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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna

Índice 1. Apresentação 2. Introdução 3. Caracterização do grupo 4. Estrutura Organizativa do Cenário Educativo 4.1.

Estratégias de diferenciação pedagógica

4.2.

Organização do Espaço e dos Materiais

4.3.

Organização do tempo

5. Os tempos de comunicação 6. O trabalho em projecto 7. O Diário de Grupo e o Conselho 8. Conclusão

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1. Apresentação Identificação Ana Cristina Mendes da Silva Marques Carracedo Educadora de Infância do Quadro de Agrupamento Jardim de Infância Rosa dos Ventos Sala AFG3

Localização Jardim de Infância Rosa dos Ventos; Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra; Rua D. Maria Pia; Freguesia de Afonsoeiro; Conselho do Montijo: Distrito de Setúbal. O Jardim de Infância está integrado numa escola de 1º ciclo. O estabelecimento de ensino tem 3 salas de pré-escolar, duas com 25 alunos e uma com 20 crianças uma vez que tem uma criança com NEE integrada; 7 salas de 1º ciclo e uma sala para Ensino Estruturado de Apoio a Crianças com Espectro de Autismo.

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2. Introdução Iniciei esta formação com o intuito de conhecer melhor o Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna. Era do meu conhecimento e já aplicava na minha prática pedagógica alguns instrumentos e características do MEM. Este trabalho final está organizado de forma a dar resposta às minhas dívidas, às minhas aprendizagens, às minhas reflexões. Senti necessidade de fazer uma caracterização sumária do grupo de alunos. Especificar a estrutura organizativa do cenário educativo tanto ao nível do que é preconizado pelo movimento como a forma como eu estruturei a sala de aula, tendo em contas os espaços e materiais assim como a organização do tempo. Centrar-me nas grandes opções de mudança: Os tempos de comunicação; O trabalho em projecto; O Diário de Grupo e o Conselho. Por fim faço uma simples reflexão em jeito de conclusão.

3. Caracterização do grupo O grupo é composto por 20 crianças entre os 5 e os 6 anos. Nove crianças do sexo feminino e onze do sexo masculino. Está integrada uma criança de 4 anos com Síndrome do Espectro de Autismo. É um grupo heterogéneo tanto ao nível das idades como das aprendizagens e interesses As rotinas estão adquiridas e as regras da sala vão sendo definidas conforme os problemas vão surgindo no dia-a-dia. Têm uma autonomia adequada à sua faixa etária. Reconhecem as áreas de trabalho e os materiais de cada uma, sabem como utiliza-los e sabem gerir o espaço que as rodeia. É um grupo muito interessado em tudo o que se passa à sua volta demonstrando curiosidade nos temas e assuntos abordados questionando o mundo que os rodeia .

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4. Estrutura Organizativa do Cenário Educativo 4.1. Estratégias de Diferenciação Pedagógica "As estratégias de diferenciação pedagógica são formas de proporcionar boas aprendizagens a todas as crianças"

Pressupostos do MEM: * LIVRE EXPRESSÃO - as crianças têm que se sentir bem onde aprendem naturalmente. Deve haver um espaço/tempo livre para aprenderem à sua maneira * HETEROGENEIDADE - o MEM defende que numa sala se devem concentrar crianças com diversas idades *INTERROGAÇÃO - mesmo no tempo de brincar valoriza-se o questionar e tentar descobrir as coisas por si mesmo.

4.2. Organização do espaço e dos materiais A Organização do espaço toma particular importância uma vez que é a partir dele que a criança brinca, interage e adequa comportamentos. Descobrir fazendo, fazer brincando e contextualizar as aprendizagens apresentando ao grupo as suas descobertas. Essas aprendizagens são essencialmente realizadas com recurso ao jogo e ao lúdico, no entanto devem ser sempre realizadas com rigor e intencionalidade educativa. Permitir que a criança tenha um ambiente culturalmente rico e estimulante que lhe permita questionar, lhe desperte a curiosidade e o desejo de aprender.

As áreas que o MEM preconiza são: *ÁREA DA EXPRESSÃO PLÁSTICA

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Modelagem: ex: barro, plasticina, pasta de modelar, massa de cores.

