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J o Din Júlio nis  Um ma vid da brevve...   

  Júlio  Dinis  é  o  pseudónimo  literário  de  Joaquim  Guilhermee  Gomes  Co oelho,  nascido o na cidade d do Porto, a 14 Novembro  de 1839, filh ho do Dr. Joséé Joaquim Go omes  Coelho o  e  de  D.  Anaa  Constança  Potter  P Gomees  Coelho.  A  mãe  m morreu  quando  ele  tinha  seis anos, vítima dee tuberculose,, doença que também  atingiu mortalm mente os seuss dois  irmãoss.  De  ascendêêcia  maternaa  inglesa  e  irlandesa,  i foi  bastante  in nfluenciado  pelos  p costum mes,  educaçção  e  meentalidade  da  d burguessia  britânicaa,  que  reetrata  pormenorizadamen nte em Uma FFamília Inglessa.  Concluiu a  instrução primária em Miiragaia, tendo o aprendido  com o Padree José  Henrique de Oliveira Martins o laatim, o francêês e o inglês. 

                    c anos,  entrou  para  a  Academia  Politécnica  do  d Porto,  onde  se  dedico ou  aos  estudo os  de  Aos  catorze  B Botânica, Zoo ologia, Químicca, Física e M Matemática. Em 1856, ingrressou na Escola Médico‐C Cirúrgica do P Porto,  t tendo concluí ído o curso d de Medicina,  cinco anos deepois, com a  apresentação da tese “Da importância dos  E Estudos Mete eorológicos paara a Medicin na e Especialm mente de Suas Aplicações ao Ramo Cirú úrgico”.  Entrettanto,  Júlio  Dinis  começaara  a  estabelecer  contactos  com  algu uns  escritorees,  principalm mente  S Soares  de  Paassos,  e  a  pu ublicar  algunss  dos  seus  escritos  em  periódicos  p como  A  Grinallda  e  O  Jornal  do  C Comércio.  São  de  1856  as  a suas  primeeiras  obras  –  – as  peças  de  d teatro  Bollo  Quente  e  O  Casamentto  da  C Condessa  de  Vila  Maior  –  – que  apesar  do  seu  pouco  interessee  literário  teerão  contribu uído  para  os  bem  c conseguidos d diálogos dos  romances e  para certas ccenas de conffrontação dass personagen ns em conflito o. Em  1 1858, com 19 9 anos, escrevve o conto "Ju ustiça de Sua Majestade", incluído, possteriormente, na 3ª edição o dos  S Serões da Pro víncia, um do os primeiros ttrabalhos quee editou.  Quando  se  formou,  aos  22  ano os,  já  estava  atacado  de  tuberculose,  o  que  o  obrrigou  a  desisttir  do  e exercício  da  medicina.  Optou,  então,  pela  carreirra  universitária,  tendo‐see  submetido,,  em  1863,  a  a um  c concurso para a o lugar de d demonstradorr na Secção M Médica da Esccola Médico‐C Cirúrgica do P Porto. No enttanto,  a a doença obri gou‐o a aban ndonar as pro ovas.    Mas  era  e a  literatura  que,  de  faacto,  o  apaixo onava.  Em  18 862  e  1863,  publicou  no    Jo ornal do Portto, em folhettins, como erra comum na época, os co ontos “As aprreensões de    u uma mãe”, “O O espólio do  Sr. Cipriano”” e “Novelos  da Tia Filomeena”, sob o p pseudónimo    D Diana de Avele eda.    uberculose qu ue o obriga a  recolher‐se eem Ovar, terrra natal de seeu pai, onde sse instala em m casa  É a tu d de uma  tia, Rosa Zagalo Gomes G Coelho o, que vivia no n Largo dos Campos. A ccalma da cidade e a observvação  d vida  simplles  das  pesso da  oas  da  aldeia  inspiram‐no o  a  escrever  As  A Pupilas  do o  Senhor  Reittor,  romance  que,  a algum tempo  depois, se to ornaria um do os mais famossos em Portuggal.    


