Page 1

UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA Jhonatan Manoel Morais Machado

LGBT+

CENTRO DE CULTURA E ACOLHIMENTO


_ Uma alternativa Ă vida


agradecimentos Ao meu pai e minha mãe pelo amor e por serem principal fonte de inspiração e incentivo para a conclusão de minha graduação. Aos meus irmãos, que sempre acreditaram e reconheceram meu esforço para a construção de minha carreira. Aos meus amigos que além de me incentivar, colaboram diariamente para o meu sucesso. A UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina e seu corpo docente por oportunizar o ambiente de aprendizado ao qual estive inserido durante todo o processo. A minha orientadora, pelo empenho e dedicação em colaborar com a realização deste trabalho. A todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação acadêmica e colaboraram para a formação de minha vida profissional.

_muito obrigado!


resumo O presente Trabalho de Conclusão de Curso consiste no lançamento do partido arquitetônico de um Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+ localizado em Florianópolis-SC com a presença de duas edificações de interesse patrimonial em seu terreno. Para fundamentar a proposta, utilizou-se pesquisas bibliográficas acerca do movimento LGBT no Brasil e no mundo e suas implicações no atual contexto vivenciado, além de informações acerca da homofobia e de suas implicações na vida dos seres humanos. Além disto, o trabalho busca analisar o local de implantação do projeto e por isto apresenta mapas do entorno com as considerações necessárias e o inventário das duas edificações históricas presentes no terreno. Para melhor embasar a proposta arquitetônica realizou-se o estudo de caso no Centro de Cultura e Acolhimento LGBT - Casa 1 em São Paulo e análise de notórios projetos de restauro que acrescentam na proposta. Palavras-chave: Centro de Cultura e Acolhimento LGBT, Restauro, Florianópolis

abstract This bachelor dissertation consists of an Architectural schematic design presentation for a LGBT+ Centre of Culture and Refuge located in Florianópolis-SC with the presence of two building of patrimonial interest on the same field. To justify the research, a bibliographical analysis about the LGBT movement in Brazil and the world along with its connotations in the current context has been carried out, as well as collecting information about homophobia and its implications in human life. In addition, the dissertation seeks to analyse the implementation area of the Project due to that it displays maps of the environment with the necessary considerations and the inventory of the two historic building in the territory. To highlight the architectural proposal, a case study was performed at the LGBT Culture and Refuge Centre – Casa 1 in São Paulo and also the analysis of notorious restoration projects that enrich the project.


lista de figuras Fígura 01 - Mapa de localização - Fonte: Snazzy maps modificado pelo autor.........................................................................................01 Fígura 02 - Rebelião de Stonewall - Fonte: Hypeness...........................................................................................................................05 Fígura 03 - Manchete doJornal O Lampião da Esquina - Fonte: O lampião da esquina............................................................................06 Fígura 04 - Bandeira LGBT - Fonte: UFRGS..........................................................................................................................................07 Fígura 05 - Praia Mole,Florianópolis - SC - Fonte:Yogatrail...................................................................................................................10 Fígura 06 - Beira-mar norte - Fonte: G1...........................................................................................................................................10 Fígura 07 - Documentário Depois do Fervo - Fonte: UFSC...............................................................................................................10 Fígura 08 - Perspectiva das edificações - Fonte: autor........................................................................................................................16 Fígura 09 - Perspectiva das residências - Fonte: autor.....................................................................................................................16 Fígura 10 - Perspectiva das residências - Fonte: autor....................................................................................................................16 Fígura 11 - Vidal Ramos - Fonte: Fundação Vidal Ramos.................................................................................................................23 Fígura 12 - Rua Joaquim do Amor Divino - Fonte: Virgilio Várzea....................................................................................................25 Fígura 13 - Edificações históricas em 1919 - Fonte: Virgilio Várzea.................................................................................................25 Fígura 14 - Edificações históricas atualmente - Fonte: autor............................................................................................................25 Fígura 15 - Perspectiva da Casa maior - Fonte: autor......................................................................................................................28 Fígura 16 - Detalhes das esquadrias - Fonte: autor...........................................................................................................................29 Fígura 17 - Detalhes construtivos - Fonte: autor..............................................................................................................................29 Fígura 18 - Detalhes da marquise - Fonte: autor.............................................................................................................................29 Fígura 19 - Perspectiva da Casa menor - Fonte: autor.....................................................................................................................36 Fígura 20 - Detalhes das esquadrias - Fonte: autor...............................................................................................................................37 Fígura 21 - Detalhes construtivos - Fonte: autor................................................................................................................................37 Fígura 22 - Detalhes da marquise - Fonte: autor.................................................................................................................................37 Fígura 23 - Perspectiva do terreno - Fonte: autor.............................................................................................................................42 Fígura 24 - Casa 1 - Fonte: Benfeitoria.............................................................................................................................................44 Fígura 25 - Perspectiva da fachada principal - Fonte: Archdaily..........................................................................................................45 Fígura 26 - Vão central - Fonte: Archdaily........................................................................................................................................45 Fígura 27 - Salão interno - Fonte: Archdaily.....................................................................................................................................45 Fígura 28 - Planta de Implantação - Fonte: Archdaily........................................................................................................................46 Fígura 29 - Elevações Oeste e Leste - Fonte:Archdaily...........................................................................................................................46 Fígura 30 - Perspectiva externa do museu - Fonte: Archdaily............................................................................................................46 Fígura 31 - Croqui da proposta - Fonte: autor.................................................................................................................................49 Fígura 32 - Perspectiva do projeto - Fonte: autor.............................................................................................................................50


Fígura 33 - Perspectiva frontal do projeto - Fonte: autor........................................................................................................................58 Fígura 34 - Perspectiva do projeto - Fonte: autor..............................................................................................................................58 Fígura 35 - Perspectiva da praça seca e entorno - Fonte: autor.........................................................................................................58 Fígura 36 - Perspectiva da praça seca e entorno - Fonte: autor.........................................................................................................60 Fígura 37 - Perspectiva do térreo livre - Fonte: autor...........................................................................................................................60 Fígura 38 - Vista frontal do centro de acolhimento - Fonte: autor.......................................................................................................60 Fígura 39 - Vista frontal da Clínica Social - Fonte: autor...................................................................................................................62 Fígura 40 -Vista do Centro Cultural - Fonte: autor.................................................................................................................................62 Fígura 41 - Vista do auditório - Fonte: autor......................................................................................................................................62 Fígura 42 - Vista do terraço da edificação - Fonte: autor..................................................................................................................64 Fígura 43 - Perspectiva interna do auditório - Fonte: autor............................................................................................................64 Fígura 44 - Vista da praça seca - Fonte: autor...................................................................................................................................66 Fígura 45 - Vista da passarela - Fonte: autor....................................................................................................................................66 Fígura 46 - Perspectiva frontal das edificações históricas - Fonte: autor...............................................................................................66 Fígura 47 - Vista da passarela - Fonte: autor.......................................................................................................................................68 Fígura 48 - Vista interna do atelier - Fonte: autor..............................................................................................................................68 Fígura 49 - Vista da biblioteca - Fonte: autor.....................................................................................................................................68 Fígura 50 - Perspectiva frontal do projeto - Fonte: autor...................................................................................................................68

lista de tabelas e gráficos Gráfico 01 - Pessoas mortas no Brasil 2000 - 2007 - Fonte: Gupo Gay da Bahia.............................................................................08 Gráfico 02 - Mortes de LGBT no Brasil por faixa etária em 2016 - Fonte: Grupo Gay da Bahia......................................................................08

Tabela 01 - Assasinatos de LGBT no Brasil por estado - Fonte: Grupo Gay da Bahia.........................................................................08 Gráfico 03 - Número de LGBT mortos em 2016 no Brasil - Fonte: Grupo Gay da Bahia..................................................................08 Tabela 02 - Patologias, causas e soluções da casa maior - Fonte: autor.............................................................................................33 Tabela 03 - Patologias, causas e soluções da casa menor - Fonte: autor..........................................................................................41 Tabela 04 - Síntese dos referenciais - Fonte: autor..........................................................................................................................48 Tabela 05 - Programa de necessidades - Fonte: autor....................................................................................................................52


sumário 1. introdução

01

2. fundamentação teórica

05

3. diagnóstico da área

20

4. referenciais projetuais

43

1.1 apresentação do tema e do recorte 1.2 problematização e justificativa 1.3 objetivos gerais 1.4 objetivos especificos 1.5 metodologia

2.1 o movimento LGBT 2.2 o panorama LGBT em Florianópolis 2.3 homofobia e suas consequências 2.4 identidade x orientação x expressão

3.1 os bens históricos 3.2 contexto histórico 3.3 ficha de inventário - casa maior 3.4 ficha de inventário - casa menor

4.1 centro de cultura e acolhimento LGBT+ - Casa 1 4.2cinemateca brasileira 4.3museu rodin bahia 4.4 síntese dos referenciais

01 02 03 03 04

05 11 12 14

20 22 26 34

43 44 46 48

5. partido 5.1 diretrizes de projeto

49

5.2 conceitos 5.3 programa de necessidades 5.4 croquis de intenções 5.5 materialidade 5.6 estudo de insolação 5.7 projeto 5.8 indices do projeto

49 49 52 56 56 57 58 74

6. considerações finais

75

7. referências biliográficas

76


1. introdução


_ ”A arquitetura é a única, entre as artes maiores, cujo uso faz parte de sua essência e mantém uma relação complexa com suas finalidades estética e simbólica” (CHOAY, 2001, p. 230).


1.1 apresentação do tema e do recorte 01

Caneca Rua Frei

Figura 01 - Mapa de localização

Considerando as diferentes violências praticada contra o grupo social LGBT+ e suas consequências, propõe-se a discussão do tema relacionado as diversidades e a necessidade de acolher e dar apoio aos integrantes de pessoas em situação de vulnerabilidade. Sua implantação será feita na rua Frei Caneca, 610 e 626, bairro Agronômica, Florianópolis – SC conforme mapas a seguir:


1.2 problematização e justificativa 02

Muito além da elaboração de projetos e construções, a arquitetura tem como uma de suas funções o engajamento com problemas sociais. A realidade vivida no contexto brasileiro evidencia diversos obstáculos sociais, políticos, econômicos e ambientais. É inegável o fato de que as mazelas e desigualdades do país são grandes e precisam ser trabalhadas. A violência é algo cotidiano na vida das pessoas e é um fator que prejudica negativamente o convívio em sociedade. Dentro desta perspectiva, um grupo que deve ser evidenciado principalmente no Brasil pelas suas carências e violências, é aquele discriminado apenas pela diferença em sua orientação sexual ou gênero. É gritante a quantidade de dados que evidenciam o preconceito, agressões, mortes e violência psicológica ao qual este grupo está submetido. Segundo estudos da organização internacional, Transgender Europe (2018), o Brasil é o país que mais mata transgêneros no mundo. Frente a este cenário, acredita-se que a arquitetura pode atuar como um fator relevante na inclusão deste grupo na sociedade. Por isso, será proposto o projeto de um centro de acolhimento LGBT visando atender aqueles que estão em situação de vulnerabilidade, propiciando sua reinserção na coletividade. Além disso, por acreditar que o acesso à cultura é essencial neste processo, será proposto ainda um centro cultural que auxilie a desmistificação de preconceitos. Um fator importante para o processo de projeto é a escolha do local de inserção do Centro. Neste caso, optou-se por um recorte localizado em área central, a fim de facilitar o acesso e aumentar seu raio de abrangência. Neste recorte, existem duas edificações de interesse histórico que estão degradadas e em desuso, cujo restauro também fará parte da proposta de projeto. Tal proposta de ressignificação busca trazer o novo olhar sobre a edificação e também sobre a temática LGBT+.


