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Jaimie Roberts Siren Livro Único

Tradução Mecânica: Bianca Z. Revisão Inicial: Lúcia Revisão Final: Ana Látia Leitura Final e Adequação: Anne P. Data: 01/2017

Siten Copyright © 2016 Jaimie Roberts

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sinopse Eu não sou uma boa pessoa. Na verdade, eu sou uma cadela de verdade. Se surgir a oportunidade, vou pegar seu marido, dar a ele o melhor sexo que ele já teve, e rir atrás de suas costas, uma vez que eu tiver acabado ele. Eu não dou o ar da graça. Eu só pego o que quero quando quero. Eu sou a abusada que se tornou o abusador. Eu vivo para o poder porque todo o poder foi tirado de mim por anos. Agora que eu tenho de volta, eu me alimento dele como se fosse o meu sustento primário, e eu não me importo com quem eu magoo no processo. Toda mulher me odeia, mas você sabe o quê? Eu não dou a mínima. Você não vai gostar de mim. Eu não estou aqui para ser adorada. Quer saber a minha história? Eu não vou impedir você de observar. Só sei que uma vez que eu terminar com você, nenhum chuveiro - não importa o quão escaldante - vai me tirar de sua pele.

Aviso: Se você está procurando nuvens cor-de-rosa, arco-íris e finais felizes, então este livro não é para você. Estas páginas contêm cenas de flashback de abuso infantil de todas as formas (física, sexual e emocional), bem como BDSM e outros temas tabu. O amor não vive neste livro. Apenas obsessões sombrias, retorcidas e doentes surgem aqui.

Você. Foi. Avisado!

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playlist Clown by Emeli SandĂŠ Unsteady by X Ambassadors Titanium (Acoustic Version) by Madilyn Bailey Treat You Better by Shawn Mendes This is What You Came For by Calvin Harris ft. Rihanna Maneater by Nelly Furtado Iris by Goo Goo Dolls Dangerous Woman by Ariana Grande Under the Influence by Elle King Take Me Home by Jess Glynne

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scarlet Desça à escuridão comigo Segure a minha mão, e eu vou levá-lo lá Desça à escuridão comigo Onde eu vou levá-lo em meu covil

Desça à escuridão comigo O que você encontrará vai te sugar Desça à escuridão comigo Para testemunhar libertinagem, prazer e pecado

Desça à escuridão comigo Ela fará você parecer tão errado que está certo Desça à escuridão comigo Abra os olhos e contemple a vista

Desça à escuridão comigo Eu vou fazer você se sentir como o rei do mundo Desça à escuridão comigo Onde o que está à espera será desdobrado

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Desça à escuridão comigo Você nunca vai acreditar em seus olhos Desça à escuridão comigo Você está em uma surpresa deliciosa

Desça à escuridão comigo Sua cabeça vai girar, e isto nunca irá parar Desça à escuridão comigo Uma vez que você descer, você nunca subirá

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prologo Eu estou sobre o túmulo do meu pai, enxugando as lágrimas que ameaçam cair sobre o solo debaixo dos meus pés. Eu estou usando um vestido preto, que para logo acima do joelho, e em meus pés estão um par de saltos altos Louboutin novos, preto e vermelho. Eu grito elegância, mas também sou a imagem perfeita de uma filha em profunda angústia sobre a morte prematura de seu pai. E que uma morte prematura foi. Aperto meu peito, soltando soluços de dor quando me curvo para colocar novas flores em seu túmulo. Tenho vindo aqui todos os dias, trazendo novas flores para substituir as antigas. Eu pego as flores de ontem e as atiro de lado, enquanto traço a linha do nome do meu pai em sua lápide. Aqui reside Richard Valentine, pai amoroso de duas filhas. Nascido em 26 de janeiro de 1970, morto em 15 de julho de 2016. Isso foi há três semanas. Seu corpo foi encontrado enterrado em Virginia Water, em Surrey, somente dezenove milhas, ou menos, de onde eu moro. Ele foi enterrado profundamente, mas uma tempestade, dezesseis dias atrás, descobriu seu corpo em decomposição. Ele tinha uma facada nas costas, que foi a causa da sua morte. Foi assassinato, é claro, e só agora a polícia está investigando. No início eles pensaram que ele havia fugido, possivelmente conhecido uma garota, se apaixonado loucamente, e estava vivendo na praia, bebendo cocktails com uma loira de seios grandes. Minha irmã, porém, se manteve sobre o caso. Ela tentou dizer a eles que não era possível ele simplesmente desaparecer sem ao menos manter contato. Eu a corroborei para a polícia, mas eu também a lembrei do tempo quando ele desapareceu por um ano sem deixar um traço, e voltou tão de repente como ele foi. Eu sabia a verdadeira razão do porquê, mas não a divulguei, nem para a minha irmã ou para a polícia. Aquele pequeno segredo era apenas entre papai e eu. Os dois policiais deram um ao outro aquele olhar... um que diz: — Sim, não há jogo sujo aqui. — eles só pensaram que ele encontrou a garota dos seus sonhos, ~7~


e estava ocupado fazendo o papel do namorado apaixonado com seu novo brinquedo. Enquanto eu penso sobre isso, soco seu túmulo com ternura e varro as folhas que caíram das árvores próximas. Eu preciso ter certeza de que ele esteja limpo e arrumado antes de me ajoelhar em sua sepultura, e jogar os braços sobre a lápide. Com meus braços me protegendo de qualquer um que possa estar assistindo, eu tomo uma respiração longa e profunda. Um sorriso sobe no meu rosto enquanto eu profiro as palavras, — Você sempre adorou quando eu jogava meus braços em torno de você, não é? — eu suspiro, me debruçando para chegar mais perto de sua lápide antes de cuspir em seu túmulo. — Eu espero que você esteja apreciando seu tempo no inferno, papai.

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um 10 de maio de 2016, Londres. Eu nunca quis ou pretendi ser uma boa pessoa. Claro, eu fiz o papel, me acostumei a agir. Na verdade, eu sou absolutamente boa nisso. Eu tive anos para aperfeiçoá-lo, de tal forma que me deixa até impressionada. O que posso dizer? Eu me amo. Eu sou um dez perfeito em todos os sentidos. É por isso que os homens me querem. É por isso que os homens praticamente caem aos meus pés para ter um pedaço de mim. Eu só dou a eles o que querem se eu tiver um benefício em troca. Tomemos, por exemplo, este homem que vejo na minha frente. Ele está em um terno de três peças, com o cabelo perfeitamente penteado e uma mão protetora colocada nas costas de sua esposa. Ele está conversando com outro casal, enquanto eles riem de suas piadas. Ele é um MP, então é claro que eles estão rindo. Aposto que as piadas são uma porcaria, mas eles vão rir delas de qualquer maneira. Eu odeio puxa-sacos e em lugares como este, o cheiro de merda enche o ar, me dando vontade de vomitar. Mas ei, eu sou uma senhora. Eu só vomito arco-íris. Mas, no entanto, isso não é a razão pela qual eu estou olhando. Eu estou olhando porque durante os últimos vinte minutos ele quase não tirou os olhos de mim. Eu não o culpo, claro. Eu sou alta e curvilínea, com pernas que vão por milhas. Eu tenho seios grandes, cabelos castanhos longos e fluidos, e os olhos verdes mais claros que alguém já viu. Me foi dito que eu posso hipnotizar um homem com os meus olhos, e com cada chance que tenho, eu faço isso. Um olhar enviado da maneira certa e seus paus ficam duros para mim. Inferno, eu nem sequer tenho que tentar. Eu sou só eu. Não posso deixar de ser eu, e para ser honesta, eu não teria isso de nenhuma outra maneira. Ficando pronta para agir, eu tomo um gole do meu champanhe, descanso minha mão na minha perna nua. Estou com um vestido vermelho com uma abertura lateral, sentada no banco com as pernas cruzadas e dando a todos a chance de uma olhada em apenas um dos meus muitos

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ativos. Eu posso ver todas as mulheres de cara feia para mim, e todos os homens babando. Todos querem me foder, mas apenas um vai conseguir esta noite. Precisando apressar um pouco as coisas, eu sorrio sedutoramente para o MP, quando ele olha para mim novamente. Eu posso vê-lo encarando enquanto dá suas desculpas para sair e se aproxima do bar. Eu me viro para enfrentar o bar e esperar que o inevitável aconteça. Os homens são tão previsíveis. — Eu nunca vi você por aqui antes, e acredite em mim quando digo que eu saberia se já tivesse visto um rosto bonito como o seu. Posso perguntar seu nome? — corro os dedos ao longo do copo e viro o rosto para a minha vítima. Eu sorrio mais uma vez antes de travar meus olhos com os dele. Eu sei qual olhar dar. Eu o aperfeiçoei ao longo dos anos. — Meu Deus, você é realmente impressionante. Eu me aproximo, deixando-o saber que estou prestes a dizer algo que não deve ser ouvido. — Você quer descobrir o quão impressionante posso ser? — ele acena com seriedade, sua respiração pesada evidente. Eu já o excitava, e eu nem sequer comecei com ele ainda. — Me encontre no banheiro para deficientes em sessenta segundos. Vou estar contando. Se você não estiver lá neste tempo, eu vou embora. Entendeu? — ele balança a cabeça novamente, me deixando lentamente deslizar para fora do meu banquinho e seguir para os banheiros. Eu já estou molhada pelo que vai acontecer. Eu amo essa emoção. Eu amo a perseguição em saber que dentro de uma fração de segundo, os homens casados por meses, ou mesmo anos, estão dispostos a jogar fora todo esse tempo por alguns segundos em banheiros. Que patético. Eu vagarosamente caminho para o corredor silencioso e localizo o banheiro para deficientes. Eu vejo a marca de batom vermelho me dizendo que tudo está certo. Eu sorrio, abrindo a porta para entrar. O banheiro é no canto, e uma pia com espelho é exibida à esquerda da porta. Eu a fecho atrás de mim e levo alguns segundos para me verificar no espelho. Meus lábios estão cheios e carnudos, com a quantidade certa de batom vermelho escuro. Meu delineador preto está perfeitamente aplicado para acentuar meus olhos verdes impressionantes. Eu verifico a pia e percebo que está em uma ótima posição. O lugar perfeito para me foder.

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Justamente quando eu penso nisso, uma batida na porta soa, e eu a abro com cuidado para deixá-lo passar. Ele parece prestes a estourar. Posso dizer que ele não consegue acreditar em sua sorte. Será que ele realmente acha que eu faria isso sem um motivo? Alguns homens podem ser uma decepção, às vezes. Assim que tranca a porta atrás de si, ele se aproxima. Sua respiração é pesada, conforme ele move a cabeça para os meus lábios. Eu coloco o dedo sobre ele. — Ah-ah. Não tão rápido, garotão. Ele franze a testa para mim. — Você tem uma regra sobre nenhum beijo ou algo assim? Por que você me escolheu, afinal? Eu sorrio, pegando sua mão e fazendo-o arrastar sua mão na minha perna, e para minha buceta. — Sinta como eu estou molhada para você, então talvez você verá por quê. Eu não beijo, Sr. Caruthers. Eu apenas adoro foder. Seus olhos se arregalaram quando percebe que não estou usando nenhuma calcinha. Ele lentamente alisa sobre meu monte antes de deslizar os dedos entre a minha abertura molhada. — Porra, você está molhada. Você sabe meu nome, e obviamente, sabe quem eu sou. O que você quer, querida? Eu coloco minha mão para baixo, para seu pau, e sorrio uma vez que eu sinto o quão grande ele é. Ele é do tamanho adequado. O suficiente para me agradar se ele souber como usá-lo. Ele está duro como pedra, então eu sei que ele está ansioso para começar tanto quanto eu. — Você é um homem poderoso. Isso realmente me excita. Eu adoro ser fodida por homens poderosos. Sua sobrancelha levanta. — Então, é sobre isso? — eu aceno minha cabeça enquanto abaixo o zíper de suas calças e coloco minha mão no interior. Eu aliso seu pau, e uma onda de prazer dispara através de mim quando eu vejo sua reação. Eu vivo para isto. Eu sou, em certo sentido, excitada pelo poder, mas é o poder que tenho sobre eles que realmente me deixa molhada. Querendo apressar as coisas, eu coloco minha mão na minha bolsa e puxo um preservativo. — Vamos escorregá-lo em algo mais confortável, não é? — Porra, sim, — diz ele enquanto eu rasgo o pequeno pacote com a ~ 11 ~


minha boca e prossigo para colocar o preservativo no seu pau. Ele parece pronto para disparar sua carga. Uma vez colocado, eu sento na pia e espalho minhas pernas para ele. — Me foda tão duro quanto você conseguir. Primeiro, ele fica lá maravilhado com minha buceta, antes de encontrar meus olhos. Eu o deixo excitado com esse olhar. Sem tempo a perder, ele empurra para frente, colocando seu pau na minha entrada. Ele desliza para dentro de forma constante, e eu noto o olhar de prazer escrito sobre ele. — Você é incrível. — ele bate até o fim, gemendo enquanto ele coloca a cabeça no meu ombro. — Você é tão apertada. — ele beija o meu pescoço e começa a se mover, mas é muito lento. — Garotão, mais duro. Me foda mais duro. — eu grito, enquanto eu mantenho a minha posição com uma mão e tento espremer seus quadris em mim com a outra. Com uma força surpreendente, ele bate duro e rápido em mim, fazendo meu orgasmo aparecer mais rápido do que eu esperava. Não é tanto o que ele está fazendo... é a emoção. Eu amo a emoção. Mas isso só me leva a meio caminho. Eu lamento em voz alta, e eu estou prestes a dizer a ele para continuar, porque eu estou gozando, quando de repente ele geme alto e endurece. — Pooooorra! — ele respira na base do meu pescoço. Que decepção. Eu quase suspiro meu desagrado, mas eu o seguro. Em vez disso, eu espero ele se acalmar do que era, obviamente, o orgasmo mais forte de todos os outros orgasmos. Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso. Depois de alguns segundos, ele desliza para fora e olha para mim como se eu fosse a única mulher no mundo. — Eu tenho que vê-la novamente. Isto foi seriamente... palavras me faltam. Eu sorrio meu melhor sorriso vencedor, e ajudo a tirar o preservativo para fora dele antes de jogá-lo no lixo. — Eu gostei também. Ele fecha seu zíper. — Posso pegar seu telefone? — eu dou a ele como eu fiz milhares de vezes antes com os outros. É um número falso, é claro, mas ele não vai saber até que seja tarde. — Eu acho que não perguntei o seu nome. Eu balanço minha cabeça. — Eu nunca disse. É Jenny. ~ 12 ~


Não é Jenny. Eu vejo quando ele digita, antes de se inclinar para beijar minha bochecha. — Eu definitivamente ligarei para você. — ele vira para a porta, abre, e quando ele desaparece, eu digo: — Eu não tenho nenhuma dúvida sobre isso. Tudo fica em silêncio por alguns segundos, e eu tomo meu tempo para respirar profundamente. Eu ainda estou insatisfeita e isso me irrita. Enquanto eu penso nisso, ele entra e tranca a porta atrás de si. — Ele deixou minha bebê insatisfeita. Nós não podemos deixar por isso, podemos? Eu sorrio para o único homem que já amei, mas não posso ter. Ele também é o único homem que eu deixei ter poder sobre mim. Ele sabe disso e o usa para sua vantagem. Com um metro e noventa e oito, ombros largos, cabelo preto curto e uma mandíbula pronunciada, Reid Marks é tudo que uma mulher pode querer, e cara, elas realmente o querem. Ele é o rapaz malvado tatuado que meus pais desaprovariam. Isso só me faz querê-lo ainda mais. Eu tentei. Cara, como tenho tentado. Eu bloqueio meus olhos com suas íris castanhas profundas. Assim como cada homem diz que eles se perdem na minha, eu igualmente me perco na dele. — Eu estava prestes a gozar, quando ele... Ele me impede de falar, colocando o dedo nos meus lábios. — Eu vou fazer isso pra você. Eu fecho meus olhos com um gemido quando sinto sua mão deslizar para cima do meu vestido. Ele encontra a minha entrada e desliza um dedo que é rapidamente seguido por outro. — Me beije, — ele ordena, e eu não hesito. Dou a ele os meus lábios, saboreando o gosto dele enquanto ele me fode com os dedos. Eu estou com minhas mãos agarradas na pia atrás de mim, enquanto ele soca os dedos repetidas vezes. Dentro de um instante ele tem o polegar contra o meu clitóris e pressiona duro, me fazendo chorar. — Eu quero que você goze dizendo o meu nome. Só o meu nome, baby. — seu polegar começa a fazer pequenos movimentos no meu clitóris, mas bem quando meu orgasmo aumenta, ele tira o polegar e começa a bater fortemente os dedos dentro de mim. A palma de sua mão começa a bater no meu clitóris a cada mover de sua mão de mestre. Rapidamente o orgasmo vem de novo, e desta vez eu sei que não vai voltar. — Me dê isso, Scarlet. Agora.

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Eu detono em torno dele, gritando seu nome como a boa menina que ele sabe que sou. Ele nunca me fode, mas ele garante que eu receba os melhores orgasmos que ele sabe que eu nunca vou ter. Ele já me disse várias vezes que ele não compartilha. O nosso pequeno arranjo está estabelecido, porque satisfaz a nós dois. Estamos acostumados a um certo estilo de vida juntos, e certamente não sai barato. Reid desliza os dedos para fora de mim e lentamente os lambe, me deixando toda quente e necessitada por ele novamente. — Você faz isso de propósito. Ele agarra a parte de trás do meu cabelo, enrolando em seu punho e puxa minha cabeça para ele. — Prove como você é incrível, porra. — ele esmaga seus lábios nos meus, deslizando sua língua para que eu possa provar meu gosto. Ele se afasta de repente. — Nós não temos muito tempo. — ele me empurra de joelhos, tirando o seu grande pau e eu me posiciono no chão. Com o punho ainda no meu cabelo, ele me puxa para frente espalhando seu pré-sêmem pelos meus lábios. — Esses lábios são meus, e só meus. — ele empurra minha cabeça para frente, fazendo meus lábios se abrirem para levá-lo em minha boca. Ele não é gentil. Ele nunca é, mas eu não dou a mínima. Ele é o único homem que eu iria deixar me tratar da maneira que ele trata, porque ele é o único homem que realmente cuida de mim... me ama do único modo que ele sabe que eu desejo. Quando ele começa a adquirir um ritmo, uma batida soa na porta. — Cai fora! — Reid grita, então seu ritmo se torna frenético. — Porra, eu gostaria de ter tempo para saborear você, — ele resmunga, enrolando mais apertado meu cabelo em seu punho, e empurra seu pau mais profundo em minha boca. Ele é implacável quando bate mais rápido e mais duro no fundo da minha garganta. — Porra, Scarlet, eu vou gozar. — ele violentamente empurra seus quadris, e eu sinto quando o líquido atinge o fundo da minha garganta. Eu pego tudo, deixando-o deslizar para baixo. — É isso aí, baby. Me leve. Tome tudo de mim. — eu ouço seu suspiro satisfeito enquanto eu o limpo. Uma vez feito isso, ele fecha seu zíper e me ajuda a levantar. Com uma mão em volta do meu pescoço, ele me faz olhar em seus olhos. — Você sabe que ninguém pode te amar do jeito que eu posso, né? — eu aceno com a cabeça, mas começo a engasgar um pouco quando ele coloca pressão sobre o meu pescoço. Mas tão rápido quanto ele aperta, ele tira a mão. — Vamos nos limpar e ir. — ele se vira, pegando o purificador de ar colocado no canto,

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que convenientemente tem uma câmera dentro, enquanto eu arrumo meu cabelo e aplico um pouco mais de batom nos meus lábios inchados. Uma vez terminado, Reid se move para a porta. — Damas primeiro. Eu sorrio, balançando a cabeça em sua direção quando saio pela porta. Ele me deixa ir primeiro para que eu possa me perder na multidão. Assim que saio, um homem do outro lado me dá uma examinada e está prestes a entrar quando ele percebe Reid. Seus olhos se arregalam quando ele percebe o que pode ter acontecido lá. Eu apenas sorrio e sigo em frente. Há muito mais pessoas rindo agora e ficando bêbadas. Enquanto eu caminho, percebo todas as mulheres de cara feia na minha direção, quando seus maridos ou namorados olham. Eu apenas sorrio com a minha cabeça erguida, fazendo meu caminho para a saída. Uma vez lá, me viro para encontrar o Sr. Caruthers no bar com sua cabeça para baixo, enquanto ele digita algo em seu telefone. Sem dúvida, ele está me mandando mensagem de texto, mas eu nunca saberei o que a mensagem diz. Ele não vai mais ouvir falar de mim, apesar de tudo. Muito em breve, ele vai desejar nunca ter me conhecido.

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dois Eu perdi minha virgindade quando tinha catorze anos. Mas não com qualquer um. Pode-se dizer que fui estuprada. Na verdade, o conhecimento que eu não queria isso, quando ele obviamente queria, seria uma denúncia fatal. Mas o tempo mudou as coisas. Eu segui em frente e me tornei a pessoa que sou hoje. Eu aprendi a viver com meu abuso e logo o transformei para usá-lo como minha arma. Com um sorriso sensual, eu olho nos olhos do meu estuprador, do outro lado da sala. É o vigésimo oitavo aniversário da minha irmã mais velha, então naturalmente, ele estaria aqui para celebrá-lo. Meu pai tinha dezoito anos, e minha mãe tinha apenas dezesseis quando eles tiveram Amber. Eu tenho que rir para mim mesma quando penso sobre isso. A história acabou se repetindo no futuro. Seu marido amoroso, Porter, se ergue diligentemente ao seu lado, enquanto eles conversam com seus amigos. Porter não percebe isso ainda, mas ele tem uma marca na sua cabeça, e ele a teve desde o dia em que ele e Amber se casaram. Eu não tenho certeza de quando vou agir. Estou apenas esperando a oportunidade perfeita para atacar. Tenho certeza que meu dia vai chegar. A questão é apenas quando. — Eu vejo que trabalhar em investigações realmente paga bem. — minha irmã sorri, mas tenho certeza de que posso detectar uma pitada de ciúme em sua voz. Ela tem todo o direito de estar. Ela pode não saber realmente a fonte de toda a minha riqueza, mas a parte das investigações não é uma mentira. Reid realmente não fazia muito em seu antigo emprego, porque agora ele faz uma porrada muito maior, fazendo o que ele faz comigo. — Grande parte da nossa clientela é de classe alta, Amber. De modo algum é um negócio barato de se fazer. Eu observo seus olhos me varrerem novamente, enquanto viajam no meu vestido Chanel branco e justo, e os sapatos Prada pretos de salto alto. Realmente, vale a pena o benefício.

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— Não há nada em você que não seja um rótulo? Eu sorrio. — Amber, se eu não soubesse melhor, eu diria que você está com ciúmes. Ela ri e está prestes a responder quando seu marido se aproxima e beija minha bochecha. — Scarlet, que bom vê-la novamente. Faz um bom tempo. É o trabalho que está te mantendo ocupada? Eu me certifico de dar a ele o meu melhor sorriso enquanto eu sedutoramente acaricio seu braço, quando ele se afasta de mim. Amber não nota, mas pelo olhar no rostinho de menino bonito de Porter, ele notou. O rubor no seu rosto é evidente, fazendo luxúria correr em minhas veias. Cara, eu queria fazer coisas sacanas com ele! — Está indo perfeitamente bem, obrigada. Como é a vida com computadores? — ele é um nerd típico, e minha irmã é professora de escola primária. Eles queriam ter filhos durante um par de anos, mas não há notícias sobre isso ainda. — O mesmo de sempre, o mesmo de sempre. Não há muito que possa ser dito sobre o meu trabalho. É muito chato comparado ao seu. — todos rimos. Ele não sabe da missa a metade. — Você pegou meu presente? — eu pergunto, olhando na direção da mesa onde todos os presentes estão colocados. Ela balança a cabeça. — Não. Vou pegar agora. — ela corre, momentaneamente deixando Porter e eu sozinhos. Ele parece tímido de repente, o que é uma graça. Isto o torna ainda mais um desafio. Enquanto eu penso nisso, olho mais uma vez para o meu abusador e posso ver que ele ainda está me observando. Ele nunca conseguiu tirar seus olhos de mim. Tem sido, pelo menos, um ano desde nosso último encontro, então, sem dúvida, ele ainda está curioso sobre mim. Eu posso ver o olhar predatório que ele me dá quando ele me vê. Ele ainda não o perdeu. — Aqui está! — Amber diz alegremente quando ela acena a caixa retangular na nossa frente. Ela sorri antes de abri-la, e Porter e eu esperamos pacientemente enquanto ela rasga o papel da pequena caixa. Quando ela levanta a tampa, ela engasga quando vê o incrustado de diamantes da pulseira Tiffany prata. Me custou uma fortuna, mas ei, eu ~ 17 ~


posso pagar. Ela pode ser uma cadela, mas ela ainda é minha irmã. E minha irmã tem algo que eu quero. — Oh meu Deus, Porter, olhe para isto, — ela grita, quase em lágrimas. Ela olha para mim. — É muito. Eu balanço minha cabeça. — Para minha irmã, não é. Eu vejo aquele olhar de culpa cruzar seu rosto enquanto ela morde o lábio. Ela corre para um abraço. — É lindo. Obrigada. Eu ternamente a acaricio. — Não é nada. Eu o vi e sabia que tinha o seu nome. Ela se afasta e empurra a pulseira na minha frente. — Você pode colocá-la em mim? — eu posso ver o brilho em seus olhos quando eu pego a pulseira dela. Um monte de diamantes e ela está nas minhas mãos. Homens são previsíveis, mas as mulheres são igualmente assim. Como a irmã diligente que eu preciso ser, eu aperto a pulseira em torno de seu pulso minúsculo e vejo como ela e Porter ficam ooh e ahh. — Isso foi tão doce da sua parte, — Porter diz com um sorriso suave. Oh, baby, eu posso ser tudo, menos doce. — Eu não vejo vocês faz um bom tempo, e devo admitir que me sinto um pouco culpada por isso. Nós somos uma família e devemos passar mais tempo juntos. Falando nisso, onde está mamãe? — no aniversário de meu pai em janeiro do ano passado, entrei em contato com a minha família pela primeira vez em muito tempo. Foi definitivamente uma noite que meu pai e eu não vamos esquecer. Eu tinha um plano para me aproximar, mas ele desapareceu por um tempo. Eu me mantive em contato com minha mãe e irmã, mas realmente não tenho feito muito esforço. Agora que ele está de volta, eles vão me ver muito. Amber, parecendo chocada com o que eu disse, gagueja um pouco. — Erm, ela disse que estava vindo um pouco atrasada do aeroporto. Ela e David estão voando de volta de Paris hoje, mas os controladores de tráfego aéreo estão em greve novamente. Eles esperam chegar aqui em cerca de uma hora. Você vai ficar e vê-los, não vai?

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Eu sorrio, pensando que isso vai ser perfeito. Eu terei dois homens, ambos os quais eu fodi, no mesmo lugar. Tá vendo, a-senhorita-perfeição que é minha mãe, com seu sempre-tão-perfeito marido, não imagina que David costumava me foder na casa da piscina quando eu estava morando com eles, um par de anos atrás. Toda chance que ele tinha, ele me fodia. Eu me pergunto o que os perfeitos mamãe e papai teriam a dizer sobre isso? — Claro. Eu não perderia em vê-los por nada neste mundo. Amber sorri brilhantemente para mim. — Ótimo. Mamãe mencionou no outro dia. Ela disse que ela e David estavam sentido sua falta. Sim, eu aposto que David definitivamente está sentindo falta de alguma coisa minha. Enquanto eu penso nisto, eu olho em direção a ele novamente e ainda posso vê-lo me encarando. Amber percebe onde eu olho. — Vocês ainda têm se falado? Eu balanço minha cabeça. — Não, mas tenho certeza de que nós falaremos em algum momento. — Na verdade, eu estou contando com isso. Conhecendo-o, ele não será capaz de resistir a isto. Ele nunca consegue. — Você quer outra bebida? — Porter pergunta, mudando de assunto. Acho que ele sabe da nossa situação e está escolhendo mudar a conversa por minha causa. Como ele é doce. — Sim, obrigada. Isso seria legal. Ele pega meu copo e vai embora, deixando Amber e eu juntas. Não demora muito, uma amiga dela está gritando quando ela olha o bracelete em seu pulso. — Scarlet me deu. — ela sorri. Sua amiga olha para mim com um sorriso. — Uau. Eu já te disse que eu sou a sua irmã perdida de Brighton? — todo mundo ri, então eu também sorrio, como deveria. É difícil manter as aparências. — Eu ouvi muito sobre você. Eu me viro em direção à voz e encontro outro homem de aparência formal, em seus vinte e tantos anos. Seu cabelo está com gel em um estilo que algumas mulheres gostariam, mas ele não faz nada para mim. — Com licença?

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Ele sorri e oferece sua mão. — Desculpa. Meu nome é Kevin. Eu sou um colega e amigo de Porter. Isso explica muita coisa. — Scarlet, — eu digo, balançando a mão. — Mas talvez você já soubesse disso. Kevin ri. — Sim, Porter me disse que Amber tinha uma irmã mais nova. Ele disse que você era bonita, mas eu não imaginava o quão bonita você realmente é. Isso me surpreende. — Oh, ele falou, não é? Isso é muito lisonjeiro dele. — assim que digo isso, Porter me dá de volta a minha bebida. — Obrigada. Kevin estava me dizendo o quanto ele sabe sobre mim. Kevin ri. — Eu estava apenas dizendo o que você mencionou sobre ela, mas não o quão bonita ela realmente é. Impressionante, — diz ele, passando seus olhos sobre mim. Eu sorrio e olho outra vez. Eu não consigo evitar. Ele está lá no canto ainda pensativo, sempre olhando, tão pronto para atacar. Talvez eu devesse ligar o calor um pouco. Eu começo a rir como uma menina adolescente da escola e coloco minha mão no ombro de Kevin. — Oh, você é encantador, — eu digo, enquanto eu vejo o rubor aparecer em seu rosto. — Eu só vou ver se Amber está bem. — Porter movimenta o dedo para Amber. Posso dizer que ele está subitamente desconfortável, e quer deixar a nossa pequena interação. Eu aceno com a cabeça e viro, colocando meu braço em torno de Kevin. — Então, me diga mais sobre você.

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tres Depois de mais de dez minutos de conversa com Kevin, eu percebo que ficar em casa assistindo Gênios do Crime teria sido uma aventura muito mais emocionante do que isso. Eu fiz isso apenas para irritá-lo. E eu tenho certeza que funcionou. Enquanto Kevin tagarela, eu espero por uma oportunidade, quando sei que ele está me observando, antes de fazer as minhas desculpas. — Kevin, eu preciso usar o banheiro feminino. — eu não disse que eu voltaria para ele. Não tenho a intenção de conhecer as sagas de laptop diária de Kevin ou sobre noites de bingo com sua mãe toda quinta-feira. Eu coloco a minha bebida em cima da mesa e faço o meu caminho através da multidão, saindo para o corredor. Eu não olho, mas eu sei que ele está observando cada movimento meu, e eu sei que ele vai me seguir. Eu subo os degraus, deliberadamente escolho usar o banheiro no andar de cima. Ninguém vai estar lá em cima, então eu sei que teremos muita privacidade para conversar. Isso é o que o Amber quer afinal de contas. Enquanto eu tomo passo a passo, eu balanço meus quadris, sabendo que ele está assistindo, ele deve estar suando agora. Eu quase posso ouvir sua respiração ofegante a partir daqui. Eu vou ao banheiro o mais rápido que posso, e vou até minha bolsa para tirar o purificador de ar. Reid estaria chateado comigo se soubesse que eu estou fazendo isso, mas esta é a minha primeira chance em um longo tempo para obter a prova de que preciso do tipo de pessoa que este homem realmente é. Eu coloco o purificador encima da bancada, na posição perfeita, e me viro para olhar meu cabelo no espelho. Ele está preso hoje, com um par de fios soltos acariciando minhas bochechas. Meu rosto está vermelho do álcool, mas também por causa da adrenalina agora correndo através de mim. Eu deveria ter medo dele, mas eu não tenho mais. Eu finalmente aprendi o poder que tenho sobre ele. Ele também acha que ele tem o poder, mas a garotinha assustada cresceu rápido e aprendeu uma coisa ou duas.

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Assim que começo a fechar a porta, um pé aparece, me fazendo ofegar. Algumas vezes isto será uma atuação, algumas não. Eu só preciso provocá-lo do jeito certo para conseguir as imagens que eu preciso. Eu recuo, permitindo a ele entre e me pressione contra a parede. — O que você está fazendo aqui? — pergunto quando ele aparece e fecha a porta atrás dele. Eu vejo o sorriso quando ele clica a fechadura. Me lembro deste som de anos atrás. Ele costumava me trazer pesadelos, mas de alguma forma, hoje isso me acalma. — Tem sido mais de um ano, Scarlet. Não tenho o direito de ter algum tempo a sós com você, para perguntar como você está indo? — seus olhos vagueiam o comprimento do meu corpo, antes de encontrar meus olhos. — Vejo que você está fazendo bem para si mesma. Amber me disse que estava trabalhando em uma empresa de investigações? Ele dá um passo mais perto, e eu permito que a minha respiração acelere. Eu quero que ele veja que eu estou nervosa, mas tudo o que eu sinto é calor. Tudo que eu sinto é a umidade se reunindo entre minhas pernas. É uma doença, mas o pensamento de que eu mantenho o poder sobre ele, para variar, me faz implorar para ser tomada. Tenho certeza que ele pode sentir o cheiro em mim. Seus olhos ainda são predadores... ainda segurando o lampejo de emoção que sei que ele tem toda a vez que faz isso comigo. — Eu ajudo executá-lo com alguém. Alguém que ficaria muito zangado se souber que você está me prendendo aqui assim. Ele sabe sobre você. Sua sobrancelha sobe e ele propositadamente dá um passo à frente. — E esse alguém seria o seu namorado? — Sim, e ele é muito protetor comigo. Ele vai te matar se você me tocar. Ele sorri, dando um passo à frente novamente. Eu posso ver isso transformá-lo. Quanto mais o desafiar, melhor. Ele está doente de si mesmo, mas a doença passou para mim agora. — É mesmo? — ele dá um passo à frente novamente, até estar a centímetros de mim. Viro a cabeça para longe dele, mas eu posso ver no canto do meu olho que ele está inalando meu cheiro. Ouço quando ele assume uma ingestão aguda, antes de soprar o calor de sua respiração no meu pescoço. Eu costumava me sentir doente quando ele fazia isso, mas agora, eu posso me ligar e desligar como um

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interruptor. — Você ainda cheira como costumava cheirar. Esta é a única coisa que não mudou. Além disso, seu corpo parece ainda mais firme do que o normal. Você malha? Ele não me tocou, mas eu sei que é apenas uma questão de tempo. — Você não deveria estar me fazendo perguntas como essas. Você sabe como é inapropriado? Ele começa a rir... uma risada má, gutural. Ele pode ter envelhecido um pouco, e seu cabelo é grisalho, mas ele ainda comanda o lugar apenas como ele costumava fazer. Ele ainda consegue ter aquele ar de poder que uma vez me fez encolher. Não mais. — Depois de tudo o que fizemos juntos, você quer trazer os meus comentários inapropriados? Viro a cabeça para ele e vejo o seu sorriso. — Nem tudo o que fizemos juntos. Tudo que você fez comigo. Você não pode mais fazer isso. Eu cresci e conheci alguém com quem estou feliz. Você não pode mais me machucar. Eu cuspo na cara dele, esperando a reação que eu quero. Dentro de um segundo, ele tem a mão em volta da minha garganta, quando ele me bate contra a parede. — Escuta, sua putinha, você não faz as regras de merda. Eu faço. Eu fiz de você minha puta. Tomei sua inocência e te fiz minha para sempre. Nenhum homem do caralho jamais vai ser capaz de tirar isso de mim. Quem quer que seja que acha que tem uma reivindicação sobre você, pode pensar de novo. — ele bate minha cabeça contra a parede, apertando o meu pescoço um pouco mais forte. Após a picada inicial, eu sorrio e, em seguida, o riso explode de repente para fora de mim. — Do que você está rindo? Surpreendendo-o ainda mais, coloco minha mão em seu pau duro. — Você ainda não pode evitar, não é? Mesmo agora que estou crescida, você ainda quer me foder em sua submissão. Você ainda quer ter poder sobre mim. Bem, eu vou te dizer outra coisa, papai. — eu inclino minha cabeça para frente, e surpreendentemente, ele me deixa chegar mais perto de seu ouvido para sussurrar, — Eu não sou mais uma garotinha. Quando eu puxo a minha cabeça, eu testemunho o momento em que ele vê isto. Ele sabe que eu sou tão doente quanto ele. Ele acha que eu

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acredito que ele é o meu verdadeiro pai, mas ele não sabe que eu o ouvi naquele dia no hospital, quando ele estava falando com a minha mãe. O dia em que ele me colocou lá e tentou fazer com que aquilo fosse tudo culpa minha. Fingi que estava dormindo, mas eu ouvi cada palavra. Amber é dele, mas minha mãe teve um caso com outro homem, quando ela e meu suposto pai haviam se separado. Eles ficaram juntos no final, mas minha mãe descobriu que ela estava grávida de mim. Eu acho que o motivo pela forma como ele me tratava era por isso. Ele estava impotente para parar a minha mãe de estar grávida de outro homem, então ele usou isso contra mim. Ele nunca tocou em Amber. Ela era a mais velha e eu não conseguia entender como ele a deixou em paz e me pegou. Naquele dia no hospital, eu descobri por que e a partir de então, tudo mudou para mim. Eu ouvi sua respiração acelerar quando eu propositadamente massageei seu pau através de suas calças. Quanto mais eu fazia isto, mais duro ele se tornava. Finalmente, eu era a única recebendo a reação dele, e eu nunca me senti tão excitada. — O que você está fazendo? — ele pergunta. Eu tranco meus olhos com os dele. Sem dúvida, ele pode ver o desejo correndo por eles. — Você não sabe, papai? Isto é o que você quer, não é? É o que você veio fazer aqui. Você não me tocou desde aquele dia, não é? Certamente, você deve sentir falta disto. Certamente, você deve sentir falta do jeito que você costumava gozar com tanta força dentro de mim? Me lembro de todas as vezes, bem... especialmente a última vez. — Puta do caralho, — ele cospe, levantando o meu vestido. Ele ainda tem uma mão em volta do meu pescoço, enquanto desabotoa a calça com a outra. Eu sei o que vai acontecer a seguir, mas desta vez eu estou pronta para isso. Desta vez, eu quero. E ele vai descobrir o quanto em breve. Uma vez que seu pau está livre, ele levanta minha perna e empurra minha calcinha de lado, antes de se empurrar dentro de mim. — Poooorra! — ele grita, ofegante contra o meu pescoço. Ele começa a empurrar duro dentro de mim contra a parede. — O que diabos está errado com você? — pergunta ele, batendo em mim inúmeras vezes. Ele está perguntando o que há de errado comigo?! Essa é boa. — Isso é o que você quer. É o que você sempre quis. Eu não sou uma boa menina? — pergunto, gemendo quando ele atinge o colo do meu útero.

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Eu posso sentir o clímax vindo. Este será o segundo que eu tenho com ele. O último o fez desaparecer, e eu não o vi desde então. Me permito apreciá-lo porque o sexo é agora a minha arma. Não dele. Eu posso sentir a pressão de sua mão apertando meu pescoço, mas em vez de me machucar, realmente funciona como combustível para o meu orgasmo. Ele vem mais rápido, se elevando enquanto o meu corpo fica tenso. — Estou gozando! — eu choro antes de ondulações virem através de mim. Com a fúria do meu orgasmo, ele me morde duramente no ombro, grunhindo a sua própria libertação. Nós ficamos assim contra a parede, nossa respiração se acalmando. Ele não solta meu pescoço. Ele ainda acha que detém o poder. — Que porra foi isso? — ele pergunta. Ele se afasta, olhando para mim como se eu tivesse de repente me tornado estranha para ele. — Você é uma puta doente. Uma puta doente, — ele cospe. Eu puxo o meu paletó por cima do ombro exposto que ele mordeu, e sorrio para ele. — Papai não gosta quando me faz gozar. A mão sai do nada, batendo com força contra minha bochecha direita. Entretanto, não me perturba. Eu sou insensível contra qualquer dor que ele inflige a mim. Em vez disso, eu seguro minha bochecha, mas sorrio para ele quando levanta as calças. Uma vez feito, ele pisa em minha direção, segurando um dedo para o meu rosto. — Você é uma cadela venenosa. Faça um favor a todos e nos deixe antes de sua mãe chegar. — ele se vira para sair, então eu agarro o purificador de ar no canto e saio correndo atrás dele. Quando ele está prestes a descer as escadas, eu ando até ele e sussurro, — Eu acho que meu padrasto vai ficar feliz em me ver. Na verdade, a última vez que eu estava vivendo com ele, ele me fodeu na jacuzzi, por trás, enquanto mamãe estava na frente, no jardim da casa. David gosta da emoção de ser pego. Mas então, você sabe tudo sobre isso, não é? Você não está orgulhoso de mim, papai? Eu passo por ele, notando o choque e raiva por todo o seu rosto. Quando eu chego até a metade, posso dizer que ele quer dizer alguma coisa, mas quando minha mãe aparece e grita, — Scarlet, aí está você! Eu estive te procurando por toda parte, — ele de repente se cala. — Eu só fui lá em cima ter uma conversa com o papai.

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Ela sorri, olhando para cima. — Oh, isso é bom. Já era hora de vocês dois conversarem novamente. — ela me puxa para um abraço, e eu aceito isso como a boa filhinha que eu sou. Percebo que David está atrás dela, de modo que minha mãe diz olá para o meu pai, eu me aproximo e vou abraçar David. Eu o beijo na bochecha sedutoramente, e ele ronrona no meu ouvido, — Você está bela como sempre. — eu o deixo colocar o braço em volta da minha cintura, e o tempo todo, eu estou vendo a reação do meu pai. Fúria é a única palavra para descrever o que está escrito em seu rosto. Bem, realmente. O que ele esperava? — Tem sido anos desde que todos nós estivemos juntos assim. Estou feliz que vocês dois puderam fazer isto. Tem sido um caminho muito longo. Eu sei que minha mãe está fazendo um pequeno comentário sobre eu perder o contato nesses últimos meses, mas tudo isso passa por cima de mim. — Me desculpe por isso. Eu fui pega com trabalho e outras coisas, mas eu percebi recentemente o quão importante realmente é a família. Minha mãe olha para mim com um sorriso orgulhoso no rosto. — Isso é maravilhoso, querida. Isso significa que vamos ver você mais vezes? Sinto David me puxar pela cintura. — Eu gostaria de poder te ver mais. Sim, eu aposto que você gostaria. Eu brevemente olho para o meu pai, e eu posso ver uma veia saindo de seu pescoço. Eu sei que ele não gosta da ideia de alguém me tocando além dele, mas eu não sou mais aquela menina que ele pode controlar. Devo admitir, porém, o diabinho em mim adora vê-lo se contorcer pela primeira vez. Na verdade, eu daria qualquer coisa para foder alguém na frente de meu pai. Talvez eu deva mandar uma fita. — Eu gostaria. O trabalho é louco, mas eu estou tentando encontrar mais tempo de descanso agora. Minha mãe aperta meu braço. — Você deve vir em casa agora que o verão está chegando novamente. Me lembro o quanto você amava a piscina quando você estava vivendo com a gente. Sinto David me puxar outra vez, e eu tento duramente esconder meu sorriso. A piscina foi anfitriã de muitas festas de sexo. Sempre que David poderia pôr suas mãos em mim. ~ 26 ~


Eu lembro do tempo em que minha mãe estava no telefone na sala de estar, e David e eu estávamos na cozinha. No minuto em que ela dizia ‘olá’ a quem estava na linha, David corria para mim, me empurrava sobre a mesa de jantar, e me comia forte. Ele ficava super excitado com isso. Ela poderia ter entrado na sala a qualquer momento, e a emoção disto o excitava tanto que ele gozava em segundos. Eu o castiguei por isso, e o fiz vir para baixo em mim enquanto mamãe ainda estava no telefone. Eu fodi seu rosto como se não houvesse amanhã. Se havia uma coisa que David era bom, era quando ele estava comendo buceta. — Isso seria ótimo. Eu não nado faz um longo tempo. Eu vou para a academia agora para manter a forma. Minha mãe trilha seus olhos sobre mim. — Eu vejo. Você está tão vibrante e saudável. — Obrigada. — Meu número ainda é o mesmo. Me faça um convite e vamos arranjar alguma coisa. Talvez no próximo fim de semana? Eu concordo. — Sim, isso vai ser perfeito. Minha mãe, obviamente, satisfeita com minha resposta, se vira para o meu pai. — Então, como você está, Richard? Tem sido um bom tempo desde que vi você, também. Meu pai relutantemente tira os olhos de mim e olha para a minha mãe. — Eu estou bem, obrigado. Trabalho me levou para a França por um ano, e eu só voltei recentemente. Minha mãe sorri. — Então, Amber me disse. Ela disse que sentiu muito sua falta. — o rosto do meu pai se acende com isso. Amber sempre foi a menina dos olhos do papai. — Como está indo a escrita? Eu ouvi que seu novo suspense foi um enorme sucesso. — Está indo bem. Na verdade, tenho outro que sai na próxima semana. Eu usei o meu tempo na França para escrever. Eu escrevi mais livros em um ano do que em toda a minha carreira de escritor. — ele então olha para mim. — Mas eu senti muito a falta das minhas meninas. Eu não consigo evitar o grunhido que lhe dou. Ninguém vê quando eu atiro punhais para o homem que me arruinou de dentro para fora. Eu me importei uma vez, mas não mais. Ele não pode me machucar enquanto ~ 27 ~


minha parede de aço se mantém firmemente em seu lugar. Eu vejo quando ele olha para a mão de David em volta da minha cintura, e o rosnado se transforma em um sorriso. Eu posso dizer que ele está pensando. Minha mãe e irmã podem ter sido sempre cegas para o seu Sr. Hyde oculto, mas eu sei muito bem do que ele é capaz. Ele se atreve a ficar com raiva de que outro homem esteja me tocando, mas eu suponho que ele poderia, considerando que o homem é casado com minha mãe. O pensamento quase me faz rir em voz alta.

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quatro Eu saí depois de uma hora. Foi muito cansativo fingir ser a filha e irmã amorosa de sua família amorosa. Mal sabem eles... eu odeio cada um deles. No entanto, eu brinquei com todos, o que valeu a pena. Eu flertei na frente do meu pai tanto quanto eu podia, deixando David me tocar sempre que tinha a chance. Eu não poderia me importar menos sobre David. Ele foi útil uma vez quando eu estava vivendo com eles, mas eu não tenho nenhuma vontade de voltar para lá novamente. Reid não me deixaria de qualquer maneira. Quando eu penso sobre isso, minha mente vagueia de volta para a festa, quando eu senti uma gota de sêmen cair nas minhas pernas. Quando ninguém estava olhando, eu encontrei os olhos do meu pai, coloquei um dedo até o interior da minha coxa e lambi meu dedo. Eu podia ver o fogo em seus olhos, e isso fez meu sangue ferver de desejo. Anos atrás, eu teria recuado, mas hoje, eu me encontrei atraída por ele como uma mariposa em uma chama. Como a pessoa doente, pervertida que me tornei, eu alimentava a sua energia, a necessidade de ser tomada e tomada sujo. Eu amei que ele me deu isso. Eu adorava segurar um elemento de poder sobre ele. Eu acho realmente que a má companhia corrompe os bons costumes. É engraçado como as coisas mudam quando bate a realidade. Eu volto para minha casa em Kingston Upon Thames, em Londres, e no momento em que atravesso a porta, corro para o banheiro e vomito. Imagens do meu pai me amarrando à cama, me mordendo, e se forçando em mim correm pela minha cabeça. Ele nunca foi suave. Ele produziu dor sempre que pôde. Era quase como se ele curtisse a minha dor. Quando eu entrei no chuveiro depois de vomitar, uma imagem de eu sendo empurrada para fora do chuveiro, depois que meu pai havia me estuprado, me veio à cabeça. Ele chegou e mijou em mim enquanto eu estava deitada sangrando de uma de suas marcas de mordida. Enquanto eu deixo a água cair nos meus ombros, eu olho para o interior da minha coxa, para a cicatriz desbotada que ele me deu. Muitas pessoas não saberiam o que é isto, a menos que realmente olhassem. Mas eu sei. Eu traço as linhas ao redor, ficando mais e mais

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furiosa com o pensamento do que ele fez comigo. Memórias vêm grossas e rápidas em mim, suplicando a ele como uma criança, para não me machucar. Eu sinto as lágrimas picarem meus olhos, mas eu estou determinada a não deixá-las cair. Eu não vou deixá-lo vencer. Eu nunca vou deixá-lo vencer. Agindo no piloto automático, eu faço algo que não tenho feito nos últimos anos. Eu começo a me esfregar. Coloquei a água tão quente quanto eu posso suportar e esfrego minha pele até ela estar vermelha e ferida. No início, eu não queria nada mais do que ter cada polegada dele a me invadir. Agora, eu tenho que tirá-lo de mim a todo custo. Eu tenho que lavá-lo como se fosse uma doença, esfrego minha pele até sangrar. É verdade o que eles dizem. Se você se meter com os cães, você vai pegar pulgas. Esta sou eu agora, me limpando dele. Que loucura é essa? — Que porra é essa? — eu salto ao som da voz de Reid. Ele está olhando para mim com grandes olhos irritados, enquanto derrama os olhos sobre a minha pele de aparência queimada. — Saia da porra do chuveiro agora. Não me faça pedir de novo. — ele se afasta para eu sair, e eu saio, depois de desligar a água. Sei que ele está chateado e eu sei por quê. Depois de sair do banho, eu pego uma toalha e a envolvo nela, quando Reid dá passos para a frente, me agarrando pelos ombros e me empurrando contra a parede. — Você transou com ele, não foi? — Reid, eu ... — Eu não acredito nesta porra. — ele fecha os olhos enquanto balança a cabeça. Eu posso sentir a raiva derramando dele. Nunca eu o vi contido. — Me diga, — diz ele olhando nos meus olhos, — olhe nos meus olhos e diga. — Ele estava na festa de aniversário de Amber, e não conseguia parar de olhar para mim. Joguei um pouco com ele. Os lábios de Reid franzem com raiva. — Você provocou ciúmes nele e isto te excitou. — eu assinto. — E depois? — Ele me seguiu até o banheiro. Eu deliberadamente subi a escada então ele me seguiria. Reid me bate contra a parede, me fazendo ganir. — Que porra você estava pensando? — Você não entende, — eu respondo com uma voz trêmula, — eu ~ 30 ~


foquei a câmera em mim. Agora tenho a prova do tipo de homem que ele realmente é. Eu tenho a vantagem. Ele agarra meu braço, me puxando para o espelho. Ele aponta para a minha pele vermelha e irritada. — Valeu a pena, Scarlet? Olhe para você! Eu me afasto dele com raiva. — Eu não dou a mínima. Eu fui lá com um propósito, e eu tenho o que queria. Você pode verificar se você não acredita em mim. Reid passa na minha frente e agarra meu queixo, puxando minha cabeça para ele. — Por que diabos eu iria querer ver aquele desprezível com as mãos sobre você? Eu vou matá-lo, porra. Juro, Scarlet. Vou rasgar as tripas dele. Eu balanço minha cabeça. — Não, não. Eu juro que não vou fazer isso novamente. — mas eu sei que já estou mentindo para ele. — Por que você está protegendo ele? Meus olhos se estreitam de raiva. — Eu não estou protegendo-o. Eu estou te protegendo. Minha vida não seria nada se você for enviado para a cadeia por causa dele. Me enoja pensar que você estaria cumprindo pena pelo assassinato do meu pai. O pai, que costumava me estuprar repetidamente a cada chance que ele tinha. Isso me adoece. Eu não vou deixar ele me tocar novamente. Juro pela minha vida. Por favor. Ele procura nos meus olhos como ele estivesse tentando encontrar a verdade. Quando ele olha para os meus lábios, ele suspira. — Se ele te tocar novamente, eu vou matá-lo. — eu aceno com a cabeça, porque eu posso pelo menos dar a ele isso. — Você viu David? — eu aceno com a cabeça novamente. — Você o deixou tocá-la? Eu balancei minha cabeça. — Não. Você sabe que eu nunca faria sem a sua permissão. Ele aperta meu queixo um pouco mais forte. — É só você se lembrar disso, porra. — seus olhos olham para o chão. — De joelhos. — eu faço como me diz e vejo quando Reid puxa o cinto das calças. Uma vez que está feito, ele anda atrás de mim. — Coloque as mãos atrás das costas. — eu faço como instruído, e ele amarra minhas mãos de forma segura antes de voltar para a minha frente. Eu vejo quando ele desabotoa as calças e retira seu pau ereto. Olho com raiva, uma vez que pulsa na frente do meu rosto. Eu me inclino

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para frente, pronta para levá-lo na minha boca, mas Reid agarra meu cabelo e me puxa para trás. — Hoje não. Você me desobedeceu. Agora é hora da sua punição. Eu fecho meus olhos e eu sei o que está vindo. Ele fez isso comigo uma vez, quando ele me pegou flertando com alguém em uma boate. Foi flerte inofensivo, mas Reid não gostou. Ele é aquele que escolhe os alvos. A única exceção será o marido da minha irmã. Ele disse que, pelo menos, me daria isso. — Abra seus malditos olhos. — eu os mantenho abertos e vejo como Reid bombeia seu pau na frente do meu rosto. A vontade de lambê-lo é esmagadora, e ele sabe disso. Ele sabe o desejo que eu tenho crivado em mim corre mais profundo do que qualquer oceano, qualquer fluxo, ou qualquer rio. Eu anseio por ser tocada, anseio por tocar, e anseio por ser tomada de formas que fariam as pessoas questionarem minha sanidade. Sexo é a minha arma, e eu preciso usá-la tantas vezes quanto possível. Eu dependo disto e me alimento da necessidade de outras pessoas por mim. Se eu quero você, eu vou ter você. É simples assim. — Não se atreva a virar a cabeça para longe, — Reid adverte enquanto continua a bombear. Eu posso ver a tensão em seu corpo enquanto ele puxa seu pau para trás e para frente. Eu vejo como seu prepúcio se move para frente e, então para trás enquanto ele ordenha seu pau. Eu posso ouvir sua respiração se tornar irregular quando ele bombeia mais e mais rápido. — Eu vou gozar em cima de você. Eu sinto que minha buceta pulsa com suas palavras. Eu anseio por ele me foder, mas sei que ele não vai. Ele nunca faz. Ele sabe que isso me deixa louca, então ele usa isso para tudo que vale. Eu estou sendo punida por foder meu pai. Ouço Reid gemer, e eu sei que ele está perto. Eu estou afinada ao seu corpo. Ele enrola o punho no meu cabelo, puxando minha cabeça ligeiramente para trás enquanto ele bombeia seu pau na minha cara. — Porra! — ele grita quando seu corpo se move em sintonia com a mão. — Eu estou gozando. — ele explode, puxando minha cabeça para trás e para frente enquanto ele cobre meu rosto e peito com seu sêmen. Assim que ele acaba de bombear o que pode, ele esfrega sobre meus lábios, meu pescoço, e sobre o meu peito. — Você não vai lavar isto até amanhã. Entendeu? — ele puxa minha cabeça para trás, fazendo eu me olhar. Eu aceno com a cabeça. —

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Bom. Agora, me lamba para limpar. Eu vou lambendo tudo, suas bolas e pau semiereto enquanto ele acaricia meu cabelo. — É isso aí. Me limpe direitinho. — assim que está satisfeito, ele puxa minha cabeça. — É o bastante. Ele começa a levantar as calças, antes me puxar para cima do chão. Ele me empurra pelo braço até que estejamos fora do banheiro e descendo as escadas para a sala de jantar. Ele me coloca na frente da mesa de jantar e me empurra para frente, assim metade de mim está deitada de bruços. — Abra suas pernas. — eu faço o que ele diz, e minha respiração começa a ficar irregular com a antecipação. Eu não posso vê-lo enquanto ele está atrás de mim, então eu tento me virar quando sinto a picada contra a minha bunda. — Agh! — eu choro quando ele me chicoteia. — O que eu disse a você várias vezes? — ele grita. — Você diz quando e você diz com quem. Ele me chicoteia novamente, me fazendo ganir. — É isso aí. Então por que você me desobedece? — Eu o tenho na câmera! — eu choro. Ele me chicoteia novamente. — Não é isso, porém, não é? Me diga. — ele me chicoteia novamente, e eu fecho os olhos para combater a dor. — Eu queria o poder sobre ele. Eu queria que ele soubesse que eu poderia fazê-lo me foder e não o contrário. Eu me alimentava de sua necessidade de me levar. Eu queria. É isso que você quer saber? Eu queria o pau dele! Eu não precisava de uma bola de cristal para saber o que ele ia fazer a seguir. A ardência da vara me disse a porra de raiva que ele estava sentindo. — Nunca mais. Você me ouviu? — Sim! — eu grito, esperando a vara de novo, mas estou surpresa quando ela não vem. Em vez disso, eu sinto sua mão acariciando meu traseiro nu em movimentos delicados. Eu lamento, em busca de seu toque e tentando me empurrar contra ele. — Não se mova, — ele instrui, colocando o dedo entre minhas dobras molhadas. — Você está encharcada para mim.

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— Por favor, — eu choro, me empurrando contra o seu dedo. Eu sinto a dor novamente. — Eu te disse para não se mover, porra. Por agora, todo o meu corpo está em chamas. A ardência da vara juntamente com as mãos e os dedos delicados de Reid acariciando meu corpo, me deixa tremendo com necessidade intensa. Estou ansiando pela liberação e Reid sabe disso. Eu espero em agonia enquanto ele tira sua mão e substitui com algo vibrando contra a minha entrada. Ele empurra um pouco para dentro de mim e o prazer dispara na minha espinha. — Mais? — ele pergunta. Eu aceno com a cabeça. — Por favor. Ele empurra de novo, um pouco mais desta vez, enquanto ele usa sua outra mão para esfregar a vara contra o meu clitóris. — Oh Deus! — eu choro, querendo desesperadamente me mover, mas sabendo que não posso, porque eu estou restringida. Isto é o que ele quer. Isto é o que ele almeja. E ele é o único homem que eu deixaria fazer isso comigo. — Você gosta disso, huh? Você gosta quando eu te fodo assim? Você gostaria que fosse meu pau? — Sim! — eu grito. Ele sabe que eu daria qualquer coisa para tê-lo me tomando de verdade. Eu quero sentir quando ele empurrar duro dentro de mim, me levando como ele sabe que eu quero que ele faça. Eu quero que ele me foda várias vezes até que eu não aguentar mais. Eu quero sentir quando ele atirar seu gozo dentro de mim, me revestindo com a sua semente e me marcando, como eu sei que ninguém mais pode. Ele continua a empurrar o vibrador dentro de mim e esfregando a vara contra o meu clitóris. Meu corpo fica rígido quando onda após onda de prazer monta em cima de mim. Eu lamento, chamando o nome de Reid enquanto ele me fode mais duro. — É isso aí. Diga meu nome. Somente. Meu. Nome. Do. Caralho. — ele puxa a vara para longe e me bate mais uma vez. Eu clamo novamente com a dor juntamente com o prazer que começa a construir meu orgasmo. — Reid, eu vou... Ele puxa o vibrador para fora de mim, me deixando à beira de um

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orgasmo. — Eu digo quando você pode gozar. Eu gemo, sabendo que esta é a minha punição real. Reid conhece cada polegada do meu corpo. Ele sabe que me privar de um orgasmo vai me destruir. — Reid, por favor. Eu preciso gozar. — Você sabe o quão bonita você fica esparramada sobre a mesa assim? Sua buceta está inchada e vermelha. Ela está com raiva, Scarlet. Ela quer o meu pau. — Por favor. — eu imploro novamente. — Por favor, me foda. Eu quero que você me foda. Não o vibrador. Você. Eu vejo o movimento com o canto do meu olho, e Reid aparece, agarrando seu pau duro em suas mãos. Eu fecho meus olhos com um gemido. Ele provavelmente o tinha pra fora desde que ele começou a me foder com o vibrador. — Olhe para mim. — eu abro meus olhos para encontrá-lo dobrado na minha frente. — Eu já te disse repetidas vezes. Quando eu te foder, eu vou ser o último homem que você vai foder. — ele se levanta e me posiciona na borda da mesa. — Agora, dependendo de quão bem você fizer isso, determinará, se ou não, eu dou a você o orgasmo que seu corpo está desesperado para ter. Entendeu? — eu aceno com a cabeça e abro a boca para aceitar o seu pau duro. Ele começa a empurrar enquanto não posso me mover, mas eu faço o meu melhor, rodando a minha língua ao redor dele tanto quanto eu posso. — É isso aí, baby. Você sabe o quanto eu amo isso, — ele ofega. Depois de um tempo bombeando seu pau na minha boca, ele agarra minha cabeça, sua respiração se tornando mais pesada. — Eu vou gozar, e você vai engolir. — ele violentamente empurra uma última vez, e eu sinto quando seu líquido atinge o fundo da minha garganta. Eu engulo como ele instruiu e fecho meus olhos quando o sinto acariciando meu cabelo. — Isso foi bom, baby. Agora é a sua vez. — ele desaparece atrás de mim novamente, e espero de verdade pelo vibrador. Sinto quando ele desliza para dentro, mas eu estou chocada que, em vez do vibrador, eu sinto sua língua neste momento. — Porra! — eu grito, sabendo que eu vou explodir mais cedo do que esperava. Eu ainda estou reprimida do orgasmo perdido de alguns minutos atrás, e meu corpo está mais do que pronto para isso. — Monte-o, — instrui Reid. Sua mão fica imóvel, então eu começo a mexer os quadris para cima e para baixo, indo no ritmo que eu quero. Enquanto eu me movo, eu sinto a língua de Reid deslizando para cima e

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para baixo no meu clitóris. Sensações, como nenhuma outra, começam a rastejar até meu interior. Estou desesperada e me movo mais rápido, minha respiração se tornando mais dura com cada movimento que eu faço. Eu posso sentir isso subindo... sentir o momento do prazer percorrendo pelas minhas veias. Meu corpo treme, e os pelos por todo o meu corpo estão em pé, enquanto meu orgasmo está aumentando e se prepara para o final. Sabendo que está vindo, eu empurro sobre o vibrador com um grande impulso final, e eu explodo, dando a Reid o que ele quer. Eu grito seu nome, várias vezes, quando meu orgasmo começa a me roubar a vista. Ele pode nunca ter me fodido antes, mas ele me dá, de olhos fechados, os melhores orgasmos que eu já experimentei. Enquanto meu corpo tremendo se acalma, eu sinto o escorregar do vibrador para fora de mim. — Bonito pra caralho, — murmura Reid enquanto me levanta da minha posição. Eu tropeço um pouco, sentindo um esmagador cansaço inundar meu corpo. Reid me agarra. — Eu tenho você, baby. Eu sempre tenho você. — ele desfaz as faixas dos meus pulsos e me pega em seus braços. Ele me leva até as escadas e gentilmente me deita em cima da cama. Ele salta rápido ao meu lado e cobre a nós dois, antes de ficar de conchinha, nesta posição que ele sabe que eu amo. Eu odeio a intimidade, mas com Reid, eu desejo. Ele pode ter me punido, mas agora ele está me recompensando com sua bondade. Eu sinto quando seus lábios tocam o meu ombro, e eu suspiro em um sorriso. — Durma, baby. Amanhã nós precisamos conversar.

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cinco 13 de maio de 2007 Há um menino na escola que eu realmente gosto. Seu nome é Stuart. Ele é alguns meses mais velho, com cabelo loiro ondulado e os olhos azuis mais brilhantes. Então, muitas pessoas pensam que nós faríamos um casal incrível. O problema é que não posso ter um relacionamento. Não estou autorizada. Se meu pai descobrir, ele me mata. Mas não é por falta de tentativa da parte de Stuart. Ele está tentando chamar minha atenção e encontrar desculpas para vir e conversar comigo durante a escola. Hoje, quando eu estava saindo, ele correu até mim e me lançou aquele sorriso de menino que amo tanto. Eu sorrio para ele, e vejo o momento em que ele soube que gosto dele também. É óbvio, pela forma como meu rosto cora quando ele coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha, quando falamos. Eu estou apaixonada, e não tenho mais desculpas. — Eu queria falar com você há muito tempo. Eu mantenho meu sorriso, mas olho ao redor para ver se ele pode estar observando. Ele, às vezes, me segue. Ele é ruim assim. Algumas vezes ele até espera do lado de fora dos portões da escola, para ter certeza que eu fui para casa sozinha. Eu não posso ter amigos, e não estou autorizada a ir a lugar nenhum. Eu disse à minha irmã há um ano que o nosso pai estava me tocando em lugares que não deveria. Ela ficou com raiva e disse à mamãe que eu estava inventando coisas para ser vingativa. Elas sabem que não me dou bem com meu pai, mas elas não sabem que tipo de monstro se encontra dentro dele. Eu sou a única pessoa que entra em contato com ele. A única pessoa que conhece suas verdadeiras cores. Bastou dizer, para elas sentarem e falarem comigo sobre minhas mentiras. Eu tive que dizer a elas que inventei porque papai estava sendo cruel comigo. Como eu poderia dizer a minha mãe e irmã as coisas que ele faz se elas não vão acreditar em mim? Eu fui a ovelha negra da família desde ~ 37 ~


então. Uma pária na minha própria casa. — Você está esperando alguém? Eu viro minha cabeça de volta para Stuart, e violentamente chacoalho a cabeça. — Não, eu... é só que as vezes meu pai me pega. Eu estava verificando... apenas no caso. A boca dele se eleva em um lado, me dando aquele sorriso torto e bonito que todas as meninas na escola tanto amam. Ele é popular, e muitas meninas o querem. Por alguma razão, no entanto, ele continua me perseguindo. — Eu o vejo te pegar de vez em quando. Ele é protetor com sua filha, então? Eu não sorrio de volta. Não há nada para sorrir quando se trata de meu pai. — Você poderia dizer isso. Ele dá um passo um pouco mais perto. — Então, ele se oporia fortemente se eu convidasse sua filha para sair? Talvez este sábado? Nós poderíamos ir e ver um filme, se quiser. Homem-Aranha 3 acabou de sair. As borboletas começam no meu estômago. Não há nada que eu não daria para ir com Stuart Solomon no cinema neste sábado. Eu daria qualquer coisa para ser capaz de fazer as coisas que adolescentes normais fazem. O problema é que não sou normal. Meu pai me faz ter a certeza disto. — Eu adoraria. — Por que eu senti um ‘mas’? — eu suspiro, e é então que eu vejo a frustração em seus olhos. Ele realmente quer sair comigo. — Vamos, Scarlet. Eu quero sair com você há décadas. Eu tenho um sentimento que você quer vir, então o que está prendendo você? É o seu pai? Porque eu poderia perguntar a ele... — Não! — eu grito um pouco alto demais. Ele pode ver o pânico em meus olhos, então eu humildemente desvio o olhar. — Isso não será necessário. Ele toca meu braço com ternura e eu recuo. Não queria recuar. É que todo toque eu associo a dor, sofrimento, e me deixa chorando até dormir à noite. — Scarlet, está tudo bem em casa?

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Lágrimas picam meus olhos, mas eu as empurro de volta. Eu não posso deixar que ele me veja assim. Ele vai saber que algo está acontecendo, e quando meu pai descobriu que eu tinha dito a minha mãe e irmã coisas, ele me fez pagar por isso. — Está tudo bem, — eu digo, — eu adoraria sair com você no sábado. Eu digo isto antes que meu cérebro trave, mas no momento em que eu vejo o seu grande sorriso largo, todos os medos das repercussões evaporam. Ele deve realmente gostar de mim para fazer tal esforço para me perseguir assim. Apesar da sua incrível boa aparência, ele parece gentil e doce. — Ótimo! — ele grita. — Aqui está o meu número. — ele me dá um pedaço de papel, e eu olho para ele com um sorriso amargo. — Vou escrever o número, por precaução, — diz ele timidamente. Eu mordo meu lábio e digo obrigada. Isto é quando ele se inclina e beija minha bochecha. Seus lábios parecem quentes contra a minha pele, me causando arrepios. Agora, neste momento, eu não me importo com o que pode acontecer amanhã. Eu só quero viver neste momento para sempre. — Me ligue, — diz ele, se afastando e apertando o meu braço antes de me deixar. Enquanto está indo embora, ele olha para trás e me dá uma piscadela. Tudo o que posso fazer é sorrir como uma idiota para ele. Assim que percebo que pareço estúpida parada aqui, eu viro as costas e começo a fazer meu caminho de volta para casa. Nós vivemos apenas uma caminhada de vinte minutos de distância, mas para mim, esses vinte minutos são pura tortura. Minha mãe é contadora, então às vezes trabalha até tarde, e minha irmã está na universidade estudando para seu diploma de professora. Mais frequentemente do que não, ela fica com o namorado, então, na maioria das vezes quando eu chego em casa, somos apenas eu e meu pai. Eu poderia tentar e ficar fora até mamãe chegar em casa, mas a punição para isto supera de longe eu engolir a bílis e o deixar fazer o que ele quiser de mim. Se eu concordar, ele é bom, mas só se eu concordar. Então, eu dou os passos em direção à minha casa, segurando o pedaço de papel que Stuart me deu. Penso que preciso escondê-lo, então abro a minha pasta da escola e o coloco dentro de um dos clipes. Tenho certeza de que meu pai verifica minha mochila, mas acho que ele não verifica minha pasta. Me certifico de esconder o papel antes que ele vá vasculhá-la mais tarde.

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Quando chego à última esquina, eu tomo uma respiração profunda. Eu faço isso todos os dias porque eu sei, sem sombra de dúvida, o que estará esperando por mim quando eu chegar em casa. Ele diz que a culpa é minha, porque ele não pode resistir a mim. Eu não tenho ideia do que isso significa. Eu só desejo que isto pare. Eu fecho meus olhos quando coloco a chave na fechadura, mas não tenho tempo para virá-la, quando a porta se abre e meu pai está lá, parecendo mais louco do que nunca. Em um segundo, ele agarra meu braço, me arremessa para dentro, batendo a porta atrás de nós. — Sua vagabunda! Eu não sei o que eu fiz para deixá-lo tão louco, mas quando ele puxa minha pasta dos meus braços e puxa o pedaço de papel a partir do clipe, meu mundo desmorona. Ele olha para o papel e volta para mim antes de rasgá-lo, deixando os pedaços caírem no chão. No início, acho que ele vai gritar comigo, mas do nada, ele se atira contra mim, agarrando a parte de trás da minha cabeça e batendo-a contra a parede. Eu grito enquanto flashes de cores dançam diante dos meus olhos, e minha cabeça arde com o impacto. Eu não tenho tempo para me debruçar sobre o que ele acabou de fazer, porque o minuto em que ele puxa meu rosto, ele me agarra pelos cabelos e me puxa para cima nas escadas. Eu grito e soluços escapam de mim. Eu mal posso respirar. — Papai, por favor, não. Por favor, não faça isso. Eu vou fazer o que quiser. Só não me machuque. À medida que chegamos ao topo da escada, ele me empurra para o meu quarto, e eu pouso no chão com um baque. Quando me viro, eu o vejo ali desfazendo seu cinto. Meus olhos se enchem de lágrimas, sabendo o que vai vir em seguida. Eu me amaldiçoo por baixar minha guarda e acreditar no fato de que eu poderia ser feliz com um garoto comum. Enquanto meu pai estiver em volta, eu nunca vou ser capaz de ter uma vida normal. Eu nunca vou ser capaz de amar e ter alguém que me ame de volta. Seria fatal para nós dois. — Quantas vezes nós precisamos repassar até que isso entre na sua cabeça, porra? — eu presto atenção com horror quando ele puxa o cinto para fora e o agarra em suas mãos. — Sinto muito, papai. Ele apenas me deu o papel. Se eu não tivesse

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pego, ele teria desconfiado. Por favor. Eu prometo que não vou falar com ele nunca mais. Ele paira sobre mim com seu cinto erguido. — Certamente que não. Eu vou me certificar disso. — sua mão desaba, e com ela, eu sinto a picada do cinto contra as minhas coxas e torso. Com cada chicote do cinto, eu grito, mas eu posso dizer, a partir do olhar em seus olhos, que isso mais do que nunca, é excitante para ele. Eu vou me manter calma. Me enrolo em uma bola e espero o espancamento parar. Depois de mais duas, ele faz exatamente isso, e eu espero e rezo para que ele tenha terminado comigo. Não ouso olhar para cima, apenas no caso de ele começar novamente. Eu apenas me mantenho naquela bola apertada, na esperança de que ele vá embora e me deixe em paz. — Tire suas roupas. — ele está respirando com dificuldade, então eu sei o que virá a seguir. Não hesito, embora, pois eu sei que vou conseguir outra surra se eu fizer. Em vez disso, me desenrolo e sem olhar em sua direção, eu começo a tirar o meu casaco. Assim que eu o descarto, eu rapidamente desfaço os botões da minha camisa antes de jogá-la de lado. — Levante-se e tire o resto. Olhe para mim enquanto você faz isso. Faço o que ele diz, e com cada esforço que posso reunir, eu me ponho em pé e começo a abaixar o zíper da minha saia. Eu olho para ele, e tudo o que posso ver é a fome em seus olhos. Tudo o que vejo é fome quando ele olha para mim. Eu lanço minha saia de lado e tiro meus sapatos e meias. Uma vez que são descartados, eu estou diante dele com apenas meu sutiã e calcinha. — Por que você está hesitando? Tire-os! Com as mãos trêmulas, eu abro meu sutiã e puxo minha calcinha para baixo. Eu nunca me senti tão nua e tão vulnerável em toda a minha vida. Eu sei que a dor está chegando, mas eu queria mais tempo para me tornar insensível quando ele força o seu caminho dentro de mim. Ele aponta para a minha mesa. — Vá para lá e se curve. Eu preciso te ensinar uma lição. Eu nunca tinha sentido tanta dor em minha vida. Meu pai teve a certeza que eu estava aprendendo uma lição, e cara, funcionou. Eu não só sangrei, mas também tive que correr para o banheiro depois, antes que eu me cagasse. Eu tive que tomar banho por mais de uma hora apenas para

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parar o ardor. O tempo todo no banho, eu chorei e chorei até que eu não poderia lançar outra lágrima. Mais tarde meu pai disse que iria fazer isto novamente se eu o desobedecesse. Então, a partir daquele dia, se alguma vez fosse abordada por um rapaz, eu virei para o outro lado, o que me deixou sem nenhuma opção com Stuart. No dia seguinte eu disse a ele que eu nunca gostei dele e que me deixasse em paz. Funcionou, porque a partir daquele momento, eu estava classificada como uma cadela de coração frio na escola. Papai me queria para si, e por um longo tempo, ele me teve. Ele ainda me tem.

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seis Estico meus braços, bocejando, e sinto a sensibilidade na minha bunda. Eu sorrio, lembrando da punição de Reid. Eu sempre acabo me sentindo revigorada sempre que Reid me toma da maneira que ele faz. Eu só queria que ele se desse para mim. Tudo a seu tempo, eu suponho. — O café da manhã está pronto. Eu olho para cima, e Reid está lá com apenas um par de jeans. Ele parece perfeito neles, mas eu estou supondo que ele sabe disso. Seu cabelo é desgrenhado do sono, mas a luz nos seus olhos castanhos brilham com energia. Eu não consigo evitar, vagueio meus olhos pelo seu corpo tonificado e bronzeado. Meus olhos quase dançam sobre cada cume de seu abdômen perfeitamente musculoso. Oh, as coisas que eu faria com ele se ele me deixasse. Eu duvido que ele planejava passar a noite comigo, mas eu acho que depois do que aconteceu, ele sentiu que era necessário. Ele sabe algumas partes do meu passado, mas não todas. Ele sabe que eu nunca vou fazer sexo anal com ninguém, e eu acho que ele sabe o porquê. Eu nunca lhe disse o motivo real. — Seja o que for, cheira bem. — São apenas torradas. Vamos lá... e traga a sua adorável nudez com você. — ele sorri, e eu me sento lá por alguns segundos depois que ele desaparece sorrindo. Reid é o único homem que pode me fazer realmente sorrir. Reservo os mais brilhantes sorrisos para ele. Assim que eu estou de pé, eu pego o meu vestido de seda, e enquanto eu estou amarrando o nó, ando até a cozinha para encontrar Reid largando um envelope branco grande sobre a mesa. — Caruthers nos pagou. Eu franzo a testa, pegando o envelope e vendo o pacote com notas de cinquenta libras. — Tão cedo? — eu pergunto, olhando de volta. Reid coloca algumas torradas na minha frente e uma xícara de bom café fumegante preto. — Ele está concorrendo para prefeito. Ele não quer

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que isto apareça antes de sua campanha sequer começar. Iria arruiná-lo. — Então, nós fizemos bem? Ele acena com um sorriso brilhante. — Você fez muito bem. — ele se aproxima, dando um beijo no topo da minha cabeça. — Mas você sempre vai. Se continuar assim, nós vamos ser capazes de possuir nosso próprio clube no próximo par de meses. — quando ele se afasta, olha para o meu vestido. Com um dedo, ele puxa o cinto e olha quando ele se solta. Com o mesmo dedo, ele corre uma linha para cima da minha barriga ao meu tórax, antes cobrindo meu peito. — Porra, eu amo estes, — diz ele, beliscando meu mamilo endurecido com o polegar e o indicador. Ele se inclina, me beijando profundamente antes de se afastar. Estamos ambos arfando e sem fôlego, mas eu sei que ele não vai levar isso adiante. — Coma seu café da manhã. — ele aponta para a torrada e se senta à minha frente para comer. — Você sabe, eu estive pensando. Por que não nos mudamos assim que tivermos todo o dinheiro? Nós não precisamos comprar um clube aqui. Nós podemos fugir, começar de novo. Seria bom para nós dois. Me sento lá com a minha cabeça inclinada ao contemplar essa ideia. Eu tenho tantas memórias de viver aqui, mas, na maioria das vezes, elas não são as minhas melhores. Reid sabe disso, e eu estou supondo que ele está sugerindo isso por minha causa. — Eu não estou mais com medo dele. Eu posso viver aqui enquanto sei que ele está lá fora. Não importa quão longe eu vá, ele sempre estará por perto. — Você acha que ele iria te seguir? Eu rio. — Não me surpreenderia. Ele ainda me vê como sua propriedade. — Reid dá uma ingestão aguda de ar e isto me faz perceber o quão estúpida a revelação que fiz na última frase foi. Ele já sente vontade de matar pelo que eu fiz. Eu não tinha necessidade de jogar isso na cara dele também. — Eu não deveria ter dito isso. Ele lança os olhos sobre mim. — Se for o que ele disse, então eu estou feliz por você me dizer. Será que ele sabe sobre mim? Eu concordo. — Foi o que o fez dizer isso. Ele fecha os olhos e cerra os punhos. — Ele não chegará perto de você novamente.