Casa Museu u Júlio Dinis ‐ Ovar    Apareentemente re estabelecido,  Júlio Dinis reegressou ao P Porto e, a 19 d de Janeiro dee 1864, submeteu‐ s se novamente e a um concu urso para dem monstrador,  tendo apreseentado o trab balho "Fisiolo ogia, Ciência,  Arte,  O Objecto,  Méttodo,  Filosofia”.  Foi  nomeeado  para  o  cargo  por  deecreto  de  14 4  de  Março.  Em  Novembrro  do  m mesmo ano, p publicou, no JJornal do Porrto, o conto ""Uma Flor de entre o Gelo o”. Em 1865,  volta a subm meter‐ s se a novo con curso para a Secção Médica, tendo sido nomeado p professor da EEscola Médico o‐Cirúrgica.  o  alcançado  nos  vários  co oncursos  e  da  eficiência  com  c que  trabalhava  na  Escola  E Apesaar  do  sucesso M Médico‐Cirúrg gica, Júlio Din nis preocupavva‐se, antes d de tudo, com m a produção  literária, o q que não o imp pediu  d de ser promov vido a lente, em Junho de 1867.   Entreetanto, a doen nça ia‐lhe min nando os pulmões, o que o obrigou a aabandonar,    e Março  de  1869,  os  seus  em  s afazeress  profissionaiis  e  a  sua  caarreira  literárria  para  se    r refugiar no Fu unchal, em busca de alívio o para as violeentíssimas crises de tuberrculose que    o o assolavam.  ornou ao Porrto a fim de  Permaneceu no Funchal aaté Maio, mês em que reto   r reassumir  ass  suas  activid dades,  mas  vê‐se  obrigaado  a  regresssar  em  Outtubro  para   continuar c o trratamento.    Cassa onde viveu Jú úlio Dinis, no Fun nchal. 

    .... uma o obra ete erna 

Em  1870,  regresso ou  ao  contin nente,  tendo  permanecido o  algum  tempo  em  Lisboa, no Po L rto e em Vila Nova de Fam malicão. O esttado avançad do da doença leva‐o  pela  p terceira  vez  ao  Funchal,  onde  permaneceu  p durante  algu uns  meses.  Mas  M os  esforços  e paraa  combater  a  a doença  foram  inúteis  e,  em  Maio  de  d 1871,  Júlio o  Dinis  retorna ao se r u Porto natall, onde viria aa falecer, a 12 2 de Setembro o de 1871.  Estátua de hom menagem a Júlio Dinis, no Porto (Manuel de Sou usa, 1926). 

 


... u uma o obra paara a e eternid dade  “[...]  Que  as  pessoas  delicadas  d se  recolham  r um  momento,  pensem  p nele,,  na  que deu tanto encanto, e  que merece  algum amor.. Tal  sua obra ggentil e fácil, q é  o  nosso o  mal,  que  este  espírito o  excelente  não  ficou  popular:  a  no ossa  memória,  fugitiva  como  a  água,  só  retém  aquelles  que  vivem m  ruidosamen nte:  Júlio Dinis viveu de levee, escreveu dee leve, morreeu de leve.  [...]  Fo oi simples, foi inteligente, ffoi puro. Trab balhou, criou, morreu. [...].”    ueirós. As Farp pas. Eça de Qu

Se  pretendêssemo os  caracterizaar  resumidam mente  a  vida  e  a  obra  do o  escritor  novvecentista  qu ue  dá  n nome à nossa a escola, não  poderíamos  deixar de referir as palavvras acima traanscritas, quee Eça lhe ded dicou,  n no momento  e, em As Farpas.  da sua morte Existêência breve, d   dividida entree a escrita, a  Escola Médicca do Porto ee os tratamen ntos à tuberculose  q acabou  por  que  p vitimá‐lo,,  Júlio  Dinis  é  é hoje  frequeentemente  evocado  e como  o  escritor  que  “escreveeu  de  leeve”, expresssão de sentido pejorativo, uma vez quee encerra umaa crítica à suaa visão benevolente e optimista  d das relações s sociais do Porrtugal do seu tempo e às soluções fáceiis que apreseenta para os cconflitos sociaais.   Importa, no entan nto, contextualizar as palaavras de Eça d de Queirós p para perceberrmos o alcancce da  s caracterizzação.  Ao  contrário  de  um sua  ma  crítica,  a  “leveza”  quee  o  autor  de  Os  Maias  ap ponta  a  Júlio  Dinis  e encerra  o  reconhecimentto  de  uma  obra  o que  não  se  fez  de  uma  retóricca  excessiva  ou  de  narraativas  c complexas, m mas sim de um m cruzamento o constante eentre um olhaar atento sob bre a realidad de do seu tem mpo e  u um desejo qu ase utópico d de disfarçar o o lado mais neegro dessa realidade com u uma visão po oética e idealizada:    ““Júlio Dinis amaava a realidadee: é a feição virril e valiosa do seu espírito. N Nunca porém s se desprendeu do seu idealissmo e sentimentalismo nativvo. A realidadee tinha para elee  uma crueza exterior que e o assustava:  de modo que a copiava de  longe, com recceio, adoçando o os contornoss  exactos que a ele lhe pareciam rudess, espalhando u uma aguada de sensibilidadee sobre as corres verdadeirass  berrantes. As ssuas aldeias são o verdadeiras, mas são poetiizadas: [...] Tud do nela [na suaa  que a ele lhe pareciam b obra]  é  veelado  de  névo oa  poética.  Não  é  que  não  ame,  a não  perssiga  a  verdadee:  somente  quaando  a  fixa  naa  página traaz já a pena mo olhada no ideaal que o afoga. [...]”  Eça de Queiirós. As Farpas. 

