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Fred Kradolfer


monografia Fred Krafolfer foi um dos grandes impulsionadores das artes gráficas em Portugal, antes dele não havia publicitários, mas artistas que realizavam alguns trabalhos para sobreviver (Sousa, 1990, p.40-41). Passou por vários meios ao longo da sua vida, desde a pintura à cerâmica, do vitral à tapeçaria (Paulo Heitlinger, 2007). Mas foi na ilustração e no cartaz, nas artes publicitárias que ele se impôs como o mestre dos mestres deste pequeno país (Sousa, 1990, p.41).


Fred Kradolfer Nasceu a 12 de Junho de 1903 em Zurique. Filho de Henri Kradolfer e Helene Bietenholz, frequentou o curso de ourivesaria e conzelagem na Escola de Artes Aplicadas da sua cidade natal (Sousa, 1990, p.41). Ainda jovem, foi chamado para pintar a fresco grandes painéis para a Catedral de Zurique, o que diz bem do seu talento que desde cedo lhe começou a ser atribuído (Diário de Notícias, 1968 A). Aos 16 anos sai de casa à procura de novos caminhos para a sua arte. Em 1922 está em Paris a decorar montras, passando posteriormente por Roterdão e em 1923 está em Bruxelas como pintor de automóveis da Ford (Sousa, 1990, p.41). Em Paris conheceu um português que lhe prometeu trabalho em Lisboa. Nessa altura Kradolfer ambicionava ir para o Brasil e Lisboa era meio caminho andado (Baptista-Bastos, 1969, p.204-207). Chegou a Portugal a 1 de Agosto de 1924 e apaixonou-se pelo país. Nunca mais se lembrou do sol brasileiro (Baptista-Bastos, 1969, p.204-207). Em Lisboa conheceu Bernardo Marques e José Miguéis e também os arquitectos Jorge Segurado e Carlos Ramos, que o ajudaram dando-lhe trabalho no seu atelier. Esta não era porém a sua profissão, e o primeiro trabalho gráfico foi para a Casa Domingos & Lavadinho, seguindo-se a Bertrand & Irmãos e a Companhia da Costa do Sol (Sousa, 1990, p.41-42).


monografia

Em 1927 conseguiu um contracto de trabalho no Instituto Pasteur, e com isso a sua radicação em Portugal (Sousa, 1990, p.42). Aí realizou milhares de cartazes (Diário de Notícias, 1968 A), ou, como refere Thomás de Mello, obras “dignas de uma antologia, mas o desleixo que os fez desaparecer torna impossível essa divulgação felizes aqueles que tiveram o prazer de os ver’’ (Sousa, 1990, p.42). As montras da Pasteur, com os seus cartazes foram a mais importante escola de artes gráficas daquela época (Diário de Notícias, 1968 A). Kradolfer, apesar de ainda jovem e com pouca experiência profissional possuía uma forte formação académica, que lhe dava um total domínio das técnicas gráficas e uma consciência estética que se adequava a cada ocasião. Trouxe a consciência de síntese à comunicação gráfica, opondo-se à exploração sistemática do lado narrativo e anedótico da mensagem (Sousa, 1990, p.42).


