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MÉTODOS CONTRACEPTIVOS

POR ANA TERESA ANTUNES, ANTÓNIO SALGUEIRO, CATARINA GONZALVES E MÁRIO GROSSO


MÉTODOS CONTRACEPTIVOS NATURAIS Os métodos contraceptivos naturais são estratégias de controlo de natalidade baseadas em períodos de abstinência aquando do período fértil da mulher. Têm a característica de criar uma estratégia para a determinação do dia de ovulação, para evitar a penetração vaginal durante o período fértil, e impedindo, deste modo, a fecundação do gâmeta sexual feminino, o oócito II, por parte dos gâmetas sexuais masculinos, os espermatozóides.

MÉTODO DO CALENDÁRIO Também conhecido como o método rítmico, ou método de Ogino-Knaus, o método do calendário baseia-se na previsão do dia da ovulação, de forma a evitar qualquer contacto sexual durante o período fértil. Para prever o dia da ovulação, observa-se e regista-se os últimos oito ciclos menstruais, indicando o número de dias de duração e a data de ínico e de conclusão da menstruação do maior e do menor ciclo. Aos dias do menor ciclo, diminuem-se 16 dias e anotase o dia, e aos dias do maior ciclo, diminuem-se 11 dias, anotando-se também o dia. Por fim, o espaço de dias compreendido entre esses dois dias anteriormente encontrandos é o período fértil, devendo a mulher evitar o contacto sexual. Infelizmente, este método tem uma taxa de erro de 10% por ano, ou seja, durante os doze meses de um ano, haverá, pelo menos, um em que a data de ovulação não corresponde com a realidade. Isto pode dever-se a uma série de factores que influencia o ciclo m e n s t r u a l f e m i n i n o, s e n d o e s t e m é t o d o desanconselhado a mulheres com um ciclo menstrual irregular.

MÉTODO DA TEMPERATURA Este método tem por base os conhecimentos sobre a fisiologia feminina, nomeadamente, da temperatura, levando à determinação do período fértil da mulher, quando ocorre um aumento da temperatura corporal desta (0,3 a 0,8 ºC). Normalmente, neste período, ocorre a abstinência do casal.) Esta forma de contracepção tem como vantagem o facto de ser natural, não colocando em risco a saúde dos parceiros, e ter uma taxa de sucesso de 97%. Como desvantagens tem o facto de não ser muito eficaz, necessitando de grande motivação e colaboração do casal e de não prevenir as DST.

MÉTODO DO MUCO CERVICAL O método do Muco Cervical baseia-se na identificação do período fértil pelas modificações cíclicas do muco cervical. Assim, após a menstruação, a mulher apresenta apenas a lubrificação natural da vagina. Com o passar dos dias inicia-se a formação do muco. No início, este é espesso, claro e em pequena quantidade, ficando mais “elástico” à medida em que se aproxima a ovulação, demonstrando que o corpo está no período fértil. A verificação do estado do muco é feita com a utilização do polegar e do indicador.(Ver Anexo B.xii) Como vantagem este método tem o facto de não ter efeitos colaterais. Quanto às desvantagens, o facto de ser necessária muita disciplina por parte da mulher, de não prevenir as DST e poder falhar em mulheres com o ciclo menstrual irregular.


MÉTODOS CONTRACEPTIVOS NÃO NATURAIS FÍSICOS Os métodos contraceptivos não naturais físicos são métodos isentos de qualquer componente química ou hormonal, sendo que representam um menor perigo para a saúde. Também chamados de métodos mecânicos, estes recorrem a dispositivos que previnem a concepção.

