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HIDROLOGIA DO SEMIÁRIDO PARAIBANO REFLEXÕES SOBRE OS RECURSOS HIDRICOS PARTICULARMENTE DO ESTADO DA PARAIBA Joaquim Osterne Carneiro

1. Considerações iniciais.

Preliminarmente, faz-se necessário informar que a quantidade de Água livre na terra atinge 1370 milhões Km3, correspondente a uma camada imaginaria de 2.700m de espessura sobre toda a superfície terrestre, ou seja, 510 milhões de Km2. Concomitantemente, representa uma profundidade de 3.700 m se levarmos em conta as superfícies dos mares e oceanos que, somados, contemplam 274 milhões de Km2 . No entanto, 97,2 % da água existente é salgada, 2,1 % é representada pela água presente na neve e 0,001% constitui o vapor atmosférico. Assim, apenas 0,6 % correspondem a 8,2 Km3. Dos 8,2 Km3 d`água, somente 1,2 % se apresentam sob a forma de rios e lagos e os 98,8% restantes são constituídos por água subterrânea.

2. Vale assinalar que, 50% da água subterrânea está situada a uma profundidade abaixo de 800m dificultando sua utilização. Nesse sentido, o total de água doce utilizável nos rios e nos lagos é da ordem de 98.400 Km3, enquanto 4.050.800 Km3 correspondem a água subterrânea. Merece ser mencionado que água doce é um bem permanente imutável, mesmo levando em conta as impurezas nas distintas maneiras como se apresentam. De outra parte, a renovação da água doce ocorre em face do permanente movimento continuo em transformação de um estado para o outro, denominado Ciclo Hidrológico, que de acordo com trabalho de nossa autoria (CARNEIRO (1998) “Constitui um modelo de vida terrestre. O vapor d`água ao se condensar nas nuvens, dá lugar as precipitações liquidas e solidas. Ao mesmo tempo, o vapor d`água pode condensar-se diretamente sobre a superfície da terra, ainda que, a importância desse fenômeno resulta o mínimo, frente às precipitações. Ao chegar ao solo parte da água escoa pela

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rede hidrográfica, formando o “run off”, até chegar as acumulações de águas livres como os lagos, mares e oceanos. O escoamento depende da topografia, da cobertura do solo, da sua umidade e da intensidade da chuva, situando-se entre dez e vinte por cento da precipitação. Outra parte da água precipitada se infiltra e passa a alimentar o volume das águas subterrâneas, as quais cumprem duplo papel, ou seja: formar depósitos de reservas de água e alimentar as águas superficiais. Pela ação térmica das radiações solares diretas e secundárias, a água volta a evaporar-se na própria atmosfera, desde a superfície do solo e das águas livres, ou através da transpiração das plantas. O conjunto de todos esses processos recebe o nome de evapotranspiração, através do qual se reinicia o ciclo hidrológico”. No tocante ao Nordeste brasileiro, sua hidrologia está relacionada com o regime pluviométrico extremamente irregular, agravado pela baixa permeabilidade dos terrenos cristalinos existente na Região. Chuvas violentas acontecem com frequência e os rios são, em sua maioria, intermitentes. Em média, o numero de meses sem escoamento eleva-se a 6, 7, com um máximo de 11 e um mínimo de 4 meses, conforme trabalho do então MINTER (1973). A pluviosidade. embora relativamente alta, apresenta uma distribuição das mais perversas. Para se ter uma ideia das relações entre o total médio anual de pluviosidade e as respectivas áreas de precipitação, convém fazer uma analise do quadro a seguir: TOTAL MÉDIO MM MENOS DE 400 400-800 800-1200 1200 -1600 MAIS DE 1600

ÁRE-KM2 54.382 661.325 501.092 274.823 149.547

ÁREA % 4 40 31 16 9

Isto indica que, 44% da área do território nordestino recebe uma precipitação media inferior a 800mm/ano, 47% tem precipitação entre 800 e 1600 mm e somente 9% recebe mais de 1600 mm/ano. Ao mesmo tempo, fica igualmente evidenciado que 56% da área total nordestina recebem quantitativos médios de chuva superiores a 800mm/ano, “Suficientes para sustentar uma agricultura permanente e estável, não fora a irregularidade das precipitações, no dizer de SOUZA (1979) Com relação ao escoamento superficial, este se caracteriza por um rendimento especifico médio de 3 Litros/seg/ Km2.. Em um trabalho elaborado para o DNOCS, ALVAR GONZALES (1981) calculou que o volume global anual de escoamento superficial do Nordeste é da ordem de 98,4 bilhões de metros cúbicos de água por ano. Quanto à ocorrência de água subterrânea depende das condições geológicas e climáticas. Nessas condições, no cristalino que ocupa uma área de 720.000 Km2, a acumulação de água esta restrita as zonas fraturadas. O antigo MINTER- Ministério do Interior (1973) estimou que o potencial de água explorável situa-se entre 50 a 250 milhões de metros cúbicos ao ano. Nas áreas sedimentares, o volume total de recursos hídricos exploráveis são estimados em 17 bilhões de metros cúbicos ano e as águas são bem melhores do que as encontradas no cristalino (águas mineralizadas com resíduo seco médio da ordem de 4000 mg/l). No que tange às condições climáticas, a pluviosidade e a evaporação são fundamentais na caracterização da Região, já que determinam um balanço hídrico altamente deficitário (evaporação de 2000 mm/ano e precipitação de 400 a 800 mm/ano) em 44 % da área total do Nordeste, ou seja, do semiárido, afora uma insolação muito forte, com media anual de 2800 h/ano.

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