03

1.3 objetivos gerais

1.4 objetivos especificos

Desenvolver o anteprojeto arquitetônico de um Centro de Acolhimento LGBT+, em uma edificação com interesse patrimonial no Centro de Florianópolis, a fim de propiciar a inclusão social e cultural.

Analisar o local de implantação do projeto através de mapas e levantamento fotográfico para entender sua relação com o patrimônio histórico. Realizar o levantamento do bem de interesse patrimonial, bem como seu inventário e a identificação das patologias encontradas. Estudar referenciais projetuais que se aproximem do tema, a fim de obter subsídios conceituais e técnicos. Elaborar o partido arquitetônico do Centro de Acolhimento LGBT+.


1.5 metodologia 04

O desenvolvimento do presente TCC I será embasado em pesquisas bibliográficas relacionadas ao tema, em livros, artigos de jornais, sites e arquivos de órgãos públicos. Além disto, será analisado referenciais projetuais de tema semelhante afim de compreender seu conceitos e métodos construtivos. Vale ressaltar, que será realizado o estudo de caso na Casa1, único centro de acolhimento LGBT no Brasil, localizado no bairro Bela Vista, São Paulo - SP. Aliado a isto, serão realizadas visitas técnicas na área de implantação afim de realizar o levantamento das fachadas e plantas da edificação de interesse patrimonial. Também será realizada a análise da área através de mapas, fotografias, pesquisa histórica e entrevistas in loco. Por fim, será analisada todas as informações obtidas de forma crítica para desenvolver o partido arquitetônico e o posterior anteprojeto do Centro de Acolhimento LGBT+.


2. referencial teรณrico


_ ”“Nós estamos atrasadas porque existimos, mas sempre abdicamos de existir. Existimos nos cochichos, nos bochichos, em algum barzinho, em algumas boates, n’alguma cama com algum corpo, nas fantasias e sonhações que, na maioria das vezes, arquivamos desde sempre. Nós estamos atrasadas porque temos medo, receio, cagaço mesmo de viver o que somos. (...) Nós estamos atrasadas porque os valores garantidos pelos esquemas repressivos têm conseguido um desempenho eficaz” Militantes lésbicas do grupo Somos, em colaboração em “O Lampião da Esquina” em 1979


2.1

o movimento lgbt

É certo que a homossexualidade e a transgeneridade têm sua história muito antiga no Brasil e no mundo. É possível encontrar registros de relacionamentos homoafetivos e de gêneros dissidentes desde os tempos mais remotos. Entretanto, podemos identificar modos diferentes de pensar e de ações políticas aplicadas neste âmbito durante os anos. Diversos pesquisadores e historiadores afirmam que a homossexualidade foi aceita em diversas civilizações ao longo da história, a exemplo dos gregos e maias. Contudo, em muitos países, gays, lésbicas, bissexuais e travestis foram e ainda são constantemente mortos e violentados sem proteção da lei que pode ser omissa ou até mesmo dar respaldo para este tipo de violência. O primeiro código penal contra a homossexualidade data do século XIII e pertenceu ao império de Gengis Khan, onde a sodomia era punida com a morte. No Ocidente, as primeiras leis anti-homossexuais, ambas redigidas sob influência da Inquisição, foram publicadas em 1533: o Buggery Act (Inglaterra) e o Código Penal de Portugal. A partir disso, leis antihomossexuais se espalharam por diversos países do Ocidente que, por sua vez, as impuseram às suas colônias. (FERRAZ, 2017, s/p)

Durante os últimos séculos, a violência institucional continuou perseguindo os LGBT. No nazismo eles eram levados aos campos de concentração e marcados com um triângulo rosa invertido que servia para identificar sua homossexualidade. Até os anos 60 a homossexualidade era ilegal em todo o território dos EUA e até os anos 80 ela era considerada doença pelo Instituto Nacional de Assistência Médica da

figura 02 - Rebelião de Stonewall

05


(...) a eliminação de direitos democráticos e de liberdades públicas desencadeada pelo golpe de 1964, com a instauração de um regime autoritário e repressor, adiou as possibilidades da constituição de um movimento dessa natureza no Brasil, adiando-se a emergência de atores políticos que pautavam esses temas na cena pública. Paralelamente, a ditadura reforçou o poder da polícia, a censura sobre diversas esferas da vida e as arbitrariedades da repressão estatal, instituindo uma notória permissividade para a prática de graves violações dos direitos humanos de pessoas LGBT. (PINHEIRO et al., 2014)

Em 1978, o Brasil passa por um marco fundamental na busca dos direitos homossexuais, a fundação do Grupo SOMOS – Grupo de Afirmação Homossexual que representou uma articulação política na luta democrática dos direitos humanos e representou também o início de um movimento social organizado de luta pelo reconhecimento, pela visibilidade e pelo respeito das diversidades sexuais e de gênero. Paralelo a isto, nasce o jornal homossexual brasileiro “O Lampião da Esquina”,

figura 03 - Manchete do Jornal O Lampão da Esquina

06

Previdência Social (Inamps). No Brasil, o movimento LGBT começa a se desenvolver a partir da década de 70 em meio a ditadura civil-militar (1964-1985), que por sua vez representou anos de perseguição, prisões, extorsões, violências e torturas para aqueles que ostentavam em seus corpos ou em seus comportamentos os sinais de sexualidade ou de identidade de gênero dissidente. Promovido por aqueles que cultivavam os valores tradicionais da família brasileira muitas vezes com o apoio do sistema de justiça. Conforme exemplificado pelo relatório da Comissão Nacional da Verdade, que foi instituída pelo governo para investigar as graves violações de direitos humanos durante a ditadura:


figura 04 - Bandeira LGBT

dentro do contexto da imprensa alternativa na época de abertura política de 1970, durante o abrandamento de anos de censura promovida pela ditadura militar. No entanto, no final dos anos 60 e início dos anos 70, surge uma ambiguidade que afirma a existência deste grupo social. Ao mesmo tempo em que se perseguia a liberdade sexual inúmeras boates, casas de shows, bares, e espaços de sociabilidade entre gays surgiam e conviviam com a repressão do Estado nos lugares públicos. Como afirmado por Renan Quinalha (2018) em seu Dossiê sobre os 40 anos de luta do movimento LGBT no Brasil. Na década de 80, a comunidade LGBT passa por um período que impacta profundamente a trajetória do movimento. O surgimento da epidemia da AIDS, que chegou a ser chamada pela mídia de “câncer gay” ou “peste gay” (figura 03). Isto implicou na busca por uma nova perspectiva de administrações públicas. A visibilidade do grupo aumentou e as políticas de saúde foram reinvindicações centrais neste momento. Nos anos 90 emergem novas frentes de integração. Surge uma valorização capitalista em cima da produção monetária dos gays bem-sucedidos que ampliam o mercado, os produtos e os espaços voltados para esta comunidade. Esta relação entre mercado e poderes públicos traduziu-se em uma relação de padrão de cidadania classista pelo consumo, que por sua vez, acaba excluindo os mais pobres. É neste período que a sigla GLS, surge como uma alternativa de marketing para estes espaços que permitiu novas vivências e perspectivas para aqueles que escondiam sua sexualidade. Entretanto, como podemos observar no artigo escrito por Renan Quinalha,

07


também advogado da Comissão Nacional da Verdade, muitas conquistas foram realizadas durante este período de luta: (...) o que era impensável há quarenta anos tornou-se hoje uma realidade na vida de muitas pessoas LGBT no país. Homossexuais já podem se casar e adotar crianças, com os mesmos direitos dos heterossexuais. Pessoas trans podem alterar, no registro civil, o prenome e o sexo diretamente nos cartórios, sem necessidade de cirurgia, laudos médicos ou autorização judicial. Há coordenadorias LGBT na maior parte das instâncias de governo pelo país afora e até mesmo partidos políticos de diferentes matizes ideológicos têm, atualmente, setoriais voltados para as

08

questões LGBT. (QUINALHA, 2018, s/p)

Entretanto, apesar destas conquistas o Brasil ainda ostenta um índice alarmante de assassinato de LGBT por crimes de ódio. Somente no ano de 2017 segundo dados de Mott, Michels e Paulinho (2017), responsáveis pelo Grupo Gay da Bahia, 445 pessoas LGBT foram assassinadas, ou seja, mais de uma pessoa por dia.

Gráfico 01

Pessoas mortas no Brasil 2000 - 2017

Gráfico 02

Mortes de LGBT no Brasil por faixa etária em 2016


Tabela 01

Assasinatos de LGBT no Brasil por estado

Alagoas 20 Amazonas 19 Mato Grosso 16 Rio Grande do Norte 15 Paraíba 14 Roraima 2 Rondônia 6 Mato Grosso do Sul 8 Espirito Santo 11 Piauí 9 Sergipe 6 Ceará 23 Acre 2 Bahia 35 Distrito Federal 7

Pará 19 Paraná 23 Goiás 14 Rio de Janeiro 32 Minas Gerais 36 Pernambuco 15 Tocantins 2 Maranhão 9 São Paulo 58 Amapá 1 Rio Grande do Sul 11 Santa Catarina 6

