicacionais? • Com que frequência acontece os outros não o entenderem? • Acha que são eles que não o entendem ou poderá não se estar a fazer entender? • Quando comunica acha que as suas intenções são claras? • O que diz e a forma como diz correspondem efetivamente ao que pretende comunica? • Sente que por vezes as suas emoções atrapalham quando quer comunicar com alguém? • Por que razão acha que isso acontece? • Consegue reconhecer um discurso assertivo? • O que acha que o seu estilo de comunicação diz sobre si?

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12 โ€ข COMUNICAR

Reflita e oiรงa os seus pensamentos. Depois escreva aqui algumas notas

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12 • COMUNICAR

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Manual de Boas Práticas Emocionais

∙ CONCLUSÃO ∙

No final deste manual terá dado enormes passos no caminho das Boas Práticas Emocionais e na nobre arte de gerir as emoções de forma eficiente. Para manter o seu fitness emocional, para conseguir estar sempre em forma, é necessário treino consistente. Faça desse treino um hábito, e esse hábito fará de si uma pessoa bem-sucedida. Sempre que tiver vontade volte a ler o manual, consulte-o, ponha-o num local acessível e folheie-o de vez em quando. Releia também os seus comentários e respostas, se tiver vontade, volte a responder às perguntas que considerar oportunas e pertinentes. É sempre bom parar e refletir sobre nós para depois percebermos o quanto evoluímos. A última e derradeira lição que pretendo deixar é a seguinte: se não aprendermos a gerir as nossas emoções somos totalmente geridos por elas. Se tiver que escolher entre as emoções e a sua vida, não hesite na escolha - escolha-se a si!

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Manual de boas praticas emocionais