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Cidadania

Marcha da Defesa Animal reúne 150 pessoas na Praça José Bonifácio, em Piracicaba. Página 11

Profissão

Cesar Pedrozo

Uma profissão que exige respeito, seriedade e, sobretudo, paixão O dia-dia de um médico veterinário é tão atribulado, que alguns profissionais até perdem o sono, preocupados com o estado de saúde de seus pacientes. Em nove Saúde de setembro, comemora-se o Dia do Médico Veterinário e o Jornal Mundo Animal acompanhou bem de perto o trabalho de dois especialistas, que mesmo cansados, O direito de atendiam todos os bichinhos com brilho no olhar. Páginas 08 e 09 balançar a Arquivo

cauda.

Página 04

Superação

Um exemplo que já não está mais entre nós. Página 13 Vida Selvagem

Sabia que os répteis também sentem frio? Página 12 Pet Marketing

O fortalecimento do mercado pet no varejo. Página 03


Jornal Mundo Animal / 02

Opinião

Uma pergunta inconveniente Durante o segundo mês na escola de enfermagem, um professor deu um questionário. João era bom aluno e respondeu rápido todas as questões até chegar à última, que era: - Qual o primeiro nome da mulher que faz a limpeza da escola? Sinceramente, isso parecia uma piada. João já tinha visto a tal mulher várias vezes, era alta, lá pelos 50 anos, mas como ele iria saber o primeiro nome dela? Ele entregou o teste, deixando essa questão em branco. Pouco antes do término da aula, um aluno perguntou se a última pergunta do teste iria contar na nota. - É claro! Na sua carreira, você encontrará muitas pessoas. Todas têm seu grau de importância. Elas merecem sua atenção, mesmo que seja com um simples sorriso. João nunca mais esqueceu essa lição e também acabou aprendendo que o primeiro nome dela era Dorothy.

Arquivo

Um olhar que diz tudo Nove de setembro. Esse é o dia deles. Daqueles que optaram por fazer o que amam e o fazem a qualquer hora, sem reclamar do desgaste físico ou emocional. A recompensa passa longe da remuneração. Ela está no olhar de agradecimento dos bichinhos, que parecem entender, tacitamente, tudo o que foi feito por eles. Em homenagem ao Dia do Médico Veterinário, o Jornal Mundo Animal acompanhou bem de perto o corre-corre de dois especialistas de Piracicaba (SP), Marina Cambraia Cleto e José Plínio Sorde Paschoal, e traz uma reportagem de duas páginas sobre os anseios e as dificuldades da categoria. Além disso, o periódico contará a história da cadela Lana, que perdeu o movimento das patas traseiras e encarou a cadeira de rodas como um divertido brinquedo até o fim da vida, deixando um exemplo de superação a todos nós. Você também vai ver que o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) proibiu e ampliou o rigor das punições aos profissionais que realizarem o corte de orelhas e de caudas em cães, que não é recomendado desde 2008. E também a Marcha da Defesa Animal, que aconteceu em mais de 200 municípios brasileiros e contou com a participação de 150 pessoas na Praça José Bonifácio, em Piracicaba (SP). Desejamos, como sempre, uma boa leitura a todos!


Jornal Mundo Animal / 03 Pet Marketing Sérgio Lobato

- soluções em Pet Marketing www.sergiolobato.blogspot.com

O fortalecimento do mercado pet no varejo Divulgação

A dica mais importante para a conquista de consumidores no mercado pet é fazer o que gosta. Só dessa forma os clientes também vão gostar do seu trabalho e valorizá-lo. Vamos aprender a crescer de forma sustentável? Muitos profissionais do mercado pet reclamam que os proprietários de animais de estimação não dão valor ao trabalho feito por

eles em petshops, clínicas e salões de banho e tosa, que só sabem pedir preços menores, que não reconhecem a qualidade dos produtos e a técnica empregada.

