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O FUTURO É NOSSO Revista do Coletivo Jovem de Comunicação de Humaitá

Poesia e reflexão Textos de Jéssica Santos e Adriano Almeida

Serviço Social Assistência a saúde e lazer para pessoas com deficiência: a APAE de Humaitá

Ponto de Vista A sociedade dos políticos brasileiros Artigo de Romilson Azevedo

Uma aula diferente Professores da Escola Oswaldo Cruz visitam o Mercado Municipal de Humaitá para o ensino de biologia.

Ano I—Nº 2 Novembro de 2016


Fotografia de Thays Sofia


POLÍTICA EDITORIAL Apesar de ser uma Revista de variedades, esta edição tem como tema: Juventude e Educação e abordará a relação deste com a cultura, o esporte, o meio ambiente, a infraestrutura e os serviços públicos. Conteúdos possíveis de publicação

Ficha Técnica Conselho Editorial André Jacó Schneider Juliana Valentini Bruno Lima Patrício João Maciel de Araújo Design e Direção de Arte João Maciel de Araújo Harlesson Cândido Revisores Jeferson Aparecido Lima Marcos Serafim dos Santos Fotografias Acervos Pessoais/ Reproduções Agradecimentos Jurandir Santos Iris Chamberlain Nazaré Oliveira E-mail: redacaofuturoenosso@gmail.com

- Crônicas - Artigo de Opinião - Reportagens - Resenhas - Biografias - Entrevistas - Poemas - Letras de Música - Contos (dependendo do tamanho será dividido em mais de uma edição) - Comunicações de resultados de atividades de estudo, pesquisa e extensão. - Agendas - Notas e avisos oficiais - Charges - História em Quadrinho/Cartoons - Fotografias Normas Editoriais Básicas Todos os conteúdos da revista devem: - Indicar expressamente o seu autor (nome e foto), admitindo-se a utilização de pseudônimos somente para conteúdos literários. - Respeitar os direitos humanos; - Não fazer promoção de conteúdos pornográficos e uso de entorpecentes; - Não beneficiar direta ou indiretamente empresas comerciais ou candidatos a cargos eletivos de qualquer natureza; - Evitar o constrangimento, expondo ou denegrindo a intimidade de quaisquer pessoas;


Fotografias de Thays Sofia, da Escola Oswaldo Cruz, ilustram esta edição, inclusive a Capa.

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EDITORIAL Não é de hoje que a educação vem se destacando como um profícuo campo de observação, análises e intervenções acerca das contradições que emanam no cenário políticoeconômico nacional. Contradições estas que abarcam desde os velhos problemas de desvalorização e descaso, passando pela falta de recursos básicos e estrutura nas escolas, culminando, em tempos atuais, na amordaça política impulsionado pelo projeto ‗Escola sem Partido‘; pela sangria orçamentária prevista para os próximos vinte anos, mediante a implantação do Projeto de Emenda Constitucional n. 241 (PEC 55); e pelo esfacelamento curricular impetrado pela Medida Provisória 746. Cabe-nos também destacar que ―nem tudo vem caminhando de ladeira abaixo‖ no que diz respeito ao atendimento das demandas educacionais de nossos jovens. No ínterim das últimas duas décadas podemos observar um importante avanço rumo à universalização da educação básica. Com base no Relatório de Educação Para Todos 2000-2015, divulgado no site do Ministério da Educação, podemos observar avanços nas taxas de escolarização em todas as faixas etárias. De 1990 a 2014, dos jovens de 7 a 14 anos, este índice subiu de 81,2 para 95,8 por centro. De 15,3 para 41,2%, dentre as crianças de 4 a 6 anos; e de 16,5 a 81,1% com idade propícia ao ensino médio. Em todas, nota-se também o fortalecimento da presença feminina e de minorias sociais nos bancos escolares. Na outra face da moeda, constata-se que ainda temos muito a caminhar para a consolidação de um sistema educacional que, de fato, atenda as necessidades e ajude a reparar as situações de vulnerabilidade nas quais estamos imersos. Segundo o relatório lançado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial, num total de 138 países, o Brasil ocupa a 81ª posição nos índices de qualidade, atrás de países como Albânia, Armênia, Guatemala, Jamaica e Marrocos. Para os coordenadores da pesquisa, em meio a outras variáveis, este panorama se deve, sobretudo, aos marcos regulatório atrasados em nossa política educacional, somados a questões de infraestrutura deficientes. Todavia, para além da frieza dos números, indagamos a você, leitor: como enxerga a situação da educação atual? Qual a sua posição em relação à educação pública? Não são poucas as iniciativas populares que desvelam o grau de insatisfação atinente ao tipo e à qualidade de educação que nos é ofertada – basta folear as páginas dos jornais, acompanhar as redes sociais ou assistir os programas de notícias televisivos. Ocupações estudantis de unidades escolares, movimentos de paralizações e greves de funcionários e professores, criação de fóruns permanentes de debates, são apenas algumas formas expressivas e organizativas com as quais parte da população vem demostrando seu descontentamento com os recentes episódios da nossa política nacional e educacional. Com a preocupação de amadurecer este debate, de abrir um canal de diálogo e reflexão, e de criar um espaço de expressão para a juventude humaitaense, a Revista O Futuro é Nosso tematiza a educação em sua segunda edição. Ficamos na expectativa de que as publicações dos jovens de Humaitá, impressos nesta revista, sirvam como instrumento de reflexão e conscientização a todos os leitores, para que possamos somar forças nesta difícil, mas necessária, tarefa de construir uma educação verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade. Desejamos a todas e a todos uma ótima leitura! 5


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9 “A Constituição Federal de 1988 foi um marco importante, pois trouxe objetivos fundamentais na promoção do bem de todos, sem preconceitos‖.

Visita de campo: relato de atividade de alunos do Oswaldo Cruz no Mercado Municipal de Humaitá.

Artigo de Marcos Serafim dos Santos

Sumário Luiz Henrique Lopes faz parte das primeiras turmas que encerram o Ensino Médio no IFAM e é o entrevistado desta edição.

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Como pode uma coisa abstrata doer tanto? Como pode uma coisa que a gente não vê machucar? Texto de Jéssica Santos

“Rever princípios, tentar num diálogo com a alma do universo, um pouco de lucidez existencial para que não desperdicemos a vida no consumismo e encontremos tempo para viver e sermos felizes.”. André Schneider

41 ―A conversa prosseguia cada vez mais instigante e se aprofundava, quase que em clima obscuro, no mundo da educação. Assuntos que despertaram minha atenção e interesse... lançando em minha cabeça dúvidas, para e em todas as direções‖. Crônica de Harlesson Cândido