  p Júlio  Dinis  que,  em  e Ideias  quee  me  ocorrem m  (1869),  no os  revela  a  sua  s concepçãão  do  É  o  próprio  r romance  com mo  “uma  arte  essencialm mente  populaar”,  com  uma  função  ed ducativa,  didááctica  e  éticaa.  Os 


romances devem, por isso, servir “para andarem na mão de todos, para o uso quotidiano, para educarem,  civilizarem e doutrinarem as massas.”    Para isso, é necessário que as massas se revejam nas personagens, nos espaços, nos diálogos e nas  intrigas,  vendo  neles  “reflexos  de  si  próprios,  dos  seus  pensamentos  e  paixões  e  avivando  memórias  de  passados episódios de sua vida.” E o leitor só se identificará com o romance se nele encontrar “verdade nas  descrições,  verdade  nos  caracteres,  verdade  na  evolução  das  paixões  e  verdade  enfim  nos  efeitos  que  resultam do encontro de determinados caracteres e determinadas paixões”.   O  fundo  ideológico  dos  romances  de  Júlio  Dinis  é  constituído  pela  época  de  estabilização  social  e  política  que  sucedeu  ao  período  das  guerras  civis.  Na  sua  obra,  encontramos  a  apologia  ao  progresso  concebido sob formas burguesas, concretizado na Bolsa do Porto (Uma Família Inglesa), na actividade dos  novos  proprietários  agrícolas,  saídos  da  extinção  dos  direitos  senhoriais  (As  Pupilas  do  Senhor  Reitor,  Os  Fidalgos da Casa Mourisca), e materializado nas vias de comunicação. O professor primário, o médico e o  padre liberal são os heróis típicos desta sociedade visionária, coerente com a natureza humana:     “A  harmonia  universal,  de  que  o  liberalismo  seria  a  expressão,  resolvia  todos  os  conflitos  e  anulava  as  desigualdades, ou compensava‐as pela caridade esmoler; tal é o sentido dos enredos sentimentais de Júlio  Dinis, que conduzem sempre ao nivelamento de dois enamorados económica e socialmente desiguais; (...).  Assim se transpõe ao plano doméstico toda uma filosofia política. (...)” (Óscar Lopes e A. José Saraiva  (1996) História da Literatura Portuguesa. pp.807‐808). 