Com tais capacidades e ao juntar-se ao atelier Arta, a primeira agência de publicidade em portugal, vai a revolucionar as artes gráficas e a publicidade, influenciando e instruindo artistas de várias gerações. Foi nesta agência que surgiram assim cartazes, rótulos e ‘’stands’’ comerciais que mostram claramente que a publicidade deixa de ser um mero relatório passando assim a transformar-se num diálogo imediato e estético. Infelizmente grande parte das suas obras perderam-se com o tempo, ficando apenas a memória daqueles que as puderam complementar (Sousa, 1990, p.42). Em 1931 participou na elaboração da parte gráfica para a Exposição Colonial de Paris (Paulo Heitlinger, 2007). Nesse mesmo ano criou um cartaz turístico para a cidade de Espinho. Mais tarde decidiu aliar-se a António Ferro, um modernista que promovia o ‘’bom gosto’’ e as potencialidades nacionais, formando assim uma equipa com Bernardo Marques, Thomás de Mello, José Rocha, Carlos Botelho e Emmérico Nunes. Equipa esta que teve um papel importante nas posteriores Exposições Internacionais (Sousa, 1990, p.42). Em 1937, Kradolfer liderou esta equipa na decoração do pavilhão português na Exposição Internacional de Paris, uma das mais notáveis realizações plásticas da década, internacionalmente reconhecida (Paulo Heitlinger, 2007). Participou também na Exposição Internacional de Nova Iorque, em 1939, onde decorou o interior da sala de honra do Pavilhão português e tambem na de São Francisco desse mesmo ano. Participou ainda na Exposição do Mundo Português de 1940, de onde saíram algumas das suas melhores obras (Sousa, 1990, p.42). É na década de trinta que podemos presenciar o auge da sua carreira. Após esta época de prosperidade, não só a nível da qualidade estética mas também pela quantidade de encomendas, seguiu-se um período de decadência, levantando grandes problemas a quem dependia desta arte para sobreviver. Isto aliado a algumas dificuldades matrimoniais trouxeram consequências à qualidade das suas obras. Para sobreviver, Kradolfer fez cartões de tapeçaria, guaches e foi pintor de retratos e paisagens. Apesar da qualidade indiscutível destes trabalhos e do domínio da técnica que demonstram, estes nunca chegaram a atingir a genialidade da sua obra gráfica (Sousa, 1990, p.42-43).


monografia

Durante os anos de 40 e 50, esteve bastante ligado à fundação do Estúdio Técnico de Publicidade, onde executou um grande número de rótulos e cartazes publicitários, chegando também a decorar montras, que eram bastante solicitadas e admiradas (Paulo Heitlinger, 2007). Na década de 60, Fred Kradolfer teve um papel importante a nível de azulejaria e decoração destacando-se os trabalhos para o Cinema Europa, para a Reitoria da Universidade de Lisboa e para o Casino do Estoril (Paulo Heitlinger, 2007). Também nesta altura, desenhou e confeccionou tapeçaria com material e gente de Portalegre (Baptista-Bastos, 1969, p.204-207). Lurçat ao ver essas tapeçarias ficou maravilhado e convidou-o a trabalhar com ele no seu castelo do Loire, mas Fred recusou, pois não queria deixar Portugal (Diário de Notícias, 1968 B). Em 1968, foi condecorado com o prémio “Diário de Notícias”, seguindo-se a artistas como Fidelino Figueiredo e Almada Negreiros, onde é publicado um artigo acerca da sua vida e da sua importância a nível artístico (Diário de Notícias, 1968 A).


Faleceu a 16 de Julho de 1968 (Sousa, 1990, p.43). Ao longo da sua vida deixou-nos um legado de obras que marcaram uma época, desde cartazes, a magníficas ilustrações e capas de livros. Quando chegou a Portugal, trouxe consigo uma revolução. Citando BaptistaBastos: “Kradolfer deu o tom, o estilo e a tónica a uma época. Encheu o País com milhares de cartazes, em que se chamava a atenção do Português para tudo aquilo que o Português desconhecia: paisagem, hábitos, cor, muita cor. Foi um demónio das luzes claras, encheu quilómetros de papel com cores vivas, ágeis, jovens.” (BaptistaBastos, 1969, p.204-207) Fred Kradolfer foi um inovador, um mestre da modernidade das nossas artes, que infelizmente tem vindo a cair no esquecimento com o passar dos anos (Sousa, 1990, p.43).


obras


obras

Nome da obra: Exposição Descrição: Exposição Colonial Internacional de Paris Áreas: Comunicação, ilustração Características técnicas: Cliente: Ano: 1931


Nome: Cartaz Nestlé Descrição: Cartaz publicitario para a Nestlé; Atelier Arta Área: Comunicação Características técnicas: Cliente: Nestlé Ano: 1927


Nome da obra: Selos Europa Descrição: Desenho apresentando um favo de mel, cujos 19 alvéolos simbolizam os 19 países membros da CEPT Área: Comunicação Características técnicas: 5 x 10 mm Cliente: Ano: 1962

obras

Nome da obra: Cartaz-Espinho Descrição: Cartaz turístico para a cidade de Espinho Área: Comunicação Características técnicas: Cliente: Espinho Ano: 1931