Colagens em 3D (feitas com diversos tipos de materiais de desperdício)

Tecelagens (valorizado o trabalho individual) materiais: lã, serapilheira, ráfia etc.

Pintura

* CONSTRUÇÕES •

Jogos de construção e empilhamento

Estradas

Garagem, carros etc.

* OFICINA DE ESCRITA (escritório) com materiais como: •

Computador

Impressora

Material de escrita (esferográficas, lápis de carvão, borracha)

Agendas

Textos / grafismos cujas letras possam ser copiadas, etc.

Ficheiro de escrita com imagens e palavras

* ÁREA DA MATEMÁTICA •

material de matemática: blocos lógicos, barras cuisenaire, geoplano, tangran

deve permitir os registos de contagem (rolhas, caricas, pedrinhas, dados, cartões com números e quantidades, etc.)

* LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS •

Material para medir e pesar (fita métrica, réguas, balanças, etc.)

Material de medição: arroz, milho, feijão, etc.

Material de laboratório: funil, recipientes, varetas, lupas etc.

Animais pequenos: coelhos, tartarugas, caracóis, bichos-da-seda, joaninhas, pássaros, etc.

Plantas, terra, sementes, etc.

Material e jogos de electricidade, magnetismo, meteorologia

* ÁREA DO FAZ-DE-CONTA

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Casa de bonecas e seus utensílios

Fantoches

Arca com roupas e disfarces

Instrumentos médicos

Mercearia, etc.

* ÁREA DA COZINHA (para uma cultura e educação alimentar saudável) •

Utensílios de cozinha

Livros de receita de culinária com receitas para crianças

Etc.

* BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO •

Livros, enciclopédias, revistas e jornais

A minha sala está organizada da seguinte forma:

Área das construções/garagem (Jogos de construção, blocos de madeira, legos, quintinha, estradas, garagem, carros e outros transportes…)

Área dos jogos de mesa (Jogos de matemática, contagens, enfiamentos, puzzles, barras cuisenaire, blocos lógicos)

Área do faz de conta (Inclui a casinha, médico…)

Área da escrita (Computadores, impressora, folhas, ficheiro de escrita, letras, escantilhões, lápis de carvão e de cor, lápis de cera, canetas de feltro, marcadores, borrachas e afias…)

Área da expressão plástica (Pintura, recorte e colagem e trabalhos a 3D com materiais de desperdício, modelagem, quadro de giz – vários materiais de desperdício – conchas, rolhas, areia, botões, tecidos, papel vário, massinhas, pedrinhas, rolos de papel higiénico, rolos de papel de cozinha, caixinhas, plásticos, etc.)

Área das ciências (Vátios recipientes de plástico de tamanho variável, lupas, aquário com tartaruga, aquário com rãs, sementes e terra, algodão, colheres, facas e garfos de plástico, conta-gotas, funis…)

Biblioteca (livros, enciclopédias, revistas…)

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna Embora a estrutura de organização do espaço não seja a indicada pelo MEM, penso que se adequa aos pressupostos do movimento não tendo sentido necessidade de alterar de forma significativa a sua organização. No entanto, procedi a algumas alterações pontuais como por exemplo, aglutinar as diferentes áreas de expressão plástica numa só zona com mais espaço e mais materiais.

4.3. Organização do Tempo No MEM o ambiente educativo assenta numa base democrática, de partilha de poderes entre todos os elementos do grupo (crianças e adultos). Partilha as concepções de Vigotsky sobre a prática da Aprendizagem Partilhada, quando este a considera “a mais importante dos meios socioculturais de desenvolvimento era, na sua opinião, o modo fundamental de aprender…” A organização do tempo faz-se de uma forma bastante planeada, sequencializada e com uma estrutura bem definida. A organização do dia desenrola-se em nove momentos distintos, promovendo um horário semanal em que: •

Da parte da manhã, após um acolhimento e conversa em conselho, as crianças

escolhem as actividades/trabalhos individuais, pares ou pequenos grupos, de acordo com as áreas da sala e com o apoio do quadro de actividades mensal. •