ENTREVISTA Aos 17 anos de idade Luiz Henrique Lopes e Silva faz parte da primeira turma de concluintes de cursos de ensino médio integrado do IFAM, Campus Huamaitá. Figura bem conhecida da comunidade do Campus Humaitá, Luiz Henrique é nosso entrevistado e fala um pouco sobre sua vida, experiência no IFAM e expectativas. Revista O Futuro é Nosso (ROFN)—Como você se define? Luiz Henrique—Acho que fica complicado falar de mim, porque eu gosto de muita coisa... Mas acho que o que pode me define seria a vontade de me empenhar a cada momento, a cada situação que eu me coloco, procuro colocar o máximo de mim dentro de determinado propósito ROFN—Qual a sensação que você tem neste momento de sua vida? A sensação de dever cumprido. Ter conseguido, através do meu esforço e minha dedicação ter conseguido uma grande conquista, que é ter concluído um curso técnico, ao mesmo tempo em que concluo o ensino médio. Pra um jovem da minha idade é muita coisa: você está concluindo o ensino médio e ao mesmo tempo um ensino técnico. Sobretudo na área de administração, que acredito o mercado de trabalho é muito grande. ROFN—Onde você nasceu e onde cursou o ensino fundamental. Nasci em Humaitá e cursei o ensino fundamental na Escola Dom Bosco, da 3º série até o final do fundamental. ROFN—Como você se autovalia como aluno do ensino fundamental. Não era muito esforçado, mas posso dizer que tinha uma inteligência que me fazia destacar em relação aos demais alunos. E sempre tive destaque em algumas matérias. Acredito que esse destaque se deve principalmente a influência de minha mãe, que é pedagoga e minha primeira professora. ROFN—Como você se autovalia como aluno do ensino médio? Da mesma maneira. Porém, vi que há muitas pessoas mais esforçadas, mais inteligentes, mais dedicadas... Mas em qualquer lugar você encontra pessoas assim. Em momentos você pode ser melhor em algo e em outros não. No ensino médio me deparei com muitas pessoas dedicadas e o bom é que sempre procurei me inspirar nessas pessoas, principalmente jovens.

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ROFN—Por quê optou pelo curso de Técnico em Administração? Fui influenciado por um tio que trabalha em uma grande loja em Porto Velho e me falava que a área administrativa era muito interessante de estudar e também trabalhar... Eu tinha uns 13 anos e já tinha a intenção de estudar administração. Então quando estava na 8ª série surgiu a oportunidade de fazer este curso no IFAM. Eu também era muito curioso de saber qual a rotina dos chamados ―homens de terno‖ ROFN—Fale sobre sua experiência no IFAM. Até um certo ponto o IFAM atendeu às minhas expectativas. Lembro do 1º ano. Como a instituição ainda não era bem estruturada, com poucos professores e outras deficiências a gente se dedicava ao máximo, pra ver o melhor da instituição. Já a partir do 2º ano começaram alguns problemas, entrada e saída de alunos, rota e ônibus lotados... Acredito que também alguns eventos promovidos pelo campus deixaram a desejar. ROFN—Se pudesse faria o ensino médio novamente no IFAM? Sim. Pois mesmo tendo alguns pontos ruins, tem pontos bons. E se eu voltasse no tempo, procuraria aproveitar mais os pontos bons. ROFN—Quais as suas expectativas para o próximo ano? No próximo ano, além de apresentar relatório de estágio e concluir definitivamente o ensino médio, vou procurar trabalhar. Numa loja, como vendedor. Mas a partir de 2018 pretendo fazer uma faculdade de Administração e quem sabe, vir pra cá também. Assim como pessoas me formaram, eu também quero ter o prazer de formar pessoas, formar sujeitos para a sociedade. ROFN—Do que sentirá saudades no IFAM? Primeiramente das amizades, tanto os da sala de aula como os das outras turmas, pois procuro fazer muitas amizades. Outra coisa é que eu já acostumei com o ambiente. Sinto como isso aqui fosse uma segunda moradia. Há pessoas que sentem afeto grande pelo local onde estuda, local onde trabalha... Eu sinto esse afeto por esse ambiente. Acho que vou sentir falta de entrar na sala pra estudar, ouvir as falas dos professores. Alguns professores eu consegui fazer amizade, outros não tive oportunidade, quem sabe mais pra frente... ROFN—Do que não sentirá saudades? De pegar lotação do ônibus, pois é bem estressante! ROFN—Fale o que quiser. Vejo que há uma certa diferença em relação ao aprendizado da juventude atual. No passado, os jovens tinha maior preocupação com o trabalho. Hoje em dia, vejo que os jovens tem uma preocupação maior com a formação, buscam um... Os jovens buscam mais os seus direitos... Eles tem consciência de que terão um papel importante na sociedade futuramente e buscam ser mais independentes para tomar suas decisões.


Considerações Sobre Educação Especial no Brasil

Marcos Serafim dos Santos Professor do IFAM

Contextualizando o cenário das políticas que foram sendo alteradas e modificadas ao longo da história para atender às pessoas com necessidades educacionais especiais, destaca-se a LDB 4.024/64, a primeira Lei de Diretrizes Bases da Educação que previa o atendimento educacional à pessoa com deficiência. Nesta lei as pessoas com necessidades especiais eram entendidas como ―Excepcionais, ou seja, fora do comum. Ao partir do princípio de que uma pessoa é excepcional deixamos de perceber as suas potencialidades pelo fato de enxergá-la diferente dos outros, no sentido de não ser ―normal‖. Logo depois vem a lei 5.692/71, essa altera a LDB de 61 e define que a pessoa com deficiência deve ter um tratamento especial, a escola teria que se organizar para atender os alunos com deficiência oferecendo matriculas em escolas públicas. Essa normativa foi uma faca de dois gumes, pois, ao mesmo tempo em que criara o Atendimento Educacional Especializado também excluía o educando, que era colocado em uma sala separada, as chamadas Classes e Escolas Especiais. Em 1973 o MEC, por sua vez, cria o Centro Nacional de Educação Especial, essa gerência responsável por esta modalidade da educação trabalhava o internacionalismo, o qual impulsionou algumas ações voltadas à assistência, nesse período não se efetivou uma política séria de acesso de ensino universal. A Constituição Federal de 1988 foi um marco importante, pois trouxe objetivos fundamentais na promoção do bem de todos, sem preconceitos. Em seu artigo 206 estabelece igualdade e condições para o acesso e permanência nas escolas. A constituição abre caminho para novas mudanças, em 20 de dezembro de 1996 a nova LDB define educação Especial como uma modalidade de educação que percorre toda a educação básica e também o Ensino Superior. Alterações recentes retiraram o termo ―PORTADORES‖ – antes a legislação trazia essa terminologia para a educação especial – pois, entende-se que o aluno da Educação Especial tem uma deficiência ou uma eficiência, e essa não é temporária e sim, definitiva, é no decorrer da vida que ele precisara desse atendimento especializado. Este atendimento deve ser feito tanto na escola quanto fora dela, porém é preciso que o aluno esteja

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matriculado na rede regular de ensino porque é um direito público subjetivo, ou seja, ele não pode substituir a todo o momento aquilo que o aluno teria na escolaridade em sala de aula regular, pelo atendimento educacional especializado sendo assim, o aluno precisa estar matriculado regularmente na rede regular de ensino. Caso o mesmo não tenha condições de estar com as crianças dentro de uma sala de aula regular ele estará em uma escola especial, nesse sentido há possibilidade de o aluno ter atendimento em escolas regular, na escola especial ou ainda em classes especiais. Existem salas de recursos que têm docentes qualificados atendendo no contra turno para que a criança não perder o direito a escolaridade, como dito anteriormente, direito inalienável. Diante disso, cabe aos pais matricular na escola e ao Estado ofertar vagas para este aluno a partir da educação infantil. O início desse atendimento começa na educação infantil e se prolonga ao longo da vida, a não ser que esse aluno precise de terminalidade especifica. É importante ressaltar que a família precisa ser ouvida, pois, é ela quem decide o que é melhor para o seu filho, ser matriculado numa escola especial ou em uma escola regular.