  As narrativas de Júlio Dinis constituem uma visão realista da complexidade da vida social portuguesa do  seu tempo. Os conflitos que eclodem entre as personagens correspondem aos conflitos ideológicos ou de  classe que elas representam, retratando uma realidade em mudança devido à ascensão dos novos valores  burgueses. Já a solução que preconiza para esses antagonismos é optimista e utopicamente romântica, pois  são  as  superiores  qualidades  das  personagens  que  possibilitam  a  sua  transição  de  uma  classe/estatuto  social para outra(o) sem criar rupturas, ultrapassando conflitos previamente existentes.  Num  período  histórico  marcado  por  profundas  mutações  sociais,  Júlio  Dinis  acredita  com  idealismo  romântico acentuado, e numa atitude pedagógica e moralizadora que cariz realista, na capacidade de auto‐ regeneração do Homem, na possibilidade da mudança individual em articulação dialéctica com as alterações  sociais.  No  romance  Os  Fidalgos  da  Casa  Mourisca,  o  casamento  entre  Berta  e  Jorge,  ou  melhor,  entre  a  burguesia  rural  em  expansão  e  a  aristocracia  rural  decadente,  simboliza  o  ideal  social  de  Júlio  Dinis  –  a  fusão, numa espécie de nova aristocracia, do trabalho, da riqueza, da ilustração e da nobreza:     “Os  romances  de  Júlio  Dinis  revelam‐nos  um  vivo  e  comovente  desejo  de  harmonização  universal,  uma  veemente  vontade  de  conciliação  dos  contrários  de  que  o  autor,  utópica  e  romanticamente,  acredita  ser  expressão a sociedade liberal em vias de construção ou sedimentação. [...] Se a solução encontrada por Júlio Dinis  para  os  conflitos  que  avassalavam  o  mundo  seu  contemporâneo  é  romântica,  utópica  e  optimista  e  não  foi  confirmada  pelas  forças  da  História,  esse  facto  não  invalida  a  parte  de  verdade  humana  e  social  da  sua  obra,  assim como o forte contributo para a criação do romance moderno entre nós.” (Á. M. Machado (1996). Dicionário  da Literatura Portuguesa. p.168) 

   


E foi ssobretudo como um dos fu undadores do o romance moderno que Júlio Dinis gan nhou o seu esspaço  n História  da  na  d Literatura  Portuguesa.  Apontado  como  um  auttor  de  transiição  entre  o  Romantismo o  e  o  R Realismo,  o  autor  a portuen nse  conseguiu u  uma  aliançça  perfeita  en ntre  estas  duas  correntes..  Do  Romantismo,  h herdou uma v visão idealista e maniqueísta da realid dade, uma im magem idílica  da vida ruraal, a concepçãão de  p personagens  d mulher,  a  mitificação  do  d trabalho  como  c excepcionais,  uma  visão  angelical  e  deserotizada  da  f fonte de todo o o bem, as so oluções harmoniosas para os conflitos ee a emergênccia de um narrrador que dialoga  c com o leitor, a aconselhando o‐o, explicand do as acções d das personaggens, julgando o.  A  suaa  concepção  do  romance,,  inquestionaavelmente  moderna,  avan nça  já  algunss  pressuposto os  do  r romance real ém da função o moralizadorra e didácticaa já apontadaa anteriomente, constatam mos a  ista. Para alé s preferênccia  por  temááticas  contem sua  mporâneas  e  a  apreensão o  da  sociedad de  como  palcco  de  conflittos,  o  r recurso  a  perrsonagens‐tip po,  criando  uma  u galeria  de  d tipos  sociaais  da  época,,  o  uso,  nos  diálogos,  de  uma  linguagem pró ópria da oralidade e adeq quada ao perfil das person nagens, a perrseguição do  efeito de reaal e a  v valorização  da  componen nte  descritivaa  indispensávvel  ao  processsamento  daa  “análise  do os  caracteress”,  da  c criação de atm mosferas, da crítica social, fundamentais para a criaçção de uma ló ógica causalissta.    De facto, há, em JJúlio Dinis, um ma preocupaação extrema com a descrrição de amb bientes, sobreetudo  s sociais,  de  intteriores  dom mésticos  que  ajudam  a  caracterizar  as  personagenss,  de  cenas  do  d quotidiano,  de  h hábitos  e  cosstumes,  sobre etudo  rurais,,  de  reflexõees  e  pensameentos  íntimoss  das  person nagens  (relato os  de  s sonhos, monó ólogos interio ores, desenho os involuntáriios, associaçõ ões de ideias  na mente daas personagen ns), o  q que o aproxim ma do modelo da novelísttica inglesa d da época (Dickens, Jane Austen, Goldsm mith, Richard dson),  q que claramen nte o influencciou. Por isso o, nos seus ro omances a accção encontraa‐se subordin nada à descriçção e  a ao romance “ “de imaginaçãão”, que expllora históriass de terror e m mistério, procurando pren nder a atençãão do  leeitor  atravéss  da  rapidez  e  do  inespeerado  das  peripécias,  op põe  Júlio  Din nis  a  lentidão  da  narrativa,  a  v valorização do o comum e a verdade cuid dadosamente averiguada.     O privilégio que dá à narrativa amorosa permite‐lhe a descoberta   dos mecanism d mos psicológicos das perso onagens, quee, nos seus romances, e   reflexo  de  um ma visão optimista da na atureza huma ana, nunca são s vis. A   Júlio  J Dinis  repugnavam  os “indivíduos  caracterizadamentee  maus”, 

