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EDUCAÇÃO

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: GRANDE DESAFIO NA “PÓS-MODERNIDADE” Marinalva Freire da Silva

O tema violência escolar tem sido muito destacado nos meios de comunicação, nos dias atuais. É um tipo de violência muito preocupante como os demais, que tem se transformado em um grande problema pedagógico. Certamente, a violência não é um fenômeno social recente. Entretanto, é possível afirmar que suas manifestações se multiplicam, bem como os atores nela envolvidos. A novidade consiste na multiplicidade de formas que assume na atualidade, algumas muito graves, e sua crescente incidência chega a configurar o que se pode chamar de uma “cultura da violência”, assim como o envolvimento de pessoas cada vez mais jovens no cenário. No Brasil, a violência tem alcançado as escolas de maneira preocupante para pais e educadores. Não existe uma violência, senão uma multiplicidade de atos violentos cujas significações devem ser analisadas a partir das normas, das condições e dos contextos sociais, variando de um período histórico a outro. Não podemos negar que se trata de um problema da teoria social e das práticas políticas, pois na história da Humanidade tem-se revelado em manifestações individuais e coletivas. A violência é considerada como parte da própria condição humana, surgindo de modo peculiar conforme os arranjos societários de onde se originam. A violência, portanto, pode ser definida como o fenômeno que se manifesta nas diferentes esferas sociais, seja no espaço público, seja no espaço privado, é apreendida de forma física, simbólica, de acordo com o pensamento marxista. Nesse sentido, Candau (2001: 104) argumenta: Para que haja violência é preciso que a intervenção física seja voluntária [...]. A intervenção física [...] tem por finalidade destruir, ofender e coagir. [...] A violência pode ser direta ou indireta. É direta quando atinge de maneira imediata o corpo de quem sofre. É indireta quando opera através de uma alteração do ambiente físico no qual a vítima se encontra [...]. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: uma modificação prejudicial do estado físico do indivíduo ou do grupo que é alvo da ação violenta.

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| janeiro/fevereiro/março/2015

A violência consiste em qualquer agressão física contra seres humanos, cometida com a intenção de lhes causar dano, dor, sofrimento. As agressões são consideradas, com frequência, atos de violência. É comum falar-se também de violência contra certa categoria de coisas, sobretudo, a propriedade privada. A intenção de ferir, ofender, atingir de forma deliberadamente negativa o outro, seria um constituinte de violência, porém não o suficiente para sua caracterização. A atenção dispensada à agressão física é muito questionada por muitos, considerando-se outras formas de relações agressivas quanto à mecanização e à industrialização da violência, como as que se dão em larga escala, as guerras modernas, por exemplo. Outro constituinte atualmente questionado e tradicionalmente referido pelo senso comum é a violência como um ato individualizado, pautado por psicopatias, dirigido contra outro, causando às vítimas sofrimento, dor e inclusive morte. Considerar que muitos agressores não se sentem culpados ou responsáveis por suas ações, que são treinados ou socializados, de forma intencional ou por modos de vida, para serem violentos, desloca a ação preventiva para o campo das relações sociais coletivizadas, focalizando não indivíduos apenas, mas grupos, comunidades e organizações. Se violência não envolve necessariamente uma agressão física no confronto direto de algumas pessoas com outras, então a distinção entre esta e outras formas coercitivas de infligir danos, dor e morte fica enevoada. Uma política que, deliberada ou conscientemente, conduza à morte de pessoas pela fome ou doença pode ser qualificada de violenta. A noção de violência está sempre relacionada a uma referência externa. Ela é comumente representada por atos exercidos pelos outros ou por fatos externos, do lado de fora de nossas casas, escolas, como nas ruas, na periferia das cidades e entre os cidadãos econômica e culturalmente marginalizados. Pretendemos que a violência esteja distante de nós. Todavia, essa ideia de violência é apenas a faceta

visível, pois ela está presente também do lado de cá, dentro de nossas casas, nossas escolas e de nós, pelo que não há como ignorar esta questão crucial posto que, cotidianamente, somos parte dela. Como podemos observar, não é fácil definir o que entendemos por violência. Diferentes abordagens foram realizadas ao longo dos últimos anos por filósofos, psicanalistas, cientistas sociais, teólogos, políticos entre outros estudiosos. De modo geral, os meios de comunicação e o senso comum associam a violência à agressão física e à criminalidade; somente se preocupam com o tema quando causa grande impacto social, conforme temos acompanhado em várias partes do Brasil e do mundo. Na concepção de Sposito (1998: 60), “violência é todo ato que implica a ruptura de um nexo social pelo uso da força. Nega-se, assim, a possibilidade de relação social que se instala pela comunicação, pelo uso da palavra, pelo diálogo e pelo conflito”. Lamentavelmente, a sociedade do mundo capitalista como o nosso, valoriza o homem pelo que ele tem, pode oferecer; o consumo, este monstro insaciável, somente valoriza o que é material, palpável, faz do ser humano objeto exposto à venda através da exploração da mão de obra; valemos o quanto pesamos; não temos tempo para o outro, a corrida pelo ouro é assustadora; o ser humano é descartável. Amor, o que é isto? Para que serve? Não há tempo para o amor, para o diálogo, ninguém ajuda ninguém. As pessoas se unem pelas conveniências. Há uma inversão total de valores. As crianças não têm mais infância saudável, não têm muito contato com os pais, faltam-lhes o carinho, a compreensão, o ombro amigo. Em casa assistem a constantes conflitos e agressões entre os pais. Crescem desamadas, vivendo as situações conflitivas da família, perdem a autoestima, o gosto pelo estudo, vão à escola com uma carga afetiva intensa e lá chegando, basta um olhar de um coleguinha para praticarem agressões. Agridem os colegas, os professores, os que trabalham na escola; em casa

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