Nome da obra: Bertrand Irmãos Descrição: Cartaz para a Bertrand Irmãos .Lda Área: Ilustração Características técnicas: Cliente: Bertrand Ano: 1928


Nome da obra: Páscoa Feliz Descrição: Capa para a Novela Páscoa Feliz de José Rodrigues Miguéis Área: Ilustração Características técnicas: Cliente: José Rodrigues Miguéis - Edições Alfa Ano: 1932

obras

Nome da obra: Fanga Descrição: Capa para o romance Fanga de Alves Redol Área: Ilustração Características técnicas: 14 x 21 cm Cliente: Alves Redol - Portugália Editora Ano: 1943


Nome da obra: Novelas Inquérito Descrição: Conjunto de capas para ''As melhore novelas dos melhores novelistas''. Área: Ilustração Caractrísticas técnicas: 12,5 x 19 cm Cliente: Inquérito Editora Ano: Anos 40


obras

Nome da obra: Painel da cidade de Lisboa Descrição: Painel do Jardim São Pedro de Alcantra, também conhecido como Jardim António Nobre Área: Cenografia Características técnicas: Azulejo Cliente: Ano: 1952


Nome da obra: Celebrações Centenárias Descrição: Programa oficial das Celebrações Centenárias. Capa e mapa por Fred Kradolfer Área: Ilustração Características técnicas: 25 x 23 cm Cliente: Secretariado da propaganda Nacional Ano: 1940


obras

Nome da obra: Alfama Descrição: Capa para o livro Alfama de António Botto Área: Ilustração Características técnicas: Cliente: Ano: 1933


Nome da obra: Canções Descrição: Capa para o livro Canções de António Botto Área: Ilustração Características técnicas: 19 x 12 cm Cliente: Ano: 1956

Nome da obra: Festas de Lisboa 1955 Descrição: Capa para o livro das festas da cidade de Lisboa, edição de 1955, impresso na Neogravura. Área: Ilustração Características técnicas: Cliente: Ano: 1955


cronologia


Fred Kradolfer nasce em Zurique

Cartaz Nestlé

Cartaz Bertrand Irmãos

Chega a portugal depois de viver na Bélgica e Paris

Cartaz Espinho

Participação na Exposição de Luz e Electricidade Aplicada ao Lar

Cartaz Exposição Colonial Portuguesa em Paris

Participação na Exposição Colonial Portuguesa em Paris

Cartaz Páscoa Feliz

Capa do livro “Canções” de António Botto

Capaa do livro “Alfama” de António Botto


Participação na Exposição Internacional de Paris

Decoração dos Pavilhões da Festas de Lisboa

Participação na Exposição Internacional de Nova York

Fred kradolfer falece em Lisboa

Decoração do pavilhão português na Exposição Histórica da Ocupação no século XIX

Capa do romance “fanga” de Alves Rendol

Capa do livro “Comemorações centenárias”

Capas da colecção “Novelas Inquérito”

Capa para o livro “ Festas de Lisboa”

Selos Europa


Bibliografia SOUSA, Osvaldo. “Fred Kradolfer, a Inovação Gráfica no Modernismo”. Artes Plásticas. Lisboa. 3: (1990) 40-43 BAPTISTA-BASTOS, Armando. As Palavras dos Outros. Círculo de Leitores. Camarate. (2000) 204-207 HEITLINGER, Paulo. Artistas Gráficos Portugueses: Fred Kradolfer. Tipográfico [Em linha]. (2007). [Consult. 14 Abr. 2010]. Disponível em WWW:<URL:http://tipografos.net/portugal/fredkradolfer.html> O prémio do “Diário de Notícias” este ano consagrado às artes plásticas foi entregue a Fred Kradolfer. Diário de Notícias. (5 de Junho de 1968) A Faleceu Fred Kradolfer (notável pintor). Diário de Notícias. (17 de Julho de 1968) B


André Carvalhosa 50024 | Élio Mateus 50198 | João Lago 50522 | Jordão Mota 49633 | Tiago Marabuto 38963 Grupo 5, Turma B

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