No período da tarde e a seguir à hora do almoço e do recreio as actividades são

organizadas e negociadas em grupo, são vividas em grande grupo, com sessões plenárias de informações e actividades culturais dinamizadas pelo educador, crianças e/ou convidados à sala, tais como por exemplo: culinária - receita que os meninos trazem de casa; correspondência (troca de documentos/trabalhos entre salas e/ou instituições); Histórias devem ser trabalhadas e apresentadas sob diversas formas; correspondência (troca de documentos/trabalhos entre salas e/ou instituições); Visitas - devem ser preferencialmente uma vez por semana e podem ser para observar plantas, cidade e seus jardins ou organização, animais selvagens ou animais de alguém conhecido; Convidar a família para vir à escola; actividades de psicomotricidade. Todas estas actividades devem ser alvo de um registo escrito como forma de sistematizar informação, questionar o que nos rodeia, arranjar uma fonte para outras actividades significativas e com intencionalidade educativa.

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A tarde de sexta-feira reserva-se um momento de reunião com a designação de

conselho de turma onde: analisar quem mais trabalhou, quem tem mais dificuldades em determinada área, o que foi feito e o que falta fazer; reflecte-se sobre o que não correu tão bem e combinam-se as regras para se poder viver melhor, as regras têm que ser escritas para ser interiorizadas; eleger o (s) presidente (s) para a próxima semana que deverão realizar as tarefas diárias e semanais; arrumar os trabalhos nas pastas.

Na nossa sala a organização do tempo faz-se de acordo com o seguinte horário: 2ª FEIRA

3ª FEIRA

4ª FEIRA

5ª FEIRA

6ª FEIRA

Acolhimento Conversa em grande grupo sobre o fim de semana (inclui as rotinas diárias) Registo escrito das produções e desenho

Acolhimento Conversa em grande grupo (inclui as rotinas diárias)

Acolhimento Conversa em grande grupo (inclui as rotinas diárias)

Acolhimento Conversa em grande grupo (inclui as rotinas diárias)

Acolhimento Conversa em grande grupo (inclui as rotinas diárias)

Expressão musical

Expressão dramática

Jogos de grande grupo

Psico-motricidade

Planeamento individual; Actividades livres/projectos

Planeamento individual; Actividades livres/projectos

Planeamento individual; Actividades livres/projectos

Planeamento individual; Actividades livres/projectos

Hora do conto e exploração do mesmo Planeamento individual; actividades livres/projectos (cont da manhã)

Planeamento individual; actividades livres/projectos (cont da manhã)

Planeamento individual; actividades livres/projectos (cont da manhã)

Reunião de grupo em assembleia

Pausa/intervalo Planeamento individual; Actividades livres/projectos Arrumar/higiene Almoço/higiene Recreio Planeamento individual; actividades livres/projectos (cont da manhã)

Planeamento individual; actividades livres/projectos (cont da manhã)

Arrumar Avaliação do dia Distribuição do leite escolar Fim das actividades lectivas, distribuição dos grupos na CAF e entrega das crianças que vão para casa às famílias.

As actividades de rotina diárias são o preenchimento dos mapas ou quadros de responsabilidade: mapa de presenças; quadro do dia, mês, ano, estação do ano e tempo; canção dos bons dias; apresentação aos colegas dos brinquedos trazidos de casa; contar uma novidade ou notícia. Na expressão musical exploramos os instrumentos musicais, canções novas ou que já sabemos, tipos de música, danças com esquemas ou danças livres. Na expressão dramática exploramos actividades da vida diária, pequenas histórias com diversos materiais (fantoches, fotografias, desenhos, flanelografo…), inventamos pequenas

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna dramatizações individuais ou de pequenos grupos, representamos histórias em grupo, exploramos a mímica, os sentimentos e as sensações. Nos jogos de grande grupo exploramos jogos que podem ser realizados por todo o grupo. Na psicomotricidade exploramos o nosso corpo no espaço em si mesmo e no outro, aprendemos a interiorizar conceitos com o nosso corpo. Os projectos emergem normalmente das produções registadas no tempo de conversa de grande grupo ou do interesse das crianças por um determinado assunto. As actividades de rotina semanais são: a hora do conto onde é lido um texto literário se explora os personagens, o tempo, o espaço, o autor e o ilustrador, normalmente faz-se o reconto e um trabalho de expressão plástica alusivo ao livro; reunião de grupo em assembleia onde fazemos um balanço da semana dizendo o que gostamos mais de fazer, o que gostamos menos, o que correu melhor e o que correu pior, escolhemos os responsáveis para a próxima semana, arrumamos as nossas produções (fazendo um balanço de quantas temos e que tipo) e analisamos o quadro de registo das actividades mensal.