Isso é uma realidade! Um vício comportamental do consumidor de serviços destinados ao mercado animal, que não surgiu ontem e que é baseado em um somatório de situações que o próprio mercado criou. Vamos fazer um meia culpa? Quando queremos vender um produto, temos que ter total conhecimento deste produto, não temos? Mas e a venda de serviços, como uma tosa? Um banho? Como vendê-los? Um bom começo seria estar a par de todas as etapas e pré-requisitos necessários para a realização dos mesmos. Conhecendo todo o procedimento de ponta a ponta, seria o mínimo para iniciar o processo de venda de todo o processo, mas saber entregar esse serviço de uma forma especial foi algo que não se deu muita importância na nossa formação profissional nos últimos anos, mas tem se tornado o grande diferencial de mercado. A percepção dos clientes é um território livre para a ação dos profissionais que realmente gostam do desafio de estar a frente de um processo de negociação, mas também de desco-

berta de necessidades e desejos de seus clientes, pois essa ação diferenciada será capaz de atrair e manter seu cliente próximo a você. É o que chamamos de valor agregado, valor percebido pelo cliente como o algo a mais que faz com que ele perceba os benefícios que estavam, de certa forma, ocultos pela mecânica de um atendimento seco. Mas como fazer isso? Seguindo alguns passos básicos, como a manutenção da higiene e da limpeza do local de trabalho, a apresentação pessoal adequada, o uso de uma expressão cordial, a explicação do trabalho passo a passo, a paciência, a diferenciação dos produtos e das técnicas utilizados, a inovação, o fornecimento de promoções, o controle de custos e ofertas etc. Porém, o mais valioso conselho seria buscar a valorização profissional, o orgulho em ser profissional do mercado de produtos e serviços para animais de estimação, pois se você não gostar do que faz em seu dia-dia, será muito difícil convencer outros a gostarem de seu trabalho, não é mesmo?


Jornal Mundo Animal / 04

Saúde

O direito de balançar a cauda Médicos veterinários que realizarem amputação de cauda e de orelha em cães por motivos estéticos podem sofrer advertência ou, até mesmo, ter o diploma cassado. A prática não era recomendada desde 2008, mas o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) proibiu e ampliou o rigor das punições recentemente Cinthia Milanez No canil que reproduz apenas rottweilers para venda em Piracicaba (SP), o corte de cauda nos filhotes deixou de ser praticado antes mesmo da recomendação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em vigor desde o ano de 2008. É o que afirma o simpático casal, Giselda Beraldo Siqueira e Alef Acerbi Siqueira, proprietários do local. De acordo com eles, até hoje alguns clientes exigem o corte do membro em questão. Porém, o casal os orienta sobre a proibição e não o faz de maneira alguma. O estabelecimento abriga 30 cães e três maternidades em 25 baias. Além de filhotes da raça rottweiler, o procedimento costumava ser feito em dobermans, pinshers, pitbulls, poodles e filas. A médica veterinária, Juliana Scheffauer, informa que sempre foi contra essa prática. Isso porque ela se apresenta desnecessária para a garantia da qualidade de vida dos bichinhos.

Arquivo

A amputação de cauda e de orelha em cães agora é proibida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Os profissionais que a praticarem podem sofrer advertência e perder o diploma. “Acredito que amputar parte de um animal por estética é inadmissível e o investimento pode ser em outras prioridades, como vacinas, vermifugações, alimentação de qualidade e outros”, explica.

Segundo Juliana, a cauda é uma extensão da coluna vertebral dos cães e possui pequenas vértebras constituídas por inúmeras terminações nervosas. Logo, é uma parte muito sensível e imprescindível para

a comunicação dos bichinhos. “Através da cauda, o animal pode demonstrar alegria, felicidade, raiva, agressividade e dominância. Sem a cauda, como se expressar?”, acrescenta. Entretanto, a amputação é necessária apenas para tratamento de problemas de saúde, como tumores e acidentes que desencadeiam traumas, fraturas e sangramentos. A médica veterinária acredita que a amputação dos membros por motivos estéticos ainda é realizada em regiões mais carentes, dada a falta de informação. O procedimento feito em casa, por exemplo, causa dor e sofrimento aos filhotes, além da possibilidade de infecção e de inflamação por conta do uso de materiais inadequados. “Nunca presenciei complicações por corte de cauda ou de orelha em casa. Talvez esse tipo de atendimento seja mais comum em regiões mais carentes. Isso ainda é mais grave do que aquele realizado nas clínicas”, conclui.