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Eu coloco minha mão em seu punho apertado. — Eu sei. — Estou falando sério, Scarlet. Eu não hesitarei se ele te tocar. Eu começo acariciando sua mão tentando acalmá-lo. — Eu sei. É o que eu amo sobre você. — eu dou a ele um grande sorriso, e vejo como seu rosto se transforma de raiva para frustração. — Isto é tudo um grande jogo para você, não é? — Claro que é. Eu tive um monte de anos para praticar. Eu não vou pedir desculpas por isso. É quem eu sou. — Isto é em quem ele te transformou, — ele zomba. Eu posso dizer que isso pode se agravar rapidamente. — Não podemos não falar sobre ele agora? Se o fizermos, então ele é o único que está ganhando. Eu vejo seus ombros caírem. Ele está mais calmo. — Claro. Ele não merece isso. — ele balança a cabeça. — De qualquer forma, eu estava fazendo a você uma pergunta. — Sobre a mudança para fora? — ele acena com a cabeça. — Onde é que vamos? Ele dá de ombros. — Eu não sei. Ouvi dizer que Espanha ama uma festa. O clima é bom e a comida é boa. Poderíamos deitar na praia durante todo o dia e festejar toda a noite. A maneira como ele diz faz parecer é maravilhoso. Um mundo longe da vida que levo. — É certamente tentador. Ele termina mastigando um pedaço de sua torrada e engolindo. — Então, por que não? — Que tal aprender a língua e outras coisas? Eu não sei uma palavra de espanhol. E você? Seus ombros se curvam. — Você não está se entusiasmando com isso. O que há aqui para nós agora? Foda-se tudo. — Se eu for embora com você... começar de novo. Isso significa que finalmente eu serei sua? Ele olha para mim por um momento antes de levantar de seu assento. ~ 45 ~


Sem uma palavra, ele passeia até onde estou sentada. De repente, ele tem a mão sobre minha buceta, apertando-a até eu suspirar. — Esta, um dia, será minha e só minha. Quando você estiver pronta, o nosso dia virá. Meu coração começa a bater em sintonia com a mão me apertando. Eu sou devassa para ele e ele sabe disso. — Eu estou pronta agora, — eu digo sem fôlego. Ele puxa sua mão para longe, balançando a cabeça enquanto ri. — Baby, você não está nem perto. Você tem muitos demônios para lidar antes de se submeter completamente a mim. Porém, não se preocupe. Eu não me importo com isso por agora... contanto que eu decida. A fome é a única coisa que eu sinto por Reid. Eu nunca deixaria qualquer homem falar comigo ou me tratar da maneira que ele faz, mas não posso deixar de sentir esse enorme peso da necessidade pulsante sempre que ele está comigo. Eu não sei se é porque ele não vai fazer sexo comigo. Talvez seja o desafio que acho tão atraente. Seja o que for, ele detém o poder... e ele sabe disso. Por agora. — Falando nisso, eu estou querendo saber como vou ter a chance de ter Porter sozinho. Pedi à minha irmã para me encontrar para o almoço de hoje... só assim eu posso tentar, um pouco mais, construir nosso relacionamento. Seu lábio se transforma em um grunhido. — Eu não gosto disso. Ela não é merecedora de um relacionamento com você depois da maneira que ela e sua mãe te trataram. Eu coloco minha mão sobre a dele novamente. Eu amo o quão protetor ele é comigo. Eu nunca tive isso no meu pai. A única coisa que recebi dele foi a sua possessividade. Mas com Reid, posso dizer que ele se preocupa profundamente comigo. Na verdade, ele não vai admitir isso, mas eu suspeito que ele é tão obcecado por mim como eu sou por ele. Pode ser luxúria. Pode ser paixão. Tudo o que sei é o que eu sinto quando estou com ele. — Sim, mas não é real, não é? Eu só estou fingindo. Eu odeio todos eles, tanto quanto você. Isto é apenas até que eu possa obter tudo o que eu preciso...

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— Antes de levar destruição em seu caminho. Concordo com a cabeça com um sorriso. — Precisamente. Eles devem dar meu nome a um furacão depois. Reid ri da minha piada. — Categoria cinco por todo o caminho, baby. Eu pisco para ele. — Essa sou eu. — continuo a comer minha torrada enquanto olho para Reid. Ele não é difícil de encarar. Na verdade, ele é muito fácil para os olhos. A primeira vez que o vi foi há três anos em um bar. Eu tinha apenas vinte e um anos, não conseguia manter um emprego, e tinha começado a me prostituir para sobreviver. O problema era que nada sobre todo o processo me animava. Reid mudou tudo isso e se tornou o meu salvador. Eu não sei o que eu faria sem ele agora. Quando eu penso nisso, olho para trás na memória de quando nos encontramos pela primeira vez:

— Você sabe, você está indo da maneira errada, sobre tudo isso. Eu estou sentada no bar esfregando meus pés. Estou chateada pela forma como a noite passou, então eu não preciso de um cara aleatório que tente dar em cima de mim. Eu não olho para ele quando eu respondo. — Sim, o que é então, raio de sol? — ele ri, e o som faz meu estômago dar cambalhotas. Sexy. — Você está escolhendo os homens errados. Eles não podem dar o que você precisa. Eu rio, balançando a cabeça. Aposto que ele usa essa linha com todas as meninas. — Ah, e você pode, não é? — eu viro minha cabeça naquele momento, e imediatamente meus olhos encontram os olhos castanhos mais sexys que já vi. Eu tenho ouvido falar, várias e várias vezes, como os olhos são hipnotizantes, e agora eu posso ver todo o alarido sobre isto. Os seus olhos ‘venha me foder’ estão me perfurando, me fazendo querer fazer coisas que não quis em um longo tempo. Há definitivamente algo familiar neles que me fazem querer saber mais. — O gato comeu sua língua? — ele pergunta com um sorriso insolente. Sim, o idiota sabe que me afeta. Isso é ótimo. Eu sempre sobrevivi por ter a faca na mão, e esse é o jeito que eu gosto. Imediatamente, meu desejo se

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transforma em uma carranca. — Babaca, — murmuro sob a minha respiração. O Sexy Desconhecido coloca a mão contra seu ouvido. — O que foi? Eu não consegui ouvir você. — Barman! — eu grito, tentando chamar sua atenção, assim eu não tenho que continuar a falar com este homem. O barman nota e vem com um sorriso. No minuto em que ele está lá, o Sexy Desconhecido entrega uma nota de dez libras e diz: — Uma vodka com gelo e limão para ela, por favor. O barman balança a cabeça, e eu viro minha cabeça para olhar para este estranho. A audácia em pessoa. — Eu posso pedir a minha própria bebida. E se eu não quisesse isso? — Você pede isto o tempo todo, não é? Se você não quer isso, então diga, mas seja rápida porque ele já está fazendo isso para você agora. Eu suspiro em voz alta, deixando-o saber o quão frustrada eu estou com ele. — Quem é você? E como você sabe tanto sobre mim? Ele inclina sua cabeça para frente, e não posso deixar de olhar para baixo, para aqueles gostosos lábios molhados dele. Eles estão simplesmente no ponto para beijar. Isso me faz querer pedir a ele para por a língua para fora, para que eu possa ver que tipo de língua ele tem. Aposto que ele poderia me fazer gritar com ela se eu lhe pedisse. — Eu sei muito sobre você... Scarlet. Eu fecho meus olhos com um gemido. — Você não é um policial, é? Eu não estava fazendo nada. — isso é uma mentira, mas ele não precisa saber disso. Eu havia dado uma punheta para um homem no banheiro masculino. O cara era casado e senti que não seria traição se fosse uma punheta simples. Revirei os olhos para isso. Eu nunca me importo de qualquer maneira. Enquanto eu receber meu dinheiro, ele pode continuar dizendo a si mesmo. Foram quarenta libras fáceis, mas não há nenhuma emoção para mim nisto. Na verdade, todo o processo é apenas chato. — Não, eu não sou um policial. Estou, no entanto, oferecendo uma maneira de mudar sua vida. Eu começo a rir. A quantidade de vezes em que ouvi isso dos homens. Eu tive o meu quinhão de propostas, e tenho certeza que se tivesse aceitado qualquer uma de suas ofertas, estaria casada com um homem extremamente ~ 48 ~


rico agora. A razão pela qual não faço, é porque eu sou muito despreocupada. Eu gosto de ter escolhas, e não posso suportar tê-las tiradas de mim. Eu gosto de foder, e gosto de ser a única no controle sempre. Na maioria das vezes os homens não se importam, mas eu nunca poderia me comprometer a um homem só. Eu não tenho isso em mim. Além disso, meu pai era um excelente exemplo de como era fodida a chamada santidade do casamento. Por que diabos eu deveria me casar? — Oh sim. E como é isso? Você vai me oferecer o mundo? E em troca tudo que preciso fazer é foder você, certo? Minha bebida é posta na mesa, e o barman leva o dinheiro dele com um obrigado. O estranho, no entanto, não percebe. Ele está muito ocupado olhando para mim, com seus olhos que dizem venha me foder. — Não, eu vou lhe oferecer uma maneira de sair desta vida monótona que está levando, e em troca, tudo que eu peço é uma parte do seu pagamento. Franzo minha testa. — Diga o que foi agora? — eu balanço a cabeça para ele, incapaz de compreender o que está acontecendo. Ele é uma pessoa louca? Ele me oferece uma risada sexy novamente antes de responder. — Eu estou te observando há algum tempo, e acho que você e eu poderíamos fazer um monte de dinheiro juntos. Você está fazendo tudo errado, e eu sei que é frustrante para você. O que tenho a oferecer é a emoção que você precisa, porém com muito mais em troca. — ele move o braço para pegar uma bebida, fazendo sua camisa branca abrir um pouco, revelando uma tatuagem. Eu não consigo entender o que é, mas parece serem penas. Talvez a asa de um anjo. — Então me deixe ver se entendi. Você diz que pode me ajudar a fazer uma montanha de dinheiro? Para fazer o quê? O barman devolve seu troco, enquanto o estranho agradece a ele antes virar novamente para mim. — Para fazer o que você está fazendo agora. Só que eu escolho quem ele será, e o lado monetário é deixado para eu recolher. A maneira como você está fazendo isso agora, está tudo errado. Você precisa ir atrás de pessoas mais poderosas. A emoção de um Zé ninguém não faz nada para você. Vamos atrás dos atores casados, políticos e CEO de alto escalão, e eles vão te dar o que você está sentindo tanta falta agora. Além disso, os pagamentos serão mais altos. Apenas aja como a pecadora sexy que você é, e os homens vão cair aos seus pés. O único problema é que eles serão uns bundões uma vez que você estiver acabado com eles.

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Sentei, piscando algumas vezes enquanto olho para ele. Este estranho, seja ele quem for, parece saber tudo sobre mim, até mesmo como me sinto. Estou entediada. Estou em um barranco. Eu apenas perdi tempo, esperando que o sucesso venha junto. Eu sou suspeita, apesar de tudo. Um estranho aleatório em um bar, que obviamente tem me observado, oferece o mundo em uma bandeja de prata. Tem de haver uma armadilha em algum lugar.

E havia um problema. Eu tive que abrir mão do controle para ele. No início lutei com ele em todos os momentos, mas Reid é um homem paciente. Ele é também o homem mais forte que já conheci. Ele não aceita a minha merda. Na verdade, na noite em que eu o conheci, ele estava apenas sendo educado. Eu terminei minha bebida de uma só vez depois de seu pequeno discurso, antes de lançar uma nota de cinco libras para ele, lhe desejando boa noite. Eu observei o sorriso que ele tinha no rosto quando saí. Ele sabia que me tinha e eu estava apenas sendo teimosa. Foi só quando cheguei em casa naquela noite, na minha pequena e úmida quitinete de merda, que não era grande o suficiente para um cão viver, que eu percebi, quando coloquei a mão no bolso do meu casaco, que havia um cartão lá dentro. Estava escrito nele, Reid Marks, Investigador Particular, com um número de telefone fixo e um celular. Foi então que percebi que não era de admirar ele saber tanto sobre mim. O que eu não conseguia entender era: ‘Por que eu?’ Eu realmente nunca tive esta pergunta respondida, e me pergunto se eu terei. Basta dizer que esperei dois dias antes que minha curiosidade levasse a melhor sobre mim. — Você já se perguntou onde estaríamos se nunca tivéssemos nos conhecido? — de repente, eu pergunto. Reid franze o cenho para a minha pergunta por um momento antes de falar. — Eu acho que você estaria ainda fazendo seus truques de merda ou casada com um babaca rico agora. Eu, eu ainda estaria seguindo babacas cujo as esposas me contrataram para pegá-los no ato. Meu sonho de ter um clube estaria muito mais longe do que está agora. — ele olha para mim de novo, ainda franzindo a testa. — Por que você pergunta, afinal? Eu dou de ombros, traçando a borda de minha caneca de café. — Eu estava pensando sobre a primeira noite que nos conhecemos, e isso me fez pensar em tudo. — eu sorrio, pensando no dia em que liguei para ele e como, em menos de cinco minutos, eu estava me organizando para encontrá-lo. Esse foi o primeiro dia em que Reid segurou todo o poder sobre mim. E ao ~ 50 ~


longo dos três anos seguintes, já percorremos um longo caminho. Eu estou vivendo em uma casa de luxo, de dois quartos em Kingston Upon Thames, com o mais fino mobiliário que o dinheiro pode comprar. Meu chefe me trata bem. — Quanto dinheiro fizemos até agora? Reid pega nossos pratos, as torradas já comidas, e as coloca na pia antes de virar para mim. — O suficiente para sairmos agora e ir para a Espanha, mas eu sei que ainda não acontecerá. Nosso alvo era meio milhão, e estamos já com mais de 450 mil. Nós só precisamos de mais alguns acertos e vamos ter tudo feito. Eu posso ver a luz em seus olhos quando diz isso. Eu sei o quão importante este clube é para ele, e devo admitir que estou animada para um novo começo. Embora eu ache que no momento, estou muito ocupada em amar a vida que temos agora. Eu me alimento desse zumbido que tenho quando fazemos um acerto. É difícil de explicar, mas é como uma droga. Como eu vou ser capaz de viver uma vida normal trabalhando num clube na Espanha, está além de mim, mas vou tentar. Eu estou esperando por esse dia, quando Reid se dará a mim completamente. Talvez então eu estarei satisfeita. Pelo menos, é o que eu espero. Eu levo meus olhos sobre seu corpo novamente, se tornando óbvio que estou olhando maliciosamente. — Você é o homem mais sexy que eu já conheci. — eu digo isso porque é verdade, mas outra razão é porque eu sei que ele adora quando começo este assunto. Ele caminha até mim com um sorriso e envolve o seu forte braço em volta da minha cintura. — É mesmo? Eu olho em seus olhos e arrasto para baixo, para os seus lábios, até pousar sobre a tatuagem. Ainda tão fascinada quanto no dia em que o conheci. Com um dedo, eu traço o contorno das asas em seu peito antes de encontrar os olhos novamente. — Ninguém pode se comparar a você, Reid. Você sabe disso. Com um aperto forte, ele segura meu queixo e me beija meus lábios com força, me obrigando a abrir a boca para ele. Eu solto um gemido, o que lhe permite deslizar sua língua e me possuir de uma forma que só ele pode. Por alguns segundos, nós estamos trancados em um abraço, levando tudo o ~ 51 ~


que podemos um do outro, sem permitir ir mais longe. Eu sei que ele não vai, então eu desisti de pressioná-lo há muito tempo. Vou fazer ele quebrar um dia ... mesmo que seja a última coisa que eu faça. Reid é o primeiro e o único na minha lista. Eu apenas tenho que tê-lo. Quando ele se afasta, nossa respiração está pesada, um contra o outro, enquanto esperamos em pé por um momento. Ele acaricia meu cabelo com ternura, me dando esses poucos momentos preciosos de delicadeza que eu permito apenas a ele. Mas assim que ele começa, ele para. Seus punhos estão no meu cabelo, e ele puxa minha cabeça para trás para que os nossos olhos se encontrem. — Não deixe ninguém te foder hoje. — eu dou um gemido, balançando a cabeça antes que ele venha para um último beijo. Ele me dá um tapa na bunda e se vira para a porta. — Vejo você esta noite, baby, — ele grita até que eu ouço o clique na porta. Eu sempre tenho as melhores intenções quando se trata de Reid, mas realizá-las é uma questão diferente. Quando ele manda assim em mim, isso me deixa com um desejo permanente de ser fodida. Acho que ele não percebe isso, mas, eu certamente não pretendo dizer a ele. Com exceção do meu pai, eu sempre mantive minha promessa a ele. Ele vê isso como eu sendo fiel, quando ele é o único a tomar decisões. É por isso que a noite passada foi tão difícil para ele. Ele queria me punir, mas por causa de com quem eu dormi, eu acho que ele escolheu não ir longe demais. Acho que a minha tortura teria ido por muito mais tempo se tivesse sido qualquer outra pessoa. Na verdade, eu não sei o que ele faria se eu dormisse com alguém que ele não concorda. Por agora, eu agirei de acordo com seus desejos... Mas uma menina não pode esperar tanto tempo.

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sete Reid: Sua irmã e o marido não podem engravidar. Os óvulos de Amber não são viáveis. Talvez isso possa ser a sua oportunidade? Eu franzo a testa para a mensagem de texto de Reid antes de responder. Eu: Como assim? Reid: Se ofereça para ser sua substituta. Você não vai passar por isso, mas isto pode apenas te dar a oportunidade que você precisa para chegar perto de Porter. Eu sorrio para sua mensagem. É por isso que eu estou com ele. Ele está sempre cheio de ideias, e a maior parte do tempo, ele está certo. Eu: Eu sabia que havia uma razão do porquê te amar. Reid: Ele é o último homem que eu vou deixar gozar dentro de você. Ninguém mais depois disto. Pense nisso como meu presente para você. Eu balanço a cabeça, rindo, enquanto desço a rua em direção ao café. Hoje tem sol, e está trazendo com ele um brilho quente e fresco. Eu: Ele pode não querer isso. Reid: Oh, ele vai. Acredite em mim. Eu mordo meu lábio, tentando suprimir um sorriso, enquanto passeio pela rua. Reid sabe que Porter é o último golpe em minha família. Se ele me rejeitar, então não sei o que vou fazer. Eu acho que teria que admitir a derrota, mas não vou admitir isso graciosamente. Eu trabalhei muito duro para chegar onde estou hoje, de modo que isto acabaria por ser uma fenda enorme em meus planos. Enquanto eu caminho vagarosamente, coloco o celular novamente na minha bolsa e tenho uma visão de todos os clientes. Um casal de homens passa e sorri, enquanto seus olhos vagueiam sobre o meu corpo. Como de ~ 53 ~


costume, estou vestida para impressionar, no meu terninho Armani cinza, com saia. Mais uma vez, ela fica logo acima do joelho, dando aos homens um pequeno vislumbre das minhas pernas... apenas o suficiente para fazê-los querer ver mais. Eu tenho meus Jimmy Choos pretos, e pendurada no meu braço está a mais recente bolsa Michael Kors. Meu cabelo está em um coque com apenas alguns fios cobrindo minhas maçãs do rosto. Eu também estou ostentando meus óculos de sol favoritos Gucci, que enfatizam o batom vermelho brilhante que estou usando. Quando não estou trabalhando, eu normalmente não me visto assim, mas hoje, eu estou fazendo uma exceção apenas para tentar irritar a minha irmã. Quando passo por todas as lojas vejo um mendigo sentado na esquina dos apartamentos. Seu cabelo é longo e desalinhado, e suas bochechas estão pretas com terra. Ele está usando muitas roupas, mais do que o necessário no calor de hoje. Sua cabeça está para baixo enquanto eu passo por ele, mas como se sentisse que alguém está a observá-lo, ele olha para cima e olha diretamente para mim. Além dos olhos de Reid, os olhos desse cara são os únicos que já foram capazes de manter a minha atenção. Enquanto passo por ele, ambos continuamos olhando, mas então não tenho outra escolha a não ser desviar o olhar. Quando chego ao café da esquina, encontro minha irmã sentada e esperando por mim na janela. Ela acena para mim, e seus cabelos loiros cacheados saltam para cima e para baixo. Naquele momento, eu vejo o quanto ela se parece com a nossa mãe. Eu não me assemelho com ela, então eu devo me parecer com meu pai... quem quer que seja aquele coitado do caralho. — Scarlet, — ela cantarola, se levantando para me dar um beijo. Ela está usando um vestido floral. Tudo sobre ela grita inocente, mas eu conheço o outro lado. Me lembro da cadela interior na minha infância. — Amber, você está bonita. — nós nos beijamos em ambas as faces, e quando nos sentamos, um garçom se aproxima para perguntar o que gostaríamos de pedir. Eu peço um copo de Pinot Grigio, juntamente com uma pequena salada. Como eu tive meu café da manhã com Reid antes, eu sei que não vou querer comer demais. Eu gosto de manter minhas refeições leves durante o dia. — Então, como está tudo? Nós realmente não tivemos uma chance de falar ontem.

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Eu sorrio. — Tudo está indo muito bem... especialmente agora que tenho minha família de volta. Isso é, claro, se eles me quiserem, — eu brinco. Amber se inclina, batendo minha mão. — Claro. Você é parte da família, isto não pode ser tirado de você. Essa é a grande coisa sobre famílias. Eles estão lá, não importa o que, você será bem-vinda de volta, não importando quanto tempo você esteve separada. Uma ligação como essa nunca pode ser quebrada. Eu penso sobre o vínculo que tenho com o meu pai. Imagino o quanto ela acharia que isto é verdade se ela soubesse o que realmente aconteceu às portas fechadas. Eu penso brevemente sobre ontem e o que aconteceu. Não importa o que, eu não posso tirá-lo da minha pele. Nenhuma quantidade de lavagem pode tirá-lo. Ele é como uma cicatriz ou uma tatuagem, para sempre gravada na minha pele e minhas memórias. Uma vez eu lutei contra os monstros que vieram. Agora, eu os recebo. Agora, eu os atraio na minha armadilha. — Nunca ouvi palavras mais verdadeiras. Amber bebe seu café por um momento antes de responder. — Devo admitir que quando te vi no ano passado, gostaria de saber se você ainda seria a garota ressentida que cresceu comigo. Eu queria te dar o benefício da dúvida, e eu estou tão feliz por ter feito. Você veio, você praticamente se desculpou, e não só isso, mas você teve uma conversa boa e longa com o papai ontem. É tudo que eu sempre quis. Eu mordo a língua antes de vomitar meu veneno. Eu ainda sou aquela garota ressentida, mas agindo como a irmã e filha amorosa, é a única maneira que posso rastejar meu caminho de volta. A quantidade de coisas que eu quero e preciso dizer a ela vão ter que esperar. Por agora, eu tenho que fazer o papel da irmã perfeita. — Digamos que esclarecemos as coisas. — eu sorrio, pensando que as palavras são verdadeiras para mim, mas eu suponho que não para o papai. O pensamento de que ele deve estar confuso como o inferno me faz sorrir. Além disso, a parte doente em mim fica excitada com o pensamento dele se tocando para mim. Aposto que ele se tocou na noite passada antes de ir para a cama. A imagem me deixa molhada, e eu sei que não deveria. Me pergunto se vou ou não voltar a ser a fracote que eu fui no chuveiro ontem. Uma parte de mim quer fazer isso e continuar fazendo isso até que ele não me afete mais. Eu não quero que as memórias me assombrem para sempre. Eu quero

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abraçá-las ao invés disso. — Então, você vai vê-lo novamente? Eu não tinha chegado tão longe ainda. Então me dou conta que posso vê-lo mais agora que ele está de volta, mas sei que Reid vai ficar chateado. Ele vai estar me observando mais de perto, então tenho que ser mais cuidadosa no futuro. Se eu não fizer isso, ele não será tão leve comigo na próxima vez. — Não fizemos nenhum plano, mas tenho certeza de que faremos em algum momento. Ela balança a cabeça. — Bom... porque ele mencionou uma festa na próxima semana. Seu livro sai na quinta-feira, então ele quer chamar alguns convidados para o Scarlet's em Richmond. Eu levanto minha sobrancelha. — Scarlet's? Ela começa a rir. — Sim, imagino o porquê ele escolheu este nome. Ele sempre amou você, você sabe. Acho que você considerou que o amor exigente não parece ser amor com você, mas ele está sempre falando sobre você. — Sério? — isso me choca. Naquele momento, o garçom vem com o meu Pinot e a salada. Amber tem uma batata assada recheada e imediatamente coloca o garfo dentro. — Sim. Ele sempre me perguntou como você estava indo, e o deixava chateado quando encontrávamos familiares e você não estava lá. Isso me surpreende um pouco, mas eu acho que é apenas atuação dele. Ele provavelmente sentiu minha falta, mas não da maneira que Amber quer dizer. Me foi dito inúmeras vezes que eu fui o melhor sexo que os caras já tiveram. Eu suspeito fortemente que papai sente o mesmo. Ele acabou de perder minha buceta obediente. — Bem, eu estou aqui agora e determinada a recuperar o atraso em tudo o que eu perdi. Amber sorri brilhantemente antes de retirar um cartão de sua bolsa. — Isso é ótimo, porque eu tenho o seu convite. Ele me deu isso para dar a você.

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Eu aceito o convite, olhando brevemente para a escrita dourada e impecável no papel escarlate. Mesmo quando se escolhe os convites, ele pensa de mim. Ele sempre gostou de mim em vermelho. Você está convidado a comemorar o lançamento do novo livro de Richard Valentine, Uma Oração a ser Respondida, na quinta-feira, 12 de maio de 2016 às 8h. Vestido: Elegante/Informal. Eu rio interiormente para a mais recente escolha do título para seu novo livro. Ele gosta de escrever suspenses com uma borda sexy. Eu li alguns deles e posso reconhecer algumas das cenas de sexo. Eu acho que ele gosta de representá-las em mim de vez em quando. Tesão filho da puta. — Você pode ir? Minha cabeça se vira para Amber. Eu aceno com a cabeça. — Sim, tenho certeza que posso ir. Ela morde o lábio, e eu sei que ela quer perguntar alguma coisa, mas não tem certeza se deve ou não. — Você irá... trazer alguém com você? Ah, ela está pescando para descobrir se eu estou em um relacionamento. Isto é difícil porque eu não quero contar a ela sobre Reid. Ele já me disse que não quer ter nada a ver com a minha família, então dizer a ela seria inútil. Ela só vai querer conhecê-lo, e isso só vai trazer muitas perguntas. — Eu não estou saindo com ninguém especial. — eu vejo o seu desapontamento e me pergunto se dizer a ela é uma boa ideia. Ela pode não querer Porter perto de mim se ela pensar que estou disponível. Merda! — Então, nenhum homem fez você se apaixonar ainda, huh? De repente, um raio de luz me bate, me dando uma ideia que certamente irá colocar a mente da minha irmã à vontade. — Não, nenhum homem nunca poderá fazer isso. No entanto, uma mulher poderia. Seus olhos se ampliam com a minha confissão. — Você é... você é gay? Eu rio. — Não fique tão surpresa. Isto acontece. Ela acena sua mão. — Eu sei, eu sei. Eu só... eu pensei que... — ela balança a cabeça. — Deixa pra lá. Eu acho que não previ isso, mas agora que você disse isso, tudo faz sentido.

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Eu franzo a testa. — Como assim? — Porque eu nunca vi você com um namorado. Me lembro do cara na escola que era fixado em você. Você recusou. Ele era atraente também. Todas as garotas o amavam. Uma breve onda de tristeza lava sobre mim quando eu penso no menino que fugi. Ele teria sido a minha primeira chance de um relacionamento normal. Agora, eu sei que nunca vou ter isso de volta. Apesar da tristeza, eu deixo isso de lado e coloco um grande sorriso. — Então, agora você sabe. Espero que isso não mude a maneira que você pensa sobre mim. Ela engasga. — Não, claro que não. Alguns dos meus amigos... e de Porter também... são gays. Eles são pessoas fabulosas interiormente, e isso é tudo que importa, certo? Eu aceno com a cabeça, concordando com sua afirmação, mas estou secretamente sorrindo por dentro. Se ela pudesse me abrir e espiar meio segundo dentro de mim, ela se afastaria de nojo. Eu sei que sou feia do lado de dentro, mas não dou a mínima. Eu sou como a flor de lótus. Eu floresço a partir de águas barrentas. Eu posso parecer bonita à primeira vista, mas se você vir de onde eu venho, você não vai me achar tão sedutora. — Então, nenhuma mulher tem feito você se apaixonar ainda? — eu balanço minha cabeça. — Houve alguém sério? Eu tento pensar sobre o que dizer enquanto eu saboreio o meu vinho. Então, algo me bate. — Eu acabei de sair de um relacionamento de dois anos. Seu nome era Jennifer, e eu estava apaixonada por ela. Infelizmente, ela não sentia o mesmo. Cerca de um mês atrás, eu vim para casa mais cedo e a encontrei na cama com outra pessoa. Eu terminei naquele momento. — eu olho para baixo com tristeza e sinto a mão de minha irmã na minha. — Eu sinto muito por ouvir isso. Ela que perdeu. Não você. Eu olho para cima, balançando a cabeça. — Eu sei. Ela quer voltar comigo, mas não posso tolerar alguém que me trai. Eu sempre estaria me perguntando se ela está com outra pessoa. Eu não posso passar por esse tipo de ciúme e angústia. — Claro que não. Você merece alguém que realmente te ame. Quer dizer, eu nunca, em um milhão de anos, acharia que Porter iria me trair, ~ 58 ~


mas se ele fizer, — ela faz um gesto com o polegar atrás dela, — ele seria expulso mais rápido do que uma bala. Interessante. — Tenho certeza que ele nunca faria isso. Porter adora o chão que você pisa. Todos podem ver isso. — ela sorri com ar sonhador. Ela obviamente gosta muito dele. Que pena. — Sim, ele tem sido a minha rocha... especialmente recentemente. Eu franzo a testa. — Por quê? — pergunto, comendo a minha salada. — Nós estamos tentando ter um bebê por um longo tempo. Recentemente, eu descobri que não posso ter filhos. Estamos devastados, e estamos tentando descobrir o que fazer a seguir. Nós não conseguimos decidir. Nós ficamos entre barriga de aluguel e adoção. Nós simplesmente não sabemos o que é melhor. Se escolhermos barriga de aluguel, pelo menos, a criança será de Porter biologicamente... a coisa é que eu sou basicamente infértil... a qualidade do meu óvulo é aparentemente insuficiente ou alguma coisa desse tipo. Bingo! — Eu nunca tive filhos, então você pode me usar se quiser. — eu começo a rir como se fosse uma piada, mas eu sei que plantei a semente lá. Ela só precisa ser regada um pouco. Ela olha para mim por um momento, com seu garfo na metade do caminho no ar. Eu acho que ela pode estar em estado de choque. Como ela não diz nada, eu tento esclarecer. — Eu sinto muito. Eu não tive a intenção de te chocar. Eu apenas pensei, que melhor maneira para que você possa criar um bebê do que quando você sabe que é a sua própria carne e sangue. — seus olhos se arregalam. — Olha, esqueça o que eu disse. Ela abaixa o garfo, saindo do estado em que estava, seja qual for. — Não, não, não é isso. Eu... eu só não sei o que dizer. Você está brincando? Balanço a cabeça, mastigando de uma garfada. — Eu nunca iria brincar com algo assim. Se você me perguntasse, então, naturalmente, eu diria que sim. Eu faria isso para a mamãe também, se ela estivesse desesperada para um bebê. É para isso que as famílias são... como você

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disse. — eu sorrio para ela, mas quero rir tanto da sua expressão. Isso dará uma boa conversa quando Reid vier mais tarde. — O que você faria sobre o trabalho, se você tivesse um bebê? — eu quero sair do assunto sobre mim. Eu gostaria de empurrar isso, mas eu quero que isso seja sua decisão. Não minha. Tenho certeza que quando ela chegar em casa, ela vai guardar isso por um par de dias e, sem dúvida, mencionar isso novamente, se for o que ela quiser. Por enquanto, eu quero construir o sonho para ela. — Eu quero ficar em casa, mas assim que o bebê puder ir para a escola, eu posso começar a trabalhar novamente. Ser professora é brilhante porque você pode trabalhar ao mesmo tempo que seu filho está na escola. Seria perfeito. Eu coloco aquele sorriso falso. É tão difícil brincar com uma boa pessoa. — E eu tenho certeza que você e Porter seriam grandes pais. Eu já posso ver vocês dois sentados em sua casa, se arrulhando sobre seu pequeno pacote de alegria. Vocês viveriam para isso. Ela olha para mim por um momento, e eu posso ver as engrenagens trabalhando em seu cérebro. Ela quer isso. Eu posso dizer. — Você não quer ter seu próprio filho? Eu balanço minha cabeça. — Não. Acho que sou muito independente. Além disso, eu amo as mulheres demais, e elas realmente não carregam o equipamento necessário. — eu começo a rir, assim como Amber. — Apesar de tudo, isso não limitou um monte de casais do mesmo sexo. Aceno com a cabeça em concordância. — Sim, eu sei. Não me interprete mal. Eu amo crianças. Eu só sei que não sou talhada para ser mãe. Seria muito melhor eu deixar isso para as pessoas que são. — eu sorrio brilhantemente para ela, e eu sei que ela ainda está assistindo. Tudo isso é fascinante para ela. Eu posso dizer o que ela está pensando agora: — Minha irmã está disposta a carregar o meu bebê, e não só isso, mas ela não vai formar um vínculo emocional, porque ela não quer ser mãe. — No entanto, aposto que você iria se sentir diferente se fosse o seu próprio. Assim como eu esperava. Ela está engolindo a isca. ~ 60 ~


— Eu realmente não penso assim. Não tenho nenhum lado materno em mim. Eu nunca quis ficar grávida. Eu simplesmente não entendo qual é o alarido sobre isso tudo. Eu imagino que você esteja achando difícil acreditar em mim, e é o mesmo que sinto por você querer tanto um bebê. Eu posso entender que é como a vida continua, mas eu realmente não tenho nenhum desejo de procriar e criar filhos. Apenas não é minha praia. Eu termino a minha salada e assisto como Amber ainda está me examinando. Eu posso dizer que ela está tentando fazer com que tudo isso seja verdade. A melhor parte é verdade, mas eu estava mentindo quando disse que amava crianças. Elas vazam em todos os lugares. Eu não posso ver como uma coisa assim seja adorável. Quando o garçom vem para limpar a nossa mesa, eu agarro seu braço com ternura. — Desculpa. Você se importaria se eu pedir um hambúrguer e batatas fritas para viagem? Você pode trazer a conta com ele. Ele balança a cabeça, me dando uma piscadela. — Claro. Vindo agora mesmo. Minha irmã franze a testa para mim. — De repente você percebeu como está com fome? Eu rio. — Não. Eu vou levar para o meu patrão. Um pouco de suborno, porque eu estive fora para o almoço mais do que a minha hora permite. Ela olha para o relógio. — Ah merda! Você vai ter problemas? Eu balanço minha cabeça. — Não, eu vou ficar bem. Porque você acha que eu pedi a comida? Eu posso dizer que eu estava esperando por ela. Ela ri. — Bem pensado. — Também achei. Sorrimos uma para a outra, e eu sei que naquele momento ela está pensando o quão próximas estamos agora. Vou dar a ela essa ilusão. Na verdade, estou orgulhosa de mim por estar me saindo tão bem. — Eu realmente gostei de hoje. Devemos fazer isso mais vezes. Eu assinto. — Eu concordo. É hora de nós sermos irmãs novamente. — Definitivamente. Você deve voltar um dia para o almoço de domingo. Porter e eu gostaríamos de tê-la. ~ 61 ~


— Claro. Isso é muito gentil. Pelos próximos dez minutos, nós nos sentamos com conversa fiada, por isso, quando o hambúrguer veio, e eu insisti em pagar a conta, estava mais do que com pressa para sair. Brincar de Senhorita Bem Comportada é exaustivo. Assim vez que me levanto, Amber vem em mim para um beijo. — Eu vou te ligar antes da festa de lançamento do papai. — Vou esperar ansiosamente por isso. Sorrimos, seguindo caminhos diferentes, e eu faço o meu caminho descendo a rua para casa. Quando eu chego ao homem na esquina, eu me aproximo dele e ele olha para mim. — Você está com fome? — pergunto. Ele acena com a cabeça, sem dizer nada. Eu ofereço a ele o saco, e eu percebo quando suas narinas se alargam com o cheiro do hambúrguer e batatas fritas. — Aqui, por favor, tome isso. Tenho certeza que você poderia fazer uma boa refeição. — ele não sabe ainda, mas eu escorrego cem libras no saco também. Eu posso ser uma cadela de coração frio, mas apenas para as pessoas que me ferem. Tá vendo, às vezes, eu posso ser uma santa.

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oito — Eu tenho outro alvo para você. — Reid bate uma fotografia em cima da mesa, então eu a pego. É um homem de meia-idade com cabelos grisalhos e olhos castanhos afiados. Ele tem uma mandíbula cinzelada e uma agradável barba por fazer. Apesar de sua aparência limpa, ele parece um pouco sexy de um jeito meio estranho. Ele parece familiar. Quem é ele? — Ele é Justin Travers, juiz da Alta Corte do centro de Londres. Ele está participando de um seminário de arte em um hotel em Chelsea amanhã à noite. Eu já consegui um quarto para você lá. Eu olho para cima a partir da fotografia de Reid. — Você quer que eu o leve para o quarto? Ele sorri, se aproximando e sentando ao meu lado. — Só se você der a ele o que ele quer. — levantando sua mão, ele acaricia um dedo na minha bochecha. — E eu não quero que você goze. Você tem que guardar isso para mim. Com suas palavras e seu toque, minha respiração se acelera. — E se ele for bom? Reid olha todo o meu rosto como se ele estivesse fazendo amor com ele. Eu odeio quando ele faz isso, e como meus hormônios nunca reagem de maneira calma. — Não importa se ele for bom ou não, você vai querer gozar. Você ama a emoção... eu sabia disto desde o primeiro dia que te vi. Você fica excitada com a perseguição, a emoção... o perigo. — ele puxa a gravata e desenrola do pescoço. — Eu tenho uma surpresa para você. — ele se levanta. — Tire todas as suas roupas. Eu imediatamente faço o que ele diz, porque eu já estou sob seu feitiço. Ele observa, o desejo acende seus olhos enquanto eu me dispo. Basta seu olhar para me deixar pronta, e ele nem sequer me tocou ainda. Assim que me livro completamente das minhas roupas, Reid me ~ 63 ~


circunda antes de colocar a gravata diante dos meus olhos. Ele tira minha visão, dando um nó apertado em volta da minha cabeça antes de pegar minha mão. — Agora, venha comigo. Tenho a sensação de que você vai adorar isso. — ele me leva para fora da sala e sobe as escadas. Eu noto, uma vez que estamos lá em cima, que ele não me leva para meu quarto, mas para o segundo quarto, o que às vezes uso como um escritório. Ouço a porta abrir, e quando entramos, ele me leva para o canto do quarto. — Braços no ar. — eu faço como ele diz, e ouço o som das correntes se arrastando. — Reid, o que é? — Shh, — ele sussurra em meu ouvido. — Confie em mim. É a minha surpresa para você. — ele aperta meus pulsos com força. Depois de satisfeito, eu o sinto amarrar algo sobre o meu peito e, em seguida, meus quadris. Não poderia me mover, mesmo se eu quisesse. — Você fica incrível assim... completamente à minha mercê. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, sou girada de cabeça para baixo, o que me faz gritar de surpresa. Reid agarra minhas pernas, me segurando no lugar e as envolve sobre os ombros. — Nós vamos gozar juntos, baby. — eu ouço quando ele abre o zíper das calças e sinto seu pau bater no meu rosto. — Me leve em sua boca, — ele ordena. Faço o que ele diz, quase vomitando quando ele empurra seu pau profundamente dentro. — Porra, Scarlet. Sua boca é incrível. — eu o ouço tomar uma respiração profunda. — E você sabe o que é mais incrível? O cheiro da sua buceta. Eu poderia te comer o dia todo. — eu sinto quando sua língua bate no meu clitóris e seu nariz está enterrado profundamente dentro da minha buceta. Eu gemo, mas minha voz é restrita a partir do movimento do membro de Reid na minha boca. Nossa respiração é irregular quando ele empurra mais e mais profundamente no interior. Ele contorce seu rosto em cima de mim, enterrando sua língua profundamente, lambendo e chupando meus lábios inchados. Eu quero gritar, mas eu não posso. Uma parte de mim detesta a restrição, mas outra parte de mim adora. Enquanto ele delicadamente lambe e mordisca meu clitóris, um gemido baixo e profundo me escapa, reverberando através de seu pau. — Porra, isso é sexy. Você vai me fazer gozar rápido, Scarlet. Eu posso te levar comigo. — ele volta a enterrar seu rosto, me dando tudo o que pode. Seus movimentos se tornam frenéticos e é palpável quando ele se apressa para encontrar sua própria libertação. Ele pode sentir que eu estou quase lá

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quando minhas pernas abraçam ao redor de sua cabeça, em antecipação ao meu clímax. Enquanto ele empurra profundamente em minha boca novamente, ele geme, fazendo meu clímax chegar mais rápido. Seu controle em volta do meu tronco aperta quando ele corre para capturar sua própria libertação. Então, de repente, nós dois chegamos lá. Eu rasgo, gozando por todo o seu rosto, enquanto ele lambe meus sucos. Eu sinto quando ele goza no fundo da minha garganta e eu gemo, tomando cada gota que ele tem para oferecer. — Porra, isso foi demais! Descendo do meu êxtase, eu me sinto tonta. Esta é a primeira vez que gozo de cabeça para baixo, e que sensação estranha. Enquanto eu continuo a tomar minha respiração, Reid gira, seja com o que for que ele tenha me amarrado, até que eu estou na posição certa. — As coisas que eu poderia fazer com você, babe. Eu teria você gritando. Com suas palavras, minha respiração calma se torna irregular novamente. — Por favor, — eu digo desesperada para senti-lo me levar do jeito que ele sabe que quero. Eu sei que ele nunca vai cruzar essa linha, mas isso não me impede de mendigar. Enquanto caminha, ele se inclina, agarra e belisca meu mamilo sensível. Eu grito, amando a sensação. — Um dia, — ele brinca, mordiscando minha orelha. Eu sinto um puxão e logo estou livre de todas as minhas limitações. Ele desata a gravata, e eu tenho que piscar algumas vezes para me orientar. Assim que minha visão está totalmente restaurada, eu viro e vejo o que parece ser um guincho, de um metro e noventa, com amarras. É de madeira, com diferentes correntes e tiras de couro. — Ele também vem com um balanço, — Reid me diz com grande prazer. Me viro para ele com um sorriso. — Bem, é uma pena que você não está disposto a experimentá-lo comigo, não é? Reid passeia, me agarrando pela cabeça. — É sempre sexy quando você implora, mas não faça muito isto. Isto pode realmente me afastar. — ele olha para meus olhos, sorrindo. — Vá se foder. — eu fervo. Ele bate seus lábios nos meus, e por um momento, eu deixo ele me devorar. Assim que eu mordo seu lábio, porém,

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ele se afasta de mim. — Puta do caralho! — eu rio, e a carranca que ele tinha se transforma em um sorriso enquanto ele limpa o sangue de seu lábio. — Você é a única cadela fodida que deixo fazer coisas assim comigo. Eu passeio por ele, acariciando meu dedo no seu peito quando eu vou. — Isso é porque você me ama. Eu ouço o estrondo vindo do fundo do seu peito, e isso me faz sorrir. Eu sei que ele está desesperado por mim, então eu não sei por que ele está se segurando. Isso me deixa louca, mas ele sabe disso. Eu tenho o poder para tentá-lo, mas ele tem o poder de me deixar no suspense. Eu acho que secretamente o deixa excitado. Quando eu chego ao meu quarto para pegar meu roupão de seda, Reid está em pé no caminho da porta, me olhando. — A propósito, Justin Travers tem uma queda por mulheres dominadoras. Tenha isso em mente quando tentar seduzi-lo. Balanço a cabeça com um sorriso. — Como você descobre estas coisas? Ele dá de ombros com um sorriso. — Eu sou um I.P. É meu trabalho saber essas coisas. Eu tremo quando ele diz isso. Ele sabe que eu estou prestes a entrar na vida do meu pai de novo, mas eu também sei que cada vez que eu disser isto, ele vai ficar chateado. — O quê? — pergunta ele, sentindo que estou tensa. Eu suspiro, sentada na minha cama. — Hoje quando eu estava no almoço com a minha irmã, ela mencionou a sessão de autógrafos do livro do papai, e a festa será depois. Percebo o olhar de desgosto quando ele cruza a porta e se senta ao meu lado. — Por que eu tenho esse sentimento que eu não vou gostar do que está por vir? Me viro para ele com um suspiro. — Você sabia que me metendo nisso, ele iria começar a rastejar de volta na minha vida. Ele range os dentes. — Sim, mas isso foi antes de eu chegar em casa

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ontem e te encontrar esfregando sua pele. Me levantando, eu vou até o meu guarda-roupa. — Eu vou lidar melhor com isso na próxima vez. — Sim, você vai... porque não haverá uma próxima vez. — Você sabe o que quero dizer, — retruco, puxando meu suéter de caxemira branca e um jeans. — Eu te disse que você não terá relações sexuais com ele novamente. Eu me viro, puxando minha calça jeans sobre meus quadris. — E eu prometi que não iria. — passando suéter de caxemira sobre minha cabeça, olho para ele. Ele ainda está com raiva. Eu posso sentir a frustração derramando dele. Eu conheço Reid. Ele gosta do poder, exatamente como meu pai gosta, mas ele nunca me força. Se eu disser ‘Pare’, ele irá parar imediatamente, sem perguntas. — Olha, nós sabíamos que me integrar de volta em suas vidas resultaria em funções chatas de família, etc. Eu não quero ir a eles mais do que você quer que eu vá, mas se eu quiser ter suas boas graças de novo, então eu tenho que ir. — eu toco seu rosto e carinhosamente o beijo nos lábios. — Você tem seu objetivo e eu tenho o meu. Eu não iria impedi-lo de alcançar seu sonho, então, por favor, não me peça para parar de alcançar o meu. Ele olha nos meus olhos, e eu sei que ele está cedendo. Ele realmente não tem outra escolha. Reid sabe que eu o amo, mas se isso chegar a ser uma escolha entre ele e meu objetivo, eu escolheria o meu objetivo, e Reid sabe disso. Ele precisa de mim, porque, sem mim, ele não tem nenhuma alavancagem para ganhar todo o dinheiro que nós ganhamos desde que começamos nosso pequeno empreendimento. Meu único desejo no mundo é ter a minha vingança contra todos que me machucaram, me desacreditaram, e me fizeram uma pessoa má. Depois disso, eu não sei... mas, agora, nada no mundo importa mais do que eu dar o troco. E eu vou amar cada minuto doente e torcido disso. — Eu odeio que você esteja fazendo isso, mas não vou te parar. Estou com medo de que ele possa quebrá-la novamente, e eu não posso ver isso acontecer. Eu balanço a cabeça para ele. — Quem diz que eu vou quebrar? Eu ~ 67 ~


não sou mais uma garotinha, Reid. Eu posso cuidar de mim mesma. Ele bufa. — Quem fala, a menina que ainda tem arranhões em seus braços, de se fazer sangrar. — ele aponta para os meus braços, e apesar do calor nesta casa, eu puxo as mangas para baixo. — Eu vou lidar com isso, — digo com desdém. Ele olha para mim como se não acreditasse em mim. — Eu vou. Eu prometo. Foi um simples contratempo, um que vou ter certeza que nunca aconteça novamente. Agora, você quer assistir a um filme antes de encomendar um pouco de comida? Acho que você está pensando em ficar mais um pouco? — eu sei quando Reid está com pressa para sair, e agora não é um desses momentos. Ele olha para mim um tempo antes de responder. Posso dizer que ele está tentando me entender. Ele deve pensar que eu sou uma boneca de porcelana, mas se eu fosse, a porcelana seria reforçada com aço. Eu posso ter tido cinco minutos de fraqueza no chuveiro, mas foi só isso. Eu sou uma pedra fria, uma cadela sem coração, e é assim que vai ficar. — Ok. Vamos lá pra baixo, — ele responde antes de levantar e sair.

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nove 27 de Julho de 2007 — Nós temos que ter essa mesma fodida conversa velha, Wendy? Você é como um disco quebrado. — Você não vai falar comigo. Você não vai me dizer o que está acontecendo. Tem sido meses, Richard, e nada. É outra pessoa? Você está vendo alguém nas minhas costas? Eu engato minha respiração, estou do lado de fora da porta do meu quarto. Minha irmã está fora, mas meus pais estão lá embaixo discutindo... novamente. — Quantas vezes eu tenho que te dizer que não há ninguém? — Bem, talvez você deva consultar um médico. Eu não tenho certeza do que fazer. Estou desesperada para sair... para ir à biblioteca e então ler no parque. Está um dia bonito lá fora, e eu não quero perdê-lo. À medida que continuam a discutir, eu sinto que a melhor maneira de sair dessa é apenas me esgueirar por eles. Eles não vão nem perceber, já que eles estão muito absortos. Eu começo a descer os degraus cuidadosamente, enquanto eles continuam gritando. — Você quer se separar? Então, é tudo sobre isso? Estou a dois passos de aterrissar, mas eu me detenho com as palavras da minha mãe. Poderia ser isso? Isso poderia finalmente ser o dia em que ela o expulsa? Tenho notado que ela começou a beber muito ultimamente e me pergunto se tem a ver com o seu casamento difícil. Eu o ouço suspirar. — Claro que não. Eu te amo. É só que... eu não sei... talvez seja o trabalho. Meu editor está dando um prazo impossível de alcançar, e eu sinto a pressão. Isso é tudo. Eu vou tentar. Eu sei que não é muito, mas vou tentar.

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Meus ombros caem com a notícia. Ele não quer ir. Na verdade, acho que ele vai tentar qualquer coisa para não ir. Eu devia ter imaginado que tudo iria interferir com ele ficando comigo. Isso é o que ele queria o tempo todo. Eu não sei por que sou tão especial. Eu fecho meus olhos, mas começo a andar em direção à porta. — Onde você pensa que vai vestida assim? Me viro para encontrar meu pai em pé no corredor, me olhando com desconfiança. Ele olha minha roupa, que consiste em um curto vestido de verão. Não é um curto imoral, mas está mostrando um pouco mais de perna do que o habitual. — Sobre o que é todo esse alarido? — minha mãe pergunta, olhando por cima do ombro. — Não há nada de errado com o que ela está vestindo. Ela está bonita. — eu vejo o rosto do meu pai em chamas. Parece que ele quer bater na mamãe por ousar interferir. — É muito curto, — meu pai insiste com os olhos ardentes. Ele me dá um olhar de advertência, e estou prestes a virar e caminhar de volta até as escadas para trocar, quando minha mãe fala. — Não seja tão bobo, Richard. Eu vi muitas meninas, mesmo mais jovem do que Scarlet, usando menos do que ela está usando. Eu acho que ela está adorável. Ela está se transformando em uma mulher agora. Deixe que ela abra as asas. — Não suas pernas, porra. — Richard! — minha mãe grita em descrença. — O que diabos deu em você? Por que ela não pode ver isso? Por que ela não pode ver o monstro escondido que vive dentro dele? Ele está ali de pé, suas costas ainda longe de minha mãe, mas ele está me mostrando aquela maldade. Ele está me mostrando o monstro que está ansioso para sair. Eu sei o que ele faria sem a mamãe aqui, então estou tão feliz que ela está, mas o que eu não consigo entender é o quão cegas, ela e minha irmã, são por ele. É quase como se ele pudesse andar sobre a água, no que se refere ao tanto que elas estão preocupadas. — Eu vou mudar, se este é um problema, — eu digo timidamente. Não importa o que, eu não quero ser aquela que se mete em problemas por isso.

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Meu pai parece mais feliz com isso, mas a minha mãe logo sai ao redor do meu pai e coloca um braço em minha cintura. — Não seja boba. Você está bonita. Seu pai e eu estávamos tendo uma discussão, e agora ele está mal-humorado. Não dê ouvidos a ele. Saia. Divirta-se. É um lindo dia. Eu sorrio para minha mãe com um aceno de cabeça, e olho em direção ao meu pai. Eu imediatamente desejo não ter feito isso. Ele parece prestes a explodir. Quero apenas me trocar, mas então minha mãe vai fazer um grande negócio disso. Eu sei que vou pagar por isso mais tarde, não importa o que aconteça, mas, por agora, eu só quero sair e aproveitar o sol. — Eu vejo vocês dois mais tarde. — eu sorrio, me virando para a porta. Eu sei que meu pai deve estar ansioso para dizer algo, mas ele segura sua língua. Independente disso, eu não posso olhar para ele. Se eu fizer, eu sei que estarei numa cova. Eu rapidamente fecho a porta atrás de mim e praticamente salto para a rua. Não há muitos dias como este, em que eu possa andar livremente. Desço a rua tranquila e me maravilho com as flores bonitas, vibrantes que florescem nos jardins dos vizinhos próximos. Há tantas delas e a sua fragrância bate no meu nariz, me fazendo inalar bruscamente. Eu fecho meus olhos, saboreando a beleza. Não há muitos dias que eu posso dizer que a beleza me cerca, mas este dia é uma exceção. Vou viver neste momento, porque eu sei que quando chegar em casa vou ter o meu pai para lidar. Eu ando para a biblioteca, onde eu levo o meu tempo e olho ao redor em todos os livros que têm para oferecer. Não são muitas pessoas que vêm aqui, a não ser os poucos que gostam de sentar e ler os seus Kindles com paz e sossego. Eu não entendo isso, porque temos muito poucos dias agradáveis, e se dependesse de mim, eu estaria lá fora, aproveitando o máximo deles. Eu escolho alguns livros que despertam meu interesse, incluindo Diário de uma paixão. Eu normalmente não leio romance, mas hoje me sinto inspirada para isso. De qualquer maneira, tenho ouvido coisas boas sobre este livro. Satisfeita, eu os levo até o balcão e a senhora carimba meu cartão. Eu observo que ela sorri quando espia o livro como um dos meus itens. — É bom? — eu pergunto a ela. Ela tira os olhos do livro e o entrega de volta para mim. — É um dos poucos livros que me fizeram chorar. Eu seriamente comi um pote inteiro de

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sorvete Ben e Jerry, enquanto estava lendo. — ela suspira, sacudindo a cabeça. — Vou ter que lembrar assim que começar a ler. Ela sorri brilhantemente. — Faça. Gostaria de aconselhar também ter uma caixa de lenços de papel em modo de espera. — ela pisca, devolvendo o meu cartão, e eu vou embora, me sentindo ainda mais brilhante. Eu olho para o meu relógio e vejo que eu tenho, pelo menos, quatro horas de leitura no parque. Com energia renovada, eu vou até a loja, pego uma bebida e um sanduíche, e por impulso, eu compro um sorvete do furgão de sorvete no parque. Agora, eu tenho todos os meus sacos de guloseimas, então eu estou pronta. Sorrindo e comendo meu sorvete, eu encontro um local com sombra debaixo de uma árvore e decido ficar confortável. Apesar de amar o sol, eu sei que só vou acabar ficando queimada se gastar muito tempo sob ele. Eu me acomodo, puxo o livro e começo a ler enquanto termino meu sorvete. Estou apenas no meio do capítulo um quando eu sinto uma sombra pairando sobre mim. Eu olho para cima, e minha respiração engata quando vejo quem é. — Levanta. Agora. — ele comanda. Eu não hesito. Pego todas as minhas coisas e sigo meu pai enquanto ele conduz o caminho para onde estamos indo. Ele não diz nada, mas ele não precisa. Seu corpo rígido está me dizendo tudo. Num instante, nós alcançamos o seu Porsche, e ele abre o lado do passageiro para que eu possa entrar. Seu rosto é inexpressivo quando eu passo por ele e deslizo em meu assento. Eu espero ansiosamente enquanto ele caminha ao redor para o outro lado e entra. Ele ainda não diz nada, mas eu sinto a raiva derramando dele. Isso não é bom. De maneira alguma isso é bom. Assim que chegamos em casa, ele estaciona no meio-fio, sai, e rapidamente vem para o meu lado, para me deixar sair. Eu estou esperando que mamãe esteja em casa, mas com toda a probabilidade, eu sei que ela não vai estar. Ele furiosamente posiciona a chave na fechadura e abre a porta. ~ 72 ~


Assim que eu passo, ele agarra meu braço e me atira para o chão. Eu grito, mas depois eu sinto um pontapé no meu estômago que me rouba o ar. — Sua fodida vagabunda. Quantas vezes, hein? Quantas? — ele grita, me chutando novamente. Lágrimas inundam meus olhos enquanto eu seguro minha barriga. — Por favor. Eu sinto muito. Eu nunca quis te irritar. Sinto sua mão me puxando para cima com força. Eu não consigo ficar em pé, mas sei que se não fizer isso, ele vai me punir mais. — Levanta, porra! — ele ruge. Eu estou um pouco insegura sobre meus pés, e a contragosto olho para ele. — Você vê o que você me fez fazer? Se você não saísse para se prostituir, nada disto teria acontecido. Agora, vá lá pra cima. Minhas pernas tremem incontrolavelmente, mas eu vou subir as escadas por medo de represálias. Eu sei o que está vindo agora, mas eu estou acostuma a isso. Na verdade, estou começando a ser capaz de me desligar disso. — No banheiro, — ele ordena. Faço o que ele diz, e uma vez lá, ele rasga o vestido do meu corpo, seguido pelo meu sutiã e calcinha. — Entre no chuveiro. — eu entro, e uma vez de pé, ele liga a torneira, mas está frio. Eu grito, tentando sair. — Fique aí, ou vou fazer você pagar de outras maneiras. Talvez você pense que está tudo bem sair parecendo uma puta pronta para ser fodida, mas não vai acontecer. Eu preciso te dar um banho frio do caralho para você parar de se comportar como uma cadela no cio. Eu não posso suportar isso. Está frio demais. Eu começo a soluçar incontrolavelmente, dizendo a ele que sinto muito e eu nunca vou fazer isso novamente. — Mamãe... Papai! O som da voz da minha irmã no andar de baixo é bem-vinda. Os olhos do meu pai pulam do seu rosto antes dele desligar o chuveiro e puxar meu cabelo. — Não diga porra nenhuma ou você vai se arrepender. Vá para seu quarto e fingir que está doente. — ele solta meu cabelo, e eu entro em colapso em uma pilha no banheiro. Eu estou tremendo, mas não posso me mover. Cada parte do meu corpo quer desligar. — Eu estou indo, querida! — papai grita com alegria em sua voz antes de se virar para mim na porta. — Você não ouviu tudo de mim ainda. — ele

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fecha a porta atrás dele, e eu fico na banheira, tremendo e chorando em silêncio. Eu não quero chorar, apenas no caso de Amber me ouvir, mas eu não consigo evitar. Eu estava tendo um dia maravilhoso e descontraído na biblioteca e no parque, tomando o sorvete, capturando aquelas poucas horas preciosas e tentando me perder em outro mundo. Eu ainda não posso me mover, mas o som da voz do meu pai me abala. — Estou feliz que você teve um tempo maravilhoso fazendo compras com suas amigas. Você vai sair hoje à noite? — eu ouço meu pai perguntar à Amber. Por que ele não pode ser assim comigo? Por que eu sou a única a sofrer? Soa egoísta, mas não consigo entender por que meu pai me atormenta tanto. Eu vi o jeito que ele olha para ela, como se ela fosse a única filha do mundo para ele. E então ele olha para mim. Tudo o que vejo é ódio e uma fome que nenhum homem deve ter por sua filha. Eu sou uma boa menina. Eu vou para a escola, eu tenho boas notas, e eu fico fora de problemas. Eu não tenho amigos, e eu nunca vou a lugar nenhum, então porque ele me trata assim? Com as mãos trêmulas, eu consigo colocar cuidadosamente uma perna sobre a banheira e depois a outra. Eu pego uma toalha e a coloco sobre meus ombros, tremendo de novo com seu conforto. — Onde está Scarlet? — pergunta Amber. — Ela não está se sentindo muito bem. — Ah não. Devo ir até ela e ver se ela precisa de alguma coisa? — Eu iria deixá-la sozinha por um tempo. Ela acabou de tomar um banho e quer dormir. Vamos dar a ela um par de horas. Eu deixo de lado a respiração que estou segurando e abro tremendo a porta do banheiro. Com a toalha embrulhada em torno de mim, eu rapidamente, mas em silêncio, vou para o meu quarto e fecho a porta. Uma vez lá, eu pressiono as costas contra a porta, e lágrimas frescas se constroem nos meus olhos. Tudo o que posso pensar é a maneira como ele é comigo. Eu não sei o que é pior... ele com as mãos em cima de mim... ou isso. Eu vou para minha cama. Lágrimas estão escorrendo pelo meu rosto enquanto me cubro completamente debaixo de meus cobertores. É engraçado como a gente pode se sentir segura debaixo dos próprios lençóis.

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É quase como se existisse uma camada de proteção que ninguém pode penetrar. Porém, eu sei de forma diferente. Eu sei de todas as vezes que eu fui acordada em meu sono e violada. Sei, por todas as vezes que tentei me esconder aqui para ficar longe dele, apenas para ele arrancá-los de mim. Exausta, meus olhos ficam pesados, mas eu sei que não vou ser capaz de dormir. Tudo o que posso ouvir são as palavras de despedida do meu pai antes de me deixar congelando no banheiro sozinha. Tudo o que posso ouvir é o tom da voz que ele usou para me ameaçar enquanto eu me encolhia no canto como uma criança assustada. — Você não ouviu tudo de mim ainda. — Você não ouviu tudo de mim ainda. — Você não ouviu tudo de mim ainda.

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dez É engraçado como eu posso olhar para trás em minha vida, digamos, há dez anos ou mais, sem o medo e desprezo que uma vez tive. Me lembro de ter todas as emoções de medo, devastação, apreensão e desesperança. Fora todos esses sentimentos, a vulnerabilidade foi o mais difícil de lidar. Aprendi a lidar com o medo e a ansiedade depois de um tempo. Era o sentimento de desamparo que eu não poderia vir a enfrentar. Cada grama de livre arbítrio foi despojada de mim. Cada decisão foi feita ou tirada de mim. Eu não estava vivendo. Eu estava apenas existindo. Você poderia dizer que Reid está fazendo o mesmo, mas só porque eu permiti. Só porque eu confio nele completamente. Ele esteve lá desde o primeiro dia, cuidando de mim, me prometendo o mundo, enquanto ele escolhe com quem eu vou dormir. Reid é fodido assim. Ele gosta de controle, e eu posso ver o quanto ele arde por me controlar, mas há uma coisa que Reid não percebe sobre mim. Não posso ser controlada. Claro, eu não vou dizer isso a ele. Eu concordo com o jogo e dou o que ele pede, porque saber que, no fundo, eu sou a única secretamente comandando tudo, me excita mais do que qualquer homem jamais poderia. Não me envergonho de ser a pessoa que eu sou. É mais fácil dessa maneira do que deixar um homem entrar em seu coração e esmagá-lo, como se o mundo que você deu a ele não significasse absolutamente nada. Eu não quero esse tipo de vida. Eu me recuso a ter esse tipo de vida. Mas, tendo dito tudo isso, eu ainda anseio por Reid de maneiras que eu nunca ansiei por um homem antes. Ele ainda me atrai, apesar de meu coração, corpo e alma ainda tentarem resistir a ele em cada momento. Eu continuo dizendo a mim mesma que quando eu o tiver, talvez esta minha pequena obsessão vá embora e voe para o nada. É para onde eu sei que Reid e eu estamos indo. Eu poderia dizer que depois teremos o nosso felizes para sempre juntos. Talvez, um dia, nós o teremos. Mas, por agora, vou continuar a jogar o seu jogo, aguardando o meu tempo de vingança, e fingir ser a irmã e filha amorosa que eu sei que minha família quer que eu seja.

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Se eles pudessem apenas me ver agora. Gostaria de manchar o nome da família e ser uma vergonha para todos eles. Como eu poderia não ser, vendo como estou sendo a vadia e a cadela que eles sempre pensaram que eu era? Estou no quarto do hotel, depois de ter conseguido seduzir um certo Sr. Travers. Não demorou muito, nunca é preciso, mas a emoção de capturar minha presa me encanta. A emoção de saber que estamos sendo vigiados, tem a expectativa rastejando através de minhas entranhas. Eu tenho o Sr. Travers algemado a minha cama. Eu estou usando um bustiê preto que combina com minhas botas pretas de verniz. Eu tenho um chicote, e eu o uso no Sr. Travers sempre que sinto a necessidade. Eu estou montada no seu pau. É de tamanho médio, mas é o suficiente para ter o trabalho feito. Eu flexiono meus quadris para trás e para frente sobre ele, e vejo como seu rosto se torna a imagem da euforia. Para isto é que eu vivo. Isto é o que eu almejo. Eu preciso obter essa emoção dele, porque eu que estou escolhendo dar a ele. Eu sou a única que está tomando todas as decisões, marcando o ritmo, escolhendo quão rápida ou lenta eu vou. Eu sei, olhando para ele, que ele vai gozar em breve, então eu começo a ir mais rápido para terminar com isto logo. Reid quer ser o único a me fazer gozar depois, e eu certamente não vou decepcioná-lo. Eu sei que meu orgasmo com Reid supera o que eu teria com esse perdedor patético. — Jenny! Jenny! Jenny! Jenny! — ele grita enquanto sua respiração se torna mais pesada. — Estou gozando! Estou gozando! Oh, merda! Você é tão boa! — Quão boa? — pergunto, surrando-o com o meu chicote. — Me diga o quão boa! Ele fecha os olhos e uma expressão sexual profunda aparece em sua testa. — A melhor. A porra da melhor do mundo. Jenny! — ele finalmente grita antes de estremecer. Eu vejo seu rosto, capturando-o na minha mente. Ele ainda tem os olhos fechados, e posso dizer que ele está segurando o momento lá por tanto tempo quanto possível. Eu acho que posso ter dado a ele o melhor orgasmo que já experimentou. — Isso foi... — diz ele, tentando respirar. — Uau. — ele sorri para a última palavra antes de abrir os olhos. — Você é um inferno de uma senhora.

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Eu sorrio, gostando do fato de ele me chamar de senhora. Eu, no entanto, sei que não sou nada. — Ora, muito obrigada, Sr. Travers. — Por favor, me chame de Justin. Eu acho que depois disso, podemos seguramente usar o primeiro nome. Puxo o preservativo para fora do seu pau enquanto saio de cima dele. — Vamos tirar isto de você, garotão. — eu sempre os chamo de garotão, ou grandalhão, porque eu sei o que um ego estimulado faz com eles. Eles secretamente adoraram. Mais uma vez, os homens podem ser altamente previsíveis. Infle seus egos aumentando o tamanho do seu pau, e eles se tornam massa em suas mãos. Eu posso ver que isso tem funcionado, pois quando retorno, vejo o sorriso colado no seu rosto. Ele parece estar calmo e feliz depois do que eu acabei de fazer com ele. É uma pena que eu não possa dizer o mesmo, porque eu não consegui ter a minha libertação. — Eu realmente preciso te ver novamente, — diz ele baixinho quando eu o liberto das algemas. Eu sorrio para ele, mas faço uma cara feia quando ele coloca suas mãos sobre mim. Eu agarro seus pulsos, prendendo-os ao seu lado. — Eu disse que você poderia me tocar? — eu estou a centímetros dos seus lábios, e posso dizer que ele está desesperado para me beijar. — Não, senhora, — diz ele em um gemido. Eu poderia facilmente obter uma segunda rodada com ele, mas estou sempre ansiosa para me livrar dos meus alvos, uma vez que tenho o que preciso deles. — Então, mantenha a porra das mãos para si mesmo. Eu não vou dizer mais uma vez. Eu devia montar o seu rosto por ser tão insubordinado. Ele fecha os olhos com um gemido novamente. — Por favor, — ele sussurra. — Eu faria qualquer coisa por você. Eu sorrio, mas a frustração por não ter gozado está chegando em mim. — Vista-se. Eu não tenho tempo para isso hoje, mas faria em outra oportunidade. — Quando? — pergunta ele, ansioso.

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— Vou ligar quando eu precisar, então certifique-se de me deixar um número seguro para entrar em contato com você. Eu vejo quando ele levanta e se veste, mas o tempo todo ele não pode tirar os olhos de mim. Meu cabelo está em um rabo de cavalo alto para acentuar minhas maçãs do rosto salientes. Eu tenho olhos esfumaçados que enfatizam as minhas íris verdes claras. Eu grito venha me foder em todos os sentidos da frase. Não admira que ele não possa tirar os olhos de mim. Quem poderia culpá-lo? Eu deito na cama, sorrindo, enquanto ele dá a última volta em seu cinto. Ótimo. Ele vai estar fora daqui em poucos segundos. Uma vez feito, ele olha, sorrindo para mim como se eu fosse a única mulher no mundo. É uma pena que esses homens não se sintam assim em relação as suas esposas. É patético, mas sem eles, eu não ganho o meu dinheiro. Sem eles, eu não consigo essa emoção que estou sempre indo atrás. Ele dá um passo em minha direção, tirando um cartão do bolso. Ele o entrega para mim, me dando todos os seus números, o seu endereço de e-mail... tudo. Ele pode ser um homem inteligente, mas o seu bom senso é deplorável. — Aqui está o meu cartão. Entre em contato, dia ou noite. Eu vou estar aguardando ansiosamente a sua chamada. Aposto que você estará! Eu sorrio, assim que ele se inclina. — Posso te beijar? — ele pergunta. Eu suspiro. — Eu te disse. Nada de beijo. — eu aponto para minha buceta. — Mas você pode me beijar lá. Seus olhos brilham quando eu vou até a beirada da cama e espalho minhas pernas. Ele me olha enquanto eu o vejo lentamente descer, de joelhos até estar na frente da minha buceta. Eu posso sentir seu hálito quente, e por um momento, quando ele está se inclinando para me beijar lá, eu jogo a cabeça para trás em antecipação. Eu ainda preciso da minha libertação, então cada parte de mim está vibrando. Eu sinto quando seus lábios tocam meu clitóris, e tenho que me esforçar para que cada parte minha não reaja. Quando sua língua sai e me lambe lá, eu tento de tudo para não gemer. Em vez disso, eu agarro seu ~ 79 ~


cabelo e puxo a cabeça para trás. — Eu disse que você poderia me lamber? — Não, senhora. — ele geme. — Então, por que você fez isso? Puxo seu cabelo, e amo a emoção que isto me dá ao ver seu rosto refletir um quadro de dor e euforia. — Porque eu não consegui evitar, senhora. Você tem um cheiro incrível. Foi um momento de fraqueza. Eu deixo seu cabelo, empurrando-o para longe de mim. — Da próxima vez, eu digo quando. Ok? Não faça novamente. Ele acena com a cabeça e se levanta do chão. Eu movo minha cabeça para a porta. — Você pode sair agora. Eu espero com seriedade enquanto o vejo relutantemente se afastar de mim. Ele já está apaixonado por mim, pobre coitado. Assim que eu ouço o clique da porta, não perco tempo, abrindo a porta para o quarto ao lado. Quando se abre, acho Reid nu na cama, com seu laptop ao lado dele. Ele estava assistindo e, a partir da evidência em cima da sua barriga, posso dizer que ele mais do que gostou do show. Quando ele sorri, eu sorrio, e ele chama por mim. Eu sei o que ele quer que eu faça, então eu diligentemente rastejo em cima dele e o limpo com a minha língua. — Você vê o que faz comigo? — ele pergunta enquanto eu continuo a lamber e provar o gosto salgado dele. — Meu bebê foi deixado insatisfeito novamente. Devo resolver isso agora. Venha aqui. — ele puxa meu braço, e eu imediatamente paro de lamber. Cada parte minha vem à vida sabendo que finalmente vou receber minha recompensa. Meu coração corre, e meu corpo treme em doce agonia. Estou desesperada para ser fodida por Reid, mas é claro que ele sabe disso. Apenas nestes poucos minutos preciosos, pelo menos, ele terá esse poder. — Suba mais alto para que eu possa sentir seu cheiro. — eu escalo sobre seus ombros, e uma sacudida de desejo salta através de mim, quando sinto suas mãos nos meus quadris. — Conhecendo o meu bebê, eu vou fazê-la gozar rápido. Você está toda molhada. Linda pra caralho. — ele inala com um gemido, me fazendo gemer em voz alta também. Estou desesperada para que ele me lamba, desesperada para montar seu rosto, como eu sei que ~ 80 ~


se eu quisesse, poderia ter montado o imbecil do Travers. — Abaixe-se para que eu possa lamber minha buceta. Ela parece brava. Minha respiração acelera enquanto eu me abaixo, mas engata quando eu sinto sua língua macia e quente na minha entrada. No começo ele é lento, lambendo e provocando, mas em seguida, ele pega o ritmo, e eu não posso evitar, então flexiono meus quadris em ritmo com sua língua. Eu estou gemendo, gritando e chorando seu nome como eu sei que ele adora que eu faça. — Reid, eu vou gozar! — eu grito, beliscando os meus mamilos e montando seu rosto. — Porra! — eu grito quando eu detono à sua volta. Reid lambe meus sucos enquanto o meu corpo trêmulo é segurado pelo aperto de suas mãos masculinas. Estou gasta, e naqueles poucos segundos que Reid me adora, me permito o júbilo que ele me dá. Eu me permito sentir. — Uau, — eu digo, sabendo que estou imitando a mesma palavra de Travers. Reid sorri para isso. — Eu disse que iria cuidar de você, não foi? — eu sorrio, e estou prestes a sair da cama quando ele acena a mão para me aproximar dele. — Venha aqui... apenas por alguns minutos. Eu me arrasto na cama para ele, e ele envolve seus braços em volta de mim. Por um tempo, ficamos em silêncio enquanto ele acaricia meu cabelo, mas logo ele está beijando o topo da minha cabeça. — Você fez bem esta noite, Scarlet. Muito bem. Em breve, vamos ser capazes de fugir juntos, e tudo isso será uma memória distante. — ele beija minha cabeça de novo, e eu posso ouvir o sorriso em sua voz. Eu, no entanto, não sinto nada. Eu não sei se devo ou não sorrir. Eu não sei se eu deveria estar feliz ou triste. Mas é um vazio que estou acostumada. Um vazio que eu me congratulo.

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onze — Ei, Scarlet. Como você está? Eu espero que você não se importe de eu estar te ligando assim do nada. É Amber, e posso dizer que ela soa um pouco ansiosa sobre algo. Isso me faz sorrir. — Claro que não. E aí? — Você está livre para vir esta tarde? Digamos, por volta das quatro? Se você quiser ficar, eu posso fazer o jantar. — Ok, isso vai ser ótimo. Vejo você então. Nós desligamos, e eu olho a hora. Eu estive deitada na cama, adiando ir à academia, mas eu sei que não posso adiar por muito mais tempo. Eu tenho apenas três horas para treinar, tomar um café, e me trocar em casa. Com um gemido, eu largo a minha última revista de moda e saio da cama. Eu pego o meu equipamento de treino, isto sempre deixa Reid quente e duro, e a minha mochila da academia. Estou usando um top apertado sobre meu sutiã firme. Eu amo este sutiã, pois não só firma quando eu corro, mas também dá a todos uma pequena dica do que está escondido por baixo. Eu dou uma olhada no meu traseiro no espelho, amando o quanto as minhas mãos se curvam quando eu passo sobre ele. Tá vendo, esta é a razão de eu ir para academia. Pego uma faixa de cabelo e amarro meu cabelo em um rabo de cavalo apertado, antes de correr pelas escadas. Este treino de uma hora não era como qualquer outro treino. Hoje me empurro com mais força do que o normal, porque não consegui ir ontem. Depois que pego minhas coisas para sair, vou para o café local para encomendar um Americano antes de me sentar para ler uma notícia. Estes são os momentos que eu amo, porque eu posso ser eu mesma. Eu posso deixar tudo pra fora e me perder no meu café e notícia. Eu nunca tive a chance de obter momentos como estes quando eu era criança, então agora, eu os agarro sempre que posso. ~ 82 ~


Mas, como todas as coisas na vida, o meu momento de tranquilidade é interrompido quando eu sinto uma presença de pé em cima de mim. Eu suspiro, mas eu não olho para cima, esperando que quem quer que seja, entenderá a sugestão e vá embora. — Eu pensei que era você. — eu fecho meus olhos quando ouço a voz do homem. Eu não o reconheço, então continuo a ignorá-lo. — Scarlet. É você, não é? Desta vez, eu viro minha cabeça para cima para encontrá-lo, e quando olho, fico sem saber o que fazer. Ele parece o mesmo, mas mais viril. Ele está mais alto, mas está usando óculos. Ele tem essa coisa de professor da escola, mas junto com uma barba por fazer e físico musculoso, isto faz com que ele pareça absolutamente sexy. Sua cor do cabelo mudou. Agora é mais escuro do que me lembro, mas ele ainda tem os cachos deliciosos que eu costumava sonhar, passando minhas mãos por eles, quando eu era mais jovem. — Stuart? — pergunto, baixando meu jornal. Eu vejo como ele varre seus olhos sobre mim, um olhar de surpresa e felicidade, brilhando neles. — Uau. Eu achava você bonita quando éramos mais jovens, mas agora você está absolutamente deslumbrante. Eu dou uma risadinha e tenho que me castigar por fazê-lo. Eu não sou uma estudante mais, e eu não estou na escola. Stuart nunca me machucou diretamente depois que eu o feri, mas seus amigos o fizeram. Seus amigos eram a porra de um pesadelo. — Quantos anos tem sido? — ele pergunta, apontando para a cadeira. — Posso me sentar? Eu provavelmente deveria dizer não, mas por alguma razão, eu aceno com a cabeça. Estou agindo com muita complacência com este babaca. Ele senta, e eu percebo quando seus olhos pousam em meu decote, antes de se voltarem para encontrar os meus olhos. — Eu pensei ter visto você descendo a Prince Street no outro dia. Você estava falando com um mendigo e entregou a ele um saco. Fiquei surpreso e não podia deixar de me perguntar porque uma bela mulher, que usava anéis que não poderiam ser comprados pela maioria dos contracheques anuais das pessoas, ia se dar ao trabalho de dar algo para comer a um morador de rua.