Consequências Sociais e Ambientais da Expansão do Agronegócio Sulamita Cruz—Agro3 (IFAM) A expansão do agronegócio brasileiro tem acarretado uma geração de desigualdades sociais, impactos no modo de vida, impactos ambientais e novas necessidades de saúde nos trabalhadores rurais. O número de famílias sem terra para morar e trabalhar tem aumentado a medida que os campos de soja, milho, arroz se desenvolvem. As políticas econômicas se mostram mais voltadas para atender aos interesses dos setores de produção, do que as necessidades fundamentais dos consumidores. Nesse sentido, a produção de alimentos está voltada a manter alta produtividade e lucro, sem pensar nas pessoas que estão sendo afetadas com esta expansão do agronegócio. São grandes os problemas gerados por essa atividade econômica: o desemprego rural e o agravamento do conflito pela posse da terra tem sido uma realidade contínua na vida de muitas pessoas em algumas regiões do Brasil. Além dos problemas sociais, encontra-se os problemas ambientais que vem agredindo cada vez mais forte o nosso planeta terra, como por exemplo o desmatamento florestal, também resultado da expansão da atividade agropecuária em antigas áreas florestais e a poluição hídrica, como resultado da utilização de agrotóxicos em larga escala, nas áreas onde se verifica a produção do agronegócio.


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ATIVIDADES DE BIOLOGIA Escola OSWALDO Cruz

Por Joelma Ferreira

Nos dias 22 e 23 de setembro, as turmas de 3ª série da Escola Estadual Oswaldo Cruz, foram levadas pela professora de Biologia, Joelma Cordeiro, a uma visita na feira livre do Mercadão Municipal de Humaitá. O objetivo da visita era pesquisar e identificar nas espécies de plantas a classificação de angiosperma e gimnosperma, no contexto de frutos e falsos frutos e plantas medicinais. Inicialmente, os alunos tiveram um bimestre com teoria e apresentações em sala de aula, finalizando este conteúdo com a visita.

A professora elaborou um roteiro de questões para guiar os alunos durante a visita. O roteiro era constituído de 7 questões sobre o tema abordado em sala de aula. Divididos em grupos e com base no roteiro, os alunos responderam a um questionário, no qual o último comando, consistia na produção de uma fotografia representativa da atividade, para posterior registro no mural da Escola. Os alunos se manifestaram entusiasmados com a experiência de terem a oportunidade de aprender sobre os conteúdos, a partir de uma aula de campo, sendo esta prática muito proveitosa. Ao final da visita, os alunos e professores aproveitaram para tomar um café da manhã no Mercadão. Consta ainda do portfólio de aulas práticas empreendidas na disciplina de Biologia, visitas das turmas de 2ª série, ao laboratório de Humaitá para vivenciarem os procedimentos de tipagem sanguínea. 13


A aluna Maria de Nazaré, voluntariou-se para o procedimento de coleta de sangue, o que permitiu que a mesma pudesse saber qual a sua tipagem sanguínea, até então, por ela desconhecida. A aluna reagiu satisfeita a experiência, “ganhei um exame de tipagem sanguínea, gratuito, e fiquei sabendo meu tipo de sangue”, comentou e finalizou dizendo “foi muito proveitoso”. O conhecimento sobre a tipagem sanguínea é de muita importância para qualquer cidadão. No Brasil ocorrem muitos acidentes e, infelizmente, por desconhecimento, muitas pessoas morrem antes de realizar os procedimentos de exame. Entretanto, é obrigatório ter esta informação na carteira de identidade. Como professora, acredito que esta atividade foi de extrema importância na vida dos alunos. Muitos de nossos alunos precisam saber o quanto é importante conhecer e estar informado sobre o seu tipo sanguíneo. Espero que com a teoria e prática, os alunos tenham o dom de valorizar os princípios de informação, tornando-se aptos a se voluntariarem para doações de sague e, obviamente, sabendo do seu tipo sanguíneo e como é analisada uma amostra.

Nas fotos: Professores Joelma e Abimael e alunos do Oswaldo Cruz.

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PINGENTES, ESCAPULÁRIOS, MEDALHÕES, MANDALAS E A SOCIEDADE DOS POLÍTICOS BRASILEIROS. Por: Romilson de Azevedo Pedagogo, Escola Municipal Santo Antônio

Sem mera coincidência. É fato, é a realidade da política brasileira. A cultura de carregar algo pendurado no pescoço está presente na grande maioria das sociedades que habitam o mundo. É um costume que geralmente tem o objetivo de mostrar a identidade de uma pessoa a partir de algo que acredita, admira ou idolatra, sendo a última, predominante nas alusões feitas em crenças religiosas. Além disso, os pêndulos evolvidos nos pescoços também costumam dizer de maneira muito subjetiva, a condição social de um indivíduo. Relativamente, o tamanho do penduleio usado poderá evidenciar o poder aquisitivo por parte de quem o carrega. Pingentes, escapulários e medalhões são alguns dos modelos de pêndulos aproveitados pelos amantes do acessório que muitas vezes possui `status´ de moda, inclusive, com destaque no cenário cultural brasileiro. Apologeticamente falando, no cenário político brasileiro existem representantes partidários que podem ser classificados como um desses pêndulos, cujo o comportamento indicará os partidos e/ou legendas dos quais são correligionários. A apologia feita aqui, pode ser entendida dentre outras, como uma explicativa simples de como os políticos são organizados no momento em que, por ocasião de um pleito eleitoral se submetem à análise da sociedade. As variáveis que levam a estarem dentro de determinada categoria podem ser elencadas a partir da quantidade de partidos que compõem as coligações, experiência em pleitos eleitorais, condição financeira, liderança comunitária, destaque nas pesquisas, ser oposição, ser situação, ser chefe de departamento, possuir apoio de políticos renomados, dentre outras. Não tem jeito, a corrida ao poder mobiliza o povo brasileiro para momentos de crença e até mesmo de idolatria a partidos e candidatos. A preferência pelo concorrente/partido ao qual irá ―trabalhar na campanha‖ é externada pelos pêndulos colocados no pescoço. E você, tenta identificar na campanha eleitoral de 2016, qual candidato de sua cidade se enquadra nos perfis abaixo? Pingentes: Pode-se dizer daquele político que até possui popularidade e grandes possibilidades de alcançar algum êxito em suas investidas eleitorais, mas, comumente fica no quase, pois, muitas vezes são massacrados pelos ditos medalhões. Geralmente, se apegam aos ―benefícios‖ financeiros trazidos pelos partidos, sobretudo, quando vivem em meio ao cotidiano de vulnerabilidade social existente nas periferias das grandes metrópoles e nos municípios do interior dos Estados. São pessoas que podem até não possuir instrução suficiente para entender a ideia do seu grupo político, mas, ao se filiar ao partido pode contribuir, mesmo com poucos votos, para determinada legenda e colocar outro no poder.

