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Da autoria de Hermínio Nunes, o texto seguinte traça as origens da paróquia da Marinha Grande. Esta é a segunda parte, continuação do texto publicado no “Grãos de Areia” n.º 1

De composição social eminentemente rural, pobre, «tão pobre», como os próprios moradores referem no citado documento, embora já importante ao ponto de contar entre os vizinhos de 1588, signatários da petição ao Bispo, um mestre alfaiate, João Pires, sinal de alguma vitalidade comercial e económica, se bem que embrionária, a permitir a manutenção de um artesão com o seu negócio, ao qual veio somar-se a despesa comunitária com o sustento do Cura da freguesia. A Paróquia vai beneficiar de um crescimento demográfico relativamente rápido na primeira metade do Séc. XVII, surgindo-nos então, pela década de cinquenta, a primeira descrição da ermida e da relação contratual entre os paroquianos e o seu prelado em matéria de sustento do Cura. «No anno de 1590 fizerão os moradores da Marinha, e Gracia petição ao mesmo Bispo Dom Pedro, dizendo, que

tinhão feito huma Ermida, de invocação de Nossa Senhora do Rozario, no Lugar da Marinha, e pedião licença para nella se dizer missa, e lha concedeo, para que os moradores, impedidos, fossem a ella, com licença do Cura; consta do livro 2º de registo, a fl. 167. No anno de 1600 a erigio em Freguezia, debaixo da mesma invocação do Rozario, desmembrando os da Freguezia de Sam Tiago do Arrabalde da Ponte, donde erão freguezes, a aprezentação do Cura ficou ao Prelado; a fabrica da Igreja, capella, sanchristia, e cazas do Cura, à obrigação dos freguezes; ao Cura taxarão setenta alqueires de trigo, e déz de segunda, e hum quartão de vinho cada hum; de prezente dão pelo vinho trinta reis, e tem o contrato, e clauzulla, que sendo os freguezes mais de outenta, lhe acrescentarião o salario. O Prelado dá ao Cura somente 3$000 reis, em dinheiro; tudo consta do contrato, que está no Cartório da dita Igreja, feito entre o Prelado, e os moradores dos ditos lugares; e para a obra da Igreja mandou o Bispo dar 20$000 reis, das rendas da Fabrica; consta do livro das contas daquelle tempo, da Fabrica, que está no seu Cartorio. Tem o Cura as ofertas da parochial, somente, algumas amentas voluntárias, de meio alqueire de milho cada huma.

Tem a parochial duzentos fogos, pouco mais, ou menos. O altar mor tem nicho de pedra, doirado, e nella a imagem da Senhora, de vulto; tem mais dois collaterais, com nichos, doirados, Nossa Senhora da Incarnação, Sam Sebastião e Sam Francisco, de vulto, tem sanchristia, capella de pia de baptizar, fechada, e hum sino pequeno.»(3) Pelo relato do Couseiro retiramos várias conclusões, uma das quais é a primeira constatação da estética, dimensão e património construído e iconográfico da pequena igreja paroquial da Marinha, então já Marinha Grande, termo que por 1626 começa a surgir com frequência na documentação notarial de Leiria.(4) Hermínio de Freitas Nunes 3 – COUSEIRO ou memórias do Bispado de Leiria, 2ª edição. Sobre a genealogia do Couseiro consultar do autor: A Irmandade do Senhor Jesus dos Aflitos- edição Paróquia da Marinha Grande, IV Centenário, 2000/ p.p. 26. 4 – ADL – Registos Notariais, Leiria, 1626, Dezembro, 10 — Contrato entre João Domingues, lavrador, e Maria Dinis, sua mulher, moradores na Marinha Grande, e o Padre Francisco de Leiria, Cura na igreja e freguesia de Espite.