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Eu o ouvi corretamente? Eu achava ele doce na escola, mas agora eu posso ver que ele é um idiota arrogante. — Por que um mendigo não vale a pena o meu tempo? Só porque você acha pouco dele não significa que eu ache. Eu posso ter todo o dinheiro que você está se referindo, mas isso não significa que sou indiferente ao que acontece a minha volta. Stuart está segurando as mãos com um sorriso divertido. — Ei, ei, ei! Eu não queria que isso soasse assim. Eu sinto muito. Eu, obviamente, me expressei errado, e agora você está ofendida. Isso não começou bem, não é? — eu bufo e ele vê a minha frustração. — Olha, eu sinto muito, ok? O que eu quis dizer é que não era algo que você normalmente vê todos os dias. Você se destacou na multidão por causa de seu ato de bondade. Eu ia falar com você na rua, mas quando você virou, e vi quem era, eu congelei. Eu sempre quis saber sobre você, porque você deixou a escola de forma tão abrupta, e ninguém nunca ouviu falar de você novamente. É incrível pensar que mais de oito milhões de pessoas vivem nesta cidade, e ainda assim eu esbarro em você. — eu me sinto mais calma agora que ele explicou, mas ainda não era a melhor das introduções. — Então como você está? Tomo um gole de meu café antes de falar. Eu quero que ele veja que não me afeta do jeito que ele costumava fazer. Nenhum homem faz. — Eu estou bem, obrigada. Estou trabalhando em investigações. Meu parceiro e eu estamos pensando em administrar um clube juntos também em breve. Por que estou dizendo isso? — Estou no emprego errado, — ele zomba, balançando a cabeça. Querendo saber sobre a minha riqueza. Como se eu desse a mínima. — O que você faz então? — minha voz tem um ar de indiferença quando falo. Não importa o quão sexy ele ainda seja, não posso esquecer o modo como seus amigos me trataram e ele não fez nada sobre isso. — Estou em fusões e aquisições. — E você tem a coragem de mencionar a minha riqueza, — eu indico, rindo. Ele sorri para isso, e eu não posso evitar me juntar a ele. Seu sorriso é bastante contagiante. — Touché, — ele murmura. — Então, este parceiro de negócios é ele ~ 84 ~


ou ela? Eu franzo a testa. — Por que você pergunta? Ele sorri. — Me ajude. Estou indo direto ao ponto. — Estamos em um tribunal de justiça? — eu brinco. Ele ri com vontade por isso, e por um segundo ou dois, eu esqueço onde estou. De repente sou arremessada para nove anos trás, quando eu era uma adolescente embriagada. Controle-se, Scarlet! — Meu parceiro é um homem, — eu brinco. Ele para de rir e, e se inclina para frente sobre a mesa. Eu sinto o cheiro de sua loção pós-barba, que invade os meus sentidos. O cheiro dele é sexy. — Vocês são apenas parceiros de negócios ou alguma coisa a mais? Eu me inclino para frente, combinando sua postura. — Você disse que iria chegar ao ponto. Ele levanta uma sobrancelha para mim e sorri. — Ok. Você está namorando alguém? Ou casada? — ele aponta para a minha mão. — Se você for casada, então está realmente sendo uma menina malcriada. Eu olho para a minha mão, para o anel ausente naquele dedo particular. Um dedo que nunca vai ter um anel sobre ele. — Não. Nenhum casamento e nenhum homem na minha vida. — Jovem, livre e solteira? — Pode-se dizer que sim. — eu fico olhando para ele um pouco mais do que devia. Parte de mim quer dar aquele olhar que sei que vai fisgá-lo, mas ele não é um alvo. Eu não tenho motivo para dormir com Stuart a não ser cumprir uma fantasia de estudante, e mesmo isto seria manchado. Ele me lembra de tempos que eu não quero ou desejo voltar. Apesar de eu estar me contendo, eu ainda posso ver isso em seus olhos. Ele quer me foder, mas ele está desperdiçando seu tempo. Ele limpa a garganta, e eu sorrio com o seu óbvio nervosismo. — Posso perguntar o que aconteceu com você todos esses anos? Por que você foi ~ 85 ~


embora tão de repente? Eu sempre quis saber. Na verdade, eu tinha tantas perguntas desde aquele dia que você me rejeitou. Eu bufo com a irritação em sua voz. Ele tem alguma coragem de ficar com raiva de mim depois da forma como seus amigos me trataram. — Eu mudei de ideia. Você sabe, uma menina pode fazer isso. Ele veementemente balança a cabeça. — Não. Eu não acredito nisso. Eu não acreditei antes e eu não acredito nisso agora. — O que isso importa? Você não deu a mínima de qualquer maneira. Ele franze a testa, balançando a cabeça. — Do que você está falando? É claro que eu dei a mínima. Doeu quando você me rejeitou assim. Deixo escapar uma risada sarcástica. — Sim, doeu tanto que você teve todos os seus companheiros fazendo da minha vida um inferno. Seu cenho franzido se aprofunda. — Do que você está falando? Eu suspiro, exasperada. Por que estou sequer me preocupando com ele? Não é como se fosse vê-lo novamente. — Não importa. — eu começo a recolher minhas coisas, quando eu sinto uma mão na minha. Eu congelo um momento antes de olhar de volta para ele. — Isto realmente importa. O que aconteceu, Scarlet? Eu encolho meus ombros. — Depois do que aconteceu com a gente, seus amigos, em cada oportunidade, me chamavam de escória, prostituta ou puta. O meu favorito era vadia. Ele visivelmente estremece com essa palavra. Sim, agora você sabe como eu me sentia. De repente, ele balança a cabeça em aborrecimento. — Eu juro que não tive nada a ver com isso. Sim, eu estava chateado com você por ter ido embora assim, mas depois de um tempo percebi que estava te empurrando. Você, obviamente, tinha alguns problemas em casa... — Quem disse que eu tinha? — pergunto, entrando em pânico. Ele suspira. — Scarlet, você pode ter sido capaz de enganar todos, mas você nunca me enganou. Eu sabia que algo estava acontecendo, e eu tinha a sensação de que tinha a ver com o seu pai. Eu vi as vezes em que ele ~ 86 ~


te pegou na escola... a maneira como ele olhou para você... é do tipo que me dava arrepios. Com o coração batendo rápido, eu pego o resto das minhas coisas. — Eu tenho que ir. — eu saio apressadamente do meu assento, não olho para trás para me despedir. Eu deveria ter sabido que ele não iria deixar pra lá. — Scarlet, — diz ele, agarrando o meu braço. — Olha, eu sinto muito. Eu não mencionarei isso, a menos que queira. Eu acho que sempre quis saber sobre você. Posso só perguntar... você está bem? Quero dizer, realmente bem? Você está feliz? Eu nunca estou feliz. Enquanto eu tiver toda a dor, as mentiras e traição pairando sobre minha cabeça, nunca vou ser feliz. — Eu estou, — eu digo, dando a ele o sorriso que eu sei que ele está atrás. Ele visivelmente solta a respiração que está segurando. — Isso é bom. Estou feliz em ouvir isso. Eu ouço a sinceridade em sua voz, e eu sou simpática com ele. — Stuart, o que eu fiz... por tudo o que vale a pena, eu sinto muito. Ele põe a mão no ar. — Não precisa se desculpar. Eu sei que você teve suas razões, e eu respeito se você não quiser me dizer. Eu só quero que você saiba que eu não tive nada a ver com o comportamento dos meus amigos. Eu disse a eles para deixá-la em paz, eu juro. Acho que eu mesmo disse que haveria consequências. Um grande sorriso se espalha pelo meu rosto. — Fico feliz em ouvir isso, — eu brinco. Seus olhos trilham sobre meu rosto antes de falar. — Então, eu posso levá-la para jantar para fazer as pazes com você? Eu gostaria de ouvir mais sobre você. — ele me vê hesitar e agarra a minha mão. — Vamos, Scarlet. Se não há ninguém para impedi-la agora, então por que não? Eu estive esperando dez anos para isso. Por favor, não me deixe esperar mais um dia. Vejo minha mão na sua. Tal ato simples. Não estou acostumada a este nível de intimidade, e não sei como me sinto sobre isso. Stuart seria apenas uma distração se eu saísse com ele, e, normalmente, eu diria que não, mas ele está certo. Eu meio que sinto que devo a ele esse encontro perdido. — Ok, — digo finalmente, me surpreendendo. É apenas um encontro. Que mal poderia haver? ~ 87 ~


Eu vejo quando um grande sorriso ilumina seu rosto. Por trás daqueles óculos ainda está aquele garoto de dezesseis anos de idade, por quem eu era apaixonada. — Ótimo. Posso pegar o seu número? Eu mordo meu lábio, normalmente eu nunca daria meu número real. As únicas pessoas que têm são Reid, minha mãe e minha irmã. Não tenho certeza se o meu pai tem, mas não me surpreenderia se ele de alguma forma tivesse pedido à Amber. — Claro, — eu digo, porque não posso dizer não agora que eu já concordei com este encontro. Ele pega o telefone, e eu recito o meu número para ele. Ele o digita, em seguida, o lê de volta para mim. Assim que está tudo certo ele olha para mim com um sorriso. — Você pode vir comigo neste sábado? Eu penso um pouco e não posso pensar em nada. Reid e eu nunca fazemos mais do que duas visitas por semana, pois poderia ficar perigoso. Eu duvido que ele tenha outro planejado, pelo menos até segunda-feira. — Certo. Sábado seria bom. Ele toca meu braço. É um gesto sutil, mas é aquele que me diz que ele é tátil. Eu não estou acostumada a isso. — Vou entrar em contato com você com uma hora e local, mas devo insistir em pegar você. Eu não seria um cavalheiro de outra forma. — eu simplesmente aceno com a cabeça, notando que seu toque está queimando um buraco em meu braço. — Ok, estarei esperando ansiosa. Ele sorri para isso. Ele obviamente gosta da minha resposta. — Então, eu também. — ele se inclina, me beijando na bochecha, e eu percebo que ele permanece lá um pouco mais de tempo do que o necessário. Por alguma razão, eu não me importo. Por alguma razão, eu gosto. — Até sábado, — diz ele antes de virar e sair.

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doze Foi estúpido da minha parte concordar com um encontro quando eu sei que isso nunca vai a lugar nenhum. Eu fui uma tola por deixar a culpa sobrepor a lógica. A partir do momento que cheguei em casa e me troquei para visitar a minha irmã para o jantar, eu estava praticamente discutindo comigo mesma. No final, fiz a mim mesma uma pergunta. Qual é o grande negócio? Por que tem que ser um grande negócio? É apenas um encontro pelo amor de Deus, e ainda assim eu estou agindo como eu estivesse prestes a entrar em um relacionamento a longo prazo. No final do nosso encontro, nós dois podemos ir para casa satisfeitos por realizarmos esta oportunidade perdida. Laços serão cortados, e a vida vai, então, seguir em frente. Eu não deveria estar fazendo um grande negócio disto. — Estou feliz por você ter vindo, — minha irmã diz, fechando a porta atrás de mim. — Você está linda, como sempre. — ela varre seus olhos sobre meu jeans mais casual e minha regata. Eu quero que ela saiba que eu não estou aqui para parecer sexy para qualquer um... muito menos para seu marido. Se eu ficar assim, então ela vai me ver como uma ameaça. Eu olho para ela, cardigan branco, liso e longo, fluindo pela saia azul-petróleo. — Você está linda também. — Scarlet, oi! — Porter me saúda com entusiasmo, enquanto se aproxima para beijar minha bochecha. — Que recepção agradável, — eu brinco, e eu o noto rir nervosamente. Definitivamente, tem alguma coisa aí. — Por favor, venha até a sala de estar. Eu sei que é um pouco cedo, mas eu tenho uma garrafa de vinho no gelo para nós. — eles ansiosamente se viram e vão para a sala, e eu os sigo. Eu entro na sala que meu pai me fodeu com os olhos na última vez que estive aqui, e de repente eu me sinto rejuvenescida.

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— Sente-se, — minha irmã diz, sempre tão cordial. Você pensaria que eu era uma convidada especial, em vez de sua irmã. Ela me dá um copo de vinho branco e eu o pego, agradecendo. Porter de repente aponta para a porta. — Eu tenho essa ligação telefônica para fazer... eu vou estar de volta em pouco tempo. Eu franzo a testa enquanto vejo-o caminhar para fora da porta, e volto para Amber. Ela toma um grande gole de vinho antes de baixá-lo. Ela percebe que noto e sorri nervosamente. — Desculpa. Estou um pouco mal humorada hoje. Eu saboreio o meu vinho antes de colocá-lo suavemente sobre a mesa de café. — Estou vendo. O que está errado? Há alguma coisa que eu possa fazer? Ela olha para longe por um momento antes de encontrar meus olhos novamente. — Você ainda não está vendo ninguém, certo? Eu rio. — No espaço de um par de dias? Não. — eu rio novamente, mas penso em outra coisa para dizer. — Você não encontrou uma garota que acha ser perfeita para mim, não é? Porque eu não gosto de ser emboscada. — Não, não. — diz ela, sua postura pegando um pouco. — Não tem nada a ver com isso. É só que... — ela suspira, e eu sei que ela está lutando. — Você se lembra de nossa conversa no outro dia sobre eu não ser capaz de ter filhos? — eu aceno com a cabeça. — Bem, lembro que você disse que estaria disposta a gerar o bebê de sua irmã. — ela olha para baixo, balançando a cabeça. — Deus, isto saiu tudo errado. Eu sorrio porque ela não pode me ver, mas eu sei que vou ter que dizer alguma coisa. — Você está indo bem, Amber. Devo dizer isso por você? Pelo menos o que eu acho que você está insinuando? — ela olha para cima acenando com a cabeça, mas não diz nada. — Você quer me pedir para ser sua barriga de aluguel? Ela solta a respiração que está segurando e assente. — Sim. Eu sei que é pedir muito, mas eu nunca pensei sobre isso até você oferecer. Eu entendo completamente se você não quiser, mas vou me arrepender para sempre pelo menos não perguntar. Eu pego o meu vinho da mesa e tomo um gole calmamente. Quero rir como isto está indo melhor do que o planejado. Ela deve estar realmente

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desesperada por esse bebê. — Ok, — eu simplesmente digo. Seus olhos encontram os meus. — Ok o quê? Eu sorrio. — Eu vou fazer isso por você. Eu te disse que não estava pensando em ter nenhum, e se você está desesperada, então quem eu seria se não pudesse ajudar a minha irmã? Lágrimas vêm em seus olhos enquanto ela senta na borda do sofá. — Sério? Você quer dizer isso? — eu aceno com a cabeça e vejo quando ela se atira de sua cadeira. — Oh meu Deus, obrigada! — ela joga os braços em volta de mim, me dando um grande abraço. — Porter, vem aqui! — ela grita, e de repente eu percebo por que ele deu a sua desculpa para sair. Num piscar de olhos, ele está na porta com um olhar nervoso e previdente em seu rosto. — Ela disse sim! — Amber grita antes de correr em direção a ele. Ele abre a boca em choque antes de beijar Amber nos lábios. Logo depois, ele olha para mim. — Você está disposta a fazer isso... por nós? — Você quer ter uma família, então se eu puder contribuir de alguma forma para ajudar você a chegar lá, então por que não? Você é da família, e família é unida. Amber não tem só lágrimas nos olhos. Ela completamente. — Você é a melhor irmã.

está chorando

Eu dou de ombros. — Ah, eu tento o meu melhor, — eu brinco, sorrindo para os dois. Amber morde o lábio, tentando em vão esconder a sua felicidade. Eu posso dizer que eles queriam isso por um longo tempo, e agora, eles me veem como sua única esperança. Quase sinto pena do que eu nunca vou entregar. — Nós temos que sentar e planejar isso, — diz ela com um ar de excitação. Ela pega a mão de Porter, dispara e senta no sofá com ele. — Eu posso marcar uma consulta com o médico, e nós podemos partir daí. Eu aceno minha mão com desdém. — Não se preocupe com os médicos por agora. Eles lhe cobrarão uma fortuna para fazer o que podemos fazer entre nós. Ela franze a testa. — O que você quer dizer?

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Eu olho para Porter antes de olhar para Amber. — Bem, é um pouco embaraçoso dizer isso, mas eu tenho certeza que com vocês sendo ambos casados, Porter viu e ouviu isso mil vezes. — eu tomo uma respiração. — Eu sou muito regular, então conheço meus padrões até agora. Tudo o que eu acho que nós vamos precisar é de alguns kits de ovulação e alguns... é... frascos para Porter. Desde que vocês só vivem a apenas dez minutos de distância, teríamos tempo de sobra para entregar o que for necessário... eu posso deixar vocês saberem quando estiver ovulando, e tudo que você ou Porter terão de fazer é entregar a amostra para mim. Eles olham um para o outro antes de se virarem para mim. — Ok, mas eu acho que vai ser principalmente Porter, se for durante o dia. Ele vai ser o único fazendo todo o trabalho. — ela diz ‘fazendo todo o trabalho’ entre aspas no ar. Eu quase engasgo com meu vinho. Porter parece nervoso, mas acena com a cabeça. — Ok. Acho que podemos chegar a um acordo. Eu sorrio e tomo outro gole do meu vinho. Isso não poderia ter saído mais perfeitamente. Amber limpa a garganta. — Então, quando você pen... — Porter a cutuca como se para mantê-la quieta. Eu rio. — Está tudo bem, Porter. Eu sei o quanto isto significa para vocês dois, e eu posso dizer que Amber está ansiosa para começar. Sinto muito por trazer isso de novo, mas eu tive o meu período a cerca de uma semana atrás, então eu imagino, muito em breve. Pelo menos dentro dos próximos dias. Vejo Amber apertando a mão de Porter. — Isso é ótimo. — ela olha para Porter com adoração antes de olhar para mim. — Você realmente não sabe como estou grata. Eu aceno minha mão. — Não é nada. Sério. — Oh, mas é. Não há muitas irmãs que concordariam com algo assim. — Eu tenho certeza que existem, — eu protesto. — Na verdade, eu vi um programa algumas semanas atrás sobre esta mesma coisa. Seus olhos se iluminam. — Sério? O que era? Eu adoraria ver. — Eu não estou muito certa. Acho que foi no canal quatro, ou algo

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assim. Procure na internet. Tenho certeza que você vai encontrar um monte sobre o mesmo assunto. Ela balança a cabeça. — Eu vou, obrigada. — de repente, ela se levanta. — Eu estou indo agora às lojas para comprar esses testes. — ela de repente se levanta, antes que Porter e eu possamos reagir. Logo, ela está fora da porta, e Porter e eu somos deixados olhando um para o outro. Ele ri. — Ela pode ser um pouco entusiasmada, às vezes. Eu rio. — Percebi. Ele me surpreende ao vir para onde eu estou sentada e deslizar ao meu lado. A próxima coisa que sei, é que ele tem a minha mão na sua. — O que você está fazendo... é uma coisa incrível. Eu sei que Amber está admirada com você agora, mas eu também. Você é incrível. — com isso, ele bloqueia seus olhos com os meus, e aquela onda de calor assume, de quando estou prestes a atacar o meu alvo. Mas este é Porter, então eu sei que tenho que me conter. Caso contrário, a coisa toda pode explodir na minha cara. É incrível como as coisas estão indo com tanta facilidade. Eu finjo ficar perturbada por seu comentário. — Obrigada, mas você realmente não precisa agradecer. — Você sabe, para uma mulher bonita, você realmente não recebe elogios muito bem. Eu cutuco seu braço. — Você me acha bonita? Agora é a sua vez de corar. — Desculpa. Isso soou impróprio. — Bem, considerando o que estamos prestes a fazer, eu acho que você me chamando de bonita é a última coisa inadequada. — eu rio e ele ri junto comigo. — Isso não está sendo estranho para você? Nós termos um bebê juntos? Eu aperto sua mão. — Só vai ser estranho se você e eu deixarmos estranho. — eu suspiro. — Escute, eu prometo fazer o que for preciso, desde que você prometa também. Não há nenhum eu na equipe. — há uma sugestão do meu plano em minhas palavras, mas se Porter sabe sobre o que estou falando ou não, ele não deixa transparecer.

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Ele aperta minha mão de volta. — Eu prometo.

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treze 15 de Agosto de 2007 Hoje é o dia do aniversário da minha mãe, então, nós estamos tendo uma grande festa no jardim. Todos os anos, nós fazemos realmente uma grande festa para a minha mãe, porque, na maioria das vezes é garantido termos um dia quente e agradável. Hoje não é exceção. Eles disseram no rádio, na semana passada, que uma onda de calor estava chegando, e cara, ela chegou. Desde ontem, tem estado trinta e tantos graus, mas parece uns quarenta com a umidade. Este ano está especialmente bom, já que para seu aniversário meu pai comprou para ela uma piscina. Eu o ouvi mencioná-la a Amber, então eu sabia que estava por vir. Eu esperei ansiosamente por isso, uma vez que adoro nadar. Hoje não é apenas trinta e cinco anos da mamãe, mas é também o dia da grande abertura da piscina. Meu pai colocou uma fita branca nela para ela cortá-la na frente de todos os convidados. Sorrisos foram imediatos quando grande quantidade de pessoas mergulharam na piscina. Eu assisti sob a sombra quando mamãe se aproximou de mim. — Por que você não se troca e dá um mergulho? Eu dou de ombros. — Eu não tenho um biquíni. Ela sorri, chegando mais perto de mim. — Na verdade, você tem. Dê uma olhada embaixo do travesseiro. — ela pisca para mim, se levanta e vai até o meu pai, que está falando com um par de colegas de trabalho da mamãe. Correndo, eu subo as escadas e procuro sob o travesseiro para encontrar um belo biquíni preto e prata. Parece caro. Me sinto culpada porque é o aniversário da mamãe, e ela acabou comprando um presente para mim. Eu sorrio para o quanto eu mudei, e eu só percebo quando eu olho no espelho o quanto eu cresci. Parece que estou preenchida com as famosas

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curvas de ampulheta que todos deliram. Meus seios agora estão no tamanho grande, por isso estou contente que minha mãe tenha notado isso. A coisa toda se encaixa perfeitamente. Assim que estou pronta, pego uma toalha e desço as escadas para a festa. Todo mundo está rindo e alcoolizado. Mesmo meu pai está bebendo, e eu quase nunca o vejo beber. Assim que estou lá fora, minha irmã assobia. — Bem, olhe para você. Você realmente tem um corpo sob todas aquelas roupas largas que veste. Ela diz tão alto que quase todo mundo se vira para olhar. Meu rosto pega fogo num vermelho brilhante quando todos olham para mim. De repente me sinto como uma aberração de circo, e me encontro agarrando a toalha na minha frente. Mas isso não é a pior parte. A pior parte é ver o meu pai ali de pé, segurando uma bebida firmemente em suas mãos. Ele está usando óculos de sol, então não posso ver seus olhos, mas eu posso dizer pelo jeito que ele está franzindo os lábios, que ele está com raiva. O pior é que um dos homens com quem ele está falando diz alguma coisa, e eu sei que naquele momento, ele está se esforçando para se segurar. Eu quero virar e correr para dentro. Na verdade, eu quase faço exatamente isso quando eu sinto uma mão no meu braço. — Eu sabia que isso ficaria ótimo em você. Ele se encaixa perfeitamente. — minha mãe soluça, então eu sei, de fato, que ela já está bêbada. Ela fica toda risonha quando ela toma algumas bebidas. Me esforço para sorrir, mas depois de ver a reação do meu pai, o entusiasmo que eu tinha já diminuiu. — Obrigada por isso, mamãe. Eu amei. Ela me empurra para frente. — Bem. Agora, vá para um mergulho. Você está parecendo toda quente e incomodada. — ela ri, segurando sua bebida em saudação e acena para ir em frente. Tomando tímidos passos para frente, eu respiro profundamente, sabendo que meu pai está me assistindo em cada passo. A última coisa que eu quero é deixá-lo irritado novamente. Parece que coisas como estas sempre o deixam irritado. Quando eu chego à piscina, coloco a toalha em uma das

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espreguiçadeiras próximas e me sento para balançar meus pés. Assim que entro, o frio me bate, me fazendo tirar o fôlego. — É muito frio quando você entra, mas quando você está dentro, é delicioso. — eu olho para o som da voz e vejo um menino sorrindo, um par de anos mais velho que eu. — Oh, Scarlet, — minha mãe entra na conversa, andando até a beira da piscina. — Este é Mitch. Ele é filho de Cristal. Mitch, esta é a minha filha, Scarlet. — Crystal é uma colega que eu ouço mamãe falar de vez em quando. Mitch estica a mão para eu apertá-la, e minha reação inicial é de olhar para o meu pai. Ele está apenas nos observando, justo como pensei que ele estaria. — Bem vamos, apertem as mãos. — sinto minha mãe me empurrar para frente, então eu faço a coisa educada e aperto sua mão. — Você não acha que ele é bonito? — minha mãe pergunta, sussurrando em meu ouvido. Oh Deus, ela está bancando a casamenteira. Isso é tudo que preciso. Sim, Mitch é bonito. Ele tem aquela coisa de surfista, loiro de olhos azuis, e parece que ele tem o corpo do surfista perfeito. Mas, não importa o quão bonito ele seja, eu nunca poderia entreter o cara. Meu pai nunca me deixaria. — É bom conhecê-la. — Mitch diz, me dando um sorriso malicioso. Ele olha para o meu decote por uma fração de segundo até que ele provavelmente percebe que está sendo observado. Ele não deve fazer isso tão descaradamente. Minha mãe está em pé bem aqui! — Mitch está estudando biologia na universidade local. Ele quer ser um microbiologista. Bem, isso foi demais pra mim. — Parece interessante, — eu digo, mais para ter algo a dizer do que por interesse. Ele sorri. — É. — Bem, eu vou deixá-los, crianças. —m mãe fala, se levantando. Ela se afasta, e noto papai ir de assalto em sua direção. Tenho a sensação de que isso não vai acabar bem. — Então, o que é que você quer fazer quando que você conseguir o seu

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diploma? — pergunto a ele porque eu não quero parecer indelicada, mas no canto do meu olho, posso ver a minha mãe e meu pai brigando. Ambos estão olhando para mim, e o aceno das mãos da minha mãe é o que me faz saber. — Pare de ser tão arrogante, Richard. Suas filhas têm de crescer em algum momento. — ela vai embora, acenando com a mão novamente enquanto sorri e anda até Crystal. — Parece que o seu pai não confia em mim. Eu viro minha cabeça para Mitch. — O quê? Ele faz um gesto com a cabeça em direção ao meu pai. — Seu pai. Ele é do tipo superprotetor? Eu rio nervosamente. — Sim, você poderia dizer isso. Ele acha que todos os meninos estão atrás de mim. Percebo Mitch olhar para meu decote novamente antes de encontrar meus olhos. — Eu posso entender o porquê. Eu não digo nada. Eu não quero. Se eu continuar falando com esse cara, isto só irá encorajá-lo. — Hospital, — de repente ele deixa escapar. — O quê? — eu pergunto, franzindo a testa. — Eu quero trabalhar no hospital assim que eu me formar. — quando percebo o que ele está falando, aceno com a cabeça. — E você? O que você quer fazer? — Eu quero ser médica. — é verdade que eu quero ser médica. Eu simplesmente não consigo ver isso acontecendo, se vou sair de casa em breve. Seus olhos se arregalam. — Sério? Isso não é uma coincidência? Podemos estarmos trabalhando juntos no hospital um dia. Talvez poderemos ser amigos do café, — ele ri. Eu sorrio, mas é forçado. Eu não gosto de falar sobre a escola ou a minha futura carreira. Antes, eu gostava de falar sobre isso, mas agora isto me deprime, pois me faz pensar em algo que perdi. É estúpido realmente como você não pode lamentar o que você nunca teve, mas eu adoraria ajudar pessoas que estão mal a melhorarem novamente. ~ 98 ~


— Eu tenho um monte de amigos que vão ao cinema no sábado à noite. Você quer vir? Eu olho para o meu pai novamente, pois não consigo evitar. Sabendo que ele está lá me observando me faz sentir como se houvesse um holofote sobre mim. — Eu tenho planos no sábado à noite. Desculpa. Ele parece desapontado. — Oh. Bem, talvez outra noite? — Talvez, — eu digo, mas sei que não vai acontecer. Ele sorri brilhantemente, e eu sei que naquele momento eu cometi um grande erro. — Ok. Vou te dar meu número antes de sair hoje à noite. Concordo com a cabeça, olhando para o meu pai novamente. Ele tem me observando cuidadosamente com esse mesmo olhar severo no rosto. — Eu vou nadar um pouco se estiver tudo bem? É a minha primeira vez na piscina, então eu quero fazer mais vezes. — Claro, — ele diz, sorrindo. — Vou nadar com você. Eu gemo por dentro, porque eu quero que ele vá embora. Ele não pode ver na minha linguagem corporal que não quero nada com ele? Eu suspiro, mas começo a nadar, e ele segue do meu lado. — Foi muito legal seu pai dar isto para o aniversário da sua mãe. Eu queria que meu pai nos comprasse algo assim. — Sim, foi bom. — digo categoricamente. Por que esse cara não para de falar? Eu faço mais algumas voltas, mas este Mitch não para de latir no meu ouvido sobre doenças infecciosas e intoxicação alimentar. Eu sei que esse cara quer ser um microbiologista, mas eu não preciso saber os prós e contras de tudo. Depois de dez voltas, eu não aguento mais. Eu sei que meu pai está ficando mais irritado quanto mais tempo eu estou aqui, então eu decido fazer as minhas desculpas e ir embora. Mitch parece decepcionado, mas eu sei que ele está me observando enquanto eu saio da piscina e pego minha toalha. Eu não perco tempo andando de volta para a casa, e subo as escadas para me trocar. Felizmente, assim que eu estiver de volta no meu longo e

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fluido vestido maxi, meu pai vai parar de olhar para mim. Quando estou no meu quarto, e prestes a fechar a porta, vejo um pé conhecido cutucar para me parar. Eu solto a porta e dou alguns passos para trás, sabendo que meu pai está prestes a entrar. Eu engato uma respiração quando o vejo ali com um par de tesouras. Ele fecha a porta atrás dele, e meu coração começa a martelar. Ele nunca faz nada quando sabe que a minha mãe e irmã estão na casa. Ele é muito cuidadoso, então ele nunca é pego. — Mamãe comprou o biquíni para mim, — eu digo como uma forma de explicar por que estou usando isso, — ela me disse para colocá-lo. Ele não diz nada. Ele só fica lá olhando para mim. Eu não sei o que fazer. Não consigo me mover, mas estou desesperada para correr. De repente, ele caminha para mim, e eu me encontro andando para trás. Não demora e minhas pernas atingem minha cama, não posso ir mais longe. Em um segundo, ele tem a tesoura colocada sob as cordas do meu biquíni, e então, tudo cai no chão. Eu quero chorar, porque eu amei esse biquíni. Foi um presente da mamãe, e não é sempre que ela esbanja presentes para mim sem nenhum motivo. No entanto, a última coisa que tenho em mente é o biquíni quando meu pai, de repente, coloca a tesoura em volta do meu mamilo. — Por favor, — eu pronuncio com uma voz trêmula. Meus olhos começam a encher de lágrimas, e minha respiração engata quando ele começa a mover a tesoura. — Eu sinto muito. — digo isso e quero dizer isso. Com a tesoura tão perto de meu mamilo, eu sinto muito por tudo. — Eu não vou fazer novamente. Eu prometo. — ele ainda não está falando comigo, mas ele chega mais perto, e eu pego o cheiro de uísque em seu hálito. Ele está respirando com dificuldade, então eu sei que ele está excitado. Certamente, ele não vai fazer nada. Nós temos uma casa cheia de convidados. De repente, ele retira a tesoura e meus pulmões começam a encher com ar. — Sente-se na beirada da sua cama, — ele ordena. Meu pânico sobe de novo, sem saber o que ele vai fazer. Eu logo descubro, quando ele me empurra para baixo e prende minhas pernas para cima, no ar. Ele desabotoa a calça jeans e força sua entrada. Imediatamente, eu me fecho, não querendo estar neste quarto. Em vez disso, me concentro nas conversas e risadas lá fora... desejando que eu fosse um deles. Eu não ~ 100 ~


sei por que ele decidiu fazer isso aqui, porque ele sabe que é perigoso. A minha mãe ou minha irmã poderiam entrar a qualquer momento, mas meu pai não parece se importar. Ele está grunhindo, fazendo muito barulho enquanto sinto sua respiração quente contra o meu pescoço. Ele deve estar bêbado, esta é a diferença. Ele não está me mordendo como ele normalmente faz, e ele não está sendo tão duro. Felizmente, acaba rápido e ele me observa deitada na cama enquanto coloca seu jeans. Ele não diz uma palavra para mim. Ele simplesmente se vira, sai, e fecha a porta atrás de si. Deixo escapar uma respiração, incapaz de compreender o que acaba de acontecer, mas não tenho tempo para pensar sobre isso, tenho que me limpar. Ele puxou para fora no último minuto, porque ele não quer me engravidar. Ele resmunga sobre isso e diz que não pode esperar até que eu tenha dezesseis anos. Sei o que isto significa, e eu estou determinada a não deixar que isso aconteça.

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catorze Stuart estará me pegando em poucos minutos para me levar para jantar. Estou tecnicamente pronta para ir, mas em todos os sentidos, estou realmente pronta. Por alguma razão, eu me sinto nervosa e tenho que me recompor. Eu nunca fico nervosa quando encontro os homens, então eu não sei por que eu estou fazendo um grande estardalhaço sobre isso. É um jantar, não um encontro. Depois disso, eu nunca terei que vê-lo novamente. Eu me inspeciono no espelho novamente. Eu pareço bastante conservadora em meu vestido preto Vera Wang. Eu amo isso, porque ainda que mostre minhas curvas de uma forma sexy, é sofisticado. Quero que Stuart me veja como sexy, mas de nenhuma maneira eu quero que ele pense que ele vai transar esta noite. Enquanto eu coloco meus pés dentro dos meus saltos altos Louboutin vermelhos, eu inspeciono meu batom vermelho escuro e afofo um pouco meu cabelo. Hoje à noite, eu o deixei solto em uma massa de curvas onduladas. Reid adora quando eu o uso solto, ele ama a sensação de cócegas quando eu o chupo. Pensando em Reid, eu tive que mentir para ele esta noite. Eu disse a ele que ia sair com minha irmã para algumas bebidas. Eu já estou indo amanhã, para o almoço de domingo, na casa da minha mãe, então eu vou vê-la lá, mas eu enfatizei que eu precisava chegar perto deles, a fim fazê-los me amar novamente. Reid não tinha outra escolha a não ser recuar e me deixar ir em frente. Ele pode me dar ordens no quarto, mas ele não dita toda a minha vida. O som do toque da campainha me põe em movimento. Pego minha bolsa e as chaves, e corro para abrir a porta. Eu normalmente coloco um casaco, mas esta noite está excepcionalmente quente. — Uau, — Stuart quando atendo. Ele realmente parece sem palavras. — Eu estou levando isso como um bom uau.

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Ele balança a cabeça ansiosamente, olhando meu corpo. — Definitivamente, um bom uau. Você está pronta? — eu aceno com a cabeça, e ele me oferece seu braço. É uma coisa incomum, eu não estou acostumada a alguém ser tão galante. — Eu tenho reservas no Donella's em Richmond. Espero que esteja tudo bem? Já havia ouvido falar que Donella's era um dos melhores restaurantes de Londres. Aparentemente, é difícil conseguir uma reserva lá, a menos que você seja digno de uma. — Isso é bom, — eu respondo, sorrindo enquanto nos aproximamos de um Bentley Continental GT preto. Ele abre a porta para mim e rapidamente corre em volta para o outro lado. Aproveito esse momento para apenas observá-lo. Ele está vestindo um terno bege, gravata cinza e uma camisa branca. Ele parece bem para o verão, mas também sexy. Ele está usando os óculos de novo, os que me deixaram toda quente e incomodada da última vez que o vi. Ele tem o tipo que me lembra de Tom Keen de The Blacklist. Ele tem a mesma cor de cabelo, a mesma barba por fazer, e os mesmos óculos. — Então, fusões e aquisições realmente pagam bem, huh? — eu olho em volta do carro e depois de volta para Stuart. Ele sorri descaradamente para mim. — Desculpa. Eu sou o tipo que exibe, não sou? Essa não foi minha intenção. Talvez eu devesse ter trazido o Aston. Eu suspiro e ele começa a rir. — E você não acha que estaria exibindo? — Talvez, mas eu estou supondo que você é o tipo de garota que não fica impressionada com coisas desse tipo. — ele liga o carro puxando um botão, e eu não posso deixar de olhar para ele. — Você está supondo direito. Gosto de me vestir bem, mas isso é o tão longe que vai. Eu me visto desta forma simplesmente por causa dos clientes que temos. Eles esperam classe, então eu tenho que produzir isso. Quando sai do meio-fio, ele olha para mim e, em seguida, o vestido. — Mas você não está com um cliente esta noite. — ele então sorri. — Então, eu estou supondo que isso é apenas para me impressionar... ou estou errado? De repente, estou com a língua presa. Ele está flertando comigo, e até este ponto, acho que eu estava flertando de volta, mas eu não posso incentivá-lo. Não seria justo. — Não, — eu finalmente digo, virando a cabeça para longe. ~ 103 ~


— Ah, você pode me dizer. Eu prometo que não vou contar a ninguém. — eu olho de volta para o seu sorriso insolente e sinto quando o meu próprio corresponde ao dele. Seus sorrisos são definitivamente infecciosos. — Eu te disse. Eu só gosto de uma boa aparência. Ele acena com a cabeça. — Ok, eu vou deixá-la fugir com isso... mas você e eu sabemos o contrário. — Estamos tão cheios de nós mesmos, não estamos? Ele começa a rir novamente. — Você está quebrando meu coração aqui. — Por que, Stuart Solomon, eu não sabia que você tinha um. — eu começo rir e ele se vira para olhar para mim com um sorriso. — Você tem a risada mais maravilhosa. Juntamente com o meu nome em sua língua, eu sinto como se tivesse morrido e ido para o céu. O ar de repente é espesso à medida que ambos vamos em silêncio. Ele se mantém sorrindo para mim antes de virar a cabeça para enfrentar a estrada. Eu não estou acostumada a isso. Todos esses elogios e observações sobre a minha risada. Claro, eu estou acostumada às pessoas dizendo quão sexy eu sou, e o quão boa minha foda é, mas elogios sobre meu riso e como eu digo o nome de alguém? Quando chegamos ao restaurante, o manobrista do estacionamento leva o Bentley, e novamente, Stuart pega meu braço e me leva para o restaurante. O maître aborda Stuart pelo seu primeiro nome, então eu imediatamente sei que ele frequenta aqui. — Esta é minha amiga, Scarlet. — Stuart diz ao homem que agora conhecemos como Michael. — Que mulher bonita, — diz ele, pegando a minha mão e beijando as costas dela. — Eu iria agarrar esta se eu fosse você. — eu instantaneamente coro pelo interesse de Stuart, mas ele só fica lá sorrindo. — Por aqui, Stuart. Eu preparei uma mesa especial no canto, com uma vista perfeita do rio. — Obrigado. — Stuart diz enquanto vai para nossos lugares. Michael está certo. A vista para o rio Tamisa é perfeito a partir daqui. — Gostaria do seu habitual? — Michael pergunta quando nos

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sentamos. — Por favor, — Stuart responde. Michael sai rápido, e eu pego o meu menu para dar uma olhada. Meus olhos se arregalam quando eu vejo os preços. — Eu não estou indo muito bem aqui, estou? — eu olho para cima e vejo o rosto preocupado de Stuart. Ele parece genuinamente irritado com ele mesmo. — Você gostaria de sair daqui? Eu não ficaria ofendido se você quisesse. Balanço a cabeça com um sorriso. — Não, claro que não. Eu realmente aprecio todo esse esforço, mas... — Não é necessário? — eu sorrio. — Você teria preferido que eu a tivesse levado ao Burger King? Eu começo a rir. — Isso não é uma má ideia. — Vou me lembrar disso da próxima vez. Meu estômago cai. Ele quer que haja já uma próxima vez? Isso supostamente, era pra ser só um encontro. Enquanto eu penso sobre isso, Michael volta com uma garrafa de champanhe e enche nossas taças. — Você está pronta para fazer o pedido? Stuart olha para mim. Posso dizer que ele já sabe o que quer, mas eu realmente não tive a oportunidade de olhar para o menu. — O que é bom aqui? — eu pergunto, na esperança de obter alguma inspiração. — Nosso Spaghetti alla Carbonara é o nosso prato mais popular. Eu entrego a ele o menu. — Eu quero este então. — Excelente escolha. E para você, Stuart? Stuart está sorrindo para mim. Ele nem sequer olhou para cima quando ele diz: — Meu usual, — antes de retornar o menu. — Muito bom, — diz Michael e diligentemente se afasta novamente. Stuart pega sua taça de champanhe e segura no alto. Eu faço o mesmo. — Por conseguir aquele primeiro encontro.

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Eu começo a rir antes de brindar com sua taça. — Por conseguir aquele primeiro encontro. — tomo um gole e fecho os olhos quando a primeira gota fresca escorrega na minha garganta. É um champanhe muito seco, mas ele não tem aquele sabor amargo que alguns vinhos secos têm. — Então, — eu digo casualmente colocado o copo na mesa. — Qual é o seu habitual aqui, Sr. Solomon? Inclinando-se para frente, ele limpa a garganta. — Não me julgue, mas eu tenho uma relação especial com as almôndegas. — começo a rir, e ele se inclina sobre a mesa. — Shh. Você não sabe que eu tenho uma reputação a defender? Eu paro de rir. — Ok. Eu sinto muito. Eu não gostaria de arruinar a sua reputação. — eu digo a ele um pouco mais graciosa do que pretendia. — Eu aprecio isso, — Stuart responde com um sorriso. — Você ainda vê muitas pessoas da escola? Stuart balança a cabeça. — Na verdade não. Vejo Tobey de vez em quando, mas o resto de nós, apenas perdi o contato. Eu não vi ou ouvi nada de Stanley desde esse incidente. Ouvi dizer que ele está bem, apesar de tudo. Mudou-se para o exterior, para a França, eu acho. Eu tremo de ouvir isso. Sei tudo sobre o incidente o qual ele está se referindo. Foi naquele momento que eu mudei, e eu mudei dramaticamente. Foi aquele momento que me fez tornar a mulher que sou hoje. — E você? Meus pensamentos sobre Stanley clareiam enquanto eu olho nos olhos de Stuart. Eles parecem mais suaves nesta iluminação, com uma inocência quase infantil neles. É legal. — Eu não vejo ninguém. Eu nunca me dei bem com as pessoas na escola. Você sabe disso. — Hmm, — ele diz, e eu sei que ele quer dizer mais, mas está segurando a língua. Ele disse que não estava trazendo o meu pai, mas suas palavras não ditas falam por si. Ele estaria certo, é claro. É engraçado como um rapaz que mal me conhecia em tudo, é o único que captou o fato de que algo estava errado em casa. Ainda assim, Stuart nunca escolheu fazer qualquer coisa sobre isso. Por alguma razão, pensar sobre isto realmente me irrita. — Então, você está em investigações? Você captura as pessoas que ~ 106 ~


estão no ato, por assim dizer? Eu concordo. — Essa é uma das muitas coisas que fazemos. Nós ajudamos a encontrar pessoas desaparecidas, e localizamos crianças adotadas também. Parece que você só trouxe a parte mais sórdida. Ele faz uma careta. — Eu meio que fiz, não foi? — eu rio e aceno com a cabeça. — Você gosta? Se ele soubesse. — Eu gosto. Eu sinto imenso prazer em fazer os desejos dos clientes se tornar realidade. Eles estão normalmente mais do que satisfeita com os resultados. — eu sorrio, minha sentença atada com insinuações. — Tenho certeza que eles estão. — ele sorri, e eu sei que voltamos a flertar novamente. Por alguma razão, é tão fácil de escorregar para isso com ele. — Como é que nenhum homem te agarrou? Tomo outro gole do meu champanhe. — Eu poderia perguntar o mesmo de você. — Bem, Chris Hemsworth tentou, mas eu disse a ele o quão sexy ele é, eu não jogo nesse time. Eu começo a rir novamente. Posso dizer que ele está me observando. Ele está olhando para mim como se eu fosse a única mulher na sala. Tenho visto muitas mulheres bonitas neste restaurante, mas nem uma vez ele voltou sua atenção para longe de mim. É legal. — Eu adoro ouvir sua risada. Me lembro que você fez isso uma vez na escola, e eu pensei na época que você deveria rir mais vezes. Eu acho que aquela foi a primeira e única vez. — Quando foi isso? — Lembra do dia que Pete Tomlin implicou com aquela pobre menina de nove anos, e quando ele passou por mim, eu o fiz tropeçar? Ele meio que correu um pouco mais adiante, tropeçando em seus pés várias vezes antes de cair de cara no chão. Eu começo a rir. — Eu tinha esquecido totalmente disso.

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— Você viu tudo e explodiu em um ataque de risos. A partir de então eu tentei o meu melhor fazer você rir assim de novo. Nós ficamos em silêncio por um momento, apenas olhando um para o outro enquanto continuamos a beber o nosso champanhe. Eu já estou me sentindo tonta. Champagne nunca é uma boa bebida para mim, porque ela me deixa excitada, e isso é a última coisa que eu preciso hoje à noite. Logo após as refeições chegarem e eu dar a minha primeira mordida, eu posso entender como algumas pessoas se apaixonam por comida. Está absolutamente delicioso. Stuart experimenta o meu, e então começa a me alimentar com algumas das suas almôndegas. — Suas almôndegas são deliciosas, — eu digo, tomando outro gole de champanhe. Eu acho que isto está indo pra minha cabeça. Stuart quase engasga com o meu comentário, me fazendo rir novamente. Apesar de estar em um restaurante esnobe, eu me sinto completamente à vontade com Stuart. De repente, ele coloca a mão para cima. — Conta, por favor, — diz ele em tom de brincadeira. — Acho que definitivamente tem sido uma primeira vez para mim. — Ora, qual é o problema, Stuart? Tem vergonha em falar sobre suas almôndegas? Você parece amá-las muito. — mais asfixia e risos acontecem. — Eu nunca conheci ninguém como você. Eu franzo um pouco a testa para ele. — Eu não tenho certeza se é para ser uma coisa ruim ou uma coisa boa. — Oh, definitivamente boa. É que as garotas que normalmente eu namoro são um pouco... como posso dizer? Presas. Ele dizendo isso de repente me faz querer saber mais. — Você já teve um relacionamento sério? — Um, — diz ele rapidamente. — Eu a conheci há quatro anos e ficamos noivos cerca de um ano depois. No ano seguinte, nos separamos. — Sinto muito por ouvir isso. Ele balança a cabeça, rindo. — Eu não sinto. Descobri que ela estava transando com meu melhor amigo. Só dizendo, ambos estão bem fora da ~ 108 ~


minha vida agora. — Isso é horrível. Suponho relacionamentos para o resto da vida.

que

isto

te

colocou

longe

de

Ele olha para mim e engole sua comida antes de responder. — Aconteceu por um tempo, mas eu tive dois anos para pensar sobre isto. Como eu disse, eu tentei namorar, mas ninguém preencheu os requisitos ainda. — ele abaixa o garfo um momento, para saborear o seu champanhe. — E você? Alguém sério? Eu balanço minha cabeça. — Ninguém. Ele parece surpreso com isso. — Ninguém? — Não. Eu não tenho tempo para isso. — Nem mesmo alguns encontros? Talvez este seja o momento de desiludi-lo gentilmente. Eu não sei se ele quer que isso chegue a algum lugar, mas seria cruel levá-lo a pensar que poderia. — Eu realmente não namoro muito. Eu saí algumas vezes, mas nunca ultrapassou a segunda etapa do namoro. Eu apenas acho que não estou pronta para esse nível de compromisso. Eu olho para ele, esperando encontrar decepção em seu rosto, mas não parece estar lá. Em vez disso, ele olha com curiosidade para mim como se eu fosse algum quebra-cabeça complicado que precisa resolver. Nós terminamos as refeições e a garrafa de champanhe, mas eu recuso sobremesa. Em vez disso, temos um copo de champanhe de graça, assim que a conta é pedida. — Isso foi uma bela refeição. Obrigada por me convidar. Stuart sorri brilhantemente. — De nada. Posso levá-la para outro lugar para a sobremesa? Será que ele está flertando comigo de novo? Neste momento, eu não me importo. O champanhe está, agradavelmente, indo para a minha cabeça. Eu sei que deveria recusar sua oferta e ir para casa, mas por alguma razão, eu dou a ele outra resposta. — Eu te digo o quê. Que tal se eu te levar?

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***

— Quando você disse que estava me levando para a sobremesa, eu nunca, em um milhão de anos pensei que seria para um Oreo McFlurry. Eu o cutuco enquanto passeamos à beira do rio. — Você está atacando McFlurries? Quero que você saiba que eles são o melhor sorvete do mundo. Sua sobrancelha levanta. — É mesmo? Eu aceno com a cabeça. — São sim. — Posso te perguntar uma coisa? — Manda, — murmuro, tentando não cuspir meu sorvete enquanto falo. — Você sabe, no restaurante, quando você disse que você não namora? — eu assinto, mas acho que sei onde isso vai. — Será que ainda se aplica agora? Nós paramos de andar e, ficando ao lado do rio. Me viro para ele, assim nós estamos olhando diretamente para o outro. — Sinto muito dizer isso, Stuart, mas se você está à procura de um relacionamento, então receio que eu não seja para você. Eu não posso me comprometer com ninguém ainda. Eu só não tenho isso em mim. — é verdade o que eu digo, mas a principal razão é porque eu não posso ter quaisquer distrações enquanto eu realizo o meu plano. Eu não preciso delas. — Desculpe se não é isso que você quer ouvir. Ele encolhe os ombros. — Eu admito que estou um pouco decepcionado, mas não há nenhuma razão para que você e eu não possamos ser amigos... certo? — ele me cutuca desta vez com um sorriso, então eu sorrio de volta. — Não, eu acho que não. — eu dou outra mordida do meu sorvete, mas tremo quando a brisa bate na minha pele. — Frio? — pergunta Stuart. Eu balanço minha cabeça, mas vejo quando ele tira o paletó e o coloca

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em volta dos meus ombros. — Aqui, — diz ele, me envolvendo com força. — Tudo melhor agora. Fico congelada no lugar enquanto o encaro. Seus olhos dançam em cima de mim, notando que o ar em torno de nós, de repente, mudou. Ele não se afasta. Ele ainda tem os braços firmemente em volta de mim. Seu rosto ainda está a meras polegadas do meu. É quase como se um de nós estivesse esperando o outro para se libertar primeiro. Eu sei que eu deveria, mas meus músculos não querem se mover. Sem querer, eu olho para seus lábios e lambo o meu. Eu nunca tive o desejo de beijar alguém. Reid sim, mas ele sempre foi a exceção. Beijá-lo seria a coisa mais normal para fazer no final de um encontro. Mas eu poderia fazer isso, depois de dar a ele o grande discurso sobre não namorar? Eu relutantemente olho para seus olhos, e na minha neblina bêbada, dou a ele aquele olhar. É como se minha virilha, de repente, acordasse... normalmente, eu a faço despertar. Agora, porém, eu, espontaneamente quero beijá-lo. Eu, espontaneamente, quero tocá-lo. Eu vejo o momento em que o desejo acende em seus olhos e, de repente, eu estou pegando fogo. Ele não é um alvo, pelo amor de Deus. Ele é a sua paixão de escola. Controle-se! Eu não tenho tempo para me debruçar sobre isso quando os lábios de Stuart estão nos meus, persuadindo os meus a se separarem, enquanto ele desliza sua língua em minha boca. Ele é suave e gentil, acolhedor e intoxicante. Não são nada como os beijos rápidos e apaixonados que recebo de Reid. Eu lamento em sua boca e sinto quando sua dureza escava em meu estômago. Eu tenho esse impulso irresistível de senti-lo lá em baixo, tocá-lo, massageá-lo. Eu quero levá-lo em minha boca e agradá-lo... deixá-lo me agradar. Meus pensamentos estão espalhados quando ele me provoca com sua língua. Minha cabeça está tonta de tesão, e sei que ele sente isso também. Eu posso sentir a fome dentro dele. Eu sei que ele quer desesperadamente empurrá-la, mas ele está se segurando. Como uma dica, ele se afasta e fecha os olhos. — Uau, — é tudo o que ele diz, enquanto luta para obter sua ~ 111 ~


respiração de volta ao normal. — Esse eu posso definitivamente riscar da minha lista de desejos. — Você tem em uma lista de desejos? Ele abre os olhos com um sorriso e acena com a cabeça. — Eu sempre sonhei como seria beijar você, Scarlet Valentine. Eu mordo meu lábio, olhando para os lábios diante de meus olhos. — E era tudo o que você pensou que seria? Ele balança a cabeça, e quando eu franzo a testa, ele sorri para mim. — Foi mais... muito, muito mais. Você, minha menina, será o fim de alguém. Eu nunca senti um beijo como este. — Sério? Por que diabos eu pergunto isso? Eu estou agindo como uma adolescente indo para seu primeiro encontro. Sou uma mulher de vinte e quatro anos de idade, pelo amor de Deus. O que diabos está errado comigo? — Sim, realmente. — ele sorri. — A sua vulnerabilidade é bonita. Eu brinco de lhe bater no estômago e me divirto em vê-lo se debruçar sobre ele. — Está bem, está bem. Eu me rendo, — diz ele, colocando as mãos para cima. — Você não é nem um pouco vulnerável. — Obrigada. Stuart balança a cabeça com um sorriso, mas me puxa para perto quando começamos a andar pela rua juntos. — Eu me diverti muito hoje à noite, — diz ele, olhando para mim. Eu sinto meu rosto se iluminar com um sorriso. — Eu também. E, pela primeira vez na minha vida, eu posso honestamente dizer que eu estou dizendo a verdade.

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quinze 9 de Setembro de 2007 — Tem certeza que está tudo bem, Scarlet? — Senhorita Carter pergunta, enquanto mexo na minha mochila. — Tu... tudo bem, — eu gaguejo nervosamente. — É que... eu ouvi sobre o que aconteceu antes do verão, e hoje, eu peguei Stanley Cooper te chamando de um nome bastante desagradável. Eu liguei para ele e o repreendi por seu comportamento. Eu começo a entrar em pânico. — Eu realmente preferia que não tivesse ligado, — eu protesto. — Você não deveria estar passando por isso, Scarlet. Não é tolerado nesta escola. Eu suspiro. — Eu sei. Eu só não quero causar confusão. Quanto mais barulho causar, pior vai ficar. Eu estou meio que me agarrando ao fato de que logo alguém será a próxima fofoca, e então vou ser esquecida. Ela olha irritada com isso. — Ninguém deveria ter que aturar o assédio moral, Senhorita Valentine. E eu tenho certeza que você não gostaria que outra pessoa passasse por isso que você está passando. Eu tento falar, me defender, mas as palavras não saem. Eu sinto a culpa sobre mim. É claro que não quero que outra pessoa sofra o que eu sofro, mas eu só quero que isso acabe. — Sinto muito, — eu digo no final. — Eu não quis dizer isso assim. — eu olho para o chão e recuo novamente. — Posso ir agora? Meu pai estará esperando por mim. Ela ainda parece preocupada, mas acena com a cabeça. — Certo. Vejo você amanhã. Dou a ela um meio sorriso e saio pela porta. Assim que eu a fecho, faço o meu caminho e passo por Tim Foster, um dos melhores amigos de Stuart.

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— Cadela. Eu fecho meus olhos, mas ignoro a voz que está misturada com veneno. Eu achei que um verão longe da escola poderia ter parado os insultos, mas não pararam. Eu ainda sou a cadela que destroçou Stuart da maneira mais cruel possível. Ele foi insistente até muitos dias depois de me convidar para sair. Entrei em pânico, gritei para ele, e disse a ele para me deixar em paz na frente de toda a escola. Eu não tive a intenção de fazer isto em público, mas ele me deixou tão tensa que deixei escapar. Não ajudou muito eu tê-lo chamado de patético também. Eu gemo enquanto caminho para fora dos portões da escola. Minha família não sabe nada sobre meus problemas, então eu tenho que manter cada palavra cruel, cada mordida de suas línguas para mim mesma. Em casa, eu espio ao redor, esperando que meu pai não descubra que estou em casa, mas ele eventualmente me encontra e, eventualmente, me ordena a me despir, ficar de joelhos ou implorar. Essa é a sua coisa recente. Ele quer que eu implore. Eu balanço minha cabeça, segurando minha pasta com força no meu peito. Eu farei dezesseis em quatro meses, e então vou embora. Eu não sei onde ainda, mas qualquer lugar é melhor do que onde estou e o que tenho que suportar agora. Enquanto penso sobre isso, desço a rua para casa, me preparando mentalmente para o que sei que vai acontecer a seguir. Além da estranha viagem para sessões de autógrafos, meu pai está sempre em casa... esperando por mim. Enquanto ele está lá, não tenho outra escolha a não ser fazer o que ele manda. Eu sei que ele parou de fazer sexo com a mamãe a um tempo atrás, eu a ouvi se queixar a uma de suas amigas uma vez, quando ela veio para um chá. Ela disse que ele culpou a escrita e, às vezes, ficar acordado até a metade da noite focado em seu trabalho. Eu sei o motivo real, e estava esperançosa que minha mãe fosse ficar farta e pedir a ele para ir embora. Se ele não estivesse mais lá, então eu não seria um alvo cada vez que eu entrasse por aquela porta. Assim que estou no portão que leva à minha casa, tomo uma respiração profunda e passo por ele. O portão range, me fazendo estremecer com o barulho. Ele vai saber que estou em casa mesmo antes de eu passar pela porta. Essa teoria é comprovada quando a porta de repente se abre, revelando meu pai quando me aproximo. Imediatamente, eu detecto que algo está errado. Ele não diz nada em primeiro lugar. Fica parado olhando para mim... me observando enquanto me aproximo dele.

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Quando eu estou no limite, ele faz um gesto com a cabeça para dentro. — Na sala de estar. Eu aceno com a cabeça, mas franzo a sobrancelhas quando passo por ele. Normalmente sou mandada para o quarto imediatamente, então estou surpresa quando ele me manda para lá em vez disso. — Sente-se, — eu o ouço dizer atrás de mim. Eu não hesito. Eu deixo cair a minha bolsa e me sento no sofá, esperando ele falar. Eu olho para ele e sei o que ele espera que eu faça. Assim que ele bloqueia seus olhos com os meus, ele se senta à minha frente. Eu não sei o que é pior... ele me mandando para o andar de cima e me fazendo tirar a roupa, ou sentar aqui com tanta calma. Pelo menos quando eu sou mandada para ir para o meu quarto eu sei o que vai acontecer a seguir. Ele respira fundo antes de falar. — Acabei de falar ao telefone com a sua Vice-Diretora. Meus olhos se arregalaram um pouco, e juro que posso ouvir meu coração batendo. Minhas mãos começam a suar, e meus joelhos tremem. Posso adivinhar o porquê dele estar mencionando isso, mas eu não quero adivinhar como ele está chateado comigo. Sem dúvida, aconteça o que acontecer, meu pai vai distorcer tudo para que acabe sendo minha culpa. Tudo o que faço é minha culpa seja na escola ou em casa. — Por que você não me disse que estava sendo intimidada? Meu lábio treme um pouco, mas eu me recupero rapidamente. — Eu sinto muito... eu só não queria... — Quem é ele? — O quê? — eu pergunto, surpresa. — Quem é o menino que estava mexendo com você? Qual é o nome dele? Eu franzo a testa. Eu não sei por que ele está me perguntando isso. É apenas mais um de seus jogos doentes? — O nome dele é Stanley Cooper. — há outros, mas Stanley é definitivamente o líder. — Do que ele te chamou? — eu não respondo imediatamente. — Não me faça perguntar de novo. — Vagabunda, puta e piranha. — eu digo.

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Ele me encara por um momento, o fogo dançando em seus olhos. Seus lábios franzem e suas mãos, que estavam casualmente colocadas nos braços do sofá, agora estão de punhos fechados, com raiva. Minha respiração acelera, perguntando se ele vai me bater por dizer tais palavras ruins. Eu tento pensar no que dizer para sair dessa, porque tudo o que posso pensar é o resultado do que acabei de dizer. Eventualmente ele se levanta e, naturalmente, a minha postura afunda um pouco para trás. Eu espero que ele venha a mim e me peça para fazer algo, mas em vez disso, ele caminha até a porta. — Estou saindo. Se eu não voltar no momento em que sua mãe chegar em casa, diga a ela que estou visitando um amigo. Ele não espera pela minha resposta. Em vez disso, ele pega as chaves e vai direto para fora da porta. Logo depois, eu ouço o seu carro ligar, então eu corro para me certificar de que o que estou ouvindo é correto. Com certeza ele está em seu Porsche 911 acelerando o motor com um olhar de desafio escrito em seu rosto. Logo depois ele se afasta, pneus cantando enquanto ele vai. E, pela primeira vez, eu estou sozinha.

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dezesseis Hoje é o dia que o livro do meu pai está sendo lançado, e a festa após o lançamento estará sendo realizada no clube chamado Scarlet's. Eu sempre sorrio quando penso nisso. Tenho certeza que é a maneira especial de me deixar saber que nunca estou longe de sua mente. Eu sei que não estou porque, vamos encarar, eu sou a melhor que ele já provou. Nos últimos dias, eu tenho feito os meus deveres com Stuart nunca longe da minha mente. No final do encontro, eu disse a ele que era errado da minha parte beijá-lo depois de ter acabado de dizer a ele que não queria qualquer tipo de compromisso. Stuart não pareceu ficar perturbado. Na verdade, ele disse: — Por que não podemos ser amigos que se beijam de vez em quando? Temos trocado mensagem de texto frequentemente, mas não o vi desde o nosso encontro... ou seja lá como você deva chamar isso. Ele não mencionou um encontro novamente, mas talvez isso seja bom. Talvez ele esteja esperando para ver se vou perguntar a ele primeiro. Devo admitir que uma parte minha quer, mas a maior parte pergunta: ‘Por quê?’ quando eu sei que isso nunca vai a lugar nenhum. Eu acho que a razão pela qual eu quero vê-lo novamente é porque, por apenas uma noite, pelas poucas horas que estive com ele... eu poderia escapar da realidade da minha vida. Eu podia escapar do meu pai, minha mãe, minha irmã, e até mesmo de Reid. Apenas por aquelas poucas horas, eu me senti normal pela primeira vez na minha vida. Pode me chamar de louca, mas isso é a verdade. Eu, por exemplo, sei que nunca vou ser normal. Talvez eu só sinta necessidade de agir de forma diferente... ser um ‘tipo’ diferente de Scarlet. O que é que eles dizem? ‘Uma mudança é tão boa quanto um descanso?’ Basta dizer que tudo isso precisa ser posto de lado enquanto estou aqui esta noite, por uma razão, uma única razão. É incrível o quanto tudo pode parecer irrelevante quando você tem um foco específico em sua mente. Meu pai sempre me deixou desse jeito. Ele tem esse dom incrível de me fazer pensar apenas nele quando está por perto.

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Estou em um táxi com um vestido vermelho longo, com uma fenda em um lado da minha perna. Eu amo este vestido e como ele se molda em torno dos meus seios e me abraça em todos os lugares certos. Enrolados no meu pescoço estão os cordões do vestido feitos de diamantes. Devido a eles, eu não preciso usar um colar. Eu tenho dois em um. Meu cabelo hoje à noite está em um coque apertado, e estou usando brincos de prata longos com diamantes. Me assegurei de fazer o aspecto esfumaçado nos olhos, uma vez que eu vou tentar impressionar uma pessoa e apenas uma pessoa. O pensamento disto envia arrepios até minha coluna. Não importa o que aconteceu no chuveiro um tempo atrás, ainda não consigo evitar, mas eu o quero mais do que o ar que respiro. Eu ainda tenho esses formigamentos sobre a minha pele quando eu penso em fazer com que ele me queira... deixando-o desesperado por mim... me fazendo desejar mais do que o ar que respira. Assim que o motorista do táxi encosta do lado de fora do clube, eu pago a ele e, lentamente, saio do carro. Eu uso esta noite o meu Louboutin favorito, então eu tenho que ter cuidado. Não há nada mais deselegante do que ver uma senhora de aparência elegante cair de bunda. Eu alcanço a porta e observo as pessoas que estão aglomeradas do lado de fora. Todos olham para mim, mas eu estou acostumada a isso, onde quer que eu vá. Aceno a cabeça para o porteiro, e ele abre a porta, me dando um sorriso atrevido e um olhar malicioso, enquanto eu ando. Já posso ouvir música, então posso dizer que a festa está em pleno andamento. Quando alcanço o próximo conjunto de portas, eu as abro, e o que se revela para mim é um lugar grande, escuro e esfumaçado com um bar à esquerda. A primeira coisa que noto assim que entro, é o quão é colorida e iluminada a área do bar, mas o que mais se destaca é o letreiro vermelho brilhante na parede acima do bar. Ele diz, ‘Scarlet’ é claro, e que me faz sorrir novamente. Quando eu começo a andar em direção ao bar, eu ouço meu nome sendo chamado acima de mim. Eu olho para cima para ver Amber ali com uma taça de champanhe na mão. Ela está em pé com Porter e meu pai. Todos olham para baixo, para mim, Amber e Porter com um sorriso, e meu pai com aquele mesmo olhar de calor que estou acostumada. — Sobe aqui, — ela grita. — Há um copo com seu nome nele. — ela sorri brilhantemente, e eu posso ver que ela já está um pouco tonta. Ela aponta para uma área um pouco mais abaixo de mim, e quando eu olho, posso ver as escadas. Quando estou mais perto, vejo uma seta que aponta ~ 118 ~


para a área VIP. Eu ando lentamente e com cuidado, percebendo um par de homens andando atrás de mim, enquanto eu subo. Ambos estão olhando para mim, e eu sei que eles estão me observando por trás. Eles podem ter uma boa aparência, mas eles nunca vão chegar a me tocar. — Aí está você, — diz Amber brilhante no topo da escada. — Eu estava esperando para te ligar hoje para fazer arranjos para... você sabe. — ela está sozinha, então eu estou supondo que ela pediu licença para falar em particular comigo por um momento. — Ah, — eu digo com um sorriso em reconhecimento. — Eu estava esperando esbarrar em você, também. Acho que amanhã seria um bom momento para começar. Talvez você possa trazer a amostra à tarde... digamos por volta das duas? — Isso seria ótimo, mas eu não posso fazer isto a esta hora amanhã. Eu tenho que ir à festa de aniversário de um amigo. Eu estarei fora o dia todo. No entanto, eu posso pedir a Porter para levar. Eu aceno com a cabeça. — Ok, então. Isso não poderia estar indo mais perfeitamente do que está. Eu já sabia sobre essa festa de aniversário porque Reid estava seguindo todos os seus movimentos. Ele é bom assim. — Venha, — diz ela, me puxando. — Vamos pegar uma bebida para você. — ela puxa meu braço ansiosamente, e eu sei naquele momento como ela está realmente feliz. Quando nos aproximamos de um agradável e confortável canto privado, com dois sofás e uma mesa no meio, Porter e meu pai se levantam. — Você está linda, — diz Porter, se inclinando para me dar um beijo na bochecha. — Obrigada, — eu respondo. — Scarlet, — meu pai diz, e o lugar de alguma forma se torna pesado. Nós olhamos um para o outro, nos desafiando um ao outro a dizer alguma coisa primeiro. Amber, obviamente percebe isso, então ela limpa a garganta e dá um puxão em Porter. — Porter, vamos pedir outra garrafa do bar, não é? Ela está, obviamente, nos empurrando juntos na esperança de que vamos consertar o que quer que seja a história entre nós. O que ela não sabe é que o nosso pai e eu estamos tão torcidos que não há nada forte o ~ 119 ~


suficiente para nos consertar. Estamos lindamente torcidos juntos. Assim que eles saem, eu ando para frente, e meu pai gesticula para um copo de champanhe na minha frente. — Você está bela como sempre. Eu sempre gostei de você em vermelho. Eu sorrio, tomando um gole do meu champanhe. Ele está me olhando como se eu fosse sua presa. Ele sempre teve esse poder sobre mim. Antes, eu costumava me esconder dele. Agora, eu quero abraçá-lo. — Eu pensei que eu iria agradar. — Para mim? — ele interrompe. — Não é sempre para você? — ele me dá um sorriso convencido, mas não diz nada. — À propósito, parabéns. Ouvi dizer que o livro já é número um nas paradas de sucesso do Reino Unido e dos Estados Unidos. — Você ouviu ou você olhou? Tomo outro gole do meu champanhe e deliberadamente cruzo minhas pernas na frente dele. Quando eu faço isso, a fenda abre, revelando minhas pernas. Ele olha, é claro, mas isso é o que eu queria. Sua reação é o que eu queria também, assim como a umidade que encharca entre as minhas pernas. Eu mesma não tenho certeza do porquê eu tenho essa reação a ele. É quase como se eu tivesse um vício, e ele é minha droga preferida. Eu não consigo evitar, mas eu faço o jogo dele, eu o provoco, e eu o faço querer e precisar de coisas que posso tanto dar ou negar à ele. Todos esses anos atrás, eu nunca tive escolha. Mas agora, eu tenho, e eu deveria apenas provocá-lo e ir embora, mas eu sei, por experiência, que será mais fácil dizer do que fazer. — Eu posso ter olhado. — ele finalmente tira os olhos longe de minhas pernas e me olha nos olhos. Eu não consigo evitar. Eu lhe dou o meu famoso olhar, porque eu quero que ele fique louco com desejo, quando tenho a certeza que ele não pode fazer nada sobre isso. Ele aperta os olhos para mim por um segundo. — O que você está jogando, Scarlet? Eu tomo uma respiração profunda, e com um sorriso, eu lentamente tomo um gole da minha bebida. — Você está mais calmo do que eu me lembro. Quando eu te vi na semana passada, você estava tão tenso. O que mudou? ~ 120 ~


Seus olhos ainda estão em mim, e por um momento, acho que ele pode fazer a sua pergunta novamente, mas ele me surpreende, respondendo a minha. — Talvez eu tenha tido tempo para pensar sobre as coisas. Deixo escapar uma pequena risada quando coloco meu copo sobre a mesa. — Sério? E o que poderiam ser essas coisas, hmm? Elas poderiam ser todas as vezes que você me chicoteou com o seu cinto? Você sempre foi tão cuidadoso em não deixar qualquer marca no meu rosto ou braços, não foi papai? Você sempre foi ótimo em deixá-los livres. Ou elas poderiam saber de todas as vezes que você costumava me curvar, me foder, e gozar por todas minhas costas? Você amou esfregar o seu gozo na minha pele, não foi? — Cale a boca! — ele ferve, se inclinado para frente. — Eu não te convidei aqui para isso. Eu pego minha bebida e a saboreio novamente, apenas para que ele saiba que não sou afetada mais por ele. — Então, por que você me convidou? Você sente a minha falta? — Você gostaria que eu dissesse sim, não é? Eu sorrio. — Claro que eu gostaria. Apesar de tudo, somos família. — eu enfatizo a palavra família, para que ele possa ter o verdadeiro significado por trás da palavra. — Faz longo tempo desde que você e eu estivemos sozinhos juntos. Claro, além do outro dia no banheiro na casa de Amber. — eu pisco para ele. Não posso evitar. Meu pai traz o pior em mim. — Por que você veio aqui? — pergunta ele, me surpreendendo. — Você me convidou. — Eu posso ter convidado você, mas você não tem que vir. — Você teria ficado desapontado se eu não viesse? — Isso não vem ao caso. — Sério? É demais te pedir para responder a uma pergunta? Ele mexe uma sobrancelha. — É para você? — Touché, — eu respondo, levantando meu copo para ele em saudação. Assim que tomo um gole, observo o relógio que comprei para ele no seu quadragésimo quinto aniversário. Eu aponto para ele. — Eu vejo que você ainda está com ele. — ele olha para o relógio e depois de volta para mim. ~ 121 ~


Ele franze a testa, e por um momento, vejo este olhar de menino inocente sobre ele. É engraçado, porque realmente nunca conheci esse lado dele. Minha mãe e irmã sempre viram isso, mas eu nunca pude ver além do mal que ele possuía. — O que aconteceu com você? Sua pergunta me surpreende um pouco, mas eu estou mais do que preparada para a resposta. — Você aconteceu. — eu simplesmente respondo, olhando-o bem nos olhos. — Eu era um produto de... qual é a palavra? — eu coloco meu dedo na minha testa como se pensando. — Eu não posso dizer abuso, porque eu nunca tive permissão para usar essa palavra em nossa casa. — eu balanço minha cabeça, como se estivesse pensando profundamente. — Não, o que era mesmo? — eu suspiro, sorrindo. — Ah, sim... amor paterno. Ele se inclina para frente, como se estivesse inalterado com a minha resposta. — O que é que você quer de mim? É dinheiro? Eu começo a rir, mas o surpreendo me levantado do meu lugar e andando em volta para o outro lado para me sentar ao lado dele. Seus olhos nunca deixam os meus. É quase como se ele estivesse tão paralisado como estou. Ninguém mais está aqui além de mim e ele. Foi assim durante todos aqueles anos atrás, e ainda é assim agora. Me sento ao lado dele e me inclino um pouco, de modo que qualquer um que possa passar pela nossa pequena cabine não possa me ver. Com a mesa também nos protegendo, eu pego sua mão e a puxo para a minha coxa. Ele não se afasta como eu esperava. Em vez disso, ele acaricia antes de apertar com força. Minha respiração acelera assim como a sua. Eu posso ver o quanto ele me quer, e eu mostro a ele o quanto eu o quero também. Com a minha mão ainda na dele, eu a empurro até mais longe, na minha buceta. Eu o faço me tocar lá, então ele sabe o quão molhada eu estou para ele. Com um dedo, ele desliza em toda minha umidade e noto a ampliação de seus olhos quando ele faz isso. — Você sente como eu estou molhada? Excita você saber o quanto eu quero que você me foda? — sua respiração é dura agora, enquanto ele mergulha o dedo dentro de mim. Eu choramingo, fechando meus olhos. — Que porra você está fazendo comigo? — enquanto ele me pergunta isso, seu dedo exerce a sua tortura. Qualquer um poderia vir a nossa mesa e ~ 122 ~


iria ver como nós parecemos íntimos, mas não nos afastamos. Não podemos nos afastar. — Você me quer. Você não pode evitar. Você sente o quão quente e úmida eu estou? Isso te faz querer mergulhar seu pau dentro de mim até que você me faça gritar? Eu quero gritar seu nome quando eu gozar. — eu me inclino para frente, gemendo enquanto ele mergulha o dedo dentro de mim novamente. — Richard, — eu sussurro. Isso acende a reação que eu queria, quando ele mergulha profundamente, me fazendo gemer. Ele olha em torno de nós, mas não para. Ele está tão nisso quanto eu estou. Eu só estou surpresa com o fato de que ele é o único me dando o prazer e não o contrário. Nunca, nem uma vez ele me fez sentir assim, e esse pensamento é o que acende um orgasmo subindo dentro de mim. Eu fecho meus olhos, e eu sei que ele está me observando atentamente. Meu corpo fica rígido no meu orgasmo iminente. Ele sabe que eu estou gozando, e me pergunto se ele vai de repente puxar a mão dele, mas ele não faz. Ao contrário, ele vai mais rápido, enviando meu orgasmo mais rápido. Eu lamento outra vez, explodindo em sua mão e olhando profundamente em seus olhos. Nossa conexão é palpável. De repente, me sinto perdida nele, e eu sei que ele sente isso também. Ele estava certo em pensar que existe uma coisa que nenhum outro homem poderia tirar dele, mas ele perdeu uma peça vital: a nossa ligação. Pode ser uma ligação fodida, mas é uma ligação, no entanto. Nós compartilhamos algo juntos, que é nosso e só nosso. Eu não posso explicar isso, e eu acho que ele também não pode. Sem tirar os olhos de mim, ele puxa a mão dele, mas eu a agarro. — Não lave suas mãos esta noite, — eu ordeno. — Na verdade, eu quero ver você cheirar os dedos. Faça isso por mim. Eu acho que ele vai dizer, ‘foda-se’, e se afastar de mim, mas ele não faz. Ele realmente faz como pedi, levantando a mão ao nariz. Ele inala bruscamente, e eu vejo como ele fecha os olhos. De repente, estou em chamas novamente. Um orgasmo dele não é suficiente. Pela primeira vez, eu tenho esse poder sobre ele, e por causa disso, eu nunca estive tão excitada na minha vida. Eu chego a minha mão para frente, pegando em seu pau. Está duro como rocha, o que só acrescenta combustível para o meu fogo. Eu o esfrego lá e saboreio o olhar em seu rosto quando eu faço. — O que você quer de mim? — ele pergunta novamente. ~ 123 ~


Eu esfrego um pouco mais e me inclino para sussurrar em seu ouvido: — Eu quero que você me implore. — eu me afasto completamente e vejo a expressão de choque no seu rosto. Eu não tive tanta diversão em anos. Tomo um gole do meu champanhe e desfruto da leveza causada pelo meu orgasmo. Eu ainda estou excitada com isso, e meu corpo está curtindo cada momento. Eu olho por cima do ombro, mas não vejo ninguém atrás de nós. Meu pai pegou a cabine mais isolada no clube, e isso me faz pensar o porquê. De repente do nada meu pai me agarra pelo pulso, e me puxa para ele. Estamos polegadas de distância um do outro quando ele ferve as palavras: — Eu nunca vou implorar. Eu arranco meu braço para longe dele, e digo algo que eu sei que vai quebrar a nossa magia. — Amber vai voltar a qualquer momento para nos verificar. Agora, você pode me beijar, que eu sei que você está desesperado para fazer, correndo o risco de ser apanhado por sua filha, ou você pode me deixar ir. Com raiva em seu rosto, ele me solta, e eu não posso deixar de olhar para baixo para ver a sua dureza mais uma vez, enquanto sorrio e recuo do seu olhar malicioso. Meu pai é um homem teimoso, mas eu sou tão teimosa quanto ele. Eu diria que eu teria puxado dele, mas vendo como ele não é meu verdadeiro pai, eu acho que talvez fosse uma característica que adquiri por viver com ele. Eu sei que ele não vai implorar, mas o desafio para fazê-lo só está maior com essas palavras. Tanto quanto eu sei que ele está desesperado para me foder agora, vou deixá-lo sem lhe dar esse prazer esta noite. Eu quero isso, mas porque ele está sendo um idiota teimoso, ele não vai conseguir. Deixe que o desafio comece. — Peguei mais champanhe para nós, — Amber fala, olhando para nós sentados juntos. Ela parece que acabou de ganhar na loteria, ela está tão feliz. Eu olho para eles, sorrindo, e não posso evitar, mas me viro para ver o rosto do meu pai. Ele está sorrindo para eles também, mas é um sorriso tenso. Ele vai ter uma ereção para mim a noite toda, mas esta noite, pela primeira vez, ele não vai chegar a me usar para se aliviar. Vou deixá-lo aqui, na calada da noite, sem dizer meu adeus e vou passear ao luar. Meu pai vai ~ 124 ~


sair daqui frustrado e irritado... e é assim que eu o quero. — Pai, há algumas pessoas que querem dizer oi para você. Eu os conheci no bar. Eu acho que eles podem ser seus fãs. — ela sorri brilhantemente para ele, e eu posso dizer que ele está achando toda a coisa difícil. — Você quer que eu saia para que você possa ir vê-los? — eu dou a ele um sorriso maligno, e posso dizer que ele quer fazer uma careta para mim. — Eu acho que vou ficar aqui por um momento e desfrutar de uma taça de champanhe com minhas filhas antes de me misturar um pouco. — Oh, isso é bom, — eu digo, dando a ele uma piscadela. Eu sei que ele está falando besteira. Ele não pode se mover porque ele tem uma furiosa ereção que, pelo tempo que eu estou aqui brincando com ele, não irá abaixar tão depressa. Amber e Porter se sentam à nossa frente, e meu pai prossegue até encher nossas taças de champanhe. Pobre coitado. Ele está tentando de tudo para não pensar sobre o fato de que estou aqui, e ele acabou de me foder com a mão. Eu noto que ele está usando a outra mão para derramar o champanhe. Talvez ele esteja paranoico que as pessoas irão me cheirar nele. Bem, ele está realmente numa situação difícil. — Então, pai, quando é o seu próximo lançamento? — Amber pergunta brilhantemente. Ele sorri para ela com adoração, um olhar que eu nunca recebi dele. Ele nunca vai me dar aquele olhar e uma parte de mim odeia tanto ele quanto Amber por isso, mas outra parte de mim comemora o fato de que compartilhamos algo que ele e Amber nunca terão. — Eu estou quase terminando outro livro. — Ooh! Sobre o que é este livro? — pergunta Amber. Ele brevemente olha para mim antes de voltar sua atenção para Amber. — É sobre um perseguidor que está obcecado por uma mulher. Ele deliberadamente entra em sua vida e destrói qualquer um ou qualquer coisa que esteja em seu caminho. — minhas sobrancelhas se levantam enquanto ele rapidamente olha para mim.