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Escapulários: Tradicionalmente trata-se de uma tira de pano ou um pedaço de linha (cordão) usada pendente sobre o pescoço que carrega duas imagens alusivas à fé do indivíduo, uma na altura do peito e outra nas costas. De repente, para esta eleição, seriam santinhos dos cargos de prefeito e vereador. Assim, podemos dizer que no calor das campanhas eleitorais o candidato dito escapulário é aquele que de fato propaga a imagem dos pretendentes de seu partido concorrente ao cargo majoritário por meio de ‗santinhos‘, bandeirolas, adesivos dentre outros. Não esquecendo, que é ele o responsável de apresentar o candidato majoritário ―dele‖ para seus familiares e amigos. O candidato escapulário, também significa proteção, pois, são eles que acusam a presença dos agentes da Justiça que rondam as proximidades de suas mutretas como compra de votos, reuniões com eleitores e até condução de representados ao local de votação. Atualmente, os escapulários, enquanto acessório de moda, são revertidos de ouro, prata, bronze ou mesmo de madeira. O candidato escapulário, se comporta como um camaleão, pois, precisa fazer um esforço imenso para tentar compensar a ausência dos atributos que medalhões possuem. Por fim, se considerarmos o latim que origina a palavra escapulário, podemos dizer que esses candidatos são de fato os ombros que carregam os verdadeiros esforços de uma corrida ao poder, representando também, as armaduras que protegem os mais fortes de situações que poderiam significar a derrota nas urnas. Medalhões: Já estes, geralmente são assediados e elencados pelos detentores dos atuais mandatos. Principalmente, pelos que buscam reeleição para os cargos majoritários, os mandalas. O perfil de um medalhão constitui-se por experiência em pleitos eleitorais, liderança comunitária, fenômeno das pesquisas, grande índice de popularidade, ou, é um daqueles que tem o que mais interessa, dinheiro para gastar na campanha. Enfim, como sugeriu Machado de Assis, ser um medalhão é ser uma figura considerada na cidade, respeitada, querida pela maioria das pessoas. Isto, para ser lembrando durante a vida e depois da morte também. Digo, que na pior das hipóteses não será eleito, mas, terá sido lembrado durante a campanha devido seu perfil. Depois da campanha também será notado e, agraciado com um cargo de confiança oferecido pelo agora detentor do cargo majoritário que o mesmo ajudou a eleger. Mandalas: Por conceito, o termo mandala significa círculo ou completude. Simboliza o universo, a busca pela paz interior representada por padrões que se entrelaçam com a finalidade de orientar o pensamento. Por outro, considerando a organização política partidária, os mandalas são aqueles políticos que estão atualmente no poder e, podem, digamos assim, serem comparados a um acessório que não se deve carregar no pescoço, e sim, pendurar na parede. Isso acontece na realidade das repartições públicas, quando para mostrar quem é o detentor do poder majoritário, percebemos molduras que enquadram imagens de presidentes, governadores e prefeitos. Seriam eles os verdadeiros mandantes da política partidária brasileira? Considerando contextos, talvez sim, talvez não. O que podemos dizer é que o mandala constitui o centro deste organograma político partidário, seja ele, pretendente ou possuidor do cargo majoritário (presidente, governador ou prefeito).


O mandala é aquele que apresenta conselhos inescrupulosos aos demais componentes de sua legenda (digo daqueles que se corrompem) visando nas entrelinhas, alcançar um prestígio que na grande maioria das vezes não lhe convém, mas lhe trará uma ascensão prática suficiente para confirmar sua vitória nas urnas. Entretanto, incapaz de transformar efetivamente a trajetória cotidiana do povo que o elegeu, burlando com isso, a expectativa manifestada pelo poder democrático do voto. A verdade, verdadeira – é que as alusões realizadas aqui não fogem da realidade de nosso país. O histórico de corrupção evidencia que há tempos a apropriada concepção de político vem sendo distorcida, e com isso, o contexto salutar das deliberações e participações coletivas está cada vez mais raro. No Brasil, o crime de não respeitar a consciência coletiva do povo acontece a cada quatro anos, sendo reforçado no dia-a-dia dos mandatos emanados pelo povo e cometido de forma traiçoeira pela Sociedade dos Políticos Brasileiros - SPB (porque de fato são compartes, companheiro, cúmplices). Sociedade edificada sobre ironias e regada de aparências, onde o poder eleva o ego de seus associados ao ponto de se fazer aparecer acima do ser. A justiça é lenta e fraca, mas não falha. No contexto político atual, podemos assistir pêndulos da sociedade dos políticos com as máscaras nos pés. Deles, agora, além das contas abarrotadas com dinheiro sujo, refiro-me pela forma em que se apossaram, o verdadeiro comportamento, o medíocre, que emerge nas explosões de escândalos fazendo políticos partidários prestigiados se veem no direito de falar somente em juízo. A prepotência e os conselhos inescrupulosos antes ditados de cima para baixo, ganham direcionamentos jurídicos ―nunca visto na história deste país‖. Coagem alguns dos grandes líderes da SPB se comportarem feitos bichanos que por meio de intermináveis delações premiadas passam dias e dias miando como gatinhos dependentes do leite preparado por outros de outro balaio, ou do mesmo, para quem sabe, no futuro, com o aval das leis brasileiras ostentar o poder com o apoio da fé pública. Claro, não sabendo se retornará como pingente, medalhão, escapulário ou mandala. O alastro da corrupção não é contemporâneo apenas ao contexto atual. Desta forma, o avançar dos escândalos remete a sociedade brasileira a uma reflexão coletiva que leve em consideração, sobretudo, as dores do povo que legitima o poder do Estado Democrático. Contudo, sendo a corrupção uma pauta interminável com chances mínimas de esgotar as discussões, pausamos este momento com indagações que podem ser debatidas não só por especialistas na temática, mas, inclusive, por todos que possuem o poder de escolher nossos representantes nos poderes que emanam do povo: já aconteceu .

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MEU AMOR Adriano Almeida—Prof. IFAM Não sei por que fui prender-me a você, Se você é insignificante Entre tantas feitorias da natureza.

A sua indiferença, Ensinou-me que não vale a pena Prestigiar tanto, a quem é tão pouco. E agora? Agora!

Em vez de te admirar passando, Admirarei as nuvens que passam Bem longe de mim, igual a você

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Em vez de te observar dançando, Observarei o balé dos golfinhos, Pois eles sentem minha presença.

Em vez de tentar receber o teu calor, Receberei o calor do sol, Pois ele está todos os dias em minha vida, E você não!

Em vez de buscar teu cheiro, Vou sentir o aroma das flores No orvalho da manhã.

Em vez de procurar olhar no fundo dos teus olhos, Olharei o fundo do mar, que é mais belo, sincero e Mais fácil de ver.

Portanto, em vez de te amar Com um sentimento grande e forte, Amarei a natureza, Que é a verdadeira merecedora do MEU AMOR.


COLETIVO JOVEM DE COMUNICAÇÃO DE HUMAITÁ Além de promover a aproximação entre os alunos das escolas envolvidas, o projeto tem contribuído com o desenvolvimento intelectual destes jovens. Na edição inaugural da Revista, que permitiu a expressão da criatividade através de desenhos, poemas e fotografias, nos textos de autoria dos alunos e alunas, há também posicionamentos bem originais sobre assuntos atuais da política e da vida sociocultural do país. Direta ou indiretamente, a proposta possui potencial de articular diferentes áreas do conhecimento estudadas pelos alunos do ensino médio, portanto, o ganho educacional é imensurável. A manutenção e fortalecimento do Coletivo exige uma articulação da comunidade escolar de Humaitá, cujos atores principais são estes jovens cidadãos. Toda a comunidade escolar do ensino médio de Humaitá pode fazer parte do Coletivo e colaborar com o protagonismo dos alunos. Além da possibilidade de falar com os envolvidos em cada Escola, o Coletivo criou o perfil facebook.com/ofuturoenosso1, onde é possível acessar a revista digital, acompanhar a agenda de atividades promovidas, bem como enviar mensagens.