  ssentindo‐se n no direito de os excluir doss seus romances, de “cond descender    c com  os  seuss  prazeres”.  Na  sua  persspectiva,  a  natureza  hum mana  seria    s sempre boa e e educável em m potência.    E  a  faamília  assum me,  em  Júlio  Dinis,  o  papeel  central  na  (re)educação  dos  indivíd duos,  em  esp pecial  d devido à influ ência das figu uras femininaas, que promo ovem a harm monia, a recon nciliação entree personagnees em  c conflito e o am madurecimen nto das figuraas masculinas.   Aliás,  a estrutura  habitual dos  seus romancces assenta n na narração d de histórias de gente simp ples e  b boa,  de  caraccteres  que  vivem  v confrontos  motivad dos  sobretud do  por  difereenças  de  estatuto  social e  de  h histórias  de  amores  dificcultados  pelo os  diferentess  estatutos  sociais,  s mas  posteriormeente  superad das  e  t terminando  e casamenttos  felizes  qu em  ue  resolvem  de  d forma  opttimista  e  harrmoniosa  as  suas  s divergên ncias,  s superando os  desequilíbrio os de classe, eeducação ou temperamen nto.   Num  estilo  leve  e  e sóbrio,  oriiginal  na  liteeratura  de  en ntão,  descrevveu  de  form ma  ímpar  quaadros  d domésticos e  maioritariam mente rurais ((à excepção d de Uma Famíília Inglesa), d de que os contos de Serões da  P Província (187 70) são o melhor exemplo. 


E  é  precisamente  p num  espaço o  rural  que  decorre  a  intrriga  de  As  Pu upilas  do  Sen nhor  Reitor,  o  o seu  p primeiro roma ance, publicaado em 1867, depois de, no ano anterio or, ter sido pu ublicado em ffolhetins no JJornal  d do Porto. Foi  um sucesso  imediato, suscitando crítiicas muito favoráveis. Aleexandre Herculano  chamo ou‐lhe  m mesmo o prim meiro romancce do século ee considerou Dinis o maio or talento da ggeração mod derna. Outra p prova  d desse  sucesso o  é  o  facto  de  o  romancee  ter  sido  de  imediato  adaaptado  ao  teeatro,  numa  versão  v de  Ern nesto  B Biester. 

        As Pupilas do  A Senhor Reito or. Aguarelas d de Roque Gam meiro.    Por raazões de saúd de, Júlio Diniss instalara‐se em casa da ssua tia Rosa ZZagalo Gomess Coelho, quee vivia  n no Largo dos  Campos, em Ovar. Foi durrante essa estadia que con ntactou de peerto com o m modo de vida rural,  e ambiente e r recriando ess em As Pupilass do Senhor R Reitor e nos sseus romancees campesino os (por exemp plo, a  p personagem d da tia Doroteia de A Morgadinha dos Ca anaviais foi in nspirada na sua tia).   No  seeu  primeiro  romance,  r Júlio  Dinis  faz  uma  reconstittuição  pitoressca  e  algo  po oética  do  viveer  no  c campo e do d desequilíbrio provocado peela chegada d de Daniel, o ffilho de José d das Dornas reegressado à aaldeia  a após concluir  os estudos de Medicina.   É  evid dente  a  influ uência  do  Viigário  de  Wa akefield,  de  Goldsmith,  e  e de  O  Páro oco  da  Aldeia a,  de  H Herculano, so obretudo na ccaracterização de personaagens, de ambientes ruraiis e da bondaade do reitorr e de  João  Semanaa,  o  velho  médico,  m que  servem  na  perfeição  p o  propósito  dee  pregar  uma  moralizaçãão  de  c costumes pela a vida rural e pela influênccia de um clerro convertido o ao liberalism mo.  As  peersonagens  ru urais  são  apreesentadas  no o  seu  viver  qu uotidiano,  marcado  pelas  estações do o  ano,  p pelas  tarefas  agrícolas  e  pelas  p festas  das  d colheitas  e  religiosas.  A  maledicência,  a  beaticee,  a  hipocrisia  e  o  c conservadoris smo  das  populações  rurrais  são  visttos  com  algguma  benevo olência,  desccrevendo‐se  tipos  s sorridenteme m na órbita dee Margarida ee Clara, desaju ustadas do m meio campesin no.   nte caricaturais que giram d mentalidaade  citadina,  impulsivo  e  e mulherengo o,  relaciona‐sse  com  elas  num  Danieel,  o  jovem  de  e enredo  amorroso  triangular  que  geraa  boatos  e  uma  situaçãão‐limite  quee  leva  Marggarida,  sensaata  e  m moralmente s superior, a saacrificar a suaa reputação p para salvar a  da irmã e evvitar o conflitto entre os irmãos  P Pedro e Danie el. No final do o romance, o o desequilíbrio o provocado  pelo regresso o de Daniel será resolvido o pelo  s seu casament to com Margarida, que o  “regenera”, ttornando‐o m melhor e convvertendo‐o ààs virtudes daa vida  r rural.  Sobree As Pupilas d do Senhor Reittor, escreveu Eça de Queirrós, em As Farpas:   


