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NEBLETTER

MAIO 2018 Se já acabaste de ler a NEBle er então oferece-a a um amigo ou, pelo menos, recicla-a! Também podes ler a NEBle er online e totalmente a cores no site do NEB - neb.ist.utl.pt


ENTREVISTA Bernardo Saraiva Nesta edição da NEBLe er ficámos a conhecer o percurso académico e profissional e ainda um pouco da história de vida de José Rua. Ele que, para além de ser um alumni de Engenharia Civil no Ins tuto Superior Técnico, também é o fundador da fábrica de cerveja Sadina.

JOSÉ RUA

as cadeiras do quinto. Tive a sorte de ficar na turma 7 no primeiro ano que era uma turma incrível. Só gente boa, diver da e companheira. Já lá vão 25 anos... caramba que passou depressa. Éramos muito unidos e sempre assim fomos ao longo do curso. No segundo e terceiro ano começaram os grandes trabalhos de grupo e íamos a casa uns dos outros para trabalhar noite dentro. Nunca terminávamos uma noitada dessas sem ir beber uns copos. Depois, lá estávamos de manhã cedo para mais uma dose de aulas. No quarto ano escolhíamos o perfil de estudo que queríamos. Eu escolhi projeto mas acabei por ir trabalhar para a obra mesmo. Foi nesta altura que me envolvi na comissão de finalistas onde ajudava na organização de festas e eventos. Foram bons tempos também. O quinto ano foi o mais trabalhoso. Foi uma luta. Por fim, lá terminei o curso já em Outubro de 1998, com uma prova oral para discu r o trabalho da cadeira de Pontes. Nesse dia foi uma festa, no dia a seguir foi um vazio... Nem sabia o que fazer. Pensei: Bom, agora tenho que procurar trabalho. Em Novembro já estava numa obra na Musgueira, onde hoje é a alta de Lisboa, pela Grande (na altura) Soares da Costa. Frequentou o curso de Engenharia Civil, porém hoje em dia trabalha numa área bem diferente. Como surgiu essa mudança de rumo? Apesar disso, sente que o Técnico lhe deu boas bases e ferramentas para o seu futuro profissional?

O José, tal como nós, também fez o seu percurso académico no Ins tuto Superior Técnico. Como recorda esses tempos? Fale-nos um pouco sobre a sua etapa académica. Recordo com muita saudade. Foram 5 anos entre 1993 e 1998 de muito trabalho e estudo mas também de muita diversão, festa e loucura. Na altura o curso era de 5 anos e esforçávamo-nos para o terminar o mais depressa possível. Tínhamos vontade de começar a trabalhar e a ganhar dinheiro. Consegui fazer o primeiro ano sem deixar nada para trás. Depois veio o segundo, terceiro e quarto sempre a deixar uma ou outra para repe r no ano seguinte. Consegui limpar todas as cadeiras no quarto ano e fiz no quinto apenas 1

A mudança de rumo profissional começou quando depois de 4 anos fora do país a trabalhar na construção civil, regressei a Portugal e a empresa em que eu estava não nha mais obras. Não havia trabalho suficiente para os engenheiros que estavam em Portugal, muito menos havia para os que estavam a regressar de África, Europa e Brasil como foi o meu caso. Es ve apenas uma semana no escritório e depois fui colocado em casa a aguardar trabalho. Como o trabalho nunca mais chegava e quando chegava era para sair novamente do País e eu não queria, resolvi sair da empresa e montar o meu negócio. Estávamos em 2015, no auge da explosão das cervejas artesanais em Portugal e eu também sabia fazê-las. Foi fácil decidir e iniciar um negócio.


