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10 · O POVO · 13 DE JANEIRO DE 2012

destaque Arte Crise Iniciativa Câmara Municipal surgiu de de umGuimarães grupo de amigos está2012 a epreparar já fazdados parte umestabilidade novo programação regulamento dapara Capital apoios Programa Dificuldades Cultural Situação Eventos económica da Guimarães das famílias esão falta de adaconhecer nos na próxima empregos semana. são Europeia sociais. Responsável da Cultura 2012 pela Divisão de Acção Social defende racionalização de recursos Dezembro os principais será motivos "ensaio dageral" quebra para do onúmero próximo deano partos

Número de nascimentos no Hosp tem vindo a diminuir Reportagem Juliana Costa

Unidade de saúde faz entre 2500 e 2700 por ano e sente a quebra da natalidade. Média há pouco mais de uma década situava-se próximo dos 4000 nascimentos. Ao longo da última década, o número de nascimentos no Hospital de Guimarães tem vindo a diminuir progressivamente. Esta é uma realidade que acompanha a tendência nacional e que parece que veio para ficar. O Hospital de Guimarães já registou quatro mil partos por ano. Ao longo de dez anos, este número veio baixando e chegou a 2516 nascimentos em 2011. Apesar da tendência nacional apontar para a diminuição de nascimentos, em Guimarães, nos últimos cinco anos, o número de partos tem oscilado entre os 2500 e 2700. “Houve um pico em 2008, mas pouco significativo, porque tivemos 2791 partos. A tendência, aqui, na minha perspectiva, é estabilizar. Vai também depender de alguma reestruturação do Serviço Nacional de Saúde. Provavelmente irão fechar algumas unidades hospitalares e poderão haver alguns deslocamentos de nascimentos de um hospital para outro”, prevê José Manuel Furtado, director do serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital. Certo é que, num futuro próximo, o número de nascimentos no Hospital de Guimarães não vai estar próximo daqueles registados há dez anos. “Esta diminuição prende-se, sobretudo, com questões sócio-económicas”, explica o responsável. E acrescenta que a estabilização prende-se com a própria fixação da população. “As condições estão estabilizadas. Passou-se daquela euforia da área têxtil, da indústria dos sapatos, que trouxe muita gente ao Vale do Ave”. Com a crise, “há uma fuga para outras áreas, onde os empregos aparecem com maior facilidade e, portanto, a população residente diminuiu, sobretudo na idade de procriação”, concretiza

José Manuel Furtado. Além de fazer adiar a procriação, as dificuldades socio-económicas têm ainda consequências no número de filhos por casal. De acordo com o director do serviço, hoje ter três filhos é mesmo incomum. Guimarães passou, assim, de uma zona onde a multiparidade era “enorme” para uma zona onde os casais têm, no máximo, dois filhos. Guimarães também acompanha a estatística nacional no que diz respeito ao sexo dos bebés. “Tradicionalmente, há um número maior de meninas, mas, nos últimos anos, tem havido, aqui, uma recuperação do sexo masculino”, revela o profissional. Ao contrário do que se verifica no número de partos, o número de interrupções voluntárias da gravidez, praticada na unidade vimaranense desde 2007, tem vindo a crescer. Em 2010, o hospital registou, nesta área, 476 primeiras consultas e 807 segundas. Até Novembro de 2011, contaram-se 465 primeiras consul-

área da Reprodução é “altamente diferenciada”. “Somos um dos 700 acreditados com autorização para a procriação medicamente assistida. O serviço é uma referência a nível nacional e regional”, concretiza. A área da Obstetrícia também é distinta. Engloba uma unidade de patologia materno-fetal abrangente, com consultas de diabetes, hipertensão e infecciologia. “Temos o centro do diagnóstico do pré-natal, que foi o primeiro centro do Norte do país que respondeu ao diagnóstico pré-natal, ao protocolo I, que é o rastreio de todas as grávidas da nossa área de residência. Foi um protocolo difícil de implementar pelo número de exames que se fazem e pela necessidade de apetrechar do ponto de vista técnico e humano os serviços. Mas nós correspondemos desde a primeira hora”, realça o especialista. Dentro de pouco tempo, avança, “vamos conseguir responder ao protocolo II, vamos fazer a chamada ecografia morfológica a todas as grá-

