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Acordo A primeira coisa que faço depois de acordar é beber um café, para não fazer o resto a meio gás. Aqueço o leite no micro-ondas, demora há cerca de 1 minuto, eu sei que não é muito ecológico nem muito bom para a saúde, mas é mais rápido do que qualquer outro sistema e não gasto tanta agua na lavagem da loiça. Cafézinho cical, produto português. Assim estou a contribuir para a dinamização da economia nacional e do pequeno comércio. Bem sei que devia comprar na mercearia da esquina e não numa grande superfície, pois estaria a auxiliar o pequeno comércio local, mas o pingo doce é mais pratico…


De seguida tomo banho, aqui está onde reparo maior gasto de energia. Quando estou no banho deixo a água a correr durante 15 minutos, isto apenas para me aquecer. Só depois é que lavo a cabeça e o corpo. Encontrei num site uma aplicação que me permitiria descobrir quantos litros de água gastava por minuto. O resultado foi que em 20 minutos gastava 324 litros de água. Descobri que com um chuveiro elétrico poderia poupar 132 litros de água. Este aparelho é mais utilizado no brasil, mas seria uma boa aposta para Portugal. Poupar não só na agua como algum dinheiro no final do mês. Refletindo sobre este assunto vejo que poderia poupar mais agua se a desligasse enquanto não a estava a usar.


Mas ao menos enquanto estou a lavar os dentes fecho a torneira quando não a estou a usar. Não gosto de ver torneiras abertas nem necessidade, incomoda-me.

Saio do banho e vou para o quarto, está quentinho porque deixei o aquecedor ligado a noite inteira, se não o dia todo, para quando entrar não me enrolar debaixo dos cobertores e não me mexer durante 30 min, porque está muito frio!! Para alem de ter consequências graves a nível ambiental, tem também, na saúde. Os aquecedores portáteis normalmente secam o ar, o que faz com que doenças como gripe, constipações, amidalite e dor de ouvido se manifestem mais rapidamente. Eu tendo asma, ainda estou mais sujeita a problemas brônquicos devido


ao aquecedor. É um aspeto a ponderar realmente. Talvez se me abrigar um pouquinho mais com mantas e casacos não necessite tanto do aquecedor. Afinal o que importa mais, o meu conforto momentâneo ou a minha saúde a longo prazo?

Após o banho visto-me. Li num artigo no jornal de negócios e já tinha estudado e conversado sobre este assunto, Portugal é um país com um grande problema de consumismo. O que acontece com a maioria dos países a sul da Europa. Os portugueses vivem acima das posses. Pedem empréstimos aos bancos aos quais depois não têm como pagar. Isto para ter um carro melhor, uma casa melhor, uma vida melhor.


Não considero o meu modo de vida assim. Sempre vivemos com o que tínhamos, sem espaço para grandes exuberâncias, foi o que me foi também incutido desde criança. Mas normalmente quando nos privam de algo desde muito novos, quando crescemos fazemos o contrário. Comecei a trabalhar e a ganhar o meu dinheiro e ao princípio gastava o como queria, quando queria, no que queria, e com todo o direito de o fazer. Gastava o dinheiro sobretudo em roupas, cosméticos, jantares, etc. Quando deixei de trabalhar para me concentrar nos estudos, dei mais valor as coisas que tinha e dei me conta que temos de escolher muito bem as nossas prioridades porque o dinheiro não é infinito. Eu sei que não sou a única a gastar dinheiro sem pensar.


A população não tem educação financeira. Acho a economia domestica devia ser uma disciplina obrigatória nas escola desde o ensino básico, para que desde pequenos demos valor ao que temos e ao esforço para o obter. Em contrapartida, as empresas incentivam ao consumismo e criam uma relação intensa com o consumidor, porque educam o cliente a não esperar pelos saldos. Se ele não comprar logo a peça de que gostou, é possível que, na semana que seguinte, ela já tenha desaparecido do stock. É por isso que empresas como a Zara têm pequenos stocks e muitos lançamentos de novas coleções ao longo do ano. Álem disso os preços mais acessíveis também são


mais convidativos ao consumo. O cliente passa a ir mais ao ponto de venda e, em consequência, compra mais. Portanto a sua estratégia mais importante, que reflete o hiper consumismo da atualidade, é a chamada fast fashion que troca grande parte das mercadorias das lojas a cada quinzena, contando com um planeamento da logística mundial e da criação acelerada de novos produtos. Outro ponto que exige atenção especial é a exibição das mercadorias no ponto de venda. A loja é reorganizada periodicamente para que os consumidores notem diferenças e se sintam estimulados em visitar constantemente a loja. Todo esse sistema de fast fashion é considerado o grande responsável pelo crescimento do facturamento da Zara em todo o mundo.


As fábricas destas grandes empresas estão localizadas em países subdesenvolvidos como Camboja, Bangladesh e China, onde é comum exploração infantil, mão-de-obra barata, utilização de químicos prejudiciais à saúde. Os trabalhadores trabalham em más condições sanitárias, mais horas do que deviam, são mal pagos ou até nem são pagos. Isto quando não são literalmente escravizados. A caminho da escola, opto por ir a pé, quando não está a chover, ou vou de transportes públicos, mais concretamente, autocarro. Existem inúmeras vantagens de andar de carro como: A liberdade de escolha de horário e rota, ficar mais perto do destino pretendido, em menos tempo, sem esperas, maior privacidade e conforto.