que fazia os cursos comigo. Por lá nunca comprei equipamento mas ia fazer com outros e num brewpub de Curi ba, o Hop n' Roll, que te deixava fazer a tua cerveja e engarrafar para levar para casa. Foram estes os meus anos de aprendizagem, de experimentação de cervejas e de desenvolvimento de interesse pelo tema e pela área. Comprei diversos livros lá que ainda consulto regularmente. Claro está agora que quando em 2015 regresso a Portugal e fico sem trabalho na construção, a opção que se me apresentou com mais possibilidade de sucesso foi a de ingressar numa nova carreira de cervejeiro. Qual a história da cerveja Sadina? Como foi fundada a marca e qual a história por detrás do seu nome? Conte-nos agora mais sobre a sua aventura e ingresso na indústria cervejeira. Como surgiu o seu interesse nesta área e quando começou a ter oportunidades/ projetos relacionados com ela? Cerveja sempre foi a minha bebida de eleição. É daquelas coisas que sempre me soube bem e que bebo com sa sfação. Além disso, quando és estudante e o dinheiro não é muito, bebes cerveja porque é mais barata. Havia um bar no Bairro Alto nesses tempos que vendia as canecas e girafas mais baratas de Lisboa. Não havia semana que não fossemos lá. Depois abriu o Henessis no Cais do Sodré, o bar irlandês. Foi demais Era uma caneca da cerveja mais corrente, uma de Guiness e uma de Tuborg. Belas noites. Pois estava eu a trabalhar no Brasil, em Curi ba no Paraná, estávamos a fazer uma fábrica de cimento para a Votoran n, e certo dia um colega brasileiro vem ter comigo e diz que precisa que eu lhe compre uma bomba em Portugal para ele transferir melhor a cerveja que faz em casa, porque no Brasil são muito caras... Deixei de ouvir quando ele diz que faz cerveja em casa. Lembro-me de lhe perguntar espantado: "Mas tu fazes cerveja em casa? Se dá para fazer cerveja em casa eu quero saber como é". Uns meses mais tarde, já em Campinas na obra do Aeroporto Viracopos, estava a correr num sábado de manhã em volta do parque quando mudei a minha rota e entrei numa estrada com umas moradias por onde ainda não nha passado. Há minha frente vejo um cartaz que diz cerveja caseira. Parei e entrei. Era uma loja da cerveja Bamberg e do grupo de cervejeiros Lamas. Além de beber as cervejas deles vi uma placa a anunciar um curso de cervejeiro caseiro para um fim de semana próximo. Inscrevi-me nesse mesmo dia e lá fui fazer o curso. Estávamos em 2013. Entre 2013 e 2015, visitei todas as cervejarias artesanais e nem tanto, que encontrei por lá. Fiz mais um curso de formação na Bodebrown, a primeira cervejaria escola do Brasil e fiz diversas produções com o pessoal

A Sadina nasceu em Junho de 2015, numa pequena loja fábrica de 40m2, num bairro da cidade de Setúbal. Foi lá que ainda como empresário em nome individual colocamos a panela de 30 L, os baldes e os frigoríficos usados que nhamos comprado e começamos a fazer cervejas. Com base no sucesso que vemos no Natal de 2015, em janeiro de 2016 começamos a procurar um espaço para montar uma cervejeira a sério. Encontrámos um pavilhão à saída de Setúbal em direção a Alcácer do Sal e lá colocamos ao longo de 2016 os equipamentos novos que fomos adquirindo. Estabelecemos firma no início de 2016 para dar credibilidade ao projeto. A nossa empresa chama-se Poção Sadina e detém a marca Cerveja Sadina. O nome é uma homenagem à cidade que nos acolheu enquanto projeto. Em fevereiro de 2017, fizemos as primeiras receitas na nova panela de 500 litros. Estávamos com uma capacidade instalada de 3.000 litros/mês. 2017 foi um ano complicado mas conseguimos estabilizar as produções e testar o mercado em diversas frentes. Felizmente o ano de 2018 está a ser de muito trabalho e estamos atualmente a duplicar a nossa capacidade de produção, graças a uma parceira muito interessante que fizemos com uns colegas cervejeiros de Lisboa que também querem crescer. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

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clara das margens, num es lo forte e encorpado. Fazemos ainda uma edição especial de verão, a cerveja de natal, uma cerveja que muda todos os anos pois é para um concurso que se realiza em Portugal todos os anos e a nossa cerveja especial de aniversário do projeto disponível em Junho. Uma das saídas profissionais do curso de Engenharia Biológica é precisamente a indústria agro-alimentar. Quais as caraterís cas que procura nos seus colaboradores como potencial empregador nesta área? Considera-a uma área relevante e com uma boa projeção para os estudantes da nossa geração aquando da sua entrada no mercado do trabalho? Eu não sou de Setúbal mas em 2017 vim para esta região a trabalho de pois de uma situação pessoal complicada. Es ve no projeto de requalificação dos hotéis em Troia e foi lá que conheci a minha princesa. Casamos e por aqui fiquei desde então. Quando estávamos a escolher o nome para a cerveja Sadina, fez muito sen do para todos nós que se homenageasse a Cidade que me acolheu e que permi u que a minha vida mudasse para muito melhor. Adoro esta cidade e sinto-me em casa aqui. Quais os principais produtos da Sadina? De que maneira pretende inovar as técnicas de produção ou outros aspetos que possam fazer o público exercerlhe preferência face à concorrência? Atualmente a Sadina tem 4 cervejas de linha regular: A FAROL – Uma Porter (Cerveja preta 5.6%Alc). A prova desta cerveja implica um experiência inesquecível que começa com um mergulho numa espuma cor café com leite cremosa, onde predominam os aromas e os paladares tostados da cevada torrada, proveniente do malte Chocolate e o Roasted Barley. É uma cerveja muito boa e indicada para carnes vermelhas, grelhados e sobremesas de café ou chocolate. Depois temos a PROA - Hoppy Ale (Cerveja loira 5.2%Alc). Com a espuma de textura cremosa extra aromá ca, com notas cítricas provenientes dos lúpulos e da levedura, onde o palato é invadido de aromas e sabores do lúpulo americano (Simcoe e Culumbus Tomahawk). Trata-se de uma cerveja refrescante e boa para o verão. Acompanha bem peixes e comidas mais leves. Temos a LEME – India Pale Ale (Cerveja Ruiva 6.0%Alc). É uma cerveja que nos deixa desnorteados com os lúpulos de notas cítricas e frutadas. Um grande exemplo de uma IPA Ruiva de es lo americano onde é possivel saborear os tons de laranja e álcool que nos levam numa viagem rumo a des nos tropicais. Esta é a cerveja das fast-food. Fica lindamente. Por fim a ÂNCORA – Wee Heavy (Cerveja especial 8.2%Alc). A cerveja para apreciar o sabor do malte, extraído a par r de uma fervura prolongada. A tonalidade castanha escura do fundo contrasta com a espuma 3