O Hospital de Guimarães já registou quatro mil partos por ano. Ao longo de dez anos, este número veio baixando e chegou a 2516 nascimentos em 2011. tas e 718 segundas, faltando contabi- vidas da nossa área”. Este trabalho do hospital tem vinlizar as do último mês do ano. “Não do a ser reconhecido por várias entiquer dizer que as pessoas que vêm à dades e pessoas individuais. “Fomos primeira consulta fazem a interrupescolhidos para a reunião dos Núcleção da gravidez, mas a maioria prosos de Diagnósticos Pré-Natal. Guisegue com a decisão”, esclarece o marães foi escolhido pelo reconheciresponsável. mento do trabalho que tem vindo a Apesar de tudo, o serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de desenvolver. Vários participantes, entre eles americanos, elogiaram-nos Guimarães é considerado, por muie fomos convidados para colaborartos, de alta qualidade. José Manuel Furtado fala num serviço “exemplar” mos com eles em estudos posteriores, o que nos deixou orgulhosos”, em muitas áreas. “É altamente difeexemplificou. renciado. Tem a Ginecologia, a ObsTambém o Sistema Nacional de tetrícia e a medicina de reprodução. Todas as áreas que envolvem a saúde Avaliação em Saúde (SINAS) atrida mulher têm resposta neste serviço. buiu o nível intermédio ao serviço de Obstetrícia e o nível de excelência à Na Ginecologia, além da Ginecologia geral, temos a área da Oncologia”, Ginecologia do Hospital de Guimarães. No primeiro caso, “temos de justifica. Além disso, “estamos diferenciados na área da Uroginecologia, melhorar a taxa de cesarianas, que já conseguimos diminuir, e de inducom resultados excelentes. Fazemos ções do trabalho de parto”. “Tem a colocação de 80 próteses urinárias que haver uma adaptação às normas por ano. A única lacuna que temos de qualidade. Estes dois indicadores é a mama, mas no hospital há outro serviço que resolve esse assunto e, prendem-se também com questões culturais que temos de alterar”, conpor isso, não faz sentido competir”. clui José Manuel Furtado. Segundo o director, também a

Serviço de Neonatologia tem a menor taxa de mortalidade de prematuros do país O Serviço de Neonatologia do Hospital de Guimarães apresenta a taxa de mortalidade neo-natal precoce mais baixa de Portugal. O distrito de Braga está abaixo da média nacional e o concelho apre-

senta ainda números ligeiramente inferiores à média distrital. A taxa nacional da mortalidade de prematuros é de 1,1 por cento, enquanto Braga mostra uma taxa de 0,8. Ao nível dos recém-nascidos de baixo peso, com 1500 gramas, também os números de Guimarães são positivos, uma vez que, os óbitos a nível local são de 5,5 por cento contra os 12, 6 por cento nacional. Note-se que do total de nascimentos, cerca de 11 por cento são bebés prematuros. Dos 2516 bebés nascidos em Guimarães no ano passado, 288 foram prematuros. “O prematuro é todo aquele que nasce com menos de 37 semanas de gestação. Os bebés são considerados viáveis para investirmos neles a partir das 24 semanas. Entre


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Pedro Freitas – Director do Serviço de Neonatologia

Elideusa Guimarães e Jerónimo Guimarães

"O que se esta a passar nesta unidade é de facto valorizável. Como director de serviço, acho que é um serviço de excelência e é muito bom que as pessoas saibam o que se passa aqui e a qualidade do serviço que é prestado. Sem pôr em causa nada nem ninguém, o serviço aqui é de qualidade e é bom que os vimaranenses conheçam uma vez mais o que se passa na Neonatologia".