PRESERVATIVO MASCULINO O preservativo é um invólucro de látex, plástico ou de membranas naturais (estas últimas a evitar), que vem enrolado e é colocado no pénis erecto antes de qualquer contacto genital. Este impede que os fluidos do corpo (sémen e secreções vaginais) entrem em contacto, funcionando, deste modo, como uma barreira física que impede os espermatozóides de entrar na vagina, evitando assim uma gravidez, e também o contágio de DST's. Os preservativos podem ser comprados sem receita médica nas farmácias, supermercados, discotecas, etc...; podendo também ser fornecidos pelos centros de saúde. Relativamente à sua colocação, deve abrir-se a embalagem com cuidado, empurrar o anel do preservativo, desenrolando-o até à base do pénis, e assegurando de que o reservatório não fica insuflado. Não é aconselhável haver penetração sem preservativo. Posteriormente, deve retirarse do pénis logo após a ejaculação, segurando o preservativo pelo anel da sua base, dando um nó na extremidade aberta do preservativo e deitar fora num local conveniente. É um método bastante seguro, com uma taxa de sucesso de 95%, quando colocado e manuseado correctamente, e dependendo do material do preservativo.

PRESERVATIVO FEMININO O preservativo feminino é um tubo feito de poliuretano, macio e transparente que deve ser colocado antes da relação sexual, para revestir a vagina e a parte externa da vulva, protegendo os grandes lábios. Dentro da vagina fica um anel, também em poliuretano, que serve para facilitar a sua colocação e fixação. Como vantagens tem o facto de ser muito eficaz, com uma taxa de sucesso de 80%, de proteger das DST e de não ser necessária receita médica. Como desvantagens tem o facto de poder causar alguma alergia ou irritação, consoante o tipo de lubrificantes utilizados.

DIU E SIU Um dispositivo intra-uterino, ou simplesmente DIU, é um dispositivo anticoncepcional para as mulheres que é inserido no seu útero, por um especialista, normalmente, um ginecologista, e que interfere com a migração dos gamêtas sexuais, impedindo a ascensão dos espermatozóides e a descida do oócito II para o útero, como também com o processo de nidação, quando a fecundação já se deu. Pode também provocar uma reacção inflamatória no útero, que ajuda na contracepcção. Existem diversos formatos, sendo que alguns

vêm equipados para libertar hormonas, aumentando a sua eficácia. A estes dá-se o nome de SIU (Sistema IntraUterino). Estes dispositivos, depois de aplicados, têm um período de eficácia que varia entre os três e os cinco anos, sendo que durante este período, a mulher deve realizar visitas períodicas ao ginecologista, especialmente, após cada menstruação, para verificar a posição dos mesmos dentro do útero.Apesar de ser um método muito seguro, tendo uma taxa de eficácia de aproximadamente 95%, pode provocar alguns efeitos secundários, como agravar as dores menstruais, provocar períodos menstruais muito abudantes, e facilitar o surgimento de infecções intra-uterinas. É um método que também não previne a transmissão de DST's, sendo aconselhável a utilização do preservativo, para este facto. Um dos efeitos secundários mais graves, passa pela esterilização da mulher, sendo que a mulher pode deixar de poder ter filhos. Por isso, não é um método aconselhável a mulheres que nunca os tiveram. U m a das vantagens deste dispositivo passa pelo facto de não ser um método hormonal, no caso do DIU, sendo por isso indicado para mulheres que já tiveram problemas com métodos contraceptivos hormonais. É também possível ser utilizado como contracepção de emergência, se inserido num período de cinco dias, após o acto sexual.


MÉTODOS CONTRACEPTIVOS NÃO NATURAIS QUÍMICOS Os métodos contraceptivos não naturais químicos, são métodos que utilizam a regulação hormonal, ou química, como meio de evitar a fecundação. Estes controlam os níveis hormonais, evitando que os ciclos sexuais se realizem como seria de esperar e assim controlando-os. Existem, também, métodos químicos que em vez de regular os ciclos da mulher, acentuam as suas defesas naturais aos espermatozóides.

ESPERMICIDAS Os espermicidas são substâncias químicas que imobilizam e destroem os espermatozóides, podendo ser utilizados como complementos do diafragma ou do preservativo, aumentando a sua eficácia. São aplicados na vagina, antes do início da relação sexual, existindo em vários formatos como, por exemplo, cremes, espumas e pomadas. Este método contraceptivo tem como vantagem o facto de não ser necessária receita médica, e como desvantagens o facto de ser pouco eficiente quando utilizado isoladamente( taxa de insucesso de 30%), de não proteger das DST e de poder causar irritações ou alergias.

pílula é anulado, como no caso de uma diarreia ou da utilização de outros medicamentos, como é o caso de alguns antibióticos. Apesar disso, a pílula combinada ajuda a regular um período desregulado, diminui a probabilidade de cancro do útero e do ovário, mas pelo contrário, aumenta as hipotéses de ocorrência de um enfarte ou de um ataque cardíaco. Também não tem efeito na protecção contra as DST's, tal como a minipílula. (Ver Anexo A.iii)Assim que parar de tomar a pílula, o ciclo menstrual da mulher volta ao normal, sendo que a sua fertilidade não é afectada.