Para trabalhar nesta industria a pessoa tem que ser determinada, extremamente responsável e consciente do que está a fazer, concentrada, organizada e me culosa. Tem que gostar mesmo desta área pois são dias longos de produção e engarrafamento seguidos de grandes e belos trabalhos de limpeza e lavagem de equipamentos. É um trabalho muito duro mas que como tudo tem as suas recompensas e momentos de descontração. É uma excelente área para entrada no mercado de trabalho. Toda a parte teórica relacionada com o fabrico de cerveja e com os processos biológicos envolvidos é fascinante, muito complexo e necessita de ser estudada e acompanhada por quem sabe. No fabrico de cerveja nada acontece por acaso. É por isso que ter numa empresa técnicos formados e com capacidade de entender tanto o que corre bem, como o que corre menos bem, é fundamental para garan a de qualidade do produto e de consistência nas produções. Como desenvolveu a sua vertente empreendedora? Para si, quais as principais caraterís cas que um empreendedor de sucesso deve ter? Parece-me que não há muita gente que não tenha pensado em algum momento em trabalhar para si. Passamos a vida a fazer sacri cios para os outros e


para nós, nada. Quando estava no Brasil aproveitei para ler muito. Lia sobretudo livros técnicos de gestão, mo vacionais, de empreendedorismo, de estratégias de vendas e de fundamentos de negócios. Num desses livros estava a seguinte frase: Se não correres atrás dos teus sonhos, alguém vai contratar-te para correres atrás dos dele. Esta frase mexeu comigo de uma maneira incrível. De repente fez-se luz. Sem pensar ainda que poderia vir a fazer vida das cervejas, procurei aprofundar o meu conhecimento nesta área durante o tempo que es ve fora do país. Para se ter sucesso enquanto empreendedor é necessário muito mais do que conhecimento técnico. Sem as devidas virtudes enquanto ser humano não vais longe. É importan ssimo ser uma pessoa séria, justa e correta. Persistência, força de vontade e garra são fundamentais. Nada acontece se não fizeres algo nesse sen do. É necessário ter sen do de oportunidade, boas noções de planeamento de tarefas e de gestão de equipas. Resumindo, tens que ser uma pessoa séria, com carácter e trabalhadora. Mas o mais importante, aquilo que não encontras escrito em lado nenhum é que tens que enfrentar e vencer todos os teus medos. Avançar e ir ultrapassando os obstáculos.

Em cima desse desconhecimento acerca do produto, temos que lutar ainda hoje com um elevado custo de fabrico, um imposto exagerado e um fator de escala necessário que não se consegue a ngir de um dia para o outro. Tudo isto torna as cervejas artesanais caras se comparadas com as cervejas correntes. Para mim, sabendo o trabalho que as minhas meninas me dão a produzir e os encargos que tenho que suportar mensalmente, elas serão sempre até muito em conta.

Quais as principais dificuldades com as quais se deparou para iniciar o seu negócio?

O que diria para convencer os leitores desta entrevista a provarem a cerveja Sadina?