1—Integrantes do Coletivo durante a Mostra de Extensão do IFAM. 2—Integrantes do Coletivo durante o Evento de Lançamento da Edição Inaugural.


COLETIVO JOVEM DE COMUNICAÇÃO DE HUMAITÁ

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Paixão

Por Jéssica Santos—AGRO1—IFAM

Hoje acordei me sentido incompleta. Acho que esse sentimento é de saudade e tristeza. Tenho tanta saudade dele! Mais a tristeza aperta com força meu peito, cada segundo fica mais lento e doloroso. Mas isso só mostra que todo mundo mente e nada nessa vida é certo! A não ser a mentira. A vida não é certa, muitas coisa não são claras! O fogo da paixão que antes ardia em meu peito, hoje dá lugar a um poço frio e triste, amargurado pela mentira. Hoje ele está vazio, sem nenhum sinal daquele fogo ou daquele gelo, mas uma única coisa anula tudo isso: o simples medo de que aconteça de novo. Como pode uma coisa abstrata doer tanto? Como pode uma coisa que a gente não vê machucar? Um pouco da chama ainda está aqui! Mas o frio a rodeia, não deixando-a ascender.

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u e m m e a i d , r e t a s i s r e t t n e a o e ri u f q o o ç o p ixã a m p u a a d r a go g o . u f l ” a á r “O d i e nt j e o m h , la o t e i p e p o d a r u g r a m a

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IMAGENS

Fotografia de Thays Sofia

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O Tempo (Mário Quintana) A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado… Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas… Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo… E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo. Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz. A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Della Sloane


Nunca sabemos o que se pode acontecer pela frente. Nada é totalmente previsível. As coisas podem acontecer inesperadamente e você pode aceita-la ou não – Tudo depende de você mesmo −. Escolhas fazem parte de nossas vidas e, mesmo que sejam pequenas escolhas, elas colaboram para grandes diferenças no futuro. Diferenças as quais podem ser de caráter positivo ou não. Aquela garota realmente nunca pensou que nutriria sentimentos profundos e especiais por Bryam. Tudo bem, ele podia ser bonito, educado e muito romântico. Um verdadeiro príncipe digno de casamento, mas Adhara, apesar de sentir algo estranho ao receber aquelas mensagens tão lindas, não conseguia distinguir de verdade o que por ele sentia. Eram diversas as emoções que ele era capaz de despertar nela. Bryam sempre escrevia o que Adhara queria ouvi no momento certo, ele não sabia que tudo aquilo a emocionava profundamente. Um dos diversos motivos que leva ela a ter essa dúvida de amar ou não Bryam, estava relacionado a uma decepção amorosa que Adhara passou, cujo a qual deixou profundas marcas. Um amor que pode até ter existido por ambas as partes, mas que nunca foi uma certeza concreta da parte do garoto. Bem, ao menos em sua concepção! Meu Deus, como ela sofria ao ter de vê-lo consequentemente todos os dias na escola. Ela queria parar de ser fisgada toda vez que se via frente à frente com o garoto. Ela queria, queria muito e esperou por um tempo... Até que em um dia qualquer finalmente conseguiu. Como era ótimo para ela estar livre deste sentimento doloroso e não correspondido. Agora ela não era mais aquela ―bobinha apaixonada‖ que se via a algum tempo. Como vivemos em um mundo onde tudo está em constante mudança, nada é perfeito e nada dura para sempre igual ao mundo das ideias de Platão. Em um dia bem agradável, ela sentiu novamente algo em seu coração. – Ficou surpresa – isso somente acontecia quando ela ouvia falar em Bryam ou até mesmo em vê-lo. Assumir isso à ele seria uma tarefa nada fácil, até mesmo por ele já estar em novo relacionamento com uma outra garota. Ela ficava incomodada ao ter de vê-los juntos, mas ela notava a fisionomia deles quando estavam juntos e eles pareciam estar muito felizes. Foi nesse espaço de tempo que Adhara resolveu não se intrometer e ficar na sua. Não era nada fácil, se manteve forte e fingia não se importar. Uma característica marcante de Adhara. ― Não demonstrar o que sente, por mais que isso a machuque! ‖. Conforme o tempo ia fluindo esse sentimento só aumentava. Como isso era possível? Ela sentia que ele não dava mais a mínima para sua existência. Ela se sentia tão pequena ao ter de vê-lo passar na sua frente, mesmo ouvindo rumores de que ele ainda não havia a esquecido e que só estava tentando fazer isso para tentar conseguir despertar ciúmes ou algo parecido nela. Então, em um dia de clima agradável, Adhara descobre que que o namoro de Bryam tinha acabado. Só que ela não tentou fazer nada. Não tentou falar com ele, até mesmo porque ele já fez muita coisa errada, mesmo dizendo que a amava. O destino é imprevisível e muito esperto, passaram alguns dias, e finalmente acontece o que Adhara tanto queria e esperou. Voltou a ter contato com Bryam. Tudo mudou, os dois sentem esse sentimento em raízes mais fortificada. Os dois se amam. E não era possível esconder isso um do outro. Adhara e Bryan começam um lindo relacionamento e a transformar seus dias mais cheio de alegria e de amor. O sentimento que ambos sentiam um pelo outro era tão grande, inexplicável, incrível e surpreendente. Ninguém seria capaz de imaginar que um dia tudo isso aconteceria e seria tão maravilho assim. Amar e ser amada era a melhor sensação do mundo. Ela sentia uma felicidade tão grande ao vê-lo, de estar perto dele, que nunca poderia abandoná-lo. E apesar de não serem um casal perfeito, estão caminhando lado a lado de mãos dadas em busca de tornar esse amor eterno e inesquecível!!