“Um ssó livro seu, um m romance, fezz palpitar forteemente as curiosidades simp páticas – As Pu upilas do Senho or  Reitor. Essse livro fresco,, quase idílico, aberto sobre largos fundos de verdura, haabitado por criiações delicadaas  e  vivas  –  – surpreendeu u.  Era  um  livrro  real,  apareecendo  no  meeio  de  uma  liiteratura  artifficial,  com  um ma  simplicidaade verdadeira, (...). Era um livro onde se iaa respirar.”      

Em 18 868, é publicado Uma Fam mília Inglesa, o único rom mance que não se passa em m meio rural,, mas  s no  Porto..  Foi  o  prime sim  eiro  romance  a  ser  escrito o,  entre  1858 8  e  1862,  ten ndo  aparecido o  inicialmentte  em  f folhetim, com m o nome Uma Família de Ingleses. A intriga põe em confronto du uas famílias –– os Whitesto one (o  p pai, homem d de negócios e e viúvo, e os sseus filhos – JJenny, mulher‐anjo que deesempenha fu unções maternais,  e e Charles, est touvado e dad do à boémia  portuense daa época) e a  família de Manuel Quintin no, empregad do de  e escritório  doss  Whitestone e,  viúvo  com  uma  filha,  Cecília,  ela  tam mbém  mulheer‐anjo,  embo ora  dada  a  alguns  “ “desvios”  com mportamentaais.  Cecília  e  e Charles  ap paixonam‐se  e  depois  dee  várias  perripécias  casam‐se,  u ultrapassando o as situaçõess de conflito eexistentes.    Os filhos são as peersonagens p principais. Jen nny vela pela  harmonia familiar    e promove a  e resolução do os conflitos so ociais de classses distintas  simbolizadass pelo    pai  p e  Manuel  Quintino.  Os  O pais,  assim m  como  as  ou utras  personaagens  secund dárias,    dificultam e r d retardam os aavanços dos aamores de Ceecília e Charlees. Mais uma vez, a    família  f surge  como  “lugar  íntimo  e  naatural  das  peersonagens”  (Helena  ( Carvvalhão    Buescu)  B e  o  o casamento  como  reco onstituição  eq quilibradora  e  reguladorra  do    equilíbrio  e e  bem‐estar.  Por  isso,  são o  minuciosamente  descrritos  as  casaas,  os    quartos, as sa q alas de convívvio e as tarefaas domésticass.    bém os ambie entes sociais ssão descritos ao pormenor (a Bolsa do Porto, o Caféé Águia d’Ourro e o  Tamb B Baile), aprese ntando cenass reveladorass do mundo d dos negócios, das diversõees e convívioss da alta burgguesia  d de origem e h hábitos civilizaacionais ingleeses, da pequ uena burguesia e dos assalariados, conttribuindo parra um  r retrato  realistta  da  vida  po ortuense,  suggerido  já  no  subtítulo  “Ceenas  da  Vidaa  do  Porto”,  em  que  o  en nredo  s sentimental s erve, em gran nde parte, dee pretexto.   urais  apareceem  associado os  a  momento os  de  reflexãão  e  auto‐anáálise.  Júlio  Dinis  é,  Já  os  espaços  natu a aliás,  o  primeeiro  escritor  português  qu ue,  descrevendo  interiorees  ou  cenas  ao  ar  livre,  as  a integra  co om  as  verdadeirass  atmosferas  que  fazem  corpo  com  elas.  Percorre  o  espaço p personagens,  o  psicológico o  das  p personagens,  recorrendo aao monólogo o interior, à aanálise psicológica proporrcionada pelo o relato de so onhos  o pela  escrita/desenho  automáticos  de  Charles,  pelos  mecaanismos  de  associação  ou  a de  ideias,  ou  pela  enny com o rretrato da faleecida mãe.  c conversa de J  Em 18 868, é també ém publicado  o romance A A Morgadinha a dos Canavia ais, que    já  uma  maior  diversidade  a apresenta  d d caracteress  e  de  temas,  uma  vez  qu de  ue  nele    e encontramos  uma  críticca  de  costu umes  bastan nte  pertinentte,  para  aléém  da    p problemática  político‐sociial.  O  esqueema  narrativo o  é,  contudo o,  o  habituaal:  uma    h história  passaada  na  aldeiia,  onde  se  destaca  umaa  figura  fem minina,  Madalena,  a      “ “morgadinha” ”,  que  verá  a  paz  e  harmonia  rural  perturbadaas  pela  chegada  de    H Henrique, o c citadino de visita ao camp po que, em co ontacto com  Madalena, se torna  Versão cinemattográfica de A    Tam m melhor.  mbém  aqui  o  o equilíbrio  é  reencontrrado  pelo  caasamento  do os  dois  Morgadinha dos Canaviais    p protagonistas s.  (1949).