Desconhecimento e preço. Atualmente em Portugal é rela vamente simples criares a tua empresa e fazeres nascer o teu negócio. Neste caso trata-se de uma ac vidade industrial que tem algumas regras especificas. No entanto, com o acesso que hoje temos a gabinetes de apoio a empresários, incubadores de empresas, ninhos de novas inicia vas empresariais e até mesmo a técnicos municipais que nos podem esclarecer qualquer dúvida, fica bastante claro, ao fim de pouco tempo, os passos que temos que dar e onde nos temos que dirigir. Com isto quero dizer que montar o negócio e colocar a carruagem em marcha foi rela vamente simples. As grandes dificuldades vieram depois ao tentar colocar o produto no mercado. Cervejas artesanais, mais alcoólicas, com sabores e aromas não são a nossa realidade cervejeira em Portugal, nem nunca foram. Somos um país de vinhos e não de cervejas. Neste campo temos as nossas marcas correntes que dominam o mercado e que levaram a que a população em geral entendesse ao longo de anos que cerveja se resumia aquele es lo muito especifico. Estávamos a colocar no mercado um produto novo, que a maior parte das pessoas desconhecia e desvalorizava. Até em eventos de prova e degustação sen mos alguma relutância em que as pessoas viessem provar. Claro que depois de provar ninguém fica indiferente. Uns gostam mais de umas, outros mais de outras mas tal seria de esperar quando tens mais de 120 es los de cervejas que podes fabricar.

Não negue à par da algo que desconhece. Vamos provar e rar conclusões depois. As cervejas da Sadina pretendem dar ao consumidor uma experiência inesquecível. São cervejas bem diferentes umas das outras, cada uma harmonizando com algum prato melhor que a outra. Estão carregadas de aroma e sabor, umas provenientes dos lupulos especiais e frutados que usamos, outras da cevada maltada. Ao beber uma cerveja artesanal está a consumir um produto carregado com história, com a vivencia do cervejeiro e a sua interpretação do es lo que se propôs recriar. Está a consumir um produto natural, sem corantes nem conservantes, não pasteurizado, não filtrado feito unicamente de água malte, lúpulo e levedura. Certamente acabará por encontrar um es lo ou uma cerveja que vai gostar. Desta forma as portas deste fascinante mundo que é o fabrico de cerveja vão abrir-se de par em par e a sua vida vais ser mudada. Nunca mais vai olhar para cervejas da mesma forma. Vai aparecer o interesse por saber mais acerca de certo es lo, de certas escolas cervejeiras e das caracterís cas por trás de cada es lo. O bichinho da cerveja vai implantar-se em si e tudo vai fazer sen do. Vai começar a querer provar outras marcas, outras cervejas e outros es los. Há mais marcas de cervejas do que as que conseguiremos beber numa vida. Quantas vai conseguir provar? Bebe uma sadina e muda a tua vida. 4


HUMANS OF NEB Bernardo Saraiva, João Miguel Ribeiro Na úl ma edição da NEBle er deste ano, trazemos aos nossos leitores uma única entrevista especial. Fica a conhecer melhor a Catarina Soares, a presidente do NEB de 2017/2018!

CATARINA SOARES

Tens alguma ideia sobre a vertente profissional que queres seguir? Acerca da tese, gostava de trabalhar em bioplás cos. Talvez nessa área. Nunca na área da inves gação! Talvez na indústria dessa área ou pelo menos ajudar a implementar mais essa vertente dos bioplás cos cá em Portugal, há muitos países que já usam imenso e o nosso não é um deles. Também me veria a trabalhar numa posição de gestão ou marke ng. Ou seja, nada a ver com Engenharia Biológica [risos]. Para além das cadeiras, também es veste envolvida em muitas a vidades extracurriculares relacionadas com o curso, sendo inclusive a Presidente do NEB. Conta-nos como surgiu o teu interesse nesta vertente, a importância que consideras que tem e as dificuldades e aspetos posi vos que esta experiência te traz.

Esta tua etapa no Técnico está quase a acabar. Qual é a sensação? A sensação é mesmo boa, finalmente! [Risos] A sério, foi tudo o que eu quis. Só de pensar que só vou estar aqui mais um semestre é maravilhoso, é mesmo [risos]. Pensando agora para trás, acho que não conseguia voltar a repe r estes quatro anos... Foram mesmo cansa vos e estou mesmo sem energia. Mas saber que está mesmo quase a acabar deixa-me com mais mo vação para sair daqui. O que imaginas estar a fazer daqui a 2-3 anos? Daqui a 2-3 anos… ‘Pá, isso é uma pergunta mesmo muito di cil! Eu quero sem dúvida fazer a tese lá fora e gostava de ter uma experiência no estrangeiro, trabalhar um ano ou dois lá fora para ver como é que é. Mas depois há sempre outro ponto muito complicado… É que eu gosto muito do sol e acho que não me consigo imaginar a viver muito tempo num país nórdico [por exemplo], onde está tanto frio. Mas daqui a uns anos… É assim, depois de acabar o curso gostava de fazer uma pausa, não gostava de começar logo a trabalhar, algo po um gap year: fazer voluntariado, viajar, o que na altura me apetecer. Depois, espero ter percebido melhor o que é que eu gosto. Gostava de trabalhar numa empresa com um impacto posi vo na sociedade, assim mais a nível ambiental ou social… Não sei, vamos ver. 5

