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Jo達o FARIA

O Meu Amor 2012

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Para a Daniela.

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Dia novo. É o primeiro dia de aulas, portanto, não um daqueles dias de mascar e deitar fora. Mesmo assim, já com oito destes dias em cima de mim, começam a ser demasiado "mainstream". Encontro os meus amigos, nada de novo; já os conheço há um par de anos. Claro, algumas faltas e alguns "substitutos". Normal; "normalissícimo"! Era, se não fosse ela. Ela... Uma rapariga de cabelos compridos, loiros. O primeiro olhar que me lançou foi como um feitiço. Como aquela música do André Sardet. Para mim, foi um momento... Mágico. Nunca me tinha sentido assim, foi como se a conhecesse há anos. Durou pouco tempo, esta sensação, e rapidamente fiquei envergonhado. Uma coisa, uma só, fazia-me acreditar que ela poderia ser de facto humana, e não uma deusa: o aparelho; um que envergava, dentro da boca, protegida pelos seus lábios carnudos. Eu acho que lhe fica lindamente. Claro que, só esta "âncora" que a prende ao mundo mortal, não é suficiente para afastar da minha cabeça a realidade: Ela é boa demais para mim.

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Era, é, e sempre será! E isso faz com que retraia este sentimento, que me faz comichão no peito e calores frios. Será isto o que eles chamam amor?

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Todos os dias, de manhã, quando vislumbro o olhar dela, o sorriso brilhante, os "sintomas" voltam; por pouco tempo, até os abafar com conversas e mexericos. Tento não lhe dirigir a palavra; eu, um mortal, não posso; não com ela, uma deusa. Os dias passam; passaram! Os testes chegam. Nós realizamos a prova... E o resultado chega; para uns professores a demorar dias, para outros, semanas. Aquele que me lembro mais claramente é o de História. Tive muito boa nota, assim como o meu melhor amigo, que teve mais que eu. E ela! Ela teve a melhor de todas. Não bastava tudo o resto, tinha de ser inteligente "com'ó raio". Deusa, de certeza absoluta. Caiu do céu, pobrezinha. Devo ter encontrado a razão para o uso de um objeto tão vulgar, como o aparelho: quando caiu da sua casa eterna, deve ter aterrado de boca. O meu amigo começou também a sentir, tal como eu, uns sintomas; sintomas de amor. Aquela nota, melhor que a dele, foi uma provocação; uma que ele gostou, bastante! Ele assume-se; a mim.

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Conta-me que não pára de pensar nela. (Junta-te ao clube!). Eu decido não lhe contar; ainda não. Durou pouco, este meu encobrimento do amor que sentia por ela. Assumi-me; a ele. Ele aceitou, assim como aceitei, fazermos um acordo para que não nos possamos chatear por causa dela. Se se estão a perguntar porque não me importei que ele gostasse dela: óbvio, acho que ele mesmo é também um deus! O tempo passou e ele está mais perto da chegada do que eu. Muito mais. E não posso chatear-me: eu próprio o ajudei. Mas mal sabíamos nós de que havia outro jogador em campo; um que usava uma estratégia completamente diferente, e, aparentemente melhor. Ele, o feioso, como muitas vezes eu e o meu amigo o chamávamos: não por o ser, mais pela raiva e rancor que lhe tínhamos. Do nada, ela namorava com um rapaz, este definitivamente humano e sem qualquer toque divino. O tempo passava mais devagar. Segundos pareciam minutos. Minutos, horas. Horas, dias. Dias, Meses. Como é habitual as turmas fazerem todos os anos, chegou a altura de um professor tomar a iniciativa e organizar uma visita de estudo: à serra. Ela é escuteira; não tem problemas na serra. E vai pouquíssima gente. Foi como ter ido para uma ilha com um grupinho: O Lost sem a queda do avião e sem a parte de que afinal eles estavam todos mortos desde o início… Bem, nada a ver com o Lost! Ela entrava nesse grupinho, mas não o outro: “duplamente felizmente”! Uma caminhada enorme faz-me ter tempo para pensar ainda mais nela. 6


A tarde chegou. TĂ­nhamos chegado ao nosso acampamento. A tarde foi preenchida por desabafos com os amigos, neste caso - amigas. As minhas "gĂŠmeas". Decido tomar banho. Ă gua fria.