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CARTA DE PRINCÍPIOS DO COLETIVO JOVEM DE COMUNICAÇÃO DE HUMAITÁ 1. A proposta de trabalho deste Coletivo visa a formação de uma rede de atores sociais. Uma rede que possibilite a articulação e o intercâmbio acadêmico entre os alunos das escolas de ensino médio do município de Humaitá, tomando como ponto de partida a criação e edição de mídias eletrônicas que valorizem as iniciativas não somente nas escolas – por via de atividades de ensino, pesquisa e extensão –, mas também fora delas, de modo a refletir, debater e promover ações relativas a questões de interesse coletivo. 2. Mediante o rápido crescimento dos núcleos urbanos, sobretudo dos situados na parte sul da região amazônica, enxergamos a necessidade de criação de ações alternativas e de combates às situações de vulnerabilidade social, nas quais se encontra grande parcela da população. E um dos grupos de maior destaque frente a esta realidade é o público jovem, que, apesar do quantitativo expressivo em relação à população geral, não possui um fórum permanente que se dedique a tratar das questões sociais que as atinge. Frente às contradições e antagonismos deste panorama, o Coletivo tem o propósito de dar voz aos jovens de ensino médio, de maneira em que possam se expressar segundo suas próprias perspectivas, sejam elas de origem endógenas ao ambiente escolar, sejam sobre elementos comuns à população humaitaense em geral. 3. As publicações do Coletivo almejam incentivar o debate público, o olhar crítico sobre a realidade, bem como a reflexão sobre a sociedade na qual vivemos, primando pela pluralidade de pontos de vista. 4. O Coletivo é aberto à divulgação e valorização das manifestações culturais locais, sejam elas tradicionais, atuais e/ou alternativas. Com isso, buscamos ampliar as possibilidades de interlocução das diferentes expressões – sobretudo as mais marginalizadas socialmente – em contraponto aos grandes meios de comunicação e à cultura de massa. 5. O Coletivo tem por premissa a valorização da coisa pública. Consideramos que as instituições, assim como os demais espaços que conformam o âmbito da vida coletiva, são um profícuo espaço de reflexões e trocas de experiências que nos permite, a partir de diferentes olhares e vivências, ter maior clareza da realidade e de suas contradições. 6. As publicações de nosso canal de comunicação buscará sempre a valorização da transparência de ideias e do debate público. Busca-se desvencilhar a ideia de uma juventude passiva em meio às questões sociais, vislumbrando, assim, estimular o potencial dos jovens na figura de sujeitos críticos e formadores de opinião. 7. O Coletivo, sempre que possível, estimulará a troca de ideia e experiências, que, em meio a atividades coletivas, se possa refletir sobre as mais variadas temáticas de interesse público, em especial àquelas que tangem os problemas de exclusão, as minorias sociais e a desigualdade social. 8. O Coletivo, em todas as suas atividades, buscará assegurar o compromisso com a democracia, visando alcançar o máximo de indivíduos, para que, desta maneira, seja possível cativar nos jovens uma mentalidade aberta à diversidade e a diferenças de opinião, e, com a mesma importância, reconhecendo a figura do jovem como um potencial formulador/formador de opiniões e crítico social. 9. O Coletivo tem um compromisso inalienável para com uma educação pública, gratuita e de qualidade. 31


Fotografia de Thays Sofia


Passeios Noturnos AndrĂŠ Schneider

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Chego em casa carregando minha mochila cheia de papeis, relatórios, estudos, trabalhos, pesquisas. A brisa na varanda me acolhe e me convida a ficar um tempo despreocupado, como que me dizendo que preciso aprender a relaxar e desfrutar a vida. Contudo algo me angustia e me diz que não posso vacilar, preciso triunfar, conseguir mais dinheiro, uma casa, um carro novo, enfim, sucesso. O apego ao material nos impulsiona a usar o tempo da forma útil. Ao longo do tempo vamos acumulando coisas, a barriga vai crescendo e as questões existenciais rondam nosso dia a dia. E lá se vai o tempo que deveríamos dedicar ao que gostamos, aos nossos afetos e a nossa liberdade. E assim tomam lugar os passeios noturnos, e vou parafraseando com Fernando Pessoa. Venham comigo a beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos que a vida passa. Pensemos como crianças adultas, que a vida passa e não fica, nada deixa e nunca regressa. Amemos e vivamos tranquilamente, sem ódio, sem rancores, sem paixões que levantam a voz. Assim passeios e diálogos noturnos são essenciais. Rever princípios, tentar num diálogo com a alma do universo, um pouco de lucidez existencial para que não desperdicemos a vida no consumismo e encontremos tempo para viver e sermos felizes. As sereias do consumismo são belas e atrativas, e sua voz é suave. Sim meus caros leitores, dialogar sozinho, com seu ser, com sua alma.

Para os parâmetros da psicanálise pessoas que conversam com sua alma, ou com a alma do universo são tidas como loucas, mas me aparo no saudoso poeta Mario Quintana que diz “Nossa loucura é a mais sensata das emoções; tudo o que fazemos deixamos como exemplos para os que sonham um dia serem assim como nós: loucos...mas felizes” Que tenhamos pois muitos diálogos com o rio, com as estrelas, com a lua, conosco mesmos. Faz bem à alma e ao coração...


Educação Não se Faz Sem Pensamento Crítico Queremos ser educados e não programados.

Por Emilin Bravo de Melo—UEA


Quem carrega os cartazes são os ―vilões‖, enquanto os ―mocinhos‖ carregam armas de fogo, em uma luta desigual pela Educação, entre estudantes e o sistema. Foi no dia 26 de outubro de 2016, que a adolescente secundarista tornou – se porta voz dos movimentos estudantil paranaense, iniciando sua fala com o questionamento “De quem é a Escola?” e com a confiança na resposta a estudante declarou a legitimidade e legalidade dos movimentos. Os sonhos dão asas e o conhecimento faz alçar o voo de estudantes como Ana Júlia de 16 anos, que virou destaques nos jornais, após seu discurso diante dos deputados, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), sobre os motivos que sensibilizaram estudantes brasileiros a ocuparem suas escolas, como uma forma de protesto contra a Reforma do Ensino Médio, PEC 241 e Escola Sem Partido, conhecida popularmente como Lei da Mordaça, medidas inconstitucionais que infligem o processo de formação do pensamento humano e senso crítico. "A gente sabe que precisa de uma reforma no ensino médio, no sistema educacional como um todo. Mas a gente precisa de uma reforma que tenha sido debatida, uma reforma que tenha sido conversada, uma reforma que precisa ser feita pelos profissionais da área da educação" completou a estudante. A Educação brasileira precisa de medidas para alcançar uma qualidade na excelência do ensino, mas o sistema educacional deve fazer com que a Educação tenha o propósito de atender as necessidades da sociedade, é um exercício de cidadania, permitindo os principais protagonistas exercerem seu direito de democracia. Vivemos em um país democrático o suficiente para votarmos nos nossos governantes, mas não o suficiente para aprendermos a discutir sobre assuntos políticos com eles? Eu vou acreditar na qualidade do ensino brasileiro, quando filho de político estudar em escolas públicas.

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APAE HUMAITÁ: inclusão social de pessoas com necessidades especiais Por Carine Araújo—ADM1 (IFAM)

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Humaitá, foi criada em 05 de dezembro de 2004 e atualmente possui 19 colaboradores, atendendo a 80 pessoas. Para ingressar na APAE é necessário procurar o serviço de Assistência Social e depois será avaliado pela equipe da APAE. Após a avaliação o candidato fica na fila de espera, aguardando o surgimento de uma vaga. As atividades são oficinas sociais e educativas... atendimento de assistência a saúde.. Os recursos que custeiam as atividades desenvolvidas pela instituição provém de projetos, doações e outras contribuições de associados. Também há parceiras com a Diocese de Humaitá, Prefeitura, comerciantes, UFAM, IFAM, entre outras instituições. Para os próximos anos, as perspectivas da APAE Humaitá é proporcionar atendimento adequado aos autistas, com ambiente, materiais e profissionais com formação específica para este atendimento. Pretende também envolver com mais intensidade e de forma regular a sociedade em geral (profissionais liberais, instituições educacionais, políticos, empresários e comunidade em geral). A entidade pretende aumentar o atendimento (quantidade de alunos), conforme a parceria para os recursos humanos, bem como, oferecer mais serviços (neurologista, dentista e formação). Por fim, pretende divulgar mais o trabalho que a APAE realiza no município. A importância do trabalho da APAE no município é atender à pessoa com deficiência, especialmente àquelas que não tem a oportunidade de frequentar o ensino regular. No momento, a APAE é a única instituição que tem essa linha de atendimento no município de Humaitá. Além da APAE atender no contra-turno escolar aqueles que estão no ensino regular, proporciona também diversas atividades que contribuem para torná-los o mais independente possível. A partir dessas atividades alunos interagem com a sociedade (escolas, institutos, passeios, lazer, etc). Nesse sentido a APAE realiza a inclusão social desses alunos. As atividades atualmente desenvolvidas são: Informática Teatro/Dança Artesanato/pintura Apoio pedagógico Fisioterapia Fonoaudiologia Psicóloga Capoeira


