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O diretor Bob Giraldi, dono, de fato, do restaurante Gigino Tratoria, localizado no bairro Tribeca, área da “upper class” de New York, conseguiu a façanha cinematográfica de rodar em 21 dias este apimentado filme “gourmet”. Tanto a frenética cozinha (os bastidores), quanto o salão (o palco), são pontos de convergência de diversos temas abordados em uma única noite. Mantendo a “unidade do local” e a “unidade do tempo”, Giraldi segue a linha aristotélica do drama (A POÉTICA), e só deixa de fora a “unidade da ação”, devido à complexidade da nossa atual sociedade. Dessa perfeita combinação de tempo e espaço, surgem diversas figuras, como, por exemplo, um egocêntrico dono de uma galeria, uma antipática crítica gastronômica e um barman que se comporta como um Google, para ganhar um “extra”. Nesse centro gastronômico dedicado à “vanity fair”, ao qual “se vai” para “se ver e ser visto”, conseguir uma mesa é

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| janeiro/fevereiro/março/2015

uma pretensão que pode levar meses ou segundos, a depender do status do interessado. O local, no entanto, funciona também como fachada para a prática de jogos de azar, atividade considerada ilícita nos Estados Unidos (com exceção do Estado de Nevada). O convincente protagonista Danny Aiello (Do the right thing, de Spike Lee) incorpora o dono desse restaurante e ao mesmo tempo, como “bookmaker”, organiza e administra a jogatina. Um dos temas abordados é a dualidade entre a tradição e a modernidade. Na disputa pelo prato a ser servido, a “nouvelle cuisine” do Giginos, influenciada pela demanda “vip”, vence. Mas, no confronto com o crime organizado, que tenta transformar o restaurante em uma “lavanderia”, a velha maneira de eliminar “à bala” uma ameaça, leva a melhor. Esse resgate do estilo faroeste, encenado em um restaurante novaiorquino, não afeta o fluxo dos pratos nem o show de gastronomia. g

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