09

Número de LGBT mortos em 2016

Gráfico 03

Legenda Gays Trans T-lovers Lésbicas Bissexuais


Figura 07 - Documentรกrio Depois do Fervo

Figura 06 - Beira-mar Norte

Figura 05 - Praia Mole, Florianรณpolis -SC

10


2.2 o panorama LGBT em Florianópolis

Lançada em 2013, uma campanha da Santur utilizava o slogan “Santa Catarina. Aproveite o melhor destino LGBT do Brasil” a fim de firmar o estado como um paraíso gay-friendly no cenário nacional, ao lado de cidades como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE) que são notórias cidades com presença do turismo LGBT. O principal motivo da popularidade de Florianópolis neste cenário é a presença de baladas, bares, festas e casas noturnas voltadas a este público que se alia a imagem de um paraíso repleto de praias (fígura 05) pessoas bonitas e paradas do orgulho LGBT movimentadas (fígura 06) que são vendidas nos meios de comunicação. Porém, o reflexo deste investimento surge de uma tendência mundial da monetização dos bens de consumo para os gays, o chamado pink-money – o poder de consumo gay. Épocas festivas como final do ano, carnaval e as paradas da diversidade não passam despercebidas pelo setor do comércio que sofre um grande movimento na economia. Entretanto, as instituições do estado e consequentemente da capital apresentam um caráter conservador, conforme exemplificado por Guilhermina Cunha Ayres (2017), presidente do Conselho Municipal LGBT de Florianópolis, que também afirma que demorou muito tempo para se discutir direitos humanos na cidade e mais ainda para que surgissem candidatos políticos que apoiassem essa bandeira. O documentário “Depois do Fervo”, (fígura 07), do jornalista Matheus Faisting de 2018, mostra a realidade vivida em Florianópolis e propõe o contraponto entre a “ilha da magia” vendida pelo turismo e a real situação vivenciada pelos gays da cidade que convivem com violências, agressões e abusos em locais públicos e privados. A violência cotidiana assola aqueles LGBT que residem em Florianópolis, pois muitos relatos podem ser encontrados de agressões em espaços da cidade. Segundo Faisting, em entrevista a NSC TV (2018): “Florianópolis é uma cidade que não é muito segura para a comunidade LGBT. A gente encontra muitos casos de violência, agressão homofóbica, lesbofóbica, transfóbica, bifóbica aqui em Florianópolis. Mas muito disso ainda não é divulgado. Primeiro porque as pessoas têm um pouco de receio de contar que sofreram algum tipo de agressão e segundo porque realmente não se quer muito revelar essa realidade” (FAISTING, NSC TV, 2018)

Independente disto, a luta firmada contra a violência é constante e existem articuladores que permitem vislumbrar avanços no campo dos direitos humanos em Florianópolis. Existe, por exemplo, a ADEH (Associação em Defesa dos Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade) que é uma organização não governamental que atua no sentido da promoção de saúde e da discussão no campo dos direitos LGBT.

11


12

2.3 homofobia e suas consequências As violências praticadas contra os LGBT não pertencem a um passado distante, como observado no texto anterior. O movimento LGBT possui no Brasil cerca de 40 anos e desde então promove lutas em prol desta comunidade. Entretanto, uma grande dificuldade encontrada neste percurso é o fato de o Brasil não possuir uma legislação específica que possa enquadrar os crimes de homofobia. Recentemente, no dia 13 de Junho de 2019, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que a descriminação por orientação sexual e identidade de gênero seja punida segundo a Lei de Racismo. O racismo é um crime inafiançável e imprescritível segundo o texto constitucional e pode ser punido com um a cinco anos de prisão e, em alguns casos, multa. BARIFOUSE, 2019

Por isto, ainda não existe um canal específico para realizar denúncias, normalmente elas são enquadradas pela polícia como ameaça, perturbação da tranquilidade, agressão, furto, roubo, entre outros, o que acaba inviabilizando dados oficiais que forneçam indicadores da quantidade de homossexuais mortos e agredidos no Brasil. Além dos crimes de agressão vale ressaltar que existem muitos outros crimes que assolam esta parcela da população. A violência psicológica e a agressão verbal são formas extremamente comuns em locais e espaços públicos, constrangem e trazem medo para aqueles que sofrem. Os assassinatos normalmente estão acompanhados de violência, sangue, estupros e covardias que afirmam o imaginário dos homofóbicos de que os gays possuem corpos descartáveis. Tal perversidade podem ser observados nos exemplos a seguir:


“Travesti Dandara foi apedrejada e morta a tiros no Ceará” diz secretário.

Travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, foi agredida e assassinada. Polícia prendeu dois homens e apreendeu três jovens; um segue foragido.” (CE, 2017)

“Jovens que agrediram gay na paulista com lâmpada terão que pagar multa de R$ 25,7 mil.

Caso aconteceu em novembro de 2010. Quatro menores e um jovem de 19 anos participaram das agressões.” (SP, 2018)

“Padrasto é acusado de matar enteado de 10 anos por dizer que é gay”. (ISTOE, 2018)

“Travesti é encontrada morta com mãos e pés amarrados em Roraima.

Sandrielly Vasconcelos também sofreu um corte profundo no pescoço. Ela tinha apenas 24 anos”. (LIVRE, 2019)

“Homofobia: Casal é agredido por ao menos 4 homens em Londres”.

Agressores exigiram que elas se beijassem, jogaram moedas, socaram e roubaram as duas, de acordo com relato. (GAZETA, 2019)

“Em reduto gay de São Paulo, fui chutado enquanto ouvia ‘morre, veado’”.

Em depoimento, designer gráfico da Folha relata violência que sofreu na rua Augusta. (FOLHA DE SÃO PAULO, 2019)

13


14

2.4 identidade x orientação x expressão O imaginário social das pessoas costuma divagar sobre os temas acerca da população LGBT, justamente por ser um grupo que possui liberdade de expressão há pouco tempo e ainda é muito estigmatizado. Entretanto, deve-se manter em vista que a forma de expressão de uma pessoa deve ser uma escolha pessoal e que não cabe de influência de outros, mantendo o princípio da individualidade e respeito ao livre arbítrio. De maneira geral, entende-se que o ser humano nasce com um sexo biológico definido: masculino e feminino. Atualmente, entende-se também que existem pessoas intersexo, conforme a Sociedade Intersexo da América do Norte (2018) “Intersexo” é um termo geral usado para uma variedade de condições em que uma pessoa nasce com uma anatomia reprodutiva ou sexual que não parece caber as definições típicas do sexo feminino ou masculino.” (Isna, 2019, s/p, tradução nossa). [1] A identidade de gênero diz respeito a forma como o ser se identifica perante a sociedade. O ser cis-gênero é aquele que se identifica com o sexo biológico que nasceu, o ser transgênero é aquele que não se identifica com o sexo que nasceu. A orientação sexual diz respeito a atração da pessoa em relação a outra. Se for por uma pessoa do mesmo sexo, homossexual. Se for por pessoa de sexo diferente, heterossexual. Se atrair-se pelos dois sexos, bissexual. E as expressões sexuais são aquelas que causam a maior estigmatização da sociedade em geral, pois normalmente, colocamos gêneros nas coisas que por si só não possuem gênero. A exemplo de conjuntos de vestimentas, acessórios, modificações corporais, maquiagens, estilos de cabelo, depilação e comportamentos em geral. [1] “Intersex” is a general term used for a variety of conditions in which a person is born with a reproductive or sexual anatomy that doesn’t seem to fit the typical definitions of female or male.


3. diagnรณstico da รกrea


_ “A construção de nossos espaços democráticos depende da promoção de profundas reformas estruturais concretas de caráter político e urbano. As discussões acerca de nosso Habitat não depende de fórmulas mirabolantes mas de organização e premissas mínimas onde, de fato, os interesses coletivos predominem sobre os demais, na sociedade.” CAU/BR


15

Vista aérea do local

Inserida em uma área valorizada da cidade, o Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+ se estabelece em um lote com cerca de 23.0000m² na Rua Frei Caneca, 610 e 626, bairro da Agronômica, Florianópolis – SC. A principal necessidade que permeou a escolha do terreno foi a de um local bem inserido na malha urbana, possibilitando o fácil acesso ao equipamento. Entretanto, diversos outros fatores corroboram para a decisão, como a escolha de uma área com edificações de interesse patrimonial que possibilitasse o restauro de sua arquitetura. Privilegiado pela dinâmica urbana, o Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+ está introduzido em um bairro de caráter predominantemente residencial, mas com grande número de serviços no entorno. Os gabaritos são intensamente verticais em virtude dos grandes empreendimentos da Beira-mar Norte. As ocupações dos lotes buscam exprimir os valores mais altos das taxas estipuladas pelo Plano Diretor, desta forma, obtemos um espaço de alta densidade populacional com oferta de serviços em seu entorno. Os mapas a seguir apresentam análises e reflexões acerca da ocupação do entorno, bem como os equipamentos urbanos e a caracterização dos arredores, a fim de aprimorar o conhecimento sobre o espaço edificado e propor diretrizes concretas no lançamento do partido arquitetônico ao levar em conta as características da vizinhança. Vale ressaltar que as condicionantes legais que permeiam a construção e a análise do entorno estão baseadas na Lei Complementar 482, de 17 de Janeiro de 2014 que institui o Plano Diretor de Florianópolis.


Figura 10 - Panorâmica das residências

Figura 09 - Perspectiva das residências

16 Figura 08 - Perspectiva das edificações


Áreas verdes O mapa ao lado representa as principais manchas de vegetação do entorno sendo que a grande maioria pertencem a lotes privados, com exceção dos espaços disponibilizados pelas praças da Avenida Beira-mar Norte. Vale ressaltar que o terreno de inserção do projeto possui uma grande massa vegetativa em sua composição e que este é um fator que agrega muitos aspectos positivos ao empreendimento.

Legenda Áreas verdes

Público x privado A cidade é formada por diversos tipos de usos que devem conviver de forma harmônica, por isto, ela se organiza entre espaços públicos e privados que se associados de forma justa proporciona um espaço de qualidade para as pessoas. Como observado no mapa, os espaços públicos no entorno caracterizamse basicamente pelas ruas que são usadas apenas como espaços de circulação e pouco propiciam o uso dos pedestres e os lotes que são caracterizados como privado, em predominância na região, bloqueiam a entrada e a apropriação das pessoas.

Legenda Público Privado

Cheios e vazios O local está inserido em uma área valorizada de Florianópolis, por isto, os empreendimentos ocupam o máximo dos terrenos, desta forma, diminuindo ou zerando os espaços vazios dentro dos lotes. Os espaços ociosos e vazios remanescentes, normalmente, são lotes privados a espera de construções e os maiores lotes vistos como vazios são caracterizados por praças que parecem surgir dos espaços entre as construções e que funcionam como espaço de lazer para a população.

17

Legenda Edificado Não edificado


Legenda Comércio Residencial Uso misto Serviços Educacional

18

Uso e ocupação Como previsto pelo Plano Diretor, a ocupação do solo é predominantemente residencial e com presença de serviços, e comércios no entorno. Tal dinâmica propicia um espaço com vitalidade pois disponibiliza para os moradores serviços perto de suas residências. Entretanto, percebe-se que estes serviços possuem um certo distanciamento entre si e são tímidos se comparados com a abundância de áreas residenciais.

Sistema viário Legenda Arterial Coletora Local

Um dos principais aspectos do é a boa inserção do projeto na malha urbana visto que ele necessita ser de fácil acesso para aqueles que precisam de acolhida rápida. A Rua Frei Caneca é caracterizada como uma via coletora que realiza a ligação entre as ruas locais da Agronômica com vias de extrema importância para a cidade, como a via arterial Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos, conhecida como Avenida Beira-mar Norte. Existem muitas linhas de ônibus que transitam pelo local e realizam a conexão com importantes eixos de Florianópolis.


