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CINEMA JACK NICHOLSON - A LOUCURA COMO ESTIGMA DE SUCESSO Andrés von Dessauer (Especial para GENIUS)

Nascido em 1937. Jack Nicholson, ator, roteirista, diretor e produtor de filmes, levou, em 1969, com seu primeiro longa-metragem EASY RIDER, ao incorporar um advogado bêbado, sua primeira indicação a um Oscar. Desde então, vestiu a camisa da loucura que, em menor ou em maior grau, invariavelmente, causou aplausos dos espectadores. Com mais de 40 troféus recebidos por suas performances, ele merece também ganhar imortalidade na revista GENIUS. Além de dois Oscars de melhor ator, é, com seis troféus, campeão absoluto do Globo de Ouro. Sentado sempre na primeira fila da noite mais importante da Academia, as expressões dos seus olhos e de sua boca deixam dúvidas, para muitos, sobre se a loucura só se restringe às produções cinematográficas. Talvez o seu filme de maior aceitação foi o romântico MELHOR É IMPOSSÍVEL, 1997, mas, para a edição atual da GENIUS, foram escolhidas duas obras atemporais em que a loucura contida sai do seu estado embrional, UM ESTRANHO NO NINHO, 1975, e uma outra em que ela atinge o auge:  O ILUMINADO, 1980. UM ESTRANHO NO NINHO... (da loucura) A evolução cultural teve reflexo direto no tratamento dispensado ao que hoje denominamos doenças mentais. Assim, se de início, optava-se pelo afastamento dos loucos da sociedade (ou até mesmo por seu extermínio); mais tarde, após classificação da loucura como ‘doença’, essa enfermidade foi delegada à psiquiatria. A partir do século XIII surgiram estabelecimentos como o Hospital Bethlem Royal (Londres, 1.247) e o asilo Salpêtrière (Paris, 1.795), no qual, Philippe Pinel foi avanguardista por dispensar o uso de correntes em seus pacientes. Apesar dessa flexibilidade, o tratamento da loucura, em geral, era extremamente agressivo e, em consequência, atraía a curiosidade de um público cativo, já que o distanciamento da realidade faz da

loucura um produto exótico e fascinante. Como prova dessa fascinação, “Um Estranho no Ninho“, baseado no livro de Ken Kesey, ‘One Flew Over The Cuckoo’s Nest’ , abocanhou nada menos que 5 Oscar de primeira linha em 1975. O mencionado escritor foi um articulador cultural que viveu por muitos anos à margem da sociedade americana, atravessando o país em um ônibus hippie-psicodélico movido a substâncias alucinógenas. E esse escritor, sublinhando sua condição de estranho no ninho no ‘american way of life’ destaca que o significado do título desse trabalho encontra-se encerrado na seguinte conclusão: “aquele que não voou para nenhuma direção e permaneceu no lugar, tornou-se louco”. Os direitos de exibição dessa obra foram adquiridos pelo ator Kirk Douglas que, sem sucesso, o montou no teatro e, posteriormente, transferiu a autorização ao seu filho Michael. A trajetória do livro para a tela também não foi das mais normais. Sob esse aspecto, vale dizer que, por pura buro-

cracia, o ‘script’ endereçado ao consagrado cineasta Milos Foreman ficou preso durante 10 anos no correio da Tchecoslováquia (país alcançado pela cortina de ferro). Como se não bastasse esse atraso decenal, após a recusa de Gene Hackman e Marlon Brando, o ainda desconhecido Jack Nicholson só confirmou sua atuação como protagonista após uma temporada de convívio com internos em um hospício. Outro ponto curioso é que algumas tomadas foram gravadas sob a atuação de atores e internos sem que esses se apercebessem. E, se isso já não é realismo suficiente, acrescente-se o fato de que o filme fora rodado em sequências diretas. Dando vida a uma figura que se opunha à repressão, a impagável atuação de Jack Nicholson elevou seu nome ao apogeu e, se encaixou, perfeitamente, em uma época na qual, os questionamentos sobre determinados métodos psiquiátricos, estavam em plena efervescência. Com efeito, ao sublinhar técnicas utilizadas em prol do pseudo bem-estar social, como lobotomias e choques elétricos, o filme em questão trouxe à luz o indivíduo e suas reais necessidades. Quando a psicologia passou a se ocupar da loucura, Foucault defendeu a psiquiatria declarando que “a psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura já que a loucura detém a verdade da psicologia”. E nessa afirmação resta evidente a guerra por espaço travada entre ambas as ciências. Todavia, sendo a verdade, segundo Bertold Brecht, um dado elástico pertencente a quém melhor a monopolizar, pouco importa saber qual o lado vencedor, já que a prioridade é o indivíduo e seu espaço na sociedade. O ILUMINADO  - no labirinto das interpretaçõesO escritor Stephen King e família estiveram hospedados em 1974, por uma noite, no quarto 217 do Hotel Stanley, construído, em 1.909, aos pés dos Rocky Mountains, por Stanley Steamer, co-inventor do automóvel com o mesmo nome. Influenciado pela arquitetura neoclássica, bem como Maio/Junho/2017 |

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