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No banho: água fria. Era o que precisava. Mas se o que sentia por ela ardia dentro de mim, então este choque de temperatura só solidificava o amor. A noite chegou. O jantar pouco tardou ainda menos tempo durou. Brincar no parque infantil: expulsar e gozar os últimos anos de imaturidade. Para entrar na casa, tivemos de ir pela casa de banho. A luz não conhece este lugar. Só o écran do telemóvel dela brilhava, brilho este que pouco tempo resistiu. A gritaria e risada ocultavam a tristeza emanada por ela, a deusa. Eu seguia-a, a ela e à amiga, perguntando dezenas de vezes se tudo estava bem. A resposta era sempre a mesma: Sim. Sim? A lágrima que lhe escorria do rosto, modestamente inclinado para a frente e tapado pelas suas mãos de seda, gritava: “Não!” Abandonar a sua companhia? Só uma única vez, para ir à casa de banho. Sempre perguntando. Sempre: “Sim.” A noite estava cerrada. Meia-noite, talvez. Metade do grupo dormia no quarto ao lado. O nosso tinha: um a dormir, uma que não queria, mas acabou por adormecer e outra que 8


mesmo que quisesse, não a deixavam. A deusa, sempre triste, rodava o telemóvel com a amiga como se de um charro se tratasse. A amiga escrevia, ela via, a amiga enviava. Eles: a deusa, a amiga, um amigo meu (a partir de agora, Musculado) e outro rapaz (o Magrinho); estes abancaram numa cama embutida e eram o subgrupo que não dormiu durante a noite toda; oh, como eu queria fazer parte dele… Em silêncio, gritava para que me deixassem entrar naquela cama. O Musculado percebeu as entre linhas no meu discurso desesperado e convida-me, dando-me metade do seu lugar. Um ato de simpatia que nunca mais esquecerei. A noite passava devagar: ora chateávamos a outra que queria dormir, ora falávamos; estarmos apertados não ajudava o tempo a acelerar. Alguém, não me lembro quem, teve a ideia de fazermos um jogo: Verdade ou Consequência!

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E assim foi. O jogo começou e uma frase fez-se ouvir na minha cabeça: “May the odds be ever in your favor!”. O Musculado sabia da minha paixão por ela, assim como toda a gente; ela inclusive. Mesmo as pessoas que nunca tinham ouvido falar desta minha paixão por ela, antes da visita, de certeza absoluta que descobriram durante a longa caminhada; fui muito claro para um “amigo” meu que a chateava, para parar, senão… teria de se haver comigo. De volta ao jogo… As consequências que me eram dadas, da parte dele, eram sempre: Beija a deusa; Apalpa a deusa; Faz Não-Sei-O-Quê à deusa. O Magrinho dá-me a consequência de lhe ter de massajar os pés. Ele tinha um estranho fetiche pelos pés. O Musculado, sabendo que gosto de dar massagens, pois tinha dado, ainda nessa tarde, uma a cada gémea, diz: Dá uma massagem à deusa. Calmamente, ela oferece-me o seu pé delicado. Agarro nele com cuidado, pensado que se pudesse partir. Era forte, resistente; tal como a sua personalidade. E aos poucos comecei a dar a massagem mais importante que dei até agora: uma que me fez sentir!

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Naquela noite, triste para ela, e triste para mim pois odiava vê-la assim, naquele estado, dei-lhe uns quantos beijos, na cara, e fiz-lhe a massagem. Gostava de ter podido beijá-la na boca, nem que fosse mesmo um “bate-chapa”, mas ela estava triste de mais e ainda ligada demais ao feioso. O sol fraco da manhã chegou e ofereci-lhe outra massagem. Ela aceitou. Adormeceu, não sei bem se durante ou ainda mesmo antes do processo. Parecia um anjo a dormir. Apetecia-me beijar a sua testa e ficar abraçado a ela para sempre. Fiquei-me pela massagem. O pequeno-almoço chegou e eu comi umas bolachas que me ofereceram. Estava maldisposto: e não foram as bolachas — foi ela. Aquela tristeza apanhou-me. Vomitei, já durante a caminhada. Chegámos onde iria ser a escalada de 500 metros até ao topo de uma serra. Começamos a trepar. Ela e a amiga são as primeiras, eu, o último. Enquanto as gémeas choravam e gritavam que iam morrer, eu só pensava se ela estaria bem e em como, se ela viesse a rebolar, eu me atirava a ela para a salvar, mesmo que implicasse eu cair no seu lugar. Nós trepávamos por cima de pedras soltas. E a elevação era enorme! Não posso dizer que não me senti como as gémeas dentro de mim: era perigoso. Quis chegar depressa ao topo, para saber se ela estava bem. Aparentemente fui o segundo; elas foram as primeiras. Um par de horas passou até estar todo o grupo junto de novo. Descemos a serra em direcção à praia. O sono que tinha era tanto que, as poucas coisas que me possam ter acontecido nesse período eram como se não tivessem acontecido; estava sonâmbulo, ou, como os americanos diriam, e talvez seja mesmo uma expressão mais adequada, “sleep walking”. Lembro-me de estar nas paredes da escalada, 11