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— Uau. Parece intrigante. Porém, este não é o tipo de livro que você normalmente escreve, não é? Ele balança a cabeça. — Não, mas vamos apenas dizer que algo recentemente iluminou uma ideia em minha cabeça. — ele olha para mim de novo, e eu sei que aquele olhar diz tudo. Ele está dizendo que ele está obcecado por mim? Suponho, quando eu penso sobre isso que tudo faria sentido se fosse esse o caso. Ele ficou com raiva quando lhe disse que estava com outra pessoa. Na verdade, ele parecia transtornado quando me agarrou no banheiro e disse que eu era dele. — Bem, eu, por exemplo, não posso esperar para lê-lo, — Amber concorda. Eu olho para Amber antes de olhar para o meu pai. — Nem eu, — eu digo levantando a taça. — Para o novo livro do papai. — todo mundo sorri quando nós todos tinimos as taças, e eu não posso deixar de rir com a forma como tudo isso é fodido. — Qual é a graça? — pergunta Amber. Balanço a cabeça com um sorriso. — Nada. Eu só estava pensando o quão bom é estarmos todos juntos aqui assim. Faz um bom tempo. Amber acena com a cabeça. — Certamente sim. — seus olhos se alargam como se algo estivesse claro para ela. — Ei, você já esteve na nova casa do papai em Barnes? É lindo. Balanço a cabeça, olhando para ele. — Não, eu não estive. Gostaria muito, apesar de tudo. — os olhos do meu pai se ampliam com a minha resposta. Eu acho que ele não estava preparado para isso. — Pai, por que você não convida Scarlet um dia? Eu levanto minha sobrancelha para ele. — Sim, pai, porque não convida? — eu sorrio em sua direção, e posso dizer que ele quer sorrir de volta. Eu nunca brinquei com ele assim antes. Eu não tenho certeza se gosto ou não. Meu pai, pegando uma caneta do bolso do terno com uma mão e um guardanapo na mesa com a outra começa a escrever. Depois, ele o entrega para mim. — Este é o meu novo endereço. Sinta-se livre para vir a qualquer momento.

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Eu pego o guardanapo de sua mão e olho para ele. Eu conheço Barnes muito bem, pois costumávamos viver próximo a ele quando eu era mais jovem. Eu olho por cima do guardanapo para o meu pai. — Sim, claro. — eu aponto para alguns números na parte inferior e sorriso. — O que é isso? — Esse é o código de acesso para passar através dos portões de segurança. Naquele momento, eu sei, com certeza que nunca estou longe de sua mente. Sorrio quando vejo os números, e a razão pela qual eu fiz foi porque eles eram quinze, zero, um, noventa e dois, meu aniversário. — Eu acho que posso aproveitar esta oportunidade para me misturar um pouco agora. Eu tomo isso como minha deixa para me mover, para que ele possa sair. Eu chego pra lá lentamente e o deixo dar um boa olhada da minha bunda enquanto me levanto. Assim que ele se levanta, eu sorrio, e acho que ele já está saindo, mas antes que ele saia, agarra meu pulso e sussurra em meu ouvido. — Não vá a qualquer lugar. Suas palavras têm um toque de aviso nelas, fazendo minha pele corar. Eu sei por que ele não quer que eu saia, mas ele não decide as coisas aqui. Uma vez que ele se foi, Amber sorri brilhantemente para mim. — É bom ver vocês dois tão próximos novamente. Acho nunca vi vocês agindo assim um com o outro. É legal. Eu me sento, sorrindo para os dois. Olhando para Porter, isso me faz pensar o quanto ele sabe sobre o nosso passado. Será que Amber teria dito a ele? — Amber me contou sobre amanhã, — diz Porter. Por um momento, meu rosto se mostra em confusão. Mas uma vez que eu me lembro, eu me castigo por dar essa bola fora. Eu estive tão envolvida com meu pai que esqueci completamente sobre meus planos para Porter. Coloco de volta meu rosto dedicado e sorrio para ele. — Sim. Acho que amanhã seria uma boa hora para começar. — Você quer que eu vá por volta das duas, não é? Eu concordo. — Sim, duas seria perfeito.

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Em seguida, passamos a falar de outras coisas. É na maioria besteira de bêbados, porque Amber, obviamente, decidiu soltar o cabelo. Depois de mais alguns minutos de conversa, todos nós decidimos ir para o bar e pedir outra garrafa. Meu pai não está mais lá, mas quando eu olho, eu o encontro conversando com uma ruiva de aparência bonita. Ela está em cima dele enquanto ele assina seu livro. Assim que ele termina, ele olha para ela, sorri, e depois olha diretamente para mim. Eu não quero que a paparicação dela sobre ele me afete, mas de alguma forma, me afeta. Eu acho que ele percebe porque imediatamente ele sorri, se inclina no ouvido da mulher, e diz algo. Ela ri, acariciando a mão em seu braço, mas ele nunca tira os olhos de mim. Eu olho para longe, horrorizada por reagi daquela maneira. Não deveria me irritar por ele estar com outra pessoa. Eu não deveria me importar. Eu agito os pensamentos errantes da minha cabeça. Estou com a minha irmã e Porter, então meu pai deve estar mais distante da minha mente. Eu o deixei ver um momento de fraqueza, mas estou determinada a não deixá-lo ver novamente. Eu respiro fundo, deslizando naturalmente de volta para a conversa com Amber e Porter. Como eles estão animados. Vendo os dois, não demora muito para esquecer meu pai por um tempo. Eles parecem tão felizes, e tenho a sensação de que no fundo é tudo por minha causa. Uma centelha de energia renovada me atinge quando eu me desculpo para ir ao banheiro. Eu digo que eu não estou me sentindo muito bem, então Amber se oferece para vir ao banheiro comigo. Eu aceito, pois eu sei que meu pai, de outra forma, iria me seguir. Este foi o meu plano o tempo todo. Eu sei que eu não posso ficar aqui muito mais tempo, pois eu sei, com certeza, que se ele chegar a mim, eu vou ceder. Eu preciso levá-lo em banho-maria por um tempo, enquanto eu penso no meu próximo plano de ação. Eu já tinha tido a ideia, uma vez que ele me mostrou o seu endereço, mas primeiro vou precisar ir lá e ver por mim mesma antes de agir sobre isso. Eu decido que vou olhar sua casa amanhã de manhã. Eu não vou entrar, mas vou ver se posso ter um olhar ao redor, enquanto eu estou lá. — Eu sinto muito. Eu não sei o que está acontecendo. Talvez seja o calor. — eu me refresco enquanto estamos no banheiro. Amber tem a sua mão no meu braço, e ela está parecendo preocupada quando eu tomo uma

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respiração profunda. — Ouça, você se importa se eu sair agora? Eu acho que vou simplesmente direto para casa e direto para a cama. Eu não tive uma boa noite de sono na noite passada, então talvez o meu corpo esteja protestando agora. Amber franze a testa, mas esfrega meu braço. — Claro que você pode, mas você vai ficar bem? Eu posso ir com você, se você quiser? Balanço a cabeça e tiro a mão dela. — Não, por favor, fique. Papai vai ficar desapontado se nós duas sairmos. Além disso, tudo o que eu vou fazer quando eu chegar em casa é ir direto para a cama. — Ok, — diz ela, apertando a minha mão. — Mas você vai me mandar uma mensagem de texto no momento em que estiver em casa. Eu concordo. — Eu vou. Por favor, dê as minhas desculpas para Porter e papai por mim. — Eu vou. Antes de sair, lhe dou um abraço e saio pela porta. Felizmente, estamos perto da saída, então eu sou capaz de sair depressa. Uma vez fora, eu rapidamente chamo um táxi e começo a mandar mensagens de texto para Reid, enquanto estou no meu caminho para casa. Eu: Porter estará indo perto das duas amanhã. Após isso, meu telefone toca rapidamente, e eu sei que é Reid querendo saber sobre esta noite. Ele se tornou paranoico desde que meu pai voltou para a minha vida. — Onde você está? Eu começo a rir. — Não recebo um olá primeiro? Eu o ouço suspirar, e sei que ele se acalmou depois de ouvir minha voz. Eu não pareço estressada como da última vez que vi meu pai. — Estou preocupado com você. Você ainda está no Scarlet's? — Não. Estou em um táxi a caminho de casa. Eu fiquei lá tempo suficiente para felicitar o meu pai e ser a filha e irmã dedicada, mas depois de um tempo isso se tornou bastante cansativo. Meu corpo inteiro cantarola quando penso nesta noite. Eu ainda

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posso sentir sua invasão dentro de mim, mas isso não me repele. Em vez disso, eu quero mais. — Então, você está bem? Eu rio novamente. — Reid, eu estou bem. Pare de me tratar como uma boneca de porcelana. — Porra, eu não posso evitar, Scarlet. Eu odeio saber que você está com ele, e ter que sorrir e fingir que ele não te afeta. Eu sorrio. — Quem diz que eu estou afetada? Eu o ouço respirar novamente. — Eu não vou discutir isso com você. — Então, não vamos. Por que não falamos de amanhã em vez disso? — Eu estarei por volta da uma para arrumar as coisas. Eu sorrio. — Ótimo. Vejo você então. — Sonhe comigo esta noite. — Contanto que você sonhe comigo. Ele desliga, então eu coloco meu telefone na minha bolsa. Quando eu faço, no entanto, tenho o alerta de uma mensagem. Pego meu telefone e vejo um número que não reconheço. Por curiosidade, eu pressiono a notificação e leio o que diz. Número desconhecido: Eu te disse para ficar aqui! Um grande sorriso se espalha em toda a minha cara enquanto eu ignoro a mensagem e coloco o telefone de volta na minha bolsa. Neste momento, me sinto imensamente satisfeita sabendo que ele vai voltar para casa hoje à noite com um conjunto de bolas azuis. Sem dúvida, ele poderia foder qualquer uma dessas mulheres que se penduraram nele esta noite, mas, de alguma forma, eu sei que ele não vai. Sou eu em seus dedos. Ainda sou eu quem está em sua mente. Eu quase posso imaginar isso. Ele vai ficar frustrado toda a noite, e quando ele for para casa, seu maior caso de bolas azuis vai colocá-lo em ação. Sem dúvida, ele vai gozar, e, sem dúvida, eu vou estar em sua mente enquanto ele faz isso. No entanto, se ele acha que de alguma forma pode me apagar de sua mente, ele está completamente enganado.

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dezessete 10 de Setembro de 2007 Ontem meu pai saiu pela porta, e eu não o vi novamente até duas horas depois. Eu estava na sala de estar, mas ele não veio me encontrar como eu pensei que ele iria. Em vez disso, ele foi direto até as escadas para o seu escritório e fechou a porta. Foi a primeira vez em muito tempo que ele me deixou sozinha. Fiquei aliviada, mas também curiosa sobre o que causou sua mudança repentina. Eu descobri o porquê hoje. No momento em que a campainha tocou na escola, fomos levados para o corredor e fomos informados de que eles tinham uma notícia preocupante para nos dizer. Todos nós sentamos em silêncio mortal, e eu observei que esta foi a reunião mais silenciosa em que já estive. Todo mundo podia sentir que algo estava errado e estávamos ansiosos para ouvir tudo o que a diretora tinha a dizer. — Na noite passada, eu tive um telefonema da mãe de Stanley Cooper, — disse ela. — Infelizmente, Stanley foi atacado na noite passada, e agora ele está lutando por sua vida no hospital. No início, eu me senti mal por ele, apesar da maneira como ele havia me tratado. Devo admitir, no entanto, uma pequena parte de mim queria que ele se machucasse depois de todos esses meses de abuso. Então, quando eu pensei sobre ontem e da maneira que meu pai estava, eu coloquei dois e dois juntos. Toda a cor do meu rosto drenou enquanto a minha mente corria para encontrar a lógica em suas ações. Até então, eu já sabia, com certeza, que meu pai estava por trás disso, mas eu não tinha ideia do porquê ele fez isso... por que ele se importava. Ele abusou de mim, então por que se importar que algum outro menino estivesse fazendo o mesmo? Sei que eles estão a milhas de distância um do outro, mas eu ainda não conseguia entender isso.

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No momento em que estava caminhando da escola para casa, naquela tarde, eu tive uma inundação de emoções através de mim. Eu deveria odiar meu pai por ferir este menino, mas uma parte não poderia deixar de comemorar o fato de que ele fez isso porque ele queria me proteger. No entanto, será que não queria? Certamente, ele não bateu em Stanley quase até a morte porque ele estava realmente com raiva por alguém ter implicado comigo? Quando eu chego à minha porta, eu tomo uma respiração longa e profunda. Algo dentro de mim mudou de repente, e eu não tenho certeza de como lidar com isso. Tenho todos esses sentimentos novos correndo dentro de mim, e não posso dizer o que tudo isso significa. Balanço a cabeça em confusão enquanto eu fico lá parada, esperando que ele abra a porta. Ele não abre. Ela permanece fechada, deixando minhas emoções ainda mais selvagens. Penso em ontem e do jeito que ele estava. A maneira como ele correu para fora com nada, a não ser raiva em seu rosto. Eu penso o que soube hoje e tudo o que ele tem feito por mim, por causa deste menino que tinha sido nada além de um fardo para mim nestes últimos meses. Eu deveria sentir culpa em algum lugar, mas isso não vem. A única coisa que eu sinto... a única palavra que posso escolher para descrever essa emoção é... gratidão. Quando a porta ainda não abre, movo meus pés para frente, sabendo o que estou prestes a fazer. Meu coração bate rapidamente com adrenalina quando coloco minha chave na porta e a empurro para frente. Eu espero que ele esteja lá quando eu abrir a porta, mas fico ainda mais surpresa quando ele não está. Tudo está quieto. A sala é um silêncio mortal quando abaixo a minha mochila e fecho a porta. Com a mão trêmula, eu subo as escadas, tomo cada passo com renovada antecipação. Ele não está lá quando chego ao topo da escada, mas eu, de alguma forma sabia que ele não estaria. Assim que chego ao topo, vou para o meu quarto e tiro todas as minhas roupas. Eu pego meu roupão, o envolvo em torno de mim, e saio pela porta. Eu levo poucos passos para o quarto de meu pai e coloco a mão na maçaneta da porta. Eu não bato. Em vez disso, eu tomo outra respiração profunda e empurro a porta para frente. Ele olha para cima de sua mesa quando eu entro. Ele obviamente está escrevendo, então eu não sei se ele quer que eu esteja aqui ou não. Ele não

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diz nada quando eu olho para seus dedos machucados e inchados. Não tenho a menor ideia de como ele vai reagir quando eu fizer o que eu estou prestes a fazer. Nunca na minha vida eu iria ter considerado isso antes, mas algo mudou hoje. Algo definitivamente mudou. Com minhas mãos ainda tremendo, eu fecho a porta atrás de mim e caminho até sua cama. Eu nunca estive aqui antes, então não tenho certeza se ele vai me jogar para fora. Apesar de tudo, ele não joga. Ele observa em silêncio enquanto eu me aproximo da sua cama e fico de costas para ela e de frente para ele. Ele se vira com sua cadeira para me ver, e posso dizer que ele não pode acreditar no que está acontecendo, mas ainda assim, ele não diz nada. À medida que ambos nos encaramos, eu solto os laços do meu roupão e o deixo cair no chão. Eu estou de pé completamente nua na frente dele... completamente despida. Ele se levanta, e eu espero com o meu coração batendo forte dentro do meu peito de medo, mas ele não vem. Em vez disso, eu vejo como ele me observa. Alguma coisa paira no ar entre nós. Eu não sei o que é, mas para este momento, eu acolho isso. Neste momento, eu deixo isso me lavar, porque sentir isso é dez vezes melhor do que sentir a dor, frustração, raiva e traição que colidem no meu peito cada vez que eu estou sozinha em um lugar com este homem. Ele ainda não disse uma palavra. Em vez disso, ele só fica lá por alguns segundos me olhando. Eu começo a me perguntar se ele vai dizer para me mover ou me bater por me atrever a entrar no seu espaço pessoal. Mais uma vez, ele não faz. Em vez disso, ele começa a caminhar em direção a mim, e minha respiração engata na expectativa do que ele está prestes a fazer. Eu não me movo quando ele se aproxima. Em vez disso, eu aceito isso. Eu estou aqui por causa daquela palavra. Eu estou aqui porque não consigo evitar agir e acolher estes novos sentimentos que são inundados dentro de mim. Eu não me movo, pois eu sei o que vai acontecer a seguir, mas desta vez eu não luto. Desta vez, eu não choro. Desta vez, eu quero.

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dezoito Eu estou do lado de fora da casa do meu pai, pensando naquela memória de quase nove anos atrás. O dia em que entrei no quarto do meu pai foi o dia em que tudo mudou para mim. Naquele dia, o meu velho eu morreu e foi substituído pela mulher que eu me tornei hoje. Aquele dia foi a primeira vez que ele não me mordeu, bateu, chicoteou ou me arranhou. A partir de então, parecia muito mais fácil quando eu ia para ele, ao invés do contrário. Enquanto eu estava de acordo, eu estava bem. O problema foi que, depois de um tempo, eu me tornei muito complacente. Eu entrei no meu papel tão facilmente que ele começou a se tornar uma parte de mim. Na verdade, eu diria que assumi completamente. São dez horas da manhã, e eu decidi ir para uma longa corrida. Meu pai vive a seis milhas de distância de mim, então a caminhada é razoável. Eu levo o meu tempo, pois está realmente agradável para correr em uma manhã tão fria. Uma vez na casa do meu pai, eu decido tomar isso como minha oportunidade de recuperar o fôlego. Eu caminho, respirando profundamente quando eu analiso sua casa. É tão grandiosa quanto eu esperava que fosse por trás dessas portas de segurança de ferro forjado. Uma parte de mim é tentada a introduzir o código, mas vendo a sua nova Ferrari vermelha brilhante na frente de sua casa, me trava. Obviamente, ele está em casa, então é melhor não ir ainda. Ele e eu sabemos o que aconteceria se eu fizesse isso. Em vez disso, eu tomo meu tempo andando para cima e para baixo, olhando para a casa de vez em quando. Eu começo a esticar meus braços e usando a grade de ferro para esticar as pernas. É tudo um truque para que eu possa digitalizar a grande casa de tijolos sem levantar suspeitas. Ela tem três janelas no térreo e três janelas no andar de cima, o que me leva a crer que ele tem, pelo menos, quatro ou até mesmo cinco quartos. Por que alguém que vive sozinho precisaria de tantos quartos, eu não tenho ideia. Talvez ele tenha muitos clientes que passam a noite... pessoas que ele pode puxar o saco a fim de ter mais livros vendidos. Enquanto eu olho, eu me ~ 134 ~


pergunto se ele está lá em cima no escritório escrevendo seu novo livro, o novo é obviamente sobre mim. O pensamento me faz sorrir quando eu começo a me afastar e correr lentamente de volta para casa. Por alguma razão, eu sinto que hoje vai ser um bom dia.

***

Levo apenas uma hora para chegar em casa. Eu não forço, pois eu sei que eu vou precisar de minha energia para quando Porter vier. Meus músculos estão rígidos, mas eu os estico o máximo que posso antes de entrar no chuveiro. Acabei de comer e estou secando meu cabelo quando a campainha toca. Eu olho para o meu relógio e vejo que é uma em ponto. Se Reid é alguma coisa, definitivamente, é pontual. Quando eu atendo a porta, Reid me dá, uma vez mais, aquele olhar de fome em seus olhos. Eu estou vestindo uma camisola de seda vermelha com um roupão vermelho com ela. — Fique com isto quando ele vier. Eu sei, com certeza, que ele vai gozar em suas calças no minuto que ele ver você. Eu sorrio para ele e o deixo cruzar a porta. Ele tem uma bolsa atravessada no ombro e está usando um jeans casual com uma camisa polo azul. Quando ele fecha a porta atrás dele, ele momentaneamente deixa cair a bolsa e me envolve em seus braços para um beijo fascinante. Assim que ele me solta, nós dois estamos respirando pesadamente. Ele aperta meu mamilo, me fazendo gemer alto. — Esta é uma coisinha para você começar, — ele respira em meus lábios. Eu o beijo novamente, com uma fome renovada crescendo enquanto ele aperta o meu peito. Eu estou desesperada para levar isso adiante, mas eu sei que é exatamente o que ele está atrás. Ele quer que eu pareça e aja como uma deusa do sexo no momento em que Porter chegar. Eu não tenho ideia se tudo isso vai funcionar, mas estou certa de que vou tentar. Ele pode correr uma milha quando eu pedir a ele para fazer alguma coisa para mim, mas vai valer a pena o risco. Eu apenas terei que desempenhar extremamente bem meu papel. Reid é o primeiro a se afastar, pegando sua bolsa enquanto ele caminha em minha sala de estar. Ele coloca a bolsa em cima da mesa e tira todo o equipamento da câmera. — Onde você quer que eu coloque? Em seu quarto ou aqui? ~ 135 ~


— Você acha que ele vai me acompanhar para o meu quarto? Ele pensa sobre este assunto. — Hmm... talvez não. Vou colocar a câmara aqui, então. Ele caminha até a minha estante e coloca um porta-retratos com minha família e eu de cerca de cinco anos atrás. Eu não tinha notado que estava faltando. Uma vez satisfeito que está no lugar, ele puxa seu iPad e o liga. Imediatamente, nós estamos na câmera, assim como a mesa e meu sofá. A posição perfeita. — Eu estarei observando você do quarto, — ele diz com um sorriso malicioso. Eu sei o que isso significa, e eu tenho essa súbita sensação que eu sei o que vai acontecer depois que Porter for embora. — Eu vou levar tudo isso lá para cima apenas no caso dele chegar cedo. — ele corre, levando todas as suas coisas com ele, e eu não posso evitar em começar um pequeno striptease na frente da imagem. Eu sei que Reid está assistindo, e eu sei que vai deixá-lo louco. Quando eu estou totalmente nua e dançando um pouco, Reid aparece de repente com um sorriso no rosto. — Você deu um grande show, Senhorita Valentine. Eu fico lá, completamente nua na frente dele. — Hmm, — eu suspiro. — Se você me deixasse te mostrar mais. — dou a ele um sorriso maroto, e em pouco tempo, Reid está de pé na minha frente. Ele agarra meu cabelo, me puxando para trás para eu olhar para ele e coloca o dedo no meu clitóris. Eu gemo quando seus dedos circulam lentamente minha protuberância endurecida. — Você vai querer gozar, mas eu não vou deixar. — Então, por que não para? — pergunto, sem fôlego. — Porque isto te mostrará o quanto de uma fodida provocação você realmente é. Eu tento não deixar, de jeito nenhum, o que ele está fazendo me afetar, mas Reid exige minha atenção. Ele sempre teve uma maneira de fazer isso. Meu pai pode ser a minha primeira droga preferida, mas Reid está definitivamente um segundo lugar. Querendo eu ou não que Reid me toque, ele sempre consegue me curvar à sua vontade.

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Quando ele sente o meu corpo ficar rígido com um orgasmo iminente, ele para, me roubando uma coisa que eu preciso, sabendo que vai me irritar para o resto da tarde. — Babaca, — eu respiro contra seus lábios. Reid sorri, me beijando avidamente, e no início, eu tento virar a cabeça para recusá-lo, mas Reid agarra a minha cabeça e me obriga a abrir a boca para dele. Quero resistir, mas não consigo. Meu corpo ainda está zumbindo do meu clímax perdido. Depois de uma mordida, ele empurra meu cabelo, me puxando dele. — Vista-se. Ele pode chegar aqui mais cedo. — eu relutantemente faço o que ele pediu, puxando a minha camisola e roupão de volta. Enquanto eu ignoro a cara arrogante de Reid, eu vou para o andar de cima para retocar a minha maquiagem e afofar meu cabelo. Na hora em que estou no térreo novamente, uma batida soa na minha porta. Reid agarra meu braço. — Você pode fazer isso, — diz ele antes de piscar, subindo as escadas. Eu o vejo com um sorriso no meu rosto, e espero até que ouço o clique porta fechada do quarto antes de atender a porta da frente. Porter está lá com uma bolsa masculina pendurada no ombro e uma expressão de choque no rosto. Ele mais do que viu o que estou vestindo e está, obviamente perturbado. Eu me esforço muito para não sorrir com isso. — Entre, — eu digo, apontando para ele passar. Ele entra, e eu fecho a porta atrás dele. — Você quer que eu pegue uma bebida ou qualquer coisa? Ele balança a cabeça, vendo a decoração da minha sala de estar. — Não, está tubo bem, obrigado. Eu provavelmente vou para casa logo. Eu aceno para o sofá para ele tomar um assento. Ele limpa a garganta e se senta, abrindo sua bolsa. — Eu tenho a amostra aqui para você. Me sentando ao lado dele, eu coloco minha mão sobre a dele. — Não há pressa, não é? É só que... eu não sei... parece meio estranho e tão clínico você vir aqui, deixar isso e ir embora. Ele relaxa um pouco com um suspiro. — Eu sinto muito. Eu acho que eu estou muito nervoso sobre tudo isso. Eu não sei o que eu deveria fazer ou não fazer. Amber continua me dizendo para relaxar, mas isto ainda parece meio estranho.

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— O que você quer dizer? Porque você está tendo esta criança comigo e não com a minha irmã? Biologicamente, quero dizer. Ele olha para mim por um momento. — Acho que sim. Eu acho que uma parte de mim está preocupado com o quanto isso irá afetar você. Eu coloco minha mão na sua de novo, e ele olha para ela antes de encontrar meus olhos. — Não há necessidade de se preocupar. Eu sou uma menina crescida. Ele sorri um pouco. — Eu sei. Só me preocupo que você vá achar difícil sempre que houver um aniversário ou Natal... coisas assim. — Eu sei o que você quer dizer, mas, sério, eu vou ficar bem. Eu não vou deixar isso me afetar. Eu ficarei agradecida apenas por ser parte da vida dele. Eu prometo que vou ser a melhor tia que eu posso ser, sem deixar que o pensamento de quem eu realmente sou para a criança ficar no caminho. — eu olho para longe por um momento como se eu estivesse em uma profunda reflexão. — O quê? O que é? — ele pergunta, sabendo que há algo errado. Eu mantenho minha cabeça virada quando eu a balanço. — Não... eu não posso te dizer. É embaraçoso. Desta vez, Porter agarra a minha mão. — Por favor, diga. Eu prometo que não vou contar a ninguém. Eu ainda sacudo a cabeça. — Não. Não, eu não posso. É muito embaraçoso. Amber ainda não sabe sobre isso. Ambos vão ficar com raiva de mim se eu falar. Ele puxa minha mão, me fazendo olhar para ele. Ele está muito mais perto agora, mas eu estou supondo que ele fez isso sem querer. Eu o tenho exatamente onde quero. Eu olho em seus olhos um momento, deixando-o ver minha vulnerabilidade. Ele procura os olhos por uma resposta, assim que eu o deixo saber o que está errado na maneira mais delicada possível. — Estou com medo disso. Ele franze a testa. — Do quê? Eu me viro novamente. — Olha, eu disse que isso era bobagem. ~ 138 ~


Sinto sua mão no meu rosto enquanto ele puxa a minha cabeça de volta para encontrá-lo. — Por favor, diga. Eu prometo que vou ajudá-la, não importa o quê. Eu sorrio. — Você promete? Ele balança a cabeça. — Eu disse o que for preciso, não foi? Eu suspiro, balançando a cabeça, mas olhando para o chão. — Eu não posso fazer isso sozinha. Eu pensei que poderia, mas a coisa toda me assusta. — eu olho para o seu rosto confuso e vejo quando a luz finalmente se ascende. — Você quer dizer o esperma? Você não pode inseri-lo em você mesma? Eu aceno com a cabeça e ele suspira, se curvando para trás no sofá. — Este é um grande problema. Eu toco seu joelho. — Eu sei, e eu sinto muito. Eu tentei ser corajosa e me convencer durante todo o dia que eu poderia fazer. Mas... mas quando você chegou à porta, e eu vi você chegando segurando isso, entrei em pânico. — eu me viro novamente. — Eu sinto muito. Você deve realmente me odiar. — Eu não odeio você. Eu só queria que você tivesse me dito mais cedo. Eu acho que devemos tentar e marcar um encontro com o médico amanhã. Eu suspiro. — Mas isso parece um desperdício quando você tem uma amostra bem aqui. Ele coça a cabeça. — Eu sei. Nós ficamos em silêncio por um momento, e eu sei que ele está imerso em pensamentos. Dou a ele alguns momentos e o deixo pensar que estou pensando em uma solução também. Me pergunto se eu deveria aproveitar a oportunidade e dizer algo agora. Pensando apenas em morder a isca, eu avanço. — A menos que... — eu começo, e vejo sua postura mudar. — Isso vai parecer loucura, mas eu não posso ver isso sendo um problema a menos que ambos vamos torná-lo um. Ele se inclina para frente com uma careta no rosto. — O que você quer dizer?

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— Não. É muito embaraçoso, e eu sei que você vai dizer não. Ele balança a cabeça, parecendo confuso. — Eu disse o que for preciso. Que ideia você tem? Eu suspiro, olhando para ele. Ele é o único que se cavou nesse buraco agora. — A menos que você faça isso por mim. Seus olhos se arregalam quando ele assimila o que eu disse. Ele aponta para mim. — Quer dizer de eu inserir...? Eu concordo. — Eu sei que parece loucura, mas quando você considera que os médicos fazem isso o tempo todo, então isto não deveria se tornar algo grande. Além disso, qual a melhor pessoa para fazer isso do que o pai? Eu posso ver que ele está, na verdade, contemplando isso antes dele finalmente balançar a cabeça. — Não, isso é demais... apenas demais. Amber não veria dessa forma. Eu coloco minha mão na sua novamente. — Amber não precisa saber. Eu prometo que não vou fazer um grande negócio sobre isso, se você não fizer. A coisa toda pode ser completamente clínica. Nós podemos fazer agora sobre este sofá. Tudo que você tem a fazer é usar a seringa no meu banheiro, e uma vez feito isso, terá terminado em segundos. De repente ele se levanta, e eu acho que ele está prestes a sair, mas em vez disso, ele só anda no chão, passando as mãos pelo cabelo. — Isso é demais. Eu olho para o chão novamente. — Eu sei. Me desculpe. Eu não vou tocar no assunto novamente. Foi errado da minha parte. Ele suspira, mas para de andar de um lado para o outro. Depois de alguns segundos a mais, ele fala. — Ok. Eu olho para cima. — Ok o quê? Ele fecha os olhos. — Ok, eu vou fazer. — Sério? — me levanto atordoada e vejo como ele balança a cabeça como se não pudesse acreditar no que ele está prestes a fazer. — Você disse que a seringa está no banheiro? — eu aceno com a cabeça. — Ok. Vou levar a amostra lá comigo. Se deite no sofá, mas tente ~ 140 ~


encobrir tanto quanto você puder. Volto daqui a pouco. Ele pega sua bolsa, corre, e eu volto para o porta-retratos. Dou a Reid uma piscadela, pois sei que ele está assistindo a coisa toda. Sem dúvida, ele está aproveitando isso. Corro para o sofá, me deito e me cubro tanto quanto eu posso. Quero que Porter fique excitado por mim, mas eu não quero assustá-lo completamente. Me sento lá por um tempo, e eu sei que Porter deve estar no banheiro incapaz de compreender o que está prestes a fazer. Gostaria de saber se ele vai sair e dizer que ele mudou de ideia, mas de repente ele está lá, e ele está escondendo a seringa com algum tecido. Aww, isso não é doce? Ele está escondendo isso de mim. Abençoado seja. — Eu não posso acreditar que eu estou fazendo isso, — diz ele, andando em minha direção. Ele se senta ao lado dos meus quadris e me olha. — Você não deveria estar erm... lubrificada? Ele é tão adorável quando ele está envergonhado. O que ele não percebe é que eu já estou toda molhada destas preliminares. Eu adoro um desafio. — Na verdade, eu fiz isso enquanto você estava no banheiro. — Oh, — diz ele, olhando para minhas pernas. Eu as tenho levantadas com os meus pés pressionados no sofá. Estou pronta para a ação, mas não estou certa de que Porter está. Eu pego sua mão, dando a ela um aperto reconfortante. — Você consegue fazer isso. Basta pensar... você pode estar prestes a me engravidar. Basta se concentrar sobre isso e nada mais. Com determinação em seu rosto, Porter acena com a cabeça e move sua mão para baixo em direção a minha entrada. Uma vez lá, ele move o tecido de lado, e eu sinto quando a seringa está lá. — Me deixe saber quando estiver pronta. — Você já está lá. Você só precisa, cuidadosamente, empurrá-la para dentro. Sinto quando ele começa a deslizar para dentro, e eu gemo um pouco. Não o suficiente para fazê-lo pensar que isso me excita, mas não tanto que ele ache que eu estou com dor também.

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— Você está bem? Você quer que eu pare? Eu solto um suspiro, balançando a cabeça. — Não. Por favor, continue. Eu vou deixar você saber quando você estiver lá. Ele continua empurrando, e digo a ele para parar, quando ele atinge o ponto em que posso sentir confortável. Eu posso ouvir sua respiração ofegante. Eu não tenho certeza se isso está deixando ele excitado, mas posso arriscar um palpite de que está. Eu combino minha respiração com a dele para que ele possa meditar se estou excitada ou não. Ele deve estar pensando nisso. Quero dizer, se eu estivesse lentamente massageando o pau dele, eu tenho certeza que ele ficaria excitado. — Você está pronta? — ele pergunta. Eu aceno minha cabeça e deliberadamente mudo minha parte superior do corpo de modo que meu roupão abre ligeiramente. Posso dizer que meus mamilos estão duros, então eu quero que Porter tenha a imagem completa. — Ok, depois de três. Um, dois, três. — eu sinto a pressão quando ele empurra, e eu gemo um pouco. Finalmente, meu roupão abre revelando a ele os meus mamilos bastante eretos. Ele percebe, claro, e eu posso dizer que isso o está afetando mais do que ele quer. Sem dúvida, ele vai voltar para casa hoje à noite e aliviar a pressão um pouco. Ou isso, ou Amber esta noite vai ter o melhor sexo que ela já teve. — Você... você está bem? — ele gagueja. Concordo com a cabeça com um sorriso, e ele puxa a seringa. — Fica aqui, e eu vou me livrar disso. Você precisa se deitar durante dez minutos. Concordo com a cabeça e vejo quando ele se levanta e desaparece. Não demora, ele está de volta e ajoelhado na minha frente. — Espero que eu tenha feito tudo certo. Eu pego sua mão e a aperto um pouco. Essa decisão pode ter sido um pouco precipitada em meu favor, mas considerando o que acabamos de compartilhar, eu sinto que eu poderia empurrar os limites um pouco. — Você fez bem, de verdade. — eu sorrio brilhantemente. — Basta pensar que um milagre poderia estar acontecendo dentro de mim agora. — eu puxo sua mão e a coloco no meu estômago. Ele não se afasta. Em vez disso, ele a

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mantém lá e até mesmo a esfrega um pouco. Eu vejo a sombra de um sorriso no seu rosto. Ele está tão desesperado por isso quanto minha irmã está. Não me admira que ele estivesse disposto a ir tão longe quanto ele foi. — Você vai se sentar comigo por alguns minutos? Ele olha para mim com um sorriso. — Claro. Nós ficamos assim por um tempo com a sua mão na minha. Nem uma vez ele tentou se afastar porque eu acho que a conversa sobre o bebê o deixou em transe. Tenho certeza de que posso usar isso para minha vantagem, então eu sei o que devo fazer da próxima vez que ele vier. Estamos compartilhando uma ligação agora. Se Amber pudesse ver isso, eu acho que isso iria doer mais do que a infidelidade que está prestes a vir. Vamos encarar... ele já cruzou a linha comigo, mas porque eu estava tão fria sobre isso, ele me acompanhou. Tolo. Depois de quinze minutos ou mais, digo a ele que acho que é hora de eu me levantar. Na verdade, ele parece relutante em ir para casa, mas ele acena com a cabeça e pega sua bolsa. — Você quer fazer isso no mesmo horário amanhã? Ou talvez um pouco mais cedo? Talvez até mesmo as duas coisas? — eu começo a rir quando ele olha para mim. — Quanto mais vezes, melhor, certo? Você poderia vir uma vez pela manhã e, então talvez uma vez no período da tarde. Cabe a você, mas eu vou estar por aqui todo o dia amanhã. Ele não diz nada por um momento, então eu sei que ele está pensando nisso. Ele finalmente suspira. — Ok. Que tal às dez e depois às três? Concordo com a cabeça com um sorriso ansioso. — Certo. Isso soa perfeito. Ele me dá um breve aceno e se dirige para a porta. — Vejo você amanhã, então. Sem dúvida, Amber vai te ligar mais tarde. Eu coloco minha mão em seu ombro. — Vou dizer a ela que você veio, tomou uma xícara de chá e, então deixou a amostra para trás antes de sair. — Isso seria ótimo. — ele abre a porta e olha para trás enquanto está passando por ela. — Tchau, Scarlet.

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— Tchau, Porter. Eu rapidamente fecho a porta e praticamente corro pela escada, para Reid. Abro a porta, e com certeza ele está na cama, nu com seu pau ereto e esperando por mim. De repente, ele se levanta e vem sobre mim. — Você tem o gozo de outro homem dentro de você. — eu aceno com a cabeça. — Fique de joelhos. Faço o que ele diz, e Reid fode minha boca. Ele é duro e rápido, mas não leva muito tempo e ele goza no fundo da minha garganta. Tenho certeza que ele ficou brincando com ele enquanto observava Porter e eu. Quando ele termina, me deixa frustrada no chão. Eu sabia que ele faria, porque este é o meu castigo. Isto ainda não ajuda a necessidade rastejando sobre minha espinha. Isto ainda não para essa coisa me invadindo de dentro pra fora. Uma parte de mim quer ir para o meu pai hoje à noite, mas a outra parte sabe que seria muito cedo. Eu acho que o único amigo que terei esta noite é um vibrador.

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dezenove 16 de Janeiro de 2008 Ontem foi meu aniversário, mas de modo algum me senti como se estivesse comemorando. Normalmente, as crianças de dezesseis anos conseguem dinheiro, joias ou roupas extravagantes para seu aniversário. Eu? Eu tenho um pauzinho. Um pauzinho que me encara e que tem duas linhas azuis sobre ela. Estou grávida, e é a pior notícia do mundo. Me culpo por aquele dia a quatro meses. O dia em que eu fui até ele, em vez do contrário. Ele não puxou para fora como ele normalmente fazia, e ele não vem fazendo isso desde então. Ontem, quando eu sentei lá olhando para isso, eu queria desesperadamente chorar. Eu não podia, quando todos estávamos prontos para comer. Em vez disso, coloquei o pauzinho novamente em sua caixa, a envolvi firmemente no saco plástico, e a coloquei no meu lixo. Isso foi um erro. Eu chego em casa da escola hoje, e meu pai não está lá embaixo. Eu acho que talvez ele esteja escrevendo em seu quarto, mas quando eu abro a minha porta, ele está sentado na minha cama, encarando o pauzinho. Os conteúdos estão todos espalhados em volta da minha cama, e posso dizer, sem sequer ele olhar para mim que ele está louco. Minha frequência cardíaca dispara, não sabendo o que ele está prestes a fazer. Eu já tinha agendado minha consulta para a clínica de aborto sábado de manhã. Não há necessidade dele entrar em pânico. — Eu estou resolvendo isso, — eu digo um pouco sem fôlego. Ele estala sua cabeça na minha. — Resolvendo? Que porra isso significa? Meu pânico aumenta. — Isso significa que eu estou resolvendo o

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problema. No sábado, ele não vai ser mais um problema. De repente, ele se levanta, e não tenho tempo para reagir quando ele irrompe sobre mim e me estapeia no rosto com as costas da mão. Eu grito, caindo no chão. Lágrimas imediatamente picam meus olhos enquanto eu viro e vejo ele vindo pra cima de mim. Ele agarra meu cabelo em suas mãos me fazendo gritar novamente. Ele não me bateu nos últimos quatro meses. Na verdade, ele tem sido bastante agradável até agora. Agora, percebo que ele está prestes a me matar. — Você não vai matar nosso filho. Meus olhos se arregalaram em choque. Ele disse seriamente isso para mim? — Mas... mas, não podemos... certamente é ilegal ou algo assim? E se ele nascer com uma anomalia? — Vai ficar tudo bem. — Mas como você... Ele puxa meu cabelo, me fazendo ganir. — Eu sei, está bem? Apenas confie em mim. Eu vou cuidar de tudo. Você pode dizer que você teve um caso de uma noite e você ficará o bebê. Sua mãe e eu vamos ajudá-la a criar o filho juntos. Talvez eu até tenha o filho que sempre quis, depois de tudo. Lágrimas escorrem pelo meu rosto. Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. — Eu tenho apenas dezesseis anos. — lágrimas escorrem na minha face, e seu olhar irado suaviza enquanto ele acaricia meu cabelo. — Shh. Está bem. Tudo vai ficar bem. Eu vou cuidar de você e do bebê. Eu prometo. Lembre-se, sua mãe tinha apenas dezesseis anos quando engravidou de Amber. Você vai ficar bem. Eu vou me certificar disso. — ele se inclina e me beija suavemente nos lábios, antes de se deitar ao meu lado no chão. Ele começa a beijar meu pescoço, arrastando suas mãos para o meu estômago. Ele me esfrega lá, espalhando beijos ao longo do meu queixo. — Nós temos nosso bebê aqui dentro. O nosso pequeno milagre. Nada e nem ninguém pode tirar isso de nós. Estamos finalmente unidos, você e eu. — ele continua, arrastando beijos ao longo do meu pescoço. Todo o tempo, eu estou tremendo debaixo dele. Se ele percebe, não diz nada. Em vez disso, ele chega na minha orelha e sussurra: — Você nunca vai me escapar. Eu fecho meus olhos enquanto as lágrimas quentes continuam a cair. ~ 146 ~


Eu quero que este seja um sonho ruim. Eu quero acordar em um suor e saber que tudo isso é apenas um pesadelo horrível. Talvez ele tenha feito isso deliberadamente. Talvez ele, secretamente, esperasse eu ficar grávida aos dezesseis anos, porque, até então, eu teria uma idade legal. Até então, ele saberia que eu seria para sempre sua. Eu não abro meus olhos, mas eu posso ouvir sua respiração pesada. O pensamento de que estou grávida de seu filho está excitando-o. Certamente ele não pode querer isso? Certamente ele sabe que isso é errado em tantos níveis. E se o bebê estiver desfigurado de alguma forma? Isto é doentio, mas eu deveria ter percebido sempre o quão doente o meu pai realmente é. Ele me coloca de costas e continua a beijar através das minhas roupas. Quando ele atinge meu estômago, ele levanta minha camiseta e começa a beijar toda a minha barriga, esfregando a mão sobre ela com um sorriso. De repente, estou no além da imaginação. Certamente isto não é real? Com uma das mãos cobrindo a parte de trás da minha cabeça, ele começa a desabotoar minha calça jeans com a outra. Eu o deixo fazer isso porque, pelo menos, ele estar sendo gentil é melhor do que a surra que eu poderia ter recebido. Eu aprendi há muito tempo que é inútil lutar. Então, em vez disso, eu deito lá com os meus olhos postos no teto acima de mim. Eu desligo porque aprendi que é melhor assim. Enquanto ele me livra da minha calcinha, ele paira acima de mim e enxuga as lágrimas dos meus olhos. — Eu vou cuidar de você agora, — ele sussurra antes de entrar em mim.

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vinte Esta manhã, quando Porter aparece, estava muito parecido com ontem à tarde, mas desta vez, há uma carga sexual entre nós. Posso estar errada, mas tenho certeza que Porter estava pensando em mim nua e imaginando como realmente seria me engravidar fisicamente. É por isso que, quando ele apareceu por volta das três da tarde, eu senti estar pronta para ele. Desta vez, Porter aceitou uma xícara de chá, e nós ainda conversamos um pouco. Eu fui tão sutil com os meus movimentos com ele. Toquei seu ombro aqui e brincando dei um tapa lá. Ele olhou para mim com aquele sorriso... um sorriso que significava mil palavras para mim. Claro, ele está afetado. Por que não estaria? — Você quer se deitar no sofá de novo? Eu aceno com a cabeça e entro em posição. Meu coração está correndo no meu peito, mas além disso está a energia sexual. Eu não tenho certeza de como Porter vai reagir quando eu fizer o que eu estou prestes a fazer. Porter tem tudo pronto antes de se sentar ao lado dos meus quadris novamente. Ele coloca a seringa na minha entrada e me olha. — Eu estou pronta, — digo, sorrindo para ele. Ele começa a empurrá-la para dentro, e é quando eu ajo. Eu coloco minha mão para baixo entre as minhas pernas e começo a esfregar meu clitóris. Fecho meus olhos com um gemido e lambo os lábios, saboreando o sentimento. Eu nunca imaginei, na verdade, o quanto isso me excitaria. Me sinto desesperada por Porter me foder, mas eu sei que isso será suficiente. Eu só não consigo evitar em ultrapassar os limites em tudo o que faço. Assim que eu abro meus olhos, Porter está olhando para mim com os olhos arregalados. — O que você está fazendo? — ele pergunta, confuso. Quão fofo ele é?! Eu continuo esfregando enquanto respondo para ele. Minha voz está

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sem fôlego e devassa por ele. Ele pode dizer, e eu sei agora que seu pau deve estar duro como uma tábua. Eu não sabia se ele iria se afastar ou não, mas ele não fez isso ainda. — Aparentemente, eu devo ter um orgasmo. Isso ajuda a manter o esperma dentro. — Isso ajuda? — ele guincha. Eu aceno com a cabeça, gemendo quando eu me toco. — Mas isso é... nós não deveríamos... — Empurre-o para dentro e para fora, — eu ordeno com olhos cobertos. — Faça, Porter, para que eu possa gozar. — eu vejo como ele apenas encara, a boca aberta com o choque. Ele engole em seco, e eu vejo seu pequeno pomo de Adão subir e descer quando ele faz. Mudando um pouco em seu assento, ele agarra meu joelho com uma mão e começa a mover a seringa com a outra. Eu não posso acreditar que ele está realmente fazendo o que eu pedi. Eu sorrio quando ele começa a se mover para dentro e para fora, e não posso evitar, mas o empurro um pouco mais longe. Eu começo a gemer enquanto eu continuo a esfregar. Eu sei que Porter deve estar desesperado para me tocar. Tornando ainda mais desconfortável para ele, eu começo a brincar com o meu mamilo através da minha camisola. Está sólido como rocha quando eu aperto e acaricio meu peito. Porter não disse nada, mas eu posso dizer, pelo jeito que ele está respirando pesadamente e apertando meu joelho, que ele está afetado por me observar. — Oh Deus, é isso! Continue. Eu quero que você me encha com seus bebês, — eu choro. — Puta merda, — Porter grita, mas ele não se afasta. Na verdade, seus movimentos se tornam mais rápidos quando ele começa a mergulhar a seringa dentro de mim, para frente e para trás... para frente e para trás. Eu posso sentir isso chegando... eu sinto isso chegando, eu sinto a subida quando isso chega mais e mais alto. Eu lamento, gritando o nome de Porter, mas neste momento, eu não me importo. Ele está bem ali comigo. Tenho certeza de que ele me foderia se eu pedisse a ele para fazer. — Porra, Porter, eu vou gozar. Eu vou... oh meu Deus, Porter! — eu grito. — Agora! Me dê seus bebês agora. — ele empurra a seringa com um grunhido, e eu desmonto, arqueando as costas e pegando meus seios.

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Eu fecho meus olhos em um sorriso, em parte porque eu estou saboreando o sentimento após o meu orgasmo, e em parte porque eu sei que Porter vai precisar de um minuto. Ele ainda está apertando meu joelho, e sua respiração é irregular. Ele nem sequer se lembrou de tirar a seringa de mim ainda. Abro os olhos, olhando para Porter. Ele parece prestes a pular em mim depois disso. Eu toco seu braço, e ele olha para minha mão. — Obrigada, — eu digo com um sorriso. — Você pode puxar para fora de mim agora. Ele olha para mim confuso. — O quê? — ele pergunta. Eu rio um pouco. — Você ainda tem a seringa dentro de mim. Você pode tirá-la agora. Ele balança a cabeça como se estivesse tentando escapar da névoa em que está. — Oh, desculpe. — ele a puxa para fora e se mexe no seu assento. — Me desculpe por isso. — ele levanta, tentando o seu melhor esconder sua óbvia excitação e rapidamente sai para o banheiro. Deixo escapar uma risada assim que ele se vai, mas eu fico onde estou. Eu ainda estou aqui com a questão de esperar dez minutos antes de me levantar. Quando cinco minutos passam sem Porter, eu começo a sorrir. — Porter, você está bem aí? — eu grito. — Vou sair em um minuto, — ele resmunga de volta, e eu sei com certeza que ele está tentando esconder o fato de que está se masturbando. Ele está tão excitado que não pode esperar para chegar em casa. Obviamente, eu julguei Porter mal. Ele é mais fraco do que parece. Ah bem. Há sempre a próxima vez... e agora eu sei exatamente o que eu vou fazer. Eu espero mais cinco minutos antes de Porter finalmente chegar. Eu não digo nada e nem ele. Eu acho que ele já sabe que eu sei o que ele estava fazendo lá. — Você está bem? — ele pergunta quando senta ao meu lado. Eu aceno minha cabeça e tiro a mão. — Sim. Depois disso, eu estou muito bem. Fazendo dessa forma, irá tornar mais fácil de engravidar. Ele pega a minha mão, e eu acho que ele vai se afastar, mas em vez disso, ele afaga. — Você tem mãos adoráveis. — ele olha para as minhas

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mãos por um momento antes de falar novamente. — Espero que o nosso bebê puxe mais à você do que a mim. Você é perfeita, e eu tenho um nariz curto e grosso e orelhas grandes. — ele ri um pouco, mas eu não rio. — Não se diminua assim. Você é muito bonito, Porter. Se eu não estivesse tão ligada em mulheres, e minha irmã não tivesse chegado em você antes, eu mesma teria te agarrado. Ele olha para mim com um grande sorriso. — Sério? Eu aceno com a cabeça. — Sim, com certeza. Então, pare toda essa conversa sobre narizes grossos e orelhas grandes. Tenho certeza de que, entre nós dois, podemos fazer um bebê perfeito juntos. — ele olha para os meus lábios, e eu sei que ele está desesperado para me beijar. Eu posso ver a fome em seus olhos, mas ele a retém. Eu não poderia beijá-lo de qualquer maneira. Reid não permitiria isso, e eu sei que ele está assistindo. Então, eu faço o que é necessário e começo a me levantar. — Eu acho que foi mais de dez minutos. Ele relutantemente solta minha mão e se levanta. — Oh, sim... melhor eu ir indo então. Você acha que ainda vai estar ovulando amanhã? Com uma mão, ele me puxa para cima do sofá, de modo que eu estou de pé na frente dele. — Eu estou no meu auge, então sim. Amanhã pode ser o último dia, então é melhor fazer novamente. — eu puxo a mão para o meu estômago. — Nós vamos chegar lá. Estou certa disso. Ele começa a acariciar minha barriga com um sorriso, então eu olho para sua mão. Algo me distrai, assim que eu olho mais para baixo, com certeza, Porter tem uma ereção novamente. Puxa, esse homem é insaciável. Eu acho que vou me divertir com ele amanhã. Se ele percebe que eu vi, ele não diz nada. Em vez disso, ele limpa a garganta e move sua mão. — Amber vai estar em casa em breve, então é melhor eu ir andando. Eu aceno com a cabeça. — Ok. Diga a ela que eu disse oi e que vamos nos falar em breve. Sem dúvida ela vai querer me perguntar, ainda umas vinte vezes, se eu acho que estou grávida. — eu rolo meus olhos e Porter ri. — Que horas você quer que eu venha amanhã? Eu penso um pouco sobre isso. — Que tal à tarde de novo? Por volta

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das uma? Eu preciso dar uma boa corrida na parte da manhã, e resolver algumas tarefas de casa antes de voltar a trabalhar no dia seguinte. — Nós realmente apreciamos você tomar seu tempo de folga para fazer isso. Eu aceno minha mão com desdém. — Não há de quê. Eu sei o quanto isto significa para vocês dois. — eu ando até a porta e a abro para ele. Ele se inclina, beija minha bochecha, e diz adeus. — Até amanhã, — eu digo com uma piscadela antes de fechar a porta. Com um suspiro, eu subo as escadas para encontrar Reid sentado na beira da cama. Ele já se aliviou, o que me deixa um pouco desapontada. — Limpe, me lamba, — ele instrui, e eu fico de joelhos e começo a lamber seu gozo. — Eu deveria te punir por me fazer gozar com minha própria mão. Deveria ter sido você fazendo isso. — ele força minha cabeça para trás e agarra meu queixo. — Tá vendo, isso é o que você faz comigo, porra. — ele me empurra, e eu caio de volta para o chão. Eu não tenho certeza se ele está com raiva de mim ou não. Ele não diz nada enquanto ele abotoa suas calças jeans. Eu me levanto do chão, e estou surpresa quando ele começa a recolher suas coisas. — Você não vai ficar? Reid se vira para olhar para mim, e alega minha boca, empurrando sua língua dentro. Como sempre, quando ele se afasta, nós dois estamos sem fôlego. — Eu tenho que atender um cliente em vinte minutos, mas virei amanhã ao meio-dia. — ele começa a se afastar, mas pára assim que ele chega à porta. Ele se vira, alcançando a mão no bolso e me entrega um pen drive. — Eu acho que você vai querer ver isso. — ele se afasta sem um adeus ou um sorriso. — O que o está corroendo? — pergunto a ninguém. Ele já está descendo. Eu ouço quando ele abre a porta, e assim que ele sai, eu corro para o meu laptop para reinicia-lo. Uma vez carregado, eu coloco o pen drive e abro o arquivo anexado. É o meu banheiro do térreo. O merdinha colocou uma câmera dentro do meu banheiro. Eu assisto com fascinação quando Porter entra, fecha a porta atrás de si, e começa a freneticamente desabotoar sua calça jeans. Ele puxa o pênis ~ 152 ~


para fora, e eu me maravilho com o seu tamanho. Ele é realmente um menino muito grande. Não admira que Amber se casou com ele. Ele fecha os olhos enquanto trabalha seu pênis para trás e para frente. Quando ele está trabalhando, ele começa a cheirar a seringa, e eu sei que ele está inalando meus sucos. Ele os quer. Eu posso dizer. Eu não sabia que Porter era um bastardo pervertido enrustido. Sua respiração começa a ficar mais pesada quando ele trabalha o seu pau mais e mais rápido. Posso dizer que ele está desesperado para encontrar sua libertação, porque ele sabe que estou ali do lado de fora. Eu ouço a minha voz abafada chamando por ele, perguntando se ele está bem, e eu sorrio quando ele responde com um grunhido, me lembro da audição. De repente, ele começa a esfregar a seringa em todo o seu pau, e me excita pensar que ele quer se cobrir com meus sucos. — Scarlet, — ele sussurra, movendo ainda mais rápido. Ele fecha os olhos novamente, e eu vejo o momento em que ele está prestes a gozar. Ele sussurra meu nome novamente e atira seu gozo por toda sua mão. Ele se agarra a pia enquanto estremece e cede ao seu clímax. É um bom clímax... eu posso dizer. Estou toda agitada, quando eu o vejo rapidamente se limpar e sair do banheiro. Então, um pensamento me bate. Agora eu sei por que Reid estava chateado quando eu vim para o quarto. Ele gozou com a visão de Porter batendo uma para mim. É por isso que ele está tão irritado, de repente eu começo a rir com o pensamento disto. Puxando o pen drive, eu caminho até o banheiro e tomo um longo banho quente. Na hora que termino, são quase seis, então eu decido apenas entrar em meu pijama, pedir um pouco de chinês, e ver o que está na Netflix. Não tenho nada melhor para fazer hoje, então eu posso também fazer uso do meu tempo sozinha. No entanto, o meu tempo sozinha é interrompido quando eu ouço a campainha tocar e começo a descer as escadas. Eu imagino quem poderia ser, uma vez que sei que Reid está ocupado. Eu olho através do olho mágico e vejo que é Stuart. Eu respondo a porta. — Stuart, oi! A que devo esta honra? Ele tem ambas as mãos atrás das costas e então, de repente, ele puxa uma para fora e vejo uma garrafa de vinho branco. — Você aceitaria a desculpa de que eu estava no bairro, então pensei em dar uma passada? ~ 153 ~


Aconteceu de eu trazer uma garrafa de vinho branco e este DVD do Homem-Aranha 3 comigo. — ele puxa o outro braço ao redor, e com certeza ele tem o DVD de Homem-Aranha 3. Eu começo a rir. — Você está mesmo determinado a se reconciliar do encontro que perdemos, não é mesmo? Ele dá de ombros com um sorriso malicioso. — Mais um na lista de desejos. Eu mecho uma sobrancelha. — É mesmo? — eu abro a porta um pouco mais e afasto. — Eu acho que isso significa que eu vou ter que deixar você entrar então. Ele hesita por um momento. — Você tem certeza? Eu não estou perturbando você, estou? Eu balanço minha cabeça. — Não. Eu estava prestes a encomendar um pouco de comida e assistir Netflix, então você acabou de me salvar de tentar encontrar um filme. Ele percorre e limpa os sapatos na esteira antes de me passar o vinho branco. — Bem, eu estou feliz que eu pude vir para o resgate, — ele sorri. Eu coloco a mão no meu coração quando ele fecha a porta atrás de mim. — Meu próprio super-herói pessoal. Ele pisca. — Eu faço o meu melhor. Ele me segue até a cozinha onde eu pego um saca-rolhas. — Aqui, me deixe fazer isso, — ele oferece, tirando o saca-rolhas de mim. Eu sorrio, o deixo continuar e o vejo colocar o saca-rolhas. Ele está parecendo bastante elegante esta noite, em suas calças de sarja bege e camiseta polo azul-marinho. Seus músculos estão se flexionando enquanto ele empurra o saca-rolhas antes de puxá-lo. Por alguma razão, há algo bem erótico sobre isso. — Devo pedir alguma comida para nós? — eu pergunto, tentando me impedir de olhar maliciosamente. Ele olha para mim com um sorriso. — Certo. O que você estava pensando em pedir? — Chinês, — eu respondo, e vejo quando ele realmente vê o meu traje.

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— Eu não vou me trocar. Pode me levar como estou esta noite. Ele começa a rir. — Oh, baby, eu posso te levar de qualquer maneira que você gostaria que eu levasse. Eu suspiro, pego uma toalha de chá, e começo a bater nele com ela. Ele ri mais e começa a me perseguir em torno da cozinha. Eu grito quando ele me agarra e começa a me fazer cócegas até a morte. Eu grito, mas paro quando ele me pega e me coloca no balcão da cozinha. Com minhas pernas abertas, ele se posiciona confortavelmente entre elas. Nossa respiração é irregular quando olhamos fixamente um para o outro. — Você não sabe como é difícil para mim não cruzar a linha de amigo e beijá-la agora. Eu aperto minhas mãos, não querendo encorajá-lo. Apesar de querer muito que ele me beije, eu não posso deixar outro momento de fraqueza me controlar. Quando eu não respondo pra ele, ele olha dos meus lábios para os meus olhos. — Você não atendeu minha chamada na outra noite. Apesar de não nos vermos desde o nosso encontro, nós temos estado no Skype, telefonando e mandado mensagens de texto praticamente todos os dias desde então. — Eu estava ocupada com um encontro de família. Ele mergulha sua cabeça com um suspiro. — Era o seu pai? Estou surpresa que ele pergunte, mas eu acho que entendo o porquê. — Sim. Ele começa a esfregar a parte de trás do seu pescoço com uma mão, e posso dizer que ele quer me perguntar alguma coisa, mas está lutando. — Ele estava... bem com você? — ele finalmente pergunta, olhando de volta para mim. Eu sorrio, balançando a cabeça. — Ele estava bem, Stuart. Eu não sou a menininha que uma vez que eu fui. Eu posso cuidar de mim mesma. Eu prometo. Agarrando minha mão, ele acena com a cabeça antes de beijar com ternura lá. Seus lábios são quentes e macios, e eu não posso deixar de ficar perdida neste momento com ele. Eu não nasci para um mundo de felicidade, mas eu sinto que, agora com Stuart aqui, eu estou tento um vislumbre dele. Não é o suficiente para mudar a minha vida, mas é o suficiente para fazer a diferença. Eu vou me contentar com esses vislumbres quanto eu sei, que ~ 155 ~


amanhã de manhã, vou escorregar de volta para minha vida, e Stuart será apenas uma feliz memória de algo que uma vez eu tive. Meu vislumbre. — Me deixe pedir a comida, — eu digo, tentando quebrar o nosso feitiço. Ele está me envolvendo novamente, e eu não gosto disso. Eu não gosto da maneira como ele me faz sentir quando estou perto dele. Ele solta a minha mão e acena com a cabeça antes de me ajudar a descer do balcão da cozinha. Vou até o telefone, pego um menu, e vejo quando Stuart nos serve um pouco de vinho. — Feijão preto agridoce está bom para você? Eu posso pedir galinha? Stuart sorri. — Isso vai ser perfeito. Eu começo a encomendar alguns rolinhos primavera, camarão com torradas, e os nossos pratos de frango. Uma vez feito isso, Stuart e eu entramos na sala de estar. Eu coloco o DVD no interior da máquina e viro para me sentar ao lado de Stuart. Nós nos sentamos juntos, e Stuart não acha nada de mal em me puxar em seus braços quando o filme inicia. Ele se sente confortável com isso, e eu percebo que esta é a primeira vez na minha vida que apenas fico sentada aqui com um menino e assisto a um filme, sem que haja algo de sexual nisso. Claro, eu assisti TV com Reid, mas ele sempre acaba com as mãos dentro da minha calcinha e me ordenando a chupá-lo. — Você está confortável? — pergunta ele, me apertando mais com ele. — Sim, obrigada. Nós vemos quando o filme começa e então eu me lembro qual é. — Oh, este é o que ele fica negro. Eu gosto mais dele como Homem-Aranha negro. — Oh, você gosta, não é? Eu aceno com a cabeça. — Oh, sim. Eu definitivamente dormiria com o Homem-Aranha negro ao invés do vermelho normal, qualquer dia. — Com quem mais você dormiria? Vilão ou o contrário? Eu penso sobre isso por um momento. — Lembra do grande cara musculoso em Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge? — Stuart acena com a cabeça. — Ele. No entanto, ele teria que manter a máscara. ~ 156 ~


— Alguém mais? Eu concordo. — Eu tenho uma queda pelo Wolverine. Eu acho que ele seria um animal na cama. — eu rio um pouco antes de voltar a olhar um pouco mais para Stuart. — E você? Com quem você dormiria? — Bem, além de você, é claro... — ele sorri para mim antes de se virar para pensar. — Mulher-Gato é realmente sexy. — É o macacão de couro que ela usa que faz isso? Ele balança a cabeça. — Possivelmente. Bem, sim, isso é verdade. — Você é um menino pervertido? Gostaria de alguém que se vestisse como Mulher-Gato para você? Ele sorri para mim novamente. — Você está se oferecendo? Porque isso seria muito bom. Será outra coisa para riscar da minha lista de desejos. Eu rio. — O quão longa é esta lista? — Desde que te conheci... cerca de duas páginas. — eu jogo minha cabeça para trás, rindo. Ele me olha com um grande sorriso no rosto. — Eu adoro ouvir você rir. — o riso pára quando ele fuça o seu nariz no meu. — Fique comigo, menina, e eu vou fazer você se apaixonar por mim. — ele levanta a cabeça para a TV e continua a ver o filme como se o que ele disse não significasse nada. Eu só espero que ele esteja brincando, porque não posso oferecer a ele nada mais do que o que nós temos. Se ele está comigo por esperança que eu vá mudar de opinião, então ele está desperdiçando seu tempo. Quero dizer a ele que não tenho amor dentro de mim para oferecer. Estou completamente vazia deste tipo de emoção. Uma pessoa com amor se preocuparia sobre as pessoas. Uma pessoa com o amor não iria dormir com os maridos da sua mãe e irmã. Uma pessoa com amor não iria pessoalmente sair de seu caminho para fazer isso também. Eu volto a assistir ao filme e tento não me debruçar muito sobre o que ele disse. Talvez ele estivesse brincando, e eu estou apenas sentada aqui fazendo um grande negócio de merda. Cerca de meia hora de filme, o nosso Chinês chega. Tento pagar por ele, mas Stuart não deixa. — Eu sou a pessoa que pediu, então eu devo pagar. — Eu estou sendo um cavalheiro. Foi como eu fui criado.

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Nós começamos enfiando nossos pauzinhos dentro das caixas. Eu não tinha percebido como eu estava com fome. — O que seus pais fazem? — eu pergunto por interesse. — Minha mãe é enfermeira e meu pai é advogado. — Sério? Uau, isso é uma grande mistura. Ele ri. — Sim. Meu pai quebrou o braço no jogo de rugby e teve que ir ao pronto-socorro. Foi aí que ele conheceu minha mãe. Ele disse que foi amor à primeira vista. Ela não se entreteve com ele de primeira. Ela manteve distância dele, mas ele apenas continuou a enviar flores até que ela cedeu e foi a um encontro com ele. Ele a arrebatou, e não muito tempo depois, eles se casaram e minha mãe estava grávida de mim. Eu sorrio. — Essa é uma bela história. — ele acena com a cabeça, mastigando um pouco de comida. — Eu queria ser uma médica quando eu era mais jovem. Ele para de mastigar e olha para mim com uma expressão de surpresa. — Sério? Por que você não fez isso? Eu dou de ombros. — Eu saí de casa antes de ter dezessete anos e tive que conseguir um emprego para me sustentar. — ele estremece e eu sorrio. — Está bem. Eu estou bem. — eu agito minhas mãos em volta de mim. — Basta olhar para onde estou. Eu não tenho ido nada mal. Ele olha em volta para a minha decoração aconchegante com minhas fotos de família, almofadas confortáveis e minha mobília. — Sua casa é como um lar, que não é nada que eu teria esperado depois de ver a maneira que se veste... mas, é claro, eu julguei mal da primeira vez. — ele suspira um momento. — Você faz coisas como aquela muitas vezes? Com o sem-teto, eu quero dizer? — Sim. Eu tento ajudar as pessoas que estão necessitadas, em desespero. Certa vez eu estava sem casa e tentando o meu melhor para encontrar uma maneira de melhorar a minha vida. No final, eu consegui obter um trabalho interno, tomando conta de um idoso. Isto é, até que ele decidiu que eu deveria oferecer outros serviços para os pagamentos que eu tinha e o telhado sobre a minha cabeça. — Stuart balança a cabeça em desgosto. Eu não vou dizer a ele isso, mas eu dormi com aquele velho simplesmente porque ele me ofereceu mais dinheiro para cuidar dele. Eu precisava para sair e encontrar meu próprio lugar, então eu aguentei isso ~ 158 ~


até enquanto durou. No final, eu esbarrei em minha mãe um dia, e ela me ofereceu uma maneira de sair. — Isso é nojento. Sinto muito por ouvir isso. — ele suspira, e eu posso dizer que ele sente pena da vida que eu tinha quando era mais jovem. Mas eu não preciso da sua pena. Eu não preciso da pena de ninguém. — O que você fez depois que você saiu? — Eu fiz trabalhei como garçonete, o suficiente para sobreviver. Eu estava trabalhando em um bar quando eu conheci meu chefe. Ele disse que eu não parecia alguém que ficava atrás do bar e me deu seu cartão. Eu não olhei para trás desde então. — é uma mentira, mas é o mais próximo da verdade que eu vou deixá-lo chegar. — Então, esse cara pra quem você está trabalhando... ele é um bom chefe? Ele te trata bem? Eu sorrio, pois eu sei porquê ele está perguntando. — Sim. Ele me trata muito bem. É por causa dele que eu tenho tudo isso. — eu aponto para o nosso meio. — Eu posso não ter começado bem, mas as coisas ficaram melhores. Eu tenho um bom emprego, um teto sobre minha cabeça e minhas contas estão em dia e pagas. Isso é tudo o que eu poderia pedir. — Você grita materialista, mas eu te julguei. Tudo isso é apenas uma encenação. Eu acho, que bem, lá no fundo, você secretamente anseia uma vida do lar. Casamento, dois a três filhos... um cachorro. Eu rio. — Não se esqueça do cachorro. — eu mastigo minha comida antes de responder a ele. — Porém, você está errado. Ele olha para cima da sua comida com uma careta. — Sobre o quê? — Sobre eu querendo casar e ter filhos. Eu secretamente não anseio isso. Eu posso gostar das minhas coisas caseiras, mas isso é só porque elas fazem eu me sentir mais confortável. Eu não sou para casar, e eu certamente não sou materna. Na verdade, eu não tenho um osso maternal no meu corpo. — ele não diz nada no começo, e eu estou querendo saber se ele está decepcionado com a minha declaração. Não é como se ele já não soubesse disso. Por favor, saia. Salve-se da dor de cabeça de se apaixonar por mim, porque eu não sou uma boa pessoa. Eu vou sangrar você até secar, porque eu gosto de estar com você, e eu sou muito egoísta para mandar você embora. Vá

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agora antes que seja tarde demais. Vá antes que eu arruíne esse homem bonito dentro de você. — Eu acho que algumas pessoas gostam da sua independência. —Como? — pergunto, confusa. — O que você estava dizendo. Você é ferozmente independente. — Oh, sim. Eu gosto de não ter que responder a ninguém. — eu penso sobre meu pai e quanto controle ele tirou de mim quando eu era mais jovem. — Eu amo a minha liberdade, então pedir a alguém para aceitar isso seria demais. Eu não posso oferecer um compromisso. Pela primeira vez em muito tempo, eu posso ser um espírito livre... eu amo isso. — eu sorrio, mastigando um pouco mais de comida, enquanto ele me observa por um momento. — Você sabe, antes da minha avó morrer, toda a nossa família foi acampar um longo fim de semana perto das terras altas da Escócia. Isso foi quando os verões eram realmente quentes. — ele começa a rir, mas não o interrompo. — Minha avó estava cansada, mas ela estava determinada a ir nesta caminhada comigo, na manhã deste sábado em particular. Demorou metade do dia, mas chegamos lá. Nós nos sentamos em algumas pedras e comemos sanduíches de presunto e bebemos o chá de uma garrafa. Era uma bela tarde com o sol alto no céu e uma brisa fresca batendo na nossa pele. A vista de lá era espetacular. Havia apenas filas e filas de montanhas e vegetação. Eu nunca tinha visto nada tão bonito. — ele suspira, e eu posso dizer que há uma pitada de tristeza em seu suspiro enquanto ele relembra da sua avó. — Perto, flutuando selvagem e livre na nossa frente, tinham duas águias. Minha avó disse que ela amava as águias, porque elas eram os animais de espírito mais livre. Ela disse que invejava as aves e como elas podem voar tão alto e montar o vento, sem uma preocupação no mundo. Me lembro de vê-la enquanto ela assistia a elas. Ela fechou os olhos, sorriu e me agradeceu por levá-la ao topo da montanha onde se sentia em harmonia com as águias. Onde ela sentia que estava voando alto no céu com elas. Eu olho Stuart atentamente, sem tirar os olhos dele quando ele olha para o seu alimento. Eu posso dizer que ele está lutando contra as lágrimas, enquanto a memória de sua falecida avó inunda sua mente. — Eu pensei que a minha avó estava descansando os olhos, então eu continuei comendo meu sanduíche. Eu a deixei descansar lá por um tempo, ~ 160 ~


para que ela pudesse tomar o máximo de paz e tranquilidade enquanto isso durasse. Ela parecia tão tranquila e eu não queria perturbá-la. Foi só quando eu estava empacotando as coisas e disse à vovó, que eu achava que deveríamos ir, que eu sabia que algo estava errado. — Ela morreu no topo da montanha. Ele assentiu. — Até hoje, eu acredito que ela sabia que ia morrer, e ela queria que eu fosse o único que estivesse com ela quando morresse. Eu era seu único neto, então ela e eu éramos muito próximos. Eu alcanço e agarro a sua mão. — Sinto muito por ouvir isso, Stuart. Ela obviamente te amava muito. Ele toma uma respiração profunda, funga, e tenta se recompor antes de olhar para mim. — Eu só contei essa história porque você me faz lembrar dela. O quanto ela gostava de ser livre. Meu avô morreu quando eu era pequeno, e minha avó nunca se casou novamente. Ela disse que gostava de fazer as coisas à sua maneira e não gostava de responder a um homem. — ele ri quando pensa nela. — Eu acho que você e ela teriam se dado bem. Eu aperto a mão dele. — Tenho certeza de que teríamos. Ele olha para as caixas vazias e depois de volta para mim. — E nesse registro deprimente, devemos nos livrar disso e ver o resto do filme? Concordo com a cabeça, dando a ele um sorriso gentil. — Claro.