Eu entrei para o NEB logo no primeiro ano. E entrei porque logo nos primeiros dias de praxe até nos foram apresentar algumas a vidades do núcleo. Apresentaram-nos o Biocaching e apesar de não ter par cipado achei isso mesmo fixe. Depois também conheci logo o Alcântara [João Alcântara, 5º ano, anterior presidente do NEB], que na altura era coordenador de um departamento e só estava no 2º ano. E na altura aquilo era grande cena, “Uau, ele já é coordenador e só está no 2º ano”. Na altura o NEB ainda era pequeno, por isso é que foi grande cena. Achei interessante e quis experimentar. Vim também com a Marta Xavier, que é agora Tesoureira do NEB. Viemos juntas para o curso e então quisemos experimentar outras coisas. Comecei a gostar, achei que as a vidades que fazíamos eram interessantes


e que os alunos podiam rar bom proveito delas. No ano seguinte convidaram-me para ser coordenadora do Departamento de Comunicação, que eu gostei imenso. É um trabalho con nuo, estão sempre a pedir-nos para fazer publicações e temos de ser cria vos para alcançar o maior número possível de pessoas. Con nuou assim a crescer o meu interesse e também sempre me fizeram um bocadinho de pressão [risos]. E pronto, decidimos então fazer a lista e dar con nuidade a este trabalho. Esta experiência teve imensos aspetos posi vos, mesmo. Aprendi imenso com esta experiência, sem dúvida. Aquelas coisas que toda a gente sabe, mas adquiri espírito de liderança, mul tasking, trabalho em grupo, organização. Tantas coisas, até aprendi a mexer em vários portais, contactar com empresas e associações, aprendi a comunicar mais profissionalmente. Acerca das dificuldades, quando me tornei Presidente foi um pouco mais di cil ao início. O NEB passou a ser uma associação juvenil e não uma secção autónoma e vemos de aprender a fazer montes de coisas que antes não nham de ser feitas, como termos uma conta bancária própria, passar faturas, estar registado no registo nacional de associações juvenis, etc… Esses foram os pontos mais di ceis, coisas que eu não estava habituada e ve de saber lidar com isso. Fora isso, nunca sen muita dificuldade em conciliar o NEB com os estudos. Dou muita importância, obviamente. Toda a gente diz que hoje em dia os empregadores já não querem saber da média, só querem saber de so skills. Acho que é mesmo importante para o desenvolvimento pessoal. Aprende-se mesmo imensas coisas novas, a sério. Mas nem precisa de ser no Técnico. Há muitas pessoas que já estão fartas do Técnico e só querem sair. Há tantas outras a vidades lá fora, como voluntariado, ou mesmo pessoas que par cipam na Tuna. Nem que seja para se abstrair um pouco dos estudos.

Reparámos que tens um pin no traje com as letras GSCA. Que simbolismo tem para ? [Risos] Que olho para o detalhe! Significa Ganzas, Sushi, Cinema e Ácidos [risos]. No primeiro ano da faculdade começamos a criar um grupo de amigos e o nosso grupo no Facebook começou a chamar-se “Ganzas, Sushi e Cinema”, porque acho que era as coisas que nós nunca fazíamos, ou que queríamos fazer, mas nunca fazíamos. A parte dos ácidos foi acrescentada mais tarde porque eu estava sempre a dizer parvoíces lá no grupo e a Sofia [Sofia Navalho, 4º ano] dizia que parecia que andava a tomar ácidos. Então decidimos fazer em conjunto um pin com as iniciais, que era para ninguém saber o que é que era e para simbolizar a amizade que criámos e de pertencermos todos ao curso. Muitos agora já não estão cá. Que importância dás a essas pessoas? Com eles já passei por muito, momentos muito diver dos como jantares de curso, churrascos, jantaradas em casa uns dos outros e também passamos por momentos muito maus, como chumbar a MO (só no primeiro exame, depois na segunda fase fiquei passada), estudar muito, muitos projetos, diretas a fazer o projeto de CP. Nós já combinámos que vamos con nuar a ser amigos [risos] e é mesmo importante. Trabalho com alguns deles em grupos e consigo perfeitamente lidar com eles, não só como grupo, mas como amigos, nós não chocamos. No ano passado veste uma experiência bem diferente e enriquecedora, que exigiu muito do teu tempo, esforço e dedicação. Queres falar-nos sobre isso? Sim, uma longa história… No ano passado fui voluntária no GASTagus, que é o Grupo de Ação Social no Taguspark. Basicamente é um grupo de jovens voluntários, dos 18 aos 30 anos, que durante o ano fazem voluntariado aqui em Portugal e fazem também uma angariação de fundos para par ciparem numa missão internacional em África ou no Brasil. Eu 6