Jornal Mundo Animal / 05 Veterinário da Fazenda Paulo Moreira - médico veterinário

www.facebook.com/CenterVetRc| Center Vet Veterinária : (19) 3533 - 2209

Onças e pecuária: um desafio no Pantanal Divulgação

Na foto, uma onça pintada, que é o maior carnívoro do Brasil e o terceiro maior felino do planeta. A convivência entre onças e humanos nas áreas rurais sempre foi um grande desafio. Esses animais são predadores e não costumam ser bem vistos no campo, principalmente em regiões pantaneiras, já que costumam se alimentar daquilo que deve-

ria ser alimento exclusivo de gente: o gado doméstico. A onça pintada é o maior carnívoro do Brasil e o terceiro maior felino do planeta, podendo chegar a dois metros e meio de comprimento, entre a ponta do nariz e a cauda, 80 cen-

tímetros de altura e até 150 kg. Como são grandes, as onças preferem presas grandes, que podem ser antas, veados, porcos do mato, capivaras, tamanduás, tatus, bichos-preguiças e jacarés. Apesar dessa extensa lista de alimentos, é frequente o ataque de onças a criações de gado, pois é uma caçadora oportunista. Mas, afinal, como conviver de forma pacífica com estes animais, preservando a criação de gado? Muitos trabalhos têm sido realizados através de ONGs para diminuir a intolerância às onças e promover o compartilhamento de florestas, cerrados, campos e pastos do nosso país. Os ataques realizados por esses animais tendem a aumentar à medida em que as áreas de pastagens crescem acompanhadas de desmatamento, caça e diminuição das presas naturais. Embora represente um problema aos pecuaristas, é importante ressaltar que as mortes causadas por onças são em pequeno número quando se analisa

o contexto como um todo. A maioria das perdas deve-se a doenças, problemas no parto, picadas de cobras, afogamentos e desnutrição. Deixo aqui algumas dicas para conviver bem com as onças: não permitir caça de presas naturais das onças; não caçar onças; utilizar cercas para evitar que o gado entre na mata; construir reservatórios de água longe da mata, retirar vacas prenhas e bezerros da proximidade das matas; colocar cercas elétricas ao redor de pastos utilizados como maternidade; pendurar sinos em alguns animais do rebanho; recolher os animais nos mangueiros e iluminá-los; estabelecer períodos de monta (cruzamento) curtos, reduzindo o período de partos; desfazer-se de forma adequada de corpos de animais mortos por outras causas, pois a carne atrai os felinos; manter o controle e o registro de óbitos e suas causas. Entretanto, se o problema estiver muito frequente, procure orientação.


Jornal Mundo Animal / 06

Passatempo Animal


Jornal Mundo Animal / 07 Acqua Mundo O maior aquário da América do Sul

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Enseada Guarujá (SP) | (13) 3398 - 3000 | (13) 3379 - 2708

Ele tem patas, anda, pesca e é um peixe! Divulgação

O peixe-pescador camuflado em busca de uma presa. Esses peixes pertencem a uma família de peixes primitivos da época do Eoceno (Período Paleozóico), conhecida como Lophiformes. São carnívoros vorazes, alimentando-se de pequenos peixes e crustáceos,

que são atraídos para sua gigantesca boca. Aliás, dizer que são atraídos até está errado. Na verdade, são pescados com vara, linha e isca. Isso porque todos esse animais apresentam a transformação do primeiro raio da

nadadeira dorsal em vara de pesca e isca. Hoje, conversaremos sobre o mais fofinho dos Lophiformes, o peixe-pescador (Antennarius multiocellatus). Uma das suas características interessantes é a modificação de suas nadadeiras peitorais e pélvicas, que passam a parecer pequenas patas, permitindo ao peixe-pescador caminhar sobre o substrato, ao invés de nadar. Alguns autores sugerem a evolução dos anfíbios a partir desse ramo de peixes primitivos. O grupo é exclusivo de ambiente marinho e está presente em todos os mares tropicais e sub-tropicais, com exceção do Mar Mediterrâneo. O peixe-pescador é também um mestre na camuflagem. Para passar despercebido no seu ambiente, seu corpo globoso possui dobras de pele semelhantes a algas e outras estruturas, o que permite ao peixe-pescador se camuflar. Suas cores, que podem ser muito vivas, indo do branco acin-

zentado até o vermelho vivo, os torna parecidos com as esponjas marinhas. Vamos então imaginar a seguinte cena: você é um pequeno peixe e com as preocupações típicas de um pequeno peixe. Comer e fugir do seu predador. Está nadando junto às pedras, beliscando aqui e ali. Percebe ao seu lado uma esponja marinha cor de laranja. Ops, o que é isso? Um pequeno peixinho dando mole, nadando para cima e para baixo. Tudo o que você esperava, não é? Errado. Ao lado da esponja está o Antennarius, todo camuflado. Quando viu você chegando, começou a se deslocar bem lentamente, se posicionando para ficar de frente para você e já começou a balançar a isca na ponta do raio transformado. É, de repente ficou tudo escuro, né? Pois é, você está dentro da barriga do peixe-pescador. Gostou da estória? Venha conhecer esse peixe estranho e muitos outros no Acqua Mundo!