BOLETIM DA PARÓQUIA DA MARINHA GRANDE - N.º 2 - MAIO 2011 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Realizou-se como programado o tríduo pascal na paróquia. Na Quinta celebrouse a Missa da Ceia do Senhor com o gesto do lava-pés, na Sexta a Via-sacra e a Paixão do Senhor e no Sábado Santo a Grande Vigília Pascal. Nesta foram baptizados três bebés, dois adultos e um adolescente. Foi maravilhoso ver a igreja cheia em qualquer das celebrações, sentir a vivência de toda a assembleia expressa nos cânticos, nas atitudes dos acólitos e nos rostos de todos. No Domingo de Páscoa as igrejas da paróquia estiveram cheias. Ainda bem. Quer dizer que as pessoas compreendem a importância da Páscoa. Por tudo isto e ainda pela maneira como decorreu a visita pascal às famílias, toda a paróquia está de parabéns.

GrãosdeAreia Gn 22,17

Editorial

GrãosdeAreia Boletim da Paróquia da Marinha Grande Distribuição Gratuita Director: Pe. Armindo Castelão Ferreira Impressão: Quilate Colaboraram nesta edição: Pe. Armindo Castelão Ferreira, Pe. Pedro Viva, Joaquim Mexia Alves, Lúcio Gomes, Sandra Ferreira, Hermínio Nunes, Pedro Jorge Periodicidade: Mensal Contactos: Igreja Paroquial da Marinha Grande Rua Marquês de Pombal, 84 2430-247 Marinha Grande Casa Paroquial: 244 502 622 Cartório: 244 567 477 Envie as suas questões, propostas e sugestões para: paroquiamarinha@leiria-fatima.pt http://www.leiria-fatima.pt/marinhagrande/

» caminhos para a paz. Assim aconteceu com a sua ida à Irlanda para aí dizer olhos nos olhos aos “católicos” do IRA: quem pega em armas para defender a “religião”; não se deve a ele a transição pacífica dos regimes totalitários para regimes democráticos no Leste? c) Testemunha da alegria na saúde e na doença, com máximo respeito pela vida: levou a vida até ao limite, sem a diminuir em nada. Na sua doença tão incapacitante quem não se comovia com o esforço por carregar a cruz até ao fim? Para quê? Ele que fora grande atleta, robusto, forte porque não esconder as suas tantas li-

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mitações físicas? Para mostrar que a dignidade da vida lhe vem por ser vida e não da qualidade de vida; a vida é sagrada, dom de Deus para assumir até ao fim, lembrando Cristo: amou até ao fim, serviu até ao fim, nada reservou para si. d) Servidor do amor e ternura pelos mais fracos e do perdão aos inimigos: o perdão dado àquele que o tentara matar. A longa conversa tida com ele na prisão, o abraço da reconciliação. Ele ficará na História como modelo digno de ser imitado por todo o cristão e por todo o homem de boa vontade.

Grande devoto de Nossa Senhora por três vezes foi peregrino deste nosso Santuário. Aí ficará necessariamente sempre presente não só pelo passado e pela estátua, mas mais que isso, pelo seu espírito e pela sua devoção que aí serão perpetuadas pela memória de todos os peregrinos. No próximo dia 13 de Maio, nas celebrações de Fátima teremos oportunidade de louvar a Deus por este seu servo, de o honrar, venerar e pedir a sua intercessão. Não deixemos de participar e viver este grande acontecimento. Pe. Armindo Castelão Ferreira