já perto da praia. Procurava um lugar confortável para dormir. Um tronco grosso, meio liso, foi o suficiente. Adormeci. Oiço a voz dela e acordo em alerta. O Musculado está se a rir. Do quê? De mim.

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Rapidamente o Magrinho explica-me: tinha estado a dormir por volta de cinco minutos e, quer ele, quer o Musculado, tinham-me tentado acordar. Foi preciso ela para me arrancar do mundo dos sonhos, onde ela é frequente visitante. Chegámos à praia, já quase na hora de ir embora. Um arcoíris via-se, apesar de muito apagado. Ela foi à água, com o Musculado. Quando ia para sair, um tapete de pedra, que lhe fazia doer os pés, impedia-a de sair. Eu ofereci a minha ajuda, que era sempre rejeitada. Desta vez a resposta foi: Sim. Eu corri para ela e peguei-a ao colo. Ela encharcada, e eu vestido. Pousei-a mais perto da toalha, e longe do tapete. Tinha a minha T-Shirt ensopada e os calções também, mas não me importava. O que me importava era apenas uma coisa: O bem-estar dela. Só isso! Não se magoou nos pés, e a água evapora, secando a roupa. Fomos para casa, no carro da amiga dela. Acabei por descobrir o que tinha acontecido para ela estar triste. Para resolver o problema, a deusa teria de recorrer à violência para com a outra rapariga, a Vaca: que, apenas por coincidência, era a ex-namorada do feioso. Quis impedir isto, 13


para a proteger; pela primeira vez, almoço na escola, para ter tempo de conversar com ela. Desapareceu a seguir à aula por isso, de pouco serviu. O tempo passou. Ela foi mais inteligente que a Vaca e ignorou-a. Meses; foi o tempo que passou. As aulas acabaram, mas a deusa e o outro, o namorado dela, não. Esses continuavam. Foi meses a ver eles os dois unidos um no outro aos beijos, chateados depois, bem melhor bem depois. Ela parecia-me triste. Foi preciso chegar quase o Agosto para ela pedir um "tempo". Eu percebi que ela tinha acabado com ele. Falei com o ex-namorado dela no domingo em que a situação se passou. Ele pediu-me ajuda. Eu tentei. Juro que tentei! Mas ela disse que queria mesmo acabar. Na quarta, logo a seguir a esse domingo, convidei-a para ir ao cinema comigo; não um encontro amoroso, apenas para a reconfortar e, claro, para matar bem mortas as saudades. Íamos com uma amiga. Íamos sozinhos. Vem o irmão dela. Vem o meu melhor amigo. Vem o irmão dele. Fomos almoçar e depois fomos ver uma comédia. Uma muito boa! Quando acabou, ela pediu-me que tomasse conta do irmão dela; tinha, ela, de ir "tratar de uns assuntos". Eu aceitei, não sabendo do que se tratava. Era o feioso. Só soube disto quase duas horas depois, quando ela voltou, acabado de ter estado a chorar, apesar de já ter desconfiado que ele era o tal “assunto”. O meu coração caiu no chão. Só me apetecia fazer mal a quem lhe fez mal. Protegê-la mais uma vez. Ela foi para a casa de banho. Quando saiu, sugeri um gelado: para abafar as mágoas. Ela aceitou de bom agrado. Sempre que a olhava nos olhos tinha de me conter a chorar, tinha de conter a raiva que estava a sentir por quem lhe fez mal: os olhos vermelhos e inchados deixava-me vermelho e inchado…