Jornal Mundo Animal / 08

Profissão

Uma profissão que exige respeito O dia-dia de um médico veterinário é tão atribulado, que alguns profissionais até perdem o sono, preocupados com o estado de saúde de seus pacientes. Em nove de setembro, comemora-se o Dia do Médico Veterinário e o Jornal Mundo Animal acompanhou bem de perto o trabalho de dois especialistas, que mesmo cansados, atendiam todos os bichinhos com brilho no olhar Arquivo

O Dia do Médico Veterinário é comemorado em nove de setembro. Entretanto, a profissão deve ser reconhecida e valorizada todos os dias do ano.

Cinthia Milanez O dia nem havia amanhecido, mas Marina Cambaia Cleto chegou bem disposta à clínica. Ela dormiu mal à noite, preocupada com o caso do cão Boris, que engoliu uma meia aos 45 dias de idade, passou por uma cirurgia complicada e agora é vítima de sinomose. O bichinho chegou bem cedo ao local, acompanhado pela atenciosa proprietária, Letícia Ravelli Maistro. Ela também passou a noite em claro, porque Boris convulsionava em intervalos de duas horas. Marina, ainda na porta do estabelecimento, tentava acalmar a família e explicava todos os detalhes da condição do animal. Questionada sobre as dificuldades da profissão, ela respondeu de maneira enfática: “normalmente, quando

criança, a gente brinca do que vai ser quando crescer e eu sempre brinquei de ser médica veterinária, minha vida é aqui”. Logo depois, Marina encaminhou Boris para a emergência e ministrou medicamentos pelo soro fisiológico. Ele dormiu feito um bebê e, mesmo assim, a especialista fazia visitas frequentes ao leito dele no decorrer da manhã. Entretanto, o bichinho não apresentou sinais de melhora e Marina teve de ter uma conversa séria com a família sobre eutanásia. Ela afirma que é muito difícil dar essa notícia aos proprietários e que, muitas vezes, chega a chorar junto a eles. “A eutanásia é um procedimento feito em último caso, para evitar o sofrimento dos animais e eu concordo com isso, por-


Jornal Mundo Animal / 09

Profissão

o, seriedade e, sobretudo, paixão que, acima de tudo, eu respeito eles e o que eu não quero para mim, eu também não quero para eles”, conta. O caso de Boris não é o único da clínica. Diante disso, Marina teve de engolir seco e assistir aos demais pacientes. O próximo atendimento foi ao cão Marmelo, que pertence ao abrigo do Cemitério de Animais de Piracicaba (SP). Ele passou por um procedimento rotineiro, de atualização da carteira de vacinas. Logo depois, a especialista atendeu a cadela Hannah, que estava com pneumonia há um mês. A proprietária dela, Valderez de Moura Freitas, também é médica veterinária, mas está aposentada. Ela se formou em 1965 pela Escola Nacional de Medicina Veterinária, no Rio de Janeiro (RJ), e foi uma das primeiras profissionais mulheres a trabalhar na Casa de Agricultura de São Paulo, subseção de Piracicaba (SP). “Na época que decidi estudar, mulher deveria ser dona-de-casa, enfrentei muito preconceito, mas qualquer coisa que me tirasse da medicina veterinária, eu resistia com lança-chamas”, explica com certo saudosismo.

Cinthia Milanez

A médica veterinária, Marina Cambaia Cleto, atendendo o Marmelo, que pertence ao abrigo do Cemitério de Animais de Piracicaba (SP). Na cozinha, estava José Plínio Sorde Paschoal, que é médico veterinário e proprietário da clínica que, prontamente, abriu as portas para a

reportagem deste periódico. Ele estava preocupado com o caso de Boris. De acordo com Paschoal, o filhote engoliu uma meia e passou por uma

cirurgia. Por conta desse quadro frágil, não pode receber a vacina contra a sinomose, que deve ser aplicada a partir dos 45 dias de vida, uma vez por mês, por quatro meses e, posteriormente, com reforço anual. “Nós propusemos a eutanásia à família, porque não temos mais o que fazer e não aguentamos ver o sofrimento do animal. A situação é difícil e, por mais que eu tenha muito tempo de profissão, é impossível deixar o emocional de lado”, confessa. Boris voltou a convulsionar e Paschoal foi atendê-lo. O bichinho, inconscientemente, latia, gemia, babava e defecava. A proprietária, Letícia Ravelli Maistro, desesperada, perguntou ao especialista se poderia tocar no animal. Ele respondeu de forma imediata: “passe a mão nele como nunca”. Esse foi apenas um dia de trabalho desses profissionais que amam o que fazem e tratam os bichinhos com o respeito que merecem. Tanto Marina quanto Paschoal concluem que o que faz tudo valer a pena é o olhar de agradecimento dos pacientes, que não falam, mas sentem.