par cipei no grupo e foi mesmo muito complicado porque exige imenso esforço. Só para terem noção, para cada voluntário que vai em missão é necessário angariar-se cerca de 1100€. É mesmo di cil, sendo que não vemos apoio de nenhuma empresa. Tivemos de ser nós a organizar eventos, vender rifas, toda a gente do curso já estava farta das rifas que vendíamos. Foi mesmo trabalhoso. Para mim foi um ano muito di cil porque ve de conciliar tudo e isso sim foi di cil de conciliar, nesse ano chumbei a uma cadeira e ve de fazer outra em época especial. Mas valeu, sem dúvida, a pena. Cá em Portugal fiz voluntariado numa cresce. Estava com as crianças às sextas de manhã e brincava com elas. E depois também gostei muito deste projeto porque temos de ser nós a angariar o dinheiro, não é só pagar e ir. Sen mos mesmo o esforço e por isso valorizamos bastante a missão internacional. Também temos muitos momentos de equipa que nos permitem conhecer melhor uns aos outros. Vamos daqui com uma equipa de pessoas que já conhecemos e com quem já par lhámos vários momentos. Eu fui para Cabo Verde em agosto com uma equipa de mais 4 pessoas. Ficámos no bairro social de Tira Chapéu e es vemos a colaborar com a ACRIDES [Associação de Crianças Desfavorecidas] sendo mintores numa colónia de férias para miúdos desfavorecidos do bairro. Organizámos também um rastreio, par cipámos numa pe ção, fazíamos também uma espécie de banco alimentar para recolher alimentos para a colónia de férias, etc… Foi sem dúvida a melhor experiência da minha vida! Sen ste que pudeste fazer a diferença? Essa é a pergunta mais di cil de sempre. Lá ve mesmo muitas dúvidas sobre se o que eu estava ali a fazer estava realmente a ser ú l ou não, até porque um mês é muito pouco. E aquela colónia de férias já exis a quer nós lá es véssemos, quer não. Mas nha muitos problemas. Por exemplo, nessa associação também haviam voluntários cabo-verdianos e eles eram muito desorganizados. Vão se querem, se não querem não vão, estão lá na colónia no telemóvel, expulsam crianças da colónia porque se estão a portar mal… E os miúdos também são muito di ceis de lidar porque são muito mexidos. Todos os dias isto acontecia. 7

E eu sen a que não estava a fazer nada. Claro que estava a fazer companhia e eles gostam imenso de nos ter lá porque somos pessoas diferentes e vamos para lá fazer a vidades novas que eles não estão habituados. Mas pronto, no final do mês eu concluí que efe vamente fizemos alguma coisa de ú l, por muito pequeno que seja. Acredito que agora menos crianças vão ser expulsas daquela colónia, que pelos menos um voluntário vai estar com mais atenção, não vai estar no telemóvel e vai organizar a vidades melhores e diferentes, que vão a rar menos lixo para o chão. Acredito que pelo menos uma coisinha destas vai acontecer e vai fazer tudo valer a pena. Qual foi o momento do Técnico que mais te marcou e porquê? É di cil! Não consigo escolher um. Quando me fazem essa pergunta não há nenhum que me venha logo à cabeça. Mas a maior parte dos melhores momentos envolve os amigos, muitos exames que foram di ceis e marcaram-me, muito estudos que também me marcaram, mas a maioria das coisas foram os jantares de curso, os churrascos… Por exemplo, no ano passado o jantar de curso calhou nos meus anos e então foi sem dúvida diver do porque eles até me ofereceram um bolinho e um colar de flores. Gostei de fazer o pedido ao meu padrinho na praxe, foi bastante engraçado, marcou-me sem dúvida. Também gostei da praxe, aquelas duas semanas iniciais são sem dúvida as melhores semanas do curso. Era tudo muito descontraído, faltar as aulas… Se bem que na altura não achávamos bem, mas agora vemos que valeu a pena. Preferias ter uma máquina que te permi sse reviver o passado ou que te permi sse ver o futuro? Não sei, nós temos sempre as nossas memórias para nos relembrar de como foi o passado. Por isso reviver o passado, nós já o conseguimos fazer. Por isso, acho que gostava de ter uma máquina para ver o futuro. Mas com algumas cautelas, não queria ver tudo, não é? Demoraste mais tempo a deixar de acreditar no Pai Natal ou na Fada dos Dentes? [Risos] Não me lembro do momento específico em que deixei de acreditar em nenhum deles. Na verdade, não me lembro se alguma vez acreditei em algum dos dois! [risos] Mas eu lembro-me de um dia descer as escadas e esconder-me na despensa à espera de o Pai Natal chegar. E depois, obviamente ele nunca chegou. Não sei se foi esse o momento exato… Na Fada dos Dentes acho que nunca acreditei, sinceramente. Mas punha sempre o dente debaixo da almofada porque sabia que se ia transformar num euro [risos].