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Passeamos pela cidade. Sentamo-nos todos perto do rio. As pestes dos miúdos, que cortaram incontáveis momentos íntimos, foram comprar água e gomas. Nós os três falamos. Sobre a vida. Sobre tudo. A relação dela com o feioso. O que nós sentimos por ela. Pusemos os pontos nos is; o preto no branco. O meu amigo foi-se embora e com ele, o seu irmão também. Estamos agora só nós os três. Eu, a deusa e o irmão dela. E é aí que acho que, pela primeira vez na minha vida estou a 100%. Sem medo. Em total sintonia com ela. As palavras "Olha o meu pai!" acabaram com esta breve felicidade e tive de ir a pé para casa. Como sempre: Só pensava nela. No dia seguinte comecei a falar com ela por mensagem, no telemóvel. Tal como o feioso fez. Tal como ele, com a ajuda da minha “amiga” internet, fez para a conquistar. À noite, discussão enorme. Acabando por ficar tudo bem. Por volta de 15 euros em saldo depois, chegamos a hoje. Em que quero apenas dizer-lhe: Daniela, eu amo-te tanto! Queres namorar comigo?

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07/08/2012 Viseu-Barreiro. 330 Km. Esta é a distância que nos separa. Pelo menos, durante uma semana. Ainda não consegui mandar-lhe a carta que escrevi para ela. Ela não tem acesso à internet, não a pode ver. Pensei em mandar pelo correio: mas e a morada? Esperar. É o que vou fazer. Até lá, os dias passam devagar, mas exactamente como todos os outros. Sonhos.

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Um abraço. O que mais quero e preciso neste momento. Talvez seja tarde, admito, pois quando olho para o relógio, ele responde, com o seu silêncio e paciência infinita: 4:00; da manhã. Dormir. Não consigo. Ela iria perseguir-me nos meus sonhos. Não quero! Aquela falsa felicidade de que ela me escolheu para ser a sua metade. Não acredito! Aqueles beijos, aqueles abraços, aqueles carinhos, aqueles segredos e confidências... Tudo falso. Produto da minha fértil imaginação. O meu momento falso preferido é o do abraço. Aquele abraço eterno. Pulsação. Nós colamo-nos um ao outro. Os peitos fortemente pressionados. Sinto-lhe a pulsação. O coração bombeia rapidamente. Eu agarro-lhe a cabeça, que descansa debaixo do meu queixo, e afago o seu cabelo de seda brilhante doirada. Depois de umas horas agarrados nesta posição, os corpos descolam-se, mas sempre sem largar completamente o outro. Eu olho-a nos olhos. Vejo o mar. Vejo o planeta. Vejo as estrelas. Vejo o Universo.

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Na realidade nunca posso olhá-la nos olhos: ficaria demasiado agarrado a ela e teria de a beijar. Não posso, por isso evito o contacto visual extensivo. Mas aqui no sonho, posso olhar para sempre. Aqui, ela ama-me. Ficamos horas, dias a olhar. Na realidade, deve ter passado 1 hora. Onde estou o tempo receia o fim, por isso poupa-se. Depois desta troca deliciosa de olhares, que ela sabe tão bem lançar, eu acaricio a sua face fria, aquecendo-a. Ela tem as suas mãos em volta do meu pescoço. As minhas mãos puxam magneticamente a sua cara à minha. Os olhos fecham. As testas encostam-se suavemente. Os narizes tocam-se. A minha mão continua na sua bochecha direita. Os lábios encontram-se. O tempo pára. Todo o cenário, que possa, eventualmente, ter criado para dar ambiente, desaparece. Só existimos nós. Ela e eu. Eu e ela. Nós. Como a palavra me soa tão bem. As nossas línguas dançam um tango. Um beijo apaixonado; eterno! Efemeramente eterno. O despertador, o barulho dos carros na rua, a claridade ou seja o que for, acorda-me, arrancando-me deste momento. Eterno? Não. Ela ama-me? Não. O abraço? Não foi real. Acaba assim, tão friamente, este meu momento falso preferido. Queria realidade. Queria poder chegar-me a ela, quando quisesse (ou seja, sempre) e conseguir abraça-la. Beijo? Não é essencial. Porque o que eu só quero é muito simples. Quero: Um abraço!

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Um Café. Estou sentado numa mesa de café. Não me lembro de como vim cá parar. Outro sonho. Estou farto! Vou acordar... Pelo menos, pensava eu. Ela entra no café. Já percebi! É outro que ela visita. Vou ver como corre. Muito bem. Ela está a rir-se para mim. É tão linda! Mas... O que é aquilo atrás dela? É ela. Outra ela. Mas este ela esta triste. A minha mesa tem três cadeiras: a minha e mais duas, uma à direita e a outra à esquerda. Elas sentam-se. Não digo nada. Espero. Pouco tempo. As duas dizem em coro: "Li a tua carta." A da direita diz isto muito alegre. A outra parece desiludida. A da direita diz extasiada: "Sim! Eu quero!" e beija-me. Eu não tenho palavras. A da esquerda fala: "Desculpa João. Eu não posso; não consigo. Desculpa-me." E sai a chorar, deixando na mesa a carta. A outra começa a falar mas... Não oiço nada. Nada. Silêncio.