Jornal Mundo Animal / 10 Patas Brasil Juliana Scheffauer

- médica veterinária www.facebook.com/CenterVetRc | Center Vet Veterinária : (19) 3533 - 2209

O que é o Centro de Controle de Zoonoses? Divulgação

Os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) são responsáveis também por programas de educação nas escolas. Há tempos os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ) carregam em seu histórico a fama de serem locais onde animais são abandonados e exterminados, o que não é verdade. Por esse motivo, nesta edição do Jornal Mundo Animal, resolvi esclarecer o que é o CCZ, suas funções e o quanto são importantes para a nossa saúde. Muito se ouve falar, porém a maioria da população não sabe o

que é o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) presente em seus municípios. O CCZ é um departamento existente em todas as cidades para auxiliar no combate a doenças que são transmitidas dos animais para o ser humano. Portanto, essa instituição não trabalha exatamente com animais e sim com as doenças que eles transmitem através de programas de prevenção. Conheça as ações dos Centros de Controle de

Zoonoses: Conscientização e combate à dengue: agentes de saúde realizam busca ativa de criadouros do mosquito transmissor em casas e no comércio; os agentes de vetores trabalham com a busca ativa em pontos estratégicos, como ferros velhos, borracharias, indústrias e realizam nebulização para controle epidêmico. Controle de animais peçonhentos: esses não transmitem doenças, mas representam um grande problema em saúde pública pelos acidentes que causam. Os Centros realizam identificação das espécies e orientam os moradores para ações preventivas. Morcegos e a transmissão da raiva: recolhimento, identificação e envio para análise. Quando encontrado um exemplar contaminado, é realizada vacinação em todos os animais da área e observação de animais e de humanos por dez dias. Vacinação antirrábica: realizada diariamente nos canis municipais e nas campanhas nos bairros e nas áreas rurais. Desratização: realizada gratuitamente através de raticidas aplicados nas residências após solicitação pelo telefone 156. Os agentes colocam as iscas em locais onde crianças e animais domésticos não têm acesso e voltam para monitoramento das mesmas. Esse trabalho também é realizado nos bueiros da cidade.

Controle do mosquito palha (leishmaniose): armadilhas que são montadas nas zonas rural e urbana, onde são identificados focos para o controle do mosquito juntamente com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). Controle de pombos, piolhos, carrapatos e caramujos africanos: esses animais têm atenção especial devido ao número de doenças que transmitem e à facilidade de multiplicação. Os agentes orientam sobre desinfecção de ambientes infestados e armadilhas para os caramujos com descarte correto. Educação da população: palestras em escolas, empresas, projetos, igrejas e outros a fim de prevenir diversas zoonoses e de divulgar a posse responsável de animais. Agora que você já conhece um pouco mais sobre o trabalho dos Centros de Controle de Zoonoses, pense como seria a saúde de sua cidade sem essas ações preventivas. Cabe a nós, população em geral, fazermos a nossa parte. Colaborarmos com a limpeza da cidade, além de seguirmos sempre as regras da posse responsável de animais de estimação. Assim, estaremos prevenindo doenças graves e, muitas vezes, fatais. Para finalizar, agradeço ao apoio de Solange Mascherpe, do Departamento de Informação, Educação e Comunicação do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), de Rio Claro (SP).


Cidadania

Jornal Mundo Animal / 11

Marcha da Defesa Animal reúne 150 pessoas na Praça José Bonifácio, em Piracicaba Com o objetivo de lutar contra os maus tratos àqueles que não conseguem se defender, a população de Piracicaba (SP) saiu às ruas no mês passado em uma manifestação organizada pela Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais (SPPA) Cinthia Milanez A população piracicabana saiu às ruas no mês passado com cartazes em punho, que diziam “Animal não é bandido para viver enjaulado”, “Aumento de pena para quem maltrata os animais! Nós apoiamos”, “Chega de indiferença!” e “Eu quero justiça! Eu não aguento mais! Cadeia para quem maltrata os animais!”. A Marcha da Defesa Animal aconteceu em mais de 200 municípios brasileiros. Em Piracicaba (SP), ela foi organizada pela Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais (SPPA) e contou com o apoio da população, da Vira Lata Vira Vida e do Zoológico. De acordo com a presidente da SPPA, Cristiane Naval Filletti, o objetivo é