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vinte e um 10 de Fevereiro de 2008 Eu não fui capaz de parar de pensar naquele dia depois que descobri que estava grávida. Desde então, quase quatro semanas se passaram. Isso é mais de quatro semanas grávida. Mais quatro semanas com o bebê dele crescendo dentro de mim. Como se não fosse ruim o suficiente que ele esteja constantemente em minha cabeça, ele tem que estar no meu corpo também. Desde então, ele não me deixou fora de sua vista. Ele cancelou a consulta que eu tinha e praticamente tem me mantido sob sete chaves. Devo admitir que, de uma forma doente, estou gostando do jeito que ele está ao meu redor agora. Ele é mais atento e amoroso em relação a mim. Ele até me pergunta se eu não estou desejando alguma coisa e diz que se eu precisar de alguma coisa, ele vai buscar para mim. Tudo o que tenho a fazer é pedir. O sexo não parou. Todos os dias, ele ainda exige que estejamos sozinhos juntos. Eu o deixo fazer o que ele precisa, pois o mantém feliz, e enquanto ele está feliz, eu sou deixada em paz. Porém, eu fico desesperada para encontrar o momento certo para sair de casa para que eu possa cuidar desse bebê. Eu não quero isso. Como posso trazer um bebê sabendo quem é o pai? Eu não podia deixá-lo ser uma parte de sua vida. Ele é um monstro. Nenhum bebê deveria nascer neste mundo com um pai como ele. Então, quando minha mãe deixou escapar outro dia que meu pai estaria em uma sessão de autógrafos um dia depois da escola, eu decidi agir. Eu mesma marquei uma consulta de emergência e fugi para lá assim que eu terminei a escola. Este lugar é onde estou agora, agarrando a minha pasta e mochila. Há outra menina comigo, que é um pouco mais velha. Nós damos uma à outra um sorriso triste. Ela logo é chamada, e eu sento lá, nervosamente girando meus polegares enquanto espero o outro médico me chamar.

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— Senhorita Valentine? — uma garota timidamente chama. — Doutor Clarkson vai vê-la agora. Com as pernas trêmulas, eu levanto e caminho em direção ao consultório do médico. Quando entro, sou cumprimentada por um homem na casa dos cinquenta, com cabelos grisalhos e óculos pendurados com estas cordas ao redor de seu pescoço. — Scarlet? — pergunta ele, oferecendo a mão para mim. Eu aceno com a cabeça, e ele faz um gesto para o assento à sua frente. — Por favor, sente-se. — ele olha através de minhas notas por um momento antes de olhar de volta para mim. — Você veio aqui cerca de cinco semanas para fazer um aborto, mas o seu pai o cancelou para você. Eu aceno com a cabeça e torço minhas mãos juntas. Eu só quero acabar logo com isso. — Sim, mas ele fez isso sem a minha permissão. Eu ainda quero o aborto. Eu não mudei e não irei mudar minha opinião. Ele limpa a garganta. — Ok, bem, existem dois tipos de abortos que você pode ter. Um deles é clínico, em que, contanto que você esteja com menos de nove semanas, podemos te dar uma pílula chamada Prostaglandina. É um comprimido que quebra o revestimento do útero e te provoca um sangramento com a perda do bebê, em torno de quatro horas ou mais. No entanto, para isso, você precisaria ficar aqui. Além disso, se você estiver com mais de nove semanas, que eu acho que você está um pouco mais agora, você deve voltar para uma segunda dose. Balanço a cabeça com veemência. — Isso não é uma opção. Tem que ser hoje. Ele olha para mim, e eu posso dizer que ele não está feliz com o meu óbvio stress, mas ele não diz nada. — Bem, então isso não deixa outra opção senão ir para a cirurgia. Isso envolverá dar a você uma anestesia local, e a inserção de um tubo através da vagina e no útero antes de remover o feto através de sucção. — Ok, vamos para esse então. — Você terá que preencher um formulário de consentimento. — eu aceno com a cabeça, e ele pode dizer que eu estou ansiosa para acabar logo com isso. Ele chama a enfermeira e pede a ela para obter os formulários antes de se sentar e passar por todas as possíveis complicações durante o procedimento. — E as opções de contracepção para depois? Você quer falar sobre isso? ~ 163 ~


Eu concordo. — Sim. Eu quero tomar a pílula. — Muito bem. Podemos discutir suas opções após o procedimento. A enfermeira entra naquele momento e me entrega um formulário para assinar. Eu o assino imediatamente, e antes de eu perceber, eu estou sendo levada para uma pequena sala clínica com uma cama e alguns estribos. Eu tenho que esperar um tempo antes do médico entrar com luvas cirúrgicas. Ele me diz para deitar e colocar minhas pernas nos estribos. A enfermeira que veio com os formulários para eu assinar segura minha mão e acaricia meu cabelo para mim. Estou morrendo de medo pelo que vai acontecer, por isso estou feliz que ela esteja aqui comigo. — Você vai sentir um pouco de desconforto enquanto eu coloco o especulo dentro. Tente relaxar o máximo possível. — eu respiro profundamente e sinto quando ele o coloca dentro. — Eu vou injetar o anestésico local agora. — eu espero enquanto o silêncio se arrasta até as paredes e quase me estrangula. De repente, todas elas estão cedendo em mim de uma só vez. Sinto quando a agulha entra, e eu nunca senti tanta dor em toda a minha vida. Eu gemo, e a enfermeira continua acariciando meu cabelo. — Quase lá, quase lá, estará terminado rapidamente. Basta apertar minha mão, ok? — eu aceno com a cabeça, enquanto as lágrimas picam meus olhos e começam a cair pelo meu rosto. Ele coloca a agulha mais duas vezes, e por um momento, sinto que vou desmaiar. — Agora, podemos começar. — ele começa a tirar o bebê, e eu estou deitada ali, enquanto as lágrimas quentes caem pelo meu rosto. Mas, nem tudo está certo. Eu posso sentir isso dentro de mim. De repente, eu começo a me sentir tonta. Eu sinto meu corpo sendo desligado e os meus olhos ficando pesados. — Ela não para de sangrar! — eu ouço o médico gritar quando a escuridão desaba sobre mim.

***

Quando eu acordo, eu ouço o médico conversando com alguém. Quem, eu não sei, mas ele diz que eu tive uma hemorragia severa e, portanto, tive que ter a dilatação e curetagem do útero sob anestesia geral. ~ 164 ~


Foi quando eu ouvi os meus pais agradecerem ao médico, que eu sei que estou em grande problema do caralho. — Eu nem sabia que ela estava fazendo sexo e muito menos grávida. Por que não podia ter vindo até nós com isso? Gostaríamos de tê-la ajudado. Eu ouço o suspiro do meu pai. — Eu sei. Eu estou tão irritado sobre isso quanto você, mas temos de estar lá para ela agora. Ela passou por uma experiência traumática, e ela vai precisar de nós lá para segurar sua mão. Eu tenho que tentar duramente não rir em voz alta em sua falsa preocupação. Não admira que a minha mãe e irmã acham que ele é Deus. Mesmo eu teria caído por isso se eu não soubesse de nada. — Você é tão bom para ela. Eu não sei o que eu teria feito sem você vindo em meu socorro todos esses anos atrás. Sobre o que ela está falando? — Você concordou em assumir a responsabilidade de criá-la como sua. Até hoje, eu ainda me arrependo de termos rompido como fizemos e eu partir e ficar grávida assim. Não há um dia que passe que eu não me sinta culpada pelo que fiz com você. Eu mantenho meus olhos fechados, mas o meu coração está batendo um milhão de milhas por hora. O que é isto que estou ouvindo? Eu realmente não sou a filha dele? Merda, agora tudo faz sentido! A maneira como ele me trata em comparação à Amber. A maneira como ele estava tão indiferente sobre eu tendo o seu bebê. Na verdade, ele sabia que não haveria nenhuma anormalidade porque ele não é meu verdadeiro pai. Quando eu penso sobre isso, eu me acalmo, me lembrando que, por uma vez, eu tenho algo sobre ele que ele não tem conhecimento. Eu não vou dizer a eles que eu sei quando eles não me deram a cortesia de me dizer eles mesmos. Estou brava. Na verdade, estou furiosa pra caralho, que eu tive que viver como vivi nas mãos deste homem, que achava que era meu pai quando, o tempo todo, eu era o produto do que provavelmente foi um caso de uma noite. — Você tem que parar de se bater sobre isso, Wendy. Isto são águas passadas. Scarlet é a minha filha. Claro e simples. Ninguém pode tirar isso de mim. ~ 165 ~


vinte e dois No início, não sei onde estou quando os meus olhos se abrem. Mas então eu me movo ligeiramente, e sinto um braço apertar em torno de mim. Meus olhos se abrem, e quando o fazem, eu acho que é de manhã, estou deitada em cima de Stuart. Devemos ter caído no sono assistindo TV. Levantando minha cabeça, eu olho para Stuart, pensando que ele ainda pode estar dormindo, mas ele não está. Em vez disso, ele está me olhando com um sorriso. — Bom dia, linda. — eu gemo. — Isso não é uma recepção agradável. Estou esmagado. — Você é uma pessoa da manhã, não é? — eu pergunto, levantando. Entretanto, eu não chego a lugar nenhum, pois Stuart me agarra, me puxa para ele, e me aperta em um grande abraço. Eu grito, mas o riso irrompe naturalmente. — Você é tão sexy quando está mal-humorada, — diz ele, beijando o topo da minha cabeça. Eu posso sentir quão sexy ele acha que sou, com o seu pau duro da manhã cavando em meu estômago. Apesar de tudo, isto não me dá a reação que eu pensava que teria. Em vez de estar com medo ou excitada, eu estou realmente feliz só de estar em seus braços. Não há nada de sexual sobre a maneira como ele está me segurando. Isto só parece... bom. Sabendo que não posso ficar assim para sempre, eu olho para o seu sorriso ansioso e balanço a cabeça em sua alegria. — Café? — Eu pensei que você nunca perguntaria. — eu me levanto, e desta vez, ele permite. Sei que ele está observando enquanto saio da sala e entro na cozinha. Coloco a chaleira no fogo, trago duas canecas, e não demora muito antes de Stuart passar através da porta. Confusa com porque ele está aqui, eu verifico meu relógio e vejo que é pouco depois das nove. — Você não deveria estar no trabalho? Ele levanta uma sobrancelha. — Você está tentando se livrar de mim?

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Balanço a cabeça com um sorriso. — Não. É só que é um dia de semana. Você não deveria estar na fusão ou aquisição de alguma coisa? Ele me dá um sorriso enquanto se inclina sobre o armário da cozinha. Cara, ele parece sexy com o cabelo todo despenteado do sono. — Eu tenho uma reunião às onze, então até então, eu realmente não tenho que estar em qualquer lugar. — eu apenas aceno com a cabeça e continuo a fazer o nosso café. — Você quer sair neste sábado de novo? Como amigos, é claro. Não seria um encontro nem nada. Eu faço beicinho, balançando a cabeça. — Claro que não seria. São apenas dois amigos saindo juntos, certo? Ele balança a cabeça. — Exatamente. Eu deveria dizer não, mas não posso evitar abraçar estes sentimentos que ele desperta em mim. É quase como se ele estivesse me dando a chance de recuperar todos os anos da adolescência que perdi... todos os momentos de beijos roubados, abraços, e o rubor no meu rosto enquanto ele me dá um elogio. Eu nunca tive isso antes, e agora, ele está oferecendo isso abnegadamente para mim, numa bandeja de prata. Eu poderia realmente fazer isso com ele, sabendo que eu nunca poderia ser a mulher que ele espera capturar o coração? Posso dizer que ele quer mais do que amizade, mas apesar de saber que eu deveria acabar com isso por essa única razão, eu não posso deixar de querer concordar com qualquer coisa que ele peça. — Ok. Eu vou sair com você no sábado. — seu rosto de repente se acende, e eu noto a onda de emoção na minha barriga quando eu vejo isso. — Isso é ótimo. Eu vou buscá-la por volta das oito. Eu sei exatamente o lugar para te levar. — ele me dá um sorriso travesso, um que me diz que não vai me deixar saber onde é tão depressa.

***

Stuart permanece por mais meia hora, e nós sentamos, conversamos e bebemos o nosso café. É incrível o quanto eu posso relaxar, e quão é fácil apenas ser normal em torno dele. Eu não tenho que fingir ou sentir a necessidade de fazer um esforço. Tudo só parece... natural.

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Depois dele relutantemente sair para voltar para casa e se trocar para a reunião, eu rapidamente pego a minha roupa de corrida e vou andando. Eu começo a minha corrida, mas eu não quero ir longe. É só quando eu acabo do lado de fora da casa do meu pai que eu percebo que eu estava correndo sem pensar. Quando eu paro de fazer meus alongamentos, me lembro por que eu estou fazendo tudo isso novamente. Stuart é uma distração, uma boa distração. Mas, ele é aquele que nubla meus pensamentos. Vou precisar limpá-lo da minha cabeça para ser capaz de jogar o jogo tão bem como tenho jogado. Enquanto eu estou ali de pé, olhando para a casa, eu me lembro que hoje é o dia que eu vou finalmente começar a foder o marido da minha irmã. Eu sorrio, olhando para as janelas de sua casa. — Você não está orgulhoso de mim, papai? — eu sussurro. Deixo escapar uma risada, sabendo que a cadela está de volta e ansiosa para começar. Com este pensamento, tenho energia renovada enquanto corro as seis milhas de volta à minha casa. Assim que chego, é perto do meio-dia, e eu não perco tempo me jogando no chuveiro e ficando pronta. Eu nem tenho tempo de me secar totalmente quando a campainha toca. Olho para o meu relógio e vejo que é meio-dia. — Maldito seja Reid, por estar sempre na hora certa! — eu resmungo. Eu enrolo a toalha em volta de mim e desço as escadas para encontrar Reid ali com o seu ‘saco de truques’, como ele chama. — É meu aniversário hoje? — pergunta ele, entrando sem esperar por um convite. Ele deixa abaixa o saco, fecha a porta, e me escava em seus braços. Eu grito com alegria quando ele puxa a toalha de cima de mim. — Você tem o corpo mais incrível que eu já vi, — diz ele, arrastando os dedos lentamente para cima e para baixo no meu braço. Arrepios surgem e ele sorri quando percebe a minha reação a ele. Mas tão de repente quanto ele me puxa perto dele, ele se afasta. — Vista-se. Precisamos conversar antes do apaixonado chegar aqui. — ele se afasta de mim e vai para a sala de estar. Dirijo-me correndo escada acima, e coloco uma camisola. Eu não me incomodo com o roupão hoje. Assim que eu estou pronta, eu desço as escadas para encontrar Reid configurando as câmeras. — Eu tenho outro trabalho para você.

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— Ah, sim? — eu pergunto, sentando no sofá. — Sim, um Senhor Byron. — Como o poeta? — eu o interrompo, sorrindo. — Ah, você conhece a história, — ele sorri. — Este Lord Byron é muito prestigiado e altamente respeitado pelos seus pares na Câmara dos Lordes. Eu acabei de descobrir que ele tem uma queda pelas senhoras... especialmente morenas. — ele pisca e me joga uma imagem de um homem que parece estar na casa dos cinquenta, talvez sessenta. Ele parece estar em boa forma, e seu cabelo é cinza e penteado para trás. Ele não parece particularmente bonito, mas nunca é realmente sobre isso. — Ele está participando da abertura de uma nova casa noturna no Soho, no sábado. Meus olhos agarram acima do dele. — Sábado? — Sim. Isso é um problema? Merda, Stuart. Eu não posso dizer a Reid sobre ele, porque ele vai ficar puto. Eu acho que não tenho outra escolha a não ser cancelar o nosso ‘encontro’. — Não... não há nenhum problema. — É importante ter estes trabalhos feitos, Scarlet. Em breve, estaremos livres de tudo, e podemos gerir esse clube que sempre quisemos. Dou a ele um sorriso brilhante, ele abaixa o seu equipamento e senta ao meu lado. Ele inclina meu queixo para cima para encontrá-lo. — Em breve, você terá o mundo, baby. Fique comigo, e não há nada que não possamos fazer juntos. Eu aceno com a cabeça com um sorriso e vejo quando ele se levanta e continua brincando com seu equipamento. Assim que ele termina, ele pega a foto de Lord Byron e a coloca de volta em sua bolsa. Por alguma razão, a decepção se insinua, mas consigo varrê-la rapidamente para o lado. Eu não posso deixar Stuart entrar na minha cabeça. Nenhum homem, além do meu pai e Reid, fizeram isso antes, então de modo algum estou prestes a deixar um terceiro. — Você quer que eu use o segundo quarto hoje? ~ 169 ~


Eu olho para cima, sorrindo. — Por favor, — é tudo o que eu digo, quando eu o vejo subir as escadas. Eu respiro fundo, deixando a adrenalina em minhas veias. Não há nada como voltar a ser uma cadela de uma irmã por dormir com o marido dela. Por isso é que eu tenho vivido por nove anos. Nove malditos anos de ressentimento, dor e vingança em minha mente. Eu vivi para isso. Este é o meu momento. Não demora, eu ouço o som da campainha, então me levanto e lentamente faço meu caminho até a porta. Não tenho dúvida que o coração de Porter deve estar tamborilando em seu peito agora. — Porter, tão bom vê-lo novamente. Entre. — ele tem o mesmo saco, mas ele está parecendo um pouco casual hoje, em uma camisa de botão azul clara e calções soltos azul marinho. Eu noto que seus olhos se arregalam um pouco quando ele vê o meu traje. Ele sabe o que está vindo em seguida. Tenho certeza que ele sabe. Mas, ele ainda está aqui. Isto não o impediu de vir, e para começar, um pouco mais cedo do que o habitual. Ele entra, então eu fecho a porta atrás dele e pergunto se ele quer uma bebida. — Você quer uma cerveja? Ele ergue uma sobrancelha, surpreso. Parece que ele está um pouco nervoso hoje. — Certo. Vou pegar para nós dois. — eu entro na cozinha, pego duas cervejas, e caminho de volta. — Aqui, — eu digo, entregando a ele a garrafa. Ele toma um gole, e eu percebo que ele está tentando tirar os olhos de mim, mas ele está falhando miseravelmente. Ele limpa a garganta. — Amber queria saber se você vai vir para o almoço de domingo. Eu sorrio. — Claro. Diga a ela que eu adoraria. — Ótimo! — diz ele com um sorriso ansioso. Ele ainda parece nervoso, pois praticamente acaba toda a sua cerveja em um gole. — Você quer outra? Você parece com sede hoje. — eu rio e vejo como sua postura relaxa um pouco. — Acho que estou um pouco nervoso que este pode ser o último dia.

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Isto parece que conta mais... se isso fizer sentido. Eu concordo. — Claro. Não tenho para onde ir, então desde que você tenha tempo, eu também tenho. — eu gesticulo para sua cerveja acabada. — Então, você quer outra? Eu tenho muito na geladeira. — Sim, isso seria ótimo. Obrigado. — Não tem problema. — eu levo a garrafa dele e gesticulo para ele se sentar no sofá. — Por favor, sente-se. Fique à vontade. Tomando um assento, ele acena com a cabeça, e eu rapidamente pego outra cerveja para ele. Talvez se ele ficar um pouco embriagado, isto pode ajudá-lo a relaxar um pouco. Tenho certeza que ele estará mais do que descontraído em breve, isto pode ajudar um pouco a preparar o terreno. Eu rapidamente corro de volta e entrego a ele sua cerveja. Ele diz obrigado e eu tomo um assento ao lado dele. — Está muito quente lá fora hoje, — diz ele tomando outro gole. — Eu sei. Eu dei uma corrida esta manhã, e estava muito quente mesmo. — Eu corro o máximo que eu posso no período da manhã também. A menos que eu esteja visitando um cliente, eu estou sempre preso na minha mesa do computador, então eu preciso do exercício. Eu concordo. — Eu sei o que você quer dizer. É meio que a mesma coisa na minha linha de trabalho. — Você recebe muitos clientes? Ele me pergunta isso enquanto estou bebendo a minha cerveja, então eu aceno com a cabeça e espero até que possa engolir a cerveja antes de responder. — Nós temos um monte. Meu chefe é muito conhecido em seu campo, então um monte de clientes de alto nível o visitam sempre que precisam de algo privado e discreto seja feito. — isto normalmente me faz rir quando penso sobre isso. Reid é um verdadeiro profissional em seu trabalho. Muito discreto. No entanto, ele acha normal chantagear um cara que eu fodi. — Você sai com ele às vezes? Como em emboscadas e tal? Eu rio. — Sim, eu suponho que é isso. — eu o cutuco. — Olha, essa é

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outra razão para o exercício. Sentada em um carro o dia todo deixa tudo muito... erm... rígido. — eu enfatizo a palavra rígido e deliberadamente cruzo as pernas quando eu digo isso. Minha camisola sobe, revelando para ele minhas pernas longas e bem torneadas. Ele olha, claro, mesmo que esteja se esforçando para não olhar. Ele tenta esconder isso, tomando mais um gole da sua cerveja. Obviamente, ele está bastante nervoso em torno de mim. Eu pego sua garrafa de cerveja e coloco junto com a minha na mesa de café. Ele parece um pouco surpreso quando ele se vira para mim. — Eu espero que você não se importe de me dizer, mas você está parecendo um pouco tenso. — eu me endireito no sofá. — Vire as costas para mim, por um momento. — ele faz o que eu peço, embora pareça confuso. Eu coloco minhas mãos em seus ombros e começo a esfregar. — Você só precisa relaxar um pouco. Espero que isso esteja ok? — Hmm, — ele responde, quando eu começo a esfregar. Instantaneamente, ele relaxa com o meu toque e fica mole. Eu o tenho onde eu o quero agora, e o desejo que tenho de transar com ele aumenta. Eu aplico mais pressão, e uma dor se forma na boca do estômago, me induzindo a subir em cima dele, quando ele solta um gemido suave. — Isso é bom, — ele murmura, mal dando para compreender. — Você já está pronto para começar? — eu sussurro em seu pescoço. Eu brevemente olho por cima do seu ombro e vejo o que procurava. Ele está duro e pronto para mim. Muito em breve, ele não será capaz de resistir. — Ok. Estou pronto. Você quer se deitar enquanto eu tenho o material pronto? — Claro, — eu respondo, me posicionando assim que estou deitada. Porter rapidamente se levanta e agarra o saco, praticamente correndo para o banheiro. Enquanto eu espero por ele, eu começo a acariciar meus seios, para deixar meus mamilos agradáveis e duros para ele. Eles vão estar protuberantes por quilômetros pelo tempo que ele retorna. Ele não terá opção a não ser olhar. — Eu estou pronto, — ele avisa, caminhando de volta para a sala, e com certeza, ele quase para em seu caminho quando me vê. Ele engole em seco e, quando ele se aproxima, eu posso dizer que ele não está se esforçando para mostrar como desperto ele está. Tendo a sua posição normal pelos meus quadris, ele coloca a seringa

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na minha entrada e, lentamente, a orienta para dentro. Eu gemo, esfregando meu clitóris e agarrando meu mamilo. Eu o belisco apenas para ele, para que ele possa ver como estou excitada. — É isso aí... comece empurrando para mim. — ele tem sua mão com força no meu joelho de novo, mas enquanto ele está guiando-a para dentro e para fora, sua mão começa a rastejar até a minha coxa. — Mmm, tão bom, — eu digo, fechando os olhos e flexionando os quadris para encontrá-lo. — Continue. — até agora, sua respiração está combinando com a minha, enquanto ele me observa atentamente. Uma onda de prazer me atinge quando ele a empurra. — Oh Deus, Porter. Me foda, Porter. É isso aí. Me foda! — grito. A mão que estava na minha coxa desaparece, e ele começa a desabotoar sua bermuda. É isso. Este é o momento em que eu o fiz rachar. Ele não pode evitar. Eu trabalhei nele em um frenesi, e tudo o que ele ouviu foram as palavras ‘Me foda, Porter’. Tudo acontece em segundos. Ele puxa a seringa, se posiciona entre as minhas pernas, e empurra duro dentro de mim. Nós dois choramos ao mesmo tempo. Eu faço por causa do seu tamanho, e ele faz, porque, sem dúvida, eu o enviei para o céu. — Me foda. Me foda com força, — eu comando, cavando minhas unhas em seus braços. Ele resmunga com a dor que eu infligi, mas isso o estimula. Ele me fode como um animal. Eu nunca soube que ele tinha isso nele. Eu coloco minhas pernas em torno de sua bunda e o puxo para frente. — Puta merda! Você parece inacreditável pra caralho. Eu jogo minha cabeça para trás, gemendo. Ele parece bom também. Estou um pouco surpresa com isso, mas feliz que ele pode me dar prazer da maneira que ele está dando. Com um puxão da minha camisola, eu deixo meus seios livres e puxo sua cabeça para baixo. — Chupe-os. — ele geme antes de tomar um mamilo na boca. Até agora, eu estou pegando fogo. Ele está me fodendo como se não houvesse amanhã, a flexão dos seus quadris em explosões curtas e afiadas. Ele está tão no controle com isso que o orgasmo vem mais rápido do que o esperado. — Porter, você vai me fazer gozar. Eu preciso de você para me encher com os seus bebês. Me deixe grávida. Porra, isso é tão bom. ~ 173 ~


Ele resmunga, permitindo que sua cabeça caia para o lado do meu pescoço enquanto acelera o ritmo. — Eu vou gozar, Scarlet. Vou enchê-la totalmente com o meu gozo. — Oh Deus, Porter. Estou gozando! — eu me deixo rasgar em torno dele, e não muito tempo depois, ele estremece, se liberando dentro de mim. Ele cai em cima de mim, e fica assim, com a nossa respiração pesada. Sem dúvida, a culpa vai começar a se arrastar uma vez que a euforia de gozar dentro de mim diminua. — Que porra aconteceu? — pergunta ele, respirando contra o meu pescoço. Eu finjo ignorância. — Eu não sei. Eu acho que nós nos deixamos levar um pouco. — Merda, — ele murmura antes de se afastar de mim. Ele balança a cabeça como se não pudesse acreditar que ele acabou de fazer isso. — Isso não deveria ter acontecido. Eu aceno com a cabeça. — Eu sei. Nós não vamos fazer novamente. Talvez esta deva ser a última vez que fazemos isso. — devo admitir que eu me sinto um pouco decepcionada. Porter foi muito melhor na cama do que eu pensei que ele seria. Ele levanta seus shorts, os puxando em torno dele, mas ele não os puxa totalmente para cima. Em vez disso, ele coloca sua cabeça em suas mãos e a balança sua cabeça. — Eu não sei o que deu em mim. Me sento, puxando-o pelo braço. — completamente que a coisa toda aconteceu, ok?

Olha,

vamos

esquecer

Ele finalmente olha para mim. — Você pode realmente esquecer isso? Eu me afasto como se envergonhada. — De alguma forma, eu acho que não. Eu estou envergonhada de dizer isto... — eu balanço minha cabeça. — Não importa. Ele se vira para mim. — Não, o quê? Você pode me dizer. Eu vibro minhas pálpebras e timidamente olho para ele. — Foi uma das melhores experiências da minha vida. — Sério? — pergunta ele com um sorriso. Eu aceno com a cabeça. —

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Bem, isso foi, — diz ele, apontando para o sofá, — o mais incrível... eu não posso sequer descrever. — eu sorrio para ele, mas eu vejo imediatamente a culpa voltar. — Mas não podemos fazer isso de novo. — Claro que não. Você quer ir? Eu não vou te culpar se você quiser sair. Ele olha para mim novamente. — Eu realmente deveria... você quer que eu vá? — ele olha para os meus seios expostos, e já posso ver a fome de volta em seus olhos. Uma parte de mim quer brincar com ele, mas outra parte de mim diz que eu tive o que eu queria, então por que ir para uma segunda rodada? Reid só vai ficar chateado comigo se eu fizer. Eu me encubro. — Fique e termine sua cerveja. Não há pressa. Só sei que quando você quiser ir, não vou ficar ofendida. Pegando sua cerveja, ele relaxa um pouco. — Amber teria o coração partido. — ele parece triste quando olha para baixo, imerso em pensamentos. — Ela nunca pode descobrir. Eu sou a irmã dela, Porter. Seria ainda pior para mim. Foi apenas um momento de fraqueza. Devo admitir... embora eu goste de garotas, eu sempre tive uma quedinha por você. Seu rosto imediatamente acende. — Sério? — eu aceno com a cabeça. — Eu tenho que admitir que meio que tinha uma queda por você também. Você é meio difícil de ignorar. — ele olha para mim, e posso dizer que ele está se perguntando como eu pareço completamente nua. Eu aponto para sua cerveja vazia. — Mais uma? — ele acena com a cabeça, então eu levanto e caminho para a cozinha. Eu estou curvada pegando outra, quando sinto uma mão na minha coxa. Eu não me movo. Em vez disso, eu fecho meus olhos e deixo que ele acaricie a minha perna, empurrando a minha camisola mais para cima enquanto ele acaricia. — Isso é bom, — eu respondo, deixando-o saber que eu quero mais. Eu não deveria estar fazendo isso, mas eu não posso evitar. Porter é surpreendentemente bom em tudo isso. — Podemos ir a algum lugar, ou eu posso tomar você aqui mesmo? — ele sussurra, sem fôlego. Oh céus, ele é bom.

~ 175 ~


Deixo as garrafas de cerveja na geladeira, fecho a porta e viro o rosto para ele. Seus olhos estão encapuzados, e seu pau está lutando contra seus shorts soltos. Certamente não demorou muito para me querer novamente. — Você prefere ir lá em cima? — ele balança a cabeça, então eu pego sua mão e o levo para as escadas. Eu vejo a porta fechada do segundo quarto, e eu só sei que Reid deve estar cuspindo fogo. Eu realmente não me importo. Eu quero ser fodida por Porter novamente. Assim que chego ao meu quarto, fecho a porta atrás de nós e puxo os laços minha camisola. Ela cai no chão, e ele me dá um olhar faminto. — Fique nu e deite na cama, — eu ordeno. Agora é a minha vez de ter um pouco de diversão em cima dele.

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vinte e tres Porter estava insaciável. Depois de gozarmos juntos, comigo em cima, eu deitei um pouco em seus braços enquanto ele acariciava meu cabelo. Ele tinha relaxado completamente neste momento. Apenas vinte minutos depois, mais ou menos, ele me colocou em cima da cômoda e me fodeu áspero novamente. O barulho que estávamos fazendo era ensurdecedor, enquanto a cômoda batia contra a parede. Meia hora depois disso, ele me teve em todos os cantos. Devemos ter passado por cinco diferentes posições antes de terminarmos desmoronando em uma pilha, esgotados. Estava ficando perto das quatro, e Porter sabia que Amber voltaria para casa em breve, então ele pediu para usar o meu chuveiro, rapidamente se vestiu e saiu. Assim que a porta clicou, eu estava deitada na cama esperando o inevitável. Com certeza, um estrondo foi ouvido quando Reid violentamente abriu a porta do segundo quarto. Ele empurrou a minha e olhou para mim. — Que diabos foi isso? Eu dei de ombros. — O que posso dizer? Ele estava trabalhando bem na cama. Eu não pude evitar. Ele percorre, respirando pesadamente. — Você só tinha que fazer isso uma vez, não seis vezes, porra Scarlet! — eu começo a rir. — Não é engraçado! — Oh, qual é. Relaxe. Você tem que admitir que é um pouco engraçado. Eu consegui a minha vingança e me diverti fazendo isso. Onde está o mal nisso? Ele dá um passo para frente, até estar pairando acima de mim. — Você não vai transar com ele novamente. Eu quase reviro os olhos para ele. — Se você me fodesse, então eu não teria motivo para isso. Ele aponta para mim. — Eu falo sério, Scarlet. Já é suficiente. Eu já te

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disse mil vezes que eu não compartilho. Me sento de joelhos e rastejo em direção a ele. Uma vez lá, eu o beijo e começo a esfregar seu pau. — Você gozou enquanto nos assistia? — Sim, — responde ele, respirando pesadamente contra a minha boca. — Quantas vezes você gozou? — Três. Eu mexo uma sobrancelha. — Só três? — ele balança a cabeça. — Você gostou do jeito que ele me abriu com o seu grande pau e me comeu como um animal? Você gostou quando ele me fez gritar? — Sim, — ele sussurra contra os meus lábios. Ele me beija duro, e eu gemo contra ele. Em seguida, ele puxa meu cabelo para trás, me fazendo ganir. — Mais dois acertos, Scarlet, e então você é minha. Porra, eu não vou esperar mais. — ele me empurra para longe dele com tanta força que eu pouso na cama. — Babaca, — murmuro. — Falo sério. É o fim agora. É o que eu mereço depois de todo meu trabalho duro. Eu mereço sua buceta, e ninguém vai, até mesmo, chegar a olhar para ela de novo, e muito menos fodê-la. Estive paciente durante todo esse tempo, mas minha paciência está diminuindo. Ele sai do quarto como se nada tivesse sido dito. Eu nunca vi Reid tão excitado, mas tão no controle antes. Normalmente, ele me bate, me chicoteia, ou me rouba um orgasmo. Nunca o vi tão chateado, e simplesmente sair. Talvez a sua paciência esteja diminuindo. Um pouco confusa, eu me levanto da cama e o sigo para o segundo quarto. Ele já está recolhendo suas coisas e caminhando de volta para fora da porta na hora que eu o alcanço. Ele não diz nada, quando eu o sigo descendo as escadas em direção à porta da frente. Uma vez lá, ele se vira para mim, me agarra, e me puxa para ele. Ele me beija duro e, então, de repente ele se afasta. — Vá tomar um banho... você fede a ele. Em um momento, eu estou sozinha e perplexa com o comportamento de Reid. Eu sempre soube que ele poderia ser um bastardo pervertido, que adorava me observar com outros homens. Mas, ultimamente, parece que a sua possessividade está atingindo novos patamares. Devo admitir que uma parte de mim está entusiasmada com a ideia, mas outra parte pensa que eu ~ 178 ~


não tenho muito tempo. Tenho planos para meu pai, planos que Reid não conhece. Se ele conhecesse, ele mataria a mim ou a ele... ou nós dois. Eu queria esperar alguns dias para deixá-lo em banho-maria, mas parece que agora eu tenho que agir um pouco mais cedo do que eu tinha previsto. Com esse último pensamento em minha mente, eu vou para o chuveiro, tomo um bom banho, e quando estou pronta em um par de jeans casual e uma camiseta branca NY, eu pego o meu telefone para ligar para Stuart. Não demorou muito para ele se tornar o centro das atenções... não importa o quanto eu não quero que ele se torne. Eu disco o seu número, pois sinto que seria covardia da minha parte enviar apenas uma mensagem. Vai direto para a caixa postal, então eu estou supondo que ele está em uma reunião ou algo assim. — Oi, Stuart. É Scarlet. Eu só estou ligando para que você saiba que, infelizmente, não posso encontrá-lo no sábado. Uma coisa do trabalho realmente importante surgiu de repente, então tenho que comparecer a esse lugar. Eu sinto muito. Eu realmente queria ir com você. — eu suspiro, mostrando a minha verdadeira decepção. — Espero que possamos reprogramar. — eu mordo meu lábio, perguntando se eu deveria dizer mais, mas decido ir contra isso. — Falo com você em breve. Eu desligo, gemendo quando afundo de volta no sofá. Eu odeio deixar mensagens sobre essas coisas, mas eu não podia deixar de dizer alguma coisa. Eu respiro fundo e de repente, o esgotamento me bate com força total. Com a corrida desta manhã e o apetite insaciável e surpreendentemente de Porter, eu estou derrotada. Logo, minhas pálpebras ficam pesadas, e eu apagada.

***

Eu acordo com um sobressalto. Eu podia jurar que ouvi a campainha tocar. Eu me levanto do sofá, me alongando, e noto que a sala está um pouco mais escura. Eu verifico o meu relógio e vejo que é depois das oito. Eu bocejo, movendo a cabeça para trás, para esticar o pescoço quando o som da campainha me alerta novamente. Franzindo a testa, eu me levanto para atender a porta, e eu estou surpresa ao encontrar Stuart parado lá. Ele está gostoso, mas, novamente, ~ 179 ~


ele sempre está. Seu cabelo está um pouco rebelde, resultado do vento lá fora. Ele está usando um terno azul-marinho, com camisa branca e gravata combinando. Ele parece simplesmente apetitoso. Ele observa meu estado desgrenhado e olha atrás de mim. — Eu não estou perturbando você, estou? É só que eu liguei de volta e você não atendeu. Abro a porta, bocejando. — Não, não. Por favor, entre. Tem sido um longo dia, e eu devo ter adormecido no sofá. Eu fecho a porta atrás dele, percebendo o grande sorriso em seu rosto. — Eu achei que você tinha aquele olhar familiar acabei de sair da cama. Muito sexy. Eu rio. — É engraçado como nós dois sabemos como nós nos parecemos na parte da manhã, e ainda assim nunca fizemos sexo. — seus olhos se arregalaram um pouco e escurecem com o pensamento. — Ops. Talvez eu não devesse ter dito isso. — Mesmo que você diga isto ou não, isso não vai me fazer parar de pensar nisso. Eu cruzo meus braços. — Sério? Ele balança a cabeça, se movendo para a sala. — Eu acho que nós fizemos sexo aqui um par de vezes. — ele aponta para o sofá, e eu faço uma careta com o pensamento de que apenas algumas horas atrás, Porter e eu estávamos fazendo sexo nele. Ele se move para a minha mesa de jantar. — Devo dizer, várias vezes aqui. Minha sobrancelha sobe. — É isso mesmo? Ele acena para valer. — Oh sim. Na verdade, esta eu revisitei bastante. Eu não sei como o seu quarto se parece, mas, definitivamente, algumas vezes lá também. Além disso, — ele se move em direção à cozinha, então eu o sigo, e ele bate a mão no balcão da cozinha, — Várias vezes aqui, também. — ele balança a cabeça. — Há algo tão erótico sobre um pouco de sexo na cozinha. Eu mudo meu peso e me inclino sobre o balcão. — Você acha que tem alguma coisa a ver com o fato de que você pode brincar com comida

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enquanto você está nisso? Coisas como morangos, doces, creme e chocolate derretido? Ele me dá um olhar de censura. — Você está tentando me fazer implorar? Porque eu irei em breve, se você continuar falando assim. Eu sorrio para ele, mas não quero empurrá-lo. Nós já estamos entrando em território perigoso. — Sinto muito sobre sábado. Seu sorriso desaparece e, com ele, deixa escapar um suspiro. — Eu não posso dizer que não estou decepcionado, mas entendo completamente. Às vezes, o trabalho me leva com ele num piscar de olhos. Além disso, não era nada de especial. Posso levá-la agora, a menos que você tenha outros planos? Eu sorrio e um pouco de emoção dança na minha barriga. — Apenas me dê cinco minutos para escovar os cabelos e dentes. Se você quiser, você pode me seguir até lá para que você possa ver como o meu quarto realmente se parece. — eu pisco para ele, andando para fora. Eu não sei se ele vai me seguir, mas eu rio do gemido que eu ouço quando estou indo para o corredor. — Você vai ser a minha morte, mulher. Rindo, eu corro até a escada, sozinha. Eu rapidamente escovo meus cabelos e os dentes, antes de pulverizar um pouco de perfume. Eu retoco um pouco minha maquiagem e desço as escadas assim que estou pronta. Depois de olhar para ele, percebo que realmente estou mal vestida para qualquer coisa sofisticada. — Eu preciso me trocar? Stuart ri. — Não. Você está mais do que bem como você está. Além disso, quanto mais coberta você estiver, melhor para mim. — eu passo por ele, e seus olhos seguem cada movimento meu. — Tendo dito isso, o seu traseiro nestes jeans... porra. Eu rio, agarrando minha bolsa e abro a porta. — Vamos lá, Romeo. Vamos. Ele segue atrás de mim com um sorriso e fecha a porta. Uma vez na rua, ele aponta para um Range Rover Evoke vermelho e preto, antes de abrir a porta para mim. — Vamos com o de menor aparência de indutor de vômito, esta noite? — eu brinco. Assim que eu estou sentada, Stuart se move para mais perto até que ~ 181 ~


estamos a polegadas de distância. — O que isto quer dizer? Meu Deus, este homem não joga limpo. Seus olhos estão passeando pelo meu rosto como se ele quisesse fazer amor com ele. Cada parte dele me chama, exigindo uma reação. Beijá-lo lentamente enquanto eu corro meus dedos pelos seus cabelos. Termos um ritmo que nós dois queremos. Nenhum controle é dado ou tomado. Apenas duas pessoas vivendo e respirando um momento compartilhado, que é tão intenso, que eu só sei que vai tirar o meu fôlego. — O seu Bentley, — eu digo, um pouco mais ofegante do que o pretendido. — Isso faz as pessoas quererem vomitar quando o enxergam, porque o homem dirigindo deve ser rico. Ele sorri, olhando para os meus lábios antes de passar para os meus olhos. — É assim mesmo? O fogo na minha barriga se intensifica, e tudo está chamando por mim para dar a ele aquele olhar. O mesmo olhar que me deixou com problemas da primeira vez que saímos juntos. — Sim, — eu respondo, mas de alguma forma consigo me controlar. — Onde você está me levando? — eu pergunto porque não quero que esse flerte continue entre nós. Ele só vai acabar em um lugar, e isso não é onde eu quero estar. Não depois de apenas estar com outro homem. Eu não sei de onde isso veio de repente. Eu normalmente não me importo se eu dormi com cinco homens em um dia, mas de alguma forma, com Stuart, dormir com ele depois de apenas estar com outro homem não parece certo. Não podemos dormir juntos de qualquer maneira, porque eu sei que ele vai querer levar as coisas mais longe e eu não posso dar isso a ele. Stuart se afasta, mas posso dizer que custou muito a ele para fazer isso. — Você vai ver quando chegarmos lá. — ele sorri, antes de fechar a minha porta e entrar no outro lado. — Nós não vamos muito longe. — ele liga o carro e se afasta. Estamos na estrada por cerca de cinco minutos, quando de repente ele para em um Burger King drive-through. Eu começo a rir. — Este é o lugar onde você iria me levar no sábado? Ele sorri, olhando para mim. — Sim, meio que... isso é merda da minha parte? Eu rio de novo balançando a cabeça. — Não, isso é perfeito. Eu só não ~ 182 ~


achei que você iria realmente fazer isso. — Bem, normalmente eu não faria isso com qualquer uma, mas você é especial. Eu aceno com uma risada. — Ah, então você quer dizer que não leva todas as garotas para um lugar como este? Ele balança a cabeça. — Eu nunca trouxe uma garota aqui. Você é a primeira. Eu coloco minha mão no meu coração. — Me sinto honrada. — Bem, você deveria. — ele vai até a cabine. — O que você gostaria? — Uma grande refeição Whopper, por favor. Estou faminta. Ele rapidamente acena com a cabeça. — É pra já. — ele faz o pedido, e temos que esperar na outra cabine para receber. Uma vez feito isso, Stuart nos dirige à margem do rio e estaciona. — Que tal isso? — Na verdade, isto é bem legal. Eu estou preferindo isso à última vez que saímos. Ele abre o saco e me entrega o Whopper. Minha boca está praticamente salivando com o cheiro. — Obviamente, estou fazendo tudo errado. Talvez você possa me dar algumas indicações. Obviamente, você é uma verdadeira profissional nisso. Eu rio, abrindo o pacote. — Ok. Não me importo de te ensinar uma coisa ou duas. Ele me olha de cima a baixo. — Eu aposto que você poderia. Nós dois mordemos nossos hambúrgueres e fazemos um som mmm enquanto comemos. Eu não me lembro da última vez que comi um Burger King. Este Whopper está tão bom. — eu dou outra mordida e posso ver Stuart me observando. — Você parece sexy quando come um hambúrguer, mas você sabe o que é ainda mais sexy? — O quê? — eu pergunto, com a boca cheia de hambúrguer. — Olhar a maionese escorrer da sua boca.

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Eu suspiro. — Nãão! — eu digo, puxando a viseira para que eu possa olhar no espelho. No entanto, não há maionese. — Seu, seu merdinha, — eu digo, atingindo-o. Ele começa a rir. — Está bem, está bem. Eu me rendo. — ele levanta as mãos para cima para fazer um ponto, então eu paro a brincadeira de bater nele. — Você é tão mau. — Eu tento o meu melhor. Eu rolo meus olhos. — Então, quando foi a última vez que comeu Burger King? — Cerca de uma semana atrás, ou mais. Eu gosto dos hambúrgueres daqui. — ele observa quando eu me inclino e pego uma das suas fritas. — Você acabou de pegar uma das minhas fritas? — Eu acredito que fiz. Você pode pegar uma das minhas, se quiser. — ele olha para mim por um momento, e então se inclina para pegar uma das minhas. Então, eu, por sua vez, pego outra das suas. — Você sabe que isso está parecendo realmente muito ruim para quem está do lado de fora do carro, olhando para dentro. Ele balança a cabeça. — Não. Eles vão estar olhando para dentro e pensando que bastardo sortudo eu sou. Eu sorrio para o elogio, e levo alguns minutos para comer nossos hambúrgueres, enquanto roubamos as fritas um do outro, de vez em quando. Assim que está tudo acabado, Stuart embrulha tudo em seu saco. Eu penso sobre o quão maravilhoso isso tudo está indo, e quão relaxada eu estou com ele, quando eu faço algo que mata o momento entre nós completamente. Eu arroto... alto. Cobrindo minha boca, meus olhos se arregalam quando Stuart olha para mim em choque. — Esse grande barulho acabou de sair de você? — ele pergunta, brincando. Eu ainda tenho minha mão cobrindo minha boca, então eu não falo. Em vez disso, eu apenas aceno minha cabeça. Ele balança a cabeça, divertido e, de repente, eu estou rindo. Eu não sei por que eu estou

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rindo. Por outro lado, eu acho que pode ter algo a ver com o fato de que eu sinto que eu vou morrer de vergonha. — Desculpa, — eu finalmente falo quando me acalmo um pouco. — Isso foi completamente o contrário de mim. Eu nunca arrotei na frente de um homem antes... especialmente deste jeito. Stuart ri. — Sim, isso foi definitivamente um grande arroto, se é que eu já ouvi um. Até eu estou impressionado. — eu começo rir. — Mas, ei, quando você ri assim, eu acho que posso te perdoar por deixar meu carro fedorento com cheiro de hambúrguer. — Ei, — eu digo, batendo nele novamente. Ele pega a minha mão. — Eu estou apenas brincando. — ele agarra a minha mão e começa a brincar com ela um pouco. Ele está olhando para baixo atentamente, para o que ele está fazendo quando cuidadosamente coloca a minha mão sobre uma das suas e começa a acariciar as costas dela com a outra. — Você tem mãos tão bonitas. — ele me beija com ternura, e um fogo, como nenhum outro, explode dentro de mim. Eu não posso explicar o que é estar com ele... ser uma garota normal, que vai em encontros normais, com um cara normal. Eu vivi minha vida do jeito que eu tenho vivido por tanto tempo que seria impossível mudar quem eu sou. E, no entanto, não posso evitar apenas ser quando estou com ele. Não posso evitar gostar dele como pessoa, e querendo saber mais... muito mais. Sim, quero transar com ele, mas isso para mim, de repente parece muito mais. Então, quando ele finalmente olha nos meus olhos e vê o momento em que minhas paredes caem para ele, ele se inclina para frente. Eu não me afasto ou digo a ele que não é certo, porque a parte egoísta de mim quer isso. A jovem de quinze anos de idade que foi convidada para um encontro todos aqueles anos atrás está aqui, e não a de vinte e quatro anos, quebrada, que saiu de casa a mais de uma hora atrás. Quando eu não me mexo, ele se inclina de novo, e desta vez, eu o encontro no meio do caminho. Eu sinto seus lábios quentes tocando os meus, e de repente, eu estou perdida. Não me importa o que o amanhã ou o dia seguinte possa trazer, porque bem aqui, com a minha paixão da escola de quinze anos de idade, é exatamente onde eu quero estar.

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vinte e quatro 3 de Junho de 2008 Já se passaram quatro meses desde o aborto, e tem sido angustiante. Não é porque meu pai tem feito da minha vida um inferno, me batendo. É o oposto. Ele tem me deixado sozinha. E eu nunca me senti tão sozinha em minha vida. Eu pensei que tinha um controle sobre as coisas. Eu sei algo que meu pai não sabe que eu sei. Este homem... esta criatura infernal... tem me batido e estuprado por mais de dois anos, e eu sempre pensei que o nosso sangue fosse conectado. A traição doeu mais profundo do que pensei que doeria. Faz todo o sentido, mas por todo esse tempo, pensei que era porque ele me odiava. Que favoreceu Amber ao invés de mim, a julgar pelo amor que ele derramava sobre ela. Eu só queria que ele olhasse para mim com a mesma adoração que ele concedeu a Amber. Eu só queria que ele me desse um beijo de boa noite, me colocasse na cama e segurasse minha mão quando as coisas ficassem difíceis. Me abraçar e me dizer que tudo ia ficar bem, quando eu ficava doente ou com medo. Isso foi tudo o que pedi. Isso é tudo o que eu ainda peço. Mas infelizmente, isso machuca mais do que aquilo. Por alguma razão, eu sinto falta dele. Eu sinto falta da atenção, independente do quão doente e pervertida esta atenção era. Pelo menos era algo. Pelo menos, dentro de alguns desses momentos dolorosos, ele me deu um vislumbre de sua bondade... um vislumbre do que ele compartilhou com Amber. Às vezes, ele não era o monstro. Às vezes, ele me segurava, acariciava meus cabelos, e me dizia o quanto eu significava para ele. Todos esses momentos foram embora, e é como se eu estivesse de luto pela perda do meu pai. Pensei que antes me sentia sozinha. Eu nunca, realmente, me dei bem com minha mãe e minha irmã, mas pelo menos eu tinha a atenção dele. Eu sempre pensei que, se ele me deixasse em paz, eu ~ 186 ~


seria tão feliz... tão feliz com o pensamento de que eu poderia finalmente respirar novamente. Agora me sinto asfixiada como se estivesse sufocando. Eu não consigo respirar, pois, todo este tempo, era meu pai me dando o oxigênio que eu precisava. Sabendo de tudo isso, estes últimos meses me fez perceber algo fundamental: eu estou doente. Eu não deveria ansiar a atenção do homem que abusou de mim. A falta não deve fluir através de minhas veias tão profundamente como ela flui. Parece loucura, mas eu não posso evitar a maneira como estou me sentindo. Tudo o que eu quero fazer é gritar, ‘Eu estou aqui! Por favor, olhe para mim! Estou aqui!’. No final, decidi fazer os meus exames, porque pelo menos enquanto eu estiver em casa, eu posso estudar. E quando eu volto para casa à tarde, meu pai está trancado em seu quarto. Ele nunca sai, quase não fala comigo, e quando o faz, parece forçado. Seu olhar frio e de desgosto machucam mais profundamente do que qualquer coisa que ele já fez durante esses dois anos ou mais. Assim, no último par de semanas, venho tentando descobrir uma maneira de fazê-lo me notar. É estúpido e perigoso da minha parte, mas eu não consigo evitar, a não ser irritá-lo. Ontem, eu vim com a ideia de mencionar ir a um encontro com um menino na noite seguinte. Eu não sabia se ele iria reagir, mas quando o fez, euforia como nenhuma outra explodiu dentro de mim. Era como se eu tivesse voltado a viver depois de um longo tempo no inferno. O olhar que ele me deu era um de advertência e raiva. É por isso que, quando eu caminhava para casa depois da escola no dia seguinte, o meu coração batia rapidamente no meu peito. Eu não sabia o que iria acontecer quando eu chegasse lá. Ele ainda pode estar me ignorando, escondido em seu quarto, para que ele possa evitar estar perto de mim. Ou, e este é o pensamento que tanto me assusta e me excita, ele pode apenas falar comigo. Ele pode ficar com raiva e ele pode me bater, mas seria melhor do que o silêncio total. Tão doente quanto parece, eu preciso saber que ele ainda está lá para mim. Eu chego até a porta, e com as mãos trêmulas, eu empurro a chave na fechadura. Como de costume, tudo está silencioso quando eu entro. Ninguém está lá embaixo, e eu estou desapontada por ele não morder a isca.

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Com o coração pesado, eu subo as escadas para o meu quarto, notando no caminho que a porta do seu quarto está fechada. Dói, mas eu tenho certeza que há algo mais que eu possa fazer. Eu realmente não tenho um encontro esta noite, mas tenho certeza que poderia encontrar um, se necessário. Talvez, então, vou ter a reação que estou procurando. Eu abro porta, e sentado na minha cama, segurando um de meus ursos de pelúcia em sua mão, está o meu pai. Ele olha como se tivesse chorado. No início, eu não sei o que fazer. Eu fico lá imóvel como uma estátua enquanto ele mantém os olhos no urso de pelúcia. — Você mata nosso bebê, e, então, quatro meses mais tarde, você continua como se nada tivesse acontecido. — posso ouvir o ódio em sua voz, e dói. Contra o meu melhor julgamento, eu vou até ele e me sento em seu colo. Eu jogo meus braços em torno dele, e começo a chorar muito. Lágrimas pesadas de alegria e tristeza fluem livremente. — Sinto muito, papai. — minhas lágrimas vêm em abundância e, a princípio, ele envolve seus braços em volta de mim enquanto nós dois choramos no ombro um do outro. Eu começo a beijar o seu pescoço, e seguro seu rosto na minha mão e dou um beijo. Porém, quando eu chego à sua boca, ele me empurra para longe, me jogando de seu colo. Eu aterro com um baque no chão. Confusão e mágoa me inundam como uma onda. — Você não pode rastejar seu caminho de volta para a minha vida tão facilmente, porra. Você matou nosso bebê! E, em seguida, para esfregar sal na ferida, vai e marca um encontro com outra pessoa. Você é uma vagabunda. Eu suspiro em suas palavras duras, mas me levanto para tentar explicar. — Eu realmente não tenho um encontro. Eu estava mentindo para te fazer falar comigo. Eu deveria ter esperado por isso, mas quando o forte tapa em meu rosto vem, me pega completamente desprevenida. Ele corre para frente, me agarrando pelos ombros e me sacudindo. — Você é uma mentirosa, puta traidora, nada, senão uma assassina de bebês. Como você pode viver com você mesma? O veneno em sua voz me irrita, então eu retalho. — Como você pode viver consigo mesmo, sabendo que você me toma sempre que quiser? Eu

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nunca quis que você me tocasse da maneira que você toca, mas não tive outra escolha. O bebê foi criado porque você me forçou. Ele agarra meus ombros novamente e aperta com força. Eu grito. — Você veio a mim. Você entrou no meu quarto, e você se ofereceu para mim. — ele me empurra de novo, mas desta vez eu encontro o meu equilíbrio antes de pousar no chão. — Foi só porque era melhor do que ser espancada. Foi melhor do que ser forçada. Ele se vira para mim, e tudo que eu posso ver é o mal em seus olhos. Ele grita, correndo para frente, e eu sei que ele vai me bater, então eu corro para fora do quarto. Estou com tanta raiva. É quase como se estes anos tivessem se acumulado, e agora, tudo que eu quero fazer é libertá-los. Eu consigo chegar perto das escadas quando viro para ele, e sem pensar, eu digo: — Me foi dito que era um menino. Raiva como nenhuma outra corre através do seu rosto quando ele me ataca. Eu tento virar e correr, mas eu sou muito lenta. Ele me empurra, e eu acabo caindo da escada. Eu ouço um osso estalar, e uma dor como eu nunca senti antes se propaga através de meu braço esquerdo. Eu estou caindo, e eu não consigo me conter. É como uma escada sem fim, e muito em breve, eu estou aterrissando, e isso poderia me matar. Quando eu chego perto do chão, bato a cabeça em um degrau, e isto me deixa inconsciente.

***

Eu acordo gemendo enquanto tento sentir a minha cabeça. Dói como o inferno. — Não se preocupe, querida. Você está bem. Você está no St. Bernard's Hospital. Seu pai te trouxe. Ele disse que foi buscar algumas roupas, e ele estará de volta logo. Tento tremular meus olhos para abrir e, a princípio, parece como se eles estivessem amarrados. Mas então, eu sinto a dor no meu braço e os olhos se abrem. — Tudo dói, — eu reclamo. — Você teve uma boa queda da escada, minha querida. Foi uma sorte que o seu pai estava em casa. Caso contrário, poderia ter sido muito pior. Tal como está, você tem uma concussão, algumas contusões, e um braço ~ 189 ~


fraturado. Porém, com alguns dias de descanso você vai se surpreender com o quão melhor você vai se sentir. Antes que você perceba, você estará como nova. — eu olho para o gesso no meu braço e fecho os olhos. Eu queria uma reação do meu pai, e uma reação é o que eu tenho. Eu apenas não sabia que seria como esta. Agora eu sei que não posso ficar. Enquanto ele ainda se sente assim, eu não posso viver sob o mesmo teto que ele vive. Ele disse algumas coisas imperdoáveis. Eu também, mentindo para ele. Eu só não podia evitar o veneno que cuspiu de mim. — Posso beber um pouco de água? — Claro que você pode, querida. — ela me coloca um pouco de água, eu tomo um gole. — Eu avisar o médico que você está acordada. Ele está muito ocupado hoje e estamos com falta de pessoal, mas ele vai estar por perto para vê-la. Seu pai saiu cerca de dez minutos atrás, então eu tenho certeza que ele estará de volta em breve. Eu aceno minha cabeça e vejo quando ela sai pela porta. Eu não posso ficar aqui. Eu não posso ver aquele homem novamente e fingir que nada aconteceu, na frente da minha irmã e minha mãe. Eu sei que tenho sido capaz de esconder o que está acontecendo por um longo tempo, mas há somente um tanto que uma pessoa pode aguentar. Eu me levanto da cama, mas tenho que fazer uma parada por um momento, minha cabeça está pulsando. Assim que me acalmo um pouco, eu olho para a cadeira e observo minha jaqueta. Eu a agarro e passo por meus bolsos. Eu noto que minha bolsa está lá dentro. Eu sei que tenho cerca de trinta libras lá. Não é muito, mas é o suficiente para alguns analgésicos, uma viagem de ônibus, e algo para comer. Segurando o casaco comigo, eu caminho em direção à porta e espreito através dela. Há muito pessoal de enfermagem correndo por aí, e eles parecem realmente estressados. Estou esperando que eu seja a última coisa em suas mentes quando atravesso por eles apressadamente para a saída. Eu mantenho minha cabeça baixa para não ser notada e me atiro no elevador antes que as portas se fechem. Enquanto eu desço, tento envolver minha cabeça no que diabos eu vou fazer a seguir. Eu tenho dezesseis anos e sou sem-teto. Eu não poderia estar numa posição mais fodida do que estou agora. Eu fecho meus olhos,

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franzindo as sobrancelhas enquanto minha cabeça lateja. Eu provavelmente não deveria estar deixando o hospital no meu estado, mas eu só tenho que fugir. Uma vez do lado de fora do elevador, eu saio e respiro imediatamente oxigênio em meus pulmões. Eu fico por um tempo, parecendo perdida quando eu observo todas as pessoas em suas vidas diárias, correndo ao redor e olhando para seus telefones. Eles não me veem ali de pé. Eles não veem a adolescente assustada, perdida e solitária na calçada chorando. Ninguém me percebe. Ninguém se importa. Eu estou totalmente sozinha no mundo.

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vinte e cinco Eu fiquei com Stuart por mais duas horas, apenas rindo, brincando e roubando um beijo esporádico. Eu adorei, mas eu odeio o quão vulnerável me sinto quando estou perto dele. Stuart me deixou cerca de duas horas atrás, e tudo o que fiz desde então foi me agitar e me virar na cama. Eu não consigo dormir porque sentimentos por ele atravessam minha cabeça, me fazendo sentir tonta. Eu não quero sentir, porque sentir só traz dor... isso só traz dor de cabeça e faz uma pessoa fraca. É por isso que, no final, eu me levanto, me troco, e deixo minha casa às duas horas da manhã. Eu chamo um táxi, digo o endereço, e no caminho, tudo que consigo pensar era como eu precisava me lembrar da razão pela qual eu estou aqui. Eu não estou aqui para me apaixonar por um cara. Isso só pode acabar mal. Eu não sou boa para ele, e as probabilidades são de que eu só vá foder tudo, de qualquer maneira. Estou aqui para uma coisa e apenas uma coisa. E essa coisa será um momento muito emocionante esta noite. Eu pago o motorista, e assim que ouço o som fraco de um motor desaparecendo, eu percebo como tudo está tão estranhamente silencioso. É a calada da noite, então todo mundo está dormindo. Pela aparência das suas janelas, ele também está dormindo. Eu não consigo ver quaisquer sinais de vida na casa. Tudo o que eu encontro é a escuridão. Com a mesma adrenalina que eu amo sentir quando faço coisas como esta bombeando através das minhas veias, eu ando até o painel, digito o meu aniversário, e ouço quando o portão abre. Assim que passo, eu o fecho atrás de mim, e com uma respiração calma, ando em direção à casa imponente. Eu não ando até a porta da frente. Em vez disso, eu não consigo evitar, mas caminho ao redor da parte de trás da casa, como uma criminosa com um objetivo. Eu tenho objetivos, mas terei que ver como eu continuarei, uma vez que estiver dentro. Eu noto, quando caminho, que ele tem um jardim bem grande lá fora, com uma piscina. Ela está brilhando ao luar, fazendo com que pareça um ~ 192 ~


cenário pitoresco. Nada sobre o porquê eu estou aqui é pitoresco. Estou aqui por causa da minha eterna necessidade de ter poder. Eu estou aqui porque eu preciso fazê-lo dizer a palavra. Eu estou aqui porque eu simplesmente não posso ir embora. Quando o meu coração começa a martelar, o mesmo acontece com minha buceta. Eu posso senti-la ganhando vida, com o conhecimento do que estou prestes a fazer. A emoção e a excitação de tudo isso é a melhor preliminar do mundo. Eu não preciso ser tocada para ficar excitada. Eu só preciso ter esse sentimento... esse delírio... este... poder. Eu tento a porta dos fundos, mas está bloqueada, então eu tento as duas janelas. Ambas estão bloqueadas. Eu começo a entrar em pânico, imaginando que eu possa sair sem vê-lo, mas estou determinada a encontrar uma maneira, mesmo que eu tenha que arrombar. Eu olho em volta e subo para as janelas acima. Então eu noto um conjunto de cortinas se agitando na brisa. Ele tem uma janela aberta, porque está quente esta noite, então eu estou supondo que deve ser seu quarto. Como um farol me chamando, eu tiro meus sapatos, puxo a alça da minha bolsa em volta da minha cabeça, e caminho até o cano de escoamento ao lado de sua casa. Felizmente, é perto da janela, então eu tenho certeza que posso trabalhar o meu caminho até lá. Eu começo a subir, mas tenho que ter cuidado, apenas no caso dele sair da parede. Com um passo cuidadosamente colocado após o outro, eu chego ao topo e me inclino para ver o que há lá dentro. Com certeza, ele está lá, dormindo de costas. Ele está nu, tanto quanto eu posso dizer, com apenas um lençol claro cobrindo a parte que eu estou mais interessada. Sabendo que ele está dormindo lá dentro, eu começo a me empurrar para cima do parapeito da janela e pulo para dentro, com uma quantidade mínima de ruído. Ele não se mexe, então ele deve estar em um sono profundo. Me lembro de mamãe me dizendo que ele era difícil de acordar todas as manhãs. Aposto que não terei nenhum problema com isso em breve. Quando eu estou ao pé da cama, eu o vejo enquanto dorme. Ele tem um braço pela cabeceira da cama, e o outro está para baixo ao seu lado. Uma perna está reta, e a outra perna está dobrada e aberta. Tudo o que

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preciso fazer é levantar esse lençol para ver, o que foi uma vez o meu pesadelo, mas agora é a minha obsessão. Eu vejo como ele respira suavemente. É quase hipnótico observá-lo. Ele parece tranquilo e até mesmo jovem, enquanto ele dorme pacificamente. Olhando para ele agora, nunca poderia imaginar que um monstro vivia dentro dele. Um monstro que me ensinou bem. Lentamente levanto a alça da minha bolsa sobre a minha cabeça, fuço dentro e retiro dois conjuntos de algemas. Felizmente, por causa de Reid, nós temos em abundância. Eu cuidadosamente coloco a minha bolsa para o lado, rapidamente tiro a roupa e caminho em direção ao lado da cama. Estou perto de sua mão agora. Tudo o que eu precisaria fazer é pegá-la e cobri-la com minha umidade. Eu já não estou pensando no garoto que teria, uma vez, roubado meu coração. Eu já não sou a garota que compartilhou fritas e beijos roubados. Esta é quem eu realmente sou, e esta é a razão pela qual eu preciso dizer adeus à Stuart. Com adrenalina renovada através de minhas veias, eu uso o conhecimento de seus hábitos de sono para embrulhar cuidadosamente uma extremidade da algema ao lado mais próximo da cabeceira da cama. A cabeceira é de ferro forjado, então eu posso facilmente fixá-la, que é o que faço a seguir. Uma vez feito isso, eu espero um pouco, imaginando se ele vai acordar, mas eu sorrio quando ele nem sequer se mexe. A próxima parte é a mais complicada, então eu fixo o outro conjunto de algemas na cabeceira da cama antes de pegar seu braço e com muito cuidado, levantando-o acima de sua cabeça. Não há nenhuma resistência quando eu o puxo para cima. Ele geme um pouco, mas não se mexe. É só quando eu apressadamente aperto a algema no seu pulso que seus olhos se abrem e ele puxa as restrições. — Que porra? — ele grita em pânico. Eu subo em cima dele rapidamente e coloco um dedo sobre os lábios. — Shh. Sou só eu. — não há luzes acesas neste lugar, mas com as cortinas abertas e a luz da lua brilhando no quarto, ele pode ver claramente o meu contorno e que eu estou nua em cima dele. — Me tire estas algemas, Scarlet. — Eu não quero. Isto aqui, é o meu sonho. Sabe quanto tempo eu tenho desejado ter você assim? Quanto tempo eu esperei para ter você ~ 194 ~


completamente sob meu controle? Eu poderia fazer absolutamente qualquer coisa com você, e você teria que aceitar como um bom garoto. Ele puxa as algemas novamente e grunhe. — Eu não estou disposto, porra. Me tire destas algemas agora mesmo. Eu me inclino sobre ele, traçando uma linha em seu lábio inferior. Eu lambo em torno dele, maravilhada com o seu gosto e o quanto isso me excita. — Vou deixá-lo sair das algemas, mas eu quero brincar com você primeiro. — eu saio da cama para puxar o lençol de cima dele, e meus olhos se arregalam quando eu vejo como ele já está duro. — Hmm, — eu digo, tocando meus mamilos e movendo minha mão para minha buceta molhada. — Você já está pronto para mim. — eu coloco um dedo dentro de mim, e quando eu o puxo para fora, eu subo em cima dele novamente e coloco o dedo no seu nariz. — Você reconhece este perfume? — O que você vai fazer? — pela primeira vez, eu ouço uma pitada de medo em sua voz. Para isto é o que eu vivo. Para isto é que eu vim. — Não se preocupe, papai. Eu não vou te machucar. Eu só quero me divertir um pouco. — eu coloco meu dedo na sua boca. — Abra e chupe. — ele não faz no início, então eu agarro seu cabelo e o puxo. — Abra a boca, porra. — ele cede, me deixando empurrar o meu dedo dentro e, a princípio, ele o suga. Eu gemo com a sensação, mas logo depois ele morde o dedo. Forte. Gritando, eu bato forte em seu rosto e, felizmente, ele solta. Minha respiração está áspera e meu corpo está vivo com fogo. — Deus, isso foi bom. — com a minha mão ainda agradavelmente dolorida do tapa, eu começo a movê-la sobre seu peito. — Isso não foi uma coisa muito boa para fazer agora, não é? Tudo que eu quero é brincar com você, e você está tornando isso extremamente difícil para mim. — eu me inclino, beijando seu pescoço e arrastando beijos ao longo de seu peito. Eu lambo sobre seus mamilos, e o fogo dentro de mim é inflamado quando ouço seus gemidos suaves. Ele não quer aproveitar o que estou fazendo para ele, mas ele está. Ele está desesperado por mim, mas ele nunca vai admitir isso. — Você gosta disso, não é? — eu lambo acima de seu umbigo até o ombro, antes de apertar meus dentes sobre ele. Ele grita, puxando as algemas. — Puta do caralho! — ele pode estar com raiva, mas sua respiração é

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quente e pesada. Isso é uma coisa que ele não pode negar. Isso e seu pau duro como rocha. Eu ignoro seu pequeno golpe em mim e continuo a lançar beijos por todo seu peito, antes de descer para o estômago. Ele deve estar ficando ansioso, pois, muito em breve, vou estar perto do seu pau. Ele não sabe se eu vou chupá-lo ou mordê-lo, e a emoção de saber isso me excita mais do que nunca. Na verdade, eu nunca estive tão fodida de tesão em todos os meus vinte e quatro anos. Quando eu chego na área da sua virilha, eu começo a beijar e lamber por toda parte, menos onde ele quer. Eu, deliberadamente, estou estimulando-o a um frenesi por uma razão e apenas por uma única razão. Para ouvi-lo dizer aquela palavra. Apenas uma palavra. Eu lambo em torno de suas bolas, e fecho meus olhos quando eu ouço como ele está totalmente excitado. Ele começa a se contorcer debaixo de mim. Ele pode não pronunciar as palavras, mas o seu corpo diz tudo. — Pare de provocação, — diz ele, sem fôlego. Com minha cabeça no seu pau, eu olho para cima para encontrá-lo me observando. Eu sorrio antes de lamber o seu eixo, e ver como ele fecha os olhos com um gemido. — Chupa! — ele ordena. Eu sorrio, me afastando dele e me voltando para seu rosto. Eu deito em cima dele com os joelhos para o lado. Minha buceta fica plana contra seu pau, e isso parece incrível. Agora, ele pode sentir como eu estou molhada. Ele começa a flexionar seus quadris, e eu sei que ele está tentando entrar em mim, então eu levanto um pouco mais alto e sorrio contra os seus lábios. — Você não vai foder até que eu te ouça implorar. — eu o beijo forte, e ele aceita minha língua. Nós engrenamos juntos, nossas línguas dançando em um ritmo perfeito, desesperado. Quero tanto transar com ele, mas eu estou adiando. Eu me afasto, e estamos ambos respirando fortemente e com dificuldade. — Scarlet, — ele adverte. — Eu acho que você não está em uma posição de me dar avisos, não é? — eu o beijo por toda a parte novamente. Ele começa lutando contra as

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algemas, desesperado para chegar à mim. — Uma palavra. Isso é tudo que eu preciso ouvir. — eu subo mais à frente, para sua cabeça e coloco minhas pernas em ambos os lados. Ele tem uma visão clara da minha buceta inchada e molhada. — Você vê isso? Você pode ver como eu estou muito encharcada? Ele puxa as algemas novamente. — Scarlet, pelo amor de Deus! Eu me afundo mais, até que estar praticamente sufocando-o. — Lambe. Lamba todos os meus sucos. Eles são todos apenas para você. — eu não acho que ele iria fazer isso, então eu estou surpresa quando sinto uma língua quente empurrando em minha entrada. Eu estou tão excitada que minha buceta está praticamente ardendo com seu toque. — Mais, — eu digo, gemendo. — Mais. — ele começa movendo sua língua dentro e fora, e eu empurro contra seu rosto, gemendo e gritando seu nome. —Richard! — eu grito. — Me foda, Richard. Lamba todos os meus malditos sucos. — eu me manobro para que ele possa começar a lamber meu clitóris. Ele vai para o centro rodando sua língua e movendo-a em torno de todo o meu cerne endurecido. Eu estou desesperadamente subindo pelas paredes quando um clímax, como nenhum outro, me rasga. Eu gozo, gritando seu nome e mandando ele me limpar lambendo. Assim que eu sinto que ele fez seu trabalho, eu desço dele e permaneço deitada contra ele. Eu coloco minha mão em seu peito e fecho os olhos, sentindo as batidas de seu coração. Cada parte de mim está sensível, então eu faço um balanço por um par de minutos, saboreando o meu orgasmo. Surpreendentemente, ele deixa quando eu deito no seu peito e brinco com seu cabelo. Eu ainda posso sentir como ele está duro, mas ele não disse a palavra ainda. Vou tirar isso dele, esta noite... nem que seja a última coisa que eu faça. Quando a minha respiração acalma um pouco, eu me preparo para a segunda rodada. Eu coloco minhas pernas em cada lado dele e minha buceta contra seu pau. Com minha umidade cobrindo-o, eu começo a empurrar ao longo de seu eixo. Apenas o suficiente para provocá-lo sem colocá-lo dentro de mim. — Scarlet, — ele sussurra novamente, metade aviso e metade gemendo. — Sim? — pergunto, esperando que ele irá dizer apenas uma palavra.

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Eu empurro com força contra seu pau, e um grito estrangulado deixa seus lábios. — Me foda, — ele implora. Eu fecho meus olhos, amando o fato de que ele está começando a me implorar. — Diga a palavra, e eu vou. — eu paro de empurrar e começo a beijá-lo por toda a parte. Ele está se contorcendo e gemendo debaixo de mim. Sei que ele está no ponto de detonação, mas não posso deixá-lo ter o que ele quer até que ele diga essa palavra. — Porra! — ele fala quando eu começo a me empurrar contra seu pau novamente. — Se você quer sentir minha buceta em torno de você, tudo que você tem a dizer é uma palavra, e ela é toda sua. — eu paro de empurrar, e ele geme palavrões, assim que eu paro. Com a nossa respiração pesada contra a boca um do outro, eu o beijo de leve nos lábios. — Diga que você me quer. Diga que você precisa de mim. Implore por eu foder você. — eu o beijo novamente, e ele geme contra os meus lábios. Eu começo a empurrar contra seu pau novamente. — Porra, Scarlet! — ele grita. Ele é um tolo teimoso, mas eu sei que ele está rachando. Eu posso ouvir em sua voz. — Dê isso para mim, — eu comando, empurrando duro. Estou tão consumida por tudo isso que estou quase pronta para gozar uma segunda vez, com a sensação de seu pau em torno de mim. Ele tem os olhos fechados enquanto ele balança a cabeça para trás e para frente. Ele está em agonia. Eu sei que se eu continuar assim, ele vai gozar sobre ele todo antes de eu ter a chance de conseguir o que eu quero, então novamente, eu paro. — Scarlet! — ele grita. Ele está prestes a explodir. — Diga, e eu vou dar a você. Ele grita, puxando as algemas e puxando a cabeça para me encarar. — Por favor! — ele grita. Ele joga a cabeça para trás no travesseiro e com uma voz mais suave diz: — Por favor. Eu fecho meus olhos, saboreando o momento. Eu sabia que estaria eufórica uma vez que ouvisse isso, mas nada poderia ter me preparado para o quanto eufórica eu estaria.

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Eu abro meus olhos novamente, e com a minha buceta latejante, eu coloco a ponta do seu pau na minha entrada. No momento que eu deslizo para baixo sobre ele, nós dois nos desfazemos como pedaços de vidro quebrados. Em perfeita harmonia, clamamos, liberando nossos clímax juntos. Nunca em minha vida alguma coisa me fez sentir tão bem quanto isso está me fazendo agora. Exausta, me deito no seu peito e tento recuperar o fôlego. Eu posso sentir seu peito subindo e descendo violentamente quando nós dois tomamos um momento. Eu posso dizer que isso foi tão culminante para ele como foi para mim. Ele também nunca será capaz de encontrar alguém como eu. Eu sou aquela que ele sempre almeja. Eu sou a única que ele sempre deseja. Eu sou a única que ele ama. Uma vez calmos, eu sinto o tilintar das algemas. — Me tire disto. — estou surpresa com o tom de voz. Não está comandando, com raiva, ou intimidador. É realmente macio. Eu puxo minha cabeça para encontrar seu olhar. Ele ainda está dentro de mim. Aguardo a repulsão vir, mas desta vez, ela não está lá. Na verdade, desta vez, me sinto calma. Isso me faz sorrir. — O que vai acontecer se eu te deixar ir? Você vai me bater até a morte? — Eu prometo que não vou te tocar desse jeito, porra. Apenas me deixe ir. — Você ainda me odeia pelo que eu fiz? Ele suspira, fechando os olhos. Posso dizer que ele ainda odeia de certo modo, mas não é tão proeminente como era todos aqueles anos atrás. — Não, eu não odeio você. Ainda dói, mas eu não odeio você. — eu ainda estou surpresa como ele está sendo tão calmo e controlado. Talvez seja porque eu o tenha algemado, mas uma parte de mim espera que não seja isso. — Não estou tomando pílula, — eu minto. Ele sacode a cabeça para mim. — O quê? — Eu poderia estar grávida de seu bebê agora. — Pare de jogar estes jogos de merda, Scarlet, e me solte.

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— É verdade. Eu parei de tomar a pílula no dia que vi você na festa de aniversário da Amber. Eu estava apenas esperando o momento certo para vir até você. Eu não estava pronta há oito anos, mas estou pronta agora. Eu não tinha planos de dizer isso a ele. Eu acho que a única lógica era apaziguá-lo de alguma forma, de modo que quando eu tirar as algemas, ele não esteja tão zangado comigo. Isso, e eu simplesmente amo foder com a porra da cabeça dele, claro. Bem, ele fez isso comigo por anos, então por que eu não posso devolver o favor? — Você me enganou, porra. Eu suspiro. — Você está dizendo que você não quer isso? Eu pensei que era o seu sonho ter um filho. Eu sou jovem o suficiente para dar isso a você. Você não quer ver isso? Você não quer ver o inchaço da minha barriga, sabendo que você foi o único que colocou sua semente dentro de mim? Eu quero um bebê, e eu quero que você dê isso para mim. — Por quê? Eu sorrio. — Porque você foi o meu primeiro. Você disse que isso era uma coisa que ninguém poderia tirar de você. Agora, imagine como seria eu ter o seu bebê crescendo dentro de mim. Não seria apenas encaixar as peças perfeitamente? — Eu não quero ser um pai agora. Eu o sinto crescendo dentro de mim. — Eu acho que seu pau está me dizendo algo diferente. Seu pau está gostando muito da ideia de me encher com sua semente. — Me tire estas algemas de merda, — diz ele novamente, mas desta vez é quase uma súplica. Com o coração disparado, eu me inclino para a frente e sinto quando seu pau desliza para fora de mim. Ele está sem fôlego novamente, e eu também... mas desta vez, uma parte de mim se pergunta o que ele fará, uma vez que eu o liberte. Eu tenho a chave ao redor do meu pescoço, então tenho que me afastar para soltar uma mão. Quando eu a solto, eu estou surpresa que ele a mantém ao seu lado. Eu vou para o outro lado e libero aquela também.