Zoneamento Segundo o Plano Diretor de Florianópolis o terreno possui três zoneamentos diferentes, ARM e ARP. As ARM - Áreas Residenciais Mistas estão divididas entre 6.5 e 14.5 sendo que a primeira permite a construção de empreendimentos de até 6 pavimentos com uma taxa de ocupação 50% e coeficiente de aproveitamento de 3,76 e o segundo permite até 14 pavimentos com taxa de ocupação de 50% e coeficiente de aproveitamento de 5,52. A ARP – Área Residencial Predominante permite a construção de até 2 pavimentos com taxa de ocupação de 50% e coeficiente de aproveitamento de 1,5, sendo que ela se diferencia do primeiro por possuir um caráter vicinal em seu comércio.

Gabaritos

Legenda ARM 6,5 ARM 14,5 ARP AMC ZEIS AVL

19

Legenda 1 a 3 pvto. 4 a 6 pvto. +7 pvto. +12 pvto.

Em sua porção oeste, na Avenida Beira-mar Norte, a predominância é de edifícios altos com mais de 12 pavimentos que criam uma barreira visual para a rua Frei Caneca bem como aumenta sua densidade. Em sua porção leste o gabarito é predominado por edificações de 1 e 2 pavimentos com caráter residencial e de ocupação menos densa.


A

Beira-mar Norte

Edificações de altos gabaritos

20

Edificação de interesse patrimonial

Massa vegetativa a ser preservada

A

situação 1:1250

corte aa 1:1250


3.1 os bens históricos

O processo de restauro de uma edificação significa muito além da manutenção de uma edificação histórica, ela representa a manutenção do significado de uma narrativa no tempo. Desta maneira, o programa de necessidades do Centro de Acolhimento LGBT+ se apoia em duas edificações de interesse patrimonial para fomentar a discussão acerca da preservação dos bens históricos e para ressignificar o ser LGBT através do restauro de uma edificação que assim como ela está a margem da sociedade. Conforme Betina Adams (2001), o processo de preservação pressupõe a conscientização e a identificação de algo relacionado com a nossa memória e passado, ao qual é conferido um valor tal que justifique esforços individuais e coletivos, no sentido de sua manutenção no tempo. Desta forma, o proposto é utilizar a identidade e a memória afetiva das pessoas afim de criar um sentimento de pertencimento ao espaço, assegurando o desenvolvimento e a continuidade da existência humana. A implantação do projeto acontece em um terreno com duas edificações de interesse histórico que passaram pelo processo de tombamento através do Decreto Nº 12.856, de 20 de Março de 2014 pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, sancionada pelo prefeito Cesar Souza Junior (PSD). Entretanto, a edificação não possui mais proteção pois o Decreto Nº 15.210, de 24 de Setembro de 2015 revogou o tombamento das edificações em questões, que possuíam o caráter de tombamento P2, informação a qual foi cedida pelo IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis). As Categorias de Preservação de que trata o artigo anterior tem as seguintes definições: I - P-1 - Imóvel a ser totalmente conservado, ou restaurado, tanto interna como externamente pelo excepcional valor Histórico, Arquitetônico, Artístico ou Cultural de toda a unidade. II - P-2 - Imóvel partícipe de conjunto arquitetônico, cujo interesse histórico está em ser parte desse conjunto, devendo seu exterior ser totalmente conservado ou restaurado, mas podendo haver remanejamento interno, desde que sua volumetria e acabamento externos não sejam afetados, de forma a manter-se intacta a

21


22

possibilidade de aquilatar-se o perfil histórico urbano e sejam mantidos aqueles elementos internos de valor histórico e/ou arquitetônico; e III - P-3 - Imóveis próximo à edificação ou a conjunto arquitetônico de interesse histórico, podendo ser demolido ou readequado, mas ficando a reedificação ou edificação sujeita a restrições capazes de impedir que a nova construção ou utilização descaracterize as articulações entre as relações espaciais e visuais ali envolvidas. Art. 4º As unidades classificadas como P3 não poderão ter altura superior aos prédios históricos vizinhos, sem pilotis ou ático. (FLORIANÓPOLIS, 2015)

Corroborando com a ideia da antiga legislação que previa o tombamento da edificação, a proposta de restauro das edificações e a utilização do espaço com outra função permite uma dinâmica melhor para a cidade, uma vez que possibilita que este acervo edificado sofra mutações em sua função mas sem perder suas características originais de maneira que suas lembranças perdurem no tempo, funcionando como camadas de sobreposição da história que conversam de forma harmônica. Hoje, o local não cumpre seu papel social visto que a falta de dinâmica urbana ocasionada pelo abandono da edificação causou sua deterioração ao longo do tempo. As rachaduras, o mofo, os desabamentos e o péssimo estado de conservação mostram claramente a forte pressão do mercado imobiliário sobre o terreno de alto valor. O local pertence a Construtora Santa Catarina LTDA que parece não ligar para o cenário encontrado, visto que notificações foram encaminhadas e reuniões foram marcadas a fim de tentar legalizar a situação deste e de outros empreendimentos históricos abandonados na ilha e nada se concretizou, como observado na notícia “Força-tarefa do MP notifica proprietário a limpar casa da família Ramos, na Capital” (NSC, 2018) Desta forma, ADAMS (2001) afirma que a preservação cultural tem que ser compreendida também no âmbito do processo econômico visto que um objeto protegido através dos mecanismo legais existentes, a exemplo de praças, conjunto de edificações ou um objeto artístico só incorpora valor e adquire o sentido de ser quando assim reconhecido pelos cidadãos.


3.2 contexto histórico

Construídas pelo ex-governador do estado, Vidal Ramos (figura 11), as duas edificações localizadas na Rua Frei Caneca, 610 e 626 funcionaram como sua residência e de sua família após cederem seu antigo palácio para os Jesuítas construírem uma escola, o atual Colégio Catarinense. Viviam na casa menor, os nove filhos homens, e na casa maior Vidal Ramos, sua esposa, as cinco filhas mulheres e um casal que tomava conta da esposa adoecida . Figura importante no cenário da política catarinense, Vidal Ramos, natural de Lages-SC, ocupou todos os cargos governamentais, exceto o de Presidente da República, sendo que a educação era uma de suas principais pautas de discussão. Durante o mandato como governador deu especial atenção à educação e construiu os seis primeiros grupos escolares no estado, entre eles: o Lauro Muller em Florianópolis e o G.E. Vidal Ramos, em Lages. Propiciou a vinda para Florianópolis dos padres jesuítas que fundaram o Colégio Catarinense. Também investiu em outros setores enquanto governador como a viação, estradas e agricultura. (FUNDAÇÃO VIDAL RAMOS, 2016, S/P)

Figura 11 - Vidal ramos

Não existem muitos registros específicos sobre o local que permitam determinar com exatidão o período de construção, entretanto, existem relatos e fotografias que permitem criar uma estimativa. No livro de Adolfo Nicolich da Silva (1999, p. 104), “Ruas de Florianópolis”, pode-se observar uma fotografia (figura 12 e 13) de 1920 onde, segundo Nicolich, o “vendedor ambulante percorre a estrada, à época, sem calçamento. Os dois prédios em destaque, construídos por Vidal Ramos em frente ao antigo Iate Clube, ainda permanecem no local.” A estrada sem calçamento, a presença do trilho do bonde e a edificação construída próximas ao recuo frontal são elementos característicos de uma Florianópolis que, segundo Eliane Veras da Veiga (2010), enxerga por volta de 1900 o nascimento de seus primeiros bairros que até então, possuíam um panorama mais rural do que urbano “somente no século XX o quadro social alterou-se com certa rapidez, promovendo um adensamento urbano e a consagração de hábitos e práticas mais citadinas do que rurais”, e sem esquecer a forte relação com o mar. (...) as suas casas rareadas, erectas bem na linha da praia sobre os terrenos de marinha, os jardins e quintais avançando para as ondas. (...) Este alegre arrabalde, com a sua casaria caiada de vários feitios, (...) atrai (...) aos domingos uma grande parte da população desterrense, que percorre o bairro a carro, a cavalo, ou em grupos a pé (...). A extensão da rua principal e sua amplitude conferem uma certa feição de avenida campestre a toda Pedra Grande, tornando-a paraíso para as excursões e cavalgadas (SILVA, 1999)

23


A rua Frei Caneca que, segundo Silva (1999), chamava-se Joaquim do Amor Divino Caneca pertencia ao bairro da Pedra Grande, atual Agronômica, que apesar de ter possuído uma forte ruralidade, já possuía o aspecto de freguesia e existe no traçado urbano de Florianópolis desde 1819 (apud FLORIANÓPOLIS, 2013). (...) sai do largo de mesmo nome e desce para o cais de São Luis, num leve pendor sinuoso cercado de sebes de espinhos, dentre as quais se erguem pequeninas habitações colocadas esparsamente aqui e ali, com as suas cercas de boas-noites, à frente de terreiros floridos (...) vai se dar ao boulevard magnífico de Pedra Grande, onde começa a estrada das Carreiras (...) (VÁRZEA, 1984, p. 39).

24

Ao estipular seu período de construção e compará-la com a análise visual da edificação, permite-se dizer que a obra pertence ao ecletismo que segundo, Eliane Veras da Veiga (2010) foi o tipo de unidade arquitetônica mais executado a partir da segunda metade do século XIX em Florianópolis. O ecletismo no Brasil apresenta novos esquemas de implantação da arquitetura urbana que cria um grande esforço para o ingresso do Brasil no mundo contemporâneo. Segundo REIS FILHO (2000) estas etapas de evolução podem ser vistas como uma transição entre as tradições e a situação presente, representando uma renovação dentro dos velhos moldes construtivos e que teve larga difusão. A partir da independência, a paisagem histórica mudou, e esse feitio citadino começou a ser lentamente transformado em função das novas necessidade e aspirações da vida individual e coletiva. Na arquitetura, as alterações foram pequenas, destacando-se a renovação das fachadas, na qual os edifícios elevaram-se com os porões altos, apareceram as platibandas, amputando os beirais dos telhados, e revisaramse as regras de geometrização e simetria dos cheios e vazios. Foram introduzidos novos materiais, como o ferro, o vidro, e detalhes construtivos como sacadas, guarda-corpos trabalhados, lanternas, bandeiras e cantarias. (VEIGA, 2010, p.135)

No decorrer de sua história, a edificação já possuiu outros usos. Segundo relato de moradores do entorno, já abrigou órgãos governamentais, DETRAN e sede de partidos políticos. Entre 1991 e 2000 o espaço foi utilizado pelo Colégio Autonomia, que segundo informações cedidas pela diretora administrativa, Córdula Reuwsaat Paul, realizou modificações na edificação somente em seu interior, sem descaracterizar as fachadas. A edificação representa no contexto atual, um remanescente da produção arquitetônica do século XX. Os elementos ecléticos, a volumetria, os métodos construtivos e até mesmo a falta do afastamento frontal da edificação representam uma história e legado que merecem ser guardados haja vista a produção arquitetônica contemporânea do entorno que é extremamente modificada pelo massivo aumento demográfico. Então, embora não tenha sido encontrado registro da planta original da casa, acreditase que as alterações realizadas na casa pelo Colégio Autonomia não tenham descaracterizado significativamente o espaço interno devido ao fato de a edificação possuir paredes estruturais. Desta forma, o material base para o desenvolvimento do trabalho foi cedido pelo Colégio Autonomia sendo que a sua reprodução a seguir desconsidera as divisórias instaladas pelo Colégio.


figura 14 - Edificações Históricas atualmente

Figrua 13 - Edificações históricas em 1919

25

Figura 12 - R a Joaquim do Amor Divino


3.3 ficha de inventário - casa maior

FICHA DE LEVANTAMENTO CADASTRAL 5 - CLASSIFICAÇÃO/CATEGORIA N.º 01 ( ) Conjunto Histórico Acervo histórico /arquitetônico do Município (X) Edifício isolado de Florianópolis

( ) Ruínas

1 - IDENTIFICAÇÃO Rua: Frei Caneca n.º: 610

Bairro: Agronômica CEP: 88025-053 . Inscrição Cadastral: 45.88.078.0743 Nome do ocupante: Desocupado Ponto de referência: Próximo ao McDonalds da Beira-mar Norte Propriedade: Construtora Santa Catarina LTDA

26

2 -SITUAÇÃO URBANA (X) Rua/ Estrada

( ) Zona de pedestre ( ) Servidão ( ) Praça/ Largo 3 - LOCALIZAÇÃO NA QUADRA

6 - ARQUITETURA (X) Civil ( ) Oficial Pública ( ) Militar ( ) Religiosa 6 - USO ATUAL/N.º Pav.