Quadros e mapas utilizados

calendário

Canção do bom-dia

Quadro de área

Quadro de área prenchido.

Mapa de aniversários

Quadro com os nomes individuais para copiar nas produções e cartões de deslocação nas áreas.

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna Mapa de presenças.

5. Os Tempos de Comunicação As comunicações são realizadas no final da manhã ou no final da tarde. As crianças inscrevem-se no “Mapa de Comunicações” (MC), onde escrevem o seu nome. Depois de fazerem a comunicação e de responderem às questões que lhe são colocadas pelos colegas, são avaliados pelos mesmos com palmas e a atribuição de uma “carinha” – verde se gostaram muito, amarela se acharem que poderiam ter feito melhor, vermelha se não gostaram. No inicio da introdução do MC todos os dias e quase todas as crianças queriam participar. Ao longo do tempo perceberam, por si (pois era muito o tempo para ouvir os colegas e quase sempre o mesmo tipo de comunicações), que só se deveriam inscrever quando tinham algo de novo para mostrar ou algo especial. Esta decisão foi alvo de apreciação na reunião de assembleia semanal, uma vez que algumas crianças disseram que não gostavam de estar sempre a ouvir os colegas a mostrar as mesmas construções e os mesmos trabalhos. ( Num certo momento depois de muitas comunicações da área das construções/garagem com “Jardins Zoológicos”, as outras crianças começaram a comentar que era sempre a mesma coisa, o mesmo tema e, foi nessa altura que a situação foi a assembleia e as comunicações começaram a ser mais selectivas.)

Mapa de Comunicações

Uma situação: dia 16/02/2011

Duas crianças de 5 anos, feitos há pouco tempo, quiseram comunicar aos colegas um trabalho realizado no quadro de giz. Explicaram o que tinham feito, era duas casas com…, e chuva, duas borboletas, a relva e o céu cheio de nuvens (hoje foi um dia bastante chuvoso com trovoada e tudo). Após a explicação o M. comentou “mas falta o sol!” Ao que T.P. respondeu “mas não podiam fazer o sol porque o céu está cheio de nuvens e o sol está escondido por traz!”

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna As autoras do desenho responderam “pois o T.P. tem razão não vês que choveu todo o dia, nem podemos ir ao recreio…!”

Comunicação de um desenho realizado no quadro de giz

Através das comunicações podemos analisar, para além das produções realizadas o nível de linguagem e o nível de compreensão. As crianças aprendem a respeitar o trabalhado realizado pelo outro e a dar a sua opinião de forma coerente.

Comunicação de um teatro feito com lego: Palco, actores, plateia…

Comunicação de um trabalho feito com plasticina

As comunicações são assim uma mais-valia no trabalho realizado. Dizemos como fizemos, o que utilizamos, como chegamos até ali, o que podemos melhorar. Obriga-nos a registar e a sistematizar o trabalho realizado com as crianças em tempo útil. Ajuda-nos a visualizar melhor os resultados ao nível da literacia - para que serve a escrita, quais os seus fundamentos. O outro passa a ser um recurso, porque nos ajuda a pensar, a sistematizar, a produzir e a aprender. As crianças ganham competências pragmáticas tornando-se mais críticas e não tendo tanto medo de se exporem.

6. O Trabalho em projecto Os projectos surgem normalmente a partir de momentos de conversas na manhã, de tempos de comunicação, saídas ou visitas ao meio envolvente.