Cesar Pedrozo

Sob as notas da Banda Sinfônica da Escola de Música de Piracicaba Maestro Ernst Mahle, manifestantes em prol da causa animal se reuniram na Praça José Bonifácio no mês passado. lutar em prol de uma legislação mais rigorosa, uma vez que a Lei 9605/98 prevê apenas a detenção de três meses a um ano e multa àqueles que

praticarem ato de abuso ou de maus tratos a animais domésticos, nativos ou exóticos. “A gente quer que essa pena seja aumentada para três a oito

anos de detenção, porque só dessa forma a pessoa realmente ficaria na cadeia”, explica. Cristiane acrescenta que a manifestação foi organizada pelas redes sociais e 150 pessoas confirmaram presença no evento. Entre os participantes, estava a Vira Lata Vira Vida. Segundo uma das diretoras da instituição, Leila Choairy, a Marcha é importante não só para conscientizar a população, mas também para garantir a proteção e a qualidade de vida de todos os animais. “Nós somos contra a violência em qualquer âmbito, mas principalmente em relação aos animais. Então, eu acho que a união de todos é muito importante para a conscientização”, conclui.


Jornal Mundo Animal / 12 Vida Selvagem Nathalia Trevelin Sant’Anna- médica veterinária especialista em animais silvestres e exóticos

consultoriavidaselvagem@hotmail.com

Sabia que os répteis também sentem frio? Arquivo

A iguana é um exemplo de réptil. Durante o inverno ou se for submetida a baixas temperaturas sem cuidados, ela pode morrer. Portanto, o ideal é consultar um médico veterinário especialista, que passará orientações sobre o manejo dessa espécie. Animais de estimação não sabem falar que estão com frio e não são todos que usam roupinhas e cobertores. Por isso é importante protegê-los do frio e do ar seco do inverno. Os répteis também se tornaram pets populares nos últimos tempos. Portanto, proprietários de iguanas, tartarugas, jabutis, serpentes e afins também precisam ter atenção, porque a temperatura dos répteis é a mesma do ambiente e isso interfere diretamente em seu metabolismo. Embora esses animais demonstrem resistência, precisam de cuidados especiais para viver bem, especial-

mente no inverno ou em regiões com temperaturas mais baixas. Os répteis, de forma geral, são animais que aceitam bem o cativeiro, desde que suas exigências básicas sejam atendidas, como a boa alimentação, a temperatura adequada, a umidade, a higiene e o bom manejo geral. A temperatura e a umidade para esses animais são extremamente importantes. Uma vez expostos em condições inadequadas, dificilmente sobrevivem em cativeiro. Eles ficam imunodeprimidos e, assim, mais suscetíveis à doenças. Esses animais possuem um meta-

bolismo mais lento do que o dos mamíferos de mesmo tamanho corporal. A taxa metabólica é influenciada por muitos fatores, sendo que aumenta exponencialmente com o aumento da temperatura. Os répteis menores, todavia, possuem um metabolismo mais rápido que os maiores, mas isso também pode variar entre as diversas espécies. São conhecidos popularmente por animais de “sangue frio”, porém o termo técnico é ectotermia, ou seja, são ectotérmicos (exotérmicos/heterotérmicos), incapazes de gerar seu próprio calor. Dessa maneira, utilizam fontes externas - sol, iluminação artificial, pedras aquecidas, aquecedor - para regular sua temperatura corporal. Diante disso, toda a atividade metabólica dos répteis está limitada à temperatura ambiental. Durante o inverno os animais movimentam-se menos, o corpo tende a preservar suas reservas energéticas. Se as temperaturas caem demais, eles simplesmente param de comer, o metabolismo fica debilitado, aumenta o nível de estresse e eles podem morrer. Por isso, atenção: eles não estão hibernando, como a maioria das pessoas acredita. Os répteis brasileiros não hibernam. Se houver redução no apetite ou pararem de se alimentar, procure um médico veterinário especialista! Com isso, seguindo o raciocínio de que os répteis são ectotérmicos, devemos supri-los com calor e luminosidade específica. O aquecimento pode