Residencial ( ) ( ) Comercial ( ) ( ) Escritório ( ) ( ) Restaurante ( ) ( ) Hotel ( ) ( ) ( ) ( ) Culto ( ) ( ) Institucional ( ) ( ) Industrial ( ) ( ) Deposito (X) (2) Desocupado Outro:................... 7 - CONDIÇÕES DE HABITABILIDADE (X) Iluminação natural (X) Ventilação natural (X) Umidade

( ( ( ( 4 - MEDIÇÕES (5,85m) Largura da via (3,00m) Largura da calcada (0,00m) Recuo frontal (67,50m) Recuo lateral esquerdo (6,00m) Recuo lateral direito (23.246,80m²) Área do lote (610,00m²) Área total construída (91,00m) Testada principal (302,00m) Profundidade

) Água ) Luz ) Esgoto ) Calçamento

8 - ÉPOCA DA CONSTRUÇÃO

( ) Até 1850 ( ) de 1850 a 1900 (X) de 1900 a 1950 ( ) Após 1950Data de construção: Aprox. 1920 9 - ENTORNO

( ) Homogêneo (X) Heterogêneo ( ) Descaracterizado


10 - ESTILO: (X) Original Ecletismo

19 - FORMA DE VERGAS (X) Reta

( ) Descaracterizado

( ) Arco Abatido (X) Arco Pleno ( ) Ogival

11) LOCAÇÃO (X) Isolada

( ) Conjugada ( ) Geminada 12 - VOLUMETRIA (X) Original ( ) Parcialmente alterada (

20 - COBERTURA/ FORMA (8) N.º de águas

( ) Aberturas na cobertura )

Totalmente alterada 13 - NÚMERO DE PAVIMENTOS: (2) Atual e (2) Original 14 - ESTADO DE CONSERVAÇÃO ( ) Satisfatório ( ) Razoável (X) Precário 15 - FACHADA/ REVESTIMENTO:

( ) Azulejo antigo ( ) Azulejo recente (X) Reboco e tinta ( ) Telha ( ) Metal ( ) Madeira ( ) Vidro ( ) Cantaria ( ) outro: _____________________ 16 - FACHADA/ ELEMENTOS: (X) Marquises de laje

( ) Marquises de metal 17 - PAREDES:

( ) Taipa ( ) Madeira (X) Alvenaria tijolo ( ) Alvenaria pedra ( ) Alvenaria mista 18 - VÃOS: (X) Janela com peitoril

( ) Janela com balcão sacada ( ) Janela com balcão entalado (X) Porta ( ) Óculo ( ) Seteira

21 - TELHA

( ) Capa e canal (X) Francesa ( ) Zinco ( ) C. amianto Outra.......................... 22 - BEIRAL (X) Telha

( ) Cachorros (X) Platibanda Emparedada ( ) Platibanda Balaustrada ( ) Platibanda mista ( )Lambrequim ( ) Cimalha ( ) Beira- seveira 23 - PROTEÇÃO LEGAL

( ) Municipal ( ) Estadual ( ) Federal ( ) Tom. Individual ( ) Tom. Conjunto (X) Nenhum 24 - PERIGOS POTENCIAIS (X) Poluição (X) Agentes Naturais (X) Falta de proteção (X) Falta de Manutenção (X) Ambiência (X) Acervo (X) Integridade (X) Ação Humana

27


FICHA DE LEVANTAMENTO CADASTRAL N.º 01 Acervo histórico /arquitetônico do Município de Florianópolis

Casa Maior Térreo 0 01 1

10

55

1010

01

5

10

planta baixa térreo 0 1

5

planta baixa superior 10

0 1

5

10

Figura 15 - Perspectiva da casa maior

Levantamento fotográfico

5

Casa Maior Térreo

28

01

Casa Menor Casa Maior Pavimento Superior Térreo

Levantamento de plantas baixas


Figura 16 - Detalhes das esquadrias

esquadrias

Composição de janelas de arco pleno que ditam a estética da fachada frontal.

Esquadria de madeira do tipo guilhotina pintada de branco com vidro de fechamento.

Apesar do estado de conservação, pode-se observar os arabescos que compõe a estética da janela de verga reta.

detalhes

Figura 17 - Detalhes construtivos

29

Elemento superior que coroa todos os diversos ornamentos.

Detalhe da platibanda com diversos volumes e detalhes.

Pode-se observar que a pedra também participa da composição da estética da fachada.

O forro de madeira, hoje degradado, faz parte da finalização e do acabamento da edificação.

O pilar metálico da marquise mostra a relação de evolução dos materiais empregados na construção.

Figura 18 - Detalhes da marquise

marquise

Caracteristico do ecletismo, a marquise cria um abrigo e marca a entrada da edificação.


Levantamento das fachadas

30 fachada frontal fachada frontal 1:125 1:125

fachada posterior

fachada 1:125 posterior 1:125


31

fachada lateral direita fachada lateral direita 1:125 1:125

fachada lateral esquerda

fachada 1:125lateral esquerda 1:125


Levantamento das patologias da fachada

32 fachada frontal 1:125

fachada frontal 1:125

fachada posterior posterior fachada 1:125 1:125


legenda

patologia

causa

solução

Esquadria quebrada

Ação humana, vandalismo, falta de Se possível, realizar a manutenção na manutenção esquadria de acordo com o desenho legendaP01 patologia causa solução original, caso contrário, trocar a Esquadria quebrada Ação humana, vandalismo, falta de Se possível, realizar a manutenção na esquadria por uma de desenho manutenção esquadria de acordo com o desenho P01 semelhante ao original original, caso contrário, trocar a esquadria por uma de desenho original a esquadria por uma de Esquadria faltante Ação humana, vandalismo,semelhante falta de aoTrocar P02 manutenção desenho semelhante ao original Esquadria faltante

Ação humana, vandalismo, falta de Trocar a esquadria por uma de manutenção desenho semelhante ao original Movimentação térmica, vibração Reconstrução das partes afetadas e Queda de parte do P03 revestimento do tráfego do entorno realizar a manutenção do restante da argamassado casa Movimentação térmica, vibração Reconstrução das partes afetadas e Queda de parte do revestimento do tráfego do entorno realizar a manutenção do restante da Infitração, falta de manutenção Manutenção e pintura com tinta P04 argamassado Pintura descascando casa adequada

P02

P03

P04

fachada lateral direita 1:125 fachada lateral direita fachada lateral direita 1:125 1:125

P05

Pichação

Ação humana,Árvores vandalismo Manutenção eRetirada pintura com tinta do entorno que depositam das vegetações, desobstruir adequada suas sementes nos telhados sujos os ralos e retirar as matérias organicas

Vegetação

P06

P07

Mofo, bolor

P09

de matéria orgânica Árvores do entorno que depositam suas sementes nos telhados sujos Queda de parte de da matéria orgânica Falta de manutenção, marquise

acumuladas Retirada das vegetações, desobstruir os ralos e retirar as matérias organicas acumuladas Recontrução da parte faltante

movimentação térmica, rachaduras Falta de manutenção, movimentação térmica, rachaduras Infiltração

Infiltração Queda de parte da platibanda

seguindo o desenho original

Recontrução da parte faltante seguindo o desenho original Realizar impermeabilizações e realizar a manutenção

Realizar impermeabilizações e realizar Falta de manutenção, a manutençãoRecontrução da parte faltante movimentação térmica, rachaduras seguindo o desenho original

Queda de parte da platibanda Rachadura P10

P09

Rachadura

Tabela 02

P10

P11

Vegetação

Queda de parte da marquise Mofo, bolor P08

P08

fachada lateral esquerda 1:125

Infitração, falta de manutenção Manutenção e pintura com tinta Ação humana, vandalismoadequada Manutenção e pintura com tinta adequada

P06

P07

fachada lateral esquerda 1:125 fachada lateral esquerda 1:125

Pintura descascando Pichação

P05

P11

Falta de manutenção, Recontrução da parte faltante movimentação térmica, rachaduras seguindo o desenho original Infiltração, enraizamento de Reconstrução das partes afetadas e vegetação na calçada, realizar a manutenção do restante da movimentação térmica, vibração casa Infiltração, enraizamento de Reconstrução das partes afetadas e do tráfego do entorno vegetação na calçada, realizar a manutenção do restante da movimentação térmica, vibração casa Balaustra faltante Ação humana, vandalismo Recontrução da parte faltante do tráfego do entorno seguindo o desenho original

Balaustra faltante

Ação humana, vandalismo

Recontrução da parte faltante seguindo o desenho original

Além da manutenção das patologias supracitadas, recomenda-se a manutenção constante da edificação de maneira que haja poda frequente das árvores do entorno, substituição das telhas faltantes, manutenção da tesoura telhado,supracitadas, investigaçãorecomenda-se dos problemas estruturais da edificação Além da manutenção das do patologias a manutenção constante da e de suas patologias edificação de maneira internas que haja. poda frequente das árvores do entorno, substituição das telhas faltantes, manutenção da tesoura do telhado, investigação dos problemas estruturais da edificação e de suas patologias internas .