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna Normalmente é uma criança, ou um grupo de crianças que tem uma ideia ou que propõe um tema ou assunto para explorar, no entanto muitas vezes esse interesse acaba por passar a outras crianças e até ao grupo todo ficando assim envolvidos nos projectos. Quando surge um projecto este é inicialmente registado no “Diário de Grupo” na coluna “O que queremos fazer”, posteriormente chama-se a criança que o propôs e perguntase ao restante grupo quem está interessado em participar. Quando o grupo está reunido preenche-se o “Quadro de Planeamento de Projectos” com as colunas: O que achamos que sabemos sobre: onde cada criança explicita aquilo que acha que sabe sobre determinado assunto (regista-se). Após este levantamento surge a pergunta; •

O que queremos saber?: aqui levantam-se hipóteses e questiona-se o tema (sendo que o produto final do projecto deverá dar resposta a estas questões);

Quem participa: regista-se o nome dos participantes activos (ficando concretizado o compromisso com…) e distribuem-se as tarefas;

Onde/como vamos procurar/aprender: nesta coluna é hábito surgirem como respostas consultar livros, enciclopédias, perguntar aos pais, ir à internet.

A participação das famílias é assim solicitada e estas envolvem-se na vida do Jardim de Infância e nos seus conteúdos. Quando recolhemos todo o material é necessário reunirmos o grupo em volta deste, ler, fazer resumos, decidir quais as fotografias ou documentos que vamos utilizar e decidir como vamos organizar o trabalho. Em forma de livro ou de cartaz é o mais usual. Passa-se à fase final, em que o projecto é comunicado ao restante grupo, fazendo-se uma apresentação do trabalho, as restantes crianças do grupo levantam questões e o produto final fica em exposição para a comunidade escolar. Foi possível durante o tempo de formação implementar dois projectos que surgiram do interesse das crianças. O projecto das formigas que surgiu devido ao constante apanhar de formigas no espaço exterior por parte do Bruno. Certo dia ele resolveu colocar as formigas dentro de água para elas tomarem banho e foi mostrar aos colegas em tempo de comunicação. Claro que os colegas quando observaram as formigas disseram que elas estavam mortas, não se mexiam… eu perguntei se as formigas sabiam nadar e eles responderam que não. Partindo desta questão foi lançado o projecto.

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Este foi o quadro de planeamento

Carta elaborada para pedir o auxílio

Pesquisa no GOOGLE, realizada na

do projecto com as 4 colunas e a

das famílias na recolha de material

sala. As crianças diziam a palavra

data provável de comunicação.

para o trabalho.

chave, eu escrevia e elas copavam.

Depois de todo o material recolhido

…e recortar, desenhar, colar e

Produto final.

foi tempo de ler, resumir, elaborar

organizar.

os textos…

Comunicação ao grande grupo. Tempo também para avaliar.

O projecto das minhocas partiu de um criança que passava a hora de intervalo a apanhar minhocas na relva do recreio. A Joana cada vez que apanhava uma minhoca vinha mostrar e fazia perguntas: “Elas têm olhos?”, “onde está a cabeça?”. Partindo daqui sugeri que ela investigasse. Alguns amiguinhos também quiseram e juntaram-se ao projecto.

Quadro de planeamento do

Carta às famílias pedindo ajuda na

Depois da recolha de material,

projecto

recolha de informação.

tempo para organizar…

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Ler, resumir, escrever, recortar,

Produto final.

colar…

Um pormenor, a Iara trouxe uma minhoca, com terra e relva que fez questão de colocar no trabalho.

A Joana com a ajuda da mãe fez um

Tempo de comunicação.

Todos atentos.

livro com toda a informação, que foi

Por fim foi tempo de avaliar todo o

fotocopiado e oferecido aos

processo.

colegas.

O papel do educador é o de ajudar a estruturar e organizar o pensamento e a especificar o plano, questionando e propondo opções. O educador como elemento do grupo pode lançar propostas para a definição de possíveis projectos mas, essencialmente estes têm origem nos interesses das crianças. O trabalho em projecto permite: 

Conhecer os interesses e motivações das próprias crianças;

Quais os saberes e experiências que estas têm;

O compromisso e envolvimento de todos os participantes;

A troca de saberes;

A cooperação, partilha e entreajuda;

A participação activa das crianças na organização de experiências pedagógicas.

7. O Diário de Grupo e o Conselho O conselho é realizado à sexta-feira e é um momento de reflexão, partilha e síntese do trabalho e dos acontecimentos/momentos que decorreram durante a semana. Este momento de reflexão/análise/avaliação tem por base um documento de registo e actuação que é o “Diário de Grupo”.