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Consigo ouvir um barulho e sigo o. A chávena de um homem ao balcão. Ela explode. Oiço a expulsão em alto e bom som. Oiço outro barulho. Uma cadeira é arrastada.

Ka-Bum! Explosão. Novamente, o estrondo dá me cabo do tímpano. Outro som. Mas desta vez: uma conversa. É ela. Vai explodir. Eu agarro-a. Para não a perder. Tecto. É a imagem que vejo. O tecto do meu quarto. Ainda bem que acabou. O sonho. Era os meus receios a ganhar vida: o que ira ele dizer, depois de ler aquele texto? Sim ou não. Cinquenta por cento de chance para cada uma. Sinceramente, acho que é mais provável o não. Mas não quero perder a esperança. Ainda é de noite. Não vou conseguir adormecer. "Sabes qual é a diferença de um boneco e uma boneca de neve?" "Diz!" "Bolas de neve!" Teve piada, mas riu-me mais porque foi ela que contou. Com ela é tudo melhor. Sou mais honesto, mais modesto mais carinhoso, mais altruísta. "Mais melhor bom" homem. E é isso que quero. Ser melhor. Por ela. Para ela. Por causa dela. Quero fazê-la feliz. O dia que chore por minha causa... Eu choro mais. Quero estar com ela! E quero que esteja sempre feliz. Escrevo agora, então, um acordo para que fique explicito o que acontece se ela, de facto, disser que sim: O Sr. João Faria Ferreira compromete-se a amar Deusa, ontem, hoje e amanhã, sendo que tem a obrigação de a fazer 20


rir quando a Deusa quer chorar; tem de lhe dar carinho, quando ela menos quer mas mais precisa; tem de dar apoio; e não pode, e isto é extremamente importante: prender, "objectificar" ou qualquer outra atitude que rebaixe a Deusa. O lema será: "Deusa em cima, João em cima! Deusa em baixo, João em cima a puxar a Deusa para cima. João é torre; Deusa é princesa!". Cá está. Queria fazer maior, mas não consigo. Só penso nela. Só penso em ti!

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Epílogo

Ela. O que me chama logo à atenção são os seus olhos. São azuis e tão profundos que, se olhar durante muito tempo, perco-me na imensidão, que é o oceano que eles albergam. O seu cabelo loiro... Não palha! É sedoso, e convida o toque. O seu nariz perfeito: não muito empinado, mas também nada atrofiado. Quando estou bem perto dela, sinto-lhe o cheiro que emana e que é tão suave e fresco. Não sei se é perfume, shampoo ou gel de banho, mas desconfio que seja natural. As covas que faz quando se ri... Ah, o riso. Tão agradável e delicioso que dá vontade de gravar e por como toque de telemóvel, substituindo o actual, que é um bocado demoníaco. Com aparelho, o seu sorriso era lindo. Sem aparelho, o seu sorriso é lindo. Era, é e sempre será: perfeito. Perfeição. No dicionário: ausência de defeitos. No meu dicionário: Daniela Silva. Loira, mas nada burra. Aliás, todas as loiras que conheci eram bastante inteligentes; ela é a mais delas todas. 27


Bom sentido de humor, e uma confiança fatal... Uma vez disseram-me que ela tinha dois defeitos: - Orgulhosa. Não me parece que seja bem um defeito. Todos nós devemos ser orgulhosos no que fazemos e quando tomamos uma decisão, não podemos voltar atrás. Por tanto, para mim, este primeiro é inválido! - Tagarela. O quê? Tagarela?! Finalmente, a minha alma gémea. Tenho andado à procura de alguém como eu: que não se consegue calar... Alguém com quem a conversa nunca acabe e que todos os segundos em silêncio, sejam trocas de palavras que não são ditas, mas sentidas. Ora, o segundo defeito vai pela água abaixo. A pessoa disse-me que ela só tinha dois defeitos. Se eu considero esses defeitos, qualidades, então, ela só pode ser: PERFEITA!

Fim!

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O Meu Amor  

My love story...

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