33


3.3 inventário - casa menor

FICHA DE LEVANTAMENTO CADASTRAL 5 - CLASSIFICAÇÃO/CATEGORIA N.º 02 ( ) Conjunto Histórico Acervo histórico /arquitetônico do Município (X) Edifício isolado de Florianópolis

( ) Ruínas

1 - IDENTIFICAÇÃO Rua: Frei Caneca n.º: 626

Bairro: Agronômica CEP: 88025-053 . Inscrição Cadastral: 45.88.078.0743 Nome do ocupante: Desocupado Ponto de referência: Próximo ao McDonalds da Beira-mar Norte Propriedade: Construtora Santa Catarina LTDA

34

2 -SITUAÇÃO URBANA (X) Rua/ Estrada

( ) Zona de pedestre ( ) Servidão ( ) Praça/ Largo 3 - LOCALIZAÇÃO NA QUADRA

6 - ARQUITETURA (X) Civil ( ) Oficial Pública ( ) Militar ( ) Religiosa 6 - USO ATUAL/N.º Pav.

Residencial ( ) ( ) Comercial ( ) ( ) Escritório ( ) ( ) Restaurante ( ) ( ) Hotel ( ) ( ) ( ) ( ) Culto ( ) ( ) Institucional ( ) ( ) Industrial ( ) ( ) Deposito (X) (1) Desocupado Outro:................... 7 - CONDIÇÕES DE HABITABILIDADE (X) Iluminação natural (X) Ventilação natural (X) Umidade

( ( ( ( 4 - MEDIÇÕES (5,85m) Largura da via (3,00m) Largura da calcada (0,00m) Recuo frontal (52,00m) Recuo lateral esquerdo (29,95m) Recuo lateral direito (23.246,80m²) Área do lote (370m²) Área total construída (91,00m) Testada principal (302,00m) Profundidade

) Água ) Luz ) Esgoto ) Calçamento

8 - ÉPOCA DA CONSTRUÇÃO

( ) Até 1850 ( ) de 1850 a 1900 (X) de 1900 a 1950 ( ) Após 1950 Data de construção: Aprox. 1920 9 - ENTORNO

( ) Homogêneo (X) Heterogêneo ( ) Descaracterizado


10 - ESTILO: (X) Original: Ecletismo

19 - FORMA DE VERGAS (X) Reta

( ) Descaracterizado

( ) Arco Abatido (X) Arco Pleno ( ) Ogival

11) LOCAÇÃO (X) Isolada

( ) Conjugada ( ) Geminada 12 - VOLUMETRIA (X) Original ( ) Parcialmente alterada (

20 - COBERTURA/ FORMA (2) N.º de águas

( ) Aberturas na cobertura )

Totalmente alterada 13 - NÚMERO DE PAVIMENTOS: (X) Atual e (2) Original 14 - ESTADO DE CONSERVAÇÃO ( ) Satisfatório ( ) Razoável (X) Precário 15 - FACHADA/ REVESTIMENTO:

( ) Azulejo antigo ( ) Azulejo recente (X) Reboco e tinta ( ) Telha ( ) Metal ( ) Madeira ( ) Vidro ( ) Cantaria ( ) outro: _____________________ 16 - FACHADA/ ELEMENTOS: (X) Marquises de laje

( ) Marquises de metal 17 - PAREDES:

( ) Taipa ( ) Madeira (X) Alvenaria tijolo ( ) Alvenaria pedra ( ) Alvenaria mista 18 - VÃOS: (X) Janela com peitoril

( ) Janela com balcão sacada ( ) Janela com balcão entalado (X) Porta ( ) Óculo ( ) Seteira

21 - TELHA

( ) Capa e canal (X) Francesa ( ) Zinco ( ) C. amianto Outra.......................... 22 - BEIRAL (X) Telha

( ) Cachorros ( ) Platibanda Emparedada (X) Platibanda Balaustrada ( ) Platibanda mista ( )Lambrequim ( ) Cimalha ( ) Beira- seveira 23 - PROTEÇÃO LEGAL

( ) Municipal ( ) Estadual ( ) Federal ( ) Tom. Individual ( ) Tom. Conjunto (X) Nenhum 24 - PERIGOS POTENCIAIS (X) Poluição (X) Agentes Naturais (X) Falta de proteção (X) Falta de Manutenção (X) Ambiência (X) Acervo (X) Integridade (X) Ação Humana

35


FICHA DE LEVANTAMENTO CADASTRAL N.º 02

Acervo histórico /arquitetônico do Município de Florianópolis

Levantamento de plantas baixas Casa Menor Térreo

01

10

5

36 planta baixa térreo 0 1

5

10

Figura 19 - Perspectiva da casa menor

Levantamento fotográfico


Figura 20 - Detalhes das esquadrias

esquadrias

A esquadria de verga reta demonstra o desprendimento dos preceitos utilizados até então na história.

Pode-se observar que o estado de conservação da edificação é precário e muitas das esquadrias nem estão mais presentes no local.

Porta de entrada da edificação feita em madeira maciça.

detalhes

Figura 21 - Detalhes construtivos

37

Detalhe da grade de ventilação do porão feito em ferro fundido.

Detalhe dos ornamentos dos pilares que compõe a fachada.

Detalhe da platibanda balaustrada, que está presente somente na fachada frontal e coroa a cobertura feita de telha francesa.

Caracteristico do ecletismo, a marquise está parcialmente desabada devido o descaso com a edificação.

Elemento de apoio do pilar metálico para sustentar a marquise, o guarda corpo balaustrado é um elemento importante do projeto.

Figura 22 - Detalhes da marquise

marquise

Marquise que marca a entrada da edificação, feita em madeira e pilares metálicos.


Levantamento da fachada

38 fachadafachada frontal frontal 1:125

1:125

fachada posterior

fachada posterior 1:125 1:125


39 fachada lateral direita 1:125

fachada lateral esquerda 1:125

fachada lateral direita 1:125

fachada lateral esquerda 1:125


Levantamento das patologias da fachada

40 fachada frontal 1:125

fachada frontal 1:125

fachada posterior fachada posterior 1:125

1:125


legenda

patologia

Tabela 03

solução

Ação humana, vandalismo, falta de manutenção

Se possível, realizar a manutenção na esquadria de acordo com o desenho original, caso contrário, trocar a esquadria por uma de desenho semelhante ao original

P02

Esquadria faltante

Ação humana, vandalismo, falta de manutenção

Trocar a esquadria por uma de desenho semelhante ao original

P03

Queda de parte do revestimento argamassado

Movimentação térmica, vibração do tráfego do entorno

Reconstrução das partes afetadas e realizar a manutenção do restante da casa

P04

Pintura descascando

Infitração, falta de manutenção

Manutenção e pintura com tinta adequada

P05

Pichação

Ação humana, vandalismo

Manutenção e pintura com tinta adequada

P06

Vegetação

Árvores do entorno que depositam suas sementes nos telhados sujos de matéria orgânica

Retirada das vegetações, desobstruir os ralos e retirar as matérias organicas acumuladas

P07

Queda de parte da marquise

Falta de manutenção, movimentação térmica, rachaduras

Recontrução da parte faltante seguindo o desenho original

P08

Mofo, bolor

Infiltração ascendente

umidade

Realizar impermeabilizações e realizar a manutenção

P09

Queda de parte da platibanda

Falta de manutenção, movimentação térmica, rachaduras

Recontrução da parte faltante seguindo o desenho original

P10

Rachadura

Infiltração, enraizamento de vegetação na calçada, movimentação térmica, vibração do tráfego do entorno

Reconstrução das partes afetadas e realizar a manutenção do restante da casa

P11

Balaustra faltante

Ação humana, vandalismo

Recontrução da parte faltante seguindo o desenho original

P01

fachada lateral direita fachada lateral direita 1:125 1:125

causa

Esquadria quebrada

por

Além da manutenção das patologias supracitadas, recomenda-se a manutenção constante da edificação de maneira que haja poda frequente das árvores do entorno, substituição das telhas faltantes, manutenção da tesoura do telhado, investigação dos problemas estruturais da edificação e de suas patologias internas . fachada lateral esquerda fachada lateral esquerda 1:125

1:125

41


figura 23 - Perspectiva aĂŠrea do terreno

42


4. referenciais projetuais


_“A arquitetura é a arte cientifica de fazer as estruturas expressarem ideias” Frank Lloyd Wright


Figura 24 - Casa 1

3.1 Centro de Cultura e Acolhimento Casa 1 São Paulo - SP

O Centro de Cultura e Acolhimento LGBT, Casa 1, é uma organização localizada na região central de São Paulo e financiada coletivamente pela sociedade civil. O espaço é dividido em duas localizações: a Casa de Acolhida na esquina das Ruas Condessa e São Joaquim e o Centro Cultural na rua Adoniran Barbosa. Ambos buscam ajudar lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros em situação de vulnerabilidade social a se reestabelecer perante a sociedade de forma inclusiva. Em visita realizada no local no dia 24/03/2019 foi realizada uma formação de voluntários onde foi possível constatar que o espaço comporta até 20 pessoas dormindo em acolhida, dentro de uma faixa etária de 18 a 25 anos e que podem estabelecer moradia por até 4 meses. Entretanto, fica evidente que todos estes valores podem variar conforme as necessidades específicas dos moradores. O espaço do centro cultural conta com: salas de aula, salas multiuso, atelier, 4 salas de atendimento, uma clínica social com atendimentos a baixo custo de psicoterapia, nutrição e assistência social, além de uma biblioteca, cozinha, banheiros e sala de informática. Desta forma, através de voluntários podem oferecer cursos de: idiomas, canto, costura, maquiagem, ioga, teatro, luta, curso preparatório para o ENEM (EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO) etc. A casa de acolhida, também conta com salas de integração, cozinha e dormitórios. Vale ressaltar que a estrutura do local é a adaptação de uma casa e de um galpão para abrigar o programa de necessidades, desta forma, o espaço possui diversas falhas e apresenta certa precariedade em suas instalações mas, sua importância como referencial se estabelece pela possibilidade de existência de um equipamento como tal perante a cidade consolidada de forma a estimular a inserção do ser LGBT na sociedade.

43


3.2 Cinemateca brasileira São Paulo - SP Arquiteto da edificação: Alberto Kuhlman Função inicial: Matadouro Municipal de São Paulo Arquiteto do restauro: Nelson Dupré Ano de construção: 1884

Fundada em 1940 a Cinemateca Brasileira é a responsável pela preservação e divulgação da produção audiovisual brasileira e hoje ocupa o espaço que antes era o Matadouro Municipal de São Paulo. O conjunto é tombado por seu patrimônio histórico no poder estadual pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimonio Historico) e no municipal pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

44

Os edifícios remanescentes do “núcleo histórico” do antigo Matadouro, restaurados e adaptados às suas atuais necessidades, tais como: centro de documentação, café, áreas de apoio, sanitários e salas de cinema e de eventos. Além das antigas edificações, no terreno de 40.000 m2 (...) foram construídas outras instalações específicas das atribuições da Cinemateca: laboratórios de restauro de filmes, depósitos, arquivos de matrizes e áreas administrativas. (DUPRÉ, s/d.)