ser fornecido através de placas, rochas e tocas aquecidas, lâmpadas de infravermelho, lâmpadas de cerâmica, aquecedores elétricos e exposição à radiação solar. Verifique se o aquecedor ou a fonte de calor mantém o terrário ou o aquário na temperatura e na umidade ideais para a espécie que você cria. Além disso, proteja os animais das correntes de ar. Confira se o lago está em temperatura agradável, que é entre 28ºC e 30ºC. Os animais que vivem em jardins precisam de uma toca aquecida. Posicione as fontes de calor de forma a criar zonas quentes e outras mais frescas, assim o animal pode controlar melhor a temperatura do corpo. Em dias ensolarados, propicie a eles banhos de sol. Além de regular a temperatura, os raios ultravioletas são fundamentais para metabolizar o cálcio e sintetizar a vitamina D. As principais doenças que acometem os répteis nessa época do ano são as respiratórias, associadas ou não às doenças carenciais. Outra situação bastante comum na clínica, são animais com queimaduras de pele, provocadas por produtos de baixa qualidade, sem manutenção adequada, ou ainda, instalado de forma equivocada. Portanto, deve-se sempre consultar um médico veterinário especialista para as devidas orientações quanto à distância entre o animal e a lâmpada, a quantidade e o tempo de exposição ao calor, a implantação de zonas de microclimas, as alterações de comportamento e as suspeitas de doenças.


Superação

Jornal Mundo Animal / 13

Um exemplo que já não está mais entre nós A cadela Lana, que apresentou um problema grave na coluna vertebral, perdeu o movimento das patas traseiras e encarou a cadeira de rodas como um divertido brinquedo, morreu há seis meses, mas deixou um exemplo de superação à família que tanto a amava Cinthia Milanez Lana nasceu no meio da arte. Sua proprietária, Silvana Pelissari, possui um ateliê de pintura na região central de Piracicaba (SP). Lá, a cadela passava o dia, acompanhava as aulas e recebia os clientes, sempre saltitante, na porta do estabelecimento. Aos 12 anos, ela apresentou uma grave lesão na coluna vertebral, que fez com que perdesse o movimento das patas traseiras. Diante da situação, Silvana foi aconselhada a sacrificar o bichinho. Entretanto, a ligação entre as duas era tão forte, que a proprietária fez de tudo para manter a qualidade de vida de Lana. Imediatamente, montou uma cadeira de rodas com MDF, ferros e até amortecedor de impacto. “No primeiro dia, ela já se adaptou à cadeira. Ela corria, comia, dormia e passeava na rua com o equipamento”, explica Silvana. Diante disso, a deficiência deixou de ser motivo de so-

Arquivo/Família Pelissari

A hiperativa cadela Lana, junto ao seu brinquedo preferido: a cadeira de rodas. Encarou a deficiência com serenidade, deixou boas lembranças e um exemplo de superação à família que tanto a amava. frimento. Muito pelo contrário, Lana utilizava a cadeira de rodas caseira como o mais divertido brinquedo que

já lhe foi proporcionado. Essa limitação nunca a impediu de continuar a rotina tanto no ateliê quanto na casa

de Silvana. Inclusive, na última viagem da família para a praia, a cadela teve o lugar garantido na diversão. “Quando fomos para a praia, até nos restaurantes ela entrava conosco. Os proprietários dos locais nunca a impediam de entrar, porque gostavam de ver a atitude que eu tinha com ela”, conta. Entretanto, em janeiro deste ano, aos 13 anos, Lana foi acometida por um câncer de pulmão e acabou deixando a família que tanto a amava. Silvana se lembra dos bons momentos que viveu com o bichinho e, com os olhos cheios de lágrimas, conclui: “ela me ensinou muita coisa, porque tudo o que aconteceu com ela fez com que eu me atentasse com a importância do respeito ao próximo, não só aos animais. Com certeza, a principal lição que aprendi foi essa questão da superação, de não desistir frente a mais implacável dificuldade”.