CIÊNCIA EM PERSPETIVA Carlos Clara A u lização do hidrogel como suporte sico é um fator importante, que favorece e facilita o crescimento de novos vasos sanguíneos, que partem do ambiente circundante da cavidade para o seu interior. Acompanhando este crescimento vascular, induz-se também o crescimento de redes neurológicas nestas cavidades. O crescimento neurológico após AVC acontece normalmente, mas é bastante limitado, pelo que os inves gadores pretendiam estudar a influência da criação de novas redes sanguíneas na regeneração do tecido neuronal. Verificou-se, de facto, um aumento na a vidade de desenvolvimento de axónios para o interior da cavidade, sendo que, testando também o bloqueio da a vidade de angiogénese, se verificou uma diminuição do crescimento de axónios. Estes resultados, indicam que existe uma relação benéfica clara entre a vascularização e a regeneração de redes neuronais. Um acidente vascular cerebral (AVC) tem associada a perda de células neurológicas. Esta perda celular resulta frequentemente em sequelas para as ví mas destes episódios, e a recuperação é muitas vezes di cil, quando não é impossível. A 21 de Maio de 2018, foi publicado um ar go referente a uma inves gação de uma equipa da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), que apresenta resultados animadores para terapias regenera vas de tecido cerebral pósAVC, u lizando modelos de rato. A terapia em questão assenta na u lização de um hidrogel suplementado de aglomerados concentrados de alguns compostos responsáveis pela redução de inflamação nos locais afetados pelo AVC, assim como por promover a angiogénese (crescimento de novos canais sanguíneos). A matriz deste hidrogel é composta de ácido hialurónico, promotor de diferenciação neural, e contém associados aglomerados concentrados de fatores de crescimento vascular (VEGF – Vascular Endothelial Growth Factor), que promovem a angiogénese. A densidade destes aglomerados foi também testada, verificando-se que a maior densidade estava relacionada com maior a vidade de angiogénese e crescimento de tecido cerebral.

Testou-se ainda se estes resultados observáveis se traduziam em melhoramentos na a vidade motora de ratos ví mas de AVC’s, sendo que os resultados foram igualmente posi vos. Ainda assim, e exis ndo indícios de que as novas redes neuronais se encontravam funcionais, desconhece-se se a sua funcionalidade apenas promoveu a a vidade das regiões circundantes da cavidade, ou se existe de facto um restabelecimento da rede neurológica perdida. Milagres demoram a ser construídos, mas pelos avanços que vão sendo descobertos, há esperança no horizonte para combater mais uma das fragilidades do organismo humano.

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A NÃO PERDER... Sofia Relvas

VOLUNTARIADO BANCO ALIMENTAR Vem aí mais uma recolha pelo Banco Alimentar organizado pelo NEB. Vai-se realizar nos próximos dias 2 e 3 de junho das 11h às 14h. Se sentes vontade de ajudar e contribuir para esta causa vem encontrar-te connosco no armazém do Banco Alimentar na Avenida Ceuta na Estação Alcântara Terra. Para te inscreveres basta acederes à página de facebook do NEB e preencheres o formulário.

VERÃO NA ULISBOA 2018 Ainda não tens nada planeado para este verão? Gostavas de enriquecer o teu currículo, mas não sabes como? Então o NAPE tem a sugestão ideal para ! Candidata-te para monitor de grupo no Verão na ULisboa do campus Alameda. O Verão na ULisboa é uma inicia va da Universidade de Lisboa que proporciona aos jovens a oportunidade de conhecerem e experimentarem o ritmo e o espírito da vida académica nas diversas Escolas da Universidade. Esta inicia va decorrerá nas semanas de 2 a 6 de julho e 9 a 13 de julho. Poderás escolher em qual das semanas pretendes par cipar sendo que terás uma remuneração de 200 euros por cada semana. Ficaste interessado(a)? Para te inscreveres vai ao site do NAPE (nape. tecnico.ulisboa.pt) para saberes como proceder. Mas rápido, pois as candidaturas fecham dia 3 de junho.