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Quando ele está completamente livre, eu espero com ansiedade para ver o que ele vai fazer a seguir. Eu não tenho que esperar muito tempo. Me agarrando, ele me joga na cama e prende meus pulsos acima da minha cabeça. Ele entra em mim duro, e nós dois gritamos juntos. Ele começa a bater incansavelmente repetidas vezes. Apesar de ser um pouco mais velho, ele ainda tem a adrenalina de um jovem. — Por que não consigo me conter em torno de você, porra? Eu fecho meus olhos em um sorriso. Aí está novamente. Sua fraqueza. Ele está me mostrando o quanto eu o afeto enquanto ele geme em cima de mim. Com minhas mãos ainda presas, ele me surpreende novamente, soltando meus pulsos e enfiando seus dedos nos meus. É um ato tão íntimo, e um que faz com que o orgasmo numero três venha pesado e rápido. Eu começo jogando a cabeça para trás e gritando seu nome. Eu sinto uma umidade quente descer por ambos os lados da minha cabeça, e só então que eu percebo que eu estou chorando. Como posso estar chorando? Eu não tenho chorado desde o dia em que saí de casa. Desde o dia em que este homem partiu meu coração em dois. — Você nunca pode me escapar, porra. Eu estou sempre lá em sua cabeça, Scarlet. Você pode ter conseguido me fazer implorar, mas isso é uma pequena vitória sobre o que eu tenho sobre você. — com cada impulso, ele grita as palavras: — Você. É. Minha! Eu não quero gozar, mas ele exige isso de mim. Com cada impulso de seus quadris, ele está arrancando isso de mim e me desafiando a gozar cada vez mais. Eu tento lutar contra isso, mas quanto mais eu luto, mais o orgasmo sobe - mais duro, mais rápido e mais poderoso do que nunca. Com um impulso final, eu caio desmontada, dando a ele o que ele almeja. Imediatamente depois, ele me segue, gritando meu nome e jogando a cabeça para trás em doce agonia. Ele cai em cima de mim, respirando pesadamente na base do meu pescoço. Eu me sinto exausta de novo, mas de alguma forma, assustadoramente calma. Depois de mais alguns momentos, ele puxa para fora de mim e muda seu peso para que ele não esteja completamente em cima, mas o suficiente para ainda me manter no lugar. Eu mexo minhas

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pernas para se mover para que eu possa sair. Eu não preciso mais ficar aqui. Eu consegui o que eu estava querendo. De alguma forma, porém, eu não acho que ele vai me deixar ir às pressas. Como se sentisse que eu vou correr, ele mantém uma perna sobre a minha em um abraço apertado. Não demora muito, eu sinto sua respiração suave contra o meu pescoço. Isso começa a me acalmar para dormir. Com toda a vontade do mundo para ficar acordada, eu não consigo manter meus olhos abertos. Não demora muito e eu sucumbo ao inevitável.

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vinte e seis Ele me fodeu novamente quando acordou pela manhã, e imediatamente depois, ambos caímos no sono novamente. Foi só bem mais tarde da manhã que ele me deixou sair da cama. Eu queria chamar um táxi, mas ele insistiu em me levar para casa. Eu sabia que não era uma boa ideia deixá-lo saber meu endereço, mas por alguma razão, minha boca correu antes que meu cérebro se envolvesse. Agora que ele sabe onde moro, eu sei, com certeza, que ele não vai me deixar em paz. Mas, eu fui lá por uma razão, e consegui o que estava procurando. Eu já não estava pensando em Stuart. Ele estava longe dos meus pensamentos, agora que deixei este homem perante mim consumir meu próprio ser. Assim que ele parou no meio-fio, imediatamente fui sair, mas ele agarrou meu braço. — A noite passada nunca acontecerá novamente, — digo a ele. Eu não olho para ele. Eu não posso. — Você e eu sabemos que é uma mentira. Eu estou dentro da sua cabeça, tanto quanto você está na minha. Nós dois vivemos para isto. Eu arranco meu braço para longe do seu e saio. Não posso deixar que as palavras que soam tão verdadeiras, me devorem. Tanto quanto estou preocupada, eu consegui o que queria. Anos de conspirar e planejar minha vingança estão acabados. Eu me afasto, abro a porta para minha casa, e quando estou dentro, imediatamente afundo no chão. Eu deveria me sentir feliz, não deveria? Para onde foi a euforia de ontem à noite? Depois de todos esses anos, eu o fiz implorar. Fiz ele fiz implorar. Me sento lá por um tempo, esperando o desejo de me esfregar chegar, mas isso também não acontece. É como se eu tivesse entrado em um fodido mundo novo. Eu não posso compreender ou tolerar minhas ações. Tudo o que queria fazer era ouvi-lo dizer aquela única palavra, e quando eu o soltei na noite passada, eu pensei que ele poderia me bater. Eu pensei que ele poderia me mostrar o monstro dentro dele. Então, em vez disso, quando ele ~ 203 ~


me tomou e segurou minhas mãos enquanto me fodia, emoções que eu nunca senti antes me inundaram toda, de uma só vez. Eu ainda posso sentir sua pele na minha, e eu ainda posso sentir o gosto dele, mas a repulsão não vem. Então, o que isso faz? Eu não posso explicar. É quase como se eu estivesse desorientada em um canto, e não posso me libertar. Isso não sou eu. Esta não é a mesma menina que deixou o hospital há oito anos. Eu sou melhor do que isso. Mais forte do que isso. Eu sou uma puta do caralho. Infiltrando ar em meus pulmões, me levanto do chão e vou para o chuveiro. Eu tomo um longo e quente banho, visto um dos meus ternos Chanel, e coloco os meus sapatos me foda. Há apenas uma pessoa que pode me tirar do meu estupor. Ele é a única pessoa que me salvou da destruição. Eu chamo um táxi e vinte minutos depois, ele chega para me levar para o escritório de Reid. Ele funciona na rua principal em Richmond, escondido em um pequeno recanto. Com certeza, você teria que procurar por ele para saber que está lá. Eu não uso a campainha, pois eu tenho uma chave. Ele deu uma para mim depois de eu trabalhar para ele por cerca de um ano. Eu subo as escadas, e assim que eu estou lá, eu ouço vozes. Ele tem um cliente com ele, então eu espero lá fora até ele terminar. Cerca de cinco minutos depois, a porta se abre, e Reid e um homem na casa dos sessenta saem. Reid percebe minha presença, fecha a cara, mas aperta a mão do homem que está com ele. — Eu vou estar em contato assim que eu fizer alguma escavação. O outro homem sorri suavemente. — Obrigado. Nós seríamos eternamente gratos. Depois que ele sai, Reid se vira para mim. — A neta dele desapareceu. Ela foi apanhada por uma turma ruim e começou a usar drogas. Eu olho para a porta que ele saiu. — Coitado. — Sim. — ele bate as mãos, trazendo a minha atenção de volta para ele. — Então, o que devo o prazer?

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Eu me levanto da minha cadeira e caminho em direção a ele. — Você pode me levar para o seu quarto? Ele levanta uma sobrancelha. — O que causou isso? Eu não posso lhe dizer a verdadeira razão, então eu chego perto dele, maravilhada com a forma como suas narinas se abrem quando ele cheira o meu perfume. — Porque eu sou uma menina suja, fodida, que precisa ser punida. É por isso. Eu preciso te dar uma razão, porra? Ele olha nos meus olhos como se ele estivesse tentando encontrar algo. — Você não pede já faz um tempo. Eu coloco meu dedo em seu ombro e o acaricio. — Eu estou pedindo agora. Além disso, eu sinto falta. Eu sinto falta de você fazendo isso. Somente você pode torná-lo tão ruim, que parece bom. Vejo fogo dançar em seus olhos. Eu não sei o que ele vai fazer, mas quando ele pega a minha mão de seu ombro e aperta meu pulso, ele vem como nenhuma surpresa. — Eu disse que você poderia me tocar? — eu sorrio, sabendo que o tenho, mas também sei que isso vai irritá-lo. Ele agarra meu queixo. — Eu vou tirar esse sorriso do seu rosto. Tá me ouvindo? — Sim, — eu digo sem fôlego. A adrenalina do que está prestes a acontecer está tocando em meus ouvidos. É por isso que eu vim. Isto é para o que eu vivo. Em breve, todos os pensamentos de todo mundo vão estar fora da minha cabeça. Tudo o que eu sentirei é dor. Doce, bem-aventura dor. Puxando meu cabelo, ele me puxa de volta para encará-lo. — Sim, o quê? — Sim, mestre. — Isso é muito melhor. Me empurrando através da sala de estar, nos aventuramos por outra porta até chegar à escada. Nós descemos, e Reid a destrava para nós. Ele me empurra para dentro, e eu pouso no chão. — Tira as suas roupas. Eu tiro os sapatos antes de me levantar. Eu me dispo rapidamente, e quando estou nua diante dele, Reid dança em torno de mim, me observando atentamente. Calor formiga minha pele e a antecipação do que vai acontecer a seguir rastreia minha espinha.

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— Você sabe o que fazer, — ele sussurra em meu ouvido. Eu me viro, olhando para a armação quadrada de madeira. Balançando dela, estão correntes que Reid rapidamente me prende nelas. Agora meus braços estão acima da minha cabeça e esticados. Eu respiro profundamente e fecho meus olhos, me preparando para o que está para acontecer a seguir. Eu não quero, mas não posso deixar de olhar, com o canto do meu olho, para ver o que Reid está fazendo. Ele puxa uma gaveta e levanta um chicote de couro preto com um cabo de prata. Fechando os olhos, eu levanto a cabeça para trás, para esperar o primeiro golpe. — Você vai levar dez destes, e você não vai gritar. Você entendeu? — Sim, Mestre. Ele caminha até à minha frente e aperta duro meu mamilo. Isso me faz ganir. — Eu não ouvi alto o suficiente. — Sim, Mestre! — eu grito com a voz tensa. Ele solta meu mamilo, e eu respiro um pouco de ar muito necessário. Reid deliberadamente leva o seu tempo andando em volta de mim, mas não demora, ele ataca. Eu estremeço, mas não grito. Na verdade, ele está sendo mais suave do que ele normalmente seria. Hoje, isso me frustra. Ele me bate de novo, e eu fecho meus olhos, saboreando a picada. Pelo sexto golpe, minha mente está livre, e me sinto viva novamente. O antigo eu se manifesta... saboreando a dor, saboreando o calor na minha pele, e saboreando o momento. — Mais, — eu choro, e ele me bate novamente. Um sorriso rasteja em meu rosto enquanto lágrimas forçam seu caminho nos meus olhos. Eu amo momentos como este. Eu não os faço muitas vezes, mas quando faço, de repente, a minha mente se separa, me deixando pensar com clareza novamente. No décimo golpe, Reid para, mas eu quero que ele continue. — Mais, — eu sussurro, fechando meus olhos. Eu só preciso de mais um par e então eu terminei. — Você tem um cliente neste sábado e você precisa estar no seu melhor. Não mais. Então é por isso que ele estava sendo gentil. — Apenas mais dois, e eu

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prometo que serei boa. — Você está maluca por isso, não está, menina suja? — Sim, — eu digo sem fôlego. — Por favor, Mestre. Vou fazer tudo o que pedir. — Bem, vendo que você pediu tão gentilmente. Ele me bate mais duas vezes em rápida sucessão. Eles foram os mais duros e os melhores. Assim que ele acaba, eu me sinto exausta, mas chapada, ao mesmo tempo. Meu sorriso se arrasta, pois eu me permito saborear o momento. As pessoas não precisam de drogas quando elas têm isso. Esta é a melhor maneira de ficar chapada sem drogas, que você jamais poderia pedir. — Se sente melhor agora? — pergunta Reid. Abro os olhos e vejo seu rosto sorrindo para mim. — Muito melhor. Obrigada. — ele balança a cabeça, caminhando até sua cômoda e colocando o chicote para dentro. Logo, ele está atrás com um pouco de creme, que ele espalha sobre minhas costas sensíveis. Uma vez feito, ele me desata, e os meus braços caem sobre seus ombros. Ele me segura lá no lugar, me permitindo o conforto. Quando eu não me mexo, ele me leva até seu sofá e se senta comigo no colo. Eu inspiro o cheiro dele, permitindo que ele preencha meus sentidos. Ele não parece duro como eu pensei que ele estaria. — Você não está excitado, — eu observo. — Açoitar você assim não me excita, Scarlet. É o jeito como submissa e vulnerável você fica depois disso que me deixa duro. Você vai me dizer o que está acontecendo? Eu não me afasto de seu pescoço. Eu ainda estou sentindo o estado de euforia da minha punição. — Isso... isso é o que está acontecendo. É por isso que eu gosto. Eu sinto como se estivesse flutuando nas nuvens nesse momento. Ele me aperta mais contra ele e beija minha cabeça. — Eu acho que há mais do que isso, mas por agora, eu vou deixar você aproveitar seu êxtase. Eu sorrio, beijando seu pescoço. — Obrigada.

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— Eu não tive notícias suas na noite passada. Eu começo a brincar com seu peito, esfregando os dedos em sua camisa branca. — Eu estava cansada ontem à noite. Acabei por adormecer no sofá às oito. Ele suspira, e eu sei que isso significa que ele está prestes a me dizer algo. — Nós tivemos um pequeno problema. Um dos meus maiores clientes me deixou ontem. Nós podemos ter que fazer mais um par de tacadas antes de avançarmos. Eu estou pensando dois meses no máximo para ter certeza que você está pronta. Eu não vou esperar mais do que dois meses. Além disso, será por volta de julho. Com sorte, nós vamos pegar uma grande discoteca e começar bem no coração do verão. Na verdade, eu tenho algum tempo livre na próxima semana, e pensei que seria uma boa ideia partir e verificar alguns lugares. Você quer vir? — Não é possível. Eu ainda estou esperando o meu passaporte. — Porra. Por que demora tanto tempo? — Eu acho que eles têm um atraso. Vou ligar pra eles assim que eu chegar em casa. Eu prometo. — É melhor estar aqui em breve. Precisamos formar um plano e sair daqui. Sua família provavelmente vai querer expulsar você pra fora da cidade assim que você soltar a bomba sobre eles. Me sentindo um pouco mais rejuvenescida, eu puxo minha cabeça para trás e o beijo de leve nos lábios. — Eu mal posso esperar para ver seus rostos. — eu sorrio maliciosamente. Sim, a cadela definitivamente está de volta. Ele pega meu queixo. — Dois meses. Eu vou te dar uma data, e uma vez eu te der, você pode fazer o que diabos você quiser. Apenas espere um pouco mais, ok? Uma parte minha está um pouco chateada por termos que esperar agora. Seria muito fácil apenas fugir de tudo e todos. Eu estava bem até Stuart entrar na minha vida, e meu pai começar a jogar com a minha cabeça. — Ok. Mais dois meses. — nós sorrimos um para o outro, e então ele beija minha cabeça novamente.

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— Como estão a suas costas? — Na verdade, não muito ruim. Eu acho que você estava se segurando um pouco. — Eu quero que você esteja pronta para sábado. Eu suspiro profundamente e fecho meus olhos. Eu ainda estou um pouco chapada da minha punição. — Não se preocupe. Eu estarei.

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vinte e sete Ontem foi tão bem quanto se poderia esperar. Eu fui para o clube com Reid e fodi Lord Byron em uma das salas privadas. O filho da puta sujo queria que eu latisse como um cachorro enquanto ele me fodia por trás. Desnecessário dizer que Reid e eu nos encontramos depois, rindo, em vez de terminar um trabalho que Lord Byron tinha começado. Ele não me fez gozar, mas quando você está latindo como um cão, é um pouco perturbador. Isto, no entanto, colocou um pouco de emoção nas coisas, e eu fui para casa tarde da noite com um sorriso. Hoje é domingo, e minha mãe convidou toda a família para o almoço. Eu estava, originalmente, convidada a visitar a casa de Amber, mas então mamãe aproveitou a onda e insistiu em convidar todos para a casa dela, ao invés disso. Vai ser minha primeira vez vendo Porter desde a semana passada, quando ele fodeu meus miolos. Vai ser estranho para ele, mas eu vou ser tão fria como um pepino. Na verdade, o pequeno diabo em mim vai apreciar o fato de que eu dormi com dois homens que estarão no mesmo lugar, nenhum deles tem sequer uma ideia sobre a mulher que eu realmente sou. Eu não me vesti com nenhum estilista hoje. Em vez disso, opto por um vestido floral que fica acima do joelho. Elegante, como uma filha que está num almoço de domingo com sua família. Eu passei uma maquiagem leve, deslizei em minhas sandálias de salto alto, e peguei minha bolsa. Se há uma coisa que eu não estou sacrificando, são meus saltos altos. Eles fazem as minhas pernas parecem mais longas e torneadas. Eu chamo um táxi. Assim que eu estou dentro, meu telefone dá um sinal, me alertando de uma mensagem. Eu olho para baixo e vejo que é de Stuart. Ele tem me mandado mensagens todos os dias, mas eu tenho tentado evitar falar com ele. Eu continuo pensando que é melhor assim. Ele está preocupado comigo, e uma grande parte minha se sente como merda por não responder. Eu nunca disse a ele, nem uma vez, que eu poderia dar a

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ele algo mais do que o que eu realmente podia oferecer, então o que ele esperava? Eu sei que soa como uma desculpa, mas eu lhe disse que não estava procurando um relacionamento... Eu chego na casa da minha mãe e de David, e é exatamente como eu me lembrava. Eu não estive aqui por um tempo, então é bom voltar a um lugar que tem tantas memórias, principalmente sexuais. Eu aperto a campainha, e as portas logo se abrem. Quando estou lá dentro, minha mãe chega à porta, pronta para me dar um grande abraço. David segue logo depois. Eu sei que ele sente minha falta, em mais de uma maneira, mas ele está errado se acha que eu vou lá novamente. Eu tive o que eu precisava dele e eu tive a ideia genial de nos gravar uma vez. Desde então, eu tenho isso lindamente gravado no meu laptop. — Scarlet, você está linda nesse vestido. Tão bom vê-la em algo um pouco menos formal. Entre, por favor. — ela me faz um gesto para entrar na casa, quando noto David me dando uma espiada. Como ele mantém seus olhos famintos vagando em mim, sem a minha mãe perceber, está além de mim. — Amber e Porter estão lá fora no fundo, apreciando um copo de vinho. Você gostaria de um? Eu concordo. — Sim, por favor. Ela sai e, rapidamente David está agarrando o meu braço e me puxando com ele enquanto caminha comigo. Com a outra mão, ele agarra a minha e dá um pequeno aperto. — Faz um bom tempo. Eu sorrio para ele. — Faz. — Eu senti sua falta. — eu posso dizer pelo seu tom de voz o que ele quer dizer, mas eu não retribuo. — Eu tenho estado um pouco ocupada. — Ah, sim. Seu chefe tem te mantido longe de nós. Eu não sei por que não o convida um dia para jantar. Eu não convido porque Reid não quer conhecer minha família fodida. Ele os odeia tanto quanto eu odeio. — Não temos esse tipo de relacionamento. É puramente profissional. — isso é puramente besteira, mas David não precisa saber disso.

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Pensando em Reid, eu tenho uma pontada. Ele está indo para a Espanha esta tarde e eu não sei quando ele vai voltar. Ele está indo para alguns lugares dar uma olhada em alguns clubes. Ele está feliz com isso, então eu também estou. Ele está querendo isso por tanto tempo, e eu sei que ele está mais do que atrasado em alcançar seu objetivo. Eu só espero que eu possa ser feliz com ele. — Ah, alguns chefes podem ser uns bundões difíceis. — eu sorrio para ele quando alcançamos as portas do pátio. Antes de passar, ele me para. — Eu realmente gostaria de vê-la novamente. — eu quase rio. Este cara está falando sério? Pelo menos ele é direto ao ponto, eu suponho. — Eu acho que não é uma boa ideia. Tanto quanto eu amei o que você e eu fizemos no passado, acho que precisa ser enterrado. Estou tentando voltar com a minha família. Espero que você possa entender. Ele parece realmente decepcionado com a notícia. Ele não vai admitir isso, mas eu sou o melhor sexo que ele já teve. — Eu penso muito sobre aqueles tempos, mas eu entendo. — eu sorrio com um aceno de cabeça, e eu estou prestes a caminhar quando ele me para. — Erm... seu pai... — ele para de falar, então eu sei que ele está lutando. Eu franzo a testa porque eu não sei o que ele está tentando fazer. Ele pode ver a minha expressão, então suspira. — As coisas que você o acusou... era verdade? De repente, sinto raiva. Todos esses anos me conhecendo, e ele decide me perguntar isso agora?! Eu não mostro a ele qualquer emoção quando eu lhe respondo. — Sim. Eu observo como seus olhos se arregalam antes de eu sair para cumprimentar Amber e Porter. — Oi, irmãzinha, que não se parece tão novinha agora. Rindo, eu a abraço antes de voltar minha atenção para Porter. — Oi, Porter. Porter coloca os braços em volta de mim e me dá um abraço. — Você está linda, — ele sussurra em meu ouvido.

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Ah, chifre-no-espeto número dois a postos. Alguém quer se juntar à festa? — Você está quase radiante, — Amber observa, olhando para cada polegada quadrada do meu rosto. Eu posso dizer que ela está secretamente esperando que eu esteja carregando o seu bebê e de Porter agora. Mal sabe ela que estou radiante por causa da surra que eu tomei de Reid há poucos dias. Até agora, eu ainda me sinto chapada. — Eu acho que é porque tenho aproveitado o sol nestes últimos par de dias. — eu sorrio, olhando por cima, para a cozinha. Eu realmente poderia ter o copo de vinho. Infelizmente, parece que David e minha mãe estão em uma profunda discussão sobre algo. Acho que vou ter que esperar um pouco mais. — Bem, seja o que for, você parece bem. Eu estou uma bagunça, exausta depois de lidar com um monte de crianças de sete anos durante toda a semana. Eu juro que eles vão embora nos fins de semana e pensam nas maneiras que poderiam irritar o professor na semana seguinte. — ela toma um gole de vinho antes de falar novamente. — De qualquer forma, é o suficiente sobre mim. Como tem sido o trabalho para você? — Nada mal. Meu chefe está indo para a Espanha hoje. — Oh legal. É a trabalho? — eu aceno. — Por que você não está com ele? — Eu pedi meu passaporte cerca de seis semanas atrás, e ele ainda não chegou. Aparentemente, eles têm um atraso. Ela faz beicinho. — Oh, isso é uma merda. A Espanha é linda... bem, é na maioria das regiões. Você sabe onde ele está indo? — Principalmente sul... em torno de Málaga. Eu acho que ele pode ir para Ibiza também. Ele quer comprar um clube lá fora. — Oh, uau. Isso vai ser legal. Ele se mudará para lá, então? Eu concordo. — Sim, e ele quer que eu vá com ele. Seus olhos se alargam. — Sério? E como você se sente sobre isso? — Eu estou pensando em acompanhá-lo, mas não será por um tempo ainda, — eu minto.

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— Oh, uau. Parece emocionante. Talvez, assim que você esteja estabelecida, podemos aparecer por alguns dias. Eu nem estou lá ainda, e ela já está planejando um período de férias. Logo ela vai se dar conta que em breve ela não será capaz de esperar para se livrar de mim. — Talvez, — eu digo, e eu estou tão aliviada quando minha mãe finalmente surge com aquele copo de vinho. — Obrigada. — ela esfrega o meu ombro com um sorriso tenso. Talvez ela e David estivessem discutindo. — Quando o papai chega? Todos os cabelos na parte de trás do meu pescoço se levantam com a menção dele. Minha mãe não disse nada sobre o meu pai estar vindo hoje. Eu olho para a minha mãe, e ela parece tímida de repente. Quando eu olho para David, ele parece irritado. Talvez esta seja a razão do por que eles estavam discutindo. — Ele ligou agora, disse que estava um pouco atrasado, mas estará aqui em cerca de cinco minutos. — de repente, o ar é sugado para fora de mim. Eu estava preparada para Davi e Porter, mas não para ele. Eu tomo uma respiração profunda, pensando que eu posso fazer isso. Na verdade, vai ser divertido. Isto significa simplesmente que terei três deles disputando minha atenção. Mas eu sei que apenas um vai conseguir. Minha única solução para esse problema é sair mais cedo do que todos os outros. Se eu fizer isso, então eu não tenho que ficar sozinha com ele. Eu sei como ele é, e sei que ele vai tentar qualquer coisa e tudo em seu poder para me encontrar sozinha em algum momento hoje. Não importa o quanto eu resista, eu sei que darei à ele. Ele estava definitivamente certo sobre uma coisa. Nós dois somos obcecados um com o outro. — Você está bem? — David mexe os lábios para mim. Concordo com a cabeça com um sorriso. Eu posso fazer isso. Eu posso enfrentá-lo e ficar calma. Eu posso estar com ele e lidar com a atração constante que ele tem sobre mim. Qual é a pior coisa que ele pode fazer? Estamos em uma casa cheia de nossa família. Simplesmente não há maneira possível que ele pudesse fazer qualquer coisa. — Scarlet estava nos dizendo que ela está indo para a Espanha. — eu ~ 214 ~


olho para Amber. — Você está se mudando para a Espanha? — David pergunta, incrédulo. Posso dizer que ele não está excitado com a ideia. — Eu só estou pensando sobre isso. Isso pode nunca acontecer. — eu suspiro, olhando para Amber novamente. Ela é realmente uma agitadora. — A Espanha é muito quente durante o verão. Me lembro de férias por lá um par de anos atrás, estava quarenta e tantos todo dia. Era demais. — minha mãe começa a abanar o rosto. — De qualquer forma, por que você vai se mudar? O que está levando você lá? Estou prestes a falar, mas Amber se intromete novamente. — Seu chefe está à procura de uma boate. Eu não posso falar por mim? — É o sonho dele possuir uma. Eu não tenho certeza se vou ainda. Eu só sei que ele vai querer me levar. Ele diz que eu sou uma boa funcionária. — eu sorrio para mim mesma sobre isso. Se eles realmente soubessem o que meu trabalho implicava. — Você vai nos deixar saber, não é, querida? Parece que nós acabamos de ter você de volta novamente, e agora você está pensando em se mudar. Estou surpresa com a reação da minha mãe, mas eu sorrio para ela. — Claro. Como eu disse, é apenas um pensamento no momento. Nada está definido até ele encontrar algum lugar e eu diga sim ou não. — Quando você acha que ele saberá? — pergunta Amber. Eu posso ver porque ela está perguntando. Ela está preocupada com o bebê. — Se eu disser sim, isso não será por muito tempo. Existem... certas coisas que eu preciso lidar aqui primeiro. — eu dou a ela um sorriso suave, então ela sabe do que eu estou falando. — Bem, isso é bom, — diz David. — Isso nos dá mais tempo para mudar sua opinião. — Aconteça o que acontecer, vamos levantar nossos copos. — minha mãe levanta o dela, para que todos sigam o exemplo. — Por um novo começo.

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— Por novos começos, — todos cantarolamos juntos. — Se você me der licença, eu preciso visitar o banheiro, — eu digo, colocando o copo em cima da mesa. Eu ando através das portas do pátio da sala de estar e entro no corredor. Eu rapidamente uso o banheiro e quando termino, eu estou prestes a fazer o meu caminho para fora quando eu ouço o som da campainha. Meu coração pula, sabendo quem é, mas eu dou pequenos passos até a porta. Quando eu atendo, ele está lá em pé, com uma garrafa de champanhe na mão. Ele está informal hoje, com um par de shorts azul-marinho e uma camisa polo marrom. Ele me dá uma espiada antes de entrar. — Scarlet, — diz ele, lambendo os lábios. Eu tento não deixar que o que ele faz me afete, mas nunca precisa muito para eu me render à sua vontade. Também não me surpreende que, quando eu o deixo entrar, e ele fecha a porta, olha para ver se alguém está lá antes de baixar a garrafa de champanhe, me empurrando contra a parede. Com uma mão no meu pescoço, e a outra arrastando pela minha coxa, ambos respiramos profundamente contra a boca um do outro. — Eu estive ansioso por hoje. — ele passa a mão pela minha calcinha até que ele atinja minha buceta. — E pelo que parece, você também. Eu sorrio para ele. — Isso é porque David foi mais do que atencioso desde que cheguei. Seu sorriso logo se transforma em uma careta enquanto ele aperta meu pescoço. Eu começo a engasgar com a pressão. — Porra, é melhor estar brincando comigo, Scarlet. Eu disse que ninguém é permitido perto de você, só eu. Se eu descobrir que você esteve transando por aí, eu vou te matar. — O que faz você pensar que é meu dono? Eu não te vi em mais de um ano, e você acha que pode voltar para a minha vida e pegar de onde você parou? Não funciona assim, papai. Ele aperta um pouco mais. — Basta lembrar que você veio até mim. Ou você esqueceu tão facilmente? — Sim, mas eu acho que você sabe qual era o meu propósito. Eu consegui o que queria de você. Ele empurra a mão mais alto até que ele atinja o meu estômago. Uma vez lá, ele coloca a mão plana. — Sério? É um pouco cedo para dizer ainda. ~ 216 ~


— ele libera o estrangulamento da sua mão em mim e, em vez disso, gentilmente coloca a mão no meu rosto. — Independentemente de saber se estou aqui ou não, — ele acaricia a barriga, — eu estarei sempre aqui. — ele coloca um dedo contra o lado da minha testa. — E essa é a razão pela qual você vai sair comigo depois de termos esse fodido almoço monótono acabado e resolvido. Eu começo balançando a cabeça. — Isso não vai acontecer. Ele está prestes a dizer algo quando ouvimos uma voz. — Oh, aí está você. — meu pai rapidamente me solta e se vira para encontrar David lá em pé. Ele está sorrindo, mas é um sorriso forçado. Eu não tenho certeza o quanto disso ele viu, mas isso nunca me pareceu tão bom. Eu tenho certeza que para mamãe ou Amber isso pareceria apenas um pai tendo um momento agradável com sua filha, apesar de ter sua filha contra a parede. — Nós estávamos imaginando onde você estava. Está tudo bem? — Por que não estaria? — meu pai estala. David, ignorando meu pai, caminha até mim e coloca um braço em volta de mim. — Você está bem? Eu aceno, mas tento esconder algumas lágrimas forçadas que estão chegando. — Eu estou... eu estou bem, — eu digo, com a voz trêmula. Eu olho para cima para ver o rosto do meu pai e dou uma piscadela para ele. David se vira para o meu pai. — Você não é bem-vindo nesta casa se você vai perturbar meus convidados. Meu pai parece que vai explodir. Ele dá um passo para frente, apontando para David. — Não ouse me dar sermão sobre como eu deveria ser com minha própria filha, porra. Eu facilmente poderia partir um homem como você ao meio, então é melhor você prestar atenção à sua boca. Eu levanto uma sobrancelha para o meu pai. Não tenho dúvidas de que ele poderia partir David ao meio. David é um cara grande, mas ele não tem nada do meu pai. Meu pai costumava lutar em seus anos mais jovens. Eu acho que é por isso que ele gostava de praticar em mim de vez em quando. Eu nunca fui daquelas de gostar das bravatas do sexo masculino, mas não posso deixar de ter uma grande emoção ao ver meus dois padrastos lutando por mim. Há algo bastante perverso e ainda altamente excitante ~ 217 ~


sobre isso. Minha mente pensa sobre David e meu pai juntos, e evoca um sanduíche de padrastos. Agora, isso realmente seria delicioso para saborear. — Aí está você, Richard. Eu não ouvi a campainha tocar. A carranca do meu pai desaparece rapidamente quando ele se vira para cumprimentar minha mãe. — Scarlet teve a gentileza de me deixar entrar. — ele a beija nas duas faces. — Desculpe, eu estou um pouco atrasado. Minha mãe lhe dá um sorriso bobo. Ela já está bêbada, daí a razão pela qual ela está completamente alheia à atmosfera na sala. — Oh, não se preocupe com isso. O almoço não estará pronto por mais dez minutos. Então, por favor, venha para fora e tome uma bebida conosco enquanto esperamos. Amber está morrendo de vontade de te ver. — ela acena para frente e ele começa a seguir. No entanto, antes que ele ande, ele se vira para David e lhe dá um olhar de advertência. É aquele que transforma todo o meu corpo em gelo. Me lembro dele me dando aquele olhar antes que ele fizesse algo comigo, que eu nunca vou esquecer. Quando ele está um pouco fora do alcance, David aperta meu ombro. — Você está bem? Parecendo um pouco assustada, eu aceno com a cabeça. — Sim, estou bem. Ele foi apenas um pouco duro lá na parede, e isso me assustou um pouco. Eu sei que eu sou crescida, mas ele ainda é um homem grande. Ele pode me esmagar, e ele sabe disso. Eu acho que é por isso que ele gosta de fazer coisas desse tipo. Ele sabe que tem o poder sobre mim. Por um momento, eu pensei que eu tinha catorze anos mais uma vez. David fecha os olhos antes de olhar para mim. — Por que você nunca me disse? Todos esses meses vivendo com a gente, e você nunca me disse uma vez sobre o que aconteceu. — Mamãe deve ter dito? — pergunto. — Ela mencionou alguma alegação. Ela disse que era apenas alguma rebelião adolescente contra o seu pai, e que para se expressar, você queria acertar em cheio nele. Ela disse que foi cruel, e por um tempo, foi difícil perdoar você pelo que fez. — colocando uma mão sobre seu rosto, ele suspira. — Todo esse tempo do caralho, você estava dizendo a verdade, não estava? — eu aceno com a cabeça, mas estou tropeçando sobre o que ele está divulgado para mim. Meu pai abusou de mim por mais de dois anos, e ~ 218 ~


ainda ela sentia que não poderia me perdoar? Bem, foda-se ela. Fodam-se todos eles. — Isso é fodido. — David me puxa para um abraço. Ele quer me consolar, mas nenhuma quantidade de afeto dele jamais poderia levar para longe o que a minha família me fez. David é tão idiota como o resto. Ele não via problema em me levar quando eu abria as minhas pernas para ele noite após noite, sabendo muito bem que eu poderia ter sido abusada pelo meu pai. Eu não sou nenhuma santa, mas eu sou responsável por minhas ações. Tudo que eu faço, faço sabendo que há uma consequência. Minha família é totalmente ignorante, porra. Enquanto minha mãe desce seu gin e tônica pela garganta, meu padrasto me fode, e meu pai pode ainda colocar suas mãos sobre mim, todo o resto é esquecido ou posto de lado. É como se eu viesse da família Stepford, mas em sentido inverso. No entanto, não importa o quanto eu queira gritar aos quatro ventos e dizer a eles tudo isso, eu mordo minha língua e faço o papel da filha obediente. — Minha mãe não sabia, David. Escondi bem. — Mas você tentou dizer a ela, e ela praticamente te chamou de mentirosa. Isso deve ter doído. Doeu... ainda dói pra caralho. — Isso são águas passadas. Por favor, por mim, deixa pra lá? — eu pergunto, me afastando e olhando em seus olhos. — Por favor. Ele pega meu rosto e acena com a cabeça. Por um momento, ele não se move, e posso dizer que ele quer me beijar, então não é nenhuma surpresa quando ele se abaixa e coloca seus lábios nos meus. Eu o deixo porque, por aquele breve momento, eu estou dando uma facada bem na minha mãe e meu pai, que estão apenas alguns metros de distância de mim. Deslizando sua língua em minha boca, ele pega minha bunda, me empurrando para a sua dureza. Nós dois gememos na boca um do outro enquanto nos exploramos. Depois eu me afasto e nós dois estamos respirando pesadamente. — Isso não deveria ter acontecido, — eu digo, tentando recuperar o fôlego. David apenas sorri e acaricia meu rosto. — Agora eu entendo por que você veio para mim. Ele está certo no que ele quer dizer. Eu fui para ele para dizer um ~ 219 ~


grande foda-se para a minha mãe, mas eu não quero que David pense isso sobre mim. Bem, ainda não de qualquer maneira. Estou prestes a discordar quando ele coloca um dedo sobre meu lábio. — Shh. Está bem. Eu entendo. Eu acho que eu fiz o que fiz naquele momento, pela mesma razão. — ele sorri, me solta e segura minha mão. — Podemos? — eu aceno com a cabeça, e ele me leva para o jardim. Quando saímos, todo mundo olha para cima. Meu pai parece que vai matar alguém de tão louco que ele está. Mas, novamente a minha mãe e irmã estão alheias ao seu humor. — Aí estão vocês dois. Eu estava prestes a enviar uma equipe de busca. Andamos mais perto, mas David nunca solta minha mão. É claro que meu pai percebe, e eu vejo quando sua mandíbula aperta. Tenho certeza de que David viu também, quando ele aperta um pouco mais a minha mão. — Scarlet e eu estávamos conversando um pouco sobre seus jovens anos da adolescência. — ele olha meu pai com desconfiança, e posso dizer que ele está tentando o seu melhor não reagir a ele. — Ah, sim? — Ela me disse que nunca teve a chance de sair com rapazes. Minha mãe ri em sua bebedeira. — Não teve chance? Oh, por favor. Os meninos estavam fazendo fila na porta para sair com Scarlet, mas ela rejeitou cada um deles. David olha meu pai bem no olho. — Hmm. Eu me pergunto o porquê. — Eu acho que sei, — grita Amber. Eu rolo meus olhos. Ela está muito bêbada, e eu sei exatamente onde isso está indo. O mesmo acontece com Porter, porque ele a cutuca. — Amber, cala a boca, — ele sibila num sussurro. — O quê? — ela pergunta, irritada. — Ser gay não é nada para se envergonhar. — Gay! — minha mãe, pai, e David gritam juntos. Logo, David e meu pai estão rindo com o pensamento, mas a minha mãe ainda parece chocada. Em um instante, o rosto dela muda como se alguma coisa ficasse claro ~ 220 ~


para ela. — Oh meu Deus, tudo faz sentido agora. — ela olha para mim. — Por que você não me disse? Encolho os ombros. — Não há nada demais a dizer. Eu não estou em um relacionamento ainda, então eu não senti a necessidade de me explicar antes que a pessoa certa venha. — Mulher, — diz Amber com uma piscadela dissimulada. Ela acha que está sendo engraçada, quando na realidade, ela está sendo uma cadela completa. Se eu fosse gay, eu iria assumir quando eu quisesse, não quando a minha irmã decidisse, não tão eloquentemente, por mim. Eu olho para ela com irritação e percebo quando Porter me dá um sorriso de desculpas. Até mesmo ele está começando a ver a verdadeira Amber agora. — Sr. e Sra. Bernstein, o almoço está pronto. Nós voltamos nossa atenção para a sua mais recente empregada. Quem quer que seja, ela é nova. Eu me lembro quando eu estava vivendo aqui, David demitiu pelo menos duas. Uma delas era porque ela o pegou me fodendo no banheiro da piscina. Nos reunimos na sala de jantar antes de tomar nossos lugares. Há uma abundância de comida, frango, arroz, massas, batatas e salada, tudo cuidadosamente preparado no meio da mesa. Quando eu tomo o meu lugar, noto David, meu pai, e até mesmo Porter competindo para obter um assento ao meu lado. No final, Porter e meu pai ganham, simplesmente porque minha mãe puxou David para ir sentar ao lado dela. Quando eu sento, tenho que baixar um pouco a cabeça para esconder meu sorriso. É por isso que eu vim aqui hoje. Apesar de alguns pequenos aborrecimentos, estou me divertindo. Começamos servindo em nossos pratos, e logo depois, meu pai tem a sua mão no meu joelho. É o suficiente para me dar um aviso de que ele ainda está lá. Quando eu mordo um pouco de comida, eu coloco uma mão debaixo da mesa e logo depois, eu sinto a mão de Porter na minha. Ele me aperta suavemente, me fazendo olhar para ele. — Você está bem? — ele sussurra, enquanto minha mãe e Amber cacarejam em segundo plano. Eu sorrio. — Eu estou bem, — eu sussurro de volta. — Ela foi desnecessária... o que ela disse. ~ 221 ~


Eu dou de ombros. — Não é nada demais. — ele olha para mim como se eu não estivesse dizendo a verdade. — Sério, eu estou bem. — Eu sinto falta de você, — ele de repente sussurra. — Eu estava morrendo para te ligar, mas eu não sei o que você diria sobre isso. — como não tenho reação, ele continua. — Posso aparecer amanhã? Eu sorrio para ele. — Não. Eu acho que não é uma boa ideia. — eu noto que meu pai parou de falar, o que significa que ele provavelmente pode nos ouvir. Eu limpo minha garganta e aperto a mão de Porter em advertência. — Isso é lindo, mãe. — eu sorrio para ela, tentando iniciar uma conversa. Eu realmente não quero conversar com a minha mãe bêbada, mas é melhor isso do que o meu pai descobrir sobre Porter e eu. Eu não me importaria em um par de meses, mas agora não seria uma boa hora. — Você já disse ao papai? — Amber pergunta, sorrindo para mim. — Me disse o quê? — ele pergunta, olhando muito interessado. Qualquer coisa sobre mim ele acha interessante. — Essa mudança de Scarlet para a Espanha. Lá vai ela novamente abrindo a porra da boca. Sinto uma súbita vontade de pegar um certo pen drive, ligá-lo em seus malditos olhos, e apertar PLAY. Meu pai aperta meu joelho com força. — Quando isso foi decidido? — ele tenta parecer indiferente quando pergunta, mas falha miseravelmente. — Eu continuo dizendo a ela que nós apenas tivemos nossa filha de volta. — ótimo, agora minha mãe está entrando na conversa. — Eu não disse que eu estava me mudando. Eu disse que, possivelmente, tenho a oportunidade. Há uma grande diferença. — Sim. Deixe a pobre menina em paz, — David diz em um tom irritado. — Eu acho que você e eu precisamos conversar mais tarde, — meu pai sussurra. David ouve e olha para o meu pai. Então, minha mãe decide falar sobre as férias, porque a menção da Espanha iniciou nela uma ideia de que ela e David precisavam ir em um cruzeiro Mediterrâneo. Foi chato, mas pelo menos a pressão estava fora de

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mim. Assim que o jantar acabou, todos bebemos café e começamos a falar sobre crianças. Eu fiquei paranoica sobre isso, pois pensei que Amber poderia contar tudo sobre eles me usando para tentar um bebê. Ela disse que queria deixar isso como uma surpresa e ela está aderindo a isso. Pelo menos eu não sou a irmã fofoqueira que está ansiosa para dizer a todos. Eu não quero que eles saibam tanto quanto ela. No momento que os cafés terminam, estou me sentindo um pouco tonta do vinho. Meu pai quase não deixou a mão do meu joelho, e até agora, eu posso sentir o calor penetrar minha pele e fazer coisas em mim Eu não quero isso. — Eu acho que eu vou ir agora, — eu digo, baixando o meu guardanapo e me levantando do meu assento. Meu pai tira relutantemente sua mão da minha perna. — Eu tenho que me encontrar cedo com um cliente na parte da manhã. — eu não tenho, mas é a melhor desculpa que eu posso usar para sair. — Eu vou te levar para casa. — meu pai se levanta comigo e meus olhos se arregalaram. — Não, está tudo bem. Fique e desfrute de uma bebida. Eu não quero estragar sua diversão. Ele agarra meu braço e sorri. — Eu insisto. De repente, David se levanta. — Eu posso te levar para casa. Minha mãe começa a rir. — David, o que você está fazendo? Richard já ofereceu. — Eu sei. Eu só acho que eu deveria levá-la para casa, — ele responde por entre os dentes. — Não seja tão bobo. Richard é o pai dela e ele quer dar a sua filha uma carona de volta para a casa dela. Pare de ser um idiota. — ela ri novamente, e novamente não percebe a tensão no ar quando o meu pai e David olham um para o outro. Eu posso ver isso piorando, e piorando seriamente. Eu não posso ter um confronto, não agora. Então, eu faço o que eu acho que é melhor e me viro para David. — Eu vou ficar bem, David. Não se preocupe. Papai pode me

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levar para casa. — eu sorrio para ele com um aceno de cabeça, e ele relutantemente recua. Eu sei que ele quer empurrar isso, mas ele sabe que não será capaz de fazer sem causar uma grande cena. No final, todos ficam de pé, e um por um, todos nós damos abraços e beijos de despedida. Assim que acabo tudo isso, meu pai me leva para sua Ferrari, me ajuda a sentar, antes de ir ao redor para seu lado. Assim que ele entra, liga o carro e se vira para mim. — Espanha? Eu sabia que isso ia acontecer, então eu suspiro. — Meu chefe está indo e perguntou se eu gostaria de ir com ele. — Você não vai, porque eu não vou deixar. — Eu sei que você não vai. — Então, por que você tocou no assunto? Eu sorrio. — Para te chatear. Meu pai inala bruscamente. — Você sabe o quanto eu quero bater em você agora? E o que diabos era aquilo, com David? Dou a ele um olhar impressionado. — O que você espera, hein? Você me prendeu contra a parede com as mãos em cima de mim. Eu não sei o que David viu no final, mas não poderia ter parecido bom. Ele sabe sobre o passado, e quando ele viu isto, colocou dois e dois juntos. Ele só quer me proteger de você. Meu pai ri com raiva quando ele se afasta da casa e dos portões da frente. — Ninguém pode te proteger de mim. Tudo o que eu fiz foi proteger você de... — O quê? Outros monstros como você? — Melhor do que o diabo... — É essa a sua desculpa para a maneira que você me criou? Você chama isso de me proteger? Ele olha para mim por um momento. — Preciso lembrá-la de um certo garoto que intimidava você na escola? Não. Me lembro muito bem. Stanley acordou do coma no final, mas o seu médico disse que ele sempre teria uma fraqueza em seu lado esquerdo.

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Meu pai quase o matou tentando me proteger. Ele não sentiu nada sobre fazer todas aquelas coisas doentes e deturpadas comigo, mas no momento que alguém tentou me machucar, ele se arrependeu. Stanley não foi o único rapaz a incorrer a ira de meu pai ao longo dos anos. Amber uma vez me levou a uma loja local para comprar alguns doces, e o proprietário estava flertando descaradamente comigo. Amber achou engraçado e cometeu o erro de dizer ao meu pai. Felizmente, Amber disse a ele que eu praticamente fugi, então me impediu de ver o resultado da sua ira. No entanto, o dono da loja não teve tanta sorte. No dia seguinte, seu tio teve de assumir porque o proprietário estava no hospital com duas costelas quebradas, um olho roxo e uma perna quebrada. Como meu pai fugiu com essas coisas é uma incógnita. — Não, você não precisa me lembrar. — eu digo suavemente, e isso tem a reação que eu quero. Ele parece mais calmo agora, enquanto agarra minha mão. É realmente engraçado como ele quase nunca fez isso comigo quando eu era mais jovem. — Para onde você está me levando? — Casa, — ele simplesmente afirma. Eu sei que não é a minha casa. — Minha casa não é assim. — Você não vai para sua casa. Você realmente acha que eu ia apenas te deixar? — eu balanço minha cabeça, e quando eu faço, ele solta sua mão e começa a subir o meu vestido. Com um dedo, ele o coloca dentro de minha calcinha e começa a esfregar meu clitóris. Eu gemo alto. Ele me tem exatamente onde ele quer e, a julgar por seu sorriso arrogante, ele sabe que é verdade. Eu fecho meus olhos enquanto ele continua. No momento em que chegamos à sua casa, nós dois estamos fora do carro e dentro de sua casa em segundos, rasgando as roupas um do outro. Ele nem se incomoda em me levar lá para cima. Em vez disso, ele me toma no chão, bombeando sem parar dentro de mim. Eu o assisto, como ele me assiste, enquanto ele se move dentro e fora de mim, é quase como se nós estivéssemos desafiando um ao outro para desviar o olhar. Mas então, de repente, ele sibila seu prazer, e minhas entranhas queimam como nunca.

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— Eu te amo, — ele diz suavemente. Meus olhos se arregalaram em descrença. — Você não pode dizer... — Porra, eu te amo Scarlet. Eu. Amo. Você. — ele diz cada palavra enquanto se empurra em mim, e com cada impulso, ele está desafiando o meu orgasmo para a superfície. Ele diz novamente. E mais uma vez, com cada sílaba, meu orgasmo está subindo para os mais altos patamares. Em todos os meus anos de vida, tudo que eu sempre quis ouvir foi meu pai dizendo que me amava. — Eu te amo! — ele grita de novo, olhando nos meus olhos. É então, neste momento, quando eu vejo isso em seus olhos, que meu orgasmo trava contra mim. Eu grito seu nome enquanto eu tremo debaixo dele. Pouco tempo depois, sua própria libertação transborda para mim. — Você não pode escapar de mim, — ele sussurra. — Você não pode escapar de mim. — Você não pode escapar de mim.

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vinte e oito Três horas mais tarde, quando a noite está chegando, meu pai me deixa sair de sua cama. Ele me fodeu mais duas vezes depois disso, e cada vez, ele me fez gozar mais forte que da última. Eu não tenho certeza o que é isso que ele tem sobre mim. Anos atrás, tudo o que ele me deu foi dor, mas agora, as coisas mudaram, e eu estou ficando na outra extremidade do espectro. Prazer. Amor. Prazer. Amor. Ele administra o pulsar disto através da minha cabeça, descendo até a ponta dos meus dedinhos. Ele está em todo o lugar em mim, como a mais macia das sedas. Eu só quero me enterrar nele e ele em mim. Ele sente isso. Eu sinto isso. E nenhum de nós pode pará-lo. — Um dia, eu não vou deixar você ir para casa, — diz ele, quando eu estou me vestindo. Eu imediatamente me viro para ele. — E como você explicaria à mamãe e Amber? Ele parece que está prestes a finalmente me dizer, mas de repente contém a sua língua. — Eu tenho certeza que eu poderia pensar em alguma coisa. — Sim, porque de repente, eu viver com você quando eu posso, obviamente, cuidar de mim mesma não pareceria suspeito, não é? Nem me engravidar e você se comportar como um pai para o nosso filho. — eu estou empurrando seus botões, porque eu quero que ele finalmente me olhe nos olhos e me diga. Eu quero que ele admita que não é meu pai e nunca foi realmente. Eu era apenas sua marionete de vingança que ele gostava de

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brincar porque ele não podia descontar sobre a mãe preciosa que carregou sua preciosa filha, Amber. — Como eu disse, eu vou pensar em alguma coisa. — sua voz levanta, então eu sei que ele está ficando com raiva. — Por que você disse o que disse para mim lá embaixo? Ele me olha bem no olho. — Porque é verdade. Ele não explica, e eu não esperava que ele fizesse. Uma parte de mim acha que é verdade, mas a maior parte me diz que ele está sendo um mestre manipulador. Ele sabe o meu ponto fraco e está usando tudo o que pode para explorá-lo. — Eu estou indo para casa, — eu digo a ele enfaticamente. Ele me encara de cima a baixo novamente. — E por agora, eu estou deixando você ir. — ele coloca a camisa de volta e começa a fechar os botões quando olho fixo para ele. Quão doméstico tudo isso parece. Aqui estou eu, de pé no quarto do homem que me criou, apenas poucos minutos depois de ter relações sexuais com ele. Devemos estar em The Jerry Springer Show. Assim que ele termina de se abotoar, ele caminha em minha direção, me beija avidamente, e depois diz: — Eu deixo você ir uma vez, mas nunca mais. Na verdade, eu deixei você ir duas vezes. — ele balança a cabeça como se estivesse irritado consigo mesmo por isso. Eu deliberadamente suspiro nos seus braços. — Mas você me tem agora. Ele me puxa com força para ele. — E essa é a maneira como isso vai ficar. Ele me solta e sem uma palavra, ele sai pela porta do quarto. Eu corro para baixo atrás dele e rapidamente recolho minha bolsa, que deixei cair no chão do corredor depois que entrei. Eu acho que realmente não me importo sobre estar arrumada quando eu tinha as mãos deste homem em cima de mim. Sem outra palavra, ele pega as chaves de sua Ferrari e pega a minha mão. Ele nunca parece me querer fora de sua vista, por medo que eu fuja dele. Mal sabe ele que quando estou com ele, eu quero fazer tudo, exceto fugir.

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Pouco é dito na viagem de volta para minha casa. Eu posso dizer que ele está remoendo alguma coisa, mas eu não pergunto o que. Só quando ele para ao lado da minha casa, que ele reage ao vermos Stuart sentado no degrau esperando por mim. — Quem diabos é esse? — pergunta ele, observando quando Stuart nos nota, fecha a cara, e se levanta de sua cadeira. Eu começo a entrar em pânico. — Ele é apenas um amigo. Eu vou sair pela porta, mas ele agarra meu pulso e aperta com força. — Quem diabos é ele, Scarlet? — seu rosto se fecha em uma carranca. — Ele parece familiar. Meu coração começa a bater descontroladamente. Eu olho para Stuart, e posso dizer que ele pode ver que algo não está certo. Ele faz um pequeno movimento para se aproximar, então eu volto para o meu pai. — Se você não me deixar ir, ele vai vir aqui e começar a fazer perguntas. Ele sabe que você é meu pai, e ele vai querer saber por que você está me agarrando assim. Ele range os dentes, mas solta o meu pulso. — Isso não deveria ter que ser assim, — diz ele com um sorriso de escárnio. — O que você quer dizer? — eu pergunto, sabendo muito bem, mas precisando dele para dizer as palavras. — Nada, — ele estala. Meu pai tem um dilema agora. A seus olhos, ele está tendo um caso com sua enteada, aquela que o acusou de abuso sexual quando era menor. Se isso vier à tona, não vai ficar bom para ele. Se é consensual entre nós ou não, isso ainda vai colocar dúvida na mente de todos os que não acreditaram em mim. Eu era uma criança de quatorze anos, e ele abusou de minha confiança. Não só isso, mas ele era suposto ser um modelo. Um pai. — Eu vou te ligar em uma hora. Se ele não tiver ido até lá, eu estou chegando. Você me entendeu? Eu aceno com a cabeça. — Eu entendi. Eu saio do carro, e assim que eu fecho a porta, meu pai acelera, seus pneus chiando. Percebo o olhar raivoso que ele dá a Stuart quando ele vai

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embora. — Quem era? — Stuart pergunta, correndo para mim. Dou a ele um sorriso tímido. — Era o meu pai. — Porra! — ele passa os dedos pelo cabelo antes de pegar meus ombros. — Você está bem? Ele machucou você? — ele pergunta, olhando para todos os sinais que ele possa ter. Eu balanço minha cabeça. — Estou bem. De repente, ele parece ferido. — É por isso que você não aceitou minhas ligações ou respondeu a nenhuma das minhas mensagens de texto? Ele tinha algo a ver com isso? Eu balanço minha cabeça novamente. — Não. Tenho estado ocupada, isso é tudo. Seu rosto reflete uma mistura de dor e raiva. Por que ele continua persistindo em nós? Ele merece alguém muito melhor do que eu. — Posso entrar? — pergunta ele timidamente. Minha mente e meu coração estão me dizendo que isso é uma má ideia. Eu não deveria estar encorajando mais isso. Eu disse que iria terminar as coisas com Stuart, e é o que eu deveria fazer agora. Mas quando ele olha para mim, com aqueles olhos azuis dele, o meu coração se derrete um pouco. — Ok, — eu digo, balançando a cabeça. Eu estou indo para o inferno por isso.

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vinte e nove — Eu estive preocupado com você. Eu olho para os olhos preocupados de Stuart e quase vacilo. Como ele pode ser tão tentador quando está me dando nada além de doçura e bondade? Mesmo sem conhecê-lo, ele também está me dando uma chance de redenção. Estou longe e além da redenção. Eu não sou o que ele quer que eu seja e que, acima de tudo, me dói de maneira que não deveria. Eu não fui criada normalmente, então estou muito além do normal. No entanto, aqui está ele, me tentando com sua doçura, sua bondade, e o coração mais puro que me oferece a redenção que eu deveria procurar. Porém, como posso, quando tudo que eu quero é crueldade, dor e vingança por todos os erros que tenham sido colocados unicamente em mim e mais ninguém. Eu. Eu não tenho o direito de precisar desse senso pervertido de justiça contra o mundo, por tudo o que foi atirado em mim quando eu era apenas uma adolescente? — Não há nada para se preocupar. — eu dou a ele o meu melhor sorriso premiado. Eu tive anos de prática. Só porque eu estou fodida, não significa que todos podem ver através das minhas rachaduras. Eu não tenho nenhuma pela qual eu esteja preocupada. Elas são herméticas. Seladas para além de penetração. Ninguém pode passar por mim. Eu sou como o aço. Você não pode me dobrar. Você só pode me abalar. Você só pode me sacudir. Muito em breve, vou retomar o formato forte e sólido que eu sempre tive. Você não pode me quebrar, Stuart. Não tente. Eu só vou acabar quebrando você. Stuart corre para frente, agarrando meus ombros. — Eu não acredito em você. — ele se afasta, como se algo doesse a ele. — Merda, Scarlet. O que ~ 231 ~


aconteceu com você? Eu posso ver que alguma coisa aconteceu, mas eu não consigo entender por que você virou as costas... por que você nega que alguma coisa estava errada. Eu olho para ele confusa. — Que diabos você está falando? Ele fecha os olhos e agarra meus ombros novamente. — Naquele dia, quando eu vim para você, e eu suspeitava que algo estava errado com o seu pai... eu chamei a polícia e foi dito pelos meus pais que o serviço social veio e falou com você um par de dias mais tarde. Que você disse que amava seu pai e que você só fez aquelas alegações porque você estava brava com ele. No final, eles relataram que você veio de uma família amorosa, você era apenas uma adolescente problemática, e eu estava sendo levada por alguma paixão de estudante. Eu quase entro em colapso. Certamente isso não pode estar acontecendo? Por que ele está me dizendo isso? Com certeza, eu sei que ninguém do serviço social veio me visitar. — Por que você está mentindo para mim? É porque você quer ser livre de culpa pelo que você achava que sabia naquela época? Se assim for, não se preocupe. Eu vou exonerar você. Nenhuma culpa é necessária. Você não tem que inventar histórias sobre a visita do serviço social. Ele fecha os olhos e balança a cabeça. — Eu juro que é verdade. Liguei para eles. Eu envolvi meus pais e tudo. Nos foi dito mais tarde que você disse que estava apenas se expressando, uma típica adolescente não conseguindo o que ela queria. Fiquei chocado ao ouvir isso. Eu podia jurar que havia algo lá. Por que você mentiu, Scarlet? Por quê? Eu não posso respirar. De repente, todo o ar foi sugado para fora dos meus pulmões. — Eu não entendo. Eu nunca recebi uma visita, e nunca falei com ninguém do serviço social. Eu juro. Eu sento e Stuart fica comigo. — Bem, se você não fez, quem foi? De repente, como um raio, vem a mim. — Amber. Stuart faz cara feia. — Amber como a sua irmã, Amber? — eu aceno com a cabeça. — Você está sugerindo que ela estava fingindo ser você? Isto faz todo o sentido. — Eu não consigo pensar em ninguém mais que poderia ser. Certamente não era eu, Stuart. Posso te assegurar. — Mas por quê? ~ 232 ~


Eu fecho meus olhos. Eu não deveria estar indo nisso com ele. Ele merece muito mais. — Por favor, saia. — O quê? — Vá. Saia. Eu preciso ficar sozinha. Eu não sei por que você continua vindo por aqui. Eu não sou a garota para você. Se você continuar a nos empurrar, eu só vou acabar quebrando seu coração. — ele tenta agarrar minha mão, mas eu me afasto e me levanto da minha cadeira. De repente eu tenho essa vontade de chorar profundamente, lágrimas de verdade, e eu não faço isso há anos. — Basta ir. Me deixe e nunca mais volte. Eu não quero você aqui. Eu nunca quis você aqui. Eu sou veneno, Stuart. Eu sou fodida e venenosa. — eu vejo como ele parece chateado, e eu quero desviar o olhar. Eu não desvio, porque eu preciso ver o tipo de dor que eu posso causar. Ele não merece isso, mas é sua própria culpa. Ele está prestes a dizer algo quando eu aponto para a porta. — Vá! — eu grito mais força. — Saia. Eu espero que ele grite de volta, diga alguma coisa, qualquer coisa, mas ele não diz. Ele faz o que lhe é dito, e sai rapidamente e em silêncio. Assim que eu ouço o clique da porta, eu entro em colapso no sofá e, pela primeira vez em anos, eu deixo aquelas lágrimas caírem. Meu peito aperta com os soluços que se desencadeiam. Todos esses anos sabendo que minha família ficou junta em prol da minha angústia. Todos esses anos, me desacreditaram só para rirem pelas minhas costas e fingir que Amber era eu, então puderam encobrir o mal que está dentro do meu pai. Todos esses anos, eu me acomodei com o sentimento de que eu estava completamente sozinha e perdida no mundo. Stuart se importou. Ele se importava o suficiente para enviar pessoas para me ajudar, e eu nunca soube nada sobre isso. Ele estava olhando por mim, e tudo que fiz foi mandá-lo embora. Com meus soluços tranquilos, eu pego meu telefone. Há apenas uma pessoa que eu posso falar agora. Apenas uma pessoa pode me fazer sentir melhor. Ele não está aqui. Caso contrário, iria visitá-lo. Mas pelo menos eu posso ouvir sua voz. Pelo menos ele vai me entender. Eu disco o número dele, e ele toca um par de vezes. Então, eu ouço uma voz. — Olá, — uma voz feminina responde sem fôlego. Eu franzo a testa. Quem diabos é essa? — Você pode colocar Reid na linha? Preciso falar com ele.

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— Ele está no banho no momento. — eu posso ouvir o prazer em sua voz quando ela me diz. — Se você deixar uma mensagem, eu vou ter certeza que ele a receba. Não posso acreditar nisso, porra. Reid tem alguma vagabunda em seu quarto, quando ele deveria estar à procura de boates. Por alguma razão, eu me sinto traída. Eu pensei que era a única. — Não se incomode, porra. — eu respondo, desligando. Eu jogo o telefone no chão e fecho os olhos. Eu me sinto acabada. Eu não posso dizer se eu quero alguém para me bater ou me abraçar. Sabendo que eu tenho que ligar para meu pai, eu pego o telefone do chão, toco o seu número, e espero ele atender. Ele atende ao primeiro toque. — Não se preocupe. Eu estou sozinha. — eu contemplo perguntar a ele algo mais, mas no momento, estou muito irritada com ele. Eu não vou mostrar isso, pois eu sei que ele estará aqui num piscar de olhos se eu mostrar. — Quem é ele? Eu suspiro. — Eu te disse. Ele é apenas um amigo. Temos saído um par de vezes, mas eu disse a ele que só podemos ser amigos. Você não terá que se preocupar mais com isso, porque eu disse a ele para sair esta noite e não voltar. Você me tem toda para você agora. Mas por outro lado, você sempre teve, não é? — Eu estarei em contato. — ele desliga, e logo depois, vejo a luz do número de Reid na tela. Eu coloco a chamada para o correio de voz e desligo o telefone. Eu não quero falar com ele depois que ele fez Deus sabe o que com essa vagabunda que atendeu o telefone. Eu não sei por quanto tempo eu fico lá, mas a escuridão logo cai, e eu estou sozinha com apenas as luzes de fora iluminando meu quarto. Não tenho certeza por quanto tempo eu fiquei em transe, mas quando eu ouço tocar a campainha da porta, eu me forço a levantar. Vou dizer a quem quer que seja para ir embora. Eu não quero falar com ninguém no momento. Eu olho pela porta e vejo que é Stuart. Ele parece tão desgastado quanto eu estou, quando ele está lá, mexendo na porta. — Scarlet, se você não me deixar entrar, eu vou quebrar a porra da porta. Abra. Eu acho que ele pensou sobre no que eu disse e agora está chateado. É claro que ele está. Por que ele não estaria depois que eu o detonei da maneira que eu fiz? Eu não quero abrir a porta, mas meu coração dói. Eu sei ~ 234 ~


que ele não vai me dar a surra de vara que eu poderia procurar de Reid, mas eu sei que definitivamente conseguirei aquele abraço. Assim, apesar do fato de que eu estava certa em afastá-lo, meu lado egoísta sai novamente. Abro a porta, e quando ele vê que chorei, seu rosto suaviza e ele corre para mim. Ele envolve seus braços grandes e fortes em volta de mim, me dando o conforto que eu estou procurando. Quando eu começo a chorar de novo, ele me pega em seus braços, fecha a porta e me leva para o sofá. Ele me mantém lá, me deixando chorar, me deixando explodir em uma bola de fogo emocional. Com isso, vêm todos os meus anos de dor... meus anos sendo estuprada, espancada e humilhada. Tudo derrama de mim como uma cachoeira interminável. — Sinto muito, — eu digo quando tento recuperar o fôlego. Ele me aperta com força e beija minha cabeça. — Você não tem que se desculpar. Eu entendo porque você se sente da maneira que você sente, mas eu não vou a lugar nenhum. Eu puxo a minha cabeça acima de seu peito e olho dentro de seus olhos. — Você precisa fugir de mim, Stuart. Corra antes que seja tarde demais. Eu estava certa no que eu disse. Eu sou venenosa, e eu só vou acabar quebrando seu coração. Ele empurra uma mecha de cabelo do meu rosto. — Vale a pena. Eu balanço minha cabeça. — Você não deveria dizer coisas assim. Eu não sou a garota doce e saudável que você precisa que eu seja. Você merece ter alguém assim. Ele enxuga uma lágrima dos meus olhos e sorri. — Eu vou te levar doce e saudável em qualquer dia da semana. Além disso, doce pode ficar um pouco chato às vezes de qualquer maneira. — ele ri um pouco, me fazendo sorrir. — Eu simplesmente não posso acreditar... — eu começo balançando a cabeça. — Por que sua irmã faria algo assim? — Porque, quando eu tentei dizer a eles, eles me acusaram de mentir. Para eles, ele era o marido perfeito e o pai perfeito. Eu sabia melhor sobre ambos.

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— Ele nunca bateu em sua irmã, então? Ele acha que ele apenas bateu em mim. Eu balancei minha cabeça. — Ele era um pai amoroso com ela porque Amber é dele. Eu fui o resultado de um caso, e ele me fez pagar por isso. — eu suspiro, cerrando os dentes. Eu posso também dizer a ele agora. — Eu perdi minha virgindade com ele no momento em que fiz quatorze anos. Ele me fez passar por isso durante um ano e, então, um dia ele decidiu que eu era velha o suficiente. Se eu tentava recusar, ele me batia. Seus olhos se arregalam. — Eu pensei que talvez ele te batesse algumas vezes e que ele era excessivamente possessivo, mas eu nunca soube que era tão ruim assim. Eu olho em seus olhos chocados. — Como você poderia saber? Ninguém sabia além de mim e ele. Essa é a maneira que ele gostava... como ele ainda gosta. — Lá fora, no carro. Ele machucou você? Ele te tocou? Eu balanço minha cabeça. — Ele estava me trazendo de volta para casa do almoço de domingo, da casa da minha mãe. — Ele parecia muito chateado quando me viu. Eu não sabia quem ele era e não senti que cabia à mim ir para o carro, mas eu queria. Eu queria ter certeza de que estava tudo bem. Talvez eu devesse ter escutado a voz dentro da minha cabeça. Eu balanço minha cabeça. — Estou feliz que você não foi, porque as coisas poderiam ter ficado feias. Ele é um homem grande, Stuart. — Bem, eu também, — diz ele, indignado. Eu sorrio. — Você é, — eu respondo, sacudindo seu nariz. — Você está tirando sarro de mim? — Talvez, — eu brinco. De repente, ele olha para mim como se eu fosse a única mulher no mundo. Minha respiração trava. Não precisa de muito em torno dele. É por isso que eu quero afastá-lo. Ele só vai acabar me odiando se ele ficar. Mas quando ele me pega do sofá e me leva lá em cima, eu não digo

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nada. Eu o deixo liderar o caminho para o meu quarto. Eu o deixo sob as cobertas comigo, e eu o deixo me segurar durante toda a noite em seus braços. Este homem. Este belo homem que eu pensei que iria acabar quebrando. Tenho certeza de que o seu tempo ainda vai vir também. Eu tenho certeza que eu vou quebrá-lo um dia. Mas eu nunca previ... nunca antecipei... que ele iria me quebrar primeiro.

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trinta Três dias passaram, em todos fiquei embrulhada em tudo com Stuart. Durante três dias, eu vivo uma vida normal, perfeita, tomando café da manhã com ele, indo para as lojas com ele, e fazendo piqueniques no parque com ele. Tais coisas domésticas e normais que casais fazem. Eu costumava tirar sarro de pessoas assim, e agora estou vivendo como elas. Agora, eu estou realmente gostando. Cada possível momento de Stuart foi gasto comigo. Quando Stuart não estava no trabalho, ele estava comigo. Na noite passada, eu fiquei em sua casa pela primeira vez. Nós dormimos juntos, mas apenas abraçados. Era uma sensação estranha, dormindo com alguém em uma cama sem fazer sexo. É claro que eu queria, e eu imaginei que Stuart queria também, mas resisti até que eu dei os sinais certos. Eu daria qualquer coisa para ter relações sexuais com Stuart, mas eu sei que se fizéssemos, não haveria como voltar atrás. Não posso arriscar, sabendo que em breve, eu terei ido. Em breve partirei, e Stuart pode continuar a viver a sua vida. Ele pode encontrar outra garota a quem ele pode libertar seu coração. Por alguma razão, o pensamento disso me machuca. Durante três dias, eu fui capaz de passar cada dia sem pensar em meu pai, sem pensar em Reid, e sem pensar em vingança. Até o momento em que Stuart me trouxe de volta para casa, eu liguei meu telefone. Ele tem que trabalhar até tarde hoje, então eu não sei quando eu vou vê-lo de novo. Ele diz que vai ligar, e foi principalmente por isso que eu liguei meu telefone. E então, a vida que eu normalmente levava desabou em mim como uma tonelada de tijolos. Eu tinha mensagem de voz após mensagem de voz de Reid, me dizendo para atender a porra do meu telefone. A última mensagem que eu tenho é ele mandando, não pedindo, para encontrá-lo no aeroporto ao meio-dia de hoje. Ele está voando de Ibiza. Eu verifico o meu relógio. São apenas um pouco depois das dez. ~ 238 ~


Então, eu verifico os voos de Ibiza para Heathrow e posso ver que seu avião vai chegar meia hora mais cedo. Com um suspiro e o familiar pulso de raiva correndo em minhas veias, eu me preparo para encontrar Reid. Seu carro vai estar no aeroporto, mas por alguma razão, ele quer que eu o veja. Por alguma razão, seja o que for que ele tem a dizer, não pode esperar até ele chegar em casa. Posso adivinhar que ele esteja chateado comigo, mas ele terá resistência, uma vez que ele se atreva a me mostrar suas presas. Eu chamo um táxi para vir me buscar às onze, e ele me pega pontualmente. Uma vez no aeroporto, eu faço o meu caminho para a área de chegadas e fico lá, diligentemente à espera de Reid. Hoje, eu estou usando um vestido Vera Wang, porque eu quero que ele veja o que ele tem perdido. Eu quero que ele veja que não importa onde ele olha, ele nunca vai conseguir nada melhor do que eu. É um pouco juvenil da minha parte, mas esta é quem eu sou. Depois de dez minutos de espera, Reid sai, empurrando um pouco de bagagem de mão atrás dele. Assim que ele me vê, aperta os olhos, vem para um beijo na bochecha, e aperta minha cintura com força. — Onde diabos você estava? — ele sussurra em meu ouvido. — Não lá fora fodendo piranhas, isso é certo. Ele furiosamente pega a minha mão e nós andamos o percurso para o estacionamento Long Stay. Uma vez no carro, ele liga o motor e, em seguida, olha para mim. — Você não quer saber como eu me saí? Então é assim que ele vai jogar. Ele não quer resolver a questão da mulher em seu quarto de hotel. — Como você se saiu? — eu pergunto com um ar de indiferença. — Muito bem, na verdade. Eu acho que posso ter encontrado um clube para nós. Eu fui a muitos lugares ao redor de Málaga, mas eu não consegui encontrar nada especial. Foi quando eu fiz um voo para Ibiza que achei o que eu quero. É barato, porque ele precisa ser remodelado, mas eu tenho certeza que posso obter o preço ainda mais baixo. Os atuais proprietários estão atrás de uma venda rápida, então estou certo de que podemos chegar a algo. Vamos precisar de um ou dois meses para fazê-lo, então algum dinheiro pode ser reservado. Tenho certeza que podemos viver do que temos até então. Reid para na rodovia, mas eu não digo nada. No momento, seu clube é

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a última coisa em minha mente. — Você não vai dizer nada? Eu olho para Reid. Sua expressão me diz que ele ainda está chateado, mas está tentando se conter. — Você não vai dizer nada sobre quem é essa mulher que estava em seu quarto de hotel? Ele sorri. — Tá vendo, não foi tão difícil, foi? Você acreditaria em mim se eu dissesse que ela era a irmã do proprietário do clube e estava esperando eu ficar pronto para o jantar? Eu balanço minha cabeça. — Não, porque se fosse puramente profissional, não haveria nenhuma maneira que ela estaria em seu quarto enquanto você está tomando banho. As pessoas não fazem coisas assim, e se você está tentando inventar para mim esta estória, então eu devo parecer mais estúpida do que eu pensava. Ele simplesmente dá de ombros. — Valeu a tentativa. — O que você fez com ela? Ele não tira os olhos da estrada quando ele responde. — Eu acho que você realmente não quer saber, então por que se torturar? — Me diga o que você fez. Ele suspira. — Ok. Você obviamente quer ir por esse caminho. Você quer saber o que eu fiz? Eu a fodi, Scarlet. Não é isso o que você procura? Eu fodi a buceta dela até ela gritar. Minha raiva sobe a novos níveis. Como ele pôde? — Você não me toca, e ainda assim você pega uma estranha qualquer e faz sexo com ela? Você sabe o que, Reid? Você e seu clube podem ir se foder, porque eu não quero mais nada a ver com esta merda. Pega sua metade, e eu pegarei a minha. O negócio está feito. Reid dá uma guinada forte para uma das saídas, fazendo com que outro motorista buzine para ele. — Que porra você está fazendo? — eu grito. Ele não me escuta. Em vez disso, ele encontra um local tranquilo sob um ancoradouro e estaciona. Assim que ele desliga o motor, ele sai, caminha para o meu lado do carro, abre a porta, e me arrasta para fora. Ele me empurra para cima contra o carro e agarra meu cabelo. — Você se atreve a pensar que tem o direito de me dar sermão quando deixa seu próprio pai te foder inúmeras vezes. — meus olhos se arregalam um pouco e ele sorri. —

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Se eu não soubesse antes, eu certamente sei agora. Eu suspeitava que você fodia, mas seus olhos me disseram tudo. — ele agarra meu queixo e aperta. — Eu disse a você inúmeras vezes, que eu vou transar com você quando você acabar com essa sua pequena vingança. Eu tenho sido um homem paciente, deixando você abrir as pernas para qualquer um, mas não pense, por um segundo, que isso significa que você pode me dar sermão sobre quem eu fodo. Aquela mulher não significava nada para mim. Você não estava lá, e eu tive uma coceira e precisava coçar. Eu não vou mentir para você, Scarlet, porque muito em breve seremos parceiros em tudo. Até então, não se atreva a ter a coragem de ficar com raiva de mim sobre quem eu fodo. Ele solta meu rosto e vai embora num acesso de raiva. Ele está tão bravo comigo. Eu posso sentir isso, mas a ferida ainda está lá porque ele não vai me tocar, e não tem me tocado em todo o tempo que nos conhecemos. — Uma menina vem e vibra suas pálpebras em você, e você dá a ela a única coisa que você sabe que eu quero. A única coisa que você continua me dizendo que eu não posso ter. Reid volta transtornado sobre mim e passa a mão pela minha coxa. — Você quer meu pau agora? — ele agarra minha calcinha, a puxa, e corre o dedo através das minhas dobras. Ele cobre seus dedos com minha umidade. — Eu vou te dar o meu pau agora, Scarlet. Tudo que você tem a fazer é me dizer uma coisa, e ele vai ser seu. Você terminou? Você está pronta para se dar completamente para mim? Minha respiração acelera. Há tantas emoções voando pela minha cabeça. Eu ainda estou me recuperando do fato de que ele estava com outra pessoa, mas as coisas que eu sei que ele pode fazer para o meu corpo, me deixa em chamas para ele. Ter Reid dentro de mim é tudo o que eu já sonhei... tudo que eu sempre quis. Mas estou pronta? Flashes do meu pai e então Stuart passam pela minha cabeça. Eu não quero que eles invadam meus pensamentos, mas eles fazem. Eu quero me livrar do meu pai, mas por alguma razão, eu pareço não conseguir deixá-lo ir. Não parece que eu quero deixar Stuart ir também. Eu estou simplesmente fodida assim. Quando eu não digo nada, Reid se afasta com raiva. — Foi o que pensei. — ele se afasta por um momento antes de voltar, e apontar o dedo

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para mim. — Lide com qualquer merda que esteja em sua cabeça e lide com isso rapidamente. Entretanto, nunca mais me diga como conduzir a minha vida. — com isso, ele abre minha porta. — Entra na porra do carro. Eu pisco algumas vezes antes mesmo de me mover. O que há de errado comigo de repente? Por que eu não posso deixar ir, nem Stuart, nem o meu pai? Parece que estou viciada. Viciada à doença e depravação que meu pai pode me dar, mas também viciada na natureza doce e carinhosa de Stuart. Ambos me chamam em algum grande nível inconcebível. Entro no carro, mas eu não digo nada. Posso dizer que Reid está fervilhando, então eu o deixo ter uns poucos momentos para se acalmar. Eu sei que ele está certo. É hipócrita da minha parte dar sermão nele sobre com quem ele dorme quando estou fazendo o mesmo, mas eu não consigo evitar me sentir traída. Eu não posso evitar, mas sinto que ele me traiu, de alguma forma. — Você quer saber a verdade de tudo isso? — de repente ele pergunta, assim que estamos na rodovia novamente. — Aquela garota no hotel não significava absolutamente nada para mim. Ela não se compara a você. Eu estava sentindo sua falta e senti tesão. A única razão por eu não ter fodido você ainda é porque você significa mais para mim do que qualquer garota no mundo. Minha mãe era uma prostituta drogada que meu pai fodia algumas vezes antes que ele a deixou para lidar comigo. Ela sempre me culpa por ele deixá-la. Eu tive que lidar com essa merda, anos e anos. Eu fui feito para me sentir menosprezado, indesejado, e como um inconveniente. Eu cresci sendo intimidado na escola e todos que me conheciam, me diziam, repetidamente, quão inútil eu era. — Até o momento em que cheguei aos dezoito anos, eu tive o suficiente. Comecei lutando contra toda e qualquer pessoa. Eu me tornei um lutador. Eu me tornei alguém com poder. Foi a minha vez de menosprezar os que me menosprezaram. Eu estava obcecado com vingança, e só raiva corria em minhas veias. — ele olha para mim por um momento. — Até que eu te vi naquele dia no bar. Eu vi como você cativava as pessoas com apenas um olhar. Eu poderia dizer que havia uma história por trás de você. Eu vi a vulnerabilidade. Eu vi o ódio. Eu me vi. E a partir daquele momento, eu sabia que tinha que ter você. Ele logo estaciona do lado de fora do seu escritório e se vira para mim. — Nunca mais questione meus sentimentos por você. A única razão pela qual eu não vou transar com você, e eu já disse isso várias vezes, é porque eu ~ 242 ~


sei que, uma vez que eu tiver você, não haverá mais ninguém para você. — ele abre a porta para sair, mas antes dele fechá-la, ele se abaixa. — E não haverá mais ninguém para mim também. — ele suavemente sorri na minha direção, caminha para o meu lado, e me ajuda. — Por que você não me contou sobre sua mãe? Tantas vezes eu pedi, mas você nunca quis dizer. Porque agora? Reid pega sua mala do porta-malas e fecha a porta antes de se virar para mim. — Ninguém sabe, só você, Scarlet. Você pode imaginar, se eu deixar as pessoas saberem que eu, uma vez, tive uma fraqueza? Que eu era impotente para evitar a picada das línguas de todos e a dor de seus punhos? Eu era um ninguém. Agora, eu sou alguém. Eu não quero que você pense em mim como algo diferente. Suspirando, eu saio do carro e caminho em direção a ele. Eu o beijo suavemente sobre os lábios e sorrio. — Você realmente acha que depois de tudo o que você sabe sobre mim, que eu iria tratá-lo de forma diferente? Você sabe todos os meus demônios, e você é a única pessoa que sabe como lidar com eles. Ele fica imóvel, respirando profundamente. — Eu ainda estou chateado com sua atitude. Eu sorrio, pegando sua mão. — E eu sei justamente o que fazer para ajudá-lo a aliviar o estresse.