PÍLULA FEMININA

PÍLULA DE EMERGÊNCIA

Existem dois tipo de pílulas femininas, aquelas que contêm duas hormonas, ou seja, as pílulas contraceptivas combinadas, e aquelas que apenas possuem uma das hormonas, a progesterona, ou seja, as minipílulas. Ambas devem ser tomadas durante um período de vinte e um dias, interropendo-se sete dias durante o período menstrual, e iniciando logo após esta pausa, um novo ciclo de tomagem. É possível obter estes contraceptivos, informação e aconselhamento em centros de saúde. A pílula contraceptiva combinada consiste na combinação de hormonas (estrogénios e progesterona) que são administradas oralmente evitando que o ciclo sexual da mulher, ocorra como habitualmente. Para além de evitar a ovulação, através da redução dos níveis de LH, a pílula desencadeia um espessamento do muco cervical, que dificulta a passagem dos espermatozóides, e apesar de ajudar no desenvolvimento do endométrio, provoca a menstruação durante o período recomendado de abstinência da pílula. Pelo contrário, as minipílulas, que contêm apenas um derivado sintético da progesterona, não bloqueiam a ovulação. Apenas mantêm o muco cervical com uma maior impermeabilização aos espermatozóides, sendo aconselhadas a mulheres para as quais as pílulas combinadas são fortemente contraindicadas e ainda a mulheres que estejam no período de amamentação.~ A pílula combinada fornece uma eficácia de 99,7% se tomada correctamente, enquanto que as minipílulas fornecem apenas uma taxa de sucesso de 98 %. No entanto, existe algumas situações em que o efeito da

Não se trata de uma pílula especial, mas sim de uma combinação de pílulas normais que são tomadas em doses elevadas até 72 horas após ter ocorrido uma relação de risco de gravidez. Segundo alguns estudos estas pílulas mantêm ainda uma eficácia elevada (cerca de 97%) até 5 dias depois da relação de risco. Isto sucede, ou porque existe uma inibição da ovulação, e nesse caso não chega a haver concepção, ou então, mais usualmente, as doses hormonais tomadas vão tornar o útero incapaz de receber o ovo já fertilizado e forçar a sua expulsão. (Ver Anexo A.v) Apesar dos benefícios que este método apresenta, carrega consigo bastantes efeitos secundários, tais como náuseas, vómitos, etc... é também um método que não impede a transmissão das DST's, e que deve ser utilizado uma a duas vez na vida da mulher, uma vez que prejudica gravemente o metabolismo desta.


MÉTODOS CONTRACEPTIVOS NÃO NATURAIS CIRÚRGICOS Conhecidos também, erradamente, como métodos irreversíveis, é necessário uma intervenção cirúrgica para a sua realização e são considerados métodos bastante eficazes, havendo, no entanto, uma possibilidade de os reverter.

IMPLANTES O implante é um método contraceptivo de longa duração, constítuido por um pequeno acessório que é inserido no braço, debaixo da pele. Este ao longo de três anos vai libertando etenogestrel (composto sintético da progesterona), para a corrente sanguínea da paciente, impedindo a ovulação a cada ciclo ovárico, e a chegada do espermatózoides ao útero, a cada relação sexual. Após estes três anos, o implante deve ser retirado, sendo substituido por um novo. Este método possui uma taxa de sucesso de 95%, semelhante aos contraceptivos orais femininos, sem ter as desvantagens destes, mas com as mesmas vantagens. Relativamente à sua colocação, este deverá apenas ser colocado por um especialista com conhecimento do procedimento, e ao quinto dia do ciclo mesntrual, correspondente à menstruação. Este é colocado na face interna do antebraço esquerdo ou direito, dependendo das preferências pessoais, sendo utilizado uma anestesia local durante o procedimento. Para o procedimento de remoção, é também utilizado anestesia local, e é feito uma pequena incisão, que não deixa cicatriz.