http://ari3n.deviantart.com/art/John-Paul-II-17074304

A Beatificação de João Paulo II

Entrámos no mês de Maio, mês em que a devoção a Maria, mãe de Jesus, retoma um novo vigor. As grandes peregrinações a Fátima recomeçam. Milhares de peregrinos fazem-se à estrada, muitos a pé, até á Cova da Iria, como manifestação de acção de graças, de confiança e de esperança. Lá sentimo-nos todos em casa, irmanados na mesma fé, atentos à voz de alto. Com Maria sentimo-nos mais próximos de Deus. Maria, ao longo destes vinte séculos de Igreja, foi sendo para as várias gerações de cristãos um porto seguro, uma referência de santidade, um exemplo de humildade a seguir. Não admira a grande devoção dos cristãos, patenteada nas dezenas de invocações com que, de norte a sul do país, ela é honrada. O papa João Paulo II, recentemente beatificado, entregou o seu pontificado à protecção maternal (Totus Tuus) e, particularmente, depois do atentado que sofreu em 13 de Maio de 1981, a sua devoção à mãe de Deus foi ainda mais nítida, ensinando-nos a aprender, na escola de Maria e dos pastorinhos, a viver uma vida de maior interioridade e de fé. Este segundo número do Grãos de Areia, dedicado a Maria, em pleno Tempo Pascal, seja para nós um estímulo a vivermos como ressuscitados. A acolher o homem novo que Jesus nos propõe a viver. Também se faz referência ao dia do trabalhador. O trabalho não é apenas um dever, é também um direito. Não serve apenas como meio de sustento, mas é realização humana e meio de colaboração com Deus na obra da criação. Que todos possam ter trabalho para poderem viver uma vida digna de filhos de Deus. Pe. Pedro Viva

A devoção a

Maria http://kai3rebel.deviantart.com/art/Mother-Mary-138819758

Igreja e paróquia de Marinha Grande (2)

Tríduo Pascal e Visita Pascal

MOVIMENTOS

A Mensagem de Fátima, Eco do Evangelho Não há português, por muito arredado que ande da vida de fé, que não tenha presente o início do Avé de Fátima: «A 13 de Maio/Na Cova da Iria/Apareceu, brilhando/A Virgem Maria…» » página 2

ACTUALIDADE

A Beatificação de João Paulo II O Papa João Paulo II foi beatificado no início de Maio. O que quer isso dizer? Que ao longo da sua vida concretizou de tal modo o estilo de vida cristã que se torna modelo para os baptizados. Não é por ter sido sacerdote, nem sequer bispo ou Papa. Já houve muitos padres, muitos bispos e papas e só alguns foram beatificados, assim como religiosos e leigos. Os beatificados acolheram o apelo do Senhor, “sede santos porque o vosso Pai Celeste é Santo” e, examinada a sua vida pela Igreja, foram reconhecidos como tal e por isso apresentados aos cristãos

como modelo a imitar e como intercessores junto de Deus. Só Deus é santo, mas todos somos chamados a ser santos. O que há a realçar na vida de João Paulo II que o torna modelo de vida cristã? Os nossos bispos, na Nota Pastoral sobre a Beatificação de João Paulo II, realçam 4 aspectos: a) Homem de intensa vida interior que se comunica: quem não se lembra daquela imagem de João Paul II ajoelhado em frente à imagem de Nossa Senhora na Capelinha das Aparições em Fátima? Porque é que os jovens acorriam aos seus encontros e com silêncio

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PARÓQUIA

profundo o escutava? É que ele não comunicava palavras, comunicava vida. Donde vinha a sua coragem que o levava a animar e afirmar com toda a convicção: não tenhais medo? Era a sua comunhão com Deus… b) Profeta de audazes intervenções em nome da justiça e da paz : as suas peregrinações pelo mundo não foram senão ... » » continua na página 4


MOVIMENTOS

TEMA

A Mensagem de Fátima, Eco do Evangelho Maio, mês mariano por excelência, marca também, ano após ano, o início das comemorações das aparições de Nossa Senhora em Fátima e, principalmente, das palavras que Ela dirigiu aos Pastorinhos – e a todos e cada um de nós. A Mensagem que Maria deixou em Fátima tem raízes directas no próprio Evangelho, o que foi decisivo para o reconhecimento da sua credibilidade por parte da Igreja. Ou seja, o conteúdo do que foi dito pela Virgem não constituiu novidade em relação à Boa Nova de Jesus. Porém, é sempre oportuno – e hoje mais do que nunca – recordarmos a Verdade, porque a Verdade é eterna e, por isso, pertence sempre ao presente. A sua validade não se esgota no passado nem o seu efeito tem de ser adiado para o futuro. É a “beleza antiga e sempre nova” de que falava Santo Agostinho. Dentro do espírito evangélico, os três pilares da Mensagem de Fátima são a oração, a penitência e a conversão. Se a oração é o diálogo permanente, quotidiano, com Deus, o cultivar da intimidade com Ele, já a penitência, ou sacrifício, constitui um caminho dinâmico de crescimento e aperfeiçoamento continuado, tantas vezes feito de