No início do processo de restauro, as tesouras do telhado estavam danificadas, então o arquiteto optou por substituí-las por tesouras metálicas que seguiam o mesmo desenho da estrutura original, representando o contraponto entre os materiais da edificação original e da intervenção, desta forma, o vidro também foi utilizado em diversos lugares como coberturas que permeiam todo o projeto e das janelas e tem a intenção de trazer a transparência e convidar as pessoas para dentro da edificação. Desta forma, a relação de referência com a edificação se dá pelo uso dos materiais de maneira coerente, gerando distinguibilidade, que permite ao visitante identificar aqueles elementos que são remanescentes da época e aqueles que são de implantação posterior, respeitando a edificação original e os conceitos contemporâneos de restauro.


Figura 27 - SalĂŁo interno

Figura 26 - VĂŁo central

45

Figura 25 - Fachada principal


3.3 Museu Rodin Bahia Salvador - BA Área: 3055m² Arquiteto da edificação: Brasil Arquitetura Ano de construção: 2002

Criar uma filial do Museu Rodin em Salvador, a primeira fora da França, pressupunha o cumprimento de uma série de exigências. A primeira delas era encontrar uma sede que pudesse ter significado cultural para a cidade e que atendesse a todos os requisitos técnicos para acolher as cerca de setenta peças originais em gesso, parte do acervo do museu em Paris. (ARCHDAILY, 2019)

46

Para isto, foi escolhido o Palacete Comendador Catharino, de 1500m² localizado, segundo a Galeria da Arquitetura (SEM DATA), em uma região concentradora de casarões construídos entre os séculos 19 e 20. Todas as intervenções realizadas na edificação buscam dotá-la de infraestrutura necessária para o funcionamento do museu, desta forma as ações educativas e recepção ficam no térreo do palacete e as áreas de exposição nos dois pavimentos superiores e as atividades administrativas no sótão, onde foi necessário a criação de uma escada. Entretanto, era necessário acolher a reserva técnica e criar espaço para exposições temporárias, tudo isto se uniu a um restaurante-café em um anexo proposto que se liga através de uma passarela de concreto protendido de 3m de altura a edificação histórica restaurada. A edificação proposta é robusta, de concreto aparente, fechamentos de vidro, traços retos e treliças de madeira que agregam personalidade ao projeto e deixam claro seu período de construção. Desta forma, o contraste entre o novo e o antigo estimula uma conversa arquitetônica entre as edificações pois representam seu tempo de construção, suas técnicas construtivas e valores da época em que foram edificadas. Com um paisagismo que abraça o conjunto edificado e traz unidade para a obra, Raul Pereira, explorou espécies tropicais em seu projeto. As formas do espaço externo foram ordenadas de forma a criar caminhos para os pedestres e carros e também para criar espaços de exposição no lado de fora das edificações.


Figura 30 - Perspectiva externa do Museu

Figura 29 - Elevações Oeste e Leste

47

Figura 28 - Planta de Implantação


48

referencial

síntese

Centro de Cultura e Acolhimento Casa 1

A relação de referência com o projeto se estabelece no entendimento amplo de funcionamento de uma edificação com a finalidade proposta. Desta forma, o referencial auxilia na construção do programa de necessidades e do que é necessário para a existência deste espaço, a organização, a forma de trabalho, como proceder com a acolhida e quais os deveres e funções

Cinemateca brasileira

A aplicação dos principais conceitos de restauro podem ser encontrados neste projeto que de forma clara faz a distinção dos materiais aplicados no restauro, cria estruturas reversíveis e espaços que contam a história por si só. Além disto, a forma coerente da distribuição dos ambientes pela edificação em um programa de necessidades bem estruturado conforme a sua necessidade

Museu Rodin Bahia

A relação harmoniosa entre as edificações que estimulam a relação entre o novo e o antigo de maneira que compreenda-se a importância da preservação de bens históricos e do avanço nas tecnologias construtivas. E vale ressaltar que a relação de materiais coerente e de um paisagismo tropical criam uma atmosfera singular no espaço.

Tabela 04 - síntese dos referenciais

3.4 síntese referenciais


5. partido arquitetĂ´nico


_ “A arquitetura é a vontade de uma época traduzida em espaço” Mies van der Rohe, 1923


Figura 31 - Croqui da proposta

DESENHO A MÃO

5.1 diretrizes de projeto

5.2 conceitos

Criar um espaço de acolhida e um espaço Cultural para a população LGBT em situação de vulnerabilidade. Propor o restauro das duas edificações de interesse patrimonial inseridas no local bem como realizar intervenções que respeitem a sua história. Edificar espaços de qualidade para a população que permitam a sociabilidade, o lazer e a vivência no espaço público. Estimular a conversa arquitetônica entre a edificação anexa proposta e a edificação histórica dando uso para ela e integrando-a novamente no contexto urbano. Respeitar a insolação, a ventilação natural e o uso coerente de materiais. Preservar a mata vegetativa remanescente e utilizá-la para a criação de alguns espaços pequenos de estar, sociabilidade e apropriação. Propor a relação entre o bem patrimonial e o novo de forma coerente entre seus materiais, programa, volume, composição visando os princípios de reversibilidade, mínima intervenção e distinguibilidade.

Solidez – para se concretizar no espaço urbano e para representar segurança. Aconchego – para os acolhidos se sentirem em casa, se sentirem pertencentes ao espaço. Transparência – para a sociedade saber o que se passa dentro do espaço e sua produção cultural. Social – Funcionar como um espaço que tenha uma função social e colabore com a melhora da sociedade, integrando o ser LGBT. Cultural – Inserir no programa e em suas conexões, espaços em que a sociedade não LGBT possa apropriar-se do espaço também. Restauro – propor a ressignificação do bem histórico das edificações e compreender sua importância. Pano de fundo - construir uma edificação anexa que funcione como pano de fundo da edificação histórica. Exposição dos materiais - utilizar elementos com seus acabamentos naturais de maneira a expor seu verdadeiro aspecto.

reversibilidade: pois a restauração não deve impedir, tem, antes, de facilitar qualquer intervenção futura portanto, não pode alterar a obra em sua substância, devendo-se inserir com propriedade e de modo respeitoso em relação ao preexistente. distinguibilidade: pois a restauração (que é vinculada às ciências históricas) não propõe o tempo como reversível e não pode induzir o observador ao engano de confundir a intervenção ou eventuais acréscimos com o que existia anteriormente, além de dever documentar a si própria. mínima intervenção: pois a restauração não pode desnaturar o documento histórico nem a obra como imagem figurada. (KUHL, 2005)

49


Figura 32 - Perspectiva do projeto

50


51


5.3 programa de necessidades

1º PVTO

Intimo Serviços

2º PVTO

CASA MAIOR

Social

Intimo | Clínica Social

Serviços

1º PVTO

CASA MENOR

Social

Intimo

1º PAVIMENTO

TÉRREO

Serviços

TERRENO

ANEXO ÁREA EXTERNA

3º PAVIMENTO

52

2º PAVIMENTO

Social

Serviços

Social

AMBIENTE

USUÁRIO

MOBILIÁRIO

QNTD.

ÁREA (estipulado)

Sala de TV

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Sofás, mesas, poltronas e TV

1

20m²

Banheiros

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Pias, vaso sanitário e chuveiro

1

10m²

Quartos

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Camas, guarda-roupa e bancada

5

15m²

DML

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Armários

1

5m²

Recepção

Todos os urusários do espaço

Balcão de atendimento, cadeiras, sofás, computador

1

10m²

Sala

Todos os urusários do espaço

Sofás, mesas, poltronas

1

20m²

Banheiros

Todos os urusários do espaço

Pias, vaso sanitário

1

10m²

Refeitório

Todos os urusários do espaço

Mesas, cadeiras, balcão de atendimento, estantes

1

50m²

Sala multiuso

Pacientes da triagem ou acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

2

10m²

Jurídico

Pacientes da Cliníca Social e do Centro de Acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

1

10m²

Assistência Social

Pacientes da Cliníca Social e do Centro de Acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

1

10m²

Nutrição

Pacientes da Cliníca Social e do Centro de Acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

1

10m²

Psicoterapia

Pacientes da Cliníca Social e do Centro de Acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

1

10m²

Enfermagem

Pacientes da Cliníca Social e do Centro de Acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

1

10m²

Psicologia

Pacientes da Cliníca Social e do Centro de Acolhimento

Mesas, cadeiras, armários

1

10m²

DML

Funcionários e moradores do Centro de Acolhimento

Armários

1

5m²

Cozinha

Funcionários e moradores do Centro de Acolhimento

Equipamentos de cozinha, pia, armários, fogão, geladeira

1

15m²

Sala de estar

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Sofás, mesas, poltronas

1

20m²

Sala de TV

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Sofás, mesas, poltronas e TV

1

20m²

Quartos

4 Moradores por quarto e funcionários do Centro de Acolhimento

Camas, guarda-roupa e bancada

6

15m²

Banheiros

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Pia, vaso sanitário, chuveiro

3

4m²

Lavanderia

Moradores e funcionários do Centro de Acolhimento

Tanque, maquinas de lavar, armários e varal

1

10m²

Auditório

Toda a população

Computador, cadeiras, qaudro

1 50m²

Biblioteca

Toda a população

Mesas, cadeiras, armários e estantes

1 50m²

Banheiros

Toda a população

Pias e vasos sanitários

4 10m²

Salão de exposições

Toda a população

Cavaletes, mobiliários de exposição

1 150m²

Sala multiuso

Toda a população

Mesas, cadeiras, bancadas, sofás

Banheiros

Toda a população

Pias e vasos sanitários

2 10m²

Sala de informática

Toda a população

Mesa, computador, cadeiras e quadro

2 20m²

Salas de aula

Toda a população

Mesas, cadeiras e armários

3 20m²

Salas de oficinas

Toda a população

Mesas, cadeiras e armários

3 20m²

Atelier

Toda a população

Mesas coletivas e cadeiras

2 20m²

Banheiros

Toda a população

Pias e vasos sanitários

2 10m²

Espaço de trabalho colaborativo

Moradores e funcionários do centro e toda a população

Mesas, cadeiras, fogão, geladeira, sofás

1 120m²

Banheiros

Toda a população

Pias e vasos sanitários

2 10m²

Sala multiuso

Funcionários

Mesas, cadeiras e armários

1 10m²

Depósito

Funcionários

Armários

1 10m²

Curadoria

Funcionários

Mesas, cadeiras e armários

1 30m²

Bangalos

Toda a população

Bancos e cabana

Trilhas

Toda a população

x

Área multiuso

Toda a população

Bancos e mesas

Teatro, coreto

Toda a população

x

Praça

Toda a população

x

100m²

Tabela XX - Programa de necessidades

SETOR

Social


Entrada de luz zenital

Cobertura

3º Pavimento

2º Pavimento

1º Pavimento

53

Térreo


[1] Retirada de terra da parte traseira das edificações históricas. Desta forma mantemos o formato do terreno e preserva-se a grande massa vegetativa existente no local.

[2] Liberação de espaço para implantação do projeto. Cria-se então espaço para a edificação que funcionará como pano de fundo para as edificações históricas.