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trinta e um Eu deixei Reid me amarrar e me chicotear. Em parte, eu estava fazendo isso por mim mesma, mas foi principalmente por Reid. Eu poderia dizer que ele precisava que eu abandonasse o poder, e eu vi o momento em que isso aconteceu. Ele ficou empolgado, me chicoteando repetidas vezes. Eu estava dançando no fogo, lá em cima nas nuvens, aceitando cada parte que ele tinha para oferecer. Mas em algum momento a dor veio mais do que o prazer. Como se sentisse isso, Reid parou, mas eu vi o momento quando ele tomou uma respiração grande e profunda, seu peito largo expandindo enquanto ele respirava no poder. Depois, ele cuidou das minhas feridas e cuidou de mim do jeito que apenas Reid sabe. Eu dormi com ele em sua cama naquela noite. Sem atos sexuais realizados, apenas um Dom dando à sua Sub a única coisa que ela deseja em troca de deixá-lo bater nela. Eu amo Reid, por ambos, seu domínio e sua aceitação, mas a aceitação é a melhor sensação que tenho dele. Porque ele é a única pessoa que conhece meus demônios, minha doença, meus pensamentos confusos, e minhas obsessões. No entanto, ele ainda me aceita. Ele aceita tudo. Ele não gosta disso, mas ele não tem que gostar. Ele me ama e me permite ser quem eu sou, com certas condições. Eu sei que ultimamente eu tenho quebrando as regras, e ele sabe que eu tenho dormido com o meu pai. Espero que ele tenha me punido por isso também, mas ele não trouxe isso à tona. Eu também não, porque eu sei que o meu pai é um assunto delicado para ele. — Aqui está o clube. Eu estou sentada no colo de Reid quando ele me mostra fotografias do clube. Parece enorme, mas eu acho que é porque ele está vazio. Em seu estado atual, ele tem paredes verdes fora de moda, e espelhos de visual deprimente. O bar parece que já viu dias melhores, com madeira escura e o porta bebidas enferrujado. É difícil ver além disso, mas eu posso definitivamente dizer que tem potencial. — Eu acho que vai demorar mais do que um par de meses para ter

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isso parecendo como nós queremos. — Mas você pode ver que ele seria ótimo? Eu coloco meu braço em torno dele. — Ah sim, claro. Eu posso ver que tem muito potencial, mas vai precisar de um monte de trabalho para chegar lá. Ele dá um tapinha na parte inferior para eu me mover, então eu diligentemente me levanto. Ele caminha para uma réplica da pintura O Barco Azul de Winslow Homer. A pintura sempre me fascinou porque, os dois rapazes sentados no pequeno barco a remo, parece que estão olhando para algo. Sempre me fez pensar com o quê ambos estavam tão fascinados. Ele puxa a pintura, então ela abre para o lado e atrás dela é revelado um cofre. Ele digita alguns números, e eu sorrio para mim mesma quando parece que é meu aniversário. Eu acho que é a única coisa que o meu pai e Reid têm em comum. Depois de aberto, um maço de dinheiro é revelado e, com ele, um envelope. O envelope me intriga mais do que qualquer outra coisa que está lá dentro. — O que é isso? — eu pergunto, apontando para ele. — Não é nada, — diz ele um pouco rápido demais. — Apenas a escritura para este lugar... coisa chata. Ele tira o dinheiro e tem a certeza de fechar a porta atrás dele. Ele não quer que eu saiba sobre o envelope, o que está me fazendo querer saber ainda mais sobre ele. Apesar de tudo, eu não o questiono. Talvez um dia, em breve, eu vou começar a descobrir o que está dentro. — Temos perto de 460 mil aqui. O proprietário do clube está pedindo duzentos e sessenta, mas eu calculo que posso conseguir que ele abaixe para duzentos e vinte. Nós poderíamos pagar em dinheiro, o que é ideal para ele. Duvido que ele rejeitará a oferta. Uma vez pago, podemos separar 60-70 mil para a reforma e viver com o resto. O que você acha? Eu sorrio para ele. — Parece que você tem tudo certo. Ele se move para mais perto e coloca uma mão nas minhas costas. Eu estremeço um pouco, pois eu ainda estou dolorida de ontem. — Desculpe, — diz ele, movendo a mão na minha cintura. — Você ainda está comigo nisso, não é? — eu aceno com a cabeça. — Em algum momento, você vai ter que deixá-lo ir, Scarlet. Ele é venenoso.

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Eu aceno com a cabeça novamente, sabendo que ele está completamente certo. — Eu sei. Eventualmente, eu vou chegar lá. — Chegando lá envolverá você mostrando o filme e cortando todos os laços do caralho, se mudando comigo e, finalmente, se tornar minha. Você e eu sabemos que isso faz sentido. — ele beija minha cabeça e se senta novamente. Eu vejo enquanto ele olha para as fotografias de novo, quando ele se senta na borda da mesa. — Eu descobri algo enquanto você estava fora. Foi a razão pela qual eu liguei para você. Sua atenção está imediatamente fora do laptop e em mim. — O que foi? — Eu encontrei, por acaso, um velho amigo da escola enquanto estava tomando café há alguns dias. Ele me disse que suspeitou que algo estava acontecendo em casa e ligou para o serviço social. A postura de Reid trava com a menção de que eles foram chamados. — E o que aconteceu? — Eles vieram e falaram comigo. No entanto, não foi comigo que eles realmente falaram. Reid franze a testa por um momento, mas então algo ilumina nele. Pura raiva faísca em seu rosto. — Amber? — eu aceno com a cabeça. — Puta do caralho! — ele bate com o punho na mesa e se levanta. — Eles se certificaram de proteger todos os seus interesses, não é? Que porra de família você foi criada. Eu pensei que minha mãe puta e drogada era ruim o suficiente, mas sua família bate toda a porra de recorde. — ele se senta novamente, e acena para eu me sentar em seu colo. Faço o que ele pediu, e ele envolve sua mão na minha cintura e enterra a cabeça na dobra do meu pescoço. — Obtenha sua vingança e faça bem. Porra, não se contenha quando você mostrar a eles as filmagens. Todos eles merecem o que está vindo para eles. — ele suspira, se afastando. — Eu realmente gostaria que você pudesse vir comigo para Ibiza e ver o lugar. Eu preciso ter certeza de que você esteja feliz. Uma parte minha quer esperar um tempo até eu saber que você está pronta, mas a outra, a maior parte de mim, me diz que eu preciso te levar para longe da sua família tóxica o mais rapidamente possível.

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Eu jogo meus braços em torno dele. — Faça o que você precisa fazer. Estou com você cem por cento. Eu não preciso ver o lugar. Contanto que você tenha certeza, então eu também tenho. Ele sorri brilhantemente como um menino. É difícil imaginar neste momento que Reid detém um lado escuro nele. — Eu tenho contatos para um advogado, e um levantamento arquitetônico precisa ser realizado. Eu quero me certificar de que esteja corretamente perfeito antes de tomar uma decisão. — Escolha sábia. — Vou entrar em contato com eles hoje e ver se eu posso fazer a bola rolar. Você quer passar o dia comigo? Balanço a cabeça e me levanto. — Não, eu acho que vou para casa. Talvez eu devesse ter isso muito bem esclarecido antes que você de repente me leve embora. Reid sorri. — Boa ideia. — Reid se levanta e me puxa para ele. Dentro de um instante, os seus lábios estão nos meus, me dando um beijo fascinante. — Basta lembrar que tudo o que eu faço, eu faço por nós. Eu te amo, Scarlet. Ninguém pode se comparar. Nós somos a metade de um do outro. Eu beijo de leve nos seus lábios. — Eu também te amo, Reid. Não há mais ninguém para mim também. E, desta maneira, eu deixo seu escritório com a picada de uma mentira queimando meus lábios.

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trinta e dois 26 de Janeiro de 2015 Pouco mais de duas semanas atrás, entrei em contato com a minha mãe de novo, pela primeira vez em um longo tempo. Eu tinha esse hábito de desaparecer e reaparecer quando surgia a necessidade. Aos dezesseis anos, saí de casa, e depois de algumas semanas de vida em um abrigo, eu finalmente encontrei o meu primeiro emprego. Eu estava trabalhando para um velho pervertido que parecia gostar de mim, dando a ele banhos em ocasiões regulares. Os banhos logo se tornaram em eu o tocando, que depois se transformaram em eu o masturbando e, em seguida, eu fodendo com ele. Eu não me importava por ser paga a mais para estas pequenas atividades. Eu guardei dinheiro como um louca e, eventualmente, consegui acumular um depósito para encontrar um lugar para viver. Então, dei de cara com minha mãe pela primeira vez em anos, e ela, após o choque de me encontrar, e uma conversa longa e grande, me disse tudo sobre sua vida com seu novo marido. Ele era o CEO de alguma grande empresa de marketing e, como tal, era muito rico. Ele tinha uma casa de piscina que eu era mais que bem-vinda para viver lá, então eu aproveitei a oportunidade. Eu estava feliz que ela tinha deixado o meu pai no final, e eu estava mais do que um pouco intrigada para saber mais sobre seu novo marido. Com a idade de vinte anos, me mudei para a casa com piscina com todo o dinheiro que tinha acumulado como trabalho de bartender e garçonete. No final, eu consegui o meu próprio lugar e comecei a ter clientes. Um ano mais tarde, eu conheci Reid, e ele é a razão pela qual estou aqui hoje. Meu pai tem visto muito Amber, mas ele não teve muitas relações com a minha mãe. Isso foi até que Amber se casou com esse cara, Porter. Ele parece um pouco nerd, mas ainda assim sexy. Sabendo que ele tinha boa aparência, fez meu planejamento muito mais simples. Eu estou trabalhando o meu caminho de volta para a família. Devagar no início, enquanto eu quero deixar todos confortáveis em uma falsa

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sensação de segurança. Vou comparecer em festa esquisita, evento ou jantar em família, apenas para manter a farsa. É por isso que estou aqui hoje. É o quadragésimo quinto aniversário do meu pai, e para celebrá-lo, ele está dando uma grande festa em um hotel de luxo no centro de Londres. Algumas pessoas reservaram quartos lá, mas eu sei que não será necessário. Eu tenho um sentimento sobre como esta noite vai acabar, e eu estou mais do que disposta. Eu tive anos para praticar como eu agiria, uma vez que eu finalmente encontrasse com meu pai novamente. Tenho a sensação de que ele vai ficar chocado com o que encontrar. Com um sorriso no meu rosto, eu chego às portas do enorme salão, que pode abrigar até quinhentos convidados. Uma jovem pergunta se eu tenho um convite, então, com um sorriso, eu o tiro da minha bolsa e mostro a ela. Ela sorri brilhantemente e acena para eu passar. Eu digo meus agradecimentos, e com um balanço dos meus quadris, eu passo pelas portas duplas. Eu dou uma olhada rápida em torno de mim. Há uma grande quantidade de pessoas, mas por enquanto, não consigo encontrar minha família em qualquer lugar. Há muitos poucos casais de meia-idade, e eu noto os homens varrendo os olhos em cima de mim. Esta noite, eu uso um vestido vermelho escuro, que abraça meu corpo e os meus saltos altos preto e vermelho. Meu pai sempre gostou quando eu usava vermelho, então isso é especialmente para ele esta noite. Eu vou ser o seu perfeito presente de aniversário embrulhado. Quando ando mais longe, um homem se aproxima de mim com uma bandeja de champanhe. Eu pego minha taça e o agradeço antes de virar a minha atenção de volta para o lugar. Logo, vejo Amber falar com o nosso padrasto, David. Isso me faz sorrir, que ele esteja aqui. Muitas vezes, ele tentou me encontrar sozinha, mas até agora, ele não tem sido bem-sucedido. Eu sei que ele começaria um caso comigo novamente em um piscar de olhos, mas não tenho mais interesse em David. Ele é história antiga. É o meu pai que vai comandar toda a minha atenção hoje à noite, e hoje à noite, ele está tendo isso. — Scarlet, estou tão feliz que você pode fazer isso, — comemora Amber. Ela já parece embriagada. — Papai ficará tão feliz que você veio. Ele não te vê há séculos.

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Percebo a careta irritada de David, e olho para ele especulativamente. O que ele possivelmente sabe que eu não sei? Será que o pensamento de meu pai ficando excitado em me ver o irrita? Eu não tenho tempo para me debruçar sobre isso quando Amber está aguardando alguma resposta da minha parte. — Estou ansiosa para vê-lo também, — Amber sorri, então eu sei que esta notícia a emociona de alguma forma. Nossa família é estranha. É quase como se nós necessitássemos sermos vistos como uma família perfeita, em uma bolha perfeita para se encaixar no mundo perfeito. Nossa família está longe de ser perfeita. Com a negligência do meu pai, minha mãe começou a beber e nunca olhou para trás. Na verdade, ela estava tão embriagada ou bêbada metade do tempo, que ela não sabe o que estava acontecendo debaixo de seu próprio teto. Amber era tão ignorante. Ela achava que o sol brilhava do traseiro do papai. Eu olho em volta parecendo interessada. — Onde ele está, então? Amber olha em volta comigo, mas até agora, nós não o avistamos. — Talvez ele esteja se misturando com seus amigos agenciadores. Isso é como eu os chamo. — ela começa a rir. Sim, ela está bem chapada. — Onde está Porter? Ela revira os olhos. — Ele tinha alguma emergência de computador, em alguma empresa em Whitechapel. É chato, mas ele está sendo bem pago para chegar, não vale a pena recusar. Eu sorrio. — Ele obviamente especificamente chamaram por ele.

tem

uma

boa

reputação

se

Ela toma um gole de sua bebida, balançando a cabeça de um lado para o outro como isso a aborrecesse. — Acho que sim. — Então, como você tem estado? — David pergunta, cortando a curta conversa. Me viro para David e vejo concentração em seu rosto. É como se ele estivesse tentando resolver um enigma em sua cabeça. — Eu estive bem, obrigada. Eu estou mais resolvida na vida. Finalmente tenho rumo. David sorri, mas Amber corta. — Oh, é bom saber isso. Você era tão mimada quando criança. Sempre tão mal-humorada e quieta. — eu mordo meu lábio com tanta força que quase tiro sangue. Amber era tão cega pra caralho. É claro que foi tudo culpa minha. Eu cresci pensando que tinha ~ 250 ~


algo errado comigo, porque ele pegava a mim. — E então, ela apenas desapareceu um dia. Sem falar nada. Nenhuma ligação. Nada. Eu franzo a testa. — Meu pai não te disse? — Me disse o quê? Eu cerro os dentes. — O que aconteceu no dia em que desapareci. Ela suspira como eu a estivesse frustrando. Ela sempre foi assim, quando eu trazia alguma coisa remotamente ruim sobre nosso papai precioso. — Papai sumiu também. Mamãe e eu pensamos que vocês tivessem ido juntos. Quando ele voltou para casa, ele parecia frenético. Perguntamos ao papai o que estava errado, e ele parecia de alguma forma confuso. Ele perguntou se você estava em casa ou se você tinha ligado. Quando dissemos que não, ele disse que você estava desaparecida e que ele esteve fora procurando por você a noite toda. Eu começo a rir. Eu não quero, mas isso simplesmente desliza para fora. Amber, irritada com a minha reação, de repente bufa. — O quê? Você acha isso engraçado? Você desapareceu por dois anos, Scarlet. Dois anos inteiros. Estávamos todos muito preocupados com você... especialmente o papai. Como você pode ser tão insensível? Eu paro abruptamente. Eu tenho essa extrema necessidade de estapear o rosto da minha irmã, mas eu me seguro. Eu preciso cair nas suas boas graças. Estou prestes a dizer algo quando David salta em minha defesa. — Amber, você não sabe as circunstâncias e o porquê Scarlet fugiu. Ela deve ter tido uma razão muito boa. Amber toma um gole de sua bebida e desaprova. — Nós não vamos começar com essa porcaria de Papai foi mau comigo de novo, não é? Pensei que estivéssemos superado isso anos atrás. O peito de David começa a subir e descer quando suas observações irreverentes o irritam. — Você não acha que está sendo um pouco cruel? Ela começa a rir. — Essa é boa... Eu sei que isso está começando a ficar fora de mão, então eu coloco minha mão em seu braço. Ela imediatamente para, olha para o meu lado, e depois de volta para mim. — Por favor, Amber. O que aconteceu no passado, eu nunca posso mudar, mas eu quero te dizer que, embora eu não possa te dar as minhas razões para ir, as razões eram genuínas. Por favor, não me ~ 251 ~


odeie por fazer algo que eu não tive outra escolha. Eu queria ser médica, lembra? Eu joguei tudo isso fora. Considere, se perguntando por que eu fiz isso. A única explicação é que eu devo ter tido uma boa razão para fugir. Ela balança a cabeça. — Mas por quê? Eu não entendo. Eu suspiro. — Achei que tínhamos passado isso anos atrás. Eu fui envolvida em algo, e tudo ficou fora de mão. Eu tive que correr. Não se preocupe. O que aquilo era não me afeta agora. Eu estou crescida, e a vida que eu tinha antes se foi. Eu não estou deixando aquilo vir entre mim e meu futuro. — uma espécie de mentira, mas qualquer besteira que eu a alimentar e que ela vá engolir, está bom o suficiente para mim. Ela parece mais calma agora que vê a sinceridade em meus olhos. — Você não vai ir de novo, não é? Mamãe e papai ficaram fora de si pela primeira vez, mas quando você foi novamente, um par de anos atrás, mamãe disse que se sentia como se ela tivesse perdido tudo de novo. Isso me surpreende um pouco, mas eu sei que, apesar de querer endoidecer Amber, eu tenho que fazer como se tudo fosse minha culpa... que eu sou a pessoa a buscar o perdão. — Eu tive muitos demônios. Eu só precisava do meu espaço para descobrir as coisas. Uma vez que eu descobri, eu voltei. Eu prometo que, desta vez, vou nos manter juntos como uma família. Mesmo se nós nos mudarmos, sempre estaremos em contato. Eu sei que tenho sido egoísta, e tinha que amadurecer muito, mas, eu sinto que finalmente estou lá. Isso é tudo que posso dizer. — eu coloco a minha melhor cara de humilde, e parece funcionar. Amber suaviza imediatamente comigo. — Eu devo admitir, eu estou feliz que você está de volta. Mamãe e papai parecem melhor com isso. Eu olho para David, e seu rosto confuso se transforma em um sorriso. — Ela está certa. Sua mãe tem sido muito mais feliz estas duas últimas semanas. Eu também, devo admitir. Só então, uma voz alta e estridente é ouvida no fundo. — Aí está você. — minha mãe aparece com um sorriso grande e radiante, e uma gin tônica na mão, exatamente como eu sempre me lembrei dela. — Eu estive procurando por você. Eu estava no bar e começamos a falar com Jack Barnes, o famoso escritor de suspense. Existe uma grande seleção de autores aqui esta noite. — ela olha na minha direção, e seus olhos se iluminam. — Querida, você está aí. — ela se aproxima, me puxa para um

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abraço, e beija minha bochecha. — Você está absolutamente linda. Seu pai sempre disse que você ficava deslumbrante de vermelho. Eu sorrio. — Por que você acha que eu usei isso? Ela coloca sua mão em seu coração. — Aww, ele vai adorar isso. Oh, eu aposto que ele vai. — Onde ele está, mamãe? — Amber pergunta, olhando ao redor da sala novamente. — Eu o vi cerca de quinze minutos atrás. Ele disse que tinha que falar com seu agente sobre algo, e que ele estaria de volta em breve... — de repente, ela faz uma pausa, olhando para o lado. — Oh, lá está ele. De repente, meu corpo está em alerta máximo. Eu estava preparada para vê-lo esta noite, mas eu não estava preparada para a minha reação. Calor rapidamente pica minha pele, dançando delicadamente pela minha espinha. Parece como se brasas estivessem traçando linhas em todo meu corpo. Se isso não fosse ruim o suficiente, eu olho na direção da minha mãe que está olhando de relance, e é quando isso acontece. Nossos olhos se bloqueiam, e assim sem mais, ele me tem. Por um momento, eu me sinto como uma criança novamente, presa pelo reflexo do meu pai. Ele sorri quando acena na nossa direção. Sua cabeça se inclina ligeiramente para o lado enquanto ele me absorve. Ele não está olhando para mim de uma forma pervertida, porque ele é cuidadoso para não fazer. Mas eu posso ver isso em seus olhos. O poder, o desejo e a necessidade desesperadora que ele sempre teve de controlar, ainda estão todos lá. Quando ele se aproxima, minha respiração acelera e meu coração começa a bater descontroladamente. Com seus olhos castanhos frios e calculistas, cabelo e terno preto, estou supondo Armani, ele comanda o lugar com uma finesse elegante que eu nunca vi antes. Sem aviso, meu estômago aperta, com a luxúria correndo através de mim. Eu estava preparada para querê-lo esta noite. Eu estava preparada, mesmo para apreciá-lo Mas nunca estive preparada por meu corpo reagir a ele da maneira que reage. Eu nunca estive preparada para atraí-lo tão desesperadamente. — Scarlet. — ele sempre costumava dizer meu nome assim, como se fosse um símbolo musical dançando em sua língua. Ele dá um passo à

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frente para beijar minha bochecha, tocando levemente o cotovelo no processo, quando uma sacudida que eu não estava esperando, corre através de mim. O beijo quase pica minha bochecha, mas é logo esquecido quando eu inalo seu cheiro viril e almiscarado. Tenho certeza que ele pode sentir isso também... a eletricidade no ar entre nós. Ele não reage a ela. A única pequena entrega é quando ele brevemente olha para longe, limpando a garganta. — Estou tão feliz que você pôde vir. Você está bonita. — Obrigada, — eu digo, sorrindo. Eu entrego a ele um pequeno pacote de presente. — Feliz Aniversário. Seu sorriso brilha novamente. Um sorriso inocente, livre de qualquer culpa. — Obrigado. Meu pai abre o embrulho e começa a revelar uma caixa. Ele abre, levanta e olha surpreso quando vê o relógio Rolex que comprei para ele. Nenhuma despesa poupada para o papai. Ele balança a cabeça com um sorriso. — Uau, isso é... muito atencioso. — Leia atrás, — eu instruo. Ele vira o relógio, e todos instintivamente olham para tentar ver a inscrição, mas meu pai a lê de qualquer maneira. — Feliz Aniversário. Com amor de sua filha, Scarlet. Meu pai simplesmente olha para mim, e minha mãe começa a fungar. — Oh, Scarlet, que bonito. — eu posso ver as lágrimas nos olhos tanto de Amber quanto da minha mãe, mas não me importo com as suas reações. Eu estou esperando pela dele. — Obrigado, — diz ele, colocando-o em seu pulso e me beijando na bochecha novamente. — De nada, — eu respondo timidamente, e obtenho a resposta que eu quero. Ele gosta de me ver vulnerável. Ele se alimenta disso. Espero agora que seu pau esteja duro como rocha com o pensamento, mas não ouso olhar para baixo para confirmar as minhas suspeitas. — Scarlet usou o vestido desta cor para você, Richard. Ela se lembra de você amá-la em vermelho. Ele mexe uma sobrancelha para mim. Eu posso dizer que isso o

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agrada muito. — Sério? Eu coro, mas concordo. Mais uma vez, eu sei que ele vai estourar em breve. Tem sido vários anos desde que ele teve esse nível de poder sobre mim. Por agora, eu quero que ele tenha. Por agora, eu quero que ele queime tão brilhantemente com isso que não terá outra alternativa senão agir. — Devemos ir pegar uma bebida no bar? — minha mãe pergunta a David e Amber. Amber acena com entusiasmo, mas David parece relutante em sair. Eu sorrio para ele, dando a ele o incentivo para ir. Mal sabe ele que eu realmente quero ficar sozinha com meu pai. Tem sido um tempo desde que tivemos uma pequena conversa de pai e filha. Minha mãe consegue arrastar um David relutante, me deixando sozinha e à mercê do meu pai. Ele não diz nada em primeiro lugar. Em vez disso, ele apenas olha, me dando aquele mesmo olhar predatório que uma vez me deu pesadelos. Agora, tudo o que eu quero fazer é cair de joelhos e dar prazer a ele. Conforme ele se aproxima, eu tento manter minha respiração sob controle. Eu não quero que ele veja o quanto está me afetando sexualmente. Eu quero que ele veja o medo, eu quero que ele veja a raiva, e eu quero que ele veja a criança vulnerável que eu costumava ser. — Tem sido um tempo. — eu aceno. — Onde você esteve? — Eu fiquei em um abrigo por um tempo, até eu ter um trabalho, cuidando de um homem idoso. Como você sabe, um par de anos depois, eu morei com a mamãe e David. — Sim. Mas porque eu não estava por perto. — Ouvi dizer que você passou um tempo nos Estados Unidos. Ele assentiu. — Eu precisava viajar para a pesquisa. Isso, e o fato de que eu estava contratando um agente lá fora. — Como estão indo seus livros? Agarrando meu cotovelo novamente, ele chega perto para sussurrar: — Embora este bate-papo seja bom, eu sei que tudo o que estamos fazendo está nos desviando da questão.

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Fingindo ignorância, eu começo a gaguejar. — Qua-qua-qual questão? — Você me deixou. Apenas quando as coisas estavam ficando bem entre nós, você foi embora. Agora é hora para a raiva. — Você acha que me empurrando para baixo nas escadas e quase me matando era estarmos bem juntos? Me calando, ele agarra meu ombro com força e me puxa para ele. — Eu tenho que levá-la em algum lugar um pouco mais privado? — eu balanço minha cabeça e vejo quando decepção cruza seu rosto. — Bem, então, mantenha a sua voz baixa. Quando nós dois estamos mais calmos, ele fala novamente. — Você vai me dizer o que está acontecendo em sua vida? — Eu estou trabalhando para alguém em uma empresa de investigações privadas. Ele parece entediado. — Você está vendo alguém? Eu quero sorrir, mas consigo manter a calma. — Não, eu não estou vendo ninguém. — Você já viu alguém... desde que você saiu de casa? Ele quer dizer desde ele, mas ele nunca se atreve a pronunciar as palavras. — O que é que você quer que eu diga? Ele range os dentes. — Não seja a porra de uma leviana comigo. Basta responder a pergunta. — Por que é tão importante para você? — Porque é, porra, — ele rosna, perdendo um pouco sua paciência. Um casal ao nosso lado percebe e se viram para ver sobre o que é o alarido. Meu pai se endireita e se vira para eles com um sorriso. — Desculpa. Meu Deus... Parece que a calma do meu pai está diminuindo depois de apenas cinco minutos em minha companhia. Posso dizer que ele tem anos e anos de frustração reprimida, raiva e desejo fervente na boca do estômago. — Não, eu não estive com mais ninguém, — eu minto. Eu quero que ele pense que, pelos últimos anos, ele ainda me possuía, de forma tipo ~ 256 ~


mórbida. Eu me orgulho muito do sorriso que ele me dá. É quase um de conquista... de presunção. É narcisista da maneira mais fodida que se possa imaginar. — E você? — ele parece surpreso quando eu pergunto a ele. Estou realmente interessada em sua resposta. Por um momento, ele olha para mim e posso ver a intriga e confusão. Ele também está se perguntando se deve ou não me dizer. — Eu tive alguns encontros com mulheres, mas... — Elas não eram eu? — eu respondo por ele. Estou ficando ousada e devo baixar a bola um pouco. Eu não consigo evitar, agora que estou aqui com ele e nós estamos em um lugar público. É quase como se o diabinho em mim quisesse provocá-lo. Eu tenho que manter o foco. Eu preciso ficar calma, débil... fraca, até. — Eu não deveria ter dito isso. Talvez eu deva ir... — eu faço um movimento para ir embora, mas ele agarra meu braço, exatamente como eu esperava que ele fizesse. — Eu não sei o que é sobre você, Scarlet. Você parece assustada, mas também segura de si. Qual deles é? Me viro para encará-lo e fecho brevemente os olhos. — Estou tentando ser forte na sua frente. Eu não sou a criança que uma vez fui. Ele derrama seus olhos sobre mim. — Não, você definitivamente não é. Estou prestes a dizer a ele que o que ele diz é inapropriado, quando um homem, que parece estar em seus cinquenta anos, caminha ao lado dele. — Richard, você está aí, meu velho. Eu estive procurando por você. Eu tenho um pequeno presente que acho que você vai gostar. — ele sorri alegremente para ele, e depois me nota de pé ali. — Oh, eu peço desculpas. Eu não sabia que você estava ocupado. A maneira como ele disse ocupado pareceu como se meu pai estivesse fazendo algo rude comigo. Meu pai sorri, balançando a cabeça. — Bill, esta é a minha filha, Scarlet. Scarlet, este é meu grande amigo, Bill. Ele é dono da editora dos meus livros. Bill, se virando totalmente para mim, pega a minha mão e a beija. —

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Que linda filha você tem. — ele então cutuca meu pai. — Aposto que você esteve afastando os lobos quando ela era adolescente, não é? Eu quase engasgo com a minha bebida. Ele pode ver a ironia e sorri. — Sim, você poderia dizer isso. Bill faz uma careta. — Eu sei que você mencionou que tinha outra filha, mas esta é a primeira vez que a vejo. Onde você esteve se escondendo? Eu sorrio. — Eu estive um pouco ocupada, isso é tudo. Eu estou tendo tempo para a família agora. Isso é o que conta acima de tudo. Bill me dá um aceno agradecido. — Super certa também. Eu sei que você é jovem, mas você nunca deve se esquecer sobre as pessoas que você ama. Havia um sujeito que eu conhecia, um grande amigo meu. Ele trabalhava até os ossos, noite após noite, para sustentar sua família. Um dia, quando estava indo de bicicleta para o trabalho, ele teve um ataque cardíaco súbito e morreu. — ele balança a cabeça. — Que desperdício. — de repente, ele agarra o ombro de Richard. — De qualquer forma, eu vim para roubar você por cinco minutos. Você não se importa, não é? Balanço a cabeça com um sorriso. — Não, claro que não. Por favor, vá. Eu vejo quando eles se afastam, e eu posso dizer que meu pai realmente não quer me deixar agora que ele me tem. Pelos próximos par de horas eu me misturo, enquanto saboreio um par de taças de champanhe. Quero ficar um pouco tonta, mas não bêbada. Eu preciso estar plenamente consciente assim que eu tiver meu pai sozinho. Como eu vou fazer isso é uma incógnita. Uma oportunidade logo surge. — Você pode vir comigo para o meu quarto do hotel? Eu quero te mostrar uma coisa. — uma Amber muito bêbada agarra meu braço e começa a me arrastar, antes mesmo de eu ter a oportunidade de responder a ela. — Não há nenhuma necessidade de me arrastar, — eu rio, enquanto ela bate o botão para o elevador. — Estou ansiosa para te mostrar. Eu rio novamente. — Eu posso perceber. Nós entramos no elevador, e ela aperta o botão para o andar de cima. ~ 258 ~


Eu levanto uma sobrancelha. Ela deve ter um dos quartos caros. Papai deve estar indo com tudo para sua filha. Quando a porta do elevador se abre, sou recebida por um pequeno corredor e apenas uma porta. Eu franzo a testa novamente. — Você está na suíte da cobertura? — ela bate na porta e se vira para mim. — Não... mas papai está. — Querida, — ele cantarola, abrindo mais a porta, — obrigado por trazê-la para cima. Ela sorri docemente para ele e beija sua bochecha. — De nada, papai. — quando se vira para ir embora, ela aperta meu ombro. — Ele só quer falar com você. Eu vejo quando ela caminha de volta para o elevador e não posso deixar de me perguntar como ela é uma tola cega. Eu poderia rir, mas o fato de que ela me conduziu até aqui, sabendo que eu acusei nosso pai de coisas, está além do normal. Praticamente, ela está me oferecendo em um prato para o leão, que está em pé na porta com a faca e o garfo prontos. — Você vai entrar? — meu pai acena para eu dar um passo adiante, mas eu propositadamente hesito. — Não se preocupe. Eu não vou te machucar. Eu só queria que nós tivéssemos a oportunidade de falar mais em particular. — eu mordo meu lábio e fico agitada, um sinal claro de nervosismo. Eu estou tudo, menos nervosa. Na verdade, eu estou pegando fogo. Eu passo com cautela pela entrada e percebo quando meu pai altera a respiração. Ele já está animado com isso. Ele já está sentindo o controle. Uma parte minha quer que ele aja agora, mas eu sei que ele vai querer trabalhar um pouco seu caminho antes de agir. Eu só estou querendo saber quanto tempo ele será capaz de gastar, antes que ele quebre. Assim que a porta se fecha atrás de nós, eu estou na extensão da sala de estar com duas grandes janelas com vista para Londres. Por um momento, eu esqueço onde estou e caminho para ver os pontos turísticos diante de mim. Eu posso ver o Shard e o London Eye muito claramente daqui de cima. Arrepios aumentam à medida que meu pai está ao meu lado, me entregando uma taça de champanhe. — É uma bela vista, não é?

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Concordo com a cabeça, olhando timidamente para o chão e arrastando os pés. — Sim, é linda. — respondo, um pouco sem fôlego. — Você está nervosa. Eu finalmente olho para ele. — Você pode me culpar? Ele simplesmente dá de ombros. — Eu acho que posso te dar isso. — ele revira os ombros, me mostrando seus músculos bem definidos. Ele não está usando mais o paletó. Ele está ali com uma taça de champanhe em uma mão, e sua outra mão está descansando muito casualmente no bolso. Percebo que ele ainda está usando o meu relógio. Eu odeio dizer isso, mas lhe convém. Na verdade, toda a sua roupa combina com ele. Obviamente, ele se mantém em boa forma para um homem de quarenta e cinco anos. — É difícil acreditar que eu simplesmente quero falar? Eu arrasto meus olhos lascivos para longe de seu corpo. Eu não posso deixá-lo ver que eu quero que ele me foda. Sei que ele está morrendo de vontade de me atacar, mas até agora, ele está mostrando reserva. — O que você quer que eu diga? O que há para dizer? Ele toma um gole de sua bebida e cuidadosamente coloca sobre a mesa. Ele não toma uma atitude ainda, mas eu sei que ele está morrendo de vontade de fazer. — Você sentiu minha falta? Eu rio um pouco. — Você me trouxe aqui para me perguntar isso? — eu faço um movimento para sair, mas ele para no meu caminho. — Isso é uma pergunta difícil de responder? Você é minha filha apesar de tudo. — O passado é algo que eu me esforço para esquecer. Ele mexe as sobrancelhas. — Sério? Eu sou tão facilmente esquecido? — Eu acho que você sabe a resposta para essa pergunta. — ele ainda não fez uma jogada, e eu estou querendo saber o porquê. Talvez ele goste de prolongar um pouco mais minha agonia. Talvez, para ele, isto seja preliminares. Para mim também é, mas já está ficando cansativo. Eu preciso que ele aja em breve. — Você acredita em mim quando digo que senti sua falta? Que muitas vezes eu ainda penso em você? — eu engulo em seco e lambo os lábios. ~ 260 ~


Outro ato nervoso, mas eu quero que ele veja. Meus nervos e vulnerabilidade serão seu afrodisíaco. — Eu ainda penso sobre o que você fez. Eu tento não deixar isso me irritar, mas irrita. Ele estaria com sete anos agora. Você sabia disso? Você já parou para pensar nisso? Eu achei que não demoraria muito para meu pai trazer à tona nosso bebê. — E você já parou para pensar sobre o que teria acontecido se eu tivesse o nosso filho? Ele poderia ter tido anormalidades. — Ele não teria tido nenhuma. — Como você sabe? Ele suspira em frustração. — Eu só sei, porra. Tudo bem? — ele toma uma respiração profunda, olhando nos meus olhos. — Você me tirou algo que não sou capaz de ter de volta. Eu começo a torcer minhas mãos, minha respiração ofegante é altamente visível para ele agora. — Você me deixaria ir se eu quisesse? Ele faz um gesto para a porta. — Se é isso que você deseja. Eu abaixo minha bebida e começo a caminhar em direção à porta, mas quando passo por ele, ele agarra meu braço e aperta com força. Eu tento duramente esconder o sorriso que quer aparecer. A besta está subindo. Finalmente estou vendo o verdadeiro dele. — Você me disse que eu poderia ir. Minha respiração é pesada enquanto ele inala o meu cheiro. Ele me puxa para mais perto, chegando cada vez mais próximo do meu ouvido antes de sussurrar, — Eu menti. Admirada, eu arranco meu braço de seu aperto, mas em breve, ele tem a sua mão no meu pescoço enquanto me empurra para a mesa de jantar. Uma vez lá, seu controle aperta e ele respira pesadamente contra a minha boca. — Você sabe quanto tempo eu estive esperando por isso? — Por que você está fazendo isso? — eu pergunto com a voz trêmula. Minha adrenalina está bombeando e assim está minha buceta. Isto uma vez me assustou, mas agora eu estou viva de desejo. Eu quero que ele tire seu pau para fora e que me foda brutalmente. Na verdade, eu preciso disso. — Ninguém te disse, Scarlet? Hoje é meu aniversário, e você é a porra do meu presente. Você é o único presente que eu queria esta noite. Além

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disso, você me deve. Você me deve por tudo que você tirou de mim. Ele começa a beijar e morder meu pescoço, gemendo enquanto vai em frente. Ele está tão ligado, e eu também. No entanto, eu não mostro a ele. Em vez disso, eu choramingo, tentando cobrir meus gemidos. Tento me desembaraçar de suas garras, então ele agarra meus pulsos, forçando-os nas minhas costas. Eu uivo e vejo o sorriso subindo em seu rosto. — Isso pode ser feito da maneira fácil ou da maneira mais difícil. Que caminho você vai escolher? — eu paro de lutar e finjo ser o cordeirinho assustado que ele espera que eu seja. — Escolha sábia. — ele olha para baixo, e com as duas mãos, ele começa a empurrar o meu vestido, arrastando as mãos ao longo minhas pernas. — Porra, eu senti falta dessas pernas. — de repente, ele se afasta de mim e me encara. Estamos completamente em sintonia um com o outro, e nós dois respiramos profundamente enquanto continuamos olhando nos olhos um do outro. Ele acha que a minha reação decorre de medo, mas em breve, ele estará prestes a descobrir como ele está errado. — Tire seu vestido. — eu balanço a cabeça para ele, deixando-o com raiva. — Tire o vestido, porra. O jeito fácil ou difícil, lembra Scarlet? Você pode não ser mais uma criança, mas eu ainda te possuo. Tire seu vestido. Forçando minhas mãos para se mexerem na frente dele, eu começo lentamente a baixar o zíper do meu vestido. Ele observa com interesse enquanto começo a puxar um lado para baixo do meu ombro e depois o outro. Quando revelo a ele meu sutiã de cetim vermelho, seus olhos se arregalam com apreço. Posso estar tentando parecer uma vítima, mas há uma coisa que não posso esconder, que é a umidade entre minhas pernas. Assim que eu empurro o vestido para o chão, eu saio dele e fico lá com apenas meu sutiã, calcinha, e saltos altos. Meu pai começa a desabotoar sua camisa e acena em direção à porta ao nosso lado. — Lá. Agora. — meus olhos olham na direção do que deve ser a porta do quarto, mas não me movo. — Não me faça repetir. — ele espreita para mim, me agarrando pelo meu cabelo e me empurrando em direção ao seu quarto. Com um pontapé na porta, ele a abre, revelando uma enorme cama king size. Este cenário teria sido muito romântico se eu não conhecesse melhor. Deixei ele me forçar para a cama antes de me virar para encará-lo. Ele tirou sua camisa, e está desabotoando as calças. Logo, elas são descartadas no chão, e ele é todo revelado para mim. Eu fico olhando para o seu pau. É longo e duro, exatamente como eu me lembrava. Eu resisto ao impulso de ~ 262 ~


lamber os lábios, antes de finalmente mover meus olhos de volta ao encontro dele. Ele está sorrindo para mim, com uma mistura de desejo e controle dançando em seus olhos. Ele espreita em minha direção, agarrando minha perna e me puxando para o final da cama. Eu uivo, tentando me afastar dele, mas tudo o que ele faz é me puxar para mais perto da borda. — Por favor, — eu imploro a ele. — Por favor, não faça isso. — palavras que eu sei que não significam nada para ele, que saem naturalmente como uma peça cuidadosamente orquestrada. Estou onde ele quer que eu esteja, completamente à sua mercê. Com as pernas abertas para ele, primeiro meu pai rasga o meu sutiã, antes de pegar e apertar meu mamilo. Eu grito, uma mistura de prazer e dor ardentes através de mim. Ele está começando a perder a calma quando a luxúria o controla. Sua mão está se movendo por todo o meu corpo, explorando cada fenda que ele sentiu falta todos estes anos. Assim que ele tem o controle, sua mão se move para baixo, segurando minha calcinha, e com um puxão, ela está fora do meu corpo também. As únicas coisas que me restam são os saltos altos. Mordendo o lábio para esconder meu sorriso, eu uso meu pé direito para cavar meu calcanhar em suas costas, e arranho de seus quadris até debaixo de seu braço. Meu pai arqueia as costas, gritando de dor e, com um rápido levantar de sua mão, me dá um tapa forte no rosto. Ele agarra a minha garganta novamente, me empurrando para a cama. — Porra, eu disse a você Scarlet. — ele agarra meu mamilo de novo, apertando forte. Eu grito, mas, em seguida, uma mão cobre meus gritos. — Você sempre quis lutar comigo, mas adivinha? Eu ainda te possuo. Eu possuo cada pedaço seu. Este é apenas um aquecimento. Tenho planos para você toda a noite, hoje à noite. Com essa última palavra, ele entra duro em mim, jogando a cabeça para trás. — Pooorra! — ele grita, em um longo e arrastado choro. Eu grito também, mas não é com a dor. É com pura e autêntica felicidade. Comigo cuidadosamente situada na beira da cama, meu pai se puxa para cima, segura as minhas pernas em posição e começa a bater em mim. Eu ouço seus gemidos, e estou desesperada para me unir com eles, mas me mantenho firme. — Pare, — eu digo, olhando para longe. ~ 263 ~


— Olhe para mim, Scarlet. — eu mantenho minha cabeça parada. — Olhe. Para. Mim. — eu viro a cabeça e nossos olhos se bloqueiam. Algo passa entre nós. Eu não sei o que é, mas não fujo. É quase como se ele estivesse me lançado sob algum tipo de feitiço. — Sabe como boa para caralho você parece? Isto é onde você pertence. Este é o lugar que você sempre pertenceu. — seus movimentos vêm mais rápidos, assim como sua respiração. Com cada impulso, ele geme, xinga e chama meu nome. É quase como se ele estivesse possuído por mim, e eu estou me divertindo com esta bolha, eu estou com ele. Eu estou flutuando no alto de uma nuvem, onde ele é tudo o que posso sentir. Tudo o que quero sentir é ele. Sexo, por um longo tempo agora, tem sido a minha arma, mas esta noite, eu permiti que o jogo virasse. Embora eu esteja tecnicamente permitindo isso, meu pai é novamente o único a segurar todo o poder. No entanto, ao invés disso me assustar ou enfurecer, está causando um orgasmo de arrebentar, revelando meus verdadeiros sentimentos a ele. Eu tento segurar isso, mas quanto mais ele empurra seus quadris em mim, e quanto mais eu ouço como parece bom para ele, menos eu sou capaz de segurar. — Porra, Scarlet. Eu estou gozando. Suas palavras são como um catalisador, me fazendo arrebentar. Eu perco o controle, jogando minha cabeça para trás e gritando a minha libertação. Faço muito barulho, mas não consigo evitar isso. Eu tenho tentando conter como me sinto por tanto tempo, que meu corpo está me acompanhando. Gozamos juntos em perfeita harmonia, e desta vez, eu não escondo como realmente me sinto. — Que porra é essa? — ele pergunta, olhando fixamente para mim. Sua respiração está pesada quando ele paira sobre mim. Ele não pode acreditar que eu tive um orgasmo por causa dele. Eu fecho meus olhos, mas não deixo meu sorriso desaparecer. — Uau. Eu realmente não sabia o que estava perdendo, não é? Você tem que concordar que foi muito espetacular. Muito bem. Você se tornou melhor nisto. Ele se afasta de mim e começa a sacudir a cabeça. Ele está olhando para mim como se eu tivesse enlouquecido. — O que há de errado com você? Me erguendo para vê-lo melhor, eu começo a rir. — Eu poderia

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perguntar o mesmo a você. De repente, ele aponta para a porta. Sua respiração ainda está pesada do seu orgasmo. Honestamente, eu não sei bem o que há de errado com ele. — Saia. Com minha cabeça levantada para trás, meus olhos se arregalam. — Tão cedo? Pensei que íamos foder a noite toda? Ele aponta para a porta novamente. — Dê o fora antes que eu faça algo que você vai se arrepender. Eu ainda tento esconder meu sorriso, mas é inútil. Eu viro meu rosto para que ele não me veja, e saio com meu vestido, sutiã e calcinhas em minhas mãos. Eu rapidamente me visto, e sem outra palavra caminho para fora da porta. O engraçado é que eu não vi meu pai por mais um ano depois disso.

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trinta e tres Durante as próximas duas semanas, tudo começa a se tornar perigoso. Perigoso no sentido de que cada vez que estou com Reid, eu procuro Stuart depois, e cada vez que eu deixo Stuart, então eu procuro meu pai. É como um vício que tenho. Estar com um me confunde tanto que eu tenho que procurar o outro para esclarecer meus pensamentos. No final, isso só acaba me deixando ainda mais confusa. Eu não quero ter os sentimentos que tenho por Stuart, então eu durmo com meu pai como se fosse uma espécie de lembrete a respeito de quem eu realmente sou. Quando estou com Reid, ele claramente me lembra, e eu finalmente sinto que estou de volta nos trilhos. Que dura até o momento em que Stuart me liga ou manda mensagens e me pede para sair com ele ou, aparecer em sua casa para tomar um sorvete e ver um filme. Ele é um lembrete de algo normal, algo fácil, e algo que eu odeio. No entanto, quase todos os dias, ele chama e eu vou correndo. É como se eu não pudesse evitar. Eu fico olhando fixamente para as paredes quando dou um gole no meu café. Eu vim para o café para que pudesse ter cinco minutos sozinha com meus pensamentos. Eu não sei se vou fazer alguma coisa, mas quanto mais eu penso em fugir com Reid, mais simples e atraente isso parece. Ele ainda está esperando a resposta do engenheiro estrutural e arquiteto. Eu sei que isto o irrita, mas eu disse que ele teria que se acostumar com aquilo lá. Tudo é feito amanhã. Mañana, mañana, como eles dizem. — Scarlet? — uma voz familiar pergunta. Eu olho para cima para encontrar Porter ali, com uma xícara de café na mão. Ele está informal, com um par de jeans, camiseta e um boné de beisebol. Bonés de beisebol realmente caem bem nele. — Porter, o que você está fazendo na rua tão tarde do dia? Sem o meu convite, ele senta à minha frente e puxa a cadeira um pouco mais perto. — Eu tive um cliente perto de Felmchurch Street. E você? Você está imersa em seus pensamentos.

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Eu tento pensar em uma razão e uma me bate imediatamente. — Eu estava tentando pensar em como dizer a você e Amber uma coisa. Eu menstruei. — eu dou a ele o meu olhar mais decepcionado, e eu posso dizer que ele realmente sente isso. — Isso é uma pena. Eu estava meio convencido de que estávamos... com todo o... você sabe. — eu sinto uma corrente de ar atrás de mim, e eu posso dizer que alguém está sentado perto, mas eu não olho. Em vez disso, eu puxo minha cadeira para mais perto, permitindo a quem quer que seja um pouco mais de espaço. — Nós tentamos muito, não é? — eu coro. Do nada, ele coloca a mão na minha. — Há sempre uma próxima vez, hein? Eu realmente gostaria que houvesse uma próxima vez. Eu sei que você disse que nós deveríamos esquecer isso, mas não consigo parar de pensar naquele dia. Foi francamente a coisa mais incrível que já aconteceu comigo. Eu mordo meu lábio, tentando suprimir o meu sorriso. Ele obviamente acha pouco de sua esposa por estar falando comigo assim. Eu me inclino para frente, e tento agir como a irmã culpada. — Eu amei aquilo também, mas nós não podemos. Amber é minha irmã, e ela seria esmagada se descobrisse sobre nós. — ele mergulha sua cabeça para baixo, como se estivesse com vergonha, mas eu não tenho nenhuma simpatia por ele. Na verdade, ele parece um pouco patético. — Eu sei. Eu só não sei como parar de querer isso... de querer você. Eu sinto vontade de dar um suspiro com a minha frustração. Eu vim aqui para ficar longe de toda essa merda, mas ainda assim, de alguma forma isso me segue. Com a mente decidida, de repente me levanto, batendo no cara atrás de mim. — Desculpe, — eu digo, mas voltando a minha atenção para Porter. — Escute, eu não posso fazer isso. Volte para Amber. Precisamos esquecer o que aconteceu. — pego minha bolsa, e posso dizer que Porter quer me seguir para fora, mas ele não segue. Estou feliz por pelo menos isso. Eu começo a fazer meu caminho pela rua e chamo um táxi para me levar para casa. A brisa do fim da tarde bate na minha pele, e eu tremo quando um táxi estaciona do meio-fio. Eu dou meu endereço e vou para casa com minha cabeça zumbido. É cansativo o suficiente com o meu pai, Stuart, e Reid, mas agora eu tenho que lidar com Porter. Eu começo a rir. Eu trouxe

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isso para mim mesma. — Desculpa, amor, você disse alguma coisa? — o motorista do táxi pergunta. Obviamente, ele ouviu a minha súbita explosão. — Absolutamente nada, — eu respondo com um sorriso. Depois de quinze minutos, ele me deixa e eu pago o cara. Eu entro em minha casa, largo minha bolsa, e me pergunto o que vou fazer para a noite. Eu verifico o meu relógio e vejo que passa das sete. Stuart está com a família esta noite, e ele queria, desesperadamente, que eu os conhecesse. Eu me acovardei, porque vamos encarar, por que eu deveria estar encontrando seus pais quando não estou pensando em ficar? Conhecer os pais parece de algum modo, sério, e Stuart ainda sabe que eu não posso cruzar a linha com ele. Sabendo que Reid ainda está com um cliente, eu resisto ao impulso de ligar para o meu pai. Em vez disso, eu ando até a cozinha para me servir um copo de vinho e pensar sobre o que tem para o jantar. Foda-se o café. Preciso de uma coisa mais forte. Retirando algumas batatas, eu começo a descascar e as corto em cubos. Eu estou na minha quarta batata quando a campainha toca. Agarrando uma toalha de chá, eu limpo as mãos e caminho em direção à porta. É o meu pai. Eu a abro para deixá-lo entrar, quando ele entra transtornado através dela, fechando a porta atrás dele abruptamente e me agarrando pelo pescoço. — É verdade? Meus olhos saltam quando ele me empurra para a sala e me bate na mesa de jantar. — É verdade, porra? — O quê? — eu pergunto, minha voz tremendo. Ele parece um assassino. A última vez que o vi assim foi quando ele me empurrou escada abaixo. — Você e Porter. Meus olhos se arregalam novamente, revelando a ele verdade. — Como você... Ele agarra meu pescoço apertado, quase me sufocando. — Às vezes, as pessoas devem prestar atenção ao lavarem a roupa suja em cafés, — ele ruge.

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— Era você? Ele solta meu pescoço e começa a andar de um lado para o outro no chão. — Me diga porque, antes que eu arranque sua cabeça, porra. Pela primeira vez em muito tempo, eu realmente sinto medo na frente do meu pai. Isso me deixa com raiva. Realmente irritada. — Eu disse a Amber o que você fez comigo e ela não fez nada. Nada! — eu grito. Ele para de andar e dá dois passos em minha direção. Seus olhos estão cheios de nada, senão veneno. — Então você decidiu foder seu marido? — Ela mereceu. — Ela é a porra da minha filha! — ele grita. — Eu. Também. Sou! Ele fica mais perto. — Não, você não é. Você nunca foi minha filha. Você foi o produto de um caso de uma noite com algum fodido canalha. E você se tornou exatamente como ele, sua vagabunda fodida. Apesar do meu medo, eu me mantenho firme. — Você acha que eu nunca soube? — ele se vira para mim com interesse. — Eu ouvi você e mamãe falando no hospital. Eu sei desde então. Por alguma razão, você sempre manteve isso de mim. Por alguma razão, você queria que eu me sentisse enojada cada vez que você me violou, — rosno para ele. — Eu fodi David cada chance que eu tive. Eu fodi Porter também, e eu amei cada fodido segundo disto. Eu não me importo se isso me faz uma vagabunda. Minha própria família me fodeu, então agora é a minha vez. Seu punho se conecta com a minha cara, antes mesmo de eu ter a chance de reagir. Dor aguda queima meu rosto quando eu caio no chão. Ele me agarra e eu levanto chutando e gritando, tentando arranhar seu rosto. — Puta do caralho! — com um controle apertado da minha mão, ele começa a rasgar meu vestido em pedaços e, em seguida, meu sutiã e calcinha. — Lembra daquela vez que eu tive que te ensinar uma lição? Você está tendo essa fodida lição agora, e assim que eu tiver terminado, você vai vir para casa comigo. Eu não me importo se eu tiver que trancá-la na minha casa para sempre. Você é minha, e você nunca vai me desobedecer novamente.

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Medo sobe na minha pele. Eu sei o que ele vai fazer, e eu me lembro da dor agonizante quando ele fez isso antes. Eu não deixo ninguém perto de mim lá, porque apenas o pensamento disso me traz um medo indescritível. — Não, não, não! — eu grito. Agarrando o meu rosto, ele joga minha cabeça para trás até que ela bate na mesa. Tudo fica preto por um momento, me roubando a vista. Quando eu volto, meu pai está tirando as calças e levantando minhas pernas para o alto, para que ele possa entrar em mim. Eu começo a chorar. Pela primeira vez, desde que tive conhecimento da traição da minha família, eu começo a ter soluços de dor. Estou de volta com quatorze anos... volto a ser a adolescente solitária e vulnerável, com nada além de sofrimento em seu coração. Eu posso ter ganhado algum tipo de poder, mas eu era estúpida para acreditar que poderia ser a única no comando. Ele está e sempre estará no comando. — Por favor, não! — eu grito novamente quando ele começa a empurrar o seu caminho dentro de mim. Eu sinto a picada. Sinto o latejar quente de dor quando ele força o seu caminho. Eu tento me afastar, tento me mover apenas para ficar longe deste sentimento. Não adianta quando ele me tem bloqueada num local como este. — Você é tão apertada aqui. — ele faz uma cara como se estivesse com dor também. Sem lubrificação, ele deve estar. Estou em agonia, então por que ele está fazendo isso? — Pare! — eu ofego, enquanto ele empurra mais profundo, causando mais dor lancinante se rastejando pela minha espinha. — Você é minha, Scarlet. De mais ninguém, só minha, e até você perceber isso, eu estou te mantendo presa onde ninguém pode chegar até você. Ninguém pode marcá-la, apenas eu. Eu estive muito fraco com você, porra. — ele empurra mais profundo, e eu grito em agonia. Eu sinto que meu mundo está ficando preto. Estou perdida, e vou desligar a mim mesma... vou me rastejar de volta para minha concha que eu costumava me esconder tão bem. Eu tento, em vão, mas com cada impulso se torna mais difícil ignorar o calor agonizante que está atirando através de mim. Mas então, ele simplesmente para. De repente, seus olhos se

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arregalam quando ele começa a asfixiar. Seu aperto solta e ele recua, me aliviando da picada. Estou livre, mas não estou certa do porquê até que ele cai no chão, revelando Reid com uma faca ensanguentada na mão. — Reid. — eu começo a tremer incontrolavelmente e ele percebe. Correndo para frente, ele me agarra e me toma em seus braços. — Está tudo bem, Scarlet. Você está segura. — ele começa a me balançar antes de pegar meu rosto. — Olhe para mim. — ele olha para o meu olho e range os dentes. Se meu olho está tão inchado quanto parece, ele vai ser capaz de dizer o quanto ele perdeu antes de chegar aqui. — Você é mais forte do que isso, Scarlet. Você está me ouvindo? Eu começo concordando e ele me puxa para um abraço novamente. Nós ouvimos meu pai sufocando, então ambos nos voltamos para ele. Isso é quando vejo os olhos do meu pai se arregalando quando ele vê Reid. Eu franzo a testa. Ele o conhece? — Isto certamente não é como se trata uma senhora, não é? — ele se vira para mim, e coloca seus lábios quentes nos meus. Eu posso sentir a faca em mim, sentir o gotejamento do sangue de meu pai no meu torso. Quando ele recua, Reid inspeciona a faca antes de colocá-la sobre a mesa. Ele vê o sangue em mim e manchas em minha pele. — Eu vou ajeitar isso, baby, — ele acalma, beliscando meu mamilo. — Eu quero que ele veja você gozar ao toque de outro homem, bem antes dele morrer. Eu começo balançando a cabeça. — Reid, não. Ele coloca um dedo no meu lábio. — Shh. Está tudo bem agora. Ele não pode te machucar mais. Tudo o que você vai sentir é o prazer. — ele começa circulando meu clitóris, aplicando tanta pressão que eu não tenho escolha a não ser obedecer a ele. — Eu vou fazer a dor ir embora. Vou fazer tudo ir embora. — eu lamento, fazendo Reid sorrir. — É isso aí, baby. Dê isso para mim. Dê a mim o que eu quero. Dê a ele o que ele merece. Um ato final de desafio. Ele não ganhou, Scarlet. Você ganhou. Deixe que ele veja isso. Deixe ele ver a sua força. Deixe ele testemunhar isso antes de morrer. Com essa última palavra, seus golpes se tornam mais rápidos. Eu me agarro nos braços de Reid, com todas as minhas forças. Eu estou pronta para estourar. Eu não quero, mas isso vem pesado e rápido. Reid não está apenas persuadindo isso. Ele está forçando-o.

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— Tá vendo esse olhar no rosto dela? Ela deveria ter apenas este olhar. Prazer. Apenas prazer... e eu sou o único que dá a ela. Eu! — ele golpeia sua mão sobre meu peito e aplica ainda mais pressão. Com isso, o meu orgasmo explode em cores brilhantes. Eu já não estou pensando sobre a dor que meu pai me deu alguns minutos atrás. Agora, eu só estou pensando no êxtase em que estou. — É isso aí. Linda... bonita pra caralho. Meu pai começa a engasgar um pouco mais quando o sangue escorre da sua boca. Ele olha para mim uma última vez, e então eu testemunho como, de repente, ele está indefeso. Seus olhos estão me implorando para ajudá-lo, me pedindo para ir até ele. Eu não vou. Eu fico calma e vejo como isso ocorre a ele... eu vejo quando a dor de saber isso pisca diante de seus olhos, antes que seus olhos fiquem vítreos, e o último suspiro que ele tem, deixa seu corpo. E como se voltando à vida, eu expiro violentamente. Reid me sacode um pouco. — Scarlet, eu não vou perder você agora. Fique comigo. Ouça. — ele me sacode novamente até eu olhar nos olhos dele. — Suba as escadas, tome um banho, tome algum Valium, e vá para a cama. Vou resolver tudo isso. — eu não me movo. Eu não posso. Parece que o ar foi sugado para fora de mim de repente. — Scarlet! — ele me sacode de novo, e posso dizer que ele quer me bater, mas ele se segura por causa do meu olho machucado. — Vá lá pra cima. Agora. Eu aceno com a cabeça, e com as pernas tremendo, eu coloco um pé na frente do outro e passo pelo corpo do meu pai. Não ouso olhar para ele. Eu já vi o suficiente. Usando minhas mãos, eu me empurro para cima pelo corrimão. Minhas pernas estão muito instáveis, então eu tenho que confiar em meus braços. Eu chego até o topo, e com toda a minha força, eu corro para um banho, entro e fico lá sob o jato quente. Eu vejo o sangue do meu pai, e, de repente, eu começo a esfregar freneticamente minha pele novamente. Eu ligo o aquecimento, e eu fico lá por séculos sob ele, me esfregando para ficar limpa, até estar livre dele. Eu não fazia isso desde depois da festa de Amber, então pensei que tinha um poder sobre as coisas. Desta vez, eu não conseguia tirá-lo de cima de mim. Eu não conseguia me libertar dele. Eu não sei quanto tempo fiquei lá parada, suportando o calor escaldante na minha pele, mas quando finalmente desligo o chuveiro, eu

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olho para mim mesma, e tudo o que vejo é vermelho, pele manchada e um monte de pequenos arranhões crivando meu corpo. Com a mão trêmula, eu saio do banho, enrolo uma toalha em volta de mim, e caminho até a minha mesa de cabeceira. Reid sempre costumava ter Valium para mim se eu tivesse pesadelos a qualquer momento. Eu não tomei nenhum por alguns meses, mas Reid sabia que eu iria precisar deles esta noite. Eu tomei três pílulas e fiquei sob as cobertas da minha cama. Mesmo achando que não está frio, eu começo a tremer. Flashbacks do meu pai e o quão zangado ele estava esta noite, assombram minha cabeça. No começo, é tudo o que posso pensar. Mas, quando eu me acalmo, me lembro como ele parecia impotente deitado lá no chão quando morreu, e como, para variar, ele parecia vulnerável quando me implorou para ajudá-lo. Eu não sei por quanto tempo deito lá antes de meus olhos cederem, mas logo as pílulas me derrubam, e quanto mais pesados meus olhos ficam, menos eu consigo lutar contra isso.

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trinta e quatro Duas semanas depois. Reid queria fugir depois que ele matou meu pai. Eu raciocinei com ele e disse a ele o quanto pareceria suspeito. Meu pai está desaparecido agora por duas semanas. Amber tem estado frenética, e eu tive que tentar argumentar com ela. — Ele já fez isso antes, lembra? Ele desapareceu por semanas e acabou na França. — isso foi depois do nosso encontro em seu quadragésimo quinto aniversário... no dia em que eu soube que era tão doente quanto ele. Apesar de tudo isso, eu fui a irmã obediente. Eu liguei, se ela não ligasse, todos os dias para ver se ela tinha ouvido alguma coisa. Eu já sabia a resposta, mas tinha que parecer um pouco preocupada. Após cinco dias sem nenhum contato, Amber e eu fomos para a polícia e relatamos seu desaparecimento. Eles não pareceram perturbados quando dissemos a eles sobre a coisa da França, então eu duvido que eles vão levar isso a sério. Desde então, Reid tem estado ansioso. Tem sido difícil tentar controlá-lo e levá-lo a ver a lógica por trás de nós termos de ficar por um tempo. Ele teve um contra tempo de qualquer maneira, e o proprietário do clube mudou de ideia. Reid está em Ibiza tentando resolver o problema, e eu fui sorrateiramente até a casa de Stuart, porque, egoisticamente, ele é o único que me mantém sã. Fiquei com ele na noite passada, e novamente, afagos foram tudo que fizemos. Eu acho que esta pode ser a única relação que eu tive que algo sexual não estivesse envolvido. Eu sei que Reid e eu não tivemos relações sexuais ainda, mas no entanto, nós temos feito tudo. Meu olho negro foi o principal obstáculo. Por alguns dias depois da morte do meu pai, eu fiquei dentro de casa com montes de gelo e ibuprofeno. Quando quatro dias haviam passado, eu fui capaz de esconder o ferimento com um monte de corretivo. Eu tive que mostrar minha cara até então, pois Amber estava ficando ansiosa. — Existe algo que você gostaria de fazer hoje? A tempestade da noite passada parece ter passado agora. — ele dá uma olhada para fora de sua ~ 274 ~


janela para o sol brilhando lá fora. Vim de táxi na noite passada, bem quando o vento e a chuva começaram. No final, eu fiquei porque parecia piorar à medida que as horas progrediam. Tomo um gole do meu café e sorrio para Stuart. Seu cabelo está todo despenteado do sono, o fazendo parecer extremamente sexy. Apesar de ser depois das dez, não acordamos há muito tempo. Por alguma razão, quando estou com ele, enrolada em seus braços, durmo como uma pedra. Meus olhos varrem seu torso nu. — Você tem que andar por aí sem nada na parte de cima? — eu não respondo a sua pergunta, porque ele é muito perturbador. Ele deve ter os ombros mais largos que eu já vi. Você pode dizer que ele malha, mas ele não é excessivamente musculoso. Ele é musculoso e tonificado. Ele parece simplesmente apetitoso. Ele sorri como se eu tivesse acabado de lhe dar o melhor elogio. — Por quê? Você está achando difícil se concentrar comigo semi nu? — Sim, — eu respondo honestamente. Ele se inclina sobre a ilha de cozinha, pairando sobre onde estou sentada. — Ok, aqui está o acordo. Eu vou cobrir meu peito se você se cobrir completamente em um saco. Eu começo a rir. — Por que diabos você quer que eu faça isso? Ele suspira. — Porque, quando se trata de você, babe, você é uma distração constante. Eu tento desesperadamente esconder o sorriso do meu rosto, mas não adianta. — Se eu não soubesse melhor, eu diria que você está tentando entrar na minha calcinha. Ele está mais alto, sua postura levanta. — Bem, isso é certo. — eu sorrio de novo, pego meu telefone para verificá-lo. Stuart percebe. — Eu espero que você não esteja se preocupando com ele. Olhando nos olhos de Stuart, eu posso ver a raiva só de pensar nisso. Ele sabe mais coisas sobre o meu pai agora do que Reid já soube. — Não, não ele. Só estou preocupada sobre como Amber está levando isso. — é uma mentira, mas estou um pouco impaciente. Toda vez que o telefone toca, eu fico me perguntando se vai ser a polícia nos dizendo que eles o encontraram. Eu não sei o que Reid fez com o corpo do meu pai depois, e eu realmente não quero saber. Eu estou apenas paranoica que, agora que Reid se foi, o corpo ~ 275 ~


dele vai, de repente, aparecer. É engraçado, porque eu pareço passar por dias em que estou realmente de luto por ele. É estúpido, eu sei, mas ele foi uma grande parte da minha vida, uma que é inabalável. Ele era o meu estuprador que se tornou meu amante. Apenas em seu último dia fez a sua verdadeira natureza brilhar, me dando uma visão clara do meu passado. Ele me decepcionou naquele dia. E essa é a razão pela qual, em outros dias, eu só o odeio. Se ele estivesse vivo agora, tudo o que eu gostaria de fazer é chutá-lo e gritar: ‘Por que eu?’ Eu sabia que não era realmente sua filha, mas ele tinha que descontar isso em mim? Eu era inocente. Eu era apenas a pessoa que nasceu neste mundo sem uma escolha. — Você quer dizer... sua irmã... aquela que fingiu ser você, a fim de proteger o seu pai? Essa Amber? — eu olho para baixo e o ouço suspirar. — Eu sinto muito. É só que... você não fica com raiva depois de tudo, porra? Você não quer, de algum modo, mostrar a eles que fodido doente bastardo seu pai foi com você? — Claro que eu quero. Ele é uma tentação. Como seria fácil contar a ele que estou tendo minha vingança, mas então, como seria difícil contar a ele sobre meus métodos. Stuart parece ter construído esta imagem perfeita de mim, mas se ele soubesse a realidade sobre mim, ele iria quebrar sua ilusão em milhões de pedaços. Olhando para baixo de novo, eu vejo Stuart pelo canto do meu olho, se movendo em torno da ilha da cozinha para ficar perto de mim. No minuto seguinte, eu estou embrulhada em seus braços... os braços mais seguros que já estive. Eu pensei que sempre me senti segura com Reid, mas nada se compara a isso. — Desculpa. Eu estou tentando não deixar isso me pegar. Eu só fico com tanta raiva por você. — ele se afasta, cobrindo meu rosto. Ele se inclina, beija meus lábios, sempre tão suavemente, e franze a testa como se sentisse dor. Eu posso dizer que é difícil para ele estar comigo assim e não nos ter juntos como eu sei que ele quer que estejamos. No entanto, eu ainda sou egoísta. Eu não consigo evitar. — Eu entendo, — digo enquanto as palavras não ditas flutuam na minha cabeça. Por que você está comigo?

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Vá... antes que seja tarde demais. Me afaste, antes que eu leve você para o inferno comigo! Devo dizer a ele para ficar longe. Eu preciso dizer a ele para ficar longe. É que cada vez que vou fazer exatamente isso, a minha boca fica presa no minuto em que sinto seu toque, sua pele na minha, e esses doces lábios acariciando os meus. Eu só fico simplesmente perdida nele. — Me diga alguma coisa, — ele pede, exigindo toda a minha atenção. — Existe alguma coisa que você não tenha feito quando era criança que você sempre quis fazer? Ok. Que maneira de mudar de assunto. Entretanto funciona, pois eu volto a me sentir tonta novamente. Não precisa muito com Stuart. Eu mordo meu lábio, tentando pensar em minha infância. Não havia muito que Amber fazia que eu fazia também. Isso era outra coisa que eu não conseguia entender. Amber parecia ter tudo e eu não. Percebo agora que minha mãe estava deixando acontecer porque ela só estava tentando compensar seu caso sórdido. Quando eu penso um pouco mais profundo, me lembro de Amber indo para uma festa de aniversário com uma cama elástica. Eu estava desesperada para ir, pois eu sempre quis saber como seria saltar alto e sorrir como todas as outras crianças pareciam fazer. Meu pai me disse que eu era muito jovem e, portanto, não poderia ir. Eu não podia ir às festas como Amber podia. Eu não recebi tanto quanto Amber, pura e simplesmente. — Cama elástica. Puxando sua cabeça para trás, Stuart olha para mim com um sorriso confuso. — Cama elástica? Eu rio. — Sim. Eu nunca estive em uma cama elástica. Os olhos de Stuart aumentam. — O quê? Como é que você nunca se deparou com uma cama elástica? Eu dou de ombros. — Quando criança, eu nunca era convidada para festas. Se eu fosse, eu dizia ao meu pai, e ele inventava desculpas do porquê eu não poderia ir.

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Stuart fecha os olhos com um suspiro, mas ele logo se move, pegando suas chaves. Me levanto perplexa, e caminho para fora da cozinha para encontrar Stuart, finalmente, vestindo uma roupa. Na verdade, vê-lo agora é um pouco decepcionante. Eu estava me acostumando a babar nele seminu. — Aonde você vai? — Vista-se. Você vai vir comigo. De repente eu entro em pânico. — Eu ainda nem tomei banho. — Nós podemos tomar um quando voltar. Agora, chispa. — ele faz um gesto em direção ao seu quarto, então eu me apresso usando apenas sua camiseta. Eu observo seus olhos me digitalizando quando passo, e isso envia arrepios devassos na minha espinha. Eu preciso obter um controle sobre isso, porque se ele continuar assim, vou perder o controle. Eu chego ao quarto e rapidamente me visto. Eu escovo meus dentes e cabelo, e uma vez tudo feito, eu ando de volta para encontrar Stuart em pé, assim como eu o deixei. — Eu nem sequer tenho maquiagem. Ele balança a cabeça, exasperado. — Você está linda. Você sempre está linda. Inferno, até mesmo um saco não iria me impedir de saber como você é linda. Eu gostaria que ele parasse de me elogiar assim. Isto não ajuda a parar minhas partes de mulher a se tornarem vivas. Pegamos a Evoke e dirigimos durante quarenta minutos até chegar em Guildford. — Por que você está me trazendo aqui? Stuart não olha para mim quando responde. — Você verá. Estamos quase lá. Dentro de dois minutos, ele está entrando em um estacionamento, e é aí que eu vejo para onde estamos indo. — Um parque de cama elástica. — eu quase bato palmas, estou tão tonta. De onde veio isso? Stuart brilha quando ele vê minha reação. — Eu estava esperando que você gostasse disso. Além disso, isso me dá uma desculpa para fazer você cair muito em cima de mim. Eu rio. — Então, esse é o seu plano malvado? ~ 278 ~


Ele abre a porta para sair, mas não antes de dizer: — Claro que sim. Isto é tanto para mim como para você. Eu tenho minhas próprias razões egoístas para trazê-la aqui. Ele fecha a porta atrás dele e vem correndo para o meu lado, para me ajudar. Assim que Stuart tranca as portas, ele pega a minha mão e me leva para dentro do prédio. Há algumas pessoas aqui, mas não tantas quanto eu pensei que teria. Talvez ainda seja um pouco cedo. Depois de mais cinco minutos, nós temos os nossos bilhetes e meias, então nós colocamos nossos sapatos em um armário antes de entregar os bilhetes. Uma vez dentro, Stuart agarra a minha mão e me leva até um conjunto de camas elásticas. — Vamos começar aqui. Eu posso ficar à margem e vê-la saltar um pouco. De repente estou nervosa. Eu nunca fiz isso antes. E se eu não fizer isso direito? Minha hesitação faz com Stuart franza testa. — Há algo de errado? Eu balanço minha cabeça. — Não, é estúpido. — Não seja boba. Me diga. — ele levanta do seu canto e segura minhas mãos. — Eu nunca fiz isso. Existe uma regra para isso ou algo assim? Ele ri, apertando minhas mãos firmemente nas suas. — Você é tão adorável. Eu empurro seu braço em aborrecimento. — Ei, não me tire do sério. Ele rapidamente balança a cabeça. — Eu não vou. — quando eu não sorrio de volta, ele limpa a garganta. — Ok, me deixe começar isso com você, e então veremos sobre você fazer sozinha um pouco. Isso parece bom? — eu aceno. — Ok. Tudo o que temos a fazer é começar a empurrar um pouco com as nossas pernas. — eu sigo os movimentos de Stuart, e logo, a cama elástica está se movendo junto com os nossos movimentos. Estamos apenas nos movendo um pouco no início, mas então, de repente Stuart salta. — Oh, — eu digo, tentando imitá-lo. Não demorou, nós estávamos saltando juntos em um ritmo perfeito. — Tá vendo, isso não é tão difícil, é?