avanços e recuos. Mais do que fazer coisas penosas ou de aceitar passivamente os infortúnios, trata-se de tornar sagrado (“sacrum facere”, em latim) todo e cada acontecimento, gesto ou palavra da nossa vida, dando-lhe um sentido divino. Oração e penitência culminam na conversão, que é a adesão voluntária, plena e incondicional àquilo a que São Paulo chamou “as coisas do alto”. Ou seja, é voltar para Deus o nosso coração, é abraçarmos a Sua vida com a nossa. O mensageiro não é irrelevante para a Mensagem de Fátima. Maria, ao mesmo tempo Rainha e mulher simples e humilde, não escolheu, para intermediários, grandes sábios ou altas figuras da sociedade, mas sim três crianças de pouca ou nenhuma instrução, tal como Jesus tinha desafiado, para Seus discípulos, aqueles que menos crédito receberiam, naquele tempo (pes-

cadores, cobradores de impostos, mulheres de má reputação, etc.). O Evangelho é traduzido para a sua expressão mais essencial. Se os Pastorinhos a compreenderam, conforme prova a sua própria mudança de vida – a sua conversão –, qualquer pessoa está em condições de a compreender e de aderir a ela, do mesmo modo. Mais importante ainda: somos convidados, qualquer que seja a nossa idade ou condição, a acolher as palavras da Virgem na Cova da Iria – e, nelas, o próprio Evangelho – com a inocência e a confiança de crianças, sem reservas nem receios. Só assim a Mensagem de Fátima será tão actual hoje como em 1917. O Movimento da Mensagem de Fátima Em 1926, foi criada a “Associação de Nossa Senhora do Rosário” com a finalidade de ajudar os seus membros a “conhecer, viver e difundir a Mensagem de Fátima”, a qual, dois anos

O homem, feito à imagem e semelhança de Deus, tem necessidade de trabalhar, pois pelo trabalho o homem tira o sustento para si e sua família e desenvolve as suas capacidades. Já no Concílio Vaticano II se refere “De facto, quando trabalha o homem não transforma apenas as coisas materiais e a sociedade, mas realiza-se a si mesmo. Aprende muitas coisas, desenvolve as próprias faculdades, sai de si e supera-se a si mesmo”. Pelo trabalho o homem também

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ajuda a modelar a sociedade em que está inserido, contribui para o bem comum e como cristão pode contribuir para a construção do reino de Deus, através da sua maneira de estar, de agir, de trabalhar, seguindo o exemplo de Jesus e seus discípulos, que procuraram sempre o caminho da humildade, do serviço aos irmãos. Na segunda carta aos Tessalonicenses S. Paulo escreve “Com efeito, vós próprios sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos desordenadamente entre vós, nem comemos o pão de graça à custa de alguém, mas com esforço e canseira, trabalhámos noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vós” (2Ts 3, 7-9). O trabalho, é também, uma obrigação do homem, Deus assim o mandatou “Crescei e multiplicaivos, enchei e dominai a terra” (Gn 1, 28). Contudo o trabalho é também fonte de direitos para o trabalhador, João Paulo II, na encíclica Laborem Exercens, fala da impor-

