Page 7

MEMÓRIA

UM PARAIBANO NO CONGRESSO: ATIVAÇÃO POLÍTICA, CULTURA, CÓDIGO CIVIL E EFEITO VINCULANTE José Octávio de Arruda Mello

SUMÁRIO: A campanha de 94 e o Senado. Regozijo peemedebista e primeiros discursos. Uma temática diversificada. Sociedade, religião e cultura. Na Presidência da Comissão do Código Civil. No cotidiano de um Senador. AVC, espírito público e imunidades. Ronaldo e o efeito vinculante. Bibliografia e notas. A CAMPANHA DE 94 E O SENADO A três de outubro de 1994, a Paraíba efetuou eleições gerais para escolha dos Presidente da República, Governador do Estado, dois Senadores, doze Deputados Federais e quarenta Estaduais. Os resultados assinalaram o momento culminante da trajetória eleitoral do PMDB que elegeu o Governador, dupla senatorial, oito deputados federais e dezenove estaduais. Embora o partido estivesse sob o comando de Humberto Lucena, foi Ronaldo Cunha Lima quem se colocou no centro da mobilização política e eleitoral. Cem por cento partidário, coube-lhe encampar a candidatura governamental Antônio Mariz e influir na escolha do candidato a vice-Governador. A indicação deste representou problema para cuja solução uma vez mais contribuiu Ronaldo. Depois que o candidato governamental Antônio Mariz, por ela responsável, desistiu do empresário José Carlos da Silva Júnior, o deputado Carlos Dunga a ela habilitou-se, mas à revelia de Mariz que desaprovou a indicação, em aeroporto Castro Pinto coalhado de faixas de Dunga. Com isso, os principais chefes peemedebistas partiram para José Maranhão, líder histórico do partido e prontamente acatado por Ronaldo. Este registrou outros êxitos nessa eleição. Um deles o da vitória estadual (e nacional) do candidato presidencial Fernando Henrique Cardoso que, no Estado, somou 517.832 votos. O petista Lula ficou com 415.899, o peemedebista Orestes Quércia, cristianizado

pelo partido, com 56.407 sufrágios, Enéas Carneiro, do PRONA, com 44.088 e Leonel Brizola, do PDT, com apenas 15. 985 votos. Outro sucesso residiu na composição da Câmara Federal para a qual se elegeram Cássio Cunha Lima, o mais votado do pleito, com 157.609 votos, Gilvan Freire (57.566), Ivandro Cunha Lima, (57.547) e José Aldemir (32.657), todos ligados a Ronaldo. Na Assembleia, era esse o caso de Zenóbio Toscano, Carlos Dunga, Francisca Mota, Valdecir Amorim, Tião Gomes, Domiciano Cabral, Levi Olímpio, Antônio Ivo Medeiros, Tarcísio Telino e Gilbran Asfora. Ao se reconhecer o mais forte candidato ao Senado da República, Ronaldo realizou campanha rigorosamente partidária, dispensando o voto individual mediante o slogan – “no dia três vote nos três”. De acordo com a recomendação, o eleitorado deveria sufragar, além do candidato governamental, os dois postulantes senatoriais peemedebistas, eleitos dentro do seguinte quadro: Ronaldo Cunha Lima (PPR/PMDB/ PSC/PPS/PP/PSD/PRP/PSDB) – 517.832 votos Humberto Lucena (PPR/PMDB/PSC/ PPS/PP/PSD/PRP/PSDB) – 515.899 votos Raimundo Lira (PDT/PTB/PL/PFL/ PRN) – 381.186 votos Joaquim da Silva Neto (PT) – 135.834 votos Francisca Pereira Lopes Zenaide-Francis (PT/PSTU/PSB/PV/PCdoB) – 65.972 votos João Bosco Farias de Melo (PMN) – 47.471 votos João Nunes de Castro (PMN) – 45.898 votos(1). Entrementes, e sem se desmobilizarem, em face dos sucessos do primeiro turno, os Cunha Lima, uma vez mais liderados por Ronaldo, contribuíram para supremacia da

candidatura governamental peemedebista Antônio Mariz que suplantou a pedetista Lúcia Braga, por 781.349 a 538.947 votos, no segundo turno. REGOZIJO PEEMEDEBISTA E PRIMEIROS DISCURSOS Assumindo o Senado, em princípios de 1995, Ronaldo Cunha Lima regozijou-se com essa caudal peemedebista: Alegra-me vê-la assim porque na Paraíba o PMDB que venceu em 1990 é o PMDB vitorioso de 1994, é o PMDB vencedor de hoje, é o PMDB de próximas, novas e grandes vitórias. O PMDB que saiu de 6 para 24 Deputados Estaduais, de 17 para 103 Prefeituras. De 4 para 7 Deputados Federais. Que tem 3 Senadores e mantém o Governo do Estado, é o PMDB da unidade, da solidariedade, da austeridade e do desenvolvimento(2). Ao iniciar as atividades senatoriais, Ronaldo ainda recordava a dura batalha travada pela reabertura do Paraiban. Essa a razão de pronunciamento a respeito do fechamento de bancos oficiais determinado pelo Governo Federal, na Paraíba: “Em meu Estado, as cidades que possuem agências de bancos oficiais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste são pólos que aglutinam interesses microrregionais e uma significante parcela da população. Essa população, em regra, é composta de pequenos agricultores que vivem à mercê dos parcos fomentos oficiais que são administrados por essas instituições financeiras. Não se deve aplicar a ortodoxia econômica, afeita a manuais, contra uma realidade social emergente, que implora por medidas práticas e definitivas para questões como geração de emprego e renda”(3).

Dados colhidos junto à seção de Informação da Secretaria do TRE, em João Pessoa. LIMA, Senador Ronaldo Cunha. “A Paraíba segue em frente” discurso proferido na sessão de 24 de abril de 1996, no Senado Federal. (3) Posição contrária ao fechamento de agências em bancos oficiais no Estado da Paraíba”, 9-2-95 in A Seu Serviço I. Brasília: Senado Federal, 1996, p. 13. (1) (2)

janeiro/fevereiro/março/2015 |

7

Profile for joaodamasceno

REVISTA  

GENIUS 9

REVISTA  

GENIUS 9

Advertisement