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Seu sorriso contagiante causa meu próprio riso, e antes que eu perceba, não posso manter o sorriso longe do meu rosto. Logo, estamos saltando mais e mais alto na cama elástica. Eu nunca me senti tão selvagem e livre como me sinto agora. É emocionante. Em pouco tempo, eu começo a rir, e Stuart ri junto comigo. — Você está se divertindo? — ele pergunta. — Isso é fantástico, Stuart. — Você acha que pode saltar sozinha agora? Eu concordo. — Claro que sim, eu consigo. Ele ri, mas solta minhas mãos e corre para o lado para me assistir. Eu estou sorrindo. Ele está sorrindo. Quando eu gargalho, ele gargalha. Eu não consigo o suficiente. Eu começo a ficar mais corajosa e saltar mais alto do que nunca, gritando: — Weee! — como se eu fosse uma criança. Isso não sou eu. Eu não faço tolices, criancices como estas, e ainda assim eu não consigo evitar em me sentir tão incrível como estou me sentindo. Eu não tive muitas coisas agradáveis na vida, mas disso eu vou lembrar. Por isso, eu serei eternamente grata. Por enquanto, não vou pensar muito sobre a real Scarlet. Hoje, eu só quero ser aquela criança que nunca chegou a ir para às festas com camas elásticas, e comia doces com as outras crianças. Apenas por um dia, vou viver a minha infância perdida. Apenas um dia. — Oh meu Deus, eu estou tão alto! — eu grito, jogando meus braços no ar. Stuart começa a rir descontroladamente. — Você é a coisa mais pateta e adorável que eu já vi. Dou a ele um sorriso travesso. — Eu aposto que você não pode me pegar. — eu o desafio com meus olhos, enquanto pulo de uma cama elástica para outra. Minha adrenalina entra em ação, e meu coração começa a correr quando Stuart se levanta e começa a me perseguir. — Aposto que eu posso. Uma por uma, eu salto para a próxima cama elástica, e a próxima, com Stuart seguindo atrás. Eu estou rindo tanto que é difícil recuperar o fôlego, mas eu não me importo. Eu continuo indo, tentando me afastar dele, mas sabendo que, em última análise, eu vou falhar. Sinto uma enorme emoção que não posso explicar. É emocionante e libertador. Eu nunca me ~ 280 ~


senti tão viva. Nós andamos em círculos, e cada vez, sinto Stuart chegando mais perto, ele meio que recua um pouco. Tenho a sensação de que ele está deliberadamente facilitando comigo porque ele sabe que eu estou me divertindo muito. Quando eu o provoco, é que as coisas mudam. — Você não pode pegar uma garota, — eu zombo, mostrando língua para ele. — Oh, Scarlet. Eu fui bonzinho com você, mas agora você vai ver. Eu grito quando ele salta mais rápido, se aproximando na velocidade da luz. Eu salto para uma e depois outra, e antes de eu perceba, ele está na mesma cama elástica que eu, jogando os braços para me pegar. Nós dois caímos juntos, com pouca dignidade, quicando quando nós aterrissamos, e não demora, Stuart está rindo em cima de mim. — Eu acho que nunca tive tanta diversão, — eu digo, limpando as lágrimas dos meus olhos. — Muito obrigada por me trazer aqui, Stuart. Eu nunca vou esquecer isso. Stuart para de rir e me encara. Ele acaricia meu rosto, não me deixando dizer mais nada. — Não tem de que, linda. Qualquer riso adicional para, quando nos deitamos no meio da cama elástica encarando um ao outro. Eu estou paralisada e, a julgar por Stuart, ele também está. Nenhum de nós pode desviar o olhar. Stuart olha para os meus lábios, e eu faço o mesmo, dando a ele a permissão que ele está buscando. Ele coloca seus lábios quentes nos meus, e de repente, eu estou pegando fogo. Nós nos beijamos antes, mas nunca tão intimamente como agora. Nunca com ele em cima de mim, enterrando sua dureza no meu estômago como ele está. Seu beijo é suave, mas carente... apaixonado, mas gentil. Novamente, eu estou completamente perdida nele. Completamente consumida por ele. Se estivéssemos sozinhos, não há dúvida de que eu não teria sido capaz de dizer não se ele tivesse empurrado isso. Um lembrete que nós, na verdade, não estávamos sozinhos veio logo quando um apito soou. Saltando, olhamos para cima para encontrar um jovem em seus vinte anos sorrindo para nós. — Eu acho que é melhor vocês pararem um pouco. As crianças estão começando a vir para o parque.

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Meu rosto fica vermelho quando empurro Stuart de cima de mim. — Desculpa. O jovem rapaz dá uma piscadela. — Sem problemas. Ele vai embora, e não demora, Stuart e eu caímos na gargalhada novamente. Uma vez calmo, ele se levanta e me oferece a mão. — Vamos, vamos ter outra chance. Nós ficamos mais meia hora, pulando e rindo constantemente. — Meu queixo está doendo de todas as risadas. — Stuart olha quando eu tomo outra colherada do meu McFlurry. Ele certamente deu o máximo dele hoje, com a cama elástica e sorvete. — Foi ótimo ver você lá fora. Você nasceu para isso. — Sim, até você me trair e me pegar. Ele suspira. — Não é minha culpa que você não seja tão rápida como eu. Estou prestes a retrucar quando meu telefone começa a tocar. Eu cavo na minha bolsa e o retiro. É Amber, e parece que não é a primeira vez que ela ligou também. — Onde diabos você estava? — ela chora no momento em que atendo. — Eu estava fora e o sinal estava ruim, — eu minto. — O que há de errado? — eu olho para Stuart e ele franze a testa, colocando uma mão sobre a minha para o apoio. — A polícia ligou cerca de 40 minutos atrás. Eles estão a caminho para falar comigo. Eu não posso fazer isso sozinha, Scarlet. Eu só não posso. Ela começa a quebrar. Então, calmamente, eu digo: — Tudo bem. Não entre em pânico. Estou a caminho.

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trinta e cinco Stuart e eu estávamos indo para Amber quando eu disse a ele que poderia ir para casa, mas ele disse que não ia a lugar nenhum. Eu não tive tempo para me debruçar sobre as implicações possíveis, porque eu estava muito ocupada pensando sobre o fato que a polícia tinha ligado e que só podia significar uma coisa. Eu sei que não o matei, mas eu estava lá quando aconteceu. O que pelo menos me faz cúmplice. Assim que eu cheguei à casa de Amber, comecei a me acalmar um pouco. Talvez seja apenas uma pista. Poderia ser qualquer coisa realmente. — Scarlet, graças à Deus você está aqui. Eu estou ficando louca. — Porter está em pé com ela, oferecendo a ela um braço confortante ao redor de seus ombros. Ela logo vê Stuart comigo. — Quem é? Eu olho para Stuart, que parece um pouco desconfortável. Posso dizer que ele não gosta de Amber. — Stuart, esta é minha irmã, Amber, e seu marido, Porter. Amber, este é o meu amigo, Stuart. Na verdade, eu o conhecia da escola. Eu acho que em outro momento ela teria estado mais intrigada, mas posso dizer que ela só quer seguir com isto. — A polícia está esperando lá dentro, então é melhor entrar. — ela parece hiperativa e um pouco mal-humorada. Eu acho que estaria também, se meu pai tivesse me dado a mesma cortesia que Amber recebeu enquanto crescia. Nós andamos em sua casa e o detetive que vimos quando inicialmente relatamos o desaparecimento do meu pai, está sentado bebendo uma xícara de chá e mordiscando alguns biscoitos. Quando ele me vê, rapidamente abaixa o biscoito e se levanta. — Scarlet Valentine, se bem me lembro? Aceno minha cabeça com um sorriso. — Sim, sou eu. Ouvi dizer que você tem alguma notícia para nós? — eu pensei que era melhor começar a trabalhar. Tenho certeza que se eu fosse a filha ansiosa que eu devo demonstrar, reagiria desta maneira.

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Ele balança a cabeça. — Sim. Por favor, sente-se. — ele faz um gesto em direção ao sofá, e todos nós nos sentamos. Ele visivelmente suspira, que é uma clara indicação de que uma notícia não tão boa está chegando. Stuart, sabendo disso, pega a minha mão e a aperta com força. — Nas primeiras horas desta manhã, um corpo, com a descrição de seu pai, foi retirado da Virginia Water. É um pouco cedo para dizer, mas os primeiros indícios nos dizem que pode ser ele. Amber de repente geme em desespero, fazendo com que Porter a agarre. Stuart simplesmente envolve um braço em volta de mim, quando eu enceno meu choque. Eu já sabia que ele estava morto, mas eu não sabia onde Reid o tinha colocado. Vou às lágrimas, que são difíceis de encontrar no início, mas depois eu penso em tudo que ele fez comigo e muito naturalmente elas se formam nos meus olhos. — Como... como você pode ter tanta certeza? Inclinado para frente, o oficial torce as mãos. Parece que ele já enfrentou essa situação inúmeras vezes, mas ainda não se acostumou a esta parte. Posso dizer que ele está desconfortável. Não invejo os empregos das pessoas que têm de dizer aos outros que seus entes queridos morreram. — Ele corresponde à idade, altura e aparência... embora ele tenha estado sob a água por algum tempo, o legista acredita que entre dez e quinze dias. Amostras de sangue do DNA vai nos dizer se é ele. — Quando você vai saber? Ele limpa a garganta. — Devemos saber até amanhã à tarde. — Obrigada, oficial. — eu ofereço a ele um sorriso gentil, mas não posso deixar de pensar o que eu faria ou diria se eu fosse inocente. Amber é inútil neste momento. Tudo o que ela está fazendo é chorar no ombro de Porter. — Isso é... como ele morreu? Será que ele se afogou na água? O detetive se mexe desconfortavelmente em seu assento, fazendo Amber parar de chorar por um momento. Ele olha para ela antes de voltar para mim. — O corpo tinha uma única facada nas costas, o que normalmente não seria fatal, mas perfurou algumas das principais artérias, causando um sangramento interno. Amber começa a choramingar novamente. Eu simplesmente aceno com a cabeça. Eu ainda sinto o choque. Eu não sei por que, mas certamente

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me ajuda a parecer uma filha em profunda aflição. — Por favor, você pode nos ligar no minuto em que você souber? O detetive sorri, mas é um sorriso de alívio. Ele pode ir agora que ele nos disse a notícia. — Claro. — ele se levanta. — Eu sinto muito por entregar esta notícia à vocês, mas vamos fazer tudo ao nosso alcance para descobrir o que aconteceu. Eu simplesmente aceno, e o detetive rapidamente sai. No início, eu não sei o que fazer ou dizer, mas, em seguida, Amber faz isso por mim. — Não é meu pai. Não pode ser. Ninguém que conhecemos faria algo tão insensível quanto isso. Quem iria querer esfaquear papai nas costas? É insano. Não me importa o que ele diz, não é ele. — Amber rapidamente se levanta e corre para sua cozinha. Porter logo a segue. — Você está bem? Me viro para encarar Stuart. — Estou bem. Colocando a mão no meu braço, ele esfrega um pouco. — Nós estávamos tendo um dia tão bom. Eu coloco minha cabeça no braço dele. — Eu sei. — Você acha que devemos deixar a sua irmã e seu marido sozinhos? Puxando a minha cabeça, eu olho para ele com um sorriso. — Sim, talvez seja melhor. Ela precisa de tempo por conta própria para processar tudo. Nós dois nos levantamos e, sozinha, eu ando até a cozinha para falar com Amber. Ela está enrolada firmemente nos braços de Porter. — Nós vamos precisar contar a mamãe. Amber funga e simplesmente balança a cabeça. — Não pode ser ele. — Você pode lidar com isso? — Porter pergunta, me dando uma folga. Eu simplesmente aceno e me viro para sair pela porta. — Eu vou ligar mais tarde. Ambos, Stuart e eu, nos retiramos rapidamente e em silêncio. De repente, eu me sinto exausta. Eu já sei o que vai acontecer a seguir, e o pensamento me petrifica.

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Reid aparece na minha mente, e de imediato, eu sei que vou ter que ligar para ele. Se houver algo, eu preciso confirmar onde ele colocou o corpo dele, de modo que eu saberei com cem por cento de certeza de que é ele. — Você vai ficar comigo por alguns dias? — Stuart pergunta enquanto estamos dirigindo de volta. Eu não deveria querer, mas eu quero. Eu me sinto sozinha sem Reid comigo. Adoraria pensar que é por eu estar sentindo terrivelmente a falta de Reid, mas também sei que não é só isso. Eu simplesmente aceno. — Eu terei de pegar algumas coisas na minha casa. — Nós passaremos lá agora e você pode embalar. Eu só preciso visitar o escritório por alguns minutos. Eu recebi uma mensagem enquanto você estava conversando com sua irmã na cozinha. — Há algo de errado? Stuart sorri. — Não. É apenas mais simples se eu for. O que demoraria uma hora no telefone, levará cinco minutos se eu apenas for lá e resolver o problema sozinho. Eu fecho meus olhos, afundando de volta na minha cadeira. — Leve o tempo que for necessário. Eu estarei esperando por você. Stuart se estica e agarra a minha mão. — Eu gosto do som disso. — ele puxa minha mão e me beija com ternura. Eu não consigo evitar, mas olho para ele enquanto ele nos leva. Ele é mesmo sexy fazendo isso. Adoro a maneira como a mão repousa levemente no volante, enquanto o cotovelo relaxa na porta. Sua postura é reta, mas de alguma forma, ele faz isso de uma maneira que faz parecer descontraído. — Você está me encarando? Eu desvio os olhos. — Não, claro que não. Stuart morde o lábio, acena com a cabeça, e se vira para mim com um sorriso insolente. — Você estava totalmente me verificando naquele momento. — eu balanço minha cabeça em desafio. — Não se preocupe. Não vou contar a ninguém. Eu não digo mais nada e nem ele. Só quando chegamos à minha casa

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e ele coloca a marcha na posição parada, que ele se vira para mim. — Você vai ficar bem? — Claro. Faça o que você tem que fazer. Leve o tempo que você precisar. — Eu sei. Eu só preferiria ir para casa com você o mais rápido possível. Eu quero estar aqui para você... se isso faz sentido. Você não deveria querer estar. Eu não digo as palavras em minha cabeça. Em vez disso, como a covarde que sou, eu aceno com a cabeça. — Eu sei, e eu aprecio isso. Obrigada. — eu rapidamente dou um beijo de adeus em sua bochecha e corro para a casa para fazer a mala. De qualquer maneira, eu não estou excessivamente entusiasmada com a ideia de ficar nesta casa. Desde que meu pai foi esfaqueado na minha sala, eu não tenho nenhum desejo de voltar aqui. Eu nem sequer entro na sala de estar. Em vez disso, opto por correr lá em cima e pego uma sacola. Quando eu pego a sacola e começo a arrumar, disco o número de Reid. — Scarlet? — ele atende após dois toques. — Eles encontraram um corpo em Virginia Water. — Porra! — ele respira, e nesse momento eu sei que deve ser ele. — O que a polícia disse? — Eles disseram que estão quase certos de que é ele, mas até que os resultados de DNA estejam prontos eles não vão saber com certeza. Eles mencionaram que ele foi apunhalado pelas costas. Reid suspira. — Isso ainda vai dar merda. Tudo o que eu quero fazer é nos tirar daí. Eu sinto as lágrimas transbordando com algo. O quê? Culpa? Reid está fazendo de tudo para me proteger, e ainda estou arrumando uma sacola para ficar na casa de outro homem. Se Reid descobrir, ele ficará devastado. Ele matou por mim, e é assim que eu retribuo a ele? Eu tento raciocinar comigo mesma e dizer que eu não pertenço a ninguém. Eu não estou comprometida com um ou outro homem, mas eu sei no fundo do meu coração que não é verdade. Eu não tenho emoções, mas ainda aqui estou,

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lutando uma guerra dentro da minha cabeça e do coração por dois homens. Dois homens que antes eram três, até que Reid se livrou de um. — Eu sei que você está. Eu sinto sua falta, Reid. Eu o ouço suspirar novamente. — Também sinto sua falta. Esse idiota está me dando nos nervos, porra. Primeiro, ele disse que não queria vender, e então ele voltou com uma contra oferta que era muito acima do que eu estava disposto a dar. Se eu não quisesse tanto o clube, eu o mandaria enfiar no fabo. Me sentando na minha cama, eu rio. — Eu tenho certeza que você pode ganhar essa rodada dele. Se não, mande ele enfiar no rabo e procure outra coisa. Na verdade, por que não marca entrevistas para ver mais um par de lugares, só por garantia? Isso pode deixá-lo nervoso. Eu posso ouvir o sorriso em sua voz quando ele fala. — Essa é uma ótima ideia. Eu poderia fazer isso. — Me ligue quando você estiver voltando para casa. — Eu vou. Te amo, baby. — Eu também te amo.

~ 288 ~


trinta e seis Outras três semanas se passam em um turbilhão. Os resultados de DNA voltaram e claro, confirmaram que era meu pai. Eles abriram uma investigação de assassinato e me entrevistaram, entre muitos outros. Aparentemente, o meu pai não era tão bem quisto como Amber tinha pensado. Ele fez um monte de inimigos no mundo da edição, o que significa que a pressão diminuiu um pouco para mim. Além disso, como eles poderiam realmente achar que eu poderia fazer algo assim? Eu sou sua filha amorosa, depois de tudo. Cinco dias atrás, tivemos o funeral, e eu, desde então, estive visitando seu túmulo todos os dias. Stuart esteve lá em cada momento. Ele estava comigo no funeral e praticamente todos os dias depois. Reid teve de ficar em segundo plano, porque seu envolvimento comigo poderia levantar suspeita. Nós não achamos que seria um grande negócio, mas é melhor prevenir do que remediar. De qualquer maneira, Reid não queria nada com a minha família. Ele despreza todos eles com fervor. Ele tem um motivo para odiar cada um deles. Minha mãe e Amber por fecharem os olhos, e David e Porter por dormirem comigo. Eu deixo lágrimas falsas caírem quando estou sobre a sepultura do meu pai. Devo admitir, eu ainda anseio por ele, mas todos os dias, fica um pouco mais fácil. Eu acho que ele vindo naquela noite e fazer o que ele fez comigo quebrou um pouco, seja lá qual feitiço que eu estava. Isso ou Reid o matando fez a mágica. Eu não sou mais a vítima. Em vez disso, eu fico na sepultura daquele que me tornou vítima. Agora ele é a vítima. Agora ele é aquele que está enterrado sob sete palmos de terra, e nunca retornará novamente. E com esse pensamento, eu dou um tapinha em sua sepultura. — Eu vou vê-lo novamente amanhã. Você gostaria disso, não é? Eu rapidamente me viro, fazendo meu caminho de volta para a rua para chamar um táxi. Ambos, Stuart e Reid, estão trabalhando. Reid me disse que ele tem um último trabalho a fazer antes que possamos começar a ~ 289 ~


fazer a mudança para a Espanha. O plano de procurar outro lugar funcionou, e o cara sucumbiu um par de dias mais tarde. Ele pode ter o clube e está planejando voar em um par de dias para pagar ao proprietário. Eu disse a ele que eu precisava ficar um tempo, então não iria parecer muito suspeito da minha parte estar voando. Reid relutantemente concordou, mas eu sei que não serei capaz de segurá-lo por muito mais tempo. Fui convidada para participar de uma reunião de família na casa de Amber. Ela quer a minha mãe e eu apareçamos para celebrar a memória de nosso pai. É revoltante, eu sei, mas não posso não participar. Stuart realmente queria vir, mas ele não podia sair do trabalho, então eu acho que vou ter que ir sozinha desta vez. Apanho o táxi para me deixar na esquina da rua de Amber, para que eu possa dar um pulo na loja em primeiro lugar, e comprar uma garrafa de vinho. Uma vez lá, estou tentada a pegar um champanhe. Embora, eu não tenho certeza se isso iria cair muito bem em uma reunião memorial. Em vez disso eu opto por uma garrafa muito cara de Sauvignon Blanc, antes de caminhar os cinco ou mais minutos para a casa. Amber atende a porta. Ela está uma bagunça, mas então, ultimamente, ela tem estado. Ela sente falta do seu pai e não consegue entender como um pai tão amoroso poderia ter sido apunhalado pelas costas. Pobre bebê. — Oi, Scarlet. Estou feliz que você pode vir. — no início, eu acho que ela está sendo vingativa, mas não há nenhuma sugestão de malícia em sua voz. — Eu não perderia isso, — eu respondo, abraçando-a. — Mamãe e David já estão aqui. Eu entrego a Amber a garrafa e faço o meu caminho para a sala. Com certeza, mamãe está lá com sua simbólica gin tônica. Pela aparência das coisas, eu diria que este já foi o seu segundo. — Querida, — diz ela, se levantando da cadeira e vindo para me abraçar. Ela começa a fungar no meu pescoço, então eu sei que ela está chorando. — Wendy, — alerta David. Ela se afasta. — Eu sinto muito. Eu simplesmente não posso acreditar ~ 290 ~


que ele se foi... ele tinha apenas acabado de ter você de volta. Eu coloco a mão em seu braço. — Eu sei, mamãe. Eu não posso acreditar nisso também. Ela começa fazendo uma cena e me mostrando onde sentar. — Vamos, vamos... se sente. Nós estávamos compartilhando algumas fotos e antigas memórias felizes. — Ela aponta para a mesa, e com certeza, existem álbuns de fotos esparramados sobre a mesa. Impressionante! Uma vez sentada, Porter emerge com um copo de vinho branco para mim. — Amber disse que você pode querer isso? Eu sorrio e dou a ele um aceno cortês. — Obrigada. Amber surge atrás dele, e os dois nos sentam juntos. Silêncio constrangedor começa e me faz sentir desconfortável, até Amber fazer um comentário sobre o que estou vestindo. — Eu acabei de vir neste minuto da visita ao túmulo do papai. Estive colocando flores frescas lá todos os dias. — Oh, isso é adorável, — a minha mãe diz bêbada. — Isso resolve o mistério então. Notei flores frescas ontem quando o visitei. Eu queria saber de onde vieram. — Amber olha para mim com uma expressão vazia. Eu não posso avaliar o seu estado de espírito. Ela de repente se virou... meio entorpecida. — Nós estávamos apenas passando por algumas fotografias, não estávamos, querida? Amber se levanta, me entregando um álbum de fotos. — Nós estávamos apenas olhando para estas fotografias antigas. Algumas delas têm apenas dez anos, mas parece um milhão de anos agora. Eu abro o álbum, e dentro de um instante estou sugando o ar quando as memórias capturadas do meu passado me atingem como uma tonelada de tijolos. Fotos de nós, em nossa sala de jantar, jantando. Fotos de nós, em férias juntos em Cornwall. Fotos de nós, indo para piqueniques, passeios de bicicleta, e visitando restaurantes. Todos nós estamos sorrindo, mas apenas uma menina parece verdadeiramente infeliz. Uma adolescente de aparência

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fantasmagórica, com cabelos castanhos avermelhados e olhos verdes assombrados. Meus olhos. Eu posso ouvir a minha mãe e Amber relembrando em segundo plano, mas eu não consigo ouvi-las. Quero calar todo o ruído e até a minha visão. Eu não quero ver as fotografias diante de mim, mas por alguma razão, eu não consigo desviar o olhar. Só quando eu chego na próxima página que o meu coração para. — Oh, você se lembra desta festa de aniversário, mamãe? No dia que papai te deu a piscina? — Ah, sim, — ela responde. — Você se lembra daquele menino, Scarlet? Eu nem me lembro o nome dele agora. Ele ficou apaixonado no momento em que pôs os olhos em você. Eu fico olhando um pouco mais para a fotografia de mim na piscina, conversando com o rapaz. Eu nem sabia que tinha sido tirada. Na foto, eu estava olhando para uma figura que você só podia ver apenas a metade, mas eu já sabia quem era. O medo nos meus olhos são palpáveis, mas obviamente, a minha mãe e Amber são cegas para isso. Fechando o livro, eu olho para minha mãe. — Sim, eu me lembro. — me lembro muito bem. Foi o dia em que meu pai decidiu jogar um jogo de tesouras comigo. — Porém, você não estava interessada, não é? — brinca Amber. — Eu acho que todos nós sabemos o porquê. — Amber, como num estalar de dedos, veio à vida. Ela me dá uma piscadela insolente, mas, em seguida, suspira. — Mas, espera. Quem é este Stuart misterioso que tem estado pendurado em torno de você ultimamente? Nós não tivemos muito tempo para falar sobre ele. Todos os olhos estão em mim por razões diferentes. Mamãe e Amber olham intrigadas, enquanto David e Porter parecem tensos. — Ele é um bom amigo. Na verdade, eu fui para a escola com ele. — Oh, sério? — mamãe pergunta em sua vozinha cantante. — Quando o vi no funeral, pensei que você e ele faziam um belo casal. — Oh, não é? — Amber interrompe.

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Eu começo a me remexer um pouco. — Ele é apenas um amigo. Mamãe bufa. — Eu vi o jeito que ele estava olhando para você, Scarlet. Não era de forma alguma amigável. Ele é apaixonado por você. — eu começo a mexer minha cabeça, mas minha mãe não está pegando nada disso. — Eu estou dizendo a você, ele está caidinho por você. Qualquer um teria que ser cego para não ver. — Wendy, deixe a pobre menina sozinha. Ela disse que eles são apenas amigos. Agora, deixe isso. Minha mãe engole o resto do seu copo e se levanta para pegar outro. — Eu só estou dizendo. — ela acena com o copo ao redor para o resto da sala. — Alguém precisa reabastecer? — todos nós dizemos não. Eu quase não toquei o meu. Mamãe retorna rapidamente, e nós começamos a falar sobre a morte, e como o câncer parece estar matando todos que nós conhecemos. Minha mãe e Amber continuam falando como se o resto de nós não estivéssemos sequer no mesmo lugar juntos. Eu chego ao final de um copo de vinho no momento em que minha mãe termina mais dois gin tônica. Amber não fica atrás da minha mãe do jeito que ela está indo. — Sabe, falando de câncer, eu me lembro de Scarlet querer ser uma médica quando era mais jovem. — cambaleante apontando o dedo para mim, mamãe olha para David e, em seguida, de volta para mim. — Por que você não ficou em casa e seguiu o seu sonho? Eu dou de ombros, não querendo entrar nesta conversa. — Apenas é a maneira que as coisas aconteceram. — Ela era uma criança tão incontrolável quando estava na adolescência. Sempre se levantando para a maldade. — sentindo a raiva crescendo, eu mordo minha língua. Eu só disse a verdade às pessoas, e tudo o que consegui foi ser rotulada como uma criança problema. David, sentindo meu desconforto, coloca a mão em seu braço. — Querida, eu acho que você precisa deixar isso em paz. — ela estala a cabeça para ele. — Por quê? Eu só estou dizendo a verdade. Scarlet foi sempre quieta, mas quando ela falava, era sobre coisas indizíveis. — parece que a língua bêbada da minha mãe está cada vez mais solta. É engraçado como sentimentos podem ser revelados por algumas gotas de álcool.

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— Wendy, — David alerta. — E, então o serviço social veio bater em nossa porta. Serviço social! — ela grita, empurrando sua bebida no ar e derramando metade. — Até recentemente, eu nunca soube nada sobre isso, — eu estalo. Minhas emoções, que estavam sob controle agora estão oscilando com a menção do serviço social vindo e minha família mentindo a eles sobre mim. — Como é que eles nunca falaram comigo sobre isso? — eu olho para a mamãe e Amber. Amber ruboriza num vermelho brilhante, mas minha mãe só parece colocar para fora. — Nós falamos com eles, e eles estavam satisfeitos. Você disse que era tudo mentira mesmo, então que mal fez? Posso dizer que David quer a situação sob controle quando ele coloca uma mão sobre mim e uma na minha mãe. Isso só me irrita ainda mais. Eu me levanto. — Eu te digo qual malefício isso fez. Deixou uma menina de quinze anos de idade, quebrada. Isso fez uma menina de dezesseis anos deixar sua casa depois que o pai dela a empurrou escada abaixo, depois de saber que ela abortou o bebê dele! Os suspiros coletivos na sala foram logo abafados pela voz estridente da minha mãe. — Você vê? Isto é o que tivemos que aturar. Por que você não poderia ter sido normal, como Amber? Por que você sempre quis inventar mentiras? — Porque elas eram a verdade. Cada coisa que eu disse era verdade, mas você nunca poderia ver o passado, não é? Eu era um produto de um caso de uma noite, e seu marido me fez pagar por isso multiplicado por dez. Os olhos de Amber se ampliam quando ela olha para a nossa mãe. — Mamãe, isso é verdade? Minha mãe olha para baixo, revelando a sua culpa. — Olha, você pode me acusar de mentir, mas existem algumas coisas que você não pode me manter em silêncio. Algumas coisas que você sabe que são verdadeiras. Amber foi tratada como a bela filha porque ela era a filha dele. Eu... eu era apenas um inconveniente para todos. Até mesmo para você, mamãe. Você fechou os olhos para tudo o que ele fez, porque você se sentia culpada, não é? Você se sentia culpada por ter dormido com outra pessoa, e eu era o produto disso.

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Amber olha para mamãe. — Ela está mentindo, não é? — ela então se vira para mim. — Por que você está sempre mentindo? Eu resfolego. — Não me fale sobre você. Seus olhos se ampliam. — Eu? O que eu fiz? — Eu sei que você fingiu ser eu quando o serviço social foi chamado. Não tente negar isso. Amber não diz nada, então Porter se vira para ela. — Diga que você não fez isso, Amber? Ela aponta o dedo para mim. — Ela estava dizendo coisas ruins sobre o papai, e alguém tinha que corrigir isso. — Por quê? Com medo do que eu diria se eles falassem comigo? — Sim! — ela gritou. — Você era uma vadiazinha e você ainda é uma agora. Papai era nada além de doce, amável e carinhoso. Ele era louco por nós. Era isso. Eu tinha ouvido o suficiente. Pegando minha bolsa, eu puxei meu pequeno pen drive para fora, caminhei até a TV, e liguei. — Você quer ver o quão amável e carinhoso seu precioso pai é? — eu ligo a TV e localizo o arquivo que eu procuro. Clico em PLAY e fico lá quando uma imagem de mim vem à vista. Eu estou parada no banheiro da minha irmã, e eu estou prestes a fechar a porta quando ela é empurrada. — O que você está fazendo aqui? — ele empurra a porta completamente e a fecha atrás dele antes de nos bloquear lá dentro. — Tem sido mais de um ano, Scarlet. Não tenho o direito de ter algum tempo a sós com você para perguntar como você está indo? Vejo que você está fazendo bem para si mesma. Amber me disse que estava trabalhando em uma empresa de investigações? — Eu ajudo executá-la com alguém. Alguém que estaria muito zangado se soubesse que você está me prendendo aqui assim. Ele sabe sobre você. Todos nós vemos quando ele pisa na minha direção. — E esse alguém seria o seu namorado? — Sim, e ele é muito protetor comigo. Ele vai te matar se você me tocar.

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Ele dá um passo à frente de novo, e eu viro minha cabeça para longe dele. Você pode ver quando ele inala o meu cheiro. — Você ainda cheira como costumava cheirar. Isso é a única coisa que não mudou. Além disso, seu corpo parece ainda mais firme do que o normal. Você malha? Eu vejo como tanto a minha mãe e Amber olham com horror. Finalmente, elas estão começando a ver o marido e pai que ele sempre foi. Finalmente, estou tendo a chance de mostrar a elas o verdadeiro homem por baixo daquela maravilhosa persona que ele sempre usava. — Você não deveria estar me fazendo perguntas como essa. Você sabe como isso é inapropriado? Ele começa a rir um riso mau, gutural. — Depois de tudo o que fizemos juntos, você quer trazer os meus comentários inapropriados? No vídeo, eu viro a minha cabeça para ele. — Nem tudo o que fizemos juntos. Tudo que você fez comigo. Você não pode mais fazer isso. Eu cresci e conheci alguém com quem estou feliz. Você não pode mais me machucar. Eu cuspo na cara dele, e dentro de um segundo, ele tem a sua mão em volta da minha garganta quando ele me bate contra a parede. — Desligue isso! — minha mãe grita. — Desligue isso. Eu não desligo. Eu apenas pauso. — O que? É demais para você olhar? Eu acho que você não quer ver o que ele faz comigo depois, não é? — Pare com isso! — ela grita, cobrindo os olhos. — Ok. Talvez algo mais? Vamos mudar o canal, podemos? — eu pressiono PLAY novamente, e agora, meu coração está batendo descontroladamente. Eu mostro a eles a filmagem de David e eu antes de ir para Porter e eu. No momento que Amber assiste Porter me dizendo que ele vai me encher com seus bebês, ela quebra em soluços. — Sua puta! — ela grita. — Você o matou? Foi você quem fez isso? Meus olhos brilham para ela. Eu sinto que estou pegando fogo. Toda essa raiva reprimida e dor estão agora se libertando em um grande tsunami. Eu sinto o imenso alívio de desencadear tudo enquanto meu interior queima ~ 296 ~


com vingança. — Não, mas eu gostaria de ter feito. Ela balança a cabeça, empurrando Porter do caminho. — Saia da minha casa, porra. Agora! Abaixo o controle remoto, puxo o pen drive para fora da TV, me virando para ela. — Com prazer. — eu dou uma última olhada em todos na sala antes de sair. Minha mãe está cobrindo seu rosto enquanto ela chora, Porter parece mudo, e David parece decepcionado, mas de certa forma aliviado. Me dirijo para a porta, e quando eu faço, a minha forte determinação cai no chão quando vejo Stuart ali de pé, olhando para mim com o olhar mais perdido que eu já vi. Eu não sei quanto tempo ele esteve parado ali, mas eu estou supondo que tempo suficiente. Eu não fiquei por lá para perguntar. Deixo minha família gritando e chorando um com o outro, enquanto eu friamente saio pela porta. Apenas quando estou do lado de fora com Stuart que me dirijo a ele, meu rosto preenchido com uma mistura de raiva, remorso, fúria, e devastação com o que ele viu. — Eu disse a você, mas você não quis ouvir, não é? Você não quis me ouvir. Eu não lamento uma única coisa lá dentro, e o que isso faz de mim? Viro a cabeça em desgosto. Eu fico pensando que ele vai gritar, berrar, me mandar ir me foder, mas ele não faz. — Isso faz você humana. O que a sua família fez com você foi imperdoável. — levantando minha cabeça, eu noto que tenho lágrimas nos meus olhos. Por que de repente, eu estou chorando? Eu aponto para a casa, tentando enfatizar o meu ponto. Será que ele não vê isso? Será que ele não vê o mal em mim? — Eu fodi os maridos da minha irmã e da minha mãe, Stuart. Você não vê? — ele estremece, me fazendo sentir como merda, mas o que ele esperava? — Eu disse que eu não era boa o suficiente para você. Aí está a sua prova. Entre os encontros com você, eu estava transando com meu pai e Porter. Ele dá um passo para trás, chocado, mas é isso que eu quero, não é? Este é o resultado que eu quero. Então, por que eu me sinto como merda? Por que é que eu sinto que meu coração está sendo rasgado em pedaços? Eu sou uma concha vazia de emoção. Eu não sinto dor, angústia, tristeza ou felicidade. Então, por que é quando penso em nossos encontros, tudo o que ~ 297 ~


posso sentir é aquela sensação de felicidade que ele me deu? Por que agora, quando eu olho dentro dos olhos chorosos de Stuart, eu apenas consigo ver minha dor refletida de volta para mim? Naqueles poucos e preciosos segundos, vejo o quanto o menino nele eu sentirei falta. Quanta falta vou sentir de seu sorriso sensual, suas anedotas arrogantes e sua natureza doce, todos os quais são desperdiçados comigo. Eu não sou a garota para ele. Ele merece muito mais do que eu. Assim, com uma voz rouca, eu dou a ele o último golpe. — Você era apenas um pouco de diversão para passar o tempo. — ele balança a cabeça, dando um passo em minha direção, mas eu coloco as minhas mãos para detê-lo. — Eu te disse para parar de me perseguir. Eu disse que iria acabar quebrando seu coração. Eu te avisei. Porra, eu avisei! — eu estou gritando como se eu estivesse brava com ele, mas a única pessoa com quem estou com raiva sou eu mesma. Pouco a pouco, eu posso ver que estou quebrando-o, e pouco a pouco, isso está me quebrando também. Eu não queria me importar com ele, mas eu percebo agora que eu me importo. Eu percebo agora que eu posso sentir, e isso é uma merda... isso está me matando, porra. Segurando meus lados, agonia me rasga de dentro para fora. Eu ouço um grito estrangulado, e no começo acho que é Stuart, até perceber que o som está emanando de mim. O que há de errado comigo? Eu deveria ser mais forte do que isso. Eu deveria deixar Stuart ver o monstro em mim... aquele que está quebrando seu coração. Ele chega mais perto para me recolher em seus braços, mas eu me afasto dele novamente. — Não me toque. Nunca mais me toque. — ele continua a dizer algo, mas eu o silencio. Preciso acabar com isso, e eu preciso para acabar com isso agora. — Não se aproxime de mim. Não me ligue ou venha me visitar. — eu começo a recuar ainda mais longe. — Eu não quero nunca mais te ver novamente. Me virando, eu começo a andar tão rápido quanto eu posso, descendo a rua, mas não é rápido o suficiente, então eu tiro meus sapatos e começo a correr. Tudo está embaçado quando eu corro passando por casas, lojas e pessoas. Todos eles podem ver a minha dor, mas pela primeira vez, eu não me importo.

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Eu chamo um táxi, e não demora, um vem em meu socorro. Quando eu rastejo para dentro, lhe dou o meu endereço e percebo que ele está me olhando no espelho retrovisor. — Você está bem, amor? Enxugando os olhos, eu tento me recompor. Como Reid continua me dizendo, eu sou mais forte do que isso. — Eu estou bem. — eu tomo um par de respirações profundas. No decurso da viagem, eu me convenço de que isso foi o melhor. Stuart merece uma garota boa, de bom coração. Uma que será fiel e amorosa e dará a ele todos os bebês que ele merece. Pela primeira vez, eu tento me convencer de que deixando-o ir... dando a ele uma chance para o amor real, que talvez... apenas talvez... eu não seja tão egoísta, afinal.

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trinta e sete — Pelo menos, você está me ouvindo? Levanto rápido minha cabeça para encontrar Reid me encarando de sua mesa, eu começo a me perguntar onde minha mente tem estado. Dois dias se passaram desde a minha grande explosão e subsequente colapso, e por dois dias, tudo o que eu senti está perdido neste mundo. Eu tentei lutar contra as lágrimas que vieram depois de falar com Stuart, da maneira que eu falei, mas quando cheguei em casa, para a solidão do nada, senão quatro paredes e más recordações, tudo que eu podia fazer era chorar. Fui para a cama, e chorei até adormecer. Foi só quando acordei que disse a mim mesma para sair desta situação e me tornar uma adulta. Apesar de tudo, isso ainda não tinha me impedido de verificar meu telefone de vez em quando, ou impedido minha mente de viajar para lugares que não deveria. Me levantando para me inclinar sobre a mesa, eu tento abrir mais os olhos. Eu estou como um zumbi. — Desculpa. Eu não dormi muito. Suspirando, Reid gira um pouco em sua cadeira, antes de responder. — Se você está preocupada com eles indo para a polícia, eu tenho certeza que eles já teriam feito isso agora. Eu concordo. — Eu sei. Reid se levanta e caminha para o meu lado, antes de se sentar na minha frente. — Eles não têm nenhuma prova. Se eles acusarem você de seu assassinato, então eles vão ter que explicar suas razões. Eles sabem que você tem a prova. Eles viram com seus próprios olhos. Você não é a culpada aqui, Scarlet. Você nunca foi. Se a sua mãe tivesse parado de beber por cinco minutos, então talvez ela tivesse percebido o que estava acontecendo com sua própria filha... sob seu próprio fodido teto. Espero que a culpa a coma viva até não ter restado nada. Ela não merece nada menos, porque ela deveria ter sido sua tutora. Ela deveria estar lá para protegê-la, e ela falhou miseravelmente. ~ 300 ~


Girando em minha cadeira, eu sorrio. Eu não me sinto sorrindo, mas eu preciso que Reid veja que eu estou bem, apesar de estar sentindo como se estivesse morrendo por dentro. — Isso foi um belo discurso. — Levante, — ele de repente ordena. Eu faço o que ele diz, e ele me puxa entre suas pernas. Uma vez aconchegada nelas, ele arrasta os dedos ao longo do meu queixo, antes de passá-los pelo meu cabelo. Ele pega um punhado. Empurrando minha cabeça para trás, para que os nossos olhos se encontrem, ele sorri antes de arrastar beijos ao longo do meu maxilar. Eu fecho meus olhos, saboreando a sensação de seus lábios na minha pele. Não importam meus sentimentos por Stuart, eu ainda não consigo evitar a atração que tenho por Reid. Como meu pai, ele me tem sob algum tipo de feitiço sempre que ele me toca. Com seus lábios permanecendo no meu pescoço, eu sinto sua respiração quente contra a minha pele, me fazendo tremer. — Você está com frio? — ele pergunta. — Você sabe que não é isso. — minha voz está devassa e sem fôlego. Ele deve saber o que ele faz comigo. Quando ele levanta a cabeça, um sorriso vitorioso levanta em seu rosto. — Amanhã, vamos para a Espanha. Eu não me importo como isso parece. Se a polícia quer falar com você, tudo bem. Volte para casa e fale com eles para que eles não fiquem desconfiados. Mas isso está acontecendo. Sua família sabia disso antes de seu pai morrer. — ele lambe meu lábio inferior, me fazendo tremer ligeiramente. — Amanhã à noite, quando chegarmos à Espanha, eu vou tomá-la pela primeira vez. Amanhã à noite, você vai ser minha. Ninguém mais chega a te tocar. Entendeu? — eu aceno com a cabeça, mas ele agarra meu cabelo mais apertado, me puxando para trás. — Eu não ouvi. — Entendi, Reid. Ouvi alto e claro. — A quem você pertence? Com um sussurro ofegante, eu digo: — Você. — Quem é o único homem autorizado a tocar em você? — Você.

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— Quem é o único homem que você ama e sempre amará? Pela primeira vez, minha mente embaralha de volta para Stuart. Eu não quero mais pensar nele. Eu estou cansada disso. Contra minha vontade, eu sinto o aparecimento de lágrimas nos meus olhos, mas eu as combato de volta. Em vez disso, eu encontro a minha coragem e desafio antes de responder de volta. — Você.

***

Três horas atrás eu deixei Reid sozinho para lidar com trabalho. Ele tem um último trabalho para fazer antes de nos encontrarmos amanhã à tarde para o nosso voo para a Espanha. Uma parte minha está feliz que finalmente estamos indo. Uma parte minha quer isso mais do que qualquer coisa, porque Reid tem sido uma grande parte da minha vida. Depois de todo seu trabalho duro, eu devo a ele agora... devo a ele, eu mesma. E, finalmente, depois de tudo que eu fiz, eu sinto que estou em dívida também. Ele é tanto meu como eu sou dele. Nós dois fomos nos conduzindo até este dia, o dia em que finalmente começamos a ficar juntos. O dia em que nos tornamos iguais. O dia em que nos tornamos um. Apesar disso, nas minhas três horas caminhando, de repente, eu me encontro do lado de fora da casa de Stuart. Eu não sei o que me trouxe até aqui, mas alguma força invisível me empurrou na direção dele. Começou a chover há cinco minutos, mas por alguma razão, eu não consigo mover meus pés. Em vez disso, eu olho para as janelas de sua casa, tentando gravar tudo em minha memória. Momentos de nosso tempo juntos fluem através de minha mente, dos sorvetes no McDonalds, conversas até tarde da noite com filmes, e meu favorito especial... cama elástica. Eu sei porque eu estou aqui, e eu deveria ter ido embora agora, mas meus pés ainda são incapazes de se mover. Assim como a chuva cai pelo meu rosto, caem também o calor das minhas lágrimas. Eu quase não choro, mas sempre que eu penso sobre Stuart e o que eu fiz com ele, eu não consigo parar as lágrimas de caírem. Todas essas emoções. Eu não consigo lidar com elas. Eu não quero

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sentir como se meu coração estivesse sendo rasgado em pedaços. Eu não quero sentir a dor agonizante de saber que nunca vou vê-lo novamente. E eu certamente não quero sentir que sem o seu toque, sem a sua completa presença, meu mundo inteiro parece que vai desmoronar. O que é que eu estou sentindo? O que é que poderia ser? É uma outra obsessão como a que eu tive com meu pai... como eu tenho com Reid? Minha cabeça está tão confusa. Eu sei que é diferente, mas eu não consigo apontar sobre o que é essa diferença. Fechando os olhos, eu suspiro. Eu preciso ir. Estou apenas prolongando a agonia por ficar aqui. Eu preciso dizer adeus e cair de volta para a vida que eu vivi por tantos anos. É o que eu estou acostumada. É quem eu sou. — Adeus, — eu sussurro, me virando para sair, mas, em seguida, uma voz grita no meu caminho. — Scarlet? Não posso me mover. Cada músculo do meu corpo ficou tenso. Eu não sei por quanto tempo eu fico lá, mas quando eu sinto sua mão no meu ombro, eu giro para encará-lo. Ele parece perdido. Seus olhos estão sombrios, e seu rosto parece que não ter sido barbeado desde o dia em que eu revelei minha verdadeira natureza para ele. Eu sou o monstro agora. Eu fiz isso com ele. — Fale comigo, por favor. Entre. Seu cabelo está começando a encharcar com a chuva. — Vá para dentro. Você vai congelar até a morte aqui fora. — E você? Entre e vamos conversar. Ele estende a mão para mim e eu me afasto. — Eu disse tudo que eu precisava no outro dia. O que resta a dizer? Ele range os dentes, e, pela primeira vez, eu vejo a raiva real e desespero em seus olhos. — Eu sei que não é verdade. Eu sei que você pode sentir isso, porque eu sinto isso também. É por isso que você está aqui. — eu começo a recuar novamente, mas, as palavras dele me deixaram paralisada. ~ 303 ~


— Eu estou apaixonado por você. Não, não, não, não! Isso não pode estar acontecendo. Eu começo balançando a cabeça como se estivesse sacudindo-a, de alguma forma retirando suas palavras, mas agora elas estão tocando em meus ouvidos. — Não, você não está. Você estava apaixonado com uma ideia de mim. Você estava apaixonado pela Scarlet que tomava sorvete com você, assistia a filmes com você, e ria e brincava com você. Ela não é quem está aqui de pé na sua frente. Nunca fui essa pessoa. Tão rápido como relâmpago, ele caminha para frente, agarrando meus ombros. — Eu não acredito em você. Quem eu vi foi a verdadeira Scarlet. Aquela com quem eu fui para a escola, aquela que corou quando eu a elogiei, e aquela que me fez sentir como o bastardo mais sortudo por até mesmo respirar o mesmo ar que ela. A Scarlet que você se tornou nasceu da dor e sofrimento. A verdadeira Scarlet ainda está lá. Eu sei que ela está. Ela é a verdadeira você. Ela é aquela que é mais forte, porque ela é a única que enfrenta sua dor e luta pelo que acredita. Lute por nós, babe. Lute porra. Tento me afastar, mas ele ainda me tranca. Antes mesmo de ter uma chance de respirar, seus lábios estão nos meus, me desafiando a agir. Eu tento lutar contra o inevitável, mas quando eu sinto seus lábios macios persuadindo os meus a se abrirem, eu desmorono debaixo dele. O movimento de seus lábios e sua língua deslizando em minha boca me enfeitiçam. Me puxando apertado, nós gememos contra os lábios um do outro, enquanto nossas bocas continuam a explorar. Eu tenho aquele mesmo fogo se construindo em meu estômago, mas de certo modo é diferente. De algum modo é amplificado. Quando seu beijo fica mais lento, ele segura meu rosto com ternura e descansa sua testa contra a minha. — Me diga que você não sente isso também. Me diga que eu estou apenas inventando o que temos entre nós... que tudo é apenas um sonho feliz. Sinto sua respiração ofegante contra a minha própria, e engulo duro para impedir as lágrimas de virem. Eu não quero que suas palavras me afetem, mas é como se ele estivesse cavando seu caminho dentro do meu coração, e eu não posso impedi-lo. Qual força da natureza ele é, para me fazer sentir desse jeito? Como se o pensamento de estar longe dele me

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enchesse com tanto pavor agonizante, que eu sinto que posso explodir? Minha cabeça está girando. Eu sei que eu não deveria dizer as palavras, mas é como se meu estômago as estivessem forçando através do meu esôfago, e em minha garganta antes de finalmente deixarem a minha boca. — Eu sinto isso também. — eu quebro, desmoronando em seus braços, como se essas palavras me deixassem exausta. A liberação é tão grande que não posso mais fazer uma coisa simples como ficar em pé. Stuart, sentindo minha fraqueza, aproveita esta oportunidade para me pegar em seus braços e me levar para sua casa. Assim que a porta está fechada, ele me leva até as escadas para o quarto e me coloca em meus pés. — Precisamos secar você. Eu não quero estar seca. Eu quero estar molhada. Eu já estou molhada daquele beijo, o beijo que está no topo de qualquer beijo que eu já tive. Olhando nos meus olhos, Stuart carinhosamente passa a mão pelo meu cabelo molhado e afasta do meu rosto, e este pequeno ato me faz pensar como eu nunca fui capaz de ficar longe dele. Não querendo esperar mais, eu o puxo para os meus lábios e começo a espalhar beijos por todo seu rosto e pescoço. Eu ouço seu gemido, e minhas entranhas começam a queimar mais do que nunca. — Faça amor comigo? — eu pergunto, e assim que as palavras deixam os meus lábios, eu percebo que eu nunca perguntei isso a um homem antes. Pela primeira vez, eu quero ser venerada. Eu quero ser adorada. Eu quero ser amada. Agarrando a parte de trás da minha cabeça, Stuart me puxa para ele, e nós nos beijamos quando começamos a puxar a roupa um do outro. Uma vez nu, Stuart fica imóvel por um momento, e seus olhos descem sobre o meu corpo. — Você é tão bonita. Meus olhos se arrastam sobre seu físico. Seus ombros largos orgulhosos estão retos, me fazendo querer morder, beijar e mordiscá-lo por toda parte. Quando eu sigo para baixo em sua barriga lisa, noto o V perfeitamente em forma, e está tudo apontando em uma direção. Seu pau é grande, circuncidado, e perfeito. — Eu te amo, — diz ele, quebrando meus pensamentos lascivos. ~ 305 ~


Stuart chega mais perto e coloca uma mão no meu rosto. — Eu acho que sempre fui apaixonado por você. Uma única lágrima cai no meu rosto, e Stuart a limpa. Borboletas brotam no meu estômago quando um novo sentimento, diferente de qualquer outro cai sobre mim, me enchem com seu calor. Só então eu percebo que tinha sido uma tola em pensar que poderia ter corrido disso. Uma tola em pensar que eu poderia viver outro dia sem Stuart nele. — Eu também te amo. As palavras derramam de mim tão naturalmente, que parece como se o peso do mundo acabasse de ser tirado. Eu sempre achei que era livre, mas eu estava apenas brincando comigo mesma. Eu nunca fui livre. Eu só me aprisionei dentro dos meus muros com tanta força que, ao longo dos anos, consegui me convencer de que poderia ser feliz vivendo assim. Eu nunca estive vivendo. Arrastando seu dedo em meus lábios, Stuart momentaneamente fecha os olhos. — Você sabe o quanto são sexys essas palavras que estão deixando seus lábios? Quero ir devagar com você, mas você está tornando impossível para eu me segurar. Tomo sua mão, segurando-a no meu coração. — Deixa eu te amar primeiro. Dê isso para mim uma vez e, então você pode me ter de qualquer maneira que você quiser. — ele acena com a cabeça, então eu o viro e o puxo suavemente para baixo na cama. Eu subo nele e começo a lançar beijos por todo seu corpo. Eu quero montá-lo tão rápido que meu interior queima, mas eu quero que esse momento dure tanto tempo quanto possível. Eu quero sentir cada segundo do que isso é com ele. Quando eu o beijo todo, seus gemidos ecoam nas paredes, fazendo minhas entranhas queimarem. Depois de um tempo, gozamos juntos. Eu cuido dele como alguém apaixonada deveria. Nós seguramos as mãos enquanto eu monto nele, o nosso prazer deslocando para trás e para frente, do seu corpo para o meu. Cada momento, eu saboreio. Cada sensação dele, eu desejo com um tesouro. Eu já ouvi o termo ‘fazer amor’, e agora eu sei qual a sensação. Agora, eu sei o que é se sentir como a mais querida e amada mulher no mundo.

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E ninguĂŠm, nem mesmo meu pai, jamais poderĂĄ tirar isso de mim.

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trinta e oito Eu acordo em um emaranhado de braços e pernas e sorrio quando percebo em qual cama estou acordada... em qual cama eu quero acordar todos os dias. — Bom dia, — eu o ouço dizer com um sorriso na voz. Me viro para ver se eu estou certa, e com certeza, ele está olhando para mim com o sorriso mais convencido em seu rosto. — Bom dia, — eu digo de volta. — Com esse olhar, as pessoas vão pensar que você deu uma na noite passada. Com um giro, ele me tem debaixo dele, cavando sua dureza no meu estômago. — Eu dei mais do que uma na noite passada. — Oh, sim? Me conte mais. — Bem, essa mulher que eu praticamente amo desde a escola, há dez anos, falou para mim ontem à noite que me ama também. Não só isso, mas ela me deu o melhor e mais alucinante sexo que eu já tive. Quer dizer, eu pensei que seria explosivo entre nós, mas a noite passada foi nuclear. Minha sobrancelha mexe. — Nuclear, hein? Ele varre o meu rosto como se eu fosse uma pedra preciosa. — Ela não sabe ainda, mas eu vou pedir a ela para morar comigo. Reid pisca pela minha mente, fazendo meu sorriso desaparecer. Claro, ele percebe e salta em mim. — O que está errado? Me sentando, eu puxo meus joelhos para cima e me inclino sobre eles para apoio, e Stuart me olha com um olhar preocupado no rosto. — Eu não te disse tudo. — Continue, — diz ele, ansioso para eu dizer. Pegando sua mão para cima, eu a seguro com força na minha. — Você tem que saber que eu sou sua agora, não há dúvida sobre isso. Eu te amo, e ~ 308 ~


quero estar com você. Me comprometer com você e só você. Ele dá um suspiro de alívio. — Para mim, isso é tudo o que importa. Fechando os olhos, eu cerro os dentes. — Há mais alguém. Ele pisca algumas vezes em confusão. — Mais alguém, como alguém que você está vendo? — eu suspiro. Como posso explicar isso sem feri-lo ainda mais? — Mais ou menos... quer dizer, estamos juntos, mas não fizemos sexo. Ele é meu parceiro de negócios, o que foi me ajudando a me vingar da minha família. Ele esteve comigo através dos meus dias mais escuros e ele prometeu me ajudar, contanto que depois, eu desse a ele algo em troca. Afundando seus ombros, Stuart suspira. — Você. Eu concordo. — Sim, eu. Agora que eu completei a minha vingança, ele quer que eu vá embora com ele para a Espanha, para ser dele para sempre. Ele não vai me deixar ir, Stuart. Eu sei que ele não vai. Stuart se senta e aperta minha mão. Ele tem um olhar de desafio em seu rosto. — Eu não vou deixá-lo fazer isso. Você tomou sua decisão, e ele só vai ter que aceitar. Eu balanço minha cabeça. — Não. Você não entende do que ele é capaz. Ele é... — minha língua fica presa na minha boca. — Ele matou o seu pai? — obviamente, Stuart é muito mais astuto do que eu lhe dei crédito. Eu simplesmente aceno. Levantando-se, Stuart coloca seu pijama e começa a andar. — Você sabe como eu estou em conflito? Uma parte de mim quer ir para a polícia... tirá-lo de sua vida. Mas outra parte de mim está feliz que ele fez isso. Eu gostaria que tivesse sido eu, mas estou feliz que seu pai esteja morto. Eu afundo minha cabeça nos meus joelhos por um momento. Isto é tão fodido. Eu não sei o que fazer. — Ele nunca vai me deixar ir. Você não pode ver? Eu devo a ele agora. Stuart corre para frente para agarrar meus ombros. — Você não deve nada a ele. Ele pode ter ajudado você, mas o que ele esperava em troca? Eu estremeço. — Você realmente não quer saber.

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Rangendo os dentes, ele abaixa sua cabeça antes de encontrar meus olhos. — Você nunca dormiu com ele? Eu balanço minha cabeça. — Não. Fomos parceiros no negócio, e nós fizemos coisas juntos, mas nós nunca realmente tivemos relações sexuais. Stuart detém a mão para cima. — Eu não quero saber. Pela primeira vez, eu me sinto envergonhada de mim mesma. — Não... você realmente não quer. Caindo sobre a cama, Stuart fica em silêncio por um momento. — Esse outro cara... onde ele está agora? — Ele disse que estava em um último trabalho antes de nos encontrarmos mais tarde, nesta tarde. Nosso voo sai às nove. Ele se vira para mim. — Que horas vocês deveriam estar se encontrando? — Ele me espera em seu escritório às cinco. Stuart verifica seu relógio. — São onze agora. — ele passa os dedos pelo cabelo antes de entrar na cama e me puxar para ele. Uma vez que eu estou em seus braços, ele me segura firmemente e beija minha cabeça. — Eu sei o que fazer. — eu me afasto dele e olho em seus olhos. — Eu tenho um barco atracado em Southampton. Eu vou precisar fazer algumas chamadas e embalar algumas coisas, mas podemos estar nele no momento em que você deveria encontrar... seja ele quem for. Nós podemos navegar para longe, por alguns dias. Ninguém será capaz de nos encontrar. No momento em que voltarmos, espero que ele esteja na Espanha e esquecerá de você. Balanço a cabeça em um sorriso. — Eu sei que não vai acontecer. Você não conhece Reid. Ele range os dentes. — E nem quero. Eu o beijo suavemente nos lábios. — Eu sinto muito. Me abraçando mais apertado, ele balança a cabeça. — Você mais do que vale a pena. Você está presa comigo, Senhorita Valentine... verrugas e tudo. Eu mexo uma sobrancelha. — Verrugas? Eu acho que você pode parecer fofo com verrugas. ~ 310 ~


— Eu acho que você seria fofa com qualquer coisa. — ele balança a cabeça. — Nós deveríamos estar falando sério aqui e você está me distraindo. Coloco um dedo no peito dele e giro em círculos. — Eu gosto de distraí-lo. Stuart geme. — Pare com isso, Scarlet. Precisamos conversar sobre isso. O que nós vamos fazer? Meu sorriso desaparece quando a realidade logo me bate. — Acho que não temos escolha a não ser seguir com a sua ideia. Eu posso ligar para ele e explicar, uma vez que estivermos no nosso caminho. Devo a ele pelo menos isso. Eu só não sei o que vamos fazer no futuro. Stuart beija minha cabeça. — Uma coisa de cada vez. Vamos nos concentrar no presente primeiro. Eu não vou ser feliz até que você pise no meu barco, e soltarmos a corda. Pensando no dinheiro no escritório de Reid, eu me sento. Eu sei que será a última coisa que ele pegará esta tarde quando eu o encontrar, de modo que o dinheiro ainda deve estar lá. — Eu vou precisar fazer algumas coisas antes de irmos. Eu tenho algo no escritório de Reid que eu preciso, e precisarei voltar para casa para fazer as malas. Stuart amaldiçoa. — Eu tenho algumas coisas para fazer também, mas isso vai levar algum tempo. Eu não quero deixar você. Eu coloco minha mão em seu peito. — Eu não quero deixar você também, mas se queremos fazer isso, então nós vamos ter que nos separar e nos reunir mais tarde. Se levantando, Stuart pega a minha mão. — Ok. Vamos fazer o que precisamos, e eu vou buscá-la no seu lugar, digamos, — ele olha para o relógio, — as três? Eu aceno com a cabeça, e nós tomamos uma chuveirada e nos vestimos juntos, com pressa. Depois de prontos, Stuart insiste em, pelo menos, me deixar no escritório de Reid antes dele sair para fazer o que ele precisa. Quando ele estaciona na rua principal, eu me inclino e rapidamente dou um beijo de adeus nele. Antes de eu sair, ele pega a minha mão. — Eu não vou deixar nada acontecer com você. Eu te amo. Você sabe disso, certo? ~ 311 ~


Sorrindo, eu aceno com a cabeça enquanto ele beija minha mão. — Eu sei. — saio do carro e antes de fechá-lo, eu grito: — E eu também te amo! — eu fecho a porta, rindo, e vejo quando ele me sopra um beijo antes de ir embora. Eu preciso ir. Já é bem depois do meio-dia, então eu não tenho muito tempo. Quando eu chegar em casa, eu só terei que jogar o que puder em um par de sacolas e esperar pelo melhor. Por agora, eu preciso entrar no escritório de Reid, e eu preciso entrar no cofre. Ele tem a minha metade do dinheiro lá... a metade pela qual eu trabalhei duro, enquanto Reid me transformava em sua armadilha. Eu pego a chave da minha bolsa e entro. Tudo está quieto e eu tomo os degraus um por um. Eu alcanço a porta do escritório, que está fechada. Eu a abro pouco a pouco, apenas no caso de que ele esteja lá, mas quando eu abro, tudo que eu encontro são paredes brancas, uma mesa grande de mogno, e uma oponente cadeira de couro preta na minha frente. Eu atravesso com delicadeza e rapidamente faço o meu caminho até a pintura. Eu a tiro e tomo uma respiração profunda quando eu digito meu aniversário. Para minha alegria, ele se abre, e eu vejo que o dinheiro ainda está lá. Eu apressadamente levo cerca de um quarto do valor. Eu posso ter ganhado a metade, mas eu quero que Reid ainda tenha o seu sonho de possuir um clube. Eu só quero pegar o mínimo, deixando para trás o suficiente para Reid comprar o clube e qualquer reforma que ele queira fazer. Só quando estou prestes a fechar a porta que eu noto o envelope ao lado. Eu deveria ir embora, mas ele está me chamando para abri-lo. Seja o que for, Reid queria manter isso seguro lá por uma razão. Com a minha curiosidade levando a melhor sobre mim, eu puxo o envelope para fora e me sento na cadeira de Reid. Eu rapidamente abro o envelope e retiro o seu conteúdo. Imediatamente, um par de fotos caem no chão. Uma delas sou eu alguns anos mais jovem... no tempo que Reid e eu nos encontramos. É uma foto minha na rua. Ele deve ter tirado isso sem me olhar. A outra foto deixa os pelos na parte de trás do meu pescoço em pé. É do meu pai. Ele está de pé em sua Ferrari, e pela aparência das coisas, ele está prestes a entrar nela.

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Empurrando-a para um lado, eu espio um documento parecendo antigo. Quando eu o abro, vejo que é uma certidão de nascimento. É de Reid. Por alguma razão, ele me disse que era um par de anos mais velhos do que ele realmente é. Olhando para o seu aniversário, eu percebo que ele é apenas um par de meses mais velho do que eu. O nome de sua mãe é Bridget Marks, e o nome de seu pai é... Meu sangue gela quando eu vejo o seu nome. Meus pensamentos embaralham e minha cabeça fica tonta. Mas, em seguida, através da nebulosidade, tudo se torna claro. Agora tudo faz sentido. Por que eu estava tão atraída por Reid a partir do momento em que o conheci. Por que eu o deixei dominar a mim como ele fez. Não foi apenas porque ele simplesmente tinha um talento especial para isso. Sua força era grande porque, todo o tempo, o meu subconsciente de algum jeito sabia. Tal pai, tal filho. No final, meu pai realmente teve o filho que ele sempre quis. Ele só não sabia disso. Quando eu penso sobre isso, eu lembro do meu pai olhando para Reid como se ele o conhecesse. Isso me faz pensar se meu pai realmente sabia que ele existia. Eu não sei há quanto tempo eu estou sentada lá, mas quando Stuart, de repente, entra na minha mente de novo, eu me levanto, colocando tudo isso de volta no envelope antes de correr para o cofre e fechar a porta. Eu não tenho tempo para isso agora. Estou furiosa por Reid nunca ter me dito isso, mas por que eu deveria me importar agora? Ele não vai mais estar na minha vida. É melhor assim, porque só agora, depois de me sentir aquecida pelo amor, que eu percebo que ele é veneno. Assim como meu pai. Enchendo minha bolsa com o dinheiro e fechando todas as portas atrás de mim, eu vou para a rua principal para chamar um táxi. Um vem rapidamente, eu dou meu endereço para ele. No momento, chegar em casa não parece rápido o suficiente. Quando o motorista para no meio-fio, eu jogo para ele uma nota de vinte e saio. Eu quase tropeço, mas eu consigo recuperar meu equilíbrio

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antes de caminhar em direção a minha porta. Eu tomo uma respiração profunda, tentando me acalmar antes de rodar a chave na fechadura. Como esperado, tudo está tranquilo enquanto eu entro. Tudo está como deixei ontem. Deixando cair a minha bolsa no chão, eu corro lá em cima para o meu quarto. As cortinas são fechadas, por isso é escuro aqui. Eu pego um sacola e a jogo na minha cama, mas antes que eu possa começar a embalar, eu preciso de alguma luz. Eu começo a atravessar até as cortinas quando meu interruptor de luz se acende.

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trinta e nove Todo o sangue é drenado do meu rosto quando vejo Reid sentado no canto mais escuro do meu quarto. Ele está esperando por mim. Por quanto tempo, eu não sei. Talvez eu não queira saber. — Reid, — eu digo com um pouco de surpresa na minha voz. — Você chegou cedo. Pensei que havíamos combinado de nos encontrar em seu escritório? — eu nervosamente engulo seco, quando faço o meu caminho para minha sacola para começar a embalar. — Eu consegui o que eu estava procurando um pouco mais cedo do que eu esperava. Por que o som disso se arrasta pela minha espinha? — Oh, é? Eu não olho para ele. Em vez disso, eu mantenho minha cabeça para baixo e continuo enchendo minha sacola de roupas. Eu sinto quando ele está mais perto, e todos os pelos na parte de trás do meu pescoço estão em pé. Estou super ciente à ele. Eu sempre estive. Acho que agora eu sei porque. Quando ele varre uma mecha de cabelo do meu pescoço e inala o meu cheiro, eu tremo. — Você parece nervosa. — Estou ansiosa para ir, isso é tudo. — eu não posso deixá-lo me ver, mas eu estou em pânico. Como é que eu vou sair dessa agora? Parece que as paredes estão cedendo sobre mim. Eu estou presa, e eu não posso ver uma saída. — Você tem certeza que é tudo? — eu sinto sua respiração quente contra o meu pescoço, e um fluxo de sangue gelado corre através de mim. Algo está errado com Reid... e eu não gosto. — Claro. O que mais poderia ser? Desta vez, varrendo o meu cabelo de novo das minhas costas, ele se

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inclina. — Onde você esteve a noite toda? Na última palavra, eu ouvi o veneno em seu tom. Ele sabe. Claro que ele sabe. — Esse último trabalho que tinha que fazer... Ele se afasta, caminhando na direção onde estava sentado e puxa algo de sua bolsa ao lado do seu assento. É um envelope. Ele puxa o conteúdo para fora e o deixa na cama. Eu fecho meus olhos e meu coração cai. Foto atrás de foto, de Stuart e eu do lado de fora de sua casa na noite passada, estão esparramadas sobre a minha cama para nós vermos. Nas fotos, você pode ver a angústia, a dor, e o amor que tenho quando Stuart me olha nos olhos. Obviamente, Reid vê também porque essa é a foto que ele pega. Ele a coloca mais perto do meu rosto, Reid se levanta perto de mim. — Que porra isto parece, Scarlet? Por favor, me diga, porque se eu não estou enganado, parece que você está olhando para ele do jeito que você devia estar olhando para mim. — ele empurra a foto ainda mais perto do meu rosto. — Para mim! — ele rosna antes de deixar cair a foto aos meus pés. — Eu não planejei isso. Eu prometo. Eu só fui pega no momento. Isso é tudo. Me girando, ele me bate, me fazendo pular. Reid já bateu em mim antes, mas não por ódio... não por raiva acumulada. — Para de mentir para mim, porra. Sentindo a raiva pegar em mim, me mantenho firme. — Você quer falar comigo sobre mentirosos? Bem, e quanto a você, hein? E quanto a você perder um detalhe muito importante sobre a sua origem? Seus olhos se arregalam um pouco, antes que ele recupere a compostura novamente. — Nada disso importa. Eu balanço minha cabeça. — Nada disso importa? Você é meu irmão. — Meio-irmão. — Isso não importa. O que importa é que você é filho do meu pai, e você nunca sentiu a necessidade de me dizer? Rapidamente andando em minha direção, Reid agarra meus pulsos, os mantendo no lugar. — Isso não significa absolutamente nada. Eu queria

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saber quem era meu pai, e quem era sua família. Foi só quando eu soube que ele tinha relações cortadas com uma filha que eu comecei a procurar você. Depois que eu descobri que havia uma acusação no serviço social, comecei a cavar. Eu encontrei seus registros do hospital e comecei a procurar você de lá. Lágrimas começam a nublar meus olhos. — Ele sabia sobre você? — Eu ia dizer a ele, mas depois que eu descobri o que ele fez com você, eu mantive isso dele. Em vez disso, eu fui para ele, e eu o ameacei. Eu disse a ele que eu iria matá-lo se ele colocasse a mão em você de novo. Eu balanço minha cabeça. — Por que você não me contou? Você não vê? Tudo faz sentido. Ele me puxa em seus braços e me abraça com força. Eu costumava ter conforto nisto, mas agora, tudo o que eu sinto é medo e pavor. — É por isso que eu não disse a você. Eu não sou nada como ele. Eu nunca serei nada como ele. Eu tento afastá-lo. — Não. Você simplesmente não pode ver. Você já é. Ele começa a me sacudir. — Eu não sou em nada como ele, porra. Você e eu, devemos estar juntos. Eu balanço minha cabeça novamente, e sei que ele pode sentir isso quando ele me empurra do seu peito. — Nós ficamos juntos por causa de nossa obsessão mútua por meu pai. Você estava comigo porque, assim como ele, você não poderia ajudar a si mesmo... e nem eu poderia. Ele para, como morto, e isso me assusta mais do que qualquer coisa. — Você o ama? Fechando os olhos, eu me pergunto se eu posso mentir para ele. Meu silêncio diz tudo e ele rigidamente me segura. — Eu estou apaixonada por ele. — ele não se move por um momento, mas depois ele começa a me apertar com tanta força que eu não posso respirar. — Reid, não. Eu não posso respirar. — Você não pode amá-lo. Você pertence a mim. Apenas a mim! — me empurrando para longe, ele fica lá, com os punhos cerrados, soltando a respiração pesada. — Tire suas roupas. — eu recuo, balançando a cabeça. — Tire suas roupas de merda.

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Lágrimas começam a cair pelo meu rosto. — Não, Reid. Por favor, não. Ele corre para frente, rasgando minha camisa. — Se você não vai fazer isso, eu vou. — ele despedaça meu sutiã, puxando a minha saia. Eu tento fugir, mas ele me agarra, me jogando na cama. Ele rapidamente segue, se colocando entre as minhas pernas. — Você queria que eu te fodesse. Agora, você está conseguindo isso. Agora eu vou fazer você minha. De ninguém mais. Minha. Meus olhos se arregalam com suas palavras. Durante anos, eu quis isso, mas agora que ele está se colocando na minha frente, eu não quero nada mais do que correr. — Assim não. Por favor, — eu imploro, tentando em vão empurrá-lo de cima de mim. Apesar de que ele não está me ouvindo. Beijando meu pescoço, ele começa a viajar mais para os meus seios e começa a chupar meus mamilos. Eu não quero que eles reajam, mas com Reid, eles sempre reagem, mesmo eu querendo isso ou não. Ele sorri, assim que percebe como eles estão enrugados, antes de rasgar minha calcinha de mim. — Eu vou te foder agora. E você vai gozar. Eu disse que eu seria o último homem que você foderia, e eu vou ter certeza de que você saiba disso. Agarrando meu pescoço, eu sinto ele rasgar suas calças e, em um instante, ele está dentro de mim, empurrando o seu caminho até o fim. Nós dois gritamos em uníssono, quando o momento pelo qual estivemos esperando, finalmente cai sobre nós como uma onda gigante. Apesar do fato de sentir que não estava pronta, ele conseguiu forçar seu caminho para dentro. Quando ele começa a empurrar duro dentro de mim, eu tento o meu melhor para ficar em branco, como eu costumava fazer com o meu pai. Eu não quero sentir isso, porque sentir seria destruir minha memória e de Stuart. Sentir isso significaria decepcionar o único homem que realmente significou algo para mim. Mas não importa o quão duro eu tente, meu corpo reage a tudo que Reid está fazendo. Cada impulso de seus quadris está persuadindo as ondas de prazer, quando ele aplica mais pressão no meu pescoço. Quando Reid entra nesse lado escuro de si mesmo, ele me puxa mais profundo com ele. E quando eu ouço seus gemidos e gritos de prazer, eu não consigo evitar, mas correspondo a ele. Eu sei que Reid vai me matar por minha traição, mas agora, eu não me importo. Neste momento, penso em

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todos esses anos querendo ele assim como eu o tenho agora. Reid pode ter ganho a guerra, mas eu ganhei algumas batalhas. Eu ganhei dele. Eu finalmente consegui fazê-lo a ceder ao seu desejo por mim. E bastou para me apaixonar. Enquanto o meu orgasmo cresce, eu penso sobre Stuart como se ele fosse uma memória distante. De qualquer jeito, as coisas nunca teriam dado certo entre nós. Eu estava brincando comigo mesma em pensar que eu poderia ter tido qualquer tipo de relação normal com ele. Eu era de Reid e sempre serei. Isto é o que eu queria o tempo todo. É tudo que eu sempre sonhei. Quando ele continua a me sufocar, meu orgasmo dilacera, enquanto eu olho dentro dos seus olhos. Só quando eu realmente olho é que posso ver a ele... estes são os mesmos olhos que só agora se assemelham a outra pessoa. Eles são os mesmos olhos que costumavam me assombrar quando eu era uma criança. Meu pai realmente teve o seu filho, o mesmo filho que está tirando meu último suspiro quando ele goza dentro de mim. Ele é um belo produto do meu monstro irresistível. Eu sorrio para mim mesma enquanto a escuridão me afoga. Papai realmente ficaria orgulhoso.

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notas e agradecimentos Eu começar toda clichê aqui e dizer: ‘Eu tive um sonho’. Não, sério, eu tive um sonho. Uma sexta-feira de manhã, não há muito tempo, eu sonhei sobre uma mulher, que era uma comedora de homens, sem tabus, cadela mesmo. Do tipo que iria comer homens e cuspi-los. O dia inteiro daquela determinada sexta-feira, tudo que eu conseguia pensar era nessa mulher. Ela me atormentou durante o dia e me deu maus pensamentos à noite. Eu estava tão consumida por ela que, muito em breve, eu estava sentada na minha mesa, laptop pronto, e comecei a digitar. E eu digitei. Eu digitei, e eu digitei, e eu digitei. Às vezes, eu não conseguia parar... apesar de precisar fazer coisas como comer, tomar banho, fazer o jantar, ou lavar e passar etc. Todas as tarefas normais da vida cotidiana que fazem uma casa funcionar sem problemas, para mim, ficaram em segundo lugar, porque eu só tinha que terminar. Quatro semanas mais tarde, Siren nasceu junto com a mulher que havia consumido todos os meus pensamentos nos últimos vinte e oito dias. Agora, você está provavelmente pensando que eu sonho algumas merdas perversas. Sim, provavelmente você está certo. Eu não consigo evitar o que eu sonho. Deviant começou com um sonho, por isso estou esperando que Siren tenha a mesma reação (se não melhor). É certamente mais sombrio do que Deviant, e é definitivamente muito mais torcido. De qualquer forma, chega das minhas asneiras sobre meus sonhos.

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Preciso agradecer a algumas pessoas. Especialmente minha família por todas as razões que eu mencionei acima. Eu acho que pizzas para viagem e hambúrgueres se tornaram um tema regular durante o tempo que eu estava escrevendo este livro. Garanto a vocês que eu tenho feito refeições caseiras desde então. Bem, às vezes... Eu quero agradecer ao meu editor, Shannon Steed, por editar isto não sob a melhor das circunstâncias. Eu sabia que você estava achando difícil, mas você perseverou, e eu realmente aprecio isso. Duvido que o tema do meu livro tenha ajudado, então você precisa de um high-five ainda maior sobre essa pontuação. Também para Tee, que revisou Siren. Obrigado por estar lá para ajudar e me enviar uma mensagem tarde da noite para me dizer que você ia chorar se Scarlet estivesse morta. Minha resposta foi: — Err, talvez eu não deveria dizer nada... Então, os meus leitores beta, Sally-Ann Hall, Claire Lamb, Cassie Wildman, Sonya Paul e Anne Milne. Muito obrigada por me ajudar com o rascunho. Eu sou realmente grata, pois me ajudou um monte! Vocês são todas super-mulheres encantadoras! Beijos. Para Dave Kelly de Dave Kelly Artistics, que forneceu a fotografia impressionante para Siren, e Kellie Dennis da Book Cover By Design por me fazer uma capa fodástica. Eu acho que este é o meu favorito até agora! Para Gel de Tempting Ilustrações pela concepção de alguns teasers para Siren. Você capturou os momentos perfeitamente, então muito obrigada. Você seriamente chuta os traseiros com seus projetos. Te amo, guria! Também quero agradecer aos meus stalkers da minha equipe de rua, Stalkers de Jaimie. Eu tenho um monte de gente que me apoia em todos os sentidos que podem. Eu amei um bocado todos vocês! Somos todos um pouco loucos, mas onde estaria a diversão se não fôssemos? Eu tenho um agradecimento especial para Amanda Perrie, Cheyenne Davis, Clayr Catherall, e Dawn Vickers por divulgar meus livros e teasers em uma base regular. Eu aprecio todo o tempo e esforço que colocaram em fazer tudo o que vocês fizeram. Vocês detonam! Além disso, para os meus pequenos #HashtagMinxes, que leram os primeiros seis capítulos de Siren e me incentivaram a continuar... este livro ~ 321 ~


é seriamente fodido, então eu sabia que as senhoritas iriam adorar a ideia dele! ;) Muito obrigada. Eu preciso dizer mais um grande obrigada a Joanne Swinney e Isa Jones da JoandIsaLoveBooks por divulgar o roteiro no blog, roteiro de revisão, dia do lançamento de Siren. Vocês fazem de tudo para ajudar os autores. Eu realmente não sei como vocês duas fazem isso! Vocês estão sempre lá sempre que é necessária uma mão amiga, e para isso, sou eternamente grata. E, finalmente, a todos os leitores de amor e romance: Obrigada por dar a Siren uma chance, e eu espero que vocês tenham gostado. Tenho certeza de que vai ter muitos mais por vir, então mantenham um olho atento no Facebook, Amazon e Goodreads. Amor e paz a todos, Jaimie xx

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Profile for Jhully Barbosa

Siren  

Siren  

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