Lúcio Gomes

LEITURAS

Dia do Trabalhador “Comerás do fruto do teu próprio trabalho: assim serás feliz e viverás contente.” (Sl 128(127), 2)

mais tarde, foi transformada, pelo Bispo de Leiria, na “Confraria de Nossa Senhora do Rosário de Fátima”. Em 1934, o Episcopado português, reunido em Assembleia Geral no Santuário de Fátima, aprovou os primeiros Estatutos que constituíram esta Confraria na “Pia União dos Cruzados de Fátima”. O jornal “Voz da Fátima” tornou-se o seu órgão oficial. Novos estatutos foram aprovados pela Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em 1984, alterando a sua denominação para “Movimento dos Cruzados de Fátima”, que dá lugar, em 1997, ao “Movimento da Mensagem de Fátima”, designação que perdura até hoje. Como campos de acção pastoral, o Movimento assumiu, desde o início, a oração, o acolhimento aos peregrinos e o apoio aos doentes, dando, assim, resposta concreta aos pedidos de Nossa Senhora em Fátima. Estruturado em três sectores (Crianças, Jovens e Adultos), o Movimento da Mensagem de Fátima está presente e actuante em todas as dioceses portuguesas e, desde há já vários anos, também na Paróquia da Marinha Grande.

O Silêncio de Maria tância do respeito destes “O respeito deste vasto conjunto de direitos do homem constitui a condição fundamental para a paz no mundo contemporâneo: quer para a paz no interior de cada país e sociedade, quer para a paz no âmbito das relações internacionais, conforme já muitas vezes foi posto em evidência pelo Magistério da Igreja, especialmente após o aparecimento da Encíclica Pacem in Terris.” Também o dia do trabalhador foi institucionalizado para defesa dos direitos dos trabalhadores, sendo também, um dia de luto lembrando todos aqueles que morreram a defender a dignidade dos trabalhadores. Queria também lembrar, agradecer e dar graças a Deus por todos aqueles que estão envolvidos no trabalho sociocaritativo na nossa comunidade, trabalho que desenvolvem de forma gratuita, solidária e com muito amor ao próximo. Sandra Ferreira

IGNACIO LARRAÑAGA

«Mãe do Silêncio e da Humanidade, tu vives perdida e encontrada, no mar sem fundo do mistério do Senhor. Faz-nos compreender que o silêncio não é desinteresse pelos irmãos, mas fonte de energia e irradiação; não é encolhimento mas projecção. Faz-nos compreender que, para derramar, é preciso encher-se. Envolve-nos no teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza da tua fé.» Edição: Paulinas Páginas: 248 ISBN: 978-972-751-431-1 PVP: 9 €

A devoção a Maria Muitas vezes foi criticada a Igreja, e com Ela os católicos, pela devoção que a mesma presta à Virgem Maria, e a ligação tão íntima e pessoal que os fiéis têm e dedicam à Mãe do Céu Às vezes quase pretendem dizer que essa devoção, essa ligação espiritual e afectiva, seria uma “invenção” da Igreja com uns quaisquer propósitos, para os quais não se descortinam razões plausíveis. Há até algumas seitas que por força de quererem negar essa ligação do Povo de Deus a Maria Santíssima, A desprezam e ofendem com actos inomináveis. Mas terá sido por vontade da Igreja, ou dos católicos, que essa devoção, essa ligação tão espiritual e filial aconteceu e se desenvolveu? Claro que não, e mais uma vez a Palavra de Deus nos vem esclarecer a verdade sobre a extraordinária dedicação da Igreja e dos católicos à Mãe de Jesus Cristo, «Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!». Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.» Jo 19, 25-27 Pelo que lemos, (sobretudo com o coração), percebemos sem margem para dúvidas, que foi por vontade de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que Maria Santíssima foi dada como Mãe a João, e João dado como filho a Maria. Em todas as passagens da Palavra em que Jesus fala com os Apóstolos, sempre foi entendimento que aquilo que Ele lhes diz, ultrapassa o tempo, ou seja, foi