Em 18 870, é publicaada a colectânea Serões da a Província, cconstituída po or contos e no ovelas, entrettanto  s saídos, em fo lhetins, no Jo ornal do Porto o. Nas suas n narrativas, encontramos, d de novo, flagrrantes poéticos da  v vida rural e qu uadros tocanttes das vivências domésticcas.    Em  1869,  o  agravvamento  da  sua  s doença  obrigara‐o  a  passar  algun ns  meses  na  ilha  da  Mad deira.  A Achando‐se  m melhor  voltou u  ao  trabalho o  na  Escola  Médica,  M mas  poucos  messes  depois  teve  de  regresssar  à  M Madeira, ocu pando‐se com m a redacção o de Os  Fidallgos da Casa  Mourisca, qu ue viria a público, em 187 71, já  d depois da sua a morte. O rom mance marcaa uma nova faase, pois ocorrre uma inten nsificação da acção noveleesca e  d da presença d de elementos intrigantes o ou espectrais.       A intriga asse A enta nas relaçções entre du uas famílias –– a do fidalgo o arruinado ee seus    filhos Jorrge e Mauríciio e a do seu u ex‐caseiro, e agora lavraador, Tomé d da Póvoa e de sua    filha Bertta, mulher‐an njo e educadaa.    Berta  B e  Jorge  apaixonam‐sse,  mas  a  suaa  relação  é  dificultada  d po or  Maurício  e  e pela    diferençaa de estatuto o social. No final, e como h habitual, tudo o se resolve h harmoniosam mente    com  o  casamento  c en ntre  o  filho  do  fidalgo  e  e a  filha  do  ex‐caseiro.  No  entanto,  este    casamento encerra em m si, simboliccamente, umaa proposta ideealista, central na obra dee Júlio    da nova burguesia rural co om a velha aaristocracia deecadente, criiando  Dinis – a da aliança d   uma novaa aristocraciaa culta, moderna, empreen ndedora e mo oralmente superior.    Tamb bém  postumaamente  foram m  publicadass  as  obras  Poesias  (1873 3),  Inéditos  e  e Esparsos  (1 1910),  C Cartas e Esbo ços Literárioss (1940) e Tea atro Inédito (3 3 volumes, 19 946/47).    Senho or de uma lin nguagem fluid da, elegante  e sem grandes excessos,  Júlio Dinis caaptou e descrreveu  d forma  eleggante  ambien de  ntes  e  atmossferas  e  retraatou  a  psicolo ogia  de  perso onagens  que,  na  sua  aparente  leeveza e singeeleza, simbolizzam um certo o Portugal soccial, político ee religioso.   Simultaneamente,  deixou  na  sua  s obra  um  desejo  (por  muitos  visto o  como  ingén nuo)  de  harm monia  s social, que co onciliasse os vvalores da vellha aristocraccia decadentee com os valo ores burguesees, representaantes  d de um novo e espírito saído da revolução o liberal, símb bolo de prosperidade e de modernidadee para Portuggal.      

     


Biografia de Júlio Dinis