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nossos olhos, pleno de reconhecimento, um campeão olímpico, a corroborar a frase de Fernando Pessoa - “porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura.” Seixas expressava a beleza de um homem verdadeiramente livre, senhor de si, coerente em suas intenções e decisões, responsável e preocupado com as questões políticas da sua época e da renovação das estruturas sociais e econômicas. SÍNTESE BIOGRÁFICA DE SEIXAS DÓRIA João de Seixas Dória nasceu em 23 de fevereiro de 1917, na cidade de Propriá (SE), filho de Antônio Lima Dória e Maria Seixas Dória. Iniciou os primeiros estudos em Propriá, com a professora Rosinha Pinheiro, destacando-se por sua inteligência e capacidade de aprender não só as lições da escola, sobretudo, como um menino altivo e perspicaz que já adivinhava a altivez do homem que se tornaria. Concluídos os estudos iniciais foi transferido para Salvador, como aluno dos cursos primário e ginasial, estudando no Colégio Antônio Vieira e Colégio Marista, onde fez o curso complementar. Ingressou, a seguir, na Faculdade de Direito da Bahia, transferindo-se depois, para a Faculdade de Direito de Niterói (RJ), onde concluiu o curso de Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais, na turma de 1943. Nesse período histórico, as nações vivenciavam uma época de mudanças e tensões, em face dos conflitos mundiais que ensejaram a eclosão da II Grande Guerra Mundial. Tempo em que Seixas Dória, com a sua brilhante e inesquecível oratória, conclamava o povo na campanha para que o Brasil se unisse aos países aliados contra o eixo nazi-fascista. Já advogado, instalou um escritório em Salvador (BA), tendo se afastado da militância advocatícia para ingressar na vida pública. Na gestão de Josafá Carlos Borges, na Prefeitura de Aracaju, assumiu a Secretaria Geral da Prefeitura, iniciando, simultaneamente, sua atividade jornalística na direção do Jornal Correio de Aracaju, cargo ocupado por quase dez anos. Elegeu-se Deputado Estadual Constituinte pela União Democrática Nacional (UDN), na legislatura de 1946-1950, atuando como líder da minoria na Assembleia Legislativa de Sergipe. Em 1953, apresenta os programas de rádio ‘Problemas em Debate’ e ‘Resenhas Políticas’, na recém-criada Rádio Liberdade. Foi eleito como Deputado Federal por duas legislaturas (1954 e 1958), destacando-se no cenário político nacional, contribuindo com as suas

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ideias para o soerguimento social e econômico do país, em consonância com as tão proclamadas Reformas de Base Ingressou na Academia Sergipana de Letras em 8 de junho de 1958. Foi eleito Governador de Sergipe em 1963, sendo deposto pelo golpe militar de 1964. Ficou preso em Salvador, sob a acusação de subversão, na ilha de Fernando de Noronha, juntamente com o então governador do Pernambuco, Miguel Arraes. No cárcere escreveu “Eu, réu sem crime”, um libelo monumental contra os seus opressores, uma obra que abrilhanta a literatura política brasileira. No período da redemocratização do País exerceu diversos cargos públicos, tais como: Assessor Especial da Presidência da República, na gestão do Presidente José Sarney; Gerente-Geral da Petrobrás em Sergipe e Secretário Estadual de Obras Públicas, no Governo de Antônio Carlos Valadares. Presidiu a Fundação Oviêdo Teixeira e marcou importantes contribuições sociais e culturais que repercutiram na sua vida púbica. Não posso deixar de, embora perfunctoriamente, fazer menção a dois pássaros anelados que foram responsáveis pela tecelagem do azul dos dias do inesquecível Seixas Dória: Sua mãe, Maria Seixas Dória, razão de ser da sua vida e Dona Mary, sua esposa inseparável, resultando dessa união, Ernane Seixas e Antônio Carlos Seixas, seus filhos, e ainda quatro netos. CONTRIBUIÇÃO LITERÁRIA Eu, réu sem crime (1965) e Recortes de uma jornada (2001). O livro Eu, réu sem crime, pode ser cotejado com o grande expoente da literatura brasileira que foi Graciliano Ramos, cujas histórias são convergentes, como se pode ler em Memórias do Cárcere. O livro de Seixas Dória constitui um manancial literário de grande valor acadêmico, cultural e político. Reune opiniões substanciosas e manifestos de alto nível, suscitando o debate de temas institucionais de valor histórico, como expressão das fortes convicções do autor, voltadas para o estudo dos grandes problemas nacionais da época, como a ausência de investimentos governamentais em vários setores produtivos da economia nacional, especialmente, na atividade agrícola. Seixas Dória soube, como ninguém, denunciar as injustiças cometidas contra os princípios constitucionais, contra os direitos individuais do cidadão e antevia o fracasso do golpe militar, acrescentando: “Estamos vivendo a hora mais breve e mais dramática de toda a história deste país. A crise, sem precedentes, atinge a todos os setores. Do

econômico-financeiro e político, ao social e moral”. O jornalista Hélio Fernandes publicou na Tribuna da Imprensa de 13 de julho de 1978 o seguinte comentário: Se alguém exerceu com mais dignidade, com mais lealdade, com mais sinceridade a vida pública, não esteve jamais acima de Seixas Dória. Pode ter igualado Seixas Dória, o que é um título de glória para qualquer um, superá-lo na devoção à coletividade, ninguém. Sobre o livro Recortes de uma Jornada, o Acadêmico Carlos Ayres Britto, destaca: Nas páginas que se seguem não há senão devotamento às causas do nacionalismo e da justiça social. Tudo sob o envoltório da pesquisa meticulosa, da reflexão maturada, da coragem pessoal e da escrita que se faz com naturalidade [...] nas quais harmoniosamente se combinam o destemor pessoal e a fina ironia, o compromisso popular e o recurso argumentativo a metáforas do mais forte poder figurativo. A vida de Seixas Dória foi profundamente rica em conteúdo político, alinhavada com fidelidade aos postulados democráticos. O PATRONO DA CADEIRA 32 PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA RIBEIRO Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro nasceu em Laranjeiras (SE), em 3 de setembro de 1851, filho de Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro e de D. Maria Benta Freitas de Oliveira Ribeiro. Fez o curso de humanidades no Colégio São João, em Salvador (BA). Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de Recife, turma de 1871. Foi Promotor Público em Laranjeiras, nomeado em 5 de setembro de 1872, e Juiz Municipal em Montes Claros (nomeado em 7 de abril de 1873) e em Cristina, ambas cidades de Minas Gerais. Redigiu, em 1872, o jornal O Conservador, em Aracaju. No Rio de Janeiro, exerceu a chefia de Polícia, tendo ainda ocupado o cargo de Procurador Geral do Estado de São Paulo e Ministro do Tribunal de Justiça do mesmo Estado, havendo sido eleito Presidente do referido tribunal. Em decreto de 5 de outubro de 1903, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal. Exerceu o cargo de Procurador-Geral da República, por nomeação em decreto de 21 de outubro de 1905, sendo exonerado, a pedido, em 6 de dezembro de 1909. Faleceu em 29 de junho de 1917, no Rio de Janeiro. PRODUÇÃO LITERÁRIA Discurso proferido por ocasião da aber-

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