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Nome: Joana Natália Dias

Disciplina: Redação Jornalística II Professora Thais Furtado Cultura/Dança Vida de bailarina

O processo de inserção da menina no ballet clássico, as vivências, cuidados com alimentação e tratamento de lesões

Ser bailarina vai muito além da vontade de dançar. O sonho de representar no palco e de transmitir ao público os sentimentos através de movimentos com o corpo ultrapassa estereótipos e limitações. “É raro ver uma menina com Síndrome de Down executar com perfeição o que o ballet clássico exige: disciplina, concentração e equilíbrio, o que contraria os fatores da síndrome”, conta João Tomaz, pai de Aline. Aline Fávaro Tomaz, de São Bernardo do Campo/SP, tem 30 anos e é portadora da Síndrome de Down. Sendo a primeira bailarina clássica brasileira com esta síndrome, mostra como a inserção de pessoas com necessidades especiais no ballet podem superar limites, tornando-se um exemplo de força de vontade e contribui para uma qualidade de vida melhor. Com oito anos de idade, ingressou na Kleine Szene Studio de Dança/SP, em 1989. Até então, nenhuma escola havia tido a experiência de ter trabalhado com alunos com necessidades especiais, quebrando barreiras e preconceitos. “A minha esposa pediu para a professora que Aline fosse ensinada da mesma forma que todas as outras meninas”, conta João. “Na época, muitas mães pediram para a professora que Aline não fosse incluída no grupo de dança de suas filhas, pois tinham medo de que ela pudesse errar e prejudicar”. Para os pais de Aline, Eleide e João, a cada apresentação que prestigiam de sua filha, é comum observarem várias pessoas derramando lágrimas ao verem Aline dançar. “O público reconhece nela uma história real de superação de limites”, revelam admirados. Primeiros passos da menina no Ballet e suas influências O Ballet traz muitos benefícios para as crianças que iniciam cedo na atividade. A disciplina, a postura e o relacionamento ajudam no preparo delas para a vida. “As meninas geralmente ingressam aos cinco, seis anos, e são levadas ao ballet por iniciativa dos pais, pela questão da disciplina e por praticarem uma atividade física. É difícil encontrar uma atividade física para a menina nesta faixa etária, em que ela tem várias amiguinhas, adora as princesas da Disney e está na fase de imaginação, o ballet é o lugar em que a menina mais se encaixa”, informa Gabriela Salvadori, bailarina formada na Escola de Ballet André Gutierres, em Porto Alegre/RS. “Já com nove, dez anos, é mais por parte da menina querer fazer ballet. É por admiração, de ver uma bailarina na televisão, ver fotos na internet e querer ser igual. Nesta


fase, a menina vê uma amiga de coque, ou com a bolsinha rosa do ballet e isso vai despertando nela uma curiosidade de querer saber como é e pedir para entrar no ballet”. Já na fase adulta, Gabriela revela que vem daquele desejo guardado, das mulheres que não tiveram a oportunidade de fazer quando eram pequenas e se realizarem. “Eu entrei no ballet aos nove anos e sempre fui um pouco dispersa”, diz Gabriela. “O ballet me concentrava, pois eu era hiperativa. Percebi ao longo do tempo, que fazer ballet clássico me disciplinava de alguma maneira. Sentia-me calma e prestava mais atenção nas coisas, pensava antes de fazer, pois no ballet, primeiro temos que raciocinar o que vamos fazer, para depois executar os movimentos”. Independência e amadurecimento também são fatores positivos que as meninas adquirem na prática da atividade. “O ballet te exige dedicação e disciplina. É um compromisso. Querendo ou não, é um compromisso, pois tem que estar na aula duas ou três vezes por semana e também há ensaios aos sábados. É questão de responsabilidade, de saber dividir tarefas e dar o tempo adequado para elas”, conclui a bailarina. “Dar aula para crianças, é muito bom e divertido”, conta Alice Sales, de 26 anos, bailarina e graduada em Dança pela UERGS, leciona ballet em Escolas de Educação Infantil em Canoas/RS. “O carinho que elas têm pela gente é muito bom. Tu percebe o trabalho que tu conseguiu com aquela criança desde o começo do ano e ver o quanto evoluiu lá no final, é gratificante. A criança está disposta a aprender, o que difere de adolescentes e adultos”, diz. Para Alice, com as crianças o método de ensino é outro. “Trabalhei bastante com o maternal e o primeiro passo é o reconhecimento das partes do corpo. O próximo passo é trabalhar com o ritmo e depois sim, vem o esticar o pé. A técnica para ensinar a criança vem do lúdico, da brincadeira, de conhecer as partes de seu corpo”. A procura por adultos pelo ballet está cada vez mais aumentando. Alice diz que está vendo um tabu ser quebrado. “Aquele estereótipo de que precisa ser magrinha, menininha está acabando. A pessoa que quer fazer algum tipo de dança, porque não se realizar mais tarde? Porque é preciso fazer ballet desde pequena? Acho válido, as pessoas estão abrindo a mente, porque não experimentar coisas novas e porque não vir para o ballet clássico? Não é tão difícil assim”, diz. Cuidados com alimentação e com as lesões ocasionadas pela atividade Letícia Parmeggiani Mello, Diretora, professora e coreógrafa da Escola de Ballet Erenita, em Canoas/RS, informa que nunca vivenciou nenhum problema como anorexia na escola. “O Ballet Erenita não tem pretensão de se tornar uma companhia, então não existe um padrão de biótipo físico para ingressar nas aulas. Lembrando que com ballet profissional, o processo é bem diferente”, afirma. “Todo mundo que quer dançar tem o direito de vir aprender, independente do peso e condição financeira. A minha mãe, Erenita, teve bolsa para poder fazer ballet, por isso que hoje existe a escola”, conta Letícia, que assumiu a escola juntamente com a sua irmã Letícia, quando sua mãe faleceu. Quanto ao peso, na dança profissional existe sim, mas na escola nunca tivemos nenhum caso de menina com problemas alimentares.


No Ballet como em qualquer outra dança existem probabilidades de lesões, principalmente se houver sobrecarga de trabalho ou orientação incorreta por parte dos profissionais. Para Felipe Foralozzo, fisioterapeuta, “quando ocorrem lesões na fase aguda (quando uma bailarina tem uma torção no pé ou tornozelo nas aulas), utiliza-se gelo, compressão e elevação do membro, para evitar a proliferação do edema e diminuir o processo inflamatório. Após esta fase, cada lesão tem as suas especificidades”. A bailarina e fisioterapeuta Patrícia Parmeggiani conta que as lesões mais comuns são: tendinites, contraturas, estiramentos musculares, joanetes e lesões em joelho. Em lesões, a fisioterapia ajuda na recuperação através de técnicas de eletroterapia, hidroterapia e cinesioterapia, recuperando a atividade funcional do indivíduo. “Já tratei tendinites, lesão de joelho e dores musculares de bailarinas, mas foram poucos casos e todas se recuperaram logo”, diz. “O Ballet é uma arte que dá forma ao corpo de uma maneira funcional, auxilia na inteligência corporal e na coordenação motora, trabalha os sentidos, traz disciplina e elegância, te preparando como ser humano, dando postura de vida”, afirma a fisioterapeuta.


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