ANEL VAGINAL O anel vaginal é um contraceptivo hormonal para uso vaginal. Este é constituído por um anel flexível (silicone), com cerca de 5 cm, impregnado de hormonas que, em contacto com a vagina, são lentamente libertadas e absorvidas para a corrente sanguínea. Liberta dois tipos de hormonas, estrogénios e progesterona de uma forma contínua, e estas evitam que se liberte os óvulos dos ovários e assim se dê a fecundação. É uma alternativa para quem não tolera os efeitos colaterais causados pelos comprimidos ou para mulheres que esquecem de tomá-los diariamente. A própria mulher deve inseri-lo na vagina, bem no fundo, perto do colo do útero. O anel só é retirado após três semanas consecutivas, para que ocorra a menstruação. Em seguida, insere-se outra unidade. O anel contém uma dosagem hormonal menor que as pílulas de uso oral, pois as substâncias passam da região pélvica para a corrente sanguínea e não precisam ser metabolizadas pelo fígado. Isso anula os efeitos colaterais, como inchaço, dor de cabeça e aumento de peso. Além disso, não perde eficácia em caso de diarreia ou vómitos, como no caso da pílula tomada oralmente. É tão seguro como o DIU e muito mais do que o diafragma, falhando apenas em 0,1% dos casos, apesar de poder ocorrer o incidente de o anel sair acidentalmente, e não protege das DST's.

VASECTOMIA A vasectomia consiste num procedimento cirúrgico que tem como objectivo a esterilização masculina. Durante este procedimento é feito um pequeno corte no escroto, de forma a se poder identificar os canais deferentes e, posteriormente, laqueá-los. Ambos os canais deferentes são laqueados e sendo assim, a comunicação entre os testículos e a uretra é impossibilitada. Este processo pode ser reversível (vasovasostomia), no entanto, não é recomendável a recorrência a este método. Após a vasectomia, que é realizada num hospital ou clínica, por um médico especializada, o indivíduo poderá regressar imediatamente a casa. Sendo que este procedimento cirúrgico é considerado simples. No entanto, existem possíveis complicações, como hematomas, inflamações e infecções dos testículos. Como método contraceptivo, este é 99,9% eficaz e não protege o indivíduo contra DSTs.

LAQUEAÇÃO DAS TROMPAS A laqueação de trompas consiste no método de esterilização feminina, caracterizado pelo corte ou bloqueio cirúrgico das trompas de falópio, que ligam os ovários ao útero, através de variados métodos: anéis de plástico; queimar e cortar as trompas; clipes de titânio; sutura; entre outros. Deste modo, as trompas impedem a passagem do óvulo e os espermatozóides não o encontram, não havendo fecundação. É um método bastante eficaz a longo prazo, apesar de que nos primeiros dez anos, a taxa de insucesso atinge cerca de 2%. É uma intervenção considerada de baixo risco, não sendo necessário qualquer medicação posterior à intervenção, e não afectando a vida sexual. Existe uma grande variedade de métodos contraceptivos, sendo que estes se dividem em métodos não naturais (físicos, cirúrgicos e químicos) e naturais. Sobre os naturais, são os menos eficazes e os que necessitam de maior rigor, não protegendo contra as DST. Contudo, como são naturais, não colocam em risco a saúde dos parceiros sexuais. Quanto aos não naturais, têm uma elevada taxa de sucesso, sendo que os dois tipos de preservativo servem também de protecção contra as DST. Porém, este tipo de contracepção pode causar algumas alergias, irritações ou desconforto durante o acto sexual. O risco de danos para a saúde tem vindo a diminuir com a utilização de novos materiais. Concluindo, a combinação de vários métodos contraceptivos é o indicado para garantir uma maior protecção.

Métodos Contraceptivos  

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