O problema destas necessidades supérfluas, destes “luxos”, é que causa grandes problemas atmosféricos. Os carros são a principal fonte de poluição do ar. Além da energia gasta pelos carros, a queima de gasolina liberta vários gases prejudiciais à saúde, como o monóxido de carbono que é altamente tóxico, provoca náuseas, enjoo, dores de cabeça e afeta bastante os pulmões. Os gases que saem dos escapes são responsáveis por 40% da poluição nas grandes cidades. Daí optar pela utilização de transportes públicos. Não gasto tanto dinheiro, em gasolina, arranjos ou estragos, contribuo para uma maior mobilização e não tenho problemas nem gastos com o estacionamento.


Chegando à escola, reparo que ainda tenho tempo para fumar um cigarro. Fumar por si só já faz inúmeros estragos, não só à minha saúde, mas também ao ambiente. Respetivamente à minha saúde, o tabaco contém químicos como, Nicotina, Arsénico, Cádmio, Chumbo, Alcatrão entre outros que destroem progressivamente a minha saúde assim como os fumadores passivos que me rodeiam. Em relação ao ambiente, as beatas são dos elementos mais destrutivos. Poluem as ruas, como os oceanos, quando são levadas pelas chuvas. Além de que levam por volta de 12 anos a decompor. O problema está na proibição de fumar em locais fechados. Tudo bem, foi uma lei importantíssima para a saúde pública, mas fez com que os fumadores


fumem na rua, e dada a ausência de cinzeiros as pessoas tendem a atirar as beatas para o chão, eu própria já dei por mim muitas vezes a fazê-lo. Mas certamente terei mais cuidado a partir de agora. Hoje em dia existem cinzeiros portáteis, caixinhas pequenas, onde podemos descartar as beatas. Observo que gastamos imenso papel na escola. Recordo um documentário que vi no outro dia sobre incêndios criminosos que destroem florestas, serras e matos para depois serem reflorestados com monoculturas de eucaliptos e pinheiros. As consequências para a biodiversidade são catastróficas. Existem muitos bens considerados como essenciais como, o papel , na


alimentação, como leite, carne, cereais, produzidos em monoculturas. O excesso de abundância consumido no mundo ocidental contribui para a desflorestação e para a perda de biodiversidade que também acontece nos mares, pois o excesso de pescas leva à redução maciça, quando há mesmo o perigo de extinção de inúmeras espécies, não so as que são consumidas como as que são apanhadas nas redes e depois eliminadas acabando por não servir qualquer propósito nem mesmo alimento para os predadores. O equilíbrio do meio ambiente e a manutenção de vida do planeta ainda acontecem, devido ao facto de existir uma riqueza enorme de diversidade de espécies que dão sustentação ao planeta, mas, até quando?


A caminho de casa passo por um ecoponto e reparo com tristeza não só na quantidade de lixo em redor como na má separação de produtos para reciclagem que algumas pessoas fazem. Desde pequena que em casa me foi incutido o hábito de separar. Portanto já é algo natural para mim, como lavar os dentes. Mas fico feliz pela consciencialização cada vez maior no país, assim como em vários países pelo mundo, veiculada pelas escolas e pelos meios de comunicação. Estou cheia de fome, não tenho o hábito de tomar o pequeno-almoço, apesar de ter consciência que é a refeição mais importante do dia. Passo pelo Mc Donalds, tentada a entrar, mas os cozinhados macrobióticos da


minha mãe chamam mais alto por mim. O Mc Donalds é uma multinacional com grande implantação dos mercados, através de campanhas de marketing muito inteligentes e apelativas, que reforçam o equilíbrio dos ingrediente e a higiene impecável. No entanto escondem o facto de os alimentos serem extremamente processados e as matérias-primas de pouca qualidade, além de conterem gorduras saturadas e aditivos cientificamente modificados. Em casa refilo muitas vezes com a comida, mas tenho que concordar que a minha mãe preocupa-se em utilizar produtos biológicos, desde cereais, carnes, vegetais, frutas e refrigerantes, que podem ser mais caros mas são de longe mais saudáveis e nutritivos. Além disso não são comprados nas grades superfícies, mas nos


pequenos mercados, e como referi mais acima, ajudam a dinamizar a produção local e nacional. Como é sabido a produção biológica respeita o ambiente pois não são utilizados fertilizantes, pesticidas, herbicidas. Os solos em vez de serem depauperados são reabilitados através da rotação das culturas e de outras práticas ecológicas como a compostagem.


Concluo que afinal, em apenas meio dia, consigo relatar quase todos os problemas existentes acerca do meio ambiente. Está por todo o lado, a cada instante. Qualquer coisa que façam tem influencia no mundo. Mesmo que só chegue ao outro lado mais tarde, acaba sempre por deixar a sua marca. O famoso efeito borboleta. Temos de ter cuidado com as nossas ações, pensar um pouco sobre elas. Começando por nós, faz toda a diferença. Se cada pessoa pensar assim há possibilidades de mudança. Esta mudança afeta não só a nos, mas como toda a população mundial. Hoje e no futuro.

Globalizacao das aldeias  

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