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Velhos Tempos Aden Hercules—INFO2 (IFAM) Em um outubro desses da vida, quando eu tinha apenas quatorze anos ainda uma “criança” –, observei um senhor, um típico ribeirinho, que demonstrava-se estar exausto. Embora isto, sua aparência era de uma pessoa forte e segura. Naquele momento trazia o seu pescado e colocava sua velha e pequena canoa na beira do rio, ao lado do barranco. Sua canoa estava repleta de peixes, seus olhos brilhavam de felicidade. Ligeiramente ele saiu da canoa carregando as sacas de fibras nas costas, em direção ao barranco. Pela quantidade de peixes, deduzi que ele teria que subir e descer no mínimo cinco vezes. Outros barcos atracavam próximo de sua canoa, se acomodando na beira do rio, fechando cada vez mais a sua canoa e dificultando seu caminho na volta. Na sua última e decisiva decida, em um instante tacanho para partir, deparou-se com um engarrafamento. Parecia a Avenida Paulista, quando algum engavetamento nela acontece. Com isso, ficou bastante tempo persistindo em tirar a sua velha e pequena canoa do lugar onde estava. Depois de certo tempo, vi sua forma física enfraquecida, ao contrário do que a enxerguei no princípio. Então, fui oferecer ajuda e perguntei sutilmente: “Senhor, você aceita ajuda?”. Na mesma pontualidade ele me respondeu com um tom de voz manso: “Não meu filho, obrigado pela preocupação”. Com suas palavras pude sentir nele um mediano grau de fraqueza, logo foi confirmado quando observei que se locomovia de uma forma lenta e arrastada. Com isso veio em mente a pergunta: por que ele não quer ajuda? Apesar de não ter dito, era notável que sua recusa se dava simplesmente porque ele queria provar para si mesmo se ainda era capaz de carregar sacas de fibras nas costa, abarrotada de peixes, em um barranco com mais de cinquenta metros de vastidão e ainda por fim, bater no peito bem forte e dizer – eu ainda sou bom! Como nos seus velhos tempos. Subitamente, me veio à cabeça, que “o futuro de uma pessoa é decidido por mínimas decisões, em boa parte as pessoas não a percebem”. Parei a pensar e senti que pessoas, como aquele senhor, não possuíram muitas opções de escolhas. Por vezes, podem optar por raras e imediatas decisões como esta, de modo a firmar o valor de seu trabalho. Mas será que o senhor está naquela situação por vontade ou desejo? Será que puramente ele não foi um homem sábio em suas decisões no decorrer da vida? Enquanto me deparava com essas questões, o senhor me oferecia a necessidade de conhecer as condições e o modo de vida de outros povos, antigos e atuais, caso quisesse saber e criticar se as escolhas lhes foram favoráveis ou não. 39 36


Com uma despedida cabisbaixa, retirei toda a minha atenção de entender o porquê ele não queria ajuda, ainda que eu tinha uma hipótese dessa negação. Caminhei no crepúsculo das ruas a caminho de casa. Havia intenso movimento, pois era o momento que as pessoas saiam do trabalho. Minha demência e angústia era tanta que não as enxergava, uma vez que não desprendia meus pensamentos da situação daquele senhor, pois me deparava com pessoas em situações parecidas e numa condição de miséria proeminente. Olho para o meio da pista e avisto carros luxuosos, indo inversamente proporcional as situações que chamavam a minha atenção. Naquele momento, coloquei-me a pensar sobre os porquês das disputas de poderes terem uma ênfase tão demasiada, mesmo sabendo que desde sempre existiu esta diferença gritante entre as classes sociais. Iniciei a observar as pessoas que passavam por mim e me perguntava a maneira como elas enxergariam aquele ribeirinho. Possivelmente o colocando em uma situação rebaixada, com análises e julgamento fáceis, explanando coisas bobas. Ou mesmo aquilatando a vida do ribeirinho de forma pejorativa, dizendo que o principal responsável, por essa vida “desgraçada”, é ele próprio, pelas escolhas que talvez foram as erradas na sua vida.


Um simples e inesper encontro Harleson da Cruz Candido—INFO1—IFAM Certo dia, onde tudo parecia caminhar conforme deveria ser, encontro um velho e grande amigo. Espantei-me, pois não o via há mais de dez anos. Foi uma surpresa boa e agradável. Estava bem vestido. Demonstrava-se bem educado, calmo, com um linguajar um tanto que cheio de informações. Uma ótima companhia de diálogos e boas conversas, das mais bestas às mais eloquentes e interessantes. O reencontro foi sem cerimonias. O bate papo fluiu naturalmente, como nos velhos tempos. Dentre tantas lembranças e novidades, a conversa debandou para o lado da educação. Enfim, entre tantos assuntos dialogados, fluentemente, fiz uma pergunta direta e seca: ̶ O que você acha da educação do nosso país? ̶ com um tom meio que desafiador! Ele, com seu jeito sereno de ser, esbanjou um sorriso misterioso. Parecia estar surpreso com a pergunta. Percebi que prontamente sua postura mudou. Posicionou-se de cabeça baixa e, em silêncio, se manteve por alguns instantes. Parecia meditar! Seus olhos fixaram-se no nada. Demostrava-se distante... Porém, sereno. Após alguns minutos, saiu da inércia com palavras impactantes. − Uma coisa que temos que concordar de cara é que a educação do nosso país não está boa. Não vou nem falar de política, como se fosse isso possível. Mas necessitamos de melhores estruturas, dentro e fora das escolas. Necessitamos de mais recursos, materiais e humanos. Mas, sabe de uma coisa, meu irmão, necessitamos também desesperadamente do mínimo de interesse dos alunos, para que essa coisa chamada educação possa funcionar. Sem isso, nada acontece de efetivo, principalmente para aqueles mais vulneráveis. Essa força de vontade, essa força de conquistar uma escola melhor e principalmente reconstruir essa educação vulnerável que temos hoje. – concluiu em tom baixo e olhar abatido. A conversa prosseguia cada vez mais instigante e se aprofundava, quase que em clima obscuro, no mundo da educação. Assuntos que despertaram minha atenção e interesse... lançando em minha cabeça dúvidas, para e em todas as direções. Quando o percebi novamente concentrado, decidi, sem rodeios, fazer outra pergunta. − Como os professores deveriam ser vistos? – fazendo questão de demonstrar um semblante fechado, mas ao mesmo tempo curioso. Surgiu um sorriso leve, de exibir todos os dentes, que preencheu todo o seu rosto. Deu a impressão de que ele esperava por essa pergunta. Percebi uma ponta de alegria, porém, guardou-se em silêncio, como quem organizava os pensamentos. Passaram-se alguns instantes, que pareciam eternos, diante de tamanha curiosidade. Ao notar uma mudança em sua fisionomia, tive a certeza de que sua resposta estava pronta. − Não sei se você vai gostar do que vou dizer, mas é espantoso saber que grande parte da população não dá a mínima, não está nem aí, para seus estudos. A escola, genericamente falando, sofre desrespeito por dentro e por cima. Eu poderia te dizer que a escola deveria ser vista e tratada como um templo sagrado – despontou no riso, de modo surpreendente. – Os professores, meu caro, devem ser respeitados e valorizados. Vejamos, estamos falando de uma profissão honrosa, que hoje merece ressentimento por nossa parte. É triste, mas essa é a realidade – parou rapidamente, e seguiu –, ao menos no meu ponto de vista. Fiquei atento às suas palavras, mas percebia claramente que ele não havia concluído a sua resposta. De repente, ele volta a falar. 41