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna O diário é assim um instrumento de “regulação social do grupo e do processo de negociação permanente interactiva que uma educação cooperada ou democrática pressupõe!” 1. O diário é constituído por quatro colunas onde se regista, por um lado as ocorrências significativas, por outro as sugestões para enriquecimento do trabalho e novas ideias: 

Ocorrências significativas – “O que não gostamos”; “O que gostamos”;

Sugestões – “Fizemos”; “Queremos fazer”.

Com o meu grupo de crianças era já pratica realizar uma reunião semanal (à sexta-feira após o almoço) onde se fazia o balanço da semana. Acontece que as crianças referiam quase sempre acontecimentos ou ocorrências significativas do próprio dia, uma vez que para eles as suas vivências imediatas eram as mais presentes na memória. Só quando questionados sobre algo que tinha ocorrido, pelo educador (uma actividade que este julga mais significante) é que as crianças se manifestavam e davam a sua opinião. Com a introdução do “Diário de Grupo”, conseguiu-se uma alteração significativa nas produções do grupo relativamente à semana que decorreu, isto é, como se habituaram a registar nas diferentes colunas ao longo da semana o que achavam significativo, no dia do Conselho de Grupo as situações são recordadas, analisadas, discutidas, saindo daqui novas regras e propostas de trabalho.

Reunião de Conselho: os “chefes” presidem, o diário está fixado no placard. Há medida que vai lendo o Diário vão-se discutindo os assuntos e registando.

Na coluna do “Gostamos” é costume inserir registos de ocorrências positivas tanto individuais como colectivas. Na coluna “Não gostamos” são muitas vezes eles que inserem o registo escrito (desenho, letras soltas, nomes dos colegas) demonstrando o seu desagrado por uma ocorrência negativa, para discussão. 1

Anexo2 – pg42 – “O Diário de turma e o Conselho” – Documento da Oficina de iniciação ao modelo

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna Na coluna “Fizemos” registamos aquilo que para as crianças teve significado, uma visita de estudo, um trabalho, uma visita de alguém ao JI, uma história, etc. Na coluna “Queremos fazer” registamos desejos ou vontades como põe exemplo “Eu gostava de fazer um projecto sobre cães porque gosto muito deles.” “Eu gostava de ensinar futebol aos amigos, sabes eu ando no futebol.” Após a implementação deste instrumento de trabalho as reuniões de Conselho são muito mais ricas e participativas. Vão-se lendo cada uma das colunas, fazendo os comentários necessários e escreve-se numa acta de reunião.

Acta de uma reunião de Conselho registo da educadora.

A acta é registada pela educadora e pelas duas crianças que presidem à reunião. As crianças que presidem à reunião são os “chefes” da semana.

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Oficina de Iniciação ao Modelo Pedagógico – Movimento da Escola Moderna Exemplo de registo de acta de um dos presidentes à reunião de Conselho.

8. Conclusão Posso concluir que esta formação veio ajudar-me a implementar na minha prática educativa algumas alterações significativas. Foram elas: O Tempo de comunicações que considero muito importante e ao qual dou muito significado pois se estivermos atentos é dele que podem sair os textos para trabalhar na área da abordagem à leitura e à escrita, assim como conceitos possíveis de trabalhar no domínio da matemática e também possíveis assuntos ou temas a trabalhar em projectos; O trabalho em projecto uma vez que utilizando a estratégia de trabalhar em pequenos grupos consegue-se que todas as crianças sejam envolvidas uma vez que as comunicações finais abrangem todas as crianças do grupo, partilhando os saberes de cada um para um todo; O Diário de Grupo como forma de sistematizar, organizar e registar as ocorrências positivas e negativas da semana que serão alvo de análise e discussão em Conselho no final da semana. Não achei necessário implementar o mapa de tarefas uma vez que no nosso grupo optamos (em conjunto e em conselho) por responsáveis semanais que têm como função: ir à frente no comboio, preencher os quadros e mapas diários do tempo e do calendário, distribuir o leite escolar, dar de comer aos animais e regar as plantas, verificar se as áreas de trabalho ficaram bem arrumadas, presidir ao Conselho de Grupo.

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formação