BEST SYMPOSIUM ON EDUCATION 2018 De 1 a 12 de agosto o BEST Lisboa organizará, em Lisboa, um Simpósio de Educação, o Ready, STEM, Go!. O tema é STEM: Science, Technology , Engineering e Mathema cs. O obje vo é juntar alunos e peritos em Educação Superior, de várias universidades europeias, num ambiente informal, que promova a discussão dos problemas e desafios da atualidade nas universidades europeias. Os tópicos abrangidos durante o curso serão: Experiência necessária para exercer profissões relacionadas com STEM; Pedagogia na Educação STEM e Diversidade na mesma. Para além do ambiente de trabalho espera-se que os par cipantes se divirtam, tenham momentos de descontração e troquem contactos. Para mais informações visita as páginas de facebook (facebook. com/bestlisboa) do BEST.

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ESPAÇO CULTURA Carolina Mar nho Simões

88ª FEIRA DO LIVRO EM LISBOA A 88ª edição da Feira do Livro arrancou na passada sexta feira, a 25 de Maio, e estender-se-á até dia 13 de Junho, feriado em Lisboa. Irá decorrer em pleno Parque Eduardo VII, como seria de esperar, e terá múl plas a vidades, nomeadamente sessões de autógrafos de diversos autores, apresentações de livros e barracas de comida para quando o ape te apertar. Não percam esta excelente oportunidade de explorar o mundo da literatura, na companhia da família ou de amigos!

THE HAPPY SHOW O designer Stefan Sagmeister teve curiosidade em saber como é que se calcula a fórmula da felicidade. E a resposta está na exposição “The Happy Show”, no MAAT (The Museum of Art, Architecture and Technology), até 4 de Junho. Não é possível alcançar a felicidade permanente, algo di cil de aceitar, especialmente quando um dos principais obje vos de cada ser humano parece ter foco na felicidade. Mas o que é que fazemos realmente para a alcançarmos? Vem descobrir, através de uma série de esta s cas, grafismos e a vidades intera vas.

SOMMERSBY OUTJAZZ A 12ª edição do Sommersby Outjazz leva música ao Jardim da Torre de Belém, Keil do Amaral (Monsanto), Parque Eduardo VII, Jardim da Estrela e Jardim do Campo Grande, ao longo de cinco meses. Cinco espaços verdes, cinco meses de música gratuita em sessões que têm início às 17h00, todos os domingos. Vem aproveitar o melhor que Lisboa tem para oferecer, sempre com boa música.

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SABIAS QUE...

... Em média, cada elemento da redação da NEBLe er dedica 5 horas do seu tempo pessoal para a realização de cada edição da revista...

... Tempo esse que daria igualmente para voar entre Lisboa e Budapeste ou para estudar o suficiente para ter 20 a IEB...

... Mas nós preferimos gastá-lo aqui. E esperamos que tenham gostado tanto de ler as NEBLe ers deste ano como nós de as fazer. Muito obrigado a todos!

DESAFIO És fã assíduo da NEBLe er? Guardas sempre em casa uma edição após a revista ser distribuída? Pois bem, este desafio final é para . O que tens de fazer para te tornares no vencedor deste úl mo teste, não é mais do que pegares nas edições anteriores da NEBLe er deste ano le vo, ou consultares a versão disponibilizada no site do NEB e acertares no número total de cervejas, copos e garrafas que o Grande Vidente Medium Professor Mestre Osório bebeu em todas as suas “Dicas do Osório”. Não te percas na contagem e dá a tua melhor es ma va. Boa sorte! Envia a tua resposta para neble erist@gmail.com. Os vencedores serão escolhidos brevemente!

DICAS DO OSÓRIO Pedro Osório, Bernardo Saraiva O Grande Vidente Médium Professor Mestre Osório dedica-se à vidência e resolução de vários pos de problemas usando os poderes ancestrais mediúnicos de vários magos da an guidade. Desta vez, vai-te ensinar métodos para poupar dinheiro para realizares uma viagem a um des no exó co neste verão!

Vai apenas à 2ª fase dos exames. Assim, poupas nas folhas de teste, nas deslocações para a universidade e, acima de tudo, poupas no sofrimento.

Devido ao elevado preço dos combus veis, a melhor opção é mesmo perderes a midez e ir à boleia para todo o lado, apelando a alguma alma generosa.

Em vez de levares a tua namorada a almoçar fora, faz um direto enquanto almoças em casa. Assim, poupas na conta e ela não se pode queixar que não fazem planos juntos.

Aproveita o verão para rares um curso com o obje vo de aprenderes a fazer cerveja. Deste modo, bebes mais e gastas menos em bares e discotecas.

Sempre que fores beber copos com os teus amigos, diz-lhes que te esqueceste da carteira. A poupança é garan da, porque certamente ninguém se lembrará da dívida.

Após poupares milhares de euros com os conselhos anteriores, faz uma viagem inesquecível no verão, onde encontres lugares desconhecidos para muita gente.

NEBLetter Maio 2018  
NEBLetter Maio 2018  
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