Maria José Rebelo – Enfermeira-chefe do Serviço de Neonatologia Carina Oliveira

as 24 e as 37 são os nossos prematuros”, explica José Luís, responsável pelo serviço de Neonatologia. Mas, o serviço tem outras crianças internadas pelas mais diversas patologias, desde más formações, patologias cardíacas, cirúrgicas e respiratórias. A todas elas tenta dar a melhor resposta possível e as notícias têm sido positivas. A mais recente recebida naquele serviço foi a da menor taxa de mortalidade. “Não temos grandes diferenças em relação a outras unidades. Um dos factores que pode explicar a taxa é sermos uma unidade com muita experiência. Temos 17 anos de cuidados intensivos neonatais, temos uma equipa com muita experiência”, sublinha o responsável. Além disso, a Neonatologia “foi reequipada há três anos, tem equipa-

mento novo”, justifica José Luís. Além da questão clínica, o serviço tem, também, uma característica humana que pode estar indirectamente ligada à baixa taxa de mortalidade dos bebés. Não se conhece outro hospital onde as mães possam ficar 24 sobre 24 horas dentro do serviço. “Privilegiamos sempre a estadia das mães. Elas podem ficar junto dos filhos para fazerem uma aprendizagem eficaz, para que também no exterior estes bebés sejam bem tratados. Temos condições físicas para as mães ficarem dentro do serviço". E para os progenitores, esta possibilidade é “fantástica”. “É muito bom poder estar aqui com a minha filha quando quero, à hora que quero”, considera Elideusa Guimarães, que deu à luz a Lara Vitó-

ria a 31 de Dezembro. Lara nasceu se quiserem. Isto mostra o cuidacom 947 gramas e de 31 semanas do e preocupação do serviço para de gestação. Está a crescer “aos connosco”, elogia a mãe de Mipouquinhos” e os pais acreditam guel, que nasceu com 34 semanas que irá ser uma grande vitoriosa. no final de Dezembro. “Estamos Neste momento difícil, a notícia de aqui há três semanas. O Miguel que o serviço apresenta a menor precisou de ficar aqui para ganhar taxa de mortalidade de prematuros peso e aprender a mamar. Esta seconforta os pais. “Dá-nos mais for- mana já vamos ter alta”, diz, feça, mais esperança. Sabemos que o liz, a progenitora. “O serviço tem serviço é de qualidade e realmente vários serviços para as mães. Dãoestamos satisfeitos”, diz Elideusa. -nos apoio no alojamento, alimenO pai, Jerónimo Guimarães, tamtação, temos uma sala para poderbém está satisfeito com o serviço e mos descansar”, enumera Carina acha “bastante importante” que os Oliveira. Além disso, realça, “temos progenitores, se quiserem, possam a parte dos recursos humanos, que ficar sempre perto dos filhos. nos dão grande apoio. Ganhámos Também Carina Oliveira realcompetências com eles e ajudamça a proximidade que o hospital -nos no factor psicológico. Saio dafacilita entre pais e filhos. “Existe qui preparada para tomar conta ali um quarto com camas para as de um prematuro. Estamos muito mães ficarem aqui durante a noite, contentes com o serviço”, conclui.

"É especial trabalhar neste serviço, ver os meninos a crescer. É mesmo muito gratificante estar aqui. A equipa também ajuda a este sentimento. Toda a gente que trabalha qui tem um perfil próprio. Ao final de cada dia, saímos daqui com satisfação por causa do feedback que recebemos dos pais. Aqui somos uma família perfeita. É muito bom ver os bebés a nascer com dificuldades e, depois, vê-los a sair daqui melhores, lindos. São bebés que nascem a precisar muito de nós e nós fazemos tudo o que podemos. Depois, esses bebés, já grandes, vêm muitas vezes visitar-nos. São quase como filhos para nós. E nós damos o nosso melhor e, por isso, é bom termos noticias destas positivas no serviço. É, de alguma forma, o reconhecimento."

Jornal "O Povo": Reportagem sobre Obstetrícia e Neonatologia  

13.01.2012

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