Jornal Mundo Animal / 14 Retrato Natural Luciano Monferrari

- observador de aves luciano.monferrari@retratonatural.com.br | www.retratonatural.com.br

Sua majestade, o rei dos pica-paus Fotos: Luciano Monferrari

Um pica-pau-rei macho rodeando o ninho, em Monte Alegre do Sul (SP). Imagine uma ave que dá até cem bicadas fortes por minuto sem ficar tonto ou ter dor de cabeça. Imagine que essa mesma ave é capaz de escutar o barulho das larvas de cupins, formigas e outros insetos se mexendo dentro do tronco das árvores. O bico, além de ser duro e pontudo, é fundido ao crânio, que por sua vez é muito espesso. Por isso, é muito difícil ele quebrar com o impacto. Os músculos do pescoço são muito resistentes e a língua grande se projeta por trás do crânio, reduzindo o impacto dos choques. Essas são características dos pica-paus, aves da família Picidae, e que têm o pica-pau-rei como seu maior representante no Brasil. Encontrar na natureza o pica-pau-rei é sempre muito especial. Não é uma ave fácil de ser avistada e quando isso acontece, sempre causa maiores movimentos e ansiedade por parte dos observadores. Em recentes experiências, tive a oportunidade de observar alguns ninhos dessa espécie, fato que até então não tinha acontecido. O primeiro que vi foi em Piraju (SP) em uma expedição realizada pelo Centro de Estudos Ornitológicos (CEO), quando olhando para um bu-

raco feito na árvore, saiu um macho fazendo muito barulho. Depois, em outra expedição realizada em Monte Alegre do Sul (SP), dessa vez organizada pelo Grupo de Interessados em Fotografia e Observação Ornitológica (GRIFOO), ouvimos um forte barulho na mata e rapidamente identificamos a espécie, que voou para dentro da mesma. Com duas pedras grandes bati em uma árvore oca, na tentativa de imitar seu tamborilar característico. A ação teve sucesso e logo ele estava por ali, atraído pelo barulho, rodeando e pulando de árvore em árvore, bicando fortemente cada tronco em busca de alimentos. Não demorou muito e entrou em um buraco feito em um tronco de uma alta árvore seca e pudemos identificar seu ninho. Ficamos ali por alguns minutos observando à distância seus movimentos. Por último, no Parque Estadual de Intervales, em Ribeirão Grande (SP), com um grupo de amigos, observei mais uma vez o ninho do pica-pau-rei e, nessa ocasião, uma fêmea se mostrou no ninho e logo saiu em busca de alimentos. Pica-pau-rei (Campephilus robusus) - É o maior pica-pau do Brasil,

Uma fêmea saindo do ninho, no Parque Intervales, em Ribeirão Grande (SP). destaca-se pela robustez, medindo 36 centímetros de comprimento, com peso médio de 200 gramas. De rara beleza, possui a cabeça e o pescoço vermelhos, o dorso creme, as asas e a cauda negras. O peito e o ventre são brancos, inteiramente barrados de finas faixas horizontais negras. O macho tem uma pequena mancha auricular preta e branca, enquanto a fêmea possui uma grande estria malar branca, vilada de negro. Assim como as demais espécies de pica-pau, ele possui um canto territorial, diversos chamados e uma música instrumental, o tamborilar. Ela é executada através de repetidos golpes do bico sobre a superfície de troncos secos ou ocos, substrato escolhido de maneira a proporcionar boa ampliação da sonoridade e alcance do ruído. Alimentação - Possui dieta insetívora, forrageando em árvores infestadas pelos mais variados tipos de insetos e de larvas. Martelam o tronco com força, perfurando a casca, e capturam as presas com a língua pegajosa de ponta afiada. A língua móvel é também adequada para lamber o sumo de frutas moles. Assim, embora úteis ao homem no controle de insetos e larvas nocivas à madeira, os pica-paus podem pro-

vocar alguns estragos em pomares. Reprodução - Utiliza troncos em ambientes florestais, cujas cavidades de árvores mortas ou com cerne enfraquecido pelos fungos ou queimadas, servem como nidificação, dormitório e abrigo. Seu período reprodutivo compreende os meses de agosto a novembro. Preferem cavar na face que se inclina para o solo, o que facilita a proteção contra a defesa da entrada, postando de dois a quatro ovos, com o casal se revezando no choco. Os pais costumam dormir junto à prole, sendo longa a permanência dos jovens dentro da câmara. O menor filhote frequentemente não sobrevive, sendo comum a predação de ovos e de filhotes por araçaris e tucanos. Hábitos - Para marcação de território ou para comunicação entre machos e fêmeas, usa a vocalização e, até certo ponto, também o tamborilar. Ao contrário da maioria das aves, ele não canta, mas solta um grito característico. Distribuição geográfica - Pode ser encontrado na Argentina, no Paraguai e no Brasil. Aqui, ele pode ser visto do estado de Goiás até o Rio Grande do Sul, passando por toda a região sudeste.



Jornal Mundo Animal - Setembro 2013