[3] Implementação do muro de contenção de 10m de altura. O muro de gabião amarrado ficará exposto e funcionará como um elemento de projeto.

[4] Volume de implantação do projeto que contará com 4 pavimentos e 1 subsolo. O volume triangular ficará afastado 5m do muro de arrimo e acompanhará seu formato.

54


[5] Criação da circulação vertical. É por este local que será distribuído os fluxos do edifício que será feito por uma caixa de vidro em meio ao projeto.

[6] Liberação do térreo e do terraço para uso. A liberação do térreo busca atrair o pedestre para o edifício e o terraço é criado na intenção de atrair o usuário para o topo do edifício.

55

[7] Implantação da caixa d’água, marquise, auditório e paisagismo. Elementos os quais irão colaborar com a estética e funcionalidade do projeto.

[8] Estabelecer conexão entre a edificação histórica e o anexo proposto. A última intervenção serão aquelas que estabeleceram conexões diretas com a edificação histórica.


5.4 Croquis de intenções

_Auditório conectando-se com o térreo

_Circulação vertical em caixa de vidro

_Conexão da edificação histórica com o anexo proposto

_Muro de contenção afastado da edificação proposta

5.5 Materialidade

56


5.6 Estudo de insolação O estudo de insolação surge da necessidade de amparar as decisões projetuais com embasamento na orientação solar e nas suas implicações. Desta forma, a praça seca proposta se baseia no fato de que ela possuirá sombra em grande parte do dia. Fato que ocorre devido a presença de edifícios de altos gabaritos no entorno. Entretanto, como alguns raios solares ainda penetram a edificação, principalmente nos momentos de temperatura mais alta, brises camarão de madeira natural foram propostos na intenção de proteger o projeto de incidência solar e aumentar sua eficiência energética. Vale ressaltar que a posição da edificação anexa bem como seu gabarito buscou ser implantada de forma a não causar sombra nas edificações históricas, contribuindo para sua conservação e vida útil. Equinócio

Manhã

Meio-dia

Tarde

Como observado no esquema acima, no equinócio, a edificação cria sombra pelo período da manhã na praça seca e ao longo do dia começa a ser coberta pela sombra das edificações de alto gabarito na beira-mar norte. Solstício de inverno

Manhã

Meio-dia

Tarde

No solstício de inverno a edificação estará sombreada durante grande parte do dia, ficando iluminada naturalmente quase que apenas no meio-dia. 57

Solstício de verão

Manhã

Meio-dia

Tarde

No solstício de verão o projeto contará com incidência solar em grande parte do dia, ficando sombreada somente no período da tarde. Desta forma, o brise auxiliará criando sombra quando necessário.


5.7 Projeto

Figura 33 - Perspectiva frontal do projeto Vista pela perspectiva fontal, a edificação histórica ganha destaque com o novo pano de fundo que busca evidenciar os diferentes períodos de construção da obra.

Figura 34 - Perspectiva do projeto A praça seca funciona como um elemento de chegada no projeto permitindo a apropriação do usuário e cria um espaço de contemplação da relação entre o antigo e o novo na arquitetura. Também ajudará a dividir os fluxos do projeto e nortear o pedestre.

58

Figura 35 - Perspectiva da praça seca e entorno O anexo proposto contará com poucos pavimentos em respeito ao edifício tombado. Os brises de madeira natural permitem uma fachada dinâmica que se alia ao concreto aparente para compor sua estética.


B 4 1 1

1

2

1 3

3 2

6

C

6

1 7 5

8

9

10

11

C

B

59 Legenda:

Planta de implantação 1:750

Quartos - 1 Banheiros - 2 Sala da estar - 3 Sala de TV - 4 Cozinha - 5 Lavanderia - 6 Sala de jantar - 7 Auditório - 8 Recepção - 9 Circulação vertical - 10 Biblioteca - 11


Figura 36 - Perspectiva da praça seca e entorno Os brises camarão permitem a abertura total da fachada para o exterior, estimulando a relação de transparência entre a produção cultural do local e a sociedade.

Figura 37 - Perspectiva do térreo livre O muro de gabião exposto compõe a estética final do projeto e permite que os usuários se apropriem dele para pendurar quadros, por exemplo. O auditório se abre para o térreo em uma caixa de vidro, desta forma, todas as atividades realizadas ali serão de conhecimento da população.

60

Figura 38 - Vista frontal do Centro de Acolhimento As fachadas históricas receberam a pintura branca, visto que a cor original da edificação é desconhecida. Propõe-se a instalação de luminárias de piso que iluminem a edificação histórica e gere um destaque para ela.


B

2 1 2 2

C

2 3

2

2

4 5

6 9 8 8

7

C

B

61

Legenda:

Planta 1º pavimento 1:750

Recepção Clinica - 1 Atendimento clinica - 2 Banheiro - 3 Passarela - 4 Auditório - 5 Sala multiuso - 6 Centro Cultural - 7 Banheiros - 8 Circulação vertical - 9


Figura 39 -Vista frontal da Clinica Social Um portão lateral de vidro permite a entrada de pessoas para a biblioteca, ao fundo, e também de veículos para carga e descarga.

Figura 40 - Vista do centro cultural O paisagismo foi pensado de maneira a dividir os fluxos, estimular a permanência e ordenar o espaço. Mesas, bancos, postes de iluminação, canteiros e espelhos d´água são os protagonistas da proposta

62

Figura 41 - Vista do auditório A liberação do térreo permite que a população se aproprie do espaço de diversas formas. O muro de gabião está afastado 5m da edificação, desta maneira permite-se a circulação de ar e entrada de sol na construção.


B

C

1 2 2 1 4 3 3

5

C

B

63

Legenda:

Planta 2º pavimento 1:750

Atelier - 1 Salas multiuso - 2 Banheiro - 3 Circulação vertical - 4 Centro cultural - 5


Figura 42 - Vista do terraço da edificação A liberação do terraço para apropriação das pessoas cria uma espécie de mirante que permite a apreciação do Skyline do entorno e também da edificação histórica.

Figura 43 - Perspectiva interna do auditório As cadeiras empilháveis do auditório permitem a modificação do layout do espaço. O auditório possuirá uma forte relação com o exterior de forma que o espaço ganhe mais vida.

64

Figura 44 - Vista da praça seca A diferenciação dos materiais é algo notável e implica diretamente na compreensão do tempo de construção. Desta forma, foi proposto um anexo nos fundos da edificação menor para ampliar o espaço da lavanderia.


B

C

2

1

4 3 3

5

C

B

65

Legenda:

Planta 3º pavimento 1:750

Espaço colaborativo - 1 Terraço - 2 Banheiro - 3 Circulação vertical - 4 Centro cultural - 5 Passarela - 6


Figura 45 - Vista da passarela A passarela de concreto armado permitirá a integração direta entre o Centro Cultural e a Clinica Social.

Figura 46 - Perspectiva frontal das edificações históricas Para filtrar os fluxos, alguns muros em concreto armado foram propostos, através desta perspectiva, pode-se observar que o muro não encosta nas edificações históricas e tem estéticas diferentes mantendo o principio da reversibilidade e diferenciação.

66

Figura 47 - Vista da passarela A passarela tem 2,5m de largura e vão de 20m.


B

C

3

1

2

C

B

67

Legenda:

Planta de cobertura 1:750

Caixa d’ågua- 1 Entrada de luz zenital - 2 Cobertura de madeira- 3


Figura 48 - Vista interna do atelier Os brises que permitem a total abertura criam o aspecto de integração entre o interno e externo.

Figura 49 -Vista da biblioteca A pavimentação permite a identificação dos fluxos em meio aos canteiros. O layout estimula a apropriação e a vegetação busca criar sombra e um clima no local.

68

Figura 50 - Perspectiva frontal do projeto Composto por madeira natural, concreto e muro de gabião exposto, a estética do projeto é forte e demonstra fortemente a sua tentativa de ancorar-se em um ponto importante da cidade.


1

B

C

2

C

B

69

Legenda:

Planta subsolo 1:750

Rampa de acesso - 1 Recepção - 2


Rua Frei Caneca

70

corte perspectivado bb 0 1

3

5

Eificaçþes restauradas e pintadas de branco Passarela de concreto protendido e vidro


71

Acabamento em madeira natural

Brises camarão de madeira natrual Bloco de circulação vertical e caixa d’água


72

corte perspectivado cc 0 1

3

5

Paineis pivotantes Auditรณrio de vidro

Cobertura de madeira


73

Muro de contenção de gabião amarrado

Bloco de circulação vertical Entrada de luz zenital


Vista sequencial

5.8 índices do projeto

Centro de acolhida

Clinica social

Auditório

428,00 m²

298,00 m²

223,00 m²

Centro cultural + biblitoeca

Pessoas em acolhida

5657,00 m²

44 pessoas

Área total = 6.606m² Área do terreno = 23.246,80m² 74

Taxa de ocupação Permitido: 50% Utilizado: 29% Vagas de estacionamento: Solicitado: 145 carros, 261 motos, 258 bicicletas e 1 embarque e desembarque para ônibus Atendido: 89 carros, 10 motos, 30 bicicletas Altura máxima: Permitido: 58m Utilizado: 18m


6. consideraçþes finais


_ “A emoção da ciência traduzida em técnica pelo homem é a mesma comunicada pela obra de arte. Equilíbrio, estrutura, rigor, aquele mundo outro que o homem não conhece, que a arte sugere, do qual o homem tem nostalgia” Lina Bo Bardi


O desenvolvimento do presente estudo possibilitou a compreensão de diversas camadas que compõe o desenvolvimento de um projeto arquitetônico, buscando conciliar esta produção com assuntos contemporâneos e de cunho social. O trabalho buscou transpassar diversas reflexões, e a principal foi a temática LGBT que parece ser complexa mas traz junto de si um anseio de cuidado e de acolhida como apresentado nos dados do trabalho. A violência cotidiana é um problema enfrentado por diversas minorias no Brasil, o preconceito parece algo enraizado na sociedade e que causa diversos problemas naqueles que sofrem com isto. Desta forma, acredita-se que a arquitetura funciona como um meio de permitir que estas parcelas da população tenham acesso a equipamentos públicos e de qualidade. Desta forma, pode-se aliar o projeto com o restauro das edificações que junto com os estudos acerca do processo do tombamento também possibilitam diversas reflexões e corroboram com dinâmicas contemporâneas do espaço urbano e transpassam questões como especulação imobiliária e a forma de desenvolvimento da cidade. No decorrer da concepção do projeto buscou-se criar uma produção arquitetônica que oferecesse a estrutura adequada para o acolhimento de LGBT em situação de vulnerabilidade e que da mesma forma pudesse se adaptar a todos os tipos de usuários, uma vez que um edificio com tal programa de necessidades só alcançaria sua função se tivesse integração urbana e social.

75


7. referências biblioráficas


76


77


78

Profile for Jhonatan Machado

Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+  

Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+, uma alternativa à vida

Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+  

Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+, uma alternativa à vida

Advertisement