para ontem, é para hoje e será para amanhã, bem como, não é apenas dirigido a eles, mas a toda a humanidade, sobretudo àqueles que acreditam e seguem a Cristo. Porque seria então diferente esta passagem e Jesus apenas se dirigiria ao Apóstolo João? Verdadeiramente não estava ali mais nenhum Apóstolo, portanto Ele não se poderia dirigir a todos, porque não estavam presentes, mas ao dirigir-se àquele significava, como sempre tinha feito, dirigir-se à universalidade dos Apóstolos. Assim, quando Jesus por Sua própria vontade dá Maria como Mãe a João e o dá como filho a Maria, está a fazê-lo a e com toda a humanidade, todos os que foram criados à imagem e semelhança de Deus, crentes e não crentes, porque não tenhamos dúvidas que Maria intercede por todos, sobretudo pelos seus filhos que andam longe da Verdade. Mas reparemos ainda que o evangelista emprega o termo discípulo para afirmar que, «E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua.» O próprio autor do Evangelho mostra-nos quem é o discípulo, os discípulos. Discípulo é aquele, são aqueles, que acreditam que Jesus vem do Pai e enviado pelo Pai. «…e reconheceram verdadeiramente que Eu vim de ti, e creram que Tu me enviaste.» Jo 17,8 Discípulo é aquele, são aqueles, que amam a Jesus Cristo e guardam os seus Mandamentos, a sua Palavra.

«Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos.» Jo 14,15 «Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.» Jo 14,21 «Se alguém me tem amor, háde guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada.» Jo 14,23 Ora se o autor utiliza o termo discípulo, até por duas vezes, temos de compreender, temos de aceitar, que com isso ele quer significar que por vontade de Jesus Cristo, Maria é nossa Mãe e passa a fazer parte integrante da caminhada do discípulo, passa a fazer parte integrante das nossas vidas, pois todos nós que acreditamos, queremos ser discípulos de Cristo. Jesus Cristo quis sem dúvida nenhuma dar-nos Maria como Mãe, como testemunho exemplar de fidelidade ao amor, à Palavra, («Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» Lc 1,38), como intercessora poderosa, como já o tinha desvendado nas Bodas de Caná, («Não têm vinho!» Jo 2,3). É Jesus Cristo quem nos diz, «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.» Lc 8,21 Ora quem melhor que Maria, entre os seres humanos criados por Deus, ouviu a Palavra e a pôs em prática? Quem melhor que Ela, por-

Cristo quis sem dúvi“daJesus nenhuma dar-nos Maria

como Mãe, como testemunho exemplar de fidelidade ao amor, à Palavra

tanto, para nos guiar, para nos ensinar, a sermos verdadeiros irmãos de Jesus Cristo, filhos de Deus? Quem melhor que Ela para nos dizer permanentemente, («Fazei o que Ele vos disser!» Jo 2,5), para escutarmos a Palavra, A vivermos e Lhe sermos fiéis? Jesus Cristo ao dar-nos Maria como Mãe, está a dar-nos a Mulher cuja descendência, Ele próprio, esmagará a cabeça do mal, pelo sim que presta à vontade de Deus. «Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar.» Gn 3,15 Realmente Maria ao dizer sim à vontade do Pai, gerando Jesus no Seu ventre, colabora de maneira total no plano salvífico de Deus, que enviando o Seu Filho ao mundo, para ser Um como nós, nos vem ensinar que Deus é Pai, que quer a salvação de todos, e que pela Morte e Ressurreição do Seu Filho Jesus Cristo, liberta o homem da lei do pecado, da lei morte, vencendo assim e para sempre todo o mal. Por isso ao recebermos Maria como Mãe, ao nos unirmos a Ela no amor a Jesus Cristo, na fidelidade à Palavra, somos também protegidos do mal que nada pode contra Ela, como podemos ler, meditar em Ap 12, 1-6; 13-18. Não sei, francamente, que mais razões serão preciso acrescentar, (para além da Tradição da Igreja no culto à Virgem Maria), que nos levem a abrirmos as portas dos nossos corações à presença de Maria nas nossas vidas, como nossa Mãe Santíssima. Julgo até que chegava apenas uma razão, e que é a vontade de Deus, pois foi Jesus Cristo quem disse a cada um de nós, «Eis a tua mãe!» Jo 19,27, e foi Ele mesmo quem nos ensinou que, «todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.» Mt 12,50 Joaquim Mexia Alves MAIO 2011

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Grãos de Areia - boletim 2  

Boletim 2 da paróquia da Marinha Grande

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