ado

− Em relação à sua própria educação, acredito, somente uma crença mesmo, que as pessoas deveriam estar ligadas. De preferência em uma rede de duzentos e vinte. Olha que não estou falando em bens materiais. Muito menos em dinheiro – aumentou o tom de voz. − É algo mais valioso. Que ninguém poderá tirar isso de você. Estou falando de conhecimento! Todos sabem que a caminhada é longa e difícil. Mas é necessária. – terminou, com voz firme e sentido bem esclarecedor. Sem falar nada, ficou perceptível que eu gostei daquelas palavras. Mas, como lembrei que tinha compromisso, e já estava atrasado por conta deste inesperado encontro, lhe disse ―que surpresa boa, como sempre é bom estar ao seu lado, meu camarada‖. Prontamente notei o seu consentimento de reciprocidade. Mas, antes de partir, me veio uma última pergunta. − Qual sua profissão? O que está fazendo para ganhar a vida? – deixando evidente que estava no momento de encerrar nosso encontro. Não demonstrou surpresas. Rapidamente respondeu. − Rapaz, a caminhada foi longa e muito enriquecedora. Demoraria horas para contar toda essa história. Porém, há dez anos, lá estrava eu, um jovem, cheio de dúvidas. Decidido então a sair de minha amada cidade em busca dessa tal coisa que ninguém poderia tirar de mim, algo chamado conhecimento. Até hoje continuo nesta longa jornada. Hoje sou Professor. Um pouco por amor aos estudos, mas também por me considerar um grande amante do conhecimento. Todos falam que Educação, com ‗E‘ maiúsculo, é necessária, mas, no fundo, fico perplexo ao perceber tamanho desinteresse, seja com os próprios estudos, ou mesmo em se unir na difícil missão de um dia realizamos uma educação efetivamente pública, gratuita e de qualidade – novamente, parou por alguns segundos, e finalizou – e acessível para todos e para todas. Alegremente cumprimentei meu velho amigo e segui viagem para meu compromisso. 42


MURAL O FUTURO É NO

O Mural “O Futuro é Nosso” é um espaço onde turmas de alunos, professores, técnicos e gestores das escolas podem deixar seus recados e agenda de atividades. Aproveite e torne público o que você e sua turma estão programando.

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BOAS FÉRIAS A TODOS!!!


SSO

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NOSSOS PROFESSORES : reconhecendo a dedicação Por Ana Kelly—Oswaldo Cruz Nossa, que responsa falar sobre esta pessoa! Um homem tão alegre! Que tem cachinhos tão lindinhos!! Que tem uma alegria contagiante. Tão discreto que dia-a-dia, procura sempre ensinar da melhor forma. Que sempre chega com aquela disposição para suportar tantas piadas. Andei futricando um pouco sobre sua vida. Descobri que toca violão, desde 1995. Um artista desde há muito tempo hein?!? Creio que é um privilégio ter uma pessoa como você nos ajudando no aprendizado, para um futuro melhor. Você é sen-sa-ci-o-nal!!! Imagina como você deve ser em casa, aquela pessoa alto-astral, que brinca com todos. Falaram-me que você é normal, mas não sei! Quando conversei com seu filho, percebi o quanto ele tem carinho e um amor imenso por você. Da mesma maneia, é fácil perceber que seus alunos te admiram pelo seu profissionalismo. É um caráter encantador. Você foi o homenageado da vez! Por fazer parte da vida de muitas pessoas nessa cidade e pelo real motivo de você ser especial para as pessoas da Escola que você sempre contagia com seu humor, com sua maneira de nos cativar para seus ensinamentos.


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3 1—Em 2011 com alunos em visita ao Ipixuna; 2—Em 2012 utilizando Tangram; 3—Em 2010 na escola; 4—Em 2016 com alunas da escola.

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IRENILSON SANTOS Professor de Matemática na Escola Oswaldo Cruz


Resenha do Filme a Terra e a Sombra Santina Pocidônia—AGRO3-IFAM

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O filme mostra o drama de uma família que mora ao lado de um grande canavial, que foi tomando de conta de tudo por ali. A casa da família passa todo o tempo fechada, pelo fato de ser um local que possui muita fumaça devido a queima dos canaviais e também porque ali vive um rapaz que possui um grave problema pulmonar. Problema este que foi adquirido nos canaviais. Ele era um cortador de cana e após o problema não podia mais trabalhar e que o estava substituindo eram sua esposa e sua mãe. O filme retrata de um lado o agronegócio e de outro a vida de pessoas que convivem com esse dilema. Mostra as pessoas trabalhando desde o amanhecer até o cair da noite. Percebe-se que estão com os pagamentos atrasados e mesmo assim não param de trabalhar, com medo de seus patrões os demitirem e substitui-los por máquinas. Uma demonstração em nível de microssociologia é um momento em que eles demitem as mulheres, alegando que elas trabalhariam muito lentamente. Isso revela que eles estão interessados nos processos econômicos, porque se trabalharem rápido, mais rápido seria vendida a produção. A ação daquele homem ao demitir as mulheres, mesmo sabendo que elas necessitavam do trabalho para ajudarem seu marido com remédios, sem demonstrar nenhuma compaixão revela que está mais interessado do dinheiro. Não se importa nenhum um pouco com os sentimentos das outras pessoas, são homens que perderam seus princípios de valores humanos. O agronegócio é algo tão avassalador que está destruindo a natureza e fazendo o homem passar também por cima de sua própria espécie. É como se o agronegócio fosse um tipo de “invasões bárbaras”, só que de forma um pouco diferenciada. O filme mostra também a relação entre a família do homem que estava doente. Sua mãe e seu pai estavam separados, mostra que aquele homem não vivia só doente fisicamente, mas também espiritualmente. Ele passava o tempo todo em seu quarto, trancado, não brincava com seu filho, não tinha a sua total liberdade, impedido de passar a seu filho, o que seu pai lhe ensinou. Vemos também que o pai daquele estava doente, desejava leva-lo para a cidade, onde ele morava para poder conseguir tratamento da doença. Mas o rapaz é dividido nas suas decisões pela sua mãe e por ele ter um sentimento por aquele lugar, por aquela terra. É como se ficasse entre seu pai e sua mãe.


Fotografia de Thays Sofia 42


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