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Vice Presidente Executivo deste, durante duas gestões, Pereira não só presidiu, com Gonzaga Rodrigues como editor, a Biblioteca Paraibana, iniciada na gestão Sebastião Vieira, que urge ser retomada, como extraiu dez números da revista Paraíba Cultural como o mais completo repositório anual de nossa cultura. Com essa publicação ocorreu algo sintomático: quando mudanças na administração estadual implicaram na usurpação de nossos mandatos. a revista praticamente desapareceu... No exercício do CEC coube a Chico a mais importante iniciativa de nossa cultura. Refiro-me à transferência do acervo do imenso Simeão Leal para a Paraíba, obtida junto à viúva deste. No caso, Dona Eloá atendeu a recomendação do marido para que encaminhasse a preciosa documentação para a Paraíba, onde se encontra, tendo em vista a amizade de Simeão para com Chico. De mim, aproveitei o tempo que passei

no Conselho, em diferentes períodos, para aprender Filosofia da Cultura com Vanildo Brito, Folclore com Oswaldo Meira, Direito com o saudoso Sindulfo Santiago, e cantoria popular com o incomparável Oliveira de Panelas, presente a este recinto. Nenhum, porém, como Chico Pereira. Enciclopédico e dotado da rara capacidade de ouvir, explicou-me o sentido da pintura do italiano Morandi, de quem eu adquirira vistosos álbuns no México. Demonstrou que o Centro Histórico de João Pessoa não mais reside no Varadouro, mas em Bancários, Mangabeira, Bessa, Tambaú. Apoiou a presença, para conferências, no Fórum Universitário, da figura consular de Mário Barata, quando este aqui compareceu, a convite do Reitor da Cultura Antônio Sobrinho. Enfim, identificado com a renovação do Estado brasileiro 1994/2002, reciclou o esquerdismo dos anos cinquenta, revelando que não mais cabia o estatismo corporativo de outrora, por se impor econo-

mia receptiva às sugestões do mercado. Era com ele a new left (nova esquerda), dos italiano Norberto Bobbio, brasileiro Fernando Henrique Cardoso e chilena Michelle Bachalett, que aportava à Paraíba. Aprendi, igualmente, que a prática de quem hoje chega à Academia se rege por pequenos gestos. Um deles, ao atender telefonema: - Pronto! É essa presteza que hoje proclamamos. Estamos prontos – Francisco Pereira Júnior, presente! – para acolher a contribuição de quem se incorpora a esta Academia de Letras para aprofundar seu concurso à cultura da Paraíba, do Nordeste e do Brasil. Isso sob a inspiração da esposa e companheira Fátima Pereira. Muito obrigado!

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(*) Exposição procedida a 12 de agosto de 2016, na Academia Paraibana de Letras, em saudação ao novo Acadêmico Francisco Pereira Júnior.

Setembro/outubro/2016 |

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